Latest / Elas na Escrita / #27 Me virando além do livro
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- 0:00Oi gente, bom dia, boa tarde, boa noite.
- 0:02Vocês estão aqui com mais um episódio da nova temporada do
- 0:05elas na escrita. Hoje vai ser um tema meio me
- 0:08virando, além do livro, será que a gente tá conseguindo se virar
- 0:11mesmo? Mas vamos descobrir que eu
- 0:12trouxe 3 convidadas que são ótimas autoras, é, são
- 0:16escritoras que eu gosto muito e que são muito agilizadas também
- 0:19em outros espaços para além do livro, seja em curso, seja um
- 0:23teatro, seja em editora, e a gente vai conversar um
- 0:25pouquinho, então hoje sobre essas possibilidades que a gente
- 0:28tem, né? Com autorias para além.
- 0:30Da literatura ali propriamente dito, eu estou com a Maria
- 0:32Helena moran, que é escritora e é também a minha editora, a
- 0:35editora da diadorinha. Seja bem-vinda, Maria, estou
- 0:39aqui com a Monique moncher chiquíssima também aqui de
- 0:42preto, bem aqui Na Na minha frente, bem-vinda a Monique,
- 0:45obrigada e estou aqui com a Letícia, olha também de
- 0:47vermelho, hoje estamos muito coloridas, estamos azul, verde,
- 0:50vermelho, preto, seja bem-vinda, Letícia, eu vou apresentar um
- 0:54pouquinho, vou falar um pouquinho de cada uma para vocês
- 0:55terem uma ideia de com quem a gente vai conversar.
- 0:57Hoje a gente está aqui com a Letícia bassi, ela é.
- 1:00É atriz, escritora, cantora, diretor e arte educadora.
- 1:04Ela tem formação como atriz pela escola de arte dramática na
- 1:06Universidade de São Paulo e é graduada em comunicação social
- 1:10pela fundação Cásper líbero. Trabalha em colaboração com
- 1:13diversos artistas e suas criações atravessam teatro, a
- 1:16dança, música, performance e a literatura.
- 1:19A Letícia realiza uma série de ações artísticas, performativas
- 1:22e políticos sociais relacionadas ao feminismo a parentalidade
- 1:26através da matria amada. E autora de mãe ou eu também não
- 1:29gozei pela patuá 2019, pela clara boia 2022 e cabra que
- 1:34lambisal publicada pela reformatório.
- 1:37Agora eu vou falar para vocês aqui da Monique mausshe, que ela
- 1:40é escritora, antropóloga e artista plástica.
- 1:43Ela é nascida em Santarém, interior do Pará, mestre em
- 1:46antropologia e doutora interdisciplinar em ciências
- 1:49humanas na área de estudos de gênero.
- 1:52Hoje ela reside em São Paulo, tem um livro publicado chamado
- 1:55flor de gume, que foi ganhador do prêmio Jabuti de literatura
- 1:582021 na categoria contos. É escritora dos é a Monique é
- 2:02escritora. É a segunda do norte a ganhar um
- 2:04Jabuti no eixo literatura em 65 anos da premiação.
- 2:08Em 2023, o livro foi homenageado em Boston em eventos das
- 2:12bibliotecas cramed public liebery e Boston public libery,
- 2:16além de ser tema de turma de estudo de gêneros em Harvard.
- 2:20Em breve, flor de gumes será publicado em espanhol pela fonte
- 2:23de cultura econômica no México. Em 2025, o livro de gola será
- 2:27publicado pela companhia das letras. bem-vindo a Monique,
- 2:31obrigada. Vou falar agora da Maria Helena
- 2:32moran, que nasceu em maracaibo. Falei certinho, Maria, certinho,
- 2:36então é isso. Ela é uma escritora e roteirista
- 2:38venezuelana radicada no Brasil. Seu primeiro romance, e os
- 2:42continentes de dentro, foi publicado em 2021 no Brasil e na
- 2:45Espanha. É ganhadora do prêmio cafeg room
- 2:48em 2022, com seu romance envolver aquando, coautora e
- 2:52roteirista do filme levante. Ela é graduada em comunicação
- 2:54social na universidade del zulia, Venezuela e no curso
- 2:58regular da ECTV em Cuba, onde estudou o roteiro
- 3:01cinematográfico. É mestre e doutora pela
- 3:03pontifica universidade católica do Rio Grande do Sul e
- 3:06atualmente vive em São Paulo. É editora do diadorim.
- 3:09Gente, a gente tá muito chique nessa mesa aqui de hoje.
- 3:12Sejam todas muito bem vindas e espero que a gente possa
- 3:15conversar bastante. E assim vocês.
- 3:18Eu acho que eu quis pensar um pouco nesse tema, porque vocês
- 3:20são escritoras e acho que pode. A gente pode dizer que vivem já
- 3:23da arte da escrita ali de alguma forma.
- 3:26E a gente pensa muito como é esse viver de escrita para além
- 3:29só do livro. E a gente tem aqui autoras que
- 3:32dão cursos e mentorias. A gente tem autoras que são
- 3:34também roteiristas, trabalham com roteiros, são também
- 3:36editoras, então trabalham com edição de livros, trabalham com
- 3:39os textos de outras pessoas. A gente tem uma autora também
- 3:42que é atriz, que é performer, então que se joga ali em
- 3:45diferentes espaços. E eu queria entender um pouco
- 3:47para gente começar, como que um trabalho assim, um espaço de
- 3:51vocês influencia o outro? Como esses trabalhos coexistem
- 3:55de, por exemplo, escritora, roteirista, editora de textos?
- 3:59E escritora e mentora e professora de cursos e de
- 4:03escrita, escritora, atriz e também professora.
- 4:05Como vocês conseguem trabalhar tudo isso ao mesmo tempo e como
- 4:09eles vão coexistindo no mesmo espaço?
- 4:11Quem quiser começar toda? Assim, olhando.
- 4:17Já garam para você, Maria? Vamos lá?
- 4:21Assim, pensando bem, eu acho que que eu faço todas essas coisas
- 4:26também dou cursos, né? Então também tem tem mais isso.
- 4:28Mas eu sempre senti que uma coisa é meio que continuação da
- 4:32outra em certa forma, né? Sempre essa essa luta com a
- 4:35palavra em diversos formatos, né?
- 4:38EE, essa luta no sentido da minha luta com as palavras
- 4:41quando eu tô lá escrevendo, ou seja, sozinha na literatura, ou
- 4:44seja coletivamente no cinema. É e também a luta ajudar os
- 4:48outras pessoas nas próprias lutas, com a escrita, né?
- 4:51E aí dando a aula, é fazendo acompanhamento de projetos e é
- 4:56um trabalho que ao mesmo tempo se parece muito com o trabalho
- 4:59de de edição de livros, né? Tipo, tu recebe aí, tu tá, tu tá
- 5:03tentando entrar na cabeça daquela outra pessoa tentando
- 5:06achar que sei lá, as as melhores ferramentas para resolver algum
- 5:10probleminha, alguma alguma questão.
- 5:13E para mim é um é um trabalho que é muito parecido em muitos
- 5:17sentidos, apesar de ser profundamente diferente uma
- 5:19coisa da outra. Eu não sinto que eu, tipo, boto
- 5:23a máscara da da Maria editora e de repente tiro a máscara e vou
- 5:26lá na Maria. É, sei lá, roteirista, sabe?
- 5:29Para mim é é uma continuidade assim, uma aguinha que vai
- 5:33fluindo e vai entrando em diferentes é postos que vai
- 5:37achando assim. É, e mesmo que o produto final
- 5:40seja tão diferente, né? Quando a gente pensa que às
- 5:42vezes vai ser um livro, às vezes é um filme, às vezes é um curso,
- 5:44às vezes é um livro de outra pessoa que você tá editando, né?
- 5:47É a relação com o produto em si. Muda muito, apesar da da
- 5:51semelhança que possa ter entre entre, enfim, os diversos tipos
- 5:56de escrita. Porque os processos muda muito,
- 5:58né? Tipo, o processo do cinema não
- 6:00tem. Não tem muito a ver com o
- 6:02processo da literatura, pelo menos no meu caso.
- 6:04Talvez uma pessoa que que também dirija cinema e escreva seus
- 6:08próprios roteiros, talvez tenha 11 relação um pouco mais
- 6:12parecida com a que eu tenho com a literatura.
- 6:14Mas eu não, eu não dirijo, não tenho a menor vontade de
- 6:17dirigir. Então assim, pra mim, eu, a
- 6:19escrita no cinema, por exemplo, é um lugar coletivo que eu só
- 6:22tenho no cinema, não tem nada a ver com o meu próprio processo
- 6:26pessoal, nas loucuras que eu vou assim, os limites são, é quem
- 6:30coloca, sabe? No cinema, não.
- 6:32No cinema, é toda uma coletivização em cada uma das
- 6:36fases. O livro é você sozinha?
- 6:38O livro sou eu pra pro bem e pro mal, né?
- 6:41No cinema tem uma série de de negociações, EE, negociações no
- 6:45bom sentido, né? De cada pessoa vai trazer a sua
- 6:48camada da sua arte particular naquele projeto, né?
- 6:53É, vai mudando, vai mudando muito.
- 6:55Mas enfim, eu, eu, eu não me sinto tão.
- 7:00Diversificava quanto parecer, sabe, pra mim é é tudo muito,
- 7:05muito embolado, né? Pro bom e pro mal também.
- 7:08E pra vocês, meninas? É acho que pra mim também assim,
- 7:12acho que coexiste, né? A coisa ela não me sinto
- 7:16separada, apartada. Eu acho que tudo tem relação com
- 7:19o corpo. Acho que o fato de eu, né, minha
- 7:22formação do teatro tem uma coisa coletiva também.
- 7:25Acho que isso talvez seja uma diferença.
- 7:27Eu acho que escrever. Literatura, né?
- 7:30Ou mesmo dramaturgia, né, que eu também escrevo.
- 7:34É, existe um trabalho um pouco mais solitário assim, né, de
- 7:37dilapidação do material, de olhar pro pro material, de estar
- 7:40ali. Ainda assim é, eu acho que o meu
- 7:45corpo, não a toa, super former vem do teatro, né?
- 7:48De alguma maneira, eu sinto meu corpo como veículo, como o corpo
- 7:52travessia, como um corpo em atravessamento.
- 7:56E veículo mesmo pra pra pra que outros corpos é se sintam
- 8:01atravessados de alguma maneira assim, então é, é tudo, é o
- 8:05corpo. Então quando eu dou aula, é o
- 8:07meu corpo que está ali em jogo, a minha verdade, os meus desejos
- 8:10que eu estou compartilhando como artista, com outros, com
- 8:14aprendizes, com artistas, com né não, não, não é a máscara da
- 8:18professora, eu não, eu não, eu não, não assumo muito esse
- 8:21lugar, né? Tanto que eu falo que eu sou
- 8:23arte educadora, né? Acho que eu não sentido mais.
- 8:25De compartilhamento de de experiências artísticas da minha
- 8:29trajetória. Assim é quando eu estou
- 8:32performando, eu faço muita performance urbana, né?
- 8:35Eu tenho uma performance que eu converso com mães, que eu sento
- 8:37numa cadeira, outra cadeira na minha frente vazia, uma placa,
- 8:40conversa com mães e fico 4 horas sentada lá Na Na rua.
- 8:43Ali também é a Letícia. Não é uma máscara de uma
- 8:46performer que senta ali e tal. Não são as minhas experiências
- 8:50que eu vou trocar com outra pessoa, né?
- 8:52Enfim, claro, né, gente? Quando o teatro é uma arte
- 8:55coletiva muito forte, eu acho que é a arte mais.
- 8:59Acho que. Como a Maria falou do cinema,
- 9:01né? É, acho que tem isso, né?
- 9:03E o teatro tem uma coisa que é todo mundo faz tudo assim.
