Latest / NABOA / EP 84 | COP DAS QUEBRADAS
Transcript
- 0:02A cop é o assunto do momento, mas uma pesquisa recente mostrou
- 0:06que 70% dos brasileiros não sabem do que o evento se trata e
- 0:11quem já conhece anda meio descrente do cumprimento dos
- 0:15objetivos propostos. Então vamos lá.
- 0:17A cop é a conferência das partes, ou também conhecida como
- 0:21a conferência do clima, o maior evento sobre as mudanças
- 0:25climáticas do mundo, que reúne mais de 190 países que juntos.
- 0:30Abordam questões importantes como a transição energética e o
- 0:34financiamento climático. A busca por soluções, a revisão
- 0:38de metas e o estabelecimento de novos compromissos são os
- 0:42principais pontos e, geralmente, o evento é frequentado por
- 0:46especialistas políticos e empresários.
- 0:50Mas e as pessoas? E quem sofre diretamente com os
- 0:53efeitos das mudanças climáticas no dia a dia?
- 0:56Eis que o diretor da Coordenadoria de vilas e favelas
- 1:00da regional centro sul de Belo Horizonte, Julio pessoa, propôs
- 1:04a criação da cop das quebradas e foi prontamente atendido pela
- 1:09prefeitura de BH, através da Secretaria municipal de meio
- 1:13ambiente, assim como eles conseguiram abrir a roda e dar
- 1:17espaço para moradores de vilas, favelas e ocupações.
- 1:21Eu também abro esse espaço aqui no na boa para conversar e
- 1:25divulgar essa iniciativa tão potente.
- 1:28Júlio pessoa e Ana Paula Assumpção, a diretora de
- 1:31educação ambiental da Secretaria municipal de meio ambiente.
- 1:35Que prazer receber vocês aqui e poder apresentar cópias
- 1:39quebradas para mais pessoas. Prazer é todo nosso, fico muito
- 1:45feliz. De estar aqui podendo falar
- 1:48desse evento que a gente está muito feliz de estar construindo
- 1:52juntos com outras organizações, com outros movimentos e
- 1:56principalmente com o pessoal morador das áreas de vilas e
- 1:59favelas da nossa cidade. Faço minhas as palavras da Ana e
- 2:06pra nós é um prazer estar aqui e muito obrigado pelo convite.
- 2:13Bom, o Júlio, eu não sei como que ainda não tinha participado
- 2:16do na boa, porque a nossa conexão já vem de tempos, né,
- 2:19Júlio? A gente já já esteve juntos em
- 2:22várias ações. Eu já acompanho o seu trabalho
- 2:24também há muito tempo em uma das principais favelas aqui de Belo
- 2:28Horizonte, que é o morro do papagaio, né?
- 2:30Mas eu queria entender hoje, mais especificamente, Júlio, já
- 2:34que você foi o grande idealizador desse projeto, como
- 2:37é que surgiu a ideia da cópia das quebradas?
- 2:40Então, a ideia surgiu do desejo de colocar as quebradas no radar
- 2:44das discussões sobre o clima? Como você bem disse aí é e não
- 2:48apenas como objeto de pesquisa, mas principalmente como
- 2:52protagonista da própria história, uma vez que nós,
- 2:55moradores e moradores de igreja e favelas, já lidamos com essas
- 2:58questões antes mesmo de se chamar mudança climática.
- 3:02E Eu Acredito que não tem como discutir emergência climática,
- 3:05meio ambiente e sustentabilidade sem envolver as quebradas nesse
- 3:09processo. E numa ação de plantio no
- 3:12aglomerado da Serra, onde o João Paulo, o secretário de meio
- 3:15ambiente, estava presente. Eu fiz essa provocação Pra Ele,
- 3:18né, e perguntei, né, se se a quebrada não vai até a cop,
- 3:23porque não trazer a cop até as quebradas?
- 3:27Ele gostou da ideia, né? Aí deu o aval pra gente colocar
- 3:31em prática. E foi aí também que a Ana
- 3:34entrou, né? Com toda a sua articulação.
- 3:37E seu profissionalismo e também o seu desejo de transformação.
- 3:41Não estou aqui puxando sardinha para ela, não, mas de fato é.
- 3:46Ela é uma entendedora do processo e estamos aí.
- 3:51Como é que foi Ana receber essa proposta, né?
- 3:54Que eu acho que vai muito de encontro, acho não.
- 3:56Tenho certeza que vai muito de encontro com o trabalho que você
- 4:00realiza aí, né, na Secretaria. Sim, e eu falo que, como
- 4:04educadora, Eu Acredito muito no poder de transformação da
- 4:07educação. E a cop das quebradas é um
- 4:12evento que tem esse poder de transformação.
- 4:15Eu gosto muito de falar assim que eu sou movida de desafios.
- 4:17Eu gosto de fazer algo que tá fora da caixinha, mas que tem
- 4:22esse potencial de transformação da realidade.
- 4:25Então, quando veio esse convite, né?
- 4:28O Júlio fez essa provocação, o João Paulo, prontamente.
- 4:32Atendeu e falou, Bora fazer. E a gente, né?
- 4:35Começou a discutir. Então tem por volta de 6 meses
- 4:39que nós estamos nessa construção, reunindo toda semana
- 4:42e articulando com outras organizações, com outros
- 4:46movimentos, com outros setores da prefeitura.
- 4:48Então é uma construção a várias mãos.
- 4:52E pra dar certo um evento como esse, a gente realmente precisa
- 4:56fazer com que a rede se integre e que todos os atores realmente
- 5:00consigam participar. Porque nós precisamos levar a
- 5:04discussão da emergência climática pra toda a população,
- 5:08pra todas as pessoas, principalmente pro pra quem é
- 5:11mais atingido. E o grande diferencial da cop é
- 5:14que ele vai permitir justamente que a gente faça essa discussão.
- 5:19Com a população mais vulnerável às mudanças climáticas na nossa
- 5:23cidade. Então é um grande desafio, mas é
- 5:27um evento com potencial muito grande.
- 5:29A gente tem certeza que desse evento vão sair várias
- 5:33iniciativas e várias razões muito importantes aí pra nossa
- 5:37cidade. Bom, vocês citaram aí o João
- 5:40Mena, né, que é o nosso secretário.
- 5:42Municipal aí do meio ambiente. E eu acho que isso mostra o
- 5:46quanto uma liderança consciente e ativa faz toda a diferença,
- 5:50né? Não só para execução do que
- 5:51precisa ser feito, mas principalmente para esses
- 5:54diálogos e esse trabalho feito em rede que você bem pontuou.
