Latest / Café com Dungeon / Sendo babaca no RPG #0056
Transcript
- 0:00Não seja babaca. Isso é um mantra que as pessoas
- 0:05do RPG costumam falar. Desde o pessoal que dá dica até
- 0:09o pessoal que tá jogando na sua mesa ali, o pessoal tem como um
- 0:12mantra isso, né? De que se você não for babaca,
- 0:15tudo mais vai dar certo. As pessoas falam das tretas no
- 0:19RPG, falam das brigas que acontecem, e não somente RPG,
- 0:23né? A gente pode ver que jogos, de
- 0:25forma geral, por mais que a gente esteja fazendo uma coisa
- 0:28que na teoria é só pela diversão, é uma coisa que a
- 0:30gente optou fazer, que na teoria não tem grande relação com a
- 0:34vida real... Ainda assim a gente vê muita
- 0:36briga. Quem nunca brigou jogando War,
- 0:38né? Ou pelo menos não presenciou uma
- 0:40briga? Quem nunca viu o pessoal
- 0:41brigando aí, sei lá, jogando até jogos cooperativos mesmo, né?
- 0:46Quem nunca viu? Ou, de repente, o pessoal
- 0:48brigando no próprio time de futebol, na pelada, sei lá?
- 0:53ou obviamente jogos que estão mais ali para gerar briga mesmo,
- 0:57tipo Cards Against Humanity, ou esses jogos tipo Porrinha, que
- 1:03enfim, estimulam ali de repente até uma certa animosidade entre
- 1:07os participantes, mas o fato é que não tem muito como a gente
- 1:11escolher, esses momentos às vezes acontecem, e às vezes me
- 1:14parece que eles acontecem independentemente, da babaquice.
- 1:18Eu sei, eu sei. Tem gente que vem mesmo com uma
- 1:21atitude babaca e que causa problema.
- 1:24A gente sabe que isso é uma coisa que acontece.
- 1:27Eu não me sinto acima de qualquer babaquice.
- 1:30Eu já fui babaca na minha vida em certos momentos e serei em
- 1:34outros no futuro fatalmente, assim como acho que todo mundo
- 1:37na humanidade vai ter seus momentos também.
- 1:40Eu acho que a gente falar como se a gente estivesse acima de
- 1:44qualquer babaquice é um risco em primeiro lugar da gente se achar
- 1:47talvez melhor do que os demais, né?
- 1:49Olha, eles estão brigando, mas eles são babacas, eu não sou.
- 1:52Então, comigo nunca aconteceria uma briga.
- 1:55Será que não? Bom, pensando sobre isso, eu
- 1:58fico perguntando, será que existe algum componente para
- 2:01além da babaquice das pessoas envolvidas nas brigas que a
- 2:05gente presencia no RPG ou até aquelas que a gente compra e
- 2:08vivencia? Me parece que sim.
- 2:12Eu sei, eu sei. Muitas coisas são resolvidas e
- 2:15muitas coisas são evitáveis a partir do momento que a gente
- 2:18não é babaca. Isso é muito legal.
- 2:20Não acho que é uma dica de se jogar fora, não.
- 2:23Mas, por outro lado, me parece que às vezes é um pouco raso
- 2:26pensar assim. Não somente porque parece que a
- 2:30gente está acima de qualquer babaquice, como também parece
- 2:35que essa é a resposta para tudo. E às vezes, amigo, o buraco é
- 2:39mais embaixo. Tá a fim de subir e tomar um
- 2:44café? Ah, não, valeu.
- 2:45Eu não bebo café de noite. Me deixa agitado.
- 2:54Bom dia, amigos do Café com Danjo!
- 2:56Estamos aqui para mais um episódio do seu podcast matinal
- 2:58favorito, trazendo sempre muito RPG.
- 3:01Meu nome é Rafael Balbi e eu já estou aqui bebendo um café meio
- 3:04ruim. Olha, eu vou dizer que eu fiz
- 3:06tudo certo. Eu escaldei aqui o filtro, eu
- 3:10escaldei a garrafa térmica, eu deixei a água na temperatura
- 3:15correta, eu botei na medida o café...
- 3:19Eu deixei um tempo ali, pegando o calor da água ali, filtrando
- 3:23do jeito certo, cara. Mas saiu alguma coisa errada.
- 3:26Sabe o que que é? É porque com esse café aqui
- 3:29industrial, amigo, cheio de impureza, não tem jeito.
- 3:33Você pode ter o melhor procedimento do mundo. que você
- 3:36vai beber um café ruim. Mas chega de café ruim.
- 3:40Esse é o mantra do café Ovelha Negra.
- 3:42Então, se você quiser beber um café delicioso, um café puro,
- 3:47sem as impurezas que a indústria traz, você pode ir lá em
- 3:50ovelha.café. Você chega lá e utiliza o cupom
- 3:53CCD, tudo minúsculo, que você consegue um abatimento pra ficar
- 3:56em conta o seu café. E se você for assinante do Café
- 4:00com Dungeon, você consegue ainda cupom progressivo, com mais
- 4:03desconto. Então...
- 4:04Chega lá e confere o Café Ovelha Negra sem purezas, que mesmo que
- 4:08você faça um procedimento meio apressado, garanto que vai ficar
- 4:12delicioso. E se você fizer o procedimento
- 4:15como tem que ser feito, aí, amigo, aí vai ficar ainda mais
- 4:19gostoso. Então, vale muito a pena.
- 4:22Se você se tornar um assinante do Café com Dungeon, cupons
- 4:24progressivos. Então, apoia.se barra Café com
- 4:28Dungeon, torne-se um assinante e garanta não somente os cupons
- 4:31para o Ovelha Negra e os outros parceiros, mas garanta também aí
- 4:36sorteios mensais pra você poder pra você poder de repente
- 4:42ampliar sua coleção de RPG ou beber café de graça, quem sabe
- 4:46então temos aí sorteios também fora isso, recebe conteúdo extra
- 4:49participa de um grupo de Telegram muito legal com gente
- 4:52que discute RPG profundamente e apaixonadamente também fora
- 4:56isso, você faz parte da nossa comunidade aí, o que é muito
- 4:58legal então apoia.se barra Café com Dungeon Queria agradecer ao
- 5:06RPG Dojo, que tá financiando esses episódios que têm saído às
- 5:11terças. Valeu, Cobb.
- 5:12Valeu, Nina. Valeu a galera toda aí que tá no
- 5:15Dojo, dando esse incentivo aí pro café, pra comunidade, pra
- 5:19gente trazer mais conteúdo. Então eu queria lembrar todo
- 5:22mundo de que, cara, se você quer um lugar que te acolhe, que
- 5:28compre a tua briga ali para treinar RPG, pegar algumas
- 5:32práticas isoladas e entender melhor, fazer uma prática
- 5:36comunitária mesmo, bem um dojo, um lugar onde a gente aprende em
- 5:40conjunto, cara, vale muito a pena considerar entrar no dojo.
- 5:44O tema, o ciclo... que o dojo tá trabalhando atualmente é o de
- 5:48mistério né galera entendendo como botar mesa de mistério dos
- 5:53mais diferentes tipos tem muitas influências ali eu levo bastante
- 5:57do oil fantasy para lá mas tem pessoas de outras vertentes do
- 6:01RPG que curtem então lá participando tem um material
- 6:05aberto, que você consegue no WhatsApp aberto do Dojo, mas tem
- 6:09também a parte de membros, que aí é mais profundo, a galera faz
- 6:13outros eventos especiais ali pra galera que é membro do Dojo.
- 6:18Então, considere se tornar membro também do RPG Dojo,
- 6:23beleza? Lembrando que eu tô lá também,
- 6:25trocando ideia de RPG, trocando ideia de oil fantasy, trocando
- 6:28ideia de tudo, né? E participando de algumas
- 6:30práticas também. Então é isso, valeu aí galera do
- 6:33RPG do Ju. Vamos para o episódio, mas antes
- 6:37vamos fazer a leitura da nossa enquete, no último episódio,
- 6:40queime sua preparação. Eu deixei uma enquete
- 6:43perguntando aí, você está preparado para queimar sua
- 6:46preparação? E vencemos pessoal, vencemos,
- 6:49mais uma vez aqui, o pessoal concordou em sua maioria comigo,
- 6:53que é muito raro, né? Então, a galera aqui me agraciou
- 6:56com sessenta e dois vírgula cinco por cento de concordância,
- 7:00dizendo que sim, estão preparados pra queimar a sua
- 7:04preparação. Por outro lado, pessoas que
- 7:06disseram que não estão preparadas se limitaram ali a
- 7:09trinta e sete vírgula cinco. É isso, pessoal.
- 7:12Acho que de forma geral a gente poder se sentir preparado pra
- 7:17queimar a preparação quer dizer que a gente vai analisar a nossa
- 7:21preparação com mais liberdade. Isso eu acho incrível e vai
- 7:24abrir muitas portas pro teu jogo.
- 7:26Então, é isso. Agora vamos dar uma olhada aqui
- 7:29nos comentários que a galera trouxe no último episódio do
- 7:34Kame e sua preparação. E aí eu vou começar lendo aqui a
- 7:37mensagem que o Clayton Mamed deixou.
