Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 18 de setembro de 2024
Transcript
- 0:00A universitária FM apresenta rádio livre conversando nas
- 0:05ondas do. Rádio, 7 horas e 32 minutos.
- 0:21A gente tá no ar pra se informar, saber o que é que há
- 0:25pra se ajudar, a gente tá no ar pra se comunicar.
- 0:30A gente está no ar pra se divertir, pra falar eu vim pra
- 0:34dançar e pra ficar feliz, pra ser livre, rádio, livre rádio,
- 0:40livre. Os destaques do rádio livre
- 1:12desta quarta-feira, 18/09/2024 o conselho nacional de justiça
- 1:21autoriza verba do judiciário para combate a Queimadas.
- 1:27A festa das bets vai acabar a partir de outubro.
- 1:32Quem não tiver autorização não pode mais funcionar e arrecadar
- 1:36milhões no Brasil e levar para o exterior uma empresa de
- 1:41comunicação vai ter que indenizar um jornalista que
- 1:45denunciou judicialmente crime de racismo ambiental?
- 1:50Não. Racismo no ambiente de trabalho
- 1:52é a mesma coisa, mas não é um ambiental, não.
- 1:54Ã racismo no ambiente de trabalho?
- 1:56à no ambiente, mas tem diferenças.
- 1:58Mas sabe quem vai tratar disso? Ã o companheiro Pedro VÃtor
- 2:02Mendes, sociólogo, radialista aqui da universidade FM.
- 2:07Daqui a pouco todo o programa. Rádio livre.
- 2:16Rádio livre apresentação, Nonato Lima.
- 2:25Bom dia você que nos acompanha aqui ao vivo na universitária FM
- 2:29107,9 megahertz. Nossos cumprimentos também a
- 2:32você que está acompanhando o programa normalmente gravado no
- 2:38podcast rádio livre com Nonato Lima.
- 2:42Agradecemos a audiência, o apoio e a participação é com vocês e é
- 2:49por vocês que a gente está aqui. Juntos, fazendo um jornalismo
- 2:53diferente, ninguém segue a boiada. 7 e 35.
- 3:06O conselho nacional de justiça autorizou o repasse de recursos
- 3:11arrecadados pelo judiciário, com multas e penas em dinheiro, para
- 3:16o combate a Queimadas em todo o paÃs.
- 3:20Durante a sessão de ontem, OCNJ também decidiu que juÃzes de
- 3:24todo o paÃs deverão dar prioridade ao julgamento de
- 3:27processos sobre a punição de infrações ambientais e de
- 3:31medidas cautelares para buscar para busca, apreensão e prisão
- 3:37preventiva de qualquer envolvido em crime ambiental.
- 3:44O repasse dos valores deverá ser feito.
- 3:47No modelo que é já adotado pelo judiciário para socorrer a
- 3:51defesa civil, como o mesmo modelo que foi feito, por
- 3:54exemplo, para socorrer a defesa civil do Rio Grande do Sul,
- 3:57também vai ser feito agora para o combate às Queimadas?
- 4:01Em maio passado, esses recursos foram repassados e foram
- 4:06198000000 lá para o Rio Grande do Sul.
- 4:11O presidente do conselho nacional de justiça, que é o
- 4:13ministro Roberto LuÃs, Roberto Barroso mesmo, que é o
- 4:15presidente do supremo, também. Cobrou seriedade do poder
- 4:18judiciário no combate à s Queimadas criminosas no paÃs.
- 4:24Durante o discurso proferido na abertura da reunião do
- 4:27Observatório do meio ambiente de mudanças climáticas do conselho,
- 4:31Roberto Barroso disse que recebeu um telefonema do
- 4:34presidente Lula, que demonstrou preocupação com a impunidade de
- 4:38quem pratica Queimadas. Dolosas o sujeito que resolve
- 4:43queimar mesmo. Olha para o presidente da
- 4:46República ligar para o presidente do supremo dizendo
- 4:49isso, o negócio está está pior do que a gente imaginava, né?
- 4:52Lembra que a gente vem falando aqui?
- 4:53Olha, está faltando as estão faltando as prisões, as
- 4:57apreensões, etcetera. Está aà agora, chegou no
- 4:59conselho nacional de justiça e o presidente pediu ou que se
- 5:05queixou, não sei qual foi o tom da conversa dele com o
- 5:08presidente do supremo. Está faltando a uma parte aÃ
- 5:11nesse processo, né? Se tem incêndios criminosos,
- 5:14cadê os criminosos? EE, os incêndios da agora e os
- 5:20de antes, aquele aquela coisa sempre possÃvel para quem tem
- 5:26muita grana de ficar recorrendo, recorrendo, recorrendo,
- 5:29recorrendo. Ou então segura lá e fica anos,
- 5:33né? Não paga nada, não.
- 5:37Então, talvez essa situação aÃ, o paÃs sem poder respirar,
- 5:41porque é um percentual grande do paÃs, inclusive a capital
- 5:43federal. A respiração está curta.
- 5:49O que que vão fazer? Vai ficar assim mesmo?
- 5:54Quem é que está queimando o Brasil?
- 5:57Quem são os os neros da história que estão queimando o paÃs?
- 6:04Então não é importante o repasse aqui de recursos para do
- 6:09judiciário, que são multas. Na verdade são recursos
- 6:11públicos, né, resultante de multas.
- 6:14Em dinheiro é de penas, né? De indenizações relativas AA
- 6:22crimes ambientais. Só que de um modo geral, os
- 6:27crimes ambientais é, tem, tem os casos já julgados já
- 6:35identificados, normalmente envolve gente muito poderosa.
- 6:39Será que é por isso que não anda muito?
- 6:42Que um processo de uma pessoa poderosa demais pesa demais.
- 6:46As folhas são de chumbo, é isso? Então tá aà o problema, né?
- 6:52Tá aà o problema. Se até o presidente já se
- 6:55queixou da impunidade, imagine nós aqui embaixo, né?
- 6:57As pessoas precisam ver resultado, resultado é
- 7:02cumprimento da lei. Não dá para esperar acabar o
- 7:06mundo para depois você não vai sobrar nem nada, né?
- 7:11Se se deixa o acabar o mundo agora, não é possÃvel adiar.
- 7:17Aproveita o adiamento do fim do mundo, se é que o adiamento é
- 7:20possÃvel para pelo menos esse pessoal aà que está cometendo
- 7:24crime ambiental, participar do fim do mundo, mas vendo aqueles
- 7:30xadrezinho na frente, né? A fresta do Sol entrando
- 7:35quadrada 7 e 40. A partir de.