- 5:58Né, Ana? Você sente que o poder público
- 6:00está mudando nesse sentido, buscando mais esses diálogos e
- 6:05esse trabalho feito por várias mãos.
- 6:08É perceptível essa mudança. O Júlio até brinca que eu tenho
- 6:12uma frase que eu falo que eu sou jovem há mais tempo, porque eu
- 6:15já tenho 30 anos, sou de prefeitura.
- 6:18Então a gente viu uma transformação muito grande do
- 6:21poder público ao longo desses 30 anos.
- 6:24E hoje não se faz nada sem promover diálogo com a
- 6:28população. O João Paulo, ele assumiu a
- 6:31Secretaria de meio ambiente com esse entendimento, com essa
- 6:35proposição. E deu total Liberdade pra gente
- 6:38fazer essa construção, porque é isso, né?
- 6:41Silvia, que você falou a importância de uma liderança que
- 6:45também abre essa possibilidade, assim como o nosso prefeito
- 6:49Álvaro Damião também vem dando esse tom na condução da
- 6:53prefeitura. E isso é muito importante,
- 6:56porque quando a população você sente parte da construção, ela
- 7:00também dá muito mais valor e isso tem um outro significado.
- 7:04A gente só cuida daquilo que a gente acredita que é nosso
- 7:08também, então essa construção conjunta a várias mãos, ela faz
- 7:13muita diferença nos resultados que a gente vai ter com as
- 7:17políticas públicas na nossa cidade.
- 7:21Perfeito. Agora eu fico pensando o
- 7:23seguinte, quando a gente fala de mudanças climáticas, a gente
- 7:26pensa logo ali, nas altas temperaturas, o efeito estufa, a
- 7:28poluição, algo que independe de classe social ou de condição
- 7:33econômica, né? Mas aí os efeitos vão além dessa
- 7:38perspectiva e chegam de forma muito peculiar nos Morros e
- 7:42favelas, né, Júlio? Eu queria que você falasse?
- 7:45Mas que realidade é essa que você busca mostrar e que ainda
- 7:49não está tão visível assim para quem não lida com ela
- 7:53diariamente? Olha então, como você frisou,
- 7:57bem aí, né? Mudanças climáticas nas
- 7:59quebradas vai além das enchentes, dos deslizamentos de
- 8:01Terra. Passa muito por uma questão de
- 8:04saúde e também por uma questão econômica, né?
- 8:08No calor extremo, por exemplo, as favelas, ela elas viram
- 8:12aquelas ilhas de calor. Então isso afeta diretamente.
- 8:16É a saúde, a respiração, né? E também outras questões já na
- 8:23chuva. O efeito é inverso, as favelas,
- 8:27elas viram verdadeiras esponjas, porque os barracos sem é reboco
- 8:32absorve toda aquela água da chuva e aí o Sol não vem e o
- 8:37mofo ele aumenta, e aí vem também mais doenças
- 8:40respiratórias e com esses impactos causados aí pelas
- 8:44mudanças climáticas e também pela ganância do ser humano, as
- 8:48coisas, né? Os alimentos considerados mais
- 8:51saudáveis, eles ficam super caros.
- 8:55E aí a gente tem que optar pelos processados, que também não são
- 8:59muito baratos. E aí é aquela coisa, é muita
- 9:02treta, porque isso afeta diretamente Na Na saúde, no
- 9:07bolso, né? Na vivência do dia a dia.
- 9:10Então é para além desses desastres, né?
- 9:15Considerado extremo, que são enchentes, deslizamento de
- 9:17Terra. É vai muito além disso.
- 9:20Tem toda uma questão financeira, uma questão de saúde, entendeu?
- 9:24Então é importante também que as pessoas entendam que a gente já
- 9:30lidar com esses. É questões antes mesmo de tema
- 9:34ser mudanças climáticas, né? A gente já nasceu na crise.
- 9:38Sim, e é legal essa sua fala, Júlio, porque você mostra o
- 9:42quantas questões ambientais. Elas estão totalmente ligadas a
- 9:47questões sociais, né? Às vezes a gente trata, vamos
- 9:50falar do social, vamos falar do ambiental, né?
- 9:53E não tem como separar, tá tudo muito interligado, né?
- 9:5611 ação, ela ela atinge a outra diretamente, né?
- 10:02E aí eu queria te perguntar, o objetivo principal da das
- 10:05quebradas é a construção do manifesto das quebradas, né?
- 10:09Um documento que vai reunir aí as diretrizes populares para
- 10:13adaptação. E resiliência territorial,
- 10:16acesso à infraestrutura, educação ambiental, justiça
- 10:20climática, como que isso vai ser construído?
- 10:23Conta um pouco aí porque eu já estou sabendo que tem os GTS,
- 10:25não é isso? Sim, sim, a gente tem.
- 10:28É os GTS, né? Que foram pensados é de uma
- 10:33forma bem dinâmica e bem simples também, para que as pessoas
- 10:38pudessem. É entender.
- 10:40Então a gente pensou em temas específicos para OGTA gente teve
- 10:44um cuidado muito importante na desburocratização dos nomes pra
- 10:49deixar menos técnico possível, né?
- 10:51Algo que dialogue é com a nossa realidade.
- 10:55Mas isso também não quer dizer que essa, essa ou aquela questão
- 10:59vai ficar de fora das discussões, né?
- 11:01Pelo contrário, cada é GT abrange inúmeras questões, né?
- 11:06O GT 5, por exemplo. Onde a gente fala sobre racismo
- 11:10ambiental, moradia, justiça climática, cabe também a
- 11:14recusação fundiária urbana, o saneamento básico e a justiça
- 11:18social, né? Como você disse aí mais uma vez,
- 11:22não tem como se falar de é justiça ambiental sem a justiça
- 11:28social, né? Não tem como falar sobre justiça
- 11:30climática, sobre o racismo ambiental.
- 11:33Então tudo isso intercala. E o importante desse evento é, é
- 11:39o seguinte, é porque além da gente mostrar o que já tem sido
- 11:43feito dentro das vilas e favelas, através das liderança,
- 11:47através das instituições, é dizer também que os saberes
- 11:52territoriais tradicionais e acadêmico dessas pessoas que
- 11:56estão nesses territórios precisam ser respeitado.
- 11:59É. Não existe uma solução, é
- 12:04individual para um problema coletivo.
- 12:06E também não existe de chegar a uma questão de baixo para cima.
- 12:11Precisa entender a dinâmica de cada território.
