Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 2 - MEU MARIDO SE RECUSA A FAZER TERAPIA. E AGORA? | Chá de coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00Todo mundo tem uma bagagem que carrega nas relações, sabe as
- 0:06nossas histórias de vida, as nossas feridas, a nossa
- 0:08infância. Vai tudo com a gente, para as
- 0:11relações. Mas um problema não é a bagagem,
- 0:14é o quanto você se responsabiliza Por Ela.
- 0:18Aceita chá de coragem? Elisama acompanhou e amo seu
- 0:35trabalho e queria muito ajuda com a questão que eu vivo no meu
- 0:38relacionamento. Conheci meu marido na
- 0:41adolescência e já estamos casados há alguns bons anos.
- 0:45Existe uma questão com a família dele que me impacta diretamente
- 0:49a relação com dele e com os pais.
- 0:50É extremamente tóxica. Ele tem um irmão mais velho, que
- 0:54é o filho preferido declaradamente.
- 0:57Apesar disso, enquanto o irmão tem todos os privilégios deste
- 1:00posto, meu marido é o filho que é cobrado por atender a todas as
- 1:04demandas do pai dos pais a estar presente e sempre disposto,
- 1:09mesmo tendo que conviver com as críticas e comparações do quanto
- 1:12o irmão é mais simpático, mais querido e mais bem sucedido.
- 1:17Ele sofre muito com isso, mas se se recusa a buscar ajuda
- 1:20profissional. Isso se reflete na sua
- 1:23autoestima e ele acaba paralisado e se sentindo
- 1:26incapaz. E as suas inseguranças e
- 1:28demandas emocionais impactam a nossa família.
- 1:32Nós temos 2 filhos que presenciam o pai sendo preterido
- 1:36e até maltratado como ajudá lo. Como lidar com essa situação e
- 1:42ajuda. Eita, gente, como que a gente
- 1:48lida com isso, né? Você já reparou que várias vezes
- 1:52que você lê um livro? Que você vê um vídeo, que você
- 1:55vê uma palestra, você pensa, nossa, aquela pessoa devia estar
- 1:58aqui, era tal pessoa que devia estar ouvindo isso.
- 2:02Quanto mais a gente entende os reflexos da nossa infância, da
- 2:06nossa história, da nossa vida, nas nossas atitudes, no que a
- 2:10gente faz hoje. Mas a gente enxerga os reflexos
- 2:15na vida do outro também. E pensa, caramba, olha para
- 2:18isso, olha a infância dele, é por isso que ele age, assim como
- 2:21eu queria que ele agência diferente, olha como ele devia
- 2:23aprender isso. Quanto mais a gente sabe trilhas
- 2:27os caminhos e as jornadas e jornada é uma palavra de ator,
- 2:30até com ranço. Mas enfim, a gente trilha esse
- 2:32caminho de se conhecer, de ter intimidade com quem a gente é,
- 2:36mas a gente deseja que o outro também tenha e perceba isso e
- 2:39crie autonomia, principalmente as pessoas que a gente ama.
- 2:43Acontece que. Ninguém consegue caminhar pelo
- 2:48outro, entende? Você não é capaz de fazer um
- 2:52caminho de auto descoberta, um caminho de demonstrar limites,
- 2:57um caminho de se reconhecer por quem convive com você.
- 3:01Só o teu marido nessa casa do marido, mais sua companheira,
- 3:05seu seu pai. Sei lá quem que você ama tanto e
- 3:08queria tanto que aprendesse a se cuidar mais.
- 3:11Só essa pessoa. Pode trilhar os caminhos para a
- 3:15própria vida. Só essa pessoa pode se
- 3:19responsabilizar pela própria história.
- 3:22E aqui tem algo bem importante de se dizer, todo mundo tem um
- 3:26motivo para agir como acha todo mundo.
- 3:30O Alan do boton, ele tinha uma frase que eu gosto muito ele,
- 3:32ele tem uma frase que eu gosto muito, ele diz que tem muita
- 3:36história na sua histeria. O que que ele quer dizer?
- 3:41Que cada coisinha nossa. Ela Foi construída com uma
- 3:44história. Ela não surgiu Do Nada, entende?
- 3:49Sei lá. Cenoura, uma cenoura.
