Latest / Na Mesa com Well / Quem é Jesus? Ep. 3 | Ativismo ou Preguiça?
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- 0:00Bem vindos ao nosso espaço de debate. bem-vindo ao na mesa com
- 0:03well e vamos debater o sobre livro queridinho do well.
- 0:07Ele me disse que faz parte do seu top 3 escritores
- 0:10brasileiros, só estando abaixo de custo do discipulado e
- 0:14inteligência humilhada de Jonas Madureira, que em breve estarão
- 0:17na nossa mesa. É que mesa nós temos pra hoje,
- 0:20né? O tema de hoje mexe, sabe, mexe
- 0:23com estruturas bem profundas. Com certeza.
- 0:27Nós vamos mergulhar na parte 3 do livro quem é Jesus?
- 0:30Do Alessandro Villas boas. É uma obra que tenta, de certa
- 0:34forma, mapear uma Fronteira que é muito, muito invisível.
- 0:37Turva, eu diria. Turva?
- 0:39Exato. Aquela linha tênue entre o
- 0:42ativismo ministerial intenso e a verdadeira comunhão com Deus.
- 0:46Sabe normalmente quando a gente fala sobre exaustão espiritual
- 0:49ou famoso burnout. A gente sempre espera aquela
- 0:53precisão reconfortante de um diagnóstico ortopédico uhum.
- 0:56Tipo quebrar um osso. Isso você cai, quebra o braço,
- 0:59vai para o hospital, o médico te coloca na máquina de raio x,
- 1:03aponta para aquela linha branca irregular na tela preta e diz,
- 1:06pronto, a fratura está bem aqui, o problema é esse.
- 1:10É uma matemática limpa, né? Binária, ou está quebrado ou não
- 1:14está. Exatamente.
- 1:15E Ah, nós amamos isso. A mente humana anseia por essas
- 1:18categorias visíveis. Mas aí você entra no mundo do
- 1:21Ministério cristão, mergulha naquele ativismo religioso, na
- 1:25rotina de uma igreja e, de repente, é como se a máquina de
- 1:28raio x simplesmente entrasse em. Curto nossa sim, a paisagem
- 1:33perde as linhas definidas. Perde totalmente.
- 1:36Como você separa o serviço sacrificial e genuíno daquele
- 1:40ativismo tóxico que consome a pessoa por dentro?
- 1:43E é aqui que eu me posiciono logo de cara.
- 1:45Eu Acredito firmemente que o Alessandro faz um diagnóstico
- 1:48que é cirúrgico e profético ao mesmo tempo.
- 1:51Você compra a premissa dele inteira, então?
- 1:53100%. Ele crava que o ativismo mata
- 1:56mais cristãos do que o próprio pecado.
- 1:59Eu defendo essa primazia absoluta do relacionamento sobre
- 2:01o serviço. Ele faz uma distinção vital,
- 2:04sabe? Entre chamado e vocação.
- 2:06O chamado primordial de qualquer ser humano é conhecer a Cristo,
- 2:10ponto, a vocação, aquilo que a gente faz pra igreja, as
- 2:13tarefas. A liderança é secundária.
- 2:16Olha, eu escuto isso e é eu confesso que olho pra esse
- 2:20conceito como uma dose pesada de cautela.
- 2:23É mesmo porque? Não me entenda mal.
- 2:26A premissa teológica de priorizar o ser antes do fazer é
- 2:29indiscutível. É linda no papel.
- 2:32O meu ponto aqui é que a aplicação prática dessa
- 2:35narrativa. Gera paradoxos imensos no dia a
- 2:38dia. Mas paradoxos de que tipo?
- 2:40Se nós não formos extremamente cuidadosos com a forma como
- 2:44embalamos essa ideia de Ah, eu vou largar o ativismo para ir
- 2:48para o deserto, isso se torna uma Rota de Fuga fantástica,
- 2:52acaba romantizando um isolacionismo estéril que
- 2:56simplesmente não sobrevive à realidade nua e crua.
- 3:00Você diz a realidade da igreja local.
- 3:02Isso, a realidade burocrática, cansativa, de manter uma igreja
- 3:07funcionando. De fato, o alicerce cristão, a
- 3:10intimidade, eu concordo totalmente sem o Jardim.
- 3:13O Ministério é só uma ONG que canta umas músicas lentas.
