Latest / SuinoCast · by PPGVET / Dra. Andressa Formigoni: Energia Líquida na Nutrição dos Suínos | Ep. 294
Transcript
- 0:00O excesso de aminoácidos tem que ser catabolizado e isso gera um
- 0:04grande gasto de energia. E além disso, além desse gasto
- 0:08de energia nessa catabolização, o animal acaba reduzindo o
- 0:12consumo de alimento. E com essa redução do consumo de
- 0:16alimento, ele deixa de estar consumindo outros nutrientes que
- 0:21são importantes para a sua produção.
- 0:24Está no ar o primeiro podcast da suinocultura brasileira, o
- 0:28Suinocast. O Suinocast só é possível
- 0:35através do apoio de empresas inovadoras e que apoiam a
- 0:38educação continuada na suinocultura brasileira.
- 0:42Alga Prime DHA da Cordon, o ômega-três de algas para a
- 0:45nutrição suína. Seva, sempre com você, além da
- 0:51saúde animal. DSM Firmenich, moldando o futuro
- 0:57dos cuidados com suínos. TopGen, onde você encontra as
- 1:02matrizes mais completas do mercado.
- 1:04A excelência está no nosso DNA. Polinutri Nutrição Animal.
- 1:10Juntos vamos mais longe. Olá pessoal, vamos para mais uma
- 1:15edição do Suinocast. Meu nome é Vinícius Cantarelli,
- 1:18sou o host dessa plataforma e sempre convidamos convidados
- 1:22especiais. Hoje eu estou aqui com a
- 1:23Andressa Firmigoni, professora da UF.
- 1:26Ela vai contar um pouco da sua história e vamos para um tema
- 1:29bem interessante, bem interessante e aplicável, que
- 1:31nós estamos precisando de entender mais, acredito eu, e
- 1:36vocês vão entender por que a gente convidou a Andressa.
- 1:39Ela tem uma experiência bem interessante sobre esse tema.
- 1:42Vamos falar de energia líquida e suas relações com alguns tópicos
- 1:46da nutrição bem interessantes, como granometria, eletrização,
- 1:50uso de enzimas. Então hoje o papo é bem
- 1:53interessante, principalmente para os nutricionistas.
- 1:56Andressa, muito obrigado por esse convite.
- 1:58Eu queria que você contasse um pouco da sua história na
- 2:00suinocultura, como é que você entrou na suinocultura e chegou
- 2:03até a UF. Obrigado mais uma vez.
- 2:07Oi Vinícius, eu que agradeço o convite, estou muito feliz em
- 2:10estar participando aqui do Senocast.
- 2:13Bom, eu sou do interior do Mato Grosso e fiz minha graduação no
- 2:18Mato Grosso do Sul e eu sempre quis trabalhar com animais, só
- 2:22que lá na região o que predomina é o bovino de corte, então
- 2:26quando eu entrei na graduação em zootecnia, Eu entrei querendo
- 2:30trabalhar como bovina de corte. Inclusive, iniciei estágios lá
- 2:35na minha casa. Nós comíamos carne bovina todos
- 2:39os dias, de vez em quando, o frango.
- 2:41E eu não tinha costume de comer carne suína.
- 2:45Porém, na graduação, eu acabei conhecendo outras espécies,
- 2:50entre elas os suínos, e acabei gostando.
- 2:54Gostei bastante. Eu fui bastante incentivada pelo
- 2:59professor de suinocultura lá da UFMS.
- 3:04Durante a graduação, consegui um estágio em Viçosa.
- 3:08Aí eu fiz no FV. Gostei mais ainda.
- 3:11Aí voltei para Campo Grande sabendo que era a área que eu
- 3:15queria seguir. E logo fui fazer o mestrado.
- 3:19Queria seguir para o mestrado. E voltei para Viçosa, fiz o
- 3:23mestrado. mas eu queria trabalhar em empresa, e aí eu
- 3:27queria ir para a cidade grande, porque eu achava que a cidade
- 3:30grande ia me dar mais oportunidade, aí eu fui fazer o
- 3:33doutorado na UFMG, fiz doutorado com nutrição de suínos, que foi
- 3:37justamente com energia, né, mas acabei seguindo para a área da
- 3:42docência, aí eu fui professora substituta em UEMS, na UFMS
- 3:47também, que foi onde eu me formei, e hoje sou professora
- 3:51aqui da UF, desde É assim que eu entrei na área da suinocultura,
- 3:58que é a minha paixão hoje. Alga Prime DHA da Corbion.
- 4:03O Ômega-III DHA, a base de algas para a nutrição de suínos em
- 4:07todas as fases de crescimento. Adicioná-lo às rações está mais
- 4:11fácil do que nunca. Acesse direto a fonte original
- 4:15de Ômega-III DHA e aproveite todos os benefícios.
- 4:19É melhor para o planeta, com impacto zero nos oceanos e baixa
- 4:23pegada de carbono. E é fácil de usar.
- 4:25A biomassa de algas altamente concentrada é adequada para
- 4:29múltiplas aplicações. Saiba mais em corbium.com.
- 4:35Interessante. Eu te ouvindo aqui, Andressa, eu
- 4:38me lembro da minha história, que também entrei na zootecnia para
- 4:45trabalhar com bovinho de corte. E eu fiquei um semestre tentando
- 4:51me engajar em algum projeto de bovino de corte e nem imaginava
- 4:55trabalhar com suínos. Até que um dia surgiu a
- 4:58oportunidade de um estágio no setor de suínos aqui da Ufla,
- 5:02né? E me apaixonei também.
- 5:04Aí é o que a gente brinca, né? Um mosquitinho da suinocultura
- 5:07nos picou e aí a paixão é irrecusável, né?
- 5:12Mas legal, legal. Então você já teve uma
- 5:14experiência bem legal em diferentes universidades, e
- 5:17agora está aí na UF. A gente estava conversando um
- 5:20pouco antes aqui, pessoal. E nós escolhemos o tema que a
- 5:26Andressa trabalhou bastante, que eu acho muito interessante.
- 5:29A gente conversou antes nos bastidores, Andressa, sobre
- 5:32diferentes temas que a gente poderia trabalhar.
- 5:35E aí quando ela falou desse tema, eu falei assim, vamos
- 5:38trabalhar isso. E aí eu já quero te... provocar
- 5:45a você introduzir esse assunto. A energia líquida, a gente
- 5:51conversa com alguns colegas nutricionistas e tem alguns que
- 5:56já estão migrando, já migraram um tempo, outros ainda têm uma
- 5:59resistência, outros dizem que na prática é um pouco mais
- 6:03complicado, até mesmo por uma série de fatores, falta de
- 6:06informação e tal, falta de informação de diferentes
- 6:09ingredientes na hora da formulação.
- 6:12E para uma primeira pergunta, eu queria que você, na verdade, uma
- 6:14provocação, que você nos contextualizasse um pouco sobre
- 6:18a importância da energia líquida, se você quiser abordar,
- 6:22obviamente, energia metabolizável, o mundo da
- 6:24energia dentro da nutrição, de suínos principalmente, para a
- 6:28gente depois entrar nos tópicos mais específicos.
