Latest / Decantando Ideias / Decantando Ideias #25: ESG sem clichê, o vinho que respira convicção
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- Olá! Que bom que você chegou para mais essa pausa, essa reflexão aqui com a gente. Sabe aquele clima de fim de tarde? A gente desacelera, talvez abra um vinho. E observa, é bem nesse espírito que a gente gosta de decantar ideias. Deixar que elas mostrem suas cores de verdade, sabe? Além da primeira impressão. É disso que se trata. Que ótimo começo. E hoje, essa nossa decantação vai para um tema super presente nas conversas corporativas, né? Mas que corre o risco donado de virar só... Só fachada. O ISD. Ambiental, Social, Governança. Virou quase um mantra. Mas será que a gente está indo fundo mesmo? A inspiração, claro, vem da coluna Decantando Ideias, do Alexandre de Sales. E o título de hoje já provoca. ISD, sem clichê, o vinho que respira convicção. É sempre bom a gente lembrar de onde vem essa inspiração toda. Alexandre de Sales, ele não é só um nome, né? Tem uma bagagem e tanto aí. Exato. Ele é fundador e CEO da S Consultoria. Um estrategista, olha, com mais de 30 anos de experiência, sabe? Já foi C-level e multinacional grande. E a coluna dele no Substack, Decantando Ideias, é esse espaço onde toda semana ele cutuca a gente a pensar diferente. E essa metáfora do vinho que ele usa tão bem, não é à toa. Reflete muito a crença dele na importância do tempo, sabe? Da maturação, da profundidade para as ideias e para as estratégias, claro. É um contraponto bem direto essa pressa toda, essa superficialidade que a gente vê tanto por aí. Faz total sentido. É comum um convite para a gente resistir aquele pensamento meio fast food na estratégia, né? Então vamos nessa, mergulhar nessa metáfora do vinho aplicada ao ESG. A imagem que ele traz primeiro é essa, servir o vinho e esperar, em silêncio. O que tem de tão revelador nessa espera? Ah, essa pausa, ela é chave... Pensa comigo, você serve o vinho, o primeiro impulso é cheirar rápido, talvez dar logo um gole, né? Mas quem entende um pouco mais sabe que tem que esperar, deixar o vinho respirar ali na taça, o oxigênio libera, tipo, camadas de aroma, de sabor, coisas que não estavam ali na cara no primeiro instante. É quase um respeito pela identidade da bebida, sabe? Deixa ela se mostrar por inteiro. Entendi. Não é só ter paciência. É um jeito de acessar a essência mesmo. E como isso se liga com o SG que a gente vê nas empresas? A ligação é muito direta e forte. O Alexandre argumenta que muito do ISD que está aí hoje é como aquele primeiro cheiro apressado, sabe? Um rótulo bem impresso, uma comunicação bonita para fora, cheia de intenção declarada, mas... Assim como o vinho precisa respirar para mostrar quem ele é de verdade, o ISD das empresas precisa ser visto ao longo do tempo, nas práticas mesmo, para a gente saber se tem substância ali ou se é só, como ele diz, maquiagem. Uma fachada bonita, mas sem nada muito profundo por trás. Maquiagem corporativa. Isso soa como tentar esconder algo ou parecer o que não se é. Que tipo de maquiagem seria essa no mundo ISD, pelo que o Alexandre analisa? Olha, ele é bem crítico com esse ISD de superfície. A comparação que ele usa é, assim, impactante. Uma medalha dourada colada em garrafas frágeis. Uau, medalha colada. É aquele tipo de coisa que não resiste a um olhar mais atento, a um questionamento um pouquinho mais sério. E na prática mesmo, como essa fragilidade aparece? Que exemplos ele dá para a gente visualizar essa medalha colada? ele aponta para coisas bem comuns que a gente vê direto no mundo corporativo. Por exemplo, aqueles relatórios de sustentabilidade enormes, sabe? Lindos na forma, cheios de jargão, de slogan verde. Mas aí você vai investigar as ações por trás daquilo tudo e percebe que o impacto real é mínimo. Ou totalmente