Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #202 Entrevista com Hampesco e mãe feminista
Transcript
- 0:00Bom criado nos Estados Unidos no começo dos anos 2000, o trepe
- 0:06caiu no gosto de jovens artistas e do público brasileiro nos
- 0:09últimos anos. Um subgênero do rap, apesar de
- 0:13ter destaque por artistas que se limitam a ostentar suas
- 0:16conquistas pessoais, há uma infinidade de exemplos de trepes
- 0:20que trazem letras com rimas carregadas e que retratam
- 0:23realidades sociais, falando de violência, desigualdade,
- 0:28criminalidade, consumo de drogas, racismo.
- 0:32Enfim, são muitos os temas importantes e aí muitos jovens
- 0:36da periferia tem se destacado na criação deste tipo de música.
- 0:41O fácil acesso aos meios de produção é um dos fatores, visto
- 0:45que o trap pode ser criado em aplicativos disponibilizados
- 0:48para computadores e dispositivos móveis, com múltiplas camadas de
- 0:53som e distorção da voz, características comuns ao
- 0:57estilo. João RAM, pesco é um adolescente
- 1:01que almeja ser trepper e mantém um canal de react no YouTube,
- 1:05juntamente com sua mãe feminista Fernanda hampe.
- 1:09Com quase 500000 inscritos em conversas profundas e com
- 1:14aprendizados mútuos, eles analisam as letras e imagens
- 1:18simbólicas apresentada sem clipes, que são verdadeiros
- 1:21curtas metragens. Ilusão, Cracolândia e 180, que
- 1:26tenha loc e vários MCs em suas interpretações.
- 1:30São alguns exemplos de músicas colocadas por ahn pesco para que
- 1:34a mãe reaja. Psicóloga, ela faz uma
- 1:37contextualização muito rica e que permite que se entenda
- 1:41melhor a sociedade em que vivemos.
- 1:45Estamos aqui com o João Pedro, RAM, pesco e com a mãe
- 1:48feminista, a Fernanda hampe. Eu queria começar pedindo para
- 1:52que vocês se apresentem para quem está nos acompanhando, para
- 1:56conhecerem um pouquinho melhor quem é cada um de vocês.
- 2:00Eu começo, então primeiro as damas, com certeza.
- 2:04Então Marcelo é queria agradecer a forma com que tu apresenta,
- 2:09não é? O trabalho do João e a forma com
- 2:13que eu fui agregando e me apro chegando.
- 2:16Enfim, né? O trabalho que ele já vem
- 2:18fazendo já há alguns anos como youtuber.
- 2:22É, e poder dizer que fizer, acho que 11 leitura bastante sensível
- 2:28não é de como que eu, enquanto mulher, pensadora, feminista,
- 2:35psicóloga e também professora, como que eu fui compreendendo
- 2:40que era possível? O próprio canal do João Pedro
- 2:43ser um veículo aí de comunicação, de discussão e de
- 2:48poder chegar em jovens, em adolescentes, enfim, que muitas
- 2:53vezes não estão necessariamente nos bancos, né?
- 2:56Da universidade, mas que podem, a partir dessa contribuição, que
- 3:01eu tenho tentado fazer ao longo desse não é desse pouco tempo,
- 3:06porque o João está bem mais tempo, não é na a frente aí do
- 3:09canal dele e eu fui convidada a iniciar.
- 3:13É a as minhas, as minhas experiências pelo YouTube.
- 3:17Com ele há mais ou menos uns 3 anos, né?
- 3:19Acho que o João vai poder falar um pouco melhor disso, assim é.
- 3:24E ainda enquanto enquanto apresentação, acho que também
- 3:28tem, é algo importante que é. É um momento de encontro meu e
- 3:33enquanto mulher, mãe, enfim, não é do João e de construir a
- 3:39partir de algo que para ele é tão importante que é o YouTube e
- 3:43que é agora, né? Essa relação tão estreita com a
- 3:47música, o João não sonha em ser, trepe, ele é um Tracker, hã?
- 3:53Ele tem é produzido também a sua musicalidade, os seus clipes,
- 3:58não, ele tem, ele tem feito uma experiência muito bonita e que
- 4:02eu também sou apoiadora. Você de alguma forma é que
- 4:05depois o João pode é falar um pouco disso, mas basicamente de
- 4:10ser um momento também da gente realmente estar em diálogo, né?
- 4:14Porque eu acho que tem um pouco essa marca das minhas
- 4:18participaçoes dos reacts, né? E que esses reacts, eles são
- 4:22genuínos, eles são verdadeiros, né?
- 4:25É um momento que o João me chama para me me encontrar com uma
- 4:30música e é muito. É na lógica da espontaneidade.
- 4:35A forma com que eu e ele vamos conversando sobre aquilo que a
- 4:38gente está não é se encontrando, se deparando, enfim, não é?
- 4:42Então, tem algo aí de tem a personagem mãe feminista, não é
- 4:47no sentido, no bom sentido da personagem, no sentido de poder
- 4:52assumir de que lugar eu estou falando?
- 4:55Então eu estou falando do lugar de uma mulher que pensa o
- 4:58feminismo, não é? Os feminismos, como uma forma de
- 5:03olhar para as celas, ações sociais, que eu acho que é um
- 5:06pouco do que tu falasse também, quanto apresentação é à e mãe,
- 5:11né? E mãe dele, mãe de um jovem mãe
- 5:15de um menino. Aí que que também está se
- 5:17constituindo como um cidadão e que a gente precisa pensar, né?
- 5:22Que homem é esse que a gente tem construído aí enquanto Brasil,
- 5:26né? É isso?
- 5:29Então essa fase áreas também falou quase tudo aí,
- 5:31francamente, mas para quem não me conhece, eu sou RAM.
- 5:34Pesco, sou youtuber há uns bons anos já, desde que eu tenho mais
- 5:37ou menos uns 10 anos de idade, aí já comecei a fazer vídeo.
- 5:41E aí, o que rolou foi que mais ou menos como uns 3 anos atrás,
- 5:44que a minha mãe falou, a gente chamei ela para gravar um vídeo
- 5:48reagindo à Batalha de rima na época que era o que estava, era
- 5:52o que estava rolando na internet de rap.
- 5:54Assim, na época, era isso, a Batalha de rap que o pessoal
- 5:57lançando uma rima contra o outro e se atacando através das rimas.
- 6:00Não é a gente, amei ela para fazer um vídeo assistindo esse
- 6:03tipo de de vídeo pessoal. Gostou muito e depois seguimos
- 6:06fazendo. Aí temos fazendo aí até agora.
- 6:08Daí agora mais focado no trap, né?
- 6:10As músicas de trap. Que nem o Marcelo falou aí.
- 6:13E é basicamente isso, rapaziada. E tem a questão também aí da
- 6:16música. Agora estou fazendo bastante
- 6:17música também, focado bastante nisso.
- 6:19Está vendo vários clipes aí também?
- 6:21O pessoal tem que ficar ligado, que vai sair muita coisa boa aí
- 6:24para vocês. EAE acho que até é lembrando, eu
- 6:29não me lembrava da minha primeira?
- 6:31Participação assim no canal do João faz tempo já já faz um
- 6:36tempo. Foi antes ainda da pandemia.
- 6:38Não é da da nossa tragédia e humanitária que foi a pandemia,
- 6:42mas me lembrando agora, dessa lógica da da Batalha, né?
- 6:46Eu lembro que acho que é das minhas, da minha reação dizer,
- 6:49gente, mas por que que tem que ser Batalha, né?
- 6:51Que está se xingando Do Nada porque que não é uma coisa de de
- 6:55um jogar a rima para o outro e ser uma composição que não seja
- 6:59bele, cara, é que não seja essa lógica e eu te fazer uma música
- 7:02juntos. E eu lembro agora o João falando
- 7:04eu me lembrei, não é que já era um pouco esse modo assim, de ir
- 7:08provocando e de aí de ir pensando, né?
- 7:10Essas pedagogias culturais e como é que isso se coloca?
- 7:14É o que que a gente pode é o que que a gente pode pensar com isso
- 7:17do esporte. Assim é que tudo está ali pro
- 7:19teu inimigo, mas é que no jogo de futebol, né?
- 7:22Acabou o jogo de futebol. O jogo é jogo, a vida é a vida,
- 7:26não é essa separação. Não é que eu acho que é que o
- 7:28João super fase tenta me dizer, olha, se separa, não é?
- 7:32Tem algo aí que é do rolê do não é?
- 7:35Há esse da música e tal. E tem outra coisa que é a vida.
- 7:38E eu digo Pra Ele, gente, eu não consigo fazer isso pra mim, isso
- 7:41tudo está muito, muito junto, muito misturado, aí que está o
- 7:45Inter geracional também, não é? A gente vai aprendendo muito com
- 7:48os nossos filhos, Fernanda, nesse sentido que está rolando
- 7:52agora e vice-versa, né? Eles também têm essa nossa
- 7:54visão. Mais humanitária e é um grande
- 7:57segredo, talvez do sucesso de vocês juntos é.
