Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #238 O Contracolonialismo de Nêgo Bispo
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- 0:01Essas regras. Olá, tudo bem?
- 0:11Hoje eu vou compartilhar os bastidores da entrevista que
- 0:14realizei com o contra colonial nego bispo.
- 0:18A conversa foi gravada para o podcast de educação do instituto
- 0:22claro e uma edição dela com 8 minutos, foi publicada no site e
- 0:26nas plataformas de podcast em 21 de março deste ano.
- 0:31Então, vamos lá, em cursos universitários, com destaque
- 0:35para os de formação de professores.
- 0:37A perspectiva the colonial já é uma realidade.
- 0:41A proposta é a de questionar a hegemonia de uma cultura, euros,
- 0:44entrada e, mais recentemente, tem ganhado espaço também o
- 0:49ponto de vista contra colonial. O termo foi cunhado pelo
- 0:54quilombola poeta e escritor Antônio bispo dos Santos, mais
- 0:58conhecido como nego bispo. Viu os vivos, porque todas as
- 1:04vidas são necessárias. Então eu sou registrado em
- 1:10cartório como Antônio Luiz dos Santos.
- 1:12Mas sou conhecido como nego bispo, velho bispo, e as pessoas
- 1:17vão me chamando da maneira que convém a elas.
- 1:19Eu vou respondendo da maneira que me convém.
- 1:22Sobre quilombola? É no Quilombo.
- 1:26Eu pratico a agricultura, a lavoura, sou lavrador.
- 1:30Para manter a minha sobrevivência?
- 1:34E na luta no Quilombo. Eu hoje discuto muito mais os
- 1:40protocolos de licenciamento, quando os grandes
- 1:42empreendimentos chegam nos quilombos, mas também disputando
- 1:46das nossas pautas como regularização territorial, como
- 1:50reação do nosso povo a partir das nossas trajetórias, dos
- 1:54nossos posicionamentos. Nego bispo para começar, como é
- 1:57que surgiu essa ideia de contra colônia?
- 2:00Li dade. Eu fui adestrador de animais
- 2:04para serviço e adestrando animais.
- 2:06Eu percebi que adestrai colonizar é a mesma coisa.
- 2:10O método é igualzinho. Mas também eu atuei num
- 2:13movimento sindical, num movimento partidário, nos
- 2:16movimentos das lutas sociais. Nos movimentos lá, essas multas
- 2:20sociais. Eu percebi em determinado
- 2:23momento que os repertório eram os mesmo A direita e esquerda
- 2:28trabalham para o mesmo repertório.
- 2:31Mas quando eu aprendi na condição de adestrador.
- 2:34Que o adestrado, a primeira coisa que ele faz é nominar.
- 2:38Porque quem nomina domina ace de nominar é a dominar.
- 2:43Então, percebi que os colonialistas também fazem a
- 2:45mesma coisa. A primeira coisa que os
- 2:47colonialistas fazem é dominar lugares, pessoas.
- 2:51É chess. Tô.
- 2:53E aí eu percebi que a gente precisava ter uma guerra das 10,
- 2:56dominações. E aí foi pensando Na Na guerra
- 3:00das denominações que eu comecei a denominar também os gestos, os
- 3:06modos 2. Porém, a lista.
- 3:08E aí nessas denominações, eu percebi que você luta contra o
- 3:14capitalismo, é você com não está contra um instrumento, mas não
- 3:19é. Você não está contra a causa
- 3:21desse instrumento. Você não está contra várias
- 3:24questões que estão fragmentadas na sociedade.
- 3:27Você lutar contra os efeitos e não contra as causas.
- 3:30Aí compreendi que a grande causa das maiores mazelas que nós
- 3:35temos no mundo hoje é o qual realismo?
- 3:38Então, o que que eu pensei? Se você tem um veneno, você
- 3:43pensa ter o antídoto. Então, qual o motivo do paulismo
- 3:48contra colonialismo? Então, contra colonialismo?
- 3:51Chega nessa situação, é uma denominação que eu utilizo.
- 3:57Para não minar as nossas trajetória, a trajetória dos
- 4:01quilombola e a trajetória dos povos indígena.
- 4:04Então o contra colorismo não é uma teoria.
- 4:09É uma trajetória, é uma prática, é um modo de vida, é uma
- 4:12experiência de vida. Então, quando eu escrevi sobre
- 4:16contra colonialismo, eu nem sabia.
- 4:19Que tinha alguém tinha escrito sobre a década o realidade.
- 4:22Bom, eu já ouvi também. Quem critica não é o contra
- 4:25colonial dizendo que o the colonial já daria conta de tudo.
- 4:30Então eu queria que você explicasse por que, mesmo assim,
- 4:34você defende esse conceito do contra colonial?
- 4:38Nego bispo, quando essas 2 denominações se encontram,
- 4:42começa a haver alguns atritos e, consequentemente, alguns
- 4:45conflitos. E as pessoas começam a me
- 4:48pressionar para dizer que. Já massa o the colorismo, se já
- 4:52está discutindo, depois realismo já é suficiente.
- 4:55Não precisa trazer um termo novo.
- 4:58Porque trazer um termo novo é fragmentar um termo que já
- 5:01estava se consolidando. E aí, o que eu começo a
- 5:05argumentar que é que é o contrário?
- 5:08Cabe AD formalidade e cabe o contra formalismo, porque quem é
- 5:13que vai fazer? AD clone alidade é quem de fato
- 5:17foi colonizado, se você foi colonizado.
- 5:21E isso te incomoda? Você vai precisar lutar para se
- 5:25descolonizar e descolonizar os seus.
- 5:29Isso é a função da decorei alidade, eu sou quilombola, eu
- 5:33não fui colonizado porque se eu tivesse sido colonizado, não
- 5:36seria quilombola. Eu seria um negro incluído na
- 5:40sociedade Brasileira e eu não sou um negro incluído.
- 5:44Então, no meu caso todo, foi colonizado, eu tenho que contra
- 5:48colonizar e que o que é contra a colonizar é contrariar o
- 5:52colonialismo. É impedir que ele aconteça.
- 5:56Então, essa hoje. Hoje, porque ele continua
- 6:01acontecendo. Colonialismo é, porém, tem umas
- 6:03pessoas que falam de pós colonialismo, essas pessoas
- 6:06estão navegando nada. Não existe.
- 6:09Eu posso falar o realismo, porém ali não está aí vigente cada vez
- 6:12mais sofisticado. Os europeus vieram aqui no
- 6:16início, levaram o Pau Brasil, estão levando o quê?
