Latest / Café com Dungeon / Perícia do Faz de Conta #0057
Transcript
- 0:00Vocês avançam pela planície seca.
- 0:04Fora as lufadas de vento, apenas o barulho dos metais de suas
- 0:09armaduras ao caminhar e o barulho de aves de rapina
- 0:14pousadas na parca vegetação seca que salpica o solo árido, exceto
- 0:22por um grande caixote de metal enferrujado.
- 0:25Em cima dele, um grande abutre à distância.
- 0:32Mestre, eu dou um tiro na direção do abutre para
- 0:35espantá-lo e agora só tenho duas balas, ok?
- 0:38Me aproximo do objeto metálico para ver do que se trata.
- 0:44Beleza, o abutre sai voando e conforme você se aproxima vai
- 0:51percebendo melhor a forma retangular do objeto
- 0:54enferrujado. Não é só de metal, é metal e um
- 0:59material liso, transparente, semireflexivo.
- 1:05Um painel grande desse material fica de pé de um lado e do outro
- 1:12lado também, do lado oposto. Nas duas laterais tem também
- 1:17painéis menores do mesmo material.
- 1:20Parecem janelas. Do lado, também tem dois
- 1:27recortes semicirculares. Lá dentro, peças como cilindros
- 1:33se aniam nesses nichos e sustentam o objeto sobre tiras
- 1:38de couro negro que parecem rodas de uma carroça.
- 1:46Mestre, isso é um carro? Vou olhar para dentro desse
- 1:50objeto pelos painéis transparentes que você falou.
- 1:55É um carro, ainda que seu personagem não faça a mínima
- 1:59ideia do que seja um carro moderno.
- 2:02Olhando para dentro, você vê um aro de um material escuro poroso
- 2:08preso num painel frontal. Próximo, bancos de um material
- 2:15fofo. Atrás, um banco mais largo.
- 2:21Cabem umas cinco pessoas no total, duas no espaço frontal e
- 2:26três no espaço traseiro. Eu vou pegar meu pé de cabra e
- 2:31minhas ferramentas de arrombamento e vou começar com
- 2:34uma abordagem não destrutiva, mas caso não dê certo eu vou
- 2:38abordando de maneira cada vez mais violenta, ok?
- 2:42Quero acesso ao espaço interno dessa carroça de ferro e vidro.
- 2:46Quero buscar entender o seu funcionamento.
- 2:50Você vê um painel com setas e símbolos diversos gravados em
- 2:55branco. Inicialmente estranhos, mas que
- 2:59parecem pequenas pinturas rupestres em certos momentos,
- 3:04mas muito mais exatas na grafia. Muitas partes parecem imóveis ou
- 3:11pressionáveis. Uma coisa em particular te chama
- 3:15atenção. Uma chave enterrada numa pequena
- 3:19fenda no painel, ao lado do aro circular afixado ali, que tem
- 3:25mais ou menos o tamanho do seu peito.
- 3:30Mestre, eu pego essa chave e giro ela, como se fosse abrir
- 3:33uma porta. Todo o metal treme de forma
- 3:38bruta, como num soluço, e sacode a poeira de cima da ferrugem,
- 3:43mas é tudo. Ele volta a ficar estático.
- 3:47O barulho parece vir das entranhas desse veículo, mas
- 3:51logo cessa. Vou tentar acessar essas
- 3:55entranhas. Eu dou uma olhada na superfície
- 3:57interna e externa também, em busca de uma portinhola ou
- 4:02alguma coisa assim, seja dentro, seja fora.
- 4:07Ok, você encontra painéis que podem se abrir, principalmente
- 4:13na superfície lisa e enferrujada na parte dianteira, bem na
- 4:18frente daquele vidro. Você percebe porque tem um friso
- 4:23quadrado que delimita esse painel.
- 4:26Atrás você percebe isso também. Eu uso o pé de cabra para me
- 4:34auxiliar a abrir esse painel na frente.
- 4:37Ok, você precisa forçar, mas percebe que há pontos de
- 4:42resistência, como se estivessem enganchados ali ou alguma coisa
- 4:46parecida. Ok, mestre, eu vou forçar.
- 4:50Eu vou dar uma forçada para arrebentar mesmo.
- 4:55Você consegue abrir aquilo como a boca de um jacaré sem dentes.
- 5:01Uma lâmina de metal rígida, porém fina, Se abre e revela as
- 5:08entranhas da carroça. Tubos, porcas, parafusos,
- 5:14pistões, pequenos reservatórios de metal e outros materiais mais
- 5:20translúcidos, leitosos, que você nunca viu.
- 5:24Uma confusão cheia de poeira. Hum, Menelau, você quer dar uma
- 5:30olhada aqui? Mestre, eu sou engenhoqueiro.
- 5:35Meu personagem mexe muito bem com engenhocas, máquinas,
- 5:39veículos. Eu vou dar uma olhada geral ali
- 5:44para ver se eu encontro essas engrenagens aí e ver como elas
- 5:48funcionam. Ok, você observa todas essas
- 5:53peças que eu descrevi, mas percebe o sentido que há por
- 5:57trás dessa bagunça. Há uma peça central maior que
- 6:02parece a engrenagem principal. Se aquilo fosse um organismo,
- 6:07aquilo seria o coração. Ela tem pistões e muitos fios de
- 6:13alimentação, como tubos. Em torno dela, sistemas de
- 6:18refrigeração, lubrificação, dispersão de fluidos e outros
- 6:23mecanismos acoplados que você não entende muito bem como
- 6:27funcionam, mas que parecem servir para isso.
- 6:32Eu vou me afastar e pedir para o meu amigo Rayovac girar a chave
- 6:38do painel diversas vezes para eu ficar observando como é que
- 6:41funciona. O raio-vac gira e você vê a
- 6:47máquina engasgar novamente. Aparentemente a peça central
- 6:51precisa de algum tipo de fluido, mas que está seca.
- 6:57Além disso, você percebe que tem uma espécie de correia de couro
- 7:00ou algum outro material escuro poroso mais resistente, que você
- 7:07não conhece, mas que foi fragilizado pela ação do tempo e
- 7:10possivelmente rompeu com a tosse provocada pelo giro da chave.
- 7:18Eu vou olhar os dutos de alimentação de fluidos ali em
- 7:22busca de resíduos para entender o que alimentava essa máquina.
- 7:29Ok, você consegue amostras desses líquidos, mas precisaria
- 7:35fazer testes para entender bem. Mas eles são bem viscosos e meio
- 7:40escuros. Isso parece um trabalho para o
- 7:46Abacuque, o nosso alquimista. Chega aí, Abacuque.
- 7:51Pessoal, que tal acamparmos aqui perto?
- 7:54Preciso armar um pequeno laboratório para fazer uns
- 7:57testes, mas acredito que se trate de uma espécie de material
- 8:00inflamável. Portanto, não aproximem muito as
- 8:03tochas quando anoitecer, ok? Vamos precisar de couro novo.
- 8:08Nossas roupas não servem, elas são frágeis.
- 8:11Precisamos de um mamífero de grande porte para conseguir
- 8:14couro fresco, recém-abatido de preferência.
- 8:18Aqui perto acho difícil e perigoso, mas se olharmos os
- 8:21abutres da região, de repente encontramos alguma carcaça
- 8:25recente. Quanto ao líquido, ouvi falar de
- 8:28um mago chamado Shell. que anda pesquisando com líquidos das
- 8:32entranhas da Terra e vinha criando líquidos extremamente
- 8:37voláteis e inflamáveis a ponto de se tornar quase um
- 8:40piromaníaco, como o amigo dele, um tal de anão chamado Fritz,
- 8:45que eu conheci numa caravana aqui perto.
- 8:47Mas que tal investigarem essas coisinhas enquanto eu pesquiso
- 8:53aqui os fluidos, hã? Algumas semanas depois...
- 9:03O pai tá de chevette, rapaz. Nós não precisamos de TV.
- 9:09Não enquanto nós dois tivermos imaginação.
- 9:21Bom dia, amigos do Café com Danjo.
- 9:23Estamos aqui para mais um episódio do seu podcast matinal
- 9:25favorito, trazendo sempre muito RPG.
- 9:28Meu nome é Rafael Balbi e hoje o meu café vem da região do Vale
- 9:32do Mel, uma região em Minas, rica em apicultura das abelhas
- 9:36citrofrutáceas, que misturam pólen das plantas e carregam o
- 9:42café com esse sabor peculiar de mel.
- 9:45No fundo, Eu tô bebendo café ovelha negra aqui e fingindo pra
- 9:50você que eu manjo de café a fundo.
- 9:52Porque eu não sou sommelier. Mas o que eu posso garantir é
- 9:56que o café ovelha negra tem gostos especiais misturados ali.
- 9:59Depende da região, sim. E, cara, é dos cafés mais
- 10:03gostosos que eu já tomei na minha vida, com certeza.
- 10:06Café especial. E recomendo pra você.
- 10:09E a gente sempre pode fazer de conta que a gente manja, né?
- 10:14Mas assim... Garanto que se você pedir lá no
- 10:17ovelha.café, no site deles, usando o cupom CCD, você vai ter
- 10:22ainda um café mais tranquilo de você beber, porque vai ser mais
- 10:27barato o nosso cupom. Então chega lá e utiliza o cupom
- 10:30CCD, tudo minúsculo, tá? Lembrando, ovelha.café.
- 10:36Se você quiser cupons melhores ainda, os nossos assinantes têm
- 10:41cupons progressivos. Então, se você se tornar um
- 10:44assinante do Café lá no apoia.se barra Café com Dungeon, você
- 10:48consegue descontos ainda melhores para beber o seu Ovelha
- 10:51Negra e ainda participa de sorteios, não só de café Ovelha
- 10:54Negra, mas de material dos nossos outros parceiros.
- 10:57Fora cupons que eles também dão. Além disso, você recebe conteúdo
- 11:01extra, participa do nosso grupo de Telegram e, bom, você
- 11:05ainda... Ainda pode, de repente, começar
- 11:09a jogar nossas mesas abertas e tudo mais que a nossa comunidade
- 11:13tem ao redor. Então cola aí com a gente,
- 11:15apoia.se barra Café com Dungeon. Bom, vamos para o episódio, mas
- 11:20antes, passando aqui na nossa enquete.
