Latest / Café com Dungeon / Regras não importam #0033
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- 0:02Frescobal é muito maneiro, né? Duas
- 0:04pessoas com raquetes de madeira na mão e uma
- 0:08bolinha de burrasco. Não tem um campo, não tem
- 0:10rede, não tem nada, só praia e duas pessoas
- 0:14batendo bolinha. Pode ser no parque também. Um
- 0:17dia eu descobri que transformaram frescobal em
- 0:20esporte. E esporte mesmo que você
- 0:23compete. Olha que doideira. Nas
- 0:25competições de frescobal, não existe um confronto
- 0:29direto entre os competidores. Eles
- 0:32competem entre si, mas são duplas e as duplas têm
- 0:35performances separadas entre si. E
- 0:38dentro de cada dupla, essa dupla não está competindo
- 0:40entre si. Essas duas pessoas estão
- 0:42trabalhando juntas ali para uma performance ideal. O
- 0:46atleta joga com seu parceiro, né? E
- 0:48esse parceiro com ele, ele mantém a mesma ideia de
- 0:51uma colaboração da versão recreativa, né? Que
- 0:56surgiu lá na metade do século passado, então é bem
- 0:58recente, né? E sempre com esse objetivo de
- 1:01não deixar a bola cair. As duplas, elas se apresentam
- 1:06em turnos e recebem uma pontuação, a exemplo do que
- 1:10acontece com alguns esportes olímpicos aí, como nado
- 1:12sincronizado, nascar tístico e tal, né? E
- 1:16a gente vê que isso sendo avaliado ali pelos árbitros,
- 1:20né? A gente vê que tem uma
- 1:22tradição de esportes nascendo assim, como Altinha
- 1:26na praia e outras coisas assim, né? Praia
- 1:28trazendo alguns esportes nesse sentido que acabam
- 1:32podendo ser avaliados de algum jeito quando se
- 1:34transformam em esporte com surf também, né? E
- 1:38aí isso é uma coisa muito interessante, a gente vê
- 1:40que no Frejcobal competitivo, né? As
- 1:46duplas elas recebem notas de acordo com a
- 1:48continuidade do jogo, ou seja, o tempo que a bola
- 1:52fica sem tocar no chão. A velocidade da bola também,
- 1:56que é medida com um velocímetro, que nem esses
- 1:58que os policiais usam nas estradas aí pra dar multa
- 2:01pra gente, e também eles dão nota de acordo com as
- 2:06porradas que se dão, ou seja, quanto mais porrada
- 2:09deram na bola melhor, só que tem que ter um
- 2:13equilíbrio, ou seja, o número de porradas que eu
- 2:15dou tem que ser parelho ali, idealmente com o
- 2:19número de porradas na bola que o meu parceiro dá.
- 2:23Então, quanto mais equilibrado,
- 2:24melhor. Isso evita que tenha um
- 2:26especialista em ataque e outro em defesa em cada
- 2:30dupla. A mesma surpresa me ocorreu,
- 2:34né? Quando eu descobri que tinha um
- 2:36campeonato de balão de aniversário, que existe até
- 2:40um balão World Cup, que eu já mencionei aqui no
- 2:44podcast, que é essa coisa, você tem uma bichiga de
- 2:47aniversário, um balãozinho de aniversário, você joga
- 2:49pra cima e não pode deixar cair também. As
- 2:52regras desse jogo do balão são aparentemente mais
- 2:56simples que eu do Frejko Ball, porque cada um pode
- 3:00dar um toque na bola por vez, na sua vez, e não
- 3:03pode deixar a bolinha ou balão cair no chão. E
- 3:07tem um cenário nesse World Cup, nessa competição, né?
- 3:12Não pode deixar a bolinha cair
- 3:14no chão. Tem todo um cenário, um cenário
- 3:16muito divertido, inclusive, porque parece a sala de
- 3:18jantar da minha mãe, que já foi palco de muito jogo
- 3:21de balão ao alto, né? E é isso, ficam dois
- 3:25participantes ali dando porrada no balão e tem que
- 3:29dar porrada no balão de um jeito que o seu oponente
- 3:31não consiga evitar que o balão cair no chão, se
- 3:34você conseguir botar o balão no chão, ponto seu.
- 3:37E enquanto brincadeira, essas
- 3:40duas atividades são muito parecidas, tanto o Frejko
- 3:44Ball quanto o balão ao alto, que eu vou começar a
- 3:47chamar assim. São pessoas batendo nas suas
- 3:50bolinhas ali, né? Seja a bola de borracha ou esse
- 3:53balão de encher, seja com seus... não
- 3:56suas mãos, ou seja com seus pés, ou seja com os
- 3:58riquetes de madeira e tal, a ideia é que a bolinha
- 4:02não cair no chão, né? O balão não cair no chão,
- 4:05você não pode deixar na sua vez o balão cair no
- 4:07chão. E eu fiquei pensando uma
- 4:09coisa, sabe porque um jogo, né, quando virou esporte,
- 4:14foi para um caminho de disputa direta e o outro
- 4:18para um caminho de disputa indireta? Por
- 4:21que que Frejko Ball, quando virou esporte, foi para uma
- 4:24disputa indireta entre as duplas, né? E
- 4:27por que que o balão ao alto acabou virando uma
- 4:30disputa direta entre as duas pessoas ali? É
- 4:34porque me parece, né, que se na bichiga ao alto um
- 4:39jogador tiver diretamente dificultando a vida do
- 4:43outro, né, para forçar a bolinha, no Frejko Ball, se
- 4:46esse fosse o objetivo, seria muito fácil eu vencer
- 4:49o jogo logo na primeira raquetada. A
- 4:52bola vem para mim, eu meto uma raquetada para puta que
- 4:55pariu lá por meio da água e cara, não tem como um
- 5:00ser humano correr tanto quanto aquela bolinha de
- 5:03borracha que levou uma raquetada para salvar aquela
- 5:05bolinha, não tem como. Então
- 5:07não tem como a gente aplicar mesma lógica do
- 5:09balão ao alto no Frejko Ball. De
- 5:13cara então, a gente já tem aí uma questão muito
- 5:16imediata, né? É muito física e que passa
- 5:20batido por muita reflexão que a gente faz, né? A
- 5:22bolinha e a rigidez do que a gente bate nela, né? Que
- 5:26a raquete determina muito desse jogo. Tem
- 5:30muito jogo inclusive analisando essa forma que
- 5:34ele surge antes de mesmo de a gente definir as
- 5:37regras dele, né? Ele surge de um jeito quase
- 5:40intuitivo ali ou totalmente intuitivo, né? Porque
- 5:44se a gente não tem que pensar a respeito do que a
- 5:46gente está fazendo, não dá para dizer que esse jogo
- 5:49de jogar o balão para cima é de fato um jogo
- 5:53colaborativo ou competitivo, né? Logo
- 5:56não dá para saber se é um jogo de não deixar a bola
- 5:58cair no chão ou de fazer com que o seu oponente não
- 6:02consiga evitar sua queda. E pelo menos para mim, pelo
- 6:06menos por hoje aqui, pelo menos por essa edição do
- 6:09podcast, me parece que esse jogo pré existe a esse
- 6:15acordo a respeito do que deve acontecer com o balão
- 6:17que sobrou do aniversário da minha irmã, que afinal
- 6:21de contas, se não frescou o balo, a minha dupa,
- 6:24nenhum de nós dois está querendo que a bola toque
- 6:26ao chão em momento algum, no balão ao alto, em algum
- 6:30momento eu quero que a bola toque ao chão e esse
- 6:32momento tem que ser quando for a vez do aluno, gente.