- 8:01E aí eu penso é, não é? Acho que exatamente do universo
- 8:07que estamos falando aqui na pauta, mas tem tudo a ver o
- 8:11Emicida, né? Quando a gente fala o próprio
- 8:13termo, m Cida, né que tem a ver com ser um vencedor das
- 8:18batalhas. Acho que o que o João pode até
- 8:22essa coisa do do nome que aí que ele começou a usar, como Emicida
- 8:25tem a ver com isso, né? Sim.
- 8:28Qual é a Batalha de rima? Pois é bom, mas eu queria assim
- 8:32também, pensando que o nosso público é um público que costuma
- 8:36acessar os conteúdos de cidadania e é um público adulto,
- 8:40que nem sempre está. É atento a isso que está
- 8:43acontecendo na internet o tempo todo.
- 8:46Não é muita coisa acontecendo. Então primeira coisa, nem todo
- 8:49mundo sabe o que é um canal de react.
- 8:52O que que que, que essa reação? O que caracteriza um canal como
- 8:56o de vocês e por que que vocês acham que dá tão certo e tem
- 9:00tantos outros fazendo? Essa questão da das Reações.
- 9:04Urun é então o Rex no YouTube existe faz um tempo, já, não é?
- 9:08Acho que mais ou menos ali, 2016 gente pode dizer que surgiu esse
- 9:13estilo de canal. Na verdade, não é.
- 9:15Lembro que na época tinha até assim canais que eram só focados
- 9:18nisso. Não tinham react Brasil.
- 9:20Um dos canais assim que era só react, então eles assistiam
- 9:23vídeos aleatórios, não tinha um tema focado tipo nosso, nós só
- 9:27ihe de trip tinha carece que era Harriet no geral, então era
- 9:31basicamente uma pessoa assistindo o vídeo e demonstrou
- 9:34a reação dela ao assistir aquele vídeo, então.
- 9:36Dando alguma opinião ou falando alguma coisa em cima ou até às
- 9:39vezes nem dizendo muitas coisas, tem vários canais de week que é
- 9:43basicamente focado só na. De fato, a reação até facial da
- 9:47pessoa assistindo o vídeo e com comentários tipo não tão
- 9:50elaborados assim quanto são os nossos.
- 9:52Humildemente falando, então então é isso?
- 9:56E aí é tem esse movimento dos canais de react aí.
- 9:58Só que agora eu sinto que já deu 11.
- 10:01Baixada assim, são poucos os canais.
- 10:03Assim que se que tu vê que fazem react hoje em dia né?
- 10:06E a maioria dos caras de hack que se mantiveram até hoje.
- 10:10São os que, de alguma forma, acrescenta alguma coisa em cima
- 10:13daquilo que eles estão assistindo, não é?
- 10:15Acho que esse cara é assim, de que era só essa reação mais
- 10:18básica assim. Acho que isso já ficou assim, eu
- 10:21eu pelo menos, é raramente vejo algum tipo de vídeo assim, nesse
- 10:25estilo, pegando bastante visualização e tal, o pessoal
- 10:29querendo assistir, porque acho que acabou saindo um pouco tipo
- 10:32da da moda. Assim no YouTube não é da dessa
- 10:34época aí. Interessante para falar em
- 10:38época, quando é 2016, não é para mim. 2016 é a ontem.
- 10:42É, mas vamos lá no Inter geracional, como diz o Marcelo,
- 10:46é, eu queria pensar um pouco com vocês.
- 10:48Isso não é do desse dispositivo do react assim, né?
- 10:52É dessa dessa dessa promessa ou dessa lógica, né, de que o outro
- 10:59tenha algo sempre a dizer, né? E que o que é legal é ver,
- 11:03espiar um pouco o que que esse outro tem a dizer e como que
- 11:07ele. Não é?
- 11:08Saint percebe? Enfim, não é a música e eu e o
- 11:12João, nesse sentido, dos do do, do react, do canal dele.
- 11:16Não é porque o canal é dele. A gente brinca com isso, nosso
- 11:18canal, mas o canal é dele. Eu faço um pouco uma formar uma
- 11:21participação no react, né? É o quanto e eu acho que isso é
- 11:26interessante, a gente pensar de o quanto AA galera, quando se
- 11:31comunica com o João e pede que ele faça um react, né?
- 11:36Geralmente é quando é uma música que eles querem.
- 11:40É ver treta assim, não é, Marcelo?
- 11:42Eles querem ver é, eles indicam músicas, geralmente onde tanto
- 11:47que aquele sucesso estrondoso que fez assim o vídeo mais visto
- 11:50é de uma música que só fala baixaria, não é?
- 11:53Tem 2000. A música tem 8000000 de views,
- 11:56mas o nosso vídeo vendo a música tem 2000000, então é uma coisa
- 11:59assim que foi, né? O maior número de visualiza
- 12:02ções. Era um vídeo que era uma música
- 12:06que diz o João, depois para mim, que ela era uma música,
- 12:09justamente para provocar, né? Mas ela dizia assim, de bater em
- 12:13mendigo, não ela, ela, ela. Ela é convocava, não é a
- 12:19questões muito graves assim, né? No nosso país é disso assim, de
- 12:24incitação à violência, né? É EAE, eu fui, imagina eu vendo
- 12:30aquela música completamente espontânea.
- 12:32Eu dizia para o João, como assim, o que que é isso?
- 12:34Daqui a pouco eu dizia, eu não vou levantar, eu não vou escutar
- 12:37isso até o final, né? E levantava e o João e João me
- 12:40chamava e dizia não fica aqui, escuta comigo.
- 12:43Um até o final, não é? E foi o que mais é bom, boa em
- 12:47termos de visualização, né? Então acho que isso é um
- 12:49indicativo também na Marcelo. Assim, de o que que é que a
- 12:53galera pede para assistir, né? O que que a galera está querendo
- 12:56assistir enquanto é esse certo espetáculo?
- 13:00Assim, não é de é do meu incômodo também, não é?
- 13:04Eu acho que tem uma galera que gosta de ver o meu incômodo, mas
- 13:08também tem, né? Um público do João que eu acho
- 13:12que é um público que é. Que talvez já tenha tomado
- 13:15também a participação da mãe feminista como um espaço de
- 13:19pensar ai, Band parte, e aí tem 11 e a gente tem percebido um
- 13:23movimento, né? De uma galera que pede pro João,
- 13:26é me chamar para conhecer músicas de trepe que a pauta daí
- 13:31já é outra, né? É que a narrativa já é outra que
- 13:35vem muito. A ideia, assim, de poder ter um
- 13:38certo depoimento de vida que passa, não é pelas questões
- 13:42periféricas do racismo, né Andreas, a ideia de poder pela
- 13:46arte poder chegar em algum lugar de de, né?
- 13:50De validação e de reconhecimento.
- 13:53E aí são, obviamente, os racks que eu mais gosto de fazer,
- 13:57porque bom, aí é onde a gente vê que tem um penso, né, que a
- 14:01galera tá gostando dessa reflexão.
- 14:04De ver eu e ele, não é nessa composição e tem uma parte do
- 14:08João que eu também tem sido muito interessante, do próprio
- 14:11João ter conseguido junto comigo também me me fazer perguntas ou
- 14:16também, né? A trazer algumas considerações
- 14:19para além da técnica do trap, né?
- 14:22Para além dessa expertise que o João tem de poder falar do
- 14:26beach, né, do flor é é da qualidade, enfim, né?
- 14:32Sonora e musical, que não é por onde eu.
- 14:35Eu consigo falar grande coisa, mas também estou aprendendo, não
- 14:38é? Também estou aprendendo com ele
- 14:40sobre isso. É, eu acho que o que eu, o que
- 14:44rola também assim que tu falou ali do do pessoal que quer ver
- 14:48tipo para te provocar, eu acho que o que rola também não é por
- 14:52isso. Assim, de querer te ofender é
- 14:54uma coisa, né? Não é por isso eu acho que é uma
- 14:56coisa assim, mais engraçada, tem a parte engraçada dos nossos
- 14:59vídeos. O nosso vídeo é pelo menos eu
- 15:01acho isso. A maioria dos vídeos tem que ser
- 15:03uma coisa para ser mais fluida assim não é uma coisa para ser,
- 15:07sabe assim, muito séria e tal, então o pessoal quando pede para
- 15:11te ver essas músicas, porque ele sabe que tu é 11 pessoa, que.
- 15:15Vai, sei lá, vai gostar daquilo, pessoal quer ver essa reação,
- 15:19entendeu? Não porque que é te ofender, mas
- 15:21é porque é inusitado. Assim vê uma pessoa tipo em
- 15:24outro contexto que nem o Marcelo falou.
