Latest / Sala 1604 / Como transformar sentimentos em animação | WALKIR (DOGZILLA) E CAROL SAKURA - SALA 1604
Transcript
- 0:00Inteligência artificial, não. Há 50 anos falando que a
- 0:04tecnologia vai ajudar a gente a precisar trabalhar menos e a
- 0:07gente só trabalha mais, sabe? E na minha cabeça sempre foi, eu
- 0:10consigo fazer eu. Boto algum artista para falar
- 0:11com outro? Sempre surgem coisas muito
- 0:13legais. Vamos?
- 0:14Levar isso a Sério precisa ter uma história boa e tal.
- 0:17Beleza? Vamos para reunião com a família
- 0:19do Ziraldo. Vamos odiar tudo, tudo, tudo.
- 0:22Odiar tudo. Olá, artistas do Brasil.
- 0:39Eu sou Gabriela Antônia rosa, uma das vidros de criação de
- 0:41conteúdo da escola Revolution e uma das roots desse programa.
- 0:44Hoje, na sala 1604, a gente vai trazer um dos temas que vocês
- 0:47mais gostam de falar e falar sobre narrativa, emoção e
- 0:50coragem, né? Porque pra trabalhar com
- 0:52animação no Brasil tenho que ter muita mais coisa além de
- 0:55técnica. Pra isso a gente chamou aqui 2
- 0:57conterrâneos nossos de Curitiba. Primeira pessoa que a gente
- 1:00trouxe o podcast foi a Carol Sakura, que é escritora e
- 1:04roteirista. A Carol publicou os livros a
- 1:06batida dos dias, o filho mal e anacôta e o balão, esses 2
- 1:10últimos juntos com o valkir. O valkir Fernandes é marido da
- 1:12Carol e é isso. A Carol, o valkir é um dos
- 1:16fundadores da da agzila Studio, que tem mais aí de 10 anos já,
- 1:20né? De trajetória e já levou vários
- 1:22filmes. Para festivais internacionais,
- 1:24tipo MO anima Mundi. Então tem aí um repertório para
- 1:26falar para gente sobre criação de filmes de animação.
- 1:29E é esse o nosso tema de hoje, como eu processo fazer um filme?
- 1:33Sejam muito bem vindos. Carol e valquí.
- 1:35Obrigada, obrigada. Pelo convite.
- 1:37Estamos super felizes. Honrados e felizes em estar aqui
- 1:40com vocês. Uma apresentação?
- 1:44Então a gente sempre gosta de começar do início, e aí eu
- 1:46queria que vocês comentassem um pouco sobre isso, porque muitos
- 1:50dos nossos ouvintes são pessoas que estão no início.
- 1:52São pessoas que estão no começo, estão no começo de suas
- 1:54carreiras, no começo desse sonho que é trabalhar às vezes com
- 1:57arte, com animação, com filme, e a gente que gosta, né, de
- 2:02empatizar com essa galera que tá tipo tá, mas como, né?
- 2:05Como é que isso vira a realidade?
- 2:06Estou vendo vocês aí, mas eu estou aqui assistindo, ouvindo
- 2:09aqui e não faço a menor ideia de como chegar até onde vocês estão
- 2:12agora. Então a gente gosta de começar
- 2:13desse começo e queria que você contasse valquir começar com
- 2:16você um pouco da história da mozila.
- 2:18Como que o estúdio nasceu? É o que que vocês queriam criar
- 2:22lá no começo, quando vocês começaram?
- 2:24Eu acho que eu sou como a maioria do da audiência de
- 2:27vocês, obviamente, sempre gosto muito de desenhar desde criança,
- 2:31e aquela paixão foi continuando. EE, eu sempre fui 11 criança que
- 2:37às vezes tinha uma certa dificuldade de comunicação.
- 2:39Assim eu sentia, sabe? Então é, às vezes eu ficava eu
- 2:43eu me mudei muito de cidade, então isso consequentemente
- 2:47mudava muito de escola. E aí a cada novo lugar que se
- 2:50chegava, era uma reconstrução social assim.
- 2:54E eu fui percebendo que o desenho me ajudava nessa nessa
- 2:57conexão, assim com outras crianças, com outras pessoas,
- 3:01né? É, e às vezes eu usava até como
- 3:05eu gosto de brincar, eu usava como um instrumento de poder
- 3:07assim. Sabe, você era daquela daquela
- 3:09turma que as crianças achavam. Nossa, olha, ele desenha.
- 3:12É, e isso? E daí?
- 3:14Fazia desenho dos professores ou dos então?
- 3:17É, não sei, eu tinha essa. De chantagem?
- 3:20É, qual é a ferramenta de chantagem?
- 3:23Então assim, eu eu sempre achei Oo desenho, uma forma de
- 3:26comunicação muito é boa para mim, né?
- 3:29Então gostava de desenhar meus personagens, quadrinhos, é,
- 3:33ficava, eu assistia televisão, ficava sonhando em 1 dia, será
- 3:37que eu consigo fazer isso um dia, né?
- 3:39E na minha cabeça sempre foi, eu consigo fazer.
- 3:42Nunca tive a dúvida disso assim, sabe, parece que.
- 3:44Autoestima é uma coisa. Então é uma autoestima.
- 3:47Mas assim, ao mesmo tempo, eu não sou um cara de de grande
- 3:49autoestima assim. Eu sou muito inseguro em muitas
- 3:51coisas e tal. Mas parece que assim eu sempre
- 3:54via que não. Eu vou conseguir fazer isso daí.
- 3:56Isso era uma coisa que. O que era verdade?
- 3:58É tipo, nunca, nunca me disse que não, né?
- 4:01Apesar de claro, né? Você vai conversa com as pessoas
- 4:03aí faz faculdade, faz escolas, sei lá o que, todo mundo não.
- 4:06Mas vamos fazer outra coisa, né? Vamos fazer outra coisa, porque.
- 4:09É. É uma área muito difícil de
- 4:11achar emprego, não dar dinheiro e tal.
- 4:14Não que não seja verdade, né? Vamos combinar aqui assim, é
- 4:17difícil mesmo assim. É, não dá dinheiro.
- 4:20É exato, é. Não é uma assim.
- 4:23Acho que são poucos que ficam ricos fazendo isso.
- 4:25Vamos, vamos colocar assim, né? É, mas isso foi eu.
- 4:29Eu até brinco que eu não sei o que que eu faria da minha vida
- 4:32se não fosse desenhar, né? Eu.
- 4:35É, não sei, parece que é a minha vida.
- 4:38Tudo que eu penso eu estou pensando com desenho junto com
- 4:42né? Com criação e tal.
- 4:44E aí, AA dogzila, ela surgiu em 2008, então já vai fazer 17
- 4:50anos. Acho que é isso.
- 4:50Sou meu ruim de matemática. Mais de 10, já quase.
- 4:52Não, você acertou mais de 10. EE ela, ela tinha um outro nome
- 4:58antes, era Sputnik Studio, cria amadorismo, Inocência, a gente
- 5:02só escolheu Sputnik Studio e começou a trabalhar com Sputnik
- 5:05Studio e não percebeu que existia.
- 5:07Já uma outra produtora chamada acho que era Sputnik filmes na
- 5:10época, nem sei se existe ainda. E aí eu falei, cara, acho que
- 5:13vai dar problema isso em algum momento, né?
- 5:15E daí a gente começou a trabalhar, não, não chegou a
- 5:17dar. Aí a gente ele falou, não, vamos
- 5:19fazendo uma transição aqui, vamos mudar.
- 5:21E a gente tinha no na logomarca um cachorrinho, era Laika, né,
- 5:25que que a gente chamava é coitadinha da Laika.
- 5:29E eu lembro que eu falei para o Antônio, né, meu sócio cara, a
- 5:33gente precisa mudar o nome da empresa, onde tem que manter
- 5:35alguma coisa da identidade da antiga pros nossos clientes,
- 5:39como se tivessem muitos clientes naquela época, né?
- 5:42É pra gente é manter, né, essa, essa conexão e tal.
- 5:47E a gente começou a pensar o nome, daí veio o dogzilla.
- 5:50Né? Então a gente até inventou uma
- 5:52historinha até fazer uma animação disso, que a
- 5:53cachorrinha lá, que foi pro pro, pro pro cosmos, lá sofreu uma
- 5:57radiação lá, voltou e virou 111 dogzila, né?
- 6:01Umzila, né EE aí e a gente fez tudo certinho, né?
- 6:05Registrou a marca e tal, não sei o que é e assim, Oo intuito da
- 6:10abriu a dogzila é era a gente fazer.
- 6:15Claro, sonhar e fazer. Ele sempre sonhou em fazer os
- 6:17nossos conteúdos, os nossos quadrinhos, os nossos livros
- 6:20infantis, animação curta, série e tal, né?
- 6:23O Antônio, meu sócio, ele já tinha uma carreira bem
- 6:25estabelecida na área dos quadrinhos, então cheguei já um
- 6:28Monte de prêmio EE, ele sempre foi uma inspiração pra mim
- 6:32assim, né? Eu, eu, eu tive aula com ele, aí
- 6:36a gente viu que a gente trabalhou No No primeiro longa
- 6:38metragem da animação do feito no Paraná, que é o brichos é, foi
- 6:42lá que eu comecei a trabalhar com ele.
- 6:45E aí quando acabou a produção lá, a gente falou, pô, será que
- 6:48a gente não tem condições de juntar aí os conhecimentos e
- 6:52tal? EE fazer um estúdio e a gente ir
- 6:54atrás de projetos que a gente gosta, trabalhar com coisas que
- 6:57a gente gosta mesmo? Eu falei, Ah, vamos, vamos
- 6:59nessa. Assim, eu era muito aventureira
- 7:01também, assim, eu nunca, eu nunca sonhei em ter um estúdio
- 7:03de animação, sabe? Para mim, eu quero trabalhar com
- 7:05desenho, criar coisas e tal. É, queria trabalhar com desenho,
- 7:08até ter uma empresa, são coisas. É bem diferente.
- 7:11É assim, você tem alguém que tá ouvindo aí, kéter?
- 7:14Um estúdio de de animação de ilustração tem que ter um pouco
- 7:17em mente isso assim que você vai lidar com bastante coisa
- 7:20burocrática e tal. Né?
- 7:21E talvez se desenhe bem menos do que você tá esperando.
- 7:23Então é, por muito tempo ficava eu desenhando as coisas ali.
- 7:27Retinha, né? Retinha que fala não, não sei.
- 7:29Represa muito. Represava muito, né?
- 7:32E mas nos últimos anos eu tenho percebido assim que, né, é
- 7:35óbvio, isso é óbvio, né? Pra cara que se forma em
- 7:37administração já sabe se há anos, né?
- 7:40Aí se começar a delegar as coisas, né?
- 7:42Então aí vê o que delega, o que que passa e tal como que passa
- 7:45pra cada pessoas. Então a gente tem, sei lá, 40
- 7:48pessoas trabalhando com a gente nos projetos e é, tem
- 7:52especialistas em cada, cada setor e tal.
- 7:55Mas o intuito era esse, assim, o objetivo era trabalhar com o que
- 7:58a gente gosta, né? E o ponto de virada para gente
- 8:01foi quando a gente mudou a marca Sputnik para dogzilla, que a
- 8:04gente lançou um quadrinho chamado Ah, ele devia ter
- 8:08trazido cidade sorriso dos mortos vivos, que era 11.
- 8:12Antologia é até hoje a maior antologia de quadrinhos
- 8:14independentes do Brasil. São 352 páginas de é que a gente
- 8:18convidou vários artistas aqui de Curitiba para desenhar o
- 8:22apocalipse zumbi em Curitiba. Meu Deus, que incrível.