- 6:18o Sol? O feito.
- 6:22Todos os grandes empreendimentos de energia que eles chamam de
- 6:25energia. É limpa?
- 6:29Limpa para quem limpa como vai nos quilombos, onde tem um
- 6:34parque de energia eólica e lá você vai ver o que que
- 6:37acontecido com as outras vidas que viviam naquele espaço.
- 6:41Onde tem energia é fotovoltaica. Então não é tão limpa assim, mas
- 6:48mesmo que fosse tão limpa assim, quem é que, de quem são esses
- 6:50parte dos europeus? Pô, levar no Pau Brasil.
- 6:54Então, levando em sol, estão levando o tempo e os coloniza.
- 6:5812 o povo dito brasileiro colonizador.
- 7:02Festejando. Então, nós.
- 7:07Contra a caloria lista estão disputando o Sol, estão
- 7:11disputando o vento com esse povo, olha, o Sol é nosso, o
- 7:15vento é nosso e vocês não podem levar tudo isso.
- 7:18Então contra colonialismo, ela luta concreta do cotidiano e eu
- 7:23não sou um pensador, eu não sou escritor, não sou poeta, apenas
- 7:28eu sou tudo isso dentro da luta contra a diarista, você acabou
- 7:32de dizer que quem nomina domina. Achei isso interessante.
- 7:36Pensando dessa forma, quem teria criado essa questão do the
- 7:40colonial? E só para ver se eu entendi o
- 7:43que é um ponto de vista contra colonial, a escrevi, vivência
- 7:47que é associada a Conceição Evaristo.
- 7:50Quando ela diz que escreve de dentro do quarto da empregada,
- 7:54com o ponto de vista da empregada, e não, por exemplo, é
- 7:58o olhar de uma patroa para aquele quarto da empregada.
- 8:03É eu. Eu não sei se eu estou
- 8:05entendendo direito, né? Mas essa escreve vivência da
- 8:08Conceição Evaristo, seria um ponto de vista contra colonial?
- 8:12Não sei se se faz sentido. Não é isso?
- 8:15Mesmo assim, a Conceição Evaristo, ela pode nem se dizer
- 8:18contra colonialista. Mas ela pratica o contra
- 8:22colonialismo, embora ela não diga é.
- 8:25Bom. E aí, quando nós estamos
- 8:28dizendo. Que quem domina, domina.
- 8:33Tem um senhor nas academia hoje, porque o contra colonialismo
- 8:39hoje é irreversível. É um conceito dentro da
- 8:43academia, é uma trajetória, é uma prática Na Na vida
- 8:47cotidiana. Os quilombolas sabe o que que é
- 8:51contra colonialismo? Se você perguntar pro para os
- 8:53quilombolas, principalmente os mais novo, que que é contra a
- 8:55COL? Investiria?
- 8:56Mas se você perguntar pra eles o que que é da comunidade, eles
- 8:59não sabem. Com é também não sei.
- 9:01Eu tenho perguntado aos d coloniais.
- 9:04Então qual é a trajetória de vocês?
- 9:06Que questão mundo vocês resolveram a partir dessa
- 9:08dominação? Diga algum um nobre vinde que
- 9:13vocês podem chamar de um modo de vida the colonial ele não tem
- 9:17porque a the colonial idade é uma teoria, não é uma trajetória
- 9:20e quem denominou quem trouxe esse termo, esse conceito de
- 9:24dizer qual união foram os acadêmicos.
- 9:27Parte deles, indígenas. Parte dele da América do sul,
- 9:31mas os europeus também gostaram. Os europeus também, então a
- 9:34decolou realidade e não virou um repertório comum.
- 9:36Você é um repertório comum, não tem contradição?
- 9:39Ou se tem contradição, mas não tem contraposição.
- 9:42Até tem encontrar essa muito em contraposição.
- 9:45Qual é o incômodo hoje no na alguns setores da sociedade
- 9:49colonialista é que quem faltou contra colorismo foram os
- 9:54quilombola. A primeira pessoa que escreve.
- 9:58E alcança as academia com essa denominação contra colunismo
- 10:03foi? O tribunal é chamado de cobiça.
- 10:06Então isso incomoda, incomoda, porque o contra a qual ele é um
- 10:09conceito quilombola, é um conceito preto, é um conceito
- 10:13afro Pindorama, porque os indígenas também é, concordaram
- 10:17os indígenas também. Os boa parte deles ou usando o
- 10:20conceito contra colonialista, por exemplo, um grande é
- 10:24companheiro nosso da luta, que é o cacique babau.
- 10:27Tá Sigma, Val e o povo, né? Tupinambás tiveram uma sacada
- 10:31extraordinária, por exemplo, enquanto o MST de reforma
- 10:34agrária. Em todo o mundo de reformar
- 10:37Dário, que que é viciado retomada.
- 10:41Aí A direita não concorda. Aí Oo colonialismo não concorda.
- 10:45Isso é contra a valores, porque é uma nominação diferente.
- 10:48Então, enquanto nós dissemos contra colonialismo, os índices
- 10:51eram retomada e nós estamos juntos, é outro dia.
- 10:53Eu conversando com babau, isso foi lindo.
- 10:56Eu perguntei Pra Ele assim que babau.
- 10:58Eu digo que nós não somos afro-brasileiros, nós somos
- 11:01afro, Pindorama, mico, porque quando eu falo de África eu falo
- 11:05de um lugar. Quando eu falo de Pindorama,
- 11:07também não falo de um fundo. Eu falo de um lugar, porque
- 11:09quando os colonialistas chegaram aqui.
- 11:12Uns povos originários, chamava aquele lugar onde chegaram de
- 11:16Pindorama, Terra das Palmeiras. Então aqui é Pindorama, aqui não
- 11:22é Brasil. Para nós aqui é piora.
- 11:25E no avião e África, então, um encontro a confluência entre
- 11:28africanos, né? E pô, vindoura.
- 11:30Nico eram contra o afro Pindorama.
- 11:32Aí eu perguntei pro babau, babau, a gente pode mesmo dizer
- 11:35isso? Porque eu tenho sido questionado
- 11:37porque isso não são vários povos indígenas, não foi o fato de não
- 11:39ter Pindorama não é um povo, Pindorama é um lugar.
- 11:43Como África, não é o povo África é um lugar denominado também por
- 11:47ele e babau super me, disse nego bispo.
- 11:50Boston é junto, é confluência na retomada.
- 11:54Confluência na retomada seria a união dessas Ideas, mesmo com
- 11:58origens diferentes, que têm uma mesma questão, que é o contra
- 12:03colonial. Exato, então o que é que ocorre?