- 15:26Eu conto uma coisa intergeracional ali, tu é uma
- 15:29mãe que não está acostumada a ver YouTube.
- 15:31Nós, por exemplo, da minha geração, meus amigos, tudo a
- 15:34gente sabe, a gente escuta, uniam flácido, a gente sabe que
- 15:36ele não está, não vai lá dar soco no homem, digo, mas ele
- 15:39está falando isso porque é uma coisa absurda que está
- 15:41engraçada, né? É uma coisa até meio de stand up
- 15:44sim, os caras fazendo aquelas. Umas piadas assim, tipo a,
- 15:47falando coisa absurda, mas que ser tão absurdo que está aí a
- 15:50graça, entendeu? É mais ou menos, mas é um jogo
- 15:52arriscado, não é? Também é um jogo arriscado,
- 15:55porque a gente não sabe, não é como que cada um consegue fazer
- 15:59a leitura disso, que está na ordem, né, do do, do escrachado,
- 16:04do, do ser algo irônico e aquilo que está na ordem das nossas
- 16:08questões, né? Porque porque já se botou fogo e
- 16:12indígena, que estava dormindo no chão, né?
- 16:14Já teve chacina com as pessoas que né, que moram na rua, então.
- 16:18É isso, não é? É, são questões que são
- 16:21acionadas por a por essas músicas e tal que precisam ter
- 16:25um espaço de de de reflexão, embora eu acho que o João está
- 16:29sempre tentando assim fazer a me puxar para essa ideia do mais
- 16:33leve, né? Onde vai essa ideia de bom?
- 16:35Vamos poder brincar um pouco e eu faço essa personagem, acho
- 16:39que é disso, não é Marcela que eu tava dizendo, eu acho que eu
- 16:41tento encarnar essa personagem, bom, de poder brincar também de
- 16:45poder é provocar também o João. Daqui a pouco eu faço umas
- 16:48perguntas de desentendida. Como se eu não tivesse
- 16:51entendendo o que que a música está falando para que isso
- 16:54também tenha um tom mais leve. Mas eu acho que também é
- 16:59importante pensar que tem que ações que precisam ganhar, né?
- 17:02Uma densidade, uma discussão, enfim, e que é o meu lugar de
- 17:06professora da universidade, de psicólogo.
- 17:09Enfim, né? Então, acho que transitar entre
- 17:11esses 2 universos assim tem sido um desafio muito bonito, né?
- 17:16E muito legal aí aí que está o react, né?
- 17:18Porque acho que hoje haja várias músicas, cada música é uma
- 17:21música. Eu acho que cada música pede um
- 17:23tipo de. Posição, né?
- 17:25Se a música é o cara falando uma bobagem que tem que haver
- 17:28brincar junto, sei lá que a gente faz do NG CDL lá, que é um
- 17:31outro rapper também, que agora está já virou uma piada no canal
- 17:35e o cara que também que fala umas besteiras na música e tal,
- 17:38mas, pô, ele tá falando um Monte de coisas assim que a gente sabe
- 17:40que ele está ali. Sabe, está falando Sério com
- 17:43aquilo ou de ter que brincar junto?
- 17:44Agora tem músicas que é questões mais sérias, por exemplo, que
- 17:47nem a gente fez do canção infantil lá.
- 17:49Aí, pô, olha a música tem um Monte de coisa incrível.
- 17:53O cara está falando, o cara é um, tá falando uma poesia, obra
- 17:56de arte. Aquela música é uma obra de
- 17:57arte. Então põe-no, a gente vai
- 17:58brincar com isso. Por exemplo, a gente vai lá, não
- 18:00vamos olhe, falou isso aqui, tá isso aqui, isso aqui a gente vai
- 18:03adicionar coisa em cima, não sei o que.
- 18:05Cada música pede um tipo de layout.
- 18:08Ação não é igual, a gente também não é 11?
- 18:11Baita aula de história em. Vamos segurar um pouquinho,
- 18:15porque daqui a pouco eu vou pedir para vocês selecionarem.
- 18:17Eu acho que já são é essa, mas a gente chega lá antes.
- 18:21Eu queria também pensando mais uma vez que a gente está falando
- 18:25com um público, é que de repente, a Fernanda, quando
- 18:28chegou a primeira vez para acompanhar um trecho, eu imagino
- 18:31que o João chegou a explicou um pouquinho, olha, trepa isso
- 18:34daqui mãe, é tal tal para quem não conhece, pra quem não sabe o
- 18:37que é o trepe, dá pra explicar um pouquinho em linhas gerais,
- 18:41né? O que caracteriza o Trump, João?
- 18:44A basicamente assim acho que gênero do rap acho que a maioria
- 18:47do pessoal vai conhecer, não é essa parte, assim que é mais
- 18:50antiga assim no meio musical no geral.
- 18:53Assim, o pessoal deve conhecer alguma coisa.
- 18:55O Trump é basicamente uma vertente do do rap, né?
- 18:58Ele está conectado, as 2 coisas andam juntas, só que o Trump é
- 19:01uma coisa um pouco mais movimento, mais Moderna, assim,
- 19:04uma coisa assim, mais misturado, um pouco com o pop, uma
- 19:07musicalidade mais cantada, também tem um pouco de tudo, até
- 19:10do autotune, que acho que está falando, introdução ali da voz e
- 19:13robótica, não sei que tu falou uma coisa assim dos efeitos.
- 19:16Então tá isso junto com o Trump também.
- 19:18E também é rola um pouco também da de uma de menos preocupação
- 19:24que está sendo dito no rap. Assim, acho que a letra é 90% da
- 19:28música. A mensagem que ela carrega no
- 19:30TAP já tem a pegada mais, que é o que é uma música pra te ouvir,
- 19:34te sentir bem, não é a partir de alguns dos trechos, não é.
- 19:37No geral isso tem Trump também, que faz a gente pensar, lógico,
- 19:40mas estou dizendo No No geral, né?
- 19:42O Geraldo stripes assim é uma coisa pra te sentir bem, não,
- 19:45cara, não preocupar muito com o que está sendo dito, é um, é
- 19:48mais a sentir ali o flop, a música, curtir é TOC.
- 19:51Ou é isso, sabe? Não, não tem essa toda essa esse
- 19:55peso que o rap traz também, mas anda junto com o com o rap.
- 19:58São 2 gêneros musicais que eu não conectados ainda.
- 20:02É, e acho que uma algo que eu fui aprendendo também não é da
- 20:05emergência. É desse desdobramento do rap, do
- 20:09rap, não é fazendo parte do movimento, enfim e pop, como é
- 20:12que o rap é chega no Brasil, não é?
- 20:16É pelos racionais m CS EE é isso, né?
- 20:20Tá falando certo, Luciano tá e pensando que aqui No No, no
- 20:24Brasil, acho que essa forte emergência de uma vida é que não
- 20:29é, digamos assim, que tinha pouca visibilidade da sua
- 20:32narrativa, né? Tanto que.
- 20:34Sobrevivendo no inferno, né? Falando da vida, da vida na
- 20:37cadeia, na vida do do né? Do egresso do sistema
- 20:42penitenciário aqui no país? Quem?
- 20:43Quem é a população majoritariamente encarcerada no
- 20:47nosso país? Enfim, então acho que tem essa
- 20:50essa, essa emergência do rap, que é uma música.
- 20:53Então, para trazer uma história, uma música, denúncia de uma
- 20:58música, protesto, e eu fui aprendendo que o trap não se
- 21:02compromete apenas com isso, mas também não dispensa isso também
- 21:06está junto, não é? Então é, acho que a as as
- 21:10narrativas não é do do, trepe a do sua grande maioria, elas
- 21:15estão vinculadas a essa ideia da vida ostentação, né?
- 21:18A da vida, enfim, de que acessou esses esses signos do sucesso é.
- 21:24É muita marca que é colocada ali em cena, né?
- 21:27Marca de roupa ou brilho a corrente, o carro é e aí vem é a
- 21:34minha grande provocação de como as mulheres são narradas, né?
- 21:38Nesses? Nessas músicas, como mais um
- 21:41objeto de ir aos tentação, enfim, não é a, mas também não
- 21:46existe só um jeito de fazer trap, não é?
- 21:49É também essas derivações EE próprio as pessoas que são
- 21:54trappers é conhecidos e aí o João depois pode falar, né?
- 21:58Eles navegam também, né? Nessas músicas que, sim, são,
- 22:02trepe que eu que a gente brinca, né, que a gente provoca o treco
- 22:06ostentação, mas também tem, né? Músicas que é uma história da
- 22:11sua vida. Uma história marcada não é por
- 22:15esse lugar de de, de, de acessar a música e ser alguém da música
- 22:21como a uma ideia de ser visibilizado de uma forma de
- 22:25valores, de reconhecimento. Acho que o Trump é um gênero
- 22:29muito versátil assim, né? Pode fazer de tudo.
