Latest / No Caminho da Vida / Ep. 21 - 8º Domingo após Pentecostes
Transcript
- 0:07SPEAKER_06: Bem-vindos! É com alegria que nos encontramos com vocês em nosso programa semanal No Caminho da Vida, um espaço de encontro com o Senhor, dedicado à leitura da palavra de Deus, às orações, aos cânticos, às reflexões espirituais e às tradições da nossa Igreja Ortodoxa Antioquina.
- 0:25SPEAKER_06: Este programa é apresentado com a bênção do nosso querido Pai Metropolita Dom Damasquinos Mansur, arcibispo metropolitano da Igreja Ortodoxa Antioquina em São Paulo e de todo o Brasil.
- 0:37SPEAKER_06: Permaneçam conosco e caminhemos juntos no caminho da vida.
- 0:44SPEAKER_01: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém.
- 0:49SPEAKER_01: Glória a Ti, ó Deus nosso, glória a Ti.
- 0:52SPEAKER_01: Rei Celestial, Consolador, Espírito da Verdade, presente em toda parte, ocupando todo lugar, tesouro de todo o bem e doador da vida, vem e habita em nós, purifica-nos de toda a mancha e salva, ó bondoso, as nossas almas.
- 1:08SPEAKER_01: Santo Deus, Santo Poderoso, Santo Imortal, tem piedade de nós.
- 1:12SPEAKER_01: Santo Deus, Santo Poderoso, Santo Imortal, tem piedade de nós, Santo Deus, Santo Poderoso, Santo Imortal, tem piedade de nós.
- 1:20SPEAKER_01: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre, pelos séculos dos séculos.
- 1:25SPEAKER_01: Amém.
- 1:26SPEAKER_01: Santíssima Trindade tem piedade de nós.
- 1:29SPEAKER_01: Senhor, expia os nossos pecados.
- 1:31SPEAKER_01: Mestre perdoa as nossas iniquidades.
- 1:34SPEAKER_01: Santo observa e cura as nossas enfermidades por teu nome.
- 1:38SPEAKER_01: Tem piedade, Senhor, tem piedade, Senhor, tem piedade, Senhor.
- 1:42SPEAKER_01: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre, pelos séculos dos séculos.
- 1:48SPEAKER_01: Amém.
- 1:49SPEAKER_01: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
- 1:59SPEAKER_01: O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
- 2:11SPEAKER_01: Amém.
- 2:13SPEAKER_01: Ao despertarmos, prostramos-nos ante Ti, ó Bondoso e Onipotente, e cantamos ti o hino angelical.
- 2:20SPEAKER_01: Santo, Santo, Santo, és tu, ó Deus, pela intercessão da Mãe de Deus, tem piedade de nós.
- 2:26SPEAKER_01: Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
- 2:30SPEAKER_01: Do leito me levantaste, ó Senhor, ilumina, pois, o meu espírito e o meu coração, e abre os meus lábios para que te louve, ó Santíssima Trindade.
- 2:39SPEAKER_01: Santo, Santo, Santo, és tu, ó Deus, pela intercessão da Mãe de Deus, tem de piedade de nós.
- 2:46SPEAKER_01: Agora e sempre, pelos séculos dos séculos.
- 2:49SPEAKER_01: Amém.
- 2:53SPEAKER_01: O juiz virá arrepinamente, e as obras de cada um serão reveladas.
- 2:59SPEAKER_01: No meio da noite clamemos com temor.
- 3:02SPEAKER_01: Santo, Santo, Santo, és tu, ó Deus, pela intercessão da Mãe de Deus, tem piedade de nós.
- 3:09SPEAKER_01: Tem piedade, Senhor, tem piedade, senhor, tem piedade, Senhor, tem piedade, senhor, tem piedade, senhor, tem piedade, senhor.
- 3:16SPEAKER_01: Tem piedade, senhor, tem piedade, senhor, tem piedade, senhor, tem piedade, senhor, tem piedade, senhor, tem piedade, senhor.
- 3:37SPEAKER_04: Oh mio piedad disegno pour te pied.
- 4:45SPEAKER_04: A tinge o se.
