Latest / Só Pod Ser História • Podcast / Só Pod 67 - Eu nunca fui a neta que ela queria
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- 0:00Sou a babaca por excluída minha vida, minha avó extremamente
- 0:04racista e preconceituosa. E aí, galera, bem vindos a mais
- 0:18um episódio do só pode ser história, eu sou a Isa hoje,
- 0:23história de ouvinte de novo. Amo.
- 0:25Se você quer mandar sua história, é só mandar pro e-mail
- 0:28que está na descrição. E gente, é uma história difícil.
- 0:32Foi difícil de ler? Vai ser difícil de ler de novo.
- 0:35Aqui é importante dizer que essa história contém tópicos de
- 0:39racismo e conflitos familiares. Então, se esses são tópicos
- 0:44sensíveis para você, por favor, ouça com cautela ou considere
- 0:48não ouvir, tá bom? Quem me escreve é a Helô,
- 0:51lembrando que o nome dela não é Helô, tá bom.
- 0:54E o título da história dela é. Sou a babaca por excluir da
- 0:59minha vida minha avó extremamente racista e
- 1:02preconceituosa. E antes também de eu ler essa
- 1:04história, é só importante dizer que as falas de escritas aqui
- 1:08nessa história, na história da Helô, elas não representam nem
- 1:11de perto a minha opinião. E a opinião da Helô também, tá
- 1:15bom? É só a forma que ela achou pra
- 1:17explicar a situação pra gente. Ô Isa, me chamo Eloísa, tenho 34
- 1:22anos. Mas essa história, que é da
- 1:25minha vida toda, começa antes mesmo de eu nascer.
- 1:28Essa história é uma coisa que me aflige a vida toda e eu queria a
- 1:32opinião dos ouvintes pra saber se eu realmente tô sendo uma
- 1:35escrota. Eu me sinto muito perdida em
- 1:38relação a isso. A história é longa, mas eu
- 1:41preciso dar esse contexto pra vocês conseguirem entender tudo.
- 1:44Então já peço desculpa se parecer demais.
- 1:48Bom, meu pai, quando era jovem, tava noivo de uma outra mulher.
- 1:52Ele tava construindo a nossa casa pra se casar com ela.
- 1:56Segundo eu ouvi da minha avó, ela era uma moça muito bonita.
- 2:00Mas meu pai encerrou esse noivado e a minha avó ficou
- 2:03muito revoltada. Depois de um tempo, ele conheceu
- 2:07a minha mãe, começaram a namorar e se casaram.
- 2:11Minha avó nunca aceitou o relacionamento.
- 2:14E não aceitava a minha mãe como nora, mas ela fingia muito bem.
- 2:18Mas sempre que ela podia, ela soltava comentários maldosos
- 2:22sobre a minha mãe e a aparência dela na frente de todo mundo.
- 2:27Minha mãe e minha família materna são descendentes de
- 2:30negros. Meu avô era negro e a minha avó
- 2:32era uma morena muito bonita. Minha mãe é morena de cabelo
- 2:37crespo, que alisa a vida toda por pressão da sociedade e até
- 2:41hoje não consegue aceitar o próprio cabelo.
- 2:44Meu pai sempre se impôs e defendeu a minha mãe.
- 2:47Ele não aceitava os comentários maldosos da minha avó.
- 2:51Tipo, precisa alisar melhor esse cabelo, Hein?
- 2:55Mas eu acho que um crespo assim não vai ficar liso nunca, né?
- 2:58Deve ser muito difícil tentar ter cabelo liso ou.
- 3:03Você toma muito sol, sua pele é tão escura.
- 3:06Eu só lembro de gente escura assim que trabalhava na roça o
- 3:10dia todo, debaixo do Sol, sem citar os que são tão horríveis
- 3:14que eu não vou nem me dispor a retratar aqui.
- 3:17Minha família materna abraçou meu pai como filho e ele abraçou
- 3:21a família de volta como se fosse dele.
- 3:24Ele nunca gostou da própria família.
- 3:26Todos são extremamente ignorantes, interesseiros.
- 3:30Arrogantes e extremamente racistas e preconceituosos.
- 3:35Meu pai nunca foi assim e nunca concordou com o pensamento
- 3:38deles, assim como meu avô paterno.
- 3:41A família dele é italiana, barra espanhola e tem muito orgulho
- 3:45disso. Todos brancos, olhos claros,
- 3:48cabelos lisos e loiros e se acham superiores a todo o resto.
- 3:53Eu não gosto de ninguém da família do meu pai.
- 3:56E nem meu pai fez questão de interagir e participar dos
- 3:59eventos familiares do lado da família dele.
- 4:03A gente sempre foi muito mais grudado com o lado da família da
- 4:06minha mãe. Graças a Deus, desde que meus
- 4:09pais se casaram, a minha avó fazia da vida da minha mãe um
- 4:13inferno, sempre provocando, veladamente, soltando
- 4:17comentários maldosos e tentando humilha ela a qualquer custo, o
- 4:21tempo todo. Querendo mostrar pra minha mãe
- 4:24como ela era inferior. Meu pai brigava muito com a mãe
- 4:28dele, o meu avô também, mas ela não aceitava uma pessoa de pele
- 4:33escura na família dela e fingia que era por outro motivo que
- 4:37fazia aquelas coisas com a minha mãe.
- 4:39A família do meu pai sempre foi igual a minha avó.
- 4:42Faziam as mesmas coisas e concordavam com ela.
- 4:45Que meu pai tinha se casado mal e sujado a família.
- 4:51Quando meu pai se formou e começou a trabalhar na área
- 4:53dele, ele começou a ter uma vida melhor e mais confortável, com
- 4:57melhores condições financeiras, o que pra minha avó era o maior
- 5:02orgulho dela em relação a ele, que o filho dela seria rico e
- 5:07ela também com o dinheiro dele. Mas ele teve problemas de
- 5:11circulação e resumindo, com 1 ano de casado, a doença piorou e
- 5:16se agravou muito. Meu pai foi amputando dedos do
- 5:19pé tentando conter a doença e teve que se afastar do trabalho
- 5:23porque ele vivia internado, fazendo cirurgia.
