Latest / Café com Dungeon / Mistério: criação ou investigação? #0045
Transcript
- 0:01Uma vez eu tava na praia com o sócio do meu pai, o Fred, e um
- 0:07amigo meu. Eu era moleque, eu tinha uns
- 0:09treze anos. Lá pelas tantas, a gente tava já
- 0:13cansado de pegar jacaré na água, e a gente voltou pra tomar um
- 0:17mate. E o sócio do meu pai lançou um
- 0:20desafio. Eu quero ver aí quem é mais
- 0:23habilidoso, quem tem coordenação motora mesmo de olhos fechados.
- 0:29Ele encenou legal, ele colocou as duas mãos em paralelo, na
- 0:33vertical, assim, separadas, que nem um robozinho, sabe?
- 0:38E ele falou assim pra gente, façam assim também, façam que
- 0:43nem eu tô fazendo. Bom, meu amigo ia ser o primeiro
- 0:47a fazer o teste. Ok, o jogo era o seguinte...
- 0:52O meu amigo tinha que ficar fazendo repetidamente um
- 0:56movimento com as mãos como se ele estivesse cortando um bolo,
- 1:00mas oscilando para um lado e para o outro.
- 1:03Que nem um golpe de karatê desses que quebra madeira, só
- 1:06que com as duas mãos ao mesmo tempo.
- 1:09E alternando a mão que ficaria entre as mãos do sócio do meu
- 1:13pai. Primeiro esquerda, depois
- 1:15direita, esquerda, direita e assim vai.
- 1:20No início, era para fazer isso com os olhos abertos.
- 1:23E aí o Fred ia aos poucos encurtando o espaço entre as
- 1:27suas próprias mãos. Então o espaço que você tinha
- 1:30para dar o golpe ia reduzindo. O meu amigo foi o primeiro.
- 1:34E ele só tinha que ir acertando esses golpes sem tocar jamais
- 1:39nas mãos do Fred. Quando as mãos do sócio do meu
- 1:43pai ficaram bem juntinhas... Aí era a hora do meu amigo
- 1:47fechar os olhos. E assim que ele fechou os olhos,
- 1:51o Fred saiu de perto e me puxou pra gente tomar mate lá sentado
- 1:54na cadeira. E, bom, ficou ali o meu amigo
- 1:58ali, o carinha, no meio da praia, em pé, sozinho, dando
- 2:02golpes de karatê, de olhos fechados debaixo do sol, achando
- 2:06que ele tava zerando o joguinho, né?
- 2:07Ele já tava pensando, caralho, eu sou muito habilidoso, eu tô
- 2:10aqui há dez minutos. E a gente ficou rindo demais
- 2:14ali, cara. Depois de um tempo, o próprio
- 2:16moleque acabou rindo com a gente, depois que, obviamente, a
- 2:19gente parou ele ali, trouxe ele de volta pra tomar mate.
- 2:24Mas, bom, eu conhecia bem ele, né, e eu vi que rolou uma
- 2:27decepção muito grande pro moleque.
- 2:31Rolou ali uma certa quebra de confiança, eu fiquei muito
- 2:34culpado com isso. Depois eu fiquei pensando se não
- 2:38teria sido melhor, de repente, a gente ter feito essa galhofa,
- 2:43né? Mas sem nunca contar pra ele que
- 2:46a gente tinha deixado ele ali sozinho.
- 2:48De repente deixa ele ali com a impressão de que ele mandou bem
- 2:52mesmo, né? Pra ele não ficar chateado.
- 2:54Porque, pô, a pegadinha era boa, mas era sacana.
- 2:59Será que se a gente não deixasse ele saber que ele foi enganado,
- 3:02a gente não teria rido e ele... não saia ali achando que era
- 3:06bonzão, eu cheguei à conclusão de que não.
- 3:10Pior do que enganar o cara de olhos fechados, é enganar o cara
- 3:15também de olhos abertos. Isso me leva a um texto que eu
- 3:19li num livro famoso de RPG. Eu quero até ver se você
- 3:24identifica quem escreveu esse texto antes de eu mencionar
- 3:28durante o episódio de hoje. O texto é assim...
- 3:33Uma das minhas jogadoras queria encontrar o vilão que assassinou
- 3:36sua mãe e o seu pai. Direto ao ponto.
- 3:41Ela foi muito generosa comigo a ponto de dizer que, olha, eu não
- 3:45sei quem é o assassino, mas eu quero descobrir esse mistério de
- 3:49quem matou meu pai e minha mãe e eu quero que isso seja parte da
- 3:53história. Eu não escolhi nenhum NPC para
- 3:57determinar esse é o assassino. Não, eu peguei cinco de vez.
- 4:02E conforme o jogo foi progredindo, eu fiquei
- 4:04observando como a jogadora reagia a cada um deles.
- 4:09E aí sim eu fiz minhas escolhas baseado nas reações dela.
- 4:15A alternativa para isso seria nem pegar de repente nenhum NPC,
- 4:20mas ficar matutando ali durante o jogo quem matou os pais da
- 4:24personagem, da jogadora, nos jogos seguintes, nas sessões
- 4:28seguintes. Essa é a chave para criar
- 4:32histórias colaborativas. Não tenha planos, tenha
- 4:36contingências. Prepare-se para ver tudo mudar
- 4:39num piscar de olhos. Não se case com nenhum dos
- 4:42finais ou nenhum plot twist. Deixe as coisas acontecerem
- 4:47naturalmente. Escute seus jogadores e deixe
- 4:49que eles digam a você quais histórias eles desejam.
- 4:53E aí dê o que eles pediram. Cara, esse é o texto, tá?
- 5:00Não te parece que o autor fez igual o sócio do meu pai, só que
- 5:04no fim, em vez de zombar do meu amigo iludido ali no meio da
- 5:08praia dando golpes de karatê de olhos fechados, ele só chegou
- 5:12pro moleque e falou Aê, campeão da coordenação motora!
- 5:17Agora, imagina isso aplicado em RPG de mistério.
- 5:22Não fica ainda mais feia essa história?
- 5:26Pois antes mesmo de começar o episódio de hoje, eu vou dar uma
- 5:29dica. Se vocês estão jogando um jogo
- 5:32de criar mistérios, não iluda as pessoas de que elas estão
- 5:36investigando algo. Porque esse algo não existe.
- 5:41O que precisa ser criado, por não existir, não é investigável.
- 5:47Com isso em mente, vamos para o episódio.
- 5:53E aí, quer um café? Café com o quê?
- 5:57Descubra! Bom dia, amigos do Café com
- 6:06Dungeon! Estamos aqui pra mais um
- 6:07episódio do seu podcast matinal favorito, trazendo sempre muito
- 6:12RPG. Meu nome é Rafael Balbi e hoje o
- 6:14meu café tá diferente. Eu fiz ele na prensa e a
- 6:19oleosidade do grão está um tanto etérea aqui na xícara.
- 6:24Olhando aqui eu encontrei o nome do produtor, mas a localização
- 6:28não tem. Eu busquei na internet e não
- 6:30existe essa fazenda. Eu analisei com mais calma aqui
- 6:34cada grão e eu percebi que a dobrinha da semente tem uma
- 6:38espécie de desenho no formato de uma caveira.
- 6:43Bom, se você não quiser surpresas desagradáveis no seu
- 6:46café da manhã, com um café delicioso, pode apostar no café
- 6:51Ovelha Negra. Ovelhanegracafés.com.
- 6:54Você vai lá e utiliza o cupom CCD e você consegue beber um
- 6:58café especial, sem surpresas. sem essas impurezas aí da
- 7:02indústria. Então, cara, delicioso.
- 7:05Pode confiar. Já chega pedindo um café magenta
- 7:09e usa o cupom CCD, tudo minúsculo, porque você tem
- 7:11abatimento, tem um desconto aí. Se você quiser um desconto ainda
- 7:14melhor, você pode se tornar um assinante do Café com Dungeon,
- 7:17que aí a gente libera cupons progressivos de acordo com o seu
- 7:21nível de apoio. Aí você vai lá em apoia.se barra
- 7:24Café com Dungeon e mete bronca. E fora isso... você recebe
- 7:28conteúdo extra, participa de sorteios de outros parceiros
- 7:32também, recebe outros cupons, Participe de um grupo de
- 7:36Telegram muito maneiro. Tem muita gente maneira
- 7:39discutindo RPG a fundo, que é tão viciada quanto você.
- 7:43E certamente você vai encontrar ali também mesa, gente que joga
- 7:48junto, etc. E as mesas abertas que a gente
- 7:49tem também, que não é exclusividade dos assinantes,
- 7:52mas certamente os assinantes se engajam pesadamente.
- 7:54Então, apoia.se barra café com dungeon.
- 7:58Lembrando aqui que esse episódio é o primeiro dos episódios dessa
- 8:03série agora, né, de episódios de terças-feiras bancados pelo RPG
- 8:09Dojo. Então a gente vai ter aí durante
- 8:11três meses episódios às terças-feiras graças a essa
- 8:15galera. Então um agradecimento especial
- 8:18aí pra galera do RPG Dojo. A gente, pra comemorar isso, tá
- 8:22trazendo aí uma galera de lá pra trocar ideia sobre mistérios no
- 8:26RPG, como você deve ter ouvido na introdução.
- 8:29Mas antes da gente começar aqui o nosso episódio, eu vou fazer a
- 8:32leitura de enquete. Quick Primer for Old School
- 8:36Gaming foi o episódio de dois mil e vinte e quatro, né?
- 8:39A edição de dois mil e vinte e quatro do Quick Primer foi o
- 8:41episódio anterior. E eu fiz a seguinte pergunta.
- 8:45Na sua mesa, você prefere regras da casa mais mecânicas ou menos
- 8:50mecânicas? E a galera trouxe aí, cinquenta
- 8:53e oito vírgula três por cento, bem apertado na votação, né?
- 8:56A galera falou que preferem mecânicas não, só em último
- 8:59caso. Ou seja, eles preferem trazer
- 9:01outro tipo de regra, né? Mexer em outras coisas,
- 9:03dinâmicas de mesa, status e coisas e tal.
- 9:06E aí, só em último caso traz mecânica.
- 9:09Mas ficou bem apertado. Muita gente gosta de mexer as
- 9:11regras da casa diretamente de forma mecânica pra impactar o
- 9:15jogo mais forte. Agora, a galera que respondeu
- 9:18aqui, queria agradecer quem participou.
- 9:20O Rafael Bacelar falou que quando ele leu o Primer, não foi
- 9:24muito novidade para ele, porque ele já tinha entrado em contato
- 9:27com as ideias pelo Regra da Casa e outros canais.
- 9:30Quando algum jogador novo tem interesse em ler as regras do
- 9:33sistema lá na mesa dele, ele primeiro indica a leitura do
- 9:37Primer. para já tentar alinhar as coisas que podem ter ficado
- 9:39soltas numa conversa prévia. Ele também indica para amigos
- 9:43DMs ou que estão para mestrar a primeira vez a leitura do
- 9:47Primer. Muito bom, Bacelar.
- 9:49Eu acho que é sempre legal, né? Leitura a respeito de dinâmica
- 9:52do RPG e estilo. Eu acho que é sempre
- 9:54enriquecedor. O Marcos Gonçalves, aí salve, o
- 9:59Marcos que é do Dojo, ele falou que adorou as mudanças e que
- 10:03está ansioso para ler a nova versão completa do Peak Primer
- 10:07for Old School Gaming. Ele acha que essa abordagem mais
- 10:09sutil tende a despertar mais interesse do público.
- 10:13E perguntou se vai ter uma tradução cafeinada.
- 10:16Marquinhos, eu acho que essa abordagem sutil certamente vai
- 10:21ganhar mais corações do que a abordagem mais... pé na porta e
- 10:24soco na cara que o Finch teve na primeira encarnação do Quick
- 10:29Primer. Agora, cara, não sei se mudou o
- 10:32suficiente pra gente fazer uma tradução cafeinada dele,
- 10:35principalmente porque o material tá vindo dentro do Swords
- 10:38Wizardry e não vindo de graça na comunidade, né?
- 10:42Então, se em algum momento ele liberar o Quick Primer para a
- 10:47comunidade, ficar aberto, aí talvez a gente tente.
- 10:50Mas enquanto tá no livro, assim, acho que não vale nem a pena
- 10:53apontar nossos canhões pra isso. Vamos tentar buscar outras
- 10:55traduções e comentar essas mudanças aí pontuais que o Fint
- 11:00fez. Beleza?
- 11:01Mas vamos ficar de olho, vamos ficar de olho.
- 11:03O Auro Inflamado, grande Danilo, falou que meu contato com o
- 11:06Quick Primer é menor. Acaba que sigo mais a linha do
- 11:09Wild Fantasy, que tem mais estrutura do que ele.
- 11:12O Combat Full ficou melhor, como funcionam as posturas em mesa
- 11:15ficou melhor, então foi bem breve minha experiência
- 11:18puramente com o Quick Primer. muito bom Danilo, a gente pra
- 11:22criar o Hell Fantasy, a gente bateu muito no Peaky Primer, a
- 11:25gente mexeu muito com ele foi muito influenciado pelo Primer
- 11:28então você tá pegando de fato uma proposta um pouco mais
- 11:34profunda naturalmente, porque afinal de contas a gente veio do
- 11:37Primer, então a gente veio aprofundando, então acho que é
- 11:41interessante isso e obrigado pela tua participação aí cara
- 11:45somos todos derivados do Primer Mas é isso aí.
- 11:49Vamos lá, vamos cair no episódio de hoje.
- 12:04Sempre que víamos ogros nas terras de meu pai, terminávamos
- 12:09por mandar a nossos guardas que, chacoalhando suas lanças, os
- 12:13afugentavam. Pena que dessa vez eu me perdi
- 12:17na mata da seringueta sem uma lança para chacoalhar para
- 12:21William. William?
- 12:23Você me pergunta. Sim, William foi o ogro que me
- 12:27sequestrou. Ele estava me levando lá para o
- 12:30lar da Serpia Albina, o pico mais alto. da Serra da Luneta,
- 12:36escalando os morros no dente. Me amordaçou ainda.
- 12:40Mas obviamente fugi. Como estaria então escrevendo
- 12:44isso aqui se eu não tivesse fugido, não é mesmo?
- 12:47Bom, nunca se deixa uma bruxa prisioneira sem mortaça.
- 12:52William agora é meu melhor amigo, um bom garoto.
- 12:55Me disse para visitar sua casa e sua família lá na ravina do
- 12:59Menestrel, que fica no vale entre o pico mais alto da Serra
- 13:05da Luneta e a muralha. Eu obviamente vou cedo ou tarde.