- 8:24E aí a gente falava assim, não, naquela época eu tava tendo o.
- 8:29Como é que é o Walking? Como é que é Walking Dead é tal,
- 8:32é. Então a gente falou, não, mas
- 8:33Curitiba também merece ser destruída, né?
- 8:35E aquilo que ele foi lá, ele fez EEE.
- 8:38Aí a partir disso a gente tomou gosto assim, sabe de.
- 8:41Também conheceram vários artistas, né?
- 8:43E criou também essa questão de vamos pensar políticas, vamos se
- 8:47unir pra né, fazer projetos e tal.
- 8:50Sim. Com isso também é, é a gente
- 8:52até. A gente sempre tenta juntar
- 8:54assim, né? A galera, né?
- 8:56Então ali na cidade de sul é não tem que fazer, né?
- 8:58Porque eu eu não sei como é que são outras regiões do país, mas
- 9:01assim, em Curitiba, as pessoas às vezes acabam ficando mais no
- 9:04seu cantinho, desenhando e tal. E eu entendo perfeitamente
- 9:06porque eu sou assim, adoro isso também.
- 9:09Eu sou tipo Bill clipton lá, que fala que ele só aprendeu a
- 9:11desenhar. Porque a cidade dele chovia
- 9:14muito e era muito frio assim, ele não tinha como brincar lá
- 9:16fora, né? Então eu acho que eu sou um
- 9:19pouco isso, o curitibano é um pouco isso, né?
- 9:20E aí quando a gente faz esses eventos pra né, pra pra juntar a
- 9:24gente, pra fazer um quadrinho ou fazer 11, enfim, vocês também
- 9:27fazem isso, sabem? É muito bem também como é isso.
- 9:31É legal que você, que você percebe que as pessoas têm muito
- 9:33mais em comum do que a gente imagina, né?
- 9:35O cara estava no cantinho dele, mas ele está com vontade de
- 9:38fazer coisas com outras pessoas e tal, então.
- 9:41A dogzilla acha que ele nasceu um pouco com essa vontade assim
- 9:44de juntar pessoas é em torno de ideias para né?
- 9:48Realizar as coisas e. Tal é muito parecido com o que a
- 9:50gente acabou fazendo na. É, não é muito parecido a gente?
- 9:52Só que vocês não foram na loucura da escola de ensinar os
- 9:54outros, né? Vocês foram.
- 9:56Mais para o lado da produção? Pois é, mas eu admiro muito você
- 9:58porque vocês fazem 22 coisas muito bem, né?
- 10:00Caraca, nossa. Estamos.
- 10:01Estamos tentando. É, é.
- 10:04Mas é bem parecido mesmo. E eu acho que quando a gente
- 10:05bota todo mundo no mesmo lugar e bota pessoas para conversar, né,
- 10:08que é o mais difícil, né? Bota algum artista para falar
- 10:10com outro. Sempre surgem coisas muito
- 10:12legais, sempre sai, né? E?
- 10:14Eu fico impressionado. Também é bem bem importante esse
- 10:17essa união assim e é difícil união de Curitibanos, Hein,
- 10:19gente, realmente isso aqui que vocês estão vendo, evento raro.
- 10:25E você, Carol, como é que você começou a escrever também?
- 10:27Foi uma coisa que veio desde você de pequena.
- 10:30É como você conjuntou isso com roteiro, como é que foi?
- 10:34Pois é, que loucura, né? Porque?
- 10:37Na verdade, eu falo que meu sonho de criança era ter uma
- 10:39casa com TV pra eu poder assistir TV.
- 10:41Não tinha muitas aspirações artísticas assim, né?
- 10:45É por causa da minha condição socioeconômica também e tal.
- 10:50Mas eu sempre gostei muito de é, eu falo, até falei pra umas
- 10:54crianças que eu era muito mentirosa, então talvez daí
- 10:57veio, né, a vontade de contar histórias e tal.
- 11:00Mas assim, eu sempre gostei muito de histórias de vários
- 11:04tipos. E eu gostava muito de desenhar
- 11:06na verdade, né? E eu tinha essa pretensão assim
- 11:08de daí, quando eu fui fazer faculdade, era tipo, Ah, eu
- 11:12quero desenhar, eu quero, sei lá, trabalhar com design e tal.
- 11:15E mas assim eu já tinha um pouco, sinceramente, assim, eu
- 11:19demorei pra fazer esse processo assim, porque eu tava meio
- 11:23sobrevivendo ali vendo, né, com quem IA trabalhar.
- 11:26Daí eu conheci o valkir. Daí o valkis foi me puxando pra
- 11:29esse lado assim, que daí eu Ah, você escreve é, é que eu gostava
- 11:35muito das coisas que ele fazia, né?
- 11:37EE, eu eu escrevi algumas coisinhas assim, mas muito
- 11:41despretensiosamente, né? E daí quando eu fui fazer meu
- 11:44TCC, eu quis fazer. Eu fiquei muito apaixonada por
- 11:46literatura infantil e eu fiz o meu TCC sobre literatura
- 11:49infantil e eu fiz um livro, né? Eu ilustrei, escrevi.
- 11:53E daí eu comecei a pesquisar muito e eu trabalhava também na
- 11:56Saraiva, na parte de literatura infantil, e fiquei muito
- 11:59fissurada por isso. Então foi por aí que eu entrei
- 12:02assim, eu falei, nossa, isso aqui foi tipo, é, tá isso aqui,
- 12:06talvez. É uma coisa que tem a ver comigo
- 12:08e tudo mais. Daí o vul que falou, poxa, tá
- 12:11escrevendo esse livro? Você não quer escrever um
- 12:13roteiro pra gente tentar fazer um curto?
- 12:15Então. E é assim que foi muito uma
- 12:18sorte de principiante também, né?
- 12:19Porque a gente mandou prum edital pequenininho de que era
- 12:23pra curta de 1 minuto, e a gente acabou aprovando, e daí?
- 12:26É meio que aquela aquela validação que fala assim, Hum,
- 12:29talvez você consiga fazer isso daqui, né?
- 12:32E daí acabei sendo puxada pra várias áreas assim.
- 12:36Eu sou uma pessoa muito introspectiva no fundo assim,
- 12:39então parece que os outros tem que ir me chamando assim pros
- 12:43rolê, senão eu fico lá na no meu buraco, né?
- 12:46EE daí foi assim isso, quando eu fiz o projeto, fiquei muito
- 12:50empolgada para estudar mais sobre literatura, que daí que eu
- 12:52fui fazer mestrado e doutorado. E daí comecei AA gente começou a
- 12:57conversar de fazer o algumas histórias.
- 12:59Daí eu participei da cidade de sorrisos dos mortos vivos, com
- 13:02uma historinha lá, acho que são fez a história, conto, né?
- 13:05É isso, foi um conto. E não foi nem eu que convidei,
- 13:08foi o Antônio. Olha só, é o Antônio, falou.
- 13:11Nepotismo aqui? É bom a Carol, você.
- 13:13A Carol não, não queria escrever uma história.
- 13:15Daí eu falei, ela IA adorar. Nem sabia, né?
- 13:17Eu fui empurrar ela e aí eu. Mas o valquir é a pessoa que tá
- 13:21sempre me dando um empurrãozinho assim, outras coisas.
- 13:23Aí foi muito legal, porque daí eu comecei a fazer quadrinhos e
- 13:26daí fui. A gente fez a Anacleto, que daí
- 13:28foi muito bacana, porque também foi primeira tentativa do
- 13:32mestenato. A gente conseguiu aprovar.
- 13:34Então, às vezes, né, quando é claro que você tem que tá
- 13:37preparado mais, às vezes algumas.
- 13:40É situações de sorte também, né? De você tentar algumas chances
- 13:46assim, de fazer por lei de incentivo e coisas assim.
- 13:50Acho que foi ajudando AA dar um, validar algumas coisas, né?
- 13:53Daí fui ficando com mais vontade de vamos fazer outros projetos,
- 13:57vamos escrever sobre isso, vamos escrever sobre aquilo.
- 14:00Daí de repente, eu tava envolvida em diferentes áreas,
- 14:03né? E agora eu já estou.
- 14:05Já estou me metendo a dirigir, né?
- 14:07Olha só como eu sou atrevista, eu estou.
- 14:09Estava trabalhando na direção de um longa de animação também
- 14:12estava dirigindo, daí também me meti um pouco dar uma revisada
- 14:16no roteiro e também foi valkir, né?
- 14:18Que tipo, vai lá, você consegue sim, você.
- 14:20Vai, vai, tipo. Se arrisca, né?
- 14:23E eu acho que foi essas coisas que foram me puxando que foi eu
- 14:26fui me dando conta que eu gostava muito de contar história
- 14:29e que eu não tinha tanta dificuldade de.
- 14:32Um dia até o volkeiro fala nossa, você faz rápido, né?
- 14:35As pessoas brincam, a gente fala AI, quanto tempo vocês levaram
- 14:37para fazer o roteiro do apneia, né?
- 14:39Aí fala aí, foi 2 dias aí, tipo assim, não que né.
- 14:46A primeira versão estava perfeito, mas tem acho que essa
- 14:49essa coisa de uma ansiedade assim que eu consigo.
- 14:55Colocar para fora, às vezes de um jeito produtivo, às vezes
- 14:57numa velocidade interessante assim.
- 15:00Então acho que é juntar essas coisas.
- 15:02E foi uma descoberta assim. Na verdade, ainda estou
- 15:04descobrindo, né? Eu acho que.
- 15:06A gente está sempre descobrindo, né?
- 15:08Mas eu acho legal como? Vocês são diferentes nisso
- 15:11assim, né? Que você tinha tipo, cara, eu
- 15:13vou trabalhar com o desenho e tal.
- 15:14Aí você estava tipo, é passeando na floresta.
- 15:16O que está acontecendo, meu Deus, o roteiro.
- 15:20É, ela está querendo sobreviver, é?
- 15:23Chegou o Lobo Mau da animação online?
- 15:25Exatamente. Mas aí, mas ó, eu, eu posso
- 15:28contar rapidinho como que a Carol se transformou em
- 15:30roteirista. Claro, a história do do do curta
- 15:33metragem fez um gente grande. Nossa, gente grande, né?
- 15:35Nome bem Curitiba, gente. Grande gente, grande é.
- 15:39É, é esse edital aí que teve do Ministério da cultura com o
- 15:42Ministério do meio ambiente, foi no governo Lula 2, né, se eu não
- 15:46me engano, é, foi isso, né? Ah, não é bom, já não sei,
- 15:50enfim, aí AA, eu falei pra cara, pô, tem esse edital aberto aí
- 15:53pra você mandar um roteiro, umas artes e tal, sabe que a gente
- 15:56não arrisca AI não, não sei, não sei se eu sei escrever isso daí,
- 15:59eu nunca escrevi roteiro, vai, Ah, tenta aí né, a gente nem
- 16:02tava junto ainda, né, fisicamente morando no mesmo
- 16:05lugar, né? Aí a Carol fez lá um primeiro
- 16:08roteiro, mandou para mim. Daí eu liguei para ela, o
- 16:10telefone é fixo, né? Ainda, né?
- 16:13É fixo com telefone. Fixo.
- 16:14Né? Tipo, então Carol, Ah, eu não
- 16:17sei, eu acho que não tá legal ainda por causa disso, isso,
- 16:19aquilo, então tá bom, desligava isso na minha cara, sabe?
- 16:23Nossa, muito de cara, daí eu é. Daí eu pensei, putz, acho que já
- 16:29era esse negócio, né? Daqui a pouco.
- 16:31Daí ela é manda lá mais um e-mail com a nova versão, daí me
- 16:34liga, né? Daí agora valquer, Ah, mudei
- 16:37isso, isso, aquilo. O que que você acha?