- 5:26E nesse período a minha mãe engravidou.
- 5:29A família em geral ficou muito feliz, inclusive a minha avó
- 5:33paterna. Que tinha a Esperança que eu
- 5:35nascesse de pele clara e puxasse o lado dela da família.
- 5:39Quando a minha avó me viu pela primeira vez, me contaram o que
- 5:42ela comentou, nossa, ela nasceu com a pele escura, mas pelo
- 5:46menos o cabelo é lisinho. Isso é frase que se fale da
- 5:50única neta. Logo depois que eu nasci, meu
- 5:54pai teve um período muito difícil.
- 5:56Ele IA para casa, ficava um pouco comigo e com a minha mãe e
- 5:59voltava a ser internado. Ficou nisso por 1 ano.
- 6:03E quando eu estava para completar um ano, minha mãe
- 6:06estava esgotada de trabalhar, cuidar de mim e cuidar do meu
- 6:09pai no hospital, em casa, meu pai tinha amputado um pé devido
- 6:14à doença. Ele sentia muita dor e não
- 6:17conseguia fazer nada sozinho. Ele tinha emagrecido muito e
- 6:20tava muito fraco. Minha avó paterna tava
- 6:23preocupada só com ele e criticava a minha mãe o tempo
- 6:27todo. Sobre tudo, ela não ligava pra
- 6:30mim porque pro desespero dela. Meu cabelo de bebê caiu e
- 6:34começou a nascer cacheado. Meus olhos não clarearam como
- 6:38ela gostaria e eu fui ficando cada vez mais parecida com a
- 6:42minha mãe do que com o meu pai. O médico soube do caso do meu
- 6:46pai, quis investigar e descobriu que a doença que ele tinha era
- 6:51muito rara. Até hoje não tem mais do que 30
- 6:54casos desses no Brasil. O médico disse que uma cirurgia
- 6:58podia salvar a outra perna dele. Mas que para ele sobreviver, ele
- 7:03teria que amputar a perna esquerda, quase no joelho.
- 7:06Meus pais aceitaram. Ele fez a cirurgia, amputou a
- 7:10perna e quase morreu no procedimento.
- 7:14Minha avó paterna ficou revoltada que o filho dela era
- 7:17um inválido. Dizia que a culpa era da minha
- 7:20mãe, que isso era castigo por ter casado com ela.
- 7:24Que a minha mãe foi a pior coisa que aconteceu com ele.
- 7:27Que antes dela ele era saudável e feliz e que ela tinha
- 7:30arruinado e destruído a vida dele, entre outros absurdos.
- 7:35Meu pai se recuperou, mas não podia mais trabalhar.
- 7:38Então a gente perdeu a vida confortável depois disso e a
- 7:42nossa situação financeira piorou drasticamente.
- 7:45E a minha mãe começou a sustentar a casa.
- 7:48Ela sempre trabalhou muito a vida toda.
- 7:51Sempre andou muito bem arrumada, elegante, de Salto.
- 7:55E a minha avó paterna falava pros vizinhos e pra família que
- 7:58a minha mãe usava Salto pra humilhar o meu pai, porque ele
- 8:02não tinha perna. Na verdade, meu pai amava que
- 8:05ela usasse Salto, ele inclusive pedia que ela usasse.
- 8:09Eu mesma ouvi ele pedir várias vezes porque ele achava que ela
- 8:13ficava linda. Meu pai amava a minha mãe e a
- 8:16mim como se a gente fosse o propósito da existência dele.
- 8:20Ele sempre defendeu a gente de tudo, inclusive da própria mãe.
- 8:25Nossa casa é do lado da casa dos pais dele, no mesmo terreno,
- 8:30separada por um muro. Então, a minha avó sempre foi
- 8:33muito xereta na nossa vida. Ela tinha uma chave da nossa
- 8:37casa e entrava aqui quando ela bem queria.
- 8:40Se achava nesse direito pelo meu avô ter cedido parte do terreno
- 8:44pra construção da nossa casa. A gente nunca conseguiu tirar
- 8:47essa chave dela, porque ela vinha ajudar meu pai depois que
- 8:50ele amputou a perna e a minha mãe passou a trabalhar fora.
- 8:54Ela dava pitaco em tudo, reclamava, falava mal da gente.
- 9:00Humilhava muito a Minha Mãe e Eu, mas na frente dos outros ela
- 9:04se fazia de coitada pros vizinhos e pra família.
- 9:08Ela falava que a minha mãe e o meu pai que humilhavam.
- 9:11Ela sempre fez cena de boazinha. E todo mundo acredita nela até
- 9:17hoje. Ela chora, finge e faz cena
- 9:20melhor do que muita atriz por aí.
- 9:23Uma prima do meu pai teve uma filha meses antes de eu nascer.
- 9:27Ela é sobrinha da minha avó paterna e também afilhada dela.
- 9:30Essa prima se casou com um cara branco, bem de vida, e a mãe
- 9:34dela se achava por isso. Porque a neta que nasceu antes
- 9:38de mim era Branquinha, loira e de olhos verdes.
- 9:41E a minha avó paterna descontava em mim toda raiva porque não
- 9:45podia fazer com os outros o que ela fazia com a gente.
- 9:49Desde que eu me entendo por gente, eu cresci só ouvindo
- 9:52coisas ruins. Ao meu respeito, ouvia que eu
- 9:55era feia, que a minha pele era escura demais, que eu tinha que
- 9:59evitar tomar Sol pra ficar mais clara.
- 10:02Que eu tinha que alisar o cabelo, porque senão eu seria
- 10:05zoada na escola e na vida. Ninguém nunca IA me dar um
- 10:09emprego e nenhum homem IA me querer.
