Latest / Na Mesa com Well / Até o Fim: Dietrich Bonhoeffer - A Fé Diante do Carrasco (Versão Resumida)
Transcript
- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o el, o lugar para quem busca
- 0:03profundidade e historicidade de forma acessível na correria do
- 0:07dia a dia. E este é o nosso dossiê
- 0:10definitivo unificado da série até o fim, mártires e
- 0:15testemunhas que permaneceram quando seguir Cristo custou tudo
- 0:19com o princípio editorial de não romantizar a morte e não
- 0:23fabricar heróis. Investigando homens e mulheres
- 0:26que descobriram o quanto sua fé realmente valia quando
- 0:29permanecer fiel passou a ter um preço, apresentamos de trist Bon
- 0:35hoffer a jornada inteira da fé diante do carrasco.
- 0:39E a nossa investigação? Hoje, ela definitivamente não é
- 0:42sobre uma figura de mármore inalcançável, sabe?
- 0:44Uhum. O que torna esse dossiê tão
- 0:46fundamental é justamente a metamorfose real, totalmente
- 0:49documentada, de um homem de carne e osso.
- 0:52A gente vai tipo, rastrear a jornada de um teólogo acadêmico.
- 0:55Um cara super protegido pelo privilégio da alta burguesia
- 0:58europeia, né? Exatamente, alguém que delibera
- 1:02e abandona a própria segurança. Para se tornar um agente duplo,
- 1:07um conspirador contra o estado e, no fim das contas, alguém que
- 1:11paga o preço definitivo pelas próprias convicções é.
- 1:15E para entender o peso de abrir mão de tudo isso, a gente
- 1:18precisa primeiro olhar pro tamanho desse privilégio que ele
- 1:21tinha nas mãos. Bonner refer nasce em breslaw,
- 1:25lá em 1906. Sim, mas é no bairro
- 1:27aristocrático de grunnelwald, em Berlim.
- 1:30Que ele realmente é forjado? Né?
- 1:32Pois é, o pai dele, o caro boniefer, era tipo talvez o
- 1:36professor de psiquiatria e neurologia mais proeminente da
- 1:39Alemanha inteira na época. Uma baita autoridade.
- 1:42Muito. A casa deles respirava ciência,
- 1:45arte, música. Tinha um ceticismo intelectual
- 1:48muito rigoroso rolando ali o tempo todo.
- 1:52Curiosamente, não era aquela família tradicional que batia
- 1:54ponto na igreja todo domingo, sabe?
- 1:56Não, não era. E o rigor que se exigia das
- 2:00crianças naquela casa era imenso.
- 2:03Havia uma expectativa de grandeza, mas essa redoma de
- 2:07conforto sofre um abalo muito cedo.
- 2:10A primeira guerra mundial. Exato, durante a guerra, o irmão
- 2:15mais velho dele, o Walter, morre em combate.
- 2:18E a dor brutal desse luto meio que invade e fura aquela bolha
- 2:22aristocrática deles? Deve ter sido devastador.
- 2:25Foi o primeiro contato real com uma quebra de realidade e isso
- 2:29acaba moldando a sensibilidade do ditris, mesmo que o
- 2:32brilhantismo intelectual dele continue a se expandir de uma
- 2:35forma assustadora. E bota assustador nisso.
- 2:38Olha isso. Com apenas 21 anos, ele defende
- 2:41uma tese de doutorado. O título original é sancthorum
- 2:45comunion. A comunhão dos Santos.
- 2:47Isso. Mas, lendo as Fontes do nosso
- 2:49dossiê, eu percebo que não era só mais um tratado espiritual
- 2:52abstrato. Ele usou a sociologia para
- 2:55tentar explicar à igreja o que era bem incomum para a época,
- 2:59não é? Muito em comum e super
- 3:01inovadora. Mas assim, para quem não é da
- 3:02área teológica, o que um jovem de 21 anos estava querendo
- 3:06provar com o texto tão denso assim?
- 3:09Então, ele estava desafiando a ideia de que a igreja era só
- 3:12tipo um clube de pessoas com a mesma opinião.
- 3:15Ou uma mera instituição burocrática estatal?
- 3:19A grande tese dele é que Cristo não é só uma ideia histórica lá
- 3:24do passado, mas que ele existe no mundo atual, de forma
- 3:27literal, como comunidade. Ah, entendi.
- 3:31Ou seja, a igreja real é uma estrutura sociológica viva, onde
- 3:36o Divino e o humano se encontram na prática, ali nas relações
- 3:40interpessoais. Onde as pessoas realmente
- 3:43carregam os fardos umas das outras.
- 3:45Mas a ironia enorme aí é que ele escreveu de forma brilhante
- 3:49sobre essa tal comunidade que carrega fardo sentado numa
- 3:52cadeira estofada de uma biblioteca confortável em
- 3:55Berlim, né? Pois é, a teoria era
- 3:57simplesmente perfeita no papel. Mas faltava o teste de estresse
- 4:01na vida real. E as Fontes mostram pra gente
- 4:04que esse teste começa a acontecer através de algumas
- 4:08viagens cruciais. Sim, a primeira grande viagem.