- 16:39Eu, Ah, não está legal, gostei disso e tal, mas não sei.
- 16:42Essa parte aqui está meio estranha, cara, desligava na
- 16:44minha cara. Sim, era assim, Ah, então você?
- 16:49Poder bater na cara, né? Mas aí a terceira versão veio e
- 16:53ficou muito legal. Daí eu estava com medo de perder
- 16:55também o relacionamento. Depois não estava não é?
- 16:57Está ótimo. Meu bem, essa vai passar e
- 16:59passou. É não, mas eu brinco, mas eu
- 17:01também sou desse jeito. Assim a gente vai amadurecendo
- 17:03com o tempo também, né? Claro, o mundo sofre, né?
- 17:06É difícil a gente escutar assim. A gente vai aprendendo, né?
- 17:09Você vai escutando, sim e mas assim é sempre difícil.
- 17:13Quando você é jovem também é mais difícil, né?
- 17:16É quando é jovem. Eu sempre acho que quando é
- 17:17artista também é mais difícil, porque quando estão falando do
- 17:20trabalho, parece que quase estão criticando identidade, né?
- 17:23É? É muito sensível.
- 17:24Né? É, é mais.
- 17:25É mais, é mais você. Exato.
- 17:27É criticar algo muito profundo seu assim?
- 17:30É tipo assim, é quem? Você é assim verdade?
- 17:32Coisa que você fez, sabe? É bem.
- 17:34É bem dolorido mesmo. É, eu acho que também é um pouco
- 17:35por causa disso, né? Eu acho que a que eu estava
- 17:37falando, que eu tinha dificuldade de comunicação às
- 17:39vezes e tal. Eu tenho certeza que muita gente
- 17:41que está ouvindo a gente aqui tem essa essa questão.
- 17:44Ah, todo mundo, né? É, eu acho que.
- 17:46Deixa. Nos comentários se você tem
- 17:47dificuldades de comunicação. É, e eu acho que aí você você
- 17:52estabelece uma conexão com o teu trabalho ali, com vou deixar um
- 17:56trabalho com a tua. É manifestação artística, sei
- 17:59lá. Você, você tem aquela conexão.
- 18:00É tão profunda ali, porque, nossa, com isso aqui as pessoas
- 18:03estão conseguindo me ver. Sabe, eu estou conseguindo é ver
- 18:07o que que eu consigo fazer. Olha só, você vira uma coisa
- 18:09especial para você, né? E quando vem a crítica aí é, se
- 18:14você não está bem estruturado ali dentro assim, vai
- 18:16desmoronando, né? E tal, né?
- 18:18É? Você vai querendo parar de
- 18:19mostrar? É, tem várias coisas, é, não
- 18:22pode, né? Você tem que trabalhar de
- 18:23emocional, é trabalhar com arte. É um pouco isso, trabalhar
- 18:26bastante com o emocional, né? Você lançar um curta, lançar um
- 18:29filme, um livro e tal, você tem que estar cara, você escuta de
- 18:32tudo. Muito é que você está?
- 18:34Você tá de alguma forma estabelecendo uma ponte, né?
- 18:36Tentando fazer uma conexão de alguma forma.
- 18:38E tem que saber que a conexão vai acontecer com todo mundo.
- 18:41Algumas pessoas vão olhar o mesmo trabalho, vão falar,
- 18:43caraca, isso aqui, ó, melhor coisa que eu já vi na minha
- 18:45vida. E outras pessoas vão tipo,
- 18:47caguei, é isso, essa noção. E eu acho que a gente é o
- 18:53artista que consegue, né? Em alguma medida, dentro do
- 18:57possível. Lidar com essas críticas vai ser
- 18:59o que vai evoluir melhor assim, né?
- 19:01Porque quando você consegue lidar, pegar o que serve
- 19:04daquelas críticas e não tá. Isso aqui faz sentido, isso aqui
- 19:07não, mas isso aqui talvez faz sentido, né?
- 19:09Você vai começar a se desenvolver e vai melhorar, né?
- 19:12Então acho que é um processo, né?
- 19:14A gente tem que saber dosar assim.
- 19:16É, e você poderia ter parado, né, na primeira?
- 19:20Tá bom? Não tá bom.
- 19:21Então então tá. Eu não vou fazer mais.
- 19:22Isso se dividiu. Naquele momento, sabe?
- 19:24Naquela existe um outro universo paralelo no qual ela não é
- 19:29roteirista e ela desligou aquilo.
- 19:31Vocês não são casados? Não tem?
- 19:32Filhos tá rica, tá? Tipo, é, talvez também, né?
- 19:37É. E eu estaria triste assim.
- 19:40Primeiro, tal. Porque que eu falei para ela que
- 19:42estava horrível? Eu joguei tudo fora naquilo
- 19:44naquele telefonema. Mas falando da colaboração de
- 19:49vocês, era uma pergunta que eu já IA fazer, né?
- 19:50Você puxou né, do Anacleto e o balão.
- 19:53E eu queria saber de tipo, vocês colaboram juntos, né?
- 19:57E como é que é esse processo de criação a 4 mãos?
- 19:59Vocês conseguem separar? Tipo, vocês começam pela ideia,
- 20:03pela imagem, pelo texto, vocês têm um processo assim ou cada
- 20:07vez que vocês colaboram é de um jeito.
- 20:09Você sabe explicar? Eu acho muito.
- 20:12A gente tem, eu e o voukir. A gente tem mesmo uma sintonia
- 20:17muito boa, assim que a gente tem coisas que a gente pensa muito
- 20:20parecido assim, tipo algumas visões de mundo também, algumas
- 20:24coisas que eu acho que são importantes no relacionamento,
- 20:25né? Mas o pessoal que quer namorar?
- 20:30Mas assim, eu acho que a gente conversa muito sobre ideias e
- 20:35histórias, a gente gosta de assistir coisas e às vezes a
- 20:38gente tá. Falar, né, conversando.
- 20:41E a gente tem essa mania de entrar numas conversas muito
- 20:44existenciais, às vezes pro fundo, nossa, daí a gente vê uma
- 20:47história, ou dava uma ideia boa, e se a gente fizesse isso?
- 20:50Às vezes a gente tá tomando café e a gente tá conversando sobre
- 20:53as ideias. O ruim é que a gente tá às vezes
- 20:56sempre fazendo reunião de trabalho, né?
- 20:58Às vezes esses dias tu tá deitado na cama assim e eu
- 21:01falei, vouquer. Tive uma ideia pra uma nova cena
- 21:04do filho mal. Que que você acha isso?
- 21:06Acontecia assim, assim, sabe, deitar na cama assim e assim é,
- 21:11eu acho que funciona muito, porque a gente é não é
- 21:17justamente igual, mas a gente é. Tem uma visão próxima, assim,
- 21:22de, de, de. Visão de onde vai?
- 21:25Chegar assim, sabe? Tipo, não é não.
- 21:27São pessoas pensam completamente diferente assim e a gente vai um
- 21:31é um. Validando ou tipo dando dicas
- 21:34pro outro. Assim, o valqueiro é o meu
- 21:36primeiro leitor, né? Aí fala, esse aqui não tá legal,
- 21:38esse aqui não tá funcionando. Aí ele também às vezes mostra os
- 21:41desenhos, né não, que eu não sei desenhar, mas às vezes mostra e
- 21:45eu me arrisco a dar uns pitacos também.
- 21:47Ah, mas tal. É, você acha que a crítica é só
- 21:49o valquir que faz nada? É bem forte as críticas aqui e
- 21:53às vezes ela não fala nada. Sabe, só dá pra pior, só dá pra
- 21:57ver pelo. Rosto, sim, e ela?
- 21:58Tá meio que procurando o que que eu vou dizer de bom antes de
- 22:01dizer o que o que é ruim? Você já sabe, né?
- 22:04Aquela tarifa parando, um feedback sanduíche e você tipo
- 22:06nossa, mas eu? Acho.
- 22:09Que a gente tem alguma, a gente é tá sempre trocando assim
- 22:14algumas coisas e. Eu não, eu não sei.
- 22:17Eu acho que eu eu não sei, nem nem sei explicar o porquê que
- 22:20funciona tão bem assim, mas a gente parece que tem uma
- 22:23sintonia legal de pensar coisas parecidas assim, a gente vai
- 22:27meio no mesmo caminho e a gente consegue somar algumas coisas
- 22:30assim, sabe, tipo, eu sou muito, eu acho, de abrir, abrir, abrir
- 22:35ideias assim, sabe, tipo, e viajar, e daí o Val que vem
- 22:38faltar, isso é legal, isso aqui não, isso aqui não é e daí vai
- 22:42tipo, vai, sabe, cortando e ajudando a eu sou ansiosa.
- 22:47Eu vou, que é mais perfeccionista, e daí eu tipo,
- 22:50Ah, não quero fazer logo, e daí eu vou apressando ele enquanto
- 22:53ele vai. Não vamos fazer isso aqui
- 22:55melhor, vamos melhorar isso aqui daí.
- 22:57Eu acho que a gente acaba somando esses aspectos, mas eu
- 23:00acho, eu acho realmente que a gente tem uma sorte assim, de
- 23:04ter uma boa sintonia e não ter crises demais assim, né?
- 23:07Porque podia ser muito fracassado, né?
- 23:09Tipo, pessoas trabalhando o tempo todo junto, tendo ideia o
- 23:12tempo todo. E ao mesmo tempo, está criando
- 23:14uma criança que está escutando do que vocês estão falando, do
- 23:17que que vocês estão. Não deixa a criança que já é
- 23:19quadrinista, né? É que você falou com 4 anos de
- 23:22idade, vai se metendo assim, tá? Mas o que que vocês estão
- 23:24falando? Vocês estão falando de não sei o
- 23:25que eu quero, eu quero ver o que vocês estão fazendo e tal, não
- 23:28sei o que, então tem uma terceira pessoa agora se
- 23:31intrometendo também, né? Tem é EE super crítico também,
- 23:35né? Caraca, nossa, eu estou fazendo
- 23:37agora. A gente está fazendo um livro.
- 23:39Eu estava conversando antes, né? A gente estava fazendo um livro
- 23:41agora chamado rei pássaro, né? Ele quer lançar.
- 23:43Acho que a gente tá primeiro. A gente tá falando sobre isso,
- 23:45né? Quer lançar ano.
- 23:47Que vem é conteúdo novíssimo. Ele é sobre essa relação nossa
- 23:52com com o nosso filho, né? Que ele é uma criança que tá
- 23:55dentro do espectro autista, né? Então aí é o ponto de vista de
- 23:59uma mãe, é tentando se buscar essa conexão com essa criança,
- 24:04né? E as crianças têm um hiperfoco
- 24:06em pássaros, né? O Bento, nosso filho tem um tem
- 24:08esse hiperfoco né, desde pequeno não é o hiperfoco bem bonito
- 24:11assim vamos né? Eu acho graças a Deus não é meu
- 24:16Deus, é graças a Deus não é não é e pássaros assim ele adora,
- 24:19ama, ama, meu Deus do céu EE agora quando eu tô desenhando, a
- 24:23Carol escreveu, terminou a parte dela e eu tô já há um bom tempo
- 24:25desenhando e tal é ele vem, pai, é você devia colocar um Gavião
- 24:32cacará. Tá bom, vamos botar um, porque
- 24:35ele tem, tem. Tem muito pássaros, muito
- 24:37pássaros mesmo assim. Sabe quantos anos ele tem?
- 24:39Agora ele está com 17, né? 67 é, é e não beleza.