- 10:12Eu cansei de ouvir dela que ela queria que eu fosse igual a
- 10:14filha da sobrinha dela. Que ela queria uma neta
- 10:17Branquinha, loira, de cabelo liso e olhos claros, e não
- 10:22alguém igual a mim. Me disse a vida inteira que eu
- 10:25era gorda, que eu não podia comer.
- 10:27Uma vez, quando eu tinha uns 12 anos, o meu avô comprou nuggets
- 10:31pra mim e pediu Pra Ela fazer pro meu almoço.
- 10:34Ela fritou, me deu o prato e quando meu avô saiu de perto,
- 10:39ela falou baixinho no meu ouvido que se eu comesse eu IA ficar
- 10:43enorme de gorda e mais feia ainda.
- 10:46Eu lembro que eu joguei fora e eu não comi.
- 10:49E ela disse pro meu avô que eu não tinha gostado.
- 10:52Ela me tratava bem na frente dos outros, se fazia de melhor avó
- 10:56do mundo, mas por trás era outra pessoa.
- 10:59Desde pequena, tudo que eu ouvia dela eram críticas e coisas
- 11:03ruins. Meus pais sempre me apoiaram,
- 11:06sempre me defenderam e meu pai me ensinou a me impor.
- 11:10E com o tempo eu fui criando uma raiva dela por tudo que ela
- 11:14fazia comigo e com a minha família.
- 11:16Então, depois que eu fiquei mais velha, eu não queria mais ficar
- 11:19perto dela e eu evitava ir na casa dela.
- 11:22Eu não tinha interação com a família dela, assim como meu pai
- 11:26também não queria ter. Então a gente sempre se evitou
- 11:29ao máximo. Toda vez que eu tinha alguma
- 11:32interação com eles, eu me sentia mal.
- 11:35Eu era sempre humilhada, com palavras por parte deles.
- 11:39E eles também não gostavam da família da minha mãe por causa
- 11:42da cor da pele. Minha mãe me blindou de muita
- 11:45coisa pior que eles falavam Pra Ela, porque eu era criança, mas
- 11:49Ela Foi forte e o meu pai também.
- 11:53Meu pai não trabalhava, era aposentado por invalidez e a
- 11:57minha mãe ralava o dia todo, saía cedo e voltava tarde.
- 12:01Então foi o meu pai que me criou em casa.
- 12:04Ele cuidava de mim em tudo que podia e quando eu cresci, eu
- 12:08passei a cuidar dele também. Pra mim, a gente tinha uma vida
- 12:11feliz, apesar da minha avó paterna infernizar a gente
- 12:15praticamente todos os dias. A minha família era unida e a
- 12:20gente se amava muito. Quando eu tinha 17 anos, meu pai
- 12:24faleceu por causa da mesma doença, junto com várias outras
- 12:28coisas que ele foi desenvolvendo ao longo do tempo.
- 12:31Quando ele faleceu, minha avó olhou na nossa cara e disse que
- 12:35preferia que nós 2 tivesse morrido ao invés do filho dela.
- 12:40Ela falou isso no dia do enterro, com a gente
- 12:43completamente abalada e muito triste.
- 12:46E aquilo me doeu muito. A minha mãe sempre foi muito
- 12:50boa, ela é até hoje, e ela relevou isso, mas eu não.
- 12:56Eu criei um ódio dentro de mim que eu jurei que essa mulher
- 12:59nunca mais IA falar um absurdo e saí sem uma resposta à altura.
- 13:04Eu tomei a frente e passei a defender minha mãe e a mim mesma
- 13:07de tudo que ela falava. Depois disso, por todos esses
- 13:11anos, virei bocuda, como ela mesma diz, exatamente como meu
- 13:16pai fazia e me ensinou a fazer. Me defender e defender a minha
- 13:21família. A gente se mudou alguns meses
- 13:23depois que ele faleceu, porque era muito difícil continuar
- 13:26naquela casa. Ainda mais cola por perto.
- 13:30E isso acabou mudando a nossa vida para muito melhor.
- 13:33Ela não sabia nada da nossa vida.
- 13:36A gente não contava, não ligava. Às vezes ela ligava para saber
- 13:40das coisas, mas a gente evitava falar da vida de verdade.
- 13:44Só comentava o básico. Eu só IA visitar por causa do
- 13:47meu avô paterno, que eu amava muito.
- 13:50Quando o meu avô morreu, eu quase não visitava mais ela.
- 13:54Eu só IA quando a minha mãe me obrigava, porque ela dizia que,
- 13:57apesar de tudo, ela ainda era minha avó.
- 14:00Depois que a gente saiu da casa ao lado, ela começou a correr
- 14:04atrás da gente, querendo contato.
- 14:07Dizia que a gente era a única família dela, sendo que ela
- 14:10nunca tratou a gente assim. Esse discurso só mudou por
- 14:14interesse, pra ver se a gente passava uma parte do terreno da
- 14:18nossa casa pro nome dela. Nesse tempo, morando longe, a
- 14:22irmã da minha avó ficou doente e a família acabou focando mais
- 14:26nessa irmã. Então a minha avó ficou meio de
- 14:29lado. Ainda mais sem o meu avô.
- 14:32E eu acho que isso fez ela querer que a gente ficasse
- 14:34bajulando ela só porque somos família.
- 14:39Mas ela nunca deu nada de bom pra gente ter um vínculo
- 14:41saudável. Não tinha amor, não tinha afeto,
- 14:45não tinha carinho, nada. O que eu sinto é só raiva.
- 14:50Eu me casei, mudei de estado e fui cortando ela totalmente da
- 14:53minha vida. Mantinha um mínimo de contato
- 14:57enquanto ela continuava morando no mesmo lugar e falando pra
- 15:00todos vizinhos, amigos e família que a gente tinha abandonado
- 15:05ela, que a gente era ruim, ingrata, cruel, que não ligava
- 15:10Pra Ela, que ela era tão amorosa, que sempre cuidou da
- 15:14gente e fez tudo por nós, como ela sempre mentiu que fazia,
- 15:19desde a pandemia. O meu marido foi demitido e a
- 15:22gente teve que voltar. Só que a gente não tinha casa e
- 15:26a única opção era a casa do meu pai, que hoje é minha de fato.