- 7:46Primeiro de outubro, empresas de apostas de cota fixa, também
- 7:52conhecida como bets, que ainda não pedirá autorização para
- 7:56funcionar no Brasil, terão as operações suspensas.
- 8:01A suspensão vai avaliar até que a empresa entre com o pedido e a
- 8:04Secretaria de prêmios e apostas do Ministério da fazenda conceda
- 8:08a permissão. A medida está numa portaria do
- 8:11Ministério da fazenda, datada de ontem, e já foi publicada no
- 8:15diário oficial da união. A companhia, que pediu a
- 8:19licença, mas ainda não atuava no Brasil, terá de continuar a
- 8:22esperar para iniciar as operações em janeiro se o
- 8:27Ministério liberar a atividade, que tem critérios para
- 8:30liberação. O ministro da fazenda, Fernando
- 8:33Haddad Haddad. Havia anunciado que o governo
- 8:35vai fazer um pente fino na regulamentação das apostas
- 8:38eletrônicas. Ele disse que a dependência
- 8:41psicológica em apostas se tornou um problema social grave.
- 8:46E o Brasil virou o ParaÃso das apostas, né?
- 8:48As bets chegaram aqui durante a gestão do golpista e se
- 8:57instalaram aqui para drenar a grana brasileira para fora do
- 9:02Brasil. Sem nenhum custo, sem prestar
- 9:04conta com ninguém, sem dizer as regras, sem ninguém ter a menor
- 9:09ideia de como é que funciona direito.
- 9:11E haja gente é acreditando que jogar dinheiro nas bets vai
- 9:18trazer Riqueza? Não.
- 9:20Os dados que estão aparecendo é pobreza, né?
- 9:22Loteria não enriquece ninguém. Milhões joga uma pessoa ganha.
- 9:29O que melhor a vida das pessoas é distribuição de renda.
- 9:33Né? Aà o cara não fica rico, mas
- 9:35também não fica na miséria com as bets.
- 9:38O sujeito não fica rico, vai pra miséria com os próprios pés.
- 9:43Quer dizer, tem uma ajuda das bets, né?
- 9:46Porque jogo de um modo geral vicia.
- 9:49De um modo geral tem um ou outro que não vicia.
- 9:51Mas, aliás, essa é uma das preocupações manifestadas ontem
- 9:55pelo ministro da fazenda, dependência psicológica de
- 9:58jogos? Tem pessoas que realmente jogam,
- 10:01jogam a vida toda num num negócio desse aà o os donos das
- 10:07bets que não apostam em nada, é que ganha o prêmio mesmo pra
- 10:10valer, né? Então Oo objetivo dessa
- 10:14regulamentação é criar condições, segundo o Ministério
- 10:17da fazenda, pra inclusive amparar pessoas nessa situação
- 10:21aÃ. Independência psicológica de de
- 10:25jogos, é. Isso tem sido tratado como
- 10:29entretenimento, mas não é a rigor.
- 10:33Não é entretenimento, né? Não é.
- 10:36à aposta, é é negócio. Principalmente para quem tem a
- 10:39Beth, né? Pros donos da Beth das bets, é o
- 10:46ministro. Haddad disse ainda que o
- 10:47Ministério está analisando com rigor o impacto do endividamento
- 10:51de apostadores sobre a economia, por exemplo, o do cartão de
- 10:55crédito para pagar aposta. A publicidade com artistas e
- 11:00influenciadores digitais, os patrocÃnios das bets, é
- 11:04dinheiro? Muito, não é coisa pouca, não é
- 11:08dinheiro, muito. Se o Ministério tiver avaliando,
- 11:12mesmo com esse rigor e profundidade, muita coisa vai
- 11:16mudar nessa história das bets. E claro que vai haver uma
- 11:19choradeira aÃ, porque tem gente que acha que você rigor,
- 11:22cobrança de tributo alto desse tipo de negócio, acha que é 11?
- 11:26Erro? Não, não é.
- 11:28Um erro é o que aconteceu, deixaram as bets tomar conta do
- 11:31paÃs e ficar drenando dinheiro direto para o exterior, que é
- 11:35isso que vem acontecendo até agora.
- 11:37O que o governo está fazendo agora, tentando regulamentar,
- 11:39aliás, é é a prática do Brasil, né?
- 11:42Primeiro é chega Oo tal empreendimento é do jeito que
- 11:46quer, da forma que quer, na hora que quer, se instala da no lugar
- 11:50que deseja, sem prestar conta com ninguém, um dia, algum
- 11:55governo. Descobre que não pode ser assim.
- 11:59Aà começa o problema, aà vira um problema social, né?
- 12:03Social já é antissocial, mas é. Gera um debate que, a rigor, era
- 12:09para ter sido feito previamente e não o Congresso fazer uma lei,
- 12:14Oo governo é na época, é do golpe, né?
- 12:20Instalar, deixar escancarar as portas e ficar aà o problema.
- 12:23Olha o caso das big techs, né? Tá aà o os donos das big techs é
- 12:31mostrando a dentadura, rindo. Não é como diz aqui, disse, é
- 12:37mangando do Brasil. Por quê?
- 12:39Porque o paÃs se submeteu a isso, o Congresso Nacional teve
- 12:42a chance de regulamentar, não regulamentou porque não
- 12:46regulamentou. Aà só só o presidente Lira pode
- 12:52informar isso, né? Como foi AO.
- 12:55Como é que ele acabou e botando na gaveta algo que deveria ter
- 12:58acontecido, né? Uma regulamentação para as big
- 13:01techs. E agora tá aÃ, estão aà as bets,
- 13:04não tem mais, né? à só olhar aà o tanto de de
- 13:08gentileza que tem para rico no Brasil e na hora de regulamentar
- 13:12os pobres saem em defesa. Porque eu mais contraditório,
- 13:15né? O sujeito tá na miséria e acha
- 13:18que, por exemplo, regulamentar as bets é um problema. 7 e 45
- 13:34comparando com as bets jogo do bicho é jogo de porrinha, né
- 13:39lembra do jogo de porrinha comparando, né?
- 13:43Não? Que também seja seja razoável
- 13:46alguém arrecadar sem compromisso tributário nenhum, não é não?
- 13:52E ainda mais, jogo que vicia, né?
- 13:54Arrecado e vicia chamada de diversão, algo que você pede
- 13:57todo o salário não é bem uma diversão, né?
- 14:09Olha, a Defensoria pública da união criou uma ferramenta de
- 14:13atendimento para o perÃodo eleitoral para coibir sabe o
- 14:17quê? Para denunciar sabe o quê?