- 24:43E eu vou lá e coloco, né? E você vai colocar Serena,
- 24:46Serena ou serema, serema é eu, olha, filho, vou, mas não agora,
- 24:52tá? Daí daqui 3 horas você colocou,
- 24:54não, filho, eu não vou colocar agora, eu estou fazendo uma
- 24:56outra página e tal. Vou colocar numa outra página,
- 24:59Ah, tá outro dia assim e você colocou a serema que a gente
- 25:02combinou e não esquece não, eu eu vou colocar não sei ainda
- 25:04quando tá, por favor, vamos, né? E ele vai impedindo os pássaro,
- 25:07eu vou colocando se quiser, Pra Ele mesmo, eu vou colocando
- 25:10enquanto eu conseguir colocar, eu vou colocar o pássaro ali,
- 25:12então ele já é um coautor ali, está me dirigindo, eu falo que
- 25:15ele fica me dirigindo ali, sabe, tipo, Ah, porque você não faz
- 25:17isso, você não faz o pássaro olhando assim, pô, o personagem
- 25:21e tal, né? Que maravilhoso.
- 25:23Você falou que o Valquíria ter o primeiro leitor, né?
- 25:25Então o Bento tá virando. O segundo, basicamente é ele tá
- 25:29de. Aprender a ler, né?
- 25:30Espero que sim, né? Acho que 2 feedbacks seria
- 25:32interessante, mas é, é sempre é, com certeza o Valquíria primeiro
- 25:38e sempre vem com muitas críticas, né?
- 25:41Sempre dão uma chorada assim. No canto sozinho, e depois volta
- 25:47e fala, tá bom? É, sempre tem.
- 25:48Mas eu acho que faz parte. Sabe desse processo?
- 25:51Eu até falo assim. E desde que eu tenho que sentir
- 25:53isso daqui agora, né? Aí eu tipo, ele vai, eu vou me
- 25:57sentir mal, eu vou me sentir péssima e depois eu vou pensar
- 26:01as coisas que ele falou e tal. Ou vou defender.
- 26:04Mas assim, eu acho que é. Todo mundo precisa de uns
- 26:09leitores críticos, né? Que eu acho que, né.
- 26:12Às vezes a gente fala para os amigos que a gente gosta, mas a
- 26:15gente não amou, né? E é e é difícil mesmo, né, a
- 26:20gente fazer essa avaliação. Então acho muito bom quando tem
- 26:23uma pessoa próxima de você. Que vai te dizer que você
- 26:26precisa escutar que não tá bom ainda?
- 26:29Sabe, é uma relação de muita amizade, real assim, porque acho
- 26:32que me parece muito baseado numa confiança, né?
- 26:34Do tipo assim, eu confio que você me vai falar as coisas pra
- 26:36melhorar esse projeto, mas não é um ataque a mim, sabe?
- 26:39Tipo, você está falando do projeto pro projeto ficar melhor
- 26:42e do outro lado você confia que sei lá, você não, Carol, não vai
- 26:47ficar maluca e vai embora, porque eu vou fazer uma crítica
- 26:50aqui também. E é isso, né?
- 26:51Construir isso é bem importante, seja em casal ou seja com
- 26:53qualquer outro. Com a amiga?
- 26:55Qualquer relação do trabalho. Relação de alguém que te dá
- 26:57feedback, né? Tem que ter essa confiança dos 2
- 27:00lados assim para o negócio funcionar.
- 27:01É. E o respeito, né?
- 27:02Tipo, é, você é muito bom você saber.
- 27:05Essa pessoa acredita no meu potencial?
- 27:08É, gosta de mim, gosta das coisas que eu faço, acredita.
- 27:11Mas, tipo elas, e às vezes é muito no ponto de vista.
- 27:14Eu sei que você consegue fazer uma coisa melhor que isso aqui e
- 27:16isso é uma coisa difícil de lidar, mas também é importante
- 27:21assim, sabe? Não.
- 27:22Todo mundo aqui muito terapeutizado, né?
- 27:24Claramente dá pra ver aqui que o pessoal tá em outro nível aí
- 27:27vocês. Chegam.
- 27:28A gente sofre demais. Eu sofro muito Sério.
- 27:31Eu sofro muito também. Eu tenho.
- 27:33Eu sinto dores assim, no corpo assim, quando eu tô fazendo o
- 27:36projeto assim, até que. Eu, eu, eu, eu, eu vou viver
- 27:39numa espiral assim, sabe? Tipo, Ah, precisa fazer esse
- 27:42projeto aqui, né? Eu digo, quando é autoral,
- 27:44quando é prestação de serviço, é diferente em relação, né?
- 27:45Mas eu vou numa espiral assim, sabe?
- 27:47Vou indo, vou indo, tenho que ficar pesquisando muito,
- 27:50entendendo sobre o autismo, no caso do livro e tal, não pode
- 27:54ser romantizando. E eu começo a colocar um Monte
- 27:56de coisas assim, eu eu faço uma pesquisa e começo a colocar o
- 28:00que que eu preciso acertar e o que que eu tenho que evitar
- 28:03assim, tipo, passar longe, né? Até que mergulha, mas assim, até
- 28:06chegar nesse lugar de mergulhar, de achou o traço OA linguagem, o
- 28:10ritmo da. História só executar.
- 28:13É executar o eu ponho o podcast ali da da seria mais seria e
- 28:21aguentar o baixinho, né, que chega pedindo o moto e pássaro,
- 28:23que não estava previsto no roteiro, né?
- 28:26Então. Não faz sentido.
- 28:28Acho que consigo me relacionar com isso.
- 28:29Caçador de sabe antes, acho que pare o negócio.
- 28:32Na verdade, ali vai. É normal, tá, pessoal?
- 28:35É normal essa dor? É, é um você tá botando pra fora
- 28:38mesmo um sentimentos e tal. EEE uma coisa que você acredita,
- 28:43né? Isso que é o trabalho autoral.
- 28:45É muito dolorido isso. Mesmo assim você processo, sabe
- 28:48porque antes dele estar no papel, ele pode ser.
- 28:50Muitas coisas geniais, muitas coisas geniais.
- 28:53É. E a nossa cabeça é muito
- 28:54imaginativa nossa, é nossa. A gente.
- 28:56É muito bom imaginar tudo que pode ser uma ideia, né?
- 28:58Exato. Daí quando você põe no papel,
- 28:59você teve que abrir mão de tudo. O resto assim, sabe?
- 29:01Mas. Assim, sei exatamente o que a
- 29:02rosa Monteiro fala no livro dela, né?
- 29:04AAA louca da casa, né? Ela fala.
- 29:07Que tipo essa parte em que a gente pensa todas as
- 29:11possibilidades de um livro, uma história, né?
- 29:13É. Aí, tipo, teu livro pode ser
- 29:14tudo. E às vezes você evita começar,
- 29:17porque depois que você começou, ele já não é mais tudo aquilo
- 29:19que ele poderia ser, né? Sim, então, e é, e é realmente
- 29:22isso, só que você precisa passar por esse processo, eu acho.
- 29:25Eu chamo de de gravidez, mas eu incubação também, sabe?
- 29:30Eu eu fico muito admirada que tem algumas pessoas que são
- 29:32muito produtivas assim, parece que vomitam ideias, né?
- 29:36E eu acho que o nosso processo é mais.
- 29:38Tipo, tá, a gente tá com uma ideia.
- 29:40A gente vai ficar pensando sobre isso muito tempo discutindo,
- 29:44conversando, até sei tanto o que eu acho que a gente não é, não é
- 29:48um, sabe, 11 máquina de produzir filmes, histórias e tal, porque
- 29:52a gente precisa, acho que desse, né?
- 29:54Período de gestação, de gestação, que eu acho que tem a
- 29:58ver assim com a criação. E eu, Bento, sendo o público
- 30:00alvo de vocês, como é que é quando vocês mostram as coisas
- 30:02para ele hoje em dia, assim como que ele recebe, sei lá, os
- 30:06filmes, os livros? Ele, ele gosta bastante assim de
- 30:09acompanhar, né? Durante a pandemia, eu, a gente
- 30:12trabalhou a dogzila fez OA, série do minion Maluquinho para
- 30:17Netflix, né? A convite da chatroni, a gente
- 30:20foi o responsável pela toda arte desenvolvimento.
- 30:24Aí ele acompanhou assim, era bem pequenininho, acompanhou, daí
- 30:27começava a vir os animatix, não era a gente que fazia, né?
- 30:29Era pessoal da beauty que fazia. IA chegando e tal.
- 30:33E ele IA acompanhando, foi acompanhando.
- 30:35Deve ter até Oo episódio favorito dele, sabe?
- 30:38Ele vai. E o Anacleto que a gente fez, já
- 30:41meio que na sequência, ali do do menino Maluquinho.
- 30:44E ele se acha co autor assim. Sabe quando a gente vai
- 30:47apresentar o filme e tal, fala, Ah, quem fez foi eu, a Carol,
- 30:51nossa equipe, tal. Daí ele já levanta a mão lá pra
- 30:52ter. E o Bento tem que falar assim,
- 30:54sabe? Porque ele estava ali
- 30:55acompanhando. Tudo, né?
- 30:56Mas quando ele for se inscrever para editais, ele já vai ter um
- 30:58Monte. De de fora participando isso.
- 30:59Aí vai ser ótimo, vai ser aprovadíssimo.
- 31:03É. E ele.
- 31:03Ele acompanha assim. Ele quer ver o que eu estou
- 31:06fazendo e tal. Esses dias eu estava lá no meio
- 31:08de uma reunião. Apareceu ele pro amiguinho dele
- 31:11assim, Ah, então aqui meu pai trabalha e eu na reunião ali,
- 31:13tipo adolescente aqui, né? Com a câmera aberta.
- 31:15Sim, eu estou trabalhando mesmo, é?
- 31:17Ele desenha aqui e tal, e o outro molequinho junto ali,
- 31:20sabe? Que legal, meu orgulhoso também.
- 31:23É sim. Eu acho que muda muito.
- 31:27É, eu achei é muito interessante isso quando você faz as coisas
- 31:29para criança, né? E é é quando você faz para
- 31:32criança e você não tem uma criança.
- 31:34E quando você tem uma criança, são 2 coisas bem diferentes
- 31:37assim, né? Por que que você acha que muda?
- 31:39Não é porque eu acho que claro que no fundo você sempre tá
- 31:42fazendo pra tua criança interna, né?
- 31:44Sempre tá fazendo para as coisas.
- 31:46Mas quando tem uma criança ali, entra em choque, a tua criança
- 31:49com aquela criança, né? E você vê que você talvez não
- 31:53consegue alcançar as as, as expectativas dela.
- 31:57O que ela te traz uma nova visão de algumas coisas, de histórias
- 32:01que ela gosta. É muito mágico também esse
- 32:03processo da gente. Que é uma ansiedade que a gente
- 32:06sempre tem, né? De mostrar os desenhos que você
- 32:08amava pro teu filho, né? Ah, claro.
- 32:10E você querer que ele seja fã dos mesmos desenhos que você.
- 32:13E daí você se frustrar, que ele não não gosta das mesmas coisas.
- 32:17Ou você ficar totalmente Encantado porque ele gostou de
- 32:19uma coisa que você gosta, sabe? E daí você vê que ele vai ver
- 32:23coisas diferentes ou tipo, que é uma outra criança.
- 32:26E vê essa construção do indivíduo assim também, né?
- 32:29E tem algumas é, eu acho que também a criança, ela traz 11
- 32:33refresco de poesia assim existencial para tua vida
- 32:36também, sabe? Até pela aquisição da linguagem
- 32:39também acaba sendo natural, né? É, e daí?
- 32:41Eu acho que traz umas coisas um pouco mágicas que eu acho que
- 32:43ajuda a revigorar um pouco também alguns aspectos de
- 32:46criatividade, porque quando eles estão descobrindo o mundo, eles
- 32:49estão refazendo perguntas que eu acho que é um.
