Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 21 de outubro de 2024
Transcript
- 0:00A Universitária FM apresenta Rádio Livre, conversando nas
- 0:05ondas do rádio. Sete horas e vinte e nove
- 0:11minutos. A gente tá no ar pra se
- 0:23informar, saber o que é que há, pra se ajudar.
- 0:26A gente tá no ar pra se comunicar.
- 0:28A gente tá no ar pra se divertir, pra falar e ouvir, pra
- 0:32dançar e rir, pra ficar feliz, pra ser livre.
- 0:34Rádio Livre. Rádio Livre.
- 0:51E aà Os destaques do Rádio Livre
- 1:13desta segunda-feira, vinte e um de outubro de dois mil e vinte e
- 1:16quatro. A polÃcia prende funcionária
- 1:21suspeita de emitir laudos sobre órgãos infectados por HIV em
- 1:26laboratório privado do Rio de Janeiro.
- 1:30Brasil e Colômbia vão lançar programa para comunidades
- 1:33quilombolas. O professor Gilmar de Carvalho
- 1:38será homenageado em memória com o tÃtulo de professor emérito
- 1:42pela Universidade Federal do Ceará.
- 1:48As entrevistas de hoje, o economista, filósofo e professor
- 1:52da Universidade Federal do Ceará, Fábio Sobral, vai falar
- 1:56sobre a gente, sobre a gente também, né?
- 1:59Mas é com a gente, sobre a gente, né?
- 2:02a respeito do ato de votar em eleições na democracia
- 2:05brasileira. O que significa o voto?
- 2:08Como funciona a decisão de votar?
- 2:11à sobre isso que nós vamos conversar hoje.
- 2:13O jornalista Márcio Rodrigues vai conversar com a gente também
- 2:17aqui no programa Rádio Livre. O Márcio Rodrigues é produtor e
- 2:20apresentador do programa Mundo do Trabalho aqui na Universidade
- 2:24FM. Ele vai conversar com a gente
- 2:26sobre direito à comunicação democrática e como é que os
- 2:30trabalhadores atuam e lutam nesse aspecto da comunicação e
- 2:36busca por democracia. Rádio Livre, apresentação Nonato
- 2:50Lima. Bom dia, estamos começando ao
- 2:54vivo na Universidade FM, cento e sete vÃrgula nove megahertz.
- 2:58O programa Rádio Livre, eu queria aqui cumprimentar alguns
- 3:03ouvintes que estão com a gente há muitos anos, mas muitos anos,
- 3:08desde os primeiros programas Rádio Livre.
- 3:13Manuel Rosa, Monte Castelo. Bom dia, Manuel.
- 3:16Muito obrigado pela companhia há tantos anos.
- 3:20Muito obrigado, Manuel Rosa, no Monte Castelo.
- 3:22Ele ligou para a gente, a gente conversou bastante.
- 3:25Ele disse o tempo que eu via, o porquê que eu via.
- 3:29Muito, muito bom ter você aqui com a gente.
- 3:32O José Borges, no Montese, também está escutando a gente há
- 3:36muito tempo. José Borges, muito obrigado.
- 3:39José Borges mora no Montese e todos os dias ele tem o
- 3:43compromisso de... Ouvir o Rádio Livre.
- 3:48Queria cumprimentar também a nossa colega professora, agora
- 3:51aposentada da UFC, Simone Borges.
- 3:55Bom dia, Simone. Obrigado também a você pela
- 3:58audiência. E queria fazer um cumprimento
- 4:00especial hoje aos estudantes e professores...
- 4:05Os que já se formaram, mas também os que estão atualmente
- 4:09no curso de jornalismo e no curso de publicidade da
- 4:13Universidade Federal do Ceará. à que hoje é um momento muito
- 4:16importante. Ã a abertura da Semana da
- 4:17Comunicação. Uma homenagem a uma pessoa das
- 4:21mais queridas nossas, que é o professor Gilmar de Carvalho.
- 4:27E, claro, a semana... Sim, também o lançamento do
- 4:32recém-criado Centro Acadêmico, que vai levar o nome do grande
- 4:37professor, pesquisador, grande publicitário também, Gilmar de
- 4:41Carvalho. Então, os nossos cumprimentos
- 4:44aos estudantes, aos professores de publicidade e de jornalismo
- 4:49da Universidade Federal do Ceará.
- 4:51E, por extensão, a todos nós que fomos alunos do... do Gilmar de
- 4:55Carvalho, os companheiros de publicidade, de pesquisa, de
- 4:58jornalismo, enfim. Gilmar é uma figura muito
- 5:04importante para todos nós. à poeta, escritor, publicitário,
- 5:11jornalista, professor, pesquisador.
- 5:15Gilmar de Carvalho vai receber o tÃtulo de professor emérito hoje
- 5:18em memória. Essa homenagem vai ser durante a
- 5:21vigésima terceira semana de comunicação da Universidade
- 5:24Federal do Ceará, que começa hoje, vai até o dia vinte e
- 5:28cinco, no Scamp Benfica e Pici. E nesta edição, a semana de
- 5:36comunicação... celebra os setenta anos da Universidade
- 5:39Federal do Ceará e os vinte e cinco anos do curso de
- 5:43Publicidade e Propaganda. O tÃtulo será entregue ao
- 5:49professor Gilmar de Carvalho, em memória, e quem vai receber o
- 5:53tÃtulo é o fotógrafo Francisco Souza, companheiro de pesquisa e
- 5:58marido do Gilmar de Carvalho, vai ser agora, Ã s oito horas, no
- 6:02auditório da Reitoria da Universidade Federal do Ceará,
- 6:06durante a abertura da semana de comunicação.
- 6:10Gilmar de Carvalho foi professor, como eu falei, do
- 6:12curso de comunicação, que depois se dividiu em dois cursos de
- 6:16jornalismo e e de publicidade. Atualmente esses dois cursos
- 6:20fazem parte do Instituto de Cultura e Arte e foi um
- 6:24pesquisador da cultura brasileira dos mais conhecidos e
- 6:27reconhecidos com mais de cinquenta livros publicados.
- 6:38Agora são sete e trinta e cinco. O ministro das Relações
- 6:53Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, foi designado para
- 6:56chefiar a delegação brasileira que vai participar da Cúpula dos
- 7:01BRICS em Kazan, na Rússia. A designação ocorreu no domingo,
- 7:07após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelar a ida ao
- 7:12evento, seguindo recomendação médica.
- 7:15Lula sofreu um acidente doméstico em BrasÃlia no sábado,
- 7:20Teve um ferimento na cabeça. Os médicos avaliaram que o caso
- 7:23não foi grave, mas por precaução orientaram o presidente a não
- 7:28fazer viagens de longa duração. O presidente embarcaria para a
- 7:36Rússia no final do domingo. junto com Mauro Vieira e com o
- 7:40ministro Alexandre Silveira das Minas de Energia.
