Latest / Corrida no Ar News / Quênia ou Etiópia? Qual é o melhor lugar para fazer uma imersão de corrida? Ft. Ademir Paulino
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- 0:47e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí e aí
- 1:07e aí e aí Opa, seja bem -vindo, bem -vindo ao Corrida
- 1:14No Arme, eu nome é Sérgio Rocha, esse aqui é o Café
- 1:16e Corrida, que é um programa que vai ao ar ao
- 1:18vivo de segunda a sexta, sete horas da noite, no
- 1:21YouTube e Instagram. Beleza, vira podcast depois, se
- 1:24você quiser escutar isso aqui em a gravação, você
- 1:26vê no YouTube, mas também vira podcast, procura ali
- 1:29por Café e Corrida em qualquer desses programas,
- 1:32Spotify ou qualquer outro aplicativo que toque
- 1:35podcast, beleza? Então, isso aí, ó, esse é o
- 1:39nosso semana, tem a manatona do Rio, certo? Ó,
- 1:41na sexta -feira, sexta -feira, a gente vai fazer
- 1:44um treinão saindo às sete horas da manhã no Forte de
- 1:48Copacabana ali, ó, no final da ciclovia ali, vamos se
- 1:51juntar e fazer um treininho de meia hora. Quem
- 1:53quiser é só colar, certo? No
- 1:56campo lá no Forte de Copacabana, sete horas da
- 1:59manhã para a gente se juntar lá, correr, fazer
- 2:01uma resenha e depois todo mundo volta para o hotel
- 2:03para tomar a casa da manhã, fechou? Ó,
- 2:06hoje o programa é bacana que hoje é com meu amigo,
- 2:09Ademir Paulino, a gente vai falar sobre mais uma
- 2:11experiência dele indo lá para o Quênia, não só para
- 2:15o Quênia, mas dessa vez ele foi petiópia, a gente
- 2:16vai falar sobre isso. Ademir
- 2:18Paulino, pode tirar do Mute aí, tudo bem? Boa
- 2:21noite! Boa noite, Serginho, tudo certo,
- 2:26cara? Um prazer poder falar com você
- 2:28mais uma vez. É um prazer inarrável, Ademir.
- 2:33Muito bom, muito bom. Não,
- 2:35é legal, eu gosto dessa conversa com você. A
- 2:38gente não só aqui na frente das câmeras, mas a
- 2:41gente tem sempre umas conversas boas, é um cara
- 2:44que conhece um pouquinho, um pouquinho sobre corrida.
- 2:49Eu gosto para casete desse
- 2:50negócio, mano, problema é esse. Gosto
- 2:54do assunto, gosto de conversar sobre o assunto e
- 2:56tudo mais. Tem uma... Acompanha
- 2:58a corrida há muito tempo, então tem umas curtições aí
- 3:00que você vai arrabar com as patas bacanas, cara.
- 3:02Agora, me diz aí, antes a gente
- 3:03começar, Mico, como é que foi sua história aí de
- 3:06você ficar indo para o Quênia, treinar? Por
- 3:07que você decidiu fazer isso? Explica
- 3:09para nós aí. É, cara, eu sou apaixonado
- 3:13pela corrida, eu faço esporte desde criança, hoje
- 3:20estou com 46 anos, eu tenho 37 anos de esporte,
- 3:24eu comecei com 9 anos de idade, uma coisa, né,
- 3:28comecei muito cedo. Por incentivo dos pais? Por
- 3:31que você começou? Foi incentivo dos seus pais,
- 3:34não? Eu e um amigo, a gente
- 3:37começou numa história de brincadeira, vamos correr
- 3:40até o McDonald's, vamos ver quem chega primeiro e,
- 3:44cara, eu tive a sorte, aquela coisa do destino de
- 3:48ter um vizinho que viu a gente correndo e falou,
- 3:51cara, eu treino numa equipe lá no Ibrapoera, era o
- 3:55único grupo no Ibrapoera que tinha, a gente está
- 3:57falando aí de 88, os idos de 88, 87 e aí eu fui,
- 4:05quando eu cheguei ali, eu falei, cara, é isso que eu
- 4:07quero, sabe, desde muito cedo. Enfim,
- 4:10aí as coisas, né, Serginho, eu sempre fiz as coisas,
- 4:15eu sempre gostei de fazer as coisas e fundo, e
- 4:18fundo, sabe? Então, quando eu comecei a
- 4:21treinar, eu comecei a treinar para ser atleta,
- 4:23para viver do esporte. E os Kenyanos, naquele, quando
- 4:28eles começam, nos anos 90, quando eles começam a vir
- 4:33para cá com xeroiô, com poltergá, aqueles caras,
- 4:39eles vêm para cá com uma hegemonia já mostrando serem
- 4:42diferentes. E a partir daquele momento,
- 4:45eu já me liguei aqueles caras como exemplo de alta
- 4:50performance. Legal. E a gente sabe, né,
- 4:53Serginho, quando a gente vai pesquisar sobre esses
- 4:55caras, tanto Kenyan como a Etiópia, a gente não acha
- 4:58nada, né, os caras não postam, você estava falando
- 5:01aí de TikTok, os caras não sabem nem o que é que é
- 5:04que é que é que é. Ah, tem dança de TikTok hoje
- 5:06aqui, a gente vai ver. Bem irritada aliás. Exato,
- 5:10exato. E aí cara, eu descobri esse
- 5:12local, fui sozinho, quando cheguei lá, eu tive uma
- 5:15conexão tão grande com o local e com as pessoas que
- 5:19a partir daí eu começo a criar essa conexão de levar
- 5:22corredores brasileiros para treinarem no Kenyan e agora
- 5:27completou a quarta vez o quarto grupo aí para o
- 5:30Kenyan comigo, eu fui essa vez com 28 pessoas. Claro.
- 5:34E aí dessa vez a gente, eu fui para Etiópia, né,
- 5:38porque as conexões foram acontecendo e aí, bom, a
- 5:43gente falando das duas maiores escolas de corrida
- 5:46do mundo, é o Kenyan, onde eu conheço um pouco, né,
- 5:51essas cinco vezes que eu fui, conheço um pouco,
- 5:53entendo o que que acontece lá e aí a Etiópia também
- 5:58com essa coisa de meu, o que esses caras fazem,
- 6:01quais são as diferenças, o Kenyan é assim como é na
- 6:03Etiópia, como que é esse movimento de corrida lá,
- 6:08como que essa escola funciona e aí enfim, foi
- 6:12essa história, né, de querer ir fundo, de querer
- 6:16buscar mais conhecimento, de curioso mesmo. E
- 6:20o que está consolidado para você, na sua visão do
- 6:23treinamento no Kenyan ali, até porque o Kenyan tem
- 6:25uma, digamos, a gente vai dizer que a estrutura para
- 6:28receber corredores de fora no Kenyan é muito mais, é
- 6:32mais consolidada assim, né, digamos assim, né, tá, tem
- 6:35mais campings, tem tem a parte só dos europeus, que
- 6:38de humanos atrás, o tomás que o cara já montaram,
- 6:41né, como é que você vê esse movimento lá desde a
- 6:44primeira vez que você foi? Ah,
- 6:46cresceu muito, né, Serginho, a primeira vez que eu fui
- 6:48em 2017 para hoje, a gente, o principal é o que
- 6:53você falou, né, naquele momento em 2017 tinha o
- 6:57Hightitude Train Center, que é o local que eu fico,
- 7:00que é o local que eu tenho parceria, que recebia
- 7:03pessoas de fora e como é o local extremamente pobre,
- 7:09a gente não tem muitas opções para ficar, então o
- 7:13Hightitude eram dos únicos. Aí
- 7:15os franceses fizeram, já na segunda vez, tem lá o Camp
- 7:19da Renix, que recebe corredores de língua
- 7:22francesa, tem o Camp da Casa Suíça, tem Casa
- 7:26Coreia, tem Casa... Vários países criaram uma estrutura
- 7:33para receber os atletas, né, os seus atletas para
- 7:37receber lá, porque é um local que é pequeno, o
- 7:42Kenyan, aí já é uma diferença, né, da Etiópia,
- 7:45o Kenyan a gente tá falando de Tem, uma cidade
- 7:47pequena com 20 mil habitantes onde eu já ouvi
- 7:52falar que 8 mil pessoas correm, né, então mais,
- 7:56quase metade das pessoas todo mundo corre, né, a
- 8:00gente foi setuar aí as pessoas mais velhas e as
- 8:04crianças, então é praticamente todo mundo
- 8:07corre e aí acontece que foi crescendo esse movimento
- 8:12e lá tem tudo, né, Serginho, quando a gente
- 8:15fala de que um atleta precisa para treinar, tem
- 8:18companhia, tem atmosfera, tem o local que é muito
- 8:23propício, tá 2 ,4 cento de altitude, centenas de
- 8:28quilômetros de estradas de terra e o que acontece,
- 8:33né, Serginho, lá eles têm já um padrão de treino,
- 8:38então o Kenyan, ele não precisa ter um treinador
- 8:43para estar dentro do padrão de treino Kenyan dentro
- 8:49daquela escola, porque na segunda tem o treino, na
- 8:52terça é a pista, na quarta é outro treino, na quinta
- 8:56é o Fortilec, na sexta é o treino da Floresta, no
- 8:59sábado é o longo. E esse treino, esse esquema
- 9:03de treinamento Kenyan foi da escola italiana, né,
- 9:06isso é intuito pelos italianos que foram lá
- 9:08treinar os Kenyan, certo? Exatamente,
- 9:11aí quando a gente volta um pouco, dessa vez eu tive o
- 9:14privilégio de ouvir essa história do Brother Com, o
- 9:19Brother Com é o primeiro, né, ele foi para lá, ele
- 9:22contou a história que ele foi para lá para dar
- 9:24treino, olha que história interessante, Serginho, a
- 9:27galera, ele foi para lá em 78, em 78 ele foi como um
- 9:34professor para dar treino de futebol, e aí quando
- 9:38ele chegou lá, ele percebeu que o futebol ele precisava
- 9:43de muitas pessoas, nem todo mundo não tinha essa
- 9:46cultura do futebol, e ele começa a treinar os atletas
- 9:51na corrida, porque ele falou que não tinha o que
- 9:53ele fazer, né, e aí ele começa a treinar aquela
- 9:56galera na corrida, e ele começa a perceber que
- 10:00aquela galera treinando corrida, eles começaram a
- 10:05melhorar muito rápido, e em 83 ele foi numa competição
- 10:11a nível na África, e ele levou 12 atletas e oito
- 10:17atletas ganharam medalha, porque de diferentes
- 10:22categorias ele falou, opa, tem alguma coisa diferente
- 10:25aqui, né, e aí a partir disso o mundo começa a
- 10:31olhar para lá, né, notadamente os italianos, os
- 10:35italianos tem uma escola muito forte de corrida,
- 10:38você sabe disso, os anos, nos anos 80, 90, a galera
- 10:43quando queria saber mais de corrida ia para Itália, tem
- 10:46Dorando Pietre, tem muita gente importante, exatamente,
- 10:50a escola italiana é linda, é uma escola muito
- 10:53conceituada, e aí os treinadores foram para lá e
- 10:59esquematizaram essa semana de treino dos atletas,
- 11:06então hoje eles têm esse padrão e é o mesmo padrão,
- 11:10e aí eu vejo também que a escola etilpe também bebe
- 11:16nessa influência italiana, até porque a gente tem os
- 11:22agentes de atleta lá, grande maioria é todo
- 11:25italiano, o Gianni, Johnny DeMadonna, o Federico Rosa,
- 11:32tem um forte, como é que é o cara que todo mundo
- 11:36fala do treinador lá, aquele muito importante. Tem
- 11:40o Gabriel, eu tive contato com ele agora, enfim, a
- 11:48gente até jantou juntos lá, mas enfim, essa escola
- 11:51italiana, o Canova também, o Canova foi o que
- 11:57organizou isso, né, foi o que organizou essa, tanto