- 14:19Violência, polÃtica de gênero. Vai ter um formulário
- 14:24disponÃvel. No No site da Defensoria para
- 14:30para as pessoas denunciarem, a Defensoria pública da união
- 14:33disponibiliza para a população formulário de atendimento sobre
- 14:36violência polÃtica de gênero. à através desse formulário que
- 14:42está acessÃvel na página da DPU. Qualquer pessoa pode noticiar
- 14:49fatos ou pedir assistência jurÃdica para mulheres vÃtimas.
- 14:54De violência nas eleições municipais deste ano, ADPU vai
- 14:58prestar assistência jurÃdica integral e gratuita, judicial e
- 15:02extrajudicial, com orientação e adoção de providências
- 15:06administrativas ou jurisdicionais cabÃveis nos
- 15:10casos de notÃcias, pedidos de assistência, representações e
- 15:14demais provocações para o enfrentamento à violência
- 15:17polÃtica de gênero nas eleições de 2024, a lei número 14000.
- 15:24192, de 2021, considera violência polÃtica contra a
- 15:29mulher toda a ação, conduta ou omissão, com a finalidade de
- 15:34impedir, obstaculizar ou restringir os direitos polÃticos
- 15:39das mulheres, e cabe à Defensoria pública da união,
- 15:42neste caso, em razão de suas atribuições constitucionais e
- 15:45legais, atuar nos casos que envolvam violência polÃtica
- 15:49contra as mulheres, especialmente.
- 15:52Considerando as demandas da sua competência junto à justiça
- 15:57eleitoral e justiça federal, o formulário vai estar online, na
- 16:03no portal da DPU, que é polÃtica de gênero.
- 16:07Tudo junto.dpu.def.br? Bota lá no portal Defensoria
- 16:14pública da união que você vai acessar o formulário essas ações
- 16:19da Defensoria pública da união. Buscam da visibilidade e
- 16:23apresentar soluções jurÃdicas de enfrentamento à formas de
- 16:28violência que, historicamente, afastam as mulheres da polÃtica.
- 16:35Pronto quer mais informação? Acesse o portal da da portal da
- 16:40Defensoria pública da união. E já está, inclusive o
- 16:42formulário, né? Vai estar.
- 16:43Não sei se já está disponÃvel, mas vai ser disponibilizado no
- 16:45formulário. Violência polÃtica de gênero é
- 16:48um dos problemas graves, né? E ficou mais grave agora, depois
- 16:51da emenda do perdão, né? Porque a lei diz uma coisa, aÃ
- 16:55vem os deputados e senadores, é em nome dos seus partidos e faz
- 17:00o perdão para uma série de irregularidades, crimes,
- 17:06processos, multas, tudo. Tudo num pacote só.
- 17:12Vergonha, né? 7 e 40.
- 17:17E 9. O ministro do Supremo Tribunal
- 17:42Federal. André Mendonça determinou, na
- 17:46tarde de ontem, a instauração de inquérito pela polÃcia federal
- 17:50para investigar as acusações de assédio sexual e assédio moral
- 17:54contra o ex ministro dos direitos humanos, Silvio
- 17:56Almeida. Com as investigações sobre a
- 17:58responsabilidade da polÃcia federal, o caso vai tramitar no
- 18:02Supremo Tribunal Federal e não será encaminhado à primeira
- 18:05instância. A na última quinta-feira, a
- 18:08polÃcia federal havia enviado ao supremo relatório.
- 18:12Com a apuração preliminar sobre as acusações contra o ex
- 18:15ministro, o que a polÃcia federal queria era uma avaliação
- 18:20do supremo sobre se a apuração deveria ficar sob a guarda do
- 18:26STF ou se deveria ir para a primeira instância da justiça,
- 18:31já que o ministro tinha deixado o posto, ou se deveria ir para a
- 18:35polÃcia civil prosseguir com as apurações.
- 18:38A movimentação da polÃcia federal aconteceu.
- 18:41Depois que foi Descoberto e depois da demissão do ministro
- 18:46Silvio Almeida, em 6 de setembro, um dia depois que
- 18:50surgiram publicamente as denúncias de assédio sexual de
- 18:54várias mulheres, entre elas a ministra da igualdade racial,
- 18:58aniele Franco, com a saÃda do cargo, Silvio Almeida perdeu o
- 19:04foro por prerrogativa de função, mais conhecido como foro
- 19:07privilegiado, porém. No entendimento do ministro
- 19:11André Mendonça, Oo facto deve continuar sendo apurado pela
- 19:16polÃcia federal e o Supremo Tribunal Federal é a instância
- 19:20da justiça adequada para para o processo, para o processo legal,
- 19:28não é. Agora é esperar, é o andamento
- 19:32da das investigações etcétera etcétera a parte a atuação do
- 19:37Ministério público. E julgamento, né?
- 19:40Defesa, ampla defesa. E esperar que em outras
- 19:45situações em que apareça alguma denúncia de assédio moral e
- 19:50assédio sexual no serviço público, o governo chegue mais
- 19:54rápido, as instituições cheguem mais rapidamente.
- 19:58Não dá para os servidores e servidoras públicas do paÃs
- 20:04continuar reclamando de assédio moral e assédio sexual.
- 20:09E as autoridades competentes, no serviço público em geral, não
- 20:15tomarem as medidas cabÃveis. O caso envolvendo o ministro
- 20:21Silvio Almeida aqui não há um pré julgamento, mas o caso já
- 20:26era internamente conhecido do governo há um tempo, né?
- 20:30De sabe nem qual é o tanto de tempo, mas as o governo sabia e.
- 20:38A providência veio quando quando houve uma denúncia na imprensa.
- 20:44à também um dos papéis da imprensa denunciar fatos.
- 20:47Mas os cidadãos brasileiros não precisam esperar que a imprensa
- 20:53denuncie a autoridade que está no posto.
- 20:55As autoridades que estão nos seus indivÃduos, lugares em
- 20:59todas as instâncias de poder da República, devem tomar as
- 21:03providências imediatamente após o conhecimento.
- 21:08Das denúncias assédio moral, assédio sexual e muitos outros
- 21:14casos. A própria Controladoria geral da
- 21:17união publicou recentemente os números tem assédio sexual,
- 21:22denúncias de assédio sexual em tudo quanto é lugar do Brasil,
- 21:26na instância federal, no serviço público federal.
- 21:29O que é que vão fazer com essas denúncias?
- 21:32O que é que o governo diz disso? Que andamento?
- 21:36Tem que levar para o metrópoles, né?
- 21:40Assédio moral, por exemplo, que é uma coisa que ficou marcada
- 21:43aqui no serviço público federal, assédio moral durante o governo
- 21:47passado foi muito forte. Não é que não tivesse antes e
- 21:49que não não entende depois. Mas se não se faz nada, o
- 21:55assédio vira uma polÃtica de governo, não.
