Latest / Café com Dungeon / Queime sua preparação! #0055
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- 0:01Lembra que eu falei que eu curtia desenhar labirintos e
- 0:03enigmas quando eu era criança e passar pros meus amigos de
- 0:06colégio pra eles resolverem? Eu falei isso no último
- 0:09episódio, e eu posso dizer com certeza que isso me acompanhou
- 0:14durante muito tempo. Grande parte da minha cachaça no
- 0:17RPG sempre foi, e talvez sempre será, preparar aventuras,
- 0:23preparar a sessão. E depois que eu conheci alguma
- 0:28coisa além das masmorras do Zanzer, inclusive preparar
- 0:33mundos, não somente pequenas dungeons.
- 0:37Se eu fui empilhar cadernos e folhas com anotações sobre os
- 0:41mundos de aventura que eu usei na vida, antes de começar a era
- 0:45digital dos meus RPGs, então não conta tudo que eu anotei no
- 0:49Notion, por exemplo. Se eu for juntar todo esse
- 0:52material físico, analógico, deve dar uma torre da altura de um
- 0:56prédio. Sem contar as anotações em
- 0:59locais indevidos. No meio da matéria do colégio,
- 1:03atrás de uma petição no estágio de direito, em cima de uma prova
- 1:07de layout no meu trabalho, no verso de um pedido de um exame
- 1:11médico depois de velho. Bom, a minha mãe olhava pela
- 1:16frestinha quando eu era pequeno lá no quarto e ela pensava,
- 1:22nossa, que menino apaixonado pelos estudos, porque ela, ali
- 1:26naquela nesga de porta, ela conseguia ver que eu estava
- 1:30apaixonado pelo que eu estava escrevendo ali, pelo que eu
- 1:32estava lendo, e mal sabia... que nas mesonatações eu estava
- 1:37escrevendo na verdade todo o continente flutuando de mogóide,
- 1:41com seus reis, suas intrigas, seus povos, seus dragões e os
- 1:46sete itens mágicos que deviam ser reunidos novamente para
- 1:50vencer o vilão. Mal sabia ela que eu tava ali
- 1:54desenhando câmeras de tortura e masmorras que seriam
- 1:58arrebentadas pelos aventureiros dali algum tempo, ou não.
- 2:02Com uma pira incendiária atrás de mim, eu penso tanto de
- 2:06trabalho intelectual que eu já fiz, preparando os meus mundos,
- 2:10minhas aventuras, meus NPCs. E eles tão queimando atrás de
- 2:14mim. A grande maioria jamais viu a
- 2:17luz do dia. Pra eles, pra mim e pra todo
- 2:20mundo, Essa pira incendiária se trata de uma libertação.
- 2:27Queime a sua preparação. Bom dia, amigos do Café com
- 2:46Dungeon. Estamos aqui para mais um
- 2:47episódio do seu podcast matinal favorito, trazendo sempre muito
- 2:51RPG. Meu nome é Rafael Balbi e hoje
- 2:53eu estou bebendo cinzas de preparação misturado com
- 2:57lágrimas de mestres apegados às suas fantásticas anotações
- 3:00rabiscos. Mas enquanto eu faço isso,
- 3:03enquanto eu bebo essas lágrimas aqui, eu já estou moendo aqui o
- 3:07meu café para tirar esse retrogosto conservador que veio
- 3:10com essa poção demiúrgica. E esse café, para tirar esse
- 3:15gosto meio estranho, tem que ser o café Ovelha Negra.
- 3:18Se você quiser amanhecer, assim como eu, moendo grãos deliciosos
- 3:23e sentindo esse aroma inconfundível que vem deles...
- 3:28Pode ir lá em ovelha.café no site e usar o cupom CCD para
- 3:34você poder beber um café ovelha negra que nem o meu, delicioso,
- 3:38se possível moendo os grãos pela manhã.
- 3:41Se não, pode comprar já Moído, que eles mandam também.
- 3:45Mas, bom, recomendo demais. Você consegue aí um abatimento
- 3:49com cupom CCD, mas você consegue um abatimento ainda melhor se
- 3:53você for assinante do Café com Dungeon, que aí você tem cupons
- 3:56progressivos de acordo com o seu nível de apoio.
- 3:59Você, além de ganhar cupom pro Ovelha Negra, se você se tornar
- 4:03um assinante do Café, você participa de sorteios.