- 3:54Ela tem significados diferentes para mim e para você, dependendo
- 3:56do contexto que a gente foi apresentar a cenoura, dependendo
- 4:00das nossas histórias sobre a cenoura, dependendo do que a
- 4:02gente viveu a respeito de cenoura.
- 4:06E aqui em casa eu faço muito bolo de cenoura, por exemplo, e
- 4:08eu tenho certeza que os meus filhos.
- 4:10Vão lembrar desse bolo de cenoura e guardam a história do
- 4:13bolo de cenoura por muitos anos. Para quem nunca come a cenoura e
- 4:18apanhou dos pais para comer cenoura e receber o beliscão e
- 4:20sei lá o que, pode olhar para cenoura, tem vontade de vomitar.
- 4:23Cada um tem uma história e eu tenho uma história, minha irmã e
- 4:26eu, com suco de Cajá, a gente, veja só, vou chegar, vai ter
- 4:31sentido, fica comigo a gente. Meu pai uma vez trabalhou numa
- 4:35eleição e ele distribuiu os lanches para as pessoas.
- 4:39Era alguma coisa do partido, nem me lembro mais os detalhes.
- 4:41Aí sobrou muito suco de Cajá e falaram que ele podia levar para
- 4:45casa. Meu amor, o suco de Cajá era na
- 4:49minha casa de manhã, de tarde, de noite a gente não podia fazer
- 4:52mais nenhum suco, a gente não podia tomar mais um café, um
- 4:55chocolate 111, chocolate com leite, a gente não podia comer
- 4:58nenhuma outra merenda que não fosse suco de Cajá, até aquele
- 5:03suco acabar. Eu odeio suco de Cajá, odeio.
- 5:08Eu não tomo suco de Cajá de jeito nenhum.
- 5:11A minha irmã, coitada, ela chega a ter ânsia de vômito.
- 5:13Se você mostrar um suco de Cajá para ela, é a nossa história com
- 5:17suco de Cajá. Cada pessoa tem uma história que
- 5:23justifica. Não sei se justifica, mas que
- 5:27você entende qual o caminho que levou aquela pessoa a ser quem
- 5:31ela é, do jeitinho que ela é. A grande questão, o grande
- 5:37desafio. É a gente não se responsabilizar
- 5:41pela história do outro e não aceitar que a história do outro
- 5:45ela seja justificativa para permitir que o outro descarregue
- 5:50em nós as dores que são dele. Entendeu?
- 5:55O seu conto ficou confusa? Essa minha fala, mas eu eu vou
- 5:58querer destrinxá LA 1 pouquinho. Entender que cada pessoa tem
- 6:04motivo para agir como agem, não pode ser.
- 6:07A justificativa para a gente aceitar qualquer tipo de
- 6:11comportamento do outro eu vejo e já vi muito em relações
- 6:14abusivas. Eu não tô falando que é essas
- 6:15relação, não tá, gente? Tô falando no geral, em relações
- 6:19abusivas, que a pessoa normalmente fala, Ah, mas ele é
- 6:22assim porque a mãe dele agia assim.
- 6:24Ele é assim porque o pai dele era assim.
- 6:26Ele assim porque gente sempre vai ter motivo, pois é, sempre
- 6:30vai ter motivo para o outro agir como ele age.
- 6:34Só que se o outro não se responsabiliza pela história
- 6:37dele e as dores dele caem em cima de você, você vai precisar
- 6:43cuidar de você, entendeu? Não dá para permitir que um
- 6:48outro sangre em cima de vocês. E nem foi você que feriu.
- 6:53Cara, eu posso sim. Quando eu convivo com uma
- 6:58pessoa, não entro num relacionamento com as minhas
- 7:00amigas, com meu meu marido. Eu posso sim ajudar a pessoa a
- 7:04cuidar das feridas dela. Quando a gente se relaciona, a
- 7:07gente está aqui nessa troca de olha, eu aprendi isso, eu fui
- 7:09muito preterido na infância, tenho dificuldade com isso
- 7:12daqui, eu estou olhando, eu estou cuidando disso e eu quero
- 7:17que você me mostre quando eu não perceber, porque tem hora que a
- 7:19gente não percebe, sabe? Essa construção que ela é
- 7:23conjunta? Pessoa se responsabiliza pelas
- 7:27consequências na vida dela. E aí você está ali para
- 7:30auxiliar, para estar junto, para estar perto, assim como o outro
- 7:32também vai estar junto. Está perto.