- 4:11Isso uma ida a Roma em 1924. Ele vê aquela estética imponente
- 4:15da liturgia e percebe que a igreja era algo universal, bem
- 4:19maior que o protestantismo alemão que ele conhecia.
- 4:25Só que o abalo sísmico, mesmo a verdadeira mudança de paradigma,
- 4:29não acontece na Europa. Não mesmo.
- 4:32Acontece nos Estados Unidos, entre 1930 e 1931, quando ele
- 4:35vai para o prestigiado Union tolodical seminery, em Nova
- 4:37Iorque. E o impacto dessa viagem a Nova
- 4:43Iorque costuma ser super mal compreendido pelas pessoas.
- 4:46Como assim? É que ele cruza o Atlântico
- 4:49esperando um debate teológico de altíssimo nível, mas quando
- 4:52chega lá, ele se depara com uma academia que ele francamente
- 4:55julga superficial. Nossa, Sério?
- 4:58Sim. Ele achou todo muito focado
- 5:00apenas num pragmatismo social, sabe?
- 5:03Faltava profundidade bíblica para os padrões dele.
- 5:06A frustração inicial dele é gigantesca.
- 5:09Então a virada de chave não foi nas salas de aula de Manhattan?
- 5:13Jeito nenhum. O ponto de virada foi numa
- 5:16comunidade marginalizada. Algumas dezenas de quartelões
- 5:19mais ao. Norte o Harlem.
- 5:21Exatamente o Harlem. E é fascinante ver a amizade que
- 5:25ele faz com o seminarista negro chamado Frank Fischer.
- 5:29Foi o Fisher que pegou esse acadêmico alemão totalmente
- 5:32acostumado com aqueles debates estéreis e levou ele pra igreja
- 5:36Batista abissínia, literalmente. De repente, banhofer tá sentado
- 5:44nos bancos ouvindo o reverendo Adam Clayton Powell sênior
- 5:47pregar. E não era sobre conceitos
- 5:50filosóficos intocáveis. Era sobre justiça social
- 5:54urgente. Sobre a dor real da segregação
- 5:57racial nos Estados Unidos. Escuta tipo os corais cantando
- 6:01espíritos. Aqueles cânticos que foram
- 6:04forjados no sofrimento da escravidão.
- 6:06Isso e ele fica tão profundamente impactado que ele
- 6:10chega a comprar discos de vinil desses corais para levar de
- 6:13volta na mala para Alemanha. Caramba.
- 6:15E o que ele experimenta lá no Harlem é, na verdade, a
- 6:18encarnação da própria tese dele, não é?
- 6:22Ele viu uma congregação que sofria o peso de uma opressão
- 6:25sistêmica pesadíssima, mas que encontrava em Cristo, que também
- 6:29foi um sofredor, a força para resistir e para existir como
- 6:33comunidade verdadeira. Faz todo o sentido.
- 6:35Essa igreja dos negros lá de Nova Iorque pegou toda aquela
- 6:38construção intelectual alemã refinada sobre Cristo, existindo
- 6:43como comunidade. Injetou sangue, suor e lágrimas
- 6:46nela. Foi ali, naquele exato momento,
- 6:49que a teologia dele deixou de ser uma disciplina acadêmica
- 6:52fria. E virou um compromisso de vida,
- 6:54né? Tentando fazer uma imagem mental
- 6:56aqui. Para o pessoal que está
- 6:57acompanhando, é meio como se ele fosse 11.
- 7:01Urbanista genial. Mas um urbanista que só conhecia
- 7:05cidades através daquelas plantas baixas e maquetes perfeitamente
- 7:09limpas, sabe? Adorei a analogia, é bem isso.
- 7:12E o Harlem foi o momento em que pegaram ele pelo braço.
- 7:16E jogaram ele no meio de um canteiro de obras no centro da
- 7:19cidade, no asfalto quente, ouvindo o barulho ensurdecedor,
- 7:23vendo a desigualdade nua e crua bem na frente dele.
- 7:27E essa exposição visceral reconfigura totalmente o sistema
- 7:31interno dele. E no momento assustadoramente
- 7:35preciso da história europeia. Porque ele volta pra Alemanha
- 7:39justamente quando as nuvens daquela tempestade totalitária
- 7:42estão se formando. Exato, o ano de 1933.
- 7:46Adolf Hitler assume o poder e aquela teoria do Bon offer, que
- 7:50tinha acabado de ser testada e validada na dor do Harlem, vai
- 7:54colidir a 1000 por hora com a máquina do estado nazista.
- 7:58E a tentativa de controle do regime sobre a igreja é tipo
- 8:01imediata, o governo impõe aquele famigerado parágrafo Ariano.
- 8:06O que era isso exatamente, na prática?
- 8:08Era uma lei proibindo categoricamente qualquer pessoa
- 8:11com ascendência judaica de ocupar cargos públicos, e os
- 8:15nazistas tentam forçar essa mesma regra dentro da igreja.
- 8:19Expulsando pastores de origem judaica dos púlpitos.
- 8:22Isso e a reação do boni a isso é totalmente visceral.
- 8:26Enquanto a maioria esmagadora das lideranças religiosas da
- 8:29época tentava apaziguar o regime para não perder privilégios, ele
- 8:33faz o oposto, o. Lance da rádio.
