Latest / Café com Dungeon / Estrelas de São Custódio - Entreouvido na Frasqueta #001
Transcript
- 0:06Entre o vidro e uma frasqueta A Frasqueta não é mais aquela
- 0:28vila pacata de outros tempos. Os aventureiros mudaram para
- 0:32sempre o cenário, com os frutos de seus sucessos e com os
- 0:36problemas de seus fracassos. A noite tranquila e estrelada de
- 0:41hoje é uma ocorrência cada vez mais rara.
- 0:44A Traverna da Frasqueta vibra com quem tem dinheiro para pagar
- 0:49pelo delicioso pão com tomate e iscas de peixe que adora serve.
- 0:53e seus frequentadores lidam com os pedintes que se espalham pelo
- 0:57lado de fora das janelas e na varanda, à espera de caridade ou
- 1:03de restos. Ali, na taverna, se reúnem três
- 1:07figuras de maior ou menor renome junto ao mundo dos aventureiros,
- 1:13dessa vez sem a pressão de tomar a cerveja ritualística que os
- 1:18conecta aos titãs, obrigatória antes de incursionar nos ermos.
- 1:23Hoje não. Nessa agradável noite de outono,
- 1:26eles jogam conversa fora, desfrutando o que trouxeram de
- 1:31seu arriscado negócio. A Dora, dona da taverna, se seca
- 1:37no avental e pousa a mão no ombro de Brisa.
- 1:42Olha na cara de cada um dos aventureiros e fala baixinho.
- 1:46Vocês já pararam pra ver o céu de outono na frasqueta?
- 1:53Nessa época do ano, o tempo ainda não castiga e algumas
- 1:57noites são tão bonitas. Repararam nas estrelas?
- 2:02Eu tava olhando aqui mais cedo, no início da noite, e vi que tem
- 2:07duas juntinhas que parecem pertinho da gente agora.
- 2:11Vocês repararam? Elas estão mais próximas do que
- 2:14as outras, não estão? Elas são para lembrar do fim que
- 2:18os larápios biltres têm aqui na frasqueta.
- 2:22Eu batizei de olhar de São Custódio essas duas estrelas.
- 2:29Adora sorrir. Em algum lugar, um impulso
- 2:33reacionário... foi contemplado quando ela pagou umas boas
- 2:37moedas de ouro pros aventureiros que estavam partindo pro Pico da
- 2:42Luneta levassem a cabeça de um ladrão que roubou o cofre de São
- 2:47Custódio, do qual o seu filho, coach de fortuna, trouxe de
- 2:53Porto Príncipe. A Dora se levanta, olha pra
- 2:58comida à mesa e pergunta. Pra vocês parece mais simples...
- 3:05Assaltar a Igreja de Fortuna do que achar um jazigo de titã, não
- 3:10é isso? É assim que parece pros
- 3:11aventureiros? Pois se isso parecer verdade,
- 3:15pode espalhar a notícia. Lembrem do céu de outono da
- 3:19Fresqueta. Mas enfim, conta pra mim,
- 3:23Lirinha. Você tem a ver com os barulhos
- 3:27que a gente ouviu daqui da Fresqueta, vindos lá da Serra da
- 3:30Luneta? Parecia que as rochas estavam se
- 3:33partindo, que tudo ia desabar. Mas depois tudo ficou quieto e
- 3:38voltou à normalidade. Por algum momento eu pensei que
- 3:40eu tinha perdido mais clientes. O que aconteceu?
- 3:45Ih, chefe. Essa é uma longa história.
- 3:47E ainda bem que temos uma cerveja aqui pra adocicar as
- 3:52gargantas. Mas sabe como é?
- 3:54A minha paga aqui não tá tão generosa assim.
- 3:58Você não poderia, pelo menos hoje, já que estamos aqui entre
- 4:02uma companhia tão agradável, a Brisa, tem o Fausto, trazer um
- 4:06pouco, só um tequinho daquela cerveja especial?
- 4:11Você tá falando da bergotem, Leirinha?
