Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 23 - REJEIÇÃO PARENTAL: QUEM PAGA ESSA DÍVIDA?, Chá de coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00A dor da rejeição é dilacerante quando ela vem de quem deveria
- 0:06amar e cuidar. Então, uau, como que a gente
- 0:11linda aceita chá de coragem? Oi, elisama, tudo bem com você?
- 0:29Desejo muito que sim. Me veja um pouco em como você em
- 0:32alguns pontos. Então eu adoro te ouvir, te ver
- 0:35e ler. Eu tenho 4848 anos, 2 filhos e
- 0:39um marido, mas meu chazinho com você é sobre uma pergunta que
- 0:43minha irmã me fez 3 meses depois da morte do meu pai.
- 0:48Meu pai morreu agora em março, mas não sinta muito porque ele
- 0:50não valia nada não, ha ha ha. Antes de chegar a pergunta e
- 0:55pergunta efetiva, eu te darei uma breve visão dessa minha
- 0:58vidinha. Meu pai se separou da minha mãe
- 1:01e dos filhos quando eu tinha 19 anos.
- 1:05Tenho mais 3 irmãos nesse casamento.
- 1:07Raramente vimos ele porque, porque, por sua vez, também
- 1:11nunca cumpriu com sua obrigação legal.
- 1:12Pensão com meus Dois Irmãos mais novos, ele foi morar com minha
- 1:17madrasta depois de 1 ano, traindo a minha mãe.
- 1:19Ele traiu minha mãe a vida toda. Ele fazia o papelzinho de contar
- 1:22história triste para as amantes. E nós, os filhos, viramos o
- 1:26demônio, na opinião da minha madrasta, que também não
- 1:29permitia, com o consentimento dele, os nossos encontros.
- 1:32Nesse segundo casamento, meses depois, nasceu minha irmã, que
- 1:37só foi se relacionar com a gente com depois dos 18 anos e
- 1:41contrariando a mãe, que dizia que era muito melhor ela não se
- 1:45envolver com a gente. Ficamos em contato com ele por
- 1:48muitos anos. Esporadicamente ouvíamos e assim
- 1:52foi seguindo minha irmã também. Havíamos esporadicamente e
- 1:56seguimos. Ela me ligou pra contar que
- 1:58nosso pai havia morrido e que a mãe dela nos proibiu de ir ao
- 2:02velório. Meu irmão do meio foi o único
- 2:04que foi e foi maltratado, passando 3 meses um dia.
- 2:08Do Nada, minha irmã começa muito simpática a coitar do dia dela,
- 2:12da viagem pra Portugal e eu achei estranho toda aquela
- 2:15simpatia. Ela nunca me destratou.
- 2:18Mas ela é mais depressiva, não é muito animada, mas eu marquei e
- 2:22falamos o dia todo, porém, avisei para o meu marido tem
- 2:26caroço nesse angu. Dito e feito.
- 2:29Um pouco antes de dormir, a pergunta chegou, minha mãe quer
- 2:32vender o carro do pai e quer que vocês abram mão da parte de
- 2:35vocês? No que ele deixou?
- 2:36É possível? Aquela pergunta me dói até
- 2:40agora, porque para mim não foi da ordem, do valor do objeto,
- 2:44eSIM da ordem hoje continuar não sendo reconhecida como filha.
- 2:49Eu chorei muito. Disse para ela que esse seria um
- 2:52assunto de advogada para não influenciar a nossa relação, mas
- 2:55ela insistiu em se meter. Um dia, a advogada entrou em
- 2:58contato com a mesma com a mesma pergunta da minha irmã e eu só
- 3:02passei o contato do meu advogado e não respondi nada para o meu
- 3:06advogado. Eu disse que Nenhum de Nós
- 3:08abriríamos mão de nada sem saber do que estávamos falando e meu
- 3:11advogado respondeu isso para a advogada.
- 3:15Incrivelmente, 10 minutos depois, recebi uma enxurrada de
- 3:18mensagens de acusação da minha irmã por não termos aceito o que
- 3:21a mãe dela queria. Eu, pacientemente, tentei me
- 3:25explicar, mas não houve forma. No fim, ela ainda disse, o fato
- 3:30de vocês não aceitarem abrir mão já é motivo pra minha mãe ter
- 3:34dito. Eu não falei que eles não
- 3:35prestavam e foi tão dolorido e está sendo.