- 15:30Porque depois da morte do meu avô e do meu pai, o terreno foi
- 15:33dividido entre a gente no inventário, metade da minha avó
- 15:36e metade minha. Como ele estava desempregado e
- 15:40eu trabalhando, a gente não teve outra escolha além de voltar
- 15:43para aquela casa, que é onde eu moro hoje eu tive que voltar a
- 15:48aguentar ela na casa do lado. Minha vó achou que IA ser como
- 15:52antes. Ela queria ter uma chave da
- 15:54minha casa, queria entrar aqui quando quisesse, mas eu cortei
- 15:57logo de cara. Eu disse que não, o que virou
- 16:01mais um motivo Pra Ela sair falando pra todo mundo quanto eu
- 16:04sou ruim. Depois que a gente se mudou,
- 16:08sempre que eu tô em casa, eu consigo ouvir tudo que ela fala
- 16:11da casa dela por causa da idade, ela fala alto porque ela não
- 16:15escuta direito e a casa dela é grudada no nosso muro.
- 16:19Então dá pra ouvir tudo quando ela tá no telefone ou
- 16:22conversando com alguém na sala ou na cozinha.
- 16:24Eu já ouvi vários absurdos sobre mim, mas eu ignorava e seguir a
- 16:29minha vida. Em um aniversário meu, eu fiz um
- 16:32churrasquinho pra família e alguns amigos próximos e não
- 16:36convidei ela. No fim do churrasco, por volta
- 16:39das 6 da tarde, enquanto eu tava limpando o quintal, eu ouvi ela
- 16:42no telefone com a sobrinha, a mãe da menina, que ela queria
- 16:46que fosse a neta dela. Ela disse que eu tinha feito uma
- 16:50festa gigante, que não tinha convidado ela.
- 16:54Mas que tinha chamado toda a minha raça, que é como ela se
- 16:58refere a mim, a minha família, por causa do nosso tom de pele,
- 17:02e começou a falar absurdo sobre mim, sobre o meu marido, sobre a
- 17:06minha mãe e sobre a minha família inteira.
- 17:09Eu e o meu marido ouvimos tudo. Ele ficou muito bravo e queria
- 17:13ir lá brigar com ela, mas eu não deixei.
- 17:15Eu falei pra gente ignorar e seguir a nossa vida, porque ela
- 17:18não fazia diferença. No dia seguinte eu tava no
- 17:22quintal brincando com os meus cachorros.
- 17:24Quando eu ouvi ela falando com outra pessoa, ela disse que a
- 17:28minha festa tinha ido até depois das 10, que ela não conseguiu
- 17:32dormir nada e que eu tratei ela mal e não convidei ela pra
- 17:36festa. Ela ainda falou que a minha mãe
- 17:38tinha levado comida revirada do churrasco Pra Ela, sendo que a
- 17:42minha mãe levou um prato que eu nem queria oferecer, com tudo
- 17:46fresquinho e bem arrumado, porque a minha mãe é assim
- 17:50mesmo, ela não merecendo. Ela disse que eu tava tão gorda
- 17:53que ela achava que eu tava grávida e tava escondendo dela.
- 17:57Disse que os meus amigos tinham cara de marginais e aí ela falou
- 18:01algo que me fez perder completamente o controle.
- 18:04Ela disse que o meu marido usava droga com os amigos, que eram
- 18:08todos bandidos, e que ela tinha certeza que ele era traficante.
- 18:13Só porque ele fuma e tem tatuagem.
- 18:15Foi horrível. Eu explodi.
- 18:18Eu falei tudo que eu sabia que ela tinha feito com a minha mãe
- 18:21por anos. Eu falei que eu lembro de tudo,
- 18:24desde criança. De todos os absurdos das coisas
- 18:28que ela dizia. Falei que eu não tinha amor
- 18:30nenhum Por Ela, que eu não queria mais contato e que eu
- 18:33tinha raiva dela e eu devolvi o que ela disse quando meu pai
- 18:37faleceu, falei que eu preferia que ela tivesse morrido e não
- 18:41meu avô. Falei tanta coisa que até me
- 18:43aliviou um pouco. Eu fiquei furiosa.
- 18:47Ela ficou muito surpresa porque eu nunca tinha brigado assim.
- 18:51Ela tentou se livrar dizendo que eu entendi errado, mas eu ouvi
- 18:55tudo. Ela ficou sem graça e começou a
- 18:58se fazer de coitada. Depois disso eu não falei mais
- 19:02com ela. Até hoje eu quase não falo, eu
- 19:05só troco o mínimo, o essencial. E depois eu ainda descobri que
- 19:09ela saiu espalhando na vizinhança que o meu marido é
- 19:12traficante e usa droga. Aí eu entendi porque os vizinhos
- 19:16começaram a evitar gente a olhar estranho, a parar de
- 19:20cumprimentar. E isso é uma acusação muito
- 19:24séria. Ela disse pra todo mundo que
- 19:27obriguei sem motivo, que Ela Foi vítima do meu ódio sem
- 19:31fundamento. Que me ama e que sempre foi uma
- 19:34ótima avó. Ela fica chorando pros outros
- 19:37dizendo que eu maltrato ela, que ela é uma idosa sozinha no mundo
- 19:41depois que o filho morreu. Porque a mulher que ela sempre
- 19:44foi contra fez a minha cabeça para eu odiar a ela.
- 19:47O problema que ela finge muito bem.
- 19:51Ela chora, se faz de boazinha com todo mundo, então todo mundo
- 19:55acredita. Acham que ela é uma coitada, que
- 19:58nunca fez nada de errado e que as vilãs somos eu e a minha mãe.
- 20:02Depois disso eu quis ir embora daqui, mas a nossa situação
- 20:06financeira não permite e desde aquele dia eu não sei o que
- 20:10mudou, mas agora ela está desesperada para retomar
- 20:13contato. Ela diz que me ama, que ama a
- 20:17minha mãe, que a gente é tudo que ela tem e que ela não tem
- 20:20mais ninguém. Só que isso não é verdade.