- 11:27A última enquete foi o episódio sobre sendo babaca no RPG.
- 11:31E eu fiz a pergunta aí, você já foi babaca na sua vida?
- 11:35E cem por cento das pessoas responderam que sim, que cem por
- 11:39cento das pessoas foram babacas. Aí aqui eu fiz a pergunta pra
- 11:44galera, você já foi babaca na vida?
- 11:46Não tô perguntando nem no RPG, se você já foi babaca na vida.
- 11:50E cem por cento das pessoas disseram que já foram babacas
- 11:52sim, na vida. Então eu acho esse um dado
- 11:55importantíssimo, né, pro tema do episódio da última terça.
- 11:59E na pergunta qualitativa, o Rafael Bacelar trouxe que a alta
- 12:04letalidade lá da mesa faz a galera se preocupar com alta
- 12:08performance, o que gera babaquices, como querer se meter
- 12:11no jogo do outro, porque você pode morrer pela escolha ruim
- 12:15que o outro faz. Aí eles reduziram bastante as
- 12:18consequências de morte, o que fez aumentar a babaquice de
- 12:21comportamentos inconsequentes que no fim só atrasavam e
- 12:24ferravam com a moral do grupo. Esse semestre os jogadores
- 12:27escreveram uma constituição da guilda dos personagens para
- 12:30evitar comportamentos inconsequentes e eles estão
- 12:32vendo até onde isso funciona. Muito interessante, né, cara,
- 12:36como as dinâmicas de jogo muitas vezes empurram, de fato, certos
- 12:39comportamentos. E aí, às vezes, a gente fica
- 12:42mexendo pra lá, mexendo pra cá, e alguns comportamentos saem ali
- 12:46do que a gente acha que é saudável.
- 12:48Então, a gente poder ajustar isso e conversar com a galera é
- 12:51legal, porque muitas vezes o jogo vai levar comportamentos
- 12:55babacas, né, e a gente sabe que...
- 12:58É isso, não tem ninguém que seja essencialmente babaca, ainda que
- 13:01todo ser humano possa ser babaca em muitos momentos.
- 13:05E aí os jogos podem estimular a gente, assim como o trânsito.
- 13:08É isso aí, valeu a participação. O Marcos Gonçalves falou que as
- 13:12dinâmicas de mesa aberta fazem a gente sofrer consequência por
- 13:16ações de outros. em sessão que nem jogamos até ele acha que
- 13:22tanto os jogadores que impactam os outros sem pensar, quanto os
- 13:25que ficam bolados por serem impactados, acabam sendo
- 13:28suscetíveis a babaquice, importante é lutar pra controlar
- 13:31os instintos E no fim das contas, eu acho que a gente tem
- 13:35que entender justamente onde estão esses pontos, né?
- 13:38Onde o jogo estimula um comportamento um pouco mais
- 13:40delicado. E aí é legal, né?
- 13:42Que a gente possa trabalhar em cima disso, a gente possa
- 13:45esfriar a cabeça em certos momentos, ou entender que de
- 13:49repente aquilo ali não vai caber no nosso jogo, ou que a gente
- 13:54pode de repente trabalhar aquilo de outra forma, né?
- 13:59Enfim, acho interessante e legal ter essa noção, né, cara?
- 14:04O Diego Emanuel falou que ele sempre achou o bordão Não Seja
- 14:08Babaca um eufemismo para não ser um escroto racista, homofóbico,
- 14:13misógino, machista, um complexo de Deus, se for mestre, né?
- 14:18E respeitar o amiguinho e também que se dê ao respeito.
- 14:23Ele acha meio injusto comparar o RPG com esportes e jogos
- 14:26competitivos. Nesses, provocar o adversário
- 14:30faz parte. Já em jogos cooperativos, como
- 14:33grande parte dos RPGs são, você tratar mal o colega que você
- 14:36terá que conversar para resolver problemas é contra o próprio
- 14:39jogo. Fala aí, Emanuel.
- 14:41Cara, acho interessante o que você trouxe, porque, cara, não
- 14:45ser babaca que eu falei no episódio mesmo, durante o
- 14:49episódio inteiro, na verdade, foi justamente isso que você
- 14:52falou, cara. Não ser escroto, racista,
- 14:54homofóbico, misógino, machista, com complexo de Deus, que não
- 14:59respeita o amiguinho, que não se dá o respeito.
- 15:01Eu pergunto pra você. Você acha que você tá acima de
- 15:06ser misógino? Você acha que você está acima de
- 15:09qualquer racismo possível? Você acha que está acima de
- 15:12qualquer homofobia? Você acha que está acima de
- 15:16qualquer complexo de Deus? Se você estiver na posição de
- 15:18mestre, completamente desregulada, Será que isso é uma
- 15:23coisa que você garante que você jamais vai incorrer?
- 15:26Eu fiz a pergunta aí na enquete e cem por cento das pessoas
- 15:29dizem que em algum momento foram babacas.
- 15:32Então o babaquíssimo é uma coisa intrínseca a determinadas
- 15:35pessoas malvadas ou mal intencionadas.
- 15:37A gente mesmo pode se pegar nessas situações.
- 15:40E por mais que o RPG não seja igual a esportes e jogos
- 15:45competitivos, ele também tem competitividade.
- 15:47Foram exemplos que eu dei no próprio RPG, né?
- 15:50Até o Fiacho, que muita gente encara como um jogo
- 15:52absolutamente colaborativo, ele tem a sua porção competitiva.
- 15:58Qualquer jogo, ele pode dar vazão à competição, seja em
- 16:04jogos cooperativos, seja em jogos principalmente, né?
- 16:08jogos em que a gente tem um pouco mais de competitividade,
- 16:11como é o RPG clássico de mesa aberta, como a gente está
- 16:15fazendo em Bear Gotham, como tantas outras mesas abertas
- 16:18fazem quando instituem um timer ou uma certa letalidade, isso é
- 16:21uma experiência que a gente vai ver acontecer o tempo todo.
- 16:24Então a gente não se colocar acima de qualquer babaquice, mas
- 16:28se entender como sujeito de babaquice em muitos momentos é
- 16:32vital para entender um pouquinho melhor o episódio de ontem e o
- 16:35que eu queria dizer com ele. Beleza?
- 16:37Mas seja bem-vindo aí a pensar sobre isso, debater sobre isso e
- 16:43principalmente a entender quando esses jogos que a gente está
- 16:45jogando estimulam essa competitividade que pode ser
- 16:49nociva sim. A gente encarar isso com
- 16:50maturidade é muito importante. Valeu pela participação, Diego.
- 16:56Vamos pro episódio? Ô, linguiça.
- 17:05Sabe o que eu andei ouvindo aí? Só com aquela torre do bacharel.
- 17:10Pô, parece que tem goblin lá. Tem gente matando os goblin e
- 17:15tudo, tocando magia, destruindo a torre.
- 17:18Pô. Fala com o pessoal de Tetris aí,
- 17:21porque acho que nós vamos ter que reconstruir aquele lugar.
- 17:25Talvez seja uma oportunidade de dinheiro pra nós, mas...
- 17:29Acho que nós vamos ter que acabar com os Goblins antes,
- 17:32hein? Que tu acha?
- 17:35Olha, deveras interessante. Porém, eu não sei se ficaste
- 17:41sabendo que na Floresta do Cazulo as árvores continuam
- 17:45sendo engolidas. Adianta o dinheiro perante a
- 17:49finitude da vida, meu amigo? Eis a questão.
- 17:56Esse e tantos outros são rumores vindos do jogo do mundo aberto
- 18:02de Beer Gotham. Se você quiser explorar
- 18:05aventuras como essa, pode entrar inteiramente de graça no nosso
- 18:09grupo. Siga o link lá no descritivo do
- 18:12episódio e jogue Beer Gotham com a gente.
- 18:17Vamos explorar Yergoth! Com imaginação!
- 18:33Posso ser o que eu quiser! Perícias são um lugar comum nos
- 18:42RPGs. Medir os personagens e
- 18:44centralizar os impasses do jogo muito nas suas capacidades é
- 18:49tradicional. No D&D mesmo, a gente está
- 18:53acostumado aos testes de atributo modificados por
- 18:56perícias e por ciências como mecânica central do jogo.
- 19:01E a gente acaba entendendo todas as interações com o mundo a
- 19:06partir desses seis atributos. Em Dungeon World, a gente
- 19:10categoriza situações importantes para a narrativa em movimentos e
- 19:14a partir deles a gente faz os testes, mas os bônus de atributo
- 19:19dos personagens em cada movimento influenciam
- 19:22pesadamente nos resultados para simular essas capacidades
- 19:26também. Mas será que essa lente da
- 19:29perícia do personagem é sempre alguma coisa importante ou a
- 19:34mais importante da gente levar em conta?
- 19:36Ou isso é algo que a gente se acostumou por motivos diversos?
- 19:42Bom, tem gente que encara isso como o direito dos jogadores
- 19:45contra a tirania do mestre. Meu personagem é bom nisso.
- 19:50Tem gente que encara a partir da facilidade de instrução e da
- 19:54reprodução da experiência a partir de mecânicas centrais de
- 19:58resolução de conflito. Afinal de contas, se você
- 20:01resolve grande parte das coisas que podem acontecer na ficção e
- 20:06gerar impasse num teste de atributos só, é uma regra muito
- 20:09mais simples. Ela cobre muito mais casos e
- 20:12você não precisa ficar conhecendo novas regras, novos
- 20:15parâmetros e consegue explicar isso para novos jogadores mais
- 20:18fácil. A gente pode dizer também que o
- 20:22mundo capitalista, moderno, pós-moderno, meritocrático,
- 20:28enxerga tudo a partir das capacidades do homem
- 20:32empreendedor, do self-made man, e que o ambiente somos nós
- 20:37mesmos que fazemos. Então, no fim das contas, tudo
- 20:40depende da nossa capacidade. Também dá para ir por aí.