- 7:44E o presidente realmente vai trabalhar, mas não vai poder
- 7:51viajar, segundo recomendação médica.
- 7:54Criado em dois mil e seis, o BRICS reunia, até ano passado,
- 7:58Brasil, Rússia, Ãndia, China e Ãfrica do Sul.
- 8:02Durante a cúpula de Williamsburg, foi aprovada...
- 8:06A cúpula da Ãfrica do Sul foi aprovada a entrada de mais
- 8:10membros efetivos. AÃ entraram Argentina, Egito,
- 8:15Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Ãrabes Unidos.
- 8:20A Argentina deixou o bloco. Claro, depois que me leem...
- 8:26assumiu lá, ele deve ter consultado os cachorros, os
- 8:30falecidos cachorros, e saiu do BRICS.
- 8:33A cúpula do BRICS, que começa amanhã, será a primeira com a
- 8:37participação dos novos membros. Nela deverá ser discutida a
- 8:41criação de uma nova categoria, a de paÃses parceiros.
- 8:47Atualmente, segundo o levantamento da diplomacia
- 8:50brasileira, há cerca de trinta paÃses candidatos a integrar
- 8:54essa categoria. entre os quais Venezuela, Nicarágua, BolÃvia,
- 8:59Cuba, Turquia, Nigéria, Marrocos e Argélia.
- 9:16A PolÃcia Civil do Rio de Janeiro prendeu no domingo
- 9:20Adriana Vargas dos Anjos, coordenadora técnica do
- 9:24Laboratório de Patologia ClÃnica, o Lab Saleme, em
- 9:28Belforrocho, na Baixada Fluminense.
- 9:31Ela é suspeita de envolvimento na emissão de laudos falsos que
- 9:35resultaram na contaminação por HIV-AIDS. de pacientes
- 9:40transplantados lá no Rio de Janeiro.
- 9:42As investigações indicam que houve uma falha operacional nos
- 9:46procedimentos de controle de qualidade do laboratório com o
- 9:49objetivo de reduzir custos. técnico de laboratório Ivanilson
- 9:54Santos, preso na segunda-feira, declarou em depoimento que
- 10:00Adriana teria dado a ordem para economizar nos testes, reduzindo
- 10:05a frequência das análises de amostras saÃram de diárias para
- 10:11semanais. O delegado Wellington Pereira,
- 10:14responsável pelo caso, informou que a Adriana Vargas dos Anjos
- 10:19negou as acusações. Além dela, duas outras pessoas
- 10:23foram levadas à delegacia do consumidor na cidade da PolÃcia
- 10:27no Rio para prestar depoimento, incluindo um ex-sócio do
- 10:31laboratório, e ambos foram liberados após depoimento.
- 10:36A prisão da funcionária faz parte da segunda fase da
- 10:40Operação Verum, que cumpriu um mandado de prisão e oito
- 10:46mandados de busca e apreensão. Com apoio do Departamento Geral
- 10:50de PolÃcia Especializada do Rio de Janeiro, na primeira fase da
- 10:53operação, ocorrida na segunda passada, duas pessoas foram
- 10:57presas e outras duas se entregaram nos dias seguintes.
- 11:01Na última sexta-feira, a Justiça manteve a prisão temporária dos
- 11:04quatro funcionários do laboratório.
- 11:07Segundo o Ministério Público do Rio, o laboratório PCS Saleme e
- 11:12seus funcionários já emitiram dezenas de resultados de exames
- 11:16para HIV com falso positivo e falso negativo, incluindo testes
- 11:21em crianças. O laboratório enfrenta diversas
- 11:24ações judiciais por danos morais e materiais, com acusações de
- 11:29negligência e desrespeito à vida dos pacientes.
- 11:33Com o avanço das investigações, a Secretaria de PolÃcia Civil,
- 11:37CEPOL, decidiu abrir um novo inquérito para apurar o processo
- 11:42de contratação do laboratório. Então, esse caso lá do Rio de
- 11:47Janeiro é algo, pelas regras atuais, pelas normas brasileiras
- 11:53atuais e até mundiais, porque são questões relevantes para a
- 11:57maioria dos paÃses ou para o mundo todo mesmo, pelas
- 12:01condições atuais, não deveria haver risco de transmissão de
- 12:06HIV. Aqui, o que está se denunciando
- 12:09é exatamente a atuação irregular e criminosa que está sendo
- 12:14apurada, naturalmente, de um laboratório.
- 12:18Então, o sistema de transplante brasileiro, o sistema de
- 12:21controle para HIV é rÃgido e tem evitado, sim, a transmissão do
- 12:29vÃrus. Agora, um caso como esse, é por
- 12:31isso que é um caso de polÃcia, porque é uma ruptura com as
- 12:35regras mÃnimas básicas para respeitar o direito à saúde das
- 12:41pessoas. Por isso que tem gente presa,
- 12:44gente que vai responder a enquete, a processo e vai ser
- 12:47responsabilizada pelos vários casos de contaminação pelo vÃrus
- 12:52HIV, exatamente por exames incorretos, porque foram feitos
- 12:59dentro, é o que está sendo denunciado aqui pelos próprios
- 13:02funcionários, para economizar grana, aà colocou-se em risco a
- 13:09vida das pessoas. São vários casos sendo
- 13:12denunciados de contaminação e atribuindo a esse laboratório
- 13:17responsabilidade. à isso que vai ser apurado, é
- 13:19isso que está sendo apurado e se espera, primeiro, que isso não
- 13:24aconteça mais em canto nenhum, inclusive lá mesmo, e que haja
- 13:28um rigor em termos de punição dentro dos limites da lei. para
- 13:35que isso não volte a acontecer. A grana, o dinheiro, não pode
- 13:41estar na frente de nada na vida. A vida vem em primeiro lugar.
- 13:45Deve ser assim. Por mais ganância por grana que
- 13:49se tenha, não pode. A vida fica em segundo plano.
- 13:53Um direito fundamental fica em segundo plano.
- 13:57Sete e quarenta e três. Brasil e Colômbia vão lançar um
- 14:31programa para comunidades quilombolas.
- 14:35Os territórios de comunidades afrodescendentes do Brasil e da
- 14:38Colômbia devem contar com um programa bilateral de apoio Ã
- 14:43proteção fundiária da terra e conservação da biodiversidade e
- 14:48implementação de sistemas agrÃcolas tradicionais.
- 14:51A iniciativa entre Brasil e Colômbia será apresentada esta
- 14:55semana na cidade colombiana de Cali, sede da COP-XVI, a
- 15:01Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, que ocorre
- 15:07a partir de hoje, até primeiro de novembro.
