Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 58 - VOCÊ NÃO É A SUA DOR. Chá de coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00E quando a terapia parece não fluir?
- 0:04Quando a gente se sentir meio empacado e não se sente nem
- 0:06escutado de verdade na terapia, o que que a gente faz com esse
- 0:10incômodo? Aceita chá de coragem?
- 0:26Querido eles ama. Tentei resumir nitidamente, não
- 0:29consegui, mas prometo que vai valer a pena.
- 0:33Eu te conheço há pouco tempo e, sinceramente, não sei como viver
- 0:36até aqui sem o seu chá de coragem.
- 0:38Tenho 37 anos e meus pais se separaram quando eu tinha apenas
- 0:432. E para ir direto ao ponto, meu
- 0:45pai traiu minha mãe com a mulher com quem ele é casado até hoje.
- 0:48Lembro nitidamente da cena em que ele foi com ela buscar as
- 0:52coisas para ele ir embora de casa e minha mãe avançou de soco
- 0:55para cima dele. Eu cresci sem mãe.
- 0:58A minha mãe faleceu quando eu tinha 11 anos e fui criada pela
- 1:02tia do meu pai, com todo amor que ela podia dar.
- 1:05Mas também vendo minha madrasta protagonizar cenas de ciúme,
- 1:10fingir desmaio, quebrar copo na parede acima da minha cabeça,
- 1:14dizer que meu pai que IA se matar na minha frente com uma
- 1:17faca, que meu pai só estava com ela porque ela dava para ele,
- 1:21entre outros absurdos. Meu pai, no início, até me
- 1:25defendia. Depois é meu pai.
- 1:29No início até me defendia, mas depois ele cansou, eu acho, e
- 1:33aceitava todas as ofensas calado, como aliás, é até hoje.
- 1:39Amo meu pai, mas eu percebi que ele abriu mão da filha para não
- 1:43se incomodar, frase que eu mais ouvi na vida, não conta para
- 1:48fulana que eu te dei dinheiro porque eu não quero me incomodar
- 1:51como se eu fosse uma criminosa me escondendo.
- 1:54Tenho Dois Irmãos mais novos, frutos dessa união.
- 1:57Não convivemos muito porque eu quase não frequento a casa deles
- 2:01e quando vou é por obrigação de filha.
- 2:04Sei que não preciso me forçar a passar por isso, mas ainda não
- 2:07consigo dizer não. Quando me chamo minha madrasta
- 2:12faz questão de jogar piadas e me diminuir o quanto pode.
- 2:16E eu me sinto impotente, uma criança com medo e acuada.
- 2:22Me tornei um adulto insegura. Que descontam as inseguranças do
- 2:25marido, ciúmes também sem vontade de fazer sexo e na vida
- 2:29eu me sinto feia e inadequada. Comecei a fazer terapia esse
- 2:34ano, mas cada vez que eu toco nesse assunto, AA psicóloga
- 2:37parece que não dá muita atenção. Eu preciso de uma ajuda, me dá
- 2:42um chá de coragem. Observação, ao revisar o texto,
- 2:46ouvir sua voz lendo e sei que já é real.
- 2:49Gratidão pela sua existência. Muitas coisas para serem faladas
- 2:54sobre esse meio, mas eu quero começar falando sobre a terapia.
- 2:57A gente está numa fase em que a gente está falando muito de
- 3:01terapia e temos algumas ilusões sobre a terapia.
- 3:04A primeira delas é que toda a terapia, a primeira delas talvez
- 3:08seja que todo mundo precisa de terapia, não, gente, a gente,
- 3:12todo mundo precisa de terapia. Existem fases da vida que a
- 3:15gente precisa ter esse apoio. Existem pessoas que estão
- 3:17precisando de um apoio maior que outras, sim.
- 3:20A maioria das pessoas, se olhassem para a própria vida, se
- 3:23tivesse consciência das próprias emoções, estaria vivendo um
- 3:27pouco melhor, sendo pelo menos menos pior para as pessoas com
- 3:31quem convivem. É claro, não estou falando que a
- 3:33gente não precisa de auto análise, mas a auto análise não
- 3:37é necessariamente terapia. São coisas diferentes.
- 3:41Esse é o primeiro grande mito sobre a terapia, mas eu acho que
- 3:45você precisa. Amiga, desculpa, mas é que essa
- 3:47história. Era só assim falando de uma
- 3:49forma geral. Era só falando de uma forma
- 3:52geral. Mas você vai, vai te fazer bem.
- 3:55Segundo ponto, é a gente achar que um método terapêutico, seja
- 4:00ele qual for uma escola terapêutica, seja ela qual for,
- 4:04ela vai ser universal e vai funcionar para todo mundo.