- 12:14Então, Oo objetivo desse evento também é dar protagonismo para
- 12:18essas pessoas, né? Para que elas possam também
- 12:21mostrar o que está sendo feito. E não só isso, mostrar também
- 12:25que a gente consegue é trazer soluções, né?
- 12:29Viáveis para mitigar. Isso é questão?
- 12:33É muito interessante assim essa essa pergunta, né Silvia, que
- 12:37você traz quando você fala assim da questão socioambiental,
- 12:40porque hoje justamente a gente entende que meio ambiente é
- 12:44tudo. Saiu daquela ideia, né?
- 12:47Como se o meio ambiente fosse uma disciplina vinculada a área
- 12:50de ciências, que trata ali de algo, né?
- 12:52Fauna, flora, não, meio ambiente é tudo.
- 12:55Por isso hoje se fala como 11 disciplina o conteúdo, que é
- 13:02multidisciplinar e que é socioambiental.
- 13:04E quando a gente fala disso nos territórios, nas quebradas, nas
- 13:08áreas de pelas favelas. As pessoas estão sentindo isso
- 13:12literalmente na pele, no dia a dia.
- 13:14Na saúde, o preço que se paga, né?
- 13:17Em termos de saúde, dos efeitos da emergência climática, é muito
- 13:21grande. Mas as pessoas também não sabem
- 13:23nominar isso. Elas não sabem dar esse nome.
- 13:27Ah, está mais quente e aqui o impacto é maior.
- 13:31Isso é emergência climática. É isso que vai estar sendo
- 13:34discutido na cop. Então nosso nosso esforço foi
- 13:38trazer essa discussão da cop, a discussão da emergência
- 13:42climática, pra uma forma que essa população entenda que isso
- 13:49é algo que está afetando o dia a dia dela, né?
- 13:52É algo que ela sente na pele, é algo que ela vivencia.
- 13:57Todos nós, enquanto sociedade, já que estamos no contexto de
- 14:00emergência climática, mas quem está nesses territórios vai
- 14:04vivenciar isso de forma mais dramática, vai sentir esses
- 14:08impactos de uma forma mais forte e essas pessoas se apropriarem e
- 14:14entenderem disso. E isso é muito importante para
- 14:18que a gente possa também promover mudanças.
- 14:21É a importância, por exemplo, de você ter áreas de plantio nos
- 14:26aglomerados, de você defender, como o Júlio tem uma defesa
- 14:30muito importante do parque do bicão, que é uma área verde
- 14:33próxima, né? Lá no morro do papagaio.
- 14:36Então, assim, porque a gente faz a defesa de áreas verdes?
- 14:40Porque isso é muito importante para promover conforto
- 14:43climático. Né mesmo dentro dos aglomerados,
- 14:47sabendo que a gente tem uma discussão importante, que é a
- 14:49questão de habitação. E na nos GTS?
- 14:54Silvia, a gente trouxe essas discussões para serem feitas em
- 14:58grupo de trabalho, de forma que as pessoas comecem a entender.
- 15:02Há o risco de escassez de água, que está relacionada à questão
- 15:07da emergência climática. A importância da agroecologia e
- 15:10das hortas comunitárias também para o enfrentamento da
- 15:14emergência climática. E a questão da soperania
- 15:16alimentar a questão do racismo ambiental.
- 15:19O que que é racismo ambiental? É, né?
- 15:22A gente sabe que hoje essa é uma discussão muito forte na pauta
- 15:25ambiental também. Então foi uma forma da gente
- 15:28trazer as discussões de uma forma mais detalhada para que.
- 15:34Todo mundo possa se apropriar desses conceitos e, como o Júlio
- 15:38falou, também mostrar o que que tá acontecendo nos territórios,
- 15:42porque também tem esse acidente que não tem.
- 15:44Tem muita coisa acontecendo, tem muita gente promovendo ações
- 15:48transformadoras que impactam diretamente no enfrentamento à
- 15:52emergência climática. Chegando só um gancho no que a
- 15:56Ana falou aí, né? Esse evento ele também tem por
- 16:00objetivo envolver as vilas e favelas nesses processos.
- 16:04Porque é, a gente sabe que a galera da quebrada, eles estão
- 16:09em outros corres e às vezes eles nem sabem porque eles estão
- 16:13sofrendo com esses impactos, né? Então é importante esse evento,
- 16:17porque ali eles vão entender, né?
- 16:19Porque querendo ou não, a gente sabe que, apesar de tudo, apesar
- 16:24de. Tanta coisa acontecendo para
- 16:26muita gente, né? Essas questões relacionadas a
- 16:28mudanças climáticas não passa de uma notícia no jornal,
- 16:31principalmente para muita galera.
- 16:33Muitas pessoas que vivem, né? É, vivem em misturação de
- 16:37vulnerabilidade dentro das ilhas e favelas.
- 16:40É, né? Onde as maiorias das famílias
- 16:43são formadas. Por mães solos que precisam é de
- 16:47fazer outras corres. Então é eu.
- 16:51Eu lembro de uma vez num evento que a gente fez no outra pagay
- 16:56faltou AA mãe de uma aluna e a gente perguntou ela por que que
- 16:59ela não foi pra ver a filha pegar o diploma?
- 17:03Ela falou, ó, enquanto vocês estão preocupados com fogo lá no
- 17:05Amazonas, eu estou preocupada é se tem fogo no fogão pra mim
- 17:09fazer o feijão. Né?
- 17:11Então é, é o que a Ana disse, aí também vai de encontro e é muito
- 17:14importante que da criança ao adulto, ao idoso.
- 17:19Entenda que as mudanças climáticas hoje é não só hoje,
- 17:23mas desde sempre é algo que vem afetando, né?
- 17:27AA os moradores e moradoras de vilas e favelas, quer seja na
- 17:31área da saúde, quer seja Na Na área é da educação, na área da
- 17:36cultura, na área do esporte, na área do Brasil, tudo isso afeta,
- 17:40né? Então é importante esse evento
- 17:43para nós nesse sentido também, de colocar as vidas e favelas no
- 17:47radar dessa galera que toma as principais decisões, como diz é
- 17:52o Emicida, nada sobre nós sem nós.
- 17:56Perfeito, Júlio. Adorei esse exemplo que você
- 17:59deu. Forte, né?
- 18:00Essa frase dessa mãe. É durante os gts acompanhando,
- 18:04né? As Apresentações eu vi várias
- 18:06discussões, discussões, pontuando exatamente isso que
- 18:09vocês estão falando, de deixar muito claro, e uma linguagem
- 18:13muito acessível também. Então várias vezes eles
- 18:16pontuaram, não, não vamos a esse termo, a gente sabe o que que é,
- 18:19mas nem todo mundo vai entender ou se a gente falar dessa forma
- 18:22é mais pessoas vão se identificar, porque é exatamente
- 18:25isso que elas passam no dia a dia, né?