- 20:23A família dela ainda vai ver ela.
- 20:25Eles ajudam com médico, ajudam com compras e tudo mais, porque
- 20:30eu me recuso. E mesmo eles fazendo tudo isso
- 20:34Por Ela, eu ainda escuto ela falando mal deles pra outras
- 20:38pessoas, inventando mentiras, igual ela sempre fez comigo e
- 20:43com a minha família. Eu emagreci mais de 45 kg em
- 20:47pouco tempo por causa da bariátrica.
- 20:49E ela inventou pros outros que eu estava grávida quando eu
- 20:52ainda estava gorda, mas que eu e meu marido não queria o filho.
- 20:57Então ela falou que a gente tinha dado a criança pra adoção
- 21:01pra todo mundo. A gente virou as piores pessoas
- 21:04do mundo. As pessoas me julgam muito por
- 21:07abandonar ela, dizem que ela é idosa e tudo mais.
- 21:11E eu fico me perguntando se eu estou errada.
- 21:13Eu sou mesmo a vilã, eu tenho que perdoar tudo que ela fez e
- 21:17relevar. Eu tô errada de querer ela fora
- 21:20da minha vida, as pessoas estão certas de me julgar como uma
- 21:24pessoa ruim, por isso eu tenho que tentar ser uma neta Pra Ela.
- 21:28Será que eu preciso repensar as minhas atitudes de excluir ela
- 21:32totalmente da minha vida e ignorar ela?
- 21:34Minha mãe perdoou tudo, ela ignora as coisas ruins, ela
- 21:39conversa com ela quando vem aqui em casa.
- 21:41É sempre boazinha, educada, solícita e mesmo assim eu escuto
- 21:46ela falando mal da minha mãe. Depois, eu tô nessa situação há
- 21:50anos e parece que eu não consigo me livrar.
- 21:53E eu me sinto culpada porque às vezes eu acho que eu devia ser
- 21:57mais como a minha mãe. Eu sei que eu tenho muitos
- 21:59motivos pra sentir raiva, mas a família do meu marido também
- 22:03acha que eu devia ser mais compreensiva, menos reativa.
- 22:07A minha mãe concorda e a nossa família também.
- 22:11Será que eu sou uma babaca? Será que eu devia levar em conta
- 22:14a família que Ela Foi criada, a idade, o fato de serem outros
- 22:18tempos, enfim, obrigada por me dar um espaço seguro pra pedir
- 22:23ajuda com essa história. Eu não tenho coragem de contar
- 22:26isso pra nenhuma amiga por medo de ser julgada também.
- 22:30Um beijo. AI gente, eu vou contar que é
- 22:34muito difícil ler uma história dessa.
- 22:37Eu respondi a Helô, é. Eu já vou dar meu veredito aqui,
- 22:43tá? Porque na primeira vez que eu
- 22:45olhei a história dela, eu já respondi.
- 22:47Então eu já vou dar um spoiler dos meus humildes, que eu acho
- 22:50que ela não é nem um pouco a babaca.
- 22:52E eu acho sim, que ela devia cortar qualquer contato com essa
- 22:55mulher. Mas vamos às perguntas que eu
- 22:58fiz Pra Ela e que ela me respondeu, tá bom, a primeira
- 23:01pergunta que eu faço depois daquela briga, você considera
- 23:04que cortou totalmente o contato ou ainda existe algum tipo de
- 23:08convivência forçada? Eu não falo com Ela E Eu não
- 23:11interajo, mas ainda existe uma convivência forçada porque ela
- 23:15mora na casa ao lado. Ela tá sempre chamando por mim
- 23:19ou pelo meu esposo, mas a gente quase nunca responde.
- 23:22Ela me liga constantemente, mesmo quando eu recuso.
- 23:26Ela não para até o atender e quando eu atendo, eu falo o
- 23:29mínimo possível. Tem pelo menos um mês que eu não
- 23:32falo com ela de verdade, mas quando ela liga a tarde da noite
- 23:36ou de madrugada. Eu atendo na hora porque eu fico
- 23:40com medo dela passar mal e depois acusar a gente de não ter
- 23:43socorrido ou isso acabar virando algum problema pra gente.
- 23:47Se você pudesse escolher livremente, sem julgamento
- 23:51externo, você manteria algum contato com ela?
- 23:55Não. Meu sonho é conseguir me mudar e
- 23:57fingir que ela não existe. E eu admito com certa vergonha
- 24:01que eu já imaginei mais de uma vez ela morrendo e a única coisa
- 24:05que eu senti foi Alívio. Como você se sente vendo a sua
- 24:09mãe continuar sendo próxima e boa com ela mesmo depois disso
- 24:13tudo? Eu me sinto como se tivesse
- 24:15deixando ela fazer papel de trouxa.
- 24:17Isso me irrita muito. A gente já brigou várias vezes
- 24:21por causa disso. Ela acha que eu sou radical, que
- 24:24eu tenho coração de gelo e eu acho que ela é tonta.
- 24:27Mas depois eu sempre fico pensando se ela não tem razão,
- 24:30se não sou eu que estou agindo mal em relação a tudo isso.
- 24:34Seu marido te apoia nessa decisão de manter distância?
- 24:38Sim, ele me apoia demais. Ele também evita qualquer
- 24:41contato com ela, como eu, e ele não suporta ela.
- 24:45Ele sente raiva por tudo que ela fez comigo ao longo da vida.
- 24:49Pela forma como ela me tratou e pelas mentiras que ela inventou
- 24:53sobre a gente. Mas mesmo assim, ela já caiu em
- 24:56casa 2 vezes e como a gente mora ao lado, fomos nós 2 que
- 24:59ajudamos e socorremos ela, apesar de tudo.
- 25:03Hoje sua mãe mora com você na casa vizinha da sua avó?
- 25:07Não, ela mora em outra cidade. Moramos só eu, meu marido e meus
- 25:11filhos pets. Qual a idade hoje de todo mundo?