- 12:06Contra pluralismo. Hoje ele traz vários conceitos
- 12:09dentro dele e isso é que deixa ele irreversível, porque dentro
- 12:13do contra colonialismo você tem a confluência.
- 12:16Dentro do contra colonialismo, você tem a 1000 interação dentro
- 12:20do contra colonialismo. Você tem o saber orgânico do
- 12:23saber. Sintético você tem o saber
- 12:25linear e o saber circular. E dentro do contra colorismo
- 12:29você tenha kosmou fobia que a doença dos colonialista então
- 12:33são vários conceitos. Que se encaixaram dentro da
- 12:37nossa trajetória, tanto dos quilowatts.
- 12:39Vamos descolar os indígenas. Hoje nós temos pessoas
- 12:41maravilhosas, como a Geni Nunes, que é o contra colonialista,
- 12:45ferrenha, numa língua super afinada de uma escrita feminina.
- 12:50Sabe, nós temos nosso grande amigo aí, outro canach que,
- 12:53embora ainda não use muito, é. É é esse termo, mas uma prática
- 12:58dele, a língua super afinada. E os questionamento, por
- 13:01exemplo, você diz humanidade? Ele desflorestamento floreste da
- 13:05desse então, nós estamos nessa disputa de narrativa e nós
- 13:09estamos ganhando nego bispo, você disse que o cacique babau
- 13:12fala em retomada. Daí a gente pode imaginar que
- 13:16não faz nenhum sentido dizer Descobrimento do Brasil, então
- 13:20se eu for professor. E na sala de aula, utilizar
- 13:24achamento ou invasão de Pindorama em vez de
- 13:29Descobrimento do Brasil, eu estarei sendo contra colonial?
- 13:33Aliás, qual seria o termo contra colonial para esse momento da
- 13:39nossa história, AO tempo contra colonial?
- 13:42Ou é retomada? Já que o Brasil não foi
- 13:46Descoberto, ele foi. Atacado, invadido.
- 13:51Ele foi tomado dos seus povos originários, como ele foi
- 13:54tomado. O conceito é retomada, está em
- 13:58pleno vigor porque a retomada não trata só da retomada.
- 14:03Da Terra? Trata da retomada nos modos de
- 14:06vida, a retomada das línguas, a retomada das águas dos ventos de
- 14:1130 é a retomada mesmo valendo a retomada dos saberes.
- 14:16Ou seja, chegaram do povo quilombola e do povo indígena
- 14:19nas universidades como cotista. Fez com que hoje nós que não
- 14:25fizemos a academia, eu não fiz. Eu estudei só até a oitava
- 14:28série. Apesar de uma escrita.
- 14:29Então o nosso povo aguentaram pelas cotas e nós, então, pelos
- 14:33encontros de saberem pelas outras maneiras.
- 14:36E hoje nós estamos botando um conteúdo, ou seja, até.
- 14:41Pouco tempo atrás, se discutir nas universidade, teoria se
- 14:44discutia. É várias questões, euro cristão,
- 14:48monoteísta, várias questões escriturado ou seco, como é do
- 14:52debate 2000. E esse daí até recentemente,
- 14:55você. Primeiro escrevia.
- 14:58Para depois falar. E depois você falava para
- 15:02escrever de novo. O que que mudou hoje?
- 15:04Primeiro se fala para depois escrever e depois se escreve
- 15:08para falar de novo. A oralidade é a matriz da base
- 15:15pulsante das dos debates nas universidades.
- 15:18Então hoje se fala nas universidade, se fala em
- 15:21cosmologia e cosmogonia, antropoceno e, enfim, um do
- 15:26totalmente debate. Então, para falar de tudo isso
- 15:28para essa dediquem dos povos indígenas, fala que tem um bola
- 15:31EE nessa questão, você estudou até a oitava série, pelo que eu
- 15:35li, você foi o primeiro a se alfabetizar na sua família.
- 15:38É quando você estava na escola. É numa escola que eu imagino que
- 15:43não era contra colonial. Não é?
- 15:45Você se sentia ofendido com o que estava ali nos livros?
- 15:51O que você aprendia na escola, como é que você lida?
- 15:53Va é com isso. É os livros didáticos, de certa
- 15:58forma, eram ofensivos à sua maneira de de ser, de pensar.
- 16:03Eu nem me senti ofendido e nem me senti empolgado porque não
- 16:09deu tempo porque a nossa comunidade não me largou lá
- 16:12sozinho. O que que ocorria?
- 16:15É de segunda a sexta. Eu ia para a escola.
- 16:19E no sábado e no domingo, a comunidade me cercava, me
- 16:22convidava para uma ordem de conversa, trazia tudo quanto era
- 16:25de papel que encontrava para que eu lesse pedaço de revista que
- 16:29eles achavam tá aí o qualquer coisa.
- 16:31Bula de remédio, qualquer coisa que tivesse escrito é de dizer a
- 16:34lei. O que é isso?
- 16:34E diga para nós. O que que você está entendendo?
- 16:37Pelo que está escrito aí eu lia e dizia, e depois não é assim
- 16:42não? Quem escreveu isso aí?
- 16:44Estava pensando naquilo ali e queria nos enrolar naquilo
- 16:48acolá. Ou seja, a escrita para nós.
- 16:52Ela veio com uma quebra dos contratos orais.
- 16:55Os contratos públicos, que são as escrituras, as escrituras,
- 16:58vieram para quebrar os contratos orais e para quebrar o nosso
- 17:02saber. E aí?
- 17:04A minha comunidade não deixou acontecer isso comigo.
- 17:07Eu passava para o final de semana lendo carta, escrevendo
- 17:09carta, fazendo contabilidade, livros EE açougue de
- 17:13marchantaria e tudo e traduzindo.
- 17:17O escrito para oralidade e eles analisando.
- 17:21Essa tradução e me ajudando a analisar.
- 17:24Então eu fui criado para isso que eu estou fazendo até hoje.
- 17:27Até hoje eu faço isso no ombro. Quando chega um?
- 17:32Empreendimento nos quilombos da nossa região.
- 17:36Dizendo que quer discutir protocolo de licenciamento que
- 17:39quer discutir estudos de impacto ambientais, a comunidade me
- 17:43chama para ajudar a traduzir o EIA rima e só depois que a gente
- 17:47tem uma conversa preliminar é que o empreendimento entra.
- 17:51Agora eu fiquei curioso para saber se existe alguma escola
- 17:53hoje no Brasil que seja contra colonial realmente nesse
- 17:58momento, existem várias áreas que a gente dizer.