- 18:28E eu vi que nesses GT também tem vários perfis, assim como eu
- 18:31citei no início aqui na apresentação que a cop tem lá,
- 18:34os políticos e empresários, a os GTS também.
- 18:37Vocês conseguiram reunir. É pessoas, é de diferentes
- 18:42áreas, mas que se complementam de uma forma muito interessante.
- 18:46Cada uma com seu conhecimento, com a sua formação, com a sua
- 18:50vivência também, né? Como é que foi formar esses
- 18:53grupos, fazer esses convites, buscar essas pessoas pra montar
- 18:56esses GTS? Olha, foi um trabalho muito
- 19:00importante, né? Que a gente, eu e a Ana, a gente
- 19:04começou a elaborar a como a Ana conhece mais, né?
- 19:07Os órgãos públicos, as instituições.
- 19:10Ela ficou por conta de fazer esse gancho de chamar aqui de e
- 19:14ela já conhece. Eu fiquei mais por conta de
- 19:16chamar a galera dos coletivos que já trabalham nas vilas e
- 19:20favelas, é. Nesse nesse sentido, é
- 19:24importante dizer, né, que apesar do da gente desburocratizar, né,
- 19:29a escrita, para facilitar o entendimento, é no final de cada
- 19:34GT, né? Cada um vai fazer uma proposta e
- 19:38ao final, que vai ser criado o manifesto, aí sim, esse
- 19:41manifesto, ele vai ir com uma linguagem que os cara lá de cima
- 19:45consegue entender. O recado vai ser bem dado, mas
- 19:48para nós trabalhar esse documento aqui dentro, a gente
- 19:50precisava desburocratizar. Essa questão, né?
- 19:54E aí a Ana pode falar mais sobre essa?
- 19:57Como é que foi feita essa construção dos grupos?
- 20:00Como é que chamou quem que seria mais interessante?
- 20:03É, enfim. Foi uma turma diversa, né Ana?
- 20:07Sim, a gente fez esse esforço justamente é e Eu Acredito que
- 20:14isso também é o diferencial dessa da cópia das quebradas,
- 20:19que é construir coletivamente. É chamar todo mundo pra sentar
- 20:25na mesa de discussão e construir a proposta.
- 20:29É porque você tem várias formas de construir um projeto como
- 20:33esse, né? Senta aí, depois entrega e fala,
- 20:37olha, esse aqui não. A gente fez justamente desde o
- 20:41início essa construção conjunta, de forma coletiva e
- 20:44colaborativa. E trouxemos, né?
- 20:47É parceiros, né? Da sociedade civil, dos
- 20:52coletivos, dos movimentos sociais.
- 20:54E aí o júri foi muito importante nesse processo, porque ele foi
- 20:58conectando as pessoas que realmente estão atuando na pauta
- 21:01ambiental na cidade, nas quebradas também tem isso.
- 21:05Assim, quem também está fazendo essa discussão nos territórios
- 21:09em Belo Horizonte? E a gente foi trazendo todo
- 21:12mundo pra essa mesa de construção coletiva, onde a
- 21:17gente horizontalizou a discussão, né?
- 21:19O poder público, as sociedades civis, os movimentos sociais,
- 21:23né? Os representantes também das
- 21:25vidas, favelas. E a partir disso a gente foi
- 21:28fazendo essa construção a várias mãos.
- 21:31É os rolezinhos mesmo. É bom exemplo disso, porque a
- 21:35gente teve a ideia de fazer as visitas nos territórios.
- 21:39E é isso. Onde que a gente vai, né?
- 21:42O que que a gente vai conhecer é até que a gente fechou 3
- 21:46roteiros representativos das experiências que existem na
- 21:50cidade. Porque mesmo sendo um evento
- 21:53participativo, colaborativo, a gente sabe que nem todo mundo
- 21:56vai poder participar. A ideia, né, de ter os
- 21:59rolezinhos e de ter as as visitas.
- 22:02E não é à toa que essas. Visitas técnicas, vamos ter esse
- 22:06nome de rolezinhos, porque a gente tá falando de do da cópia
- 22:09das quebradas. Então a gente teve essa
- 22:12preocupação também. Como dar o nome, as atividades
- 22:15que elas realmente façam sentido pra pra população de vida das
- 22:20favelas. E os rolezinhos foram
- 22:22construídos também dessa forma, pra que a gente possa levar a
- 22:26discussão da cópia das quebradas pros territórios pra justamente.
- 22:31Conhecer e vivenciar o que que tá acontecendo de potência
- 22:35nesses territórios. Mas a discussão coletiva ela é,
- 22:39Eu Acredito que um grande diferencial desse evento e o que
- 22:45vai realmente potencializar as discussões que a gente tem
- 22:50feito, porque as pessoas se sentem parte do processo e se
- 22:54sentem desde o início. Né envolvidas nessa construção?
- 22:59Isso é muito importante, né, Ana?
- 23:01Porque quando a gente fala de de questões ambientais, ou a gente
- 23:05é eco chato, ou a gente é ativista.
- 23:08Ah, lá vem esse papo chato, né? EE aí eu também fico me
- 23:12perguntando, você que é muito ligada a questões de educação
- 23:15ambiental, como que a gente pode descentralizar para propagar
- 23:20mais essa consciência e, principalmente, novos hábitos?
- 23:24E ações, né? É eventos como a cópia das
- 23:26quebradas. Tem muito essa função também,
- 23:29né? De de de não só reunir, mas
- 23:32também de divulgar e de espalhar.
- 23:35É essas informações e falar, olha, isso que você passa tem
- 23:39nome e é por causa disso, disso, disso, né?
- 23:42Como é que você vê essa questão ambiental?
- 23:45É nesse sentido que a cop o evento da cop 30 também.
- 23:50Traz muito, né? Da gente levar informação e
- 23:53consciência para cada vez mais pessoas.
- 23:56Eu adorei essa pergunta, porque ela vai a muito de encontro ao
- 24:00que Eu Acredito como educadora. E eu tô Na Na área da educação
- 24:05ambiental há mais de 20 anos. Quando a gente começou lá atrás,
- 24:09né, com 92, agenda 21, tinha muita ideia assim, Ah, a gente
- 24:13tem que educar as crianças. Vamos pra escola, vamos
- 24:17trabalhar pra criança. E hoje está muito claro que a
- 24:21gente tem que educar a criança, mas a gente tem que conversar
- 24:23com todo mundo, a gente tem que falar com todo mundo.