- 4:14Não, não. Bom, isso é uma cerveja sagrada,
- 4:16mas aquela safra mais encorpada. Eu vou fazer o seguinte, eu vou
- 4:22trazer a cerveja que eu uso pra fazer a bergotem, mas sem o
- 4:25preparo da bergotem, serve? Opa!
- 4:29Tá servido. Ah, bom.
- 4:31Eu tava achando que vocês estavam ficando viciadinhos aí
- 4:34na cerveja, né? Não, não.
- 4:37Os meus vícios são só meus. Não coloquem no input eles aos
- 4:40outros. Ela levanta o dedo assim.
- 4:44Brisa, uma também? Quero.
- 4:47Sem o preparo da bergota, hein? Porque apesar de viciante sim, a
- 4:52gente sabe que ela é perigosa, né?
- 4:55e você Fausto, vai uma também? com certeza pode contar comigo
- 5:00nessa Jamanta traz três e ela faz assim com o dedo e chama os
- 5:08três as três cervejas pra vocês e aí ela olha e fala assim mas
- 5:12aí, o que aconteceu afinal? você não quer falar sobre isso,
- 5:15Lirinha? Brisa, me acorde aqui, Brisa é
- 5:20que tudo pareceu um sonho, sabe? a gente tinha bebido da bergotem
- 5:24e por um momento a gente não estava mais aqui.
- 5:29Você sabe como a Bear Gotham é, né?
- 5:31Ela tem suas sutilezas. E aí, de repente, de forma nada
- 5:35sutil, a gente se viu imaginando e sonhando um sonho do outro.
- 5:42E aí, bom, um sonhou numa tempestade...
- 5:48Eu sonhei que a gente se elevava aos céus...
- 5:51E os sonhos foram se seguindo... E felicidades foram
- 5:54acontecendo... E...
- 5:57Bem... Quando a gente...
- 5:58De fato estava nos ermos... A gente de fato estava diante de
- 6:02uma situação desesperadora... Que é...
- 6:05A gente estava... Andando pelas montanhas...
- 6:07E subindo... E procurando ganhar terreno...
- 6:09Naquele momento... Só me veio à mente o sonho...
- 6:13E aí eu... Falei com o pessoal...
- 6:15Falei... Olha...
- 6:17Acho que é a hora, hein, da gente sonhar junto.
- 6:22Pra falar a verdade, quem falou isso foi a Brisa, mas eu que tô
- 6:26contando a história, a história é minha.
- 6:28Ela que se contente com a glória de cerveja.
- 6:30A Eulirinha tem essa síndrome do protagonista, né, Brisa?
- 6:35É tudo bem. É bom que ele paga pelos nossos
- 6:39erros também, né? E teve algum erro ali?
- 6:42Como é que foi isso? Ali não, mas teve outro que eu
- 6:45vou puxar aí pra falar. Ah, é?
- 6:48Termina de contar a história da estrela.
- 6:51Eu tô mais com medo da próxima história, então eu vou que
- 6:54desce. Mas sabe que naquele momento que
- 7:00sonhamos junto, graças a uma brilhante ideia que surgiu ali,
- 7:06nós demos as mãos, fechamos os olhos, e de repente nós sentimos
- 7:10o chão se elevando. E uma escadaria foi nos
- 7:14carregando magicamente pelas montanhas ela subiu ela desceu,
- 7:20ela deu voltas e o chão foi sendo arrasado por essa
- 7:24escadaria que surgiu magicamente de um sonho peraí, peraí, então
- 7:28quer dizer que tem ou não tem uma escada lá agora?
- 7:33tem até onde a gente viu a gente foi e voltou dela a gente ouviu
- 7:39daqui alguma coisa é, só que isso veio de um sonho Ela olha,
- 7:46ela pega a moedinha dela que tem no pescoço, beija com uma
- 7:49oferenda de carinho, fortuna. É, vai bem que os deuses nos
- 7:53protegem dos titãs, não é? Protegem?
- 7:58Gente, vocês estão muito preocupados com os deuses, com
- 8:01os titãs. A gente vai vivendo porque somos
- 8:03pequenininhos aqui e a gente vai vendo o que dá.