- 7:39Ele falou que ele diria que depende sobre preparação.
- 7:45Se ele for mestrar Maus Ritter da vida, dá pra encarar sem
- 7:47preparação. Agora, se for cutulo, ele não
- 7:50tem coragem. Ele confessa que a preparação é
- 7:53algo que ele gosta muito, mas devido a falta de tempo, ele tá
- 7:56cada vez mais simplificando. É isso, Clayton.
- 7:59Acho que de forma geral a gente pode botar que preparação é uma
- 8:02coisa que às vezes a gente nem tem tempo.
- 8:04E o RPG acontece muitas vezes ao largo do que a gente preparou.
- 8:09Isso é uma coisa normal, uma coisa que a gente tem que se
- 8:12acostumar, porque é... da própria mídia do RPG, né?
- 8:15Ele é uma mídia que é um pouco aversa a esse tipo de
- 8:19expectativa, né? Muitas vezes a gente vai ser
- 8:22frustrado em nossas expectativas, é importantíssimo
- 8:25a gente saber lidar com elas, inclusive com o que a gente pode
- 8:29preparar ou não pra sessão. Abraçar o lado emergente às
- 8:33vezes envolve a gente deixar de lado muitas expectativas, né?
- 8:37E é isso aí. O Fabio Rodrigues Vieira
- 8:40falou... Pô, rapaz, tu pede pra queimar
- 8:43minha preparação justamente quando eu tô relendo um caderno
- 8:46de anotações da minha primeira campanha de ED&D em Dragonlance
- 8:50que eu narrei entre os anos de noventa e três a mil novecentos
- 8:53e noventa e oito? Baita nostalgia revisitar essa
- 8:59época em que era bem mais comum do que hoje tirar um dia de jogo
- 9:03do nada, sem preparação alguma, apenas porque a galera tá junta
- 9:07uma tarde e decide jogar. Não sei se eu tô preparado pra
- 9:10queimar esse caderno, mas com certeza você me deixou com
- 9:12vontade de jogar esses jogos low prep.
- 9:15Fábio, uma coisa interessante do que você botou aí é que, cara, é
- 9:20legal a gente poder sentar e sem pretensão jogar, sem
- 9:25expectativa. Muitas vezes a gente começar a
- 9:27jogar sem expectativa, o jogo roda muito bem.
- 9:30A preparação não é essencial pro jogo.
- 9:32Então queimar a preparação acaba sendo uma bravata pra galera que
- 9:36tá... muito apegada à sua própria preparação, quem não
- 9:40admite jogar sem tiver algo preparado.
- 9:43E de certa forma a gente traz no Oil Fantasy uma ideia de jogo
- 9:48que é para permitir que as pessoas joguem sem preparação
- 9:53também, reconhecendo como é feito o diálogo, como o jogo é
- 9:57enriquecido. E de que com preparação ou sem
- 10:00preparação, o procedimento vai ser basicamente o mesmo durante
- 10:03o jogar. Então, no fim das contas, o que
- 10:05importa é a gente se acostumar a entender essa sintaxe das coisas
- 10:09e levar pra frente. Claro que tem utilidade preparar
- 10:12e tudo mais, mas a gente abraçar essa leveza é muito importante
- 10:16também, né? A leveza de não ter
- 10:18expectativas. E um dos caminhos mais
- 10:21interessantes pra gente deixar de lado as expectativas é
- 10:23justamente chegar de peito aberto, né?
- 10:26Chegar sem prep ou queimar a prep que a gente tem.
- 10:29Mas não queima teu caderno, não. Isso é só no sentido figurado,
- 10:31isso é só uma bravata. Valeu.
- 10:35O Paiva Diniz falou, episódio incendiário, a comparação da
- 10:39prep do mestre com o diálogo no meta entre os jogadores foi bem
- 10:43pertinente, pois isso evidencia vantagens de se ter uma prep.
- 10:48Do mesmo modo que o grupo ganha eficiência ao bater um papo
- 10:52sobre o que está rolando, planejar o curso de ações e etc,
- 10:54o mestre tende a desafiar de forma mais consistente e
- 10:57verossimilhante ao ter uma prep. E sim, abraçar outros registros
- 11:02e dançar a música do jogo jogado enriquece muito mais a jogatina.
- 11:05Vamos queimar a prep. É isso aí, Paiva.
- 11:08Eu acho legal a gente poder queimar a prep justamente para
- 11:11poder jogar o jogo jogado e deixar um pouco essa expectativa
- 11:14de jogo de lado. É claro, a gente vai ter mais
- 11:17profundidade de desafio, a gente vai ter alguma consistência
- 11:20garantida ali. Garantida não, mas uma tendência
- 11:23de consistência maior Se a gente tem uma preparação, se a gente
- 11:26segue ela e tal, porque é um parâmetro, é um auxiliar, né?
- 11:30Mas de qualquer forma, se a gente se habituar com a sintaxe
- 11:32emergente das coisas, a gente vai ficando cada vez melhor em
- 11:35também jogar sem essa preparação e entender também que ela não é
- 11:39essencial. Ela é legal, mas ela não é
- 11:41essencial. E aí quando a gente vai
- 11:43percebendo isso, a gente vai ficando mais confortável com
- 11:46esse caráter emergente do jogo. E isso vai abrindo novas portas
- 11:51também, da mesma forma que usar a prep profundamente abre certas
- 11:55portas, não usar também abre. Então a gente vai estar sempre
- 11:59aí podendo explorar novas fronteiras dentro do jogo, que é
- 12:04muito interessante. Bom, o Rams Presunto já jogou em
- 12:10Biergotten, né? Fala aí, Rams, beleza?
- 12:13Ele falou que ele pensa que não, até porque a função de gerar a
- 12:17expectativa dos elementos metajogo não são também
- 12:22importantes para o jogo. A prep gera expectativas, tal
- 12:26qual a ficha de personagem gera para os jogadores.
- 12:28Pistas de um mistério colocadas em jogo geram expectativa,
- 12:31baseadas nas expectativas que a prep causou no mestre, seja
- 12:35quebrando ou reforçando essas expectativas.
- 12:38O metajogo prep e afins não teria uma função vital na
- 12:42geração e quebra de expectativas que moldam o que virar a ser a
- 12:46ficção comum? Cara, eu acho que você fez uma
- 12:50grande salada de categorias aqui.
- 12:53Uma coisa influencia a outra, sem dúvida, e as pistas são a
- 12:57matéria de jogo que os jogadores têm para chegar na resposta de
- 13:00um mistério. E essas pistas colocadas ali vão
- 13:03sedimentando cada vez mais, elas vão gerando um compromisso cada
- 13:07vez maior em torno de certas verdades, né?
- 13:10Naquele exemplo do cara a cara, quando você estabelece uma pista
- 13:13verdadeira sobre aquilo que todos descobrem, você derruba
- 13:16várias caras que não tem a ver com aquela pista.
- 13:20Então assim, uma coisa influencia a outra sem dúvida,
- 13:22mas o que importa é o que vira repertório lúdico comum do jogo,
- 13:27o que foi abordado em vários episódios aqui.
- 13:30Então eu vou até me resguardar o direito de não me repetir aqui,
- 13:33né? Porque essa dinâmica toda eu
- 13:36trabalhei bastante nos últimos três, quatro episódios aí.
- 13:39Mas agora sobre metajogo, que você falou, o próprio nome diz,
- 13:42né? É o que se faz a respeito do
- 13:45jogo, para o jogo, né? Mas ele tá além do jogo, ele
- 13:48transcende metajogo. o jogar. E essas expectativas de ficção
- 13:52como prep, como background dos personagens, isso tudo são
- 13:56expectativas. Elas precisam aparecer em jogo
- 13:59para integrar esse repertório comum.
- 14:01Até porque você pode ter expectativas mil, você pode ter
- 14:05várias expectativas, inclusive podem haver ali em jogo
- 14:09expectativas contraditórias entre si e a gente sabe que uma
- 14:13delas vai virar uma verdade ficcional.
- 14:16Então isso já mostra como esse momento de sedimentar a coisa,
- 14:21de cristalizar a coisa na ficção é importante.
- 14:25Então até que as verdades dos personagens apareçam em jogo,
- 14:29até que a expectativa de ficção encontre de fato o momento em
- 14:34que ela vai ser reivindicada em jogo, ela não existe.
- 14:37Ela só existe na sua cabeça, ela não existe em jogo, que eu estou
- 14:41analisando aqui. Ela só vai impactar o jogo de
- 14:44fato no diálogo ficcional e na batalha pela ficção, que é a
- 14:47matéria do RPG tradicional, uma vez que a gente conversa a
- 14:50respeito dela in-game, uma vez que ela aparece in-game.