- 4:07E não é assim. A terapia é uma relação entre 2
- 4:11seres, 2 seres humanos. Você precisa sentir a escuta no
- 4:16outro. Você precisa sentir a formação
- 4:18de um vínculo com o terapeuta. Se esse vínculo não se forma, a
- 4:23gente procura uma outra terapia. A gente tenta uma outra
- 4:27abordagem. Que que eu quero trazer aqui?
- 4:3011 ponto que eu acho importante. Quando a gente fala dessa
- 4:32formação do vínculo, ser escutado e compreendido não quer
- 4:36dizer condescendência, entende? Ah, eu não faço terapia porque
- 4:42eu tenho que ouvir. Ela não me falou que eu tenho
- 4:44que fazer, ou então ela só quis falar o que?
- 4:47O que eu tinha que pensar mais sobre tal coisa.
- 4:49E a terapia não é alguém passando a mão na sua cabeça e
- 4:52falando tadinha dela, coitada. Não é assim.
- 4:57Ser compreendida é AOA. Disposição do terapeuta para te
- 5:02compreender é deixar que você fale as suas histórias e te
- 5:06ajudar a mudar as suas perguntas sobre as suas histórias.
- 5:09E as suas conclusões sobre suas histórias é te ajudar a fazer
- 5:14outros caminhos. É como se você vivesse andando
- 5:16nos em círculos, sabe? E o terapeuta te ajudasse a sair
- 5:22e desenhar um caminho diferente. Ele te ajudasse a dar a sua mão,
- 5:26dar a mão pra você e falar, olha, não precisa ficar só
- 5:29rodando aqui, voltando pro mesmo lugar.
- 5:30Vamos, vamos tentar fazer diferente, vamos construir
- 5:33alguns passinhos diferentes pra pra algum lado aqui, esses
- 5:37passinhos. Para serem construído e
- 5:40construídos. Em regra, eles doem, porque
- 5:44mudar é cômodo, mas é uma dor que ela é acompanhada.
- 5:49Então eu tenho sessões de terapia muito doidos, às vezes
- 5:53assim, já teve sessão que eu tinha reunião depois que eu
- 5:55falei, ó, eu preciso acabar agora, porque eu preciso
- 5:58restabelecer a minha cara inchada antes da próxima da
- 6:00minha reunião. Eu não posso chegar com essa
- 6:02cara desse jeito que eu tô rindo, tá aqui me dá um tempo
- 6:05para eu lavar meu rosto, por que isso?
- 6:08Mexeu em dores muito difíceis, mas mexeu nessas dores me
- 6:13acompanhando, mexeu nessas dores até um ponto que não me
- 6:17desorganizou e me despedaçou. Então assim, mexeu nessas dores,
- 6:23com a mão segurando na minha e com disposição para falar o que
- 6:29a gente vai estar aqui. Você só está aqui que você dá
- 6:31conta de ir agora. Na próxima a gente vai um
- 6:33pouquinho mais, tá? Então é.
- 6:37A terapia, ele era um processo que ela vai ser diversas vezes
- 6:41dolorido. Um processo diversas vezes
- 6:42dolorido, mas que é um processo dolorido, bem acompanhado,
- 6:46realizado, que acontece entre 2 humanos que podem seguir juntos
- 6:55e se dar super bem nessa convivência e que pode não
- 6:57rolar, pode não rolar. O clima pode não funcionar tão
- 7:01bem. Eu eu me lembro de uma terapeuta
- 7:03que eu tive há um tempo. Que eu me vi é, acabou uma
- 7:07sessão e eu falei, meu Deus do céu.
- 7:08Eu me vi discutindo linha teórica com a mulher, porque ela
- 7:14falou do do Freud. Eu falei, não, mas nesse aqui eu
- 7:16penso, como lincon de você tá falando.
- 7:17E aí, na hora que eu olhei, falei pra gente, o que que eu tô
- 7:19fazendo? Não é o lugar, não é o que eu
- 7:23quero. E aí tentei uma outra pessoa que
- 7:27a gente foi por escuta de outro jeito, uma outra pessoa que me
- 7:29pega na esquina várias vezes, sabe?