- 8:35Sim, ele vai para uma rádio de Berlim, dá uma palestra ao vivo,
- 8:40alertando sobre o perigo imenso de fazer do fiuer do líder
- 8:43político um ídolo. E o sinal da rádio é cortado no
- 8:47meio da transmissão, né? Cortado abruptamente.
- 8:50Eles não iam deixar ele terminar aquele raciocínio no ar.
- 8:53E a recusa dele em se curvar o regime nazista é tão forte que
- 8:57ele chega a recusar um cargo super confortável como pastor de
- 9:01uma paróquia em Berlim só porque a instituição não estava se
- 9:04posicionando contra a segregação imposta pelo estado.
- 9:07Uma decisão corajosa. Sim, aí ele decide ir para
- 9:10Londres, pastorear congregações alemãs dispatriados por um
- 9:14tempo. Só que logo o movimento de
- 9:16oposição dentro da Alemanha começa a ganhar uma forma mais
- 9:19concreta, o que culmina na criação da famosa igreja
- 9:23confessante. Apoiada naquela declaração de
- 9:25barman, de 1934. Isso mesmo que basicamente traça
- 9:29uma linha bem Funda na Areia. A declaração dizia que a igreja
- 9:33deve lealdade exclusiva Cristo e que o estado simplesmente não
- 9:38tem autoridade sobre a consciência humana.
- 9:40Ponto. E essa igreja confessante
- 9:42percebe rapidinho. Que olha, eles vão precisar
- 9:46treinar pastores dispostos a manter essa linha dura de
- 9:49resistência e quem eles chamam de?
- 9:51Volta. Ele mesmo chamam ele de volta da
- 9:55Inglaterra para liderar um seminário teológico clandestino.
- 9:59Lá, enfim, quem wald a partir de 1935?
- 10:02E pelas Fontes, esse seminário foi meio que o laboratório onde
- 10:06ele aplicou aquela rotina comunitária intensa que ele
- 10:09tinha aprendido lá no Harlan. Exato.
- 10:11Não era só um bando de alunos estudando grego e hebraico.
- 10:13Clássico dia todo. Tinha uma carga espiritual
- 10:16pesada. Pesadíssima, tinha o foco
- 10:19exaustivo e diário no sermão do Monte, na meditação, na
- 10:23confissão e no perdão mútuo. Ele estava ali na prática.
- 10:27Treinando jovens para uma resistência espiritual de longo
- 10:30prazo. Até porque eles sabiam que a
- 10:32gestapo estava sempre à espreita, espionando.
- 10:35Com certeza. E o seminário funcionando nas
- 10:37sombras até 1937. Quando a polícia secreta nazista
- 10:42finalmente descobriu tudo e fechou o lugar?
- 10:44O cerco estava se fechando de uma forma muito sufocante.
- 10:48E isso traz a gente pro ano de 1939, que é possivelmente o
- 10:51momento de maior agonia pessoal da vida dele.
- 10:56O momento da grande escolha? A guerra tá assim, a centímetros
- 11:00de explodir na Europa inteira. Boni oferta sub vigilância
- 11:03pesada. Tá impedido de publicar seus
- 11:06textos? E aí os contatos que ele tinha
- 11:08nos Estados Unidos, especialmente teólogos notáveis
- 11:11como o Hi road newbur e o Paul lheman, decidem intervir.
- 11:15Eles criam uma Rota de Fuga perfeita.
- 11:17Brilhante. Eles arranjam convites oficiais
- 11:21para que ele vá dar um ciclo de palestras na América.
- 11:24Ele arruma as malas, consegue embarcar e chega Nova Iorque.
- 11:27Ele estava salvo. Totalmente a salvo.
- 11:30Tinha emprego garantido, prestígio, segurança física.
- 11:34Mas aí. De forma que, pra muita gente,
- 11:37parece quase irracional. Depois de meros 26 dias nos
- 11:42Estados Unidos, ele. Faz o quê?
- 11:46É de? Explodir a cabeça?
- 11:50E eu queria te jogar um questionamento aqui, porque,
- 11:52racionalmente falando, pensando de forma pragmática, isso parece
- 11:57um desperdício enorme. Claro, muita gente vê assim.
- 12:00Ele era uma das mentes mais brilhantes daquela geração
- 12:03sobreviver nos Estados Unidos. Significava poder continuar
- 12:07escrevendo, denunciar o nazismo para o resto do mundo num lugar
- 12:12seguro e depois retornar intacto como um liber sênior para
- 12:16reerguer o país dos escombros. Fazia todo o sentido prático.
- 12:20Jogar fora a própria segurança, pular num barco de volta para o
- 12:24perigo quando a Rota de Fuga já estava concluída?
- 12:27Isso desafia o nosso instinto mais básico de sobrevivência.
- 12:32Por que ele fez isso? É que desafia o pragmatismo.
- 12:35Mas obedece perfeitamente a teologia que ele mesmo tava
- 12:39cunhando, entende? Pra compreender esse retorno que
- 12:42parece meio suicida, a gente precisa entender a repulsa
- 12:46profunda que ele sentia por um conceito que ele batizou de
- 12:50graça barata. A famosa graça barata.
- 12:53O que seria isso em termos práticos?
- 12:55A graça barata em essência, a justificativa teológica do
- 12:59conforto. Tá.