- 6:36E isso já é minúcia para
- 6:38caramba. Parece ser uma construção bem
- 6:41objetiva a respeito de uma coisa que já acontecia, de
- 6:45uma atividade que já rolava, uma atividade que
- 6:48para mim é lúdica, ou seja, é jogo. E
- 6:52aí talvez eu esteja querendo ser advogado do
- 6:54diabo aqui, defender o indefensável, o meu, indo
- 6:58contra as sumidades do game design, mas talvez eu
- 7:02queira discutir. Será que todos os jogos dependem
- 7:07mesmo de regras para existirem? E
- 7:11para analisar essa questão, acho que vale a pena a
- 7:14gente pensar em mídia, em regra, em RPG e até em
- 7:18simulação, que tal? Vamos lá?
- 7:34Bom dia amigos do Café com
- 7:36Dungeon, estamos aqui para mais um episódio do seu
- 7:38podcast Matinal favorito trazendo sempre muito RPG.
- 7:42Meu nome é Rafael Balbi e no
- 7:44jogo da vida eu só tenho um jeito de beber esse
- 7:46café que eu estou bebendo aqui. O
- 7:48café é o Velha Negra, independente das regras você
- 7:51só consegue beber saboreando ele com um sorriso no
- 7:55rosto, não tem como. E se você quiser amanecer com
- 8:00sorriso no rosto igual ao meu ouvindo café com
- 8:02dângel, bebendo um café especial como esse, vá lá
- 8:06em ovelenegracafés .com e utiliza o cupom CCD, do
- 8:12minúsculo, que é o cupom pros ouvintes do café com
- 8:15dângel, você vai ter um abatimento aí. Se
- 8:17você quiser o cupom melhor ainda, você tem acesso a
- 8:20cupons progressivos, de acordo com seu nível de
- 8:23apoio, se você se tornar um assinante do café com
- 8:25dângel lá em apoia .sebarracafé .com. Daí
- 8:29de lambúrgia você participa de sorteios aí de quase
- 8:322kg de café por mês, por vira negra, fora material
- 8:37dos nossos parceiros aí, então cara, vale a pena e
- 8:42fora isso tudo você ainda tem acesso a conteúdo extra
- 8:47do café com dângel. Reflexões
- 8:49como essas, a gente tem treinamento, a gente tem
- 8:53ali dentro da comunidade, o link você tem acesso ao
- 8:56nosso telegram, a gente faz também workshops e tudo
- 8:59mais, de Hexcrawl, de várias coisas, Joel Fenton,
- 9:01então, cara, cola aí, acho que vale muito a pena e
- 9:05você ainda ajuda a gente, então apoia .sebarracafé .com.
- 9:10Beleza? Vão para o episódio, mas
- 9:12antes queria passar na enquete, então vamos lá, o
- 9:15último episódio foi sobre Elden Ring e as lições que
- 9:18esse jogo pode trazer, que esse jogo pode trazer para
- 9:21RPG, né? E durante esse episódio eu
- 9:25perguntei, e aí, vocês acham que Elden Ring merece
- 9:28ter um Easy Mode? E 72 % das pessoas disseram
- 9:34que não, não é para ter Easy Mode mesmo no Elden
- 9:39Ring, não. Que leva, né? Eu
- 9:41acho que nesse caso aqui está confluindo com o que
- 9:44eu defendi no episódio e, bom, acabou sendo uma
- 9:48minoria ali que disse que sim, que era para ter Easy
- 9:50Mode sim. E teve comentários
- 9:52interessantes, agradeço a todo mundo que comentou,
- 9:55teve bastante comentário legal aí, mas eu vou ler
- 9:57três aqui especiais aqui. Primeiro
- 10:00do Lelfenrir, do RPG Dojo, aí um abraço. Ele
- 10:03falou que sobre a pergunta da votação, ele acredita
- 10:06que parte do que é Elden Ring é sua curva de
- 10:09aprimzado e facilitar tiraria uma grande base do
- 10:12jogo. Seu argumento fosse pela
- 10:14narrativa, isso é facilmente resolvido por vídeos e
- 10:17lives. Nem toda experiência para todos
- 10:19os públicos, em modo Easy iria te caracterizar à
- 10:22proposta da experiência, isso sem considerar a
- 10:24acessibilidade que aí é outro tópico. Mas
- 10:27ser acessível não significa ser fácil ou facilitado.
- 10:31Pofenrir, muito legal o comentário,
- 10:33eu acho que isso resume muito bem essa questão do
- 10:35Easy Mode, de acordo com a visão do último episódio,
- 10:38né? Então valeu a participação aí. O
- 10:41Rafael Barcelar, mais uma vez aí comentando, trouxe
- 10:43que uma diferença dos Souls Like para RPGs é que lá
- 10:47você não perde o seu progresso quando morre,
- 10:49parte dos desafios dele. Em RPG você morrer morreu,
- 10:53isso pode levar a uma frustração muito mais pesada
- 10:55ainda, mais em jogos com alta lateralidade como OSR.
- 10:59Eu curto dar alguma forma da
- 11:01perda não ser completa, em mesa aberta que eu mestro
- 11:04quem morre volta com um novo personagem no mesmo
- 11:06nível da Gilda, e ao nível da Gilda que eu compro com
- 11:09Gold. O Dungeon Mesh mesmo tem uma
- 11:12explicação narrativa para reviver funcionário em
- 11:15Dungeon. Rafa, muito interessante cara, o
- 11:19que você trouxe aí, eu concordo que essa coisa do
- 11:21Souls Like não ter uma morte definitiva que perca
- 11:24tudo seu progresso é diferente do que era um
- 11:27OSR, né? No OSR você pede o personagem
- 11:28perder e cara, é muito doido a gente pensar que
- 11:33mesmo você não perdendo o personagem, não perdendo o
- 11:36progresso, já tem esse churro todo. Imagina
- 11:38se tivesse, né? Acho que reforça os pontos do
- 11:42episódio. Mas de toda forma eu posso
- 11:44dizer que cara, eu fico bem puto quando eu tô
- 11:46cheio de runa, morro no Elden Ring e perco minhas
- 11:49runas ali, depois eu morro de novo e não consigo
- 11:51resgatar as runas, cara que ódio que isso me dá,
- 11:54velho. Bom, interessante a coisa da
- 11:58Gilda aí, do avanço que você faz, né? E
- 12:01a explicação narrativa para reviver na Dungeon, né?