- 25:15A Helô tem 34, que é a nossa ouvinte.
- 25:18Meu marido tem 39, minha mãe 63 e minha avó.
- 25:23Para ser honesta, eu não tenho certeza, mas acho que 82.
- 25:27Aí, gente, quando eu li essa história, eu, eu, nas conversas
- 25:31que a gente teve, eu falei, Helô, é o seguinte, você está
- 25:34pedindo opinião das pessoas. E por mais que eu peça sempre,
- 25:38né, pra para as pessoas serem gentis e ter cuidado com os
- 25:41comentários, não é todo mundo que é assim, a gente sabe que
- 25:44nem todo mundo comenta com cuidado.
- 25:46Então eu quis alertar ela. Falei, Lô, você está preparada?
- 25:49Porque nem sempre as pessoas, enfim, são gentis.
- 25:53Ela me responde, eu estou preparada sim.
- 25:56Eu sei como as pessoas são. E eu fico pensando que se a
- 25:59maioria das opiniões, principalmente da minha família
- 26:02e da família do meu marido, é de que a gente tá errado por querer
- 26:06ela fora da nossa vida, talvez isso seja um sinal de que a
- 26:10gente realmente tá sendo babaca, que a gente tá agindo errado.
- 26:14Eu até penso em repensar minhas atitudes, tentar ser mais
- 26:17empática, procurar uma forma de lidar com isso e manter algum
- 26:21tipo de contato. Ou até levar isso mais a fundo
- 26:24na terapia pra ver se eu consigo perdoar ela.
- 26:27Não sei. Às vezes eu penso que pode ser
- 26:30um sinal de que eu preciso melhorar como pessoa, que talvez
- 26:33eu seja rancorosa ou algo assim. Eu preferia não ter contato
- 26:37nenhum com ela, não vê mais ela não saber nada e nem deixar que
- 26:42ela saiba da minha vida. Se eu pudesse escolher, eu
- 26:45fingiria que ela nem existe e seguiria a minha vida em paz,
- 26:49longe de tudo isso. Só que essa opção não existe.
- 26:52Hoje a gente mora na casa ao lado e não tem como sair.
- 26:56Financeiramente não dá de jeito nenhum e ao mesmo tempo, ali é a
- 27:00minha casa. A gente não paga aluguel e tem
- 27:03uma segurança que é muito importante pra gente agora.
- 27:07Então o contato acaba sendo forçado por causa disso.
- 27:10Eu só falo com ela quando ela liga a tarde da noite, porque eu
- 27:13tenho medo dela passar mal e a família dela acusar da gente,
- 27:16negar Socorro e isso acabar virando um problema pra gente.
- 27:20A gente sabe que tem casos assim.
- 27:23Às vezes ela fica chamando da casa dela o dia inteiro.
- 27:27Quando a gente ignora e ela não para, eu e meu marido acabamos
- 27:31respondendo só Pra Ela parar. Mas não é uma conversa.
- 27:35A gente só pergunta se tá tudo bem, se ela tá passando mal, se
- 27:38precisa de ajuda. Se não for isso, a gente para de
- 27:41responder na hora. E geralmente depois disso ela
- 27:45entende que não vai mais ter resposta e para.
- 27:47Mas infelizmente ela percebeu que meu cachorro reage e late
- 27:51muito quando ela começa a gritar chamando a gente no muro.
- 27:54Então ela faz isso com frequência porque sabe que ele
- 27:57vai latir sem parar e isso incomoda.
- 28:00Isso estressa muito a gente e principalmente ele.
- 28:04Nem o cachorro gosta dela. Ele fica bem bravo toda vez que
- 28:08ela começa a gritar do outro lado do muro.
- 28:10Aí ela finaliza, OE mail, que ela me respondeu, muito obrigada
- 28:13pela resposta e por entender por não me julgar.
- 28:16Saber que mais alguém não acha que eu tô errada me conforta.
- 28:19Eu me sinto sempre como se eu tivesse sendo megera, uma pessoa
- 28:23sem coração, e não foi fácil seguir a vida com tudo isso.
- 28:27Só eu sei o quanto isso me doeu e ainda dói.
- 28:30Eu estou tentando cuidar de mim e da minha família e eu não vejo
- 28:33ela como parte disso ou como uma boa pessoa.
- 28:37Obrigada por compartilhar minha história com tanto respeito.
- 28:41Helô. Eu queria muito te dar um
- 28:43abraço, então eu espero que você sinta meu abraço muito apertado
- 28:46de longe e aí eu quero ser muito direta pra não ficar enrolando.
- 28:51EE, pra que isso entre na sua cabeça que você não tá nem um
- 28:56pouco errado em se afastar? E que você não está nem um pouco
- 29:00errado em cortar qualquer tipo de contato com essa pessoa.
- 29:03Eu te apoio 1000%. Eu te falei isso no primeiro
- 29:07e-mail e reitero aqui. Eu te apoio 1000% em você se
- 29:11afastar completamente dessa mulher.
- 29:14Porque é importante da gente entender que isso daqui não é
- 29:17uma briga isolada, que isso daqui não é um desentendimento a
- 29:21sua história. São anos de humilhação, de
- 29:25preconceito, de desrespeito, de abuso e não há quem aguente.
- 29:31E a gente não é obrigada a aguentar.
- 29:35Pode ser família, pode ser mãe, pode ser pai, pode ser irmão.
- 29:38Família não dá passe livre para fazer o que quer.
- 29:42Família não dá passe livre para te machucar.
- 29:45Sim, eu sinto muito do fundo do meu coração.
- 29:49Que você e a sua mãe tenham que ter passado por isso.
- 29:52A vida de vocês, gente, eu entendo que talvez se venha de
- 29:57outra época, mas isso também não é desculpa, sabe?
- 30:00A gente não pode usar isso como desculpa.
- 30:02Ah, é porque eu venho de outra época, tá bom?