- 8:07Pensem na vida como um palco, só que sem diretor.
- 8:12Sem ninguém pra falar o que é certo e errado.
- 8:14E a gente vai usufruindo assim. Um dia, uma bebida com certos
- 8:18elementos mágicos, obviamente, nos deixa sonhar.
- 8:24E no outro, a gente tá, bem, numa caverna com uma aranha
- 8:28gigante. Acho que disso a Brisa pode
- 8:30falar. Matando o que nos protege do
- 8:34Titão do Vazio. Né, Lirin?
- 8:37Lendas, lendas. O que tinha lá era uma aranha.
- 8:40Era uma viúva negra gigante. E vou dizer a verdade antes dela
- 8:45do que eu. Mais ela que nós, né, Brisa?
- 8:48Do que nós. Explica direito isso, Brisa,
- 8:51porque eu não fiquei sabendo disso.
- 8:54Tem algum risco acontecendo aqui?
- 8:55Estava tudo escuro. Eu e Lirinha estávamos dentro do
- 8:59Monte do Ocarina e a gente tinha ido lá pra matar a Viúva Negra.
- 9:04A Viúva Negra das histórias todas.
- 9:10Por um momento eu achei que nós queríamos no lugar dela.
- 9:14Porque quando a gente... Quando você olha pro vazio, o
- 9:18vazio olha de volta pra você. E aí, quando a gente encarou a
- 9:22aranha, ela deixou tudo ao nosso redor escuro e...
- 9:27Eu achei que a gente não fosse conseguir vencer.
- 9:30Mas eu consegui lançar a luz no meu escudo, o Lirinha conseguiu
- 9:33enxergar onde a aranha estava e ele estava com uma varinha de
- 9:37raio e ele matou a aranha. Matar é uma palavra muito forte.
- 9:43Eu queria apenas atordoá-la com...
- 9:46Sabe quando você às vezes toma um choque?
- 9:48Acontece. Até onde eu vi, ela ainda tinha
- 9:53uma patinha assim, fazendo leves movimentos quando eu a deixei.
- 9:57Isso é uma interpretação da realidade, né?
- 10:01Pra não dizer que é uma mentira. Mas peraí, vocês foram lá,
- 10:07descarregaram um raio na viúva negra e vocês libertaram um
- 10:13titã? Consequências não previstas.
- 10:22Depois disso, o que se sabe é que a floresta do Cazulo tá
- 10:29sendo tragada pra dentro da montanha da Alcarina.
- 10:34Se é o Titão ou não, não temos certeza.
- 10:36Ninguém viu. As pessoas supõem.
- 10:39Como dramaturgo, eu diria que isso é inverossímil.
- 10:43O que uma aranha vai ter a ver com uma montanha sendo engolida
- 10:48de dentro pra fora, sabe? Não faz sentido.
- 10:50Eu acho que as pessoas estão fazendo interpretações aí que
- 10:54isso deve ser um desastre natural.
- 10:56Normal, acontece. Eu vim de um lugar que, vez ou
- 10:59outra, tinha terremoto. Isso aí é só uma forma nova de
- 11:01terremoto. Eu não ficaria tão preocupado
- 11:04assim. É, tem gente que encara o mundo
- 11:06assim, né? De que tudo é um fenômeno
- 11:08natural, inclusive os fenômenos que são causados por nós.
- 11:14Pode ser que isso seja nosso calvário, quem sabe, mas espero
- 11:18que não, né? Ela olha em volta, assim, e
- 11:20quando ela olha em volta, vê uma série de pessoas que estavam
- 11:24bebendo tranquilos em volta, começam a pegar uma nesga do
- 11:28papo e ficarem preocupadas também.
- 11:31Mas aí ela olha e fala, então vocês eletrocutaram uma aranha.