- 13:01É a pessoa querer o perdão de Deus, mas sem querer mudar o
- 13:03estilo de vida. É querer a comunhão gostosa da
- 13:06igreja, mas sem a disciplina que vem junto.
- 13:09Ele via que uma parte enorme da igreja alemã tava abraçando o
- 13:13regime nazista exatamente por causa dessa tal graça barata.
- 13:17Eles queriam os benefícios. Queriam as bençãos da religião,
- 13:20a paz de espírito, mas sem pagar o preço de confrontar o mal
- 13:24absoluto que estava destruindo os vizinhos dele.
- 13:27E o contraponto direto disso, que ele chamava de graça
- 13:31preciosa? Exigia que ele colocasse o
- 13:34próprio corpo físico de volta na linha de tiro na Alemanha.
- 13:38Justamente a graça preciosa para ele é aquela que custou a vida
- 13:43do próprio filho de Deus e por isso ela exige a vida de quem
- 13:47decide. Segui lo hoje.
- 13:48O discipulado não era só ficar debatendo teoria num café.
- 13:52Envolvia risco físico, real risco material.
- 13:55Quando ele olhou para as ruas pacíficas de Nova Iorque, ele
- 13:58percebeu que fugir da dor da nação dele em troca de um
- 14:01gabinete acadêmico super seguro seria, sabe o ato supremo de se
- 14:06render aquela graça barata que ele tanto criticava?
- 14:09Ele sentiu que precisava estar lá, encarnado no sofrimento do
- 14:12próprio povo, senão não teria o direito moral de falar nada.
- 14:16Depois, exato, ele escreve para o nimbour dizendo exatamente
- 14:20isso. Que ele perderia o direito moral
- 14:23de ajudar na reconstrução se não passasse pelas mesmas provações?
- 14:26E aí ele volta. Volta para uma realidade onde a
- 14:30resistência pacífica, aquela simples oposição pelas palavras
- 14:35e sermões, já tava se provando totalmente inútil.
- 14:39O maquinário de morte do Hitler tava literalmente devorando a
- 14:44Europa. E é nesse ponto crítico que a
- 14:46narrativa do Boeing of? Cruza uma Fronteira ética que é
- 14:50simplesmente inimaginável para muita gente.
- 14:52O teólogo pacifista se junta uma conspiração para assassinar o
- 14:57chefe de estado. Uma virada de chave brutal.
- 15:01A inserção dele nessa rede de conspiração é uma obra de mestre
- 15:05da subversão. Ele é recrutado para abwehr.
- 15:08Que era o serviço de inteligência militar alemã.
- 15:12Isso mesmo, o cunhado dele, Hans von donnie, trabalhava lá
- 15:16dentro. E convence o comandante, o
- 15:18almirante vilham tanaris, a abrigar o boehofer.
- 15:21E qual era a desculpa oficial para ter um pastor na
- 15:25inteligência militar nazista? A fachada oficial era que o
- 15:29tinha muitos contatos ecumênicos importantes pela Europa e que
- 15:34isso seria tipo super útil para a espionagem do regime.
- 15:37Mas, na prática, a abever. Estava se tornando o epicentro
- 15:42do movimento interno de resistência contra o Hitler
- 15:45dentro do próprio governo. Uma ironia gigantesca.
- 15:48Ele literalmente usava o dinheiro, os passes de viagem e
- 15:52as credenciais do governo nazista para tentar derrubar
- 15:56esse mesmo governo. É uma vida dupla de altíssimo
- 15:59risco. Sobre essa fachada de espião
- 16:01confiável, ele viajava livremente para locais neutros,
- 16:05tipo a Suécia. As Fontes mencionam um encontro
- 16:08ultra secreto lá em sing Tuna com o bispo Bell da Inglaterra.
- 16:12E o que rolou? Lá, o boni ofer estava
- 16:13basicamente pedindo para o bispo e avisar o governo britânico
- 16:17sobre o plano de golpe interno. Eles queriam tentar negociar
- 16:21termos de paz caso conseguissem matar o Hitler e tomar o poder.
- 16:24Agora pausa pra pensar numa coisa, o planejamento desse
- 16:29tiranicídio o assassinato de um tirano deve ter sido o ápice da
- 16:34crise ética na mente dele. Com certeza absoluta.
- 16:37Eu fico pensando fazendo mais uma daquelas analogias, como é
- 16:41que um médico que fez Juramento de salvar vidas justifica
- 16:46deliberadamente se infetar com o vírus letal, manchando as
- 16:50próprias mãos, só para tentar criar uma cura para a
- 16:53comunidade? É uma ótima forma de visualizar.
- 16:57Como é que um homem devoto, um pastor que estudou profundamente
- 17:00o sermão do Monte sobre dar a outra face e não resistir ao
- 17:04perverso? Justifica planejar um
- 17:06assassinato a sangue frio num quartel general?
- 17:09Ele mesmo usava uma analogia brutal para ilustrar e
- 17:13justificar isso. Ele dizia assim, imagina que o
- 17:16motorista completamente louco tá acelerando o carro desgovernado
- 17:21em direção a uma multidão de pessoas inocentes?
- 17:23Tá a função do pastor cristão ali.