- 14:54E aí, eu acho que, nesse sentido, ter guias que ajudem
- 14:58você a construir essa ficção é ótimo, mas os guias não são o
- 15:01jogo, eles são guias só, são dinâmica criativa de cada um, e
- 15:05cada um vai ter o seu, a sua maneira, cada um vai ter a sua
- 15:08forma de fazer isso. o que importa mesmo é o que vai
- 15:10aparecer em jogo e pra mim o ideal é ter uma prep que se ela
- 15:15de repente sofre de combustão espontânea e pega fogo sozinha
- 15:19eu vou conseguir mestrar ainda assim porque ela já me fez
- 15:22refletir o suficiente sobre o que eu quero no jogo já me dá um
- 15:26prumo, um registro de ação que vai me ajudar a reivindicar de
- 15:30forma coerente o jogo mas que eu consiga tocar a despeito das
- 15:35minhas expectativas Porque o jogo também rola sem elas.
- 15:40E há muito brilho nesse jogar, meu caro.
- 15:44Agora o Rafael Bacelá também trouxe aqui um comentário.
- 15:47Ele falou que pro pessoal que topa RPG narrativista...
- 15:52O sistema Heart, The City Beneath, indica ao DM esse
- 15:56estilo de jogo queime a preparação, onde a história
- 15:58surge do que os jogadores trazem para a mesa.
- 16:01Tem umas poucas mecânicas centrais focadas mais em alinhar
- 16:05e deixar claras as expectativas dos participantes da mesa.
- 16:09conversa bastante com o episódio de hoje ele está falando aqui do
- 16:11episódio do último episódio, mas vai para outro estilo de jogo,
- 16:15já que é narrativista as consequências de rolagens e
- 16:18riscos tomados não seriamente vão estar ligados ao que causou
- 16:22o teste Apesar desse desvincular o posicionamento ficcional do
- 16:28resultado, eu acredito que de forma geral os RPGs lidam com
- 16:32essa verdade da mesa de uma forma muito clara, até porque os
- 16:35jogos narrativistas vêm muito da Forge, a Forge trabalhou o
- 16:38Lampley Principle, Foi onde eu tirei a lei da mesa, então há
- 16:42muitas confluências nesse sentido, eu acho, eu vi o
- 16:45Bacelar, mas esse produto aí que você falou, o Heart, The Cine
- 16:49Beneath, eu tenho muita curiosidade de pegar ele,
- 16:51principalmente porque ele é um produtasso, né, tipo, material
- 16:54mesmo, físico dele. É um produtasso, então eu tenho
- 16:57muita vontade de pegar. Mas também tem muitas coisas
- 17:00curiosas que eu já ouvi sobre ele que eu tenho vontade de
- 17:03trabalhar. Eu não posso negar que essa onda
- 17:08do RPG, essas discussões da Forge, influenciaram muito o meu
- 17:13pensamento dentro do old school. Então a lei da mesa certamente é
- 17:18um pouco reflexo também do que se discutiu na Forge
- 17:21anteriormente. E no Lampley Principal, né?
- 17:23Então, acho natural que você vai ver algumas coisas parecidas aí
- 17:27nos narrativistas. Beleza?
- 17:29E o Carlos Rentes aqui, pra terminar, ele falou que a partir
- 17:31dessa temporada ele não consegue fazer outra coisa enquanto ouve
- 17:35o Café com Dungeon. E isso é um grande elogio.
- 17:39Ô cara, fico muito feliz de ouvir um negócio desse.
- 17:42Eu tava muito na vontade de aprofundar o conteúdo do Café,
- 17:45né? Como eu tinha falado na primeira
- 17:46temporada anterior. Quando eu encerrei no episódio
- 17:49mil, eu não queria só mais mil episódios iguais como aqueles.
- 17:52Então agora eu tenho pesquisado um pouco mais, aprofundado um
- 17:55pouco mais, feito pauta, trabalhado um pouco mais a
- 17:58profundidade dos episódios e fico feliz que tenha dado esse
- 18:03impacto aí na tua audiência. Muito obrigado, cara.
- 18:07Valeu. Vamos pro episódio, gente.
- 18:16Boa noite, meus cachaceiros queridos, minhas pinguças
- 18:19queridas, e boa noite pra você também, dona Dora, que é quem
- 18:22paga o meu cachê. Hoje vou contar pra vocês uma
- 18:25história verídica. Eu tinha sido convidado pelo meu
- 18:28amigo Mãozinha a ir pegar no tesouro que ele havia encontrado
- 18:31lá no lar da Serpia Albina. Muito, mas muito lá no alto,
- 18:35muito além do Forte da Luneta, que já tá nas alturas.
- 18:38Só que aí, meus camaradas, a gente tava lá no meio da subida,
- 18:41percebemos três coisas. Que o tempo estava fechando, que
- 18:44a gente não sabia muito bem o caminho lá pro topo e que a
- 18:48gente não tinha levado tanto de corda que precisava.
- 18:50Eu sei que a essa altura vocês já cansaram de ouvir que eu
- 18:53quase morri, mas eu juro que é verdade.
- 18:55De tanto que a brisa me chama pras jornadas de quase-morte,
- 18:59meus testamentos estão cada vez mais arrojados.
- 19:00O último deles, inclusive, eu fiz até em versos decassílabos.
- 19:04Mas, pois então, como o Lirinha sobreviveu pra vir cálice contar
- 19:07essa história? Um sonho, Horace.
- 19:10Um sonho, como não? Um sonho de beer golden.
- 19:14Lá de cima do mundo, eu e os meus desaventurados amigos demos
- 19:18as mãos uns para os outros e juntos tentamos chamar um sonho.
- 19:22Um sonho que tínhamos tido pela manhã quando bebemos a cerveja
- 19:25dos titãs. Foi quando uma escadaria de
- 19:27rochas surgiu diante dos nossos olhos.
- 19:29Degrau por degrau, serpentino abraçado as serras até o topo.
- 19:34Chegando lá em cima, encontramos um tesouro...
- 19:36Meio chinfrim, pra ser sincero. Pra variar, uma mãozinha tinha
- 19:39dado uma exagerada. Até tinha um escudo brilhoso lá
- 19:42pra dentro, mas tava muito difícil de pegar e, como eu
- 19:45havia dito, o tempo não tava pra brincadeira.
- 19:48Voltamos de lá com um boot em mequetrefe.
- 19:50Mas vou falar pra vocês. O maior tesouro que tive nessa
- 19:53jornada, além de sobreviver, é claro, a despeito dos esforços
- 19:58contrários da Dona Brisa, foi a vista de lá de cima.
- 20:02Meus amigos, esse mundão é lindo demais da conta.
- 20:09Esse e tantos outros são rumores vindos do jogo do mundo aberto
- 20:14de Biergotten. Se você quiser explorar
- 20:17aventuras como essa, pode entrar inteiramente de graça no nosso
- 20:21grupo. Siga o link lá no descritivo do
- 20:24episódio e jogue Biergotten com a gente.
- 20:30Vamos explorar Biergarten Não seja babaca.
- 20:51Esse é um mantra muito comum no meio do RPG, não só pela galera
- 20:55que joga, mas para a galera que produz conteúdo, nos papos de
- 20:59mestre, nos livros, nos game designers se expressando, todos
- 21:03eles dizendo essa coisa de não seja babaca, não seja babaca e
- 21:07tal. Uma coisa é certa, não ser
- 21:11babaca sempre ajuda. Me parece até um lugar comum.
- 21:15Não seja babaca. Tipo, beleza, cara, quem quer,
- 21:18quem é em sã consciência, vai falar assim, não, agora eu vou
- 21:21ser babaca. Eu sei, tem gente que vai topar
- 21:24isso aí, normalmente porque está ferido de alguma forma, ou
- 21:27porque tem alguma vingança. Aí a pessoa chega e fala, não,
- 21:30vou ser babaca mesmo. Mas no meio do nada, de livre
- 21:34espontânea vontade, estar jogando com os amigos, de
- 21:36repente você chega e fala assim, não, vou ser babaca, vou ser
- 21:38espírito de porco aqui. Isso acho que é uma exceção, são
- 21:42as exceções que confirmam a regra.
- 21:45E aí a gente fica pensando, cara, se uma coisa que não é
- 21:49desejável para as pessoas, será que tem gente que é
- 21:53essencialmente babaca? Ou será que babaca é uma coisa
- 21:57que acontece com as pessoas? Bom, eu gosto de fazer um
- 22:00meia-culpa aqui. Eu já me peguei sendo babaca.
- 22:04E sem querer. Não querendo ser babaca.
- 22:06Já fui babaca querendo. Quem não viveu quinta série,
- 22:11quem não teve seus problemas aí, em algum momento falou, ah, quer
- 22:14saber? Vou ser babaca.
- 22:15Mas mesmo sem querer, mesmo no ambiente que eu não queria ser
- 22:18babaca, eu já fui babaca. E é uma coisa que muitas vezes
- 22:22você só vai perceber anos depois.
- 22:25Eu lembro até hoje quando eu tive uma campanha de vampiro à
- 22:27máscara em que eu tava meio de saco cheio dessa coisa meio
- 22:32Railroads, né? E eu tava já entrando em contato
- 22:34com algumas ideias de jogo que passavam ao largo do Railroads e
- 22:38eu já me incomodava com aquilo. Então eu queria transformar meu
- 22:41jogo numa campanha sandbox. E nessa mudança eu não avisei
- 22:44ninguém, eu resolvi estabelecer o cenário inteiro de vampiro,
- 22:48saber o nome de cada vampiro do cenário.