- 4:54SPEAKER_02: Leitura do Santo Evangelho, segundo o Evangelista São Mateus, Estejamos atentos.
- 5:00SPEAKER_02: Quando Jesus saiu do barco e viu uma grande multidão, teve compaixão deles e curou seus doentes.
- 5:06SPEAKER_02: Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se dele e disseram: Este é um lugar deserto, e já está ficando tarde.
- 5:13SPEAKER_02: Despede a multidão para que possam ir aos povoados comprar comida.
- 5:17SPEAKER_02: Jesus respondeu: Eles não precisam ir, deem-lhes vocês algo para comer.
- 5:22SPEAKER_02: Eles lhe disseram: Não temos aqui exceto cinco pães e dois peixes.
- 5:27SPEAKER_02: Tragam-nos aqui para mim, disse Jesus.
- 5:30SPEAKER_02: E ordenou que a multidão se sentasse na grama, tomando os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, deu graças e partiu os pães.
- 5:40SPEAKER_02: Em seguida, entregou-os aos discípulos, e estes a multidão.
- 5:44SPEAKER_02: Todos comeram e ficaram satisfeitos, e os discípulos recolheram doze cestos cheios de pedaços que sobraram.
- 5:50SPEAKER_02: Os que comeram foram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
- 5:55SPEAKER_02: Logo em seguida, Jesus insistiu com os discípulos que entrassem no barco e fossem adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia a multidão.
- 6:04SPEAKER_02: Glória a ti, ó Senhor, glória a Ti!
- 6:14SPEAKER_03: A palavra é splancnisomai, e ela vem de esplácna, que significa entranhas, vísceras, o lugar onde a dor do outro se sente no próprio corpo.
- 6:22SPEAKER_03: É o útero que se contrai, é o estômago que se revira, é o coração que se parte ao ver o sofrimento alheio.
- 6:28SPEAKER_03: Não é pensamento, é corpo.
- 6:30SPEAKER_03: Não é ideia, é carne, é a compaixão que dói, que rasga, que não permite ficar indiferente.
- 6:35SPEAKER_03: Jesus não olhou a multidão e decidiu ajudá-la por estratégia.
- 6:39SPEAKER_03: Teve as entranhas revolvidas, e daquele lugar do mais profundo do corpo nasceu o milagre.
- 6:45SPEAKER_05: E antes de partir o pão, Jesus fez algo que o Evangelho chama de bênção.
- 6:49SPEAKER_05: O que é abençoar no sentido grego?
- 6:52SPEAKER_03: O verbo é eulogueio, e ele se divide claramente.
- 6:56SPEAKER_03: Eu significa bem, bom e logueo vem de logos, dizer, palavra.
- 7:02SPEAKER_03: Dizer o bem, mas no contexto litúrgico, eulogio é muito mais, é santificar, devolver à matéria sua finalidade divina.
- 7:11SPEAKER_03: É tomar o pão, este pão comum, deste mundo, desta terra, e pronunciar sobre ele a palavra que o reconecta ao céu.
- 7:17SPEAKER_03: Abençoar não é simplesmente desejar coisas boas.
- 7:20SPEAKER_03: Abençoar é nomear o bem que já habita a criatura, é lembrar ao pão que ele é bom, que foi feito para alimentar, que carrega em si a semente da Eucaristia.
- 7:30SPEAKER_03: Jesus abençoou o pão, disse o bem sobre ele, e o pão se lembrou do que era, e se multiplicou e alimentou.
- 7:39SPEAKER_05: E o que resultou depois de partir o pão, por assim dizer?
- 7:43SPEAKER_05: Os pedaços que sobraram têm alguma importância para a nossa igreja?
- 7:47SPEAKER_03: Sim.
- 7:48SPEAKER_03: A palavra é clasma o pedaço, o fragmento, o que resta depois de partir.
- 7:54SPEAKER_03: E clasma é a raiz de classes, que na liturgia oriental designa o momento em que o pão eucarístico é partido.
- 8:01SPEAKER_03: Na Divina Liturgia, o sacerdote parte a cordeiro, e ao partir diz partido e distribuído, partido e não dividido, sempre comido e nunca consumido.