- 12:05Acho interessante que tenha isso.
- 12:07Mas também não acho essencial
- 12:08não, eu gosto do impacto da perda de progresso e da
- 12:12uma dimensão muito interessante aí do problema,
- 12:14principalmente porque em jogos dessa natureza, né?
- 12:18Da OSR que você falou que são
- 12:19muito letais, o concordo de forma geral são. A
- 12:23gente tem a principal evolução não sendo
- 12:25exatamente do personagem, é do jogador. E
- 12:28as pensas que eu tenho em Birgota, em Arcaia e outras
- 12:30mesmas abertas que eu joguei, é, massivamente, né?
- 12:33É de que os jogadores começam
- 12:35a ficar mais habilidosos em jogar aquele jogo, existe
- 12:38uma curva de jogador que é aprendizado do jogador, né?
- 12:41E ele acaba que isso faz
- 12:45mais diferença muitas vezes do que o nível do
- 12:47personagem, sabe? Do que esse progresso dentro
- 12:50do personagem. Então, isso é muito curioso de
- 12:52ver. Maneiro, teve aqui mais um
- 12:54comentário do Kayo Kavazana, grande Kayo Kavazana, que
- 12:58saudade de você, cara. Nunca
- 12:59pensei que viveria pra ver o Balbis citando influências
- 13:02positivas que um videogame poderia ter em jogos de
- 13:05RPG. Cara, eu curto videogames, eu
- 13:09sou, como eu falei no episódio anterior, eu sou
- 13:11um pouco afastado desse mundo, infelizmente não
- 13:14tenho tempo pra tocar podcast, tocar RPG no nível
- 13:16que eu toco e viver muito intensamente videogame, não
- 13:20tem como se não sofrer vida pessoal, mas, cara,
- 13:24sempre que eu vejo um jogo bom, assim, eu trago coisas
- 13:26pra RPG, né? Vale a pena mencionar e o um
- 13:29fim de estudo suano que é um dos motivos mais básicos
- 13:34aí do oil fantasy, né? Então,
- 13:36eu trago videogame sim. Estamos
- 13:39juntos, cara, um abração. Vamos
- 13:41cair pro episódio de hoje? Com
- 13:50licença, meus caros. Teria ouvido direito? Vocês
- 13:53estão em busca de ouro e glória? Pois
- 13:56eu posso lhes ajudar. Meu nome é Almir Sego e eu
- 14:00estou nessa taverna há algum tempo, ouvindo
- 14:02histórias de bravura e coragem e aventureiros que
- 14:05passam por aqui. Eu posso lhes falar sobre que
- 14:08está para além da gaiola, as ruínas deixadas pelos
- 14:11antigos, as planícies de nuvens negras, a floresta
- 14:14do vento infinito, a lenda do messias élfico ou até
- 14:18mesmo o que está aqui dentro, os mistérios sobre
- 14:21as sombras das torres douradas sobre as nossas
- 14:23cabeças. Meu preço, hora. Eu
- 14:27só peço para que, ao retornarem, vocês contem
- 14:30suas histórias para mim. É a forma que eu tenho de
- 14:33ver o mundo novamente, pelas histórias de
- 14:35aventureiros valorosos como vocês. Trema,
- 14:44a gaiola dourada é um jogo de RPG de mesa aberta, no
- 14:47sistema Caves and Haxes, usando o estilo Oil Fantasy
- 14:50e o modelo Arzlud. Vem explorar os hermos
- 14:53corrompidos pela estranheza, cheios de tesouros e
- 14:56oportunidades, ou venha caminhar pelas ruas de
- 14:58trema, cheias de perigos e segredos. Os
- 15:01habitantes da última cidade do mundo aguardam por você.
- 15:06Que tal ver o que tem para
- 15:07além da gaiola? Bom,
- 15:26aquilo tudo que eu estava falando sobre o Fesicobol,
- 15:28sobre a bichiga, sobre o bichigo alto, ou seja, o
- 15:32nome que a gente queira dar para o jogo do balão,
- 15:36a gente acaba percebendo que os jogos se expressam
- 15:40em um local. Sem pegar aquele livro Hex dos
- 15:43Jogos, o Zimmerman e Sallen, que é um clássico
- 15:46do game design, e outros game designers também falam
- 15:50dessa coisa desse local, desse ambiente do jogo. Não
- 15:54precisa ser um local físico, pode ser imaginário
- 15:56também, mas existe esse espaço delimitado no qual o
- 15:59jogo ocorre. No rumo a gente tem um
- 16:01tabuleiro, uma quadra, a praia, o ambiente que a
- 16:05gente está, e acho que o que delimita, bom, bem isso
- 16:10é que quem não faz parte desse ambiente, que não
- 16:13está dentro desse local, não consegue jogar. Acho
- 16:17que isso é o que delimita isso aí. Fora
- 16:20isso a gente tem ali elementos do jogo, como as
- 16:23raquetes, as traves do campo de futebol, a cesta
- 16:26do basquete, as peças do xadrez, as linhas do campo
- 16:30ali, quando a gente vai fazer uma pelada, tem os
- 16:33chinelos ali demarcando golzinho, quadriculado para
- 16:36as damas, isso tudo aí compõe isso que a gente
- 16:40pode dizer que é a mídia do jogo, é o meio onde
- 16:43ele ocorre. Não é o jogo em si, mas é o
- 16:46suporte material dele, mesmo que seja na nossa cabeça,
- 16:50mesmo que seja da gente conversando, mesmo que seja
- 16:52oral, é o suporte físico do jogo, para assim dizer.
- 16:57Grande parte dos game designers,
- 16:59eu posso citar aqui o Bernard Sultz, que eu ando
- 17:02estudando muito, com Grasshopper e tal, e
- 17:05através do Tinoguen também, que é um cara que é muito
- 17:08interessante, eles têm colocado os jogos como
- 17:12limitação, como expressão de limitação. A
- 17:15gente escolhe certas limitações e essa escolha
- 17:18voluntária de limitações e as extrapolações que vem
- 17:22daí, é de onde vem o jogo. Então
- 17:26a gente delimita o objetivo e os meios de chegar até
- 17:31ele. Na leitura que o Tinoguen faz,
- 17:35a matéria do jogo é a limitação da agência dos
- 17:38jogadores, é entender justamente esses limites, o
- 17:41que a gente impõe para a gente mesmo de limite para
- 17:44aquela atividade. E eu concordo bastante com
- 17:48essa questão das limitações, eu acho que as limitações,
- 17:51elas imprimem o jogo, justamente a gente escolher
- 17:55determinada atividade ali, com determinadas limitações,
- 17:59é o que faz a gente jogar. Se
- 18:01novisão de Zimerman e Sallen lá no regras do
- 18:04jogo, as regras instituiriam até mesmo a mídia do jogo.