- 9:06Então eu contra regro tudo, eu eu, eu organizo figurino, né?
- 9:10Junto, tem uma coisa que você acaba fazendo tudo, porque tem
- 9:13uma questão de verba também, né? Tem uma questão, acho que isso
- 9:15também não sei, mas eu acabei fazendo um Monte de coisa porque
- 9:19eu precisei também colocar comida no prato.
- 9:22E a gente viver como artista nesse momento, nesse país, né,
- 9:29em que a arte, muita na maioria das vezes, não é reconhecida
- 9:31como deveria ser e remunerada como deveria ser.
- 9:35A gente sabe disso, né? Ninguém que trabalha com
- 9:37literatura. É milionário não mesmo, muito
- 9:41menos com teatro, com dança, né? Então eu também precisei fazer
- 9:45outras coisas, né? Eu também precisei é ocupar
- 9:48outros espaços e outras áreas. Mas sou eu como artista, com a
- 9:51minha verdade, com esse corpo ocupando esses lugares, é EE,
- 9:58acho que é esse corpo em atravessamento e podendo
- 10:01atravessar também outros corpos assim, né?
- 10:03Com esses desejos aqui que pulsam assim.
- 10:06E pra você, Monique, você acha que você dialoga um pouco com
- 10:08essa, com as 2? Eu acho que um pouco, mas eu eu
- 10:13acabo sentindo que a eu realmente eu acho que pra mim
- 10:17funciona coisa das personas da máscara, não como falsa assim,
- 10:21mas é. Eu sempre brinco que existem
- 10:26várias moniques e não que elas não se conectem.
- 10:30Mas, por exemplo, a Monique professora, ela não é a mesma
- 10:35escritora, porque eu acesso outros lugares.
- 10:38Eu não estou. É, por exemplo, focada em uma
- 10:41solução que seja para o meu texto.
- 10:44Para mim é. Eu estou focada em na nas
- 10:48pessoas que estão ali fazendo a oficina, o curso comigo, né?
- 10:52Então acabo também tomando decisões.
- 10:55É que são decisões de de professora, de às vezes você
- 11:00precisa sim, você dá Liberdade para as pessoas se sentirem
- 11:05confortáveis, mas às vezes você também precisa dar um pequeno
- 11:10empurrãozinho, né? Porque eu sou muito uma
- 11:14professora. Quando eu tô dando aula de
- 11:16escrita, é tudo bem, você não não quer é mostrar o texto.
- 11:21Mas eu queria que você lembrasse que você tá numa oficina de
- 11:24escrita e essa pode ser uma oportunidade.
- 11:26Muito boa pra alguém que tá assim, ó pro teu texto, né?
- 11:31E a gente encontra cada vez menos pessoas assim pro texto,
- 11:35né? Abertas.
- 11:37É com os braços abertos pro nosso texto, né?
- 11:40Então a eu acho que essa Monique talvez nem sempre ela aparece
- 11:45quando é a Monique escritora, porque a Monique escritora ela
- 11:49já tem outras preocupações e outras.
- 11:52Inseguranças também e outras afirmações, né?
- 11:56Acho que a Monique escritora, ela acaba passando um pouco, é
- 12:01do ponto consigo mesma, acaba se empurrando muito mais que ela
- 12:06não empurraria os alunos, entendeu?
- 12:09Bora, Bora, acaba logo com esse negócio, termina logo esse
- 12:11livro, né, que eu não faria isso, então são é porque nós
- 12:16somos humanos, né? Então nem nem sempre eu como
- 12:20professora, talvez ali quando eu estou.
- 12:22Estou dando aula, eu também estou dando aula para mim,
- 12:24porque eu também estou me ouvindo, né?
- 12:27Então é, eu sempre falo para os alunos em em oficina, é, eu não
- 12:32estou aqui porque eu sei de tudo.
- 12:34Eu estou aqui porque eu passei por um caminho que muitos de
- 12:37vocês ainda não passaram e a Monique do passado veio contar
- 12:42como é que é e como é que é não passar.
- 12:45Como é que a gente pode tentar não passar por esse caminho e
- 12:47passar por outros? Que eu não acho, não acredito
- 12:51numa arte, é nisso. Me conecto muito com o que você
- 12:54falou sobre a questão do dinheiro.
- 12:58A questão é social, né? Do que a gente faz, porque é,
- 13:02ela impacta também, né? Impacta o quanto de cursos a
- 13:08gente quer dar e o quanto de cursos precisamos dar, né?
- 13:12Gostaria muito de passar o ano inteiro somente com uma turma.
- 13:17Mas ainda é impossível fazer isso, né?
- 13:20E às vezes as pessoas querem conceder mais de 23 cursos, mas
- 13:24a gente precisa disso financeiramente, mas às vezes
- 13:28não é viável para nosso, nosso mental.
- 13:30Então tem várias coisas que a gente tem que demandar.
- 13:33Eu demando para essas moniques, então são muitas moniques
- 13:36trabalhando juntas também, porque precisam, né?
- 13:40EEE acho que a questão da. Da Monique, que faz colagem,
- 13:47capas de livro, é uma outra. Monique é uma tradutora, né?
- 13:50É, não que a escritora não seja tradutora do mundo.
- 13:53Acredito na tradução do mundo através da escrita, mas é a
- 13:58tradutora do texto do outro, porque eu preciso.
- 14:01Não. Só não sei quanto a outros
- 14:04capistas, mas é. Eu me preocupo não só a minha
- 14:09tradução sobre o seu livro, mas qual é a sua tradução e imagem
- 14:15sobre o seu livro, né? Às vezes você tem um não tem uma
- 14:18imagem formada, mas você tem uma cor.
- 14:20Ah, eu acho que o meu livro tem tal cor, né?
- 14:23E eu entender, tentar entender, tentar trabalhar contigo, isso é
- 14:27muito desafiador. Então, muitas vezes, quando
- 14:30estou escrevendo uma história, eu não consigo desvendar minha
- 14:34própria imagem. AA imagem que eu estou criando
- 14:37ali ainda é um mistério que vai se revelando.
- 14:41Só que quando eu estou fazendo a capa de alguém, eu tenho que ir
- 14:44em busca de uma imagem que já está pronta, mas traduzi la.
- 14:48Então acho que tudo isso no final é uma.
- 14:53Monique empresta a outra. O que cada uma precisa, acalenta
- 14:57a insegurança da outra ou a segurança aprende uma com a
- 15:01outra. E eu gosto desse jogo do duplo.
- 15:04Eu gosto desse jogo também. É de ver que a Monique tá dando
- 15:10aula. Não é a mesma Monique que tá
- 15:12escrevendo o livro, né? EE, assim, não, na totalidade.
- 15:17É claro que sou eu, né? Como a Letícia falou, não
- 15:20fragmentou exato, mas eu gosto dessa brincadeira, do duplo, de
- 15:25realmente. É porque eu acho que todas as
- 15:28verdades são ficcionais, tudo que a gente está fazendo é
- 15:31ficcional. Então, eu acho que eu me
- 15:32identifico um pouco com esse espaço, por mais que eu também
- 15:34entenda isso do Ah, sou sempre eu fazendo.
- 15:36Mas quando eu paro para pensar, eu falo, nossa, mas a Bela que
- 15:39está ali, que eu boto para trabalhar no dia a dia, ali, de
- 15:419 às 18, é outra Isabela que vai para escrever texto e a outra
- 15:45que eu trago aqui para fazer apresentar um podcast, por
- 15:48exemplo. Eu entendo como alguns traços
- 15:50diferentes da minha personalidade coexistindo juntos
- 15:53ali. E vocês que fazem tantas coisas
- 15:55assim no dia a dia, como vocês conseguem?
- 15:57Organizar esse tempo criativo. Vocês têm uma organização
- 16:02metódica ou não vai como mudar? Porque a gente tem um pouco isso
- 16:05desse trabalho que faz no dia a dia, que é o trabalho ali do né,
- 16:09que vai às vezes trazer algum dinheiro que a gente precisa
- 16:11focar no tempo. Mas aí tem um momento que a
- 16:12gente quer parar para escrever e aí pode surgir AI, mas eu quero
- 16:15escrever um filme novo, poxa, mas e tem uma peça AI, mas e tem
- 16:18uma colagem? Como vocês organizam tudo isso
- 16:21ainda junto com, por exemplo, um livro que tá vindo Maria Helena,
- 16:24tá até se desmanchando aqui do meu lado.
- 16:27Pergunto. É, eu quero saber se você quer a
- 16:29resposta legal ou a resposta honesta?
- 16:33Honesta a. Resposta honesta é, às vezes tô
- 16:36fazendo tanta coisa que eu assim chega, sei lá, domingo de noite.
- 16:40Às vezes eu pergunto, tá o que que eu vou precisar negligenciar
- 16:43essa semana? Porque assim chega 1 hora em que
- 16:46a gente tá fazendo 1000 coisas. EE, uma coisa que a Monique
- 16:49falou que sim, de fato eu me identifico com.
- 16:52É que assim AAA Maria Helena, professora é muito mais de boas,
- 16:56muito mais incentivadora, EE suave no sentido bom, assim de
- 17:01incentivado de um jeito tipo trazer as a, mas muito mais
- 17:06generosa do que só comigo, né? Então, tipo assim, tem uma
- 17:08carrasca aqui que é assim, eu tento me organizar muito, mas
- 17:14assim, por exemplo, tem um romance em andamento que está.
- 17:19Assim eu digo, Ah, agora vai ter umas 2 semanas que eu tô com
- 17:22menos coisa, vou pegar no romance.
- 17:24Mentira, vai surgir outra coisa. EEE essas coisas que são pagas,
- 17:28porque de novo o tema da remuneração é totalmente assim.
- 17:33Fundamental pra pra gente que é autônomo, né?
- 17:36E pra todo mundo, né. Mas quem é autônomo tem mais
- 17:39instabilidade nesse sentido. Qualquer coisa que chegar.
- 17:42Que envolver dinheiro vai passar por cima do do tempo que eu
- 17:46achei que IA ter para escrever Oo livro.
- 17:49O livro, sabe? Então, assim, é uma organização
- 17:51muito pautada na urgência. Eu acho assim, muito tal o que
- 17:55que o que que está às vezes Oo urgente acaba atrapalhando o
- 17:58importante. Mas é o mundo real, né?
- 18:01O princípio da realidade e o princípio do prazer.
- 18:03Eu queria estar sempre fazendo as coisas que eu quero, mas mas
- 18:06não, né? É e dito isso, eu sou bastante
- 18:09organizada assim, então eu eu tento manter horários assim,
- 18:14mais ou menos específicos, faço listas, faço, é esqueminhas,
- 18:18faço tudo para tentar dar conta da das coisas.
- 18:21Uma coisa boa, que é que acho que ajuda, é que os trabalhos
- 18:25que eu faço, tipo cursos, EE, edições e coisas assim, roteiro
- 18:30são coisas que vem por momentos, né?
- 18:32Tendem a ser. É trabalhos mais imersivos.
- 18:35Ah, vou dar um curso que vai ser ou tal tais dias, ou durante uma
- 18:40semana, ou não sei o que. Então, assim, durante esse
- 18:42período, normalmente eu tenho como focar só nisso.
- 18:46É, e eu tenho. Eu estou mal acostumada com
- 18:48isso, porque quando vem várias coisas ao mesmo tempo, é difícil
- 18:51desconectar uma tarefa, entrar na outra e entrar do jeito
- 18:56profundo que eu quero entrar, sabe?
- 18:59Do jeito que me acostumei a estar em processos imersivos.
- 19:03É, acho que eu estou aprendendo nisso.
- 19:05Acho que são coisas que a gente precisa ir entendendo o qual
- 19:08método, qual caminho funciona mais para gente, para enfim não
- 19:13não pirar e para conseguir fazer o que a gente.
- 19:16Quer fazerem de um jeito que seja mais saudável possível.
