Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #315 Ainda Estou Aqui, pelo autor Marcelo Rubens Paiva + Zé Bettio
Transcript
- 0:01Peças Raras, você em sintonia com o rádio Olá, tudo bem?
- 0:09Eu sou Marcelo Abud, o seu podcaster radiofônico E estou de
- 0:14volta com nossas Peças Raras E hoje eu vou falar sobre um filme
- 0:23que fui assistir na última sexta-feira, dia oito de
- 0:27novembro, na semana de estreia finalmente do tão aguardado
- 0:32Ainda Estou Aqui. Bom, o filme... que muita gente
- 0:37já foi assistir pela experiência que eu tive na sexta-feira,
- 0:40quando fui à sala de cinema no Cinemark e tinha uma procura bem
- 0:45legal, então imagino que a expectativa gerada em torno do
- 0:50Ainda Estou Aqui tem levado muita gente ao cinema.
- 0:55Ele retrata um período muito duro da nossa história, recente
- 1:02E eu vou deixar que o próprio autor do livro que deu origem
- 1:08agora ao filme Dirigido pelo Walter Salles, com a Fernanda
- 1:12Torres no papel principal Conte as motivações para escrever o
- 1:19Ainda Estou Aqui Para quem não sabe, é um livro do Marcelo
- 1:23Rubens Paiva e foi lançado lá em agosto de dois mil e quinze.
- 1:30E essa entrevista que nós vamos ouvir foi dada ao Marcelo Duarte
- 1:35e à Thais Freitas no programa Manhã Bandeirantes, E a época
- 1:39estava entrando em uma nova fase, então às dez da manhã,
- 1:43entre dez e meio-dia, o rádio tradicionalmente tinha um
- 1:48momento mais leve em sua programação, parecendo mais uma
- 1:51revista de variedades, com as informações importantes, com as
- 1:55notícias do dia, mas com outros conteúdos mais culturais,
- 2:00mais... curiosos, mais leves, como essa entrevista que nós
- 2:05vamos ouvir com o Marcelo Rubens Paiva no período do lançamento
- 2:09do livro Ainda Estou Aqui. Vamos voltar a agosto de dois
- 2:14mil e quinze e conferir a entrevista de Marcelo Rubens
- 2:19Paiva ao xará Marcelo Duarte no Manhã Bandeirantes daquele dia
- 2:26dezessete de agosto de dois mil e quinze.
- 2:33E agora vamos falar de literatura.
- 2:36Para a Thaís, a Thaís é testemunha ocular, que eu estou
- 2:40aqui com o livro Ainda Estou Aqui, do Marcelo Rubens Paiva.
- 2:46E olha, está marcada a página em que eu estou.
- 2:48Página cento e cinco. Está vendo aqui?
- 2:51Já leu mais ou menos um terço dele, é isso?
- 2:54É, o livro tem... Duzentas e noventa e três
- 2:58páginas. E eu já vou começar a nossa
- 3:01entrevista aqui dando uma bronca no nosso entrevistado.
- 3:05Bom dia, Marcelo Rubens Paiva. Bom dia, Marcelo.
- 3:08Bom dia, Thaís. Qual é a bronca?
- 3:10A bronca é a seguinte, Marcelo. Todo sábado, depois que eu
- 3:13termino Você é Curioso aqui, eu vou pra casa, almoço, e aí eu
- 3:17tenho o hábito, mas todo sábado, de sair pra tomar um sorvete,
- 3:21pra comer um doce, a sobremesa é fora de casa.
- 3:25E a família, às vezes, não, vamos ficar, não.
- 3:27Eu falo, não, não, é sagrado. Todo sábado vamos sair.
- 3:31Aí eu caí na besteira, Marcelo, de começar a ler o seu livro.
- 3:36Sem brincadeira, não é? Podia estar agradando aqui
- 3:38entrevistar. Eu não conseguia parar.
- 3:40E pra você não tomar um sorvete, hein, Marcelo?
- 3:42E pra eu não tomar um sorvete de sábado à tarde, olha, ou é dia
- 3:46de tempestade... Onde é o seu sorvete?