- 18:09Se a gente está usando uma
- 18:11mídia para o jogo, essa raquete, bola, isso aí está
- 18:15nas regras do jogo. Seriam as regras que definiriam
- 18:19que a gente vai usar esse material ou o balão
- 18:23flutuante para jogar. Isso seriam regras que eles
- 18:27chamam de regras constitutivas, que definem a
- 18:31natureza fundamental de cada jogo. Quando
- 18:34começamos a usar duas raquetes e uma bolinha de
- 18:38borracha, mesmo que não haja regras emplícitas ou
- 18:42explícitas claras dos participantes, a gente
- 18:47começa a explorar as limitações do que a gente
- 18:50está usando ali. Será que isso já não é um
- 18:54jogo? Quando vontades e motivações
- 19:00abstratas, pessoais, subjetivas, começam a
- 19:04explorar aquela física lidade da bolinha e da
- 19:07raquete, as suas limitações. Isso
- 19:10já é um jogo, mesmo a gente não tendo consciência
- 19:15das regras que a gente está usando, mesmo que a
- 19:17gente implicitamente, ou seja, sem a gente acordar
- 19:23verbalmente ou por inscrito, a gente nem tem consciência
- 19:27ainda dessas regras, então elas não seriam regras
- 19:30ainda. Esse momento prévio a isso que
- 19:34a gente está explorando a physicalidade da mídia, isso
- 19:36não é um jogo? Talvez sim. Mesmo
- 19:40não tendo exatamente um vencedor, um perdedor,
- 19:43claro, mesmo não tendo acordado entre a gente se
- 19:46vale bater duas vezes com a raquete em seguida na
- 19:50bola, aquilo já não parece que é um jogo. Eu
- 19:55lembro que no colégio tinha um jogo que a gente
- 19:57inventou, chamado Paredão. A gente pegava uma bolinha e
- 20:00jogava contra a parede, ela podia ficar uma vez,
- 20:03voltava e tal, mas eu lembro que cada turma que
- 20:06jogava a paredão ali jogava de um jeito diferente,
- 20:09então quando rolavam intercâmbios entre as
- 20:11pessoas que jogavam em recreios diferentes e tal,
- 20:14rolava sempre uma discussão ali que emergia durante o
- 20:18jogo mesmo, falou, não, pera aí, mas nada a ver,
- 20:20tinha gente que jogava a bolinha direta, tinha gente
- 20:22que tinha que bater no chão, enfim, me parece que
- 20:25a physicalidade daquela atividade precedia as
- 20:30próprias regras, né, e as regras foram sendo
- 20:34inventadas para aquilo ali e cada grupo foi inventando
- 20:38as suas regras para aquela atividade e aí nesse ponto
- 20:43seria legal a gente começar de repente a imaginar essa
- 20:48questão das regras um pouco mais profundamente, né. Aí
- 20:53fazendo referência ao Sul, ao Nuguen, né, a gente
- 20:59entendendo jogos como limitação, né, a gente pode
- 21:02entender que sim, jogos dependem de limitações, mas
- 21:07não necessariamente de regras que os delimitem,
- 21:11né, a mídia que a gente está usando, ela já traz
- 21:14delimitações, ela já traz delimitações iniciais, né,
- 21:18materiais até que criam as condições para o jogo
- 21:22existir, quem sabe. Me parece um argumento válido,
- 21:26me parece claro que as regras naturalmente inclusive
- 21:30podem emergir dessas limitações físicas, né, de
- 21:33mídia, seja como o reconhecimento do meio que
- 21:38se usa, que se usa para jogar, seja para incremento
- 21:41lúdico, ou seja, para tornar o jogo mais claro,
- 21:43mais complexo, mais interessante, etc. Daí
- 21:47a gente vê que a partir de desejos lúdicos, muito
- 21:50similares, né, frescobol, e balão ao alto tem
- 21:53similaridades ali em relação à vontade de jogar, por
- 21:57assim dizer, ainda assim surgem jogos diferentes, com
- 22:02a emergência de regras diferentes, e isso contempla
- 22:07a physicalidade da bolinha de borracha em comparação à
- 22:11physicalidade do balão flutuante, a physicalidade
- 22:14da nossa mão, do nosso pé, e a physicalidade das
- 22:18raquete. Me parece então que a mídia e
- 22:21essas limitações podem preceder as regras nos
- 22:26jogos. Não é verdade sempre, né, como
- 22:29no caso do xadrez, sei lá, mas em muitos casos me
- 22:33parece ser isso que acontece, né, como já falei
- 22:37a respeito aqui, esse tipo de variedade a gente vai
- 22:41ter que ter sempre em mente quando a gente
- 22:43analisa jogos, né, eu concordo bastante com o
- 22:46Winstein nesse ponto de que jogos são variados o
- 22:50suficiente para que a gente não possa cravar uma
- 22:52definição clara, então acho que a gente vai ter que
- 22:55ir aceitando possibilidades mais amplas conforme a
- 22:58gente debate a natureza dos jogos. Logo,
- 23:02se a mídia e as suas limitações podem, e aqui um
- 23:06ênfase, né, nesse pode, nesse podem, né, eu vou
- 23:12morar aqui um tempo, se essas limitações e a mídia
- 23:15pró podem preceder as regras, a gente já não
- 23:19pode cravar que todo jogo precisa de regras
- 23:22essencialmente, né, ainda que eu acho que todo jogo
- 23:26tem limitações de ação dos participantes, talvez isso
- 23:30seja o que é essencial. Não
- 23:34é a mesma coisa. Se pra Zimmerman e Sallen
- 23:38regras são espinha dorsal de qualquer jogo, sendo
- 23:42acordadas ou implícitas, né, ou explícitas, né, de
- 23:46repente ali acordadas verbalmente ou num manual,
- 23:50né, que os jogadores aceitam aquilo ali pra
- 23:53participar dessa experiência lúdica, eu trocaria de
- 23:56repente a palavra regra por limitação na definição de
- 24:00Zimmerman e Sallen, então seria algo como limitações
- 24:04são a espinha dorsal de qualquer jogo, sendo acordos
- 24:09implícitos ou explícitos que os jogadores aceitam pra
- 24:13participarem da experiência lúdica. Parte
- 24:44do grupo de Telegram participar de sorteios e
- 24:47enriquecer seu jogo. Esquente
- 24:52a água, moa os grãos e pegue os dados. Apóia
- 25:00.se barcafé com dângio. Contamos
- 25:09com você. As regras, elas entrariam então
- 25:20em um momento mais consciente da relação
- 25:24lúdica, seja de forma implícita, não falada,
- 25:28escrita, ou de maneira expressa, seja no acordo
- 25:30verbal ou no escrito no manual, né, mas a gente
- 25:34cria as regras quando a gente está construindo
- 25:39conscientemente uma experiência para ser
- 25:42repetida e para ser reexperimentada qualquer
- 25:45pessoa. Aí a gente começa a trabalhar
- 25:48com as regras, né, e nisso as regras se abraçam com o
- 25:51design, inclusive, vidando na disciplina game design
- 25:54que não atoa, começa a entender os jogos a partir
- 25:58disso, mas esquece muitas vezes esse momento que
- 26:02talvez preceda, né. Nesse ponto, me parece que não
- 26:07faz sentido que as regras sejam instintivas, né, mas
- 26:12em algum nível elas precisam ser acordadas até
- 26:14pelas palavras ali dizir minha mãe em sala, né, ou
- 26:17portanto as regras têm que ser conscientes pelos
- 26:21participantes. As regras, a gente pode dizer,
- 26:26elas refinam o espaço do jogo a partir da mídia em
- 26:31que o jogo se desenrola, né, e suas limitações.