- 22:32A gente vê artistas fazendo até as 2 coisas.
- 22:35O mesmo artista não é fazendo músicas que é mais para a festa,
- 22:38que é mais. Mais uma pegada, talvez até
- 22:40parecida com o funk, cantar coisas parecidas com o funk, mas
- 22:44mesmo artista também fala, vai fazer músicas mais carregadas de
- 22:47críticas, de protesto de até coisa mais emocional, da vida
- 22:51dele, do passado dele, do que que ele teve que passar para
- 22:54chegar onde ele está hoje. Toda essa história juntos também
- 22:57no mesmo artista, não é? Então é uma coisa muito
- 22:59versátil. Tem trecho que fala de amor
- 23:01também, trip romântico, cara falando de uma cidade, está
- 23:04apaixonado ali não sei o que é, então tem de tudo, não é de tudo
- 23:08um pouco. Uma curiosidade é.
- 23:12A personagem mãe feminista, ela já nasceu no primeiro vídeo de
- 23:17reação de vocês ou veio depois? Quando que surgiu a mãe
- 23:22feminista no canal? Essa mexe que nem tu sabe porque
- 23:24eu que comecei é, foi o João que me é, tu vê que interessante, eu
- 23:28botei o nome nele, né? E ele botou esse nome em mim,
- 23:32né? Eu acho que foi a nomeação do
- 23:34João, é, é, eu só foi assim o primeiro, o primeiro de todos,
- 23:38que foi isso da Batalha foi mãe, minha mãe reagindo a Batalha de
- 23:41rima foi mãe normal. Aí eu acho que depois a gente
- 23:44fez mais aqui. Agora não vamos lembrar de que
- 23:46está tudo canal, depois é só ver ali, não é?
- 23:49Mas aí teve a, sei lá, mais algum outro que foi mãe, aí teve
- 23:53um outro que já foi música que foi o canção infantil que aí eu
- 23:57pensei assim, ó, mas não é só a mãe, olha tudo que ela falou que
- 24:01tá aí eu botei mãe, psicóloga, mãe, psicóloga, reage.
- 24:05Aí depois um outro. Eu botei mãe feminista, aí o que
- 24:07mais funcionou foi o feminista. Aí deixei mãe, feminista, reage,
- 24:11está aí até hoje, não é? Eu ti nem combinou, é isso?
- 24:13Na verdade, não é tipo, tanto que nos visto só falavam que tu
- 24:17queria falar, não é eu que nada. Depois da edição, comecei a vir,
- 24:20falei, ó, dá pra fazer aqui de repente for na direcionar isso,
- 24:23né? Não é só a mãe, mãe, feminista,
- 24:25mãe, psicólogo, sei que até hoje, na real, esses dias até tu
- 24:28falou da música ilusão, Cracolândia se tu for ver o
- 24:31título desse react da mãe, psicóloga reage à ilusão
- 24:34Cracolândia. Assim.
- 24:35Isto porque eu achei que nesse contexto funcionava melhora.
- 24:38Não tinha tanto uma coisa do feminismo ali tinha uma coisa
- 24:41mais do de ser psicólogo e tal. Eu achei que combinava melhor EE
- 24:45um pouco também do dos efeitos. Não é que o João tava falando
- 24:49que hora ele foi experimentando de me chamar como a mãe, depois
- 24:54de chamar como a mãe psicóloga e depois chamar como a mãe
- 24:57feminista e que me não é? Parece que a rapaziada que assim
- 25:02que o João chama, né? Os seus inscritos é de alguma
- 25:06forma. Se sentiram mais convocados
- 25:09quando se chamou feminista. E eu acho que aí tem algo bem
- 25:14interessante da gente pensar se tem algo aí de eles é quererem
- 25:19então entender a hora, pois o que que é o feminismo?
- 25:24Tendo em vista que tem uma grande força assim no nosso, no
- 25:28nosso Brasil, de colocar as teorizações e os e os movimentos
- 25:33feministas como um inimigo, tá como o inimigo de um projeto de
- 25:38família, né? Como um inimigo de um projeto, é
- 25:42de masculinidade. Enfim, né?
- 25:45Então isso que a gente foi entendendo essa cruzada contra
- 25:49não é qualquer discussão em torno de gênero, né?
- 25:53Gênero de sexualidade, enfim. É, então eu acho que que teve
- 25:57muita essa essa pegada assim, nesse momento de querer escutar
- 26:02alguém, então, que se apresenta como uma pessoa, não é?
- 26:07É feminista e eu acho que isso é muito interessante, porque para
- 26:11mim, enquanto Fernanda, né, eu não consigo fazer muito essa
- 26:16diferenciação. Aonde está a psicóloga e aonde
- 26:19está a feminista, né? Porque para mim não é possível,
- 26:22mais é pensar na nossa história e pensar nas nossas relações.
- 26:28Pensar como é que a gente se constitui enquanto sujeito que
- 26:31não pensando nas relações de gênero?
- 26:34Então, para mim, essa de visão não existe.
- 26:37Embora o João tenha trazido aqui agora que tem determinados
- 26:40momentos, como foi discutir a questão do uso das drogas?
- 26:44Não é a toxicomania é e drogadição e que naquele momento
- 26:48ele tenha me chamado para não é para participar como psicóloga,
- 26:52não é. Eu entendo que ele viu outras
- 26:55faltas, talvez que ali pudessem aparecer e que não eram tão
- 26:59evidentes numa questão de gênero, né?
- 27:02Mas eu gostaria de de deixar essa, é essa contribuição que
- 27:07para mim não é, é. Mais possível diferenciar um
- 27:10aonde está a psicóloga e aonde está a feminista?
- 27:15E eu queria entender assim, pensando nesse papel também de
- 27:19psicóloga, como é que você vê a importância de ouvir o João em
- 27:24relação aos gostos pessoais dele?
- 27:27Qual que é a importância e o quanto que isso é importante
- 27:29para que outros outras famílias, né?
- 27:32Não só pais e mães, mas quem esteja com os jovens é
- 27:35reproduzem em seus momentos. É, eu acho que, e isso é um
- 27:40ponto muito importante. Assim, não é de de como a gente
- 27:43encontra nesse nesse trabalho. 11 ponte de encontro, né?
- 27:49É porque muitas vezes a posição dos adultos diante não é dos
- 27:54adolescentes ou dos jovens, é essa a posição de achar que Oo
- 27:59projeto do adolescente é ter que se tornar um determinado adulto
- 28:03e que o adulto é que vai estar, é o tempo inteiro indicando a
- 28:08onde ele precisa chegar, né? E o que eu tenho aprendido assim
- 28:12com o João é esse lugar de poder escutar das suas experiências,
- 28:17né? E poder escutar dos seus
- 28:19caminhos e dos seus processos. E que ele não está vivendo uma
- 28:22vida para chegar em algum lugar. Ele já está nesse lugar.
- 28:26A vida dele já tem um valor pela vida que ele já está aí,
- 28:29construindo. Não é pelas suas relações que
- 28:32ele tem, pela relação que ele tem, é com o YouTube que é para
- 28:37ele um lugar de muita importância, é o trabalho dele,
- 28:41enfim. Então foi também nesse, nessa
- 28:44relação com o YouTube que eu fui percebendo que meu filho enfim,
- 28:47já cresceu, né? Não que ele tenha, né?
- 28:51A não que ele já seja um adulto ou não, que eu não tenha, né?
- 28:55É que ocupar esse lugar de mãe e que de referência e de tudo
- 29:00isso. Mais de uma valorização do
- 29:02processo que ele já tem, não é? E não essa ideia que muitas
- 29:06vezes a gente tem errônea, não é?
- 29:08Dia da adolescência como uma passagem, né?
- 29:11E que ela é só preparar para algo que derradeiramente.
- 29:16É importante que a lá adiante não, gente.
- 29:18O que é importante é o que ele já está vivendo, né?
- 29:21Essa presença é esse aqui agora e eu acho que OOA relação que a
- 29:26gente foi estabelecendo de estar junto nesses momentos foi me
- 29:30mostrando muito isso. E João é pensando agora, nesse
- 29:37diálogo também com a sua mãe, o que que, a partir de ouvir a
- 29:42avaliação, a reação da sua mãe te acrescentou em relação ao
- 29:47trepe, você passou a ver a música?
- 29:49Trepe de outra maneira. A partir dessas observ ações da
- 29:53mãe feminista. Sim, não acho que sim, com
- 29:56certeza. Acho que principalmente ali na
- 29:59rehab, desde pequeno. Na verdade, não é que minha mãe
- 30:02sempre falou das coisas de feminismo.
- 30:04E tudo mais, então, tipo, nunca, não é isso.