- 3:41Foram 30 anos sendo excluídas pelo pelo meu pai da vida dele.
- 3:44E vamos pagar por isso? Até quando?
- 3:47Desculpa o meio longo com muita admiração, gente.
- 3:53Eu poderia falar da possibilidade que os homens têm
- 3:58na nossa sociedade, de escolher quando eles vão ser pai, de
- 4:02simplesmente ir embora, de decidir que se separam da
- 4:05família inteira, não somente da mulher, de só manter um vínculo
- 4:09com os filhos quando o marido, a esposa tá por perto.
- 4:12Mas eu não quero chover no molhado, isso a gente já sabe.
- 4:15Eu quero trazer outras perspectivas nesse momento.
- 4:19A primeira delas é que sim, é injusto para caramba pensar que
- 4:27a sua irmã e a esposa do seu pai, a viúva, não conhecem o
- 4:35mesmo homem que você conheceu. Você tem muitas dores para lidar
- 4:39nesse momento. Você tem a dor de ter sido
- 4:44rejeitada pelo teu pai aos 19 anos.
- 4:49E tem uma rejeição que dói muito quando a gente é pequenininho,
- 4:54que a gente fala, nossa, ele não viu?
- 4:56Ele não viu crescer, ele não teve perto, mas ele continuou te
- 4:59rejeitando após 19 anos de convivência.
- 5:03É como se ser você não fosse o suficiente para manter ele por
- 5:06perto. E lidar com isso no nosso
- 5:10inconsciente, na nossa cabeça, entender que não tem nada a ver
- 5:14com quem você é, com quem você tinha ou não tinha para ofertar,
- 5:17mas sim com quem ele é, porque ele abandonou a família inteira.
- 5:21É muito difícil, muito, muito, muito difícil.
- 5:26Então você tem esse luto dessa rejeição e um luto de perceber
- 5:33que ele foi provavelmente para sua irmã, um outro pai.
- 5:38E que nessa outra família que ele ficou até falecer, ele foi
- 5:44uma outra pessoa que vocês provavelmente não conheça.
- 5:47E como é injusto, né? Como é injusto que nessa outra
- 5:50família a história seja diferente.
- 5:53Que quando ele conta as coisas, a história é que vocês não
- 5:58prestam. A história é que vocês não
- 6:02valiam nada. No comecinho do e-mail, você me
- 6:05diz, não sente muito não, porque ele não valia nada.
- 6:08E ao longo do e-mail, você me diz que a tua madrasta diz a
- 6:15esposa dele diz que vocês não valem nada.
- 6:19Como é um jogo de empurra empurra numa culpa que nunca foi
- 6:22de vocês como filhos, como ele teve a coragem, a coragem, não a
- 6:29falta de. De sensibilidade, de
- 6:31honestidade, de presença de no mínimo, né?
- 6:35Para ocupar um adolescente de 19 anos e os 3 irmãos pequenos por
- 6:42um, pelo afastamento. Mas é uma história que ele
- 6:45precisou contar para ela. E foi a história que ela
- 6:47precisou acreditar. E eu acho que nessa conversa
- 6:52inteira tem algo que dificulta muito o luto.
- 6:59Quando a pessoa que a gente de alguma forma tem um vínculo,
- 7:05sendo ele saudável, não morre, AA história ganha um Ponto
- 7:11Final, sabe? E como filhos, mesmo que a gente
- 7:17não assuma, mesmo que a gente nunca admita, a gente queria se
- 7:22dar bem com os nossos pais. A gente queria, a gente queria
- 7:26que a gente sempre vai querer que eles.
- 7:29Assuma os próprios erros e chame a gente para conversar de uma
- 7:32forma muito honesta. E caramba, olha só, essa pessoa
- 7:36melhorou, a nossa relação melhorou.
- 7:40Essa pessoa um dia me pediu desculpas, essa pessoa um dia
- 7:43reconheceu que é a falta dela, que é a ausência dela, que o
- 7:46menosprezo dela me doeu e teve consequências na minha vida e tá
- 7:49aqui me pedindo desculpa, caramba, que bom.