- 22:51E eu passei, sei lá, acho que dois meses, né?
- 22:54Tipo, durante as férias trabalhando esse cenário até que
- 22:56eu implementei a mudança. E ali, os jogadores não estavam
- 23:01preparados pra essa mudança, não entenderam muito bem o que eu
- 23:05propus ali, né, qual era a ideia nova, eu não sabia nem explicar
- 23:10pra eles direito, então não foi nenhuma opção minha, eu não
- 23:13soube explicar o que eu tinha feito, eu só mudei ali porque eu
- 23:15resolvi preparar melhor ali aquele mundo, aquele repertório
- 23:19lúdico ali que eu ia passar pra eles, provavelmente... como eu
- 23:24comentei no episódio anterior eu de repente já assumi que a minha
- 23:26prep já era clara o suficiente pra mim então logo seria pra
- 23:30eles também acho que tem alguns erros assim mas o fato é que
- 23:34eles começaram a morrer e eu comecei a endurecer muito o jogo
- 23:36pra eles e nesse processo por mais que eu estivesse seguindo
- 23:40princípios que eu estabeleci pra mim de que eu ia jogar dentro
- 23:43daquela mesa eu olhando depois eu percebi que eu fui babaca com
- 23:47eles sim eu não conversei com eles, eu não trouxe essa ideia,
- 23:52eu não soube explicar, a coisa mudou, eu levei as últimas
- 23:56consequências, e não à toa, ali foi um episódio muito importante
- 24:00para o nosso grupo de jogo, porque houve até um cisma,
- 24:04algumas pessoas meio que fundaram outro grupo e tudo
- 24:07mais, e foi um pouco traumático para mim, obviamente que todo
- 24:10mundo voltou a se falar, todo mundo eventualmente voltou a
- 24:12jogar junto de novo, Mas foi um episódio complexo, e eu penso
- 24:16que eu tive meu quinhão de culpa.
- 24:18Eu tive grande parte da culpa ali porque eu toquei essas
- 24:23mudanças de forma unilateral. Isso talvez seja ser babaca.
- 24:27Mas ser babaca é um multiverso de coisas.
- 24:30Ser babaca tem muitos aspectos, tem muitas possibilidades.
- 24:34Ser babaca é muito humano e muito rico.
- 24:38Acho que ninguém aqui pode bater no peito e falar assim, eu nunca
- 24:41fui babaca. Ou mais importante, ninguém pode
- 24:44bater no peito e falar, eu nunca serei babaca.
- 24:48Numa mesa de RPG somos quantos? cinco, num grupo de RPG
- 24:54normalmente trafegam dez pessoas, tem grupo que trafegam
- 24:59vinte pessoas ali que se revezam, de repente aparecem
- 25:02sete na sessão, seis na sessão, mas que no todo, de todo mundo
- 25:06que eventualmente aparece tem umas vinte pessoas, será que não
- 25:10é normal que dessas vinte pessoas, algumas delas de vez em
- 25:13quando não sejam babacas, ou até você mesmo, Eu acho que é
- 25:17natural que aconteça isso. Tem gente que vai estar num dia
- 25:21propenso pra ser babaca, porque tá cansado, tá de saco cheio,
- 25:24brigou em casa, acaba descontando, né?
- 25:27Esse espaço lúdico do RPG muitas vezes é um espaço de, sei lá, de
- 25:32descontar, né? Ou de tirar algumas neuras,
- 25:37algumas coisas assim. Tem gente que usa esse espaço
- 25:39para isso sem nem se dar conta. É natural que a gente acabe
- 25:42transbordando em espaços que a gente convive a partir de
- 25:46problemas que a gente está tendo.
- 25:48Ou, às vezes, em problemas que a gente tem com outras pessoas
- 25:50daquele ambiente, que está naquele momento tendo aquelas
- 25:54pessoas, né? Ou que seja problema, ou que
- 25:57seja até como aquele caso típico do mestre que começa a namorar a
- 26:00menina que está na mesa e de repente começa a favorecer ela
- 26:03sem nem se dar conta. E de repente, anos depois, ele
- 26:06fala com o amigo dele e o amigo dele fala, pô cara, você
- 26:08vacilou, olha só isso aqui que você fez.
- 26:10Aí o cara olha pra ela e fala, hum, fui babaca.
- 26:15Será que todo mundo tá livre disso, cara?
- 26:20De não ser babaca? E mesmo assim, depois que
- 26:23acontece alguma coisa na mesa, que você se sentiu traído, se
- 26:27sentiu mal, alguma coisa assim, será que você também vai bater
- 26:31no peito e falar assim, eu nunca serei babaca de propósito?
- 26:34Até isso eu acho difícil da gente garantir.
- 26:37E aí nesse ponto, eu vou trazer aqui uma provocação.
- 26:41Será que existe algum jogo à prova de babaquice?
- 26:45Porque mesmo se você estiver jogando o resta um, você consigo
- 26:48mesmo, você pode jogar o tabuleiro pra cima.
- 26:50Se você estiver jogando xadrez, você pode ser babaca.
- 26:54Você pode ficar batendo o pé pra distrair o adversário, você pode
- 26:57fazer certas coisas que, sei lá, que resvalam no duvidoso, que
- 27:01resvalam numa atitude meio merda.
- 27:03Às vezes querendo, às vezes sem querer.
- 27:06Existe jogo à prova de babaquice?
- 27:09Bom, a gente muitas vezes tem esses problemas sociais, né?
- 27:13E a gente no meio do RPG costuma tratar de forma geral os
- 27:17problemas de mesa como se todos eles fossem problemas sociais,
- 27:22né? Então quer dizer que se você
- 27:24conversar com as pessoas, se você parar e alinhar
- 27:28expectativas, se você conversar no final da sessão, se você
- 27:33tratar os assuntos mais cabeludos, se você topar ter
- 27:37conversas difíceis, isso tudo vai resolver o seu problema no
- 27:41RPG e você nunca vai brigar. Muita gente fala sobre isso. em
- 27:46dica de RPG e fica sempre pra mim uma sensação de que isso, em
- 27:50grande parte das vezes, resolve. Mas será que só isso resolve?
- 27:54Será que isso é a única coisa que acontece pra ferrar uma
- 27:57mesa, pra transformar uma mesa numa associação merda, com
- 28:00briga, etc, etc? Tem muita gente que é perfeita,
- 28:04né? Que tem aquele grupo socialmente
- 28:06azeitado e que fala desse grupo que joga trinta anos, quarenta
- 28:11anos de RPG. Esse cara joga desde antes de
- 28:14RPG existir com o mesmo grupo de pessoas ali, com algumas
- 28:19exceções, mas que ele joga já há trinta anos e nunca teve uma
- 28:23briga. Todo mundo ali é tranquilo.
- 28:24Aí você fala, cara, olha só, tem aqui um, esse, essa parte do
- 28:29jogo aqui é uma parte meio merda, ela cria, sei lá, por
- 28:33exemplo, o mestre chegar e o mestre jogar.
- 28:36Decidir suas coisas... De acordo com a regra do
- 28:39legal... Pode levar a certos problemas
- 28:41sociais... Porque nem sempre...
- 28:43O que uma pessoa acha legal... É o que o mestre acha legal...
- 28:46E as vezes o mestre começa a ter uma cadeia de favorecimentos...
- 28:49Em relação a afinidades culturais...
- 28:51Que de repente outros membros do grupo não tem com ele...
- 28:53Será que é justo isso? Será que é interessante?
- 28:55Será que isso não vai gerando ali...
- 28:57Uma cadeia de afetos... Que pode ser problemática a
- 29:00mesa? Aí o cara fala...
- 29:02Não, mas nunca aconteceu comigo...
- 29:03Trinta anos de jogo... Ou você fala, cara, fazer Dice
- 29:07Fudge, esconder o resultado, dá problema, os jogadores se sentem
- 29:11impotentes. Aí o cara fala, não, mas trinta
- 29:12anos de jogo, nunca aconteceu isso com meus jogadores.
- 29:15E assim, eu entendo que haja grupos socialmente azeitados.
- 29:20Esses grupos, eles nunca têm problema.
- 29:22Muita gente fala, ah, mas independe do sistema, né?
- 29:25Tipo, você pode jogar um jogo merda, mas se o grupo for bom e
- 29:28comprometido, o RPG vai rolar. Sem briga, sem nada, vai rolar
- 29:33gostoso e tudo mais. E o que eu convido vocês a
- 29:36pensarem é que muitas vezes o grupo socialmente azeitado
- 29:41funciona bem, não por conta do jogo, não independente do jogo,
- 29:46mas apesar de um jogo ruim. O cara fala, não, mas a gente
- 29:50joga aqui o pior jogo de todos os tempos, a gente joga aqui o,
- 29:54sei lá, a gente joga o, sei lá, pegar um jogo bem ruim assim, a
- 30:00gente joga o, sei lá, o Toon, eu lembro que eu achei péssimo, a
- 30:04gente joga Toon aqui, nunca teve problema.