- 12:01na Etiópia como no Quênia, esse esquema de treino,
- 12:05obviamente, Sérgio, agora o que eu tenho visto também,
- 12:08uma mudança, é que os ex -atletas, e agora os
- 12:14Kenianos já se formaram e tal, os ex -atletas
- 12:17estudando, então o próprio ruto que veio para o
- 12:21Brasil é um excelente treinador, aí tem o
- 12:24Cheromei, David Marus, tem o treinador do do Kip Chou
- 12:31e o Patrick Sangue, então são treinadores que são ex
- 12:40-atletas, né, o Patrick Sangue fala que competiu
- 12:42com Joaquim Cruz, muito legal, né, então são ex
- 12:47-atletas que estudaram e que hoje começam a fazer alguma
- 12:52coisa diferente, até para entender, olha, dá para
- 12:55fazer isso aqui, talvez de reage melhor assim, assim,
- 12:57assado, não é uma coisa tão fechada assim, né, como
- 13:00os italianos, né? É, exatamente, aí o que a
- 13:02gente vê hoje, Sérgio, é assim, holandeses,
- 13:06notadamente, os atletas... Tem
- 13:09muita gente, tem muita gente holandês lá também,
- 13:12né, verdade? É, morando lá, né, esses
- 13:15atletas morando lá, porque o que que tem para fazer
- 13:18em Itém é treinar, você não tem um, você não tem
- 13:23o local para sair para comer, você não tem o
- 13:25local para para diversão, então o atleta ali, você
- 13:30fica extremamente focado, porque você tem aquela
- 13:34rotina, todo mundo sai para correr de manhã, você
- 13:37encontra todo mundo porque o local é pequeno, então
- 13:40se está chovendo à noite, no dia seguinte de manhã,
- 13:45a gente já ouve as notícias para onde os
- 13:47atletas vão, então galera, hoje a galera vai lá para
- 13:51o asfalto, porque choveu muito à noite, então é
- 13:54aquele local pequeno que você consegue entender o
- 13:58que está acontecendo e está junto desse movimento. E,
- 14:02anémia, toda vez que você volta lá com seus alunos,
- 14:05sempre tem uma grande transformação nas pessoas,
- 14:07né, que vão com você lá para entender a cultura e
- 14:10tudo mais, até a questão de disciplina, de
- 14:13treinamento, né? É, exatamente, a gente é um
- 14:17choque de cultura, né, Serginho? É
- 14:19assim, cara, eu quero, algum dia a gente vai
- 14:22fazer uma viagem dessa juntos, que a gente
- 14:24conversa direto sobre isso, né? Mas
- 14:27é assim, Serginho, se a gente encontrar qualquer
- 14:31pessoa em Itém, qualquer um, qualquer um, pode ser
- 14:35atleta, não atleta, mas vou imaginar um atleta que a
- 14:38gente encontra ali, a gente começa a conversar com esse
- 14:41cara, esse cara sabe da história do esporte, ele,
- 14:46ah, sou do Brasil, ah, Van der Leek Cordeiro, ah,
- 14:50Joaquim Cruz, os caras sabem mais do que nós, né?
- 14:54Eles vivem muito esporte, né?
- 14:55Então eles vivem o esporte de
- 14:58uma maneira, é uma cultura que eles conhecem, e aí
- 15:01quando a gente começa a falar sobre treinamento, aí
- 15:04os caras dão aula, como se os caras, cada um deles
- 15:06fosse um treinador, né? Então,
- 15:09ah não, hoje é um pouco mais devagar, amanhã a
- 15:12gente está nessa fase, tem que segurar, é aquela
- 15:16experiência que é difícil você encontrar um cara
- 15:21assim em outro local, então você imagina, quando a
- 15:24gente passa para nossa cultura, que é uma cultura
- 15:27que está começando a se desenvolver, né? A
- 15:31gente hoje como corredores, né? Nossa
- 15:33cultura esportiva de maneira geral, ela está começando a
- 15:37se desenvolver, né? Então a gente é, a gente está
- 15:40um bebezinho começando a dar os primeiros passos,
- 15:44né? Um canal igual seu é um canal
- 15:47que é que traz um conteúdo para as pessoas e que
- 15:50começam a ensinar as pessoas sobre sobre a
- 15:53corrida, né? A gente tem poucos canais
- 15:56desse, eu vejo, dentro da da da cultura, da
- 15:59quantidade de pessoas que a gente tem. Então
- 16:01quando um corredor do Brasil, por mais é tarado
- 16:07que ele seja pelo esporte, quando ele chega lá, é um
- 16:10choque de cultura, porque eles encaram o esporte de
- 16:14uma outra maneira, a questão do respeito, o
- 16:18respeito assim, o que esses caras, a a demonstração de
- 16:22respeito que eles têm ao esporte, à corrida, é um
- 16:26negócio, é uma aula para nós, né? Então
- 16:29a última vez a galera, pô, você está muito nervoso,
- 16:32não sei o quê, porque eu estava o grupo ali e a
- 16:34gente ia encontrar com um grupo queniano que ia sair
- 16:37para correr e eu falei galera, não vamos conversar,
- 16:41fica quieto, vamos ouvir e sentir como que é um
- 16:45treino desse, porque eles chegam de manhã, Sardinho,
- 16:48às dez pra seis da manhã, todo mundo chega quieto,
- 16:52então tem aquele silêncio e nós brasileiros, já está
- 16:57gritando, às dez horas da manhã, eu falei galera, por
- 17:02favor, vamos chegar quieto, vamos viver essa
- 17:04experiência, vamos ver a experiência, porque talvez é
- 17:07a única chance que você vai ter na vida de ver um
- 17:11treino desses caras começando e aí os caras
- 17:13chegam ali quieto, todo mundo tranquilo e aí um
- 17:17dos atletas, né, chega ali na frente e toma a
- 17:22palavra, explica, hoje é isso, vamos fazer dessa
- 17:25maneira, choveu, tem um lugar que tem barro, né,
- 17:29porque assim, todo mundo é bom, né, Sardinho? Então
- 17:32você imagina que um treino desses não é difícil virar
- 17:37uma competição, claro, claro, virar uma competição,
- 17:41sempre vira, sempre vira, então aí o que que eles
- 17:44fazem? Eles têm essa consciência, é 3
- 17:46e 40, não é 3 e 30, não é 3 e 50, o ritmo hoje é
- 17:523 e 40 e aí eles respeitam exatamente isso,
- 17:56né, porque senão eles também, se não treinar
- 17:59certo, né, eles têm essa consciência, se não treinar
- 18:02certo não vai melhorar, então eles fazem buy the
- 18:06book, 3 e 40 é 3 e 40, né, então a gente é essa,
- 18:12esse choque de cultura do brasileiro que tem um pra
- 18:15lá, nós brasileiros, é uma das coisas mais legais,
- 18:20porque as pessoas a gente aprende muito e vê o
- 18:23esporte com outro olhar, né, a gente tem essa
- 18:27mudança de perspectiva, né, Sardinho, a gente olha de
- 18:31um jeito, não é corrida aqui, os caras estão
- 18:33olhando do outro lado pra cá, né, então essa mudança
- 18:36de perspectiva muda, inspira muito as pessoas e
- 18:41transforma realmente a gente, a gente vai lá, a
- 18:43galera que vai pra lá e por aí esse ano é então
- 18:47vamos só ver essa imagem aqui que você mandou pra
- 18:49mim, né, que é um dos lugares poucos lugares que
- 18:53são as faltadas no quênia, né, exatamente, essa é a é
- 18:57a estrada de Moibém, essa é a estrada Sardinho, os
- 19:02atletas vão para correr os 45, 40 quilômetros, é uma
- 19:06reta só, esse é o treino que ele faz de quinta
- 19:10-feira, esse treino, alguns atletas fazem quinta -feira,
- 19:16mas eles fazem mais o longo ao sábado e aí eles
- 19:20estão treinando para as maratonas rápidas, né, então
- 19:22Berlim, Londres, Chicago, porque o percurso é plano
- 19:27e é bom lembrar a galera que não conhece lá no
- 19:30quênia é só subir e descida, então cara, esse
- 19:33aí foi um dos treinos que a gente fez, é o último
- 19:35treino que a gente faz do nosso programa, 21
- 19:38quilômetros, eu tive a honra, né, eu que estou
- 19:40correndo aí no meio, eu tive a honra de ser puxado
- 19:43por dois quenianos e eu falei para eles, né, aí eu
- 19:47tava já tava cansado, eu falei para eles que eu
- 19:50queria correr a meia abaixo de uma hora e vinte e eu
- 19:53acabei correndo para um em vinte e dois e eles
- 19:55ficavam me puxando o tempo inteiro meu, a gente tá
- 19:57atrás, a gente tá atrás eu falei meu, não consigo,
- 20:01aqui os caras uma facilidade, serginho, uma
- 20:08facilidade, parece que os caras estavam trotando,
- 20:10sabe, e estavam mesmo, né, pelo ritmo deles, é bom
- 20:14lembrar que a gente tá a dois e quinhentos aí de
- 20:16altitude, legal demais cara, e daí a variação que você
- 20:20tem, tem essa estrada de o asfalto e o resto tudo
- 20:24estrada de terra, né, tudo estrada de terra e aí eles
- 20:28também têm uma coisa que os treinadores mesmo falam,
- 20:32os atletas falam assim, pisar no asfalto uma vez
- 20:35por semana, no máximo, uma vez por semana, então eles
- 20:39deixam ou longo para o asfalto quando é o longo
- 20:42de mais intensidade ou aquele tempo, o tempo run
- 20:47ou o Fortilec, né, então um desses treinos eles vão
- 20:51com o asfalto o restante e todos é em estradas de
- 20:55terra e muitas vezes, né, isso é uma dificuldade que
- 20:59a gente teve lá que é uma dificuldade de adaptação
- 21:02para a gente correr lá é que é como se fosse
- 21:05corrida de montanha, tá, serginho? Alguns
- 21:07trechos, alguns trechos é trilha single track, só um
- 21:12passando, um atrás do outro e aquelas subidas muito
- 21:16íngremes e são os treinos, né, até o Danielzinho
- 21:20comenta muito desses treinos que é um dos treinos que
- 21:22ele mais gosta é esse treino entrar pra dentro da
- 21:26floresta e é isso quando eles vão para o asfalto
- 21:30eles estão geralmente muito bem. Aí
- 21:33é também a diferença de você, pelo menos eu vou
- 21:36dizer, é lógico que o Rio de Procure é bem diferente
- 21:39desse, né, mas eu corro basicamente estrada de terra
- 21:42e na pista durante a semana e quando eu vou
- 21:45fazer o longo parece ser rende muito exatamente
- 21:46porque tem muito uma extração no asfalto, né,
- 21:49nos correga tanto como a terra, né, muda bastante a
- 21:52relação ali, né. É, e aí a gente tem uma
- 21:54questão, né, serginho, você imagina, a gente tá falando
- 21:57aí de 20 a 30 % menos impacto, tá, então imagina
- 22:03o seu programa de uma semana, tá, então em uma
- 22:06semana você correndo no asfalto você tem 100 % de
- 22:11impacto, tá, e aí você imagina que nessa semana
- 22:15você mudando como você tem aí a pista, você é
- 22:17privilegiado, tem aí... Muito
- 22:19privilégio. ...estados de terra, pra treinar, ao
- 22:22invés de 100 % de impacto, né, aquele impacto gerado
- 22:27100%, você vai ter 70%. Então
- 22:30dá pra você correr um dia mais na semana, entendeu?