- 30:04Só que a época mudou, a gente se informa, a gente sabe perpetuar
- 30:08o preconceito dela, não é não, é porque ela é uma idosa que tá
- 30:12tudo bem, gente, pessoas ruins também envelhecem.
- 30:17Desculpa eu estar te falando isso, tá?
- 30:20Mas sim, pessoas ruins também envelhecem.
- 30:22Não é porque é idoso, idosa, que virou um anjo.
- 30:25Então, se de outra época não justifica nada, explica, talvez,
- 30:29talvez, mas sabe, mas não justifica.
- 30:33E aí, um ponto importante que eu gostaria que você assim pensasse
- 30:36com muito carinho, é, ela nunca te deu carinho, ela nunca te deu
- 30:41afeto, ela nunca te deu amor, ela nunca cuidou de você, porque
- 30:46você deveria isso Pra Ela hoje. Você não deve nada, não é gente.
- 30:52Eu repito, não é porque a família que a gente deve ficar
- 30:55num lugar que machuca, porque agora você deveria oferecer
- 30:58exatamente tudo que ela não te deu.
- 31:02Não faz sentido. Então eu acho que você está
- 31:05certíssima em se afastar. Tem uma expectativa, eu acho
- 31:08muito forte de que a gente tem que estar presente, de que a
- 31:12gente tem que cuidar. De que?
- 31:14AI, nossa, mas é uma senhora de idade.
- 31:16Mas ninguém fala os anos de abuso e de preconceito que você
- 31:21passou. Ninguém fala como você se
- 31:23sentiu. Ninguém fala sobre como é.
- 31:26Essa relação com a sua avó te afetou ao longo do tempo?
- 31:28Você e a sua mãe também. Então, não, você não deve
- 31:31vínculo emocional, você não deve cuidado com uma pessoa que só te
- 31:35machucou a vida inteira. E não é que ela para aí, né?
- 31:38Não é que sei lá, alguma coisa que ela fez te machucou, porque
- 31:42sei lá, coisas assim, normais de família que às vezes acontece,
- 31:46não difamou seu marido, sabe, foi racista, preconceituosa, a
- 31:51vida inteira com você e com a sua mãe.
- 31:53Isso não é coisa pequena. Eu acho que se aguentou muito e
- 31:56ainda está sendo muito simpática.
- 31:59E as pessoas também. Elas julgam a partir da versão
- 32:02que elas conhecem da sua vó e não da versão que você viveu.
- 32:07Eu não sei se esse é o melhor conselho que eu posso dar, mas
- 32:10assim, talvez pra se existir, se existe alguém te enchendo o saco
- 32:14falando AI se devia cuidar dela, eu colocaria ir pro mundo.
- 32:18A minha versão é então, mas é que quando eu cresci eu ouvi
- 32:21isso, isso, isso e isso. Ela sempre me tratou assim,
- 32:24assim, assim, assim. Minha vó é racista, minha vó
- 32:26nunca aceitou minha mãe. E aí você pergunta, você
- 32:30ajudaria alguém assim? Se a pessoa falar, Ah, ajudaria,
- 32:32então vai lá você ajudar você não é obrigada, eu não quero
- 32:38assim. Eu queria muito tirar de dentro
- 32:40de você essa culpa que você sente, essa culpa não, não tem
- 32:44que estar aí, ela não precisa estar aí.
- 32:47Eu entendo que a gente cresceu ouvindo que família a gente tem,
- 32:50mas não tem gente, a gente não é obrigado só porque é família a
- 32:54aturar tudo de cabeça baixa e dizer amém e cuidar não é assim.
- 32:59E eu acho que assim, a sua mãe é você e a sua mãe.
- 33:02Vocês têm respostas diferentes, né?
- 33:05Pro mesmo abuso e pra pro mesmo preconceito que vocês sofreram
- 33:09ao longo dos anos. Você e a sua mãe são estratégias
- 33:12diferentes de sobrevivência também, sabe porque?
- 33:16Que bom que o seu pai te ensinou a falar e eu te admiro muito por
- 33:20causa disso. Eu acho que tem que ser assim
- 33:21mesmo, tem que falar mesmo. Mas talvez a sua mãe estava em
- 33:24outro momento, em outra época também, que ela não sentia.
- 33:29Às vezes ela nem nem sente que ela pode, às vezes ela nem sente
- 33:32que ela pode responder, entendeu?
- 33:34É uma estratégia de sobrevivência dela.
- 33:37Você está decidindo por um Ponto Final e não querendo mais se
- 33:40envolver. E eu acho que você está
- 33:41corretíssima. E a sua mãe foi a forma, assim
- 33:45que ela encontrou, de sobreviver há anos de preconceito e de
- 33:49abuso por alguém da família dela.
- 33:51Bem ou mal também, né? Porque era a família do seu pai.
- 33:54Então, Helô, eu. Queria só te dizer que eu não te
- 33:58acho a babaca. Eu vou deixar aí nos
- 34:01comentários, né? Como vocês sabem, nenhuma
- 34:03história fica completa sem o comentário de vocês.
- 34:06Então deixem aí os seus humildes, por favor.
- 34:09Com muito respeito e empatia, eu peço, juro do fundo do meu
- 34:12coração, mas eu não acho que você tá errada.
- 34:15Eu acho que você quer colocar um Ponto Final em uma história de
- 34:19dor que te causou dor desde que no começo da sua história ser
- 34:24próprio, fala. Começou muito antes de eu
- 34:27nascer, então eu acho que sim, tem que pôr Ponto Final, não
- 34:31acho que tem que fazer nada, não acho que tem que se envolver.
- 34:34E aí eu fiquei pensando assim numa estratégia, eu não sei se
- 34:36faz sentido pra você, enfim, mas eu entendo que é você não quer
- 34:43se envolver, você não quer ajudar e eu acho que você está
- 34:45certíssima, tá? Mas talvez pra não cair isso em
- 34:49cima de vocês, do de você e do seu marido, né?
- 34:51Pra vocês morarem do lado dela. O que eu IA sugerir?