- 15:12Então, há essa proposta. Segundo Paula Balduin, diretora
- 15:17de PolÃticas para Quilombolas e Ciganos do Ministério da
- 15:21Igualdade Racial, o que houve foi que eles levaram em
- 15:25consideração a Convenção da Biodiversidade na COP-XVI como
- 15:29uma proposta comum ao Brasil e à Colômbia, que tem como centro o
- 15:35reconhecimento dos povos afrodescendentes na
- 15:40implementação da Convenção da Diversidade Biológica.
- 15:48Sete e quarenta e quatro. Bom, agora chegou a hora daquela
- 16:34nossa conversa semanal que você espera sempre.
- 16:38Nós esperamos, todos esperamos, às vezes ansiosamente, né?
- 16:43Que é a conversa com o economista, filósofo, professor
- 16:47da Universidade Federal do Ceará, Fábio Sobral.
- 16:52Bom dia, professor Fábio Sobral. Bom dia, professor Fábio Sobral.
- 17:00Bom dia, Nona, bom dia aos ouvintes e aos ouvintes.
- 17:03Ã, Fábio, nós estamos à s vésperas do segundo turno em
- 17:06cinquenta e uma cidades brasileiras, porque só as
- 17:09cidades com acima de duzentos mil eleitores têm segundo turno.
- 17:13No Ceará nós temos Fortaleza e Calcaia, ambas vão para o
- 17:18segundo turno para decidir quem vai administrar a cidade.
- 17:25E eu sugeriria a você, e você gostou da ideia, para a gente
- 17:30falar sobre o voto. O voto nesses cinquenta e um
- 17:33municÃpios, vão decidir as eleições em segundo turno.
- 17:37Atualmente, o que se diz é que a estrutura partidária brasileira,
- 17:41que é muito grande, eu confesso que não sei mais quantos
- 17:45partidos existem no Brasil. porque eram muitos, a última vez
- 17:49que eu contei parece que tinha trinta e cinco, mas eu não sei,
- 17:52confesso que eu não sei. E os pequenos, para sobreviver,
- 17:56a legislação incluiu lá o sistema de federação partidária,
- 17:59que aà é a forma de sobrevivência dos pequenos
- 18:01partidos, porque uma das ideias da última, que chamaram reforma
- 18:06partidária, era um pouco para... Eliminar pequenos partidos, aÃ
- 18:10nessa eliminação eu eliminaria também a possibilidade de
- 18:13ampliação do espectro polÃtico ideológico estruturado em
- 18:16partido. Agora, o que se diz, era o que
- 18:19eu ia falar inicialmente, é que os partidos, boa parte deles,
- 18:23não todos, mas a maioria, a grande maioria, tem dificuldade
- 18:28de levar adiante seus programas partidários, porque muitas
- 18:31das... Muitas vezes precisa fazer
- 18:33alianças e as alianças são tão dinâmicas e tão amplas que os
- 18:37programas partidários ficam secundários.
- 18:43Na hora da decisão, percebendo essa situação em que os
- 18:49partidos, em boa parte, estou falando genericamente no paÃs
- 18:53todo, não estou falando especificamente de um ou outro,
- 18:55mas genericamente no paÃs, ocorre que os partidos deixam em
- 18:59segundo plano os seus programas partidários, os seus projetos
- 19:03para o paÃs e para os municÃpios, em função da
- 19:07articulação ali para ganhar a eleição.
- 19:10O eleitor também, na hora de tomar decisão, ele acaba também
- 19:15fazendo isso, deixando de lado algumas coisas que ele tem como
- 19:20essenciais para o municÃpio, em função de...
- 19:24Do objetivo imediato de garantir a eleição, existe isso?
- 19:28Como é que funciona, afinal? Não, Mato, nós vivemos uma
- 19:33situação tão complicada, onde forças antidemocráticas se
- 19:41expandiram muito, e essas forças democráticas têm voto,
- 19:49conquistaram uma parcela grande da população, Isso não é só no
- 19:53Brasil, é no mundo todo, em boa parte do mundo, não vou dizer no
- 19:58mundo todo, mas em boa parte do mundo, há um projeto da
- 20:01extrema-direita. Nós temos discutido aqui para
- 20:06implementar a destruição da democracia por dentro da
- 20:09democracia, que às vezes uma parte do eleitorado que quer
- 20:14preservar essa democracia tem que engolir programas que não
- 20:19são exatamente os seus, né? Você tem que usar o voto útil.
- 20:23Você acaba tendo que compor para poder preservar alguns
- 20:30princÃpios básicos, civilizatórios, humanos,
- 20:34humanitários. Então, é a nossa situação hoje.
- 20:39Nós não podemos discutir programas polÃticos mais
- 20:46sofisticados. Nós voltamos a uma época em que
- 20:49é à preciso preservar, sim, algumas pedras fundamentais para
- 20:54a nossa convivência coletiva, para evitar o retorno da
- 20:58ditadura, para evitar a implementação de polÃticas
- 21:04racistas, misóginas, transfóbicas, destruidoras da
- 21:12natureza. Nós chegamos a uma situação
- 21:14muito grave. Ã isso.
- 21:16Uma situação extrema, né? Extrema.
- 21:21Agora eu lhe pergunto, esse sistema de dois turnos que nas
- 21:27cidades, pelo menos acima de duzentos mil eleitores, tem,
- 21:30ajuda um pouco o eleitor a tomar uma decisão que seja aquela que
- 21:38ele considera, no seu nÃvel de consciência, de conhecimento, de
- 21:42análise das candidaturas, melhor para o municÃpio?
- 21:48Eu considero que Permite a aglutinação, né?
- 21:54Acaba permitindo a aglutinação dos dois blocos.
- 21:58Aquele bloco defensor do extremismo de direita na
- 22:04tentativa de retornar ao Brasil aos anos setenta, a gente tem
- 22:08que ser bem claro, e numa situação piorada, né?
- 22:14Uma situação em que a iniciativa é para construir polÃticas
- 22:22legislações que desenvolvam essas polÃticas que eles
- 22:27acreditam, transformar em lei o extremismo de direita, a
- 22:34discriminação e a destruição da natureza.
- 22:38Então, acaba sendo uma forma dos dois grupos entrarem em um
- 22:45embate E, de modo geral, os dois turnos têm refletido isso.
- 22:51Têm refletido, de um lado, um grupo em defesa da civilização,
- 22:57vamos dizer abertamente, e um outro grupo em defesa da
- 23:01barbárie, do caos, de um projeto destrutivo.
- 23:06Então, eu acho atualmente necessário, sabe, que a gente
- 23:12possa até votar num outro partido que você concorda mais
- 23:15no primeiro turno, E no segundo, não, espera aÃ, vamos aqui unir
- 23:21as tropas em defesa da civilização.