- 3:48Não entendi. Onde você toma sorvete?
- 3:51Olha, é perto até da sua casa, ali na Dueto, sabe, na
- 3:54Desembargadora do Vale? Sim, sim.
- 3:56Eu gosto muito dali, mas às vezes vou para outros lugares um
- 3:59pouco mais distantes. Olha, eu sei que eu estou
- 4:02adorando o livro. Eu estou te devendo um sorvete,
- 4:04cara. Você está me devendo um sorvete.
- 4:08Eu sei que eu estou adorando o livro e queria começar a
- 4:11entrevista perguntando para você, Marcelo, se o nascimento
- 4:14do seu filho, do Joaquim, é que inspirou você a escrever um
- 4:19pouquinho dessas... O Joaquim nasceu em fevereiro de
- 4:21dois mil e quatorze, o primeiro filho do Marcelo.
- 4:24Foi a chegada, a gravidez, a chegada do Joaquim que despertou
- 4:28essa vontade de você escrever mais sobre a sua infância, a
- 4:33história da sua família e principalmente a história da sua
- 4:36mãe? Olha, na verdade, foi um
- 4:40complemento de várias coincidências.
- 4:43O ano de dois mil e quatorze foi um ano muito forte pra mim, pra
- 4:47minha família, porque foi um ano em que foram reveladas muitas
- 4:54das farsas, né, em relação à morte do meu pai, com a morte de
- 5:01duas figuras que estavam lá no daicode, né, que era o o general
- 5:06Molina e o general Marien, que vieram a público fazer, quer
- 5:11dizer, Molina não, mas que com os documentos escondidos em casa
- 5:15vieram a público e solucionaram algum dos buracos que tinha
- 5:21nesse quebra-cabeça que é essa morte que já dura mais de
- 5:25quarenta anos, né? Veio a Comissão da Verdade, veio
- 5:30o Ministério Público fazer uma ação contra os torturadores do
- 5:35meu pai. Meu filho nasceu e vieram as
- 5:40manifestações em que a gente lia, e lemos, porque ontem
- 5:45também tinha, de gente pedindo a volta dos militares,
- 5:49intervenção, golpe militar. e eu resolvi escrever um livro
- 5:54falando da saga desta família que esteve em todos os períodos
- 6:00da ditadura meu pai foi caçado em sessenta e quatro ele era um
- 6:05deputado de trinta e poucos anos ficou na embaixada da Yugoslávia
- 6:11lá em Brasília, quando Brasília ainda era um deserto basicamente
- 6:16ficou dentro da embaixada, não podia sair ele e vários outros
- 6:19políticos, jornalistas intelectuais Eu passei o meu
- 6:24aniversário de cinco anos desde essa embaixada, minha mãe estava
- 6:27em embaixada, meu pai foi presídio em sessenta e quatro,
- 6:30voltou meio clandestinamente no Brasil, nos mudamos para o Rio
- 6:35de Janeiro, ficou trabalhando como engenheiro, sem ter
- 6:39política, porque ele era caçado, sem direitos políticos, caçado.
- 6:43Ajudava as pessoas, os filhos dos amigos que estavam
- 6:46envolvidos em... em conflitos contra a ditadura.
- 6:52Fui preso em setenta e um com a minha mãe, com a minha irmã.
- 6:55Foi torturado, foi desaparecido. Minha mãe foi solta.
- 7:00Minha mãe participou do movimento brasileiro pela
- 7:03destia. Minha mãe participou das diretas
- 7:05da... Minha mãe participou da
- 7:07Constituinte comigo e com a minha irmã Veroca.
- 7:11Eu como representante dos direitos dos deficientes.
- 7:14Minha mãe como representante dos direitos dos desaparecidos e dos
- 7:16índios. Depois participou do governo
- 7:19Frederico na elaboração da comissão dos desaparecidos.
- 7:27E acho que, assim, se é para contar um pouco a história da
- 7:30estradura, por que não contar através de uma família que não é
- 7:34um padrão de família de guerrilheiros e de professores
- 7:40da luta armada, como muitas pessoas acham.
- 7:42É uma família que foi vítima, como muitas famílias, né?