- 19:20Eu acho, mas o que eu acho importante até de ficar tentando
- 19:22entender, Edu, como é isso? Como a gente vai conseguir
- 19:24escrever e parar pra escrever um livro que é 11, projeto longo,
- 19:27que demanda tempo, paciência, no meio de tantas coisas, porque
- 19:30teve uma vez que eu tava ouvindo um podcast que eu gosto muito,
- 19:33inclusive de uma pessoa que eu gosto, mas eu nunca esqueci isso
- 19:35que ela falava assim, Ah, mas para você escrever o livro,
- 19:38então não tem jeito. Se for escrever o livro, você é
- 19:40uma pessoa que vai ter 6 horas por dia para dedicar esse livro.
- 19:43Se não for ter, nem adianta. EE, aí era uma realidade.
- 19:46Que era uma pessoa que falou que estava em um espaço muito mais
- 19:52tranquilo, privilegiado, que IA ter esse, esse, essas 6 horas
- 19:55por dia e que quase todos os autores do mundo.
- 19:58Eu fiquei pensando, não, todos os autores, pelo menos que eu
- 20:00conheço, eu conheço muita gente, nunca vão ter esse tempo.
- 20:02Essa hora a gente vai dando um jeito como pode, vai se
- 20:05organizando. E aí o quanto eu fiquei pensando
- 20:08nisso? Que maluca, ela fala isso assim,
- 20:10ela tem livros publicados, mas. Quantas autoras eu conheço que
- 20:13vão ter 6 horas por dia, todos os dias para se dedicar um
- 20:16livro? Eu acho que nenhuma, né?
- 20:18É e até cruel, né? Essa fala, porque se a gente
- 20:21olha. Ela ficou muito na minha cabeça.
- 20:23A realidade EEE. Essa é uma imagem.
- 20:26Eu sempre falo isso nas nas minhas oficinas.
- 20:28É imagem do homem branco europeu sentado na frente da máquina de
- 20:33escrever com a sua taça de vinho tinto, ao som de bar na vitrola,
- 20:36a meia luz e uma vela acesa. Essa imagem venderam pra gente
- 20:40como a ideia de do que é escrever EE.
- 20:43É muito forte isso, né? Na cabeça dos estudantes, dos
- 20:46aprendizes, quem está começando a trabalhar com escrita assim,
- 20:49com arte, essa imagem, ela é muito forte, ela é muito cruel.
- 20:53Né de OOO tempo perfeito, o tempo de dedicação que você vai
- 20:57ficar fechada no seu escritório escrevendo.
- 21:00É como que é subverter essa ideia, porque é uma lógica
- 21:03colonizadora branca, né? Como que a gente subverte essa
- 21:07ideia e traz a escrita para o corpo e traz a escrita para a
- 21:10performance. Ela é rascunho a performance,
- 21:12ela é processo AOO ato performativo e eu amo a
- 21:16performance, por isso ela é mal acabada.
- 21:20Ela não, não, não. Ela tem algo rascunhal ali que é
- 21:23muito interessante, né? Então minha escrita, ela é um
- 21:26pouco nisso também. Eu não tô dizendo que eu não
- 21:28lapido material, que eu não não. Não penso em em estética, forma,
- 21:33em estrutura, claro que eu penso, mas acho que quando isso
- 21:36fica muito forte, né? E a disciplina do escrever e
- 21:40tal. Eu tenho 2 filhos, entendeu?
- 21:43Eu não tenho, eu não tenho organização nenhuma, eu não
- 21:46faço, eu não. A única coisa que eu tenho é
- 21:48minha agenda, que é um caos, de coisa arriscada, de tipo um
- 21:52Monte de coisa em cima da outra, que eu vou tentando me adequar,
- 21:56mas eu não tenho disciplina nesse sentido de tenho horário
- 22:00para isso, tenho horário para aquilo, é quando dá, e aí é
- 22:04interessante pensar o mãe ou eu também não gozei, que é meu
- 22:06primeiro livro. Ele é totalmente fragmentado,
- 22:08ele é uma loucura, tem uma anarquia na forma, né?
- 22:11Tem repetição de palavra, tem. As pessoas falam que é um livro
- 22:15corpo, é um nossa, é um livro performático, né?
- 22:18Um livro corpo, porque eu acho que é.
- 22:20Eu nem nem nem nomeava meu livro assim, minha obra é assim.
- 22:22As pessoas começaram a nomear, porque eu acho que é isso, é um
- 22:25é um livro que foi escrito e ficou dessa forma no final das
- 22:28contas, porque não tinha tempo, eu tava puerpera maternidade
- 22:33solo, engravidei sozinha, pari sozinha, criei sozinha, então
- 22:37assim, eu. Tenho imagens que me vem às
- 22:40vezes e que não são metafóricas. Elas são bem reais.
- 22:44Deu no Bloco de Notas com meu filho aqui no peito e eu sentada
- 22:48fazendo cocô. Essa imagem ela é real.
- 22:51Sentado na privada, no Bloco de Notas.
- 22:53Então, assim, eu gosto de dar essa imagem também, inclusive
- 22:55escatológica, porque é a subversão daquela primeira
- 22:58imagem do homem no escritório, na frente da sua máquina de
- 23:01escrever, né? Se a gente pega a Carolina Maria
- 23:03de Jesus, se a gente pega, enfim, a gente pode ir pra
- 23:05várias escritoras, né? É inclusive narrativas negras,
- 23:09narrativas de mulheres que não tinha.
- 23:11Não tinha o privilégio de sentar na no seu escritório trancada
- 23:15aí, né? Não tinha 11, disciplina nesse
- 23:19lugar até. Enfim, né?
- 23:22Então é, eu também não tô romantizando AAO caos não ter o
- 23:29tempo, né? Porque também não quero
- 23:31romantizar isso, mas acho que é importante a gente subverter um
- 23:34pouco a ideia do que é escrever bem, do que é, né?
- 23:38Se dedicar a escrita e tal, Mano, num sistema que a gente
- 23:42vive, nesse sistema capitalista, ordinário, horroroso, que a
- 23:45gente vive, né? Como que a gente cria espaços aí
- 23:49no meio do cotidiano? Seja no busão, seja amamentando,
- 23:52seja no metrô, seja porque a escrita não é só sentar e
- 23:55escrever. A escrita.
- 23:57A escrita é um movimento. A escrita quando a gente tá no
- 24:00né? Quando a gente tá andando na.
- 24:01Rua. Começa muito antes, isso é
- 24:04interessante de pensar também, né?
- 24:08É pra mim, AA organização pra escrever, eu acho que eu acabo
- 24:15sendo metade. Muito organizada e metade
- 24:21organizar o meu caos. Então eu aceito que eu tenho um
- 24:25caos e eu organizo ele desde sempre.
- 24:29Por exemplo, quando eu trabalhava em jornal, né?
- 24:33Que minha primeira formação é é de graduação a jornalismo.
- 24:37E eu fui repórter de cultura e de polícia por um tempo da minha
- 24:42vida. Então é, eu me organizava sim.
- 24:46Eu chegava um pouco antes, é de todos os repórteres, é fazia a
- 24:51ronda, a tal da ronda ligava para polícia e tudo mais para
- 24:54saber o que ele tinha para fazer.
- 24:56É, então eu me organizava muito rápido, é entrevistava tudo que
- 25:03dava por telefone seguidamente. Depois eu IA todas as
- 25:07entrevistas de rua enquanto os repórteres pensavam nas
- 25:11matérias, tipo, vou fazer primeiro essa matéria e depois
- 25:14vou fazer essa não. Eu criava esse sistema de
- 25:18conversar com todas. Quais são as pessoas que eu vou
- 25:20pra rua? Já falava com o motorista, é, a
- 25:23gente vai entrevistar ASS. Elas moram perto e eu ganhava o
- 25:26tempo. Eu comprava esse tempo,
- 25:29entregava as matérias e aí eu tinha alguns momentos em que eu
- 25:34IA pro banheiro da. Da redação e eu escrevia no
- 25:38banheiro, olha. Isso, cara, olha, então cada um
- 25:41vai. Era o meu tempo, porque eu sabia
- 25:43que dali eu IA para a universidade.
- 25:46É dali eu IA para um outro trabalho, eu não IA ter tempo.
- 25:51E às vezes conseguia escrever no ônibus, às vezes, mas o ônibus
- 25:54que eu pegava era sempre lotado. Escrever no ônibus era alguém
- 25:59roubar meu celular, então não dava.
- 26:02Então eu tinha que escrever no banheiro.
- 26:03Então eu criei o meu escritório, sim, no banheiro do do jornal,
- 26:09né? Agora já posso falar, porque não
- 26:10são mais os meus, né? Empregadores, mas não são mais
- 26:13patrões. Mas eu, eu, isso era organizar o
- 26:18que eu tinha. Né?
- 26:19Então, todos os empregos CLT que eu tive eu fazia.
- 26:23Todo o trabalho que eu tinha para fazer, entregava, elogiou.
- 26:27Beleza, agora esse tempo é meu. Elogiou, tá?
- 26:31Entregue agora, esse tempo é meu, porque eu sempre acreditei
- 26:35nessa compra do tempo, mas para fazer outra coisa.
- 26:39Né, a gente tá sempre negociando, a gente vive numa
- 26:42sociedade do capital, mas pra que que eu vou usar a compra do
- 26:46meu tempo? De que forma eu vou burlar aqui
- 26:49o tempo? Porque eu não, eu não podia me
- 26:52demitir, eu não podia, eu já era uma migrante, eu já tinha
- 26:57migrado do Oeste paraense de da periferia pra Belém, né?
- 27:03Então eu eu já vivia imigração, uma migração.
- 27:08Pô, desde que eu tenho 16 anos, então eu tive que me organizar,
- 27:12organizar o meu caos, porque senão ele me IA me engolir, né?
- 27:16Então pra hoje como eu organizo o meu caos?
- 27:20Como eu comprei o meu caos, né? É, hoje eu tenho 36 anos, mas eu
- 27:27só tive, por exemplo, a minha primeira mesa de escrever com 30
- 27:30anos, que é a mesma mesa que eu tenho até hoje, que é uma porta.
- 27:35Ela é uma porta. Eu comprei uma porta e
- 27:38transformei numa mesa, e eu amo isso porque eu já já teve várias
- 27:42reformas e para mim é muito simbólico.
- 27:44É o lugar onde eu essa porta foi a porta que eu fui buscar.
- 27:49Ninguém abriu para mim, ninguém queria abrir.
- 27:52Eu também não fiquei muito reclamando disso, porque ninguém
- 27:55ouve também nossa reclamação e tive que ir para frente, né?
- 28:00Mesmo com todas as minhas frustrações.
- 28:03E hoje a organização que eu faço é vou para se eu vou para evento
- 28:08e tudo mais. Esse celularzinho tá sempre, né?
- 28:12Também ando sempre com caderninho, né?
- 28:15Tenho vários cadernos, cadernos de campo, é uma coisa muito
- 28:18importante para mim, é o meu guia, é a extensão, eu confio
- 28:22nele mais do que confio na minha cabeça, porque, né, é, é a
- 28:27cabeça, você, você tem uma ideia, de repente vai embora.
- 28:31Então. Nunca mais volta, então a nota.
- 28:33Absolutamente tudo. Só que eu tenho um caderno para
- 28:36cada coisa. É, então eu tenho um caderno que
- 28:40eu chego, é, sei lá. Eu tinha um caderno que eu
- 28:43levava para bares para notar coisas que eu ouvia das pessoas
- 28:46nos bares. É aí eu tenho um outro caderno
- 28:50que é dedicado a um certo livro. Então é, eu tenho outro caderno
- 28:54que é só das ideias da newslerem.
- 28:57Então eu tenho vários cadernos. É porque eu já abro aquele
- 29:01caderno, eu já penso, estou abrindo essa porta aqui.
- 29:05O que que eu vou pescar aqui? É.
- 29:07E essa? Essa é uma forma de organização.