- 13:11Meu maior defeito, como podem perceber pelas minhas histórias,
- 13:15é a curiosidade. Diário da Bruxa Elza, de Rosa e
- 13:21Cruz. Esse e tantos outros são rumores
- 13:25vindos do jogo do mundo aberto de Biergotten.
- 13:29Se você quiser explorar aventuras como essa, pode entrar
- 13:34inteiramente de graça no nosso grupo.
- 13:36Siga o link lá no descritivo do episódio e jogue Biergotten com
- 13:41a gente. Vamos explorar Biergotten
- 14:05Bem-vinda, Nina! Olá, time!
- 14:08O Dojo chegou! Quer dizer, o Dojo tá aqui faz
- 14:12um tempão já, mas agora chegou mais no Café com o Danjo.
- 14:15Tô muito empolgada de estar aqui.
- 14:17Muito obrigada pelo convite. Tamo junto.
- 14:20E também Bruno Cobb na área. Ô!
- 14:22Pra começar. Bem-vinda, Nina!
- 14:26Salve, salve! Maravilhoso estar aqui mais uma
- 14:30vez. Neste podcast que é tão
- 14:39importante na minha trajetória aqui como RPGista, né?
- 14:43Como praticante de jogos e mais ainda agora, depois dessa
- 14:49possibilidade que a gente tá tendo aí de ser uma das marcas
- 14:52apoiadoras pra trazer pra comunidade aí mais um episódio
- 14:55de Café com Dungeon, né? Tavam sentindo falta.
- 14:57É pouco café pra muita semana, minha gente.
- 14:59Obrigado pelo convite aí, Balbi, pra gente participar com vocês.
- 15:03Tamo junto. Bom, esse tema de hoje, ele é um
- 15:06tema específico dentro de mistério, né?
- 15:08A gente já teve episódios no Café com Dungeon na primeira
- 15:11temporada falando de mistério. E aí eu resolvi trazer uma coisa
- 15:14um pouco mais específica, que é a diferença entre a gente
- 15:19investigar um mistério e a gente criar um mistério.
- 15:22Que tem muito a ver com episódios dessa temporada mesmo,
- 15:25que eu faço uma distinção entre jogos que puxam pra gente contar
- 15:30uma história através do jogo E a gente vivenciar os fatos do
- 15:38jogo, vivenciar essa história, no caso, vivenciar os momentos
- 15:42da história em vez de botá-las em perspectiva através da
- 15:46ludificação dessa criação. E, bom, pra gente começar a
- 15:51delimitar, porém, esse episódio, eu acho que vale a pena a gente
- 15:53começar a falar do que que é mistério no RPG, né?
- 15:57O que que é quando a gente fala, ah, vamos jogar um RPG de
- 16:00mistério. O que a pessoa pode esperar?
- 16:02Como é que vocês definiriam aí o que que é mistério no RPG?
- 16:07É uma tarefa complexa, né? Mistério no RPG, assim...
- 16:11Porque, na verdade, de algum jeito, ainda mais pensando no
- 16:15estilo, no oil fantasy que a gente vem estudando, como RPG se
- 16:20trata de ficção emergente, a gente meio que vai descobrindo o
- 16:23que vai acontecendo enquanto joga, né?
- 16:28Mas quando... A gente está falando aí talvez
- 16:31de um quebra-cabeça sem peças. E agora eu estou pensando
- 16:38enquanto falo aqui com você. Não tenho nada pronto aqui para
- 16:40te trazer isso, mas uma reflexão que eu responderia de
- 16:42bate-pronto assim é quando você apresenta um quebra-cabeça com
- 16:46peças faltando para alguns dos jogadores.
- 16:49Você apresenta uma curiosidade com peças faltando ou um desafio
- 16:55cuja solução depende de certa dedução, depende de
- 16:59investigação, depende de exploração, muitas vezes.
- 17:03E aí isso fica amplo, porque, por exemplo, uma masmorra
- 17:06poderia ser um mistério, um assassinato, como a gente está
- 17:11acostumado, poderia ser um mistério, mas existem outros
- 17:14tipos de desafios que poderiam ser mistérios também, que não é
- 17:17apenas essa coisa Sherlock Holmes-esca, né?
- 17:23Uhum. mas eu acho que dá pra dizer isso, que é como se fosse
- 17:26um desafio onde pra encontrar todos os elementos necessários
- 17:30pra enfrentá-lo os jogadores ou as jogadoras, os jogantes vão
- 17:37precisar de algum jeito descobrir ou deduzir alguma
- 17:42coisa levantar hipóteses, testar essas hipóteses pra ver se isso
- 17:48vai parar em pé faz sentido? O que você acha, Nina?
- 17:52Eu acho que você acabou de trazer um dos motivos por eu ser
- 17:58tão apaixonada por Oil Fantasy. Porque olhando dessa
- 18:01perspectiva, todo desafio em Oil Fantasy é um mistério.
- 18:04Porque você precisa investigar e ir juntando os pedacinhos para
- 18:08as coisas fazerem sentido. E você descobrir a melhor forma
- 18:11de resolver. Ou isso, ou o seu personagem
- 18:14morre. E é uma das três premissas, né?
- 18:18Quando a gente fala de construção de desafio, o
- 18:20primeiro ciclo do Dojo foi sobre construção de desafio, né?
- 18:24Ciclo de estreia. Dojo foi sobre construção de
- 18:26desafio. E aí uma fala do Bob ficou muito
- 18:28forte pra mim. Inclusive ele falou isso na
- 18:30última noite do chá que ele participou ali.
- 18:33Tá disponível no YouTube do Café pra quem quiser assistir.
- 18:36Algumas atividades do Dojo a gente faz pra fora, então essa é
- 18:38uma delas. Ele falou que pro desafio, uma
- 18:42das perguntas que pintou foi essa, né?
- 18:43Como é que é essa coisa de construção de desafio e tal?
- 18:46E aí o Bob trouxe, falou que todo desafio, né?
- 18:49Tem que ser antecipado, ou antecipável, né?
- 18:53Antecipado. Tem que ser investigável.
- 18:56Olha aí, Nina. Ou seja, tem que ser
- 18:58investigável e ele tem que ter multiplicidade de soluções.
- 19:03Tem que ter soluções múltiplas, jeitos diferentes de ser
- 19:08solucionado. Então um dos três, uma da nossa
- 19:11santíssima trindade da construção de desafio, uma das
- 19:14três entidades principais aí é a investigação.
- 19:17Então é bem legal esse insight que você teve.
- 19:23Boa. Agora, assim, eu acho que vocês
- 19:25trouxeram um ponto que eu acho muito interessante, que é, agora
- 19:30falando amplamente, assim, até tirando um pouco do escopo do
- 19:34Final Fantasy, né? É que, no fim das contas, o RPG,
- 19:38de forma geral, e a gente pode dizer que a grande maioria dos
- 19:40RPGs vai ser assim, ele se trata de exploração, né?
- 19:46Por mais que a gente esteja explorando ali algum espaço...
- 19:50em vias de trazer, de botar os fatos da ficção em perspectiva
- 19:55para construir uma narrativa, ou que seja um jogo mais de
- 19:58exploração e de simulação mesmo do espaço que a gente está
- 20:02tratando, de forma geral, todo RPG acaba explorando um espaço,
- 20:06um espaço imaginário, um espaço coletivo que está sendo criado
- 20:11ali naquele momento em algum nível.
- 20:14E aí, dada essa mídia do RPG ser essa ficção, Seria toda a
- 20:20exploração que acontece desse espaço no RPG uma investigação
- 20:24por si só? E vocês adiantaram essas
- 20:26questões, né? Que eu acho que o Wild Fantasy
- 20:29responde um pouco isso, que é todo problema, todo desafio
- 20:34ficcional que a gente coloca, ele tem a sua porção de que ele
- 20:36precisa ser investigável. Mas a diferença disso, pra mim,
- 20:40de um mistério, de um jogo especificamente de mistério, É
- 20:44que nesse ponto, a gente investigar ou não, né, dentro de
- 20:48um desafio, falando de forma ampla, nos RPGs, isso quer dizer
- 20:52que a gente vai investigar no processo.
- 20:55Então que há algo a ser investigável ali e tudo mais.
- 20:57Mas agora o mistério, de certa forma, é que o objetivo é
- 21:02desvendar esse mistério. O objetivo do jogo é você fazer
- 21:04esse, ahá, entendi, né. É claro, eu acho que na maioria
- 21:09dos casos, até se a gente for pegar em outras mídias, o
- 21:14mistério no cinema, o mistério nos livros e tal, na literatura,
- 21:21a gente vai ter esse momento em que a gente fala, ahá, entendi.
- 21:25Só que normalmente dentro do que se coloca ali, a gente tem uma
- 21:28decorrência disso. Você entendeu, agora você tem
- 21:30que resolver. Você tem que resolver, tipo, dar
- 21:32um fechamento no mistério, né? Então, tipo, se é um criminoso,
- 21:36é o momento em que você enfrenta o criminoso.
- 21:38Se é um monstro, é o momento em que você tenta lidar de alguma
- 21:41forma com isso, né? Então, quando você desvenda o
- 21:43mistério, é um momento talvez catártico, né?
- 21:47Que você fala, caraca, entendi tudo.
- 21:49E agora a gente tem uma decorrência disso.
- 21:52E aí entra a questão do desafio, né?
- 21:55O desafio normalmente ele vem nesse ponto de que você entender
- 21:58o suficiente pra poder superar o desafio.
- 22:00Já o mistério por si só, muitas vezes ele se basta, né?
- 22:04O que vem depois é quase só o desfecho ali que não
- 22:08necessariamente vai impactar tanto o jogo quanto você falar,
- 22:11caraca, entendi o mistério ou criamos o mistério, né?
- 22:17Trazendo um pouquinho pra cultura pop, assim, essa coisa
- 22:19de tentar delimitar essa questão do mistério através de cultura
- 22:24pop. Vocês têm estudado isso nesse
- 22:26ciclo do dojo? O que vocês mapearam aí de
- 22:28cultura pop, de referências, pra galera emergir um pouquinho?
- 22:34Olha, tem uma referência que eu acho que a gente é ponto de
- 22:38partida, né, pra quem fala de RPG, mistério em RPG, que é o
- 22:47Kof Cthulhu publicado pela Chaosium, né.
- 22:51Apesar dos RPGs terem nascido nas masmorras, né?
- 22:56Nas dungeons. Dá pra dizer que...
- 23:00Bom, imaginando que, sei lá, o ano de nascimento dos RPGs lá é
- 23:04amplamente divulgado como se fosse em setenta e quatro, né?
- 23:07Há controvérsias, mas beleza. Setenta e quatro.
- 23:11O Call of Cthulhu foi publicado em oitenta e um.
- 23:15E talvez ele tenha sido... a primeira vez que os jogadores
- 23:20assumiram o papel de investigadores.
- 23:25Lógico que não foi a primeira vez que alguém tentou rodar um
- 23:29mistério usando o RPG. Provavelmente o Call of Cthulhu
- 23:32não foi o primeiro. Mas certamente...
- 23:37O cenário do jogo tem que olhar para ele como um marco.
- 23:43Então o Call of Cthulhu, de algum jeito, ele é um marco para
- 23:47a gente. Foi uma das primeiras
- 23:48referências que apareceu quando a gente começa o ciclo do Dojo,
- 23:51a gente faz esse levantamento de referências e de dicas que a
- 23:55gente poderia consumir, ler, indicar.
- 23:59E Call of Cthulhu acho que tem esse lugar de destaque.
- 24:03Lovecraft, o trabalho do Lovecraft.
- 24:06É, não sei se o trabalho do Lovecraft especificamente, mas o
- 24:09trabalho do Sean... Como é o nome dele?
- 24:11Sean... Sandy Peterson.
- 24:19Sandy Peterson. Isso, o trabalho da...
- 24:21Eu não sei se é ele ou ela, se é a Sandy ou o Sandy, né?
- 24:24Mas é... O trabalho desse...
- 24:27Dessa pessoa. Dessa pessoa, desse autor, né?
- 24:29Dessa pessoa autora de RPG. Certamente tem que ser assim
- 24:38como qualquer pessoa. É um cara.
- 24:41É um cara. É um ele dele.
- 24:45É um homem branco, barbado, barba branca, careca.
- 24:50Em suma, mas o trabalho desse cara, ele meio que foi a pedra
- 24:55fundamental em cima de onde os RPGs de mistério se construíram.
- 25:02E aí, junto com ele, Dá pra trazer todos os derivados, né?
- 25:07Rastro de Cthulhu, Cthulhu Dark, tudo que veio, né?
- 25:12Essa tradição de Cthulhu. E aí aqui no Brasil a gente tem
- 25:15algumas coisas bem legais também.
- 25:18O Valpassos tem o Herdeiro dos Antigos, né?
- 25:21Uhum. Em suma, tem toda uma linha.
- 25:25Dá pra dizer que tem um subgênero de RPG cthulhesco aí,
- 25:29né? Uhum.
- 25:31O que mais, Lina, que você lembra da nossa lista aí que é
- 25:33legal trazer? Na real, falar dessas
- 25:36referências me faz pensar numa coisa interessante pra gente
- 25:39falar sobre o dojo. Porque quando eu entrei no dojo
- 25:42quase seis meses atrás, a ideia que nós três aqui, acho,
- 25:47tínhamos dele era que ia ser um negócio...
- 25:49Vocês iam apresentar os temas para a comunidade e aí vocês
- 25:56seriam meio que professores e ensinariam a comunidade.
- 25:59Conforme essa comunidade foi vivendo... organicamente o que é
- 26:05ser uma comunidade, a gente entendeu que é um espaço de
- 26:07troca. Não estão vocês apresentando os
- 26:11temas e as pessoas interagindo com o que vocês apresentaram.
- 26:15E aí essa coletânea que a gente faz de referências no começo do
- 26:20ciclo demonstra muito isso. Primeiro a gente pergunta pras
- 26:23pessoas o que elas veem daquele tema o que elas querem ver mais
- 26:29e aí a gente vai fazendo essa troca e é nessa troca que vem a
- 26:33aprendizagem e o estudo do dojo e eu achava que era interessante
- 26:38salientar isso assim É anarquia, né?
- 26:42Anarquismo, tipo. A gente tem uma autogestão lá,
- 26:48né? Embora como chifus a gente tenha
- 26:50a responsabilidade de trazer, né?