- 4:06Não só de Ovelha Negra, mas de outros materiais de nossos
- 4:09parceiros. Fora isso, você participa de um
- 4:11grupo de Telegram muito maneiro que debate RPG com muita
- 4:15profundidade e paixão. Fora isso...
- 4:18Você ainda recebe conteúdo extra e, além disso, tem acesso aí ao
- 4:22nosso acervo, onde eu coloco todos os episódios que a gente
- 4:25está gravando, com anotações a respeito, com classificação, com
- 4:30indexação. Então, se você quiser, por
- 4:32exemplo, pesquisar quais episódios dessa temporada agora
- 4:35eu falei sobre, sei lá, a Lei da Mesa, você pode ir lá no nosso
- 4:39Notion e procurar Pela tag você vai encontrar os episódios em
- 4:43que Lei da Mesa foi um ponto importante do episódio.
- 4:46Então, bom, cola aí com a gente que é só alegria.
- 4:49Vai lá em apoia.se barra café com dungeon e torne-se um
- 4:53assinante. Beleza?
- 4:55Vamos lá, a gente hoje vai falar de queimar a sua preparação, mas
- 4:58antes vamos ler a enquete do último episódio, né?
- 5:04O episódio foi sobre a ansiedade do desafio e a pergunta que eu
- 5:08fiz é, você acha melhor o mestre dar o seu pior ou buscar o
- 5:12justo? E mais uma vez eu venci, olha
- 5:15só. Raro isso acontecer, mas
- 5:17sessenta e três vírgula seis por cento, ou seja, a maioria, falou
- 5:20que prefere o mestre dando o seu pior do que o mestre buscar ser
- 5:24justo. Interessante.
- 5:27Isso aí foi o que eu defendi no episódio, né?
- 5:28A partir do estilo Oil Fantasy. E a galera trouxe aqui alguns
- 5:32comentários interessantes. O André Neves, ele falou que o
- 5:34Oil Fantasy ressignificou a relação dele com RPG.
- 5:38Ele tem que assumir que era um mestre ilusionista e muito bom
- 5:42nisso. As aventuras eram sempre épicas
- 5:44e os jogadores sempre venciam por pouco.
- 5:47Os jogadores sempre gostavam das sessões, mas depois, falando
- 5:50sobre elas, ele ficava até deslocado.
- 5:52Era como estar num culto de uma religião da qual ele não faz
- 5:55parte. Ele sabia que era ilusão.
- 5:58Por outro lado, ele não tinha vivido a mesma experiência que
- 6:00os jogadores. Com o Final Fantasy, ficou mais
- 6:03divertido pra todo mundo. A experiência é compartilhada.
- 6:06Pô, André, é emocionante, cara, ler um depoimento desse, saber
- 6:10que ajudou você a ressignificar teu jogo, mesmo você sendo um
- 6:14cara experiente e que conseguia entregar uma experiência, que,
- 6:18enfim, buscava aquelas coisas lá que os mestres tradicionais
- 6:20buscam, né? Então é muito legal ouvir a
- 6:23respeito da tua experiência, sempre que puder, traga, beleza?
- 6:27Agradecido demais, André. O Rafael Bacelá falou, os
- 6:30pensamentos de Royal Fantasy sobre um bom desafio e da
- 6:33preocupação de antecipação são as partes que eu mais curto no
- 6:36estilo, além do incentivo à narrativa compartilhada que é
- 6:39sempre bem-vinda. Para a linha da bravata do fazer
- 6:41o seu pior, me parece que a lógica que chama de
- 6:44verossimilhança na não exatidão da hora de morder, cozinhar em
- 6:48fogo baixo, é muito próxima ao que vejo colocarem como o DM
- 6:51deve ser justo. É sempre maneiro ver os novos
- 6:54pontos de vista sobre dilemas velhos, saudades do culto
- 6:58geroqueano. Bacelar, valeu pelo teu
- 7:01comentário, cara. Eu acho que realmente a gente
- 7:04tem que trabalhar muito bem o desafio no Oil Fantasy, porque
- 7:07ele é o fundamento do Oil Fantasy, né?
- 7:10Se os poderes do mestre fluem de acordo com a existência do
- 7:14desafio ou não, isso tem que ser muito bem trabalhado, né?
- 7:17Então, agora uma coisa interessante que você comentou
- 7:20aí, né? Essa coisa da hora de morder,
- 7:23cozinhar em fogo baixo, é muito próxima do que coloca do mestre
- 7:27ser justo. Entenda aqui, cara.
- 7:28O episódio foi meio sobre isso, na verdade.