- 29:09Mas para escrever o livro eu não me organizo assim.
- 29:12Estou escrevendo capítulo um e tem uma pasta que é livro novo.
- 29:18E aí lá dentro dessa pasta, várias coisas voando em várias
- 29:22coisas, todo mundo tem a pasta livre e aí depois você escolhe a
- 29:26cor vermelha na pasta do livro novo e ela vai se organizando
- 29:33conforme eu vou me perdendo lá dentro e aí essa organização vai
- 29:37acontecendo, mas o que eu tento fazer é 11 organização nesse
- 29:43sentido. Que tempo?
- 29:45Aí quando a Maria fala assim, ó. É, eu tenho os blocos, né?
- 29:49Então é, estou divulgando uma oficina, tá?
- 29:54Nesse processo de inscrição. Esse é um bloco importante,
- 29:58porque é nesse bloco que eu estou fazendo pesquisa para um
- 30:02conto ou para um capítulo. Eu tô no processo de pesquisa,
- 30:06eu tô no processo de campo, eu tô entrevistando pessoas porque
- 30:10eu trabalho. Fazendo ficção também, com
- 30:12etnografia. Então eu uso esse bloco para
- 30:16isso. Se eu estou viajando para
- 30:18evento, aí eu faço anotações. É de ideias espaças, mas também
- 30:25escrevo alguns parágrafos soltos, aleatórios, essa coisa
- 30:30do espaço da loucura, né? E aí depois, quando está rolando
- 30:36uma oficina ou quando eu estou fazendo capas?
- 30:39Ou tô fazendo outros tipos de coisas e de tanto texto dos
- 30:42outros, aí eu tô, eu dou 11, eu tento dar um break, mas estou
- 30:49sempre escrevendo, escrevo um parágrafo, aí no outro já vou
- 30:52reler o que escrevi, né? Eu tô sempre trabalhando em
- 30:56alguma coisinha, só que aí tem um momento em que eu falo,
- 31:01caramba, eu acho que eu já trabalhei bastante, consegui
- 31:04levantar uma grana aqui. Eu tenho 2 semanas que eu não
- 31:08preciso ficar vendendo coisa ou, né?
- 31:12Vou voltar pra escrita e. Agora eu vou, O Bicho Vai Pegar.
- 31:16Eu vou sentar aqui nessa mesa, nessa, pegar essa porta e vou
- 31:20pra cima. Então escreva aquele blocão e
- 31:24depois tudo se repete, porque eu não a gente não tem esse.
- 31:28Esse. Tempo dado, né?
- 31:29Não tem? Então é você se programar dentro
- 31:33do caos que é a sua vida, a sua mente.
- 31:36E você se entender, eu acho que essa é a importância, você criar
- 31:40um método para você e não pegar o método do outro, que tem uma
- 31:44vida outra, e tentar encaixar, porque não vai dar certo.
- 31:48Então eu sempre falo, se você vai para um curso que a pessoa
- 31:51te ensina, como é que organiza, não vai dar certo, porque é a
- 31:55organização daquela pessoa. E eu acho que é importante
- 31:58também quem tá dando uma oficina de escrita e tudo mais falar,
- 32:01olha, gente, é essa aqui, né? É minha organização, talvez
- 32:05sirva para vocês, mas também. Vocês podem pegar alguma coisa
- 32:08daqui e ir entendendo o método de vocês, mas é preciso.
- 32:13E. Mesmo no caos, a gente antes,
- 32:15antes eu achava que eu não tinha nenhuma organização, aí eu me a
- 32:19gente. Acaba tendo porque tem que ter,
- 32:21não. Tem um método, porque quanto?
- 32:23Quanto vai mesmo ali está com teu filho, tu já entende que
- 32:28aquele momento do mamar. É um.
- 32:31Momento, então você está se organizando dentro da tua
- 32:34estrutura? Então isso é organização também.
- 32:37Isso é inteligência, né? Então você não, não, eu não vejo
- 32:42que é é uma romantização, mas é a tua inteligência
- 32:45organizacional com que tu tem, né?
- 32:48Encontrando esses espaços? É, e assim outras mães podem,
- 32:52não? Conseguir fazer isso de uma
- 32:54forma, né? Mas elas podem conseguir fazer
- 32:57com outras estratégias que elas também não veem como
- 32:59organização. Então, acho que eu também passei
- 33:02por momentos muito difíceis que é, pô, eu sou um caos.
- 33:08E aí depois entender, não, eu tenho que eu tenho que olhar
- 33:12para esse caos. E entender que eles ele tem uma
- 33:15repetição, sim, então tem um sistema acontecendo aqui e ficar
- 33:19em paz com o meu sistema. Mas é muito legal isso que você
- 33:22fala, de como realmente cada um tem sua organização e respeitar.
- 33:25Por exemplo, eu sou uma pessoa muito de ilícitas, eu adoro
- 33:27fazer listão mesmo. Eu me organizo, sei lá, abrindo
- 33:30um drive, tá, tá, tá, tá, tá listão.
- 33:32E vira e mexe, se eu vou trabalhar com alguém, alguém
- 33:34tenta transformar minha lista numa planilha e eu me perco
- 33:37completamente e a pessoa não, você está muito desorganizada,
- 33:40faz a planilha e eu fico olhando a planilha.
- 33:42Gente, acabou com a minha lista. Com a minha organização é, então
- 33:46é isso, acho que entender seus próprios espaços e exatamente
- 33:49não é romantizar esse não ter tempo.
- 33:51Mas acho que vendo muito de vocês que fazem tanta coisa além
- 33:54da escrita, é como até a Maria falou de ir equilibrando os
- 33:57praços. Agora eu vou puxar um pouquinho
- 33:59mais o roteiro, agora eu vou descer o roteiro e vou puxar a
- 34:01escrita pra gente entender que a gente tem que criar esse tempo
- 34:04de alguma forma, né? Na nossa rotina, ele não, não é
- 34:06o tempo dado, a gente vai ter que comprar, vai ter que roubar.
- 34:09Esse tempo e não se sentir mal, né?
- 34:11De eu ouço muitas autoras falando.
- 34:13Poxa, eu tô me sentindo mal que eu não tô tendo tempo pra
- 34:15escrever, só que o que é mesmo a escrita?
- 34:18Porque quando você tá dando aula, quando você tá é
- 34:21escrevendo no bloquinho, quando você tá tendo uma ideia, tudo
- 34:24isso a escrita, quando você tá ouvindo o texto de outras
- 34:27pessoas, você também tá. Escrevendo e pensando na
- 34:32história ali, isso é a escrita, isso às vezes a gente associa
- 34:35muito. Só o ato de sentar.
- 34:37EE escrever eu também acho que é muito além disso.
- 34:40E agora uma outra coisa que eu queria perguntar para vocês
- 34:42entrar no outro espaço, vocês que trabalham de alguma forma
- 34:45com textos e processos criativos de outra outras pessoas, né?
- 34:48Seja em edição e mentoria em aulas.
- 34:50Como é esse trabalhar com o texto do outro?
- 34:53É sabendo que vocês têm o texto de vocês, por exemplo, vocês
- 34:56criam um afastamento pra não comparar ou vocês vão dentro do
- 35:00texto de vocês, do que vocês gostam de fazer, do que vocês
- 35:02sabem que é legal dentro da escrita de vocês, pra tentar
- 35:05trazer pro outro? Eu tenho um pouco essa
- 35:07curiosidade. Por exemplo, com a Maria eu
- 35:09tive, acho que foi um dos primeiros trabalhos mais
- 35:11intensos que eu tive de edição, de sentar e ela me trazer muitas
- 35:14ideias, trazer muitas coisas que eu olhava pro livro depois e
- 35:17nossa, é mesmo, caramba. E aí eu ficava pensando nisso.
- 35:20É se essa busca vai no seu texto assim numa comparação, ou se
- 35:24você vai no tente ir no espaço neutro se colocar como leitora.
- 35:28Enfim, como é esse trabalho com o texto do outro?
- 35:31Porque eu acho que também deve ser arriscado.
- 35:32Você é EE difícil você conseguir, por exemplo, separar
- 35:36um pouco o que é o texto do outro que você vai trabalhar,
- 35:39mas ao mesmo tempo você não ficar tentando transformar no
- 35:42que seria um texto seu que você escreveu.
- 35:44Como que é isso para vocês? Podem se quiser, podem se ver.
- 35:53Podem se ver, a gente tá numa ordem.
- 35:57Eu acho que quando a gente assim encara o texto do do outro, a
- 36:04gente vai estar sempre com não só com o texto próprio, mas com
- 36:08todas as leituras que a gente já fez, com todas as coisas que a
- 36:11gente já estudou, com todos os filmes que a gente já viu, com
- 36:13todo esse universo da referência.
- 36:15Assim pipocando aqui na cabeça. Mas é mesmo que que esse sistema
- 36:21todo que a gente tem de referências de alguma forma,
- 36:25paute, porque assim, é impossível não não ter isso como
- 36:30uma presença muito forte. A gente precisa e acho que essa
- 36:34é uma das primeiras coisas para dar um para dar aula ou qualquer
- 36:38oficina de escrita ou acompanhar qualquer projeto em
- 36:41desenvolvimento. A gente precisa se policiar
- 36:44muito. Para não deixar que esse sistema
- 36:47de referências, as vontades pessoais, é atrapalhem e invadam
- 36:53o texto do outro. Acho que a primeira coisa é
- 36:56enxergar, tentar entender o que essa pessoa tá trazendo, o que
- 37:00que ela quer com esse texto, quais ferramentas, qual estilo,
- 37:03o que, que ela tá, o que que ela tá querendo fazer, sabe?
- 37:06Porque só entendendo isso a gente vai conseguir de fato
- 37:09ajudar em alguma forma, né? EE acho que tem uma questão aí
- 37:14que é de respeito, né? Pelo projeto do outro tipo, e aí
- 37:17aí que entra o verdadeiro trabalho, né?
- 37:20Eu já, eu já tive, sei lá, aulas.
- 37:22EE assessores, coisa que para mim fizeram nada por mim.
- 37:26EE pelo meu texto, porque era claramente 11 sensação de que
- 37:30não, essa pessoa não, não está querendo que eu faça o meu
- 37:32filme. Essa pessoa não está querendo
- 37:33que eu faça o meu livro, essa pessoa está querendo.
- 37:36Gostou da minha ideia, mas quero fazer do jeito dela, entendeu?
- 37:38É isso, acho que eles deve ser o mais.
- 37:39Difícil. E assim como eu já passei tantas
- 37:41vezes por situações assim, não tantas vezes.
- 37:44Mas assim as as que tive foram muito marcantes.
- 37:47É, eu me policio muito para não fazer isso assim.
- 37:50Tipo, a gente entra aí, é meio que é.
- 37:55Alguém nota? Eu não vou lembrar agora quem
- 37:57que falou essa ideia, mas é é como se entrar no texto do
- 38:00outro. Talvez foi você, Monique.
- 38:03Talvez é, é. Entrar é tipo a mãe entrando na
- 38:07casa da gente, porque a gente já é adulto aí, tipo, começando a
- 38:10revisar as coisas, sabe? Tipo, é um pouco assim, né?
- 38:13A gente tá, a gente tá em contato com coisas que são, não
- 38:16tem nada mais íntimo do que a escrita, sei lá.
- 38:18Pra mim é um negócio assim, é a gavetinha da cabeça, sabe?
- 38:23Nossa é muito íntimo. E aí você entrar é, é, é super
- 38:27delicado, né? E é e é muito EE, principalmente
- 38:30quando a gente está dando aula, é para pessoas menos
- 38:34experientes. É muito fácil a gente acabar com
- 38:37uma pessoa, acabar com, por exemplo, uma pessoa ouvir o que
- 38:40você ouviu nesse, nesse podcast, por exemplo, que é uma coisa
- 38:43sobre método, mas tem tem falas equivalentes a isso, sobre a
- 38:47própria escrita, sabe sobre dentro a isso pode, só não pode,
- 38:50isso é assim, isso é assado. Nada a ver.