- 24:27Eu tenho que conversar com adulto, com idoso, com
- 24:29adolescente, com a criança. E não é só no ambiente escolar,
- 24:34em todos os espaços. Por quê?
- 24:37Porque as pessoas só se engajam, a gente só promove transformação
- 24:42naquilo que as pessoas acreditam de fato quando você toca.
- 24:46Profundamente aquela pessoa é, é a história da coleta seletiva.
- 24:50Eu sei que você também é muito engajada nessa discussão de
- 24:52resíduo. É aquela história do início,
- 24:54todo mundo acha uma dificuldade. Depois que você que vira um
- 24:57hábito e que vira uma rotina, acabou, né?
- 25:02A pessoa nem percebe o que ela tá fazendo, é isso.
- 25:05A gente precisa é fazer com que a educação ambiental e com as
- 25:10questões ambientais, elas cheguem em todos os lugares.
- 25:13E aí no voltando, Na Na discussão da cop das quebradas,
- 25:17teve um momento que a gente percebeu que a gente precisava
- 25:19também fazer um nivelamento do que que é cop, que entrou muita
- 25:23gente na discussão. E o que que é cop?
- 25:26E aí a gente fez um, uns 2 dias, né, Júlia?
- 25:30Onde a gente trouxe é pessoas também dos coletivos, aí das
- 25:35organizações que vieram fazer uma.
- 25:38Uma rodada de discussão. Apresentar o que que é a cop,
- 25:41né? A gente tá falando de cop, mas o
- 25:43que que é feito lá? E eu adorei, porque o que que
- 25:46eles apresentaram a cop? Como se fosse uma grande reunião
- 25:49de condomínio onde você tem vários moradores, alguns que
- 25:55moram num num apartamento muito rico, outros que moram num
- 25:58apartamento menor e que todo mundo tem que sentar ali, fazer
- 26:01naquela reunião de condomínio os acordos de como que vai seguir
- 26:05dali para frente. Então olha a importância da
- 26:09gente democratizar esse conteúdo, porque aí realmente a
- 26:13gente sai desse lugar. Não é cochato que abraça a
- 26:17árvore, que né? Que é aquela coisa assim, que
- 26:21chega ser uma coisa assim que Ah, nossa, lá lá vem, né?
- 26:25E a gente acaba carregando muito essa fama.
- 26:27Eu, eu, eu sou uma delas, né? Mas.
- 26:33A gente tem que ir além. Por quê?
- 26:34Porque a gente precisa trazer todo mundo para o lado de cá,
- 26:37porque na hora que a gente fica nessa perspectiva, a gente
- 26:41afasta as pessoas na hora que você democratiza o conteúdo, que
- 26:46todo mundo começa a entender e fala assim, olha, nunca tinha
- 26:49pensado na reunião da copa, então é como se fosse uma grande
- 26:52reunião de condomínio com os países do mundo inteiro, onde a
- 26:55gente tem que fazer os acordos porque a gente só tem uma casa
- 26:58para morar, que é o planeta Terra.
- 27:00Eu posso morar num, né? Numa big mansão, eu posso morar
- 27:06numa casa na favela, mas todo mundo no mesmo planeta.
- 27:09Então a gente tem que ter acordos pra poder seguir morando
- 27:13nessa mesma casa comum. Então é democratizar e trazer
- 27:18esse conteúdo pra que todo mundo entenda e se sinta parte, se
- 27:23sinta realmente a gente dessa transformação.
- 27:27É o grande desafio da educação ambiental e climática, então
- 27:31acho que a gente está no momento de transformação e a copa das
- 27:35quebradas está sendo um bom exercício desse processo
- 27:40educativo, que é o que Eu Acredito que nós temos que fazer
- 27:45daqui para frente cada vez mais, né?
- 27:47Eu adorei essa definição. A cop é uma reunião de
- 27:51condomínio, eu vou levar isso, Hein?
- 27:52Agora, todo mundo que me perguntar porque é como você
- 27:55disse, muita gente ainda não sabe, né?
- 27:58E fica fácil de entender. Dizem muito isso sobre a cop
- 28:02esse ano, né? Que ela é uma cop que por estar
- 28:05aqui no Brasil, por estar na região.
- 28:07É norte ali na Amazônia que ela vai envolver muito os povos
- 28:11originários, quilombolas, o pessoal, os ribeirinhos, né?
- 28:14Então que vai ser uma cop muito inclusiva, vamos ver se isso vai
- 28:18acontecer mesmo ou não. Agora, iniciativas como essa, da
- 28:21cópia das quebradas, vocês sabem de alguma aí pelo resto do
- 28:25Brasil? Vocês chegaram a entrar em
- 28:27contato com outras comunidades, enfim, porque eu vou te falar
- 28:30vocês, aguardem, viu? Eu acho que já, já vai chegar
- 28:34aí. É outras comunidades de outros
- 28:36estados aí querendo saber o que que vocês fizeram que eles vão
- 28:39querer fazer por lá também, vocês não acham não?
- 28:42Olha, é com relação a isso, a gente tem divulgado.
- 28:46Bem, eu tô num grupo aqui é que é de que a gente escreveu cartas
- 28:52de direitos climáticos. Então, são vários territórios.
- 28:55É envolvendo os os biomas, é do Brasil e.
- 29:01É, em outras é cidades também, está acontecendo algo parecido,
- 29:06mas aqui em Belo Horizonte a gente foi pioneiro nesse
- 29:09processo e está sendo copiado. E eu acho isso bom, porque
- 29:13copiar o certo não é errado. Nem feio, né?
- 29:16E pegando um gancho no que a Ana disse mais uma vez, é importante
- 29:21ressaltar que né, a gente sabe, isso já é dito.
- 29:26Nem todo mundo tem as mesmas 24 horas, ou seja, as 24 horas não
- 29:30são iguais. Da mesma forma, as mudanças
- 29:33climáticas também não são iguais.
- 29:36É para todo mundo. Mas é importante ressaltar que
- 29:41essa questão é um caminho sem volta.
- 29:44Né? E querendo ou não, a gente sabe
- 29:46que é boa parte do que acontece no Brasil é movimentado pelos
- 29:52moradores de vilas e favelas, né?
- 29:54A gente viu isso na pandemia, né?
- 29:57O Brasil quase parou. Só não parou porque os malucos
- 30:00das vilas e favelas também tinha que ganhar o seu pão e descia
- 30:04com asfalto na tora recorde, colocando em risco AA as suas
- 30:08famílias. E a gente já fez.