- 30:07Passou longe assim de mim, mas o que rolou foi que, por exemplo,
- 30:12depois que ela começou a apontar as coisas tipo da de como,
- 30:15strippers abordavam as mulheres, principalmente isso.
- 30:18Assim, a gente começa a dar conta que realmente, né?
- 30:20Umas coisas assim, meio complicada, sabe de se ver
- 30:24assim. Eu comecei a prestar atenção
- 30:26mais nisso e muito também. Assim, da de outros contextos
- 30:30também das músicas, por exemplo, que nem aquelas que a gente
- 30:33estava falando que abordam questões mais sociais e tal,
- 30:37acho que eu não comecei a perceber isso na verdade, depois
- 30:40que eu fiz os Rex com ela, acho que muito do que ela já me
- 30:43ensinou já fazia. Eu percebi essas coisas nesse
- 30:45tipo de música, entendeu? Então foi meio que uma coisa
- 30:48natural assim, sabe? Eu acho que independente de tipo
- 30:51do react existiu, não acho que a criação que minha mãe me deu,
- 30:54das coisas que ela já me ensinou.
- 30:56Já fazem o tipo ouvir as músicas e prestar atenção em coisas que
- 31:01outras coisas assim sabe. Mas eu acho que também foi um
- 31:05espaço da gente fazer uma imersão, de falar disso também,
- 31:09não é nesse momento dos reacts, eu acho que acaba sendo uma
- 31:13imersão mesmo, não é EE ali está garantido que de alguma forma
- 31:17bom eu vou estar escutando. Ele também vai estar escutando,
- 31:21mas tem uma cena engraçada assim, Marcelo é nossa assim de
- 31:25de de família, né? Oo João, o João é o mais velho,
- 31:28a gente tem mais é eu e meu companheiro, né?
- 31:31O Fabiano, o pai do João, a gente tem mais 2 filhos, né?
- 31:3511 menino de 12 anos, uma menina de 9 anos.
- 31:38E aí teve uma cena muito engraçada assim, no.
- 31:40Numa viagem assim, no carro que eles botaram uma música para
- 31:43mim, provocassem, não é? E era, não é, pô, não era o
- 31:47contexto de hacker está gravando, né?
- 31:49Acontece direto, é e eu não até não sei se o João não estava
- 31:52fazendo uma gravação assim pra ver o que que ia rolar ali, do
- 31:55que eu ia dizer, né? E aí, lá pelas tantas, eu se
- 31:57gente olha que eu não quero mais ouvir isso, né?
- 32:00É, não quero mais ouvir essa música e o seguinte, vocês
- 32:04homens, resolva esse machismo assim como.
- 32:08Nós, brancos, temos que resolver o racismo, e aí não é?
- 32:11Eu falei assim, eu não estou bravo, mas daqui a pouco já todo
- 32:14mundo começou a rir, não é no sentido de bom, é de que tem
- 32:18algo que não passa longe da gente, não é não é porque?
- 32:21Bom eu, a mãe feminista discute, fala e tal que que isso não seja
- 32:26uma questão que anda, vira e mexe a gente tem que estar se
- 32:29dando por conta que a gente também está reproduzindo várias
- 32:31coisas aí e que não é muitas vezes só por essa ordem de
- 32:36tentar conscientizar e de falar, né?
- 32:40Que isso não nos toma de que isso?
- 32:42Daqui a pouco também está em mim, está no João, está no meu
- 32:45companheiro. Não é porque é isso que a gente
- 32:47chama de estrutural, não é? Isso é estrutural.
- 32:50A gente tem que estar sempre muito atento, porque anda, vira
- 32:53e mexe. A gente está reproduzindo
- 32:54questões que a gente está, não é querendo problematizar.
- 32:59É interessante ouvir vocês, não é?
- 33:01Quando o João fala que. Desde sempre, ele pela formação,
- 33:07pelo lar, onde ele cresceu. Ele tem um olhar que chama a
- 33:10atenção para alguns temas também, mesmo antes da das
- 33:14reações e tal, é essa pauta está acontecendo por causa do meu
- 33:18filho de 15 anos e é um pouco isso também.
- 33:21Eu ouvi falar sobre trepidando aula de uma pessoa que está
- 33:24envolvida com produção deste tipo de música Na Na faculdade,
- 33:28né? Na FAAP eu dou aula de
- 33:29comunicação e veio de lá. Eu ouvi esse termo aí eu comecei
- 33:32a. Acessar alguns vídeos e vi ali
- 33:3640000000 de visualização. Eu falei, como é que eu não
- 33:38conheço isso? E fui perguntar para o meu filho
- 33:41e ele me apresentou, olha o Trump é isso, aquilo e tal.
- 33:44Mas tem um canal que você vai gostar e aí ele me apresentou
- 33:47vocês EE aí é porque assim ele já tem também Na Na gênese tanto
- 33:54da formação, né? Dessa convivência comigo há 10
- 33:57anos produzindo conteúdos de educação e cidadania, acompanha
- 34:01esse olhar, participa, ele fez agora.
- 34:03No final do ano, um áudio em que ele foi o Paulo Freire aos 10
- 34:07anos de idade. Então assim é.
- 34:10E ele já traz essa essa visão da do recorte de cidadania e é aí
- 34:16que eu quero entrar, que vocês já estão trazendo desde o começo
- 34:19da nossa conversa, mas especificamente porque e de quem
- 34:24veio a ideia se veio do João de trazer também esse estrepes?
- 34:29Vou chamar assim, sociais que trazem questões de cidadania,
- 34:33que falam do machismo, que falam da violência contra a mulher,
- 34:37quer dizer, do combate a violência contra a mulher.
- 34:40Enfim, desse da violência policial na violência policial,
- 34:44não é? É de quem que veio, é de de
- 34:47onde? Parte foi do João EE.
- 34:49Porque trazer esses temas importantes também num momento
- 34:53em que vocês estão reagindo à trips?
- 34:57É, foi uma coisa muito natural, assim eu sempre cuido assim no
- 34:59canal, que nem a minha mãe já falou de ser uma coisa mais
- 35:02natural possível, então tipo, o se é que não, ela disse.
- 35:05A gente tenta, cuida para ouvir a música pela primeira vez e
- 35:07quando está gravando para ser a primeira vez que a gente escuta,
- 35:11então com esse o com a música que a gente vai reagir também
- 35:14não é diferente. A gente cuida para ser.
- 35:16Então, por exemplo, a primeira música mais é com uma questão
- 35:20mais política, assim, mais de crítico social e tal que a gente
- 35:24escutou foi a canção infantil e foi porque o público comentou, a
- 35:28gente fez um primeiro que era reagindo a trepe no geral.
- 35:31Então, eu é uma ideia que surgiu na minha cabeça, daí a gente fez
- 35:34esse da Batalha de rima, é aí eu vi que Oo Trump na época, era o
- 35:38que estava também ali. O pessoal escutando era que eu
- 35:40escutava desde, desde, sempre, então eu pensei, Oh, vamo que
- 35:43vamos ver o que acontece aqui. Então eu peguei ali os
- 35:45principais trechos que estavam rolando na época, que eram trepe
- 35:49desses gêneros, assim, mais tipo falando essas, esse contexto
- 35:53assim, tipo de da mulher, da ostentação e tal, e fiz o vídeo
- 35:57dela dela reagindo a esse tipo de treco ali te escolhi umas 23
- 36:01músicas e fiz ela. Reagindo aí o pessoal não nos
- 36:04comentários, comentou, olha tipo é, viram que tu não tinha
- 36:07curtido as músicas? Deve ter ficado bravo alguma
- 36:10coisa assim e comentou, olha essa aqui, ela vai gostar, tenho
- 36:12certeza e comentaram. A canção infantil é.
- 36:15Os comentários com mais likes do desse desse primeiro vídeo nosso
- 36:19reagindo a trepe aí já foi logo no segundo que eu fiz falei, tá,
- 36:22né? O pessoal está pedindo porque
- 36:24até 111 coisa comum assim no YouTube não é.
- 36:27Tu vê que o pessoal pede muito um tipo de vídeo.
- 36:30Porto considera fazer, né? O pessoal quer assistir aquilo.
- 36:33É um tema legal de se fazer tudo.
- 36:35AA não é a concretiza aquela ideia que o público trás.
- 36:38Então foi isso que eu fiz. Não foi uma coisa assim muito,
- 36:41sabe? Foi natural, assim apareceu.
- 36:43Aí eu falei, ó boa, boa ideia, vou fazer, já separei já, já
- 36:45gravamos, entendeu? E é o que segue ser até hoje,
- 36:48direto do pessoal, comenta. A música para a gente reagir e
- 36:50tal, e a gente traz para o canal, não é?