- 38:54É totalmente, totalmente mutilante da, da, do processo da
- 38:59outra pessoa, da da ideia da outra pessoa.
- 39:02Então assim é pra mim, claro. Eu venho com o que eu sou, né?
- 39:07EE sei lá se se a pessoa me chama pra fazer uma orientação
- 39:12ou um acompanhamento, alguma coisa.
- 39:15Ela viu em em mim o meu trabalho, que eu acho que tem um
- 39:18diálogo e beleza. A gente dialoga nesse nesse
- 39:21nível, mas. Com todo esse esse cuidado e de
- 39:25vez em quando a gente vai ter algum deslize, mas precisa puxar
- 39:28o freio de mão, porque é o projeto do outro, não tem nada
- 39:31mais precioso do que do que isso, né?
- 39:34Deve ser muito difícil essa parte mesmo desse conseguir
- 39:37separar, né? O que é seu, o que é inspiração
- 39:39bagagem sul e o que é o do outro?
- 39:41E ao mesmo tempo tentar contribuir ele de alguma forma.
- 39:44É, e tem uma coisa também concordo totalmente, assim como
- 39:47você falou, e tem uma coisa que emerge do material.
- 39:52Que o material ele grita o material ele tá dizendo pra
- 39:54você, né? É quando eu dou aula, a gente eu
- 39:58sempre falo isso, gente, vamos parar com as pessoalidades, né?
- 40:01Eu faço questão sempre de trocar os materiais, ler a pessoa, o
- 40:05coletivo, escutar aquele material que é muito corajoso,
- 40:08você também. Falar, né?
- 40:10Ler o próprio material. Uma coisa é escrever que eu
- 40:12também acho que é um compartilhar o segredo total
- 40:15assim, e outra coisa é colocar esse segredo Na Na palavra, na
- 40:18fala e enunciar isso para o mundo é uma outra camada, né,
- 40:22ainda mais em aula. E aí eu falo, gente, o que que
- 40:26está emergindo desse material? Para além de gostei, não gostei,
- 40:29é bonito, é feio. Nossa, que interessante AO que
- 40:32que a gente, o que que o material está falando para
- 40:35gente, porque o material ele diz, né?
- 40:37E aí é como, se não eu, eu olho para ele.
- 40:41Ele tá dizendo coisas para mim, né?
- 40:43Aquelas palavras estão a forma, o conteúdo, a estrutura já tá,
- 40:47já tem coisas ali que tá conversando comigo.
- 40:50Então eu consigo de alguma maneira também.
- 40:53É, é. Afastar um pouco as minhas
- 40:55referências, apesar de que elas estão aqui, eu não tenho como.
- 40:59Infelizmente é tão difícil, né? A gente não ter referências, às
- 41:02vezes seria bom, né? Tipo, eliminar todas as
- 41:04referências também para ver o que que acontece nesse espaço,
- 41:07nessa folha em branco, nesse espaço vazio, né?
- 41:09Seria massa demais, mas é impossível, né?
- 41:12Então, as referências, elas estão aqui.
- 41:14Inclusive referências. Fazem parte.
- 41:16Da gente e, às vezes, referências importantíssimas,
- 41:20inclusive de análise crítica sobre o material.
- 41:23Sei lá que é extremamente misógino.
- 41:25Por exemplo, já orientei 11 homem que me apresentou um
- 41:29material que eu fiquei, eu tive que falar para ele, eu falei
- 41:32essa narrativa, essa narrativa que você quer colocar no mundo.
- 41:36Você tem consciência do que isso daqui expressa para o mundo?
- 41:39Você tem como ele não tinha. Então, também a referência que
- 41:43eu tenho de ferramentas feministas também é muito
- 41:46importante na hora de de né? Porque está emergindo do
- 41:50material, né? Mas, ao mesmo tempo, qual o
- 41:53limite? É muito difícil.
- 41:54Qual o limite de eu colocar minha opinião feminista ali, né?
- 41:58EE, abrir OOA narrativa, EE enfim, escancarar a narrativa e
- 42:03falar que aquilo está sendo misógino e o limite deu.
- 42:08Entender o processo do outro, o tempo do outro, entender que
- 42:11talvez ele precise de um processo maior para se dar conta
- 42:15da misoginia, enfim, é um trabalho muito delicado, né?
- 42:18Muito, muito difícil. Estar com o trabalho criativo
- 42:22do. Outro é, é isso não é nem no
- 42:24campo da literatura. Uma vez aconteceu de um de um
- 42:27ator, é, ele queria me mostrar um monólogo dele, né?
- 42:32E era um ator negro da periferia, né?
- 42:34Sou uma mulher branca, sou destina à classe média.
- 42:37E era um ator negro da periferia, enfim, assim.
- 42:40E era maravilhoso o trabalho era era era um corpo e um texto
- 42:48maravilhoso assim e rascunho processo ainda não tinha nada
- 42:53estruturadinho, lapidado, bonitinho, porque ele fez o que
- 42:56ele queria fazer ali. Não tinha, não tinha alguém
- 42:58dirigindo ele, só que daí ele pediu para eu dirigir ele.
- 43:01Eu falei, eu não vou te dirigir, não posso te dirigir.
- 43:06É lindo seu trabalho como ele está, porque eu tenho muito medo
- 43:09de eu colocar a mão nisso daí e virar o olhar dessa mulher aqui.
- 43:13Branca, sudestina, classe média, é lapidando tanto aquele
- 43:17material, arrumando tanto aquele material na que ele pediu para
- 43:21eu dirigir, né? A dirigir tanto aquilo que
- 43:23destruiu o material dele, né? Agora, o que eu falei para ele,
- 43:26eu posso te provocar, fazer umas provocações aqui para você,
- 43:30agora te dirigir eu não vou, né? Porque é, é, é.
- 43:33E esse limite o que é dirigir, né, no caso do teto.
- 43:36No caso da performance, o que é a mentoria criativa?
- 43:39Na hora de você, né? Mexer num texto, né, colocar a
- 43:42mão no texto, quais os limites, é muito difícil.
- 43:44Eu não tenho resposta, né, mas é, acho que é pra gente refletir
- 43:48mesmo, né? Isso.
- 43:50Algumas coisas, primeiro, eu, eu como eu, geralmente pego textos
- 43:57de pessoas que estão nas nas minhas oficinas, geralmente é
- 44:01assim que acontecem. É porque eu não tenho trabalhado
- 44:05com é resenha, é leitura crítica, resenha crítica, enfim,
- 44:11é. É algo que antes eu trabalhava,
- 44:14mas eu parei porque tinham outras coisas que eu queria
- 44:17fazer e. Enfim, o tempo, né?
- 44:19A gente volta. Para aquela questão do tempo.
- 44:23E aí a solução é, para mim foi bom, então as pessoas que estão
- 44:27fazendo oficina comigo tem aquele espaço.
- 44:30Oo tempo durante a oficina por mais que não seja o tempo de
- 44:33aula, mas o tempo de durante uma oficina, pra é que possam me
- 44:39mostrar textos, não só da oficina, mas textos que elas
- 44:43estão produzindo. Então às vezes eu falo, olha,
- 44:46alguém tem um livro, e aí eu falo, olha, eu consigo ler os
- 44:50primeiros capítulos. É o tempo que eu tenho, é o que
- 44:54eu consigo. É a pessoa, sim, claro, já vai
- 44:57ajudar muito. Né, do que eu fazer 11 leitura
- 45:01completa, porque ali eu não estou oferecendo serviço, né?
- 45:06É assim, é uma abertura dentro da oficina, né?
- 45:09Para além dos textos, claro, da oficina que eu aí eu edito em
- 45:13completo, né? É então o que que acontece.
- 45:17Eu sinto que primeira coisa que a gente é, está no lugar também
- 45:22de acesso, meio como se. Fossemos um pouco psicólogas e
- 45:26não somos, mas. Não é, é quase uma terapia.
- 45:30Mas em alguns momentos a gente acaba atuando um pouco assim.
- 45:34Me desculpa as psicólogas que estão ouvindo, não estou atuando
- 45:37de forma. Ilegal anterior eu tinha 2
- 45:40psicólogas. Também, olha só.
- 45:43Mas é só que é mais nesse sentido das pessoas, é.
- 45:47Enquanto vão mostrar o texto, elas acabam abrindo a vida delas
- 45:51pra gente, AO medo delas. Então, muito.
- 45:54Essas pessoas que chegam nas oficinas é a primeira oficina,
- 45:59ou já fizeram muitas oficinas e sempre caladas, e aí, de
- 46:03repente, naquela oficina deu vontade de falar, se abrir com a
- 46:07professora e procura a professora e conversa.
- 46:10Então imagina você passar 10, 5, 20 anos da sua vida escrevendo
- 46:18numa completa caverna e você se inscreve numa oficina.
- 46:22E aí? Não é sobre buscar um elogio,
- 46:26mas é. Eu nunca ouvi uma crítica.
- 46:31Como é uma crítica se eu nunca ouvi?
- 46:33Eu nunca fui editada. Como é ser editada?
- 46:37Porque isso aconteceu comigo. É de um editor ler o flor de
- 46:43gume. E falou para mim, no início do
- 46:47flor de gume, era um rascunho assim.
- 46:49Mas ele já tinha OOOO caminho que do que se tornou.
- 46:54E ele falou assim, eu nunca esqueço.
- 46:56Ele disse, esse livro ele é precisa se decidir se ele é
- 47:02poema, se ele é conto. E aí eu lembro que quando a
- 47:08minha editora me conheceu e leu o livro, a jarid RAS é quando a
- 47:14jarid leu. Um dos primeiros comentários da
- 47:17jarid é. A pluralidade era o quanto
- 47:20aquele texto em prosa tinha a poesia marcada.
- 47:26E aí eu fui entendendo. E com os leitores também fui
- 47:29entendendo que essa era uma característica da minha prosa, a
- 47:33poesia na prosa. Imagina se você tivesse tomado
- 47:36outro comentário como verdade? Exatamente.
- 47:38Então eu me culpava muito por escrever assim, porque, de certa
- 47:43forma, eu tomei como verdade, tomei como aquilo, porque foi a
- 47:47primeira vez que alguém. Teve um acesso ao meu texto de
- 47:51forma a editar ou julgá lo, então tem esse cuidado, né?
- 47:58Então eu não vou. Por exemplo, se ele tivesse dito
- 48:00para mim, olha, Monique, eu queria entender o que tu quis
- 48:04fazer com esse livro, porque eu achei que ele tem elementos aqui
- 48:09de poesia e ele é uma prosa. É isso?
- 48:12É proposital ou é o teu jeito orgânico de fazer as coisas?
- 48:18É, eu acho que a gente pode entender.
- 48:21Só que assim o mercado vai querer taxar o livro como o de
- 48:24contos ou o livro de poesia. A gente lança ele como tu pode
- 48:29lançar ele como contos, mas durante tuas falas, tuas
- 48:33entrevistas, tu vai trabalhando esse campo híbrido do teu livro.
- 48:37Mas eu quero entender primeiro o que que tu tava pensando quando
- 48:41tu escreveu, pô. Ele teria me evitado 6 meses
- 48:47horrendos. Então a gente tá no lugar, por
- 48:52mais que a gente fale, é dos homens no poder, a gente também
- 48:55tá no lugar de poder. Porque as pessoas que estão ali
- 48:59na oficina com a gente, elas te vêem como uma referência hoje em
- 49:04dia? A verdade é, pessoas que fazem a
- 49:06oficina de escrita com escritoras, escritores, estão
- 49:11lá. Não só porque querem aprender,
- 49:13mas querem aprender com você. Você referência para essas
- 49:17pessoas e uma referência pode destruir, né?