- 26:35Então as regras, elas viriam
- 26:37apimentando a relação lúdica, estabelecendo, né,
- 26:41algumas minúcias para essa relação que a gente vê com
- 26:47a mídia, né, então se a gente está jogando futebol
- 26:50na vársia, a gente coloca ali os chinelos delimitando
- 26:53o golzinho, isso já basta com mídia básica, mas aí a
- 26:56gente coloca de repente linhas ali na lateral
- 26:59dizendo que a bola pode sair, que se ela passar
- 27:02dessa linha ela sai, então tem que bater lateral, né,
- 27:05aí a gente bota uma trava e bota uma travesção, então
- 27:08a bola tem que passar por esse retângulo, não é mais
- 27:11só aquela linha, aquele espaço entre dois chinelos,
- 27:14né, a gente vai aprimorando, a gente vai
- 27:17apimentando essa relação e nesse apimentar seria mais
- 27:21ou menos como a gente pensar como seria o
- 27:23frescobal se a gente fizesse um círculo de 5
- 27:27metros de diâmetro e a nossa raquetada não pudesse
- 27:30fazer a bola quicar fora daquele espaço, de repente
- 27:33somente com esse incremento seria possível jogar
- 27:36frescobal um contra o outro, como no balão ao
- 27:40alto, então de repente com pequenas regras e pequenas
- 27:43mudanças a gente começa a incrementar e a gente
- 27:45começa a mudar essa relação lúdica ali em cima,
- 27:49trazendo um riquinte maior do que as próprias
- 27:52limitações da mídia dos meios daquele jogo, outro
- 27:58motivo de se usar regras é que as regras geram um
- 28:01acordo e facilitam os participantes perceberem o
- 28:06que eles estão fazendo, então isso traz qualidade
- 28:08lúdica, elas, as regras resolvem em passes, se a
- 28:14gente descobre ali se foi falto ou se não foi falta,
- 28:18o basquete, o futebol inclusive divergem no que
- 28:22quer é contato, não quer falta, no futebol às vezes
- 28:25o que é contato não é a mesma coisa que no
- 28:29basquete, o que falta no futebol às vezes não é a
- 28:32mesma coisa que falta no basquete, tem minúcias aí,
- 28:36as regras também elas alinham as expectativas, se
- 28:39você não concorda com uma regra você não joga, você
- 28:42pode não jogar, a atividade de jogar é voluntária,
- 28:46então você consegue entender o que se trata aquele jogo
- 28:50vendo suas regras ou conversando sobre as suas
- 28:52regras e aí você pode se voluntariar ou não, você
- 28:56pode entender por que você está se voluntarhando, as
- 28:59regras elas também reforçam os objetivos que enlaçam as
- 29:03pessoas naquela atividade lúdica comum, então essa
- 29:07enlace a gente pode dizer que é a agenda, de forma
- 29:11que todo mundo ali começa a fazer decisões na mesma
- 29:15direção ou pelo menos em direções que já estão
- 29:18claras, mesmo que seja uma posta, são direções que a
- 29:22gente já começa a entender melhor e a gente já, a
- 29:26partir disso, começa a tomar decisões informadas e
- 29:29fazer esforços conscientes para participar daquela
- 29:32atividade, então isso permite também uma melhora
- 29:35constante da atividade lúdica e um desenvolvimento
- 29:39de técnicas para essa melhora, a gente pode
- 29:43inclusive conversar a respeito disso, fazer
- 29:45resenha a respeito disso, fazer análise sobre a
- 29:49atuação de cada pessoa praticando essa atividade, e
- 29:54aí por fim as regras elas dão sentido, elas
- 29:58estabelecem valor também, o que quer derrota, o que
- 30:01quer vitória, o que é bom, o que não é, e enlaçam
- 30:06com essas agendas, a nossa atividade, então se a gente
- 30:08joga um RPG, vou propor um exercício, imagina que a
- 30:13gente joga um RPG sem regra, e por acaso, durante
- 30:16essa sessão ninguém falou a respeito de regra nenhuma,
- 30:21aí algumas pessoas vão falar, ah, peraí, mas tem
- 30:24regras implístas aí, vocês estão seguindo regra, mas
- 30:28ninguém falou a respeito, agora imagina, a gente
- 30:31chega no fim da sessão e a gente pergunta para os
- 30:34participantes, e aí quais regras vocês perceberam e
- 30:38seguiram durante esse jogo, e aí a gente pode pensar,
- 30:43será que as regras percebidas ali em qualquer
- 30:47porção, são diferentes entre os participantes do jogo,
- 30:52se a percepção de cada participante em algum nível
- 30:57difere nas regras que eles seguiram, isso é um jogo?
- 31:02Se a gente considerar que
- 31:04regras, segundo os Imermães Sallen, são essenciais para
- 31:10o jogo e sem regras não há jogo, então a gente
- 31:14pode dizer que sem um acordo consciente em torno
- 31:18das regras, ainda que implícito, não tem jogo,
- 31:25então se as pessoas que estão participando tiveram
- 31:28em qualquer porção, eles seguiram regras diferentes
- 31:31entre si, não há acordo, logo não teria jogo, mas
- 31:35se a gente perguntar para esses jogadores que jogaram
- 31:39a se arrepender sem regras, será que eles considerariam
- 31:42aquilo um jogo? E aí a gente pode conversar
- 31:51com eles de repente, será que eles não iriam perceber
- 31:55que eles estavam experimentando algumas
- 31:58limitações ali e que isso desce para eles a impressão
- 32:01de que eles estavam jogando? Será
- 32:02que essas limitações não seriam as limitações da
- 32:05própria mídia do RPG? Ainda que em um nível consciente,
- 32:13eles não estariam convergindo dentro dessas
- 32:17limitações e elas não serviriam o suficiente para
- 32:22a gente entender aquilo como um jogo e aí com o
- 32:26mídia do RPG, nesse caso eu estou falando da ficção,
- 32:31desse espaço imaginário coletivo, esse mundo de
- 32:35aventuras, e principalmente a conversa que cria esse
- 32:40espaço. Se a gente for pegar o
- 32:45Ruizinga, um autor clássico que os Game Zanners
- 32:47recorrem bastante, ele fala dessa coisa do círculo
- 32:50mágico, que é esse momento, essa é gregora, esse espaço
- 32:56compartilhado que os jogadores entram e que o
- 32:59mundo entorno ele não dialoga tanto, ele não faz
- 33:03parte dessas regras internas desse jogo. Esse
- 33:08círculo mágico é essa atividade que a gente
- 33:10entra, que tira, a gente que destaca um pouco a
- 33:13gente da realidade que a gente vive e coloca a
- 33:15gente nessa realidade que só faz sentido para quem
- 33:18está jogando, com as regras próprias, com valores
- 33:22próprios. Então, se você não sabe o que é
- 33:26frescobal, você vê duas pessoas batendo raquete na
- 33:29bolinha, um para o outro, você pode não entender a
- 33:32qualidade lúdica daqui, você pode não entender o que é
- 33:35aquilo que estão fazendo, mas quem está jogando sabe
- 33:37mais ou menos o que está acontecendo ali, sabe,
- 33:41entende o que está fazendo. Então,
- 33:43isso é o círculo mágico, se você chega num jogo de
- 33:46tabuleiro que você nunca viu na vida, jogo super
- 33:48complicado, cheio de coisas escritas, cheio de pecinha,
- 33:51você não sabe o que está acontecendo, mas aquelas
- 33:53pessoas sabem, elas estão participando desse círculo
- 33:56mágico, elas podem passar horas fazendo aqui sem que
- 33:59você tenha qualquer pista do que está acontecendo.