- 36:52E eu não sei, não é? Talvez seja um pouco o tópico da
- 36:55minha parte assim, né? Mas é, eu fiquei pensando também
- 36:59de que é isso que o João fala, bom que a galera pede, a gente
- 37:03faz, né? Porque bom, tem essa lógica do
- 37:07das viúvas, né? Tem essa lógica de que quando
- 37:10ele faz um vídeo, ele quer que seja um vídeo que acesse muita
- 37:13gente, né? E eu sempre acordo, eu sempre o
- 37:17jogo do YouTube como ele diz, né?
- 37:18Aí eu tive que entender disso, eu tive que aprender sobre isso,
- 37:21porque eu? Eu, eu um pouco propunha para o
- 37:23João, diz. É bom, a gente pode produzir 11
- 37:26conteúdo que não tenha uma grande, 11 grande alcance e que
- 37:30a importância e o conteúdo não é não é a é.
- 37:34Enquanto as pessoas ele chega, mas isso eu fui entendendo que
- 37:38para o João isso não está dissociado, né?
- 37:41Aqui para ele produzir juntas, elas precisam andar juntas, que
- 37:44produziam conteúdo é querer chegar, né?
- 37:47E muita gente, enfim, mas o que eu estou chamando de utópico?
- 37:50AA retomando, né? O que eu tava falando antes?
- 37:53É que eu acho que a gente se fortaleceu.
- 37:55A minha participação no canal fortaleceu em um período que
- 37:59coincidiu a pandemia, não é? E também coincidiu o nosso
- 38:05retrocesso em termos de país, né?
- 38:08O Bolsonaro é essas forças ultraconservadoras, né?
- 38:12Que estão é tentando impedir determinadas pautas, né?
- 38:17AA perseguição às discussões de gênero, de sexualidade, enfim,
- 38:22né? Como?
- 38:23Um grande exemplo disso, e eu acho que o tópico no sentido que
- 38:28eu acho que a galera está dizendo não, você vai falar, não
- 38:30é a não nós vamos escutar isso, vai precisar aparecer, né?
- 38:34A gente é não faz muito, a gente teve todo um movimento de é
- 38:38senso tentar, né? A produzir um silenciamento nas
- 38:41escolas, escolas sem partido, né?
- 38:44É, enfim, quantas coisas que a gente pode tomar como um
- 38:47analisador de uma tentativa é de cercear aquilo que a gente tem
- 38:51que discutir, não é? Então eu acho que também tem aí
- 38:54uma galera que sustenta. Pois não, não é a mãe feminista
- 38:58vai aparecer no canal, a mãe feminista vai falar, não é de
- 39:01questões que a gente precisa poder falar e que, óbvio, não é
- 39:05como todas as questões quentes e necessárias para elas produzem
- 39:10diferentes Reações, né? Em tão bom desde de uma certa,
- 39:14entre aspas, fidelização da galera que queria escutar esse
- 39:17conteúdo e dos haters, né? Que eu acho que não dá pra
- 39:21gente, né não falar assim, né? Também um movimento de uma de
- 39:25hostilidade que foi produzir produzindo também, né?
- 39:29Em algumas alguns ensaios meus e do João, eu lembro que bem no
- 39:34início da pandemia e tal, a gente fez algumas Lives e para
- 39:39mim não foi um movimento muito tranquilo, porque era sempre um
- 39:43medo do de uma violência, né? Sempre o medo de que alguém
- 39:47entrasse é, enfim, rolou algumas coisas, de uma certa de algumas
- 39:52provocações. O João talvez até possa lembrar,
- 39:54né? Sim nas Lives e tal, e a gente
- 39:56resolveu que a gente não ia mais fazer, né?
- 39:59E não foi uma coisa muito combinada, nós 2 assim deu, né?
- 40:03Mas eu acho que o João foi Cent. Tinham do como aquilo me
- 40:05deixava, é muito. É a mercê, não é?
- 40:09E que essa é a posição das mulheres, não é, Marcelo assim
- 40:12de de estarem, é nesse lugar de de, de enfim, mas disponível a
- 40:18violência, né? Sim, então eu acho que também
- 40:20foi uma certa estratégia de cuidado.
- 40:22Ele do João também de tá não vamos mais fazer live, a gente
- 40:26vai fazer no nosso tempo, vai fazer as coisas que não é que eu
- 40:29tiver propondo para ti e eu acho que isso é 11, algo importante
- 40:34está trazendo também, né? É que o que rola bastante assim
- 40:38o comentário do pessoal. Mas eu sempre tentei te blindar
- 40:40assim de sempre. Falei para ti, não, não ver os
- 40:43comentários do do YouTube nunca, não é?
- 40:46Falei para ti a ler uma coisa. Sempre falei, ó, já tive tu
- 40:50lendo assim. Falei, ó não lê, mãe, não, não
- 40:52dá atenção para isso, porque a maioria desse pessoal que
- 40:55comenta essas coisas não é um é a maioria, é até crianças, é de
- 40:59é, é o guri de 12 anos de idade, sabe o que está ali no
- 41:03computador e vai comentar ali porque que é ti.
- 41:06De ofender, de te deixar bravo, é isso que eles querem,
- 41:09entendeu? Eles não estão, não ódio genuíno
- 41:11sabe isso que eu acho. Não é um ódio genuíno assim,
- 41:14contrate, é uma coisa mais tipo uma coisa assim provocativa,
- 41:18sabe? Mas lógico que essa pessoa
- 41:20também não. Não tem porque fazer um tipo de
- 41:22coisa dessa, mas como eu, por exemplo, que nem já te falei, eu
- 41:25estou no YouTube é 7 anos, então, desde que eu tenho desde
- 41:27que eu sou criança e tenho 10 anos de idade, eu já recebo
- 41:30comentários dos cara me xingando e tal e falando um Monte de
- 41:34coisa, só que com o tempo foi aprendendo, a não dá a mínima
- 41:37pra isso, sabe? Tipo isso não é uma coisa que
- 41:39vai te te agregar de jeito nenhum.
- 41:41Você é uma crítica construtiva, isso é uma coisa que vai te
- 41:44agregar. Bonde leva em consta, mas
- 41:46comentário te xingando assim que que tu vai fazer com aquilo, né?
- 41:49Não leva a lugar nenhum, então é mais ou menos isso, né?
- 41:52Eu sempre tentei, tipo. Blindar a minha mãe dela, não
- 41:55ler esse tipo de comentário. Mais lógico, alguma coisa aí é,
- 41:57chega nela. Foi essa coisa live que o
- 41:59pessoal foi lá e comentou aí, tal eu sei que às vezes tem
- 42:03alguém que aparece lá No No Instagram e comenta, mas é que
- 42:06isso é a internet, não é assim. Às vezes até a gente vê até
- 42:09criadores que não são nem tão. Por exemplo, vamos dizer
- 42:13provocativos, tipo minha mãe que tá só um pensamento que pode
- 42:16fazer com que pessoas discordem daquilo e vão para cima.
- 42:19A gente vê gente do conteúdo mais puro possível, é sendo
- 42:22xingado por motivo nenhum, então a internet é isso, né?
- 42:26É os caras ali atrás do computador, sentem.
- 42:29Protegidos, não é que pode falar o que quiser e acabou aí, não é?
- 42:33E muitas vezes, de forma orquestrada, não é que vem a
- 42:36mesma mensagem de várias Fontes, é, às vezes tem isso também.
- 42:39A gente fala, pô, como é que todo mundo está escrevendo?
- 42:41Do mesmo jeito, a gente já sabe a resposta, os robôs, aí tudo
- 42:45mais, né? Mas o outro lado dessa ótimo,
- 42:47né, tem nome isso, gabinete do ódio exato e o outro lado dessa
- 42:52história é, por exemplo, algum comentário de alguém que se
- 42:56percebeu machista e não sabia, é isso, chega vocês também.
- 43:00Por exemplo, alguém que viu o conteúdo.
- 43:02Falou, olha, eu não percebia como eu tinha algumas ações que
- 43:06eram machistas ou violentas ou é enfim, é homofóbicas?
- 43:12E vendo os comentários. Então eu me vi naquilo e mudei a
- 43:16partir dali. Isso vem também.
- 43:19Vem muito assim, com certeza. Não sei se talvez estão assim
- 43:22específico. Clientes falou de ações da
- 43:24própria pessoa, não é dela reconhecer os próprios atos?
- 43:27Acho que talvez role um pouco menos, mas assim a gente vê a
- 43:30maioria dos vídeos tem comentários lado pessoal
- 43:32falando. É que as considerações que a
- 43:34pessoa não tinha percebido aquilo naquela música que a
- 43:37pessoa não tinha pensado daquele jeito de a partir do que minha
- 43:40mãe falou, ela pessoa, nossa, olha que não tinha, nunca tinha
- 43:43nem pensado nisso que vocês falaram, entendeu?