- 6:33Então, na nutrição de animais de produção, é fundamental ter
- 6:37estimativa do quanto a energia contida nos alimentos vai ser
- 6:41retida na forma de produto animal.
- 6:44Aí, com isso, vai ser possível fazer algumas manipulações nas
- 6:48rações, buscando aumentar o aproveitamento energético dos
- 6:51alimentos. Aí, assim, a gente consegue
- 6:54melhorar o desempenho dos animais, minimizar o custo com a
- 6:57alimentação, que a gente sabe que é a parte mais onerosa do
- 7:00sistema de produção de suínos. E além disso, reduzir a excreção
- 7:05de nutrientes no ambiente. A energia da ração é obtida pela
- 7:10interação de todos os nutrientes dos alimentos, só que nem toda
- 7:14energia consumida no alimento vai ser transformada em produto
- 7:18animal. Parte dela vai ser perdida nas
- 7:22fezes e urina, sobrando então a energia metabolizável.
- 7:27Então, quando nós formulamos ração utilizando os valores de
- 7:31energia metabolizável do alimento, nós não estamos
- 7:34considerando aquela energia gasta na forma de calor inerente
- 7:39aos processos digestivos e metabólicos dos nutrientes, que
- 7:44é o incremento calórico. Já a formulação de ração baseada
- 7:49nos valores de energia líquida, essa sim é mais precisa para
- 7:52expressar a energia útil dos alimentos, porque essa energia
- 7:57vai considerar a quantidade de calor produzido como incremento
- 8:00calórico. A quantidade de calor produzida
- 8:04pelos animais durante os processos de digestão, absorção
- 8:10e metabolismo é diferente entre os nutrientes.
- 8:13Então, dietas com diferentes composições, como teorias de
- 8:16proteína, lipídios, carboidratos fibrosos ou não fibrosos, enfim,
- 8:21eles vão apresentar variações sobre a eficiência energética da
- 8:25ração. Então, a energia metabolizável
- 8:30vai expressar o potencial energético do alimento, enquanto
- 8:34que a energia líquida vai expressar, vai ser a energia
- 8:40realmente útil do alimento, em que o animal vai utilizar parte
- 8:44dessa energia útil para sua manutenção e a outra parte vai
- 8:48ser retida na forma de produto animal.
- 8:51Nesse caso, então, quanto menor for a taxa metabólica do animal,
- 8:56menor será a produção de calor por ele produzido, logo, a
- 9:00eficiência alimentar do animal vai ser melhor, porque vai ter
- 9:03maior quantidade de energia disponível para o ganho.
- 9:08Excelente! Entre os constituintes
- 9:11orgânicos, o incremento calórico dos carboidratos vai variar de
- 9:18acordo com a sua composição. Os carboidratos não fibrosos
- 9:21apresentam baixo incremento calórico, porque vai ter pouco
- 9:25gasto de energia para a sua digestão.
- 9:28Carboidratos fibrosos já apresentam alto incremento
- 9:31calórico, porque os processos metabólicos representam alto
- 9:35gasto energético para os suínos. Os lipídios já apresentam baixo
- 9:40incremento calórico. É importante porque eles podem
- 9:43melhorar a utilização de energia e digestibilidade de outros
- 9:46componentes da ração. Além disso, eles são potentes
- 9:49inibidores do esvaziamento gástrico, e isso é importante no
- 9:54controle da taxa de passagem de alimentos e melhora a utilização
- 10:00desses alimentos. E a proteína bruta, ela
- 10:04apresenta alto incremento calórico.
- 10:06Então, dietas formuladas com alta quantidade de proteína
- 10:10bruta, o seu excesso de aminoácidos tem que ser
- 10:14catabolizado e isso gera um grande gasto de energia.
- 10:18E além disso, além desse gasto de energia nessa catabolização,
- 10:23o animal acaba reduzindo o consumo de alimento.
- 10:27E com essa redução do consumo de alimento, ele deixa de estar
- 10:29consumindo outros nutrientes que são importantes para a sua
- 10:34produção. Nesse caso, então, uma
- 10:36alternativa seria formular rações com base no conceito de
- 10:41proteína ideal, com suplementação de aminoácidos
- 10:44sintéticos, para poder diminuir esse incremento calórico
- 10:50promovido pela proteína bruta. Excelente.
- 10:55Se a gente for pensar, Andressa, na prática, você explicou muito
- 11:00bem e citou quais são os fatores nutricionais que irão impactar
- 11:07no maior ou menor incremento calórico.
- 11:10Se a gente pensar nesses três fatores, proteína, lipídio e
- 11:16fibra, a gente entende que a energia líquida é deve ser um
- 11:22fator muito importante a ser considerado nas dietas.
- 11:25Por quê? Ora você tem uma dieta com mais
- 11:27fibra, ora você tem uma dieta com mais proteína, ora você tem
- 11:31uma dieta com mais lipídio. E eu gostaria aqui de
- 11:34incrementar a nossa conversa técnica, ou incrementar não, mas
- 11:42sim citar um exemplo que é recente e que não tem mais
- 11:46volta, por exemplo, que é o uso de DDGS.
- 11:51E DDGS tem alta fibra, alta proteína comparada ao milho,
- 11:57inclusive tem os high protein e lipídio.
- 12:03Então, usando esse ingrediente como exemplo, mas também não
- 12:06deixando de dar exemplos de outras dietas, por exemplo, a
- 12:09hora você tem na terminação uma dieta mais fibrosa ou não.
- 12:13Aproveitando ainda a questão da fibra, mais recentemente a gente
- 12:16tem cada vez mais visto a importância do uso de fibras,
- 12:19não só para fêmeas em gestação, para fêmeas em lactação, para
- 12:22animais em crescimento e terminação, até mesmo para
- 12:25creche. Nesse sentido, qual é a tua
- 12:30recomendação prática para quem ainda não está atento à
- 12:38formulação de dieta baseada em energia líquida?
- 12:42Pensando nesses fatores, nós estamos vindo com ingredientes,
- 12:44o exemplo que eu dei do DDGS, você deu o exemplo de proteína
- 12:50ideal, mas na prática nem sempre a gente consegue formular com
- 12:54proteína ideal, a gente ouve de colegas nutricionistas que em
- 12:58alguns casos, baixando a proteína, você tem algumas
- 13:02perdas, e a gente sabe a importância dos aminoácidos não
- 13:05essenciais. Como é que você vê toda essa...
- 13:09esses fatores influenciando na hora de uma tomada de decisão de
- 13:13uma formulação prática, uma formulação prática de campo.
- 13:19Então, existem algumas alternativas que a gente pode
- 13:22estar utilizando na ração mesmo. A formulação de ração é baseada
- 13:31principalmente em milho e farelo de soja, porém podem ser
- 13:35utilizados outros alimentos alternativos.
- 13:40Só que mesmo o milho imperado de soja, eles não são totalmente
- 13:44digeridos pelos suínos. Eles apresentam fatores
- 13:47antinutricionais e constituintes de baixa digestibilidade.