desconectado do negócio principal da empresa. É mais comunicação do que outra coisa. Relatórios que são mais marketing do que, de fato, prestar contas. O que mais? Outro ponto é a diversidade nos conselhos, por exemplo. A gente vê aquelas fotos oficiais, uma composição que parece diversa, o que é ótimo para a imagem, claro. Mas, segundo a análise dele, tem que ir além da foto. Será que as decisões estratégicas continuam sendo tomadas do mesmo jeito, com a mesma lógica de sempre, sem que aquelas visões diferentes influenciem de verdade o rumo? Se a diversidade não vira pensamento diverso na hora de decidir, aí corre o risco de ser só enfeite. Entendi. A representatividade fica ali, na superfície. Mas não muda a dinâmica de poder nem a cultura de decisão. Exatamente. E tem um terceiro exemplo que ele usa que é muito bom. As promessas ambientais gigantescas. Sabe, metas de longo prazo, anunciadas com pompa. O problema, ele aponta, é quando essas promessas não vêm junto com um plano de ação concreto, com investimento real, com mudança de processo de verdade. Aí o tempo passa e elas evaporam como álcool exposto ao sol. Vão perdendo a força, caem no esquecimento, são adiadas... Evaporam como álcool exposto ao sol. Essa imagem da promessa que some é muito forte, né? Mostra bem a falta de substância. É justamente essa falta de substância que define o ISD superficial. O Alexandre chama de o que não respira. E aí vem outra comparação ótima dele. Ele compara com um vinho verde. Não aquele português de qualidade, mas a ideia de um vinho feito rápido demais, sabe? Jovem demais, talvez meio áspero, instável. Um vinho que tem pressa de ir para o mercado, de mostrar um rótulo legal, mas que não tem estrutura, não tem complexidade, não tem capacidade de guarda. Ou seja, não melhora com o tempo, não foi feito para durar. Um vinho para consumir na hora, sem pensar no que fica depois. E essa pressa toda levaria a quem, então? Levaria ao que ele chama de um teatro de responsabilidade. É uma encenação pura e simples. Teatro? É. A empresa monta o palco, veste o figurino SG, fala o texto certinho sobre propósito, sustentabilidade. Mas olha, por trás da cortina, as práticas de verdade, a lógica do negócio, continua tudo igual. É uma performance para a plateia investidor, consumidor, sociedade, mas sem uma mudança interna real, genuína. Teatro de responsabilidade. É uma crítica bem direta, hein? Se tem tanta encenação assim, como é que a gente que está observando, seja como investidor, consumidor, colaborador, consegue separar as coisas? Como saber se é esse vinho verde corporativo ou se é algo que tem valor de verdade? O teste que o Alexandre propõe é justamente aquele do começo. Tem que deixar respirar, não ir pela primeira impressão, sabe? Pelo rótulo bonito, pelo discurso que soa bem. É preciso observar a coerência, o que a empresa diz e o que ela faz, de forma consistente, ao longo do tempo. Uma ação isolada, uma campanha de marketing bonita, um relatório anual caprichado, isso não basta. Tem que acompanhar taça após taça, como ele diz. Ver como a empresa se comporta em várias situações, diante de desafios diferentes. Então o tempo é que mostra a verdade. É o grande revelador da autenticidade. Sem dúvida. O Alexandre argumenta que a falta de convicção de verdade acaba aparecendo. A textura da iniciativa ESG Superficial, ele diz, desmorona ao primeiro contato com o oxigênio. E este oxigênio pode ser uma crise econômica, pode ser pressão por resultado rápido, pode ser uma decisão difícil onde fazer o certo parece mais caro. Ah, entendi. Nesses momentos, a empresa que só fazia teatro tende a largar o discurso ISG e voltar para o jeito antigo de fazer as coisas. A maquiagem borra, né? A fachada começa a trincar. Faz sentido. A resiliência da prática ISG quando as coisas apertam é um sinal importante. Ok, se