- 26:53De munir o dojo com muitas referências, com as nossas
- 26:56reflexões, a gente tenta abrir o máximo possível pra
- 27:03horizontalizar isso, né? Existe uma hierarquia
- 27:06efetivamente colocada ali, né? Tem um papel, que é esse nosso
- 27:10de reflexão, de trazer exercícios, meu, do Balbo e do
- 27:15João, que somos os três chifus atualmente.
- 27:17Esperamos ter mais chifus logo logo, mas somos nós três por
- 27:21enquanto. E das referências, assim, nossa
- 27:23lista de referências, ela é monstruosa, Balbi.
- 27:25Eu acho que eu vou trazer alguns nomes de...
- 27:28Não dá pra falar tudo. Vou deixar um link na descrição
- 27:31do episódio. Boa, boa.
- 27:32Com um link pro Miro, né? Um Miro onde a gente fez o
- 27:37levantamento, né? Inclusive tem essa noite de
- 27:41abertura, o ciclo de mistérios, onde a gente montou esse Miro,
- 27:44também tá disponível no YouTube do Café com Danjo.
- 27:47Então vamos deixar os dois links na descrição do episódio, tanto
- 27:49o da abertura de ciclo que a gente faz com a comunidade
- 27:53aberta, né, junto, e até pra comunidade aberta poder ajudar a
- 27:57gente, trouxe muitas referências que daqui foram trazidas pela
- 27:59comunidade aberta, quanto o link do Miro, onde a gente fez o
- 28:03levantamento dessas referências aqui pra vocês poderem acessar.
- 28:24Se tem uma coisa que eu sei, é que subestimar o desconhecido
- 28:28pode ser fatal. A tempestade que viemos
- 28:30investigar no litoral de Santa Catarina não é nada do que eu
- 28:33imaginava. Naufragamos logo na primeira
- 28:36noite. Minha garganta queimava, o sal
- 28:38correndo cada gota de ar que eu tentava respirar.
- 28:41Eu tragava uma dor cruel a cada afogamento.
- 28:44Um desespero esmagador. Eu quase apaguei.
- 28:47Quase não saí dessa. Acordei na costa de um cemitério
- 28:50de naufrágios, debaixo de uma chuva torrencial, com a minha
- 28:54visão embaçada pela areia e pelo sol.
- 28:57O som do mar se misturando aos ecos e estralos dos destroços
- 29:00fantasmagóricos. Um aviso das profundezas que
- 29:04tentamos desafiar. Cada pedaço de fuselagem é uma
- 29:07história de desespero. Nesse lugar...
- 29:10Essa ilha perdida guarda mistérios que podem ser mais
- 29:14sombrios que qualquer coisa que eu já enfrentei.
- 29:17Aqui é Laura Muniz de Moura e esse é o relato do início da
- 29:20minha investigação dos mitos de Atlântida.
- 29:34E aí, sobrevivente, está preparado para o maior desafio
- 29:38de RPG que você já enfrentou na sua vida?
- 29:42Boas-vindas aí à temporada beta de Mitos de Atlântida, um jogo
- 29:46experimental de horror e sobrevivência em sessões
- 29:49episódicas, onde o foco aqui é o desafio e a imersão total.
- 29:53Então você busca desafios intensos, né?
- 29:56Você acabou de encontrar o Everest do RPG.
- 29:59E a temporada beta chega com mudanças incríveis pra gente aí.
- 30:03Regras mais simples e ao mesmo tempo mais sofisticadas.
- 30:06A gente dá mais liberdade pra ficção sem se preocupar tanto
- 30:09com mecânica. Aplicação de arquétipos, né, que
- 30:12seriam as cartilhas de jogo aí, os playbooks.
- 30:15E a evolução dos personagens sem uso de nível de personagem.
- 30:18A gente tá fazendo evolução por fato ficcional.
- 30:21Pela primeira vez a gente vai ter Myths of Atlantis.
- 30:24A primeira campanha de Royal Fantasy inteiramente mestrada e
- 30:27jogada em inglês. Um marco aí pra expandir a nossa
- 30:30comunidade, a nossa forma de jogar.
- 30:32E pra quem não tem tempo pras sessões de voz, né, não se
- 30:34preocupa não, porque a gente tá implementando um sistema
- 30:36assíncrono de jogo aí, via Telegram, você pode investigar
- 30:40os mitos, a aventura tá sempre ao seu alcance.
- 30:43A temporada beta de Mitos de Atlântida já começou, e eu quero
- 30:46saber se você tá pronta, se você tá pronto pra enfrentar o
- 30:49desconhecido. Junte-se a nós aí, prove que
- 30:52você é capaz de sobreviver ao maior desafio Wild Fantasy de
- 30:55todos. Investiga os mitos, venha pra
- 30:58Mitos de Atlântida. Vamos cair um pouco agora no
- 31:37dojo, cara. Fala aí pra galera como é que a
- 31:39galera faz pra entrar no dojo. Neste momento, nós temos um
- 31:43grupo lá no WhatsApp que as pessoas podem participar e ver
- 31:48um pouquinho do que a gente tá fazendo com a comunidade aberta.
- 31:50A gente não tá com inscrições abertas neste momento, porque a
- 31:54gente tá fazendo umas reformulaçõezinhas pra deixar o
- 31:57dojo mais cafoco pras próximas pessoas que vão chegar.
- 32:00A gente quer graduar as pessoas que estiveram com a gente nesse
- 32:03primeiro ano, quer cuidar um pouquinho da comunidade que já
- 32:07está lá primeiro, antes de admitir mais gente.
- 32:10Mas tem muita coisa acontecendo no grupo aberto do WhatsApp.
- 32:14O O Kobe tá praticamente narrando um RPG de mistério lá
- 32:19pelo WhatsApp neste momento. As pessoas tão desvendando.
- 32:22Não é um RPG, né? Porque não tem...
- 32:25Mas é um joguinho de mistério e aí as pessoas ficam lá
- 32:29desvendando e fazendo perguntas. Aí ele já pôs mais Oil Fantasy.
- 32:34A dinâmica começou de um jeito e ele já tá deixando ela mais
- 32:38oleosa porque nós aqui é assim, né?
- 32:42E... Acho que o caminho é o grupo do
- 32:45WhatsApp. A gente pode deixar o link do
- 32:47grupo do WhatsApp. No...
- 32:51Bom, fiquem de olho então, galera.
- 32:53O dojo é muito maneiro e realmente é um aprendizado muito
- 32:56interessante em conjunto, né? Então você vai se expor a muitas
- 32:59referências diferentes, gente que curte jogos diferentes e
- 33:03estilos diferentes. Por mais que a gente tenha esse
- 33:06fio do Wild Fantasy muito forte, a galera investigando muita
- 33:08coisa a partir do Wild Fantasy, a galera leva.
- 33:11Tem o Grilo que gosta muito de pesquisa.
- 33:13BBTAs e essa linha mais Forged in the Dark também.
- 33:16Tem o Marcos que gosta de Tormenta pra caramba, gosta
- 33:19dessa linha mais tradicional. Enfim, tem de tudo lá dentro.
- 33:23O Cestito com Ars Magica, o Dani com GURPS.
- 33:28É, o Fenrir com essa coisa mais moderna de Ordem Paranormal, né?
- 33:32Então tem de tudo, cara, tem de tudo.
- 33:34E tem muita criação coletiva, né?
- 33:36A gente... A gente cria muito junto e aí
- 33:40essa comunidade tão plural criando junto é uma potência
- 33:43gigante, assim, delicioso de estar lá.
- 33:45É, vocês tiveram um gostinho aí do que que é estar no dojo, né?
- 33:49Mas agora vamos voltar pra questão do mistério.
- 33:52No RPG especificamente, e aí eu quero abordar essa diferença que
- 33:57eu fiz entre criar mistério e vivenciar um mistério, né?
- 34:02A gente, muitas vezes no RPG, a gente tá falando de jogos em que
- 34:06a gente quer contar uma história.
- 34:09A gente fala isso. Mas, no fundo, muitas vezes o
- 34:12que a gente quer não é exatamente contar uma história.
- 34:14A gente quer vivenciar um desafio, desculpa, um desafio
- 34:18não, de vivenciar uma história. E vivenciar uma história é
- 34:21diferente de contar uma história.
- 34:23Quando a gente conta uma história, a gente está colocando
- 34:26os fatos em perspectiva. E quando a gente está
- 34:29vivenciando a história, a gente meio que se expõe aos fatos
- 34:34enquanto eles acontecem. E a gente não tem tanta
- 34:36oportunidade de construir essa perspectiva enquanto vivencia.
- 34:40Isso vai fazer uma diferença... Eu acho que o mistério, um jogo
- 34:44de mistério, estressa muito isso.
- 34:48Porque quando a gente está falando de criar um mistério
- 34:52enquanto narrativa, a gente está falando justamente de um desafio
- 34:56criativo, que é como a gente vai construir... esse mistério, será
- 34:59que o que a gente está construindo aqui será que essa
- 35:01perspectiva que a gente está colocando para os fatos é
- 35:03interessante enquanto história, enquanto storytelling isso é
- 35:07diferente muitas vezes de vivenciar um mistério, que é a
- 35:11gente está ali com essas dúvidas, a gente está com essas
- 35:14pistas, a gente está tentando coletar essas pistas Obviamente
- 35:18que existe um momento em que a gente tenta fazer sentido, botar
- 35:21essas pistas em perspectiva para entender quem é o assassino, mas
- 35:25é uma coisa muito ferramental. Muitas vezes a gente não está
- 35:29tentando construir uma história, mas a gente está tentando
- 35:33solucionar um problema, um desafio lógico.
- 35:37Então, seria a diferença entre um desafio criativo e um desafio
- 35:41lógico. Vocês sentem isso ou não?
- 35:43É indistinto para vocês quando vocês jogam o mistério?
- 35:46Como é que vocês enxergam essas diferenças?
- 35:49As duas coisas confluem, acontecem ao mesmo tempo ou não?
- 35:54Enquanto jogadores, enquanto mestres, o que move vocês a
- 36:00jogar o mistério? Cara, eu tava analisando isso na
- 36:07abertura do ciclo, porque quando você tá lendo uma história, o
- 36:12gostoso dela geralmente tem uma história contada por cima e uma
- 36:16história de mistérios, né? E por baixo vem uma narrativa
- 36:20que vai te dando pistas de aonde aquele mistério vai te levar,
- 36:24que são pistas sutis e é muito mais difícil fazer isso no RPG.
- 36:29E aí eu fiquei pensando nisso no dia da abertura do ciclo e
- 36:33falei, cara, será que é possível?
- 36:35E aí sabe de quem eu lembrei? Rafael Balbi.
- 36:38Conhece essa pessoa? Narrando o Biergotten, você faz
- 36:44isso. Às vezes a gente pergunta alguma
- 36:47coisa e você usa... Por exemplo, tem uma montanha
- 36:51grande lá que tem... Que era o jazigo de um titã e
- 36:56tinha a viúva negra vivendo lá dentro.
- 36:58E aí essa montanha tem vários furos.
- 37:02E aí eventualmente... O Bob foi descrever essa
- 37:06montanha pra mim e falou que a montanha pareceu uma ocarina.
- 37:09E, mano, isso despertou coisas em mim.
- 37:13Eu, tipo, passei horas da minha vida brisando nessa história de
- 37:18por que quer dizer que a ocarina é a música e o titã do vazio.
- 37:22E aí eu fiquei muito tempo... presa nisso e foi uma delícia e
- 37:26você faz isso porque você tava descrevendo uma montanha a gente
- 37:29tava numa aventura que não tinha nada a ver com música e aí você
- 37:32solta uma palavra ocarina que vai levar numa outra resolução
- 37:37lá na frente então eu gosto disso assim você tem que ficar
- 37:43muito atento nos detalhes pra pegar é o que me pega te pega
- 37:48então o desafio da coisa né o desafio lógico da coisa assim Eu
- 37:52só comento essa coisa sobre a Montanha Ocarina na presença dos
- 37:55meus advogados. Tô investigando o time, eu tô
- 38:00investigando aqui. Com os dois, cara, que
- 38:02oportunidade. E você, Kobi?
- 38:06O que te move em relação a isso? Você gosta mais de vivenciar o
- 38:10mistério, investigar o mistério que está à frente?
- 38:14Ou você prefere essa coisa de construir a narrativa do
- 38:17mistério? Cara, eu já vivi muito
- 38:21profundamente os dois cenários. Eu vivi tanto essa coisa do
- 38:26vamos construir juntos, intencional, que o Brindlewood
- 38:31Bay propõe, por exemplo, né, o próprio City of Mist, de algum
- 38:36jeito, porque o City of Mist tem uma estrutura pra você
- 38:38descobrir, né, você cria, mas você descobre, tanto quanto essa
- 38:41outra estrutura onde temos um mistério, né, e aí a gente tem
- 38:45que, mais desafiadora, vamos dizer assim, ela tem um desafio
- 38:49mais, ela não é um desafio criativo, ela é um desafio
- 38:54investigativo, digamos assim, vai, eu gosto mais atualmente eu
- 38:59tenho gostado mais da estrutura de você ter algo pronto que as
- 39:05pessoas tem que desvendar então você tem ali as pistas o
- 39:09mistério tá montado, o cadáver tá na mesa digamos assim e
- 39:15aconteceu alguma coisa e eu sei, eu que tô por trás eu que tô
- 39:18como desafiante, tô como mestrante no Mythos a gente se
- 39:21chama de oráculo eu que tô como oráculo eu sei o que aconteceu e
- 39:30quem tá jogando tá tentando descobrir o que aconteceu e eu
- 39:35tô tentando matar eles nesse processo usando as polícias do
- 39:42oil fantasy enquanto eles tentam desvendar esse mistério eu tento
- 39:45matá-los tá empatado, né, o placar da temporada tá aí,
- 39:49quatorze a quatorze quinze a quinze, uma coisa assim, se não
- 39:51me engano Mas eu tenho gostado mais disso.
- 39:57Mas eu também não vejo graça no outro.
- 40:00Não, pelo contrário. E eu acho que essa coisa de
- 40:03construir o mistério juntos, ela tem duas faces muito importantes
- 40:06para a gente trazer, que eu também já vivi as duas.
- 40:08Que é quando o mestre está fazendo isso sem os jogadores
- 40:12saberem. que a gente chama de ilusionismo, aqui no café, né?
- 40:19Ou seja, nem o mestre sabe direito qual é a resposta do
- 40:21mistério, mas às vezes o que um player fala é tão mais legal do
- 40:25que ele tinha pensado que de repente vira aquilo.
- 40:29E quantas vezes a gente não viveu...