- 21:59à claro que eu estou exagerando aqui, mas não pode, nenhum
- 22:03governo, nenhuma autoridade, simplesmente.
- 22:06Fechar os ouvidos e os olhos para coisas tão graves como
- 22:10denúncias de assédio moral, denúncias de assédio sexual e as
- 22:16práticas reconhecidas. Tá aà o apelo, né?
- 22:23Essa é uma grande oportunidade que as autoridades todas têm de
- 22:27enfrentar o assédio moral e o assédio sexual de verdade.
- 22:33Não é baixar a portaria, né? Não é tomar as providências
- 22:40cabÃveis. Eu falei disso aqui ontem e
- 22:45algumas pessoas me disseram, olha, precisa mesmo dizer isso?
- 22:49Por isso que eu estou repetindo hoje, né?
- 22:53E é preciso o governo federal e todas as instâncias do governo
- 23:00federal, administração direta, administração indireta.
- 23:04Onde eu venho, ao órgão público federal, inclusive o nosso aqui,
- 23:07que é federal, universidade federal, que haja 11 polÃtica
- 23:11Clara, explÃcita, porque regras já existem.
- 23:16Tem aà OOO, guia da CGU, que foi publicado em agosto do ano
- 23:19passado. Em agosto do ano passado foi
- 23:23publicado o guia. Nós Lemos aqui Na Na, na época
- 23:25não, porque ele não tava aqui, tava proibido de falar.
- 23:27Só voltando em setembro é mais o rádio livre lá no podcast
- 23:33publicou isso. Agora ontem nós falamos, aqui
- 23:35tem o guia. Procure o guia no portal da CGU
- 23:41para para enfrentamento adequado, para conhecer as
- 23:45regras de como denunciar e se tiver mais dúvidas, procuro uma
- 23:50ouvidoria, procuro a Defensoria pública da união, procura o
- 23:54sindicato e se nenhum lugar encontrar eco?
- 23:59Imprensa não é às vezes a imprensa.
- 24:03Ã, acelera. Deveria ser assim, talvez não,
- 24:07né? Até aliviaria o trabalho da
- 24:09imprensa, né? Se as autoridades, diante dos
- 24:13casos de assédio moral e assédio sexual, atuassem com a com
- 24:19rapidez, tudo dentro da legalidade, ninguém tá pedindo
- 24:22aqui nada fora da legalidade, tudo dentro da legalidade.
- 24:27Vamos ao intervalo e em seguida a gente volta e hoje nós temos
- 24:30no programa. O sociólogo Pedro VÃtor Mendes
- 24:34como todas as quartas-feiras. E sabe qual é o tema hoje?
- 24:38Um jornalista entrou na justiça e denunciou, sabe o quê?
- 24:43Racismo do chefe de reportagem, exatamente na discussão de uma
- 24:49pauta. O sujeito no trabalho faz uma
- 24:53proposta e o chefe sai com uma piada racista.
- 24:57E o que que aconteceu? Ele foi à justiça e a justiça.
- 25:01à impôs uma indenização a ser paga pela empresa.
- 25:05Os detalhes depois do intervalo na entrevista com Pedro Victor
- 25:09Mendes. Rádio livre.
- 25:16Rádio livre apresentação, Nonato Lima.
- 25:20Rádio livre entrevista. ACNN Brasil foi condenada pelo
- 25:25tribunal regional do trabalho a indenizar o jornalista e ex
- 25:28funcionário do canal. Renan de Souza em 50000 BRL em
- 25:32um processo que incluÃa danos Morais e denúncias de racismo.
- 25:37Renan relatou na ação ter sofrido preconceito de seu então
- 25:40chefe, Asdrúbal Figueiró, durante a cobertura do
- 25:44assassinato do americano George Floyd, em 2020.
- 25:48Em uma conversa na qual ele, o jornalista Renan de Souza e
- 25:53Figueiró, o chefe, eles discordaram sobre o teor da
- 25:56reportagem e o chefe teria dito. Você está dizendo isso porque é
- 26:01preto, está querendo defender preto e você não entende nada de
- 26:05racismo. Esse é o tema da nossa conversa
- 26:08hoje com o sociólogo radialista Pedro Victor Mendes.
- 26:11Bom dia, Pedro. Bom dia, Renato, bom dia a todos
- 26:14os ouvintes. Ã, Pedro, você ouviu agora essa
- 26:18essa frase? E como já houve uma condenação,
- 26:21então não é uma suspeita, não é uma, é uma condenação, né?
- 26:25O fato está configurado. à inclusive judicialmente.
- 26:30Ã. à possÃvel que que alguém que
- 26:34tenha a peliconomia não possa falar de de racismo?
- 26:38Ou quando fala de racismo, estaria só trabalhando em
- 26:41benefÃcio próprio? Ou a superação de racismo não é
- 26:44uma questão de preto. Bom, professor é interessante
- 26:48porque esse caso ele, ele toca. Parece ser 11 simples caso
- 26:55jurÃdico, né? Assim que foi resolvido.
- 26:58Mas ele toca em umas em nÃveis de reflexão filosóficos mesmo.
- 27:05O que é a realidade? à só o que eu acho que a
- 27:08realidade é ou a realidade existe, independente de como eu
- 27:13vejo a realidade, sabe? Assim, uma pessoa dando um chute
- 27:19no pescoço de outra, né? Ã, eu posso, do meu ponto de
- 27:25vista, entender que a outra que deu uma pescoçada na no pé do
- 27:28outro, sabe? Ou sabe?
- 27:32Então assim não, né? Um chute no pescoço de uma
- 27:36pessoa é um chute no pescoço de uma pessoa.
- 27:38Objetivamente, seja eu com os olhos fechados, seja eu não
- 27:42presente naquela naquela situação, aquilo ali
- 27:45objetivamente acontece e a objetividade ela.
- 27:50Né? Ela não é só material, ela
- 27:52também é aà que entram as ciências humanas para entender a
- 27:55objetividade no campo das construções sociais.
- 28:01A pobreza ela existe? Não, não, não, não, não.
- 28:04A pobreza só existe o pobre, a pobreza não existe, como assim a
- 28:07pobreza não existe e os sinais de que a pessoa é pobre, os
- 28:11sinais compartilhados de uma grande parte da população que
- 28:17indicam que ali existe pobreza. Né?
- 28:20Então assim, você não precisa ir no lugar, ó, essa é a pobreza,
- 28:23pegue aà na pobreza, não, você sabe objetivamente que a pobreza
- 28:27ela existe e essa pobreza existe, seja você de olhos
- 28:31fechados, seja você morrendo, ela continua existindo, então
- 28:36ela objetivamente, ela existe, né?