- 7:46Até para o ouvinte entender exatamente o que é esse novo
- 7:50livro do Marcelo Rubens Paiva, ainda estou aqui, ele já começou
- 7:54a explicar, mas eu vou ler o texto de quarta capa, que eu
- 7:58acho que dá muita dimensão do que é.
- 8:00Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas.
- 8:04Casada com o deputado Rubens Beirod Paiva, esteve ao seu lado
- 8:08quando foi caçado e exilado em mil novecentos e sessenta e
- 8:11quatro. Mãe de cinco filhos, viu-se
- 8:14obrigada a criá-lo sozinha, quando em janeiro de mil
- 8:17novecentos e setenta e um, Rubens Paiva foi preso por
- 8:20agentes da ditadora, a seguir torturado e morto.
- 8:24Em meio à dor e às incertezas, ela se reinventou, voltou a
- 8:28estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos
- 8:30indígenas. Nunca chorou na frente das
- 8:33câmeras. Foi a minha mãe quem ditou o
- 8:36tom. Ela quem nos ensinou, escreve
- 8:38Marcelo Rubens Paiva, nesse relato emocionante sobre o
- 8:42passado, as perdas e a volta por cima.
- 8:46Ao falar de Eunice e de sua última luta, desta vez contra o
- 8:49Alzheimer, ele fala também da memória, da infância e do filho,
- 8:54e mergulha no momento sombrio da história recente brasileira para
- 8:58contar e tentar entender o que de fato ocorreu com Rubens
- 9:02Paiva, seu pai, naquele janeiro de mil novecentos e setenta e
- 9:06um. Marcelo, o que chama muito a
- 9:07atenção, muita gente pensa assim, bom, vou escrever sobre
- 9:11minha mãe. e vou colocar minha mãe no pedestal tudo de
- 9:14maravilhoso que ela faz todo mundo ama a mãe e vou ser muito
- 9:19sincero quando fala assim que as tuas tias cuidavam melhor de
- 9:23vocês enquanto as suas tias estavam brincando a sua mãe está
- 9:27valendo fala do jeito dela de educar vocês, comenta um
- 9:34pouquinho dá alguns exemplos que mostram bem eu acho que ninguém
- 9:39nunca está satisfeito com a mãe que tem sempre você que é a mãe
- 9:41do vizinho A minha mãe não era tão afetiva, tão italianona
- 9:48quanto as minhas tias, as minhas avós.
- 9:50Minha mãe era um pouco prática, ela era da geração que queria
- 9:55trabalhar e por ter ficado viúva muito cedo, aos quarenta anos de
- 9:59idade, com cinco filhos, eu acho que ela se deu obrigada a ser
- 10:03muito mais pai do que mãe. Mas, por outro lado, assim, é
- 10:07claro que eu também sinto um orgulho imenso dela, porque você
- 10:10imagina ter uma mãe deprimida em casa, viúva, só cozinhando
- 10:15tortas, né? Como algumas tias faziam.
- 10:19Então, é esse paradoxo de a gente sempre achar que a gente
- 10:25queria um outro tipo de mãe. Aí eu quero dizer, ser bem
- 10:28sincero, ela foi sensacional comigo em muitas coisas, né?
- 10:32Ela... Ela bancava as minhas loucuras
- 10:36de adolescente, ela não me cobrava, ela foi companheira,
- 10:40inclusive, na minha carreira literária.
- 10:43Mas, assim, aquela mão carinhosa que põe no colo, ela nunca foi.
- 10:49E eu acho que eu nunca cheguei a culpá-la por isso, assim, por
- 10:53entender como é difícil você viver numa ditadura, tendo que
- 10:59liderar movimentos, né? Se combate a ditadura e, ao
- 11:02mesmo tempo, cuidar de filhos, né?
- 11:05Desculpa, Thais. Imagina, só ia relatar aqui ao
- 11:07Marcelo a mensagem de uma ouvinte que chegou para a gente,
- 11:09Marcelo da Rita. Ela está dizendo que Feliz Ano
- 11:12Velho fez parte da vida dela, marcou a geração dela.