- 7:31Foi muito nessa diferença aí também.
- 7:35E a ideia é que você só tem um registro próprio e íntimo ali.
- 7:39A justiça é um sentimento que diz respeito muito à percepção
- 7:44dos outros também. A justiça é uma coisa meio comum
- 7:46ali. Você pode... fazer o que você
- 7:49acha mais justo, mas a ideia é que você não tenha que chegar
- 7:54num meio termo que você não sabe exatamente o que é, porque a sua
- 7:58função é dúbia, ao mesmo tempo de desafiador, ao mesmo tempo de
- 8:02ser justo, aí que tá o problema, né?
- 8:04E aí que eu desenvolvi o episódio em cima.
- 8:06Então, no caso, a hora de morder é sempre que você puder que isso
- 8:10vier construir o teu desafio, né?
- 8:13E esse desafio é bom que você tenha, claro, como
- 8:15intencionalidade, então é bem diferente, assim, não é a mesma
- 8:17coisa, na verdade, é muito construído, sim, em torno dessa
- 8:21diferença. Pra você entender com mais
- 8:23profundidade, você tem que entender, em primeiro lugar,
- 8:25isso. Então, são, assim, são novos
- 8:28pontos de vista sobre os dilemas velhos, com certeza.
- 8:31E tem diferenças, eu acho, muito importantes nesse ponto e que se
- 8:35afastam bastante do que é a busca de justiça do mestre.
- 8:39Na verdade, é uma busca por você entender seus passos e agir ali
- 8:43de acordo com isso. Se isso é justo ou não, o
- 8:47jogador pode até achar que não é justo, mas aí ele vai ter que
- 8:49procurar um outro estilo, porque nesse estilo é assim que a gente
- 8:51joga. Entende?
- 8:53Já a busca por justiça, ela pode variar de acordo com, sei lá, o
- 8:57jogador falar... Eu vou buscar o que é justo,
- 9:00independe um pouco do estilo. Enfim, acho que isso é uma coisa
- 9:04que talvez possa ser construída por alguém jogando algum tipo de
- 9:08jogo. A OSR trabalha muito com algumas
- 9:11noções que eu acho que não são de justiça, quando ele fala de
- 9:14antecipação, é mais uma questão de técnica de jogo mesmo, de
- 9:18proporcionar informação. Então acho que se a gente for
- 9:22analisar mais profundamente, parece que a justiça vai ficando
- 9:26pálida em relação com o que realmente importa quando a gente
- 9:29está jogando esse tipo de jogo. No fim, o Bacelá falou que está
- 9:32com saudade do culto berroqueano.
- 9:34E, cara, também estou. Mas é isso, né?
- 9:37É uma coisa que ficou no passado.
- 9:39O Marcos Gonçalves mandou que o Fantasy tirou uma carga muito
- 9:43grande das costas dele como mestre.
- 9:44Hoje é muito mais prazeroso e simples de jogar.
- 9:48É, o Marcos com certeza também, isso é uma preocupação o tempo
- 9:50todo de tirar peso das costas do mestre, e se a gente obviamente
- 9:55sabe que o mestre tem que desafiar, isso está muito na
- 9:58base do que vai gerar o jogo, que a gente joga com D&D
- 10:03clássico e com RPG clássico, que a gente usa como base para o
- 10:06Final Fantasy, a gente resolveu focar nisso e tirar de lado essa
- 10:09ideia de que a gente tem que ser justo, tem que divertir os
- 10:11outros, enfim, todas essas coisas que não tem muito
- 10:14registro, não formam muito registro, fazer o seu pior,
- 10:17permite que você entenda os registros do estilo, e que você
- 10:21crie os seus próprios registros a cunho de estilo pessoal, a
- 10:25partir do que o estilo promove, e isso deixa você muito
- 10:28confortável, e agindo dentro de um registro simples, de uma
- 10:32ideia simples, de um norte tranquilo de seguir.
- 10:34Então é isso, valeu, vamos lá, vamos pro episódio.
- 10:43Essa aqui aconteceu lá na Montanha da Ocarina.
- 10:46Acho que a Elsa chama aquela serra de... a muralha?
- 10:51Mas eu tô falando de um paredão inconfundível, com várias
- 10:55entradas de caverna que faziam um desenho de ocarina.
- 10:58Na época, o lugar era infestado de aranhas, e todas as teias que
- 11:02elas espalhavam pela floresta do Cazulo se encontravam na boca de
- 11:05uma caverna específica. O Lar da Viúva Negra.