- 28:39O que eu quero dizer com tudo isso é que independente das
- 28:44pessoas serem brancas ou negras, existe o racismo.
- 28:49Isso já é provado cientificamente através dos
- 28:51dados sociais, as estatÃsticas, o nÃvel de vida, o acesso a
- 28:56direitos. Não é a quantidade de pessoas
- 29:00negras pobres e pessoas ricas pobres.
- 29:03Não há nada que justifique isso, que não seja o racismo, Pedro.
- 29:10Como, de certo modo, você está trazendo a questão para um lado
- 29:13que é lógico de pesquisador, né, de cientista?
- 29:17Eu queria só lembrar, mas no começo do século 20 e no século
- 29:2119, a própria ciência é tentava é colocar AA visão é racista
- 29:30como algo é do plano da ficção ou da da invenção ou qualquer
- 29:35coisa assim, né? Ou até tentando naturalizar.
- 29:38Não foi isso? Sim, foi.
- 29:40Existiram umas Correntes que a gente chama as eugenistas, né?
- 29:43à durante muito tempo quando você vê essa diferença.
- 29:47Por exemplo, no Brasil, a maioria, a maior parte da
- 29:49população é pobre e que é é negra, a maior parte da
- 29:53população rica é branca. O que que justifica isso?
- 29:55Ah, só pode ser a biologia. Então um tá propensa a ser pobre
- 29:59e outra propensa a ser rico, porque OA pessoa branca, ela vai
- 30:03ter mais qualidades que vão favorecer que ela seja rica, não
- 30:06é? Era esse tipo de coisa que era
- 30:08colocada em pauta. E isso?
- 30:12Era assumido como uma possibilidade cientÃfica, né?
- 30:17A ciência ela já é, já é, já se pautou nesses termos.
- 30:23Ela ela é muito fruto da sua própria história e ela é o que
- 30:29ela já foi. Uma já foi uma vertente
- 30:32aceitável de análise social. Essa perspectiva, né?
- 30:36Mas no começo, é. Isso ainda existia no começo do
- 30:40século 20, mas pouco a pouco isso foi sendo substituÃdo por
- 30:43um discurso que, olha, esse negócio de biologia tá fora de
- 30:46moda. Vamos falar de outra coisa,
- 30:49cultura, pronto, então é a cultura.
- 30:51Ah, então a maior parte da população negra é pobre por
- 30:54causa da da cultura africana, que não favorece que é eles
- 31:00acumulem, enquanto que os outros carregam uma cultura mais
- 31:03europeia, que aà ficam ricos. E isso, infelizmente, essa
- 31:08substituição da biologia pela cultura deu na mesma.
- 31:11O racismo você substitui, não, não é mais pela biologia, não é
- 31:15pela cultura, continuou. Sendo o racismo do mesmo jeito,
- 31:18você mudou as palavras para parecer uma coisa mais aceitável
- 31:22porque chegou a um ponto que ficou insustentável, isso de
- 31:25biológico, não, não, isso não faz sentido nenhum, meu amigo,
- 31:29né não, já está mais do que provado que.
- 31:33Os seres humanos têm condições iguais de desenvolvimento
- 31:36intelectual e de qualidades, independente do lugar que
- 31:39desnasçam, independente do sangue agora.
- 31:44Curiosamente, voltando a matéria aqui da coordenação da CNNACNN
- 31:48publicou uma nota e na nota à Ela afirma que repudia qualquer
- 31:53forma de racismo, mas destacou que a decisão judicial não
- 31:56identificou discriminação ou racismo estrutural e diz assim
- 32:00na nota. O tribunal, de forma unânime,
- 32:03confirmou que não houve discriminação nem racismo
- 32:06estrutural e, em decisão não unânime, concedeu ao colaborador
- 32:11uma indenização por danos Morais em razão de um episódio único
- 32:15episódio de desentendimento com o ex colaborador.
- 32:20Após o caso. Renan enviou um e-mail para o
- 32:22vice presidente da CNN, diz a matéria da cn Brasil na época
- 32:28que era Américo Martins, registrando sua indignação.
- 32:31Mas o executivo não teria feito nada em relação ao assunto.
- 32:36Atualmente, Renan de Souza é correspondente Internacional do
- 32:42mesmo canal em Londres. Baseado em Londres, olha a
- 32:46posição da empresa aÃ, né? Não houve racismo estrutural, é?
- 32:52Ah, mas não foi unânime a decisão, né?
- 32:56Mas independentemente da ser unânime ou não.
- 32:59Houve a coordenação, né? Houve a coordenação.
- 33:01Eu. Não, eu não sou formado na área
- 33:04jurÃdica para conhecer bem os meandros, né?
- 33:07Até onde eu sei, se uma pessoa num cargo de chefia é comete 11
- 33:13crime contra um subordinado, Oo subordinado tem o direito de
- 33:18processar não só aquela pessoa, como também a empresa, até onde
- 33:21eu sei. Né?
- 33:22Mas eu não, não vou entrar, não vou me aprofundar por esse
- 33:27caminho, professor, porque não é, não é minha formação.
- 33:29Não conheço tão bem, né, esses meandros jurÃdicos.
- 33:33Mas o que eu posso falar sobre isso é que isso o que ele teve
- 33:40que enfrentar na nossa contemporaneidade dentro da CNN,
- 33:43é o que vários pesquisadores negros tiveram que enfrentar ao
- 33:49longo do século 20. Para validar o seu debate sobre
- 33:53racismo, porque sempre que eles tentavam pautar isso, eles eram
- 33:58acusados de não serem objetivos na ciência, de serem subjetivos.
- 34:05Não é de você, não, não, não. Isso daà é um ponto de vista
- 34:08seu, isso não existe, não, não é tão ruim.
- 34:11Como você enxerga não, né? Então assim é, é, é complicado.
- 34:17E eu vivenciei isso enquanto nordestino, pesquisando o
- 34:20racismo contra o nordestino também, sim, que é aquela.
- 34:23Extensão do racismo, né, que é uma, é uma. 11 outra
- 34:28manifestação No No Brasil nós temos vários racismos, né?
- 34:32Oo racismo mais óbvio e consensual, digamos, porque é.
- 34:38Conseguimos, né? à com que que que uma parte
- 34:42muito grande da população entendesse ele e o até o
- 34:45reconhecer se que é o racismo antinegro, né?
- 34:48Ele tem. Ele tá sob todo o território
- 34:51nacional, mas também há racismos, a depender da região
- 34:57muito especÃficos direcionados a alguns grupos, né?
- 35:01E eu estudei o racismo contra nordestinos em São Paulo.
- 35:05E eu, como nordestino, ensinando isso.