- 17:26Não é ficar só esperando o desastre acontecer para depois e
- 17:29consolar os feridos ou fazer o funeral dos mortos.
- 17:33Nossa. A obrigação moral do pastor, se
- 17:36ele estiver perto o suficiente, é pular no carro em movimento e
- 17:40arrancar o louco do volante à força, custe o que custar.
- 17:43Espera, deixa eu ver se consigo desdobrar profundidade
- 17:46gigantesca disso? Isso significa que, na visão
- 17:50dele, tentar manter a própria consciência perfeitamente limpa.
- 17:55Tipo, não se sujar com a violência de jeito nenhum, pode
- 17:59acabar sendo um ato de puro egoísmo moral.
- 18:02Exatamente onde ele queria chegar.
- 18:04Se o preço dessa pureza intocável for cruzar os braços,
- 18:09ficar orando num canto e deixar milhares de pessoas serem
- 18:13exterminadas na sua frente? Esse é, sem a menor dúvida, o
- 18:17pensamento ético mais provocador e pesado de toda a obra madura
- 18:22dele. Banhofer argumentou que essa
- 18:24obsessão nossa por manter as mãos limpas diante de um mal
- 18:28absoluto é, na verdade, uma recusa covarde de assumir a
- 18:31responsabilidade pela vida do nosso próximo.
- 18:34Faz muito sentido dentro da teologia dele.
- 18:36A fundação da ética dele é a própria ação de Cristo, que foi
- 18:40inteiramente vicária, né? Ele tomou sobre si a culpa da
- 18:44humanidade. Isso e da mesma forma, o
- 18:46banhofer concluiu que nessas situações de tirania Extrema,
- 18:50insana. O indivíduo que age com
- 18:52verdadeira responsabilidade tem que estar disposto a agir em
- 18:56favor dos outros, mesmo que isso signifique contrair uma culpa
- 19:00moral gravíssima, como conspirar para o assassinato de alguém.
- 19:04Ou seja, ele não tentou encontrar nenhuma brecha
- 19:07teológica fácil para dizer que o assassinato do Hitler seria algo
- 19:12bom ou uma guerra Santa justificável.
- 19:14Perfeito, ele não maquiou o planejamento dessa morte.
- 19:19Ele compreendia a ação como um ato profundamente manchado pela
- 19:23culpa. Era um pecado terrível, mas
- 19:26assumido voluntariamente por amor às vítimas que estavam
- 19:30morrendo. Ele agiu tendo total consciência
- 19:33de que estava se sujando. Sim, e a única Esperança dele
- 19:36não era uma autojustificação heroica de que ele era O
- 19:39Salvador da Pátria. Mas sim, se lançar totalmente à
- 19:43misericórdia e ao perdão de um Deus soberano.
- 19:46Ele pecava confiando na graça, não no próprio certo.
- 19:49E essa vida dupla de espionagem e conspiração, carregando esse
- 19:54peso ético gigantesco nas costas, acaba esbarrado num erro
- 19:58humano da resistência. Infelizmente.
- 20:01Em abril de 1943, a gestapo finalmente prende o boné offer e
- 20:05o cunhado dele. O detalhe é que eles ainda não
- 20:10sabiam do plano do assassinato. Não, eles só suspeitavam de
- 20:13algumas coisas menores. É tipo desvio de fundos da
- 20:16agência para ajudar judeus a fugirem e evasão militar.
- 20:21E aqui a história joga a gente pros corredores frios e
- 20:24cinzentos da prisão militar de tesel, mais especificamente para
- 20:29a cela 92. E as transcrições dos
- 20:32interrogatórios que a gente tem dessa época?
- 20:34Mostram um teatro absolutamente brilhante da parte dele.
- 20:39Um ator nato. O promotor militar que era um
- 20:42cara chamado holder, tentava encurralar ele de todo jeito, e
- 20:46o Boeing efer fingia perfeitamente ser apenas um
- 20:50pastor acadêmico muito ingênuo, alienado, que mal sabia o que
- 20:55estava acontecendo no mundo da política.
- 20:57E o impressionante é que enquanto ele interpretava esse
- 21:00personagem Pateta nos interrogatórios.
- 21:02Lá dentro da cela, ele operava um esquema super sofisticado,
- 21:06os. Códigos escondidos.
- 21:08Sim, ele se comunicava com a família e com o pessoal da
- 21:12resistência usando livros. Ele sublinhava letras a cada
- 21:16tantas páginas, formando palavras.
- 21:18Ou então escrevia pequenos bilhetes com lápis, quase
- 21:21invisível. E não tinha também o lance dos
- 21:24potes de geleia? Verdade.
- 21:26Ele enfiava mensagens secretas no fundo duplo de potes de
- 21:29geleia e livros que entravam e saíam na prisão, com a ajuda de
- 21:33alguns guardas simpatizantes. O que é incrível pra mim é a
- 21:37capacidade intelectual de continuar produzindo pensamento
- 21:41refinado numa situação de tamanho estresse.
- 21:45É lá na prisão, nessas condições, que ele rascunha o
- 21:48famoso ensaio chamado depois de 10 anos.