- 11:34Ela olha e fala assim, sabe quem faz uma coisa dessa e eu já vi
- 11:39fazer uma vez? Aquele velho passa às vezes em
- 11:43volta da frasqueta carregando um monte de coisa, umas tralhas, e
- 11:48ele não para nunca, ele já me passou uma cantada, e nesse dia,
- 11:53sabe o que ele estava fazendo? Ele estava com uma coisa na mão
- 11:58que parecia uma, não sei, uma raquete, alguma coisa assim, que
- 12:03ele passava por cima dos mosquitos e fazia...
- 12:08E os mosquitos caíam fulminados no chão.
- 12:10O velho latoeiro. É, sabe quem conheceu ele?
- 12:13Esse rapaz aqui. Eu ouvi dizer, Fausto, que você
- 12:16conhece ele. Estive com ele, sim.
- 12:20Saímos aqui da taberna depois de tomar a nossa Biergotten.
- 12:24Demos uma voltinha por aí e lá estava ele.
- 12:27Estávamos de barco e ele passava do nosso lado.
- 12:29Demos tchauzinho. Ficamos muito felizes ao vê-lo.
- 12:33Nossos amigos já o conheciam. Eu fui a primeira vez.
- 12:36Mas me pareceu muito gente fina. Tão gente fina que não posso
- 12:40dizer, mas ele salvou minha vida.
- 12:42Quando tentamos adentrar lá no Monte Kibbe, teve um momento que
- 12:47uma criatura que parecia uma barata gigante veio para cima de
- 12:51nós, mordendo nossas armas e a transformando em ferrugem.
- 12:56Fugimos e num surto de medo gritamos em nome dele.
- 13:01Ele apareceu e o tempo parou. Conseguimos sair de dentro do
- 13:06Kibbe, voltamos para casa e tudo normalizou.
- 13:12Ele, com certeza, salvou as nossas vidas.
- 13:17Olha, e eu fico aqui preocupado olhando isso, porque vocês estão
- 13:24falando de um titã resgatado dos mortos, não sei, que pode ser
- 13:30uma ameaça. Por outro lado, tem um latueiro
- 13:33que para o tempo. Vocês trazem umas histórias que
- 13:36são até difíceis de acreditar. Mas é uma coisa tão consistente
- 13:41ao longo do tempo, é tanto aventureiro contando histórias
- 13:45que de uma forma ou de outra se casam entre si, que talvez eu
- 13:51devesse me preocupar até mais. Vocês parecem viver uma
- 13:54realidade paralela, mas que a algum ponto ela toca a
- 13:58fresqueta. Nesse momento a Dora olha em
- 14:01volta e vê como o cenário mudou. A taverna dela agora tem dois,
- 14:05quase três andares, cheio de puxadinho para o aventureiro
- 14:08dormir. Ela volta pra vocês e fala...
- 14:12O dinheiro... Tá dando?
- 14:14Tá pagando? Vale a pena correr esse risco,
- 14:17gente? Abre o coração aqui, porque eu
- 14:21admiro muito e não posso reclamar.
- 14:24Mas vale a pena mesmo? Ah, a gente não faz pelo
- 14:27dinheiro. A gente faz pelos amigos que
- 14:29fazemos no caminho. Bom, isso é com ele.
- 14:33Eu tô aqui pela graninha que me sobra pra pagar ali...
- 14:39Uma peça de teatro, uma bebida diferenciada e, vez ou outra,
- 14:45uma rifa de moleques que dão golpes por aí.
- 14:51Eles pegaram mais um. Mais dois.
- 14:56Alguém grita lá do fundo, mais três.
- 15:00Ela fala, olha, se eles não morrerem...
- 15:05Eu acredito em tudo, porque eles passam a perna em todo mundo.
- 15:09E eu já tô cansada de vagabundo aqui na frasqueta.
- 15:15Não, Dora, não fala assim. Pensa que eles são, digamos,
- 15:19quase um ponto turístico. Se você encara dessa forma, algo
- 15:24pitoresco, é isso abrando o coração.
- 15:27Eu caí no golpe e eles depois me encontraram...
- 15:29Enfim. deram o burrinho de volta tá tudo certo, pra mim tá ótimo
- 15:35o burrinho Stanislavski ele segue aí interpretando a si
- 15:41mesmo como um grande burro vivendo altas aventuras com a
- 15:45gente quando pedras caem na nossa cabeça aconteceu isso?