- 20:44O fato... É que se a gente estressar esse
- 20:48olhar... Que vem a partir das
- 20:50capacidades... Dos personagens em primeiro
- 20:52lugar... A gente pode terminar...
- 20:55Dentro do RPG... Que é um jogo de faz de conta...
- 20:58Com apenas uma perícia central...
- 21:01A imaginação. Se você tiver sucesso numa
- 21:05rolagem de imaginação, beleza. O personagem teve uma boa ideia
- 21:08e resolveu a parada. Seja ela qual for, tendo
- 21:12resolvido ela na força bruta ou na inteligência.
- 21:15O que importa é que ele teve uma boa ideia e resolveu.
- 21:17Ele imaginou o que era melhor. Afinal de contas, ele é bom de
- 21:21imaginação e talvez você não. Será que a gente precisa mesmo
- 21:26de perícias calcadas nas mecânicas do jogo para trazer o
- 21:31jogo para o faz de conta? Ou será que a gente consegue
- 21:34encarar essas capacidades do personagem de outra forma e
- 21:38trazer o jogo para essa brincadeira da imaginação e do
- 21:43faz de conta? Bom, é sobre isso o episódio de
- 21:46hoje. E para começar a investigar
- 21:48isso, eu vou trazer esse histórico do teste de atributo.
- 21:52Foi uma coisa que eu trabalhei numa live no YouTube do Café com
- 21:57Dungeon. E foi uma live em que eu até
- 22:00abri um board ali e comecei a desenhar algumas coisas para
- 22:04defender uma ideia de que o teste de atributo surge no D&D
- 22:08nos anos oitenta, e também ali pelo AD&D, mas de uma forma mais
- 22:13periférica ali, através da magia DIGG. mas também no D&D BX em
- 22:18oitenta e um, como uma sugestão de ruling um pouco mais concreto
- 22:22dentro do jogo, o teste de atributo surge muito como uma
- 22:26ferramenta de se evitar a tirania do mestre.
- 22:31Esse mestre que pode simplesmente dizer que uma coisa
- 22:33não aconteceu, ou que uma coisa deu certo, ou que não deu, pelo
- 22:38seu próprio julgamento. Você parece que ter ali um teste
- 22:42de atributo garante que você pode pelo menos tentar Isso me
- 22:47parece que é verdade, até porque ele vem numa seção do D&D BX,
- 22:52como sugestão de ruling, numa parte do livro que ele fala
- 22:56There's Always a Chance, que é um princípio de jogo ali do D&D
- 23:00BX. E isso me parece reforçar, assim
- 23:03como outras coisas, vem reforçando essa ideia de que os
- 23:06testes de atributos surgem muito como um limitador da
- 23:11arbitrariedade do mestre como alguma coisa que ajuda a
- 23:14desenhar esse papel que é tão mal desenhado inicialmente
- 23:18dentro dos jogos old school o mestre ele pode tudo, ele decide
- 23:21tudo de acordo com a sua própria cabeça E a gente precisa que o
- 23:27jogador jogue o jogo, que ele seja capaz de jogar o jogo sem
- 23:30esse medo, inclusive. Então o teste de atributos é uma
- 23:32solução mecânica que calça isso. Se o meu personagem é bom em
- 23:37determinada coisa, eu vou jogar que ele vai ter boas chances de
- 23:41resolver essa questão aqui. E a partir disso a linguagem
- 23:45evolui, os RPGs evoluem, a linguagem de cada jogo evolui e
- 23:50se desenvolve. Inclusive as próprias abstrações
- 23:54mecânicas que os sistemas trazem evoluem junto.
- 23:58A gente vai vendo que o jogo vai se desenvolvendo então, a gente
- 24:02pode dizer o RPG de forma geral, ele vai se desenvolvendo ao
- 24:06longo da história como um jogo que se resolve em seus impasses
- 24:10a partir das capacidades dos personagens. que começa como um
- 24:15direito e que ganha cada vez mais sofisticação dentro dos
- 24:20sistemas de jogo. E a gente começa a desenvolver
- 24:24essa lente de analisar os mundos de ficção dentro do RPG, que
- 24:29partem dessa lente específica das capacidades dos personagens
- 24:34classicamente distribuídas em seis atributos, mas que outros
- 24:37jogos começam a trabalhar com mais liberdade.
- 24:40Então, se no D&D você tem ali força, destreza, constituição,
- 24:44sabedoria, inteligência e carisma, esses são os seis
- 24:50olhares que a gente vai entender para tentar resolver
- 24:53mecanicamente determinado impasse.
- 24:55Mas aí a gente tem, sei lá... A gente tem o Toon, que traz ali
- 25:00outros atributos, brincam com isso.
- 25:01Tem o Chutespa, que é um jogo de cartoon.
- 25:05Então esse Chutespa é essa habilidade aí de você ser, acho
- 25:09que é de ser malandro, eu não lembro mais exatamente, mas ele
- 25:11trabalha os atributos de acordo com o tema do jogo.
- 25:14Então se você tem, de repente, um jogo de boxe, talvez os
- 25:17atributos que você precisa ali para o boxe, para esse esporte
- 25:20em si, não sejam os mesmos que você precisaria para um jogo de
- 25:24contadores. Sei lá quem vai jogar isso, mas
- 25:28um jogo baseado em contadores numa repartição pública, pode
- 25:33ser que de repente os atributos pudessem ser outros.
- 25:37Ou como você tem ali o Lasers and Feelings, os dois atributos
- 25:41que você tem é Lasers e Feelings, os dois são
- 25:44diametralmente opostos e são complementares, por assim dizer.
- 25:47Você é bom em um, você é ruim em outro.
- 25:49Isso vai criando as lentes pelas quais a gente vai analisando
- 25:52essa ficção que a gente vai construindo em conjunto e como o
- 25:56jogo se dá. Mas de forma geral a gente passa
- 25:59quase sempre pelas capacidades dos personagens.
- 26:03E a gente vê uma mudança muito grande na história do RPG de
- 26:08forma geral, mas isso fica muito claro no D&D, quando a gente vê
- 26:11que a mecânica central que a gente tinha no D&D clássico, que
- 26:14era XP por ouro, isso era a grande mecânica central daquele
- 26:18jogo, era o que tinha mais centralidade ali dentro, mais
- 26:21até do que combate, porque ele acabava informando quase tudo o
- 26:25que acontece no jogo. Tem muita influência esse câmbio
- 26:30do XP por ouro. Você ganha XP quanto mais ouro
- 26:33você coleta. A gente vê que essa mecânica
- 26:36central acontecia na base de recompensa do jogo.
- 26:39Mas a gente vê isso mudar. Conforme o jogo vai evoluindo,
- 26:43essa centralidade do teste de atributo, ou seja, essa mecânica
- 26:47central, ela vai ganhando ali a parte de resolução de conflitos
- 26:51do sistema. Diferente do que acontecia no
- 26:54líder antigo, que era a recompensa.
- 26:56Então a gente vê que isso começa a desenhar algumas coisas que se
- 26:59tornam bem hegemônicas no meio do RPG. a gente tem a partir
- 27:04disso essa evolução dessa linguagem, do RPG como
- 27:07linguagem, como um todo, mas os sistemas abordando, utilizando
- 27:10essa linguagem cada uma à sua maneira, desenvolvendo suas
- 27:13próprias linguagens, suas próprias evoluções, mas de forma
- 27:16geral a gente começa a ver que ele se sofistica, o teste de
- 27:19atributo, o teste de capacidade, para testes de perícias, como
- 27:23simuladores das especialidades dos personagens, personagens que
- 27:29são muito bons em determinadas coisas, precisam ter ali o jogo
- 27:34contemplando como eles são bons naquilo.
- 27:37Então, se o meu personagem é o Sherlock Holmes, ele tem uma
- 27:40capacidade investigativa fora do comum, ele consegue deduzir
- 27:44coisas de um jeito que eu não consigo como jogador, como
- 27:47balbe, jogador, né? Mas eu, enquanto Sherlock Holmes
- 27:52entro naquele jogo, deveria ser capaz de resolver as coisas como
- 27:56Sherlock Holmes consegue. Então o jogo passa por essa
- 28:00lente que a gente começa a ver que é trabalhada de forma geral,
- 28:03a gente começa a entender que o jogo precisa acontecer em torno
- 28:07das minhas capacidades enquanto Sherlock Holmes.
- 28:10E isso já desenha aqui um pouco o que eu quero começar a
- 28:14contrastar com a ideia do jogo no faz de conta.
- 28:19O primeiro jeito que eu queria analisar isso é trazendo aqui
- 28:21uma certa dicotomia que a gente vê alguns meios do RPG trazendo
- 28:26a respeito desse tema, que é habilidade do jogador e
- 28:29habilidade do personagem. Mais marcadamente a galera da
- 28:32OSR, a partir muito do Finch, traz essa ideia do player skill
- 28:37contra character skill, habilidade, a perícia do jogador
- 28:41contra a perícia do boneco, do personagem.
- 28:44A galera costuma dizer que, bom, é diferente você ter ali as suas
- 28:48perícias, você ter seus atributos e tal, você ter tudo
- 28:51na sua ficha e você engajar com o mundo de aventura, né?
- 28:55Isso é a proposta um pouco do Finch.