- 11:10As teias tensionadas entoavam uma música triste quando tocadas
- 11:13pelo vento. Produziam um som tão melancólico
- 11:17que era capaz de minar as energias até da guerreira mais
- 11:19determinada. Aquele lugar é especial pra mim.
- 11:24Foi por aquelas montanhas que eu saltitei logo atrás dos
- 11:26calcanhares da Elsa aprendendo todos os truques que me mantêm
- 11:29viva até hoje. E foi por causa dos ensinamentos
- 11:33da maga que eu, o Lirinha e a pequena companhia de lunáticos
- 11:37que tinham concordado com aquela missão suicida, tínhamos os
- 11:40ouvidos cobertos por cera de abelha.
- 11:43Isso evitava que a música mágica produzida por aquela fauna nos
- 11:46abatesse. A missão devia ser simples.
- 11:50Entrar na caverna da viúva negra.
- 11:52Fritar a aranha maior. Correr pelas nossas vidas antes
- 11:55que as aranhas menores conseguissem nos alcançar.
- 11:58Mas eu precisava que o Dirim entrasse na caverna comigo.
- 12:02E aquele mago desgraçado é tão genial quanto é covarde.
- 12:07Ou talvez ele só seja mais prudente que eu por passar tempo
- 12:10demais com aquele nariz feio enfiado em livros.
- 12:14De qualquer forma, eu não me orgulho das chantagem que eu fiz
- 12:17para convencer ele a me seguir caverna dentro.
- 12:20O que importa é que eu consegui. Dizem que quando você olha para
- 12:25o vazio, O vazio olha de volta pra você.
- 12:30Não tem outro jeito de descrever o que é estar sob o olhar atento
- 12:33da viúva negra. Não era a primeira vez que eu
- 12:36enfrentava aquela criatura e eu pude sentir o ódio que emanava
- 12:39dela na nossa direção. Eu tentei um acordo.
- 12:44Caso você não saiba, minha devoção à deusa Maria Joana me
- 12:47dá a habilidade de conversar com animais.
- 12:50A resposta da aranha foi silêncio predador.
- 12:54Opressor. Assassino.
- 12:59Dei um passo pra trás, evitando movimentos bruscos.
- 13:04Depois outro. E mais um.
- 13:08Tentei a mão do Lirinha tocar meu ombro.
- 13:10Ele tateava o ar, tão cego pela escuridão do vazio quanto eu.
- 13:17Você pode até discordar. E ele nunca vai admitir.
- 13:21Mas a única coisa que impediu que Lirinha saísse correndo de
- 13:25volta pela boca da caverna quando a aranha se aproximou da
- 13:27gente se chama amizade. O toque dele no meu ombro disse
- 13:33mais que esses poemas frulentos de versos decacílabos que ele
- 13:36adora. Daí, a culpa e o medo por
- 13:41colocar a vida dele em risco mais uma vez me despedaçaram.
- 13:47Mas eu não tinha tempo pra ruir. Eu jamais me perdoaria se...
- 13:55Agarrei a manga da túnica dele e puxei pra baixo num convite
- 13:58irrecusável e nada gentil pra se ajoelhar no chão comigo.
- 14:01À medida que nos abaixávamos devagar, ergui meu escudo sobre
- 14:05nós dois. Fechei os olhos.
- 14:09Clamei para que Maria Joana me permitisse canalizar sua luz.
- 14:13Uma calma se espalhou pelo meu corpo.
- 14:16Senti minha cabeça mais leve. Então, a luz brotou como uma
- 14:20faísca em folha seca. Sou Lurandê, anunciei.
- 14:25Meu escudo se iluminou no instante que a viúva negra
- 14:28avançava para nos pegar. Lirinha também gritou alguma
- 14:31coisa que eu não entendi. Ele tinha enriste a varinha que
- 14:34a Caliope tinha nos emprestado. Um estampido ecoou por toda a
- 14:37caverna, então um estrondo ensurdecedor e uma descarga de
- 14:41energia gigante fizeram o chão tremer.
- 14:45A escuridão que nos envolvia sumiu.
- 14:47E eu queria dizer que eu fui tomada de euforia.
- 14:50Eu abracei meu amigo e comemorei nossas vidas.
- 14:53Mas nós sabíamos que a caverna guardava outros perigos.
- 14:57Corre! Corre, porra!
- 15:01Foi a voz dele que me trouxe de volta do ator do Amento.
- 15:04Nós corremos. E vivemos pra contar mais essa
- 15:07história. Mas foi por pouco.