a superficialidade é o vinho verde, qual seria o outro lado da moeda? Como Alexandre descreve o ISG autêntico, usando essa mesma linguagem do vinho. Ah, aqui a metáfora fica ainda mais legal. O ISG genuíno, aquele que vem da convicção mesmo, ele compara a um vinho de guarda. Pensa naquele vinho especial que não foi feito para beber logo. Ele tem estrutura... tem complexidade, tem potencial para evoluir na garrafa por anos, às vezes décadas. Ele não tem pressa. Ele sabe que o tempo joga a favor dele. Ele não precisa ficar gritando as qualidades, sabe? Elas aparecem naturalmente para quem sabe apreciar. Um vinho de guarda corporativo. Gostei da ideia. E quais seriam as características desse tipo de SG? O que faz ele ser tão diferente da versão superficial? A diferença já começa na intenção e aí se reflete em tudo. Esse SG vinho de guarda não está com pressa de criar slogan ou lançar campanha chamativa para impressionar. Pelo contrário, o foco é em cultivar práticas que sejam consistentes e integrar a responsabilidade ambiental, social, de governança nos processos principais do negócio. Não é algo à parte, entende? É parte do jeito da empresa operar. Então não é só um departamento isolado de SG ou de sustentabilidade. Exatamente. Na visão do Alexandre, o SG autêntico não pode ser só um departamento, nem só um monte de indicador bonitinho para enfeitar relatório anual. Precisa ser um traço da cultura da empresa. Ele usa uma expressão muito forte, uma convicção que circula como sangue na veia da organização. Sangue na veia. Uau! Isso sugere algo vital mesmo, né? Que não dá para tirar ou ignorar sem afetar tudo. E como essa convicção aparece no dia a dia, além dos grandes anúncios? Ela se revela em ações que às vezes são até discretas, mas que têm um peso enorme. O Alexandre cita exemplos bem concretos. O cuidado de verdade com as condições de trabalho, com o desenvolvimento das pessoas lá na base da operação, não só com o pessoal do topo. Certo. A coragem de dizer não para um negócio que seria super lucrativo, mas que fere os valores éticos ou socioambientais da empresa. E claro, as iniciativas que reduzem de fato o impacto ambiental ou que geram valor social real, mesmo que não virem foto bonita ou manchete de jornal. O foco é na substância, não no show. Isso me faz pensar que o ESG autêntico talvez seja menos sobre comunicação para fora e mais sobre transformação para dentro. menos sobre parecer bom e mais sobre ser bom, de forma consistente e integrada. Nesse contexto todo, o que significa exatamente decantar o ESG? Decantar o ESG, nessa visão que o Alexandre traz, é justamente esse processo de separar a essência da aparência. Sabe como a gente decanta um vinho para separar o líquido limpo da borra que se forma com o tempo? Sei, sim. Então a ideia é decantar as iniciativas ESG para separar o que é feito só por conveniência, para seguir a onda, para agradar investidor, para evitar crítica, daquilo que nasce de uma convicção real, de um propósito autêntico mesmo. É deixar que a prática, observada com calma, com critério, revele a motivação verdadeira por trás da sigla. E essa convicção, quando a gente identifica, como ela se prova com o tempo? Como a gente sabe que não é só uma conveniência um pouco mais bem disfarçada? A prova da convicção está na persistência dela, na consistência, muitas vezes no silêncio. Como diz o Alexandre, ela se revela no silêncio de uma taça bem servida. Não precisa de barulho o tempo todo. A prova está na persistência do aroma, ou seja, na continuidade das boas práticas, mesmo quando a tensão de fora diminui, quando o assunto sai um pouco de moda ou quando ninguém está olhando. A prova está no frescor que sustenta o tempo, na capacidade da empresa de manter os compromissos e valores, mesmo com as turbulências do mercado, com crise econômica, com mudança