- 28:56Aí, nesse ponto, ele começa a botar em xeque não a sua... a
- 29:01sua força, a sua destreza, os poderes que você tem em ficha,
- 29:05as suas perícias, contrastando com um D&D moderno, mas no D&D
- 29:08antigo você tem muito mais decisões ali de como você vai
- 29:11usar o seu martelo, de como você vai, de repente, engajar com a
- 29:18ficção, de como você vai investigar a ficção para
- 29:20desarmar uma armadilha, não dependendo da habilidade do seu
- 29:23personagem, né? Esses jogos antigos são mais
- 29:27enxutos, então ele propõe um estilo de jogo em que a gente
- 29:30deixa de lado as capacidades dos personagens e puxa mais para a
- 29:34capacidade do jogador engajar com a ficção e resolver os
- 29:39riscos da ficção sem necessariamente engajar com a
- 29:43esfera mecânica, mecânica de capacidade dos personagens em
- 29:47torno de perícias ou atributos. E em resposta a isso, muita
- 29:53gente traz um contraponto, que é o seguinte, olha, se eu não
- 29:57preciso saber como lutar com uma espada, eu não preciso saber
- 30:01como defender com escudo, ou como me comportar dentro de uma
- 30:04armadura, ou seja, se eu não preciso ser bom combatente
- 30:08enquanto jogador, porque o meu personagem é capaz de combater
- 30:12sem que eu saiba como combater, porque eu preciso fazer, eu
- 30:16mesmo quanto jogador, eu preciso saber fazer um discurso, para
- 30:20jogar com um personagem que sabe fazer um discurso social, num
- 30:24embate social. Por que o combate não pede que
- 30:29eu descreva com profundidade, que eu engaje com a ficção para
- 30:33entender como eu vou bater na armadura do cara?
- 30:36Porque no D&D clássico, que é de onde vem essa bravata do player
- 30:40skill, not character skill, né? Porque lá nesse jogo a gente
- 30:45joga o D-Vinte para fazer um ataque e a gente acerta ou erra,
- 30:48e na hora de fazer um discurso para o rei, aí a gente não
- 30:51enrola nada e eu tenho que discursar.
- 30:54Afinal de contas, meu personagem pode ser bom de combate, mas ele
- 30:57pode ser bom de discurso também. E aí no caso a gente vê essa
- 31:03briga de estilos, um estilo que compete a jogos que tratam
- 31:09mecanicamente, tentam resolver mecanicamente as capacidades dos
- 31:13personagens e outros jogos que tentam deixar isso de lado, mas
- 31:17que de uma forma muito poeril acabam de fato caindo nesse
- 31:21problema mecânico. apontado aí. Então a gente tem dois tipos de
- 31:25problema que a gente contrasta quando a gente engaja com jogos
- 31:29através das perícias, seja por abordar as perícias ou seja por
- 31:34não abordar as perícias. Eu vou primeiro trazer os
- 31:38problemas aqui da gente abordar as perícias, que é uma coisa
- 31:43importante da gente trabalhar. Quando a gente tem um personagem
- 31:48que tem perícias, e esse jogo contempla essas perícias, quer
- 31:52dizer que, de forma geral, se a gente comparar um personagem que
- 31:56é muito bom, que é perito em alguma coisa, com outro
- 31:58personagem que não é perito, esse personagem que é perito
- 32:02provavelmente vai ter vantagens mecânicas, ele vai ter bônus,
- 32:06ele vai ter algumas coisas que contemplam no jogo e na ficção
- 32:09criada o quão bom ele é naquilo. Então o jogo acaba levando para
- 32:16um lado que é de customização mecânica.
- 32:19As nossas capacidades aparecem no jogo através dessas opções
- 32:24mecânicas. E a gente, durante o jogo, na
- 32:26parte dinâmica do jogo, a gente acaba optando por acionar
- 32:30aquelas mecânicas que nos são mais favoráveis.
- 32:34Logo, a gente acaba acionando as perícias em que a gente é
- 32:37melhor, o que é muito natural, afinal de contas, Se eu sou um
- 32:41cara que é um pugilista e eu posso resolver as coisas no
- 32:45soco, por que eu vou tentar resolver as coisas na lábia se
- 32:48eu não consigo articular três palavras direito?
- 32:51Eu sei que é um preconceito contra pugilistas, né?
- 32:54Na história aí você vê que tem o Muhammad Ali, que é um cara
- 32:58genial. Mas a gente trabalhando o
- 33:02estereótipo, normalmente os RPGs trabalham com estereótipos, você
- 33:05não tem ponto suficiente para gastar em tudo.
- 33:08Então você vai mirar ali nas suas perícias de boxer, falando
- 33:12como meu avô falava, de boxer, e aí você vai resolver as coisas
- 33:16no que você é bom. Então você vai resolver as
- 33:18coisas no soco, por assim dizer. Então isso é como esse jogo
- 33:23trabalha as capacidades, né? Tem um episódio aqui do Café com
- 33:27Dungeons sobre regras Eliden. Nesse ponto, o que a gente acaba
- 33:31vendo é que a capacidade do seu jogador leva a uma abstração
- 33:35mecânica, né? Dizendo que o seu personagem é
- 33:38muito bom em, sei lá, em... luta corporal, em combate corporal,
- 33:44corpo a corpo e que a gente vai fazer uma rolagem que se você
- 33:47tirar um número muito bom você resolve isso, mas também vai
- 33:50dizer que se você for um personagem muito bom em Lábia
- 33:53por exemplo, você vai ter um bônus grande nisso, você vai
- 33:55resolver o Vai jogar o dado e resolver nesse ponto.
- 33:58E aí, nesse momento, a gente entende a crítica que se faz ao
- 34:03old school, o RPG old school. A galera olha e fala, bom, você
- 34:06consegue elidir, você tem regras que são abstratas e elidem o
- 34:10combate numa jogada de D&D. Por que a gente não tem nenhuma
- 34:13mecânica que faça a mesma coisa por uma situação social no D&D
- 34:18clássico? Será que não falta?
- 34:20E aí, no caso, é difícil a gente responder esse tipo de coisa a
- 34:25partir dos jogos old school, né? Porque, de fato, eles não têm
- 34:28grandes resoluções pra isso, né? O combate é feito de forma
- 34:32abstrata, sim, pelo menos como padrão lá, como o jogo descreve.
- 34:36E o jogo não traz ferramentas pra se resolver da mesma forma
- 34:40questões sociais, por exemplo, ou outras coisas, a não ser...
- 34:43Se você comece a adotar o teste de atributo mesmo como um espaço
- 34:46que você começa a largar isso, aí você vai fazer aquele
- 34:49clássico, rolar o vinte, tirar baixo do seu atributo, mas ainda
- 34:53sem muita opção mecânica como os jogos modernos começam a
- 34:57trabalhar e eles, a partir desse ponto de vista, apontam para os
- 35:00jogos antigos e falam, bom, vocês não tem grandes opções
- 35:03mecânicas por isso, logo meu jogo é melhor desenhado para
- 35:06esse tipo de coisa, né? Mas, por outro lado, a gente
- 35:10pode criticar esse partido de game design também, essa ideia
- 35:14de jogo. Porque, bom, beleza.
- 35:17Você pode elidir o combate e você pode elidir também a lábia.
- 35:21Você pode elidir a negociação. Você pode abstrair isso tudo
- 35:25numa rolagem de The Vintage. Mas se a gente partir desse
- 35:27ponto, por que a gente não pode elidir toda a viagem que a gente
- 35:31faz? E a gente resolve a viagem numa
- 35:35rolagem só. Por que a gente não pode elidir
- 35:38Toda a dungeon. A gente rola uma perícia de
- 35:41Dungeon Nearing e resolve a dungeon.
- 35:43Não preciso eu ver corredor por corredor e enfrentar cada
- 35:47desafio. Não, eu jogo a minha perícia de
- 35:49Dungeon Nearing e enfrento a dungeon e volto com o seu
- 35:54espólio. É possível.
- 35:55E se a gente estressar esse tipo de jogo, a gente vai levar para
- 35:59esse lado. Só que a gente tem que entender
- 36:01exatamente onde a gente quer chegar.
- 36:03É que o jogo não elida, a gente quer entender onde o jogo não
- 36:07abstrai, a gente tem que entender justamente que parte do
- 36:10jogo que a gente quer vivenciar. E se a gente tá falando de um
- 36:13jogo de Dungeons Dragons, a parte Dungeon, em teoria a gente
- 36:16quer vivenciar essa Dungeon. Então essa parte a gente não
- 36:20resolve numa rolagem só, né? Por outro lado, a lógica do jogo
- 36:26todo leva para esse lado de que, bom, se eu posso resolver toda
- 36:30uma negociação diplomática com o rei numa rolagem, é só porque a
- 36:34dungeon eu não posso resolver dessa forma.
- 36:36Então a mesma pergunta que a galera que gosta desses jogos
- 36:40mais modernos, que trabalham as perícias dessa forma, fazem para
- 36:43a galera do old school, a gente pode fazer também para isso
- 36:47aqui, porque logo a dungeon não... se afinal de contas a
- 36:50lógica do sistema a lógica do jogo do sistema acaba sendo essa
- 36:55e aí a gente acaba obviamente caindo para um lado de curadoria
- 36:59da experiência que obviamente o game designer vai ter e em mesa
- 37:03a gente vai fazer também e que obviamente vai ter que ter
- 37:06espaço para a gente debater e entender como resolver esse tipo
- 37:09de coisa provavelmente de acordo com o gosto do grupo Ou em jogos
- 37:13que são mais amarrados, com uma experiência mais fechada, o
- 37:16próprio jogo vai resolver essa experiência ali, mas você não
- 37:19vai ter muito jogo de cintura para fora da experiência que ele
- 37:22propõe. E aí, no caso, a gente pode
- 37:24trazer os PBTAs, o Dungeon World e outras coisas do gênero.
- 37:27Quando você não tem um movimento, ele não vai
- 37:29impulsionar a narrativa e acabou.
- 37:32Claro, você pode improvisar, de repente, movimento, sei lá, você
- 37:34pode improvisar algumas coisas, mas, de forma geral, o jogo não
- 37:38vai ligar para impulsos. Um jogo de experiência mais
- 37:40fechada não vai ligar para impulsos. que não sejam, dentro
- 37:43da narrativa que ele percebe, interessantes na experiência que
- 37:46o game designer quis passar. E aí nesse caso, a gente acaba
- 37:51percebendo que tem outras críticas também, como por
- 37:54exemplo a crítica do controle do Wii. que eu até já trouxe aqui
- 37:57no Café com Dungeon em outra oportunidade, mas que de forma
- 38:02geral a gente vai entender que os jogadores buscam o menor
- 38:07caminho para acionar a melhor chance que ele tem de resolver
- 38:11determinada coisa. Então, a gente vê que uma vez
- 38:16que o jogador sabe que o personagem dele tem uma perícia
- 38:20muito alta em determinada coisa, por exemplo, lábia, que ele vai
- 38:26tentar acionar a lábia. E ele vai tentar fazer isso da
- 38:29forma mais direta possível. Então ele vai engajar com a
- 38:32ficção somente o suficiente para que essa mecânica seja acionada.