- 30:10É inclusive vários trabalhos que você também participou, né?
- 30:15Silvia, então, EE, as pessoas precisam entender isso, né?
- 30:22Que apesar de a gente tá morando no mesmo condomínio, que é o
- 30:26planeta Terra, em que não existe planeta b, é as pessoas que tem
- 30:31mais recursos. Elas precisam entender que elas
- 30:35devem. É, de certa forma, é auxiliar,
- 30:40né? Aquelas pessoas que tem menos
- 30:42recurso, porque querendo ou não, se for colocar na caneta, os
- 30:46moradores, moradores de vilas de favelas, são os que menos
- 30:50contribuem para questões de mudanças climáticas e são as que
- 30:54mais sofrem. Assim também é no mundo, os
- 30:58países mais ricos, mais desenvolvidos, eles são os que
- 31:01mais contribuem. E aí os outros países acaba
- 31:05levando aí também a culpa e o prejuízo, né?
- 31:09Então eu acho que é importante criar mecanismo que viabilize
- 31:14também, né? Recursos para os moradores e
- 31:17moradores de vilas de favelas que estão já trabalhando nesse
- 31:21processo de preservação das nascentes, na no reflorestamento
- 31:25das vilas de favelas, na preservação das áreas verdes.
- 31:29E na mitigação, aí, desses impactos.
- 31:32Então precisa ser criado recurso, né?
- 31:35Eu comecei com esse processo quando eu vim ao lixo como
- 31:39apenas poluição visual. Eu achava que, apesar de
- 31:42acontecer a coleta dentro da favela, o lixo ainda estava bem
- 31:47acumulado. Depois eu fui entender que, para
- 31:50além da da poluição visual, tem toda uma poluição.
- 31:54Ambiental, né? E aí eu fui trabalhando.
- 31:58Tanto é que eu mudei o curso de serviço social na Una para para
- 32:03ciência socioambientais, na UFMG, justamente para entender
- 32:07melhor. Esse processo, essa construção.
- 32:10E eu queria passar isso também para os demais moradores, para
- 32:14que eles possam entender que a gente também precisa contribuir,
- 32:18né? Querendo ou não, por mais que a
- 32:20gente é não seja o que mais desgasta o planeta, mas a gente
- 32:25também tem as nossas formas de de contribuir.
- 32:28Então é, por exemplo, uma coisa que a gente é identificou ao
- 32:33longo do tempo é, são os animais, né?
- 32:36Os pets que também moram vivem em vilas e favelas, né?
- 32:40Se nós somos seres, seres humanos, já sofremos, imagina
- 32:43eles que também não a gente, eles se comunicam entre si, mas
- 32:48é muito difícil a gente entender eles, né?
- 32:50Então, mas imagina o tanto que eles sofrem, né?
- 32:54E aí a gente também procura colocar isso na cabeça da
- 32:57galera. Que o cão não é só para latir,
- 32:59para guardar, que o gato não é só pegar rato, que eles também
- 33:02fazem parte da família e precisam de cuidados.
- 33:05Perfeito você falar isso, Júlio, porque todo mundo pode fazer
- 33:09alguma coisa, né? E aí dentro das suas
- 33:11possibilidades, das suas disponibilidades, mas sempre tem
- 33:15algo que pode ser feito. E aí vai muito de encontro com a
- 33:18minha próxima pergunta para Ana, que eu que que eu queria saber
- 33:22muito assim, com assunto dessa magnitude e urgência, como as
- 33:26mudanças climáticas. É preciso o envolvimento de
- 33:29todos, que é isso que o Júlio está falando, né?
- 33:31Do poder público, do setor privado, da sociedade civil
- 33:34também, mas no que diz respeito às políticas públicas, eu acho
- 33:38que tem muito também que pode ser feito, mas que já está sendo
- 33:43feito e que na hora de criticar sempre aparece muita gente, né,
- 33:46Ana? Você já deve estar acostumado
- 33:48com isso, mas também tem muita coisa aí, tem muitas conquistas
- 33:51também, né? Na questão da urbanização
- 33:54sustentável, da expansão das áreas verdes.
- 33:56Como você já citou aqui, o que que você poderia dizer que a
- 34:00Secretaria tem trabalhado? É muito afinco aí.
- 34:03Nos últimos tempos, sim. É, é justamente isso.
- 34:05Belo Horizonte está na vanguarda dessa discussão de emergência
- 34:09climática. Não é à toa, assim, que a gente
- 34:11tem uma Coordenadoria de mudanças climáticas vinculada
- 34:15diretamente ao prefeito, que né? Que faz essa discussão
- 34:19integrada. E a Secretaria de meio ambiente
- 34:21tem várias políticas públicas. Que estão muito na vanguarda
- 34:26dessas discussões climáticas. Um bom exemplo são os refúgios
- 34:29climáticos. Por quê?
- 34:31Porque a gente sabe que nos nos momentos de onda de calor, no,
- 34:34nos, no hipercentro, nas regiões de maior fluxo de pessoas.
- 34:39AAA, sensação de calor, ela, ela inclusive, né, tem estudos já
- 34:46que mostram que tem risco mesmo de saúde.
- 34:48A pessoa pode ter problemas sérios.
- 34:51Por quê? Porque ela tá ali No No hiper
- 34:53centro, sem ter um espaço onde ela possa ter uma sombra, uma
- 34:57água, né, um espaço conforto climático.
- 34:59Então os refúgios climáticos são as ações que já estão muito
- 35:04nessa vanguarda, a gente já tem. Instalados aqui no centro alguns
- 35:08e tem uma perspectiva de ampliar esses refúgios, as ações de de
- 35:13arborização urbana, e aí Belo Horizonte é uma das primeiras
- 35:16cidades até o plano municipal de arborização urbana, que é o
- 35:22realmente um documento norteador das nossas ações de arborização
- 35:26aí na cidade. Entendendo o papel da
- 35:30arborização urbana na promoção de adaptação de enfrentamento à
- 35:35emergência climática e também entendendo que a arborização
- 35:39urbana é é algo diferente de falação de arborização, planta
- 35:45árvore no meio urbano. É um desafio, você tem, né?
- 35:49Igual ontem teve uma grande chuva, algumas árvores caem,
- 35:52você tem a questão do trânsito, você tem a questão de segurança,
- 35:54então, assim como você fazer esse processo de arborização de
- 35:58forma sustentável, de forma também dialogada com essas
- 36:02outras políticas públicas? Nós temos uma série de estudos e
- 36:06de acompanhamento da questão da das emergências climáticas da
- 36:10nossa cidade. Então nós temos mapa de
- 36:12vulnerabilidade climática, nós temos o plano local de ação
- 36:15climática, então Belo Horizonte tem documentos norteadores das
- 36:19nossas políticas públicas que estão justamente referendados na
- 36:24discussão ambiental, né? Então, a gente realmente
- 36:27trabalha o tempo todo com esse olhar.