- 32:52Uma perspectiva que a gente gosta muito desse aspecto, né?
- 32:55Mais introspectivo assim. E ele traz de novo essas coisas,
- 32:59né? Tipo aqueles que começam a um é
- 33:02o que que serve a boca, né? Essas coisas assim que é.
- 33:06Basicamente um título de livro infantil já, né?
- 33:08Que serve a boca? Esse já tira uma história
- 33:10inteira disso, né? É então o tempo todo de são te
- 33:13te incentivando e assim, por exemplo, isso do rei pássaro é.
- 33:18Às vezes a gente fica até com esse receio, né?
- 33:20Tipo, AI parece que tem um fio assim que fazer um livro.
- 33:22Sobre o teu filho, né? E eu acho que tem que ter esse
- 33:24cuidado também, né? Porque a gente tá fazendo isso.
- 33:26Não é só porque a gente quer fazer um livro Pra Ele, porque a
- 33:29gente quer falar sobre sobre esse assunto, da nossa
- 33:33experiência, mas também contar uma história que a gente acha
- 33:35que é uma história bonita. Que é uma história que a gente
- 33:37tem vontade de contar e que vai se conectar com outras pessoas,
- 33:41né? Não.
- 33:42É exatamente mas que ele é o gatilho disso, né?
- 33:46Porque o Bento, ele, essa coisa do pássaro é muito bonito e foi
- 33:49mexendo com a gente, né? Um dia ele chegou e falou assim,
- 33:52mãe, você sabia que eu sou diferente das outras crianças?
- 33:55Deu é dele, é as pessoas no coração, elas têm, é um coração,
- 34:01como você e os outros, e eu no meu coração tem um pássaro,
- 34:05falou assim. Então, por isso eu sou.
- 34:07Diferente dos outros aí, tipo, você fala assim, gente, tipo, o
- 34:09que que essa criança tá fazendo, né?
- 34:11Então essas coisas vão, sabe, tem isso eu trouxe para o texto,
- 34:15não é só sobre isso, mas é também sobre isso.
- 34:17Então eu acho que é a criança também ajuda você a estar aberto
- 34:22para essa poesia da vida assim, sabe de que eu acho que é o que
- 34:25a gente quer trazer para criatividade, né?
- 34:27Um pouco o olhar, um pouco mais apaixonado pela vida assim que a
- 34:30criança tem, né, porque ela tá deslumbrado, porque ela tá
- 34:33conhecendo as coisas agora, né? Então a gente tem um pouco essa
- 34:36magia também assim. Ah, não, com certeza você faz
- 34:39todo o sentido de tu isso. Tenho filhos.
- 34:44É, não sei, gente, não é tão um. Filho não é do quarto assim, tem
- 34:46essa parte boa, mas tem uns tem. Uma galera que tem 18 anos aí
- 34:49assim, não, gente, vão Viver A Vida eu não faço.
- 34:52Depois, um pouco depois dos 18, vocês podem dar um tempo aí, mas
- 34:55é importante se. Vocês quiserem.
- 34:59E dá para escrever livro infantil também?
- 35:01Sem é o Maurício. Anac, né?
- 35:03É o meu autor, que foi meu tema de mestrado, né?
- 35:07O Maurício anac, que eu acho simplesmente genial.
- 35:10Assim eu escrevi sobre aonde viviam os monstros, né?
- 35:12Eu fiz uma análise sobre a relação da palavra imagem no
- 35:15livro dele, né? E ele nunca teve filhos, né?
- 35:19Mas eu acho que ele mantém uma conexão com a infância que é
- 35:22muito além de qualquer contato você vai ter com uma criança
- 35:25assim, sabe? De tipo.
- 35:26Ele manteve a infância dele viva dentro dele.
- 35:29Assim, de um jeito que eu acho com.
- 35:31Certeza é não especificamente onde vivem os monstros, é uma
- 35:34narrativa que pra adultos ela é completamente tipo meu Deus.
- 35:37Ela é uma obra. Anos de terapia pra lidar com
- 35:40isso aqui que eu acabei de assistir e ler.
- 35:42Ela tem umas 110 páginas. Está vendo, não é isso, não é
- 35:47isso? Não exatamente infantil apenas,
- 35:49né? De quantas 11 frases, né?
- 35:5116. Frases. 16 frases eu tenho 1111
- 35:54dissertação de 110 para falar. Eu sempre uso o do vivo, os
- 35:58monstros, porque a gente fez as vezes, o pessoal sabe, a gente
- 36:01fez um quadrinho em 2021, durante a pandemia, chamado o
- 36:03filho mall, né, que é uma Ah, é esse aí, uma gráfica é nova.
- 36:07E quando a gente fez, quando eu desenhei, eu já desenhei.
- 36:09Pessoal, isso aqui eu quero fazer um filme, isso daqui, né?
- 36:12E aí quando as pessoas leem, gostam muito e tal, mas daí às
- 36:16vezes produtores assim falam assim, mas cara, será que dá um
- 36:19longa metragem? Daí eu falo para eles assim, é o
- 36:23Maurício se andar, que escreveu um livro que teve 16 frases,
- 36:27onde vivem os monstros? E o Spike Jonze se transformou
- 36:29num longa metragem de 2 horas, né?
- 36:31Então acho que dá, acho que dá, dá pra você, né, não é?
- 36:35Você vai adaptar, né? Vamos pensar assim.
- 36:38Muito bom. É um argumento fortíssimo, usem.
- 36:47Você sabia que você pode usar o cupom sala 1604 em qualquer
- 36:51curso da escola Revolution e ganhar um descontinho na hora de
- 36:55fazer a sua matrícula? Só acessar o site da revo e
- 36:57escolher seu curso, digitar o cupom sala 1604 no carrinho e
- 37:02descontinho aplicado. Esse podcast aqui é só benefício
- 37:04pra artista. É valque, você comentou agora há
- 37:08pouco, né? A gente tá com a sua parcerias e
- 37:10colaborações do projeto do menino Maluquinho, e queria que
- 37:12você contasse um pouco mais sobre isso, né?
- 37:13Porque como a gente tem muitos artistas aqui que com certeza
- 37:16tem esse, né, nesse imaginário infantil, um menino Maluquinho
- 37:19como uma grande referência, como algo que a gente lia e assistia
- 37:23e amava quando era criança, né? E quero saber para você, como é
- 37:25que foi trabalhar nesse projeto junto com o estúdio?
- 37:32Olha, foi uma das experiências mais é.
- 37:37É foi divisor de águas para mim. Foi assim, uma realização de um
- 37:40sonho, porque eu sempre tive o Ziraldo como um dos grandes
- 37:44nomes das artes gráficas brasileiras assim, eu acho, sei
- 37:48lá, tá no top three ali, eu acho.
- 37:50Para mim, acho. O cara genial é ele.
- 37:54E quando a chatroni fez o convite pra pra gente participar
- 37:58do do meu Maluquinho, eu fiquei muito feliz assim, muito parece
- 38:02que assim, cara foi. Eu lutei muito pra pra pra poder
- 38:06realizar esse sonho do valquir criança lá, sabe?
- 38:09E mas foi um projeto muito difícil, muito, muito difícil
- 38:12mesmo, porque foi é a primeira vez que a gente trabalhou num
- 38:17projeto dessa magnitude assim, sabe que era pouco tempo, muita
- 38:23gente para coordenar. É uma exigência muito grande de
- 38:27de todas as é de todas as camadas de aprovação.
- 38:30Tinha muitas camadas de aprovação, então tinha.
- 38:33É direção de arte, depois tinha a direção, tinha a produção
- 38:37executiva, daí tinha Netflix aí, o executivo da Netflix lá fora,
- 38:41e tinha a família do Ziraldo. A família do Ziraldo não era o
- 38:44Ziraldo, a família inteira, né? Então foi, foi bem difícil.
- 38:50Mesmo assim, é chegar no resultado gráfico que agradece
- 38:54todo mundo. Eu lembro que a gente
- 38:55desenvolveu lá todo 11, primeira bíblia assim, todo mundo adorou.
- 38:59A gente colocou uma cara bem de Brasil assim, sabe?
- 39:02Tudo que que que eu achava que era legal, que era de Brasil, a
- 39:05gente colocava naqueles desenhos, nos personagens e tal.
- 39:08E aí, Netflix, amor, beleza, vamos para reunião com a família
- 39:12do Ziraldo. Vamos eles odiaram.
- 39:15Tudo, tudo, tudo, tudo adiaram, tudo joga no eu.
- 39:19Eu imagino todo mundo saindo da reunião assim, cabecinha abaixo,
- 39:22uma pastinha embaixo do braço assim, tipo, meu Deus, é tudo
- 39:24errado? Não, eu tomei uma surra, sabe?
- 39:27É assim. E não, ele deve ter chegado lá,
- 39:29tipo cara, desmocha, não. Não, eu estava com muito medo.
- 39:31Ah, estava com medo, não estava muito medo, estava com
- 39:33expectativa. Não, não.
- 39:34Eu estava muito. Eu já sabia, né?
- 39:35Que que bom. Melhor.
- 39:36É, eu já sabia assim que eles são muito assim, falam mesmo e
- 39:41falam bastante, né? Sobre o que?
- 39:43Estamos pensando naquele projeto, né?
- 39:45Então foi 1 hora assim, ouvindo é o quanto visor de arte,
- 39:52beleza, vou voltar para pranchieta e já estava aprovado
- 39:55o budget para para fazer iniciar a série, iniciar pré produção.
- 39:58E a gente teve que e a gente gastou muito tempo para refazer
- 40:02esse esse visual, né? E aí é.
- 40:06Assim, mas é nível de curiosidade mesmo assim, sem
- 40:08querer expor a família do Ziraldo aqui.
- 40:11É que tipo de críticas eles tinham, o projeto, o que que
- 40:13eles não gostaram nessas ideias que vocês tiveram?
- 40:16Nossa, assim, não sei, não gostaria de nada, nada, nada.
- 40:19É da cidade do estilo. Do é isso aí eles eles compraram
- 40:23assim, claro, né? É, mas a é OA adaptação gráfica
- 40:26que a gente fez, né? Porque assim, a gente estava com
- 40:28uma preocupação de de mostrar assim, tá?
- 40:31É como que a gente faz para adaptar o livro infantil de
- 40:361982. Pra hoje assim, sabe?
- 40:39Foi muito difícil, porque também tinha muitas pessoas com ideias
- 40:43divergentes e tal, e a gente ficou difícil pra gente absorver
- 40:46aquilo e transformar no estilo. Né, na cabeça deles, tinha que
- 40:49ser mais fiel, tinha que. Buscar um pouco mais a essência
- 40:52e tal, e. E aí o eu contei com com a ajuda
- 40:57de uma pessoa que eu tenho muita admiração, que é a beta Krieger,
- 41:01que pra mim acho que É Ela, não ela não, ela não gosta que diga
- 41:04isso, mas pra mim é. Acho que é a melhor diretor de
- 41:07arte que tem, sabe de na área de animação é, ela odeia quando eu
- 41:11falo isso, então desculpa, beta, é, mas ela é uma pessoa muito
- 41:14incrível. Assim que ela ela trouxe, ela
- 41:16conseguiu trazer um outro olhar, É Ela, ela é uma pessoa que faz
- 41:21muita pesquisa assim antes de fazer qualquer desenho.
- 41:24Tipo, ela fica semana só pesquisando, pesquisando, e ela
- 41:26e assiste todos os documentários que o Ziraldo é, deu entrevista,
- 41:30ela leu todos os livros do Ziraldo, sabe tudo, tudo, tudo,
- 41:34tudo. E ela vai compilando aquilo ali
- 41:36e vai estudando o desenho dele e tal.