- 15:52é o Gil quase faleceu nesse dia e eu e a Brisa também é onde
- 16:01isso? No caminho pro Forte da Serp.
- 16:07Ah, e o Forte da Serp... Teve um pessoal...
- 16:09Você foi, inclusive, né, Brisa? Levou um pessoal daqui, o
- 16:12pessoal do sapateiro pra lá. Tá todo mundo bem, Brisa?
- 16:15A gente não teve mais notícia? A Brisa vai ficar num silêncio
- 16:21dolorido. E vai olhar pra baixo.
- 16:26O Lirinha olha pra ela e fala... É...
- 16:31Às vezes tem memórias muito duras quando a gente menciona
- 16:34alguns fatos. Mas eu mesmo, pra mim, tá ótimo.
- 16:37A gente foi pro Forte da Serp aí, levou um pessoal pra lá.
- 16:41Agora o Forte da Serp pertence a uma família de ricaço aí, de
- 16:45gente de sangue nobre. Sei lá, esses caras, você sabe
- 16:48como é. Mas que, enfim, quem tá tocando
- 16:51o projeto mesmo somos nós, aventureiros.
- 16:54A gente tá lá protegendo, a gente até comida faz.
- 16:58Quer dizer... Algumas pessoas que vão com a
- 17:01gente faz, né? Porque, em geral, eu tô muito
- 17:04ocupado lendo e recitando os meus feitiços, a Brisa rezando e
- 17:10o Fausto talvez... Eu cozinho.
- 17:13Eu faço pão. Eu sei cozinhar.
- 17:17É. Ela sabe mesmo.
- 17:19Eu vi ela lá direto ali, andando ali no forno com o sapateiro,
- 17:24né? Parece estranho, né?
- 17:25Mas, enfim, o sapateiro, o forno...
- 17:30Mas o sapateiro tem sido uma grande figura, né?
- 17:33Mas voltando à luneta, tem uma curiosidade aqui no forte da
- 17:36luneta que vocês falaram aí. Bom, a gente, os primeiros
- 17:41rumores que tiveram aqui, que os aventureiros foram investigar,
- 17:45eu lembro bem. Inclusive, aquele pessoal sumiu.
- 17:49Não tem aparecido muito pessoal do pó de mariposa.
- 17:52Mas eles foram até, eles foram caçar um passaralho na serra.
- 17:58Era um ser, uma mistura de urso com coruja, não sei, alguma
- 18:04coisa assim. Mas o fato é que eles voltaram e
- 18:09eu sei que atiçaram o ninho dos passaralhos, então até o pobre
- 18:14do tio Lopes foi morto por um passaralho aqui nas cercanias.
- 18:20E mais do que isso, mesmo capturado...
- 18:24Eu sei que teve um problema com um passaralho recentemente.
- 18:28O Doce Mariposa, um aventureiro, morreu.
- 18:32Ele era muito próximo seu, não era, Lirinha?
- 18:36Agora é o Lirinha quem abaixa os olhos doloridamente e só
- 18:41resmunga. É, era assim.
- 18:44Ele foi uma inspiração pra gente.
- 18:46E o que você faz se você encontra um passaralho na serra?
- 18:52O Lirinha olha pra brisa... Corre.
- 18:55Olha pro Fausto, olha pra Dora, aí a Brisa fala corre, a menina
- 19:02dá de ombro e fala, a gente faz o que pode.
- 19:05Fausto, você falou que tá aqui pelos amigos que você vai fazer
- 19:11no caminho e tal, e onde você tá pensando em fazer amigos da
- 19:14próxima vez? Em todos esses lugares
- 19:17inspiradores. Eu fico aqui a maior parte do
- 19:21tempo sentado na taverna, escrevendo minhas cartas para
- 19:23minha família e imaginando qual será meu próximo destino.
- 19:29São tantas histórias, tantas pessoas contando e passando por
- 19:32aqui que eu me sinto cada vez mais inspirado.