- 35:07O que quer dizer que eu, por ser nordestino, não poderia acessar
- 35:11essa realidade objetiva? Claro.
- 35:14E isso tem que ser uma preocupação na ciência.
- 35:16Então eu fiz um estudo, eu eu adotei métodos que poderiam
- 35:25favorecer com que eu acessasse essa objetividade, né?
- 35:29Porque? O cientista, ele tem que se
- 35:31desvencilhar de fato, da sua subjetividade.
- 35:33Ele tem que bom é. Não importa o que eu acho, não
- 35:38importa o que eu estou vendo. Aparentemente eu tenho que ir na
- 35:41essência. Eu tenho que sair da aparência
- 35:43para acessar a essência daquele problema e para acessar isso a
- 35:48você tem a sua vivência, você tem suas cargas subjetivas, mas
- 35:52você tem que bolar um método cientÃfico que consiga acessar a
- 35:58realidade. Né?
- 36:00Um método cientÃfico que que possibilite com que você acesse
- 36:04a realidade de uma forma que outra pessoa que não fosse
- 36:08nordestino também poderia acessar.
- 36:09à uma espécie de distanciamento. Pelo método, né?
- 36:12Exatamente você. Não vai negar?
- 36:14Completamente a sua subjetividade, a sua condição de
- 36:16pessoa. Mas você vai ter mecanismos de
- 36:20interlocução a partir daquele conhecimento que você vai
- 36:22produzir. Não exatamente assim.
- 36:24Obviamente que eu sendo nordestino e reconhecido como
- 36:28nordestino em São Paulo. Um método que eu não poderia
- 36:31adotar e não adotei é, por exemplo, entrevistar pessoas
- 36:36paulistanas sobre os nordestinos.
- 36:39Por quê? Porque elas iriam te adversar,
- 36:42não, eu gosto de nordestino, nunca tratei mal, né?
- 36:47Assim, então, da mesma forma que eu como branco aqui no Ceará, eu
- 36:53posso acessar melhor um racismo. Escondido pelos brancos, sendo
- 36:58branco. Porque aà se eu fosse, por
- 37:00exemplo, um pesquisador negro, talvez uma pessoa branca aqui no
- 37:03Ceará ficaria mais, né? Assim, tentaria não deixar óbvio
- 37:09o seu próprio racismo. Mas como eu sendo branco, talvez
- 37:12a pessoa se sinta mais à vontade pra falar como ela pratica o
- 37:17racismo no seu dia a dia. Então é um lado da realidade.
- 37:21Ã uma que eu consigo acessar a depender da minha identidade.
- 37:25Mas eu estou usando a minha identidade para acessar a
- 37:28realidade. E a realidade ela está ali,
- 37:30independente de quem eu sou. Sabe o pesquisador negro?
- 37:36Ele está apenas tendo empatia. Quando ele propôs a pauta dele
- 37:43com uma pessoa negra que foi morta, isso qualquer branco
- 37:47poderia ter também. Como, aliás, o?
- 37:50Caso do George Floyd mobilizou multidões brancas, né?
- 37:54Contra o racismo também. Isso isso é fato.
- 37:57Quer dizer, não naquele momento, o chefe de reportagem, o chefe,
- 38:01não sei se o chefe de reportagem, mas o chefe imediato
- 38:04do jornalista entender que ele só poderia pensar daquela forma
- 38:09para pauta porque era preto. Talvez fosse inconveniente, né?
- 38:12Porque na verdade o caso George Floyd, que foi aquele caso do
- 38:16do, do policial, né, branco? Que matou em 7 segundos, se eu
- 38:21não me engano, alguma coisa assim, com o pé, o joelho no
- 38:25pescoço, acho que foi 7. Minutos, professor, não foi 7
- 38:28minutos eu não. Não lembro agora o tempo, mas
- 38:30minuto a segundo para o fato é, né?
- 38:33E ele? Gritava eu não consigo respirar
- 38:35e virou o lema dos protestos, né?
- 38:37à a cand briefing, né? Eu não consigo respirar, né.
- 38:41Para representar também esse racismo nos Estados Unidos, né?
- 38:44Que nos impede de respirar. Ã muito interessante esse caso
- 38:49do George Floyd, porque é nós no Brasil, temos com muita
- 38:57frequência vários George Floyd são vÃtimas de racismo.
- 39:03VÃtimas, né? De autoridades, principalmente
- 39:06policiais. E aquela pessoa não seria morta
- 39:11se fosse branca. Né, então assim.
- 39:15Ã, é um fenômeno. Que surge lá levanta a
- 39:20indignação. Mas como lá há uma tradição
- 39:23maior de falar francamente a respeito de racismo, de entender
- 39:28que ele faz parte da realidade social, diferentemente do
- 39:31Brasil, no Brasil não aparece como um crime racial esse tipo
- 39:35de porque, como? O que explica, caro ouvinte, um
- 39:38policial sair atirando a esmo dentro de uma comunidade de uma
- 39:42favela, atingir uma criança? E.
- 39:46Ele não fazia a mesma coisa, por exemplo, no Leblon ou na
- 39:49aldeota. O que explica?
- 39:53Porque que não há crianças vÃtimas de bala perdida na
- 39:56aldeota, no Leblon e claro que a gente.
- 39:58Não quer que aconteça, né? Ãbvio que a gente não.
- 40:00Quer nem na aldeota, nem no? Leblon, Encanto nenhum.
- 40:03Mas também não quer que? Aconteça na favela, mas também
- 40:05não queremos. Que aconteça na favela?
- 40:06Nem em nenhuma comunidade, né? E então, assim, há uma ideia.
- 40:13Uma, há uma prática que revela o quê que para esses agentes da
- 40:18lei, quando fazem isso, que AA vida daquelas pessoas vale
- 40:22menos. O que é isso?
- 40:24Não, o racismo, Ah, não, mas é uma coincidência que ali a
- 40:28comunidade seja de 95% de pessoas negras.
- 40:32à uma coincidência Sério mesmo. Você acredita realmente nisso?
- 40:36Não é uma coincidência, né? Estamos conversando.
- 40:40Com o sociólogo e radialista Pedro Victor Mendes, estamos
- 40:43tratando da temática, né? Dessa série que a gente tá
- 40:45fazendo entrevista aqui no rádio livre, da questão do racismo e
- 40:49como enfrentar o racismo. Pedro, agora vamos vamos voltar
- 40:52ao caso do jornalista da CNN para conectar com a sua
- 40:56pesquisa, né? Você estudou os jornais
- 40:59Paulistas, né? Da década de 50, o correio
- 41:03paulistano, um jornal. Um jornal, né?