- 8:11SPEAKER_03: O pão não se reduz ao ser partido.
- 8:14SPEAKER_03: Multiplica-se, cada fragmento é inteiro, cada clasma carrega o todo.
- 8:18SPEAKER_03: Não é sobra de desperdício.
- 8:20SPEAKER_03: É sobreabundância de graça.
- 8:23SPEAKER_03: E os doze cestos, doze tribos, doze apóstolos.
- 8:27SPEAKER_03: Então não é um número acidental, é a plenitude, é a igreja inteira sendo saciada.
- 8:34SPEAKER_02: Há um hábito antigo que se vestiu de roupa nova, a barganha com Deus.
- 8:40SPEAKER_02: Você conhece?
- 8:41SPEAKER_02: Eu conheço.
- 8:42SPEAKER_02: Todos conhecemos, porque em algum momento da vida já caímos nela.
- 8:46SPEAKER_02: É o voto de promessa.
- 8:48SPEAKER_02: É a novena com condição.
- 8:50SPEAKER_02: É a oração que começa com Se o Senhor me der isso, eu faço aquilo.
- 8:55SPEAKER_02: É o dízimo que se paga com assinatura de um serviço.
- 9:00SPEAKER_02: É a vela que se acende como recibo.
- 9:03SPEAKER_02: É o sacrifício que se oferece como moeda de troca.
- 9:07SPEAKER_02: A espiritualidade transacional não é uma invenção moderna.
- 9:11SPEAKER_02: Já estava lá, nos sacrifícios antigos dos povos vizinhos de Israel, nos templos pagãos, onde se comprava o favor da divindade com a quantidade de sangue derramado.
- 9:23SPEAKER_02: Os profetas denunciaram isso.
- 9:25SPEAKER_02: Oseias gritou: Misericórdia quero, e não sacrifício! Isaías clamou: De que me serve a vossa multidão de sacrifícios?
- 9:34SPEAKER_02: A barganha é sempre uma redução, reduz Deus a um pequeno Deus de troca, reduz a oração a um pedido com cláusula de rescisão, reduz a fé a uma estratégia, e nos reduz a clientes, a consumidores do sagrado.
- 9:50SPEAKER_02: Mas o Evangelho de hoje coloca a gente num deserto, numa grama, diante de um pão que não foi comprado, que não foi pedido, que não foi barganhado, um pão que veio de graça, da pura compaixão.
- 10:03SPEAKER_02: A multidão não prometeu nada, não ofereceu nada, não barganhou nada, estava lá, com fome, com doença, com sede, de presença.
- 10:13SPEAKER_02: E Jesus alimentou, não porque foi pago, não porque foi convencido, porque se compadeceu.
- 10:20SPEAKER_02: Essa é a economia do Evangelho.
- 10:23SPEAKER_02: Nela não se compra, recebe-se, não se negocia.
- 10:27SPEAKER_02: Confia-se, não se acumula, mas se divide, e quando dividimos o que temos, mesmo que seja pouco, cinco pães e dois peixes para cinco mil, descobrimos que sobra, sempre sobra, quando a fonte é a compaixão e não o cálculo.
- 10:47SPEAKER_03: No deserto, um pão caía do céu, o maná, o pão dos anjos, a comida que não existia na terra e que toda madrugada cobria o chão como geada fina, branco, delicado, com sabor de mel e azeite.
- 11:01SPEAKER_03: O povo de Israel caminhava pelo ermo, e o estômago roncava, e a dúvida apertava, e a saudade do Egito pesava mais do que a liberdade, e Deus mandava pão, todo dia, sempre, de manhã, sem pedir nada em troca.
- 11:15SPEAKER_03: Mas o Maná tinha uma regra colha só o suficiente para hoje, não guarde para amanhã.
- 11:20SPEAKER_03: Quem guardava encontrava vermes, podridão, porque o dom de Deus não se estoca, se recebe, se come no dia de hoje.
- 11:28SPEAKER_03: Mateus escreve para judeus cristãos e isso importa, cada detalhe, cada palavra, cada número é um fio que puxa o tecido do Antigo Testamento e traz para o novo.