- 38:38Então basta ele falar, pô, mestre, eu vou passar um
- 38:41lero-lero nesse cara. O mestre pode até pedir para
- 38:43você investigar mais. Pô, mas que lero-lero você vai
- 38:46passar? Ah, sei lá, meu personagem é bom
- 38:48em lero-lero, eu não sou. O mestre pode ficar perguntando,
- 38:52mas o jogo, em teoria, ele já tá resolvido ali.
- 38:55Inclusive tem muita gente que vai jogar D&D, tem jogado D&D,
- 38:59com o jogador mesmo pedindo a rolagem.
- 39:01Não, eu quero jogar, eu quero fazer uma rolagem de lábia.
- 39:06E no fim das contas, por mais que o mestre possa ficar fazendo
- 39:10perguntas e perguntas e perguntas, o jogador já decidiu
- 39:13que ele quer fazer aquele teste ali.
- 39:15Então, no fundo, a gente vai acabar pedindo que o jogador
- 39:19engaje na ficção somente o suficiente para a gente ficar
- 39:22convencido de que, bom, beleza, eu entendi o que você está
- 39:26fazendo. Muito provavelmente para
- 39:29entender o risco associado a isso, mas de forma geral o
- 39:31jogador vai fazer o mínimo possível, que é o mínimo de
- 39:34compromisso que ele vai ter a partir do teste.
- 39:35Se ele se compromete muito com o resultado, passa a ser
- 39:39desinteressante para ele, então ele vai forçar para se
- 39:42posicionar minimamente dentro daquilo.
- 39:45E no máximo vai se posicionar para buscar bônus, vantagens,
- 39:49etc. E aí a gente tem algum diálogo.
- 39:52Mas de forma geral, o jogador vai se posicionar minimamente,
- 39:56ele vai explorar a ficção, ele vai descrever o mínimo possível
- 40:00para acionar aquela mecânica que lhe é favorável.
- 40:02Até para garantir que seja ela que vai ser utilizada.
- 40:05Porque se ele descrever demais também, ele abre a possibilidade
- 40:08do mestre pedir outros testes associados.
- 40:11E para ele não é interessante isso.
- 40:13No caso, a gente está falando de que o jogador vai tentar fazer
- 40:16com que aquela mecânica abstração que aquele teste de
- 40:19perícia representa, sugue a ficção que lhe interessa.
- 40:25Muita gente critica isso dizendo que isso é o jogo de apertar
- 40:27botão. E quando isso acontece, acaba
- 40:31que fica muito nas costas do mestre dizer o que acontece a
- 40:35partir daquilo. Beleza, o jogador não é um
- 40:39expert em lábia. Então ele não sabe como mandar
- 40:43lábia. Aí ele fala, mestre, não sei
- 40:44muito bem, mas o personagem sabe.
- 40:46Ele vai mandar um KO aqui a respeito da família do guarda.
- 40:51Beleza? Aí o mestre fala, tá, beleza, é
- 40:52suficiente. Aí o jogador vai lá e tira
- 40:55sucesso. Agora o mestre provavelmente vai
- 40:59tentar entender como funciona aquilo na ficção e descrever.
- 41:03Bom, o guarda olhou e falou Puxa vida, cara, não sabia que o meu
- 41:08primo estava precisando de ajuda.
- 41:09Deixa eu correr lá para ajudar ele.
- 41:11Aí sai correndo. Mas acaba que nesse ponto o
- 41:15mestre pode até falar para o jogador fazer, para o jogador
- 41:17descrever. No Day Day isso é liberado.
- 41:20O mestre pode falar para o jogador descrever.
- 41:23E muito mestre pede para ele escrever, mas muitas vezes isso
- 41:26vai ser meramente estético, como acontece no combate.
- 41:29Conta aí como você deu a espadada que decapitou o
- 41:32Hobgoblin. Aí o jogador vai e descreve.
- 41:36acaba que é meramente estética essa descrição.
- 41:40É um posicionamento ficcional que ocorre depois da rolagem,
- 41:44mas que é muito limitada normalmente.
- 41:47E quando não é limitada, e eu acredito que de fato esse
- 41:51acionamento da ficção em feedback depois da rolagem, o
- 41:56teste de atributo, o teste de perícia, etc., isso faz a roda
- 41:59do jogo girar também, eventualmente, ainda que nem
- 42:02sempre. E quando faz a roda do jogo
- 42:04girar? Quando você faz de conta,
- 42:08consegue um efeito prático, você consegue fazer com que o jogo
- 42:12ande a partir daquilo para o que você desejou.
- 42:14Então eu vou dar um exemplo aqui. faz de conta que você
- 42:18conseguiu, vocês encontraram uma nave espacial alienígena e você
- 42:24vai investigar aquilo. E o mestre fala, bom, então rola
- 42:26isso, o dado de mecânica. Aí você rola ali e o mestre
- 42:30fala, ah, você descobre aqui vários subsistemas e entende
- 42:33mais ou menos como é que funciona.
- 42:34Para isso, não ser... E aí ele pode falar, descreve aí
- 42:38o que você descobre. O jogador pode até inventar
- 42:40várias coisas. Ah, eu vejo várias luzinhas, eu
- 42:42vejo aqui onde aciona o motor, onde aciona isso, aciona aquilo.
- 42:47Mas isso vai impactar no jogo mesmo quando o jogador
- 42:49perguntar, cara, eu consigo agora fazer essa máquina voar?
- 42:53Ou eu consigo, de repente, acionar... o mecanismo de
- 42:57probing da nave espacial para fazer uma varredura do espaço
- 43:01com os sensores e ver o que tem em volta da gente, nesse ponto,
- 43:05sim, a ficção passa a ser rica o suficiente.
- 43:08Mas nesse ponto, o que você está fazendo?
- 43:10Foi a perícia que indicou isso? Ela não tem isso construído
- 43:13nela. A perícia só indicou o momento
- 43:15ali que você levou o faz de conta para frente.
- 43:20E se você consegue fazer de conta que essa nave...
- 43:24Parece fazer sentido que ela tenha um mecanismo de varredura
- 43:27do espaço, de probing. Se faz sentido isso, tudo mais
- 43:31você está fazendo de conta. E se você consegue fazer de
- 43:34conta depois da rolagem, você consegue fazer de conta antes da
- 43:37rolagem também. Talvez a ponta até da rolagem
- 43:41não ser necessária, como naquele gameplay que eu simulei na
- 43:46introdução do episódio. Com licença, meus caros.
- 43:54Terei eu ouvido direito? Vocês estão em busca de ouro e
- 43:57glória? Pois eu posso lhes ajudar.
- 44:00Meu nome é Almir Cego e eu estou nessa taverna há algum tempo,
- 44:04ouvindo histórias de bravura e coragem de aventureiros que
- 44:07passam por aqui. Eu posso lhes falar sobre o que
- 44:10está para além da gaiola, as ruínas deixadas pelos antigos,
- 44:14as planícies de nuvens negras, a floresta do vento infinito, a
- 44:18lenda do messias élfico ou até mesmo o que está aqui dentro.
- 44:22Os mistérios sobre as sombras das torres douradas sobre as
- 44:25nossas cabeças. Meu preço?
- 44:29Ora, eu só peço para que, ao retornarem, vocês contem suas
- 44:33histórias para mim. É a forma que eu tenho de ver o
- 44:36mundo novamente, pelas histórias de aventureiros valorosos como
- 44:39vocês. Treman, a gaiola dourada, é um
- 44:48jogo de RPG de mesa aberta, no sistema Caves Hexes, usando o
- 44:52estilo oil fantasy e o modelo Arslud.
- 44:55Vem explorar os ermos corrompidos pela estranheza,
- 44:57cheios de tesouros e oportunidades.
- 44:59Ou venha caminhar pelas ruas de Treman, cheias de perigos e de
- 45:03segredos. Os habitantes da última cidade
- 45:05do mundo aguardam por você. Que tal ver o que tem para além
- 45:10da gaiola? Com imaginação!
- 45:28Posso ser o que eu quiser! Aí no caso a gente pensa, o que
- 45:35é você interpretar um personagem, você jogar com o
- 45:39personagem, usar esse personagem como seu ponto de interação com
- 45:43o mundo, e esse personagem é um mecânico espacial, um cara que
- 45:48tem conhecimento de mecânica de espaçonave.
- 45:51O que isso significa? Significa que a gente consegue
- 45:54fazer de conta que ele manja de espaçonave, E você consegue
- 45:59fazer de conta que aquela espaçonave teria, provavelmente,
- 46:03um mecanismo de probing. Então você não precisa, de
- 46:05repente, pedir uma rolagem para saber sobre isso.
- 46:08Você fala, bom, mestre, eu sou um mecânico, vou investigar para
- 46:12ver se tem algum mecanismo de probing aqui.
- 46:16E aí o mestre pode falar, tem, mas esse mecanismo de probing
- 46:19está precisando... de um fusível ou tá precisando de um líquido,
- 46:25shbrubble sei lá, a gente começa a inventar em cima a gente
- 46:28começa a fazer de conta isso e dentro disso a gente começa a
- 46:31trazer ganchos de aventura, a gente começa a trabalhar alguns
- 46:35riscos, a gente começa a a botar alguns dilemas, por exemplo.
- 46:40Aqui a gente vê que a nave tem combustível suficiente, ou sei
- 46:44lá, energia suficiente para fazer determinada coisa, mas aí
- 46:50a gente teria que gastar o combustível aqui e não, de
- 46:52repente, gastar o combustível no gerador de energia para o povo
- 46:56da cidade tal. E aí?
- 46:58Esse dilema é muito mais importante, talvez, tem muito
- 47:02mais carne aí, do que de repente a gente ficar preso no teste da
- 47:09coisa. E a gente quando tem essa
- 47:13tendência de buscar o teste, porque ele é abstrato, parece
- 47:19que ele resolve as questões ali antes, ele se imprime antes.