- 23:25à uma espécie de acordo tácito, do mesmo jeito que os partidos
- 23:29se reorganizam para a disputa, que é uma segunda eleição, a
- 23:33rigor, o segundo turno. Também os eleitores fazem esse
- 23:36mesmo movimento, não é isso? Isso, é um movimento necessário,
- 23:42um movimento necessário, até porque...
- 23:45O perÃodo eleitoral foi muito encurtado.
- 23:51Os debates não refletem mesmo a discussão aberta das propostas.
- 23:57Elas acabam sendo formas de retórica e de marketing.
- 24:08Então não refletem os programas concretamente.
- 24:12à muito mais um teatro. E não há uma discussão mais
- 24:17séria para que a gente possa ver mesmo onde aquele candidato ou
- 24:21aquela candidata quer chegar. Nesse clima aÃ, Fábio, não há
- 24:29espaço para que essas propostas apareçam?
- 24:32De modo que o eleitor decide, olha, vou votar porque o
- 24:36candidato X ou Y, A ou B, tem tais e tais propostas que eu
- 24:42defendo para a minha cidade. Ã, não há espaço.
- 24:46Nos debates o tempo de resposta é cada vez mais curto, né?
- 24:51Você precisa ser uma metralhadora.
- 24:54E acaba, vou usar uma linguagem assim mais jovem, acaba muito
- 24:58mais sendo bom para quem é capaz de fazer lacração, né?
- 25:05Sim, está na moda, né? A lacração.
- 25:07A lacração. Você corta uns pedaços e aÃ
- 25:09parece que você foi assim... O superman, a superwoman dos
- 25:14debates, né? Sim.
- 25:18Ã incrÃvel como a gente reproduz os dilemas.
- 25:21A democracia ateniense era muito complicada, escravocrata e tal.
- 25:26Mas reproduz os mesmos dilemas, sabe?
- 25:29Eu me lembro do Sócrates falando mal dos sofistas, que falavam o
- 25:37que não acreditavam, sabe? Para tentar conseguir os cargos.
- 25:41Nós estamos no mesmo dilema. Lá não acabou bem, não.
- 25:47Fábio, nesse sentido, a verdade passou a ser algo que exige uma
- 25:55explicação? Ou seja, não há um acesso a algo
- 26:00que seja verdadeiro na polÃtica? Em boa parte, ela seria regida
- 26:05por simulações, por lacrações, por atuações desse tipo?
- 26:11Vale o que alguém diz e não a verdade?
- 26:14Ã, isso foi sendo elaborado ao longo dos anos cinquenta, mas
- 26:21veio desde o século vinte, ou século vinte não, o final do
- 26:26século dezenove, quando o conceito de verdade passou a ser
- 26:30relativo. Eu tenho a minha verdade e você
- 26:32tem a sua. Mas é óbvio que nós temos que
- 26:38construir uma visão humana. O problema é que até hoje ela
- 26:46não foi construÃda. Na verdade, antes de existir
- 26:51essa visão relativa da verdade, ela já interava, só não estava
- 26:55no conceito. A polÃtica sempre foi a polÃtica
- 27:00do mais forte, o mais forte impõe.
- 27:06E nós chegamos a esse estado em que a própria polÃtica se
- 27:09degradou ao ponto de ser simplesmente uma farsa.
- 27:16Um teatro de quem é melhor na encenação, na atuação teatral.
- 27:23Me desculpe o teatro, o teatro é tão legal, né?
- 27:26à teatro mesmo, de verdade não faz isso.
- 27:28Não faz, o teatro é uma das maiores invenções da humanidade.
- 27:34Mas esse teatro... Teatro fake, vamos chamar assim,
- 27:40né? Da polÃtica.
- 27:41Vagabundo, esse arancês fuleiragem, ele tem vencido, né?
- 27:50Tem vencido. E aÃ, Fábio, eu vou fazer a
- 27:54pergunta mais difÃcil agora. Talvez seja uma pergunta besta.
- 27:58Tem cinquenta e uma cidades para o eleitor decidir agora quem vai
- 28:03ser o prefeito ou a prefeita, porque tem alguma mulher, pouca,
- 28:07mas tem. nessas disputas. Eu lhe pergunto, o que o eleitor
- 28:12pode fazer num quadro como esse, completamente adverso em relação
- 28:16ao acesso à informação correta e também, de certo modo, sem
- 28:21identificar mesmo o que o candidato ou a candidata de fato
- 28:26pretende fazer? Isso é muito complicado, até
- 28:31porque... um perÃodo de enorme possibilidade de informação.
- 28:37Você tem a internet, né? Sim.
- 28:39Só que aà os que dominam a internet montaram esquemas que
- 28:45são dominados por algoritmos, por sistemas matemáticos, que
- 28:48dirigem a informação. Então, ao dirigir a informação,
- 28:53na época da maior informação, nós temos uma deformação, uma
- 29:01deformação terrÃvel Então, cabe à s pessoas ver diversas fontes.
- 29:11Por exemplo, a gente discute à s vezes aqui polÃtica
- 29:13internacional, né? Sim.
- 29:16Eu olho todas as... Na guerra do massacre de Israel,
- 29:21genocÃdio de Israel, posso afirmar completamente, contra os
- 29:25palestinos, eu vejo desde fontes turcas, libanesas, iranianas,
- 29:32sauditas, israelenses e americanos.
- 29:34Você tem que ver todos os lados, sabe?
- 29:38Para compor um quadro. Só que tem havido reformas do
- 29:44ensino para diminuir a capacidade crÃtica na educação.
- 29:50Há muito tempo vem sendo feito isso.
- 29:53Para diminuir a capacidade de pensar por conta própria.
- 29:56Tem sido o sistema da grande mÃdia, o sistema de dirigir as
- 30:00pessoas... Para programas de auditório,
- 30:03gritando e pulando, né? Sim.
- 30:08E o pensamento se reduz. Você tem entrevistas nas
- 30:12televisões, nas grandes televisões.
- 30:15Vamos ver várias opiniões. Na verdade, é a mesma opinião,
- 30:18né? Só mudam as pessoas.
- 30:20Muda o nome, muda o endereço. Todos são do mercado financeiro,
- 30:25por exemplo, na área de economia.
- 30:27Todos são dos bancos, dos grandes bancos.
- 30:29Então, é uma época de controle das ideias, né?
- 30:34Controle das ideias. à uma época de... em mil
- 30:38novecentos e oitenta e quatro, mas bem pior do George Orwell,
- 30:42sabe? Sim, do livro.
- 30:43Do livro, é. Meu amigo Fábio Sobral, muito
- 30:48obrigado pela sua participação, pelos esclarecimentos que sempre
- 30:52você traz para a gente aqui. E até a próxima segunda-feira.