- 11:38SPEAKER_03: Quando Mateus narra a multiplicação dos pães, ele sabe que o seu leitor vai ouvir ecos, vai sentir o cheiro do deserto, lembrar do Maná, vai perceber que Jesus está no mesmo lugar, num deserto roteado de uma multidão faminta, alimentando o povo de Deus.
- 11:54SPEAKER_03: Só que agora o Maná tem rosto, mãos, entranhas que se reviram de compaixão.
- 12:00SPEAKER_03: Jesus toma pouco, olha para o céu, abençoa, divide, distribui.
- 12:06SPEAKER_03: A mesma sequência da Páscoa, a mesma estrutura da última ceia, a mesma liturgia que a igreja repete há dois mil anos em cada altar do mundo.
- 12:14SPEAKER_03: O deserto de Mateus não é areia e silêncio, é grama, é primavera, é vida.
- 12:20SPEAKER_03: O deserto está florescendo como a profecia de Isaías prometera o deserto e a terra seca se alegrarão.
- 12:27SPEAKER_03: E naquela grama, cinco mil homens, mulheres e crianças à parte sentam-se como num banquete, mesmo sem uma mesa e uma toalha, não tem um cálice de prata, mas tem a relva, o céu e o pão partido.
- 12:40SPEAKER_03: É o maná de novo.
- 12:42SPEAKER_03: Mas é muito mais que o maná.
- 12:43SPEAKER_03: O maná alimentava o corpo por quarenta anos e o povo ainda morria no deserto.
- 12:48SPEAKER_03: O pão que Jesus parte alimenta para a vida eterna.
- 12:52SPEAKER_03: O maná caía do céu.
- 12:53SPEAKER_03: Jesus é o pão que desceu do céu.
- 12:56SPEAKER_03: O maná se poderia ser guardado.
- 12:58SPEAKER_03: O pão de Cristo se multiplica quando partido.
- 13:04SPEAKER_04: É Justo em verdade, Glorific! Oh Mãe de Deus, sempre bem-aventurada, imaculada, mais de nosso Deus, mais venerável, que os querubins, e mais gloriosa, que os serafim, que libadamente deste, a luz do verbo de Deus, logo és verdadeiramente mãe de Deus, pois nós te glorificamos.
- 14:18SPEAKER_00: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, um só Deus.
- 14:23SPEAKER_00: Amém.
- 14:24SPEAKER_00: Queridos irmãos e irmãs em Cristo.
- 14:29SPEAKER_00: Cada domingo, antes mesmo que os sinos da Igreja e com, caminhamos passo a passo, deixamos nossas casas e vimos a Igreja.
- 14:41SPEAKER_00: Entramos pelas portas e se olharmos para nós mesmos com sinceridade, descobriremos que veremos exatamente como aquela multidão que seguiu Jesus no deserto.
- 14:56SPEAKER_00: Viremos de mãos vazias, veremos como a nossa fome, o nosso cansaço, a nossa fraqueza é como corações que buscam uma esperança no meio do deserto árido deste mundo.
- 15:16SPEAKER_00: A única fonte inesgotável, para receber dele o alimento.
- 15:23SPEAKER_00: Não um alimento qualquer que encha o estômago por momentos e depois voltamos a ter fome, mas o verdadeiro alimento que sacia plenamente a existencia espiritual y humana.
- 15:41SPEAKER_00: Se olharmos atentamente para a estrutura de este texto evangélico, encontraremos una profunda teología oculta por trás da repetición de un único verbo: despedir a multidão e despedir a multidão.
- 16:05SPEAKER_00: El texto está construido entre duas ações in dos momentos diferentes.
- 16:12SPEAKER_00: A primeira acción ocorre quando os discípulos se aproximaron de Jesus, preocupados, vendo que ahora avançada.
- 16:22SPEAKER_00: A multidão tinha fome and no havia comida en aquele lugar deserto.
- 16:27SPEAKER_00: Então, despedir as multidões para que vão as aldeias comprar comida para si.
- 16:40SPEAKER_00: Mas a grande surpresa vem no final do texto, depois de todos ter comido andado saciados com os cinco pais e dois peixes, vemos que a multidão não correu, não se apressou a ir embora, nem se despersou após a saciedade.