- 11:15E acho que é a de muitos de nossos ouvintes também, não é?
- 11:18E ela disse que está louca para ler agora o seu livro novo, que
- 11:20vai ao lançamento. Qual é o paralelo que você faz
- 11:23entre os dois? Porque ambos são
- 11:25autobiográficos, mas cada um com um foco diferente, não é,
- 11:28Marcelo? Exatamente, isso matou a
- 11:30charada. O livro já está nas livrarias,
- 11:33muita gente acha que por um pedido de autógrafo ainda não
- 11:37está, mas já está faz tempo, desde a semana retrasada, se eu
- 11:40não me engano. O paralelo é um complemento ao
- 11:45outro. Eu senti muita falta de me
- 11:50estender no Feliz no Velho, depois de revelações que vieram
- 11:55à tona a partir dos anos oitenta e três.
- 11:57Eu escrevi o Feliz no Velho ainda na ditadura, era oitenta e
- 12:00dois. Nós não sabíamos muito do que
- 12:03tinha acontecido com o meu pai. Eu acho que a grande diferença é
- 12:09que o Feliz no Velho, eu estou dentro da história, é a minha
- 12:12história, eu olhando com os olhos de uma pessoa de vinte e
- 12:19um, vinte e dois, vinte e três anos, estudante, de comunicações
- 12:23da USP, tinha largado a Unicamp e fui estudar na USP, um pouco
- 12:29vivendo essa adolescência tardia, de uma época em que o
- 12:35Brasil estava se reconstruindo, saindo da ditadura.
- 12:38E o Yair de Estou Aqui é um personagem que é pai, cujo filho
- 12:44tem os olhos e o cabelo do pai, do meu pai, E que vê a família,
- 12:49vê esse momento com uma maior maturidade, com um maior
- 12:54distanciamento, depois de passar por tantos caminhos literários e
- 12:59teatrais. E observar, por exemplo, que o
- 13:03papel da minha mãe nos movimentos contra a ditadura foi
- 13:11muito mais importante que o papel do meu pai.
- 13:13Quem combateu a ditadura foi minha mãe, não meu pai.
- 13:15Perceber a importância da minha mãe para a história do Brasil.
- 13:21Meu pai foi uma vítima, minha mãe lutou.
- 13:23E eu acho que são dois livros que se complementam, inclusive
- 13:29as cenas de um estão em outro, com muito mais detalhes ou
- 13:35vistas de uma forma diferente. E eu acho um desafio literário
- 13:41fantástico, você revisitar uma história que você já escreveu há
- 13:46trinta e três anos atrás, né? Que infelicício, porque eu achei
- 13:49assim, o escritor tem que fazer de tudo, ele tem que tentar de
- 13:52tudo, né? O artista tem que revisitar o
- 13:56seu passado, a sua obra, reler a sua obra, né?
- 13:59E foi um desafio que eu não vi, não sei se outros escritores
- 14:04fizeram, é praticamente reescrever uma outra obra de uma
- 14:08forma completamente diferente. O Marcelo, que leu, deve ter
- 14:11percebido essa diferença entre um e outro, E o casamento dos
- 14:17dois livros é tão intenso que quando a editora leu os
- 14:21originais do meu livro novo, ela imediatamente pensou em
- 14:25republicar o Feliz no Velho com o mesmo tipo de capa, numa
- 14:29edição semelhante. Aliás, os dois livros têm o
- 14:33mesmo número de páginas, é impressionante isso.
- 14:36E o gancho que o Marcelo faz também na página oitenta e seis,
- 14:39entre uma história e outra, é maravilhoso.
- 14:42Quando termina a parte um do livro, ele coloca, no fim de mil
- 14:46novecentos e setenta e nove sofri um acidente.
- 14:48Quando acordei na UTI, eu estava paralisado do pescoço para
- 14:52baixo. Ela ficou do meu lado, mas aí é
- 14:55outro livro. É genial, é genial a passagem
- 14:59que ele faz para o Feliz Ano Velho.