- 41:38Aí descobriu que o desenho, o estilo do artista, geralmente,
- 41:42às vezes nasce do erro, né? Então às vezes assim você vai
- 41:45lá, desenha tanto, tá errado, mas ficou legal isso aqui.
- 41:48Você vai meio que adaptando aquele erro entre aspas, né?
- 41:50E vira um estilo às vezes, né? O Ziraldo, ele buscou aquele
- 41:53estilo ele, ele fala isso que ele.
- 41:56Ele quis buscar essa simplicidade, ele quis buscar
- 41:59essa coisa. Comunicação de massa mesmo que
- 42:01você bate o olho e você identifica com pequeno, pequenas
- 42:05formas simples, geométricas, você passa.
- 42:08A ideia é muito forte. Eu acho extremamente difícil, eu
- 42:11acho muito difícil mesmo. Então aí eu a gente foi trazendo
- 42:15isso, né? É, é.
- 42:16Ela até falou assim, ó, valque, eu não dou conta de fazer
- 42:19direção de arte fazer, porque era muita coisa, muita e muita
- 42:21gente pra dar noite e tal, e muita reunião com produtor, não
- 42:25sei o que, e tal. Aí ele falou, não vamos nós 2 de
- 42:28fazer a com a direção de arte, né?
- 42:30E aí eu cuidei mais de personagem, ela cuidou mais da
- 42:32no começo, cuidava de nós 2, cuidava de tudo, né?
- 42:34Aí depois a gente se dividiu, quando começou a ficar muita
- 42:38coisa, ficava mais na parte de cenários que eram maravilhosos,
- 42:40e eu mais na parte de personagem.
- 42:42E a beta não conseguiu trazer essa essência do Ziraldo, sabe
- 42:46porque o Ziraldo, se ele desenhasse um bonequinho Ismael,
- 42:50que é só aquela bola, os 2 pontinhos, o sorriso, se você
- 42:54olhar ele, fizesse um Ismael, você vai identificar que aquilo
- 42:56ali foi desenhado pelo Ziraldo. É impressionante, assim como é
- 42:59você mexe aqueles elementos internos do rostinho do menino
- 43:03Maluquinho. Você sempre coloca um pouquinho
- 43:05para cima, um pouquinho para baixo, vira outro personagem,
- 43:07Ah, botou para baixo, vira um peanuts, juntou o zolinho e vira
- 43:11não sei o que e tal, então é muito específico assim, sabe?
- 43:14É as linhas paralelas que ele usa e tal.
- 43:16Nossa, tem muita coisa que dá para falar do Ziraldo, né?
- 43:19Então chegar nessa essência foi muito complicado, muito difícil
- 43:22mesmo, porque é a ideia era celebrar o Ziraldo.
- 43:26A beta sempre usava as Pavão, a gente tem que celebrar o
- 43:28Ziraldo. Nessa nova obra, né, a gente não
- 43:31tá é refazendo, a gente tá celebrando, então temos que
- 43:34buscar a essência e aí é, é, e eles amaram assim, sabe?
- 43:39Eles adoraram, é, tinham as críticas deles e tal, mas a
- 43:43gente sempre tava com um bom argumento.
- 43:45Tem uma coisa que eu gostei muito que a gente fez No No na
- 43:48boca do Mino Maluquinho, que ele tá com uma falha no dente assim,
- 43:50sabe? Tipo ali, ó, farinha no dente, é
- 43:53isso mesmo, é. E aí alguém da família dizendo,
- 43:56ela falou assim, Ah, não sei, ele não tem essa falinha no
- 43:58dente e tal. Aí a beta falou, não, pera aí.
- 44:01Ela pegou a pesquisa dela, achou a capa de 11 número lá do Mino
- 44:06Maluquinho do quadrinho que tem o Mino Maluquinho, assim o
- 44:09Dentinho. E assim, olha, é uma criança que
- 44:12tipo, hiperativa, que não paraqueta inventando muita coisa
- 44:14pulando aqui, pulando. Ali, mas todo sentido.
- 44:16Sei lá, pode ser que ela teve um dente, Dentinho, lascado ali
- 44:19porque caiu e bateu, sei lá, o dente do móvel ali, alguma coisa
- 44:22assim, né? Ah, não, aí adoraram assim amar
- 44:25e tal, então foi, mas foi um processo.
- 44:27Eu aprendi muito, principalmente de do ponto de vista de de
- 44:32produção. Sabe como que você junta tudo
- 44:35esses Talos? Juntou uma galera muito foda
- 44:37assim, sabe de, de de arte assim, sabe uma galera muito
- 44:40foda é quando. Vai fazer um projeto desse
- 44:41nível? Eu tenho que pegar é tem que
- 44:42pegar essa galera muito foda. Nossa, muito, muito foda.
- 44:45EE, mas como que você concentra a energia de todas essas pessoas
- 44:50para chegar naquele resultado, sabe?
- 44:52EE, como que você faz que as pessoas entrem no cronograma?
- 44:55Cara, a gente atrasou um Monte várias vezes assim, cara, foi e
- 44:58o projeto foi foi escalando o nível de dificuldade assim,
- 45:01sabe? Aí começou a chegar os
- 45:03storyboard e ver o meu Deus do céu, não é só.
- 45:05Sabe aquele série de animação que tá, você faz um cenáriozão
- 45:08gigante, ele só faz um Crop aqui, o personagem tá aqui, daí
- 45:11muda o Crop lá, não é cara? Daí mudava o ângulo da câmera,
- 45:14daí às vezes tinha uma câmera, mas cara, assim é, foi uma
- 45:17coisa. Que a gente só sonha em
- 45:18conseguir fazer, mas aí você viu que realmente é uma produção
- 45:21grande, faz. Não, mas foi bem.
- 45:22E foi bem sofrido assim mesmo. Então, nossa, dei graças a Deus
- 45:25que acabou, mas eu torci para uma segunda temporada porque eu
- 45:27falei, agora eu quero usar todos os conhecimentos que a gente
- 45:29acumulou aqui para fazer segunda temporada.
- 45:31Vai detonar aí. A Netflix, infelizmente não, não
- 45:34quis continuar a Sério. Quem sabe onde é?
- 45:36Fica aqui o apelo pessoal, escrevam lá pra Netflix pedindo
- 45:39a segunda temporada. Por favor, segunda temporada,
- 45:40uma menina maluquinha. Que ficou muito bonita, nossa,
- 45:43ficou linda aquela série assim, viu?
- 45:45É, mas é que eles são cruéis, né?
- 45:47Na forma de decisão, é tipo, é 100% algoritmo.
- 45:50Se funcionou, funcionou, se não funcionou.
- 45:52É exato, é EEE. Você tem que ouvir todas essas
- 45:55pessoas, né? Eu lembro que a gente um dos
- 45:59caminhos que podia ser para o menino Maluquinho era realmente
- 46:02tentar ficar mais próximo do traço original do Ziraldo, né?
- 46:07Mais mais como uma nostalgia aí. O.
- 46:13Exatamente. Daí o cara da Netflix falou
- 46:16assim, um dos executivos lá, nem sei quem falou, falou, olha,
- 46:19quem gosta de nostalgia é adulto, não criança.
- 46:20Criança não sente em nostalgia. Né?
- 46:22Então você tem que se comunicar com a criança de agora, né?
- 46:25Então, enfim, aí a gente vai buscando a nostalgia, colocando
- 46:29lá, por exemplo, no cenário, tentou deixar uma coisa bem
- 46:31Brasil, sabe as casinhas, os utensílios que usa dentro de
- 46:36casa e tal, é e o pessoal do roteiro que mandou bem pra
- 46:39caramba lá, daí fizeram os roteiros, que é muito coisa de
- 46:42Brasil, tipo, tem homenagem a carreta furacão, tem homenagem
- 46:46ao et b luo, né, et b, Varginha. Então, tipo, cara, eu, eu adorei
- 46:50assim, sabe? Eu foi uma experiência.
- 46:52Assim que eu eu fiquei, eu fiquei feliz e triste de ter
- 46:55acabado, sabe? É tipo feliz que graças a Deus
- 46:58agora posso respirar. Mas é triste porque gostei muito
- 47:01de trabalhar com aquelas pessoas, fazer aquele, aquele
- 47:04desenho, sabe? Então foi um projeto muito
- 47:07especial assim, divisor de águas para mim, assim mesmo.
- 47:10Que máxima muito legal saber que eles tiveram essa preocupação
- 47:13também na hora de produzir, tiveram esse cuidado assim.
- 47:16Com a obra toda do geral, né? Vocês tiveram essa preocupação
- 47:19também. A Netflix comprou isso, né?
- 47:21Porque às vezes é difícil. Acho que a gente tem visto
- 47:23muitas produções que são mais, não sei se a palavra precisa que
- 47:28eu quero usar, mas pasteurizadas, sabe, tem que
- 47:30agradar meio que todo mundo, porque está, né?
- 47:33Tem que agradar todas as pessoas em todos os lugares do mundo,
- 47:35então as coisas acabam tendo menos uma pegada tão intencional
- 47:41ou tão local assim, né? Sei lá, Ah, não se a gente falar
- 47:44de. De Brasil, sabe terceiro.
- 47:46Mundo. Regionalista estrangeiro e tal,
- 47:49para o mundo, sabe? Mas eu acho isso bem
- 47:51interessante, o que você está falando e acho que conecta com o
- 47:54que a Carol estava falando. Assim, de fazer o caso do livro
- 47:56que ele está fazendo. Ah, é uma coisa muito parece
- 47:58específica que ele está fazendo sobre a relação dessa mãe com o
- 48:02filho autista, que tem a ver com a gente e tal.
- 48:04Mas é, é as histórias íntimas, elas.
- 48:09Eu acho que elas têm um poder mais forte de conexão, às vezes
- 48:11do mundo inteiro, né? E aconteceu uma coisa parecida
- 48:14com o com o menino Maluquinho. E quando a gente tava
- 48:16apresentando pra os executivos do do mundo inteiro lá, porque
- 48:20daí eles fazem lá uma vez há não sei quanto tempo, eles reúnem
- 48:23todo mundo dos Netflix do mundo faziam isso, não sei se fazem
- 48:25ainda, né, pra ver o que tá sendo feito naquele país ali,
- 48:29né? E aí chegou o dia da gente
- 48:31mostrar lá o que que era o menino Maluquinho.
- 48:34E aí quando a gente começou a mostrar aqueles cenários, que é
- 48:36bem cara de Brasil assim, sabe aquelas casas, né?
- 48:39De vovózinha e tal, não sei o que.
- 48:42Então é muito curioso porque as maior parte das séries você vai
- 48:45ver que é meio pasteurizada. Aquele aquela casinha canadense
- 48:49ali, né? Subúrbio americano, né?
- 48:51Calçadinha e tem a graninha, casa.
- 48:53Bonita de de lixo. Clássico assim é de metal, né?
- 48:56Nosso imaginário está construído.
- 48:57Correiozinho, e. Tal imaginário está com essas
- 49:00ideias, né? Você pensa caixa de correio?
- 49:01Tu não pensa necessariamente amarelinha, né?
- 49:03Você pensa, exato que abaixa a bandeirinha, né?
- 49:05É exato, é, nunca vi uma caixa dessas.
- 49:08Eu também nunca vi, né? Mas está lá na sua cabeça?
- 49:10Exato, está lá o corretivo exatamente, né?
- 49:12E aí tá nessa colonização cultural imagética que a gente
- 49:16sofre, né? EEE eu?