- 22:35Tenho certeza. Quem
- 22:35tá correndo no asfalto corre quatro vezes, se você
- 22:39tá correndo na terra você conseguiria correr cinco
- 22:42vezes na semana e tendo um desgaste das suas
- 22:47articulações, da sua partióssea, quantas lesões
- 22:51são de osso de articulação que são totalmente evitáveis
- 22:56a gente correndo em pisos naturais. Lembro
- 23:01quando eu treinava com Vanda Elé de Oliveira, eu
- 23:03me lembro a semana que eu cheguei e fiz 100
- 23:04quilômetros na semana, eu me lembro que eu senti que
- 23:06eu tinha corrido 100 quilômetros mesmo, porque eu
- 23:08tava realmente cansado. E quando eu comecei a
- 23:11treinar, na pandemia, quando eu comecei a usar esse
- 23:14caminho, muita terra, muita terra, muita terra, eu
- 23:17cheguei a fazer 115, não parecia que eu tinha
- 23:19corrido, né? Só por essa mudança de solo,
- 23:24mas é claro, porque também tem o fato de aprender a
- 23:26correr, de vagar, de verdade, correr leve de
- 23:30verdade, né? Que é uma coisa muito
- 23:31importante se aprender lá também, né, Dimeir?
- 23:33Exatamente. O segundo período desses
- 23:35atletas é assim. A gente até queria achar
- 23:40esses caras no segundo período, porque eles saem
- 23:43para correr o segundo período três, quatro vezes
- 23:45na semana e os caras rodam a 5 ,30, 5 ,40 por
- 23:50quilômetro. Então, você imagina um atleta como
- 23:55Kibbe Voltkende, que é o cara que foi recordista da
- 23:59Meia, é o atleta que correu a Meia. A
- 24:03Meia, exatamente. É o cara que correu a Meia
- 24:06mais vezes na Casa de 57, só para a galera ter uma
- 24:10noção, 57 é 240 e alguma coisa. É
- 24:13ridículo, ridículo. É, uma coisa assim, não dá
- 24:15nem para entender, né? Esse cara, no segundo período, a
- 24:19gente presenciou o segundo período rodando 12
- 24:22quilômetros a 5 ,30 por quilômetro. O
- 24:25cara que correu a dar 2 ,40,
- 24:59Eu ouvi, tá, eu ouvi, aí eu não vou falar o nome,
- 25:03tá, não vou falar o nome. Eu
- 25:04ouvi de um brasileiro que é atleta profissional
- 25:08brasileiro que conseguia acompanhar os caras nos
- 25:12treinos de intensidade e não conseguia acompanhar os
- 25:16caras no devagar. Ele falou, demir, não dá cara,
- 25:195 ,40 eu não consigo, a passada eu não vai, eu não
- 25:22sei correr, né. E aí, Serginho, tem uma coisa
- 25:26que eu gostaria que eu vale a pena a gente chamar
- 25:30atenção com relação a isso, tá. Eu
- 25:33conversei com os treinadores e os treinadores, eles
- 25:37falam que é o seguinte, esse segundo período, ele
- 25:42tem vários objetivos, né. Eu
- 25:45vou falar de um dos objetivos. Um
- 25:47dos objetivos é a parte técnica. Porque
- 25:51você imagina, Serginho, porque que é difícil correr
- 25:54devagar? Porque exige técnica. Então,
- 26:01o correr mais devagar, se você tá acostumado e cada
- 26:04um tem o seu devagar, né, você tá correndo aí, você
- 26:06tem o seu 5 para 1 que você faz a meia, quando
- 26:10você vai correr a 6 e 30, talvez você não acha a
- 26:13postura, você não acha o jeito de correr e é mais
- 26:16fácil, a galera que corre sabe que a entra em na
- 26:19sábada é mais fácil correr um pouco mais rápido.
- 26:22Então, essa corrida mais lenta,
- 26:24ela tem o objetivo de ser um trabalho técnico.
- 26:29Entendeu? Legal, legal. Esses
- 26:31atletas, eles estão fazendo porque aeróbico, como que
- 26:35tá a frequência desse cara que corre a 2 e 40, tá
- 26:38correndo a 5 e 30? 120, né. Não,
- 26:41tá 0. É, exatamente. É,
- 26:44100 e 5. Isso, isso, a frequência do cara
- 26:48tá baixa. Então, qual que é o objetivo? É
- 26:50um objetivo técnico, correr nessa velocidade. Aí,
- 26:54Serginho, a gente contrata, né, eu tava com 28
- 26:57brasileiros e a gente tinha 13 paces. E
- 27:01esses paces todos são caras que correm bem, tá, eu
- 27:04tava com a gente e aí a galera correndo para 6, 6
- 27:06e 10, 5, 4 e 30, o pacer vai do lado e ele vai do
- 27:11lado ali correndo bonito, cara, não é uma coisa que
- 27:14ele tá ali, né, então a gente vê que isso é da
- 27:17escola. Eles sabem, é técnica, né, e a
- 27:21gente, ah, não, eu não consigo correr devagar
- 27:23porque você não tem técnica, meu amigo. Você
- 27:26precisa aprender. Eu acho, eu acho assim que a
- 27:30coisa de aprender a correr devagar de verdade foi
- 27:33muito libertadora sempre para mim, até porque ela
- 27:36tem uma semelhança muito grande com com aquela coisa
- 27:39que acontece quando a gente decide caminhar. Ah,
- 27:41vou dar uma andada de uma hora, você pensa em
- 27:43trilhões de coisas, né, só cabe. E
- 27:45você, quando você aprende a correr devagar, o efeito é
- 27:47muito semelhante, só que muito mais benéfico, né,
- 27:50para a corrida, né, porque além de você estar
- 27:52trabalhando essa técnica, você começa a trabalhar uma
- 27:54parte da musculatura que você não trabalha quando
- 27:56corre mais rápido, né, é uma coisa de suportar, de
- 27:59suporte que vai te ajudar numa prova, assim, né,
- 28:02quando você está mais desgastado, o resto da
- 28:03musculatura está te suportando ali, né, cara.
- 28:07Exatamente, exatamente. Você
- 28:08falou a palavra certa, é um suporte a gente pisando
- 28:12no chão, né, quando você está correndo mais rápido,
- 28:15quando você começa a correr um pouquinho mais devagar,
- 28:17você tem um padrão diferente de pisar no chão.
- 28:20Então, isso, esse padrão de pisar
- 28:23no chão, é, ele, você vai aprimorando, né, você
- 28:28aprimora esse jeito de pisar no chão. Então,
- 28:31toda musculatura envolvida na passada, ele também é
- 28:36aprimorado. Então, você tem um ganho técnico,
- 28:41você tem um ganho de eficiência, porque correr
- 28:44nada mais é que você ser eficiente, é você aprender
- 28:48a ser eficiente. Então, esse toque no chão, né, e,
- 28:52Serginho, eu corri, né, isso é uma coisa que ficou
- 28:56muito na minha cabeça, agora falando de eficiência,
- 28:59é, eu corri atrás de um etíope, foram setenta
- 29:05minutos, a gente treinou numa altitude de três mil
- 29:08e a gente correu a cinco por quilômetro e eu corri
- 29:13o tempo inteiro, eles fazem esse treino, né, na grama,
- 29:16no meio da floresta, de fazer zig -zag, de
- 29:19contornar... Mudança de direção, muita mudança
- 29:23de direção, né. Mudança de direção, exato. E,
- 29:26cara, eu fiquei uma hora e dez atrás desse atleta, ele
- 29:29chama Demiço Leguessi, inclusive ele iria vir para
- 29:34a maratona do rio, mas não veio. E
- 29:36esse cara também vale contar a história do
- 29:39Bequeli, depois se quiser a gente conta a história do
- 29:41Bequeli. Claro, claro, vamos falar. Esse
- 29:43cara, ele pisando no chão, né, e a gente assim, ó, o
- 29:48cara está pisando no chão, está correndo, mas eu nunca
- 29:52vi uma precisão tão grande na nenhuma passada, né.