- 41:05O correio? Paulistano como é que o correio
- 41:06paulistano tratava? Porque aà hoje a gente pode
- 41:10discutir como é que a mÃdia está tratando AOA problemática do
- 41:14racismo, mas como era na época naquele momento?
- 41:16Talvez até racismo não fosse um termo.
- 41:19à e ainda aceito a lei Afonso arino saiu da década de 50, né?
- 41:22Se eu não me engano 50 e da da primeira fase da década de 50.
- 41:26Mas é uma lei que até um dia desses não tinha OOO efeito que
- 41:31se esperava, tanto que foi preciso.
- 41:33Novas, nova legislação e novas decisões judiciais, né?
- 41:37Sim, sim. Queria que você comentasse um
- 41:38pouco aà bom é. O que eu posso dizer sobre a
- 41:41minha pesquisa, a minha tese de doutorado é que nos jornais, né?
- 41:46Naquela época, porque que eu escolhi a década de 50 porque
- 41:49foi 111, perÃodo onde aconteceu 11.
- 41:54Grande movimentação, né? De de migrantes nordestinos para
- 41:58São Paulo. E isso é reverberou nos jornais.
- 42:03Então eu pesquisei nos jornais como esses migrantes nordestinos
- 42:08eram representados. E aà você encontra muitos
- 42:12estereótipos que estão presentes até hoje no discurso sobre
- 42:15nordestinos em São Paulo, que ocasionalmente nós vemos.
- 42:19Por exemplo, em casos de racismo contra nordestinos, nós vemos é
- 42:24quando as pessoas se sentem muito à vontade para a.
- 42:30Para poder, é. Revelar os seus pensamentos
- 42:32através de uma tela de computador da internet.
- 42:35Porque acho que está protegida ali, né?
- 42:36Num certo anonimato, nós vemos as mesmas, as mesmas construções
- 42:42que o nordestino, ele é intelectualmente incapaz que o
- 42:47nordestino ele seria quase que um burro de carga, assim teria
- 42:51um apropriado para uma exploração braçal, não é?
- 42:56Que o nordestino ele é também um problema sanitário, né?
- 43:03Assim, muito comum em várias matérias, qualquer surto de
- 43:07doença de piolho de qualquer coisa se colocava nordestino no
- 43:10meio, com alguma evidência, zero evidência, mas dava se um jeito
- 43:14de colocar que a culpa poderia ser por conta dos milhões de
- 43:17nordestinos. Qualquer doença, qualquer
- 43:18doença, né? Então, assim, e sem falar em
- 43:23outras construções, né? Você acaba.
- 43:26AA esse processo de racialização demandou também uma construção
- 43:31fÃsica do nordestino. Então você dizer, ó, o
- 43:34nordestino é assim, tem que ser cabeçudo, tem que ser aquele
- 43:38quasÃmodo, né? à mal formado, do Euclides da
- 43:43Cunha. Sabe que é ali que surge essa
- 43:45construção do nordestino e que é reproduzida e reproduzida e
- 43:47reproduzida e está presente nos jornais da década de 50, sabe
- 43:51então o nordestino, ele é visto dessa forma e sem falar que ele
- 43:56é. Também visto sempre como um
- 43:58perigo. Um perigo policial não é?
- 44:03à um perigo sanitário e é um perigo polÃtico.
- 44:08Porque naquela época já se falava, né?
- 44:10Estamos em plena guerra fria. Naquela época já se falava que,
- 44:14olha, se tiver uma revolução social, vai ser pela parte mais
- 44:18pobre do paÃs, que vai ser o nordeste.
- 44:21Então se preparem. Que os nordestinos futuramente
- 44:24vão ser os vermelhos aqui do Brasil.
- 44:27Então tome cuidado que eles vão se eles vão se juntar com a
- 44:30União Soviética, então, assim, o nordestino era um perigo em
- 44:33todos os sentidos, né? E o nordestino também era
- 44:36representado sempre como um problema.
- 44:40Eram seres humanos. Problema o que não é diferente
- 44:44de hoje, né? Então, assim, Ah, o problema do
- 44:47nordeste? O nordestino lá vem os
- 44:50nordestinos trazendo problema, né?
- 44:53Então, essas construções que estão presente até hoje nas
- 44:56novelas, de que a gente é tudo morto de fome, que a gente é
- 45:00tudo. A gente mora na seca, como se
- 45:03não existisse pessoas pobres em São Paulo, pessoas na miséria em
- 45:06São Paulo, né? Inclusive.
- 45:08Nordestinos, né? Inclusive nordestinos.
- 45:10Também e paulistanos e paulistanos, né?
- 45:13Mas assim é. Então essas construções, elas é,
- 45:17eram muito presentes, né? E ainda são.
- 45:19Infelizmente, você vê isso, né, nas representações de novela
- 45:23hoje, assim não, não me venha visitar Fortaleza, venha visitar
- 45:28as cidades nordestinas para ver como a gente mora, em vez de
- 45:31construir uma cidade fictÃcia, né?
- 45:34Onde nem quase não existe a internet, onde quase não existe
- 45:39nada ligado ao moderno, onde parece que Oo nordeste é só um
- 45:43eco do passado, né? Parece que o nordestino é isso,
- 45:45um eco do passado e da tradição, né?
- 45:48Só isso, né. Nós não temos, nós não somos
- 45:51seres da contemporaneidade na representação desses desses
- 45:55meios de comunicação, né? Certo, aà é.
- 45:58O enfrentamento disso, né? Que que o que que está sendo
- 46:01feito? Ã o que que Oo nordestino faz,
- 46:05né? Aliás, a questão de assumir
- 46:08esses nordestinos é, é até um pouco problemático porque você
- 46:10não conhece alguém em São Paulo se chamando de sudestino, né?
- 46:13Pois é, sudestino não é isso, é, é.
- 46:15Uma essa questão da identidade, ela tem a ver muito com a
- 46:19maneira como quem tem poder, no caso paulistano, tem poder para
- 46:23dizer quem é o quê. Então jogou toda a gente, nós
- 46:27todos no mesmo saco, né? Os nordestinos aÃ, esses são os
- 46:30nordestinos. Não, mas eu sou de Sergipe?
- 46:32Não. Mas eu sou do não importa.
- 46:34à tudo nordestino, não é? A gente não faz o mesmo.
- 46:37Ou não fazia com sudestino que eu sou a favor que se faça.
- 46:40Se eles fazem com a gente e ele faz com ele, é poder denominar.
- 46:43Denominar isonomia, isonomia. Isonomia, né?
- 46:46Tratamento igual, né? Mas assim, o que que acontece é
- 46:50que eles lá tinham o poder e o capital para poder dizer o que a
- 46:53gente era e para se defender. A gente comprou isso, não é?