- 43:45Então, isso rola demais assim e até agora lembrei, de facto, já
- 43:49falar da questão da das visualiza ções, que é até entrar
- 43:52junto nisso que tu falou que ai que o conteúdo e tal que a gente
- 43:55tinha que focar em fazer vídeos de conteúdo mais eu acho que tem
- 43:59espaço para 2 para as 2 coisas no canal, sabe o que eu acho
- 44:02legal também porque a gente vê, tá, tem muito vídeo de é da
- 44:05música que fala de bobagem. Ao que tem muita, viu que o
- 44:09pessoal acesse, assisti um Monte, mas também vejo muitos
- 44:12vídeos de músicas com qualidade que a gente fala, traz um
- 44:15conteúdo, sabe, interessante em cima daquela música que também
- 44:18tem muita, viu e que e também faz surgir vários desses
- 44:22comentários que tu falou aí do pessoal comentar que percebeu e
- 44:25que. Começou a pensar diferente a
- 44:28partir do que a gente falou no vídeo, não é?
- 44:30Então, tem espaço para as 2 coisas também, isso que eu acho
- 44:33legal e a gente eu já recebi. E também a é 11 mensagem por
- 44:38dentro do do do Facebook. Não é de 1/01/1 rapaz, enfim,
- 44:44que se apresentou EE disse que era jovem, devia ter, sei lá, 20
- 44:49anos, né? E que ele acompanhava, enfim, o
- 44:51canal né do João e um texto tão bonito assim?
- 44:55Marcelo, um texto de né de de agradecendo, né?
- 45:00É. Poder escutar.
- 45:02E dizendo de o quanto foi importante para ele, é que ele
- 45:06vem, não é de de um vinha de uma família, é que isso estava
- 45:10completamente anulado, enquanto possibilidade de conversar e de
- 45:14e de pensar, né? E o quanto a partir da da forma
- 45:18de eu estar na trazendo as coisas com o João e das amizades
- 45:22que ele tinha começado a fazer, que ele tinha recém ingressado
- 45:26na universidade, enfim, e de algumas mulheres que ele tinha
- 45:29conhecido de colegas, né? O quanto ele estava podendo se
- 45:31rever um? Enquanto homem, e aí a gente até
- 45:35pode pensar, não é o como que, como tem algo importante aí dos
- 45:39homens poderem discutir entre os homens, não é sobre isso, então
- 45:43de não deixar, né? E de não fazer que a
- 45:46transformação é a social e tenha que recair, né?
- 45:51Só sobre os ombros das mulheres, né?
- 45:54Então de nós não tomarmos, né? Que é nós é que temos que que
- 45:58salvar o mundo, mas pensar que os homens tomem para si, né,
- 46:03esse lugar de de pauta, de pensar.
- 46:06De questionado, os próprios homens poderem fazer isso, não
- 46:10deixar, não é esse trabalho só para nós, mulheres.
- 46:13Não é porque é muito fácil da gente se transformar em mulheres
- 46:18chatas, né? É que o tempo inteiro precisam
- 46:21estar pontuando. Está falando bom, olha só como
- 46:24assim. Espera aí, não é?
- 46:26Mas bom homens, tomem isso para se não tomem essa discussão para
- 46:30a Síria. Eu queria deixar um pouco também
- 46:32essa essa mensagem. Assim, ô Fernanda, aproveitando
- 46:36que você está falando isso e depois a gente trata talvez de
- 46:39uma outra pauta, é, eu também já me analisei bastante aquela
- 46:46história, a gente está em uma estrutura machista, então a
- 46:49gente cresce vendo muita coisa, como racista também e tal, na
- 46:52estrutura da sociedade é assim. E a gente vai questionando, vai
- 46:56melhorando? Espero que sim, né?
- 46:58EE eu uma vez disse que eu eu me considerava feminista, aí me
- 47:03corrigiram, você não é feminista, você é pró feminista
- 47:06porque o homem não pode ser feminista, isso é uma outra
- 47:08pauta. Não vou entrar nessa discussão.
- 47:10Depois a gente faz uma análise, é um Marco, um horário para
- 47:13entender se eu sou feminista ou pró feminista e não vou
- 47:15responder isso aqui fica de Ganz para outra pauta é eu gostei, eu
- 47:20gostei, eu gostei dessa pauta aí é, mas o que eu achei
- 47:23interessante e que me faz acreditar que.
- 47:25Ainda existe alguma Esperança, porque às vezes a gente
- 47:29desacredita na humanidade, é o fato de ver jovens como João,
- 47:35não é fazendo música e ali o homem falando que não admite a
- 47:40violência contra a mãe, contra a namorada, contra a esposa, que
- 47:44enfim, ele não vai ser daquele jeito que a sociedade trata.
- 47:49Em geral, as pessoas não é? Então, quando eu vejo um jovem?
- 47:54Homem falando dessa maneira, Eu Acredito um pouco mais na
- 47:59humanidade e acho interessante. Agora.
- 48:02Eu queria aproveitar até nesse. Nesse ponto a gente já foi
- 48:06tratando de algumas músicas que estão no canal.
- 48:08Queria que vocês escolhessem 3 músicas que estão no canal para
- 48:13indicar para as pessoas conhecerem, então para que elas
- 48:15depois busquem no canal amp. Esco essas músicas com as
- 48:20Reações de vocês para terem uma análise mais aprofundada e aqui
- 48:23tivesse 11 chamamento. Para crestar em atenção nessas 3
- 48:29músicas tem muitas outras mais 3 que vocês destaquem e que.
- 48:34Todo mundo deveria ouvir. E por que deveria ouvir?
- 48:38Está basicamente indicar 3 Rex do canal, tipo isso?
- 48:43Exato. EE por que que vocês estão
- 48:46indicando esses em especial com esse recorte e cidadania, enfim,
- 48:51de de um olhar mais humano? Que que tu acha?
- 48:55Quais? Ai eu gostei muito de da de lei
- 48:59Áurea. Não é?
- 49:01Eu não sei se é Oo react que teve muitas vi os, mas lei
- 49:05Áurea, eu acho que é 11 música muito boa.
- 49:09Tu lembrou. Agora a gente falou várias vezes
- 49:12do canção infantil que para mim é uma.
- 49:14É uma obra de arte, mas eu não sei se ela chega a ser uma
- 49:17música que a gente pode chamar de trap.
- 49:19Dá para chamar, esta é mais um rap, ele é um rap, né?
- 49:22Tem nada demais. Acho que é alma 11, música assim
- 49:26imperdível. E tem também a música super é
- 49:30interessante que é do aloque aquela, né?
- 49:33100 e. Acho que é uma música que é
- 49:36convocou vários, não é? É músicos, enfim, está compondo
- 49:40junto e bom, e tem 11. É uma pauta urgente que é a
- 49:46questão da violência, né? Contra a mulher e essa e essa
- 49:50ideia de homens falando disso. Não é homens podendo fazer essa
- 49:56esse chamamento não é do não. A violência contra a mulher não
- 50:00é. Então eu acho que essas 3 não é.
- 50:03A gente estaria bem servido assim para conhecer OOO canal,
- 50:05né, do do João e conhecer então esse trabalho da mãe feminista
- 50:11no canal, aí durham, PES. É, eu vou indicar um que é um
- 50:14pouco mais recente, que é de uma música do Costa gould, que é um
- 50:18coletivo aí de rap de Trump também.
- 50:20Enfim, da música desse for The Fact 3 que a gente fez não faz
- 50:23muito que é uma música muito boa também.
- 50:27Aí tem esse aqui que é muito bom também, que é do eu sou favela.
- 50:30Deve lembrar que é o César MC, que é o mesmo artista que canta
- 50:33a música da canção infantil, não é João?
- 50:35Mas, voltando um pouquinho, a primeira que você indicou, por
- 50:38que que você acha que é muito boa?
- 50:40Por que que a gente deve conhecer?
- 50:44Ai, eu acho que ela tem uma pegada até parecida com essa do
- 50:48do layout do Borges, que é o que traz esse contexto também, tipo
- 50:52do racismo e tal, porque tem artistas negros que cantam ali
- 50:54também, mas essa aqui também traz uma coisa um pouco
- 50:57diferente, que é um tem muita crítica à política também ao
- 51:00governo do Bolsonaro. Tem várias ali versus que são.
- 51:04É o que os caras falam no rap. Não é que a diz que é quando tu
- 51:08faz um verso, é é dedicado a atacar a outra pessoa a não é?
- 51:14Então acho que tem muito disso também essa música e a música em
- 51:16si é muito boa, não é? Então acho que vale.
- 51:17O pessoal. Vê esse react aí que é bem
- 51:19legal. A ele tem um outro que já falei
- 51:22aí do CNC, que eu sou favela, que traz essa coisa do pessoal
- 51:25que mora na favela e tal e tipo e valorizar isso, não é?