- 7:32Que viver fugindo. Tem hora que ela fala que eu
- 7:35penso, eu brinco com ela e falei, agora, menina, arrasou,
- 7:38viu, arrasou. Nunca tinha pensado nisso, isso
- 7:43é incrível, entende? Várias vezes dói, várias vezes
- 7:46incomoda, mas me ajuda a iluminar lugares em mim que eu
- 7:51não costumo iluminar e eu acho isso fantástico, que eu acho
- 7:56isso incrível. Então, se você sente que você
- 8:00queria falar sobre um assunto e esse assunto porque quem tem que
- 8:03guiar o que vai ser falado é você, é você que ordena os seus
- 8:10pensamentos, arena terapia, que vai falando, vai falando, vai
- 8:13falando. E quanto menos você elabora
- 8:15sozinho o que que eu tenho que falar para o meu terapeuta, o
- 8:17meu terapeuta, melhor. Se você chega na terapia assim,
- 8:21eu quero falar isso para ela, pensar isso de mim.
- 8:23Se você começou a se preocupar, o que que o seu terapeuta vai
- 8:25pensar de você? A gente já tem um problema, já é
- 8:26hora de conversar com essa pessoa e falar, vem cá.
- 8:29Estou parada, pensando no que você pensa sobre mim.
- 8:32Nossa, aí já é um prato de alguma sessão?
- 8:35Algumas sessões, talvez. Mas o que eu estou trazendo para
- 8:38você é que se não rolar vínculo, se você não se sente segura, se
- 8:42você não consegue ser honesta com essa pessoa, se você sente
- 8:44que essa pessoa corta o que você está falando, não tem paciência
- 8:48do que você está falando. Talvez você precisa de uma outra
- 8:51pessoa. Ah, lizama, mas é que eu queria
- 8:55muito que fosse psicanálise ou TCC, ou sei lá o quê.
- 8:59Gente, o que tem que fazer esse, esse, essa clínica?
- 9:05O que acontece entre terapeuta e paciente é esse encontro.
- 9:10Às vezes você tá com um analista e não funciona a linha
- 9:16exatamente do que faz. A minha terapia eu estava
- 9:19lacaneando, mas a gente não tem corte lacaneando com 10 minutos
- 9:22de sessão que eu falei, eu não, não, não consigo, eu já penso
- 9:24muito sozinha, eu preciso de você pensar acompanhado, então
- 9:27não vamos parar, vocês são convite, mas você falar assim,
- 9:29acho que aqui a gente encerra para você pensar, não, não, não
- 9:32vou pensar agora para pensar não, não funciona assim, se for
- 9:35assim ou eu não, eu quero elaborar junto e a gente
- 9:39conseguiu entrar num acordo e é maravilhoso, é incrível, você
- 9:42entende é essa relação, é um é uma relação entre humanos.
- 9:48E aí você me fala que você se acha feia agora, já.
- 9:53Já expliquei tudo que eu queria explicar sobre a terapia, que eu
- 9:56achei que era importante a gente falar aqui que é um relação
- 9:59entre humanos, que ela não te cura, que não é com
- 10:02descendência, mas que você precisa atravessar essa dor de
- 10:05mão dada, acompanhada e bem acompanhada.
- 10:07Agora vamos falar dessa dor de ser você, vamos falar das nossas
- 10:11histórias. Ser a gente é muito difícil.
- 10:17Encarar as dores que a gente viveu, olhar para nossa história
- 10:22e saber que essa história não nos define é muito difícil.
- 10:26Você fala, elisando, eu sou insegura, eu tenho ciúme do meu
- 10:30marido, eu não quero fazer sexo, eu não fico bem.
- 10:35Eu me acho feia, inadequada o tempo inteiro.
- 10:39E hoje você consegue olhar para tua história e falar, nossa, eu?
- 10:42A minha mãe morreu quando tinha 11 anos.
- 10:45Eu vi a minha mãe dando soco no meu pai, porque meu pai foi com
- 10:48a amante, que agora é a minha madrasta.
- 10:51Você consegue ver tanto de coisa que você viveu enquanto criança
- 10:58e que desenhou muito do quem você é.
- 11:02Mas aí eu quero te contar uma coisa importante, a gente pode
- 11:08nomear essa dor, reconhecer essa dor.
- 11:14Entrar em contato com essa dor e lembrar que a gente não é essa
- 11:18dor, talvez seja a parte mais bonita da terapia.
- 11:23É essa busca por lembrar que você não é nenhuma dessas dores
- 11:29que você viveu. Você, sim, ficou órfão de mãe
- 11:33aos 11 anos. Mas você não é somente A Órfã de
- 11:36mãe. Aos 11 anos, seu pai te
- 11:40desamparou. Mas você não é somente essa que
- 11:44foi desamparada pelo pai. Você é maior.
- 11:50E aí tem um exercício que é intenso e que é importante pra
- 11:54gente fazer de auto acolhimento, sabe?
- 12:00Você não teve cuidadores que te cuidaram como você precisava.