- 46:58Somos nordestinos, é, vamos aqui se defender, vamos se juntar,
- 47:01pô, cara, você é você é nordestino que nem eu vamos se
- 47:04juntar aqui para se defender, porque ele está, não é?
- 47:07� E aà é até por conta de uma
- 47:10certa situação mesmo de trabalho, né?
- 47:13Então é meu meu avô mesmo, ele trabalhou Na Na construção civil
- 47:17lá em São Paulo e ele teve que se juntar com um baiano.
- 47:21Para poder exigir o pagamento dele, porque o cara não queria
- 47:25pagar, o contratante não queria pagar os dias de trabalho na
- 47:29construção, ele teve que se juntar e pressionar fisicamente
- 47:32o contratante para poder ter acesso ao seu dinheiro.
- 47:34Então assim é. à 11 certa solidariedade que
- 47:37existia por conta dos dos migrantes estarem numa situação
- 47:40parecida, né? Então, essa identidade ela
- 47:43também acontece como uma espécie de defesa, né?
- 47:46Diante dessa do racismo que passou a ser vivenciado?
- 47:51Mas na realidade? Histórica, né?
- 47:52Só pra gente ir concluindo. Na realidade histórica, o
- 47:55nordeste é é. à algo diferente disso que você
- 47:57identificou lá, né? Não, certamente.
- 48:00Nós somos seres humanos. Nós somos a pessoas com é
- 48:06grandes representantes, assim como temos também a pessoas
- 48:10comuns que vivem sua vida dentro das condições em que elas
- 48:14nasceram, né? Nós não somos seres humanos que
- 48:18a somos mais propÃcios ao trabalho.
- 48:21à um trabalho pesado, né? Que o homem nordestino, ele tem
- 48:25que ser mais macho, que não sei o quê, e bruto, ignorante.
- 48:29EE antes de tudo, forte. Né, né?
- 48:32Não, não, não somos. Seres humanos igualmente aos
- 48:35seres humanos de São Paulo, né? EE, aqui tem pobreza?
- 48:40Tem sim. Lá também tem muita pobreza.
- 48:43Aqui tem os a tradicionalmente, os coronéis da polÃtica, lá
- 48:48também tem os coronéis da polÃtica.
- 48:50Não é só não é só aqui que tem não, não é uma, é 11 realidade
- 48:56nacional, né? Nós não somos.
- 48:59Nós não detemos o monopólio da pobreza No No paÃs, né?
- 49:03Nós somos resultado da da de toda a forma como o Brasil se
- 49:09formou, EE enfim, e da da própria Constituição do agrária,
- 49:16né? Da.
- 49:17Da presença de latifundiários, et cetera, tudo isso forma o
- 49:21Brasil hoje, né? E nós somos, nós somos isso.
- 49:25Então, assim, não há uma diferença, né?
- 49:30O mais próximo, objetivamente disso é que Oo nordeste ele se
- 49:34formou com uma parte seca do norte, né?
- 49:36Antigamente era só nortista e sulista os nomes, isso não
- 49:39existia, nordestino, né? Nortista e sulista.
- 49:42Com o tempo, foi se criando essa designação do nordestino, que
- 49:46seria a parte seca, que sofre com a seca.
- 49:48Só que no nordeste você for ver o regime de chuvas,
- 49:51tradicionalmente falando, a gente não não sofre tanto assim
- 49:56com a falta de água, né? O problema é a inconstância, não
- 50:01é o problema, é a inconstância da água, né?
- 50:05Então temos anos que chove muito e tem anos que.
- 50:08Deixa a desejar e em algumas regiões também o.
- 50:11Monopólio da água, né? Aà é aÃ, é.
- 50:13Aà que eu IA entrar agora. E aà o que acontece é que OA
- 50:19estrutura fundiária do nordeste faz com que as pessoas mais
- 50:23ricas tenham se imposto em deter as Fontes de água perene.
- 50:28As Fontes de água que duram muito mais tempo, então se
- 50:32deixou para a população, para a maior parte da população, a
- 50:35população mais humilde. Que existe em todo o território
- 50:38nacional. Mas aqui no nordeste essa
- 50:41população mais humilde acabou sendo privada do acesso a água
- 50:44por conta desses donos de Terra, não é?
- 50:48Então, assim, é essa construção de que a gente que falta água no
- 50:54nordeste, ela é uma construção que aceita a divisão das terras
- 51:00tradicionais no nordeste, não é? Falta água?
- 51:05Não falta. Tem água ali, mas aquela água é
- 51:07do coronelzinho a Zé Carlo e eu não posso entrar lá dentro
- 51:13porque senão os jagunços dele vão me expulsar, vão me bater.
- 51:18Enfim, não se questiona o fato do cara tá ali com aquela aquela
- 51:23Posse de Terra e com a fonte de água que poderia a prover AA
- 51:29população ao seu redor. Não e né, essa água é só minha
- 51:32Ponto Final. E aà a população que tem que se
- 51:35virar, né? E a gente tem que questionar a
- 51:39estrutura fundiária. Pedro Victor.
- 51:42Mendes, muito obrigado pela sua participação.
- 51:44E quarta-feira próxima, a gente se encontra aqui novamente, não
- 51:47é isso? quarta-feira?
- 51:49Próxima? Com certeza, professor.
- 51:51E é sempre um prazer poder conversar sobre um tema tão
- 51:53importante para entender nossa realidade social.
- 51:56Muito obrigado a. A aos ouvintes, pela paciência,
- 51:59pela audiência e muito obrigado a você, professor, pelo convite.
- 52:02Obrigado. Obrigado aà foram sociólogo,
- 52:05radialista Pedro Victor Mendes, conversando com a gente aqui,
- 52:07como a gente tem feito na nas quartas-feiras, né?
- 52:10Tratando da questão do racismo e os temas relacionados com essa
- 52:14temática e também a luta contra o racismo.
- 52:17Obrigado. Chegamos ao final do rádio
- 52:20livre, nos encontramos amanhã aqui ao vivo às 7:30 da manhã.
- 52:24E você também nos encontra no podcast rádio livre, com Nonato
- 52:28Lima. Se você não ouviu A Entrevista
- 52:29com o Pedro integralmente, agora você pode ouvir lá nas
- 52:32principais plataformas do podcast.
- 52:33Está lá A Entrevista integral para você ouvir e até para levar
- 52:37para sua sala de aula. Como alguns professores estão me
- 52:40informando que estão gostando dessa discussão e levando para
- 52:43subsidiar as aulas para discutir a problemática do racismo e
- 52:47superar isso que não interessa a ninguém, né?
- 52:52A universitária FM apresentou rádio livre, rádio livre.
- 52:59Rádio livre.