- 30:07A gente joga, sei lá, a gente joga o...
- 30:09Como é que é o nome daquele fatal, sei lá?
- 30:13Tem uns jogos difíceis assim. A gente joga esse jogo e nunca
- 30:17teve problema. Cara, olha, trazendo um pouco
- 30:20pro mundo das artes, eu lembro quando eu era estagiário no
- 30:24Banco Central, quando eu fazia direito e tudo mais, eu não
- 30:28tinha acesso a nada lá, né? Não podia rabiscar em nada, não
- 30:31podia, enfim... E aí eu ficava às vezes no
- 30:34Paintbrush do Windows desenhando.
- 30:37E eu desenhava todo dia. E com o tempo eu fui fazendo
- 30:40desenhos ótimos, né? Até meu Fotolog na época ficou
- 30:43famosinho, o pessoal gostava dele, comentava pra caramba e
- 30:47tal. Uma coisa que eu entendo é que
- 30:50você pode desenhar com um graveto no cocô.
- 30:53Se você fizer isso sempre, se acostumar com a mídia daquela
- 30:57arte ali, você vai fazer coisas bonitas eventualmente.
- 30:59Você vai fazer coisas legais, interessantes.
- 31:02Se você trabalhar com colagem, se você trabalhar com tinta, se
- 31:05você trabalhar com sabão, sei lá...
- 31:08Independe, você vai chegar depois de um tempo a resolver
- 31:12aquilo de uma forma visualmente interessante, esteticamente
- 31:15interessante. A mesma coisa vale para o bom
- 31:17mestre, o bom grupo, etc. Você resolve qualquer coisa, de
- 31:22fato, você pode botar um sistema merda na sua mão, cheio de
- 31:25problemas, etc., que o grupo vai funcionar.
- 31:29Afinal de contas, aquelas pessoas são boas pra caramba,
- 31:31são amigas, são bem resolvidas, não precisam, não vão cair no
- 31:36problema de brigar entre si. Apesar do jogo.
- 31:42Apesar de várias relações lúdicas do jeito que se imprimem
- 31:46em jogo. E o que eu estou querendo dizer
- 31:49aqui? Eu estou querendo dizer que
- 31:50muitas vezes os problemas que a galera relata As pessoas das
- 31:55dicas de RPG e tudo mais, galera que produz conteúdo, muitas
- 31:59vezes fala como se fosse só um problema social.
- 32:02E eu entendo que relação lúdica nenhuma, ou seja, jogo nenhum,
- 32:07sistema nenhum, vai resolver problemas sociais.
- 32:11Se você tá jogando na mesma mesa de um cara que você odeia, que
- 32:15tem sido babaca consistentemente com você, não tem jogo que vai
- 32:18dar jeito. Se você tá jogando com um cara
- 32:21que é bully, não tem sistema que dê jeito.
- 32:24Eu não vou nem dizer aqui de um cara que é babaca, porque eu
- 32:26acho que as pessoas são babacas em determinados momentos, mas
- 32:29tem certas relações sociais que a gente sabe que são
- 32:31problemáticas. Então, acredito que problemas
- 32:37sociais a relação lúdica não resolve.
- 32:40A gente vai jogar já impressionado por esse problema
- 32:43social, a gente já vai jogar com uma carga emocional que vai
- 32:48comprometer bastante coisa ali desse jogo.
- 32:51Mas e o contrário? Eu acredito que uma relação
- 32:55lúdica, eventualmente, ela possa prejudicar uma relação social de
- 32:59jogo. Ela possa prejudicar o clima, o
- 33:02bom clima social. E nesse ponto, uma relação
- 33:06lúdica mal trabalhada, ou uma relação lúdica arriscada, ela
- 33:13pode levar os jogadores a potencialmente serem babacas uns
- 33:17com os outros. E eu vou dizer mais,
- 33:20eventualmente alguns jogos se valem disso.
- 33:25Eles se valem um pouco desse sal.
- 33:27Eles se valem um pouco desse conflito.
- 33:29De você falar... Puta, mas que babaca que ele fez
- 33:31isso. E agora eu vou devolver.
- 33:33Quem nunca jogou o Munchkin? O Munchkin tem esse componente
- 33:37do babaca muito forte. E você tem que fazer um certo
- 33:40esforço para não levar para fora.
- 33:42A mesma coisa acontece com o Orr.
- 33:43O Orr, as pessoas começam a se degladear ali no mapa e
- 33:47eventualmente alianças vão surgindo.
- 33:50O jogo estimula isso até com os objetivos que ele coloca.
- 33:54Então eventualmente você vai ver que aquela disputa ali vai criar
- 33:58certas animosidades. são jogos que, de certa forma, eles são
- 34:02pensados para estimular um pouquinho isso.
- 34:04O truco também, o jeito que as pessoas jogam o truco, é uma
- 34:07coisa violenta, é uma coisa que mexe com a emoção das pessoas
- 34:11ali. A gente não precisa nem entrar
- 34:13ainda em RPG, a gente pode continuar em outras coisas, por
- 34:16exemplo, uma pelada de futebol. Se é uma coisa completamente
- 34:20despretensiosa, é mais difícil de dar problema, ainda assim dá.
- 34:24Mas se você tem ali os peladeiros que toda semana estão
- 34:26jogando consistentemente com seus times, etc., É natural que
- 34:30aos poucos você tenha cobrança até internamente dentro dos
- 34:34times. Pô, fulano, tu não jogou legal,
- 34:37cara. A gente falou contigo, era só
- 34:39tocar a bola pra lá, você tava prendendo a bola pra caramba.
- 34:41Pô, você tava chutando a primeira oportunidade, não tava
- 34:44olhando ao redor. Pô, por que você não tava
- 34:46tocando pra fulano, cara? Pô, eu sei que você acha fulano
- 34:49um babaca, mas o cara é o craque do time, meu irmão.
- 34:51Toca pra ele aí que ele vai resolver.
- 34:54Eu já vi, jogando pelada de basquete, eu já vi muita treta
- 34:57interna de time. E isso não é porque o jogo
- 35:01estimula isso exatamente, mas o jogo estimula competitividade.
- 35:05E muitas vezes quando a competitividade de um time é
- 35:09diminuída por conta da performance de alguém, etc.,
- 35:12isso pode acabar gerando algum tipo de problema social.
- 35:17Isso estimula, de certa forma, às vezes que isso aconteça.
- 35:20Então, uma das maiores qualidades que você pode ter num
- 35:23peladeiro desses... é o que o cara não leve pro coração as
- 35:27coisas. Que ele jogue, que ele até
- 35:28brigue ali durante o jogo, mas que depois todo mundo abra uma
- 35:31cerveja e fique de boa. O cara que não consegue fazer
- 35:34isso, certamente ele não vai se dar bem a longo prazo numa
- 35:36pelada. Isso a gente pode falar de RPG
- 35:40também. Se a gente pegar o sistema de
- 35:44jogo do D&D clássico, que foi resgatado na USR, o D&D Zero, o
- 35:52D&D BX, todos esses D&D antigos aí, e até os novos também, o
- 35:57desenho do mestre é tão mal feito, e os seus poderes são tão
- 36:00mal desenhados, que é muito fácil ele ao mesmo tempo Se
- 36:05cobrar de botar uma experiência à mesa para o seu grupo e isso
- 36:09já começa a construir uma relação social meio pesada para
- 36:14os envolvidos. Afinal de contas, sei lá, vem
- 36:17todo mundo cansado do trabalho e o mestre olha para ele mesmo e
- 36:20fala assim, bom, já que eu tenho tantos poderes, a
- 36:22responsabilidade da diversão aqui é minha.
- 36:24Cansei de debater isso no café e no Guia do Mestre Cafeinado, no
- 36:30caminho do Mestre Cafeinado, o meu livro.
- 36:32Então eu tenho certeza que você já está familiarizado com essa
- 36:35discussão das responsabilidades do mestre.
- 36:39Mas normalmente atrelada a essas responsabilidades, tem também o
- 36:43mestre que abraça seus poderes e acaba sendo tirano nesse ponto,
- 36:47porque ele precisa garantir aquela experiência, né?
- 36:50Existe uma ansiedade em garantir essa experiência, em garantir
- 36:53que o jogo vai ser ao mesmo tempo desafiador, mas que também
- 36:58não vai frustrar os jogadores. E todas essas responsabilidades
- 37:01malucas que o mestre assume no D&D clássico, elas levam a
- 37:06relações de poder complicadas. Muitas vezes o pessoal fala, ah,
- 37:09mas é o mestre que decide tudo, mas o mestre não tá indo com a
- 37:12minha cara, né? É fácil o jogador entrar numa de
- 37:15que o mestre tá indo contra a cara dele, mas às vezes é só uma
- 37:17questão de uma leve afinidade. Mas o fato é que ter muito poder
- 37:21de decisão na mão de uma pessoa só faz cair muito facilmente
- 37:24nesse ponto. Ah, mas eu jogo usando a regra
- 37:26do legal. Beleza, cara, você gosta de
- 37:29anime... A galera da mesa que curte anime
- 37:32também... Entende o diálogo contigo...