- 3:16Boas definição? Mas essa dicotomia tão rígida
- 3:19entre o Jardim calmo e o Ministério barulhento me acende
- 3:23um alerta vermelho enorme. Quando a gente exalta tanto essa
- 3:26simplicidade do deserto, nós frequentemente criamos um
- 3:30ecossistema onde a responsabilidade se torna vilão
- 3:33da história. Espera aí, como assim a
- 3:35responsabilidade virou vilão? Eu não vejo como uma questão de
- 3:39romantizar o isolamento, mas de resgatar um design original.
- 3:43Mas pensa no líder comum, o pastor de bairro.
- 3:46Essa romantização do recuo ignora que a congregação exige
- 3:51que alguém limpe o chão, pague a conta de luz, lide com crise
- 3:54conjugal de madrugada. Com certeza a luz não se paga
- 3:58sozinha, mas deixo recorrer a uma ferramenta teológica que o
- 4:01autor usa, que é a lei da primeira menção, onde a
- 4:05humanidade aparece primeiro na bíblia.
- 4:08No Jardim certo, em Gênesis. Deus não nos criou numa fábrica
- 4:13para bater ponto, sabe? Pra entregar relatório de
- 4:16produtividade celestial, ele nos criou num Jardim pra caminhar
- 4:20com ele. Quando Adão cai, a primeira
- 4:23pergunta de Deus não é Adão, porque a colheita atrasou.
- 4:26A pergunta é, onde você está? É puramente relacional e a maior
- 4:32evidência do autor não é teórica, é a própria vida dele.
- 4:36Em 2017, no auge da visibilidade, ele pisou no freio
- 4:40e buscou um esconderijo espiritual.
- 4:43E é exatamente esse o meu maior questionamento prático, vamos
- 4:47pintar um cenário bem real, tá? Imagina aquele líder de jovens
- 4:51que passou os últimos 3 meses organizando o acampamento uhum?
- 4:55Cenário clássico. Clássico, ele lidou com o
- 4:58orçamento apertado, pais reclamando da comida,
- 5:02adolescentes com crise de ansiedade.
- 5:04Chega no domingo de manhã, o cara tá exausto, esgotado.
- 5:10A minha pergunta para você é, como esse líder consegue dizer?
- 5:13Se aquele cansaço profundo é o Espírito Santo chamando ele para
- 5:17um esconderijo no deserto, ou se é só preguiça espiritual e
- 5:21egoísmo disfarçado de teologia, é.
- 5:25Essa é a pergunta de 1000000 de dólares.
- 5:28Porque, cá entre nós, lidar com pessoas é frustrante.
- 5:31Ovelhas mordem o deserto é sempre um chamado Divino.
- 5:36Ou às vezes a gente usa o ir para o deserto como uma desculpa
- 5:39sofisticada para não aturar relacionamento difícil.
- 5:43Eu entendo o seu receio, mas eu acho que você está confundindo
- 5:46um recuo estratégico e espiritual com uma fuga covarde.
- 5:51São coisas estruturalmente opostas.
- 5:53O autor não fala de largar os fardos só porque você tá com
- 5:57raiva das pessoas da igreja. A mecânica é a outra.
- 6:00Deixa eu tentar ilustrar de um jeito diferente.
- 6:03Fica à vontade? Buscar o deserto nesse contexto,
- 6:06não é o Capitão pulando do navio porque tem passageiro reclamando
- 6:09do enjoo. É o Capitão parando a embarcação
- 6:12pra recalibrar a bússola magnética.
- 6:14Ele percebeu que o norte tá errado.
- 6:16E se ele não parar, o navio se perde.
- 6:19Todo mundo afunda junto. O autor argumenta que a
- 6:22autoridade espiritual não se forja no cara que começou ontem,
- 6:25cheio de gás e hiperativo, mas naquele que tem uma vida oculta
- 6:29para sustentar a mensagem pública.
- 6:31Aquele afastamento dele, em 2017, não foi para descansar a
- 6:34carne, foi para impedir que a mensagem apodrecesse.
- 6:37Eu reconheço a mecânica de João, 15 a Videira precisa de seiva,
- 6:42né? Uma liderança movida só na força
- 6:44do próprio braço vai desmoronar e geralmente leva outras pessoas
- 6:48junto na queda. Exatamente.
- 6:51O ativismo sem intimidade é vazio.