- 15:03E você trata também com muita atenção, e eu acho que isso é um
- 15:08outro aspecto, porque o livro é uma aula de história, mas fala
- 15:12também do Alzheimer, que acabou pegando a sua mãe.
- 15:16O título, é que você fala que às vezes se refere a ela no
- 15:19passado, mesmo ela estando viva. O título Ainda Estou Aqui é
- 15:23sobre isso, Marcelo? Exatamente, é uma frase que ela
- 15:27começou a falar recentemente, e é muito aflitiva, porque o
- 15:35paciente do Alzheimer, ele vai perdendo a memória aos poucos,
- 15:42vai perdendo os movimentos, mas a pessoa está ali, a gente não
- 15:47sabe exatamente o que ela está pensando, se ela tem dificuldade
- 15:51de entender algumas coisas ou outras não, mas ela está ali.
- 15:55E a gente costuma falar, minha mãe, quando eu ia ao banco,
- 15:58minha mãe gostava de cinema, minha mãe lia muito, mas ela
- 16:02está ali do nosso lado, ela mora aqui ao meu lado, todo final de
- 16:05semana a gente almoça junto, ela está numa cadeira de rodas,
- 16:10aliás é engraçado que meu filho, ele tem um como ele brinca
- 16:15comigo, que estou numa cadeira de rodas de uma forma muito
- 16:18natural, ele também acabou brincando com ela de uma forma
- 16:22natural, de mexer na roda, empurrar, subir no colo, morder
- 16:25o braço da cadeira. E das poucas pessoas que minha
- 16:29mãe reconhece hoje, o meu filho é uma delas, apesar de ter
- 16:33nascido apenas um ano e meio atrás.
- 16:35Então, como ela falou essa frase para mim, eu ainda estou aqui,
- 16:40ela falava baixinho, Eu fiquei impressionado, porque eu estou
- 16:47vendo tudo, eu estou sentindo tudo.
- 16:49Quando você chegar no final do livro, você vai ver que eu me
- 16:53debruço mais sobre o Alzheimer, que é uma epidemia da qual nós
- 16:59todos vamos ter que lidar, porque quando um parente fica
- 17:07com Alzheimer ou com uma demência, Parkinson, A família
- 17:12se desestrutura no começo e a família tem que se reencontrar.
- 17:17O filho, tanto que eu começo o livro, Marcelo, com a frase que
- 17:22o juiz me disse quando eu fui interditar a minha mãe.
- 17:28Você agora é responsável civil e criminalmente pela sua mãe.
- 17:32Eu passei a ser minha mãe, eu tenho um papel de curadoria
- 17:35dela. Eu represento ela no banco, na
- 17:37Receita Federal, criminalmente. E eu acho que isso é uma
- 17:42tendência em que nós vamos ter que nos habituar, porque nossos
- 17:48pais estão retardando a velhice, eles estão morrendo mais tarde,
- 17:55né? A medicina está dando longe
- 17:57atividade a uma grande massa de... de pessoas de oitenta,
- 18:06noventa anos, mas, por outro lado, o cérebro não.
- 18:08O cérebro ele degenera independentemente do fato de
- 18:13haver novos tratamentos para o corpo.
- 18:18Então a gente controla o colesterol, triglicéridos,
- 18:21glicemia, triglicéridos periódicos, câncer, tudo assim
- 18:25em controle, paramos de fumar, não comemos gordura, mas o
- 18:31cérebro não tem perdão, ele envelhece mesmo.
- 18:34Essa epidemia é algo com a qual a gente vai ter que lidar nos
- 18:40próximos tempos, praticamente como uma mobilização social,
- 18:44porque a minha mãe consegue mexer na estrutura de cinco
- 18:51filhos, de cinco famílias, quer dizer, a doença dela mexeu com
- 18:54todo mundo. Olha, eu vou agradecer a
- 18:57entrevista do dramaturgo, escritor Marcelo Rubens Paes.
- 19:01Eu tô falando demais, né? Desculpe, gente.
- 19:02Imagina, tá? O papo tá ótimo aqui.
- 19:05Lançamento do livro Ainda Estou Aqui, da editora Alfagara.
- 19:12E eu vou tentar ler até sexta tudo, viu, Marcelo?