- 37:34Cria junto contigo mais fácil... Bate bola contigo mais fácil...
- 37:38Mas eu, minhas referências são diferentes, cara...
- 37:41De repente... O cara ali é o estudante de
- 37:43cinema... tanumas de Eisenstein, tanumas de Tarantino, sei lá.
- 37:49E fala, pô, cara, minha referência não é muito anime,
- 37:51né? O cara, de repente, não tem esse
- 37:53letramento. O pessoal já vai falar, pô, é
- 37:55maluco chato pra caramba, editor de cinema, pô, tá dizendo umas
- 37:58referências cult aqui. Pô, será que não dava pra todo
- 38:02mundo convergir em cima dessas referências?
- 38:06Talvez não, porque o mestre tá decidindo de acordo com o que
- 38:09ele acha mais legal. E, pô, como sair de si mesmo e
- 38:13falar que, pô, cara, eu não acho isso que você tá trazendo legal,
- 38:16isso é meio chato, isso é meio contra o jogo que eu tô jogando.
- 38:19A gente, pra assumir isso e perceber isso, às vezes demora,
- 38:22cara. Você ter um grupo diverso,
- 38:26inclusive, é um desafio por conta disso.
- 38:27Se todo mundo pensa igual a você, beleza.
- 38:29E eu vejo que muitas dessas mesas muito antigas e tal, elas
- 38:34são craques em preservar as pessoas que pensam igual.
- 38:37Porque quem não pensa até visita a mesa, mas sai logo depois.
- 38:40E ao longo dos trinta anos, você pode até falar, não, o grupo é o
- 38:43mesmo, são os mesmos cinco. Mas se você pegar a conta de
- 38:47tantas pessoas que passaram no mês e saíram, você vai ver que a
- 38:49conta às vezes extrapola e muito o número de participantes ao
- 38:53longo dos anos. E por que acontece isso?
- 38:57Porque talvez tenham sido pessoas que resolveram evitar um
- 39:01grupo que de alguma forma estava se sentindo que estava sendo
- 39:04babaca com ela. E às vezes isso acontece, como
- 39:07eu estou falando aqui, pelo jogo proposto.
- 39:12O dice fudge, você poder mudar o dado.
- 39:14O mestre chega lá e pega leve com um.
- 39:16Você vê que o mestre jogou o dado atrás do escudo do jogador,
- 39:21você suspeita que ele tenha mexido no resultado, pegou leve
- 39:24com aquele jogador e de repente contigo ele não pegou leve.
- 39:28Será que isso não gera uma cadeia de afetos um pouco
- 39:30estranha? Será que isso não vai gerar
- 39:32problemas à frente? Eu acho bem possível que sim.
- 39:35Muitas vezes você vai ver que o problema às vezes parte por aí.
- 39:52Se tem uma coisa que eu sei, é que subestimar o desconhecido
- 39:55pode ser fatal. A tempestade que viemos
- 39:58investigar no litoral de Santa Catarina não é nada do que eu
- 40:01imaginava. Naufragamos logo na primeira
- 40:03noite. Minha garganta queimava, o sal
- 40:06correndo cada gota de ar que eu tentava respirar.
- 40:08Eu tragava uma dor cruel a cada afogamento.
- 40:12Um desespero esmagador. Eu quase apaguei.
- 40:15Quase não saí dessa. Acordei na costa de um cemitério
- 40:18de naufrágios, debaixo de uma chuva torrencial, com a minha
- 40:21visão embaçada pela areia e pelo sol.
- 40:24O som do mar se misturando aos ecos e estralos dos destroços
- 40:28fantasmagóricos. Um aviso das profundezas que
- 40:31tentamos desafiar. Cada pedaço de fuselagem é uma
- 40:35história de desespero. Nesse lugar...
- 40:38Essa ilha perdida guarda mistérios que podem ser mais
- 40:41sombrios que qualquer coisa que eu já enfrentei.
- 40:44Aqui é Laura Muniz de Moura e esse é o relato do início da
- 40:47minha investigação dos mitos de Atlântida.
- 41:02E aí, sobrevivente, está preparado para o maior desafio
- 41:06de RPG que você já enfrentou na sua vida?
- 41:09Boas-vindas aí à temporada beta de Mitos de Atlântida, um jogo
- 41:14experimental de horror e sobrevivência em sessões
- 41:16episódicas, onde o foco aqui é o desafio e a imersão total.
- 41:21Então você busca desafios intensos, né?
- 41:23Você acabou de encontrar o Everest do RPG.
- 41:27E a temporada beta chega com mudanças incríveis pra gente aí.
- 41:30Regras mais simples e ao mesmo tempo mais sofisticadas.
- 41:34A gente dá mais liberdade pra ficção sem se preocupar tanto
- 41:36com mecânica. Aplicação de arquétipos, né, que
- 41:39seriam as cartilhas de jogo aí, os playbooks.
- 41:42E a evolução dos personagens sem uso de nível de personagem.
- 41:46A gente tá fazendo evolução por fato ficcional.
- 41:48Pela primeira vez a gente vai ter Myths of Atlantis.
- 41:51A primeira campanha de Oil Fantasy inteiramente mestrada e
- 41:54jogada em inglês. Um marco aí pra expandir a nossa
- 41:57comunidade, a nossa forma de jogar.
- 41:59E pra quem não tem tempo pras sessões de voz, né, não se
- 42:02preocupa não, porque a gente tá implementando um sistema
- 42:04assíncrono de jogo aí, via Telegram, você pode investigar
- 42:07os mitos, a aventura tá sempre ao seu alcance.
- 42:10A temporada beta de Mitos de Atlântida já começou, e eu quero
- 42:14saber se você tá pronta, se você tá pronto pra enfrentar o
- 42:16desconhecido. Junte-se a nós aí, prove que
- 42:19você é capaz de sobreviver ao maior desafio Wild Fantasy de
- 42:23todos. Investiga os mitos, venha pra
- 42:26Mitos de Atlântida. Os jogos, às vezes, eles trazem
- 42:59sistemas, como por exemplo o D&D clássico, que trazem um pouco
- 43:03disso, que trazem um pouco dessa... esticam, estressam um
- 43:08pouco a camada social do jogo. A gente às vezes vai ter
- 43:11dinâmicas de jogo também, ou seja, que não é exatamente a
- 43:14regra e o sistema, mas como as pessoas jogam a mesa, que causam
- 43:19isso também. Por exemplo, se você tem
- 43:21jogadores que de repente começam a dizer como o outro tem que
- 43:25fazer com o seu personagem, e fala assim, não, não, em vez de
- 43:29você agir, reforça o que eu estou fazendo para me dar bônus.
- 43:32Eu já vi jogador que fica enchendo o saco do outro pra
- 43:35fazer isso o tempo todo e você fala, velho, deixa o cara jogar.
- 43:39Mesmo que ele tenha algum problema em relação a isso,
- 43:41deixa o cara jogar. A decisão é dele, a decisão
- 43:43final é dele, não é tua. E muitas vezes isso, a dinâmica
- 43:47do jogo leva a acontecer isso. Por quê?
- 43:49Porque às vezes o jogo é de performance, é um jogo que...
- 43:52que as pessoas estão tentando ali vencer um combate, superar
- 43:55um combate num momento difícil, isso leva as pessoas a quererem
- 43:59participar mais até da ação dos outros, para poder coordenar
- 44:03melhor, etc. Então, eventualmente acontece
- 44:05isso na dinâmica de jogo, que é, a dinâmica de jogo muitas vezes
- 44:09é impressionada ali, Pelas mecânicas e pelo sistema, mas
- 44:14também nem sempre, às vezes as dinâmicas são sociais e essas
- 44:18dinâmicas sociais às vezes elas desprendem das dinâmicas de
- 44:21jogo, mas que também desprendem das relações construídas ali a
- 44:25partir das mecânicas e das regras. como a gente pôde notar
- 44:30ali o caso do War, por exemplo, que ele faz com que as pessoas,
- 44:34de certa forma, às vezes no silêncio mesmo, no olhar,
- 44:38construam alianças entre si. O jogo é feito meio que para
- 44:42isso. Uma outra coisa que a gente pode
- 44:45ver é que muitas vezes o jogo vai levando para esses lados, a
- 44:50gente não percebe, mas quando a gente abre o olho, a gente está
- 44:53topando e a gente consegue funcionar bem, sabendo que
- 45:00determinadas partes do jogo são um pouco tensas.
- 45:03E nesse ponto eu vou até trazer aqui o exemplo do Biergotten.
- 45:08Em Beer Gotham, com o tempo, a gente sempre tem uma conversa no
- 45:13final de todas as sessões, a gente tem muita conversa na
- 45:16comunidade, respeito, eu trago bastante coisa no café, o grupo
- 45:20do Café com Dungeon debate muito o que a gente propõe em termos
- 45:24de jogo no Oil Fantasy, e Beer Gotham, que é onde a gente
- 45:28experimenta essas ideias, Muitas vezes é palco desse tipo de
- 45:33conflito gerado por uma relação lúdica que complicou em algum
- 45:37ponto. E a gente ter noção disso ajuda
- 45:41a gente a funcionar dentro desses espaços.