- 36:30No caso da educação ambiental, né?
- 36:33A gente tava até conversando sobre isso.
- 36:35Hoje nós temos a escola verde, que é um projeto que tá
- 36:40justamente é dentro do conceito de escola verde criado pela
- 36:46unesco, que fala que as escolas. A gente tem uma pesquisa que foi
- 36:50feita em 2024, que mostra o impacto da emergência climática.
- 36:54Na aprendizagem, tanto com a questão de em frequência
- 36:58escolar, as crianças, faltam mais a escola, a questão de
- 37:01dificuldade de aprendizagem. E a proposta que a unesco faz
- 37:06para os municípios é transformar as escolas em ecossistemas
- 37:09verdes, promover ações de plantio e vinculadas a ações de
- 37:14educação ambiental. Então a gente tem feito isso de
- 37:18trabalhar com as escolas da rede municipal.
- 37:21Tanto o percurso de educação ambiental como ações de plantio
- 37:24nas escolas, pra que a gente possa melhorar o conforto
- 37:28climático. E não à toa.
- 37:30Silvia, e a gente escolheu escolas das regiões de maior
- 37:33vulnerabilidade climática do município.
- 37:36Mais uma vez a importância da gente ter esses documentos
- 37:39norteadores, esses estudos, eu consigo saber que as regiões de
- 37:43maior vulnerabilidade climática da cidade.
- 37:46São as das favelas, os territórios, mas algumas regiões
- 37:50são mais vulneráveis do que outras, porque não tem muito
- 37:53área verde. Então é ali que eu preciso
- 37:55atuar, promovendo essa melhoria do ecossistema territorial a
- 38:00partir de ações de plantio. Essas ações, elas são muito
- 38:04importantes para que a gente possa melhorar a nossa, a nossa
- 38:09condição de morar nesse planeta. Como o Júlio falou, é isso, nós
- 38:14só temos esse planeta, não tem plano b, não tem planeta BE aí.
- 38:18A gente precisa realmente criar políticas públicas que estejam
- 38:22dialogando com essa perspectiva da gente melhorar as nossas
- 38:26condições aqui dentro de um cenário aí de emergência
- 38:30climática. Eu acho que Belo Horizonte está
- 38:31muito à frente nessas discussões e nessas iniciativas, mesmo
- 38:36dentro da política ambiental aí do né?
- 38:40Do país. É, a Ana falou aí sobre a
- 38:43criação, né, da Coordenadoria de mudanças do climas.
- 38:47Eu não posso deixar de falar aqui, né, de algo que tá me
- 38:52deixando muito esperançoso, né, que é?
- 38:54É dentre as diretrizes que o prefeito é estipulou para o seu
- 38:59mandato. Está, né?
- 39:01Ele aprovou agora há pouco o projeto transformador que vai
- 39:05tratar justamente. Questões relacionadas dentro de
- 39:09vilas e favelas, na área do esporte, da cultura, do lazer,
- 39:12do empreendedorismo, urbanização, regularização
- 39:16fundiária, encosta e dentre essas diretrizes está periferia
- 39:21verde, né? Que vai trabalhar justamente
- 39:25essa questão dentro das vilas e favelas a partir desse projeto
- 39:29transformador em parceria com a orbel e com todos os demais
- 39:33órgãos da prefeitura que atuam dentro das vilas e favelas.
- 39:37Eu, como é diretor de vilas e favelas, isso me deixa muito
- 39:42esperançoso, porque Eu Acredito que muita coisa boa ainda está
- 39:46por vir a partir dessa gestão. Isso me deixa também muito
- 39:51ansiosa, Júlio, porque eu já sei que eu vou ter muito conteúdo
- 39:54para mostrar que a gente vai ter muita pauta ainda aqui no na boa
- 39:58para mostrar tudo isso acontecendo, né?
- 40:00Só boas notícias e não tenho dúvidas também, Júlio, que você
- 40:05abriu uma grande oportunidade. Para que a população das
- 40:08favelas, né, sejam ouvidas. Dessa vez é sobre questões
- 40:11socioambientais. Mas você acredita que você abriu
- 40:15um precedente aí para outros eventos e discussões?
- 40:18Como é que vocês 2 veem esses 2 lados?
- 40:21A abertura do poder público para trabalhar junto e o
- 40:24amadurecimento também, o conhecimento das pessoas, da
- 40:28quebrada mesmo aí muito, muitíssimo bem representado pelo
- 40:32Júlio para discutir esses assuntos.
- 40:35Olha, eSIM, Eu Acredito que a gente deu um passo de suma
- 40:39importância para tratar. Não só é desses assuntos
- 40:43relacionados a mudanças climáticas, mas outros assuntos
- 40:46que também nos afeta e nos atingem.
- 40:49Porque como a gente tá falando aqui o tempo todo, né?
- 40:52É, não tem como falar de mudanças climáticas, de
- 40:55emergência climáticas, sem falar de justiça social, de racismo
- 40:59ambiental, sem falar, como eu acabei de dizer, de cultura, de
- 41:03esporte, de lazer, de saúde. Educação dentro das vilas de
- 41:07favelas, né? Então Eu Acredito que os
- 41:11holofotes agora estarão voltados para as vilas de favela.
- 41:15E a gente tá conseguindo aí colocar as vilas de favela, não
- 41:20só de Belo Horizonte, mas de todo o Brasil, no radar das
- 41:23instituições, dos órgãos públicos e também das pessoas
- 41:28que têm interesse em descobrir que na favela não é tudo do
- 41:33jeito que a mídia prega, né? Que.
- 41:35Nas vilas de favelas, as pessoas são pessoas de bem preocupada
- 41:40não só com a vida do próximo, mas também com o meio ambiente.
- 41:44E tem muita coisa boa acontecendo nas vidas das
- 41:47favelas, né? Júlio, acho que assim é.
- 41:49É mostrar isso também. Tem muita gente fazendo a
- 41:53diferença nesses territórios. Tem horta comunitária, tem
- 41:58plantio de árvore, tem iniciativas inovadoras nos
- 42:02territórios, muito potente. Tem muita coisa bacana
- 42:07acontecendo e que muitas vezes não desce para o asfalto e não
- 42:11chega na mídia e também é uma oportunidade da gente também
- 42:16falar sobre isso e levar essas iniciativas para os 4 cantos da
- 42:22cidade aí e até mesmo para outros espaços para fora de Belo
- 42:27Horizonte. É verdade.