- 6:54Se o líder continua só na base do café e da força de vontade,
- 6:57ele vai oferecer frutos mortos. Onde o esparro é na médica disso
- 7:01tudo. O livro ataca a ilusão de
- 7:04grandeza que a igreja vende de que seremos grandes pra Deus.
- 7:07Isso influ o ego, sem dúvida, mas a abnegação cristã
- 7:11verdadeira muitas vezes significa justamente você
- 7:15engolir a vontade de ir pra um retiro silencioso no topo de uma
- 7:19Montanha. E escolher ficar na trincheira
- 7:21cuidando de quem tá sangrando? Só que a abnegação sem
- 7:25intimidade vira ressentimento. Você atende a pessoa sangrando,
- 7:28mas com ódio no coração. É aí que o livro bate na tecla
- 7:32da epignose. A diferença entre as palavras
- 7:34gregas para conhecimento, certo? Isso o autor faz essa distinção
- 7:38fascinante. Agnoses que é o conhecimento
- 7:41grego comum. É só acúmulo intelectual.
- 7:44É você ler um livro sobre as propriedades da água, estudar,
- 7:48Oh 2 o. A epignose é o conhecimento
- 7:51pleno através da experimentação direta.
- 7:54É pular no Rio e beber a água. Você não tem como transmitir
- 7:58epignose para sua igreja se você não para o seu ativismo para
- 8:01mergulhar nela primeiro. Tá?
- 8:03Vamos assumir que você bebeu a água.
- 8:06Você teve a sua epignose no seu esconderijo.
- 8:10O que me fascina e sinceramente me perturba é o que acontece com
- 8:14a água depois. Como assim?
- 8:16O que acontece com a água? Isso nos lança direto naquele
- 8:19elefante na sala que precisamos encarar a ironia mercadológica
- 8:23do livro, vamos pegar o maior símbolo de tudo isso, que é o
- 8:27fenômeno da música. Quero conhecer Jesus.
- 8:31Que é um hino lindo e que nasceu exatamente dessa busca pelo
- 8:34Jardim. Nasceu.
- 8:36O livro relata isso com muita honestidade.
- 8:39A canção nasceu de maneira orgânica, num retiro em Mogi das
- 8:43Cruzes, lá em 2016. Eles estavam meditando em
- 8:47filipenses 3 e a letra é um manifesto anticomercial.
- 8:53Ela diz, se eu vender tudo que tenho, eu falharia.
- 8:57É um grito contra o mercado da fé.
- 9:00Um grito necessário contra o utilitarismo na igreja.
- 9:03Só que o que aconteceu na prática?
- 9:06O mercado devorou a música. Ela se tornou, sem nenhum
- 9:10exagero, o maior hino carismático da década no Brasil.
- 9:15Ela gerou números absurdos de streaming, virou marca,
- 9:19impulsionou carreiras e uma receita gigantesca.
- 9:23E isso invalida a mensagem para você?
- 9:25Não a mensagem em si, mas gera um paradoxo gigantesco, como a
- 9:31gente pode engolir a ideia de usar a máquina industrial de
- 9:35marketing, com todas as suas agendas lotadas de ativismo,
- 9:40para vender a mensagem de que nós não devemos ser ativistas?
- 9:44É tipo o executivo engravatado faturando milhões em cima da
- 9:48música que manda você ir pro deserto.
- 9:51A conta não fecha. É, olha, é um paradoxo visível.
- 9:55Eu não vou tentar tapar o sal com a peneira, mas o próprio
- 9:59Alessandro não é ingênuo quanto a isso.
- 10:01No material, ele traz um princípio que desarma essa
- 10:05ironia. Ele escreve com todas as letras
- 10:08que sucesso não mede autoridade e nem caráter.
- 10:11E alerta que nem tudo que está dando certo aos olhos do mercado
- 10:15é, de fato, o certo. Mas o mercado embalou a mensagem
- 10:19mesmo assim. Embalou.
- 10:21Mas a forma como eu vejo isso é que a gente precisa separar a
- 10:23substância do veículo, a origem. Lá no quarto de oração em Mogi
- 10:29das Cruzes, ditou a substância. O fato de o mercado ter
- 10:33empacotado isso não corrompe a origem?
- 10:36Eu concordo que a origem foi pura.
- 10:38Ninguém compõe algo tão profundo pensando no algoritmo do
- 10:41Spotify. Exato.
- 10:43Pense na música como uma grande placa de sinalização de rodovia.