- 30:57Segunda-feira eu já estou, eu vou antecipar aqui na frente de
- 31:00todo mundo. Tá bom?
- 31:03Mas você discordar, fica à vontade.
- 31:04E aqui a gente pode discordar, viu?
- 31:06Sem problema. Vamos fazer uma análise na
- 31:09segunda-feira do que vai sair das urnas no domingo?
- 31:13à quase inevitável. à quase inevitável, por isso que
- 31:17eu estou dizendo aqui, porque eu acho que nós não temos saÃda a
- 31:19não ser... Eu espero que seja uma boa
- 31:22análise. A análise é sempre boa.
- 31:25O material é que seja bom também.
- 31:27Tomara que os resultados sejam bons.
- 31:30Exatamente. Ok, Fábio Sobral, muito
- 31:32obrigado. Tudo de bom.
- 31:34Boa semana. Boa semana para todo mundo.
- 31:37Aà foi o filósofo, economista e professor da UFC, Fábio Sobral,
- 31:40conversando com a gente aqui, começando bem a semana.
- 31:45Vamos a um breve intervalo? Em seguida a gente volta.
- 31:53Rádio Livre, apresentação Nonato Lima.
- 32:02Rádio Livre, apresentação Nonato Lima.
- 32:10Agora são oito horas e três minutos.
- 32:13Nós começamos na semana passada uma série de entrevistas
- 32:16relacionadas com comunicação no contexto das comemorações dos
- 32:21quarenta e três anos da Rádio Universitária FM, que estão
- 32:26sendo comemorados este mês. E aà a nossa entrevista de hoje,
- 32:30ainda nessa série sobre os quarenta e três anos da Rádio
- 32:34Universitária FM, a nossa entrevista de hoje é com o
- 32:37jornalista Márcio Rodrigues, que é produtor e apresentador do
- 32:41programa Mundo do Trabalho aqui na Rádio Universitária FM. à s
- 32:45quintas-feiras, agora às quatorze horas, não é?
- 32:47Ã, das quatorze à s quinze. Quatorze à s quinze horas.
- 32:50E é produtor e apresentador do podcast Tribuna Bancária, do
- 32:54Sindicato dos Bancais do Ceará. Márcio, é uma alegria, um
- 32:56prazer, uma honra tê-lo aqui no programa para a gente conversar
- 32:59um pouco sobre essas questões que são de interesse efetivo eu
- 33:05diria, da sociedade brasileira, porque, pela comunicação, uma
- 33:10conversa que tivemos há pouco tempo aqui com o Fábio Sobral
- 33:13aponta para esses questionamentos.
- 33:15Eu estava ouvindo. Qual é o papel da comunicação na
- 33:17democracia? Eu acho que é geral, total, e
- 33:21ele pode dar um direcionamento se a gente vai ter uma
- 33:25democracia ou se a gente vai ter uma fachada, um verniz
- 33:28democrático em cima do que a população vai consumir em termos
- 33:35de informação. Isso, eu queria começar
- 33:39conversando com você sobre o mundo do trabalho.
- 33:43O mundo do trabalho nós criamos aqui, junto com um radialista e
- 33:50publicitário, Jaci Oliveira. Ele fez jornalismo também, ele
- 33:54se esforçou tanto. Eu acho a história do Jaci
- 33:57realmente uma história muito bonita, porque...
- 34:00Ele já era dirigente sindical, ele já era radialista, e ele
- 34:06ainda teve a força de vontade e a dedicação de ir para dentro
- 34:12dos bancos escolares e se formar em jornalismo.
- 34:15à muito bacana isso. Era um militante também das
- 34:18causas. Da democracia.
- 34:20Isso. E identificado com as lutas dos
- 34:23trabalhadores. Ele já se trabalhou com a gente
- 34:25na Rádio Extra, que era a produtora que criou o Rádio
- 34:27Bancário, que criou o Rádio Livre, E ele, com a gente, criou
- 34:31o mundo do trabalho. Infelizmente, nós perdemos o de
- 34:35Jaci para a violência urbana. Muito triste.
- 34:41Foi em dois mil e dezessete. Em janeiro de dois mil e
- 34:45dezessete, ele foi almoçar e uma pessoa entrou lá e estava armada
- 34:54e disse para ele, me dá o seu celular.
- 34:57Uma época que roubavam muito celular, com aspectos graves de
- 35:02violência. E ele disse que não ia dar
- 35:05porque o celular era a fonte de todas as agendas dele e todos os
- 35:10contatos dele. E ele achou que ia ficar
- 35:13capenga, não ia conseguir dar continuidade à sua carreira de
- 35:17comunicador. E entrou em confronto fÃsico e
- 35:23infelizmente sofreu um tiro que lhe tirou a vida menos de vinte
- 35:28e quatro horas depois, mesmo sendo atendido pelo SAMU, levado
- 35:33a um hospital. à uma história que revela como a
- 35:38nossa sociedade é injusta. Uma pessoa que merecia estar em
- 35:43cima de um pedestal, pelo menos sendo observado como um grande
- 35:49lÃder e que, infelizmente, se foi de uma maneira besta.
- 35:54Isso, é uma perda que a gente teve, mas que deixou um legado,
- 35:58né? O mundo do trabalho.
- 35:59Com certeza. Quando nós criamos o mundo do
- 36:01trabalho, foi uma conversa assim, ele tinha feito o curso
- 36:06de radialista, né? E tinha vontade de ter um
- 36:09programa de rádio. E a gente tinha um horário
- 36:11contratado com a Fundação Ciência, Espécie e Cultura, que
- 36:14era no sábado, sete da manhã. Um horário bom do ponto de vista
- 36:17jornalÃstico, mas que a gente não conseguia dar conta, porque
- 36:20a gente já tinha dois outros programas na época, que era o
- 36:23Rádio Bancário, Rádio Livre, e vários outros trabalhos de
- 36:25consultoria. Essa coisa não dava tempo para o
- 36:28doutor da Rádio Oeste dar conta. Isso, eu quero fazer um programa
- 36:33para mais reflexão, para acrescentar o que a gente já
- 36:37fez. Eu me lembrei que tem uma rede
- 36:39de rádio, ainda tem nessa rede, com um programa muito bem feito,
- 36:42muito interessante, chamado Mundo Corporativo, que é o ponto
- 36:48de vista do empresariado. Eu disse assim, tem uma ideia,
- 36:50vamos fazer o Mundo do Trabalho? Vamos trazer o Mundo do Trabalho
- 36:54para o rádio? E aà ele rapidamente viabilizou
- 37:00o projeto e nasceu assim o mundo do trabalho, com articulação com
- 37:04as entidades sindicais e tal, e o programa ia muito bem.