- 7:33Não, nunca consigo consequência da sua vida, porque a gente vai
- 7:35trazendo essa troca. Se o outro não assume a bagagem
- 7:40que ele tem, ele vai jogar essa bagagem em cima de você e joga
- 7:45essa bagagem em cima de você. É hora de você decidir como que
- 7:48essa bagagem vai existir na tua vida, se você vai aceitar
- 7:54agarrar essa bagagem e levar esse peso com você.
- 7:57Ou se você vai olhar para ele e falar, então, querido, esse peso
- 8:02está sendo jogado para mim o tempo inteiro.
- 8:05E se você não carrega ele, quem carrega sou eu, e eu não quero
- 8:07mais carregar esse peso. Como que a gente vai lidar?
- 8:11A terapia é que a gente vai precisar falar um pouco sobre a
- 8:14socialização masculina. A terapia para muitos homens,
- 8:19muitos, e números é uma grande questão.
- 8:24Por quê? Porque os homens não foram
- 8:26socializados para aprender a lidar com os próprios
- 8:30sentimentos, para ouvir. Quais são as questões deles para
- 8:34se entender. Os homens foram socializados
- 8:36para fazer coisas, para serem corajosos, para encararem a vida
- 8:40sem pensar muito. Então você passa uma vida
- 8:43inteira ouvindo, vai chorar, é, você é viado, vai fazer isso, é
- 8:46você é gay, como se fosse um xingamento.
- 8:49Qualquer coisa associado a feminilidade é uma ofensa.
- 8:54E aí eles aprendem a se blindar, a falar pouco de quem eles são,
- 8:59a entender que a conversa ela é um tanto inútil.
- 9:02E você pode reparar, gente, quantas vezes você vê o cara que
- 9:07encontra os amigos pro futebol uma vez na semana, 2 vezes na
- 9:10semana, e aí ele chega em casa, você fala, e aí, como é que tá?
- 9:13Não sei quem, não sei, como assim você não sabe?
- 9:17Você não encontrou ele ontem? AA esposa dele me falou que que
- 9:21a mãe dele tá doente, tá doente. AI nem sabia, você faz?
- 9:25Como assim você não sabia? Os homens estão acostumados a
- 9:28ter uma relação em que eles não trocam, eles não falam de si,
- 9:32eles não se percebem e conversam muito pouco sobre o outro.
- 9:37Agora fica aqui comigo, gata, fica comigo, que a parte
- 9:41importante vem agora. Saber disso não significa que é
- 9:45o seu papel resgatar o amiguinho da incapacidade dele de nomear
- 9:51as próprias emoções. Isso significa que ele precisa
- 9:55saber que ele não aprendeu a fazer esse movimento.
- 9:58E que, para fazer esse movimento de nomear a própria emoção e
- 10:01aprender a lidar com ela, ele vai ter que ter intenção.
- 10:06Ele vai precisar ir além do que ele aprendeu sobre a vida e
- 10:10sobre si mesmo. Ele vai precisar
- 10:12intencionalmente querer. Mudar a forma com que ele se
- 10:17relaciona com ele e com o outro para que ele aprenda a falar
- 10:20sobre as próprias emoções e se responsabilize por elas.
- 10:24Eu costumo dizer isso para os homens, você não escolhe a sua
- 10:29socialização, você escolhe o que você faz com a socialização.
- 10:32A Bell hooks dizia, a gente não escolhe o que fizeram com a
- 10:35gente, mas a gente escolhe o que a gente vai fazer com o que
- 10:38fizeram com a gente. O ponto aqui é.
- 10:42Ele está uma você está uma relação com uma pessoa que está
- 10:44sendo ferida pela família, que está sendo magoada pela família
- 10:48e a gente assistindo essas cenas, a gente fica muito
- 10:52magoada e magoada também, né? A gente quer proteger, a gente
- 10:55quer cuidar, sobretudo as mulheres que são socializadas e
- 10:59ensinadas para isso. Não é natural, tá gata, não
- 11:02nasceu com você, não é um gênio aí que veio com você, você
- 11:05aprendeu isso socialmente e aí a gente quer.
- 11:09Cuidar e proteger. E a gente acha um absurdo e a
- 11:14gente quer tomar as dores da pessoa.