- 7:54Mesmo que você não pense, mesmo que você não nomeie.
- 7:58Essa Esperança pequenininha, ela tá escondida em algum lugar.
- 8:03Mas aí ele morreu, não tem mais Esperança.
- 8:09Você agora tem que lutar com história que terminou assim, sem
- 8:15nenhuma grande reviravolta, sem nenhum milagre.
- 8:19No final, você não vai ter uma história bonita para contar para
- 8:23ninguém sobre o teu pai. Você não vai ter uma história
- 8:27para falar depois de não sei quantos anos, 30 anos, se a
- 8:30gente vê. Ele se aproximou e ele me pediu
- 8:32desculpas. Ele foi tão presente.
- 8:35Ele foi um avô maravilhoso para os meus filhos.
- 8:37EE morreu com a gente se entendendo, você não vai ter
- 8:41isso para contar e esse luto essencial que você denome foi
- 8:47assim que acabou essa história, foi assim que acabou a nossa
- 8:53relação, ele nunca reconheceu. Ele nunca assumiu a própria
- 8:58responsabilidade. Ele nunca viveu de verdade do
- 9:02meu lado. Eu não tive o pai que eu merecia
- 9:07ter, que eu gostaria de ter assumir isso, dar um corpo
- 9:15diferente pro outro. Sabe porque aí você consegue
- 9:21chorar por você e pela criança. Você consegue chorar morte dele,
- 9:26a morte da Esperança. E eu não sei se aconteceu com
- 9:30você, mas já aconteceu com amigas próximas de do pai ou da
- 9:35mãe falecer em um momento de muita distância.
- 9:39EEA pessoa fica com raiva de si mesmo.
- 9:41Eu falei, eu estou chorando por ele, eu estou chorando por essa
- 9:44pessoa que me abandonou. Não acredito que eu ainda estou
- 9:47chorando por ele. Eu não acredito que eu ainda
- 9:48estou sentindo algo por essa pessoa com quem porque eu não
- 9:52deveria sentir, cara, não faz isso.
- 9:55Não briga com os teus sentimentos, não briga com os
- 9:58teus desejos de filha. Não briga com o teu desejo
- 10:03humano de apego, com o teu desejo de filhote e ser cuidada.
- 10:09Não briga com algo que é inerente da tua humanidade.
- 10:13É triste, cara, assim, e você pode chorar e você pode sofrer.
- 10:19E você pode ficar muito magoada. É triste.
- 10:23E você pode sentir, caramba. A história com meu pai terminou
- 10:27sem o final feliz. Não passamos por Hollywood, não
- 10:31teve reviravolta. Foi isso aqui e aprender a lidar
- 10:35com essa dor. E aí você fala algo que mexeu
- 10:39comigo, você fala, eles ama. Até quando eu vou pagar pela
- 10:45banana dele e eu quero te devolver com uma pergunta.
- 10:51Você vai pagar o que você não deve, quem deve, o quê, quem
- 10:57errou, quem tinha a responsabilidade, quem tinha a
- 11:02culpa, o afastamento dele é algo que você tem que pagar, a
- 11:09escolha da palavra pagar. Me desculpa, gente, eu não, eu
- 11:12não consigo desligar a psicanálise em mim.
- 11:15AA escolha da palavra pagar, ela é muito interessante, sabe?
- 11:20É muito interessante que você pense que você tem algo a pagar
- 11:24pelo distanciamento dele. Você tinha muito a receber,
- 11:30entende? Você vai ficar com essa conta em
- 11:35aberto que ele não vai te pagar, que ele não te pagou e que
- 11:43sofrido, que sofrido não ter sido reconhecido por ele.
- 11:48E agora não ter sido, não está sendo reconhecida, porque quem
- 11:51por quem está cuidando da memória dele?
- 11:54O que está acontecendo agora dessa nova família?
- 11:58Falar, está vendo só, eles não prestam agora, eles só querem
- 12:00isso, eles não vão assinar, é uma continuidade de um
- 12:05comportamento que é dele. E aí eu quero te convidar para
- 12:08tirar essa palavra, pagar aqui de algo que você deve, que é
- 12:13você quem tem que pagar. E encarar o caramba.
