Latest / PositivaMente Consciente Podcast / " Autossabotagem: O Crítico Interior "
Transcript
- 0:01Sejam bem vindos ao positivamente consciente.
- 0:04A nossa conversa de hoje será sobre a auto sabotagem, o
- 0:08crítico interno. Ele não grita, não precisa.
- 0:11Ele sabe como falar na hora exata em que você se sente mais
- 0:14vulnerável. É preciso, cirúrgico, astuto,
- 0:17ele aparece quando você começa um novo projeto, quando conhece
- 0:21alguém em especial, quando pensa em mudar de carreira, quando
- 0:24finalmente decide acreditar em si, é naquele instante de
- 0:28coragem, de brilho. De impulso vital que ele surge
- 0:31com sua voz tão familiar, sussurrando, você vai fracassar,
- 0:35não é bom o bastante, ninguém vai se importar com isso.
- 0:38Você está ridículo, vai fazer papel de bobo.
- 0:41Melhor desistir agora do que se frustrar depois.
- 0:44Essa voz, por mais dura que pareça, não é de um inimigo
- 0:48declarado. Ela se esconde dentro da mente
- 0:50como um conselheiro disfarçado de proteção.
- 0:53É o crítico interno, um sabotador silencioso que finge
- 0:57proteger, mas que na verdade. Paralisa e, por mais
- 1:00contraditório que pareça, essa voz foi apreendida.
- 1:03Ninguém nasce com o crítico interno ativado.
- 1:06Bebês não se julgam crianças pequenas não olham para o
- 1:10próprio corpo com repulsa, nem para as suas ideias com dúvida.
- 1:14Elas experimentam, arriscam, caem, levantam, riem de si
- 1:18mesmas, mas em algum momento algo acontece.
- 1:21E esse algo não é sempre dramático, mas é persistente,
- 1:25são os não faça assim, isso está errado.
- 1:28Você nunca aprende por que não é igual ao seu irmão, menina feia,
- 1:32menino burro, você me decepciona.
- 1:35Isso está horrível, não sabe fazer nada direito.
- 1:38Palavras que caem como sementes num solo fértil e moldável a
- 1:41mente, informação e a criança que ainda não tem capacidade
- 1:45crítica, interpreta tudo como verdade e assim nasce o crítico
- 1:49interno, não como inimigo, mas como reflexo daquilo que se
- 1:53escutou, viu ou sentiu no passado.
- 1:55Com o passar do tempo, essa voz passa a ser confundida com a
- 1:59própria identidade. Crescemos com ela, aprendemos,
- 2:02escutá la tanto que deixamos de questioná la.
- 2:04Ela se disfarça de razão, de prudência, de maturidade.
- 2:08Mas ela não orienta, ela bloqueia, ela não inspira, ela
- 2:12diminui, ela não guia, ela sabota ela.
- 2:15Quem nos faz desconfiar do elogio, duvidar das próprias
- 2:19capacidades, achar que nunca está bom o suficiente.
- 2:22Ela quem adia sonhos, destrói relacionamentos, afasta
- 2:26oportunidades. Ela não precisa levantar a voz,
- 2:29ela apenas repete aquilo que foi dito, insinuado ou sentido nas
- 2:33fases mais frágeis da nossa história.
- 2:35E o mais perigoso é que essa voz mora dentro de nós.
- 2:39Não conseguimos desligá la com um botão, não conseguimos
- 2:42escapar dela, mudando de cidade, trocando de trabalho, iniciando
- 2:46um novo relacionamento. Por que ela nos acompanha?
- 2:50Ela está em nossos silêncios, nas pausas, nos pensamentos
- 2:53noturnos e, sobretudo, ela se fortalece cada vez que
- 2:57acreditamos nela. Porque o crítico interno se
- 3:00alimenta da nossa crença, se alimenta do medo, da dúvida, da
- 3:04ausência de presença. E quanto menos consciência temos
- 3:07sobre ele, mais ele dirige a nossa vida.
- 3:10A autossabotagem não é um ato intencional.
- 3:13Ninguém acorda pela manhã decidindo fracassar, se frustrar
- 3:17ou desperdiçar oportunidades. O que acontece é que, quando o
- 3:20crítico interno domina, ele cria narrativas tão convincentes que
- 3:24passamos a agir conforme essas histórias na mente.
- 3:27Como criadora da realidade interna molda nossos
- 3:30comportamentos. E quando ela está convencida de
- 3:33que não somos bons o suficiente, nós agimos como se realmente não
- 3:37fossemos. E a vida responde com espelhos.
- 3:40Pessoas nos tratam como nos tratamos, o mundo nos reflete e
- 3:44o ciclo se repete. O crítico interno também tem a
- 3:47capacidade de se disfarçar. Ele pode parecer a voz da
- 3:51responsabilidade, da cautela, do realismo.
- 3:54Mas há uma diferença crucial entre realismo e pessimismo,
- 3:58entre cautela e medo, entre responsabilidade e rigidez.
- 4:02O crítico não quer o seu bem. Ele quer evitar dor a qualquer
- 4:05custo, mesmo que isso custe a sua expansão, porque ele é um
- 4:09mecanismo de proteção mal programado.
- 4:11Ele acredita que manter você pequeno, invisível.
- 4:14Calado e adaptado é mais seguro do que ver você se arriscar,
- 4:18crescer e se frustrar. Mas o preço disso é altíssimo, a
- 4:21perda da sua autenticidade. Não é raro ver pessoas
- 4:25extremamente talentosas se auto sabotando em nome do
- 4:28perfeccionismo, do medo de errar, do medo de se expor.