- 37:08Depois avançou para as redes sociais, então tinha todo um
- 37:12trabalho... Bom, e quando a gente perdeu o
- 37:16de Jacir, ficou um pouco preocupado, como é que a gente
- 37:19vai fazer? Aà chegou você para assumir o
- 37:22mundo do trabalho. Ã, veja, eu não cheguei sozinho,
- 37:26professor. Pois é, vamos lembrar esse
- 37:28momento. A gente teve um grupo
- 37:32capitaneado pelo professor Fábio Sobral, que estava aqui até há
- 37:36pouco. Sim, era um colaborador
- 37:38permanente do programa Mundo do Trabalho.
- 37:40Comandando, inclusive, o núcleo de economia polÃtica da UFC, na
- 37:48época, o Vies. Ele tinha uma linha de pesquisa
- 37:54e alguns estagiários ajudavam a desenvolver, ele promovia
- 37:58seminários. E aà juntou o Mundo do Trabalho
- 38:02com o Vies e eu... aceitei o desafio e estou aqui até hoje,
- 38:10junto com o Vies, tocando aqui a questão do mundo do trabalho,
- 38:14onde a nossa ideia é juntar as pesquisas da academia, as
- 38:21atuações de dirigentes sindicais e demonstrar ao conjunto da
- 38:27sociedade como é importante a gente ter essa união para
- 38:34reflexão, para a gente poder entender como se dá a
- 38:38organização social do trabalho e como é importante a gente ter
- 38:44clareza de que nós temos muito a ganhar quando a gente entende
- 38:50melhor a forma como o trabalho se organiza para que a gente não
- 38:54seja passado a perna, como se diz lá da terra de onde eu vim,
- 39:01alguém passar a perna para você acabar perdendo alguma coisa.
- 39:06Por isso, a gente precisa estar sempre muito atento e forte.
- 39:09Certo, você falou aà nas suas origens, lá você fazia, você vai
- 39:13dizer de onde veio, você fazia um outro jornalismo, não é?
- 39:17Completamente diferente. Fala um pouquinho dessa
- 39:19experiência aqui, que acabou depois indo para esse caminho
- 39:23agora. Eu sou o verdadeiro VIP,
- 39:25professor, eu fico brincando com as pessoas porque eu vim do
- 39:28interior do Paraná. Certo.
- 39:31Eu nasci em Guarapuava, me criei em Ponta Grossa e fiz a minha
- 39:34faculdade lá em Curitiba, no âmbito da Cidade Federal do
- 39:37Paraná, onde eu permaneci, fiz o curso de graduação em jornalismo
- 39:43e permaneci para fazer o curso de publicidade e propaganda.
- 39:47E depois ainda fiz um mestrado em educação, bem depois, quando
- 39:54eu retomei meus estudos. Mas a minha atuação profissional
- 40:00puxa sempre para atuar dentro de uma redação.
- 40:04Dentro de uma redação, a gente tem determinadas limitações,
- 40:09porque quem manda é o dono do jornal.
- 40:13Por incrÃvel que pareça, embora os cânones do jornalismo
- 40:17indiquem que você precisa ter um determinado equilÃbrio, quando
- 40:21você olha para as editorias de polÃtica, quando você olha para
- 40:24a editoria de economia, não da editoria de esporte, mas à s
- 40:30vezes também acaba acontecendo. Você tem uma determinada
- 40:34influência externa ou de quem conduz aquela empresa que visa
- 40:40lucro. O jornalismo tem muita seriedade
- 40:49dependendo da forma como o dono da empresa conduz a empresa.
- 40:55Eu trabalhei durante vinte e dois anos, de mil novecentos e
- 40:58noventa a dois mil e doze, dentro de uma redação.
- 41:03Durante um determinado perÃodo, durante seis anos, eu prestei
- 41:07serviço ao conjunto da categoria.
- 41:09Eu fui diretor de defesa corporativa e depois eu fui
- 41:12diretor-presidente dos sindicatos jornalistas lá no
- 41:16Paraná. Então, eu tenho uma determinada
- 41:18experiência e consigo entender esses dois lados.
- 41:22Por isso, para mim, foi um tanto quanto...
- 41:27Foi um encaixe, na verdade, porque as coisas que eu penso
- 41:31acabaram se encaixando e eu trazendo aqui para dentro da
- 41:36Rádio Universitária, na faixa de quatorze às quinze horas do
- 41:41programa Mundo do Trabalho, não uma visão de mundo, mas uma
- 41:45defesa de que um outro mundo é possÃvel e que a gente precisa
- 41:49se organizar enquanto trabalhador.
- 41:51Então, a gente ouve a classe trabalhadora, onde raramente ela
- 41:56tem espaço nos veÃculos de comunicação.
- 41:59Por isso é tão importante você já ter essa experiência
- 42:01anterior. Perceber dentro da redação o
- 42:06quão difÃcil é para você, à s vezes, construir a partir dos
- 42:11cânones do jornalismo que sempre pregam.
- 42:15à um equilÃbrio, você ouvir os lados participantes e,
- 42:20dependendo da editoria, isso é desprezado por causa dos
- 42:25interesses econômicos e dos donos de veÃculos de
- 42:28comunicação. Agora, o que você vê como o
- 42:32maior desafio nesse projeto de trazer para o rádio... as
- 42:38posições nos vários aspectos da vida relacionadas com o mundo do
- 42:43trabalho, o que seria o mais desafiador para vocês?
- 42:49você ter tempo suficiente para poder trazer as demandas do
- 42:56mundo do trabalho. Porque, se a gente olhar a
- 42:59relação do mundo do trabalho e perceber o conceito do que é o
- 43:03mundo do trabalho, você vai ver que existem muito mais lutas do
- 43:08que o espaço que a gente tem aqui para poder divulgar essas
- 43:11lutas. Então, a gente tenta tratar com
- 43:14o maior carinho possÃvel o maior cuidado possÃvel de trazer aqui
- 43:19para dentro desse espaço rádio as demandas que estão mais
- 43:26candentes e nem sempre a gente consegue, infelizmente.
- 43:31E aà tem muita luta que a gente poderia estar falando aqui
- 43:36semanalmente, por exemplo, vou fazer um recorte bem curto aqui,
- 43:40que foi a questão da greve dos professores, dos TAIs e até dos
- 43:48estudantes aqui nas universidades federais do Estado
- 43:51do Ceará, que teve uma defesa contundente da Dufs Sindicato.
- 43:57A gente trouxe aqui o pessoal da Dufs, o pessoal do Sintufs, o
- 44:02pessoal do IFCE, do Sindicifse, né?
- 44:07E a gente fez alguns debates, mas a greve se estendeu por cem
- 44:11dias e a gente fez duas ou três intervenções no sentido de
- 44:16explicar para a sociedade que o pessoal não quer só ganhar mais
- 44:21dinheiro, porque nem sempre o foco do trabalhador é o
- 44:25dinheiro. Aliás, o foco de quem é o
- 44:29dinheiro não é o trabalhador, né?