- 49:21Como você falou, você pode destruir em uma palavra, tipo
- 49:25falar. Eu acho que o seu texto está
- 49:27muito clichê, está muito banal. Que que é clichê?
- 49:31O que é banal? Ah, o seu texto está muito
- 49:33superficial, o que é superficial porque a pessoa vai buscar o
- 49:37conceito dela. Então você tem que ser direta,
- 49:41olha, eu acho aqui que esse personagem, ele diz uma coisa x
- 49:44aqui, mas na página tal ele vai falar tal coisa.
- 49:48Você quer que ele se contradiga? Tem que deixar um pouco mais
- 49:51claro isso, senão o leitor pode entender que é um erro, um
- 49:57buraco dentro da sua narrativa. Né?
- 49:59Olha aqui, você matou o fulano de facada, mas a forma como você
- 50:04descreveu parece que é tiro nunca pode acontecer.
- 50:09É fulano de tal, se afogou, Ah, fulano de tal se afogou, ficou
- 50:14vermelho, pessoa que se afoga fica vermelha.
- 50:16Vamos, vamos fazer uma pesquisa, você pesquisou para saber como
- 50:20é. Ah, o fulano correu tantos
- 50:23metros em tanto minutos. Será mesmo?
- 50:26Onde você buscou essa informação?
- 50:29Eu não sei, mas você pode me dizer que você assistiu onde
- 50:32você só para gente confirmar se realmente essa minutagem de
- 50:37coisa. Mas isso é muito importante de
- 50:40ter realmente esse cuidado com o.
- 50:41Fulano de de tal era feminista, o personagem era feminista, mas
- 50:45você está escrevendo um livro que se passa numa década onde
- 50:49não tinha o conceito. De.
- 50:51Feminista ela pode ser ousada, ela pode ser várias coisas, né?
- 50:55Então, essas coisas que são a edição direta, mas feitas sempre
- 51:00com uma pergunta ou sempre eu tento dizer, olha, isso aqui é
- 51:04uma sugestão, né? Ou isso é ou quando não é uma
- 51:08sugestão, eu deixo bem claro que não é uma sugestão.
- 51:11Eu falo assim, isso aqui pode ser problemático por isso, e
- 51:14isso e isso, isso pode render isso e isso e isso, repense e a
- 51:19gente pode. Aí você reescreve, repense, a
- 51:22gente volta de novo, mas eu não digo.
- 51:25O que você acha se você escrever, será assim que aí?
- 51:29Entra, se não você entra nessa influência, né?
- 51:30De como a Maria falou querer escrever às vezes o seu livro, o
- 51:33seu filme, a sua obra, é a partir do que a outra está
- 51:35escrevendo. E acho que isso é muito
- 51:36importante até pra quem ouvir a gente tiver, né?
- 51:39Buscando uma leitura crítica, uma mentoria, o curso de
- 51:42entender se está num espaço seguro, porque tem muito
- 51:44charlatanismo hoje em dia, principalmente como a gente está
- 51:47nesse espaço digital, onde é muito fácil abrir cursos, dar
- 51:51cursos, se colocar nesse espaço. Então é muito importante também
- 51:54quando a gente vai trabalhar, trabalhar nesse espaço criativo
- 51:57e procurar lugares seguros, procurar alguém que te inspira,
- 51:59procurar alguém ou que escreva de uma forma que você acha legal
- 52:03e que combina com seu texto, acho que esses são talvez.
- 52:06Espaços importantes, né? Quando alguém vai me procurar?
- 52:08Missinha você bechicellen 30. Fugir, fugir da receita fácil,
- 52:13fugir ninguém. Dizer que você vai ganhar
- 52:16dinheiro. Falar que você vai dinheiro?
- 52:18Escrevendo o livro. Essa pessoa tá tá enganando.
- 52:20Ou se você vai vai virar best sellen tanto dia vai ganhar 5
- 52:23dígitos. Olha, você já já corre e vai
- 52:25fazer outra coisa, talvez. É muito só só praia.
- 52:28E vocês têm sites gente para os livros de vocês.
- 52:31Quando vocês estão nesses processos, já aconteceu de de
- 52:34direção ou de trabalhar com a obra dos outros?
- 52:36Outros, já aconteceu de vocês terem sites para a obra de vocês
- 52:38ou não, porque vocês têm esses espaços mais mais separados,
- 52:42talvez? Olha comigo, eu não lembro de um
- 52:48momento que me deu assim 11 ideia, tipo, vi uma coisa,
- 52:52porque eu me preocupo muito com esse processo de.
- 52:56De influência, até que ponto influência até que.eu?
- 52:59Estou simplesmente pegando água, isso me preocupa.
- 53:03Não que eu vá fazer isso de forma consciente, mas o
- 53:06inconsciente também me preocupa, né?
- 53:09Eu sei que nada é criado, tudo é traduzido, mas ao mesmo tempo
- 53:13existe o plágio. Isso é uma preocupação, mas
- 53:17nunca aconteceu de fato. Diretamente, o que acontece é a
- 53:21prática de editar outros textos. Fez com que eu voltasse para os
- 53:26meus textos e editasse eles muito melhor.
- 53:31Aham legal. A subtração fez com que os meus
- 53:34textos crescessem. Muito.
- 53:37Não ter pena de tirar, não ter pena de riscar, não ter pena de
- 53:41voltar, voltar em períodos diferentes.
- 53:45Então, tudo aquilo que eu fiz com outras pessoas foi me
- 53:50ensinando. E o erro de outras pessoas
- 53:54também me ensinou a olhar os meus erros, a detectar os meus
- 53:58erros melhor. Então é OOO minha o meu detector
- 54:03de de erros de. Pra sua criação ficou mais
- 54:07apurado. Ficou mais apurado exatamente
- 54:08por isso, entendeu? Porque tem uma prática também na
- 54:12repetição. Ali é 11 tipo de exercício
- 54:15também. É mental, corporal, que te dá
- 54:19essa, essa habilidade extraordinária, né?
- 54:24De voltar para o seu texto e estar mais aberto a edição.
- 54:27Então editar outras pessoas e falar para elas que elas tinham
- 54:31que estar abertas a edição e gostar do processo por mais
- 54:34doloroso, por mais que ele afete seu ego.
- 54:37Eu também estou me ouvindo, então eu comecei a trazer isso
- 54:42para mim aos poucos. Eu vi essa.
- 54:45Transformação então é, é a Monique, uma Monique falando e
- 54:48outra ouvindo. Monique e suas multiplas.
- 54:52Pessoalidades, exatamente. Eu também não tenho uma
- 54:56lembrança assim de ter tido um insight como tal, sabe?
- 54:59Tipo nossa, achei a solução para tal coisa durante um trabalho
- 55:03com textos ou projetos, outras pessoas.
- 55:06Mas o que se acontecer muito é, às vezes a gente pega um texto e
- 55:12tem alguma coisa naquele texto que te deixa com muito tesão de
- 55:14escrever. Tipo independente.
- 55:17De. Você vai pegar alguma coisa
- 55:19daquilo, mas é um, é uma sensação.
- 55:20É muito diferente. Cara, sei lá, Oo isso de repente
- 55:25fica com muita vontade de escrever, retomar alguma coisa,
- 55:28sei lá, a mesma coisa de estar numa leitura coletiva, numa
- 55:31troca assim, essa é centrar nesse estado, sabe?
- 55:34É. Isso acontece muito com a
- 55:36leitura, pelo menos para mim. Estou com um livro e falo AI,
- 55:39nossa, espera aí, preciso escrever alguma coisa?
- 55:43É, acho que isso EEE uma coisa assim, às vezes de de.
- 55:47Às vezes a gente pega textos de pessoas que estão ou consciente
- 55:52ou inconscientemente assumindo alguns riscos, estilísticos uma
- 55:55coisa que tu diz. Cara, dá para fazer isso também?
- 55:57Olha, essa pessoa não tá nem preocupada.
- 55:59Sei nem um pouco com isso e eu fico aqui, sabe, se debatendo
- 56:02com algumas coisas. Não vamos é isso, sabe?
- 56:04Se é assim, já que ela tá se permitindo, né?
- 56:06Vou deixa. Pra mim, acho que esse trabalho
- 56:09é ênfase em outros lugares, sabe?
- 56:11Que não necessariamente de de soluções narrativas, em site,
- 56:14com relação a alguma coisa específica do projeto, mas num
- 56:17lugar assim, de estímulo diferente, sabe que não.
- 56:21Sei lá, funciona muito também com leituras e livros, já é
- 56:25publicados e que a gente gosta e tal.
- 56:28Mas acho que também é esse lugar do do estudante, né?
- 56:31Tem, tem uma, sei lá, tem 11 olhar, 111 jeito de de enxergar
- 56:39a literatura. Tão quem tá começando, né?
- 56:42Tão fresco, cara, tão fresco e com uma coisa assim que às vezes
- 56:45eu sinto. Invejinha assim, sabe?
- 56:47Tipo aí não, só queria ter um pouquinho mais assim, sabe?
- 56:50É Pedra bruta, tão bonita que tem só beleza, é.
- 56:53Verdade isso é verdade, EE. Isso me gera vontade de de
- 56:57escrever uma certa saudade de outra, de outras.
- 57:00Maria helenas de outros tempos é, mas.
- 57:04Mas sim, é num lugar. Mas legal, foram foram 2
- 57:08inspirações bacanas de alguma maneira, né?
- 57:11Ah, pra mim tudo é inspiração pra mim.
- 57:14Eu, eu, nossa, eu me emociono assim com materiais e que tem
- 57:20esse lugar né? Que não tá preocupado com
- 57:22caixinha, com estrutura, com forma, que tem 11
- 57:26vulnerabilidade ali. Eu eu adoro coisas vulneráveis
- 57:30assim enquanto processo criativo.
- 57:33É, não é tudo, né? Que que nos nos nos comove, né,
- 57:38no sentido de me movimentar, de me comover, mas a maioria é, é
- 57:43muito, muita inspiração, sempre assim.
- 57:47E assim a gente tá falando no, no, no, no campo do, do, de
- 57:51aprendizes, né, de alunos e tal. Mas me veio também, por exemplo,
- 57:54eu tô em cartaz com o texto de pagu, que é um romance
- 57:57proletário de pagu parque industrial, e a gente se
- 58:00transformou numa dramaturgia e estamos em cena, né?
- 58:03São? São 7 é performers, atrizes, né?
- 58:08Em cena EE eu lembro que eu li pagou assim a primeira vez eu li
- 58:15esse romance. Eu falei, gente, o que que é
- 58:17isso? O que que ela tá fazendo aqui?
- 58:19Assim, é muito forte o discurso dela, como eu não conhecia, não
- 58:23conhecia pagu nesse lugar, né? Então aquilo também me
- 58:26atravessou muito e eu eu eu lembro que eu comecei a escrever
- 58:30porque a gente começou esse processo em 2021 assim, né?
- 58:33E também cartaz, revoltando em cartaz esse ano.
- 58:37EE, eu comecei a escrever muito influenciada e atravessada por
- 58:42paguo assim, então eu também, eu sou é um corpo meio esponjinha
- 58:45assim o meu, sabe, eu vou, eu vou recebendo.
- 58:50Eu vou recebendo publicados com filmes já feitos, como, quanto
- 58:53esses que vocês trabalham? E eu não sei se vocês acreditam,
- 58:56mas a gente já está conversando há 1 hora.
- 58:58Mas que até para a? Gente, ir encerrando.
- 59:00Eu queria trazer um último ponto que eu acho legal assim que é.
- 59:03Vocês são autoras já confiantes de trabalhar esse espaço, de
- 59:06compartilhar o que vocês aprenderam, compartilhar a
- 59:09trajetória de vocês, até para ensinar, para trocar.
- 59:11E acho que tem muita mulher que é, não tem essa confiança.
- 59:14Muitas mulheres que não conseguem entrar nesse espaço,
- 59:16que até pensam, poxa, eu sou tão bom em em tal coisa.