- 18:01Pronto, hoje nós temos aqui no complexo do alemão.
- 18:04A escola, que lobista Dandara de Palmares é uma escola contra
- 18:08colonialista, onde as pessoas de manhã não é em um turno, vão
- 18:12para a escola colonialista, para escola convencional aprender a
- 18:15linguagem colonialista, aprender o jeito de pensar colonialista,
- 18:20mas na no outro turno vão para a escola da comunidade, que é
- 18:23informal aprender o jeito de viver na favela.
- 18:27E aprendeu o jeito de pensar contra a Paulista.
- 18:30Então essa é um das escolas, nós temos outros grandes escolas
- 18:33contra colonialista. Que é Oo Quilombo téron d.
- 18:37E aí que eu fiquei Valença, na Bahia, que tem como um dos
- 18:40coordenadores O Mestre cobra Mansa, da capoeira Angola.
- 18:43O Quilombo até não ver tem uma atividade anual chamado Cosmo
- 18:47Angola, que é uma mistura da do co mo grande de bakongo.
- 18:51Com a capoeira Angola. E aí é onde a gente pensa, o
- 18:56mundo a partir das nossas cosmologia e das nossas parte
- 18:59das nossas trajetórias, que tem várias experiências.
- 19:02Hoje acontecendo. Tem uma escola na Bahia, tem
- 19:04várias escolas, então nós temos várias escolas contra
- 19:06colonialista, que nós estamos chamando de escolas próprias.
- 19:09Essas escolas fazem, basicamente o que acontecia com você quando
- 19:12estava sendo alfabetizado, né? Você ia à escola depois, quando
- 19:16chegava na sua comunidade, tinha ali a roda de conversa, é o
- 19:20saberes orais que Eu Acredito que re significava aquele
- 19:25aprendizado da leitura. A aquela escolarização.
- 19:29Vamos chamar assim, né? Então, algumas pessoas pensam
- 19:33que o Quilombo é universal, não existe vários quilombos dentro
- 19:38do mesmo que logo. Não existe, o não existe um
- 19:42Quilombo igual a outro. E dentro de cada quilômetro
- 19:45existe vários quilômetros, não é só a diversidade, é por isso que
- 19:48nós ainda esse fim. Porque se todos os quilombos
- 19:51fossem iguais, os colonialistas, só precisava de uma pontaria.
- 19:55Mas como todos são diferentes e como são muito, eles não deram
- 19:58conta até hoje. O jeito de atacar um Quilombo
- 20:01não serve para atacar o outro. Então, o que que ocorre?
- 20:04Nós temos, pelo que não custa Neira.
- 20:06Um incêndio de Paquetá, no Piauí.
- 20:08Quem puder visitar esse lugar, visite.
- 20:11É uma Pérola, não tem nada parecido por onde eu ando.
- 20:16É um Quilombo pequeno. Oi, tem risada.
- 20:21Um bairro de candomblé São Gonçalo, festejo de nossa
- 20:26senhora. É, e vai tendo um lixo, tem uma
- 20:30festa lá. E você tem a geração atual.
- 20:36Você tem a geração mãe, e você tem a geração, né?
- 20:39Tudo participando de tudo. Você tem uma menina de 7 anos
- 20:43que já coordena uma roda de leseira.
- 20:45Você tem uns 7 anos que já coordena um reisado, então é no
- 20:49cotidiano, é na vivência do dia a dia que esses saberes vão é se
- 20:55reeditando, vamos dizer assim, sim, porque na verdade, a escola
- 20:59para nossa ela não é. Um espaço fixo.
- 21:03Canditado que chamam de escola para poder é contextualizar.
- 21:08Mas nos quilombolas nisso não tem educação.
- 21:11A gente tem criação, é o jeito de criar a pessoa.
- 21:15A pessoa é, a gente fica assim. A educação vem do berço, você.
- 21:19É por todos os viventes. Fora, OOO ser humano, eles são
- 21:26criados, eles não são educados. E depois de criadas, eles já
- 21:30sabem viver, porque os pássaros só precisam.
- 21:34De perna só depende do do pai, da mãe, enquanto estão no ninho,
- 21:38quando, quando, quando eles começam a voar, ele já sabe, tem
- 21:41o que eles precisam para viver. Todos os velhos só tem peça, tem
- 21:46que chega até os 40 anos. Isso não é humano e que se acha
- 21:49inteligente. Então o só o coitado do humano é
- 21:52porque os outros não os outros, aprende muito rápido.
- 21:55Então? Uns Quilombo vai, a gente
- 21:59aprende no cotidiano, por exemplo, a minha letra, minha
- 22:01neta em 5 anos resolveu o que queriam ser vaqueira.
- 22:05Ganhou o primeiro animal cavalar de presente e começou a montar
- 22:09por 5 anos. Ai, a minha neta chega, pega o
- 22:13animal dela e sai da comunidade. Todo mundo da comunidade cuida
- 22:17dela. Se ela está mal montada, aí Mara
- 22:21se rejeita melhor, faz assim, faz assado.
- 22:24Olha esse arreio, não estavam colocado em São Pedro, no
- 22:26vicina. Não tem só uma pessoa, agora tem
- 22:30a mestra ou mestre que se faz o aperfeiçoamento do estamento,
- 22:34que dá aquela aquele toque final.
- 22:37Mas todo mundo, a opinião e a gente poderia chamar isso de
- 22:40visão afro. Pindorama mica, ou seja,
- 22:43confluente com AO que pensam os povos indígenas.
- 22:47Também sim, já compreendi porque a gente se comunica com com as
- 22:51outras vidas, que é isso que os colonialistas não consegue.
- 22:56Assim, só os colonialistas são os colonialistas.
- 23:01Se comunicam pelas escrituras. Os nossos inventos não precisam,
- 23:06né? Das escritor.
- 23:08Nós, por exemplo, quilombola, nós nos comunicamos pelo cheiro.
- 23:11Pelo gosto, pelo gosto de uma comida.
- 23:15A gente começa a imaginar o que que a outra pessoa está sentindo
- 23:18em outro lugar quando, como aquela mesma comida, pelo
- 23:21cheiro, pela sonoridade, quando a gente escuta o pássaro cantar
- 23:25prova, vibração, que que gera dentro da gente, é o canto
- 23:29daquele passo. A gente imagina que o outro
- 23:31irmão da gente também tem aquela mesma vibração.
- 23:33EE tem parecida, então a gente se comunica pelas diversas
- 23:36formas de linguagem e por todos os sentidos, por todos os lados.