- 13:50O milho, por exemplo, ele apresenta uma matriz proteica
- 13:56que encapsula o milho e vai dificultar o acesso das enzimas
- 14:00digestivas a esse nutriente. E também tem os fatores
- 14:03antinutricionais, como inibidores de proteases, que vão
- 14:06se ligar às enzimas proteolíticas, tornando elas não
- 14:10funcionais. Enfim, entre outros, e com
- 14:14alimentos alternativos, isso pode ter outros problemas,
- 14:19agravar os problemas. Então, uma forma que daria para
- 14:27fazer a campo seria a redução do tamanho da partícula.
- 14:33Por quê? O que acontece?
- 14:35A eficiência da digestão e o aproveitamento da energia dos
- 14:39alimentos podem ser influenciados pelo tamanho da
- 14:42partícula. Com a partícula menor, com essa
- 14:46redução do tamanho da partícula, vai aumentar a área de
- 14:48superfície que vai ser exposta dos cereais, vai ser exposta às
- 14:53secreções digestivas. Então, com a moagem, vai ocorrer
- 14:59a ruptura do revestimento interno da semente e a exposição
- 15:04do sangue do asperma. Por aumentar a área de
- 15:08superfície de contato por unidade de massa, isso vai
- 15:11facilitar a difusão e a ação das enzimas digestivas.
- 15:16Então vai ter um menor gasto energético na forma de
- 15:19incremento calórico, além de ter maior disponibilidade dos
- 15:23nutrientes que antes estavam indisponíveis.
- 15:28E também pode aumentar o tempo de passagem do alimento no trato
- 15:33gastrointestinal. Isso é uma forma.
- 15:38Uma outra forma também seria o processo de piletização, que é a
- 15:41transformação da ração emparelada em piletizada, porque
- 15:45o processo de piletização vai aumentar a digestibilidade dos
- 15:50nutrientes por meio da ação mecânica e da temperatura do
- 15:54processo. Vai ocorrer, entre aspas, um
- 15:57pré-cozimento das paredes celulares e isso vai desagregar
- 16:02os grânulos de amilose e a melopectina do amido causando a
- 16:06gelatinização parcial. E isso vai acelerar a ação
- 16:10enzimática das amilases que vão hidrolisar a molécula do amido.
- 16:17Excelente. Eu concordo contigo que são...
- 16:24pontos que a gente tem que trabalhar na prática, que podem
- 16:28facilitar essa equação aí, dessa diferença de formulação entre
- 16:33energia metabolizável e energia líquida, ou seja, não
- 16:35considerando a energia líquida. Dentro desses tópicos que você
- 16:40comentou de granometria e eletrização, que eu acho muito
- 16:45importante, não só do ponto de vista teórico, mas especialmente
- 16:48prático, existe muitas dúvidas ainda em relação a que
- 16:51granulometria que é o ajuste para as diferentes fases.
- 16:56Da peletização também, peletizo ou não peletizo, e tem vários
- 16:59fatores, não é só a questão da energia líquida, custo,
- 17:03processamento, operação, enfim. Mas da granulometria, conta um
- 17:09pouco da tua experiência que você teve nos estudos, você nos
- 17:13contou que fez estudos com câmera respirométrica,
- 17:17relacionando crânulometria e energia líquida.
- 17:20Como é que foi essa experiência? Conta um pouco para nós esses
- 17:23resultados. Então, os meus tratamentos foram
- 17:29ração aparelada com DGM, que é o diâmetro de metro médio, de
- 17:34seiscentos e quatorze microns, ração aparelada com DGM de
- 17:39oitocentos e oitenta microns, ração teletizada fina, que eu
- 17:45utilizei a ração farelada fina, com DGM de seiscentos e quatorze
- 17:49microns, e o pellet, ele era fino, e a ração pelletizada
- 17:53grossa, que ela foi, que eu utilizei a ração grossa, né, com
- 17:58DGM oitocentos e oitenta e oito microns, que era o pellet mais
- 18:02grosso, tá? E era, Andressa, era um fatorial
- 18:05dois por dois, ou não? Não, na verdade, eu fiz a
- 18:10comparação de média de todos os tratamentos, Tá, tá.
- 18:14Então, na verdade, você moeu os milhos a seiscentos e quatorze e
- 18:17oitocentos e oitenta e fez farelada e peletizada.
- 18:21Exatamente. Aí depois eu comparei todos os
- 18:24resultados, todas as médias. Tá, joia.
- 18:26Tá. Aí, o...
- 18:30O tamanho da partícula e a forma física da dieta influenciaram os
- 18:34valores de energia metabolizável das dietas, em que a ração
- 18:39farelada fina, a pelletizada fina e a pelletizada grossa,
- 18:43elas apresentaram valores melhores de energia
- 18:46metabolizável em relação à farelada grossa.
- 18:50Porém, na energia líquida, não houve diferença estatística, mas
- 18:56houve... Houve uma diferença, sim.
- 19:04Numérica, né? Visual.
- 19:05Numérica, isso. Diferença numérica.
- 19:08Mas se nós fôssemos considerar esse comportamento dos
- 19:12resultados, nós poderíamos dizer que o fato de ter moído mais
- 19:18finamente, próximo a seiscentos, tira a necessidade de você
- 19:26peletizar? Pensando do ponto de vista de
- 19:28energia, tá? pode tirar a necessidade de
- 19:31pelletizar até porque o processo de pelletização é um processo
- 19:37caro. Então, o produtor, para
- 19:39pelletizar, tem que avaliar o custo-benefício dessa
- 19:42pelletização. Tem um alto custo com energia
- 19:46elétrica e acaba tornando mais oneroso.
- 19:49Então, nesse caso... Com essa diferença, apesar de
- 19:57que a ração farelada fina apresentou numericamente menor
- 20:02energia metabolizável em relação às duas peletizadas, ainda assim
- 20:07poderia ser utilizada a farelada fina sem peletização, por ser
- 20:13valores semelhantes. Tá.
- 20:16É, na verdade... Eu entendo que você, a de
- 20:20oitocentos e oitenta, você quis ir para um nível assim, para um
- 20:26diâmetro geométrico médico que realmente tivesse diferença, ou
- 20:31seja, a energia fosse menor. Nós fizemos um trabalho aqui na
- 20:34UFLA também na época, pensando em todo esse conceito de
- 20:38desencapsulamento do amido com DGM de quinhentos e cinquenta e
- 20:44oitocentos e cinquenta. nós, claro, tivemos diferença na
- 20:47energia, mas nós entramos num tema muito específico, que era a
- 20:51cinética de digestão do amido. Nesse sentido, você acha que,
- 20:58assim, granometrias, vamos pensar assim, o que a gente tem
- 21:05ouvido de alguns colegas da agroindústria, granometrias
- 21:09abaixo, para animais em crescimento e terminação, vamos
- 21:11imaginar, Abaixo de seiscentos, você acha que ainda existe
- 21:14espaço? Planometrias de quatrocentos e
- 21:17cinquenta, abaixo de quinhentos micras para crescimento e
- 21:22terminação? Eu li alguns trabalhos que
- 21:25quando a periodização é muito, quando o milho é muito moído, a
- 21:29periodização... A moagem muito baixa pode causar
- 21:34problemas, distúrbios metabólicos nos animais.