- 44:31Exatamente. Ã o empregador.
- 44:34Quem discute dinheiro é quem tem o dinheiro.
- 44:36A gente tem, na verdade, a força de trabalho.
- 44:39Exatamente. E aà a gente precisa valorizar a
- 44:42força de trabalho, mas não só isso.
- 44:44A gente precisa também refletir se esse modelo econômico, se ele
- 44:50realmente vai nos levar a algum lugar ou se vai ser tipo o nosso
- 44:55meteoro. Certo.
- 44:57Agora, você falou a questão conceitual do mundo do trabalho,
- 45:01e eu estou lembrando aqui que há uma preocupação grande no
- 45:04movimento sindical, que é a fragilização mesmo, a ameaça
- 45:08concreta nas condições econômicas e polÃticas
- 45:11internacionais hoje. Ora, se a estrutura sindical é
- 45:14fragilizada, claro que aà a luta dos trabalhadores também é
- 45:17afetada, e, por via de consequência, a comunicação
- 45:21também é comprometida. Eu queria que você falasse um
- 45:23pouco da comunicação a partir desse...
- 45:27Certamente, a gente ainda está, em determinados aspectos,
- 45:34engatinhando como se fôssemos bebês. nesse espaço que é a
- 45:40comunicação sindical. Porque é onde a gente poderia e
- 45:45deveria estar fazendo o enfrentamento da condição de
- 45:52trabalho, da forma como a gente se organiza enquanto sociedade.
- 45:56O professor Fábio Sobral, eu gosto muito de beber nessa
- 46:01fonte, porque ele nos traz muitos ensinamentos e eu queria
- 46:09lembrar o seguinte, aquilo que você acabou de dizer, a única
- 46:14coisa que a gente tem é a nossa força de trabalho.
- 46:17Então, para que a nossa força de trabalho seja realmente
- 46:23organizada o suficiente para fazer o enfrentamento a essa
- 46:26força gigantesca, que é o capital, que cada vez está mais
- 46:30concentrado... mais forte e mais agressivo, precisamos nos
- 46:36organizar. E uma forma de nos organizar é
- 46:38justamente criar espaços nos quais possamos nos comunicar com
- 46:45a sociedade como um todo. E o caminho, para mim, só existe
- 46:53um caminho, que é a comunicação. E a comunicação sindical precisa
- 46:58estar organizada para que ela possa chegar até a sociedade
- 47:04como um todo. Por isso é tão importante que as
- 47:08direções dos sindicatos façam todo o esforço possÃvel e façam
- 47:16todos os investimentos necessários.
- 47:18Para quê? Algum tipo de caminho no qual
- 47:25você vai dialogar com a sociedade, porque se você ficar
- 47:29só esperando que os meios de comunicação cumpram a sua função
- 47:33social, de trazer uma comunicação equilibrada, um
- 47:37jornalismo honesto, um jornalismo que informe, a gente
- 47:41não vai chegar a lugar nenhum, porque há muito tempo a gente já
- 47:44percebe que eles têm lado. Infelizmente.
- 47:49Então, nós precisamos ter veÃculos próprios dentro das
- 47:55estruturas sindicais, como é o caso, por exemplo, nós temos
- 47:59bons exemplos aqui no Brasil, a TVT, TV dos Trabalhadores, que
- 48:03existe lá em São Paulo, o ICL, que existe há quatro anos e que
- 48:08traz uma visão diferente do mundo. e que está olhando, por
- 48:12exemplo, o ICL tem uma parceria fantástica junto ao Movimento
- 48:18dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
- 48:21Ele ajudou o movimento a... alavancar recursos e fazer com
- 48:28que a produção agroecológica, que é uma produção que não usa
- 48:36agrotóxicos e que traz um alimento saudável e leva para a
- 48:40mesa do trabalhador ou para as escolas... uma forma de você
- 48:45sobreviver. Ou seja, a organização dos
- 48:48trabalhadores precisa estar atenta e construir alternativas.
- 48:54Se a gente depender única e exclusivamente do modelo
- 48:58capitalista... provavelmente a gente não vai chegar a lugar
- 49:01nenhum, mas a gente tem como resistir.
- 49:03E a prova disso está aqui no mundo do trabalho, modéstia Ã
- 49:07parte, a prova está no ICL, a prova está na TVT, e a prova
- 49:12está em muitas entidades nacionais, como o Andes... como
- 49:18os sindicatos dos bancários unidos através da CONTRAF e
- 49:25muitas outras entidades que já se aperceberam da importância da
- 49:30comunicação e estão criando estruturas.
- 49:33Uma das alternativas é você criar exatamente o que o
- 49:36professor acabou de criar o ano passado, se não me engano, que é
- 49:40um podcast. Um podcast é um caminho muito
- 49:43importante para você trilhar nessa estrada da comunicação,
- 49:50que é uma gigantesca infovia, para que você consiga chegar até
- 49:56a classe trabalhadora. Certo, você, durante a pandemia,
- 49:59você ampliou o mundo, não é nem que ampliou, naquele momento...
- 50:03Eu fui obrigado, exatamente. Nós tivemos todos que ir para...
- 50:07Para o online. Para o online.
- 50:08E você, então, passou a fazer as lives, as transmissões e manteve
- 50:13isso depois. Manteve, por muito tempo.
- 50:16E estou tentando manter também, professor, toda a transmissão
- 50:19que a gente faz aqui ao vivo, agora a gente traz uma câmera,
- 50:23coloca ali um tripé, e a gente usa uma plataforma de
- 50:28transmissão que ocupa dois canais no YouTube.
- 50:34Um é o canal do Mova-se, O outro é a TV HBR, uma experiência.
- 50:39A TV do habilidoso. Isso, a TV do habilidoso, do meu
- 50:44amigo Luiz Carlos Regadas. E a gente usa também o Facebook
- 50:50do Programa Mundo do Trabalho, que são três canais onde a gente
- 50:56tenta dialogar com a sociedade, dando uma opção além da emissora
- 51:02rádio universitária, que é... Para mim, agora vou puxar muito
- 51:07a sardinha para a minha brasa, a melhor emissora que tem em
- 51:11termos de programação para quem quer refletir sobre a realidade,
- 51:16quem quer se divertir, quem quer acessar informações.
- 51:22Tem uma programação variada, isso não nasceu agora, né?
- 51:26O professor tem um histórico bastante rico aqui dentro, sabe
- 51:30do que eu estou falando. Então, é um lugar onde, além de
- 51:35você consumir cultura, você também pode chegar a informações
- 51:41que são construÃdas com equidade, com honestidade e que
- 51:45têm um lado, o lado da classe trabalhadora.