- 23:40Sentido só os humanos. Se comunicam pela pelas
- 23:45escrituras. Vamos tentar entender um pouco
- 23:48desse conceito, dessa cosmovisão afro.
- 23:52Pindorama mica em uma educação contra colonial, essa forma de
- 23:57passar os saberes pela tradição oral, ela alcança todo mundo.
- 24:02Então, como uma escola pode fazer uso desta maneira, de
- 24:05transmitir saberes, na sua opinião?
- 24:08Pronto, não vamos nem dizer uma escola, vamos ver uma criação,
- 24:12como é que uma criação afro Pindorama.
- 24:15Porque? AA gente não tem a intenção que
- 24:19as pessoas sejam iguais. É que as pessoas sejam a mesma
- 24:23corrente, não tem isso tanto é que as nossas arquiteturas, as
- 24:28arquiteturas do povo quilombola são parecidas, mas não são
- 24:30iguais. Cada um tem um toque diferente,
- 24:32porque nós sabemos fazer as nossas casas com material no
- 24:35local. Então as nossas arquiteturas são
- 24:38parecidas, mas tem um toque diferente, mas vou te contar
- 24:41aqui 11, coisa que para nós é fantástica.
- 24:44No período da pandemia. O meu neto, que está hoje com 15
- 24:47anos. Que disse que vai fazer medicina
- 24:50desde cedo com a minha filha, a minha neta disse que vai ser
- 24:53vaqueiro desde cedo. Não é hoje a minha neta está com
- 24:5611 anos e está lá. A é montando a sua égua e o meu
- 25:00neto está com 15 anos e passou para fazer o ensino médio no
- 25:05instituto federal. Ou seja, cada quem está dando
- 25:07conta de seguir a sua trajetória.
- 25:10Mas durante a pandemia, é uma neta história.
- 25:12Eu estou muito triste, isolado, não tenho nada para fazer.
- 25:18Mas por que que você não tem nada para fazer?
- 25:20Pois é, a escola é está fechada. Eu sei, mas você não disse que
- 25:24quer ser médico. Isso quero, eu quero ser médico,
- 25:27então, meu querido. Médico que não sabe cozinhar não
- 25:31é médico. Sabe, ele é um vendedor de
- 25:34remédios de laboratório, ele é. Ele é o compositor de receita.
- 25:40O médico, que é médico, sabe cuidar da vida e nada melhor
- 25:45para quem cuida da vida do que a comida.
- 25:47Todos os animais do mundo no Reino animal resolve seus
- 25:51problemas de saúde através da comida.
- 25:53Só quem toma remédio a ser humano?
- 25:56O senhor foi, mas não precisa de tomar remédio que eles comem,
- 25:59aquilo que resolve. Então você que quer ser um
- 26:02médico. Aprenda primeiro a cozinhar.
- 26:04Eu não cozinho muito bem, mas a sua avó cozinha muito bem.
- 26:08Para você aproveita enquanto a Mara está indo comigo para roça
- 26:11pra ficar com sua vó para cozinha.
- 26:13E a perda fazia, o moleque foi. Está cozinhando divinamente bem.
- 26:17Cozinhando muito bem. E aí, agora nós temos um
- 26:21estabelecimento lá que a gente é maior, você de novo, que é um
- 26:23espaço de entretenimento, mas aí com para poder se manter, a
- 26:27gente comercializa algumas coisas e agora já virou o
- 26:30gerente desse espaço. Porque ele é um cara que sabe
- 26:33cozinhar, e agora ele está aprendendo a vender.
- 26:37Ele vai ser médico. Ele continua dizendo que vai
- 26:39para nós. Essa não é a grande questão.
- 26:42A nossa grande questão é que quando ele chegar aos 18 anos,
- 26:44ele estava com 15, quando eles chegavam 18 anos, ele ia pode
- 26:47decidir a vida dele sozinho. Quando ele chegar a 18, ele
- 26:51após, olha, eu não quero mais estudar, eu vou cuidar dessa,
- 26:54desse estrutura ou não. Quero mais cuidar dessa
- 26:56estrutura. Eu vou contar, expandir,
- 26:57permanecer tranquilo. A maneta.
- 27:00A mesma história, minha neta, isso olha, eu não vou mais
- 27:02estudar porque eu já sou uma vaqueira, uma vaqueira.
- 27:04Ganha muito dinheiro, uma vaqueira no sei o que e tal.
- 27:06Aí eu disse pra minha querida, você está cheia de razão, você é
- 27:09vaqueira. Ponto, ninguém vai interferir na
- 27:12sua vida para impedir que isso seria batendo.
- 27:14Agora tem mais uma vaqueira campeã.
- 27:18Não sabe matemática? Não sabe interpretar um contrato
- 27:23que que vai ganhar dinheiro na hora de passar o contrato.
- 27:27Uma vaqueira campeã com a égua mais bonita, sabe da região.
- 27:33Mas a tua égua precisa de um laudo veterinário para entrar na
- 27:36pista. E aí, quem é que vai assinar o
- 27:40laudo veterinário? Quem que vai ganhar dinheiro?
- 27:43Ela voltou para cá em cima, mãe, eu estou só de brincadeira, eu
- 27:45vou estudar. Então assim, a nossa relação é
- 27:47assim, é de dar suporte, não é de.
- 27:51Sabe de de determinar, agem, não somos nós que resolvemos.
- 27:54O que que a nossas crianças vão fazer as nossas crianças nos
- 27:57traz uma proposta e a gente apoia aquela proposta até o dia
- 28:01que ela é muito velha, então isso o problema é que a criação
- 28:04contratual realista não é o dizer para ser.
- 28:06Você vai ser médico porque o médico não é dinheiro, não.
- 28:09Você quer se mexe porque não quero ser médico para você, vai
- 28:12ser se for pra pagar depois vai ser pagaria.
- 28:15Mas a nossa ideia é que as nossas crianças são gestores das
- 28:19suas trajetória, diz ele. Agora, ainda um pouco mais a
- 28:24fundo, a gente pode dizer que ser contra colonial também é uma
- 28:28forma de sobreviver, não é? Pensando que se os colonizadores
- 28:33continuam existindo, eles também continuam matando, explorando,
- 28:38enfim, EE ser contra colonial, neste caso, seria uma forma de
- 28:44se manter vivo, é isso? Sim, porque o que que ocorre?
- 28:49Nós não queremos matar os colonizadores, não queremos
- 28:52matar ninguém. Os que vão embora nunca, nunca
- 28:54foi da nossa índole matar. Palmares.