- 30:00Talvez porque eu fiquei, o cara é
- 30:02de alto nível, é um cara que tem duas e seis na
- 30:04maratona, mas porque eu fiquei atrás dele e o
- 30:08jeito que esse cara pisava no chão, é um jeito, era
- 30:11uma coisa totalmente diferente que eu já tinha
- 30:14visto na vida. É legal. É
- 30:17uma precisão em cada passo, o jeito que ele coloca o
- 30:21pé, o jeito que ele tira, como ele escolhe os locais
- 30:25que ele coloca o pé no chão. Então,
- 30:27assim, cara, é primoroso ver, sabe, o alto nível. O
- 30:33que a gente acha que é igual, né. Ah
- 30:36não, está só pisando no chão. É
- 30:39diferente. Não é igual, não é igual, é
- 30:41cada um tem. E aí a gente está nesse
- 30:43caminho, né, nessa linha de evolução. E
- 30:48como foi essa, vamos aproveitar esse gigante que
- 30:50você acabou de falar de Etiópia. Como
- 30:52é que foi essa experiência de teio do lá, cara? É,
- 30:55Etiópia, o Quene a gente está falando de um local
- 30:57pequeno, né. Então, a 2000, no raio de 15
- 31:02quilômetros, Serginho, estão todos os corredores. Então,
- 31:06em Di tem até Capitagat, estão todos os corredores.
- 31:11A gente está falando de 15
- 31:12quilômetros. Então, ali está todo mundo
- 31:14concentrado. Quando a gente vai para Etiópia,
- 31:17a Etiópia, o movimento acontece na capital. E
- 31:21a Zabeba? E a Zabeba é uma cidade
- 31:24muito louca, 84 tribos, 84 isso a Etiópia, né. 84
- 31:30tribos, 84 culturas, 84 línguas distintas. E
- 31:35o Amárica é uma das mais antigas do mundo. Escrita
- 31:39mais antiga do mundo que não tem correlação com
- 31:41nenhuma linguagem que a gente conhece hoje. Zero,
- 31:44zero. Exatamente, você conhece. Então,
- 31:47a gente está falando de um local único no mundo, né.
- 31:5084 línguas, 84. E a Zabeba está todo mundo.
- 31:55No Quene a são, é só uma
- 31:57tribo, são os calendis. E aí a gente exetua uma ou
- 32:01outra atleta que não é calendí. Pô,
- 32:04teca, o que porra? E aí eu ouvi a história, eu
- 32:06lembrei de você, porque você havia, você foi um
- 32:08dos caras que me falou o Pôtergá não é calendí. Só
- 32:13que o Pôtergá, e aí um amigão meu lá do Quene
- 32:18falou, o Pôtergá ele vive na borda entre os calendis
- 32:24e a outra tribo, né. Então,
- 32:27os caras falam assim, ele viveu sempre na cultura
- 32:32calendí. Mas é porque ele falam pra
- 32:34mim, né, porque no caso, foi a entrevista que eu
- 32:36fiz com ele. Eu falei, não, e aí como é
- 32:38que foi isso? Não, porque o cara falou que o
- 32:40tio não está lento, eu falei, mas eu não sou
- 32:41calendí. Porque é exatamente isso. E
- 32:45aí na Etiópia, na Etiópia são todas as tribos, então
- 32:49não tem uma tribo que é hegemônica na corrida. Tem
- 32:53todos, os oromos, os tigrais, todas as tribos,
- 32:59essas grandes tribos, todas elas tem representantes.
- 33:04Então, e aí o movimento, ele é
- 33:06em regiões separadas. Então, tem um movimento onde eu
- 33:12fiquei em Sul -luta, que é a 2 ,7 cento de altitude.
- 33:17E aí tem um outro movimento,
- 33:20um pouquinho próximo de Sul -luta, que é como se a
- 33:24gente tivesse, pra quem é de São Paulo, é como se a
- 33:27gente tivesse, sei lá, tem o centro de São Paulo, e
- 33:29aí tem Osasco, tem Guarulho, que são partes um
- 33:34pouquinho mais afastadas da cidade, e é onde acontece
- 33:37esse movimento. Então tem isso que diferencia
- 33:40muito, no quênin a gente acorda, sai pra correr, na
- 33:44Etiópia, a gente acorda, entra na van e viaja pros
- 33:49lugares, né. E aí tem uma coisa muito
- 33:52interessante na Etiópia, que os caras jogam com
- 33:55altitude. Como assim eles jogam com
- 33:57altitude? A Dizabéba está a 2 ,400. Tem
- 34:01um local que eles treinam perto de a Dizabéba, que
- 34:04está a 2 ,000. Então, quando eles querem fazer
- 34:06treino muito intenso, eles jogam para esse local de 2
- 34:09,000. Aí eu estava em Sul -luta, a
- 34:122 ,600, 2 ,700. E aí tem o El Toto, que é
- 34:17uma montanha, que é plana, que é a 3 ,000 de
- 34:21altitude. Aí tem uma pista que está a
- 34:242 ,400. Então, dependendo do treino e do
- 34:27objetivo, eles vão para altitude ideal. Então,
- 34:32quando é treino leve, eles vão mais alto. Quando
- 34:35é treino mais intenso, mais baixo. Então,
- 34:38tem essas diferenças aí que os caras acabam fazendo. E
- 34:42escolhendo treino por essa questão da altitude. E
- 34:48os Etípsios também têm essa paranoia em correr devagar
- 34:51também. Isso também faz parte da cultura
- 34:53deles. Eu me lembro de um livro que
- 34:56eu li que é absolutamente sensacional. Depois
- 34:58até de passo, você não lê o Out of Thin Air, que é
- 35:01um cara que fica morando lá e vai treinar. Ele
- 35:04fala que tem um atu... uns caras... Um
- 35:07deles tinha um GPS. E o desafio do dia dos caras
- 35:12era quando batia o quilômetro e eles tinham
- 35:13corrido o quilômetro mais leito da vida. Você
- 35:20imagina, eu fiz esse treino a 3 ,000 de altitude. E
- 35:24eu fiz a 5 por quilômetro. A
- 35:263 de altitude dura, hein? Só
- 35:29como comparação, na Ethiopia, no Kenya, consegui
- 35:34fazer alguns treinos abaixo de quarto. Então,
- 35:36a 5 por quilômetro, teoricamente, é um treino
- 35:40mais fraco. Mas o que o atleta falou para
- 35:43mim, ele falou, cara, você vai perceber como você vai
- 35:47ficar durante o dia. Você vai perceber. E
- 35:49aí, eu... pô, terminei ali o treino. Não
- 35:51foi nem tão difícil. Mas, Serginho, a tarde, cara...
- 35:57Meu, terminei o almoço, cara. Te
- 36:01tive que dormir. Dormi a tarde. Eu
- 36:04estava com mais dois parceiros, que foram comigo.
- 36:09Os caras dormiram três horas a
- 36:11tarde, cara. Os caras começaram a dormir
- 36:14tipo três da tarde e foram acordar às seis da noite.
- 36:17Porque o efeito do treino é
- 36:20totalmente diferente. Então, você imagina, né? Você
- 36:24fazer um treino devagar, né? Fazendo
- 36:27curvas, né? Mudança de direção, aquele piso
- 36:31instável e a 3 mil de altitude. O
- 36:36ganho que isso não tem, né? Porque
- 36:38seu corpo não se desgasta fisicamente, mas
- 36:42fisiologicamente você tem todo o ganho de um ar
- 36:45rarefeito que está a 3 mil de altitude. E
- 36:48toda semana eles vão para esse local, é o todo. E
- 36:53também tem essa característica de correr
- 36:55mais na grama, né? Não é muito estrada de terra,
- 36:58é muito mais grama, correr na grama. Grama
- 37:00e essa coisa de você ficar fazendo mudança de repentina
- 37:03de direção, né? Então, quando o Paulo, né, do
- 37:07Nova Flor, a galera, eu acho que muitos... Você
- 37:09conhece o Paulo, que é esse empresário brasileiro
- 37:13que traz a galera para o Brasil, né? Traz
- 37:16os etíopes, traz, enfim. Quando
- 37:19ele me falou, eu falo lá, Demiro, os treinos aqui é
- 37:2285 % e 90 % na grama. Eu achei que ele estava
- 37:26exagerando, eu falei, meu, como assim, né? 85%.
- 37:29E, cara, é real, Serginho, é real. Os
- 37:33caras têm muita grama na Etiópia, tem muita grama,
- 37:36muito local. A gente parou em um local
- 37:39numa estrada, né? No meio do nada. Paramos,
- 37:43ah não, os atletas vem correr aqui, eu falei, meu,
- 37:44onde os caras estão levando a gente? Daí
- 37:46a gente entrou, né? Começamos
- 37:48ali, aí pegamos um gramado, passamos uma montanha, cara,
- 37:52um gramado. Pra onde você enxergava, tinha
- 37:56grama. E aí você via os corredores
- 38:01assim, sabe? Lá no fundo você via os
- 38:03corredores correndo do outro lado, aí passava a
- 38:05corredora do lado. E assim, não tem trilha, né?
- 38:09Não tem trilha, então você pode
- 38:10ficar em qualquer lugar. Faz
- 38:11o que você quiser aí, amigo. Fato
- 38:14que você quiser aí. E aí a gente correu,
- 38:17resumindo, a gente correu 15 quilômetros, 15
- 38:21quilômetros, só pisando na grama, 100 % do tempo na
- 38:26grama. Então, eles têm, acaba que a
- 38:30Zabeba, apesar de ser uma cidade grande, você também
- 38:34tem essa cara de cidade pequena, você sai ali das
- 38:37estradas, você sai das principais, você já consegue
- 38:41ir pra esses locais com grama, e aí eles fazem
- 38:44esse treino de mudança de direção, o pisar na grama
- 38:47é diferente, né, Serginho? Porque
- 38:49é gruda, né, cara? É diferente da terra, né? É,
- 38:53é mais macio, né? Macio, exato. E
- 38:58o pé fica mais grudado no chão, né? Não
- 39:00é uma coisa da terra, né? Então,
- 39:03é uma outra dinâmica, e eu fiquei imaginando, né, tanto
- 39:08os Kenyanos como os Etipes com esses locais diferentes
- 39:11de corrida, quando o cara pega um asfalto de Berlim,
- 39:16né? Imagina esses caras quando pisam
- 39:19aquele asfalto lisinho, né? Ah,
- 39:22dele, cara, voa. Voa! Não tem como, né? E,
- 39:27cara, me diz a coisa da estrutura, né? Ali
- 39:29é diferente, né? A estrutura de corrida que
- 39:31você tem no Kenya, que tem os Campes, né, que você
- 39:36pode ficar, tem várias, de vários países. Netope
- 39:40não é bem assim, né? Não, a Etope é assim, Serginho.