- 17:10SPEAKER_00: Pelo contrário, permaneceu colado ao Senhor Jesus, esperando que ele desperdisse e despedida a multidão.
- 17:25SPEAKER_00: Subiu ao monte para orar a parte.
- 17:30SPEAKER_00: O que significa esta ligação teológica entre os dois verbos?
- 17:37SPEAKER_00: Significa que esta multidão não tinha fome apenas de pão.
- 17:42SPEAKER_00: Se fizer apenas o pão material, teriam pegado o que bastava após estarem saciados andiam ido embora imediatamente após comer.
- 17:55SPEAKER_00: Mas a sua permanência depois de saciados prova que eles captaram a luz, y tuvieron que as palabras de este Mestre y a sua presença são a verdadeira saciedade.
- 18:13SPEAKER_00: Eles ficaram porque querian a palavra que da vida, e não a migalia que perece.
- 18:21SPEAKER_00: Como dijo Cristóbal no seu comentário ao Evangelho de Mateus, como as multidões, apesar do peso da fome, não deixar a Cristo, nem pediran primero alimento físico, mas as suas almas estavam apegadas a suas palabras de cura.
- 18:43SPEAKER_00: Provarán con obras que nem só de pan viverá o homem, mas de toda palabra que sai da boca de Dios.
- 18:54SPEAKER_00: Por isso esperarán pela sua bênção, mesmo depois de saciados.
- 19:02SPEAKER_00: Este maravilhoso apego espiritual da multidão abre os nossos olhos directamente para um detalle teológico, muito preciso y profundo, formulado pelo Evangelista Mateus.
- 19:20SPEAKER_00: Pois nesse texto não encontramos uma glória terrena nem uma exibição visual da multiplicação dos peixes, como mostram os filmes do cinema da vida de Jesus que retratam os peixes e o pão como se estivessem caindo de repente dos cestos em quantidades imaginarias.
- 19:49SPEAKER_00: Pelo contrário, o Evangelho de Mateus realiza aqui um movimento teológico e intencional, pelo qual o Evangelista Mateus se distingue dos demais evangelistas.
- 20:06SPEAKER_00: Quando chega o momento, ele omite completamente a menção ao peixe no cenário.
- 20:14SPEAKER_00: O texto diz com extrema solenidade: abençoou partiu e deu os pais aos discípulos, ele concentrou-se exclusivamente no Paulo.
- 20:34SPEAKER_00: Então olhou ao Senhor, abençoou e deu os pais aos discípulos.
- 20:43SPEAKER_00: Por que esta omissão deliberada em Mateus comparada com os outros evangelistas?
- 20:51SPEAKER_00: Naturalmente, cada evangelista tem os seus próprios ligados também àqueles a quem dirigiu os seus escritos.
- 21:03SPEAKER_00: Mas como o texto que temos é de São Mateus, analisamos os próprios do próprio Mateus.
- 21:11SPEAKER_00: O Evangelista Mateus não quer distrair os nossos olhos como um milagre material passageiro, mas quer elevar nossas mentes ao mistério do altar.
- 21:26SPEAKER_00: Ele quer que vejamos em Jesus o próprio Deus, que seja o seu povo no deserto como o novo Maná Celestial.
- 21:38SPEAKER_00: Como exatamente explica o Siri de Alexandria sobre a teologia desta cena?
- 21:46SPEAKER_00: O evangelista ometiu a menção ao peixe para ligar nossas mentes ao maná celestial, pois o Senhor Jesus é o pão verdadeiro que desceu do seu E dá a vida ao mundo.
- 22:02SPEAKER_00: Este pão não diminuiu como a distribução, mas multiplica-se ao ser partido para se tornar o alimento da comunhão divina.
- 22:16SPEAKER_00: Jesus, aquí dá-lhes o pão saciante verdadeiro, dá-lhes antecipadamente a prefiguração de seu corpo vivificante.