- 4:32Não é raro ver relacionamentos que fracassam porque um dos
- 4:35parceiros está sempre esperando ser rejeitado, traído,
- 4:38abandonado e acaba provocando, sem perceber exatamente aquilo
- 4:43que mais teme. A auto sabotagem pode ser sutil,
- 4:46pode vir em forma de atrasos, de esquecimentos frequentes, de
- 4:50escolhas ruins repetidas, de falas destrutivas em momentos
- 4:53cruciais. Pode vir como procrastinação
- 4:56crônica ou como hábito de se autodepreciar em todas as
- 4:59conversas. Tudo isso, no fundo, é a voz do
- 5:02crítico interno encontrando formas de manter você dentro do
- 5:05que é conhecido, previsível, seguro.
- 5:08Mesmo que esse seguro esteja cheio de dor, é preciso aprender
- 5:12a identificar essa voz. Distingui la da intuição,
- 5:15distingui la do bom senso, distingui la da razão pura.
- 5:19O crítico interno é excessivamente punitivo, ele não
- 5:22acolhe, não compreende, não permite tentativas.
- 5:26Ele exige acerto imediato, perfeição constante, desempenho
- 5:29impecável. E quando falhamos, porque somos
- 5:32humanos e falhamos, ele não oferece consolo, ele castiga,
- 5:36ele acusa, ele repete, eu te avisei, é cruel, e ainda assim
- 5:41damos ouvidos a ele. Por que ele fala com a linguagem
- 5:44de quem conhecemos há muito tempo, a linguagem de quem nos
- 5:47formou. Mas o crítico interno não é
- 5:50imbatível, ele pode ser ressignificado e para isso é
- 5:53necessário primeiro nomeá lo escutá lo com atenção e se
- 5:57perguntar, essa voz é minha ou de alguém que marcou minha vida?
- 6:01Esse julgamento é atual ou é um eco do passado?
- 6:04Essa crítica está baseada em fatos ou em medos.
- 6:07Quando trazemos luz, a origem do crítico, ele perde parte de sua
- 6:10força. Por que o que é inconsciente nos
- 6:13domina? O que se torna consciente pode
- 6:15ser transformado. O segundo passo é desenvolver
- 6:18uma nova voz, uma voz compassiva, não ingênua, mas
- 6:22amorosa, uma voz que possa olhar para o erro e dizer, tudo bem,
- 6:26você tentou. Vamos aprender com isso.
- 6:29Uma voz que festeja os pequenos avanços, que incentive a
- 6:33tentativa, que compreenda os dias difíceis, que acolha a
- 6:37tristeza sem amplificá la essa voz é construída, não é
- 6:40automática. Ela nasce de um compromisso, o
- 6:43de se tratar como se trataria alguém que ama muito.
- 6:47Por que a autossabotagem cessa quando o amor próprio se
- 6:50fortalece? Não um amor narcísico ou
- 6:52inflado, mas um amor real, lúcido, que reconhece a
- 6:56humanidade com tudo que ela tem de luz e sombra.
- 6:59A reeducação da mente começa por aí, pela vigilância dos
- 7:02pensamentos, pela escuta dos diálogos internos, pela escolha
- 7:07consciente de acreditar ou não em determinadas ideias, a
- 7:10mentemente. E mente com maestria.
- 7:13E às vezes, a mentira que ela nos conta é a mesma que
- 7:16escutamos por tanto tempo que esquecemos de verificar se ainda
- 7:19é válida. Você não merece ser feliz, será?
- 7:23Você não consegue? Tem certeza?
- 7:25Você é um fracasso. Sempre nada dá certo para você.
- 7:30De fato, essas perguntas precisam ser feitas porque ao
- 7:34questionar, abrimos espaço para outras possibilidades e a
- 7:38possibilidade é a porta da Liberdade.
- 7:40O crítico interno também pode ser acolhido porque, no fundo,
- 7:45ele representa uma parte da nossa história que precisou se
- 7:47proteger. Uma criança que aprendeu a se
- 7:50criticar antes que o mundo fizesse uma defesa que virou
- 7:53prisão. Quando olhamos para ele com
- 7:55compaixão, percebemos que não precisamos lutar contra ele, mas
- 7:59dialogar com ele, ensinar a ele uma nova forma de existir, um
- 8:04novo papel. Ele não precisa desaparecer, mas
- 8:07pode ser transformado. De sabotador em conselheiro, de
- 8:11carcereiro em aliado, desde que guiado pela consciência.
- 8:15Libertar se do crítico interno não é calalo, mas aprender anão
- 8:19ser comandado por ele. É reconhecer sua existência sem
- 8:22se curvar. É desenvolver novas referências
- 8:25internas. É construir uma mente que ajude
- 8:27a expandir, não a esconder, que encoraje, não que assuste, que
- 8:32inspire, não que diminua. E isso não se faz de 1 dia para
- 8:36o outro. Mas começa agora com um gesto, o
- 8:39de escutar sua mente com discernimento, o de interromper
- 8:42pela primeira vez a voz que diz que você não é capaz e escolher,
- 8:46mesmo com medo, mesmo com dúvidas, dar um passo na direção
- 8:50do que realmente deseja. Porque a mente pode ser um eco
- 8:53do passado, mas também pode ser o solo fértil do novo.
- 8:57E quando você aprende a plantar novas palavras dentro de si, o
- 9:01Jardim interno floresce e o crítico então cede espaço para o
- 9:05criador. Para o artista, para o sonhador,
- 9:08para a voz da alma, e é essa voz que você veio honrar.