- 19:34Eu não sei nem por onde começar. Ainda estou conhecendo, estou
- 19:38conhecendo esse belo lugar. Fui ali algumas vezes ao Monte
- 19:42Kibbe, mas quero conhecer outros cantos.
- 19:46E escutar deles me inspira cada vez mais.
- 19:50Mas eu vou para onde me levar. Os amigos que faço são os que me
- 19:54levam. Parece um bom negócio, né?
- 19:56Vocês que estão atrás de dinheiro, ele está atrás de
- 19:58amigos. Não precisa dividir por três,
- 20:00divide por dois. Vocês não têm um convite para
- 20:03fazer a ele? Mas aí, um dinheirinho a mais,
- 20:08um dinheirinho a menos. A gente não recusa.
- 20:10É, Brisa, para onde você vai levar ele?
- 20:11Conta aí. Mas acho que as próximas vezes
- 20:16que a gente sair não vai trazer dinheiro, não.
- 20:18Mas eu acho que se a gente não for resolver esse problema lá na
- 20:25Montanha da Ocarina com o Titã, não vai ter nem dinheiro, nem
- 20:29vida, nem história pra contar daqui pra frente.
- 20:32Tá sim, é? Então vamos por aventuras
- 20:35heróicas. Eu tô preocupada, eu tô ficando
- 20:37cada vez mais preocupada, Brisa. Por favor.
- 20:41Dê um jeito nisso. Eu quero uma boa notícia da
- 20:43próxima vez. Bom, alguns vão pelo heroísmo.
- 20:50Eu tenho uma peça a escrever e as ideias...
- 20:54Sabe como é, né? Eu preciso de um gran finale.
- 20:56Quem sabe lá eu encontre. Histórias fecham bem com heróis.
- 21:02Desde que não seja um martírio, né?
- 21:05Tem que lembrar. É um herói, mas não é um santo.
- 21:08Eu já estou cansado de elegias. A última foi uma elegia.
- 21:12Eu quero algo... Um final um pouco diferente, né?
- 21:15E pra sua companhia, Lirinha? Eu sei que...
- 21:18Sua última apresentação mais... Enfim, a grandiosa, né?
- 21:23Foi lá no Burgo. Justamente depois da arena
- 21:26dolorosa. Que perdemos o Mariposa.
- 21:30Como é que você está pensando em tocar a companhia?
- 21:34Tem alguma coisa em vista? Tenho, tenho.
- 21:38Eu, como... A despeito do que dizem certas
- 21:42pessoas... Eu não tenho muita pretensão de
- 21:45ser protagonista. Eu gosto de estar mais por
- 21:47perto. E observando, sabe?
- 21:49Deixando pra alguém os holofotes...
- 21:52Pra que eu possa só contribuir com a minha escrita.
- 21:55Mas... Olha, vou dizer que essa última
- 21:58história com a Viúva Negra... Daria uma ótima...
- 22:01Uma ótima peça. E aí eu pensei assim...
- 22:06Brisa... dos ventos. Algo não tão grandioso, talvez,
- 22:11quanto a história do Mariposa, mas que conte um pouco desta
- 22:14outra personagem que temos aqui à mesa.
- 22:17Eu só espero que dessa vez o meu protagonista tenha um bom final.
- 22:22É, tô preocupada. Não quero fazer parte dessa
- 22:25peça. Se for pra ter o mesmo final do
- 22:27Mariposa, eu prefiro não ser protagonista da sua peça.
- 22:30A gente vê no que dá. Vai que...
- 22:34As coisas se transpiram de forma diferente.
- 22:37Agora, vocês falando aqui, me despertou uma memória.
- 22:39Tinha um rapaz, elfo, que trabalhava aqui na frasqueta.
- 22:45Ele também estava nesse negócio de show.
- 22:47Mas depois que você foi aparecendo, ele foi sumindo
- 22:49também. E foi ficando um caso mais
- 22:52estranho, na verdade. Sabe qual era o tipo de show que
- 22:54ele fazia, Lirinha? Era sobre aranhas.
- 23:01Ele tacava teias pela taverna inteira...