- 40:31Quem mestrou por tempo suficiente o mistério vai saber
- 40:33que isso acontece, né? Você está às vezes mestrando um
- 40:36negócio e o jogador... Na investigação eles complicam
- 40:39tanto o negócio... Eles vão te dando ideias e você
- 40:42fala, nossa, eu nunca tinha pensado nisso e vai ser isso
- 40:45agora. Isso quando o mestre não tá
- 40:49fazendo isso intencionalmente, aí ele faz os jogadores acharem
- 40:52que foi ele que pensou naquela coisa genial que, na verdade,
- 40:54foi construída coletivamente. Quanto nessa outra face que você
- 40:59tem ali no Brindlewood, por exemplo, que é...
- 41:02Todo mundo sabe que ninguém sabe o que aconteceu.
- 41:05E a gente vai criar junto essa parada.
- 41:08Eu me divirto com três, mas eu gosto mais do primeiro.
- 41:11Eu odeio a ideia da solução ilusionista.
- 41:13Odeio. Porque no final, você, como
- 41:18jogador, não teve uma vitória, assim.
- 41:21Foi só... Foi só o mestre te dando o que
- 41:25você queria... A Nina, quando ela nasceu, ela
- 41:29caiu dentro de um barril de IO Fantasy.
- 41:34Detesta a ideia do ilusionismo. Mestres, não façam ilusionismo.
- 41:37Isso é uma coisa que eu acho muito interessante da gente
- 41:39botar em perspectiva aqui. Isso são alguns problemas que a
- 41:44gente tem em jogos clássicos, em jogos de investigação.
- 41:48E vocês trouxeram aí a coisa do ilusionismo, porque eu acho que
- 41:51é muito certeiro falar disso. que é o seguinte, a gente está
- 41:54jogando um jogo de investigação, a gente tem um mistério, as
- 41:57pessoas muitas vezes querem contar a história desse
- 41:59mistério, muitas vezes as pessoas querem vivenciar, as
- 42:02duas coisas acontecem para muita gente ao mesmo tempo, mas o fato
- 42:06é que, por exemplo, aí eu vou botar o problema clássico das
- 42:10pistas, o mestre pensou em algumas pistas, botou essas
- 42:13pistas, os jogadores não descobriram as pistas, E agora?
- 42:17O jogo emperra, o jogo não anda, ele distraciona completamente,
- 42:21perde o sentido. Essa aventura muitas vezes é
- 42:24abandonada, porque não conseguiu seguir.
- 42:29Muitas vezes a gente vai ver que os mestres tratam isso de uma
- 42:32forma um pouco leviana em relação ao impacto da
- 42:36investigação dos jogadores. O que quer dizer isso?
- 42:39Quer dizer que o mestre, o jogador fala, ah, mas então eu
- 42:44vou até, vamos dizer que o mistério é que o assassino é
- 42:50João. E aí os jogadores têm na cabeça
- 42:54que a assassina é a Maria. E eles começam a derivar.
- 42:56E como eles perderam as pistas, eles começam a flanar por outro
- 43:00lado, levar a investigação para um lado que não vai dar em nada
- 43:04se o mestre se mantiver com a ideia de que João é o assassino.
- 43:09Então o mestre muda. Ele fala, então Maria é a
- 43:12assassina e ele começa a alimentar os jogadores com as
- 43:15pistas da Maria. E aí muda tudo.
- 43:18E aí ele começa a deixar que os jogadores com as suas pistas
- 43:22cheguem lá. E aí é um ilusionismo clássico.
- 43:24Por quê? Porque os jogadores estão
- 43:26achando que estão superando o desafio de investigação que o
- 43:30mestre colocou. E no fundo, o mestre está só
- 43:34dando corda para os jogadores. O que, para o lado de contar a
- 43:37história... talvez resolva, você tem um impulso narrativo
- 43:42acontecendo. Mas pelo lado do desafio, você
- 43:45está, no fundo, tirando a possibilidade dos jogadores
- 43:50solucionarem um mistério, porque esse mistério, no fundo, já está
- 43:55solucionado. E qual é a solução?
- 43:56Qualquer uma que os jogadores trouxerem.
- 43:59Então você tem aí um ponto em que você tem um problema de
- 44:02impacto. na agência dos jogadores.
- 44:05E aí, quando a gente está falando de um jogo de desafio,
- 44:07se esse é o teu objetivo, como a Nina falou, que é o que ela
- 44:10gosta, certamente, se ela tiver qualquer nesga, e é muito fácil
- 44:15que isso aconteça, de que qualquer visualização desse
- 44:20ilusionismo se quebra o jogo. É um sentimento de que você foi
- 44:26traído, de que você como jogador foi traído.
- 44:30Outra questão também que a gente tem é justamente da gente ter o
- 44:35jogo de contar uma história. E aí, por exemplo, a gente pode
- 44:39pegar o Rastro de Cthulhu, que é um livro baseado no Ganshu, do
- 44:47Robin Laws, mas esse livro especificamente não é dele.
- 44:50É do cara do Kenneth Haidt, que veio no Brasil, inclusive.
- 44:55E ele coloca no estigma do Ganshu, ele coloca que os
- 44:59jogadores têm habilidades de solução de mistérios, que são
- 45:04específicas para isso, diferente das habilidades que não são de
- 45:08solucionar mistérios. E isso gera pontos de drama.
- 45:13O jogador gasta esses pontos de drama e ele ganha a pista
- 45:17automaticamente. Então, o que acontece é que até
- 45:21o jogo estimula isso com uma ficha na hora que o mestre vai
- 45:24produzir o mistério. Ele constrói o mistério com base
- 45:28nas perícias dos jogadores, as perícias investigativas dos
- 45:31jogadores. E aí eles vão gastar esses
- 45:34pontos de drama e vão chegar lá. O que também é um problema se
- 45:37você encarar como um desafio de mistério.
- 45:41Porque nesse ponto, você está jogando um railroad, você está
- 45:44jogando um jogo linear absolutamente, talvez não na
- 45:49narrativa linear, mas linear enquanto percurso lógico, porque
- 45:54o mestre, a ordem pode até mudar, mas ele está botando o
- 45:57caminho da solução do mistério através do que já está escrito
- 46:00na ficha. Então também, se você encara
- 46:03como mistério, você vai ficar desgostoso.
- 46:06O que eu acho que vocês já trouxeram, o Brinda Woodbay, é
- 46:10quem talvez inaugura, pelo menos do que eu conheço, do que eu
- 46:14entrei em contato, inaugura talvez a forma, muita gente vai
- 46:19chiar com isso, mas o que eu acho mais correta de trabalhar o
- 46:22mistério enquanto construção narrativa, que é falar, olha só,
- 46:26aqui o desafio não é solucionar o mistério, Aqui o desafio é um
- 46:32desafio criativo de construir uma história de mistério, o que
- 46:36é uma diferença muito grande. E o Brindle Bay justamente
- 46:40constrói, ele leva você a construir essa narrativa.
- 46:44E ele assume o fato, e deixa claro para todos os jogadores,
- 46:49de que esse mistério vai ser construído a partir das pistas e
- 46:53não tem uma resposta pronta. Tipo, os jogadores vão dar
- 46:56uma... vão dar uma perspectiva para essas pistas, vão chegar
- 47:01numa solução para esse mistério, e aí no fim, quando eles falam,
- 47:06olha só, o fulano é o assassino que fez isso, fez isso, fez
- 47:10aquilo, aí quando eles colocam as pistas em perspectiva, eles
- 47:14fazem uma rolagem, que é muito PBTA-esca, e que se eles tiraram
- 47:19seis ou menos, a solução está incorreta, e aí o mestre age, o
- 47:22keeper que eles chamam, ele age contra os jogadores e imprime
- 47:26ali o fato do desafio não ter sido resolvido.
- 47:31Mas se eles tiram entre sete e nove, é a solução correta Mas
- 47:35existe alguma complicação nessa solução e aí isso vai ser
- 47:39explorado. E aí, enfim, eles têm que
- 47:41superar esse entrevero. Ou se for dez ou mais, a solução
- 47:45está correta e acabou. E aí é um pouco você trabalhar
- 47:50de uma forma transparente, ludificada, a contação de
- 47:54história, entendendo que o mistério vai ser... já um
- 47:59mistério quântico. Que é, a gente vai descobrir o
- 48:03mistério através das pistas. A verdade, ela não existe ainda.
- 48:06A gente vai construir essa verdade através do jogar.
- 48:10O que é muito gostoso também. Então, acho que o Brindlewood
- 48:13Bay inaugura, pelo menos do que eu conheci, inaugura esse jeito
- 48:16de tratar Os mistérios, né? Mas enfim, o que vocês acham
- 48:21disso? Vocês gostam dessa coisa?
- 48:23O Cobb já falou que gosta. Você, Nina, que é muito voltada
- 48:27pro desafio da coisa, o que você acha?
- 48:29Vou trazer uma provocação. Estou no Café com Dungeons,
- 48:32serei polêmica. Brasil!
- 48:38Eu acho, voltando lá na quebra de agência, que o mestre que
- 48:43quebra a agência do jogador tá com medinho.
- 48:49Porque, em certa medida, no jeito que a gente joga, é um
- 48:56embate, né? Entre mestres e jogadores, você
- 48:58tem o seu desafio e a gente tenta quebrar esse desafio de
- 49:02alguma forma. E aí, o Albi fala sempre, ele dá
- 49:06o pior dele pra gente poder dar o nosso melhor.
- 49:08Quando você quebra a agência, você impede...
- 49:14Você acaba com a possibilidade de você perder nesse embate,
- 49:18sendo narrador. Porque não tem como fugir da
- 49:24Arapuca, sabe? E eu acho que essa necessidade
- 49:27de controle é medinho de perder o embate.
- 49:31Pronto, lancei polêmicas. Eu gosto da ideia do Brindlewood
- 49:36Bay. de criar o mistério junto, todo mundo sabendo.
- 49:39Eu gosto da narração coletiva, acho ela divertida.
- 49:42E tem isso no oil fantasy também, da gente poder
- 49:46reivindicar coisas no cenário. Eu gosto, desde que seja
- 49:51declarado e transparente. Uhum.
- 49:54Boa. Agora, assim, dá pra gente dizer
- 49:57que por mais que Brindlewood Bay solucione, e por mais que a
- 50:01gente veja que em termos de dinâmica, ou seja, várias dicas
- 50:08de jogo... o Alexandre, inclusive eu vou citar o The
- 50:13Alexandrian, que é um blog que para mim é seminal, para quem
- 50:17gosta de pensar RPG com profundidade, me influenciou
- 50:21demais, me influencia até hoje, é o do Jason Alexander, ganhador
- 50:24de N, ele aborda tanto o mistério, o problema dos
- 50:29mistérios com as pistas, que é o mistério desafio que a gente
- 50:32está trazendo, E aí ele traz algumas soluções, ele traz
- 50:35algumas considerações também sobre o Brindlewood Bay e alguns
- 50:39problemas que tem relativos a ele, que eu não joguei
- 50:41Brindlewood Bay, mas que na análise do jogo eu concordo
- 50:45plenamente com ele. Mas fala um pouquinho, Cobb,
- 50:49você experimentando problemas com jogos de mistério, como é
- 50:54que você enxerga esses problemas, por exemplo, dos
- 50:56jogadores não encontrarem pistas?
- 50:59Então, e você trouxe um cara aí pra mim que ele foi muito
- 51:04importante na minha trajetória na construção de mitos de
- 51:08Atlântida. O Justin, ele tem um livro que
- 51:12eu vou deixar, ele é uma das primeiras recomendações do Word
- 51:16que a gente vai deixar pra vocês no Miro.
- 51:18Inclusive tô dando uma garibada nesse board aqui com links pra
- 51:21vocês, links com desconto, que a gente tem os links com desconto
- 51:24de parceiro da Amazon, tô colocando todos os links aqui no
- 51:27board, vai ficar bem legal. Mas o Justin tem um livro que
- 51:31ele lançou não faz muito tempo, acho que foi esse ano, se não me
- 51:33engano, que chama So You Wanna Be A Good Master, que pra mim
- 51:39foi um divisor de águas na construção de mistérios e foi o
- 51:46que... Assim, eu parei de mestrar
- 51:48Mythos de Atlântida pra ler esse livro.
- 51:50Pera, eu não posso continuar mestrando do jeito que eu tô
- 51:52mestrando aqui sem ler o que o Justin escreveu nesse livro, né?
- 51:56Não sou eu wanna be a game master.
- 52:00Ele traz algumas coisas nesse livro que eu vou dar um cheiro
- 52:02dele aqui pra vocês, porque é muito interessante, assim, né?
- 52:06Primeiro que ele divide essa coisa do... do que que é um
- 52:11lead... E o que é uma evidência?
- 52:15O que é um lead? O que você dá para dizer em
- 52:19português? Seria um indício, vai.
- 52:22Uma direção. É, tem um indício e tem uma
- 52:25evidência. Indícios são coisas que você
- 52:31conta para os jogadores, ou que dizem para os jogantes, onde
- 52:36eles podem encontrar mais pistas.
- 52:39E evidências são coisas que ajudam os jogantes a descobrir o
- 52:43que tá acontecendo. Essa divisão só já me deu um
- 52:48mindblow. Nossa, caralho!
- 52:53Foi um negócio mindblowing pra mim.
- 52:56Ele traz uma coisa que talvez seja um dos posts mais clássicos
- 53:01do blog dele, que é a regra das três pistas, inclusive traduzido
- 53:05pelo Tomos Indecifráveis, que já veio aqui no café também.
- 53:10Tomos Indecifráveis? Como é o nome do blog dele,
- 53:11Babel? Estou falando errado?
- 53:13Tá, tá. Tômos revelados, né?
- 53:15Tômos revelados. O Itabuida Games aí do Tuller.
- 53:18Abraço, Tuller. O Tuller tem um podcast que você
- 53:21precisa conhecer também, bicho. Vai lá conhecer o podcast dele,
- 53:23porque ele traduz uns posts um melhor que o outro e depois ele
- 53:26lê o post e comenta o post no podcast.
- 53:29É. É maravilhoso.
- 53:32São os dois podcasts que eu não perco.
- 53:33O Café e o Tômos Revelados do Tuller.
- 53:38Ele traduziu a regra das três pistas, onde...
- 53:43O Justin explica que tem um gargalo.
- 53:47Toda vez que você coloca uma pista na aventura, você cria um
- 53:50gargalo na aventura. Porque as jogantes precisam
- 53:54procurar pela pista, eles precisam encontrar a pista e
- 53:57eles precisam interpretar a pista e chegar na conclusão
- 54:00correta. Então, só isso aí...