- 21:51Um texto seminal. Onde aparece aquela frase super
- 21:54célebre sobre o olhar a partir de baixo, ele argumenta que a
- 21:58grande lição daquela década sombria foi finalmente aprender
- 22:02a ver a história, não pela perspetiva dos Fortes, dos
- 22:05poderosos e vencedores. Mas sim sobre a ótica dos
- 22:09excluídos. Dos suspeitos, dos que sofrem a
- 22:12opressão e o peso da história na própria pele.
- 22:16Só que o que as cartas dessa época na prisão revelam é uma
- 22:19humanidade que transborda e que muitas vezes choca quem está
- 22:23esperando ler a postura de um Santo estoico e desapegado de
- 22:27tudo. Ah, as cartas da prisão são
- 22:28fascinantes. Olha isso, no início de 1943, um
- 22:32pouquinho antes de ser preso, ele tinha ficado noivo da Maria
- 22:35von v de Meyer. Ela era uma mulher de 19 anos,
- 22:39mais nova que ele, e a correspondência clandestina que
- 22:42eles trocam de dentro da cela não tem absolutamente nada de
- 22:46espiritualização fria, né? Nada mesmo.
- 22:49Isso me surpreendeu muito lendo as Fontes.
- 22:51As cartas são super passionais, cheias de uma saudade visceral,
- 22:55planos de casamento, vontade de viajar, de viver.
- 22:58Sem contar os relatos bizarros de que o tio dele, o Paulo von
- 23:02rase, que era comandante de Berlim.
- 23:04O tio usava a influência militar, sim.
- 23:07O cara IA lá visitar o sobrinho na cela e os 2 ficavam bebendo
- 23:11champanhe juntos. Aí quem tá ouvindo para e pensa,
- 23:15olha, essa não é bem a imagem de um mártir monástico fazendo
- 23:20jejum perpétuo e olhando para as nuvens esperando a morte.
- 23:23Foge totalmente do estereótipo. Há uma contradição nisso, tipo
- 23:28um homem que tá ética e espiritualmente preparado para
- 23:31dar a própria vida pela causa. Mas que ao mesmo tempo que é tão
- 23:35desesperadamente o prazer da vida terrena, do amor romântico
- 23:40de um bom champanhe. Olha, não há contradição
- 23:42absolutamente nenhuma nisso. Na verdade, essa paixão terrena
- 23:47intensa é a própria substância da fé amadurecida que ele estava
- 23:51formulando ali em t gel. Como assim?
- 23:54Ele combatia ferozmente a ideia de que a fé cristã exigia fugir
- 23:58do mundo material, sabe? Aquela coisa de desprezar a vida
- 24:02aqui para ficar buscando um Reino etéreo, invisível e
- 24:05flutuante. O bom falava da profunda
- 24:08mundanidade do cristianismo. No sentido de abraçar o mundo.
- 24:13Exato, o criador fez a matéria, fez as relações humanas e os
- 24:17prazeres físicos. E no fim ele olhou pra tudo isso
- 24:21e chamou de muito bom, então o amor ardente que ele sentia pela
- 24:26Maria, a vontade de casar. O desfrute de uma simples taça
- 24:30de champanhe com um tio. Tudo isso eram, Pra Ele formas
- 24:34de dizer um gigantesco sim, a bondade da criação divina.
- 24:38Isso muda toda a perspetiva, mostra que ele não se entregou
- 24:42para morrer porque ele desprezava o mundo ou porque.
- 24:45Estava com alguma depressão patológica, querendo fugir da
- 24:48vida. Exatamente o oposto.
- 24:50Ele amava viver intensamente e é isso que faz o sacrifício dele
- 24:54ser tão monumental. Ele tinha um futuro humano
- 24:57brilhante e cheio de afeto que foi violentamente arrancada das
- 25:01mãos dele. E mesmo assim ele permaneceu
- 25:04leal às convicções. Sem recuar.
- 25:07Infelizmente, todo esse futuro imaginado é pulverizado no verão
- 25:11de 1944. O colapso da conspiração?
- 25:14A famosa operação Valquíria, aquele atentado à bomba contra o
- 25:19Hitler liderado pelo coronel Klaus Fontes talfenberg no dia
- 25:2420 de julho, fracassa miseravelmente.
- 25:28A bomba explode na sala de reuniões, mas o ditador sai
- 25:31apenas com os arranhões. E a resposta do regime é
- 25:34implacável. O governo entra num frenesi
- 25:37investigativo paranoico e a tragédia se consolida de vez.
- 25:42Quando a gestapo descobre, meio que por acaso, os arquivos
- 25:46secretos da abver. Eles estavam escondidos num
- 25:49cofre, numa base lá na região de zossen.
- 25:52Toda a conspiração vem à tona de uma vez só.
- 25:55O destino dele foi selado naquele instante.
- 25:58Aí as condições que já eram ruins pioram drasticamente, ele
- 26:03é transferido do regime militar suave de tegel lá para as
- 26:07masmorras subterrâneas e aterrorizantes do quartel
- 26:11general da gestapo e, eventualmente, ele é jogado no
- 26:14pesadelo que era o campo de concentração de booking valde.
- 26:18E, por fim, vai pro campo de extermínio de flostenberg.
- 26:21Tudo isso sob ordens diretas de retaliação e vingança pessoal
- 26:27que vieram lá do alto escalão do Hitler?