- 51:50Vou lembrar aqui que... Já falamos, mas vou aproveitar
- 51:54aqui para fazer uma publicidade do programa.
- 51:56à quinta-feira. Quinta-feira, das quatorze à s
- 52:02quinze horas, ao vivo aqui na sua Rádio Universitária.
- 52:07Raramente a gente está fazendo, desde junho desse ano, quando a
- 52:11gente retornou, o ao vivo. A gente está fazendo sempre ao
- 52:17vivo a transmissão aqui na emissora, na Rádio Universitária
- 52:21FM e também nesses três canais que eu citei.
- 52:24As várias opções, que é muito interessante.
- 52:27Agora, vamos aproveitar, o foco aqui foi muito no mundo do
- 52:31trabalho, porque nós estamos comemorando os quarenta e três
- 52:35anos da Rádio Universitária. E é um produto importante.
- 52:38E de um jornalismo que impactou a história do rádio cearense,
- 52:42porque quando a Rádio Universitária começou... acharam
- 52:46estranho, esdrúxulo, escandaloso o jornalismo numa rádio FM, você
- 52:51ter três jornais, um debate, uma entrevista semanal, isso é rádio
- 52:55AM. Era uma confusão que se fazia
- 52:56entre a tecnologia e a programação.
- 53:00A tecnologia não determina a programação.
- 53:03Você determina a programação e usa a tecnologia que tem, aquela
- 53:07que você... Tem disponÃvel, né?
- 53:10Por óbvio. Mas eu queria acrescentar aqui,
- 53:14aproveitando a sua presença, para a gente falar um pouquinho
- 53:17da mais nova experiência que você está comandando agora, que
- 53:22é o podcast Tribuna Bancária do Sindicato dos Bancários do
- 53:24Ceará, que é também uma entidade muito importante na história da
- 53:28comunicação sindical no paÃs, o Sindicato dos Bancários do
- 53:32Ceará. Eu iria além, professor.
- 53:34O Sindicato dos Bancários é uma entidade que ajudou a
- 53:38reconstruir o caminho do sindicalismo.
- 53:41Sim, verdade. Quando ele, por meio de uma
- 53:45vitória de um determinado grupo, que hoje está no poder,
- 53:51professor, de um determinado grupo de sindicalistas, ele
- 53:56ajudou a construir... com o apoio de uma pessoa fantástica,
- 54:02que é o juiz aposentado do trabalho, Inocêncio Shoa, ou
- 54:09hoje secretário, não sei se é secretário ainda, Nelson
- 54:12Martins. O que foi que eles fizeram?
- 54:16Eles retomaram os sindicatos bancários, reestruturaram os
- 54:22sindicatos bancários e fizeram com que os sindicatos bancários
- 54:27alavancassem e trouxessem de uma condição de intervenção as
- 54:35entidades para a defesa da classe trabalhadora.
- 54:39Como foi que eles fizeram isso? Incentivando as oposições a
- 54:43retomar as entidades, transformando-as em entidades de
- 54:46luta. Luta por condições melhores de
- 54:50trabalho, luta por pautas que transformam a sociedade, como,
- 54:56por exemplo, uma licença paternidade maior, como uma
- 55:02licença maternidade maior, como o pagamento de...
- 55:09PLR, que é uma forma de você dividir o ganho que é produzido
- 55:17pela classe trabalhadora entre mais do que apenas os
- 55:21administradores de determinada empresa.
- 55:24Então, qual é a importância de você ter um meio de comunicação
- 55:30para falar diretamente com a sociedade e com a sua categoria?
- 55:34Ã fundamental. Porque, sem um meio de
- 55:38comunicação, como é que você vai dizer a luta, como é que você
- 55:43vai explicar a luta que você está fazendo?
- 55:46A forma como você está organizando a defesa dos
- 55:49interesses dessa classe trabalhadora, se você depender
- 55:53única e exclusivamente dos veÃculos de comunicação
- 55:57tradicionais, as grandes emissoras de TV, os jornais que
- 56:03têm lado... as revistas nacionais, as rádios, e agora
- 56:11também, ocupando espaço, toda grande emissora tem o seu site,
- 56:17tem podcasts, tem... uma forma mais moderna de alcançar a
- 56:26sociedade, se você também não se modernizar, se você não trouxer
- 56:30para dentro da entidade uma forma de você dialogar melhor
- 56:35com a sociedade, eu não sei até quando, até que tempo a sua
- 56:40entidade vai funcionar, porque ela vai ser transformada.
- 56:45A gente pode pegar como exemplo determinados...
- 56:51PolÃticos que hoje em dia estão aÃ, inclusive, tão em voga que
- 56:56alguns estão no segundo turno. Que eles falam um monte de
- 57:00mentira, que não dialogam com nada da realidade e transformam
- 57:06aquela fala deles, pela forma como eles falam, em uma grande
- 57:10verdade. Ou seja, um candidato que é
- 57:15misógino, um candidato que é homofóbico, um candidato que
- 57:20prega o armamentismo, um candidato que prega a
- 57:25desconstrução de que o Brasil não tem racismo.
- 57:29Como assim? Nós temos vários aà no paÃs com
- 57:32esse tipo de pensamento. Infelizmente, infelizmente.
- 57:34Vários, cinquenta e um municÃpios disputando e essa
- 57:37questão aparece. E aÃ, professor, é assim, se
- 57:40você não tiver uma entidade sindical organizada e com um
- 57:44veÃculo de comunicação ou vários veÃculos de comunicação, várias
- 57:49alternativas para você dialogar com a sociedade e mostrar, isso
- 57:54aqui está errado, Não vamos nos sucumbir a esse tipo de gente.
- 58:01Márcio Rodrigues, jornalista e companheiro aqui da Rádio
- 58:04Universitária, obrigado pela sua participação, parabéns pelo
- 58:06trabalho que você está fazendo. Obrigado.
- 58:08à uma alegria tê-lo aqui neste momento.
- 58:11Estamos aqui em defesa da classe trabalhadora.
- 58:14Eu sempre falo que se algum empresário se sentir tocado...
- 58:23pode procurar os veÃculos deles. Aqui é um espaço, o mundo do
- 58:29trabalho é um espaço onde a gente vai dialogar com a
- 58:33sociedade, mas com a visão da classe trabalhadora.
- 58:37Ok, muito obrigado, Assis Lima. Chegamos ao final do Rádio Livre
- 58:43de hoje. Começando bem a semana.
- 58:45Obrigado, Márcio Rodrigues. Amanhã a gente volta às sete e
- 58:49meia ao vivo com o Rádio Livre. E você acompanha o nosso
- 58:52programa no podcast Rádio Livre com Nonato Lima.
- 58:56Um abraço. Obrigado.
- 58:59A Universitária FM apresentou Rádio Livre.
- 59:06As livrinhas...