- 47:23Muita gente vai falar, mas aí o correto é você jogar o teste
- 47:27quando tem uma chance de falha. Alguns sistemas eles indicam
- 47:31melhor isso, quando tiver algum problema, quando tiver algum
- 47:35risco muito claro. Aí você faz o teste, né?
- 47:39E você pede aquele teste. Isso, sem dúvida, é a melhor
- 47:43prática. Mas muitas vezes você vai
- 47:45conseguir fazer com que o jogo corra com aquele risco, vai
- 47:49poder levar em conta aquele risco, vai poder levar em conta
- 47:52todas aquelas questões, sem que necessariamente o que esteja em
- 47:56jogo para resolver é a capacidade do seu personagem
- 47:58resolver. em resolver aquilo, mas sim a sua capacidade de
- 48:04imaginar e dialogar em cima daquela ficção com o mestre, com
- 48:09os jogadores em volta, como eu botei lá na introdução.
- 48:14Então, nesse ponto aqui, eu acho que a gente chegou em duas
- 48:17críticas. Uma crítica que a gente pode
- 48:18fazer aos jogos old school, que tem uma mecânica que elide, que
- 48:26abstrai o combate, mas não tem nenhuma mecânica que abstrai,
- 48:30por exemplo, um uma lábia, ou uma negociação, ou alguma coisa
- 48:35assim, nada social, nem nenhuma outra coisa, a não ser, no
- 48:39máximo, um teste de atributo ali, bem abstrato, bem sem
- 48:44ferramenta mesmo, ou a gente tem, de forma geral, os sistemas
- 48:49que puxam para o lado mais mecânico da coisa.
- 48:52É claro que a gente vai vendo que os sistemas, tanto os old
- 48:56school, com teste de reação, com moral, ou os testes dos jogos
- 49:04mais recheados de mecânicas, vão trazer novas opções, opções
- 49:09mecânicas, vão trazer decorrências disso, vão receitar
- 49:13o melhor momento de rolar, mas de forma geral são esses
- 49:16problemas que a gente vai ver nos dois estilos.
- 49:18No old school, você vai ver que o sujeito que bate bem, ele olha
- 49:23ali e fala, cara, é mais fácil resolver na porrada aqui. em
- 49:28algumas vezes, porque ele consegue apalpar a mecânica ali,
- 49:31o personagem dele tem menos um de armor class, o personagem
- 49:34dele tem um taco bom, ele vai enfrentar mais fácil, ele
- 49:38consegue prever mais facilmente o resultado do que se ele tentar
- 49:42dialogar, e aí ele fica na mão do mestre, o mestre decide se o
- 49:45diálogo foi bom ou se não foi, no meio das hipóteses ele pede
- 49:47um teste, então fica uma coisa meio nebulosa, pelo menos nos
- 49:51old school ali, se você não tiver nenhum... nenhum estilo
- 49:55que você tenha pensado, nada que vai resolver essas questões.
- 49:59E nos jogos modernos você tem essas outras questões aí de
- 50:03jogar o jogo muito pela abstração e não pela ficção em
- 50:07si. E aí isso acaba deixando o faz
- 50:09de conta de lado. Bom, aí nesse caso eu começo a
- 50:15criticar essas duas coisas a partir de uma pergunta.
- 50:20A gente precisa jogar sempre em torno da aleatoriedade?
- 50:25Me parece que isso é um outro paradigma.
- 50:28A gente sabe quanto a gente é capaz, a gente entende que a
- 50:32gente tem um bônus a respeito, que a gente vai rolar um dado de
- 50:34acordo, e que existe uma rolagem ali, uma resolução aleatória,
- 50:39porque tem que comportar a chance daquilo dar errado.
- 50:45Eu gostaria de lembrar que nem sempre essa questão de jogar a
- 50:50chance, de buscar aleatoriedade, é a forma de resolver conflitos
- 50:55em passos ficcionais ou narrativos no RPG.
- 51:00Se a gente for buscar a galera da Forge, e até o Jonathan
- 51:04Tweets, no caso aqui, que é o cara que falou a respeito disso,
- 51:07ele delimitou ali chance, carma e drama, que o Ron Edwards cita
- 51:13depois num artigo que eu vou deixar linkado no descritivo do
- 51:17episódio. E a gente fazer uma resolução de
- 51:20impasse ficcional por chance, É o que a gente está acostumado
- 51:24aqui, rolar o dado, ver se você falha, se é bem sucedido, é o
- 51:27que a gente está falando. E aí a gente tem Savage Worlds,
- 51:30a gente tem D&D, a gente está cheio de exemplos de jogos que
- 51:33se resolvem no Menera, jogos que se resolvem pela chance, nos
- 51:36impasses ficcionais. A gente tem outros jogos, ou
- 51:40jogos que misturam as coisas, que trazem resolução por drama.
- 51:46E aí eu vou dar um exemplo, normalmente por drama é gasto de
- 51:49recurso narrativo, então você tem por exemplo o Fate, que tem
- 51:53uma economia de Fate Points, e essa economia, esses pontos de
- 51:57Fate você usa para invocar certos aspectos, esses aspectos
- 52:01aí eles se relacionam ali, eles dão certos bônus ali,
- 52:06ficcionais, certos momentos ali, e se relacionam também com as
- 52:09próprias perícias. Então, você pode ter ali alguns
- 52:13momentos em que você aciona na ficção determinada
- 52:15característica sua, ou determinada característica do
- 52:18ambiente, ou determinada característica geral ali, e
- 52:22aquilo ali impacta na tua rolagem.
- 52:24Ou você tem até uma coisa mais localizada nas habilidades
- 52:27mesmo, né? Efeito tem esse bônus de que não
- 52:32seriamente os aspectos passam pelas capacidades dos
- 52:36personagens, ainda que ele tenha perícias também.
- 52:38Mas os aspectos são invocados a despeito disso às vezes, né?
- 52:42até pelo próprio ambiente, pela arma que você tem na mão, etc,
- 52:45etc, que é muito legal e me influencia pessoalmente.
- 52:49Mas a gente tem aí o rastro de Cthulhu, que fica mais
- 52:53circunscrito às capacidades dos personagens em relação ao gasto
- 52:56de drama, de pontos de drama, e especificamente nas habilidades
- 53:01investigativas, ou seja, uma lente muito importante para esse
- 53:04jogo é olhar os personagens a partir das suas capacidades
- 53:07investigativas que vão dar pontos que serão gastos na
- 53:11obtenção de pistas. Então você vai gastar como
- 53:15recurso, não é uma chance. Você gasta e ganha, e aí você
- 53:20perde aquele recurso narrativo, ou aquele recurso de impactar na
- 53:24ficção. a gente tem também outro tipo de resolução, que eu falei
- 53:29que é o karma, segundo o Jonathan Tweets, autor de As
- 53:33Mágicas, autor aí do Décima Terceira Era, etc, etc.
- 53:40Mas ele traz a resolução por karma.
- 53:42E resolução por karma é quando você conhece a gênese do
- 53:47personagem, as capacidades do personagem até, mas até as
- 53:52condições também em volta dele e tudo mais.
- 53:55E você fala, bom, já que as coisas são assim, a gente em
- 53:58cima disso aqui com o parâmetro, né?
- 54:01como é o ambiente, como é o personagem, quais são os
- 54:05atributos do personagem, etc. Você não rola o dado, você
- 54:09decide, porque você fala, bom, existe um rio aqui, e para você
- 54:13conseguir nadar nesse rio contra a correnteza, você precisa ter
- 54:17força quinze ou mais, no D&D clássico, por exemplo.
- 54:21Isso é uma resolução por karma, você está dizendo que você está
- 54:24usando, inclusive, o atributo do personagem... pra medir a força
- 54:29do rio. Mas no caso aqui, o que tá sendo
- 54:31mais importante aqui é a força do rio até pra dizer se um
- 54:36personagem vai ou não conseguir nantar ali naquela correnteza.
- 54:40E se o personagem não é forte o suficiente, você fala, cara,
- 54:42você pula ali, você começa a ser levado pelo rio, o que você vai
- 54:46fazer pra tentar evitar isso? E aí o jogo continua.
- 54:49Então a gente tem aí três tipos de resolução diferente de
- 54:54conflito no jogo. A gente não precisa sempre ir
- 54:56pela chance daquilo acontecer. No D&D clássico também tem um
- 55:00exemplo disso, que é o carisma também sendo usado como karma.
- 55:05Obviamente que a gente está olhando por um dos seis
- 55:07atributos, no caso o carisma. Gary Gygax coloca que se você
- 55:11tiver um guerreiro com carisma baixo, quando ele encontra uma
- 55:15bruxa, essa bruxa tenta matar ele ou transformar ele num sapo.
- 55:18Enquanto um guerreiro de carisma alto, essa bruxa vem, chega e o
- 55:22mestre pode decidir facilmente que pelo carisma alto essa bruxa
- 55:25quer capturar ele para manter ele sempre ali como
- 55:28entretenimento ou como algo belo de se olhar, sei lá.
- 55:32Enfim, a gente acaba tomando decisões nem sempre por conta de
- 55:36aleatoriedade. E me parece interessante isso,
- 55:39porque nem sempre o aleatório é o mais apropriado para a gente
- 55:45resolver a coisa. Até tem uma discussão
- 55:47interessante, que eu ainda vou trazer mais aqui para o Café com
- 55:50Dungeon, mas é discutir se, às vezes, o mestre trazer o
- 55:55aleatório, muitas vezes é ele querendo abrir mão da sua
- 55:59arbitrariedade, sendo que muitas vezes ele está dentro do seu
- 56:03espaço de arbitrariedade mesmo, ele pode decidir a despeito das
- 56:06chances, então a gente tem outras formas de resolução de
- 56:09conflito que se acoplam a isso, mas isso é mais um parênteses
- 56:12aqui para a gente começar a criticar a ideia de que sempre a
- 56:16gente vai precisar, no fim das contas, testar as habilidades
- 56:20dos jogadores, nem sempre é assim.