- 12:17Essa dívida vai ficar em aberto. Se a gente investe, até quando
- 12:23eu vou pagar e investe pra caramba, essa dívida vai ficar
- 12:27em aberto? Vai, vai.
- 12:32Eu não tenho nenhuma palavra pra te dizer que isso vai ser
- 12:34curado, que vai chegar no momento que você vai olhar pra
- 12:37tua história e vai ser absolutamente neutro.
- 12:40Eu acho isso tão ilusório, sabe? Eu acho tão injusto, tão cruel,
- 12:46porque a gente fica esperando chegar nesse lugar que vai ser
- 12:49neutro e não vai ser neutro. Essa história vai te doer.
- 12:53Mas sabe o que que Eu Acredito? Eu Acredito que as dores, elas
- 12:59saem da centralidade da nossa vida.
- 13:02É como se você conseguisse, com o tempo, com maturidade, com
- 13:07muita terapia, arrumar uma estante na estante, um lugar
- 13:11dessa dor, ela não vai embora ela.
- 13:15Ela vai estar na tua existência, é uma marca, é uma cicatriz, ela
- 13:18viveu, é um trauma, ele está ali, mas ela está guardada, ela
- 13:23está quietinha ali, ela não, ela não vaza, fale ela, ela não, não
- 13:29contamina tudo ao redor, ela está ali, de vez em quando vai
- 13:33vir alguma coisa que vai tirar ela do lugar, que vai mexer
- 13:37nessa dor, que vai cavucar essa dor.
- 13:38Você fala AI, meu Deus do céu, achei que ela tinha passado.
- 13:42Achei que eu não IA nunca mais lidar com essa dor e ainda dói.
- 13:46Caraca, que merda vai acontecer? E com o passar do tempo, você
- 13:52vai desenvolvendo as suas habilidades de pegar essa dor de
- 13:57novo, dar contorno para ela e colocar num lugar menos central.
- 14:04E colocar num lugar que não te define, em colocar num lugar que
- 14:08ela é só mais uma dor da tua história.
- 14:11E que tá ali, no meio de tanta coisa, de tanta coisa que
- 14:15aconteceu nesses 30 anos. Teu casamento, os teus 2 filhos,
- 14:21as viagens que você fez, os encontros que você teve, as
- 14:26gargalhadas, os gozos, os choros, as descobertas, essa
- 14:32dor. Ela vai ser +1 + 1 pedacinho
- 14:37nessa colcha de retalhos enorme. E complexa.
- 14:41Aqui é a tua vida, sabe? A gente não pode alimentar a
- 14:47ilusão de que dá pra gente arrancar um pedaço da nossa
- 14:49história, tirar ela da gente e falar, isso aqui não faz parte
- 14:54de mim, porque não dá. A gente não escolhe isso não.
- 15:01A gente pode ir aprendendo a lidar com a dor e aprendendo a
- 15:05lidar com com medo. Ir aprendendo a lidar com a
- 15:10frustração e aprendendo a lidar com a decepção.
- 15:15A gente pode ir aprendendo a lidar com angústia.
- 15:17A gente pode ir aprendendo a lidar com falar para os filhos.
- 15:21Por que que o vovô nunca apareceu aqui?
- 15:24A gente vai aprendendo a lidar com isso, sabe?
- 15:29Com muito colo, com muito cuidado, com muita terapia.
- 15:36Eu não consigo imaginar. Como doeu para vocês serem
- 15:43proibidos de ir para o velório dele.
- 15:45Não que você quisesse se despedir deste pai, mas não tem
- 15:50nem a possibilidade é de uma crueldade o teu irmão não poder
- 15:59que ele chegou lá e foi maltratado.
- 16:01É de uma dor e é uma dor que só vocês entendem, sabe?
- 16:06É uma dor que só vocês conhecem. Há um tempo eu conversava com
- 16:10uma pessoa sobre o atual marido dela e ela é absurdamente
- 16:17apaixonada por ele. Ela falava desse cara com o olho
- 16:20brilhando, que relacionamento lindo.
- 16:23E eu achava que era um relacionamento bonito.