- 54:05É um gargalo muito grande, então ele recomenda que você sempre
- 54:11tenha três pistas. Para qualquer conclusão que você
- 54:16quer que os jogadores cheguem, você inclui pelo menos três
- 54:19pistas. E por que três?
- 54:22Porque provavelmente os jogadores vão perder a primeira,
- 54:25vão ignorar a segunda e vão interpretar errado a terceira.
- 54:30E aí você, na síntese das três, eles vão acabar...
- 54:34Você consegue construir, né? Lógico que ele tá brincando
- 54:37quando ele fala isso, mas eles vão conseguir construir você...
- 54:41E ele também fala muito, né? Ele critica a coisa do...
- 54:44Eu não lembro como é a tradução em português, mas o do Red
- 54:48Herring, né? Que é o salmo...
- 54:50Qual sabe o nome disso? É pista falsa, né?
- 54:53É pista falsa, mas é o nome de um peixe, né?
- 54:55Que eles usavam pra... Um arenque vermelho.
- 54:57Isso, arenque vermelho. Era um peixe que eles usavam pra
- 55:02despistar os cães de caça. E aí virou um sinônimo de pista
- 55:08falsa, essa coisa de você colocar uma pista que leva.
- 55:11Ele é um tropo dos clássicos de mistério, o Agatha Christie
- 55:15adora esse negócio. Só que ele fala, quando você
- 55:18está falando de um cenário de RPG, ele desaconselha o uso
- 55:24desse tipo de coisa. Porque, de algum jeito, você tem
- 55:28que usar com muito cuidado, porque as deduções dos
- 55:32jogadores... são difíceis já. Deduzir um mistério de RPG já é
- 55:37difícil o bastante. Se você dificulta ainda isso com
- 55:40pistas falsas, é meio complicado.
- 55:44Então ele dá essa dica aí de você não trabalha isso.
- 55:50Ele dá algumas estruturas pra você criar os mistérios que são
- 55:54muito legais. Então você tem aventuras
- 55:57baseadas em nodos, que é um pouco do que o Tales from the
- 55:59Loop traz também. Ele traz os tipos de design que
- 56:03você tem, que são quando você coloca os nodos de forma linear,
- 56:07quando você coloca os nodos de forma de camadas, quando você
- 56:11coloca eles interconectados, quando você coloca...
- 56:15Dead Ends, que seriam aqueles ruas sem saída, né?
- 56:19Seriam becos sem saída no mistério.
- 56:22E ele tem uns exercícios muito legais que eu já falei pro
- 56:24pessoal do Dojo que eu vou trazer todos os exercícios do
- 56:27livro pra gente fazer juntos lá. A premissa do Dojo é essa, né?
- 56:30O Dojo é um lugar pra fazer exercício.
- 56:32Então a gente faz muito exercício lá e a ideia, se tudo
- 56:36der certo e eu conseguir chegar onde eu quero, a gente encerra
- 56:40esse Dojo com uma campanha. Cada um vai construir uma
- 56:43campanha de mistério, a tal da cinco por cinco que ele fala.
- 56:48Você construiu uma campanha cinco por cinco de mistério.
- 56:52No final desse ciclo aqui a gente vai ter essa campanha e se
- 56:55tudo der certo vira um zine para a gente poder...
- 57:00Boa. Eu vou trazer também aqui uma
- 57:02crítica do Jason Alexander, que ele elogia muito o sistema, o
- 57:06Brindlewood Bay. que eu também acho incrível, né?
- 57:11Inclusive, quem fala muito do Bindewood Bay são as Caquitas,
- 57:14né? O podcast das Caquitas, elas são
- 57:17expert em Bindewood Bay, falam o tempo todo desse jogo.
- 57:20Inclusive, o barato delas é isso aí em relação ao mistério, né?
- 57:23Então, elas têm investido muito nisso aí.
- 57:28Agora, o Jason faz uma análise muito profunda em termos de
- 57:33pensamento em relação a essa perspectiva das pistas da
- 57:37construção dessa ficção de mistério.
- 57:42Aqui tem uma dica dele eu acho muito importante, muito
- 57:46relevante não experimentei isso na prática, mas olhando assim, é
- 57:50uma coisa que é um fenômeno que eu experimento em muitos jogos
- 57:55que se propõe narrativos a partir de impulsos mecânicos ou
- 57:59seja, o impulso mecânico é quem coloca em perspectiva leva você
- 58:02a colocar em perspectiva a ficção.
- 58:06Por quê? Porque quando a mecânica faz com
- 58:11que você coloque em perspectiva a ficção, essa ficção tem que
- 58:14ser moldável o suficiente para que facilite a tua vida na hora
- 58:19de fazer isso. Então, como é que isso se
- 58:22traduz? Isso se traduz na prática no
- 58:25seguinte, se você coloca as pistas durante o Bend the Wood
- 58:28Bay E essas pistas são muito específicas.
- 58:31Quanto mais específicas forem as pistas, mais difícil vai ser as
- 58:36pessoas ligarem elas a um mistério que não existe ainda.
- 58:42Fica mais difícil. É o que o pessoal fala.
- 58:44Quando você vai inventar uma mentira que você vai faltar no
- 58:48trabalho, dê menos detalhes. Fala geral.
- 58:52Se você fala muito do problema pessoal, a pessoa começa a ligar
- 58:56uma coisa com a outra e fala, peraí, não faz sentido o que
- 58:57você está falando. isso acontece muito facilmente em jogos assim
- 59:02que você vai botar os fatos em perspectiva através do impulso
- 59:06mecânico então E aí uma coisa que ele fala é o seguinte, o
- 59:12mestre não tem nenhuma mecânica no jogo que faça ele imprimir a
- 59:17perspectiva dele sobre o mistério, mas os jogadores têm.
- 59:21Então isso faz com que os jogadores, nesse ponto, eles
- 59:25imprimam suas visões sobre isso e o mestre não.
- 59:27A única coisa, só que o mestre vai necessariamente imprimir a
- 59:31sua visão sobre o mistério. sobre qual é a solução desse
- 59:35mistério. E aí, qual o único deságua que o
- 59:38mestre tem para fazer isso durante esse jogo?
- 59:41É na construção das pistas. Ele acaba detalhando um pouco e
- 59:46isso vai naturalmente refletir o mistério que ele tem, que ele
- 59:53vem formando na cabeça dele. Então existe aí um perigo que é
- 59:59justamente o mestre especificar demais a pista e a pista marcar
- 1:00:03muito a solução que ele naturalmente vem desenvolvendo
- 1:00:06na cabeça para aquele mistério. Ele tem que ter uma postura
- 1:00:09muito de trazer a pista de uma forma ampla para que dê espaço
- 1:00:13para os jogadores reivindicarem nessa história. como eles vêm
- 1:00:19desenhando esse mistério. É uma coisa que eu senti, por
- 1:00:23exemplo, vocês ouvirem na primeira temporada do Café, o
- 1:00:25que eu falei sobre os arquivos paranormais do Jorge Valpassos.
- 1:00:29Logo na primeira vez que a gente jogou, a gente veio com uma
- 1:00:31galera que estava jogando muito old school, pesquisando muito
- 1:00:34old school. Então, a galera quando estava
- 1:00:36investigando, por exemplo, o sumiço de uma streamer, o que
- 1:00:41eles foram fazer? Ah, eles tiveram acesso ao
- 1:00:43quarto da menina, ligaram o computador dela.
- 1:00:47Não tinha senha, então elas entraram no computador direto.
- 1:00:50Eles falaram, não, vou investigar o WhatsApp dela pra
- 1:00:53ver se tem mensagem em relação a isso.
- 1:00:54Depois eles foram investigar o Gmail dela.
- 1:00:57Depois foram investigar não sei o que lá.
- 1:00:59E isso tava trazendo muitas rolagens pro jogo e tava
- 1:01:03prejudicando eles. Quando... o mais natural ali, o
- 1:01:07mais indicado, se eles falarem que eles vão investigar o
- 1:01:11computador dela atrás de informações a respeito daquilo.
- 1:01:14E isso daria uma ficção ampla o suficiente para ser moldada a
- 1:01:18partir do impulso narrativo que os dados dessem.
- 1:01:20Então isso é ao mesmo tempo uma crítica e uma solução muito
- 1:01:24interessante, uma atenção muito importante de se dar aqui,
- 1:01:29segundo o Jason Alexander, e que eu não tenho experiência
- 1:01:32prática, pode ser que As pessoas que jogam esse jogo efetivamente
- 1:01:36possam me dar uma perspectiva diferente sobre isso.
- 1:01:40Mas é isso, né? Ele chama...
- 1:01:42Acho que é muito interessante ele chamar o jogo de um teste
- 1:01:48de... Um teste de Rocherec, né?
- 1:01:50Rochosh? Como é?
- 1:01:51Rocherec. Rochark.
- 1:01:52Rochark, é isso. Que é esse teste que você tem
- 1:01:56uma mancha no papel... e a pessoa interpreta essa mancha do
- 1:01:59jeito que ela quiser. Se essa mancha no papel tem uma
- 1:02:02forma muito... Se você chega e desenha um
- 1:02:04helicóptero, tem que ser muito maluco para não ver um
- 1:02:07helicóptero naquilo. Mas ao passo que você coloca uma
- 1:02:10mancha muito etérea, as pessoas conseguem construir em cima
- 1:02:14daquilo. Então essa mancha, esse teste de
- 1:02:18rocheque do Brindlewood Bay, que é as pistas do rocheque, o
- 1:02:23Brandewood Bay Constrói, elas têm que ser etéreas o suficiente
- 1:02:26para serem moldadas pela construção narrativa.
- 1:02:28Então, são os dois problemas aí que a gente vê.
- 1:02:31Tanto o Justin, ele trabalha tanto os problemas de um jogo de
- 1:02:35solução de mistério, quanto num jogo de construção narrativa de
- 1:02:40uma história de mistério, que são, acho que, essencialmente
- 1:02:44diferentes no que se propõe em relação à agenda de jogo, né?
- 1:02:47O que vocês acham disso aí? Tem um jogo que chama Mysterium,
- 1:02:51que é um board game. E aí nesse jogo tem um... é
- 1:02:57quase um mestre, ele tá atrás de um escudo assim, e ele vai
- 1:03:00passando umas cartinhas pras pessoas, e essas cartinhas são
- 1:03:04são desenhos abstratos, não necessariamente abstratos, mas
- 1:03:08são desenhos surreais e aí a partir do momento que você passa
- 1:03:12um desenho que é mais surreal a pessoa pode tirar várias
- 1:03:15interpretações daquilo, e aí dá pra você moldar qual é o
- 1:03:20significado da carta de acordo com pra onde o jogo tá andando
- 1:03:26se você manda, sei lá O assassinato foi feito num carro.
- 1:03:30E você manda um desenho de carro, não tem como moldar isso.
- 1:03:35E foi isso que o Babu falou, não é isso?
- 1:03:37Sim, exatamente. Eu acho que o que eu ia comentar
- 1:03:42era que tem essa coisa do quanto você gosta de criar junto com as
- 1:03:48pessoas. O que te diverte mais?
- 1:03:52Criar junto com as pessoas e aí é como se estivesse lá num
- 1:03:55sandbox e vocês estão inventando junto.
- 1:03:57Isso é uma delícia de fazer. Quem já criou o framework de
- 1:04:01criação de mundo do Fábula Última, por exemplo, que vai
- 1:04:04sair pela Jambô, é uma delícia. Você cria junto com as pessoas.
- 1:04:07Quando você faz a criação da Arca Conjunta do Newton de Ano
- 1:04:10Zero, também é legal pra caramba.
- 1:04:12Quando você tá... No Três, Dois, Um, o Márcio
- 1:04:15ensinava pra gente, né, fazer a... a sessão zero de criação do
- 1:04:18jogo de RPG. Tem um monte de mestre que faz
- 1:04:20isso. É uma delícia fazer essa criação
- 1:04:22conjunta, né? Só que ela é...
- 1:04:24É isso. O quanto isso está relacionado
- 1:04:28com o que as pessoas querem fazer, né?
- 1:04:32E aí acho que é um pouco da crítica que a gente faz ao...
- 1:04:38O ilusionismo, né? Quando você tem isso declarado,
- 1:04:43as pessoas sabem que elas estão criando juntas, é mais divertido
- 1:04:46pra todo mundo. A meu ver, né?
- 1:04:49Porque, pô, é diferente de você querer tomar pra você o mérito
- 1:04:53pela criação de todo mundo. Falar, não, foi eu que inventei
- 1:04:56isso aí que vocês criaram. Então vai do quanto você te
- 1:05:00diverte fazendo, sabe? Às vezes é gostoso ficar fazendo
- 1:05:03essa brincadeira. Tem um outro jogo que a Nina
- 1:05:05falou de board game, eu lembrei. Chama...
- 1:05:07Putz, eu não vou lembrar agora, gente, como é o nome?
- 1:05:09É um que você tem umas cartinhas, parece um sonho, e
- 1:05:12você tem que dar a interpretação certa pras pessoas.
- 1:05:16Em suma, essa coisa de você ficar tentando adivinhar o que o
- 1:05:19outro pensa é legal também. Mas é diferente você jogar um
- 1:05:25jogo que você tá tentando adivinhar o que o outro pensa,
- 1:05:28ou tentando criar junto ali alguma coisa que faz sentido, e
- 1:05:31de você jogar Clue, que é detetive.
- 1:05:35Sim. Então são duas dinâmicas de jogo
- 1:05:39muito diferentes e que você precisa estar muito consciente
- 1:05:44do que a galera que está jogando com você está a fim de fazer.
- 1:05:53Sim, total. O cuidado que eu falaria para as
- 1:05:55pessoas tomarem é justamente esse, de... toma esse cuidado de
- 1:06:01alinhar com as pessoas o que é que vocês estão afim de jogar.
- 1:06:05E você também, se investiga. Lembrei o nome do jogo, chama
- 1:06:07Dixit. Ai, o Dixit.
- 1:06:10É maravilhoso. É uma delícia.