- 59:19Eu gostaria de poder ensinar isso, gostaria de poder criar um
- 59:22curso e não. Não consegue assim, ou não sente
- 59:25que está preparado ou não sente que é.
- 59:27Já é tão bom o suficiente para isso.
- 59:29O que que vocês falariam assim? Como foi para vocês começar,
- 59:32para talvez alguém que esteja buscando essa confiança de
- 59:35começar? Como vocês se jogaram nisso, de
- 59:37poder compartilhar o que vocês aprenderam?
- 59:42A minha primeira experiência com uma oficina descrita foi uma
- 59:45oficina de roteiro EE. Eu lembro que foi foi Leonor
- 59:50alone, que é outra roteirista EE.
- 59:53Companheira lá de curso em Cuba É Ela foi que puxou, Ah, vamos
- 59:59fazer não sei o que vamos fazer uma oficina só para mulheres,
- 1:00:01não sei o que naquele momento não era ainda 11 coisa, sabe ter
- 1:00:04oficina só para mulheres, aquele acho que isso foi cara 2013,
- 1:00:09alguma coisa assim. EE eu fui meio que na dela assim
- 1:00:14e super assustada porque nossa, a gente acabei de me formar na
- 1:00:17escola, que que eu tenho para falar?
- 1:00:19Só tenho 2 curtas, tipo nada a ver que que eu vou?
- 1:00:22Mas eu acho que a própria, o próprio jeito que aconteceu à
- 1:00:25oficina, que era tudo tipo, era mesmo valor simbólico.
- 1:00:28A gente tava, mas a gente mesmo tava numa numa onda assim, meio
- 1:00:34de testar, sabe? De Ah, vamos tentar montar uma
- 1:00:37oficina, entender como, como que funciona a gente mesmo, criar o
- 1:00:41nosso próprio método, a gente organizar a aula do jeito que a
- 1:00:45gente quer, sabe? Indo, indo fundo No No desejo,
- 1:00:49no que a gente achava, o que, o que a gente tinha.
- 1:00:52De melhor em outras experiências, como alunas e tal.
- 1:00:55E essa experiência deu super certo.
- 1:00:57Tipo, primeiro a gente, a gente teve que abrir turmas, outras
- 1:01:01turmas, porque tinha muita gente.
- 1:01:03E aí depois a gente pegou essa oficina e entrou no ProAC, a
- 1:01:07gente EE dirigido para adolescentes.
- 1:01:10E essa experiência também foi ótima.
- 1:01:12Então assim, foi meio que aos pouquinhos, né?
- 1:01:15Mas eu lembro que eu já tenho tentado trazer outras amigas
- 1:01:18super experientes que tem doutorado, então não sei o que
- 1:01:20que tem tipo uma vida. E não e.
- 1:01:23Pesquisando uma mesma coisa, tipo, não tem ninguém que saiba
- 1:01:26mais o que ela para falar daquilo, e a pessoa está tipo,
- 1:01:30cheia de dedos para qualquer coisa, porque ainda acha que não
- 1:01:33é o suficiente. É, eu acho que a gente, se a
- 1:01:36gente encarar uma oficina como um espaço em que a gente também
- 1:01:39vai aprender e a gente tem, é uma oportunidade de testar,
- 1:01:42sabe? Tipo, Ah, tu sentiu que tal
- 1:01:43metodologia de tal professor misturada com aquela outra,
- 1:01:46talvez possa dar certo? Testa, tipo, e a gente, e eu
- 1:01:50sempre falo no começo assim, cara, eu tenho aqui um programa,
- 1:01:53eu organizo as minhas, as minhas aulas de tal jeito, mas assim,
- 1:01:57se vocês tem que notar que alguma coisa não está
- 1:01:59funcionando, então falem, sabe? Isso aqui é uma conversa.
- 1:02:02Acho que essa coisa de de descer daquele palco, daquela figura
- 1:02:06autoritária do professor, da professora, e conseguir
- 1:02:09estabelecer um diálogo que claro que sempre vai ter 11 certa
- 1:02:13distância, porque querendo ou não, a gente está ocupando um
- 1:02:16lugar de poder com relação a um estudante, isso é tipo, a gente
- 1:02:20cresce nisso, não é? Mas mesmo assim, quando a gente
- 1:02:23consegue assim quebrar um pouquinho, dá, sabe?
- 1:02:26Dá para botar as pessoas Na Na mesma mesa.
- 1:02:29EE fazer com que você sinta um pouquinho mais à vontade e
- 1:02:31esses, fazer sentir à vontade, acho que também ajuda a gente.
- 1:02:36AA entender a sem entender, num lugar muito mais, muito menos
- 1:02:41castrador para gente, né? Tipo, cara, é uma, é uma
- 1:02:44conversa eu tenho aqui, eu vou trazer o que eu ok, vamos
- 1:02:47trocar. Vamos tentar construir alguma
- 1:02:50coisa aqui junto, entender a entender o espaço da aula como
- 1:02:52uma construção conjunta, que não é só do professor, da professora
- 1:02:56para baixo, sabe? É, é na horizontal.
- 1:02:59E os conhecimentos que vem do dos alunos são tão importantes e
- 1:03:03às vezes mais do que o professor tá preparando, né?
- 1:03:07Eu IA dizer isso muitas vezes nas minhas aulas.
- 1:03:08Eu falo, gente, ó, eu não tenho certeza disso.
- 1:03:11Eu não sei, mas eu tô trazendo porque me veio como como objeto
- 1:03:15de pesquisa, como. Alguma coisa que me apareceu.
- 1:03:17Eu sou uma pesquisadora, né? Eu adoro essa palavra porque eu
- 1:03:20tô o tempo todo em pesquisa, o tempo todo em pesquisa, eu quero
- 1:03:23compartilhar minha pesquisa com vocês.
- 1:03:25Foi assim que eu comecei a dar da oficina descrita, eu tava no
- 1:03:28numa pesquisa como atriz, aí a palavra, o discurso, o corpo, a
- 1:03:33performance, eu falei, meu, deixa eu tentar aqui.
- 1:03:37Estava sentindo necessidade de um coletivo pensante junto
- 1:03:41comigo. Falei, vou abrir aqui umas, né?
- 1:03:44E aí eu comecei, enfim, minha, minha, minha dissertação, eu
- 1:03:47trago foucault na dissertação e eu a ideia de paresia a coragem
- 1:03:50da verdade e tal. E até hoje quando eu vou dar
- 1:03:53aula de de foucault, quando eu vou falar de foucault, eu falo,
- 1:03:55gente, eu não sou uma foucaultiana, eu não entendo
- 1:03:57nada de foucault. Se alguém aqui entender de
- 1:04:00foucault, por favor, né? Porque eu não sei isso, eu não
- 1:04:02sou foucaultiana, mas existe uma ideia que foucault traz pra
- 1:04:06gente que pode ser muito interessante, que é a ideia de
- 1:04:08paresia. Vamos falar sobre ela, vamos
- 1:04:09conversar sobre ela. E aí abre como uma discussão em
- 1:04:13pesquisa. Eu acho que o teatro tem muito
- 1:04:15isso. O teatro ele tá aqui, né?
- 1:04:17Todo mundo de igual para igual, trocando uma ideia para tentar
- 1:04:20levantar aquela obra. E eu, eu, eu, eu luto muito para
- 1:04:24que a literatura seja assim também, sabe?
- 1:04:26Para que a gente faça trocas literárias, dramatúrgicas,
- 1:04:29enfim, né, de roteiro, de nesse lugar também, de troca, de
- 1:04:32compartilhamento. Eu sou uma artista
- 1:04:33compartilhando as experiências que eu tenho, que eu tive como
- 1:04:36artista. Legal, eu acho que é um são são
- 1:04:39bons caminhos. Quando eu vou montar 11 oficina,
- 1:04:44eu sempre penso, eu sou um pouco, como posso falar?
- 1:04:48Eu acho que eu sou um pouco interesseira assim, no sentido
- 1:04:51de eu estou montando uma oficina e que eu vou gostar de
- 1:04:57participar também, né? Porque eu me vejo ali.
- 1:05:00Eu estou me ouvindo, mas ao mesmo tempo eu estou ouvindo
- 1:05:03outras pessoas. Então eu estou na oficina também
- 1:05:05como aluna, só que estou infiltrada.
- 1:05:09É uma ótima ideia. Ninguém sabe demais também.
- 1:05:15Então tô como oficineira. Mas também, né?
- 1:05:18Estou. Estou lá como aluna, né?
- 1:05:21É, mas as pessoas veem você que você que detém o conhecimento.
- 1:05:27É muito difícil quebrar com isso, porque mais o que acontece
- 1:05:30nesse processo, né, como vocês falaram, é a confiança.
- 1:05:34As pessoas vão estabelecendo uma confiança.
- 1:05:36Só que essa essa confiança, ela só é estabelecida a partir do
- 1:05:41momento em que você abre o seu processo para as pessoas que aí
- 1:05:45elas veem, nossa. A fulana é humana, ela tem um
- 1:05:50processo, mas esse processo olha parecido comigo ou tipo, isso
- 1:05:55aqui é parecido comigo, então isso gera uma confiança, né?
- 1:06:00É também tem alguns alunos que vem buscar antes e perguntam,
- 1:06:05Ah, você pode me mandar a lista de todos os livros que vai ter
- 1:06:08na oficina? Eu falei, olha, eu não posso
- 1:06:09fazer isso, eu posso te citar alguns livros sim, tá aqui,
- 1:06:13livro tal, livro tal. Mas não garanto que todos vão
- 1:06:16continuar. Por quê?
- 1:06:18Porque eu monto uma oficina não só pela bibliografia.
- 1:06:22Eu tenho uma bibliografia base, mas ela vai mudando, porque cada
- 1:06:25edição são pessoas diferentes que estão comigo.
- 1:06:29Então eu tive a aula um, eu tenho a bibliografia, eita,
- 1:06:33quase não saia básica, mas eu vejo que aquelas pessoas que
- 1:06:38estão naquela edição, elas têm um perfil que eu acho que tal
- 1:06:43autora. Aqui que diz uma coisa parecida
- 1:06:47com esse autor, essa autora que eu escolhi na bibliografia base,
- 1:06:51eu acho que se encaixa melhor com essa turma, porque
- 1:06:54observando, então é um tetris também grande, é flexível.
- 1:07:01Então eu posso sim mandar a lista, mas talvez essa lista
- 1:07:06mude completamente. Não posso dar essa garantia
- 1:07:10porque é isso a gente também vai sentindo.
- 1:07:14É, eu brinco muito, digo, é igual um DJ numa festa.
- 1:07:18Vai sentindo a energia. Sentindo energia da dança, das
- 1:07:21pessoas, as coisas. E aí o DJ que está muito focado
- 1:07:25naquela playlist. As pessoas não estão dançando
- 1:07:27não. Mas eu montei essa playlist e
- 1:07:29vocês vão dançar assim. Acaba com a festa.
- 1:07:31Acaba com a festa, né? E então eu tento entender também
- 1:07:37o que que as pessoas. Não o que elas querem
- 1:07:40necessariamente, nem sempre o que a gente quer, o que a gente
- 1:07:42precisa anda junto. Mas o que que poderia abrir a
- 1:07:48mente daquelas pessoas pro projeto delas, pro que elas
- 1:07:51estão me trazendo, tentar traduzir o que elas não
- 1:07:55conseguem traduzir. E eu tô tentando ali.
- 1:07:58Eu também sou uma tradutora, então eu acho que isso é.
- 1:08:02O mais importante para mim, EE, para quem vai ministrar a
- 1:08:06oficina, eu posso dizer que não se prenda também, é o julgamento
- 1:08:11dos alunos. Será que os alunos vão gostar?
- 1:08:16Exato. Não faça uma oficina para você.