- 34:03Esse círculo mágico tem a ver
- 34:05com esse espaço do jogo, que eu falei lá atrás, e
- 34:09esse espaço do jogo que você cria, ele tem uma
- 34:12qualidade de real, ele tem uma qualidade de real no
- 34:15sentido que a gente começa a perceber padrões, essas
- 34:19limitações que a gente fala, elas vão estabelecendo
- 34:23alguns padrões, algum funcionamento. A
- 34:26gente perceber isso é o que faz a gente perceber a
- 34:29própria realidade, tanto que a física, a matemática e
- 34:34tudo isso são expressões da gente analisando a natureza.
- 34:38E se a gente condanaliza a
- 34:40natureza, a gente percebe a qualidade do real a partir
- 34:43disso, é natural que quando a gente estabeleça jogos
- 34:46que têm suas próprias regras e delimita seus
- 34:49próprios padrões, a gente também sinta o real ali.
- 34:53Logo, a gente pode dizer que
- 34:55esse espaço de jogo que compõe esse círculo mágico
- 34:59acaba gerando uma simulação, essa qualidade do real,
- 35:04essa percepção da verocimilhança. E
- 35:08no RPG isso se exprime como esse espaço simulado,
- 35:12como esse mundo de aventura. Ele
- 35:14é a expressão dessa simulação que acontece a
- 35:17partir do círculo mágico. Então,
- 35:20a gente pode dizer que no RPG, a mídia que a gente
- 35:23usa é o diálogo ficcional em uma dinâmica constante,
- 35:27em uma dialética ali, com o mundo imaginado
- 35:30coletivamente, que é a expressão dessa simulação do
- 35:34espaço de jogo que essa conversa que a gente
- 35:37participa cria. Todos jovemam as lendas do norte,
- 35:43mas ninguém sabe o certo que tem lá. Maldições,
- 35:47criaturas terríveis, tesouros mágicos e queias as
- 35:49esquecidas, é o que as histórias contam, depois da
- 35:53grande muralha. Nas tavernas dizem que a
- 35:58companhia dos Biltres se instalam nos limites do
- 36:00mundo e está financiando aventureiros para explorar
- 36:03essa terra maldita. Já vai fazer um ano a
- 36:05Malakias, que muitos partiram para o norte,
- 36:08deixando Valetim e viajando sete dias por esses anos.
- 36:12Bom, morriado o céu, eu também
- 36:14estou partindo, eu cansei dessa vida de merda, meu
- 36:17amigo. Mas então, Malakias me fala,
- 36:21você vai vir também, eu vou passar o resto dessa
- 36:23tua vida patética, batendo carteiras. Eu
- 36:26não sei você, mas eu quero morrer rico, meu amigo.
- 36:30Fala galera do Café, aqui é o
- 36:31Hikaru e eu queria fazer um convite para vocês. Fim
- 36:34de Esterra é uma mesa de Hexcrawl, que usa o Caves
- 36:37and Hex, esperado no Bestia 81 que todo mundo ama, e
- 36:40é uma campanha que acontece no estilo mês aberto. O
- 36:42Cusin foi qualquer um pode colar, jogar com a gente,
- 36:44são sessões ebsórdicas. Quem pode jogar no dia, a gente
- 36:47monta um time e esse time sai para explorar. Então,
- 36:49queria fazer esse convite para vocês virem explorar
- 36:52esses hermos malditos, descobrir os segredos de
- 36:54cartelos abandonados, atravessar espelhos mágicos,
- 36:57encarar as brumas prateadas, tomar o chá da minha
- 37:00estrela, e vir buscar esses tesouros que foram
- 37:02esquecidos pelo tempo, em Finisterra. Essa
- 37:05mesa também, galera, usa o estilo de jogo, olha,
- 37:08fantase, que quem é ouvinte do café está ligado, o que
- 37:11eu sei. Então, espero vocês lá e valeu,
- 37:14Balder! No
- 37:25RPG, o diálogo ficcional seria a sintaxa criativa, e
- 37:30esse mundo simulado é o conteúdo que deriva disso,
- 37:33dessa mídia que o RPG usa. Voltando
- 37:36para aquele exercício livreform, aquele exercício
- 37:39sem regras que eu falei, os jogadores estariam
- 37:43experimentando as limitações da mídia do RPG,
- 37:47vivenciando a ficção e a sua construção ali, conforme
- 37:51jogam, antes mesmo de raciocinarem respeito das
- 37:54regras sobre as quais concordariam conscientemente.
- 37:59O diálogo ficcional cria esse
- 38:02mundo simulado, uma realidade alternativa, seja
- 38:06de natureza diagética ou seja de natureza mimética,
- 38:09e nos termos de Aristóteles, se você quiser
- 38:12aprofundar nisso, tem um episódio na primeira
- 38:14temporada que eu vou deixar linkado aí, contadeu, e a
- 38:18gente participar desse mundo simulado, que vai sendo
- 38:22construído pelo nosso diálogo ficcional, é
- 38:24condição de existência para o RPG. Essa
- 38:27é sua mídia, é uma condição material, por assim
- 38:31dizer, do RPG. Não material no sentido físico
- 38:35necessariamente, mas de existência ali. E
- 38:39aí a gente tem que escolher, né? Ou
- 38:41faz de conta, mesmo para as crianças, esse faz de
- 38:44conta do Polícia Ladrão, já é um jogo porque ele tem
- 38:48papéis e regras implícitas que a gente consegue,
- 38:50obviamente, executar, isso seriam as regras lá, de
- 38:54acordo com o Zimmermann e Sallen, e isso já é
- 38:58suficiente para a gente considerar o Polícia Ladrão,
- 39:00por exemplo, um jogo, ou a gente vai ter que concordar
- 39:04que talvez as regras não sejam essenciais para os
- 39:07jogos, ainda que sejam muitíssimos relevantes e
- 39:09importantes para eles. Eu sei, eu estou aqui
- 39:14exercendo a polêmica nesse caso, a gente tem como um
- 39:18senso comum que regras são o elemento básico, são a
- 39:22espinha dorsal dos jogos, mas aqui eu estou
- 39:26questionando um pouco isso, eu vejo que talvez haja um
- 39:28teor nisso, e talvez o RPG seja justamente uma lente
- 39:31muito legal para a gente analisar isso, porque ele
- 39:34estressa um pouco esse espaço. A
- 39:37gente está falando bastante de simulação e tudo mais,
- 39:40e eu entendo que a simulação é sua construção,
- 39:43portanto, elas são a mídia do RPG, e sem isso ele
- 39:46não ocorre. Se a gente for olhar agora a
- 39:48partir de lentes típicas do RPG, como a clássica da
- 39:51GNS, do Ron Edwards e da Forge, a Game Mista, a
- 39:58Narrativista Simulacionista, me parece que a agenda
- 40:02Game Mista, que é vencer, superar desafios, é algo
- 40:05que a gente pode construir nas regras do jogo e somar
- 40:08ao RPG. Mesma coisa para a agenda
- 40:11Narrativista, que Visa construiu uma narrativa
- 40:14comum estabelecida a partir da relação lúdica, que a
- 40:18relação lúdica visa a construção dessa narrativa.