- 10:47Se o governo coloca luz de Neon nessa placa, reproduz em milhões
- 10:51de esquinas e transforma no outdoor mais visto do país, isso
- 10:55muda o destino para qual a placa aponta.
- 10:57Não, ela continua apontando para Jesus.
- 11:00O mercado, mesmo sendo falho e capitalista, serviu como um
- 11:03alto-falante. O destino da placa continua
- 11:06puro. Mas percebe que a placa de Neon
- 11:08exige energia, exige manutenção, contratos tornês, exaustivas.
- 11:15A minha crítica não é o coração do autor no quarto de oração.
- 11:19A minha crítica é a miopia sobre a engrenagem.
- 11:23A máquina exige performance. A música que pede para parar a
- 11:28máquina, ironicamente, virou o combustível dela.
- 11:33Realmente entendo. Mas o autor tenta equalizar
- 11:36isso, explicando que quando Deus dá uma promessa de que a sua voz
- 11:40vai ecoar, não é para transformar você num pop Star
- 11:43gospel. É em favor do corpo.
- 11:46A régua de sucesso para quem vive a mensagem não é estar no
- 11:50topo das paradas da Billboard. Qual é a régua, então?
- 11:54A régua é se, ao ouvir a canção, alguém no trânsito engarrafado
- 11:58de São Paulo ou num quarto escuro à noite, de repente
- 12:01chora. E pergunta, quem é Jesus?
- 12:04A soberania de Deus sequestra as falhas do mercado pra cumprir o
- 12:08propósito do Jardim. O que?
- 12:10Inevitavelmente nos empurra pra dimensão mais palpável e
- 12:15bagunçada dessa dinâmica. Nós saímos do palco, saímos do
- 12:19mercado e voltamos pro banco de madeira da igreja local.
- 12:23Porque o livro faz uma ponte bem ousada nessa parte 3.
- 12:28Ele atrela ao conhecer a Jesus a ser um com a sua família, ele
- 12:32puxa o texto de João, 17. A oração de Jesus pedindo para
- 12:37que sejamos um, assim como a Trindade é um o modelo absoluto
- 12:41de família perfeita. Perfeito.
- 12:43A teologia é sublime, mas vamos descer para a realidade de novo.
- 12:48Se conhecer a Jesus é indissociável de ser parte da
- 12:51igreja local. Como a gente reconcilia essa
- 12:54fome Mística pela pureza do modelo da Trindade, com uma
- 12:58comunidade de bairro que é cheia de problemas?
- 13:01Você diz a convivência humana normal.
- 13:04Sim, a bagunça. Gente com ego ferido, fofoca,
- 13:08líderes falhos, aquela burocracia que drena energia.
- 13:13É viável viver a utopia de João 17 sem ter que engolir muito
- 13:18sapo na instituição eclesial? O meu grande receio é que esse
- 13:23foco no Jardim acabe fabricando uma geração de crentes
- 13:26idealistas, pessoas que buscam uma comunhão tão pura que
- 13:30abandonam a igreja real porque ela reflete humanos quebrados.
- 13:34Não há Trindade. O risco de fabricar um purista
- 13:37isolado existe, mas a mecânica de sobrevivência igreja
- 13:41imperfeita está justamente no antídoto que o livro apresenta.
- 13:45O autor estabelece uma ordem inegociável de fatores.
- 13:50A verticalidade sempre vem antes da horizontalidade.
- 13:54Primeiro Deus, depois as pessoas.
- 13:57Pra só depois ter estômago e coração pra unidade horizontal.
- 14:01E como isso funciona na prática? Tem um trecho fascinante, onde
- 14:04ele pergunta, você já chegou perto de alguém que não se
- 14:07ofende? Por que essa pessoa não se
- 14:10ofende numa reunião de conselho agressiva?
- 14:12Porque a identidade dela está totalmente satisfeita em amar e
- 14:16ser amada pelo pai. Tá, mas ofensa e atrito são
- 14:20praticamente garantias de fábrica quando você junta 3 ou 4
- 14:23seres humanos num projeto, até numa igreja.
- 14:26Com certeza são, mas é a epignoses, aquela intimidade
- 14:30radical da qual falamos que te blinda.
- 14:33O autor lembra que Jesus foi enviado abrindo mão da sua
- 14:36Glória. Quando a sua intimidade com Deus
- 14:38é a sua única fonte. Lidar com um irmão chato ou
- 14:41difícil deixa de ser um fardo que drena sua energia.