- 21:37Mas assim, não sei detalhar exatamente.
- 21:42E também acredito que tenha maior gasto da produção, né?
- 21:48Operação, né? Isso.
- 21:51Na operação. A experiência que nós tivemos
- 21:53aqui, assim, na granulometria de quinhentos e cinquenta micras,
- 21:57realmente nós tínhamos, num primeiro estudo que nós fizemos,
- 21:59uma conversão alimentar melhor, no estudo de digestibilidade, a
- 22:02digestibilidade era melhor, a energia metabolizável melhor,
- 22:05maior. No entanto, no segundo estudo,
- 22:08nós trabalhamos em cima do conceito de cinética de digestão
- 22:12de amido, somado a aproveitamento de aminoácidos na
- 22:17mucosa intestinal. Então, é um trabalho que a gente
- 22:21queria explorar, o quanto que eu consigo suprir a demanda de
- 22:26energia na mucosa intestinal pela glicose dietética, que vem
- 22:31do amido. Dessa forma, eu iria poupar
- 22:35aminoácidos para o metabolismo intermediário.
- 22:38De fato, deu certo. Uma agronometria um pouco mais
- 22:40grosseira, ela tem uma cinética de digestão de amido mais lenta,
- 22:45não tem pico de insulina, respeita a cinética de síntese
- 22:49proteica, e sobra mais aminoácidos para o metabolismo
- 22:53intermediário, porque você usa glicose como fonte de energia na
- 22:59mucosa intestinal, que até vinte e cinco, trinta por cento é
- 23:01possível. Então isso a gente não deu
- 23:04continuidade, e é uma coisa que eu sempre falo para os
- 23:07orientados, que falam, um dia eu tenho vontade de trabalhar,
- 23:10vontade de voltar a trabalhar. Porque eu acho que é um tema
- 23:13muito importante, e que a hora a gente vê na indústria, ou no
- 23:18campo, uma granulometria cada vez mais fina pensando em
- 23:21conversão alimentar e digestibilidade, mas nem sempre
- 23:23é só esse conceito. Nesse ponto, o que você acha de
- 23:28granulometria? Por exemplo, se eu tenho uma
- 23:29granulometria mais fina, foi o que eu disse, se eu tenho um
- 23:31pico de insulina e você tem nutrientes mais prontamente
- 23:36disponíveis, obviamente um incremento calórico menor.
- 23:40Mas e a cinética de digestão? E a cinética de absorção?
- 23:44E a cinética de metabolização? Será que a gente não pode se
- 23:47perder nisso? É algo que tem que ser estudado,
- 23:53né? Eu não tenho conhecimento sobre
- 23:57isso. E pensando na peletização, qual
- 24:05que é a tua opinião, Andrés? Não só em termos conceituais,
- 24:11fique à vontade para dar a sua opinião. no conceito, nos
- 24:14resultados que você teve, mas também em aplicação prática.
- 24:18O que você pensa sobre peletização?
- 24:21Peletizamos ou não peletizamos? Depende da situação?
- 24:24Qual é a tua opinião? Então, depende do estágio do
- 24:30animal. O animal... em início de creche,
- 24:37ele consegue aproveitar melhor os nutrientes da ração
- 24:41peletizada, porque ele sofre, estresse.
- 24:45Os animais maiores em crescimento e terminação, talvez
- 24:49não seja tão apropriado fazer a peletização, por ser um processo
- 24:54caro, e esses animais também já terem um sistema digestivo mais
- 24:59maduro e poderem aproveitar melhor a peletização. a energia
- 25:05da ração. Acredito que para os suínos mais
- 25:08jovens seja mais interessante. A gente sempre conversa com
- 25:14colegas, a agroindústria, grande parte da agroindústria usa
- 25:17apelitização para os seus sistemas.
- 25:20E aqui a gente ouve, esses dias eu estava em uma importante
- 25:24agroindústria e eu conversando com o diretor de operação, ele
- 25:27falou, a tendência é a gente fechar cem por cento
- 25:31Peletização, porque os ganhos são muito importantes.
- 25:33Se a gente domina a operação, vamos dizer assim, consegue
- 25:36manejar corretamente a operação, porque muitas vezes o erro está
- 25:40ali na operação, de finos e tal, de não acertar a operação, a
- 25:45gente consegue ter ganhos, principalmente conversão
- 25:47alimentar. Mas eu te entendo, também já
- 25:50tive conversão com colegas que foram para a peletização e
- 25:53voltaram, deram um passo atrás, né?
- 25:56E tentar ajustar, como você disse, assim, granulometria mais
- 25:59adequada, enfim, dependendo da dieta.
- 26:03É por questão de redução de custo, né?
- 26:05Eu vi alguns trabalhos que, quando testaram reações pesadas
- 26:11com paraleladas, não encontraram diferença estatística.
- 26:15É, e esse é um ponto importante, né?
- 26:20Porque a gente vai para a literatura, para facilitar uma
- 26:23tomada de decisão, Mas muitas vezes, e aí nesse caso eu acho
- 26:27que é importante considerar, tem a questão prática.
- 26:30Porque vamos imaginar, eu acho que talvez até existam mais
- 26:34trabalhos, se a gente for fazer um estudo de meta-análise,
- 26:38desculpa, não estou atualizado de estudo de meta-análise com
- 26:44peritização e ação farelada, Mas talvez até tenha mais
- 26:53resultados, só que aí a gente vai esbarrar na operação, não só
- 26:56no custo, como você disse muito bem, mas também assim, você tem
- 27:00que ter alguém para pilotar bem a apeletizadora.
- 27:03No dia a dia de uma indústria de processamento de alimento,
- 27:11acontece uma série de fatores ali e de imprevistos que isso
- 27:15pode impactar. Mas agora eu quero entrar em um
- 27:19outro tema contigo. que é o da enzima.
- 27:23Só que eu vou puxar a peletização.
- 27:25A gente começa, e a granometria também.
- 27:30A gente falou de granometria, e é de se esperar, que se a gente
- 27:37tem uma granometria mais fina, você aumenta a superfície
- 27:41específica, e a atuação melhor das enzimas, você tem uma
- 27:45digestibilidade maior. Não só dos nutrientes, mas da
- 27:49energia também. Da mesma forma, a pelletização,
- 27:53você tem um processo de gelatinização, o início do
- 27:57processo de gelatinização, expõe um amido, degrada a proteína,
- 28:04mais adequado para poder aumentar a digestibilidade.
- 28:09E as enzimas vêm para potencializar a digestão.
- 28:14Na prática, como é que você imagina?
- 28:17Na prática e também em termos conceituais.
- 28:20Vou para esses três, diminuição de gramometria, mais
- 28:25peletização, mais uso de enzimas, a protease para
- 28:28desencapsular o amido, a própria amilase, as carboidrases de modo
- 28:34geral para os chilanos, arabino-chilanos e
- 28:37polissacarídeos amiláceos mais complexos, celulase, a própria
- 28:42celulase, as fitases. Como é que você pensa nisso daí,
- 28:46já que você teve essa experiência das três?