- 40:22Ela também pode ser constituída
- 40:24pelas regras para enriquecer o jogo. Mas
- 40:27a simulação em si é a base sobre qual o RPG se
- 40:31desenvolve. E não parece que a simulação
- 40:34seja uma agenda, não parece que ela é o meio sobre
- 40:37qual a gente vai utilizar algumas agendas, algumas
- 40:39agendas vão se desenvolver. O
- 40:42RPG simula personagens vivendo no mundo imaginário,
- 40:46sempre em algum nível. A gente vai tomar decisões no
- 40:50jogo como se a gente fosse eles, porque eles são os
- 40:53nossos proxies, eles são a nossa mídia no mundo de
- 40:57aventura, com maior ou menor autonomia e
- 41:00diferenciação em relação a nós jogadores. Isso
- 41:03vai ocorrer em jogos de agenda Narrativista,
- 41:07prioritária, ou jogos de tendência mais game -mista,
- 41:10não importa. Todos eles dependem da simulação
- 41:14para existir. O contrário não é verdade. A
- 41:17gente pode criar um mundo imaginário e vivenciar ele,
- 41:21sem, no entanto, a gente ter desafios claros e
- 41:24tracionados e sem ter também uma construção
- 41:27narrativa pautada pela própria relação lúdica.
- 41:32Essas agendas, a narrativa, a
- 41:35narrativista e a game -mista, vão aparecer através
- 41:40das regras, dando sentido a essa simulação. A
- 41:45gente pode discutir se a gente está jogando, se a
- 41:49gente estiver, de repente, só representando -os um
- 41:52camponês num feio do Romeno, na idade média, sem
- 41:56o objetivo de contar uma história e sem um desafio
- 41:59tracionando aquilo. Mas o fato é que regras que
- 42:03imprimam dramas para desenvolvimento de
- 42:06personagem, ou, de repente, regras que imprimam riscos
- 42:09que tragam escolhas difíceis para os jogadores, são
- 42:13essas coisas que vão dar sentido ao jogo, que vão
- 42:17trazer as nossas intencionalidades nesse jogo,
- 42:21constituindo as tais agendas. Daí
- 42:25a gente pode ter a simulação e a sua criação
- 42:29rodando no jogo, porque a gente está imaginando, em
- 42:32conjunto, esse ambiente e esses personagens. Mas
- 42:34a partir do momento em que escolhemos que a gente vai
- 42:39criar uma tabela de clima, uma tabela de perigos, que
- 42:43podem se abater sobre a vila em que os personagens
- 42:46moram, desde funcionários do Senhor abusando do poder,
- 42:51até invasores mongóis, por exemplo. Ou,
- 42:54se a gente estabelece que os personagens devem
- 42:57estabelecer os desejos, aliás, os jogadores devem
- 43:00estabelecer os desejos dos seus personagens para
- 43:04começar a jogar, a gente já está pautando algumas
- 43:07agendas e intencionalidades em cima dessa simulação. A
- 43:11gente está dando sentido a essa simulação. E
- 43:14eu posso dizer que a gente talvez precise desse sentido
- 43:19para jogar. E, suposto, talvez, quem sabe,
- 43:24e eu acho que uma discussão válida, quem sabe
- 43:27a gente possa pensar que o RPG e mesmo jogos de forma
- 43:32geral podem não depender de regras, mas de mídia, ainda
- 43:36que cresçam tremendamente e virem algo notável com as
- 43:40regras. Os jogos ficam mais
- 43:43interessantes, eles têm uma qualidade prática maior
- 43:47quando a gente aplica essas limitações conscientes e
- 43:50acordadas sobre essa atividade lúdica. Então,
- 43:54as regras engrandecem o jogo, mas talvez quem sabe
- 43:58elas não sejam essenciais para jogar. E
- 44:03aí, eu acho que a gente ainda vai abordar esse tema
- 44:06de simulação em construção no RPG, e não como um
- 44:10mundo ficcional pré -existente, isso é um tema
- 44:12que eu gosto e ainda tenho coisa para analisar,
- 44:15respeito disso. E também a gente vai abordar
- 44:18ainda a natureza das regras, quando a gente
- 44:21voltar a abordar aqueles temas, aqueles textos da
- 44:26discussão sobre regras elidem. Então,
- 44:29o profe dela e o João vão voltar para a gente abordar
- 44:31esse tipo de coisa, mas isso vai ficar para
- 44:33episódios futuros. Eu acho que vou encerrando
- 44:37aqui, mas vou fazer uma breve recapitulação aqui.
- 44:43Jogos podem se estabelecer a
- 44:45partir de regras, mas jogos podem se estabelecer também
- 44:49antes das regras, a partir de limitações da mídia na
- 44:56qual ele se materializa. E aí, dessa fiscalidade, dessa
- 45:02materialização, emergem também, naturalmente, regras.
- 45:06E aí, esses jogos podem pré
- 45:08-existir as regras, elas não seriam essenciais aos jogos.