- 51:30E tem esse aqui que é muito bom também, que aí já pega até uma
- 51:32outra. Um outro assunto que a gente nem
- 51:35mencionou aqui que é do MC Sid. A carta número 1 que já fala aí
- 51:39de uma questão mais tipo psicológica, assim, de depressão
- 51:44e de uma história assim, mais emocionante que o mcc de
- 51:48vivenciou na vida dele, que ele fala nessa música e que nós,
- 51:51react, consequentemente fala também, né?
- 51:54Então, fica a indicação aí que a música também é muito boa e o
- 51:56Rex também é muito bom. O é o lei Áurea, não é?
- 52:01Foi 11, foi uma música que me marcou muito assim porque é,
- 52:05enfim, eu acho que a gente tem muito a aprender.
- 52:07Qual é o nosso lugar na luta anti racista?
- 52:11E que a gente precisa se falar que nós estamos falando aqui na
- 52:14posição, enquanto os sujeitos brancos não é?
- 52:17É, e o lei auria, eu. Eu acho que ele é muito
- 52:20pedagógico, não é para para pensar no nosso podcast, que é
- 52:24sobre a cidadania e educação. Que é romper com essa ideia
- 52:29salvacionista, não é de que então são, é e que o os os
- 52:34negros não é? Foram salvos?
- 52:37Então não é pela pela, pela assinatura, né, da Abolição da
- 52:42Escravatura, pela Princesa e et cetera, né?
- 52:44Então é 11 música que vai falar de um outro lugar, né?
- 52:48Vai falar de um lugar da resistência de sempre, do povo
- 52:51negro contra a escravização. E não atribuir então a essa
- 52:55figura Redentora. Não é que está na mão de alguém.
- 52:58Então a Liberdade é então e para mim me tocou muito.
- 53:02Foi uma música que para mim foi, né?
- 53:04Me fez muito sentido e eu acho que isso de alguma forma tem a
- 53:08ver com com a questão dessa pauta que tu disse que poderia
- 53:11ser, né? E talvez em outro momento, mas
- 53:13de pensar, qual é o lugar do homem na luta, né?
- 53:17Na luta feminista e talvez quando te diga não, tu não pode
- 53:21te dizer feminista, tu tem que te dizer, né é que tu apoia, né?
- 53:26O feminismo, o feminismo, que que será que está dizendo?
- 53:29Não está dizendo que é a gente que vai falar da nossa condição
- 53:32de vida? Nós, mulheres.
- 53:35Porque bom, é esse. Foi um lugar muito do masculino,
- 53:38não é falar por. É, então eu acho interessante
- 53:43que os homens possam se reconhecer numa luta anti
- 53:46machista, não é? Mas a quem tem que se reconhecer
- 53:50como feminista são as mulheres. Assim como, e não são todas que
- 53:56se reconhecem, obviamente não é não é isso que eu estou dizendo,
- 53:59mas qual é o lugar do homem? Assim como a gente precisa estar
- 54:01sempre pensando qual é o lugar do branco na luta?
- 54:04É na luta racial, não é? Na luta anti racista, né?
- 54:09E o quanto? Tem um conceito do lugar de
- 54:12fala, não é como um conceito que vai dizer Bom Lugar de fala é
- 54:16que cada um possa estar ocupando esse e falar, né?
- 54:20De um determinado lugar que nem sempre foi possível falar.
- 54:25Então a gente tem que aprender, não é?
- 54:27A gente tem que aprender, é o que que essa galera está podendo
- 54:30dizer, não é da sua condição de vida, enfim.
- 54:33E pensar, qual é o nosso lugar de branco na é na sustentação,
- 54:40né? De uma de uma relação entre
- 54:43brancos e negros, que é possam ser pensadas de uma maneira
- 54:48muito mais interessante e que para isso a gente precisa sair
- 54:53desse lugar de sustentar sempre o nosso privilégio.
- 54:56É por isso que é tão difícil a discussão das cotas raciais, não
- 55:00é por isso que os brancos brigam tanto com as cotas raciais, mas
- 55:04é assumir, não é que tem aí há algo a ser feito pelos brancos
- 55:09que abrir mão desse lugar. Não é que a cota sempre foi sua,
- 55:12né? Então como que a gente pode
- 55:15efetivamente? Lutar por uma sociedade mais
- 55:19igualitária em todos os sentidos, não é?
- 55:23Muito bom, muito bom conversar com vocês é ouvir, compartilhar
- 55:28essas Ideas. E eu fiquei pensando durante a
- 55:30nossa conversa que o racionais é até o próprio Mano Brown.
- 55:35Às vezes, revê a posição das letras deles.
- 55:38É que em algum momento também tem o machismo que é, em algum
- 55:42momento, ostentação está ali e a ostentação tem o seu sentido na
- 55:46maneira de mostrar que eles chegaram lá também.
- 55:49Então o visual é importante também no rap, né?
- 55:52Mas o rap foi tomando uma outra proporção e tem.
- 55:56Hoje eu sobrevivendo no inferno como um livro solicitado para
- 55:59vestibular, que eu acho que é outro patamar.
- 56:02Um é muito bacana também. Então assim é a própria revisam
- 56:06desses artistas. O próprio Chico Buarque revendo,
- 56:09né? Falando, eu não vou mais cantar
- 56:10uma determinada música que lá no passado eu não percebia e hoje
- 56:13eu vejo que era machista e as pessoas discuta há não tem que
- 56:17parar de cantar porque é, pois é ok, eu acho que contextualizar é
- 56:20importante, a gente não deve também aniquilar, né?
- 56:24A obra, por exemplo, de um Monteiro Lobato, mas a gente
- 56:27deve discutir. Contextualizar entender por que
- 56:30que ele escreveu daquele jeito ou daquela maneira colocou uma
- 56:33personagem negra naquela posição?
- 56:35E por que isso não cabe mais? Então, acho que tudo isso vocês
- 56:38trazem no canal. Essas reações são muito bacanas.
- 56:43Eu sou Encantado. Eu tive uma aula de 1 hora
- 56:46ouvindo meu filho falar de vocês depois, é.
- 56:52Em outro momento, ele vai ficar bastante, enfim, representado
- 56:56aqui, porque essa pauta, mais uma vez reconhecendo, veio do
- 56:59Lucas Theodoro, meu filho de 15 anos.
- 57:02Demora orgulho em falar disso e foi muito bacana.
- 57:06Queria deixar um espaço. A gente tem. 3 minutos, se vocês
- 57:10quiserem ocupar tudo para cair essa Transmissão ou à espera, eu
- 57:14já de novo, o que vocês quiserem falar para a gente concluir
- 57:19aqui, o espaço é de vocês. João quer falar alguma coisa?
- 57:24Acho que a gente falou grandes coisas aí já.
- 57:27Acho que o pessoal que não nos conhecia agora consegue conhecer
- 57:29a entendendo que que se trata aí o sick com a minha mãe.
- 57:33Não é que foi mais carente disso que a gente falou aqui No No
- 57:36podcast é isso, fica o convite aí.
- 57:38Eu acho que o pessoal aí agora que não conhecia, tem que ir lá
- 57:40conhecer, assistir os vídeos que tem certeza que vão gostar.
- 57:44Conteúdo aí, ó de qualidade, eu não adianta, não é?
- 57:47Eu sou eu sou gulosa, se dá 11, deixa aí.
- 57:49Eu quero falar de mais coisas, não é?
- 57:51Mas eu achei bem importante isso que tu trouxesse dos próprios
- 57:54músicos. Podendo rever e dizendo que bom
- 57:58tem. Tem músicas que não dá mais para
- 57:59cantar, não é? E eu acho que isso é uma
- 58:02posição, é uma posição importante.
- 58:04É assim como os homens precisam resolver, né?
- 58:08O machismo e os brancos precisam resolver, né?
- 58:11O racismo acho que não cantar mais uma música enquanto homem
- 58:15preto, né, que coloca a mulher numa determinada é é condição, é
- 58:20fundamental aqui no Rio Grande do Sul a gente tem um hino, é um
- 58:24hino, Rio Grande, Rio grandense, ele é um hino.
- 58:27Extremamente é é racista, não é ele, ele canta na sua estrofe
- 58:31que o povo que não tem orgulho acaba por ser escravo.
- 58:36Não é que não tem virtude, acaba por ser escravo e eu não canto
- 58:40mais assim. Eu não levanto para esse hino e
- 58:44eu não canto mais para esse hino.
- 58:46E eu entendo que isso é uma posição, e essa é a posição que
- 58:50a gente precisa ter enquanto branco.
- 58:52Perfeito. Muito obrigado que a gente volte
- 58:55a se falar em breve e fica aberto aqui.
- 58:58O canal também para quando vocês quiserem sugerir alguma pauta,
- 59:01estamos de ouvidos super abertos para vocês, tá bom?
- 59:06Muito obrigado mesmo. Prazer, obrigada pelo convite.
- 59:10Valeu, Marcelo. Tchau, tchau.