- 22:29SPEAKER_00: E todas essas ações sociais em que seu Mateus se encontrou, ergue os olhos, abençoar, partir, dar os pais, são exatamente as mesmas razões na mesma orden e exclusividade que vemos e vivemos em cada Divina Liturgia quando o sacerdote se coloca diante do altar para proferir as palavras da Instituição Eucarística.
- 23:06SPEAKER_00: Este texto no es apenas um evento histórico de alimentação no deserto da Palestina, mas é um ícone teológico escrito do sacramento da saúde de graça, que quer dizer o sacramento da Eucaristía, porque a Eucaristía uma palavra que vem do Grego, agradeço, ação de gracia, derramada por Mateus para ligar para sempre o deserto da Palestina ao altar da Igreja.
- 23:45SPEAKER_00: Esta ordem divina conduz a uma correta compreensão cristal da nossa relação con Dios e destruir teológica e dogmaticamente aquele conceito erróneo tão difundido nas nossas sociedades hoje que o conceito de promesas.
- 24:12SPEAKER_00: Vamos falar.
- 24:14SPEAKER_00: Quantas vezes caímos na armadilha de transformar a nossa fe en menos de ser uma fé de ser negócio?
- 24:27SPEAKER_00: Muitos tratan de Deus com a lógica de troca e bargânia, dizendo em suas orações, Senhor, cura o meu doente ou dá sucesso ao meu filho, e eu encaço esta promesa.
- 24:48SPEAKER_00: O caminharei descalocerei uma vela o dúzia de vela.
- 24:56SPEAKER_00: Como si Deus precisasse das nossas condições o como guardase as suas bênçãos e as tivesse de nós hasta que nos paguemos o preço adiantado, o nós prometamos uma alternativa.
- 25:20SPEAKER_00: Esta lógica comercial distorce a imagem do Pai Celestial amoroso, transformando-a em nossas mentes em algum que só se move através de acordos.
- 25:36SPEAKER_00: Mas no Evangelho de hoje, o conceito inverte-se completamente e anula essa mentalidade.
- 25:46SPEAKER_00: A multidão no deserto não se sentou com Jesus para impor condições.
- 25:52SPEAKER_00: Nem disse alimenta-nos primeiro e depois creeremos em ti.
- 26:00SPEAKER_00: os cinco pais e os dois peixes como parte de um negócio.
- 26:06SPEAKER_00: Pelo contrário, ofereceram tudo o que tinha uma oferta de amor escasa, simples, espontânea también no meio da sua terrível penúria.
- 26:21SPEAKER_00: E Jesus, o Deus que cuida da criação, não pediu um preço, nem nos pirou por uma promessa, mas pegou nesse porco como a abundância da sua ternura, abençoou e devolveu a eles como uma efusão divina, uma efusão que saciou milhares e da qual ainda sobejaram docextos.
- 26:54SPEAKER_00: Sal Máximo, o confessor escreve sobre o espírito da oferta, dizendo, Deus não nos pede a abundância das ofertas, mas pede a pureza da intenção.
- 27:13SPEAKER_00: Quando oferecemos o nosso pouco sem condições, como filhos, transforma-o pela sua divindade, numa efusão ilimitada.
- 27:27SPEAKER_00: Porque Deus não é negociado com as ofertas dos homens, mas é movido pelo seu amor e pela sua confiança.
- 27:39SPEAKER_00: Nós, na Divina Liturgia, não negociamos con Dios.
- 27:44SPEAKER_00: Pelo contrário, oferecemos os próprios dons.
- 27:50SPEAKER_00: Lembrai-vos, meus irmãos, do que o sacerdote diz na Divina Liturgia, imediatamente antes de pedir a decidida do Espírito Santo sobre os dons, sobre as ofertas para abençoar y transformá-las no verdadeiro corpo e sangue de Senhor.
- 28:08SPEAKER_00: El diz Os dons a te oferecemos por tudo e por tudo.
- 28:14SPEAKER_00: Oferecemos-lhe a nosotros pan e vinho.
- 28:19SPEAKER_00: Oferecemos a nuestra oferta simples, y Él, nos amor, abençoa y devolve a nosotros como cuerpo y sangue vivificante.
- 28:32SPEAKER_00: Queridos hermanos y hermanas en Cristo, lo que llama mucho la atención nas actitudes de esta multidão es la bellísima imagen positiva que desenha no final da cena.