- 23:05Ele... Tinha uma aranha de estimação,
- 23:07inclusive... Do tamanho de um cachorro...
- 23:11Já pensou nisso? Olha...
- 23:14É um ótimo personagem pra essa peça...
- 23:16Talvez... Ao invés de eu me usar...
- 23:19Pra eu poder ficar um pouco mais longe dos holofotes...
- 23:21Eu possa trazer ele... Ótima ideia, Dora...
- 23:25É... Eu não sei pra onde ele anda
- 23:26atualmente... Ele tinha se informado numa
- 23:28casa... Eu ouvi falar que ele comprou
- 23:29uma casa lá pros lados... do templo de visagem enfim não sei,
- 23:37não tenho conectado o que que vem acontecendo de lá pra cá com
- 23:41ele mas pode ser uma boa é agora uma coisa interessante que eu
- 23:49queria perguntar pra vocês é o seguinte assumindo que dê certo
- 23:56essa coisa aí de vocês resolverem o problema da viúva
- 24:00negra e do vazio e da caverna e tudo mais vocês vão se
- 24:06aposentar? vocês tem planos pra isso?
- 24:10ou vocês vão ficar pra sempre nessa vida aí?
- 24:13eu já me aposentei três ou quatro vezes essa expressão
- 24:17antiga que vocês veem aqui eu um dia já fui jovem também E, no
- 24:23fim das contas, a minha impressão é que, pra
- 24:26aventureiro, a aposentadoria nunca pega.
- 24:28Sempre tem uma nova viagem por fazer.
- 24:32A Brisa se considera muito pacata, mas agora que a Dora
- 24:36falou em aposentadoria, a ideia destruiu ela, assim.
- 24:42E aí, na hora que a Dora falou em aposentadoria, ela ponderou
- 24:45sobre ficar com as pessoas das quais ela cuida, curtindo as
- 24:52bençãos de Maria Joana, que é a padroeira dela, e uma boa
- 24:56festinha, que é o que ela gosta, e ela odiou a ideia.
- 25:00Então, ela ficou quietinha, mas ela só balançou a cabeça, assim,
- 25:04porque não vai ter aposentadoria para ela.
- 25:07Curioso, né? Porque...
- 25:10Assim, olhando Fortuna, olha o tempo de Fortuna, a filial de
- 25:15Fortuna. A filial anda muito bem, a
- 25:18filial anda crescendo cada vez mais, com mais riqueza.
- 25:24Ela sobreviveu a um assalto ao cofre, veja só.
- 25:28Então os negócios andam muito bem.
- 25:29Fortuna anda aqui na frasqueta sendo uma grande referência cada
- 25:34vez mais. a fé mais presente, que ajuda mais as pessoas.
- 25:39Como anda a Maria Joana? Como anda a fé de Maria Joana?
- 25:44Você não tem planos para isso? Para crescer essa fé?
- 25:48Para construir um templo, de repente?
- 25:51Para fazer com que isso atraia mais fiéis e vocês possam erguer
- 25:57um grande negócio? Não. a ideia de não querer um
- 26:03negócio pode parecer esquisita pra alguém que segue fortuna.
- 26:08Mas esse não é o objetivo de Maria Joana.
- 26:11Talvez espalhar a mensagem de paz e de união me interesse, mas
- 26:19eu não quero forçar ninguém a nada, não.
- 26:22Esse expansionismo não faz parte do que a gente acredita.
- 26:29Olha, é, vivendo e aprendendo de onde eu vim e onde eu estou isso
- 26:37parece um pouco estranho mas vamos ver no que vai dar
- 26:40provavelmente vai ter gente legal como você então pode ser
- 26:47interessante olha Dora eu posso afirmar com certeza que são as
- 26:53melhores festas que eu já vi a gente tá precisando abrir um
- 26:58pouco mais a mente sabe Lá na filial, por exemplo, o pessoal
- 27:04festeja sem bebida, né? Então, suco.