- 19:15Pra não perder o sorvete do próximo sábado.
- 19:17E aí depois me empresta. Aí você conta aí pros seus
- 19:20ouvintes o final do livro. É, o final.
- 19:22Tava bom até a página cento e cinco.
- 19:23Depois eu falei, olha... cai sensivelmente no final.
- 19:29Marcelo, obrigado, obrigado, um abraço para o Boixá, meu grande
- 19:32amigo. Queria falar que o lançamento
- 19:36vai ser na Livraria Cultura lá no dia vinte e nove, mas já está
- 19:39nas livrarias, entendeu? Valeu, Marcelo, um grande abraço
- 19:42para você. Abraço a todos.
- 19:44Obrigado. Você ouviu, então, essa
- 19:48conversa, esse bate-papo muito gostoso, né?
- 19:51Com as limitações do rádio, que tem um tempo para começar e
- 19:55acabar a entrevista, o podcast às vezes se estende demais, mas
- 20:00o rádio também às vezes limita demais.
- 20:02Muito, né? Enfim, a gente vai encontrando
- 20:05meio termo e hoje a gente tem na internet uma liberdade para
- 20:09produzir conteúdos de acordo com o que eles rendam.
- 20:12Isso é muito interessante. Mas vamos lá.
- 20:15O que eu quero também aproveitar a partir dessa entrevista, que
- 20:19acredito que tenha sido muito elucidativa para quem vai ao
- 20:23cinema acompanhar, ou ainda estou aqui, vale... a
- 20:28expectativa em relação ao livro que foi lançado lá em dois mil e
- 20:32quinze, há quase dez anos, e que eu, por exemplo, ainda não li,
- 20:38mas vou atrás, vou buscar esta leitura.
- 20:42E para quem tem curiosidade de, antes mesmo de adquirir o livro,
- 20:47saber o quanto vai encontrar além do que está nas telas, No
- 20:52Google Livros, se você fizer uma busca, ainda estou aqui, livro,
- 20:57você vai encontrar cerca de cinquenta páginas que dão esse
- 21:02aperitivo do que é o livro para você, escrito pelo Marcelo
- 21:07Rubens Paiva. E aproveitando que nós trouxemos
- 21:12esse momento do Manhã Bandeirantes, um momento de uma
- 21:16entrevista ligada a artes, a literatura, eu vou resgatar um
- 21:22pouco mais do que foi essa fase em que o Marcelo Duarte
- 21:27comandava, produzia e a Thaís Freitas coapresentava o Manhã
- 21:32Bandeirantes diariamente. O que eu quero...
- 21:36Trazer como reflexão, já que esse é um canal em que a gente
- 21:39entra em sintonia com o rádio e o podcast, é o quanto o rádio
- 21:46tem perdido esse momento da programação no dia a dia.
- 21:52No final de semana a gente tem programas com entrevistas... ali
- 21:56que contam a vida dos artistas, a gente encontra o Revista CBN,
- 22:03por exemplo, que é um horário que permite uma reflexão maior,
- 22:08tem entrevistas também mais leves, mesmo falando de temas
- 22:13difíceis, como a própria entrevista que a gente ouviu do
- 22:16Marcelo Rubens Paiva, né? Tá falando de um momento difícil
- 22:19do país, tá falando da questão do Alzheimer...
- 22:23Mas a maneira como é apresentada nos leva a algo muito
- 22:28interessante, muito rico, que nos tira um pouco daquela
- 22:34velocidade, daquela aceleração da notícia só...
- 22:40De, enfim, basicamente tragédias e acontecimentos do dia, né?
- 22:45Nos faz ter um pouco de respiro dentro dessa programação
- 22:50jornalística Então eu faço aqui um movimento por esse tipo de
- 22:54programa que era tradicional às dez horas da manhã Em várias
- 22:58emissoras de rádio, eu tô falando aí das emissoras
- 23:01jornalísticas, né? Então a Eldorado, a
- 23:04Bandeirantes, a CBN lá nos anos noventa, a quem mais, a Jovem
- 23:09Pan, todas essas emissoras, quando passava ali das dez
- 23:14horas, tinham um momento... dedicado a uma programação um
- 23:20pouco mais abrangente, mais leve, mais produzida.