- 28:49Então, quando a gente inclui as enzimas nas rações, a gente faz
- 28:56isso como uma estratégia de estar melhorando o problema
- 28:57nutritivo dos alimentos. As enzimas são importantes
- 29:02porque vão minimizar os efeitos negativos provocados pelos
- 29:05fatores antinutricionais, que estão presentes nos
- 29:08ingredientes, melhora a digestão do amido e das proteínas, Tem
- 29:14efeito sobre a parede celular das fibras, provocando ali sua
- 29:17ruptura. E também ela é importante para a
- 29:21redução da viscosidade intestinal que ela é provocada
- 29:25pelos TNAs. Então, a...
- 29:31As dietas, a alfa-amilase que você citou, ela vai melhorar a
- 29:36digestão do amido, principalmente em suínos mais
- 29:38jovens, que tem baixa produção da alfa-amilase.
- 29:43Temos a celulase, que ela vai hidrolisar as ligações
- 29:47glicosídicas. liberando os nutrientes no interior da célula
- 29:51vegetal, inclusive proteínas, melhorando o aproveitamento das
- 29:55proteínas. Temos a protease, que ela pode
- 29:59estar inativando substâncias antinutricionais e também ela
- 30:05provoca a solubilidade da proteína do milho, que é aquela
- 30:09matriz proteica do milho, né? podendo tornar o amido mais
- 30:16disponível, mais digestível para os animais.
- 30:21Aí nós temos outras, muitas outras enzimas, como a
- 30:27beta-mananase. A soja, ela tem um porcentagem
- 30:31de beta-manano, que os animais, os monogastos, eles não
- 30:34conseguem gerir. E a beta-mananase, ela hidrolisa
- 30:39as ligações beta-on-quatro-manano.
- 30:42E ela vai provocar a rápida diminuição da viscosidade da
- 30:45digesta e vai facilitar a ação das enzimas digestivas dos
- 30:49nutrientes. E ela também está ligada à
- 30:53redução da estimulação do sistema imune.
- 30:56Então, a energia que antes descegasse no processo
- 30:59imunológico, ela vai ser direcionada para a
- 31:02produtividade. E outro, que eu estou falando
- 31:07das enzimas com que eu trabalhei, tem a
- 31:08alfa-galactosidase, que ela hidrolisa as ligações
- 31:12alfa-oncês-galactoligosacarídeos, que ela reduz a velocidade da
- 31:18taxa de passagem da digestão. Então, dependendo do alimento
- 31:23também, a gente pode fazer a espiritização, o processo de
- 31:27espiritização, reduzir a granulometria dos alimentos e,
- 31:32dependendo do alimento, pode sim estar inserindo enzimas para
- 31:38poder agir nessas ligações que os monogástricos não conseguem
- 31:42por meio das suas enzimas endógenas.
- 31:47Eu concordo contigo. Isso entrou num tema bem
- 31:49interessante, que falando em incremento calórico, pode
- 31:56incrementar ou não, ou a gente mitigar esse incremento ainda
- 32:00maior, que é a questão da ativação do sistema imune.
- 32:04Nós temos componentes nutricionais nas nossas dietas
- 32:07convencionais que irão provocar a ativação do sistema imune, que
- 32:13não é desejável para animais de produção.
- 32:18Qualquer situação que rouba nutriente, que iria para um
- 32:21tecido alvo, músculo, no caso da suinocultura, leite para a
- 32:26glândula mamária da matriz, isso não é bem-vindo.
- 32:31E eu queria somar isso, já que nós comentamos de fibra, de
- 32:37granulometria, a questão da fermentabilidade.
- 32:42Porque antes, quando a gente falava em enzimas, por exemplo,
- 32:45a gente tratava muito a questão de digestibilidade.
- 32:48E agora com a questão das fibras, principalmente com os
- 32:50estudos de microbioma, a gente começou a ver a importância da
- 32:54fermentabilidade. Nesse sentido, e aí obviamente
- 32:59quando você tem fermentação, você tem metabólitos que são
- 33:03desejáveis, no entanto, metabólitos indesejáveis.
- 33:09Nesse sentido, você acha que nós devemos, primeiro
- 33:15conceitualmente, depois na prática, colocar isso na
- 33:18equação, Andressa? Essa questão... dos componentes
- 33:23nutricionais para a inflamação, da questão de componentes
- 33:27fibrosos ou não que irão promover melhor ou pior
- 33:32fermentabilidade? Você acha que isso é muito
- 33:35importante para a gente considerar?
- 33:38Olha, dependendo do alimento que eu vou utilizar, eu acho
- 33:41importante sim. Então, alimentos que essa
- 33:47quantidade seja muito baixa, talvez não seria interessante
- 33:50considerar. Mas poderia ser colocado, sim.
- 33:56Acredito, né? Minha opinião.
- 33:59É, porque, por exemplo, a gente entende, né?
- 34:01A gente aprendeu nos conceitos clássicos e básicos de nutrição
- 34:06que a fibra aumenta o incremento calórico, de fato, né?
- 34:10No entanto, se eu, por exemplo, uma matriz em lactação, tá?
- 34:19que precisa de ter um net, um líquido de energia maior para
- 34:23poder suportar a produção de leite.
- 34:27Quando eu trabalho fibra e produzo ácidos graxos voláteis,
- 34:32e aí vamos lá colocar o ácido butírico como principal, que
- 34:36entre várias funções ele tem a função... de fonte de energia,
- 34:43principalmente para os colonócitos, que demandam muito,
- 34:46principalmente na matriz, consumindo muita água, e aí
- 34:52poupa ou sobra mais glicose para o metabolismo intermediário, que
- 34:58por sua vez pode até sobrar mais glicose como fonte de energia
- 35:01para o intestino delgado, e aí sobra mais aminoácidos, Eu fico
- 35:05pensando, e em dúvida confesso para você, Andrés, se realmente
- 35:10agora a gente não precisa de rever, não completamente, mas
- 35:14rever uma parte desses conceitos de fibra e incremento calórico.
- 35:20até que ponto realmente a fibra aumenta muito o incremento
- 35:24calórico, ou dependendo da condição a qual ela degrada um
- 35:30carboidrato complexo, uma beta-bananase, por exemplo, ou
- 35:35você vai pegar uma xilanase, por exemplo, que libera xilose e tem
- 35:40efeito prebiótico e que poupa nutrientes para o metabolismo
- 35:44intermediário, será que se a gente não tem que atualizar os
- 35:51nossos conceitos para dizer assim, não, olha, a fibra, claro
- 35:57que nós estamos abrindo a fibra, né?
- 35:59Nós estamos abrindo a fibra com essas enzimas.
- 36:02Ela por si só realmente vai trazer esses problemas.
- 36:04Então, Eu tenho essa dúvida, sabe?