- 27:09Aí você vê, você vê, Dora? Olha a gente aqui quando a gente
- 27:13festeja com a cerveja dos titãs. Vê o tipo de coisa que a gente
- 27:18consegue. Ou as festas que a própria Brisa
- 27:22deu no Forte, quando a gente estivemos lá, a gente passou uns
- 27:25dias por lá. Eu cheguei a dar festa na
- 27:28frasqueta também, distribuir erva pra todo mundo, quando a
- 27:31gente entrou no jazigo que a gente saqueou a viúva negra.
- 27:39A primeira vez que saqueamos ela, ela tava viva ainda e eu
- 27:41quase morri pra tirar aquele dinheiro de lá.
- 27:44E aí eu dei uma festa que distribuiu erva para a festa
- 27:47inteira e transformei isso aqui numa sala.
- 27:49É, não deixa de ser uma liturgia, né?
- 27:52E por mais que os pais não encontrassem os machados dos
- 27:55filhos que deixaram na estante de casa na noite anterior, de
- 27:59certa forma, é, foi curioso. E isso é o ofício, caro Fausto?
- 28:07Você falou que quer fazer amigos.
- 28:08No futuro você se imagina num grande acampamento cheio de
- 28:13amigos. Onde é que você quer chegar,
- 28:15exatamente? De onde eu vim, nós tínhamos um
- 28:18clã. Eu vim do clã Valdir, de uma
- 28:22ilha distante. E eu me imagino conseguindo
- 28:26trazer toda minha família para cá.
- 28:29Todo meu clã. Reestabelecer meu clã por aqui.
- 28:32Encontrar um lugar pacífico. Conquistar um terreno seguro
- 28:37para aventureiros pararem e descansarem também.
- 28:41Sem o medo dos ermos. Terras para poder unir todo meu
- 28:47clã novamente. E termos festas, as nossas
- 28:50famosas festas dos anões. Esse é o meu sonho e a minha
- 28:55esperança, quando vim para este reino.
- 28:59Conhecer mais, de ter um lugar para realmente poder descansar
- 29:04após todas as aventuras. Algum bebum ergue o caneco e
- 29:09grita, Ah não, é igual assim! Salve!
- 29:15E brada o negócio. E bom, vocês nesse momento
- 29:19percebem que alguém levanta e pede para a Dora uma coisa que é
- 29:22bem familiar para vocês. Dora, vamos incursionar.
- 29:29Tire cinco desse caldeirão. Manda a Biergotten para cá.
- 29:35A Dora bate no ombro de vocês e fala, é, hoje tem.
- 29:40E vai lá preparar a Biergotten para aventureiros que vão tentar
- 29:44a sorte no dia de hoje, nessa bela noite de outono na
- 29:49frasqueta. Esse foi um episódio de Natal do
- 30:02Café com Dungeon, trazendo um pouquinho de Birra Gothen.
- 30:06Entre Ouvido na Frasqueta é um diálogo espontâneo entre
- 30:10personagens de jogadores e NPCs conversando na taverna durante
- 30:14os dias entre aventuras, quando eles têm tempo de dividirem uma
- 30:19cerveja e um tiragosto para colocar em perspectiva as
- 30:23narrativas que viveram e que foram jogadas em nossa campanha
- 30:28aberta. Esse é o primeiro episódio,
- 30:31haverá outros Entre Ouvido na Frasqueta, ainda vamos decidir,
- 30:35porém, se eles virão aqui no Café com Dungeon ou se eles
- 30:38merecem um podcast próprio, um feed próprio.
- 30:41Mas desde já, desafio todos vocês a jogarem com a gente essa
- 30:46campanha aberta e gratuita, na qual valentes aventureiros
- 30:49desbravam os ermos, onde foram os mortos, ou aprisionados os
- 30:54titãs na aurora dos deuses, em busca de tesouros, segredos
- 30:59arcanos e conexões divinas. Venha viver histórias como
- 31:04essas, que podemos ouvir entre ouvido na fasqueta.
- 31:10Quanto ao Café com Dungeon, entramos em recesso e voltamos
- 31:13dia sete de janeiro, terça-feira, na sua manhã com
- 31:17muito RPG. Um abraço e até a próxima.