- 26:30Sim. O Hitler queria os conspiradores
- 26:32destruídos. O relato final dessa jornada
- 26:35trágica acontece em abril de 1945.
- 26:40Num domingo, logo após a Páscoa, dia 8 de abril, os prisioneiros
- 26:44estão sendo movidos de um lugar para o outro e fazem uma parada
- 26:49improvisada numa escola na Vila de chonberg.
- 26:52Um cenário desolador. Aí, a pedido dos próprios
- 26:56companheiros de cela, que eram caras de várias nacionalidades e
- 27:00confissões diferentes, o banhofer conduz um pequeno
- 27:03culto. Ele lê aquelas passagens
- 27:06proféticas de Isaías sobre como, pelas suas pisaduras, fomos
- 27:11sarados todos que estavam naquela sala.
- 27:26Naquele momento, compreenderam o código, aquele era o chamado
- 27:30direto para o patíbulo. Pra forca?
- 27:33Ele teve tempo de reagir. Ele teve tempo apenas de puxar
- 27:37pro lado um companheiro de prisão britânico, um cara
- 27:40chamado painbest, e pedi que ele memorizasse uma última mensagem
- 27:44para entregar o bispo Bell lá da Inglaterra, caso ele
- 27:47sobrevivesse à. Guerra.
- 27:50Uma mensagem simples, mas que define toda a visão de mundo
- 27:54dele. Ele disse, este É o Fim.
- 27:57Mas, para mim, o início da vida. Caramba.
- 28:00Na madrugada do dia 9 de abril, as cortes marciais arranjadas às
- 28:05pressas e sem defesa, terminam o teatro delas.
- 28:10Bonnuefer é despido de todas as suas roupas e levado ao pátio do
- 28:14campo para ser enforcado um nu. E.
- 28:17O testemunho ocular que a gente tem desse momento final vem do
- 28:21próprio médico do campo nazista, o doutor Fisher houstrong, ele
- 28:26descreveu nos registros. Que através de uma porta
- 28:29entreaberta, ele viu o pastor ajoelhado no chão de lado de
- 28:33cimento, orando com uma intensidade que marcou ele
- 28:35profundamente. O médico escreveu que em 50 anos
- 28:41de profissão médica quase nunca tinha visto um homem se submeter
- 28:45tão inteiramente à vontade de Deus diante da morte inevitável.
- 28:49Uma dignidade inabalável. Encarando a máquina de terror
- 28:53frente a frente, a execução cumpriu o seu propósito físico
- 28:57macabro, claro, mas falhou miseravelmente no propósito
- 29:01moral, que era tentar desumanizar, quebrar o espírito
- 29:05e humilhar os envolvidos naquela resistência.
- 29:08Contudo, a gente precisa encarar um detalhe histórico aqui, que
- 29:12traz uma ironia terrivelmente amarga para o nosso debate.
- 29:15O calendário. Builfer é enforcado em
- 29:189/04/1945. Apenas 2 semanas depois, tropas
- 29:24Americanas entram e libertam aquele exato.
- 29:27Campo de concentração. E em 3 semanas, Adolf Hitler
- 29:31comete suicídio no bunker lá em Berlim.
- 29:35A guerra acabou logo em seguida. A provocação duríssima que as
- 29:38Fontes levantam pra gente pensar é a seguinte, se a gente olhar
- 29:41pelo lado do pragmatismo, histórico puro e simples, a
- 29:45conspiração não parou o maquinário a tempo.
- 29:47Ele morreu há dias da salvação inevitável.
- 29:50Toda essa perda de uma vida genial não teria sido imenso e
- 29:54trágico? Desperdício inútil.
- 29:56Olha, se analisarmos apenas pelos resultados políticos
- 30:00imediatos, o senso comum diria que sim, mas a resposta
- 30:05definitiva para esse aparente desperdício está no conceito
- 30:08teológico que o próprio Bonner elaborou lá na obra dele chamada
- 30:12ética. Qual o conceito?
- 30:14Ele fala da tensão constante na nossa vida entre a realidade do
- 30:17que ele chama de penúltimo. E a realidade do último?
- 30:21O fracasso político da resistência, aqueles tribunais
- 30:24forjados, a humilhação das masmorras e a corda da forca.
- 30:29Tudo isso é história humana visível.
- 30:31Pertence à realidade penúltima. Certo, se o fracasso e a
- 30:35fortação a realidade penúltima, o que seria a última?
- 30:39A realidade última é a ação de Deus na história, é o perdão, a
- 30:44justificação. A Esperança final escatológica
- 30:47que não pode ser manipulada, tocada ou destruída por nenhum
- 30:50ditador. O sacrifício dele não exigiu um
- 30:52triunfo militar imediato e visível para ter validade.
- 30:56Entendi. Ao entregar a própria vida
- 30:58daquele jeito, a postura do boné foi uma conformação absoluta e
- 31:03literal, a fraqueza de Cristo na Cruz, mesmo falhando em derrubar
- 31:08a estrutura de poder ali na hora.
- 31:11A ação ética dele manteve intacta a dignidade da resposta
- 31:15humana perante o mal ele. Provou o ponto dele?