- 28:51SPEAKER_00: En otros lugares, no Evangelho, vemos a multidão zombando the Senhor, impedindo a los doentes, aproximar Ele, o gritando no final, crucificar.
- 29:04SPEAKER_00: But a multidão oferece a todos nós una grande lição sobre a postura na presença divina e a piedade eclesia.
- 29:18SPEAKER_00: Eles comer e ficarem saciados.
- 29:22SPEAKER_00: E no entanto, não se despersaram desordenadamente, nem correram para deixar o lugar imediatamente após terem recebido a sua saciedade material.
- 29:40SPEAKER_00: En vez disso, permaneceram reunidos ao redor do Senhor.
- 29:46SPEAKER_00: Esperar con tranquilidade e reverência até que o próprio Jesus os despedisse con a sua bênção e seu amor.
- 29:59SPEAKER_00: A multidão aquí ensina a nós uma profundidade litúrgica que vivemos en cada divina liturgia.
- 30:08SPEAKER_00: Não vimos a Cristo para receber uma dádiva pasagera y depois ir embora, mas vimos para permanecer na sua santa presença.
- 30:21SPEAKER_00: Como é que aprendermos, como esta multidão, cómo permanecer em reverência, agradecer ao Senhor de todo o coração pelas dádivas que nos concedamos gratuitamente, rezar a oração de ação de graça eucaristica com um só coração, esperando pela sua bênção final como a qual nos despede com a sua paz para o mundo, para que sejamos apóstolos, testemunhas que levam esta luz espiritual para as nossas casas, as nossas famílias, os nossos locais de trabalho.
- 31:06SPEAKER_00: Sejamos sempre conduzidos a ir a Jesus como nos pocos pães, não com as condições dos comerciantes, nem com as barganas das promessas condicionadas, mas com a confiança dos filhos que confiam na sua compaixão.
- 31:29SPEAKER_00: Viremos a Ele con a nossa fraqueza, a nossa dor, as feridas das nossas familias, nossa doença, o cansaço dos nossos días, con nuestros corazones familios de justiça y de alegría verdadera, y colocamos toda esta escasez y todas estas mãos vacías nas suas mãos puras estendidas sobre o altar.
- 32:04SPEAKER_00: Confiamos que con toque abençoado dele, y a través da sua obra divina sacramental, Ele quer e pede transformar a nossa fome en saciedade e numa abundância que supera as necessidades do mundo.
- 32:27SPEAKER_00: É a nossa fraqueza humana numa força divina invencível, é a nossa morte diária em vida a ressurreição eterna.
- 32:38SPEAKER_00: Não cruzemos o limiar da igreja como pessoas apressadas que pegaram o sustento material e se foram, mas saíamos como ícones vivos de Cristo, como cestos que carregan paz, que foram partidos para saciar a fome de otros con amor, paciência y sinceridad.
- 33:07SPEAKER_00: Sejamos nós a extensão litúrgica de este santo altar nas nossas ruas, nas nossas casas y nos locais de trabalho, refletindo a sua verdadeira luz e glorificando o seu santo nome pelas nossas razões antes das nossas palabras.
- 33:34SPEAKER_00: Que abençoamos os pais no deserto, esació os milhares, que abençoe a nossa puquidade, santifique a oferta de nuestros corazones e nos torne sempre dignos no mistério da sua Eucaristia, a sal de graça, para que saímos da sua santa casa, carregando a sua bênção e a sua paz.
- 34:06SPEAKER_00: Amém.
- 34:08SPEAKER_06: Ao encerrarmos nosso encontro de hoje, pedimos a Deus que este tempo que estivermos juntos seja uma semente de luz in nossos corações insta e ilumine os nossos passos.
- 34:23SPEAKER_06: Celebrada todos os domingos às 10h30 da manhã na Igreja Ortodoxa Antioquina São Jorge de Curitiba, localizada na rua Brigadeiro Franco, 375 Nas Mercedes em Curitiba.
- 34:36SPEAKER_06: Até o nosso próximo encontro andemos juntos no caminho da vida.