- 15:10Foi por muito pouco. Esse e tantos outros são rumores
- 15:18vindos do jogo do mundo aberto de Biargotin.
- 15:22Se você quiser explorar aventuras como essa...
- 15:26Pode entrar inteiramente de graça no nosso grupo.
- 15:29Siga o link lá no descritivo do episódio e jogue Biergarten com
- 15:34a gente. Vamos explorar Biergarten!
- 15:51E agora pra desligar essa merda, hein, meu?
- 15:52E agora desliga! Queime sua preparação.
- 16:04É mais um episódio que começa com uma bravata.
- 16:08Acalmem os corações, por favor. O que eu tô falando aqui é pra
- 16:12você queimar o seu caderno com anotações gerais, com aquelas
- 16:17letras manuscritas que nem você entende.
- 16:20É pra você queimar o seu módulo de aventuras com as dungeons
- 16:23NPCs dentro. É pra você queimar as suas
- 16:26tabelas e os seus repertórios de encontros aleatórios previamente
- 16:30construídos. Pra você queimar os tesouros que
- 16:33você sorteou. Pra você queimar as suas
- 16:36anotações sobre plot e as suas anotações sobre redes de
- 16:40intrigas e de relacionamento. Agora é o momento de abrir um
- 16:46caderno novo. Todo em branco, sem nada dentro.
- 16:50Agora começa o jogo de RPG. Eu vou começar a abordar essa
- 16:57questão de por que eu estou trazendo essa bravata aqui a
- 17:01partir do meu problema com jogos de contar história.
- 17:05Claro, eu gosto de jogos de contar história, não vou negar,
- 17:09mas não é meu tipo preferido de RPG, acho que vocês estão
- 17:11cansados de saber. Eu tenho alguns problemas com
- 17:15esse tipo de jogo que passam muito com a expectativa da
- 17:19narrativa. Quando a gente entra num jogo
- 17:22querendo contar história, é natural que cada pessoa vá
- 17:25formando ideias na sua cabeça a respeito do tipo de história que
- 17:28quer contar. Eu sei que muita gente vai ficar
- 17:31irritada com isso aqui, mas eu provoco, sem grandes estudos a
- 17:35respeito, claro, porque eu não sou da narratologia, não
- 17:37trabalho com narrativas, eu não sou perito em storytelling nem
- 17:42nada, mas eu acredito que a mídia do RPG talvez não seja
- 17:45mais apropriada para a construção de história em
- 17:48comparação com vivenciar as histórias nesse ponto.
- 17:52Possivelmente até o RPG solo funcione melhor como dinâmica
- 17:56criativa de uma história do que o RPG como uma dinâmica criativa
- 18:00para várias pessoas ali querendo contar uma história.
- 18:03No RPG solo você não tem que se preocupar com tantas pretensões
- 18:08e tantas expectativas narrativas e com os diferentes sentidos e
- 18:12perspectivas e intencionalidades que as pessoas envolvidas vão
- 18:15dar para os fatos que vão acontecer na mesa de jogo.
- 18:21O barato, no fundo, me parece ser a emergência, a salada, a
- 18:26confusão de leituras dos seus conflitos e a dialética entre os
- 18:30envolvidos no jogo. Para mim, o barato mesmo é o
- 18:34próprio jogar, e não o produto do jogar, e não a narrativa
- 18:38final que vem dali. Talvez seja essa dinâmica que
- 18:42nem todo mundo consiga alcançar ao ver uma stream de jogo.
- 18:46Por quê? Porque quem alcança melhor é
- 18:47quem está jogando. É o jogo de dar sentido às
- 18:51coisas. E aí nesse ponto, o legal do
- 18:53jogo de contar a história, pelo menos pra mim, tá justamente no
- 18:56jogar, nesse confluir, e não no resultado final.
- 19:00Mas se a gente tá falando que, de forma geral, o jogo vai se
- 19:05preocupar com essa narrativa final, o produto narrativo que
- 19:08vem daquele jogo, eu fico um pouco decepcionado de entender
- 19:12que, de forma geral, esse produto narrativo não é tão bom.
- 19:16Ele brilha em outro momento, ele brilha na construção.
- 19:20E aí nesse ponto a gente está falando de uma construção de
- 19:24sentido que vai acontecer durante o jogo, ludificada nos
- 19:28jogos de contar história, pelo menos nos melhores deles.
- 19:32E essa construção de sentido que a gente vê nos jogos de contar
- 19:35história? Bom...