- 45:43Como eu falei, o War é um jogo que apimenta a relação lúdica
- 45:48nessas alianças. Mas dá para dizer que isso é
- 45:51indesejável? Talvez seja parte da experiência
- 45:54do War. Ter o autocontrole ali, você
- 45:56poder ter a mente fria é uma coisa importante na pelada, no
- 46:00jogo de futebol. Se você estressar isso para o
- 46:04meio profissional do futebol, auto-performance, a mente fria é
- 46:09uma qualidade raríssima. Então, como é que acontece isso
- 46:14em Birgotten? A gente tem alguns pontos que eu
- 46:15até trouxe aqui no episódio sobre timer.
- 46:17A gente joga com timer. A sessão está em três horas.
- 46:20Em três horas a sessão acaba e se você não voltou para o ponto
- 46:24inicial do jogo, você morreu. Ou, pelo menos, vai voltar com
- 46:28bastante problema ali. Você pode jogar uma tabela de
- 46:31desgraça e voltar sem um braço, sem uma perna.
- 46:34De fato, você vai voltar, no mínimo, sem todos os seus itens.
- 46:39Só isso, só a existência desse timer já faz o jogo ficar mais
- 46:43tenso. Já faz as pessoas olharem para
- 46:45como as outras estão jogando. Se um cara de repente está
- 46:48perdendo tempo negociando um item pretensamente inútil para a
- 46:54viagem, se alguém está perdendo tempo fazendo alguma coisa que
- 46:58não vai somar a incursão do grupo, você vê que os outros
- 47:01começam a ficar meio preocupados, começam a falar,
- 47:03pô, cara, a gente tá perdendo tempo de jogo aqui, pode ser que
- 47:06a gente tome um time-out e morra todo mundo, tem personagem aqui
- 47:09de nível alto, pô, não quero perder o personagem.
- 47:11Então começa a ter uma certa cobrança, como numa pelada
- 47:15acontece, né? Tipo, você começa a jogar a bola
- 47:17errado, a galera da pelada começa a falar, ô, preste
- 47:19atenção aí, cara, tá legal? Está acontecendo alguma coisa
- 47:22contigo? Pô, se liga aqui.
- 47:25Acontece isso. E em Bergota a gente viu que o
- 47:28timer estressa muito a relação social ali naquele ponto.
- 47:32Tem muitas vezes as pessoas falando...
- 47:33Ei, ei, ei, não faz isso não. Faz assado.
- 47:38Não faz assim, faz assado. Muda a sua ação.
- 47:40De repente se você fizer tal coisa facilita.
- 47:42A gente permite esse espaço de meta-jogo...
- 47:45Até porque isso está de alguma forma ludificado, porque se o
- 47:49grupo ficar uma hora debatendo sobre o que vai fazer no
- 47:52encontro, É timer perdido, estão mais próximos de terem um
- 47:57desfecho ruim. Então eles podem debater, mas o
- 48:00grupo às vezes debate até de uma forma meio tensa.
- 48:03Falando, cara, a gente precisa fazer assim, precisa fazer
- 48:05assado. E o próprio grupo, aos poucos os
- 48:08grupos vão entendendo que isso é uma característica do jogo.
- 48:12Ele fica um pouco salgado nesse ponto.
- 48:15Então... Jogar a Bear Gotham,
- 48:18principalmente se você está mirando já na alta performance,
- 48:21fazer algumas investidas e aproveitando o máximo possível
- 48:26da incursão, voltando com XP e construindo espaço para a
- 48:32exploração, marcando caminhos, etc.
- 48:35Você começa a se preocupar com esse tipo de coisa.
- 48:38E quando você começa a se preocupar mais com esse tipo de
- 48:40coisa, o jogo vai ficando mais tenso.
- 48:41Então as pessoas têm que se acostumar com esse estado
- 48:44mental. Então nesse ponto, a gente
- 48:47entender alguns pontos de conflito possíveis que a relação
- 48:51lúdica do seu jogo estimula, facilita às vezes para você
- 48:55mudar. Por exemplo, você pode falar em
- 48:57Birgota e falar, cara, eu só vou fazer uma mesa aberta aqui, mas
- 48:59eu vou tirar o timer. Eu acho que o timer traz esse
- 49:02sal aí, traz essa relação lúdica que eu acho pouco sadia para a
- 49:06minha mesa e a gente não vai saber lidar.
- 49:09Ou eu não vou saber lidar, ou sei lá.
- 49:10Tudo bem, muda isso então. Mas tem outras possibilidades,
- 49:14que é justamente você entender, você conseguir mapear no seu
- 49:17jogo o que tem de problema, o que tem de ponto de tensão na
- 49:21relação lúdica, que pode estimular as pessoas a serem
- 49:24babacas umas com as outras. Que podem promover esses espaços
- 49:30onde a coisa fica mais tensa. E aí eu fico me colocando aqui
- 49:34no papel de perguntar. Será que um cara que está
- 49:38jogando de forma tensa, sabendo que naquele momento ali o jogo é
- 49:43tenso mesmo, esse sujeito está sendo babaca?
- 49:45Eu acredito que não. Eu acredito que isso também não
- 49:48é um babaca, um jogo essencialmente babaca.
- 49:53Eu acredito que são momentos em que a gente tem ali algumas
- 49:56tensões que podem eventualmente virar problemas sociais.
- 50:00Então é legal a gente poder analisar que muitas vezes o
- 50:03problema que o grupo está trazendo Se ele tratar aquilo de
- 50:07forma social, pode ser até que ele consiga resolver, mas
- 50:11naturalmente aquela relação lúdica repetida possivelmente
- 50:15vai minar aquela relação social. E aí nesse ponto é legal a gente
- 50:20estar atento para que isso não aconteça.
- 50:21A gente consegue reverter de forma social esses pontos
- 50:25lúdicos que são mais salgados. Eu acho que dá para fazer isso.
- 50:29Dá para jogar War sem brigar. Dá para jogar Biergotten sem a
- 50:34gente ficar puto porque o outro resolveu falar porque você não
- 50:37tenta fazer assim, não tenta fazer assado.
- 50:40Não seria melhor você usar outro recurso em vez desse?
- 50:44Será que não tem como a gente transigir em cima disso sem
- 50:47eventualmente um ser babaca com o outro, mas entendendo que o
- 50:50diálogo nesse momento do jogo é um pouco mais ríspido?
- 50:54Ou será que a gente não consegue entender melhor as diferenças
- 50:56entre as pessoas e como elas engajam com o jogo para tentar
- 51:00compor isso sem que a gente abrace uma postura mais babaca
- 51:06um com o outro? Acho que a gente poder olhar
- 51:08para a relação lúdica e entender que nem tudo é uma questão
- 51:11social, mas que pode vir a ser, ajuda a gente a trabalhar a
- 51:15relação lúdica, seja aceitando melhor ela e entendendo como
- 51:18lidar melhor com ela, ou seja, mudando algumas coisas da
- 51:22relação lúdica. Eu não posso dizer que Oil
- 51:25Fantasy não é um grande trabalho de fazer a relação lúdica em
- 51:29torno do mestre ficar mais saudável, e aí por conseguinte
- 51:32ficar mais saudável para os outros participantes.
- 51:35Por isso a gente delimita o poder do mestre, a gente informa
- 51:37o poder do mestre, a gente entende como o mestre deve atuar
- 51:41dentro do seu registro de decisões, e isso de forma geral
- 51:44faz com que o jogo, ainda que tenha timer, que por outro lado
- 51:49o jogo fique muito mais tranquilo.
- 51:51Fica mais fácil mestrar, fica mais relax mestrar.
- 51:54Por quê? Porque a gente tira muitos pesos
- 51:56das costas do mestre quando a gente trabalha oil fantasy.
- 51:59Então foram coisas que eu identifiquei na relação lúdica
- 52:02proposta pelo D&D clássico e que dá nisso.
- 52:05Mas que você vai poder ver, por exemplo, no fiasco.
- 52:08O fiasco, se a gente olhar a regra do jogo mesmo, como ele se
- 52:12pretende ser jogado, Ele tem um pouquinho de sal ali quando os
- 52:16jogadores começam a pegar os recursos narrativos à mesa e
- 52:22apontar para os colegas, falando assim, agora você resolve, agora
- 52:25você propõe a cena. E esses dados à mesa vão
- 52:29indicando como é que vai ser o desfecho do jogo.
- 52:32Há um pouco de sal nisso. É possível que o jogo fique um
- 52:35pouquinho mais tenso nesse momento.
- 52:36E eu entendo que vai ter gente que vai falar...
- 52:39Não, é melhor a gente nem jogar visando se dá bem no fim do
- 52:43jogo. Ainda que o jogo tenha sido
- 52:45feito para isso. Eu conheço um monte de gente, a
- 52:46maioria das pessoas que eu conheço, inclusive que jogam
- 52:48fiasco... Deixam até de lado esse lado
- 52:52competitivo que pode ter ali no meio...
- 52:55Talvez até inconscientemente, mas que gostam do fiasco do
- 52:58jeito que ele é, sem esse sal. Eu gosto, eu adoro esse sal.