- 16:24Ela falava, sempre falou dele com muito amor.
- 16:28E aí ela me contou de quando conheceu ele.
- 16:31A gente foi contar sobre a história deles e em determinado
- 16:35momento ela me contou da ex. Que ele não falava com a ex e
- 16:40que ele já falou. Ele falou.
- 16:41Contou para ela que ele diz que ele errou com a ex, mas que ela
- 16:45também. Se você já ouviu os outros
- 16:48episódios, você sabe o peso do você também.
- 16:51Mas que ela também nunca perdoou, que ela também nunca
- 16:55lidou direito e que os filhos ficaram ao lado da mãe o tempo
- 16:59inteiro e ignoraram ele tá volcando a conversa.
- 17:03Eu descobri que ele tinha batido nas.
- 17:07Na frente dos filhos. Mas a narrativa que ele criou
- 17:11para essa nova esposa, que era a pessoa que eu conheço, era que
- 17:14assim que ele se arrependia muito, que ele tinha pedido a
- 17:17cabeça, que foi um dia muito difícil, que ele nunca tinha
- 17:20feito isso na vida e que como assim, ela não perdoou.
- 17:25E ele era uma pessoa tão diferente com ela?
- 17:29Ele era uma pessoa tão amável, um cara tão cuidadoso, um cara
- 17:33que cuidava com com tanta dedicação.
- 17:38Que ela não conseguia imaginar como os filhos não queriam
- 17:42proximidade com ele. Como que essa mulher não perdoou
- 17:46e ela nunca entendeu? Que o cara que ela conhecia e
- 17:51que ela conheceu anos depois não era o cara que tinha criado
- 17:57aquelas crianças? Não foi o cara que tinha batido,
- 18:03não é isso? O cara que ela conheceu foi
- 18:06outra pessoa. E aqui de quem ela conheceu, ela
- 18:11não pode julgar quem não quer conviver.
- 18:15Só você e a sua família sabem quem é o cara que rejeitou
- 18:22vocês. E ver alguém defendendo a
- 18:27memória de um cara que não parece o mesmo e trocando,
- 18:32invertendo os papéis e colocando vocês como culpados e culpadas.
- 18:36EE pessoas ruins. É muito difícil e eu não
- 18:43acredito que vai mudar porque é isso, é o que é.
- 18:51Você não teve o pai que você merecia.
- 18:54Você não teve a história de vida que você merecia com ele.
- 18:58Mas caramba, você construiu outra história de vida mesmo sem
- 19:02ser pai? Mesmo com o abandono dele, mesmo
- 19:08sendo cortada cruelmente da vida dele, como você foi e como você
- 19:15segue sendo? Porque veja quem está cuidando
- 19:18da memória dele, está cuidando do que ele falava, da versão
- 19:21dele, da história. Não é sobre você.
- 19:26Ele nunca rejeitou. Você que empresta ou não presta,
- 19:30não é. Você é uma imagem de alguém que
- 19:33não existe. Eu quero deixar para você um
- 19:36abraço muito apertado, muito apertado.
- 19:40Eu quero torcer muito, muito que você encontre bastante cólon
- 19:45para lidar com esse luto. Porque, como eu te disse, o luto
- 19:49da Esperança infantil, de um reatar, de se entender, de uma
- 19:55reviravolta milagrosa que a gente não assume nem para gente
- 19:58mesmo, mas quem fica lá guardadinho em algum lugar
- 20:00grande? Nós.
- 20:02É um luto tão difícil. É um ponto tão devastador.
- 20:08Eis que a história ganhou um Ponto Final no final que não era
- 20:13o final prometido na novela a série, no filme que você ganha e
- 20:18cola, sabe? Para lidar com esse Ponto Final,
- 20:22mas que você lembre o tempo inteiro que você não tem o que
- 20:28pagar, eu volto para a palavra a pagar.
- 20:31Você não tem o que pagar. Porque você não tem dívida aí,
- 20:37tá bom, se você acha que essa conversa pode ajudar alguém,
- 20:42envia este vídeo, este a ou deste episódio.
- 20:47Conversa sobre isso. Quero saber sua opinião, tá?
- 20:53Beijo e até o próximo episódio.