- 1:06:12É diferente você jogar Dixit, que você tá ali, né, de algum
- 1:06:15jeito... E de você jogar Detetive, que é
- 1:06:18Clue. De você jogar Taco Gato Cabra
- 1:06:25Queijo Pizza, que é outro jogo também da... de você jogar, são
- 1:06:30todos jogos de mistério se você for ver o Coop também, ele é um
- 1:06:34jogo meio que um truco, mas tem uma coisa em suma eu acho que a
- 1:06:40proposta tem que estar muito clara pra todo mundo pra que
- 1:06:44você possa explorar essa proposta da melhor forma
- 1:06:46possível e você quando você tá nesse papel de desafiante, que é
- 1:06:52onde eu me coloco em Mito de Atlântida por exemplo você
- 1:06:55assume uma responsabilidade Que é, eu vou criar um troço que não
- 1:07:00é fácil o bastante pras pessoas desvendarem de primeira e não é
- 1:07:05impossível deles desvendarem. Eles vão conseguir chegar na
- 1:07:08solução do mistério. Então, isso é uma responsa que
- 1:07:10você assume. Sim.
- 1:07:12Tá se colocando no lugar do roteirista do Lost.
- 1:07:16Totalmente. É esse lugar, assim.
- 1:07:19Tem uma coisa interessante aí, que é ir puxando algumas
- 1:07:22referências pop também, tipo essa diferença do Sherlock
- 1:07:25Holmes e da Agatha Christie, de você construir um mistério, um
- 1:07:30mistério que o leitor não vai solucionar, ele vai te trazer
- 1:07:35uma fagulha do Sherlock Holmes que vai ligar de uma forma
- 1:07:41absolutamente... Não vou dizer estapafúrdia,
- 1:07:45porque não é estapafúrdia, mas ele faz um salto lógico que, de
- 1:07:48forma geral, uma pessoa normal não faria.
- 1:07:51Então, se aproveitando da construção narrativa, ele faz
- 1:07:54esse salto lógico e resolve o caso, enquanto na Agatha
- 1:07:59Christie costuma construir as pistas e fazer com que essas
- 1:08:04pistas vão, aos poucos, construindo o desafio, no RPG
- 1:08:09tem uma coisa muito importante dentro disso, que é o impacto.
- 1:08:12Por mais que o Sherlock Holmes funcione legal, se você não
- 1:08:17tiver numa de querer solucionar o desafio enquanto lê, você vai
- 1:08:22ter uma boa história de desafio ali, de mistério ali.
- 1:08:27No RPG não, essa coisa do impacto, dessa coisa de você ser
- 1:08:30jogador e você ter que jogar a coisa, Muda muito, né?
- 1:08:35Então, a gente até falou ali do lisonismo, mas o fato é que, no
- 1:08:39fim das contas, você precisa sentir que o mistério que você
- 1:08:46jogou era construível ou solucionável, né?
- 1:08:51Mas seja construindo uma história, seja você investigando
- 1:08:58os fatos de um mistério, você precisa ter a noção de que o que
- 1:09:03você fez tem diferença. Não funciona em absoluto, num
- 1:09:09RPG dado a sua mídia, um jogo onde você simplesmente vai ficar
- 1:09:14observando alguém contar pra você, levar você através de um
- 1:09:18mistério, né? E dane-se.
- 1:09:21Você pode até botar um jogo de aventura em que o mistério é um
- 1:09:24pano de fundo e o mestre usa esse mistério aí pra conduzir,
- 1:09:26de repente, algumas sessões de porrada, né?
- 1:09:29E tudo bem. Mas o fato é que se o jogo é
- 1:09:31sobre mistério, é importante que...
- 1:09:34A atividade dos jogadores em relação ao mistério, que seja
- 1:09:38construindo, que seja investigando, quer dizer, seja
- 1:09:43descobrindo ou seja criando, que isso traga agência, que isso
- 1:09:48traga escolhas, que isso traga impacto no que os jogadores
- 1:09:52estão escolhendo, nas decisões que eles tomam, né?
- 1:09:55Então o principal é isso. Tem aí, eu trouxe na introdução,
- 1:10:00o John Wick no Sétimo Mar falando sobre o mistério.
- 1:10:04E aquilo é a pior coisa que eu acho que pode acontecer, né?
- 1:10:06Eu acho que é talvez um dos momentos mais infelizes do John
- 1:10:09Wick em termos de game design, que é justamente quando ele fala
- 1:10:12que, cara, se os jogadores estão... levando o mistério para
- 1:10:15o outro lado, você muda quem foi que fez o problema, quem foi que
- 1:10:19é a origem do mistério. Você muda a origem do mistério e
- 1:10:22acabou. E isso é tirar o impacto em
- 1:10:24absoluto dos jogadores, tanto em termos narrativos, quanto em
- 1:10:30termos de desafio. Por quê?
- 1:10:33Porque... Na narrativa também existe um
- 1:10:36desafio. E se tudo que você está
- 1:10:39construindo vale, no fundo você não tem nenhum desafio criativo.
- 1:10:43Simplesmente você botando ali as coisas da primeira forma que
- 1:10:47aparece. Não gera um conflito.
- 1:10:50Não gera algo que você vai ter que lidar, de certa forma.
- 1:10:53Então acho que, enfim, de forma geral fica essa...
- 1:11:00Essa ressalva. Pensa sempre no impacto.
- 1:11:03Será que o que os jogadores estão fazendo vai mudar o jogo?
- 1:11:07Vai impactar o jogo? Vai trazer alguma coisa
- 1:11:11interessante para isso? Se você simplesmente está... tá
- 1:11:15botando o jogo pra correr, né, e não importa a decisão dos
- 1:11:19jogadores, aí, sinceramente, né, cara, eu acho que você não tem
- 1:11:23um jogo, você tem ali uma outra mídia ali, você tem, de repente,
- 1:11:27uma história que você tá deixando que as pessoas
- 1:11:30participem de alguma forma, né. É o que a gente sempre fala, né,
- 1:11:35o que combinado não sai caro pra ninguém.
- 1:11:38Sim, é isso. É isso, combinar.
- 1:11:41Se tiver todo mundo dentro da mesma...
- 1:11:44A Nina que fala, né? Por que a gente joga mitos,
- 1:11:47cara? Não tem motivo nenhum pra gente
- 1:11:48jogar mitos. Aí você só acaba e eu falo, de
- 1:11:53novo! Eu tenho uma reflexão que talvez
- 1:11:58fique lá pro Dojo, talvez não dê tempo de a gente tratar aqui,
- 1:12:01mas com tudo isso que a gente falou...
- 1:12:04Ficou pra mim a sensação de que o mistério tá sobrecarregando o
- 1:12:08mestre. Porque o mestre é responsável
- 1:12:13por colocar as pistas. O mestre é responsável...
- 1:12:15Sabe? Eu sinto ele muito mais
- 1:12:17responsável pela estruturação desse mistério.
- 1:12:22E, tipo, até um pouco se responsabilizando por como essa
- 1:12:26solução vai rodar do que os jogadores responsáveis.
- 1:12:30E aí, não sei... Faz todo sentido, cara.
- 1:12:34Eu acho que é justamente isso que Brindlewood Bay faz certo.
- 1:12:40Fica na mão dos jogadores. Inclusive, é isso, né?
- 1:12:42O mestre tem que se policiar pra não dar pistas específica o
- 1:12:49suficiente que dificulte a vida dos jogadores, então ele ataca
- 1:12:54muito esse problema o mestre tem que ser minimalista ali no
- 1:12:57Brindlewood Bay em relação a administração de pistas então
- 1:13:01concordo contigo, agora num jogo de desafio não tem jeito, tem
- 1:13:04que ser uma pessoa que não esteja investigando o mistério a
- 1:13:09trazer as pistas, né? Porque se não for assim, não tem
- 1:13:13um mistério a ser desvendado. E é justamente onde erra o John
- 1:13:16Wick, né? Eu acho.
- 1:13:17É justamente o Brandon Wood Bay, ele resolve esse problema, que o
- 1:13:20John Wick não resolveu, né? Acho que é muito por aí.
- 1:13:24Eu tenho uma pergunta pro Balbi agora, pra gente terminar.
- 1:13:26Talvez, não sei se a gente tá encaminhando pro final, porque
- 1:13:29acho que a gente tá falando aqui há um tempo já, né?
- 1:13:32Por mais... Porque é uma coisa que eu tenho
- 1:13:35vivido com mitos de Atlântida. A gente tem...
- 1:13:37Vou falar muito da postura do provocador e do desafiante.
- 1:13:42A gente tem essas duas posturas no estilo.
- 1:13:46E que... Quando você está com o desafio
- 1:13:49tracionado, você está na postura do desafiante.
- 1:13:53Você não está provocando, você tem o desafio tracionado ali.
- 1:13:58É... E em mitos, especificamente, eu
- 1:14:01tô vivendo um dilema agora. Porque mitos tem o desafio
- 1:14:06tracionado quase que cem por cento do tempo, né?
- 1:14:09Se não, um cem, noventa e oito, noventa e nove.
- 1:14:11Eu dificilmente caio da casa dos noventa por cento do jogo ali,
- 1:14:15com o mistério, com o desafio não tracionado.
- 1:14:18E é muito a crítica que o Balbi me traz, né?
- 1:14:19Ele fala, pô, Cobby, você tá controlando o jogo o tempo todo.
- 1:14:22É, quando você vai fazer xixi, eles conseguem.
- 1:14:25Cara, a solução que a gente achou pra investigar é não
- 1:14:29deixar o Cobby falar. É a estratégia do grupo agora.
- 1:14:34E aí eles mestram, essencialmente, né?
- 1:14:36Até eles encontrarem algum grande obstáculo que eles têm
- 1:14:38que perguntar E como é que eu faço, né?
- 1:14:42Porque pensa que quando eu tô mestrando um mistério desse
- 1:14:47tipo, que é o mistério meio detetive, meio clu, onde ele tá
- 1:14:50pronto, né? Esse mistério mais investigável
- 1:14:53do que criativo. Se eu viro pro...
- 1:14:55Se o jogador me pergunta alguma coisa e eu devolvo essa pergunta
- 1:14:58pra ele, ele automaticamente sabe que aquilo não faz parte do
- 1:15:01mistério. Uhum.
- 1:15:03Ou seja, eu tô dando um spoiler pra ele.
- 1:15:06Uhum. Se ele me pergunta alguma coisa,
- 1:15:12a Nina me pergunta assim, onde fica a fuselagem na cachoeira?
- 1:15:23E eu falo, não sei, onde é que fica a fuselagem na cachoeira?
- 1:15:25Ela já sabe automaticamente que aquilo não tem a ver com o
- 1:15:27mistério. É.
- 1:15:29Então, isso não tem a ver com mistério, porque isso é um jogo
- 1:15:32de desafio e mistério é a construção do desafio.
- 1:15:35Quando você não tem um desafio, o que você faz?
- 1:15:37Você enriquece a ficção até que haja um desafio.
- 1:15:41Se isso aí é uma parte do desafio que você não construiu,
- 1:15:44não tem mistério nisso. Você tem uma construção coletiva
- 1:15:47em cima disso. Então, deixa que os jogadores
- 1:15:49enriqueçam. E se você vir algum momento que
- 1:15:51tem um mistério a imprimir ali, você... começa a tracionar
- 1:15:54novamente o desafio então a sua postura é de provocador não tem
- 1:15:57spoiler porque não tem nada a ser spoilado é, mas o que eu
- 1:16:02vejo é que se eu faço isso e eu de algum jeito consigo construir
- 1:16:06um desafio com isso é um desafio novo, ele não tem a ver com o
- 1:16:08mistério é um desafio novo se eu costuro ele com o mistério eu me
- 1:16:15sinto fazendo um ilusionismo Então, mas aí nesse ponto, você
- 1:16:20não tem que construir em cima disso.
- 1:16:22Essa é a crítica que eu te faço. Se você está se colocando numa
- 1:16:28postura de estar o cem por cento do tempo tracionado como
- 1:16:30desafio, você também se coloca a responsabilidade de dar
- 1:16:34respostas o tempo todo sem abrir espaço que os jogadores
- 1:16:36reivindiquem. Então é importante que haja essa
- 1:16:40alternância das posturas e para isso você tem que largar o osso
- 1:16:43um pouco. Então, se você constrói uma
- 1:16:45estrutura de jogo que leva você a estar tracionado o tempo todo,
- 1:16:49você está se colocando praticamente numa armadilha.
- 1:16:52E é claro, você falou, vou dobrar a aposta.
- 1:16:55Tá bom, dobra a aposta aí. Mas, obviamente, você vai se
- 1:17:00deparar com esse tipo de problema.
- 1:17:02Você está tentando imprimir mistério onde não tem mistério.
- 1:17:05E se não tem mistério, por que você está imprimindo?
- 1:17:09Por controle. Você tá controlando o jogo.
- 1:17:11É isso que eu ia te falar. Isso é o que eu não estou
- 1:17:13fazendo. A postura do provocador é uma
- 1:17:16postura que praticamente não existe em Mythos de Atlântida.
- 1:17:20Tem que existir. Eu tô sempre na postura do
- 1:17:23desafiante ali, porque tem desafio pro lado que eles
- 1:17:26olharem tem desafio. É uma armadilha, o negócio é uma
- 1:17:29armadilha, é a ratoeira de jogador.
- 1:17:31Então, mas em algum momento em algum momento eles se depararam
- 1:17:36com um espaço que não há desafio.
- 1:17:39E você me perguntou, mas se eles começam a reivindicar sobre uma
- 1:17:43parte do jogo que não tem desafio, eu me sinto dando
- 1:17:47spoiler. Spoiler de quê?
- 1:17:49Ah, não, não. Não tem acontecido, né?
- 1:17:52É uma coisa que eu tenho refletido a respeito da postura
- 1:17:55do provocador. Uma coisa que tem acontecido que
- 1:17:57é muito legal, e que eu acho que vale a pena trazer pra cá,
- 1:18:00inclusive... É o lance do hashtag existe amor
- 1:18:03na ilha, né? Que é essa postura do
- 1:18:08provocador, ela tem acontecido pra criar momentos de respiro
- 1:18:12pra eles entre um desafio e outro, com slices of life,
- 1:18:16assim. Então eles têm conseguido curar
- 1:18:20os personagens, na hora que eles estão recuperando os personagens
- 1:18:23deles, eles têm, eles que contribuem com a ficção.
- 1:18:27E aí começaram a nascer coisas que eram inesperadas, mas que
- 1:18:30são super virossimilhantes de acontecer num cenário como esse.
- 1:18:33Tem dois personagens se apaixonando, por exemplo. tem
- 1:18:37uma amizade profunda nascendo a última sessão que foi a de
- 1:18:41Halloween que foi anteontem a sessão de Halloween foi
- 1:18:45dramática porque tinha um tio e um sobrinho e a relação que se
- 1:18:50construiu, eles que fizeram não tava nada ali acontecendo tá
- 1:18:54sendo muito louco como isso tá acontecendo mas me fez refletir
- 1:18:56a respeito disso se em algum momento eu criar espaço pra eles
- 1:19:00aqui, eu vou incorrer ou em spoiler Ou em ilusionismo.