- 11:15Mas você, se a pessoa não nomeia as próprias dores, você não
- 11:20consegue fazer isso Por Ela o tempo inteiro.
- 11:23Se você tenta conversar com ela, demonstrar as situações, e ela
- 11:26não consegue reconhecer e às vezes até nega a situação e ela
- 11:30se recusa a lidar com a situação, ela tá dizendo pra
- 11:34você que você vai continuar lidando com o problema, entende?
- 11:38Porque, veja só. Se a gente está vivenciando uma
- 11:41situação difícil na nossa relação e eu não meio essa
- 11:45situação para você, e eu falo, olha, isso é que me incomoda.
- 11:49Eu percebo que quando isso é que acontece, você age assim e eu
- 11:52gostaria que você agisse assim, porque quando você age assim,
- 11:55isso tem esse reflexo em mim. E a pessoa olha para você e
- 11:58fala, não, eu não faço isso. Não, não, não, isso não
- 12:02acontece. Não.
- 12:03Eu não, não vejo isso, não, acho que não.
- 12:07A pessoa está te dizendo o quê? Sem te dizer que se ela não
- 12:11assume, ela não vai criar ferramentas para lidar com a
- 12:13situação. Se ela não vai criar ferramentas
- 12:15para lidar com a situação, a situação vai seguir acontecendo,
- 12:19tá? A gente precisa entender o
- 12:22quanto a dor dessa pessoa com a família dela é uma dor que tem
- 12:28pesado na tua relação e o quanto esse você quer continuar
- 12:35carregando esse peso, porque às vezes.
- 12:37A pessoa não tem limite nenhum com a relação com a família
- 12:39dela. A pessoa é maltratada na família
- 12:41dela, mas não é em você que ela descarrega isso não é na sua
- 12:44família, não é com seus filhos dentro da sua relação, ela tenta
- 12:47até compensar o que faltou. Ela é até mais amorosa, porque
- 12:53ela tá tentando compensar o que faltou.
- 12:54Enfim, dentro da tua relação não é um peso muito grande, você tem
- 12:58que ir percebendo se você quer salvar ele da família dele,
- 13:02porque isso te machuca, porque tem um reflexo na tua história.
- 13:06Ou você quer salvar ele para da família dele porque, Ah, eles
- 13:09amam porque todo mundo precisa, né?
- 13:11Saber colocar limite na vida. Mas amiga, se ele não está se
- 13:14incomodando, é tu que vai se incomodar se não está pesando em
- 13:18você. Se a bagagem que essa pessoa tem
- 13:20não pese em você, é você quem tem que tá querendo resolver a
- 13:24vida dos outros. Esse é um aprendizado que eu
- 13:28tive muito intenso na minha vida, nas minhas relações
- 13:31recentemente, por um tempo. Eu quis muito consertar algumas
- 13:37coisas do meu marido, eu queria muito.
- 13:40Eu olhava para ele e pensava, mas isso aqui não é possível que
- 13:42você não se incomode com isso, não é possível que você não
- 13:44queira isso aqui de uma forma, de um jeito diferente.
- 13:47E a gente estava quase terminando porque tinha uma
- 13:51crise. Ela não, não fui eu que geri, a
- 13:53crise, tá? Mas assim, a crise existencial
- 13:56dele virava uma crise nossa e eu queria consertar a crise dele e
- 14:00a coisa ficava gigantesca. Quando chegou o momento de eu
- 14:04reconhecer que caramba, porque eu estou me incomodando, que é o
- 14:07que é dele, que ele não está incomodado e que nem está
- 14:10pesando para mim. Quem não tem reflexo para mim,
- 14:14ele nem está pegando o peso e falou assim, toma, carrega aí
- 14:16para mim, ele nem está. Sou eu que estou olhando o peso
- 14:19e querendo tirar das coisas dele.
- 14:22Gente, o dia que eu nomeei é isso é que eu percebi, eles ama
- 14:25que ele desse peso não é seu. Nossa, a vida ficou tão melhor.
- 14:31Então, presta atenção se esse peso da relação tóxica com a
- 14:38família é algo que pesa em você ou é só algo muito difícil de
- 14:42assistir que você queria que ele lidasse diferente, porque ele
- 14:45vai ter o tempo dele. E gente, relação tóxica com a
- 14:50família. Caraca, é a relação mais difícil
- 14:55de nomear. A relação abusiva com a família
- 14:59é a relação mais difícil de nomear.