- 53:02Eu acho que é muito interessante existir essa pequena
- 53:06competitividade que dá uma agenda complementar no jogo, que
- 53:11deixa pra mim um pouco mais crocante ali o jogo.
- 53:14Mas eu entendo que pra nem todo mundo vai ser assim.
- 53:17Muita gente vai ser babaca assim.
- 53:20Um outro exemplo aqui, saindo até do RPG, é o trânsito.
- 53:24O trânsito, a gente sabe, para dirigir bem, existe algum nível
- 53:29de agressividade ali que você tem que ter.
- 53:31E eu não estou falando de agressividade no sentido de sair
- 53:33do carro e bater, dar um soco, um supapo na cara de alguém.
- 53:37É no sentido de você saber se impor um pouco, de você impor um
- 53:40pouco a sua vontade, de você delimitar legal o seu espaço, de
- 53:43que agora você está negociando quem vai entrar na faixa.
- 53:47Bom, vou deixar um passar, vou entrar atrás dele, você já
- 53:50sinaliza que está entrando para aquilo que vem atrás, respeite o
- 53:53seu espaço. Quem não consegue se impor
- 53:55minimamente acaba gerando problemas no trânsito, porque...
- 53:59Dirige de forma insegura, as pessoas em torno não conseguem
- 54:01entender o teu objetivo ali na direção, não conseguem entender
- 54:05para onde você vai, não conseguem ler muito bem como
- 54:08você está pretendendo fazer as coisas e aí tem aquelas
- 54:11buzinadas, aquelas coisas todas. Eu particularmente adoro
- 54:15dirigir. Mas eu abandonei minha carteira
- 54:18de motorista há muito tempo, já tem mais de dez anos, e eu
- 54:21sentia que dirigir me tornava uma pessoa pior.
- 54:24Aquela agressividade natural do trânsito me fazia virar o pateta
- 54:28maluco, aquele pateta do desenho lá do... pateta aqui no
- 54:32trânsito, virava um bicho. E não é nem que eu saia na
- 54:35porrada com as pessoas no trânsito, não era nem isso.
- 54:38Mas eu dirigia de forma muito agressiva, eu começava a dirigir
- 54:41como piloto de Fórmula Um, fazendo tangente nas curvas.
- 54:45E eu dirigia de forma perigosa. Por quê?
- 54:47Porque aquilo alimentava em mim aquela agressividade alimentava
- 54:50isso em mim. E depois eu percebi que eu
- 54:52relaxei em muitos outros aspectos da vida, porque eu não
- 54:56estava mais dirigindo. Então a gente entender o jogo
- 54:59que a gente está jogando e os pontos onde aquele jogo
- 55:02estimula, de certa forma, alguma veia negativa nossa, é
- 55:07interessante. E também entender como a gente
- 55:08pode lidar com aquilo. Afinal de contas, tem muitos
- 55:11aprendizados interessantes que a gente vai tirar do jogo.
- 55:15E aí nesse ponto, eu entendo que Nem sempre não ser babaca vai
- 55:21resolver. É importante a gente entender,
- 55:24às vezes, por que a gente está sendo babaca, ou por que a gente
- 55:27pode ser babaca no jogo, e entender que alguns jogos levam
- 55:31a gente a ser babaca potencialmente, e que a gente
- 55:34pode lidar com isso. No fim, não tem ninguém que vai
- 55:38estar certo e que é o não babaca, que é o paladino da
- 55:41antibabaquice. Isso é uma coisa babaca por si
- 55:44só. Entender o que gera problema à
- 55:47mesa para além da esfera social é interessante para que a gente
- 55:52consiga também entender que nós somos humanos e podemos ser
- 55:55babacas. A gente ter esse
- 55:57autoconhecimento, como eu tive ali, a partir do momento que eu
- 56:00percebi que o trânsito me fazia mal, é muito interessante para
- 56:03ver o que a gente topa e o que a gente não topa.
- 56:06Para a gente ver se aquele grupo que a gente está começando a
- 56:09jogar, se de repente a gente consegue que aquele grupo
- 56:12modifique um pouco o seu jogar, seu espaço de jogo, seu espaço
- 56:16lúdico para que caiba a gente, ou se talvez aquele grupo goste
- 56:19daquele barato, daquele sal, e talvez não seja o seu lugar ali.
- 56:25Ter essa autocrítica e esse autoconhecimento é muito bom
- 56:29para todo mundo. Até porque você pode de vez em
- 56:31quando só visitar aquele grupo. Você não precisa jogar sempre
- 56:34com eles. De repente você joga, quando
- 56:36aquele prato começa a ficar muito salgado, você dá um tempo.
- 56:40E é natural que isso aconteça também.
- 56:43Então, vou deixar uma enquete para você responder aí.
- 56:47Pergunto para você, você já foi babaca na sua vida?
- 56:51Eu não estou aqui nem falando do jogo.
- 56:53Estou perguntando se você já foi babaca na sua vida.
- 56:56Diz aí para a gente, sim ou não. E eu pergunto aqui, que tipo de
- 57:00relação lúdica no seu jogo ativa a babaquice nas pessoas?
- 57:05Vou propor esse exercício. pra vocês aí, beleza?
- 57:09Bom, é isso, no mais aqui, a gente vai encerrando aqui o
- 57:13episódio, eu vou deixar alguns no link aqui, no descritivo do
- 57:17episódio, eu vou deixar alguns links pra episódios em que eu
- 57:21abordei essas relações lúdicas complicadas aí, não só o do
- 57:24timer, mas vou também falar do micro-relações políticas à mesa,
- 57:29né, da temporada um do Café com Dungeon, e outros links pra
- 57:32vocês aí no descritivo do episódio, então confiram lá.
- 57:35No mais... Se você quer o Café com Dungeon
- 57:37voltando a ter cinco episódios semanais, já pensou nisso?
- 57:41Considera apoiar a gente e ajudar o projeto a se expandir.
- 57:44Então vai lá no apoia.se barra Café com Dungeon e torna-se um
- 57:48assinante. Se você gostou especialmente do
- 57:50café de hoje, deixa para a gente uma gorjeta.
- 57:52Manda um pix em qualquer valor para cafécomdungeon.com.
- 57:56A gente conta com você. Se você tem uma empresa ou uma
- 57:59marca e quer ter um dia na semana no Café com Dungeon, você
- 58:01pode financiar um episódio semanal do podcast e fazer a
- 58:05alegria da massa RPGista. Então consulta a gente lá em
- 58:07cafécomdungeon.com e a gente tem uma proposta especial para você.
- 58:12Consulta também sobre parcerias e anúncios.
- 58:15A gente pode fazer anúncios sobre cafés, jogos, alimentos,
- 58:20tecnologia, mídia, outros ramos além de RPG.
- 58:24E se você é produtor de conteúdo, game designer
- 58:26independente, acadêmico ou fã e quer colaborar com a gente de
- 58:29alguma forma, conta pra gente quem é você e do que você tá
- 58:31afim lá no nosso e-mail, beleza? No mais, agradecer a galera que
- 58:35tornou possível essa aventura. Obrigado ao pessoal que apoiou
- 58:38com incentivo, incluindo aí o Enéas e o Zaburo Suzuki.
- 58:42Valeu demais ao pessoal do nível de apoio comunidade, incluindo o
- 58:45Caio Palma Fernandes, o Augusto Rickert e o Gustavo Murad.
- 58:48Um salve especial para os assinantes do nível RPG do Jo,
- 58:51dentre eles o Felipe Scosteg, o Rafael de Lima, o Pedro
- 58:54Oblizine, o Marcos Vinícius Ornelas e o Vinícius Caldas.
- 58:59Um abraço aos membros do treinamento Oil Fantasy, são
- 59:02eles Abílio Júnior, Cesar Machado, Daniel Aydar, Diego
- 59:05Sextito, Douglas Baiense, Léo Gasparotto, Marcos Gonçalves,
- 59:09Matheus Piqueira, Rafael Bardal, Bruno Cobb, João Burlamaque e
- 59:13Gui Providelo. E o Marcos Gonçalves e um imenso
- 59:17agradecimento aos membros do Café com Balbi.
- 59:19O Thiago Augusto, grande Thiago Augusto, que inclusive está
- 59:24promovendo essa bebedeira agora desse dia doze de dezembro.
- 59:29Então, se você ficou curioso, consulta a gente aí.
- 59:32De repente você cola com a gente para beber uma cerveja.
- 59:35Valeu, galera. Valeu, Thiago.
- 59:36Um abraço e até a próxima. Ela me convidou para subir à
- 1:00:07meia-noite para um café. E eu não fui.
- 1:00:13Não, obrigado. Eu não bebo café.
- 1:00:17Me deixa agitado. É muito tarde para tomar café.
- 1:00:23Eu falei isso também. Pessoas burras deviam ser
- 1:00:26proibidas de existir. Nem imagino que ela pensou de
- 1:00:29mim. Pensou que você é um cara que
- 1:00:32não gosta de café. Ela me chamou pra entrar.
- 1:00:34Café não é café, café é sexo!