- 14:45E passa a ser só um transbordar do seu amor pelo cordeiro.
- 14:48A teoria é lindíssima, estar oculto em Deus como um escudo de
- 14:53vibra anneum contra decepções, mas a natureza humana é craque
- 14:58em subverter teologias Nobres. Como assim, subverter?
- 15:02Na prática do dia a dia, eu temo que muitos leitores usem essa
- 15:06intimidade ininterrupta como um habeas corpus espiritual para
- 15:12não lidar com a dor do convívio. A lógica torta fica tipo, Ah, eu
- 15:17não preciso aturar as falhas do meu líder ou a reunião
- 15:20administrativa chata porque eu tenho a minha bíblia, meu quarto
- 15:24e a minha conexão vertical tá garantida.
- 15:27A gente quer a recompensa da Trindade sem passar pela
- 15:30crucificação de ter que aturar o nosso próximo.
- 15:33É um. Risco natural, claro, sempre vai
- 15:35ter quem distorça o remédio para fazer dele um veneno, mas olha
- 15:38para alternativa. Nós criamos uma geração inteira
- 15:41de cristãos que baseia a fé em vocações, cargos e palcos.
- 15:46O ecossistema moderno gera competição, inveja e uma
- 15:50completa falta de fome pela pessoa de Deus em si.
- 15:53A gente quer o que ele dá, não quem ele é.
- 15:56O resgate do Jardim não é um convite pra virar um eremita.
- 16:00É a única vacina que realmente combate essa doença de usar a
- 16:03igreja como escada de sucesso. É na ponta do lápis, o buraco é
- 16:08bem mais embaixo. E caminhando para o fim do nosso
- 16:11tempo. Aqui eu consolido a minha
- 16:13perspectiva. A teologia do ser antes do fazer
- 16:17é de fato urgente. Mas o crente Maduro não pode ser
- 16:20ingênio, sabe? Nós precisamos andar num fio de
- 16:23navalha. De um.
- 16:26Lado não podemos deixar que essa verdade vire uma desculpa
- 16:30gourmetizada para fugir do trabalho sujo de amar pessoas
- 16:33difíceis. E do outro, não podemos ignorar
- 16:36a engrenagem predatória do mercado religioso.
- 16:39Estar no Ministério hoje, sem ser engolido pelo ativismo, é
- 16:42provavelmente um dos Milagres mais difíceis de se operar.
- 16:46E o que eu reafirmo, e acredito que resume o impacto da obra, é
- 16:51que o autor tocou na ferida aberta da nossa geração.
- 16:54Ele expõe os nossos nervos, força todo mundo, o cara que
- 16:57prega o que canta ou o que senta no último banco a avaliar o seu
- 17:01alicerce. Se o nosso, por que não estiver
- 17:04na rocha da intimidade, o nosso, o que fazemos, vai desabar na
- 17:08primeira tempestade? Ou no primeiro sucesso
- 17:11estrondoso, que às vezes é pior que a tempestade?
- 17:14Bem observado. E é exatamente por essa razão
- 17:17que nós encerramos nossa mesa hoje com um tom diferente.
- 17:20Nós não estamos aqui para declarar um vencedor nesse
- 17:23debate. Nós terminamos com um tom de
- 17:25quebrantamento real. Porque se o deserto calibre a
- 17:28bússola, nós precisamos ter a coragem de andar na direção que
- 17:32ela aponta. E qual seria o teste final dessa
- 17:35bússola para o ouvinte? A provocação definitiva que a
- 17:38parte 3 do livro nos deixa não é para boicotar as estruturas da
- 17:42igreja. O teste final para sua alma e a
- 17:44minha é imaginar um cenário nu e Cruz se amanhã, de repente, o
- 17:48seu microfone for desligado para sempre, se aquele holofote
- 17:52brilhante da sua utilidade queimar.
- 17:54E você for devolvido ao anonimato total, será que Cristo
- 17:58continuará sendo absoluta e inegociavelmente o suficiente
- 18:02para você? Ele continuará sendo o
- 18:04princípio, o meio e o fim da sua existência.
- 18:07Quando ninguém mais estiver aplaudindo tomou lugar de Deus,
- 18:11fica a reflexão para todos nós, até a próxima conversa.
- 18:14Até lá, pessoal.