- 39:47Poucas pessoas visitam a Etope.
- 39:49Então, é um local que vai poucas
- 39:52pessoas visitarem. Então, a gente tava lá, assim, a
- 39:56comunidade sabia que a gente tava lá, né? Porque
- 39:59a gente era de fora, não acontece isso, o que tem
- 40:02agora é assim, né? O BQL, o BQL tem o hotel
- 40:07dele, o hotel dele é um hotel que foi construído
- 40:12dentro de uma pista, literalmente. Então,
- 40:16a gente descia do hotel de manhã, ia lá pra pista,
- 40:21andava 150 metros, que é no mesmo terreno do hotel
- 40:24dele. Essa pista aqui, onde o pessoal
- 40:26tá fazendo os educativos, ok? Exatamente.
- 40:28Lá no fundinho, lá no fundinho é o hotel dele.
- 40:30Então, esse aí é o... isso
- 40:33aí passa todos os dias, passam 400 atletas treinando
- 40:37aí, né? Essa é uma equipe de um
- 40:40treinador, que é um treinador Etope, e que
- 40:45estudou muito e hoje ele forma treinadores. A
- 40:48equipe dele é uma escola, cara, é uma escola muito
- 40:51definida, é muito bonito de ver. Cara,
- 40:55esse, esse... o que eu achei legal, assim,
- 40:57de ver essa imagem que você mandou, velho, é que
- 40:59os caras, você vê que os caras estão se divertindo,
- 41:01se conversando, e tudo mais não.
- 41:19Impressionante o ritmo, cara. É
- 41:20lindo, é lindo, é lindo. Não,
- 41:22cara, aí fazer parte disso, né? Eu
- 41:24tava ali no meio fazendo parte disso, é fazer parte
- 41:27da cultura dos caras, é sentir essa energia que os
- 41:31caras têm, e é isso que você falou, toda hora tem
- 41:34um que dá um gritinho ali, ui, ui, ui, ui, ui, ui,
- 41:36ui, ui. Isso, é. As
- 41:37caras estão fazendo, estão se divertindo mesmo, você
- 41:40pegou exatamente o espírito, que é uma diversão mesmo,
- 41:44e assim, esse é o treinador aqui, tá de verde
- 41:48e vermelho ali com as cores, né, da Etope, ele
- 41:50tava ali no cantinho. Tem um cara rastafado ali no
- 41:53meio, não sei, era você, né? Já
- 41:56amaram. Então, essa é a pista, é um
- 42:03local que tá começando a receber pessoas de fora.
- 42:07Mas, ó, Serginho, se eu não
- 42:08tivesse o apoio do Paulo, da Nova Flor, eu ia chegar
- 42:12lá, eu ia conhecer a pista e não ia saber pra onde
- 42:15ir. Então, é um local muito mais
- 42:18difícil, é um local difícil de montar um camp pra
- 42:22brasileiros, precisa de uma estrutura, enfim, eu tenho
- 42:29essa ideia de levar pessoas pra lá, mas ainda assim, o
- 42:33local tá muito cru, ainda pra receber um grupo de
- 42:37pessoas, né, de brasileiros pra viver essa cultura, é
- 42:41o que você falou, no Quênia, eles se organizaram
- 42:45pra receber pessoas de fora. Na
- 42:47Etope, até por conta de ser a cidade grande e os
- 42:53locais serem distantes, então, é mais difícil você
- 42:58conseguir acompanhar esse movimento de corrida deles.
- 43:03E o que você sentiu, assim,
- 43:05de diferença do jeito que os Kenianos encaram a
- 43:11corrida, essa cultura de corrida e os Etiops? Cara,
- 43:14é uma excelente pergunta. O Keniano, ele, o Keniano,
- 43:21não que o Etiope não seja, tá, mas o Keniano demonstra
- 43:25mais respeito. Então, quando os caras estão
- 43:29correndo, eles estão quietos, eles estão focados,
- 43:35eles estão, o Etiope, ele também é focado. Só
- 43:40que eu entrei num grupo o Etiope, eu falei, cara,
- 43:43isso aqui nunca seria um grupo Keniano, eles estavam
- 43:45aquecendo na pista, né, nesse mesmo dia, e aí o
- 43:50Legéci, que é um cara super conhecido lá, falou,
- 43:53ó, tem um brasileiro aqui com a gente hoje, aí os
- 43:56caras, né, olhando pra mim, né, o cara é grande, hein,
- 44:00os Etiops são todos pequenininhos. Tudo
- 44:02menos de 70 pra baixo, né, com 70 pra baixo. E
- 44:05aí eu ali e os caras, né, na língua deles falando um
- 44:09monte de coisa, e eles meio que dando risada, né,
- 44:12e eu falei, cara, num grupo Keniano jamais
- 44:14aconteceria isso. Tá. Certo, eles estavam no
- 44:16aquecimento, mas o Keniano, desde o primeiro instante,
- 44:19ele já tá ali focado, né, então eu vi isso, isso é
- 44:23uma diferença, tem uma diferença assim, é,
- 44:27Serginho, uma coisa incomum é que Kenia e Etiópia são
- 44:34pessoas extremamente pobres. Ah,
- 44:37sim. Então, os corredores vêm de uma
- 44:40parte socioeconômica muito, eles são muito pobres,
- 44:48então, tanto o Keniano como Etiop encaram a corrida
- 44:53como o trabalho, como o trabalho. Então,
- 44:57os caras, quando eles estão ali, eles estão na Etiópia,
- 45:01olha que coisa interessante, Serginho, na Etiópia
- 45:04acontece assim. Os caras vão pro treino,
- 45:08quando eles chegam lá, eles não sabem qual treino eles
- 45:11vão fazer, e nenhum treino ele sabe. Não
- 45:14tem ideia. Então, quando chega lá, o
- 45:16treinador fala, hoje vai ser isso, né, e eu
- 45:20perguntando pro cara que fez massagem, né, que era
- 45:23de uma equipe lá, eu falei, meu, mas assim, você
- 45:26não sabe se é 30 ou 40 quilômetros, ele não, não
- 45:29sei, quando eu chegar lá amanhã, o treinador vai
- 45:32falar, vai me falar, né, e aí ele falou assim, eu
- 45:36tenho o meu objetivo, eu confio no meu treinador,
- 45:41ele vai querer o melhor pra mim. Então,
- 45:43quando eu chegar lá, ele vai falar o que eu preciso
- 45:46fazer, e eu vou executar. Então,
- 45:49assim, uma coisa de confiança, uma coisa assim
- 45:52muito louco, né, cara, você imagina, o cara chega ali,
- 45:55não sabe se vai correr 40, se vai correr 30, se tem
- 45:5810 de mil, se tem 20 de quarenta... Você
- 46:00tem que estar pronto o tempo todo pra fazer as
- 46:02coisas. Exatamente, e ele falou não. Mas,
- 46:04Sade, agora voltando, quando você tinha treinador ali,
- 46:09de fazendo as suas coisas de alto nível, não era
- 46:11assim também, você não sabia o que você ia
- 46:13treinar no dia, você chegava hoje, vai ser, eu
- 46:14sei, quando você chegava na pista, vai ser isso aqui
- 46:17hoje, né, porque os caras vêm de sério que é assim,
- 46:20em alto rendimento, aqui, você chega, hoje você vai
- 46:23fazer tal coisa, você sabe que vai ter um longo ano
- 46:25de frança semana, mas você só vai saber que o tal,
- 46:27você vai fazer tanto, vai fazer ritmado, né. É,
- 46:29a gente tinha uma ideia, né, a gente tinha uma
- 46:32ideia, mas já chegou isso, acontece que isso, na
- 46:35Etiópia, é o Patreão, né, muito louco, é o Patreão,
- 46:38é, os caras sabem, mas enfim, falando das
- 46:42diferenças, né, Serginho, a gente tá falando de duas
- 46:45tri -tribos, né, os Etiópias saem de tribos, os Kenianos
- 46:49saem de tribos, e ambos, ambas as tribos, né, todos
- 46:53eles, eles são seres humanos fortes, foram
- 46:59forjados numa vida difícil, foram forjados o dia a
- 47:03dia, não é fácil dessa galera, então, são pessoas
- 47:08que, o que tem em comum entre essas pessoas, e aí,
- 47:11quando a gente fala de atletismo, atletismo não é
- 47:14fácil, né, você quer algum esporte fácil, não entra no
- 47:19atletismo, e principalmente, corrida de resistência, né,
- 47:23que são, são, é um esporte de extrema exigência física,
- 47:29você pode treinar e achar que tá dando o seu melhor,
- 47:33e não melhorar, chegar ao nível que não melhora, se
- 47:36você não dá um passo além, se você não quiser
- 47:39realmente melhorar, você não melhora, você pode estar
- 47:42treinando 365 dias a um ano, e esses caras, tanto
- 47:47Etiópia quanto Keniano, são pessoas fortes, os caras
- 47:52não demonstram fraqueza, os caras estão o tempo
- 47:55inteiro, né, aquela coisa de meu, vou lá e vou
- 47:59fazer, né, então, acaba que existem várias similaridades,
- 48:04mas a Etiópia, Serginho, parece uma escola de
- 48:09corrida, parece uma escola, é mais definido, sabe, os
- 48:14caras chegam na pista, tem aquele aquecimento, tem os
- 48:18educativos, tem, e no treino mais longo, tem um
- 48:23aquecimento ali de 2 quilômetros, tem os
- 48:25educativos, então, eu voltei muito com essa coisa de
- 48:29escola, sabe, a Etiópia parece uma escola muito
- 48:33mais definida, sabe, uma coisa mais sistematizada,
- 48:36assim você diria, né? Exatamente,
- 48:38exatamente, então isso é muito louco, né cara, é
- 48:40muito louco porque a gente consegue enxergar ali esse
- 48:46padrão de dentro da escola, que é o que eles fazem,
- 48:50esse tipo de educativo, no dia da pista, os caras
- 48:54ficam 40 minutos fazendo, 40 minutos, cara. E
- 48:59quando chove, é o dia, tipo, são horas fazendo,
- 49:01né, quando chove que os caras não dá para correr
- 49:03na grama, os caras ficam fazendo só educativo, né?