- 34:55Não sei se faz sentido, gente, se vocês tiverem aí outras
- 34:57sugestões também, Bora deixar nos comentários, eu entraria em
- 35:01contato com a família dela. Ó fulano e fulano e fulano e
- 35:05fulano é o seguinte, ela está aqui, ela está cada vez mais
- 35:09idosa, ela está cada vez mais precisando aqui de um suporte.
- 35:13Eu e meu marido não conseguimos e não se explique, não precisa
- 35:18explicar, AI não consigo porque tal não, não consigo explicar.
- 35:22Eu e meu marido a gente não consegue.
- 35:23Eu já queria deixar aqui muito claro, então eu sugiro o quê de
- 35:26vocês colocarem uma cuidadora aqui com ela ou colocar um botão
- 35:30de emergência. Se ela cai, ela aperta, coloca a
- 35:32câmera na casa dela, aí você tira o seu corpo, você não
- 35:36precisa ficar nisso, entendeu? Porque eu também imagino que é
- 35:39um saco você preocupada, você ainda se preocupa, né?
- 35:43Mas que não precisa se preocupar.
- 35:45Tá assim, gente, é muito uma opinião.
- 35:47Eu, pessoal, minha Isabela, talvez pessoas pensem diferente
- 35:51de mim, mas eu acho que assim entendo esse seu cuidado que
- 35:54você quer ter com ela. AI se ela cair, eu sei que é
- 35:56complicado mesmo, mas joga isso na responsa dos outros.
- 36:02Joga na responsa dos outros, ó, só tô querendo dizer que ela vem
- 36:05me chamar, não consigo dar atenção, meu marido também não
- 36:07consegue dar atenção. Eu sugiro vocês colocarem uma
- 36:11câmera na casa dela pra ver se ela tá bem, um botão de
- 36:13emergência e eventualmente um cuidador, uma cuidadora pra pra
- 36:17dar um suporte Pra Ela, porque se alguma coisa acontecer e aí
- 36:21você se faz meio desentendida, porque aí como eu trabalho
- 36:24muito, não tô aqui, não consigo ouvir ela não, não consigo ouvir
- 36:28o que ela quando ela me chama. Se acontecer alguma coisa, eu só
- 36:31queria deixar claro que eu realmente não consigo ajudar.
- 36:35É o que eu faria, talvez muito drástica, talvez, talvez tenha
- 36:40gente que me metralha aí nos nos comentários, talvez, mas para
- 36:44mim não dá desculpa, para mim não dá.
- 36:48É babaca, você não é nem um pouco babaca.
- 36:50Acho que você está priorizando a sua saúde mental, a sua saúde
- 36:53emocional e você está apenas devolvendo.
- 36:58O que você teve ao longo da vida que foi nada, então se você não
- 37:02teve nada dela, só teve coisa ruim, então é isso.
- 37:05Então muito obrigada, tchau, tchau.
- 37:07E ouso dizer que ela só tá agora tentando um contato, não sei o
- 37:11quê, e blá blá blá, porque ela tem medo de ficar sozinha, já
- 37:16que todo mundo aí foi seguir sua vida.
- 37:18E gente, eu acho que esses são os meus humildes dessa história.
- 37:22Eu não sei o que vocês acham. Helô, um grande abraço, você é
- 37:26uma queridíssima. Eu espero muito.
- 37:29Você já está na terapia. Eu fico muito feliz.
- 37:31Eu espero que a terapia continue te ajudando e talvez te ajude a
- 37:36entender que não tem porque ter culpa, não tem e também não tem
- 37:40que ter essa ideia de perdoar. AI vou perdoar, sabe?
- 37:43Assim, se você quiser perdoar, que seja por você, para você
- 37:46deixar essa história para trás e mas.
- 37:49Sabendo que a gente às vezes a gente pode perdoar e não querer
- 37:52nenhum contato com a pessoa. Perdoar não quer necessariamente
- 37:55dizer que você vai esquecer e vai perdoar.
- 37:57AI que lindo, que maravilhoso. Agora vamos ser aqui melhores
- 37:59amigas, porque eu acho que ela não é capaz disso, sinceramente,
- 38:04então é isso, eu espero que os meus conselhos tenham te
- 38:07ajudado, não sinta culpa se isso fizer sentido pra você, eu acho
- 38:11que é melhor. É estratégia, é falar com a
- 38:15família dela e falar ó, então só para dizer, ela tá ficando mais
- 38:18idosa, tá precisando de mais de cuidado, dá um jeito aí, porque
- 38:21eu realmente não consigo ajudar. Beijo, tchau, você tira essa
- 38:24culpa da sua, das suas costas. E gente, lembrando que racismo é
- 38:29crime, tá bom, racismo é crime, injúria racial é crime e também
- 38:34o que ela fez com o seu marido também, né?
- 38:37Difamação também é crime. Só para finalizar aqui.
- 38:43E é isso, gente. Eu queria que vocês deixassem
- 38:46aí, os seus humildes. Pra Helô, se alguém tiver em uma
- 38:49outra estratégia que ela possa fazer, dessas que eu dei, aí
- 38:52também não sei. Eu acho que é que é também
- 38:54melhor você se precaver de qualquer problema que isso, que
- 38:58o fato de você negar Socorro possa cair sobre você.
- 39:02Então eu já faria isso. Se alguém tiver mais alguma
- 39:04ideia, deixem aí nos comentários.
- 39:06Lembrando por favor, pra você seguir o podcast no Spotify,
- 39:11inscreva se no canal no YouTube dê as 5 estrelinhas também lá no
- 39:14Spotify, por favor, siga também as redes sociais que estão na
- 39:17descrição do episódio. E se você quer mandar sua
- 39:20história pra ser lida e comentar daqui, é só mandar pro e-mail o
- 39:23que tá na descrição. Compartilha com quem você acha
- 39:26que vai curtir também? E gente, por hoje é só eu.
- 39:31Espero muito que vocês tenham gostado do episódio de hoje.
- 39:35A gente se vê no próximo episódio, tchau, tchau.