- 12:06Falando aqui do teu pai, da tua andraça, eu não sei como foi a
- 12:09relação com a com a tia do seu pai.
- 12:11Não sei quanto de amor ela te deu, o quanto de cuidado, o
- 12:14quanto de escuta, mas a mágoa desse pai que estava e não
- 12:17estava, ela está viva. Que mãe você vai ser para você a
- 12:22partir de agora, porque agora você é adulta.
- 12:26Agora você pode tentar aprender a ser uma mãe amorosa para você.
- 12:30E aí eu lembro de uma amiga que ela é muito fantástica e que ela
- 12:37me disse que ela criou uma mãe imaginária, uma mãe, uma mãe
- 12:40boa. Suficientemente boa e
- 12:42imaginária. E aí, quando as coisas difíceis
- 12:45acontecem, ela imagina essa pessoa acolhendo.
- 12:50Ela sabe como é que ela vai querer ser acolhida por uma mãe
- 12:54nesse momento? Que conselho ela deve receber?
- 12:58E ela falou, amiga, isso me faz um bem tão grande, porque parece
- 13:03que que dá colo para menininha que eu tenho dentro de mim.
- 13:08E É Ela dando colo Pra Ela mesma, mas é se ela precisou dar
- 13:10nome pra essa, pra essa mãe bacana aqui dar colo.
- 13:14Legal, mas descobrem qual é o teu jeito de dar colo pra você.
- 13:21Porque desenvolver ciúmes que ficar super insegura foi a
- 13:27forma, foi a consequência e foi uma das formas que você aprendeu
- 13:31pra se defender nessa dor toda. Mas existem outras.
- 13:36E você pode treinar essas outras formas, você pode exercitar
- 13:41essas outras formas. Você pode reconhecer que a dor
- 13:46que você tá vivendo é que você viveu na infância, não é a
- 13:50mesma. Teu marido não é o teu pai.
- 13:53E gente assim, deixa eu contar um negócio pra vocês?
- 13:55Eu já falei sobre transferência aqui, né?
- 13:58Transferência é a pessoa errada, é a gente passar AA situação pra
- 14:01pessoa errada, gente, a gente transfere o tempo inteiro.
- 14:06Quantas vezes a gente fala com os nossos companheiros,
- 14:08companheiras, como se eles fossem aquela pessoa, seu pai,
- 14:13sua mãe, sua irmã, como se eles tivessem ali, com aquela tua
- 14:19história. Quantas vezes a gente mistura e
- 14:21as pessoas viram uma pessoa só na nossa memória, na nossa
- 14:24mente, na nossa reação. E é um esforço não respirada e
- 14:30construir outras relações, outras formas de se relacionar.
- 14:35E aí eu estou falando de confiança, eu estou falando de
- 14:38construir outras formas de se relacionar e eu acho importante
- 14:42que você não meta nessa sua relação.
- 14:45Você sabe, essa relação é uma relação em que você tem apoio.
- 14:51Essa é uma relação em que existe um caminho de construção de
- 14:54confiança junto. Veja só, o outro não tem que te
- 14:58fazer sentir segura ou segura. Ninguém tem essa
- 15:01responsabilidade, tá? Porque às vezes.
- 15:05A gente é tão inseguro. A gente tem uma história de
- 15:07tanta insegurança, tantos medos, tantas angústias que pro outro
- 15:11suprir o outro tem que ver pra gente IA ter que ser lá o que
- 15:16não amor. Você que é responsável por isso,
- 15:18mas muito ajuda aqui não atrapalha, né?
- 15:20Então se o outro ele não te provoca essas reações, se o
- 15:27outro ele te tá junto pra vocês construírem uma vida de
- 15:31segurança. Uma relação em que é seguro
- 15:33confiar e aqui eu não tô falando de traição, tá gata, aqui eu tô
- 15:37falando de lealdade, aqui eu tô falando de preocupação, aqui eu
- 15:42tô falando de parceria, aqui eu tô falando de segurança em
- 15:47construir sonhos, aqui eu tô falando de apego, eu não tô
- 15:51falando de traição. É porque quando a gente fala
- 15:52assim, parece que eu tô falando Ah, ele é confiável?
- 15:54Ele vai me trair, não vai me trair.
- 15:56Não é sobre isso, gente, porque a gente resumiu casamentar isso,
- 15:58pelo amor de Deus, não é sobre isso, sobre lealdade.
- 16:03Você pode confiar nessa pessoa. Essa é uma pessoa que quando tem
- 16:08um problema, você quer deitar no peito dela e você sente que tá
- 16:14que o mundo não vai te pegar no peito dela, que como é, porque a
- 16:18gente precisa dessa relação de segurança, sabe?