- 23:24E desse rádio, lá de dez anos, eu vou trazer outro momento bem
- 23:30legal do Manhã Bandeirantes, que era o quadro Por Onde Anda?
- 23:36E a gente vai ouvir, então, uma matéria que, à época... revelava
- 23:42uma curiosidade dos ouvintes do Manhã Bandeirantes, que era...
- 23:47Por onde andava Zé Bétio? É, o Zé Bétio que acordou tantas
- 23:53gerações no rádio. Por onde andava o Zé Bétio no
- 23:58momento em que foi feita essa matéria no Manhã Bandeirantes...
- 24:04em três de setembro de dois mil e quinze.
- 24:09Acompanhe em mais um momento muito gostoso do Manhã
- 24:13Bandeirantes, que estava em nova fase desde abril daquele ano.
- 24:21Você ouve Manhã Bandeirantes. Onze horas, trinta e sete
- 24:30minutos, quinta-feira, o Manhã Bandeirantes conta por onde
- 24:34andam algumas celebridades do mundo artístico.
- 24:38Hoje o repórter Yuri Cavalieri fala sobre um dos maiores nomes
- 24:42do rádio brasileiro. Por onde anda?
- 24:47Por onde anda? Por onde anda?
- 25:04Hoje no Por Onde Anda vamos falar deste querido radialista,
- 25:07cantor, sanfoneiro e também compositor.
- 25:10José Bétio nasceu em onze de janeiro de mil novecentos e
- 25:13vinte e seis, em Promissão, no interior de São Paulo.
- 25:16Mas quem vai contar pra gente um pouco mais sobre a história dele
- 25:19é o radialista e colaborador do Você é Curioso, Marcelo Abud.
- 25:23Nos anos setenta, muita gente acordava com o animado Zebetio.
- 25:27Além das longas conversas e muita música sertaneja, eram
- 25:31marcantes os sons que utilizava, como o de um balde d'água.
- 25:35Na mesa da rádio, Zebetio utilizava vários apetrechos para
- 25:39gerar os sons, entre eles, um sino grande de gado e um
- 25:43despertador. Vamos, turma, vamos.
- 25:45Vamos levantar. Dona de casa, tem água aí?
- 25:48Tem. Água na turma, joga.
- 25:49Joga mais. Aê.
- 25:54Já os personagens do programa eram trazidos em dois gravadores
- 25:58que continham áudios da própria fazenda do apresentador.
- 26:02Os ouvintes eram saudados pelas vaquinhas Mascarada, Chita e
- 26:07Fortuna. Também estavam sempre presentes
- 26:10o Bezerro Maru, o Burrinho Teimoso, a Galinha Sabina e o
- 26:14Galo Lero Lero. A principal marca que Zebetio
- 26:17imprimiu ao rádio é o diálogo. O improviso e o tom intimista
- 26:22faziam parte das conversas mantidas pelo comunicador com
- 26:26empregadas domésticas, motoristas de caminhão e de
- 26:29táxi, lavradores e pedreiros. Zebetio falava como poucos ao
- 26:34homem do campo e àqueles que chegaram à cidade grande, mas
- 26:38mantinham na alma a saudade da vida simples do interior.
- 26:43E aí vem a pergunta, por onde anda Zebetio?
- 26:45Ou seria Zebetiu? Há alguns anos, Milton Neves
- 27:00entrevistou Zé Bétio no Domingo Esportivo Bandeirantes e falou
- 27:03sobre a grande audiência que tinha no programa.
- 27:09Zé Beto mora em São Paulo, mas aproveita a aposentadoria em
- 27:20fazendas no interior do estado, principalmente em Garça e
- 27:23Rinópolis, curtindo o merecido descanso junto dos personagens
- 27:27do programa, as vaquinhas, os burrinhos, os galos e as
- 27:30galinhas. Quem é o Zé Bétio?
- 27:32Por alguém... Quem é?
- 28:00É o Zé Beto! Boa!