- 49:18Enfim, se a gente tem oportunidade de romper um pouco
- 49:20isso, eu sempre acho legal. E aí é que a gente estava
- 49:22mostrando os cenários e tal. Aí um dos executivos que eu nem
- 49:25cedo onde que o cara é que país que eu não lembro agora, não era
- 49:28nem Estados Unidos nem Canadá e tal.
- 49:30Ah, com certeza não. Era e aí ele falou assim, lindo
- 49:36esses cenários, lembra muito aí minha infância.
- 49:39AI, que legal. Então eu falei, olha aí, ó, a
- 49:42gente fazia uma coisa para homenagear o nosso lugar aqui e
- 49:45um cara, sabe, sei lá do outro lado do mundo, nem sei o cara se
- 49:48conectou, acho lindo ele falou isso, ele não comentou nem mais
- 49:51nada. Ele falou assim, lindo esse
- 49:53cenários lembra muito minha infância.
- 49:55Daí eu falei, nossa, ficava nervoso assim, já deu até uma
- 49:57aliviada assim. Você acha que eu coloco uma
- 50:00verdade assim, tipo muito sincera, assim, na no que você
- 50:05faz assim? É não só tipo, Ah, vamos, vamos
- 50:09fazer esse negócio, porque tá na moda isso daqui, não, você tá
- 50:13colocando uma coisa que tem a ver com alguma verdade tua,
- 50:15sempre vai chegar mais nas pessoas.
- 50:17Eu Acredito assim, sabe? Tipo, porque às vezes tem isso,
- 50:20né? Ah, tipo, agora tá na moda falar
- 50:22sobre isso, vamos fazer sobre isso.
- 50:23Por mais que isso não tenha nada a ver com a minha realidade, com
- 50:26a minha história, é tipo, nunca me conectei com isso, mas eu
- 50:31acho que as. As histórias individuais, assim,
- 50:34elas acabam alcançando, mesmo que elas sejam muito
- 50:37particulares ali de um lugar, de uma realidade, acho que.
- 50:40Especialmente quando elas são muito particulares, né?
- 50:43Eu gosto muito assim. Quando a gente tá olhando, por
- 50:45exemplo, portfólio de artistas assim, você pega o portfólio
- 50:48profissional dele e aí é uma coisa e você pega tipo, os
- 50:51trabalhos pessoais. Daí é tipo, cara, isso aqui é
- 50:53muito mais forte, sabe? Que você consegue ver a pessoa
- 50:56ali. E acho que isso tem uma
- 50:57potência, tipo muito, a palavra potência está meio banalizada
- 51:00hoje em dia, né? Uma coisa meio é, sabe,
- 51:02vivências, é, mas eu acho que isso é muito forte, assim,
- 51:05quando você consegue enxergar a pessoa, a história da pessoa, e
- 51:07isso conecta muito mais do que qualquer outra coisa que ela
- 51:10poderia fazer assim. Então eu sempre, né, a gente
- 51:13sempre está falando sobre isso, de tentar se colocar, trazer a
- 51:16tua perspectiva, a tua história, a tua vida, aquilo que você
- 51:19conhece pra dentro das narrativas que você está
- 51:22criando, independente do formato, porque é isso que vai
- 51:25fazer outras pessoas. Se relacionarem, né?
- 51:27É o lance do nenhuma experiência individual.
- 51:29E aí quando você relata uma experiência particularmente
- 51:32individual, você vai ver que outras pessoas têm me ver
- 51:34parecidas e é nisso que elas vão construir a ponte assim.
- 51:37Então com certeza que legal que rolou isso nessa reunião.
- 51:40Assim, uma pessoa completamente aleatória, né?
- 51:42Sim, é, não esperava assim. Era pra Ser que as reuniões sim.
- 51:44Tipo Ah, estamos fazendo isso. Pá, pá, pá, pá, pá, pá, pá,
- 51:47beleza, show de bola. Temos outras 1000 reuniões aqui
- 51:50pela frente. Ele não só pensou, né?
- 51:54Ele falou, legal isso essa, mas de alguma forma moveu ele, né?
- 51:58Isso isso é muito da hora quando acontece falando então, né,
- 52:01dessas produções também, de tudo que vocês já fizeram,
- 52:03participaram, queria trazer um pouco para o papo do mercado,
- 52:06porque, né, a gente precisa aí dar Esperança para as pessoas ou
- 52:09não, ou matar a Esperança delas. Mas eu queria, vou começar com a
- 52:13Carol, porque você tem experiência, né, no roteiro e
- 52:15tudo mais. Queria que você falasse um
- 52:17pouco, como é que você enxerga? O papel dos roteiristas na
- 52:20animação hoje em dia assim, e se você acha que é mais difícil,
- 52:24mais fácil, o que que estão no cenário desde que você fez o
- 52:26primeiro roteiro, o que que você enxerga?
- 52:28A gente teve um período meio nebuloso aí no Brasil, né?
- 52:31Vocês sabem. Mas assim faz um Panorama aí de
- 52:35de como é que as coisas mudaram ou não, de quando você começou
- 52:38agora. Eu não sei.
- 52:40É engraçado falar. Eu não me sinto também super
- 52:42experiente, né? Acho que eu ainda tô começando
- 52:45também, principalmente como roteirista, é.
- 52:48Mas assim, o eu acho muito importante o roteiro pra
- 52:53animação, que a gente tem um histórico no Brasil.
- 52:56Essa é uma impressão que eu tenho, né?
- 52:58Que a gente tem muitos artistas incríveis de animação, trabalhos
- 53:03impressionantes. Assim é de técnica, né?
- 53:07De linguagem de materialidade na animação, que eu acho
- 53:11sensacional. Mas é a gente geralmente quem tá
- 53:15fazendo as histórias são os animadores, que não
- 53:17necessariamente são escritores ou são roteiristas de
- 53:21audiovisual, né? Ou.
- 53:22Acontece muito. E eu acho assim que é.
- 53:26Eu acho que é importante que tenham mais pessoas dedicadas ao
- 53:30roteiro para trabalhar com animação também, sabe?
- 53:33Claro que tem roteiristas ótimos, né?
- 53:35O pessoal do menino Maluquinho tudo mais.
- 53:37Tem muitos assim por aí, mas eu acho que tá crescendo isso de.
- 53:42Tipo, vamos levar isso a Sério, vamos.
- 53:44Não precisa ter uma história boa e tal, mas a gente ainda, eu
- 53:48acho que tem essa é talvez tá precisando essa demanda assim,
- 53:54poxa, porque eu acho que tem muito isso animador.
- 53:56Ele quer fazer tudo, ele quer fazer a história dele, ele quer
- 54:00fazer tudo e eu acho importante, talvez ter colaborações também.
- 54:03Eu me coloco muito nesse lugar, né, porque eu não sou
- 54:05desenhista, não sou animadora. É, você precisa da colaboração
- 54:09do seu trabalho existir, né não? Precisa.
- 54:12Mas eu preciso tipo, poxa, vou chamar o roteirista para para me
- 54:17ajudar aqui, me ajudar a melhorar essa ideia, talvez, ou
- 54:20tipo ver se está funcionando essa história.
- 54:23Então eu acho que é um aspecto muito importante assim, que a
- 54:26gente precisa olhar com atenção. Acho que de uma forma geral
- 54:29assim, né? São importantes?
- 54:31É. É o trabalho de roteirista?
- 54:34Não. Eu acho que vem crescendo isso
- 54:36no Brasil, tipo o pessoal se profissionalizando mais como
- 54:40roteirista. Eu acho que tem a ver também com
- 54:42o mercado audiovisual, né? No Brasil, que né.
- 54:46Passa sempre, volta e meia tá tá tendo seus tropeços, tá sendo
- 54:50tendo as suas baixas aí, né? E a gente não consegue montar
- 54:53essa indústria super produtiva, né?
- 54:56Daí algumas áreas vão ficando é né, desfalcadas assim, né?
- 55:02Então daí e inanimação, acho que a gente vê muito isso, às vezes
- 55:05o cara principalmente encurta, ele vai fazer tudo porque ele
- 55:08vai fazer sozinho. Ele não pode contratar vários
- 55:10profissionais para atuar nisso, nisso, nisso e naquilo, né?
- 55:14Então acaba que algumas produções maiores aí consegue,
- 55:18mas também eu acho que tá crescendo, é pessoas mais
- 55:23preocupadas com isso. Eu acho que não tem muito assim.
- 55:27Por exemplo, eu não vejo pelo menos assim pessoas assim,
- 55:30nossa, eu sou roteirista e eu trabalho com animação.
- 55:33Geralmente existem mais roteiristas trabalhando no live
- 55:36action assim, sabe? Geralmente quem tá trabalhando
- 55:38em animação é a gente. Faz animação também e é
- 55:42roteirista. E daí?
- 55:43Ou às vezes trabalha com quadrinhos e faz roteiro.
- 55:47Então assim. Exclusivamente com isso é mais
- 55:49difícil. Né?
- 55:50É, eu vi tipo um projeto que eu trabalhei.
- 55:52Eles chamaram gente que trabalhava com liviético para
- 55:54fazer roteiro de colaborar num longa de animação.
- 55:58Mas assim, dentro da animação não tem, às vezes tanta gente
- 56:01que está mais claro de série, tem profissionais incríveis,
- 56:05estão trabalhando há muito tempo.
- 56:07E eu acho que tem um pouco essa perspectiva, você acha que faz
- 56:10sentido isso? Não, eu acho que faz assim,
- 56:12principalmente em curta assim, quando você vai ver os curtas em
- 56:14festivais assim, eu acho que você vê aquela técnica linda,
- 56:17maravilhosa aí. Mas cara, faltou alguma coisa,
- 56:20essa história, né? Então, mas em séries tem grandes
- 56:23roteiristas e tal assim, isso é. No Brasil, então, a gente tem um
- 56:27também, né? Que faz história faz tempo.
- 56:29Menino Maluquinho é a galera do menino Maluquinho, acorda a
- 56:31Carla, irmão Morel, né? Então já tem um pessoal aí de
- 56:36comédia principalmente, que é muito bom, né?
- 56:38Mas acho assim nos autorais, a gente longas ainda, talvez
- 56:43precisa mais assim, mas eu acho que tá crescendo, tem muita
- 56:47coisa boa nossa, tá tem muita coisa sendo produzida agora,
- 56:50muita gente bom, tanto que, né? É agora, semana que vem eu vou
- 56:55pro frap, que é o festival de roteiro audiovisual lá de Porto
- 56:57Alegre, né? E ano passado e ele tem um
- 57:00concurso de roteiros, né? De longa assim.
- 57:03E ano passado o projeto que ganhou concorrendo com o live
- 57:06action foi o roteiro de animação.
- 57:08Então, né? Por isso.
- 57:10Que eu sei também, né? Por isso que eu.
- 57:13Estou informada assim, mas eu acho super legal quando também a
- 57:16animação entra assim. Sabe pau a pau com com com
- 57:20cinemão assim, sabe? Ah, eu acho linda.
- 57:22Então é porque. Tem um tem.
- 57:24Tem essa ideia, né? De uma certa arte menor, mas não
- 57:27dentro da literatura, literatura infantil considerada menor do
- 57:31que literatura de adultos, sabe? Tem um sim.
- 57:33Tem um pouco assim tem, né? Para o público tem essa ideia.
- 57:36Eu? Fui em festival importante assim
- 57:38de de de cinema. É não de animação de cinema que
- 57:41o curta nosso apneia estava passando lá na mostra principal
- 57:45com um documentário live action não sei o quê e.
- 57:47E uns uns realizador, 1111, pessoa lá que estava tinha feito
- 57:51um documentário, né, que estava concorrendo também.
- 57:53Ah, mas acho que vocês não deviam estar estar aqui nessa
- 57:56categoria e tal, concorrendo com cinema, né?