- 49:06Muitas vezes eles entram na pista
- 49:08e ficam ali, né, aquela, entram naquele padrão ali,
- 49:12meu, e vai, volta, vai, volta, o treinador não
- 49:16comando os educativos, tá? Ah,
- 49:18é. Até naquela imagem, o cara do
- 49:22meio ali, que era o mais experiente de amarelo, não
- 49:25era o mais rápido, tá? Tá. E aquele cara de amarelo
- 49:27que estava no meio, ele comandava os educativos,
- 49:30então ele mudou, todo mundo muda, né, porque acaba que,
- 49:34ele vem ali no grupo, né, que as meninas que estão
- 49:38fazendo, mas quando a gente vê ali no grupo, vai
- 49:42mostrar ele aí. É que ele vai fazer o
- 49:44curvinho aí. Ele é o cara que está
- 49:47comandando, que está comandando o grupo todo, e
- 49:52assim, cara, na menor, na menor mudança, todo mundo
- 49:56entende, sabe? Todo mundo já sabe, é tão, é
- 49:59aquele agora que a gente vai fazer, é o X, né? É.
- 50:03Tá, tá, o braço com um lado, mudou pro outro aí,
- 50:06aí, exatamente. Aí tá, o Belaia, o cara de
- 50:11verde que tá atrás, que é o cara que ganhou duas
- 50:13vezes a São Silvestre, inclusive, ganhou no ano
- 50:16que o Danielzinho foi segundo colocado. Tá,
- 50:20a segunda menina que foi da Maratona de Paris, tá,
- 50:23a menina que ganhou várias provas na Europa, sabe? O
- 50:26grupo é bem forte. Demais. Muito louco, cara. E
- 50:32como foi você beber na fronte original do TikTok,
- 50:36Ademir, você vai fazer algumas adaptações, porque
- 50:39você faz esses trabalhos de educativo, você faz muito
- 50:41forte, né? E é super bacana que os seus
- 50:44alunos adotaram total, né? É
- 50:47uma coisa super bacana, você faz uma fileira
- 50:48enorme, até me disseram que você até atrapalhou a pista
- 50:50outro dia lá, que você foi lá em Caeiras, os caras
- 50:53queriam treinar vocês ocupando quase todas as,
- 50:55todas as aulas. Pô, meu, deixa eu treinar aqui,
- 50:58rapaz. Não, não atrapalhamos, a gente
- 51:01ocupou boa parte da pista. Mas
- 51:06acontece, né, Serginho, foi uma inspiração, realmente,
- 51:09os etíopes, essa parte dos educativos. E,
- 51:13Serginho, eu imaginava, né, os educativos, eu tinha uma
- 51:18ideia de educativo. Quando eu fui pra lá conversando
- 51:22com os treinadores, né? E aí, quando eu cheguei lá,
- 51:25eu falei, oh, oh, eu me inspirem vocês aqui, eu
- 51:28faço também, não sei o que, eu faço aqui os
- 51:30educativos também. Daí, ele falou, não, mas pera
- 51:33aí, pera aí. Como que você começa? Então,
- 51:36eu falei, ah, não, eu começo, geralmente, eu
- 51:39começo com esse, passo pra esse. E
- 51:41ele falou, não, não, não é assim. Precisa
- 51:44trabalhar, a gente começa, precisa pensar no
- 51:48aquecimento. Então, a gente começa da parte de
- 51:51cima pra parte de baixo. Ah,
- 51:54que barato. Aí, aí, eu falei, porra, que
- 51:57legal, da, é, então, os primeiros, aí ele falou,
- 51:59presta atenção, os primeiros exercícios são todos
- 52:02movimentos de braço. Então, são movimentos pra aquecer
- 52:06o braço, movimentos de braço frontal, lateral,
- 52:10cruzado. Aí, depois, são movimentos que
- 52:13aquece quadril. Então, movimentos de mudança, né,
- 52:17acaba jogando a perna pro lado, jogando a perna pro
- 52:20outro lado. E aí, por último, pensar nos
- 52:23movimentos de pé, de variação de pé, de pé pro
- 52:27lado, de pé pro outro. Então,
- 52:29eu consegui ter a aula com os treinadores, com os
- 52:33atletas. Pelo sensacional. Como,
- 52:35de como, né? Então, a coisa pra mim agora, eu
- 52:38falei, opa, pera aí, agora é uma outra ideia. Vou
- 52:40ter que repensar tudo que eu fiz até agora. Pessoal,
- 52:43esquece tudo que eu ensinei pro seis. Vou
- 52:45fazer de feio. Eu aprendi que não era nada
- 52:48naquilo. Quer dizer, é aquilo, mas pera
- 52:50aí. É, não, tem esse conceito, né?
- 52:52Acaba que o objetivo final é o
- 52:54mesmo, essa coisa do toque do pé no chão, de melhorar
- 52:57a habilidade de tocar o chão, de melhorar a
- 53:00coordenação, de fazer a coisa da união. Tudo
- 53:03isso continua. Acaba que agora eu tive uma aula
- 53:08de como é o conceito de maneira geral. E
- 53:12agora eu entendo a coisa, eu consigo ver a coisa de
- 53:14maneira, de outra maneira, inclusive, até pensar em
- 53:18exercícios diferentes, né? Porque
- 53:20aí acaba que você tem objetivos, né? Pensando
- 53:25no corpo de maneira geral. Então,
- 53:26aí dá pra criar coisas diferentes, dá pra criar,
- 53:30né? A gente consegue ter essa
- 53:31visão muito maior do objetivo disso. E
- 53:35cara, como é que você vai voltar? É
- 53:37só um ano que vem? Eu tenho vontade, cara. Eu
- 53:42saí da etiópia assim, eu saí da etiópia, cara, eu
- 53:47não consigo nem te falar o sentimento, sabe? Eu
- 53:50falei, cara, eu pisando na etiópia, eu sinto isso no
- 53:55quênia também, mas pisando na etiópia, eu me senti em
- 53:58casa, sabe? Uma coisa que às vezes a
- 54:02terra, a gente aqui não se sente tanto. Então,
- 54:04falei, cara, eu preciso voltar pra cá. Eu
- 54:07quero aprender mais com esses caras, eu quero
- 54:10entender mais desse movimento, eu percebi o
- 54:14quanto eu posso aprender mais indo pra etiópia,
- 54:18assim como eu aprendo indo pro quênia. Então...
- 54:22Você já bebeu bastante no quênia, né? Isso,
- 54:26isso. Você tá indo ali, é meio que,
- 54:28cara, eu bebei de outra fonte, né? Exato,
- 54:31exato. Acaba aqui no quênia, né,
- 54:33Serginho? Esse ano eu tive contato com
- 54:35treinadores que eu não tive os outros anos. Então,
- 54:39isso foi muito legal. Eu participei de uma reunião
- 54:43entre os treinadores ali, 8, 10 treinadores, eu ali
- 54:46no meio, só ouvindo os caras falando de Olimpíada,
- 54:49falando dos atletas, sabe? Sim,
- 54:51cara, um presente está ali, né? Então,
- 54:55continuo quênia pra mim, mas a etiópia deu aquele
- 54:58gostinho de tipo, poxa, meu, preciso aprender mais,
- 55:02eu quero vir mais vezes, eu quero ir na alta pista,
- 55:05eu quero conhecer os caras como fazem esse treino, tem
- 55:08alguns treinos, né, conhecidos que eu não fui,
- 55:12então a etiópia tem voo direto. Sim,
- 55:16pela etiópia online mesmo. É,
- 55:18e então, eu quero voltar, é mais fácil, né? É
- 55:22mais fácil, né? É porque como você disse que
- 55:26tudo sai de a desabéba, o voo chegue a desabéba.
- 55:30Fácil, né? Exatamente.
- 55:33É certamente, certamente o ano que vem, eu quero
- 55:35voltar, e mais uma das coisas, né, Sergiê, um dos
- 55:39objetivos, você fica brincando com a gente
- 55:44comigo, com o Julio, com relação aos reitores, né?
- 55:47Os reitores da Universidade
- 55:48Keniana de Corrida, um retoral retoral. A
- 55:54gente foi para criar um conteúdo, então a gente
- 55:58levou uma pessoa para filmar, e a gente está com
- 56:02muito conteúdo, a gente vai criar o curso agora, então
- 56:06do Kenya e da etiópia, então a gente tem até que
- 56:10pensar nesse nome aí, se vai ser Universidade
- 56:12Keniana. A Universidade Africana de
- 56:15Corrida de Longa Distância. Isso,
- 56:17porque a gente trouxe muita coisa da etiópia, e enfim,
- 56:21esse foi um dos objetivos a gente, né, a gente está
- 56:24agora já filmando, gravando, e organizando esse material,
- 56:28mas cara, vou voltar com certeza, com certeza a
- 56:31etiópia quero voltar, quero aprender mais, quero estar
- 56:36lá naquele local, é um banho de cultura, Sergiê,
- 56:39um banho de cultura, a gente volta com a mente
- 56:42assim, né, meu, explodir a mente, né, você vai ter
- 56:47que completar o rolê do Vale do Rift, né, você vai
- 56:49ter que peritraia, vai ter que palgando. O
- 56:52Ganda Capitóra, é o local que todo mundo, né, o meu
- 56:59Pacer tinha viajado para Capitóra, tinha passado três
- 57:04semanas em Capitóra, e a gente ficava conversando
- 57:07todos os dias falando como que é, como que é o
- 57:10Quipilim, como que é o Xepteguei, como que é o
- 57:12movimento de Corrida, porque lá não tem tantos
- 57:16maratonistas, porque lá são cinco e dez, né, o
- 57:20principal e vinte e um, né, óbvio, o recordista é
- 57:23de lá, mas é, com certeza Sergiê, com certeza a ideia
- 57:29é conhecer mais e aprender e compartilhar esse conteúdo
- 57:35com meus alunos e trazer esse conteúdo para o
- 57:37Brasil, que é tão rico, né cara, e eu sou um cara
- 57:41curioso e interessado em tudo isso então, para mim
- 57:45é um grande prazer participar disso. Tanto
- 57:48que o único Queniano, quer dizer, o único cara de
- 57:50Uganda bom na Maratona, ele treinava no Kenya, né, que
- 57:53era o Steph aqui Protit, que foi campeão Olímpico e
- 57:55campeão Mundial de Maratona, ele treinava no Kenya,
- 57:58então tu querias ficar bravo com ele? Pô,
- 58:00espiar treina com a gente aqui, pô, ele que ganha,
- 58:03pô, que sacanagem, ele tá bebendo a nossa fonte, tem
- 58:05que tirar esse cara daqui. Mas
- 58:07você sabe que eles eles se consideram, Serginho, é... o
- 58:12Kip Limo e o Shep Tegei, eles são... eles
- 58:17são... Calendiz. Ah, tá, porque a tribo
- 58:23é... A divisão, a divisão, foram
- 58:25os europeus que dividiram tudo errado, né, dividiram
- 58:28as tribos no meio. Dividiram
- 58:30a tribo no meio, exatamente. Tanto
- 58:32que o Kip Limo, né, o nome Kip Limo é o nome...