- 16:22Essas relações que nossa, eu só quero me abraçar com essa pessoa
- 16:27e ficar quietinha aqui porque dá, porque ela me dá isso, ela
- 16:30me fornece isso. Tem também na tua relação.
- 16:35Olha pro que é que te daria segurança na relação e ver uma
- 16:41parte do que é seu que o outro não tem obrigação de te dar, mas
- 16:45uma parte que o outro colabora. O outro não tem a
- 16:47responsabilidade de fazer com que você se sinta seguro em toda
- 16:51sua relação, mas o outro pode colaborar, se ele quiser, com o
- 16:56que ele pode dar. Você consegue fazer essa
- 16:58separação? De assim, o que é que me faria
- 17:04me sentir segura numa relação? O que é que eu preciso aprender
- 17:09a lidar? Porque eu não posso comprar esse
- 17:10do outro, mas o que é que o outro também pode lidar comigo?
- 17:15Tem um episódio aqui do podcast em que eu falo sobre apego, em
- 17:20que eu falo sobre o apego ansioso e o apego evitativo.
- 17:25Dá uma escutada, por sinal. Gente, aquele episódio.
- 17:28Eu falo de terceiro tipo de apego, é o desorganizado, eu
- 17:31falo outro nome, porque eu tava aqui no fluxo e eu esqueci o
- 17:35nome, mas é o desorganizado. Depois que eu ouvi, eu falei,
- 17:37gente, eu estou desorganizado, não parei para, falei o nome
- 17:39errado, mas enfim, vai, volta o episódio, escuta um pouquinho
- 17:45sobre ele, sobre os tipos de apego, sobre como que você
- 17:49constrói isso. Você nitidamente teve um apego
- 17:52inseguro na tua vida, mas a gente pode melhorar.
- 17:57E aqui é o ponto que eu quero encerrar a nossa conversa
- 18:01trazendo para você, você não está prisionada nessa
- 18:07personagem. A gente pode melhorar, a gente
- 18:11pode aprender. Ninguém que aprendeu só um jeito
- 18:15de se apegar está condenado desse jeito para sempre.
- 18:19Ninguém. A gente pode aprender formas
- 18:23seguras de estar perto do outro. Esse ciúme, isso tudo aí pode
- 18:29ser cuidado com fortalecimento de quem você é, com a conexão
- 18:37forte com os teus desejos, com um cuidado maior com os teus
- 18:44anseios e as tuas emoções, sabe? Seja pra você esse cuidador.
- 18:56Essa cuidadora que o teu pai não foi, sabe?
- 19:02Cara, é triste o teu pai ter te deixado sozinho inúmeras vezes
- 19:06porque ele não queria se incomodar, porque incomoda ter
- 19:12filhos às vezes. EE faz parte e está tudo bem.
- 19:16Era para ter sido fornecido um apego seguro para você.
- 19:18Que pena que não foi. Agora vamos olhar para essa
- 19:22história e ver o que que a gente vai fazer com ela.
- 19:26Você não é mais aquela menina. E aí você me disse que você
- 19:30ainda não consegue dizer não quando eles te chamam.
- 19:34E aí você vai, você é humilhada? Que não?
- 19:38Você tá precisando aprender a construir.
- 19:41O que te impede de dizer esse não e o que vai te fortalecer
- 19:49pra você conseguir dizer se não, que relações vão te fortalecer?
- 19:54Que cuidados vão te fortalecer? Que amores vão te fortalecer?
- 19:58Que cuidados terapêuticos vão te fortalecer?
- 20:04Testam terapia nova, se for o caso.
- 20:08Conversa com os amigos, com as amigas.
- 20:11Vai para lugares em que você é muito além do que você ouviu dos
- 20:14seus pais, do seu pai, da sua madrasta.
- 20:18Vai para lugares que te lembram que você apesar de tudo.
- 20:23Construiu a tua história e segue construir e segue construir.
- 20:31É isso, meu amor. Se você achou que esse episódio
- 20:36importante, deixa aqui a tua impressão.
- 20:40Deixa o teu coraçãozinho, deixa o teu sorrisinho, deixa o teu
- 20:42estrelinho, deixa qualquer coisa aí, deixa pra pra amiga aqui
- 20:46envia para as pessoas que você conhece e envia pros amigos,
- 20:50para as amigas, passou no grupo da família, tá?
- 20:53É isso. Se você quer o meu pitaco na sua
- 20:55história, me manda o seu e-mail. Quem sabe eu leio aqui um beijo
- 21:00e até o próximo episódio.