- 28:58Chegou a ser maior do que esse fio?
- 29:00Se Palmares quisesse, teria destruído Recife.
- 29:02Palmares nunca atacou Recife. Nós são.
- 29:07Da diversidade a gente acha que os romanistas pode continuar
- 29:10vivo. Agora, continua vivo nas suas
- 29:12condições, é, os europeus podem continuar vivo, maravilhoso lá
- 29:17na Europa não precisa de vir para cá.
- 29:18Eu não sou bom, nós somos inteligentes e não sou o
- 29:21primeiro um pouco como é que vai sair do primeiro mundo para vir
- 29:24buscar a condição de vida no terceiro mundo?
- 29:27Não, pô, mas se mantém lá, deixa, querem se manter em que
- 29:30você tem 11, personagem aí chamado Boaventura Sousa Santos.
- 29:35Que eu não sei, mas me parece que ele se auto intitula também
- 29:40da colonial em algum momento por alguém o intitula como the
- 29:43colonial me parece. Não acho que está corretivo ou
- 29:46Ventura. Solução tem que fazer meu papel
- 29:48de mãe e fazer um de lá em Portugal.
- 29:51O que tem o teu ouvido? O Boaventura Sousa Santos tem
- 29:54que ensinar aos netos dele. Anão atacar os meus neto, se ele
- 29:59fizer isso, ele é feito, foi muita coisa.
- 30:02Porque mesmo que ele ensine aos netos dele anão atacar o meu
- 30:06neto, eu ainda vou ensinar o meu neto a se defender, que o neto
- 30:08dele, porque eu não acredito neles de forma alguma.
- 30:12Porque eu fora, eu fui a desta noite ou quando eu olho um
- 30:16branco aí eu não vou usar a palavra branco, mas quando eu
- 30:19olho para uma pessoa de pele amarelada que nem vocês.
- 30:24É que você não são branco. Essa história de branco é é
- 30:27sacanagem. São, pô.
- 30:30Não existe uma pessoa a pessoa que mais se aproxima do branco.
- 30:34É OOO sarará, que a gente chama de Albino.
- 30:38Mas o que mais se aproxima do banco?
- 30:39A gente chama de algo e não chama de branco.
- 30:41Então o povo em pele amarelada, que é assim que eu vejo.
- 30:45Eles. Eu quero que eles vivam muito
- 30:48bem, mas quando eu olho para uma pessoa de pele amarelada como
- 30:51eu, olho para onça, pessoa deixa louco.
- 30:53Eu olho para a onça, eu vou observar o vazio dela para me
- 30:56dar se ela está com aspecto de alimentar, eu digo, não
- 30:59alimentava. Se ela tiver com aspecto de
- 31:02alimentada, eu sei que ela vai demorar um pouco para me atacar.
- 31:06A então eu vou mirar celular com ele de um jeito, mas se ela está
- 31:09com aspecto. De não alimentado, mesmo que ela
- 31:13tenha sido adestrada, eu sou presa para ela.
- 31:17Aí, meu querido, é outra relação.
- 31:19Então qualquer pessoa que pede amaneirado eu vou olhar primeiro
- 31:22ou se ela tá com fome, meu? Porque para elas, do ponto de
- 31:26vista da lógica colonial. Eu sou presa.
- 31:30Eles vão me atacar na primeira oportunidade que tiver.
- 31:33Mas se a pessoa tiver alimentada.
- 31:37Aí é outra relação alimentada. Neste caso, imagino que possa
- 31:41ser de saberes. O Fernando, o senhor, a tua
- 31:45charada, por exemplo, o povo da academia.
- 31:48Não há ninguém mais colonialista porque academia aqui nesse
- 31:51momento, nós estão, sabe, na referência máxima do
- 31:54colonialismo. Um Novo Brasil, aos nada mais
- 32:00colonialista, nada mais racista do que isso aqui.
- 32:04Bom. Mas aí eles gostam de quem?
- 32:06Do que vivem os acadêmico. De escritura?
- 32:10Então, quando uma pessoa de pele amarelada se aproxima de mim,
- 32:13ela quer ler ou quer escrever eu deixo over, eu escrevo também.
- 32:17Você. Você quer um paquera.
- 32:18Faça um protesto. Aí, você mais.
- 32:22Tem gente ganhando diretoras cursos.
- 32:24Não se pode, CAS, nas palestras tem, tem gente ganhando dinheiro
- 32:26essa aí. Não sou, não sou criança.
- 32:29Mas. AA vasilha de dar é a mesmo de
- 32:32receber. Sempre que eu posso, eu também
- 32:35pego um pedaço desse dinheiro e quando eu não posso, eu pego um
- 32:37pedaço na divulgação. Quando eu vejo que eu não pego
- 32:40nada, eu não entro. Quando eu entro, é porque eu sei
- 32:43que ali eu vou também tirar um pedaço, ou pelo menos eu vou te
- 32:48alimentar para poder me atacar. Mas de alguma maneira, eu, eu,
- 32:52por na defesa. Agora eu queria pensar um pouco
- 32:55nas escrituras. A gente está conversando aqui na
- 32:58USP que valoriza os livros, tem até uma estante atrás de você
- 33:03com um Monte deles. EE tem os seus livros.
- 33:07Eu queria saber o que da sua literatura a gente pode levar
- 33:11para o ambiente da escola? Outras maneiras de professoras e
- 33:15professores passarem os saberes. O que a gente encontra no seu
- 33:20livro e como você ou seja. O que a gente encontra no seu
- 33:25livro e como você acredita que ele pode ser importante para
- 33:30professoras e professores com é que tenha acontecido o nosso
- 33:35livro hoje? É físico?
- 33:39Foram impressos as 23. 4500 unidades que estão quando
- 33:46distribuído, então. Colonização, quilombos, modos e
- 33:50significações. Esse livro tem 4500 exemplares
- 33:55físicos circulando. Mas quando ele começou a
- 33:58repercutir e eu vi que esse livro, ele estava fazendo uma
- 34:02coisa muito bacana, que era dando suporte pro nosso povo
- 34:05cotista que estavam chegando na pós-graduação.
- 34:08Então quando o nosso povo cortes chega na pós-graduação, só tem
- 34:11os livros dos colonizadores, só que agora estão encontrando os
- 34:14nossos livros. Medo Ailton krenak vai
- 34:16acontecer. Evaristo é de de várias outras
- 34:18mulheres. E isso não, não, não.