- 15:03Porque veja se eu chego para você e falo, olha, Isaque me
- 15:07falou que eu sou uma vergonha para ele, que ele queria nunca
- 15:11ter me conhecido na vida, que se ele pudesse voltar no tempo eu
- 15:15nem existia. Você vai falar eles ama.
- 15:18Que relação é essa? Mulher termina esse casamento.
- 15:21Você não pode continuar casada com um cara que te fala essas
- 15:23coisas, mas muito provavelmente. Se eu te falar que foi o meu pai
- 15:27ou a minha mãe que me falou isso, você vai olhar e falar, é
- 15:31menina. Família é difícil, né?
- 15:35Mãe às vezes fala cada coisa, mas mãe é mãe, pai é pai.
- 15:40Percebe como a gente naturaliza violências vindas dos nossos
- 15:44pais por serem nossos pais? Você não sabe o que, o papel que
- 15:51o teu companheiro ocupa na família dele.
- 15:55Sustenta dentro dele e a gente não consegue de longe, porque é
- 15:59muito fácil, de longe, eu querer resolver a vida do outro e
- 16:02falar, nossa, se você tirar essa isso daqui, vai dar tudo certo.
- 16:06Pode ser que não dê, pode ser que custe tanto olhar para essa
- 16:10relação, tanto que ele não tenha isso para ofertar.
- 16:15E aí para a gente ir encaminhando para o final, a
- 16:19gente volta para o tema da terapia, do quanto os homens não
- 16:22aprenderam a fazer terapia. Não aprender a conversar sobre
- 16:25eles mesmos e o quanto existe um movimento que é nosso de
- 16:29perceber se esse peso tá ficando em mim.
- 16:34Que é que vai acontecer a partir daqui?
- 16:36Então assim, meu amor, eu não sei se vai ser terapia que você
- 16:38vai fazer, mas tá pesando em mim.
- 16:39A tua insegurança, toda forma que a tua família tem lidado com
- 16:44você se transforma numa bomba quando você entra na em nossa
- 16:47casa. E eu não vou mas aceitar que
- 16:49você se relacione comigo desse jeito.
- 16:51Eu não sei o que você vai fazer. Eu acho que a terapia é 11 bom
- 16:56caminho. Espero que você consiga
- 16:58reconhecer e lidar com isso e encontrar ferramentas, porque eu
- 17:04estou bem cansada de lidar com essa dor que não é minha.
- 17:09E aí você vem mostrar o seu limite e falar, olha, algum,
- 17:13algum movimento vai ter que ser feito de alguma forma.
- 17:16Você vai carregar a sua dor. Se você não vai jogar ela para
- 17:18cima de mim, compro o carrinho, né?
- 17:21Faz alguma coisa aí para você carregar ela, porque comigo não
- 17:23vai ficar. Você tem que perceber qual que é
- 17:26o movimento do outro. E se ele continua te dizendo
- 17:29não, você tem que escolher o que você faz diante do não,
- 17:33entendeu? Então, assim, a conversa
- 17:36corajosa de hoje é, a gente não caminha por ninguém nas trilhas
- 17:42de limites, de auto intimidade, de percepção de sim das
- 17:47relações. A gente não faz isso.
- 17:51Cada um tem o seu tempo e o seu caminho, mas a gente decide como
- 17:58que a gente vai lidar com a carga que o outro tem com a
- 18:02gente, o quanto a gente vai aceitar que essa carga vem vire
- 18:06um peso pra gente e o quanto a gente vai falar olha, eu te amo
- 18:09pra caramba e te amar não é a única coisa importante da nossa
- 18:17relação. Tem uma parte aí que você
- 18:20precisa se responsabilizar, porque eu não vou me
- 18:22responsabilizar por nós 2. Gente, se relacionar é muito
- 18:26difícil porque, veja, a gente não está no casamento só com as
- 18:30nossas partes maravilhosas. É uma ilusão achar que você vai
- 18:35se relacionar só com o que há de mais lindo do outro.
- 18:39A gente se relaciona com as feridas do outro, a gente se
- 18:43relaciona com os traumas do outro, a gente se relaciona com
- 18:45os medos do outro, a gente se relaciona com as angústias do
- 18:49outro, a gente se relaciona com as inseguranças do outro.