- 57:59É animação como uma pessoa realizadora, sabe, é uma
- 58:03cineasta. Daí eu falei, é, daí eu falei
- 58:07assim mesmo, porque não animação é cinema, o teu não é um
- 58:09documentário, eu vou dizer que o documentário não é cinema agora,
- 58:12né? Pô, nada a ver isso aí, né?
- 58:14As pessoas ainda têm essa mentalidade.
- 58:16Mas é bem comum. Mas bom, você fez o mestrado
- 58:18nessa interseção de linguagens e arte.
- 58:21E é muito comum, né? Na literatura, lá, tipo gente,
- 58:24imagem é coisa de criança, né? Aqui a gente trabalha com texto,
- 58:28você vai querer fazer. Vou falar de quadrinho em
- 58:29letras. É, mas tá maluco?
- 58:31Infantil e quadrinhos é muito visto como uma coisa menor
- 58:35assim. Né?
- 58:36Ok, então a gente tem que fazer uma pergunta das polêmicas agora
- 58:39porque é necessário, né? Inteligência artificial, não.
- 58:47Que que está rolando? Como é que está afetando o
- 58:50trabalho de vocês? ChatGPT escreve roteiro sozinho
- 58:53agora. Ah, tá, olha e é assim.
- 58:58Quero saber o que que está mudando para vocês.
- 59:00Onde? Onde fica a Lua aperta?
- 59:01Sabe ver 2 pessoas são coisas completamente.
- 59:03Mas é isso que eu quero, a gente está aqui pelo debate.
- 59:07Não assim para. A gente não está afetando assim
- 59:09diretamente por enquanto, né? Todo mundo fala assim, é espero
- 59:11semana que vem. Então sempre falam isso, né?
- 59:14A gente continua fazendo modo tradicional, sei lá, usando
- 59:18software, não dá para falar Photoshop dá, talvez dá, não sei
- 59:22Photoshop crita, sei lá, eu uso software de imagem mesmo ali
- 59:25para desenhar, é animação. A gente anima No No tumboum é
- 59:30edição, a gente faz, sabe, Premiere, usa, after, mas é até
- 59:37agora a gente não fez assim, Ah, vamos fazer essa cena aqui em
- 59:40inteligência artificial. Vamos fazer esse cenário em
- 59:42inteligência artificial. Não, não, não, até agora não.
- 59:47Assim, eu, eu, eu conversando com outros produtores dentro.
- 59:50Agora, do ponto de vista do produtor, né, é, todo mundo fala
- 59:54que é meio assim, vai acontecer. E a hora que os um estúdio
- 59:58começar a fazer, os outros vão ter que fazer, porque senão vão
- 1:00:01vão ser soterrado, vamos dizer assim, né?
- 1:00:03Sempre tem esse papo assim, né? É?
- 1:00:05Se você não usar, você vai ficar para trás.
- 1:00:06É, vai ficar para trás e tal. Mas a gente não eu, eu, eu
- 1:00:09confesso que eu já usei assim o no ChatGPT, por exemplo.
- 1:00:13Ah, putz, AI. É preciso escrever esse projeto
- 1:00:15para amanhã, meu Deus do céu, mas eu, eu nunca peço para
- 1:00:18escrever para mim, né? Eu ou peço às vezes para fazer
- 1:00:21uma revisão ou melhorar, às vezes um parágrafo, alguma coisa
- 1:00:24assim, eu eu acabo usando de vez em quando, mas até por causa da
- 1:00:28da velocidade, tem que fazer as coisas ali, né?
- 1:00:30É, mas não tô roubando emprego de ninguém para fazer isso daí,
- 1:00:34graças a Deus. E mas já aconteceu da gente
- 1:00:37trabalhar num projeto recentemente que chama se mítica
- 1:00:40uma série de mansão infantil. A gente fez prestação de
- 1:00:43serviço. Aliás, ganhei um prêmio semana
- 1:00:44passada. A melhor série de animação do
- 1:00:46animaí, então já está registrado.
- 1:00:48Aí é, e o diretor, o Igor, ele, ele, ele na hora de brifar a
- 1:00:54gente sobre o episódio, em vez dele montar um modeboard, ele
- 1:00:57fazia, usava inteligência artificial para fazer algumas
- 1:01:01imagens. Não que a gente fosse usar
- 1:01:02aquelas imagens. Ó, eu tô pensando aqui, ó, vai
- 1:01:04ter um salão, uma festa no salão de Cuba 1960, ele colocava ali,
- 1:01:08ó, eu fiz aqui, tô pensando uma coisa mais, uns assim e tal,
- 1:01:12junto com as referências visuais, de fotografia da época
- 1:01:15mesmo e tal, ele usava mais pra brifar gente, daí a partir disso
- 1:01:19a gente não usava nada daquilo, né?
- 1:01:20A gente só olhava, Ah, acho que ele quer, acho que ele gostou
- 1:01:23dessa cor e essa cor que você gostou é, eu gostei dessa cor,
- 1:01:25então beleza, fazia um estilo completamente diferente do que
- 1:01:27ele tinha mostrado. Mas assim a gente usar mesmo na
- 1:01:31produção. Eu até agora não.
- 1:01:33Anjo não usou. Ah, eu tenho muito ranço, eu não
- 1:01:36sei. Eu acho que eu sou é.
- 1:01:39Eu tenho tentado me informar a respeito, assim e tal, mas eu
- 1:01:42nunca usei. E assim, eu sei que tem muita
- 1:01:45gente usando, testando, eu sei que assim em publicidade
- 1:01:51pessoal, texto também de review e tudo mais.
- 1:01:55O pessoal tem usado bastante, tem é assessoria de imprensa que
- 1:01:59é. De gente sendo obrigada a usar
- 1:02:01para escrever, ter assim tradução.
- 1:02:05Também. Tradução pessoal, tradução assim
- 1:02:08em mim não chegou assim. Eu eu tenho muito ranço.
- 1:02:12AI eu fico muito incomodada assim da gente.
- 1:02:14Tá todo mundo começando a usar sem ninguém ter pensado se a
- 1:02:17gente deveria, se a gente quer, se a gente quer, se a gente
- 1:02:20realmente precisa, se a gente deveria.
- 1:02:24Se vale a pena, sabe? Tipo, eu acho que tem, não sei
- 1:02:27AA questão ética, eu sei que tipo, talvez daqui a pouco, se a
- 1:02:30gente tá, eu tenho que naturalizar, mas me pega muito
- 1:02:33umas coisas de questão ambiental, de gasto energético,
- 1:02:37de outras coisas assim que eu fico muito chocada assim de tá
- 1:02:40tão naturalizado assim e eu não sei, às vezes eu tenho impressão
- 1:02:44que será que a gente precisa mesmo assim, sabe eu.
- 1:02:47Fico quem que pediu, né? É aquela coisa tipo, vai, vai,
- 1:02:51sabe? Tipo, Ah, é igual.
- 1:02:53Eles vão otimizar essa coisa. É uma coisa meio ilusória, de
- 1:02:57que vai otimizar, sabe? Isso vai, sei lá, tirar emprego
- 1:03:00de alguém ou vai, sabe, tipo criar uma demanda que não
- 1:03:04precisa. Eu não.
- 1:03:05Sei o mercado se move, criando demandas que até então a gente
- 1:03:08não precisava. Né?
- 1:03:09E a gente tá vivendo, sei lá, 50 anos falando que a tecnologia
- 1:03:13vai ajudar a gente a precisar trabalhar menos.
- 1:03:15E a gente só trabalha mais, sabe?
- 1:03:16Então eu não sei. Essas coisas, essas questões
- 1:03:19éticas me incomodam muito assim, sabe?
- 1:03:21Então eu escuto muito. Tarde tudo que eu posso para ver
- 1:03:25o que que a galera tá falando, mas eu meio que tenho muito
- 1:03:28ranço, sabe? Então eu tipo, o valquir fala
- 1:03:30assim, Ah, mas veja ali como que é.
- 1:03:32Eu falo, não, eu não quero. Eu não quero que esse esse troço
- 1:03:35tenha acesso a minha mente, não a minha mente.
- 1:03:39Ele não vai saber o que eu tô pensando, mas sei lá, né?
- 1:03:43Tipo, eu não critico quem tá usando.
- 1:03:47Não condeno assim. Eu acho que também às vezes tem
- 1:03:51pessoas que eu tenho amigas que tipo, Ah, eu sou obrigada a usar
- 1:03:55porque senão eu vou perder o emprego.
- 1:03:56Não sei o que. Não critico quem tá usando.
- 1:03:58Eu entendo que às vezes existem forças maiores do que a gente
- 1:04:02assim. Mas você, você ainda
- 1:04:03particularmente, não tá sendo obrigada e não tem interesse
- 1:04:05nenhum. Eu não tenho vontade nenhuma
- 1:04:07assim. Eu acho que eu vou, sei lá, eu
- 1:04:09falo, eu acho que é é aquela coisa, né?
- 1:04:12Por exemplo, a gente tá fazendo esse projeto de livro infantil.
- 1:04:15Que a gente pegou uma consultoria com o dilon Moraes,
- 1:04:17não sei se conhece. Sou muito fã dele assim, sabe?
- 1:04:20E tipo, ele é um cara que faz todos os livros dele a mão em
- 1:04:24Aquarela e não sei o que sabe, tipo, é claro que existe.
- 1:04:29Sabe o artista às vezes de alguns artistas que vão, né?
- 1:04:34Entrar nesse nessa linha de produção, sabe?
- 1:04:37Mas eu sei lá, talvez eu vou ficar nesse lugar.
- 1:04:39Espero, né? De tipo talvez o meu trabalho se
- 1:04:43torne mais artesanal do que um tempo, do que de outras pessoas,
- 1:04:47talvez, não sei, sabe? Não sei, não, não senti
- 1:04:50necessidade ainda, prefiro ainda fazer do meu jeito assim, mas eu
- 1:04:56não sei. É um tema que é muito difícil,
- 1:04:57porque me dá muito. Finalizar então nesse nosso papo
- 1:05:05maravilhoso, onde é que as pessoas podem acompanhar o
- 1:05:07trabalho de vocês, contatos, arroba?
- 1:05:10Instagram aí talvez seja o lugar mais fácil, né?
- 1:05:14Que a gente sempre tenta pelo menos colocar mais ou menos ela.
- 1:05:16Vai acontecer tal coisa e tal. Acho que é pra ali, né?
- 1:05:19Que a gente consegue ser um pouquinho mais ativo, talvez.
- 1:05:22E olhe lá, somos muito. É, a gente não é muito, a gente
- 1:05:25não é muito perfil, né? Quais Instagram, arroba?
- 1:05:28Arroba Carol underline Sakura. É arroba valkir Fernandes, tudo
- 1:05:33junto com WEK. E o arroba dogzil Studio?
- 1:05:37Que está aqui na? Também está ali.
- 1:05:38É, é obrigada a gente pela participação de vocês.
- 1:05:41Foi muito legal essa conversa, sendo que a gente não pode
- 1:05:42conversar mais, a gente vai ter que pedir.
- 1:05:44Se vocês gostaram, por favor, peço uma continuação número 2
- 1:05:47aqui na próxima temporada, a gente traz de novo a Carol e o
- 1:05:50valkir. E se você está ouvindo esse
- 1:05:52podcast, por favor, deixa um like.
- 1:05:53Se você gostou, deixa um comentário, participa dessa
- 1:05:55conversa com a gente. Você também pode assistir, né?
- 1:05:58Ver as nossas belas faces, se você está vendo no YouTube e é
- 1:06:02isso, obrigada. Pessoal, obrigado, obrigado pelo
- 1:06:04convite. Aí aqui dentro, tchauzinho,
- 1:06:06tchau, tchau, obrigado, viu?