- 1:08:20Pode soar muito egocêntrico, né? Mas se a gente se agrada, se a
- 1:08:25gente faz uma oficina que eu gostaria de assistir, vão ter
- 1:08:29pessoas que vão gostar também. Né?
- 1:08:32A dedicação que você faz ali é, vai ser, é reconhecida de algum
- 1:08:37modo. E também algumas pessoas não vão
- 1:08:40reconhecer, algumas pessoas vão. Sair dizendo o segundo encontro
- 1:08:44vai embora. É tudo certo, tem que ir mesmo.
- 1:08:46Ou às vezes ou às vezes a pessoa é já aconteceu de um é um aluna
- 1:08:53mandar um e-mail e falar, Monique, não vou mandar os
- 1:08:55exercícios porque eu não consigo, mas é sobre mim.
- 1:09:00E eu entendo e a gente bateu um papo e na última aula, Ah, eu
- 1:09:04escrevi uma coisa, entendeu? Então, assim, às vezes as
- 1:09:08pessoas também, elas estão na defensiva por causa do medo e a
- 1:09:12gente também tem que traduzir isso, né?
- 1:09:15Às vezes a gente não consegue traduzir tudo pobre de nós, que
- 1:09:18não dá para também, mas a gente se esforça, né?
- 1:09:21E eu acho que é isso, uma oficina, a gente também sai de
- 1:09:23uma oficina também, diferente de como a gente entrou como
- 1:09:26professora, porque a gente sai muito mais aluna.
- 1:09:31Acho que tiveram 2 frases chave ali para a gente levar para o
- 1:09:33episódio, que é, você pode estar na oficina como uma aluna
- 1:09:36infiltrada e não seja ODJ que vai acabar com a sede.
- 1:09:42Exatamente. A hora passa de verdade muito
- 1:09:44rápido. Geralmente, quando eu penso em 1
- 1:09:46hora, penso que meu Deus, né? Foi uma folha enorme aqui, cheia
- 1:09:49de perguntas que nem vou entrar. Mas passo muito rápido que eu
- 1:09:52converso. Muito gostosa, então muito
- 1:09:54obrigada. Mas antes da gente encerrar, eu
- 1:09:56queria que vocês falassem rapidinho de dos seus.
- 1:09:58Como está o ano de vocês, próximos projetos de escrita?
- 1:10:00O que que vem por aí? É, é.
- 1:10:09Está programado para agosto. Eu sempre falo, está programado,
- 1:10:12né? Vamos esperar.
- 1:10:14Espero que realmente saia. Mas em agosto vou sair livro
- 1:10:19novo, né? É o nome do livro, é degola, vai
- 1:10:21sair pela companhia das letras. É um livro que vai se passar na
- 1:10:26década de 90 em Manaus e tem como 11 tema ali, né principal,
- 1:10:33um dos principais, que é ocupação de terras.
- 1:10:36Então isso aí é muito por cima, vocês nem imaginam quanto por
- 1:10:40cima é, mas eu fiquei curiosa, muito raso que eu falei.
- 1:10:44É e o flor de gume, né? Que é o livro que ganhou o
- 1:10:48Jabuti, vai também ser republicado.
- 1:10:51Vai sair pela editora moinhos com uma nova capa, né?
- 1:10:55Uma nova edição tá belíssimo. E vai sair também o flor de
- 1:11:00gume, no México, esse ano é pela fundo de cultura econômica,
- 1:11:05então tô bem feliz, que é uma editora que já traduziu em
- 1:11:09espanhol. É Machado de Assis socorracioli
- 1:11:13que eu estou vendo ali é um. Livro que eu estava que eu estou
- 1:11:17lendo. Recentemente.
- 1:11:18Então estou bem feliz com essas coisas.
- 1:11:21É, e sempre estou lançando alguma Zine.
- 1:11:24Já estou escrevendo uma Zine nova que eu adoro publicar por
- 1:11:28mim mesma também é. E basicamente é isso.
- 1:11:32Eu com certeza eu vou inventar mais.
- 1:11:35Coisas e. Vocês tem algo aí pra esse ano?
- 1:11:40Ou para o futuro próximo? Não, esse ano é, está
- 1:11:44programado? É.
- 1:11:48Vamos ver se se sim, mas está programado o lançamento, a
- 1:11:52publicação, devolver aquando, que é esse livro que você
- 1:11:55mencionou aí que saiu na Espanha e agora está programado para
- 1:11:59sair aqui. Não posso falar muito ainda.
- 1:12:02É mistérios, não é que assim ainda não foi divulgado.
- 1:12:07Esse AA editora ainda não divulgou nada, mas aí tá ali, já
- 1:12:12tá sendo trabalhado. É pra ser em agosto, é um
- 1:12:17romance. É, eu fiquei muito curiosa, Ah.
- 1:12:24É a biblioteca azul. Vai sair pela biblioteca azul?
- 1:12:27É a única coisa que eu sei por enquanto e que vai ser em
- 1:12:30agosto. É uma história que tem a ver.
- 1:12:32Tem como pano de fundo a Venezuela dos 2019, é e o
- 1:12:37processo, enfim, toda a situação migratória é isso visto através
- 1:12:41de uma história de uma família, é, enfim, é uma história que de
- 1:12:47alguma forma coloca no, no, no ambiente do íntimo, as forças de
- 1:12:54poder EE autoritarismo do nível estatal, olha, é.
- 1:13:00Enfim, e transita, se por Brasil, Venezuela, Estados
- 1:13:04Unidos, sendo 11, romance que migra mesmo, ele também.
- 1:13:08E enfim, estou bem curiosa, bem nervosa com isso aqui.
- 1:13:13Esse romance também vai sair nos Estados Unidos, enfim, ou no
- 1:13:16mercado inglês no ano que vem. E em italiano?
- 1:13:21EAE, por outro lado, estou trabalhando num outro projeto
- 1:13:26com a mesma diretora do levante. A gente está desenvolvendo 11
- 1:13:30novo projeto já faz alguns anos. É curioso que no cinema é isso,
- 1:13:34tipo, a gente está desenvolvendo um novo projeto já faz 4 anos.
- 1:13:38Sim, é isso, é. E aí, enfim, tentando levantar
- 1:13:42grana para fazer esse projeto, é, estou na editora, no
- 1:13:46diadorim, cheios de novidades e coisas legais por aí.
- 1:13:52É e acho que está demando também, né?
- 1:13:54Tem bastante. Coisa já também e Futura
- 1:13:57psicóloga. E ó a Munique não é psicóloga, é
- 1:14:01psicanálise. Ah, desculpa, e?
- 1:14:04Vocês vão dizer que é outra coisa, muito diferente.
- 1:14:07Nem tanto. Desculpa, é outra portinha
- 1:14:10portona que eu estou abrindo. Mas enfim, é isso também abrindo
- 1:14:15essa portinha é muito tem a ver com a conversa sobre comprar o
- 1:14:18nosso tempo. E com a instabilidade de todas
- 1:14:21essas coisas que a gente faz, eu comecei a sentir que eu
- 1:14:23precisava ter alguma coisa mais pé no chão para conseguir tirar
- 1:14:28da minha produção literária o preço do econômico.
- 1:14:31Isso é importante. Assim, não queria terminar com
- 1:14:35uma nota pessimista nesse sentido, porque tem muita coisa
- 1:14:38legal acontecendo no literário, comigo também, mas.
- 1:14:42E tem isso, né, que às vezes é o sei lá, o prestígio, o
- 1:14:47reconhecimento que a gente possa tá tendo.
- 1:14:48Nem sempre vem junto de estabilidade econômica daqui a.
- 1:14:53Pouco eu tá hackeando lá pro psicanálise pra escrever.
- 1:14:56Assim é tudo contrabando. Né?
- 1:15:01Eu sou terapeuta corporal também, trabalho com trabalho
- 1:15:04com massagem há muitos anos. Eu amo isso também.
- 1:15:07E pra mim também sou eu, artista lá também, tocando num corpo de
- 1:15:10outra pessoa. É isso tem a ver com escrita,
- 1:15:13isso tem a ver com nossa, não vem fazer eu.
- 1:15:18Sempre falo que eu vou fazer terapia, nunca.
- 1:15:19Eu vou fazer vem fazer comigo, é, eu acabei de lançar cabra que
- 1:15:24Lamb, sal pela reformatório, então eu tô naquele naquele
- 1:15:30entre assim, né? O livro acabou de ir para o
- 1:15:32mundo. As pessoas estão começando a
- 1:15:34ler, estão tendo retornos incríveis, tomando esse esse
- 1:15:36movimento. E vou transformá lo numa peça de
- 1:15:39teatro musical. Já estou criando esse roteiro,
- 1:15:43essa dramaturgia tem uma pessoa incrível, que está junto com o
- 1:15:48pondo, que é o André Abujamra, que está nas composições, que
- 1:15:52está pensando junto comigo, essa esse roteiro musical e tal.
- 1:15:56Então é uma puta parceria. Legal assim também, né?
- 1:15:58Que eu tenho muito orgulho de de falar é.
- 1:16:02Fora isso, além da terapia corporal do cabrick, lambisalvo
- 1:16:06é, eu tenho um matre. Eu queria falar muito do matre,
- 1:16:09né? Só pra fechar assim que é,
- 1:16:10arroba matre underline amada, que é 11 plataforma colaborativa
- 1:16:17que pensa e troca. É experiências e conhecimentos
- 1:16:20sobre parentalidade, né? Sobre o trabalho de cuidado.
- 1:16:24E é uma iniciativa 11, tentativa da gente pensar o trabalho de
- 1:16:27cuidado como um ato coletivo inegociável.
- 1:16:32Né? Eu acho que meu trabalho, tanto
- 1:16:34mãe eu também não gozei, quanto cabra.
- 1:16:35Aquilo lambe. Sal também é uma que fala sobre
- 1:16:38violências de gênero, né? Meu trabalho está sempre
- 1:16:41atrelado a isso. Pode ser que não, mas pode ser
- 1:16:43que isso mude um dia. Mas eu acho que não.
- 1:16:45Uma conversa com Aline bei, uma vez ela falou, né, gente, a
- 1:16:48gente sempre vai escrever sobre a mesma coisa, né?
- 1:16:51A gente vai passar uma vida escrevendo sobre uma mesma
- 1:16:54coisa. Não tem como a gente ficar muito
- 1:16:56pirando, cabeção. E, né?
- 1:16:57E é verdade, assim, acho que cada um vai encontrando, né Oo.
- 1:17:00Sua. Obsessão, o teu fantasma
- 1:17:03obsessivo, né? EEA gente, vai passar uma vida
- 1:17:06falando sobre esse fantasma obsessivo, porque a gente vai
- 1:17:08morrer sem resolver, né? E sem superar.
- 1:17:10Eu acho que eu não acredito nesse tipo de superação, nessa
- 1:17:13cura, nesse lugar de superação. Então e aí, matri?
- 1:17:18É uma tentativa coletiva da gente pensar o trabalho de
- 1:17:20cuidado coletivo também, né? Então eu falo isso na ficção, na
- 1:17:24autoficção, mas eu também luto diariamente, né?
- 1:17:28Ativamente para que a gente pense. 11 sociedade mais
- 1:17:33equilibrada e justa entre homens e mulheres, entre pais e mães,
- 1:17:38né? Então assim é isso, tô fazendo
- 1:17:41várias coisas. Bastante coisa muito vem por aí
- 1:17:43para vocês ficarem de olho. Vou deixar o perfil de todas,
- 1:17:46né? A descrição do episódio, para
- 1:17:47vocês acompanharem, ficarem de olho nos livros, filmes, peças
- 1:17:51musicais, tudo que vier por aí. Gente, super obrigada pela
- 1:17:54conversa, adorei a presença de vocês, obrigada por quem estiver
- 1:17:57escutando aí, Monique, Letícia, Maria, foi um papo ótimo,
- 1:18:01obrigada, obrigada, tchau, gente, até o próximo episódio.
- 1:18:09E.