- 18:53E como eu falei no começo, esse não é o problema.
- 18:57O problema é o quanto as inseguranças, as angústias, as
- 19:02dores, a infância ferida, o nome que você quiser dar.
- 19:06Não é cuidado pelo outro e vira uma bomba no nosso colo pra
- 19:09gente mudar. Nós não teremos uma relação de
- 19:12perfeição, sabe? Eu tenho inclusive me preocupado
- 19:17muitas vezes, olhando esse movimento de rede social de tudo
- 19:22é tóxico, todo mundo é tóxico, menos você, todo mundo é
- 19:25abusivo, menos você, você emociona que Dourado, você é só
- 19:29amor. E aí a gente olha pouco para
- 19:32gente e acha que é sempre um outro que está sendo violento.
- 19:35Tem me preocupado esse movimento da gente não assumir as nossas
- 19:38mazelas, os nossos machucados, as nossas dificuldades, não
- 19:42assumir que tem hora que sim, eu tenho a tendência a ser violenta
- 19:45com o ouro. Tem hora que sim, eu quero
- 19:46silenciar o outro. Como que eu lido com isso?
- 19:50Porque se todo mundo é o Alecrim Dourado, porque que a gente tá
- 19:54com problema nas nossas relações?
- 19:57Se todo mundo é só amor, porque a gente tá com problema nas
- 19:59nossas relações? Tem uma parte que é nossa.
- 20:04E essa parte que é nossa não significa que você tem que ficar
- 20:07numa relação difícil, não significa que você é
- 20:10corresponsável pela violência do outro.
- 20:13Significa que tem um lugar que é você quem põe o limite e fala,
- 20:17chega. Esse tipo de comportamento não
- 20:19aceito mais. A gente vai para aquele lugar
- 20:22que eu já falei em um outro episódio, sobre o negociável e o
- 20:25inegociável. A relação saudável não é uma
- 20:27relação em que tudo é negociável.
- 20:29Temos os nossos negociáveis. Mas é uma relação que o conflito
- 20:33ele existe e ele não nos destrói.
- 20:36O conflito ele cabe no nosso encontro.
- 20:40A gente tem confiança que a gente vai saber lidar com o
- 20:42conflito, sabe? Então, talvez nomear as
- 20:46violências dessa família seja um processo longo, seja um processo
- 20:51que demore, mas que se ele assume a vontade de aprender a
- 20:55lidar com isso, seja um processo de crescimento para vocês.
- 20:59E assim a Elisa, meu, vejo. Meus filhos estão vendo o pai
- 21:02sendo tratado assim. Pois é, e essa é a história dos
- 21:06seus filhos. Não importa o que você faça,
- 21:09você não vai conseguir transformar a história dos teus
- 21:11filhos em outra coisa. O que você pode fazer é ajudar
- 21:15os seus filhos a lidarem com a história que é deles.
- 21:20Então como eles estão percebendo o que a vó faz, o que o avô faz,
- 21:24o que que eles acham sobre isso? Nossa, hoje eu ouvi a Vovó falar
- 21:28com o seu pai de um jeito. É, fiquei incomodada.
- 21:34O que que você acha sobre isso? O que que você acha sobre o
- 21:37jeito que sua vó fala com seu pai, que seu vô fala com seu
- 21:40pai? Sabe você ajudar a criança a
- 21:42lidar com a realidade que é dela.
- 21:44A gente não tem a função de proteger os nossos filhos da
- 21:49vida, do que a vida é. A gente tem essa missão
- 21:53dificílima de ajudar a lidar com a vida do jeitinho que ela é.
- 21:59É isso, meu amor, se você quer me optar com a sua vida, manda
- 22:05e-mail para mim. Eu respondo, vou colocar OE mail
- 22:08aqui. Sabe porque que eu não cito OE
- 22:09mail? Porque é alta chance de eu falar
- 22:10errado. Então eu vou colocar aqui na
- 22:12descrição do episódio, OE mail certinho, e aí você vai enviar
- 22:18e-mail para mim e você vai mandar essa esse episódio também
- 22:23para aquela pessoa. Sabe aquela aquela conta para
- 22:26ela? Beijo até o próximo episódio.