- 56:22Mas, além disso, eu queria começar a trazer uma outra
- 56:27crítica, um outro olhar sobre esse panorama que eu trouxe,
- 56:32tanto dos jogos old school quanto dos jogos modernos, a
- 56:34respeito de como eles trabalham os impasses ficcionais, é de que
- 56:39a gente está jogando jogos de faz de conta.
- 56:43E dentro de jogos de faz de conta, a gente também faz de
- 56:46conta que a gente sabe uma coisa que o nosso personagem... sabe e
- 56:51a gente não sabe. Trocando em miúdos para ficar
- 56:55mais claro, se o seu personagem é um grande mecânico espacial,
- 57:00certamente ele sabe lidar com várias tecnologias que você,
- 57:02jogador, não sabe. E aí nesse ponto, como é que a
- 57:06gente traduz isso em jogo? Muita gente critica Jogos Old
- 57:10School por isso, meu personagem pode ser um ladrão bolado, um
- 57:16mega ladrão, mas ainda assim, nem sempre ele vai ter
- 57:20capacidades ali que reflitam o quão bom ele é naquela ladinagem
- 57:24dele. Principalmente se você jogar de
- 57:26forma dura ali com as habilidades de ladrão do old
- 57:30school. Mas isso vale também pra você
- 57:33pegar jogos de old school e de repente extrapolar pra jogos
- 57:36modernos ou jogos de gangster, como tem aí.
- 57:40Você precisa de certa forma ali trabalhar um pouco melhor as
- 57:43capacidades dos personagens que sairiam do padrão do aventureiro
- 57:48comum do D&D que tem aquelas habilidades ali de ficha que são
- 57:51muito clássicas do dungeon crawl.
- 57:55Mas nada disso passa muito por a gente fazer de conta, né?
- 57:59Passa por a gente querer registrar na ficha, por a gente
- 58:02querer impulsos mecânicos, uma contemplação mecânica desse tipo
- 58:06de coisa, o que é muito compreensível.
- 58:10Porque uma vez que tá na mecânica, a gente tende a fazer
- 58:13o jogo funcionar daquela forma e a gente garante que aquilo vai
- 58:17entrar em jogo. Mas... a gente pode levar isso
- 58:21para um aspecto menos abstrato. A gente pode trazer o faz de
- 58:24conta para um aspecto mais concreto.
- 58:28Ora, a gente não consegue fazer de conta que a gente sabe, como
- 58:34jogador, como funciona aquela nave espacial que está ali,
- 58:37porque, assim, essa nave espacial não existe.
- 58:41Aquela tecnologia não existe também.
- 58:44E mesmo que existisse. Você conhece?
- 58:46Vamos dizer que é uma tecnologia sobre caça... caça supersônico.
- 58:52Você sabe como é a tecnologia do caça supersônico?
- 58:55Cada peça? Eu não sei.
- 58:56O mestre não sabe, os outros jogadores não sabem.
- 58:59Mas a gente pode fingir, a gente pode fazer de conta que a gente
- 59:02sabe. Se a gente olhar para o que tem
- 59:05em volta dos personagens e o que tem além aqui em jogo, além das
- 59:09suas capacidades, a gente vai ver que a ficção traz um
- 59:13material muito rico em aventura que a gente pode imaginar.
- 59:18A interação em si, mesmo que a gente faça de conta a coisa, ela
- 59:24já é desafiadora e vai trazer desafios interessantes no
- 59:28próprio diálogo ficcional, ainda que uma mecânica não seja
- 59:33necessariamente acionada para resolver aquilo.
- 59:37Então, a gente pode entender como alguns detalhes que a gente
- 59:43vai enriquecendo na aventura ali, mesmo que seja invencionice
- 59:46pura, a gente vai enriquecendo a ficção dentro desses detalhes e
- 59:51vai vendo eles desdobrando em aventuras que às vezes a gente
- 59:55não tinha nem pensado. Como lá no exemplo da
- 59:58introdução, o jogador que resolveu checar carcaças dos
- 1:00:03abutres que a gente tinha descrito ali no... no deserto
- 1:00:07para ver se ali naquelas carcaças ele encontrava uma
- 1:00:11criatura mamífera de grande porte para ele poder tirar o
- 1:00:15couro e trabalhar o couro para construir a correia que ia fazer
- 1:00:18o carro ligar olha como isso deu uma aventura interessante a
- 1:00:22gente não testou se ele de repente ia ter essa ideia Ah, o
- 1:00:26seu personagem mexe com veículos, então ele teve aqui, a
- 1:00:30gente jogou aqui teste de perícia dele, viu que se você
- 1:00:34arrumar uma correia, não sei o que, não sei o que, pô, é só
- 1:00:37trazer esse faz de conta pra antes da rolagem.
- 1:00:40Olha, você viu que tá faltando uma correia, o jogador fala,
- 1:00:44olha, então eu vou tentar providenciar essa correia.
- 1:00:48Será que é importante, né, você trabalhar... a obtenção ou a
- 1:00:53percepção de que precisa dessa correr, na minha cabeça não, é
- 1:00:56mais fácil você dar corda pra aventura, assim como num jogo de
- 1:01:01D&D hoje em dia e tal, você não vai abstrair o Dungeon Crawl
- 1:01:06inteiro numa rolagem só. Por quê?
- 1:01:07Porque você quer jogar o Dungeon Crawl.
- 1:01:09E por que não jogar a ficção no jogo?
- 1:01:12A gente pode fazer o jogo de jogar mais profundamente a
- 1:01:15ficção e ir dando corda para essa invencionice que a gente
- 1:01:18pode brincar, fingir que a gente sabe.
- 1:01:21Fingir que a gente sabe como é a engrenagem daquela nave.
- 1:01:26Mas mais importante do que aquilo, a gente saber que, bom,
- 1:01:30pode faltar uma peça. Que tipo de peça?
- 1:01:33Ah, uma peça assim assada. E como é que a gente pode
- 1:01:35conseguir isso? Ah, de repente a gente consegue
- 1:01:37não sei onde. Ah, a gente pode ir lá se
- 1:01:39aventurar pra conseguir aquilo. Então isso vai trazendo o jogo,
- 1:01:43isso vai construindo o jogo. sem necessariamente a gente fazer
- 1:01:47uma... a gente considerar algo que está acontecendo aí em
- 1:01:50passe. E quando aconteceu em passe, a
- 1:01:52gente pode abrir as formas de resolução para além dos testes
- 1:01:56de atributo, permitindo que a gente use outras lentes e não a
- 1:02:00lente das capacidades dos personagens, que é uma coisa tão
- 1:02:04meritocrática, por assim dizer. Então esse tipo de coisa, esse
- 1:02:08tipo de cena que a gente viu na introdução, ela é impossível de
- 1:02:12acontecer sem ninguém entender de carro.
- 1:02:14Eu não entendo de carro, mas eu falei do motor, faz sentido, né?
- 1:02:17Motor funcionar como o coração do carro, ter ali combustível
- 1:02:20alimentando... ter refrigeração, ter esse tipo de coisa faz
- 1:02:24sentido, eu sei que é assim não sei, pra ser sincero eu não sei
- 1:02:28eu não entendo de mecânica de carro mas a gente tá acordando
- 1:02:32que é assim, a mesa tá combinando de que essa ficção é
- 1:02:35assim e isso parece verossímil o suficiente pro jogo que a gente
- 1:02:41tá fazendo e a gente consegue combinar em cima disso a gente
- 1:02:44consegue brincar em cima disso a gente consegue jogar em cima
- 1:02:47disso Pelo senso comum das coisas que a gente tem ali, a
- 1:02:52gente consegue ir organizando o que é comum pra gente.
- 1:02:56Afinal de contas, esse mundo de aventuras é um espaço imaginário
- 1:03:01coletivo. Ele só precisa que a gente tenha
- 1:03:05essa concordância de que aquilo ali é verossímil pro que a gente
- 1:03:09tá fazendo. E nesse caso, essa discussão
- 1:03:13sobre verossimilhança... A gente faz bastante em Wild
- 1:03:15Fantasy... E coloca o controle de
- 1:03:17verossimilhança na mão de todos à mesa.
- 1:03:18Ou seja, se acontece alguma coisa muito extravagante...
- 1:03:21Que parece que está fora do sentimento de real...
- 1:03:25A gente vai lá e veta. Mas isso, ainda assim, é melhor
- 1:03:28a gente... Em vez de vetar, perguntar...
- 1:03:30Mas como é que você está enxergando isso acontecer?
- 1:03:33E aí alimenta a ficção, deixa a coisa acontecer.
- 1:03:37A conclusão que eu chego a partir disso...
- 1:03:39É que, bom, a gente pode jogar o jogo olhando em torno, olhando
- 1:03:45as coisas em volta, olhando outros elementos da ficção que é
- 1:03:49muito rica de forma geral, ou que a gente pode buscar
- 1:03:52enriquecer a ficção com perguntas, com provocações. com
- 1:03:56faz de conta, a gente pode enriquecer a ficção, até a gente
- 1:04:00conseguir fazer com que o jogo ande em cima disso, em cima da
- 1:04:04ficção, em cima do que é mais concreto, antes da gente
- 1:04:07recorrer às mecânicas mais abstratas e deixar elas para
- 1:04:11pontos muito mais importantes e relevantes, como por exemplo,
- 1:04:14quando um risco muito claro é assumido, aí sim a gente busca
- 1:04:17uma ferramenta pra resolver isso de alguma forma, né?
- 1:04:21Ou faz uma negociação em cima, ou fala, olha só, você tá
- 1:04:24tentando nadar contra a correnteza, mas você é muito
- 1:04:27fraco em relação à força da correnteza.
- 1:04:30O jogador fala, cara, mas e se eu jogar fora minha mochila e
- 1:04:33meu equipamento, deixar o equipamento ir, eu consigo pelo
- 1:04:36menos me agarrar na margem? Você fala, pô, consegue.
- 1:04:39Faz sentido, tua força não é tão mais baixa do que o necessário
- 1:04:42pra nadar contra a correnteza, então pelo menos chegar na
- 1:04:45margem você consegue e você larga o teu equipamento.