- 36:06Eu não sei o que você acha disso, principalmente nas
- 36:09equações de predição, se elas alterariam ou não nos nossos
- 36:15estudos. Qual é a tua opinião quanto a
- 36:17isso? Eu estou colocando mais tempero
- 36:19no molho aqui, eu sei que fica mais complexo, mas só para ouvir
- 36:23tua opinião, e se não tiver a resposta, está tudo bem, porque
- 36:25eu também tenho minhas dúvidas, né?
- 36:29Mas essa sua dúvida é muito interessante.
- 36:32Realmente isso deve ser estudado para a gente poder conhecer
- 36:38melhor sobre as exigências, sobre a utilização dos
- 36:41alimentos. E é muito plausível.
- 36:45É bem interessante. Talvez esse seja o caminho
- 36:49mesmo. É porque a gente vem de uma
- 36:53linha da nutrição, de avaliar exigências nutricionais, mas com
- 36:58animais saudáveis. Mais do que isso, com uma fonte
- 37:03de nutrientes só ou de ingredientes.
- 37:05Quando a gente começa a pensar em...
- 37:09Vamos lá, gramometria, pelletização, enzima, vamos
- 37:15puxar de novo a questão, por exemplo, de um alimento que não
- 37:19era muito utilizado e que vai ser muito utilizado, que é o
- 37:21DDGS, os DDGs de modo geral. Será que isso não sacode todos,
- 37:27todos não, mas alguns conceitos prioritariamente, e depois a
- 37:31aplicação desses conceitos na prática, né?
- 37:36eu vejo que nós precisamos de juntar mais a nutrição e a
- 37:40saúde, se é que podemos dizer assim, nutrição e saúde, esse
- 37:44binômio nutrição e saúde, para compor conceitos nutricionais
- 37:49para que os nutricionistas possam ser mais assertivos na
- 37:51dieta. Isso basicamente nós vamos falar
- 37:54em nutrição de precisão. Então, é uma dúvida que eu
- 38:01tenho, sabe? Por isso que me chamou muito a
- 38:03atenção quando você veio falar do tema.
- 38:04Vinicius, vamos falar de granulometria, de espeletização
- 38:07de enzimas. Eu falei, gente, quanta coisa
- 38:09aí, né? E a nutrição, ela tem constante
- 38:13transformação, né? Então, nunca é aquilo que a
- 38:17gente sabe, a gente nunca vai ter todas as respostas.
- 38:20Então, sempre tem transformação, a gente sempre tem que estar
- 38:23buscando atualização. Inclusive, a gente fala, ah, mas
- 38:27tem essa exigência, tem aquela exigência.
- 38:29Aí você vai ver animais, no calor, tudo já muda, né?
- 38:35É... no frio muda, aqui no Rio de Janeiro faz um calor de
- 38:39quarenta graus, né, se a gente não manter ali o ambiente
- 38:42térmico dos suínos, eles não sofrem muito, a exigência
- 38:45nutricional muda, né, status sanitário, né, vai mudar também
- 38:52a energia, exigência de energia para a sua manutenção.
- 38:57Então está tudo interligado e a gente nunca vai conseguir as
- 39:01respostas exatas, mas a gente pode estar trabalhando com essas
- 39:05hipóteses, buscando soluções cada vez melhores para poder
- 39:09melhorar o desempenho dos animais, a lucratividade dos
- 39:13sistemas. E talvez seja por isso que eu
- 39:17estou pensando aqui, Quantos estudos, Andressa, a gente vê na
- 39:21literatura, que trabalharam variáveis relacionadas à
- 39:26digestibilidade dos nutrientes e ao mesmo tempo desempenho?
- 39:30Muitas vezes você encontra diferença estatística na
- 39:33digestibilidade, mas não encontra no desempenho.
- 39:36Quer dizer, não para, a gente sabe disso, não para por aí, mas
- 39:40a dúvida vem, quais são os fatores que estão entre esses
- 39:45dois resultados? E eu acho que aí sim entra muito
- 39:50a questão da energia líquida, não só na granulometria, na
- 39:54pelletização, no uso de enzimas, mas na fermentabilidade, numa
- 39:58resposta imune, numa função de barreira intestinal, numa
- 40:03situação de calor. E isso tudo a gente não
- 40:07consegue. É complexo você ter... estudos
- 40:13que fecham todos esses fatores, que estejam alinhados todos
- 40:18esses fatores. Mas na prática é isso que
- 40:20acontece, né? É.
- 40:25Bem, você falou também de proteína, nível de proteína.
- 40:29Isso. O conceito de proteína ideal,
- 40:34ele não é novo, né? E é interessante, Andressa, como
- 40:39a gente vê, às vezes, vai e volta, principalmente, e antes
- 40:44eu conversava com colegas nutricionistas que aplicam
- 40:49nutrição na prática, e eles diziam assim, olha, tem que
- 40:54tomar muito cuidado com redução de proteína.
- 40:56Quando eu reduzo proteína, eu tenho, em muitos casos, alguns
- 41:02ou muitos casos, gira de desempenho.
- 41:06E a gente fala, cara, mas nós temos vários estudos científicos
- 41:13comprovando a importância, obviamente dentro de um limite
- 41:16de redução de proteína e com resultados bastante
- 41:21interessantes. No entanto, na prática é um
- 41:24pouco complicado. E aí a hora você via até mesmo
- 41:27colegas pesquisadores dizendo assim, concordo com o resultado
- 41:33científico, com essa ideia de que a gente tem que tomar
- 41:36cuidado, tem que ter um limite. Você comentou comigo, falou
- 41:40Vinícius, nós fizemos o estudo, mas nós não conseguimos, nós
- 41:43tivemos algumas dificuldades, não conseguimos gerar o
- 41:45resultado. Mas na tua opinião, como é que
- 41:48você vê entre o conceito, a teoria e a aplicação prática
- 41:53desse limite da proteína? Então, quando a gente reduz a
- 41:59proteína do alimento e faz a suplementação com os aminoácidos
- 42:04sintéticos, a gente consegue reduzir a produção de calor
- 42:09inerente ao processo metabólico de catabolização da proteína.
- 42:15Porém, reduções muito grandes realmente vão causar problemas
- 42:20nesses animais, vão faltar alguns aminoácidos.
- 42:25Então tem que ter um equilíbrio, a gente tem que achar qual que é
- 42:28aquela quantidade mínima que a gente possa estar reduzindo o
- 42:33custo, reduzindo a excreção e estar promovendo melhor
- 42:37aproveitamento energético para o animal.
- 42:40Então eu fiz um experimento com diferentes níveis de proteína Só
- 42:45que a gente teve um problema com as câmaras respirométricas.
- 42:48Nós fizemos, nós finalizamos o experimento, mas na hora de
- 42:51fazer a leitura da produção de calor, houve uma inconsistência.
- 42:56Por isso que não conseguimos aproveitar esses dados.
- 43:00Mas na literatura a gente encontra que alguns autores
- 43:06escrevem que eles reduziram muito a taxa de proteína que
- 43:12causou o problema. Então a gente tem que achar
- 43:14qualquer nível que não causa prejuízos, que causa todos os
- 43:20benefícios, que não causa prejuízos para os animais.