- 1:19:06Então eu... Não, não.
- 1:19:08Pelo contrário. Você não vai criar.
- 1:19:10Se você deixar espaço, você não vai...
- 1:19:12Cara, você não tem como criar ilusionismo se você não tem o
- 1:19:15que esconder. É isso.
- 1:19:17Exatamente isso. Se eles estão...
- 1:19:20A resposta que eu cheguei diante da tua pergunta é quando eu
- 1:19:24entro na postura de desafiante, eu estou criando outros desafios
- 1:19:27que não são os mistérios. É, quando você tá na postura de
- 1:19:31desafiante, você vai botar os seus mistérios.
- 1:19:33Quando você está na postura do provocador, você tá botando o
- 1:19:36controle de reivindicação completamente na mão dos
- 1:19:41jogadores e falando, enriqueçam a ficção até que eu tenha daqui
- 1:19:46um elemento pra imprimir desafio.
- 1:19:48Que não estará ligado ao mistério que eu já tenho ele
- 1:19:51pronto, porque senão vira spoiler, né?
- 1:19:53Pode até ligar, se confluir pra isso, tá ligado, né?
- 1:19:57Então, tipo, pode ser que sim. Pode ser que sim.
- 1:20:01Pode ser que não. Pode ser que o desafio esteja
- 1:20:02ligado à forma com que eles estão fazendo determinada coisa.
- 1:20:06Você vai, obviamente, você vai fractalizando isso.
- 1:20:09Pode ter desafios que são muito particulares ali, do jeito que o
- 1:20:12cara está querendo tirar o dente podre dele.
- 1:20:14Você pode falar, bom, agora temos um desafio.
- 1:20:16Você está querendo fazer isso com um sapato de esqui.
- 1:20:21Que nem no naufragular. Você pode dar merda, velho.
- 1:20:24Então eu vou imprimir um desafio aqui.
- 1:20:26Vamos lá, vamos ver como é que a gente trata isso.
- 1:20:28Agora, por outro lado, pode ser que seja uma coisa que te leve a
- 1:20:33conectar isso com o grande mistério que você está
- 1:20:35trabalhando na ficção se confluir.
- 1:20:37Mas é uma coisa que, obviamente, você não vai forçar.
- 1:20:39Você vai deixar que os jogadores enriqueçam até esse ponto.
- 1:20:42E aí, nisso aí, tem uma coisa que é uma dica que eu tenho dado
- 1:20:46pra muita gente que tem rodado oil fantasy, Talvez não pro
- 1:20:49Icaro. O Icaro tem uma postura muito
- 1:20:51interessante em relação a isso, e aí talvez não caiba na
- 1:20:56experiência que eu tive com ele. Mas é de notar que os mestres,
- 1:21:00de forma geral, por entenderem que o jogo é um jogo de desafio,
- 1:21:04que eles... tem uma ansiedade para colocar o desafio o tempo
- 1:21:08todo. E não, cara, pensa na postura do
- 1:21:14momento em que você não tem um desafio, calma, fica tranquilo,
- 1:21:17deixa o jogo rodar tranquilamente, deixando os
- 1:21:20jogadores enriquecerem a ficção, então deixa aquele fogo baixo.
- 1:21:24Quando você sentir que tem elemento pra caramba em relação
- 1:21:27ao desafio, deixa um pouco mais. Deixa enriquecer aquilo.
- 1:21:31E aí quando você tiver elemento suficiente na ficção, aí você
- 1:21:34traciona. Então não tenha ansiedade de
- 1:21:37imprimir o desafio e de controlar o jogo pra isso.
- 1:21:40Deixa que o jogo se enriquece, entendeu?
- 1:21:42Uma coisa que você falou e que efetivamente me ajudou muito a
- 1:21:47entender isso aí, porque eu, como mestre, eu sou um
- 1:21:50controlador anônimo, né? Sabe aquele grupo de
- 1:21:52controladores anônimos? Fazer três sessões que eu não
- 1:21:55controlo. É, três dias que eu não controlo
- 1:21:58uma sessão. Eu criei o mito de Atlântida
- 1:22:01justamente para eu poder exercer esse meu controle de forma...
- 1:22:07Controlada. De forma assim, deliberada.
- 1:22:11Eu vou controlar a sessão o tempo todo e se quiser jogar
- 1:22:13comigo, é isso aí. Mas como eu tô nas outras
- 1:22:16experiências, eu fiquei bastante tempo assistindo o Biergotten
- 1:22:19pra me tratar desse controle, né?
- 1:22:21Que era um controle meio que viciado, um vício que eu tinha e
- 1:22:25o Bob me ajudou muito com isso. Uma das dicas que ele me deu e
- 1:22:30que eu quero deixar aqui pra vocês registrar, ele já falou
- 1:22:32disso aqui no podcast, mas eu quero registrar já que nós
- 1:22:35estamos de mistério né que é aquela metáfora da pescaria que
- 1:22:42você faz, sabe? Você fala bastante, não sei se
- 1:22:44você falou aqui no cast, ou se eu já escutei você falando isso
- 1:22:49em feedbacks de birgota, eu não sei, porque a gente conversa
- 1:22:53tanto que às vezes eu me perco, mas vale deixar que é um pouco
- 1:22:57disso, é como uma pescaria, você botou a isca ali, e você deixou
- 1:23:02ali, você tem que ficar tranquilo, é um processo de
- 1:23:06relaxamento, E isso é muito louco porque tira aquela pressão
- 1:23:12que a gente sente para mestrar. A Nina falou disso outro dia no
- 1:23:15grupo de um jeito muito bonito. Ela falou, meu, nunca imaginei
- 1:23:20que eu fosse capaz de mestrar. E essa dica do cara, tira das
- 1:23:24suas costas essa responsa que está começando a dar para ela,
- 1:23:28fez com que ela, não sei, ela pode falar melhor que eu, mas
- 1:23:30ela contou um pouco disso no grupo lá, que foi muito bonito o
- 1:23:33jeito como ela falou lá. É, um esclarecimento.
- 1:23:37Eu tenho transtorno de ansiedade generalizada e ele é bem forte,
- 1:23:41bem forte. Eu jogo RPG há vinte anos e eu
- 1:23:43nunca tinha conseguido mestrar. E aí, conhecendo o Oil Fantasy e
- 1:23:49essa divisão de responsabilidade sobre o que tá na mesa entre os
- 1:23:54jogadores e o mestre, eu consegui mestrar e eu mestrei
- 1:23:57Península Ancestral, do Gui Providello. pro meu marido e
- 1:24:02meus filhos aqui em casa com zero prep.
- 1:24:05Eu já tinha lido, né, porque o Gui é muito meu amigo e eu acho
- 1:24:08ele brilhante, e aí quando ele lançou eu devorei o livro.
- 1:24:11Aí um dia eu tava em casa e falei, velho, vou mestrar, vamos
- 1:24:14jogar. Aí a gente rolou as fichas no
- 1:24:17Caves and Hacks e eu mestrei sem prep nenhuma.
- 1:24:20Pra crianças, que é bem difícil, né?
- 1:24:22Uhum. E...
- 1:24:23E fluiu, porque antes eu tinha muito medo de, tipo, e se eu
- 1:24:28fizer isso e as pessoas não fizerem o que eu espero que elas
- 1:24:32façam? E aí eu não vou conseguir.
- 1:24:34E o Royal Fantasy tira isso das minhas costas e me permitiu
- 1:24:38começar a narrar. Uhum.
- 1:24:41É, isso é muito legal, cara. Isso é muito legal.
- 1:24:44Uhum. Eu acho que de forma geral,
- 1:24:48gente, essa puxa que você falou, que você comentou aqui sobre
- 1:24:52essa questão do mistério, é de realmente a gente tentar fazer
- 1:24:57com que o mestre tenha leveza. Acho que isso é fundamental,
- 1:25:00isso é uma coisa que os jogos vêm tratando disso de forma
- 1:25:04mecânica há muito tempo no mercado, mas a gente vem...
- 1:25:08Trabalhando isso de forma dinâmica, né?
- 1:25:09Que eu acho que é muito... Que passa por um lado sensível
- 1:25:12muito importante que você tem. Que a galera do Dojo, de forma
- 1:25:16geral, trabalha muito, né? Então é muito legal ver isso
- 1:25:21tomando esses ares, assim. E ajudando, né?
- 1:25:25Eu acho que essas reflexões ajudando as pessoas a fruírem do
- 1:25:29RPG de um jeito menos tóxico até, né?
- 1:25:32Essa coisa do mestre ser muito...
- 1:25:34Se cobrar muito é tóxico com a própria pessoa, né?
- 1:25:37Pessoas são tóxicas com ela mesma, né?
- 1:25:39Botando uma cobrança exagerada, né?
- 1:25:52Queria agradecer a participação de vocês, foi muito maneiro.
- 1:25:55A gente foi objetivo quando teve que ser objetivo, flanou quando
- 1:25:59teve que flanar, recebi referências, trouxe bastante
- 1:26:03divagação aqui sobre o tema, então tenho certeza que a galera
- 1:26:08se sentiu contemplada aí nas investigações que a gente fez.
- 1:26:12Eu vou pedir, Nina, algum recado seu, pode ser não somente
- 1:26:15relativo ao do Jô, mas seu ou do do Jô também, alguma coisa que
- 1:26:18você queira trazer pra galera? Na real, eu quero apontar
- 1:26:21algumas coisas sobre a minha participação nesse episódio.
- 1:26:26Eu tinha pensado em agradecer, mas é que agradecer é estranho,
- 1:26:31e vocês dois. E vocês dois não se colocam
- 1:26:34nesse lugar de olha o espaço que a gente tá dando pra você, como
- 1:26:37a gente é legal. Então agradecer não parece a
- 1:26:39palavra certa, mas eu queria apontar que é muito comum eu
- 1:26:44olhar... pra lugares de estudo de game design, lugares como o
- 1:26:50Dojo, e pensar esse espaço não é pra mim, esse debate não é pra
- 1:26:53mim. E vocês estão sempre me puxando
- 1:26:55pra perto, falando, não, é pra você sim, vem cá, fala o que
- 1:26:57você acha, vem e esteja junto conosco nessas...
- 1:27:05Nessas discussões, assim, eu me sinto importante toda vez que a
- 1:27:08gente fala, e a gente fala muito e o tempo todo.
- 1:27:11E aí, ontem, quando a gente começou a falar de eu vir pra
- 1:27:15cá, eu fiquei bem nervosa. Aí eu perguntei pro Balbi, tem
- 1:27:17alguma coisa que eu preciso ouvir?
- 1:27:18Tipo, algum episódio do Café que eu preciso ouvir?
- 1:27:20Alguma coisa que eu preciso estudar?
- 1:27:21E ele falou, não, vai lá e vamos bater papo, é filosofia de
- 1:27:25boteco. E aí, cara, isso valoriza as
- 1:27:28minhas referências e a minha visão de mundo.
- 1:27:30E eu não tenho tanta referência quanto vocês.
- 1:27:33Eu não estudo tanto quanto vocês.
- 1:27:35Vocês são referências na comunidade de RPG porque vocês
- 1:27:38estudam o tempo todo. Quem tá no dojo e aqui no Café
- 1:27:41com Dungeon sabe que vocês estudam o tempo todo.
- 1:27:44Vocês estão sempre lendo alguma coisa.
- 1:27:46Eu não consigo fazer isso. Nem sei se eu quero também.
- 1:27:49Mas me vê respeitada nesse... nesse meu lugar de ser um
- 1:27:54pouquinho menos fissurada, é muito gostoso.
- 1:27:58Então, obrigada por me aceitar aqui.
- 1:28:02E é muito legal estar com vocês. Que maneiro.
- 1:28:05Fura! Tamo junto, Nina.
- 1:28:07Tamo junto. E você, Cobb, dá o seu recado
- 1:28:11aí. Cara, eu tenho vários convites
- 1:28:14aí pra fazer pras pessoas. Primeiro, de novo, parabenizar o
- 1:28:17Balbi. Eu acho que o patrocínio do RPG
- 1:28:19Dojo foi algo que veio da comunidade, né?
- 1:28:22Quando eu perguntei pra comunidade o que eles queriam.
- 1:28:25A gente tem dinheiro, o que a gente quer fazer com ele?
- 1:28:28Acho que uma das primeiras coisas que surgiu na comunidade
- 1:28:30foi queremos mais Café com Dungeon.
- 1:28:34Então, vou descobrir com o Balbi como é que a gente faz pra ter
- 1:28:37mais Café com Dungeon, né? É... patrocinado pelo dojo, e
- 1:28:43por isso é um jeito também do dojo, o nosso objetivo, eu e o
- 1:28:47Bob, quando a gente montou o dojo, você foi assistir a live,
- 1:28:51você vai ver que era isso, é oferecer para a comunidade,
- 1:28:54essencialmente, a gente está montando uma comunidade de
- 1:28:56pensamento, mas de prática, e todo dojo é feito assim, ele é
- 1:29:01feito para as pessoas treinarem coisas, mas para eles
- 1:29:04enriquecerem a comunidade onde eles estão, então tá sendo muito
- 1:29:12eu tô muito feliz, tô muito contente de poder estar gastando
- 1:29:15o nosso dinheiro com isso que a gente tá fazendo aqui agora
- 1:29:19sabe, que vai ser mais uma vez por semana poder te ouvir, eu
- 1:29:22ficava esperando a quinta-feira pro podcast sair, agora eu posso
- 1:29:24esperar a terça e a quinta tenho certeza que muita gente da
- 1:29:28comunidade também vai viver isso Então, é um jeito de eu
- 1:29:33retribuir tudo que... Puta, de algum jeito, o café e
- 1:29:36tuas reflexões e... Não é até que eu boto você no
- 1:29:39título de Shihan, né? O inventor do estilo aí que a
- 1:29:42gente pratica. Por conta disso, bicho, você tem
- 1:29:46um papel fundamental na minha trajetória e da comunidade como
- 1:29:49um todo em que a gente habita. Eu queria trazer aqui o
- 1:29:53agradecimento, tá? Pelo tudo que você faz aqui no
- 1:29:56café. Queria deixar registrado nesse
- 1:29:57primeiro Café no Dojo que a gente tá fazendo.
- 1:30:01Vários convites. O primeiro talvez seja Mythos de
- 1:30:03Atlântida, que está com tudo. Temporada beta.