de cenário. É a qualidade que fica, que se aprofunda com o tempo, igual um bom vinho de guarda. Ok, acho que a metáfora ficou claríssima e muito poderosa. Se a gente fosse destilar a essência dessa reflexão toda, qual seria a grande síntese? O que é mais importante guardar dessa comparação entre SG e vinho? Olha, o que é realmente fascinante aqui, e que resume bem a provocação do Alexandre, é essa distinção-chave entre duas formas de encarar o ESG. De um lado, a gente tem o ESG como o rótulo vistoso. Pode até chamar atenção no começo, parecer moderno, responsável, mas falta alma, sabe? O aroma some rápido, não aguenta o tempo, nem um olhar mais crítico. É o vinho verde apressado, feito para impressionar isso só. Do outro lado, tem o ESG como convicção. Esse sim tem alma, tem história para contar, tem durabilidade, tem a complexidade e a profundidade de um vinho de guarda. É algo que se integra na identidade da empresa e que enriquece ela com o tempo. Retomando então a imagem da taça lá do início, a escolha que as empresas têm pela frente parece ser bem existencial, né? É decidir que tipo de vinho elas querem ser. Querem ser lembradas pela autenticidade que dura, por respirarem alma e história, como esses vinhos de guarda, ou preferem ser só rótulos vistosos que impressionam por um momento, mas cujo aroma a substância se perde logo depois de abrir. No fundo, é uma decisão sobre o legado que elas querem deixar. Perfeitamente colocado. É uma escolha sobre a substância por trás da imagem, sobre a verdade por trás do discurso. E essa escolha tem consequências profundas não só para a reputação, mas para a resiliência e para o valor de longo prazo da empresa. E essa conversão toda sobre autenticidade versus superficialidade, que o Alexandre explora tão bem com a metáfora do vinho no ESG, me parece que vai muito além desse tema específico. Não vai? Ela toca em questões centrais de liderança, de estratégia, coisas que ele aborda sempre lá no Decantando Ideias. Sem a menor dúvida. A busca por consistência, por decisões que tenham alma, por estratégias que não sejam só reativas ou baseadas na moda do momento, mas que tenham profundidade, propósito real. Isso é um fio condutor claro nas reflexões dele. A necessidade de deixar respirar as ideias, de dar tempo para a estratégia amadurecer, de valorizar a convicção acima da conveniência, tudo isso serve para um monte de desafios que as empresas e os líderes enfrentam hoje. Isso abre um caminho bem interessante para a gente conversar mais para frente, talvez explorar como essa busca por consistência, por essa alma corporativa, aparece em outras decisões importantes, gestão de pessoas, inovação, como lidar com a incerteza. Fica a ideia aí. Ótima ideia. E para quem está acompanhando a gente e ficou com vontade de ir mais fundo nessas provocações, de continuar decantando ideias direto na fonte, o convite está feito. Assinar a coluna Decantando Ideias do Alexandre de Sales no Substack é o melhor jeito de receber essas análises que instigam toda semana. O endereço é fácil, alexandredesales.substack.com. Vale muito a pena, viu? Excelente recomendação. E para a gente fechar nossa conversa de hoje, fica aí poando a pergunta que o próprio Alexandre deixa no final dessa reflexão sobre o SG. Uma pergunta que com certeza não cabe em relatório nenhum, mas que deveria guiar muitas decisões. Enquanto a última gota escorre, fica a pergunta que não cabe em relatórios. Queremos ser lembrados como vinhos de guarda, que respiram alma e história, ou como rótulos vistosos que perderam o aroma logo após serem abertos. Uma pergunta para levar para pensar, né? Sem dúvida. Reforce o convite para explorarem mais lá no alexandredesales.substack.com. A gente agradece demais acompanhando essa reflexão e espero encontrar vocês em breve para decantar novas ideias. Até lá!