- 43:24Ainda tem a questão econômica nisso daí, porque depende muito
- 43:30do preço dos aminoácidos e principalmente do preço do
- 43:33farelo de soja, que sai de outros ingredientes para a gente
- 43:37ver qual é o limite prático. Mas é interessante, já que a
- 43:42gente falou de... sistema imune, fermentabilidade, uma vez
- 43:46conversando com um colega sobre esse tema e relacionando a
- 43:52nutrição e a saúde, ele falou na época, e a gente já, na nossa
- 43:57linha de pesquisa que a gente trabalha com saúde intestinal, a
- 44:02gente também já começou a ler algumas coisas que eu acho que a
- 44:05gente tem que entender mais, que é a importância de alguns
- 44:08peptídeos no intestino grosso. E parece que existe relação
- 44:15entre a sobra de alguns peptídeos, ou seja, peptídeos
- 44:19que foi bypass, que não foi digerido e absorvido na forma de
- 44:23aminoácidos no intestino delgado, foi para o intestino
- 44:26grosso, e alguns peptídeos específicos são benéficos,
- 44:30principalmente na relação microbiota-intestino-pulmão.
- 44:35Então, olha quanta coisa que a gente...
- 44:38A nutrição é bacana porque sempre vai ter coisa para a
- 44:41gente pensar, né, Andrés? Sempre algo para a gente estudar
- 44:45e tentar resolver, porque a biologia é muito complexa, né?
- 44:49É tudo muito interligado, né? Saúde intestinal, alimentação,
- 44:53tudo isso. Porque, por exemplo, o que a
- 44:56gente pensa de saúde intestinal? Quanto menos proteína, para
- 45:00facilitar a conversa e bem prática, você vai ter mais
- 45:03clostridio para o animal em terminação.
- 45:06Você pode ter morte súbita, para animais na fase de creche,
- 45:13problemas relacionados à diarreia e problemas entéricos.
- 45:19Mas você vem com uma informação como essa, dizendo assim,
- 45:21cuidado, tem que ter alguns peptídeos específicos, que são
- 45:25importantes para serem fermentados no ceco e no colo, e
- 45:30que irão servir como metabólitos interessantes para a saúde do
- 45:33animal. Então, assim, eu sempre fico
- 45:38pensando que a gente tem que cada vez mais tentar aproximar a
- 45:42nutrição clássica, vamos dizer assim, que a gente falou aqui de
- 45:44digestibilidade, de granulometria, de peletização,
- 45:49mas ela se aproximar do que realmente é importante para a
- 45:52saúde do animal. Obviamente o animal precisa
- 45:55desempenhar bem para trazer retorno sobre o investimento,
- 45:59mas... Eu queria só incrementar esse
- 46:02ponto, que nós não aprofundamos nesse assunto ainda, mas a gente
- 46:06começou a trabalhar aqui na linha de pesquisa com a relação
- 46:09microbiota-intestino-pulmão. A gente está até o ano que vem
- 46:13trabalhando em cima desse tema específico, que tem a ver com
- 46:19energia líquida, que tem a ver com digestibilidade.
- 46:25Muito bem. E quais são os seus planos para
- 46:28os próximos... Você comentou a questão dos
- 46:32setores, a gente precisa de ativar setores, aqui a gente
- 46:35passa pela mesma dificuldade também de fazer pesquisa, mas
- 46:39essa linha de pesquisa é muito interessante, você pretende
- 46:42continuar com essa linha de pesquisa?
- 46:45Sim, eu gosto muito dessa linha. Fazer pesquisas sobre o consumo
- 46:51de carne suína aqui no Rio de Janeiro, porque eu percebo que
- 46:54aqui no Rio de Janeiro o consumo é baixo, muito diferente de
- 46:57Minas Gerais, porque Minas Gerais é o estado que mais
- 47:01consome carne suína, o consumo per capita de Minas é maior do
- 47:05que o do Brasil. Continuar trabalhando com
- 47:08energia líquida é muito interessante, principalmente
- 47:11porque com essas parcerias que a gente consegue fazer no meio do
- 47:14caminho. Eu ainda sou nova aí na área da
- 47:17docência, né? A gente falou aí que eu entrei
- 47:19na UF um pouquinho antes da pandemia e isso trabalhou
- 47:23bastante, mas agora estou trabalhando mais, né?
- 47:30Para poder realizar as pesquisas.
- 47:33Isso é muito bom, porque essa expertise que você tem, né?
- 47:35Essa especialidade é uma especialidade que... poucos
- 47:40trabalharam em relação à energia líquida com esses fatores.
- 47:43E como eu te falei desde o início da nossa conversa, para
- 47:46mim são fatores extremamente importantes na prática.
- 47:49Granulometria, sempre, vez ou outra, a gente encontra
- 47:53problemas de granulometria, a questão da peritização, o uso de
- 47:56enzimas, até que ponto. Eu fico pensando assim, tem
- 48:00dietas que você tem fitase, carboidrase, protease, e aí
- 48:03todas valoram, quarenta quilocal, trinta quilocal,
- 48:07cinquenta quilocal, E aí a gente já começa a ter conversas mais
- 48:10práticas com os colegas nutricionistas e dizer assim,
- 48:12mas será que nós estamos realmente no caminho certo de
- 48:16valorar esse tanto de coisa? E aí sem pensar nesse último
- 48:21assunto que a gente trabalhou, que é a questão da
- 48:23fermentabilidade, Uma série de outros fatores que até então, no
- 48:26passado, a gente não falava muito.
- 48:28Então, meus votos são que você continue aí com essa minha
- 48:32pesquisa e estamos à disposição para a gente conversar depois,
- 48:37porque eu acho muito importante, é algo que o campo demanda, que
- 48:41na prática os nutricionistas precisam mais dessa informação.
- 48:46Eu sinto que no Brasil a gente precisa de gerar mais
- 48:47informação. Então, parabéns aí pelas, até
- 48:52então, esses resultados que você conquistou, né, conseguiu e
- 48:57compartilhou aqui com a gente, mas meus votos são de que você
- 49:01continue aí investindo nessa expertise e tudo e gerando
- 49:05resultado. Pra gente finalizar, Andrés, eu
- 49:09queria fazer perguntas mais de cunho pessoal, né, afinal de
- 49:12contas nós temos nossa vida profissional, né, com as
- 49:14enzimas, com a energia líquida, com os suínos e tal, mas nós
- 49:17temos nossa vida pessoal. Eu queria te fazer duas
- 49:20perguntas. Primeiro, se você tem hobby, e
- 49:25se sim, compartilhar com a gente.
- 49:27E segundo, se você tem algum livro pra recomendar pra gente,
- 49:31fica à vontade, mais de um, fica à vontade.
- 49:33Tá. Eu sou uma pessoa que gosta
- 49:36muito de ficar em casa. Adoro ficar em casa e eu gosto
- 49:39muito de ouvir música. Só que não é música em
- 49:43plataformas digitais. Eu gosto de ouvir disco, disco
- 49:46de vinil. Eu... eu herdei um aparelho de
- 49:51disco do meu pai, muito antigo, muito mesmo, E comecei a
- 49:56colecionar discos. E quando eu tô em casa, eu gosto
- 49:59de ouvir as músicas naqueles discos.