- 58:37É o nome Calendí. E
- 58:40o nome Shep Tegei é o nome Calendí. Então,
- 58:44eu falando uma vez com um dos Kenyans, eu falei, pô,
- 58:48esses caras, eles, né, são de Uganda. Ele
- 58:51falou, eles são nossos irmãos. Tipo,
- 58:53eu torço pra eles como eu torço pro pro Kenyano, são
- 58:58nossos irmãos. Sabe? É, a discussão toda
- 59:01histórica, assim, voltando -se pra história, é
- 59:03exatamente o problema que tem muito forte na África,
- 59:06esse, né. Dos europeus tendo dividido o
- 59:09feito país passando reta e separando tribos e colocando
- 59:13tribos inimigas no mesmo país, que é o grande
- 59:16problema, né, dos conflitos que tem nos países
- 59:19africanos até hoje. E originados por isso, se
- 59:21você tivesse dividido os países em tribos, estaria
- 59:24tudo tranquilo, muito mais tranquilo e ia ter um
- 59:26desenvolvimento muito maior ali, né, mas... Seria
- 59:29diferente. Seria totalmente diferente. Isso
- 59:32aí, isso aí. Você pegou, exatamente, eu tive
- 59:34essa conversa com um Kenyano, ele falou
- 59:37exatamente o que você disse. Ele
- 59:40falou, meu, os caras que dividiram a gente. Esses
- 59:42caras passaram aqui, dividiram e a gente muitas
- 59:45vezes cortou uma tribo de um lado e deixou do outro
- 59:48lado, né, parte dos nossos irmãos do outro lado. E
- 59:51isso é o que acontece em Uganda. Ah,
- 59:53basta ver no Kenyano, todo ano que vai ter eleição,
- 59:55tem morte lá, cara. As tribos começam, porque
- 59:57assim, todo mundo convive bem, um contra até ter
- 1:00:00eleição. Quando tem eleição, o cara tem
- 1:00:01brigos, o cara não mata o outro, cada eleição vota
- 1:00:03tudo normal, mas é uma coisa louca, porque começa
- 1:00:06exatamente essa briga entre as tribos, cara. Essa,
- 1:00:09essa é a grande, é o grande desafio, porque no
- 1:00:13Kenyano a gente tá falando de 40 e 3 tribos. Na
- 1:00:16Etiópia, são... é o dobro, né, 85 tribos. E
- 1:00:20aí você imagina um presidente, né, de uma
- 1:00:24tribo, de uma da... o representante, né, um
- 1:00:27presidente pra estar à frente de toda, de todas
- 1:00:32essas tribos. Não tem como ter um cara ali
- 1:00:35que tenha, né, que consiga agradar, né. A
- 1:00:39gente aqui, né, a gente não é tribo, e a gente
- 1:00:42não tem essa... não consegue agradar as pessoas,
- 1:00:46você imagina num lugar desse, né, que tá essa...
- 1:00:49essa quantidade de tribos e
- 1:00:51culturas distintas, Sérgio, as culturas são totalmente
- 1:00:56distintas. Eu comi na casa de um... de
- 1:00:59um... de um... de
- 1:01:00um etíope. A gente tem uma pergunta que
- 1:01:01fez era aqui o Marcelo Mar falando aqui, e a comida
- 1:01:03da Etiópia, como é que é? É,
- 1:01:05é, eu comi na casa de um etíope e o Paulo falou
- 1:01:07assim, ele falou, Demi, essa comida não é a comida
- 1:01:11que você vai ver aqui, tá? É
- 1:01:13da parte dele, né. A Etiópia tem uma coisa que,
- 1:01:17por não ser não ter sido colonizada com poucos países
- 1:01:22dela. Ela não foi... não,
- 1:01:23ela foi... ela foi colonizada por
- 1:01:24pouquíssimo tempo pelos italianos, mas ela nunca
- 1:01:27foi conquistada por alguém, jamais. É,
- 1:01:29é, a história. O Mussolini, entre a Primeira
- 1:01:35e Segunda Guerra, ficou um ano em a Zabeba, e
- 1:01:38depois... Então, roubou até um, né, um...
- 1:01:41tem aquela parte que eles
- 1:01:42roubaram durante a Segunda Guerra, que inclusive foi
- 1:01:45importante quando na... na...
- 1:01:50na... na Olimpíada esqueço o nome.
- 1:01:51Bikila, Bikila. O
- 1:01:52Bikila passa pelo monumento que tinha sido roubado dos
- 1:01:54etiopes, né? Descalço. Exatamente. Então,
- 1:01:57a Etiópia, primeiro, ela é um símbolo de resistência
- 1:02:01na África. Então, então, Serginho, dá pra ver
- 1:02:06nitidamente um país que não foi colonizado, tá? Ele
- 1:02:10mantém a sua cultura. A raísta, a coisa toda.
- 1:02:16Milenar. Então, na Etiópia, você vai
- 1:02:18num restaurante né, de Primeira e não tem talhé,
- 1:02:24cara. A galera come com a mão, né?
- 1:02:27Então, a comida Etiópia ela é...
- 1:02:30ela é feita pra você comer com
- 1:02:32a mão. Tem um grão que chama a
- 1:02:35Indiera que ele só dá em altas altitudes, né? Que
- 1:02:39é típica da Etiópia e... e eles fazem uma massa como
- 1:02:43se fosse uma panqueca e aquela massa você pega ela
- 1:02:47na mão, você corta essa massa e você vai pegando a
- 1:02:53comida com aquela massa e comendo com a mão e todo
- 1:02:57mundo divide, né? Difícilmente,
- 1:03:00você vai ter o seu prato, outro vai ter um prato,
- 1:03:03não, é um prato grande pra todo mundo um prato. E
- 1:03:05aí, isso, e aí a gente vai dividindo ali a comida
- 1:03:09a comida boa, cara. Eu não... Eu
- 1:03:10sou um cara... eu sou fresco pra comer, sabe?
- 1:03:14Mas mas é a comida boa comida
- 1:03:17muito boa, o café maravilhoso. Isso
- 1:03:19que é falar, né? O café É Etiópia, caramba.
- 1:03:22Incrível, incrível. É
- 1:03:23uma... é uma... é
- 1:03:26um ritual tomar o café lá, né? Então,
- 1:03:30o grupo que eu tava, né, dos Somalis eu tava com o
- 1:03:33grupo dos Somalis, ali tinha oito Somalis que eu
- 1:03:37até comentei com você, são de diferentes nacionalidades,
- 1:03:41né? Porque eles são... enfim,
- 1:03:43não competem pela Somalia. Isso,
- 1:03:45foram naturalizados um bê, outro saquê, então.
- 1:03:47Exatamente, esses caras eles treinavam
- 1:03:50um pouco mais tarde, então a gente ia pro treino aí
- 1:03:53passava num lugarzinho, cara, numa portinha aí
- 1:03:57chegava lá, assentava ali no entorno, café pra todo
- 1:04:01mundo, né? Que o café é feito... não
- 1:04:05é o café coado, então é o café... a
- 1:04:08mulher ali na hora, né? A mulher, porque foi várias
- 1:04:11vezes a mulher que tava fazendo ali, na hora
- 1:04:14assando os grãos pilão do lado água quente serviu
- 1:04:20todo mundo, sabe? Então, é... é
- 1:04:23um café totalmente a outro produto, sabe? Outro
- 1:04:26produto. Outro experiência mesmo de tomar
- 1:04:28café. Isso, é outro experiência, o café
- 1:04:30inclusive foi uma das coisas que eu trouxe,
- 1:04:33gente, ó, foi o café, né? O
- 1:04:35café tinha o... pelo amor de Deus, velho. Pelo
- 1:04:36amor. Enfim, então é... é...
- 1:04:40a comida é tipo, tem essa característica até por conta
- 1:04:44dessa parte histórica que a gente tá falando, né? A
- 1:04:48cultura não foi misturada com com os colonizadores,
- 1:04:56então tem essa... essa parte aí, assim, a gente
- 1:04:59curtiu muito a comida, todo mundo enfim, gostou
- 1:05:02bastante. Tem carne, cara, lá? Muitos,
- 1:05:05muito. A carne que escolhe... A
- 1:05:07carne que quer a chop, o quênia, né? É,
- 1:05:10é porque é uma carne carne de cordeiro, né? Carne...
- 1:05:16frango, eu não vi tanto, mas mais carne de caça,
- 1:05:20né? Então, muito dos topzinhos que tem
- 1:05:23ali, são carnes algumas... algumas
- 1:05:26pastas, né? Típicas dele deles, né? Verdura,
- 1:05:31sempre tem verdura ali, uma verdura, outra, então o
- 1:05:34qual que é? Você pegou a indieira pegou a
- 1:05:37verdura pegou a carne comeu, né? É
- 1:05:42tudo comida natural mesmo, né? É
- 1:05:43tudo comida assim, é o famoso comida de verdade,
- 1:05:46assim, né? Exatamente, exatamente. Sem
- 1:05:48nada processado, né? Esse é o ponto, e aí o Paulo
- 1:05:51tava me falando, né? Que o Etip, ele não gosta, né?
- 1:05:56Isso é o certo, né? Ele
- 1:05:57não gosta de nada que teve processamento. Então
- 1:06:00o Paulo falou que uma vez no aeroporto, chamou os
- 1:06:05caras pra tomar um café, né? Ele
- 1:06:06tava trazendo os caras pro Brasil e os caras não
- 1:06:09quiseram tomar o café porque o café era de
- 1:06:11máquina, né? Ah não, esse café aí, esse
- 1:06:14café não é um topzinho legal. Eu
- 1:06:18tô fora. Então, aquela coisa da comida de
- 1:06:21verdade uma outra coisa que eles têm lá é o basso que
- 1:06:26todos os atletas consomem. É
- 1:06:29um pó que eles fazem em casa, eles batem um... a
- 1:06:34cevada batem a cevada com um milho pequenininho que
- 1:06:39eles têm, que inclusive um dos brasileiros falou que
- 1:06:42aqui no Brasil eles usam esse milho pra dar pra os
- 1:06:47animais, né? Então, é esse milho com a cevada
- 1:06:52triturado, triturado, um pózinho muito fino, aí os
- 1:06:56caras pegam água coloca a cara umas cinco, seis
- 1:07:01colheres batem isso ali numa garrafinha né, na mão
- 1:07:05ali do post treino, né? O post treino bate aquele
- 1:07:08negócio, vira um um... parece
- 1:07:11um milhão que shake, né? Fica
- 1:07:13bem grosso com gosto meio de amendoim, é gostoso pra
- 1:07:18caramba. Puta que louco. É,
- 1:07:20é um gosto de amendoim e todo mundo no post treino
- 1:07:24e aí é assim, né? Aquela coisa da cultura. Eu
- 1:07:27fiz o meu aqui, Serginho, ó, fiz o meu, tomei um
- 1:07:31pouco já passo por outro, né? Tá,
- 1:07:34chimarão, um chimarão, não. Um
- 1:07:36todo passou e eles têm também o post treino que é
- 1:07:40um pão muito simples, dá pra ver que é... é...