- 31:18Provou que, mesmo quando a dimensão histórica te esmaga
- 31:21completamente, você ainda pode ser completamente livre e
- 31:25vitorioso na dimensão eterna? E essa Liberdade e Vitória dele
- 31:29continuam ecoando até hoje por causa do que a gente chama de
- 31:33legado de papel. O corpo físico foi silenciado
- 31:36ali em florcemburgo. Mas a voz do bonffer se tornou
- 31:39assombrosamente alta após o fim da guerra.
- 31:42Ganhou o mundo. Todas as cartas de amor, os
- 31:45livros inacabados e hoje a obra completa dele é o atestado
- 31:51máximo de que a sua teologia inteira foi paga e autenticada
- 31:56com o próprio sangue, né? Sem dúvida, a biblioteca que ele
- 31:59deixou influenciou profundamente cada década subsequente de
- 32:03pensamento cristão. A gente tem livros monumentais,
- 32:07como o custo do discipulado, onde ele tipo destrói a noção da
- 32:11graça barata batendo de frente. E é um clássico.
- 32:14E tem ouvido em comunhão dissecando a necessidade da
- 32:17gente tolerar a realidade do outro na igreja, em vez de amar
- 32:21apenas a imagem idealizada que a gente cria dela.
- 32:24Aquele choque de realidade que ele viveu no ralen impresso ali.
- 32:28Exato, tem a obra ética, abordando a questão da
- 32:31responsabilidade ativa no mundo. E, claro, o icônico resistência
- 32:37e submissão, que é a compilação póstuma daquelas cartas da
- 32:40prisão, onde ele explora esse instigante conceito de como
- 32:43viver uma fé genuína no mundo que já amadureceu
- 32:47intelectualmente. E o grande desafio de lidar com
- 32:50essa biblioteca toda hoje é conseguir trazer o peso dessas
- 32:54palavras para a realidade de quem nos ouve agora.
- 32:57Trazer para o nosso chão, para. A pessoa que está aí presa no
- 32:59trânsito urbano pesado, lidando com pressões de metas no
- 33:03escritório, pagando boletos ou cuidando dos filhos em casa.
- 33:08Gente que está muito longe de grandes conspirações militares
- 33:11para assassinar ditadores ou de Campos de concentração.
- 33:14Graças a Deus. Onde exatamente o fantasma ético
- 33:18do legado de di tribon hoffer, a sombra, a vida comum de hoje a.
- 33:23Sombra minando o nosso silêncio obsequioso e o nosso conforto
- 33:28moral. Diário o legado dele
- 33:30simplesmente não permite que a fé seja usada como um analgésico
- 33:35para as nossas conveniências. A cobrança que a vida dele joga
- 33:39na nossa cara é super clara as convicções que você alega ter.
- 33:43Custam alguma coisa na prática? É um soco no estômago.
- 33:47Responsabilidade, segundo o que ele viveu, significa não se
- 33:51limitar a ficar no fim da linha, cuidando das pessoas que foram
- 33:54atropeladas pela engrenagem de um sistema injusto, sabe?
- 33:57Seja num ambiente corporativo tóxico, nas tensões raciais ou
- 34:02no meio social, responsabilidade exige que você tenha coragem
- 34:06cívica e moral de enfiar um pedaço de ferro nas engrenagens
- 34:09dessa roda gigante pra tentar Pará la.
- 34:12É intervenção ativa? É quase impossível sair ileso
- 34:16depois de ser exposto a esse nível de escrutínio moral que a
- 34:19vida e a morte deles exigem de nós.
- 34:21E Ah, eu gostaria de acrescentar uma provocação final aqui, que
- 34:25emerge da leitura da totalidade dessas Fontes, um pensamento
- 34:29para quem está com a gente continuar mastigando.
- 34:32Manda. O boné fer diagnosticou a
- 34:34religião da Alemanha da época dele como intoxicada pela graça
- 34:39barata, né? O desejo de ser perdoado sem
- 34:42confrontar as próprias ações. Se a gente traduzir isso sem
- 34:46filtros para a sociedade atual, a gente precisa parar e se
- 34:50perguntar, até que ponto nosso ativismo barulhento de internet,
- 34:54os nossos textões gigantes exigindo virtude dos outros nas
- 34:58redes sociais ou mesmo os nossos polidos discursos de ética
- 35:01corporativa não se tornaram, na verdade, a nossa nova versão
- 35:05laica e Moderna de graça barata? Nossa, pesado.
- 35:09Exigindo dos outros sem custo pessoal.
- 35:12Exato. Exigimos justiça estrutural do
- 35:15mundo o tempo todo pelo teclado, mas fugimos desesperadamente
- 35:19quando somos chamados a pagar no mundo real e físico, um preço
- 35:23pessoal que doa no bolso ou na pele pela justiça que a gente
- 35:27tanto prega na rede. Fica a reflexão.
- 35:30E assim fechamos este dossiê completo e unificado da vida de
- 35:34di trick buing hoffer, um homem que recusou a fé barata e provou
- 35:37que seguir a Cristo pode custar tudo.
- 35:40Se este legado marcou sua vida, deixa sua avaliação na
- 35:44plataforma. Compartilhe esse episódio e
- 35:46continua com a gente na série até o fim, até a próxima
- 35:49jornada.