- 45:13Todo jogo construiria um espaço
- 45:16simulado a partir da sua mídia, isso a gente também
- 45:19percebeu. E no RPG, a mídia é o
- 45:22diálogo ficcional e o espaço simulado é o mundo
- 45:26de aventuras, o espaço imaginário comum. Então,
- 45:30a nossa mídia construiria esse espaço simulado sobre
- 45:34o que o jogo ocorre. E essa mídia, esse espaço
- 45:37simulado, precedem as próprias regras e são o
- 45:41primeiro espaço de interação significativa dos
- 45:44participantes, como a gente pode imaginar com o
- 45:47exercício proposto do RPG Filiforme, o RPG Sem
- 45:50Regras. E a partir desse espaço
- 45:54simulado e desse espaço de interação dos participantes,
- 45:59as regras são construídas para dar mais profundidade,
- 46:01sentido, para dar repicabilidade dessa
- 46:04experiência e também para alinhar as expectativas dos
- 46:07participantes. Então, talvez pensar que o RPG se
- 46:10exprima somente por suas regras, talvez estabeleça a
- 46:15noção de jogo numa esfera supraficcional, ou seja,
- 46:21acima da ficção, mais abstrato do que a própria
- 46:23ficção no RPG. E aí, a gente vai normalmente
- 46:27recorrer para a esfera mecânica, que é a mais
- 46:30forte das regras. E muitas vezes isso cria um
- 46:34espaço de dissonância e aludo narrativo nos nossos
- 46:36jogos. Por isso talvez seja tão forte
- 46:39no RPG o discurso de que regras talvez não sejam tão
- 46:43importantes assim quanto dizem. A
- 46:47FKR nesse ponto está certa. A
- 46:50Freekicks for Revolution teve algumas defesas para
- 46:55quem não sabe, pode ouvir o episódio da primeira
- 46:57temporada que vou deixar alincado também, mas ela
- 47:00tem essa máxima de jogo e mundos em vez de regras.
- 47:05Talvez a gente de fato jogue
- 47:07mundos antes de jogar regras. E
- 47:10jogar regras antes de jogar mundos constantemente pode
- 47:14nos levar a derrapar. E mesmo regras muito boas, às
- 47:20vezes, junto com elas, vem o sentimento, aquele
- 47:23sentimento meio Twin Picks de que tem algo errado
- 47:26nessa ficção que a gente está construindo a partir
- 47:29das regras. Então talvez seja mais natural a
- 47:32gente entender que sim há um espaço, há um vão entre
- 47:38o trem, a plataforma, entre a ficção e as regras. E
- 47:43daí o sistema importa, é claro, e aí nesse caso, ao
- 47:47contrário do que a FKR prega, mas o sistema ele
- 47:52refina a experiência, ele dá qualidade à experiência,
- 47:55ele dá sentido à experiência, e talvez ele
- 47:58não seja essencial. E quem sabe isso não é mais
- 48:03um desses assuntos que mereçam uma investigação
- 48:06maior na economia, na academia e nas comunidades,
- 48:11será que a gente precisa essencialmente de regras no
- 48:16RPG? Bom, é isso. Eu
- 48:20gosto de debater coisas que são tidas como indebativas.
- 48:25E acho que eu consegui
- 48:28demonstrar que tem debates a se fazer dentro disso e
- 48:32que são investigações interessantes, ainda que a
- 48:35gente possa manter a nossa ideia original, mas que a
- 48:37gente pode aprofundar um pouquinho essa discussão em
- 48:40cima de alguma dúvida, a partir do momento em que a
- 48:42gente elimina qualquer dúvida desses temas, a
- 48:45gente se frustra em investigar mais a fundo. E
- 48:52aí vou deixar em cat para vocês aí. Só
- 48:54a jogo se houver regra que o defina ou te convenci a
- 49:00duvidar dessa certeza. Conta aí para mim. Bom,
- 49:03a minha opinião um pouco importa, mas eu vou
- 49:05responder essa em cat também, então eu vou
- 49:06engrossar o caldo de vocês. E
- 49:08aí, depois comenta aí, aprofundando sua opinião.
- 49:11Beleza? Então é isso. Muito
- 49:14obrigado, queria agradecer aí vocês que ouviram até
- 49:18agora o episódio. Vou deixar os links, vou deixar
- 49:20aí os episódios do café que eu citei, vou deixar o
- 49:24link aí do Regras em Jogo, que eu citei também, o
- 49:27livro do Huizinga, o Oumorudens, vou deixar esse
- 49:31material, vou deixar também o livro do Grasshopper, do
- 49:35Bernardo Sultz, jogos, agências como art do
- 49:38Tinuguen, para vocês checarem, caso vocês queiram
- 49:42aí nas fontes. Queria também lembrar que você
- 49:46pode se tornar um apoiador do café com Dungeon. Se
- 49:50você quiser que a gente volte a ter cinco episódios
- 49:52semanais, você pode considerar apoiar o projeto,
- 49:55isso, a expansão lá no nosso apoia. Se
- 49:58apoia .se, barra, café com Dungeon, e aí você recebe
- 50:01conteúdo extra, que é muito legal, participa do nosso
- 50:04grupo de Telegram, porque é muito maneiro e adora essas
- 50:06discussões. Além disso, você participa de
- 50:10sorteios dos nossos parceiros e tem aí
- 50:12componges de desconto. Então cara, é só maravilhosidades
- 50:15aí para você, apoia .se, barra, café com Dungeon. Se
- 50:20você gostou especialmente do café de hoje, deixa para a
- 50:22gente uma gorjeta, manda o seu pix aí para café -com
- 50:24-dungeon -ruba -gmail .com. Contamos
- 50:27com você. Se você tem uma marca ou uma
- 50:29empresa e quer ter um dia da semana no café com
- 50:33Dungeon, você pode financiar mais um episódio semanal
- 50:36aqui, o seu podcast, e fazer a alegria da massa
- 50:39arrepegista. Consulta a gente lá em café -com
- 50:41-dungeon -ruba -gmail .com, que a gente tem uma proposta
- 50:43especial para você. Consulta também a gente sobre
- 50:47parcerias e anúncios, então a gente trabalha com marcas
- 50:51de RPG, também com outros ramos, como café, jogos,
- 50:54tecnologia, mídia, etc. Se você quiser colaborar com a
- 50:58gente, sendo um game -ziner, dependente, um acadêmico, um
- 51:01fã, o que você é participado do nosso projeto
- 51:04de algum jeito, conta para a gente sobre você e fale
- 51:07do que você está pensando em café -com -dungeon -ruba
- 51:10-gmail .com. Demorou? Então valeu, cria por
- 51:14último aqui agradecer aos guerreiros que tornam
- 51:17possível essa aventura e nos apoiam lá no APOIS.
- 51:20Então obrigado a galera do
- 51:22incentivo, incluindo o Jefferson Tunis. Valeu
- 51:26demais ao pessoal do nível de apoio comunidade,
- 51:29incluindo o André Luiz Marcões, o Chico Cique, o
- 51:32Jornalista Macena, um salvo especial para os assinantes
- 51:35do nível RPG dojo, dentre eles o Germano Assiso, o
- 51:38Filipe Schuasteg, o Marcos Vinicius Ornelas, o Pedro
- 51:41Borges e o Rafael Garote. Um
- 51:44abraço aos membros do treinamento Oil Fantasy, o
- 51:46Abilio Júnior César Machado, Daniel Wajdar, Diego
- 51:49Cestito, Douglas Baensis, Algas Paroto, Matheus
- 51:52Piqueira, Rafael Bardal, Bruno Copp, João Boulamac,
- 51:55Gui Providelo e um agradecimento imenso aí ao
- 51:59grande diálogo Augusto do nível café -com -balb. Então
- 52:02galera, é isso, muito obrigado, um abraço e até
- 52:06a próxima.