- 1:07:43farinha, água e sabe, aquele pão simples tá, ou
- 1:07:49quase não tem sabora ele pega aqueles pedação de pão
- 1:07:52vai dividindo entre eles o basso e o pão é o post
- 1:07:57treino dos caras é... tradicional
- 1:07:59lá da Etiópia. Pô, que louco, cara. Puta
- 1:08:02experiência sensacional, da minha. É,
- 1:08:05é muito demais, cara, foi demais. É,
- 1:08:06muito demais. Pô, cara, eu queria... meu,
- 1:08:08a gente passou de uma hora já aqui, pô, a gente vai
- 1:08:11ficar... a gente fica o dia inteiro
- 1:08:12aqui, porque, pô, fica pra pô legal, né? Mas,
- 1:08:15poxa, eu queria que você desça suas considerações
- 1:08:18finais aí, pro pessoal que tá assistindo aqui, a... a
- 1:08:20demir, sobre essa experiência nos dois
- 1:08:22lugares, hein? É, cara, o que eu tenho pra
- 1:08:25trazer é assim, é... é... quando... tanto
- 1:08:28o Kênia como a Etiópia o que a gente vê é a
- 1:08:31simplicidade então, assim, Serginho, ninguém falando de
- 1:08:36tênis de placa, ninguém falando de... ah,
- 1:08:39você viu aquela bermuda aqueles shorts, aquela...
- 1:08:43aqueles GPS, né? É
- 1:08:45uma coisa muito simples. É treino, um treinar. E
- 1:08:49aí, a gente tá falando dos... dos
- 1:08:53melhores corredores do mundo. Eu
- 1:08:55tive contato com a mais alta classe mundial da
- 1:09:00corrida de rua eu tive contato. Eu
- 1:09:02tava tanto no coração no Kênia como no coração da
- 1:09:06Etiópia, né? Então, eu vejo a simplicidade
- 1:09:10desses caras. E... é... esse...
- 1:09:14é... pra mim a principal mensagem
- 1:09:16é... assim o que que eles têm muito?
- 1:09:20A vontade de treinar a
- 1:09:21entrega 100 % né? E... equipamento, eles não estão
- 1:09:27preocupado em nada disso, estão preocupado em ali, ó,
- 1:09:30no dia entregar o máximo. Então,
- 1:09:34isso já é assim, né? Um tapa na nossa cara, na
- 1:09:37nossa cultura que a gente fica pensando o tempo
- 1:09:41inteiro, ó, tem isso, tem aqui, não tem... Esse
- 1:09:45tecnologia esse tênis é um pouquinho melhor, aquele é
- 1:09:48um pouquinho pior, esse tem... Esses
- 1:09:50caras não estão nem aí, cara. Esses
- 1:09:52caras querem, estão ali pra treinar. E
- 1:09:55essa simplicidade pra mim, é a principal mensagem de
- 1:09:59estar dentro dessas duas grandes escolas de corrida
- 1:10:03do mundo. Marcelo, o Mar lembrou de uma
- 1:10:06coisa, a história do Bequela que você é contar.
- 1:10:08A história do Bequela é o
- 1:10:09seguinte, cara, o... O... Esse atleta que eu corri
- 1:10:15atrás dele, né, que tem essa postura linda esse pé
- 1:10:18no chão é incrível. Durante uma conversa, né, a gente
- 1:10:24falou, porra, o Bequela vai pra as olimpíadas e tal,
- 1:10:26né? A gente tava lá quando ele
- 1:10:28falou, ele falou, ó, ele falou o seguinte, ele
- 1:10:30falou, ó, eu aposto com qualquer um que o Bequela
- 1:10:36vai ser campeão olímpico. Ai,
- 1:10:38meu Deus do céu. Daí eu falei, não, não, pera
- 1:10:41aí. Bequela é campeão olímpico, ele
- 1:10:43falou, não, esse percurso, ele é pro Bequela... 400
- 1:10:47de grande altimetria, velho. Porque
- 1:10:49foi o reino do cross -country. O
- 1:10:51Bequela é muito bom em subida e aí esse cara
- 1:10:55começa a contar histórias sobre o Bequela. O
- 1:10:58Bequela é um cara super reservado. Ele
- 1:11:01não tem a muitos amigos, ele treina praticamente
- 1:11:04sozinho, ele tem um treinador que ele conversa
- 1:11:08sobre os treinos dele e esse cara Olegése, é um
- 1:11:12irmão pro Bequela. Então ele conhece o Bequela assim
- 1:11:16nos meandros. Ele falou, cara, se você pega
- 1:11:19o corpo, a parte de cima do Bequela... É
- 1:11:21muito forte. É, essa parte de cima do
- 1:11:25Bequela, ele é um cara que é forte, mas que você olha
- 1:11:30pra ele, você acha que o cara não é atleta, mas a
- 1:11:34parte de baixo, as pernas dele é uma máquina e a
- 1:11:40parte principal desse atleta é isso aqui. Ele
- 1:11:45falou, tem pelo menos dez atletas aqui na Etiópia que
- 1:11:49correm em treinos que estão melhor que o Bequela. Só
- 1:11:53que nenhum dele chega nem perto no mental do Bequela
- 1:11:57e o Bequela falou pra ele que ele ia ser campeão.
- 1:12:02Ele falou, ele não fala. E
- 1:12:05ele falou, ele falou, ele falou, ele falou, eu sou
- 1:12:09capaz de apostar esse cara quando ele fala assim. Ele
- 1:12:15é um deus lá, né, cara? Ele
- 1:12:17é um deus. Pra nós também, pra mim também.
- 1:12:20E aí, eu falei, mas esse
- 1:12:23ganho de altimetria, esses atletas, aí a gente começa
- 1:12:26a levantar o nome dos atletas. Esse
- 1:12:28atleta, esse atleta, ele não, não, não. Nenhum
- 1:12:31vai ser capaz de acompanhar o Bequela. Você
- 1:12:35sabe que na maratona de Paris tem uma descida de
- 1:12:39acho que é 16%. E ele falou que isso vai
- 1:12:42quebrar a maior parte dos atletas e que o Bequela
- 1:12:45treina muito esse tipo de subida e descida e ele
- 1:12:51afirmou que o Bequela vai ser campeão olímpico, cara.
- 1:12:56Ah, isso é muito foda. Porque
- 1:12:57tem essa subidona que vai até o Castel de Versales,
- 1:13:01né? E depois, em DS, vai voltar.
- 1:13:04Exatamente. Então, cara, eu tô louco
- 1:13:07pra ver essa prova. Porque também o Bequela se ele
- 1:13:09vencer, ele se iguala a um finlandês, lá, que tem o
- 1:13:125, 10 e maratona de carreira. E
- 1:13:16o Zatopec fez tudo em uma competição, só em um jogo
- 1:13:19subissal, né? Pra mim, se ele ganha a
- 1:13:24maratona pra mim, ele se torna o melhor de todos os
- 1:13:27tempos, tá? O melhor corredor de longa
- 1:13:29distância de todos os tempos. Daí,
- 1:13:31porque pra mim, aí, ele passa o Haile, porque o
- 1:13:34Haile não tem ouro -olímpico na maratona. Apesar
- 1:13:37do Haile ter batido duas vezes o recorde mundial.
- 1:13:40Que é o que ficou faltando pro
- 1:13:41Bequela. Mas ouro -olímpico, brother. Oro
- 1:13:45-olímpico, né? Oro -olímpico, recorde do 5,
- 1:13:48recorde no 10. Campeão 10 vezes de de cross
- 1:13:52-coutry. O cara é no rei do cross
- 1:13:54-coutry. E pra maratona, que é outro
- 1:13:56mundo, né, cara? E aí, tem o terceiro melhor
- 1:13:59tempo de maratona, sendo... Meu,
- 1:14:01assim, é pra mim... Vai ser legal demais, a sua
- 1:14:04limpeira. Não, pra mim, ele passa o
- 1:14:05Haile. Se ele fizer isso, ele pronto.
- 1:14:07Beleza. Acabou a briga, que é esse
- 1:14:09o melhor corredor de longa distância de todos os
- 1:14:11tempos, o Haile é o segundo. Exato,
- 1:14:13exato. Ou pode me superobrigar pelo
- 1:14:17seu tempo, cara, os nossos papos são sempre muito
- 1:14:19legais, é sempre legal escutar você, a gente
- 1:14:21trocar essa ideia. Obrigado aí, cara, por você se
- 1:14:23disponibilizar, trocar essa ideia com a gente aí. Eu
- 1:14:26quero agradeço, Serginho, obrigado aí pela paciência
- 1:14:28de todo mundo que tá acompanhando a gente.
- 1:14:30Serginho, vamos tá no Rio daqui a
- 1:14:32pouco. Sim, vamos continuar esse papo
- 1:14:34no Rio. Tem outras histórias aí, entrei
- 1:14:36em outras histórias, a gente vai falar. Uba.
- 1:14:41Beleza, cara. Maravilha, obrigado aí a todo mundo.
- 1:14:44Pessoal, lembrando aqui, vocês, né,
- 1:14:46que o Café e Corrida é um programa que vai o Art
- 1:14:47Segundo, da 6, às 7 horas da noite, no YouTube e
- 1:14:50Instagram, simultaneamente, tá? A
- 1:14:52Vira pode cast também depois, procura a gente lá
- 1:14:54no Spotify, ou você pode ver o programa depois do
- 1:14:57YouTube. Eu não deixo salvo no
- 1:14:58Instagram. Fechado? Obrigado a todo mundo pela
- 1:15:01audiência. Valeu, ó, se inscreve no canal,
- 1:15:03dá o like na life, essas coisas aí, importante. E
- 1:15:06a gente se vê numa próxima oportunidade. Valeu,
- 1:15:08Ademir. Valeu, pessoal. Tchau.
- 1:15:10Ó, não vai embora, hein. Fica
- 1:15:11aí, hein. Fica aí um pouquinho.