- 1:04:49Há muitas outras formas de resolver os impasses que não
- 1:04:53fazer essa velha rolagem de atributo ou de perícia que a
- 1:04:57gente está acostumado. E aí a gente se pergunta, mas e
- 1:05:01as capacidades dos personagens? Elas não influenciam no jogo?
- 1:05:06Não é interessante que influencie?
- 1:05:07Afinal de contas eu sou o Sherlock Holmes, afinal de
- 1:05:10contas eu sou o Rocky Balboa. E, bom, a gente tem muitas
- 1:05:14formas de a gente fazer com que essas perícias e esses
- 1:05:17atributos, ou quem é o seu personagem, ou as tags que ele
- 1:05:21tem, as etiquetas que o personagem tem, as etiquetas
- 1:05:25descritivas ou qualquer outra coisa assim, a gente pode
- 1:05:29entender que tudo isso pode influenciar não necessariamente
- 1:05:33em uma rolagem ou num esquema de resolução de conflito, A gente
- 1:05:41pode pensar que essas capacidades podem influenciar o
- 1:05:44próprio diálogo ficcional, como eu botei até lá no diálogo no
- 1:05:51início do episódio, na introdução.
- 1:05:55Quando tava um personagem ali... Que não tinha...
- 1:06:00Que era mais um arrombador... Um cara que mexe com...
- 1:06:04Um pé de cabra e tudo mais... A descrição que eu fiz pra
- 1:06:07ele... Das entranhas da máquina...
- 1:06:09Do carro... Foi muito mais geral...
- 1:06:12Ele podia até ficar perguntando ali...
- 1:06:14Especificamente o que era cada coisa...
- 1:06:17Mas depois que chegou o personagem que era mecânico...
- 1:06:20Que costumava trabalhar com engenhocas e tal... eu acabei
- 1:06:24dialogando com ele com mais detalhes, acabei puxando mais
- 1:06:27esses detalhes junto com ele para a gente enriquecer junto
- 1:06:30essa ficção de uma forma mais solta, porque o personagem dele
- 1:06:34é capaz disso e isso influencia o nosso diálogo, então eu falei,
- 1:06:37parece um coração bombeado por não sei o que, com fluxos de
- 1:06:41líquidos para ali para dentro e tal, então a gente vem em
- 1:06:45conjunto enriquecendo essa ficção em torno disso, porque o
- 1:06:48personagem dele é bom disso. E depois, até no terceiro
- 1:06:51momento, quando veio o terceiro personagem, que é o alquimista,
- 1:06:55ele mesmo desembestou a falar coisas, hipoteticamente, claro,
- 1:06:58porque era eu representando ele, mas o exemplo é que ele mesmo,
- 1:07:02como jogador, saiu puxando aventuras e formas de resolver
- 1:07:07isso a partir de uma ficção que foi criada ali, enriquecendo
- 1:07:10ali, e a partir disso deu aventura.
- 1:07:13A ficção, conforme se enriquece, ela vira pano pra manga, né?
- 1:07:17Ela dá pano pra manga. A gente acaba podendo usar ela
- 1:07:19como material de aventura cada vez mais.
- 1:07:22Então, às vezes, os próprios jogadores percebem essas
- 1:07:25oportunidades de aventura ou vão tentar resolver de uma forma
- 1:07:29mais imediata, tentando falar, cara, eu vou tentar improvisar
- 1:07:32isso aqui. Você fala, bom, se é
- 1:07:33improvisado, você sabe que pode ser que não dure muito, né?
- 1:07:37Então, pode ser que isso venha a gerar um risco no futuro.
- 1:07:41Você guarda isso pra usar, eventualmente, né?
- 1:07:44Eu acho muito interessante a gente poder ter esse tipo de
- 1:07:47diálogo enriquecido pelas capacidades dos personagens, mas
- 1:07:50que não são a única forma de resolver a ficção.
- 1:07:55Eles informam a ficção como mais um dado daquela realidade
- 1:07:58simulada. Como eu falei lá, a gente pode
- 1:08:01utilizar inclusive essas capacidades dos personagens como
- 1:08:04parâmetro, para parametrizar a interface do jogador através do
- 1:08:09seu personagem com o mundo coletivo imaginário.
- 1:08:12Aquele rio que você precisa de força de dezesseis para nadar
- 1:08:15contra a corrente porque ele está muito forte.
- 1:08:17Então a gente acaba usando como ferramenta esse retrato da
- 1:08:23capacidade do personagem, ainda que a gente não esteja testando
- 1:08:27a força dele ali, a força dezesseis dele.
- 1:08:29Não, é só um parâmetro. Talvez fingir que você é o
- 1:08:33Sherlock Holmes ou um dos maiores atletas de cuspe à
- 1:08:36distância do mundo não seja sobre rolar aleatoriamente para
- 1:08:43entender um erro que você pode cometer mas sim de levar para
- 1:08:47frente a ficção até que apareçam decisões interessantes no faz de
- 1:08:52conta que apontem para conflitos interessantes que o Sherlock
- 1:08:56Holmes vivenciaria ou que o cuspidor à distância, o melhor
- 1:09:01do mundo vivenciaria o erro, a falha nas suas capacidades,
- 1:09:06acredite ela nem sempre Será o melhor que um jogo pode dar...
- 1:09:12O que mais importa... É como você se relaciona com os
- 1:09:15conflitos do jogo... Dentro das suas agendas
- 1:09:18criativas... E entender que isso...
- 1:09:21Pode ser mais solto... Isso pode olhar...
- 1:09:25Para além dessas mecânicas centrais...
- 1:09:27Que são tão abstratas... Porque se a gente levar a sério
- 1:09:31demais... As capacidades de cada
- 1:09:33personagem... A gente vai acabar no fundo...
- 1:09:36Com uma rolagem só para resolver o jogo...
- 1:09:39Aí, irmão, rola aí a sua perícia de imaginação.
- 1:09:45Com imaginação posso ser o que eu quiser.
- 1:09:51Bom, terminando aqui, eu vou deixar uma pergunta para você.
- 1:09:55E aí, cara, você explora muito a ficção ou você é mais de rolar o
- 1:10:02dado? Como é que você trabalha?
- 1:10:05Você vai mais para esse caminho de ficar investigando a ficção,
- 1:10:08os pormenores e tal? Ou você gosta de caminhos mais
- 1:10:11abstratos, que puxam a rolagem de cara?
- 1:10:13Comenta aí para a gente. E eu vou deixar uma pergunta de
- 1:10:16sim ou não também. E aí?
- 1:10:18o que você achou? você acha que esse tipo de jogo
- 1:10:22mais baseado ali no diálogo ficcional e não sinceramente no
- 1:10:27aspecto mais abstrato das mecânicas te agrada?
- 1:10:31manda aí pra gente então agradeço pela participação
- 1:10:36lembrando aí que, bom, a gente vai deixar os links citados no
- 1:10:42descritivo do episódio pra você acompanhar, principalmente os
- 1:10:45links aí dos anúncios e dos episódios citados do Café com
- 1:10:50Dungeon, né, que a gente teve aí durante o episódio.
- 1:10:53No mais, apoia o Café com Dungeon, se você quer que o Café
- 1:10:57com Dungeon volte a ter cinco episódios na semana, considera
- 1:11:00apoiar o projeto aí, a sua expansão lá no apoia.se. barra
- 1:11:05Café com Dungeon, se você gostou especialmente do café hoje,
- 1:11:07deixa pra gente uma gorjeta manda seu pix em qualquer valor
- 1:11:10pra cafécomdungeon.com onde a gente conta com você, se você
- 1:11:13tem uma empresa ou uma marca e quer ter um dia da semana no
- 1:11:16Café com Dungeon, finance mais um episódio semanal do podcast
- 1:11:20Faça Alegria da Massa RPGista Consulta aí a gente em
- 1:11:23cafécomdanjo.com que a gente tem uma proposta especial pra você.
- 1:11:27Você pode consultar a gente também sobre parcerias e
- 1:11:29anúncios. A gente trabalha com marca de
- 1:11:31RPG e também outros ramos, como cafés, alimentos, jogos,
- 1:11:35tecnologia, mídia, etc. Se você é um produtor de
- 1:11:38conteúdo, game designer independente, acadêmico ou fã e
- 1:11:41quer participar do projeto, conta aí pra gente como você
- 1:11:43quer colaborar. Manda um e-mail pra
- 1:11:45cafécomdanjo.com No mais, agradecer a galera que torna
- 1:11:49possível essa aventura. Agradecer aí ao Lúcio Pimentel,
- 1:11:55do nível de apoio Incentivo, um dentre os assinantes do nível
- 1:11:59Incentivo. Valeu demais ao pessoal do nível
- 1:12:01de apoio Comunidade, incluindo aí Dani Marques, Léo Paixão,
- 1:12:04Ícaro Augustino. Um salve especial para os
- 1:12:07assinantes do nível RPG Dojo, dentre eles o Marcos Vinícius
- 1:12:10Ornelas, o Matheus Coleto, o Pedro Verle, o Rudolf Helmut e o
- 1:12:14Vinícius Caldas. E um abraço aos membros do
- 1:12:16treinamento Oil Fantasy. Eles são Abílio Júnior, Bruno
- 1:12:19Cobb, César Machado, Daniel Aydar, Diego Sestito, Douglas
- 1:12:24Baiense, Gui Providello, João Burlamac, Léo Gasparotto Menini,
- 1:12:31Marcos Gonçalves, Matheus Piqueira e Rafael Bardal.
- 1:12:36Um abraço imenso também ao nosso assinante Café com Balbi.
- 1:12:40Valeu demais pelo teu apoio desde sempre, Thiago Augusto.
- 1:12:44Valeuzaço. Até a próxima.
- 1:13:40Nós não precisamos de TV. Não enquanto nós dois tivermos
- 1:13:44imaginação. Uau, eu nunca pensei desta
- 1:13:50forma. Realmente é alguma coisa.
- 1:13:53Posso ficar com a TV?