- 28:03Gostei de saber por onde anda o Zé Beto.
- 28:04A gente já ouvia falar tanto dele, né?
- 28:06Fez tanto sucesso. Parabéns aí ao trabalho do Yuri
- 28:09Cavalieri com a gente no Manhã Bandeirantes.
- 28:12Manhã Bandeirantes. E pra terminar esta edição,
- 28:20valorizando esse Manhã Bandeirantes que não existe
- 28:24mais, eu vou trazer a abertura do programa de estreia.
- 28:29E aí a gente fala, né, aqui é um espaço em que entramos em
- 28:32sintonia com o rádio e o podcast.
- 28:35Então isso foi ao ar pelo rádio e depois ficava disponível no
- 28:39site da Rádio Bandeirantes. Hoje está nas plataformas os
- 28:42programas quando são distribuídos das emissoras de
- 28:45rádio também. Mas lá em dois mil e quinze No
- 28:47site da Rádio Bandeirantes A gente podia ouvir de novo E aqui
- 28:51eu trago a abertura Que explica o que era A intenção dessa nova
- 28:57fase Do Manhã Bandeirantes Que estreava em treze De abril de
- 29:03dois mil e quinze A nova fase Porque o Manhã Bandeirantes Era
- 29:07um programa já tradicionalíssimo Da programação da Rádio
- 29:12Bandeirantes Rádio Bandeirantes A partir de hoje, neste horário,
- 29:20suas manhãs vão ficar ainda mais dinâmicas.
- 29:24O Novo Manhã Bandeirantes vai trazer para você mil assuntos,
- 29:29mil coisas, reportagens mil. Nosso lema é agilidade.
- 29:35Claro que você vai continuar bem informado.
- 29:38Nosso radar está sempre atento a tudo o que está acontecendo
- 29:41neste momento para levar a notícia para o ar em tempo real.
- 29:46Daqui até aí, na sua casa, no seu carro, seu trabalho, na sua
- 29:52corrida matinal. No seu computador, no
- 29:56smartphone. Marcelo Duarte e Thaís Freitas
- 30:00já estão prontos. E é com eles que você vai daqui
- 30:04em diante, até o meio-dia. Interação, participação, fique
- 30:12sabendo que queremos ouvir você. Você vai se informar e se
- 30:16divertir, vai relaxar e vai poder opinar.
- 30:20É pra não cair na rotina, pra alimentar a sua curiosidade.
- 30:27E se um repórter tivesse que cumprir um objetivo ao longo do
- 30:31programa? E se você pudesse decidir essa
- 30:33missão? E se falássemos sobre os bons
- 30:36modos nas redes sociais? E se trouxéssemos exemplos de
- 30:40jovens que estão mudando o Brasil?
- 30:44E se falássemos de família e saúde, de filmes e passeios?
- 30:47E se ouvíssemos histórias de livros?
- 30:51Vai começar o Manhã Bandeirantes.
- 30:55Vem ouvir. E aproveita para espalhar e
- 30:57compartilhar com sua rede de amigos e familiares.
- 31:00Manhã Bandeirantes é agora com Thaís Freitas e Marcelo Duarte.
- 31:09É agora, dez horas e três minutos.
- 31:11Bom dia, Thaís. Bom dia, Marcelo.
- 31:13Que responsa, hein? A gente tem que fazer tudo isso
- 31:15que essa vinheta falou e um pouco mais, hein?
- 31:17Olha, mas você sabe... Por hoje é isso, vá ao cinema,
- 31:23não deixe de ver, ainda estou aqui e vale também a leitura.
- 31:27Um grande abraço e até a próxima quando eu volto com mais peças
- 31:32raras pra você. A radioatividade leva até vocês
- 31:39mais um programa da Série a Série.
- 31:41Dedique uma canção a quem você ama.
- 31:55Segunda-feira de manhã, pelo seu rádio de filha tão docemente.
- 32:00Nós vamos às cantoras no rádio, levamos a vida a cantar.
- 32:02De noite embalamos seus sonhos, de manhã nós vamos cantar.
- 32:22Estas áreas, você em sintonia com o rádio.