Latest / InovaTec Update / Material inspirado em asas de borboleta aguenta impacto e absorve radar e ruído
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- InovaTec Update. Um pouco de amanhã no seu hoje. Mecânica. Material inspirado em asas de borboleta aguenta impacto e absorve radar e ruído. Da redação do site Inovação Tecnológica, publicado em 28 de outubro de 2026. Quem já encarou uma viagem longa de avião conhece aquele ronco grave dos motores que não para nunca. Silenciar esse barulho é só um dos desafios de quem projeta aviões, trens de alta velocidade e carros elétricos. E vencer todos esses desafios ao mesmo tempo costuma custar muito espaço e muito peso. São três exigências. A estrutura precisa ser resistente, para proteger os passageiros num acidente. Precisa bloquear a radiação eletromagnética, que pode prejudicar os eletrônicos de bordo. E precisa abafar o ruído. Hoje, a saída é empilhar camadas coladas: uma armação grossa de metal, um revestimento que absorve ondas e uma espuma acústica volumosa. O conjunto pesa, gasta mais combustível e, com o tempo, a cola se desgasta e as camadas tendem a se soltar. Agora, Jianbin Feng e colegas do Instituto de Tecnologia Harbin, na China, apresentaram uma alternativa. Eles criaram um metamaterial, ou seja, um material cujas propriedades vêm sobretudo da forma da sua estrutura interna. Ele tem menos de dois centímetros e meio de espessura, dispensa a cola e cumpre as três funções de uma vez. O trabalho saiu na revista International Journal of Extreme Manufacturing. A dificuldade sempre foi um conflito entre ar e massa. Para absorver som e deixar as ondas eletromagnéticas entrarem, em vez de refletirem, o material precisa de muitos espaços vazios. Mas um painel cheio de buracos perde a resistência. Já um painel maciço reflete o som como uma parede e as ondas como um espelho. A inspiração veio das asas de borboletas e mariposas. Elas são cobertas de escamas microscópicas, com uma arquitetura que controla a cor, atenua sons agudos e continua leve e firme durante o voo. Os pesquisadores copiaram essa organização em camadas, uma dentro da outra. No lugar das estruturas em forma de colmeia, com cantos vivos que se quebram de repente, a nova peça tem caminhos curvos e suaves, chamados giroides. Eles espalham a força por todo o material. Em vez de partir, ele se deforma de maneira ordenada, como uma almofada, e absorve quase vinte e duas vezes mais energia de impacto do que uma colmeia comum de mesmo peso. Num teste, uma amostra de setenta e quatro gramas foi colocada sob o pneu de um carro e aguentou mais de quatrocentos quilos num dos cantos sem rachar. Para capturar as ondas de radar, o interior recebeu uma pasta de nanotubos de carbono, que são tubinhos minúsculos que conduzem eletricidade, e negro de fumo, uma espécie de fuligem. As ondas entram, ricocheteiam centenas de vezes nesse labirinto e acabam virando calor. Em quase toda a ampla faixa de frequências testada, a estrutura absorve mais de noventa por cento da energia que chega. Para o som, cada célula ganha uma pequena tampa furada. O ar que vibra entra pelo furo, se atrita nas paredes internas e perde energia. Assim, o material captura noventa por cento do som grave típico das cabines de aviões turboélice. A equipe também criou um sistema de computador para desenhar versões sob medida para cada uso, o que pode facilitar a chegada do material a aplicações reais. Essa notícia foi publicada no site Inovação Tecnológica, um serviço jornalístico especializado em divulgação científica e tecnológica, o maior em língua portuguesa e no ar desde 1999. Você pode ler esse artigo e muitos outros acessando o link na descrição deste episódio. A narração do InovaTec Update usa voz sintética, gerada por inteligência artificial.