- 50:02Ah, acabou a música, tem que ir lá virar.
- 50:05Tem todo o trabalho pra fazer e eu gosto do som que sai de lá.
- 50:10Então esse é o meu maior hobby. Eu também gosto muito de
- 50:14futebol. Adoro assistir futebol.
- 50:16Quando tem futebol, eu tô fazendo qualquer coisa.
- 50:18Eu paro tudo pra poder assistir. Eu sou corintiana. mas eu tenho
- 50:24um carinho, aqui no Rio eu tô tendo um carinho muito grande
- 50:26pelo Vasco, pela história do Vasco, aí esses são meus
- 50:33hobbies, inclusive quando eu tenho oportunidade eu vou aos
- 50:35estádios também assistir, enfim. Que legal, que legal, mas tem
- 50:41hora que você assiste o jogo do Corinthians ouvindo um vinil ou
- 50:44não? Às vezes sim, às vezes eu coloco
- 50:46no mudo, quando tá muito ruim o jogo, coloco no mudo e coloco lá
- 50:51um YouTube, The Doors, pra poder ouvir.
- 50:56Legal, legal. Mas você assuma teu processo,
- 51:01né? Eu sou, mas eu cresci numa
- 51:03família que escutava rock, então eu cresci ouvindo rock, comecei
- 51:07a ouvir sertanejo na graduação, por causa da área das agrárias,
- 51:11mas o rock nunca saiu de mim. Mas e o Corinthians, ainda onde?
- 51:16Ah, sim. O Mato Grosso e Mato Grosso do
- 51:18Sul tem muita influência com São Paulo.
- 51:22Então, tem muitos torcedores do Corinthians.
- 51:26Minha família, inclusive, ela é de São Paulo e mudou para o Mato
- 51:29Grosso. E tem poucos times cariocas lá.
- 51:36Tem Flamengo, Flamengo muito forte lá também.
- 51:38Porque os times de lá mesmo, se você for ver, tem Operário, tem
- 51:42Comercial. Nem sei se estão na Série C.
- 51:47É, Corinthians e Flamenguista tem no Brasil inteiro, né?
- 51:50Isso, tem. Domina tudo.
- 51:52Você é o quê, Vinícius? Eu sou palmeirense, mas na
- 51:56verdade... Ah, palmeirense.
- 51:58Jurava que era galo. Não, eu sou paulista minerado,
- 52:02né? Eu nasci no interior de São
- 52:04Paulo, mas estou em Minas há vinte e sete anos e sou
- 52:08apaixonado por Minas, né? Mas é engraçado, quando eu vim
- 52:13para Lavras, eu deixei de torcer.
- 52:15Eu era fanático. Aí esses corintianos ficavam me
- 52:17enchendo o saco, né? Aí eu falei assim, vou focar na
- 52:21zootecnia e vou largar um monte de futebol.
- 52:23Então, assim, é interessante que eu falo, e eu já fui palmeirense
- 52:26fanático, né? Mas se hoje você perguntar
- 52:29assim, Vinícius, eu te dou um milhão de reais, se você falar
- 52:31um nome de um jogador do Palmeiras, eu vou perder um
- 52:35milhão de reais, infelizmente. Então, não cultuo mais futebol,
- 52:40a não ser na Copa do Mundo, e olha lá.
- 52:44Entendo, às vezes dá muita dor de cabeça, né?
- 52:46É, mas é legal, é fácil, né Andressa, é fácil.
- 52:50Mas para quem gosta é para o resto da vida.
- 52:54Agora compartilha com a gente um livro para a gente saber mais o
- 52:57que é a Andressa que gosta de vinil, que escuta Doors, mas que
- 53:02ao mesmo tempo trabalha com sinocultura, que fala de energia
- 53:06líquida, mas o que ela lê? Então, quando eu leio muito, eu
- 53:11adoro ler, só que um livro que me marcou foi quando eu me mudei
- 53:16aqui para Niterói e uma professora me indicou um livro,
- 53:20ele chama Os Quatro Compromissos, que é de Dom
- 53:22Miguel Ruiz. E esse livro trata de quatro
- 53:25compromissos básicos, que são seja impecável com a sua
- 53:29palavra, não leve nada para o lado pessoal, não tire
- 53:32conclusões e sempre dê o melhor de si.
- 53:35E isso me marcou muito na minha vida pessoal, na minha vida
- 53:40profissional. Eu já li, já reli, e é um
- 53:44livrinho de cabeceira. Eu agradeço muito essa
- 53:46professora por essa indicação. Concordo contigo.
- 53:51Esse livro é muito bom mesmo, é um livrinho pequenininho.
- 53:54Ele não é grande, não é fácil de ler, mas é extremamente
- 53:58importante. Andressa, muito bom falar
- 54:01contigo, obrigado por compartilhar teu conhecimento,
- 54:04cuidado por compartilhar a sua história, espero que a gente
- 54:09converse aí outras vezes com mais resultados relacionados à
- 54:12energia líquida e os sistemas que, como eu disse, é muito
- 54:14importante. Então, agradeço mais uma vez e
- 54:22se você ficar à vontade para você fazer aí o fechamento da
- 54:25sua parte, da sua fala. Olha, Vinícius, eu que agradeço,
- 54:30eu já venho seguindo o SuínoCast já há algum tempo e fiquei muito
- 54:35feliz quando eu recebi o e-mail do Renato fazendo o convite e me
- 54:39sinto honrada de estar participando aqui, justamente
- 54:42com você, porque você é um dos profissionais da suinocultura,
- 54:47um dos profissionais atuais que eu admiro muito.
- 54:50Tem os cursos lá na Academia Suíno que eu indico para os meus
- 54:52alunos. Enfim, é isso.
- 54:57Obrigada. Fico honrado, fico honrado,
- 55:00agradeço muito. E como eu te disse, espero que
- 55:02você continue aí com essa linha de pesquisa, que nós precisamos
- 55:05dessas informações. Pessoal, hoje nós falamos com a
- 55:10Andressa Firmigoni. A Andressa nasceu no Mato Grosso
- 55:14do Sul, queria trabalhar com bovinho de corte, foi para a
- 55:17suinocultura e fez um trabalho bastante interessante sobre
- 55:21energia líquida, que foi o tema que nós trabalhamos aqui,
- 55:23relacionado à planometria. a pelletização, a uso de enzimas,
- 55:28a proteína, e espero que vocês tenham gostado.
- 55:31Pessoal, gostaria também de provocar vocês, ouvintes, que
- 55:36são muito importantes para sustentar essa plataforma, que é
- 55:39tão importante, e eu gostaria que vocês compartilhassem com a
- 55:43gente ideias de temas e de pessoas, se possível enviar para
- 55:48nós no e-mail hello, arroba wisenetics.com.br.
- 55:52Compartilha com a gente nomes que vocês acham que gostariam ou
- 55:56gostariam de ouvir e temas que vocês gostariam de ouvir.
- 55:58Ok? Até a próxima.