- 42:29A gente mesmo já replicou 2 projetos nossos aqui e outras
- 42:33favelas, que é o recicla kids. E a gente tem um movimento daqui
- 42:38que chama pôr uma quebrada, sustentável, entre no clima.
- 42:41O nosso objetivo é criar telhados verdes, hortas
- 42:44verticais, horizontais, capital, guarda chuva, que é um desafio
- 42:48por causa dos gatos que fica em cima do telhado.
- 42:51Mas a gente tá pensando também nisso, entendeu?
- 42:54De hortas comunitárias, não só de hortaliças, mas
- 42:58principalmente. A gente para resgatar Oo, né?
- 43:02Os mais velhos que eles gostavam no outro magar, por exemplo,
- 43:06eles plantavam muitas hortas medicinais.
- 43:08Então a gente tá trabalhando nesse processo e quanto mais
- 43:13gente envolvida, quanto mais vidas e favelas envolvidas,
- 43:16poder público, tudo isso vai contribuir, né?
- 43:19Porque, como eu disse, uma das climáticas é um caminho sem
- 43:22volta. Então se a gente não fizer nada
- 43:24agora. Vai ter como fazer para frente,
- 43:27o futuro é agora. Maravilhoso.
- 43:30Eu já estou com a cabeça borbulhando aqui, ó, cada
- 43:32projeto que vocês foram falando, eu já fiquei pensando, aqui eu
- 43:34quero, eu quero conhecer, eu quero ir lá, eu quero ir lá
- 43:37mostrar, quero mostrar tudo e bem provável que vocês 2 voltem,
- 43:41Hein? Porque eu amei, amei conversar
- 43:43com vocês. Aprendi muito nesse bate-papo e
- 43:46espero muito que quem tenha nos escutado também.
- 43:50Aprendido aí. Vamos ver o resultado da cópia
- 43:53das quebradas, né? Que tem tudo para ser a primeira
- 43:56edição de milhares que venham aí pela frente.
- 43:59Vocês foram pioneiros e inovadores.
- 44:02Parabéns por mais essa iniciativa, dentre tantas, né?
- 44:05E espero ter vocês aqui em breve para me contar mais sobre todas
- 44:08as outras ações e iniciativas que vão vir por aí.
- 44:12Tenho certeza, viu? A gente que agradece muito, bom
- 44:16esse bate-papo. E sempre é bom ter espaço como
- 44:19esse também, pra gente poder falar do que que tá acontecendo
- 44:23de transformação na nossa cidade é.
- 44:27E eu acho que o Júlio é uma pessoa que tem um trabalho muito
- 44:30grande, muito consistente no território, que faz essa
- 44:35discussão já há muito tempo. A cópia das quebradas vem, mas
- 44:39ele já traz essa Bandeira há muito tempo.
- 44:42E que bom que a gente está conseguindo fazer esse evento e
- 44:46que a gente espera aí, né, Júlio?
- 44:48Fazer outras ações como essa daqui para frente, colocando a
- 44:53população das vendas, favelas e os territórios mais atingidos
- 44:58pelas mudanças climáticas no centro aí da discussão da
- 45:01emergência climática, né? E no centro de todas as
- 45:05discussões das políticas públicas que a gente possa
- 45:07realmente promover transformação.
- 45:09Que é Oo nosso grande objetivo aí.
- 45:12É isso. Aproveitando o que a Ana falou,
- 45:14aí também. A gente é pioneira no primeiro
- 45:17seminário de mudanças climáticas do morto papagaio que a Ana
- 45:20participou como palestrantes. A gente é pioneiro também na
- 45:24primeira carta de direitos climáticos do morro do papagaio.
- 45:27A gente também é pioneiro na primeira conferência livre.
- 45:33É pelo clima, né? De mudanças climáticas.
- 45:36Inclusive. Essa conferência me deu direito
- 45:39a uma cadeira de delegado para defender a nossa proposta sobre
- 45:44vilas e favelas lá em Brasília e dentre as 100 prioridades,
- 45:50propostas prioritária que o Ministério do meio ambiente
- 45:52priorizou, né? A nossa ficou em décimo quarto.
- 45:56Com muita luta, com muita garra. Então a gente tá feliz de tá
- 46:00contribuindo aí é de alguma forma, para que as pessoas
- 46:04possam viver mais e melhor nas vilas e favelas.
- 46:08E aproveitando a oportunidade. Quero te agradecer, Silvia, por
- 46:12todo apoio desde sempre, desde quando a gente se conheceu, a
- 46:15partir do tio Flávio, que também é um amor de pessoa.
- 46:19Então eu tenho muita gratidão. Por vocês.
- 46:22Porque sem vocês, sem essa parceria que a gente fala, né?
- 46:27Nós estaríamos andando em círculo.
- 46:29Porque, como eu disse, não existe solução, é individual
- 46:33para um problema coletivo. Então é essa parceria das
- 46:36instituições, da zoeg, do terceiro setor, faz toda a
- 46:39diferença no projeto dentro de vilas de favela.
- 46:42As empresas também, se quiser investir, serão muito bem
- 46:46vindas. Perfeito, Júlio, estamos juntos,
- 46:49você sabe disso. Muita admiração por vocês.
- 46:52Muito feliz por ter apresentado aqui esse projeto a cop, por ter
- 46:57vocês presentes aqui no na boa e espero que voltem, viu?
- 47:00Pra quem quiser conhecer mais sobre o trabalho do Júlio né
- 47:04arroba Júlio, professor oficial nas redes sociais.
- 47:08E Ana também, né Ana? Ana, ponto, Assunção, ponto BH,
- 47:12é isso. Isso isso mesmo pra pra saber
- 47:16mais conteúdo de educação ambiental.
- 47:18Pra saber mais das iniciativas que a gente tem feito aqui
- 47:22também, né? Na Secretaria de meio ambiente,
- 47:24na temática e ambiental do município.
- 47:27Pessoal seguir a gente lá também.
- 47:29E julho? Aí ó, julho fechou, fechou com 2
- 47:33s oficial. Muito obrigada viu pela presença
- 47:36de vocês. E você, gostou desse episódio?
- 47:40Siga o nosso perfil e lembre se de classificar o nosso podcast
- 47:43com 5 estrelas e, claro, compartilhe com os amigos.
- 47:47E tem mais conteúdos como esse lá no meu Instagram, você me
- 47:50acha no arroba? Sílvia Castro DC até o próximo
- 47:53episódio.