- 34:21Isso na escola também. Então isso está contra, contra a
- 34:24colonizando, porque está trazendo um outro jeito de
- 34:27escrita, porque se você for olhar o nosso livro, nosso livro
- 34:30não cita ninguém. Nosso livro cita fatos.
- 34:34Nosso livro, cita, acontece mesmo, mas não cita pessoas.
- 34:38Até se 3 gerações. Mas é um cuidado que nós temos
- 34:42no nosso livro. Não personaliza, não personifica
- 34:45os fatos. E quanto este livro pode ser
- 34:49fundamental para professoras e professores que não tem ainda um
- 34:53contato com essa perspectiva contra colonial?
- 34:56O que professoras e professores é usufruem com a leitura do seu
- 35:02livro? Olha.
- 35:04É o jeito oral de escrever. Quer dizer, primeiro eu falo,
- 35:10depois escrevo, então a minha escrita, ela é uma escrita
- 35:14praticamente oral. É poética.
- 35:17I. Não é autoritária.
- 35:20Eu não escrevo dizendo o que que tem que fazer.
- 35:23Eu escrevo dizendo como eu vi aqui você feito.
- 35:27Por mim ou por alguém, por exemplo, eu narro uma pescaria.
- 35:31Como era uma pescaria na minha infância?
- 35:35Mas eu não cito o nome de ninguém naquela pescaria.
- 35:37Eu sinto os fatos. Eu, eu na rua, casa de farinha e
- 35:41quando eu faço isso? Eu estou.
- 35:45Ativando. A memória das pessoas, aí todo
- 35:49mundo vai lembrar na sua e que forneceu e todo mundo vai
- 35:52lembrar de alguma coisa que pode contribuir para o momento atual.
- 35:57É, é a grande contribuição do nosso livro é que ele é como se
- 36:01fosse uma roça. Onde eu perguntei palavras.
- 36:06E essas palavras plantadas. Nasceram?
- 36:12Quando você leu sim, quando você leu o nosso livro, a palavra que
- 36:17você pronuncia lendo. É a palavra que que eu plantei
- 36:22é, é a letra que era uma si mesmo, tipo assim, a cada letra
- 36:25é uma semente. Quando você lê, ela se genina em
- 36:30palavra, e quando você acumula várias.
- 36:35Leitura, ela vira uma ideia na sua mente.
- 36:39Com a Floresta ou uma Floresta ali, então é isso, é isso é uma
- 36:43literatura que a gente pode chamar de orgânica.
- 36:46Então queria propor um desafio. Eu queria que você pensasse em
- 36:50algo que você trouxe da oralidade, levou para as páginas
- 36:56do livro e que você consegue contar agora sem estar com o seu
- 37:00livro em mãos. Olha, é possível.
- 37:03Primeiro as poesias. Qualquer uma das coisas que
- 37:07estão no livro, eu, eu declamo sem ler o livro.
- 37:10Qualquer um Na Na ordem que está escrito.
- 37:14Porque. Porque cada um dessas poesia,
- 37:17aquele, esse livro, ele é ele. Ele é vivo.
- 37:21Porque ele é um capítulo. Uma imagem com a poesia.
- 37:26Um capítulo, uma imagem, uma poesia. 2015.
- 37:33Então assim, as poesias, poesias, tem a ver.
- 37:37Por exemplo. Eu fiz uma poesia que é.
- 37:41Para minha roça. Mas quando eu fui falar da minha
- 37:44interação. Antes de contar o que que abriu
- 37:48interação. Eu declamei, eu escrevi essa
- 37:52poesia é, é uma poesia que para essa pequena que é assim.
- 37:57De repente, um cheiro. Um cheiro vadio.
- 38:04Um cheiro de seio. Cheiro de tesão.
- 38:09De repente, um cheiro. Um cheiro úmido.
- 38:14E corpos fecundos, chuveiro no Sertão.
- 38:18Porque eu vivo na cartinha, então quando dá uma chuva na
- 38:21caatinga? Todas as vidas entram no cio,
- 38:24todas. As sementes, qualquer semente
- 38:28vai nascer. A é um movimento espaço, canta,
- 38:31é OA Coisa Mais Linda do mundo, é o símbolo das vidas em geral.
- 38:37Élcio da Terra e de todos ali, então.
- 38:40Assim. Eu as pescarias.
- 38:44Quem são coisas? Que eu vivi?
- 38:49Eu escrevi lá, não é pescaria. O que que eu escrevi?
- 38:52Eu escrevi dizer qual, com? Como é que a gente chega no Rio?
- 38:56Quando é que a gente começa a fazer os trabalhos de pescaria e
- 38:59quando as pessoas vão tirar os entulhos de dentro do poço,
- 39:02outros vão remendar uma tarrafa, outros vão fazer café, outros
- 39:06vão servir uma cachaça, outros vão carregar.
- 39:09Palha que tinha era a região do babaçu para fazer esta página no
- 39:12Rio para prender os peixes e aí quando chega um determinado
- 39:16momento, o mais velho, a mais velha, cheguei pessoal.
- 39:21Está na hora de começar a pescar, e aí a gente começa a
- 39:23pescar. Hoje tem tarraf, outro não, tem
- 39:25um, vai guardar os peixes, ponto ali, vai acompanhando.
- 39:28Tirando os peixes da tarrafa, colocando umas coisas e vai e
- 39:31tal. Aí, daqui a pouco mais velho,
- 39:33diga, vocês levam isso em feira, que é 11 corda, um barra pra
- 39:37gente com os peixes, a gente levando, tem filho, não vamos
- 39:39pesca mais. Aí ele fala aí levanta aí, tem
- 39:41feira, aí levanta, levanta, levanta, uai, veria dizendo isso
- 39:45aí quando todo mundo aí vamos parar por esta via aí eu lembro
- 39:47de mim, eu escrevi isso que eu geralmente reclamava que não vai
- 39:51parar agora, agora que tá bom, agora que eu comecei a pegar o
- 39:54peixe. Aí uma avenida é por isso mesmo
- 39:56que você vai parar é porque você já pegou o preço suficiente.
- 40:00Nós devemos pegar apenas peixe, que nós vamos conseguir comer
- 40:04até a próxima pescaria. Porque o melhor lugar de guardar
- 40:09o peixe é no Rio. Aqui no Rio continua crescendo,
- 40:13continuam se reproduzindo, então para a pescaria de todo mundo,
- 40:15parava daí OA qual era a próxima cena?
- 40:18Linda? Aquela pessoa que te serviu o
- 40:20café? Ela não pegou nenhum peixe.