- 1:30:07Se você conheceu a versão alpha do Mythos, que foi publicada ali
- 1:30:11no bundle de apoio às vítimas do Rio Grande do Sul, no bundle de
- 1:30:14RPG, pacote de RPG de apoio às vítimas do Rio Grande do Sul,
- 1:30:19estamos em outra encarnação do sistema já.
- 1:30:21Aprendi muito com essa primeira encarnação.
- 1:30:23Estamos em outra encarnação do sistema, que é a encarnação
- 1:30:26beta. Ah, os primeiros episódios estão
- 1:30:29todos disponíveis lá no YouTube do Café, para você assistir se
- 1:30:32você quiser, ver como o sistema funciona.
- 1:30:34E o sistema foi publicado nesse bundle aí, então está disponível
- 1:30:37para quem quiser ajudar as vítimas do Rio Grande do Sul, lá
- 1:30:39das tragédias. Estamos desenvolvendo a versão
- 1:30:42beta enquanto jogamos Mythos de Atlântida, já tem dez episódios
- 1:30:46para você assistir lá, tem cinco episódios com sobreviventes, um
- 1:30:51episódio especificamente do jogo, que foi um exercício que a
- 1:30:53gente fez. Estamos indo para o quinto
- 1:30:56episódio com os agentes, que é o projeto Kraken, o codinome
- 1:31:00Kraken que a gente está desenvolvendo, que jogamos com
- 1:31:03agentes, desvendando esses mistérios.
- 1:31:06Então, bit.ly barra mitos de Atlântida, você vai ter acesso
- 1:31:10ao Notion, lá tem todas as informações, você entrar no
- 1:31:11nosso grupo de Telegram. Esse é o primeiro convite.
- 1:31:16Segundo convite, RPG Dojo, venha conhecer.
- 1:31:20O Bob vai deixar nos show notes aí. bit.ly barra RPG Dojo no
- 1:31:25Whats. Você tem um grupo de avisos no
- 1:31:28Whats. Ah, vou entrar no grupo, vai me
- 1:31:30perturbar. Não vai. é um grupo de avisos no
- 1:31:33WhatsApp, a gente só posta os avisos mais importantes, então
- 1:31:35quando vai ter episódio de mitos a gente avisa, quando vai ter
- 1:31:38atividade aberta do dojo pra você poder participar, a gente
- 1:31:41avisa, os cafés que a gente faz, as noites do chá, algumas
- 1:31:46atividades que nem essa dos mistérios que a gente tá abrindo
- 1:31:48pra comunidade, às vezes os mestres do dojo colocam mesas
- 1:31:51abertas pra comunidade, como é o caso do Fenrir, tá abrindo mesas
- 1:31:54de contos condenados pra comunidade aberta do dojo, pra
- 1:31:58mestrar com ele, inclusive, a mesa aberta de contos
- 1:32:00condenados, Então acesse aí. Tem um outro grupo dentro dessa
- 1:32:05mesma comunidade, que é o grupo do Salão Aberto do Dojo, que às
- 1:32:08vezes a gente abre esse grupo para debate durante essas
- 1:32:12atividades. Então você pode debater com a
- 1:32:13gente por ali. Tem a sala de investigação, que
- 1:32:16é onde a gente está fazendo as atividades de investigação do
- 1:32:19Dojo. E tem vários outros grupos ali
- 1:32:22que você pode explorar e curtir até a gente abrir a comunidade
- 1:32:26mais uma vez pra receber a segunda turma.
- 1:32:28A gente vai graduar a primeira turma e receber a segunda do RPG
- 1:32:31Dojo pra você poder viver com a gente tudo isso que a gente tá
- 1:32:35comentando aqui com você. E o meu último convite Tem a ver
- 1:32:40com o mês de mentoria para mestrar.
- 1:32:42Nossa, Cobb, mas ainda é novembro.
- 1:32:45Você já está falando de mês de mentoria para mestrar?
- 1:32:46Estou. O que vai acontecer?
- 1:32:49O que é o mês de mentoria para mestrar, para quem não conhece?
- 1:32:51A gente se reúne uma vez por ano, de vinte e quatro de
- 1:32:53janeiro a vinte e quatro de fevereiro, para ensinar as
- 1:32:55pessoas a mestrar RPG. Quem somos nós para ensinar as
- 1:32:59pessoas a mestrar RPG? Para ajudar as pessoas a
- 1:33:01aprender a mestrar RPG. É muito mais coerente com o que
- 1:33:04a gente faz lá. Mas a gente se reúne para ajudar
- 1:33:08vocês a aprender. E se você já sabe mestrar RPG,
- 1:33:12você pode aprender a mestrar um sistema novo.
- 1:33:13Tem mais de trinta trilhas, trinta sistemas que você pode
- 1:33:16aprender a mestrar, todas as trilhas em português, com ajuda
- 1:33:19da comunidade. Mais de novecentas pessoas
- 1:33:23participando dessa comunidade incrível que é o Meio de
- 1:33:25Mentoria para Mestrar. Se você participou do Meio de
- 1:33:28Mentoria para Mestrar em dois mil e vinte e dois, vinte e três
- 1:33:30ou vinte e quatro, que foram as três edições anteriores, Até o
- 1:33:34dia vinte e quatro de novembro, você pode se unir a nós dentro
- 1:33:38dos bastidores, ajudando a gente a oferecer esse programa, porque
- 1:33:42afinal de contas, agora estamos rumo aos mil participantes do
- 1:33:46Medimentoria pra Menestrar, né? Ah, é o, eu brinco aqui, eu já
- 1:33:49vim no podcast do Bob falar isso, é a, como chama lá, a
- 1:33:55Jequiti do RPG, né? A gente tá espalhando o RPG.
- 1:33:58Pra cada mestrante que a gente forma, a gente cria cinco novos
- 1:34:03jogadores de RPG. Um esquema de pirâmide.
- 1:34:07Não é pirâmide, é marketing multinível do RPG.
- 1:34:12Então venha, vou deixar o link do grupo, dos PDMs aí, se você
- 1:34:17quiser participar como PDM. Você pode ajudar, como é que eu
- 1:34:20vou ajudar? Você pode ajudar sendo guia,
- 1:34:22ajudando as pessoas a aprender, você pode ajudar traduzindo
- 1:34:24material, você pode ajudar montando revisando material,
- 1:34:29criando coisas para as redes sociais.
- 1:34:30Bicho, trabalho não falta, é super divertido.
- 1:34:33A Nina entrou esse ano também para ajudar a gente.
- 1:34:36Muito gostoso. Ela pode falar das nossas
- 1:34:38reuniões, são bem legais. A gente usa autogestão, não tem
- 1:34:40hierarquia, todo mundo é igual a todo mundo, o programa é nosso,
- 1:34:45tá bom? E eventualmente você entra e sai
- 1:34:47com um vilão que fala tudo com um mugindo.
- 1:34:51Lorde Fakna. Lorde Fakna.
- 1:34:54Ele será nosso vilão dessa edição.
- 1:34:57Um abraço pra todo mundo do Mesmo Mentoria pra Mestrar.
- 1:34:59E eu acho que é isso. É só tudo isso, Balbi.
- 1:35:03Muito bom, muito bom. Galera, assim, eu não tenho
- 1:35:06palavras para agradecer o suficiente esse patrocínio dessa
- 1:35:12temporada aí com os episódios de terça-feira.
- 1:35:18Para mim, eu estava há muito tempo querendo ampliar o número
- 1:35:22de episódios para poder variar minhas pautas, escolher com
- 1:35:26menos dor no coração as pautas que eu vou abordar.
- 1:35:29Isso certamente vai abrir muitas portas aqui do Café para
- 1:35:33conteúdo mais diverso, certamente.
- 1:35:36Eu preciso ter a minha voz, né? Obviamente é um espaço muito
- 1:35:40pessoal meu no podcast, eu tenho que fazer minhas reflexões.
- 1:35:44Mas quando era cinco vezes por semana, eu podia trazer uma
- 1:35:47variedade muito grande de pessoas, de outras vozes e tudo
- 1:35:50mais, sem prejuízo do meu canal de expressão principal.
- 1:35:55Então, alargar esse número de dias na semana vai fazer com que
- 1:35:58a gente volte a ser como era na primeira temporada.
- 1:36:00Tinha gente que pensa muito diferente de mim, Tinha gente
- 1:36:04que tem propostas de jogo que eu nunca tinha conhecido, que
- 1:36:07vieram me contar, me mostrar, e aí certamente era uma descoberta
- 1:36:11para o público também. Temas diversos, às vezes até
- 1:36:16temas que fogem um pouquinho do RPG, mas que como tinha mais
- 1:36:19episódios na semana eu podia trazer com mais tranquilidade,
- 1:36:22abrir colunas. né, com, sei lá, a gente tinha a coluna do Deide,
- 1:36:27a gente tinha a coluna da Aline com o Tulo, então a gente pode
- 1:36:31voltar a pensar nesse tipo de coisa, que é muito, muito
- 1:36:33importante pra mim, né. Então, gente, eu não tenho
- 1:36:38palavras pra agradecer, eu acho que fazer parte do Dojo sempre
- 1:36:41foi uma coisa muito importante pra mim, principalmente pela...
- 1:36:44pelo espaço que vocês criaram, né, inclusive, pô, nesse posto,
- 1:36:50assim, dessa coisa de, não, cara, a gente quer ouvir você,
- 1:36:53não sei o quê, então, pô, de início, assim, foi uma coisa que
- 1:36:56me pegou de surpresa, mas ver que as pessoas estão trabalhando
- 1:37:00com um conceito que eu trago, mas propondo em cima e debatendo
- 1:37:05em cima e variando, né, a partir desses pensamentos, pra mim, é
- 1:37:12muito gostoso, assim, E eu só agradeço pela chance que vocês
- 1:37:16me dão de participar dessa forma da comunidade.
- 1:37:20Então, pô, tamo junto. E é isso, gente.
- 1:37:24Obrigado. Vamos pro encerramento.
- 1:37:26Ah, mas antes, deixar aqui uma enquetezinha pra galera.
- 1:37:31E aí, a enquete é a seguinte. Você gosta de jogar mistério no
- 1:37:38RPG? Ou não é um estilo que você
- 1:37:40curta muito? E abrir espaço para comentários,
- 1:37:43para você comentar qual foi o mistério mais maneiro que você
- 1:37:46já jogou. Então é isso.
- 1:37:48Valeu, vamos para o encerramento.
- 1:37:52É isso aí, galera. Eu vou deixar no adquitivo do
- 1:37:54episódio aqui os links mencionados, né?
- 1:37:57Pra começar, os links dos anúncios.
- 1:37:59Então, o Mitos de Atlântida, pra você jogar.
- 1:38:03E jogue Birgotten, pra você entrar na comunidade de
- 1:38:06Birgotten e jogar com a gente. Vou deixar os links também
- 1:38:10mencionados durante o episódio. O RPG Dojo, grupo de avisos no
- 1:38:15WhatsApp, para você ficar por dentro.
- 1:38:17O borde de mistérios do RPG Dojo no Miro.
- 1:38:21A regra das três pistas, que é o post do Alexandrian, traduzido
- 1:38:26pelos tomos revelados. o Brindlewood Bay, o produto desse
- 1:38:32jogo que a gente citou no The Gauntlets, o review de
- 1:38:35Brindlewood Bay pelo Alexandre, em inglês, e o episódio do
- 1:38:40Brindlewood Bay no Caquitas. Bom, no mais, a gente vai deixar
- 1:38:46aí os links do próprio Miro, que são referências à cultura pop e
- 1:38:50ao mundo dos jogos. Você pode acompanhar a partir
- 1:38:53desse material do Dojo. Só um demonstrativo do que essa
- 1:38:57galera produz. Se você quiser que o Café com
- 1:39:00Dungeon volte até cinco episódios semanais, você pode
- 1:39:03considerar apoiar o projeto e sua expansão lá em apoia.se
- 1:39:08barra Café com Dungeon. Além disso, você recebe conteúdo
- 1:39:11extra, participa de um grupo muito maneiro no Telegram, você
- 1:39:14recebe cupons de desconto dos nossos parceiros e pode ser que
- 1:39:18você receba aí café especial na sua casa pra gente sortear
- 1:39:22ovelha negra também. Você gostou especialmente do
- 1:39:26café de hoje? Então, consulta a gente em
- 1:39:51cafécomdanjo.com que a gente tem uma proposta especial para você.
- 1:39:56Consulte também sobre parcerias e anúncios.
- 1:39:58A gente trabalha com marcas de RPG, mas também com outros
- 1:40:01ramos, como cafés, jogos, tecnologia, mídia, etc.
- 1:40:06Se você quer colaborar com a gente, é um produtor de
- 1:40:08conteúdo, game designer independente, acadêmico ou fã e
- 1:40:11quer participar do café, conta pra gente aí sobre você e fala
- 1:40:14de como a gente pode colaborar lá no nosso e-mail.
- 1:40:18No mais, um agradecimento ao pessoal que torna possível essa
- 1:40:21aventura, né? Então valeu aí pra galera que
- 1:40:24apoia com nível incentivo, incluindo aí o Lúcio Pimentel,
- 1:40:29que trabalhou no livro das maravilhas do Lord Anthony em
- 1:40:34português aí pela HarperCollins, lançamento aí. ilustração do
- 1:40:38grande Carlos Castilho do RPG Nacional da USR então valeuzaço
- 1:40:43aí Lúcio pelo teu apoio valeu demais ao pessoal do nível de
- 1:40:46apoio comunidade incluindo o Lianquer Lopes o Matheus Tiebols
- 1:40:51da Silva e o Lucas PC, um apoio privado só vou dar as iniciais
- 1:40:57do sobrenome um salve especial para os assinantes do nível RPG
- 1:41:00do Jô dentre eles o Felipe Skosteg um abraço meu irmão
- 1:41:05Pedro Obliziner, Rafael de Lima, Matheus Coleto e Luiz Guilherme
- 1:41:10Gonçalves. E um abraço aos membros do
- 1:41:13treinamento Oil Fantasy. Eles são Abílio Júnior, César
- 1:41:17Machado, Daniel Aydar, Diego Sestito, Douglas Baense, Léo
- 1:41:20Gasparotto, Matheus Piqueira, Rafael Bardal, Bruno Kopp, João
- 1:41:25Burlamaque e Gui Providello. Por fim...
- 1:41:28Um imenso agradecimento de coração ao membro do Café com
- 1:41:32Balbi, o Thiago Augusto. Valeuzaço, cara.
- 1:41:35Um abraço, pessoal. Até a próxima.