- 40:23Mas tu. Chegava e retirava pouco de
- 40:26peixe para ela, todo mundo tirava tiro.
- 40:28As vezes que ela levava mais preço de quem tem pescoço, por
- 40:31que que ela levava preço mais perto do que quem pescou, porque
- 40:34a família dela era maior. Aí você mediu tanto de peixe que
- 40:37você levava, não pelo tanto que você pensou, mas pelo tamanho da
- 40:41sua família. Então isso é é orgânico.
- 40:44Isso eu escrevi, mas isso eu conto.
- 40:46A mesma coisa aconteceria na casa de faria.
- 40:48A mesma coisa aconteceria na nossa todo mundo.
- 40:51A mesma coisa aconteceria no é no, no engenho, então é porque
- 40:55isso é são relatoria. É isso, relatoria de vida e o
- 41:00legal é que podem ser transpostos para qualquer estilo
- 41:04de vida, em qualquer contexto. Pai, quando eu falo da minha
- 41:07pescaria, tu vai pensar na tua. Aí teve trama e na força em
- 41:11fundo, avião também pescava. Era assim, aí nunca me dava
- 41:13conta. Parecida é, por exemplo, AA.
- 41:19A confluência? Eu fui ministrar uma aula na
- 41:22UFMG. Aí eu peço, pessoal, nós vamos
- 41:26começar a aula cada um. Apresentando um imagem.
- 41:31De confluência? Aí, olha. 11, sinal de trânsito.
- 41:38Um uisquinho aí, qualquer rua, um a um.
- 41:42Encontro dos reio a explicara foi um Monte de coisa assim e
- 41:46tal. Tu por apresentou colocou frente
- 41:48então a palavra chave. É confluência.
- 41:51Então é. Vamos começar aqui.
- 41:53Vai ser um mês e durante um mês. Quando terminar o mês, nós não
- 41:58queremos saber quem foi aprovado, os que podia reprovar,
- 42:02mas nós queremos saber quem Confluence ou como.
- 42:06E aí a confluência. Hoje ela é um dos conceitos mais
- 42:09citado no nosso livro. Pegando esse conceito para
- 42:13fechar o que define a confluência num ambiente em que
- 42:17as pessoas não estão acostumadas a ouvir isso.
- 42:20Vamos ver se eu entendi a confluência.
- 42:23Seria um modos de vida que mesmo quando diferentes possuem
- 42:27aspectos, é incomum, é isso. Há pronto, então olha só.
- 42:35É a confluência, é o encontro de vidas que se movimentam.
- 42:42Em direção à Palestina. Simplesmente isso.
- 42:47AO termo de confluência, ele foi Hand, estado que toda a vida se
- 42:53falou em conferência, eu só reeditei eu trouxe.
- 42:57Para em relações. Porque quando você diz.
- 43:01Eu encontrei fulano. Por coincidência.
- 43:06Pô, como assim vocês se encontraram porque vocês estavam
- 43:09andando? Se você não tivesse andando,
- 43:11você não se encontravam. Então não tem coincidência.
- 43:14Quando você discute a coincidência, você está
- 43:16escolhendo a origem dos acontecimentos.
- 43:20Você está negando a autoria dos acontecimentos.
- 43:23Você está colocando para o destino, para o mundo dos
- 43:27Milagres. E quando você discute a
- 43:29confluência, aí sim, você está apresentando a origem dos
- 43:33acontecimentos alto e dos acontecimentos que vão dos
- 43:37acontecimentos, então. Em?
- 43:40Todas as pessoas, por mais diferentes que elas sejam.
- 43:44Elas têm um ponto em comum, então OA grandeza da confluência
- 43:48é essa, porque ela. Ela vai.
- 43:51Aproximando as pessoas. Na próxima, você é uma pessoa de
- 43:56pele amarelada, tem muitas coisas que eu falo que você não
- 43:58gosta, mas tem uma que você gosta.
- 44:01Aí, quando eu percebo que você gostou daquela aí eu vou trazer
- 44:05tudo o que está ao redor daquilo que você gostou.
- 44:09E aí a gente pode, ao invés de ter um conflito, tem uma
- 44:13confluência. Eu a costumo dizer que a
- 44:14confluência é a arte. De transformar?
- 44:20É os conflitos. As divergências em diversidade.
- 44:27Muito interessante. Eu ficaria aqui o dia todo, mas
- 44:30você tem um evento agora aqui na USP, então eu queria que você
- 44:34deixasse uma última mensagem para quem ficou até agora
- 44:37conosco, eu vou. A mensagem que eu deixo para
- 44:40todos nós. É que ao invés.
- 44:44E falarmos? Dos defeitos dos outros?
- 44:48Vamos falar das nossas qualidades.
- 44:52E quando ela não tiver qualidade para falar, então vamos
- 44:56construir essas qualidades. Mas vamos falar de nós.
- 45:02Ou até dos nossos defeitos, é melhor nós falarmos do nosso
- 45:05defeito no que vai falar nos defeitos dos outros.
- 45:09Ou seja, primeiro vai consertar nossas vidas.
- 45:12Porque quando cada um e cada um consertar a sua vida.
- 45:16Todas as vidas estarão consertada.
- 45:19É isso. A Entrevista com o nego bispo
- 45:28foi gravada por mim em vídeo. Uma gravação amadora?
- 45:31Mas vale a pena conferir e você encontra alguns trechos dessa
- 45:35conversa no perfil do Instagram do nego bispo, que é o roça de
- 45:40Quilombo. Vale passar por lá e conferir
- 45:43porque é bastante emocionante o que ele disse com toda A Carga,
- 45:48né? Que ele traz aí da oralidade.
- 45:51Bom, eu deixo o convite para você acompanhar muitas outras
- 45:54conversas como essa. No podcast do instituto claro,
- 45:58você pode acessar os episódios no site institutoclaro.org.br ou
- 46:05então nas plataformas de podcast como Spotify, cashbox tem também
- 46:11no Amazon Music e ainda você pode inclusive pedir para a
- 46:15Alexa tocar o podcast do instituto, claro por hoje.
- 46:19É isso. Espero que essas reflexões do
- 46:22nego bispo tenham aí mexido com você, é transformado algum
- 46:26pensamento. É, foi incrível realmente essa
- 46:29conversa. E é isso, cada conversa dessa,
- 46:32cada entrevista faz com que a gente aprenda bastante.
- 46:38É EE, olhe por outras perspectivas.
- 46:41Então eu espero você numa próxima.
- 46:44Quando eu volto aqui com mais peças raras pra você.
- 46:48Até lá.