- 19:38Para ilustrar um pouquinho, ou fazer um paralelo, na verdade,
- 19:41eu vou trazer um pouco uma leitura que eu tenho feito sobre
- 19:45simular e emular. É uma leitura precária, de
- 19:48fontes esparsas e diversas, mas que é uma discussão que eu me
- 19:51interesso. Emular...
- 19:54É reproduzir o funcionamento interno de uma coisa.
- 19:57Se você emula o Super Nintendo na sua máquina de computador lá,
- 20:01em teoria você buscou reproduzir todo o código do Super Nintendo
- 20:04e o funcionamento interno desse videogame e suas engrenagens.
- 20:09Simular é diferente, é uma abstração, é uma reprodução
- 20:12aproximada de um cenário específico, de uma coisa
- 20:15específica. Você ter, por exemplo,
- 20:18miniaturas representando tropas numa caixa de areia, medindo
- 20:23distâncias ali com trena, usando fichas e tabelas com
- 20:27estatísticas como num wargame, você tá fazendo a simulação de
- 20:30um conflito armado, de um combate.
- 20:33Ninguém aqui vai ser doido de dizer que a realidade da guerra
- 20:35pode ser expressa somente nas regras de um wargame, mas ele se
- 20:40presta a simular aquele aspecto da realidade das guerras
- 20:44napoleônicas, por exemplo, ou da invasão do Império Romano pelos
- 20:48godos e visigodos e, sei lá, astrogodos.
- 20:51Você vivencia alguns aspectos que julguem importantes sob
- 20:56determinada visão com determinado sentido dentro de
- 20:59uma simulação. E nesse ponto, a gente tem uma
- 21:03diferença muito importante aí. Uma é que a gente está
- 21:07experienciando uma representação.
- 21:09A outra é que a gente está buscando experienciar a coisa a
- 21:12partir de uma reconstrução perfeita.
- 21:15Talvez até a Mimesis dialogue mais com, pelo menos em
- 21:19intenção, com a emulação. enquanto talvez a simulação
- 21:25dialogue mais com a narração, com o jogo de contar história,
- 21:29com a diegesis. Eu acredito que sim.
- 21:32Eu acredito que isso seja um ponto relevante.
- 21:35Mas vamos investigar um pouquinho.
- 21:38Se a gente pegar, por exemplo, O LARP, o Perdição Troiana, do
- 21:43Rafael Carneiro, ele simula um momento completamente diferente
- 21:48do fato da guerra, no caso aqui da Guerra de Troia, em relação
- 21:54ao que simula um wargame. Ele até traz deuses envolvidos e
- 21:58tudo mais. Ele diz uma parte que é assim, a
- 22:02gloriosa cidade não existe mais, Troia foi destruída.
- 22:06Pais, irmãos, maridos e filhos foram mortos pelo exército
- 22:10invasor. Do incêndio instalado, apenas
- 22:13duas fogueiras continuam acesas. Em uma delas, os gregos discutem
- 22:17sobre como dividirão os espólios da guerra.
- 22:20Na outra, as troianas lamentam seu destino.
- 22:24Na escuridão, uma divindade grega ronda as fogueiras.
- 22:28Um organizador distribuirá as personagens para onze
- 22:32participantes, que tomarão as decisões sobre os seus destinos.
- 22:37Bom, se ao emular a gente se preocupa com as engrenagens de
- 22:42como as coisas são, na simulação a gente se preocupa com as
- 22:46engrenagens a partir do sentido que a gente quer dar ao que a
- 22:50gente quer experimentar ali. Esse sentido é muito importante.
- 22:55E aí nesse ponto existe uma autenticidade muito grande na
- 23:00criação coletiva. Ela faz emergir o sentido do
- 23:04jogar. E é aí que eu tenho problema,
- 23:06né? Eu acho que nos jogos de contar
- 23:10história, de forma geral, a gente tem uma emergência de
- 23:12diferentes sentidos, de uma mesma narrativa que a gente
- 23:16pretensiosamente quer chegar no fim com uma só.
- 23:18Quando na verdade ele brilha pelas sínteses, né?
- 23:22Ele brilha pela emergência, pelo conflito, pela dialética entre
- 23:26os diferentes sentidos que a gente vai ter.
- 23:28Não que o produto necessariamente vai ser bom, mas
- 23:31a experiência em si vai ser boa. Por isso que a gente pode dizer
- 23:35que o ouro da mídia do RPG... Está justamente nessa
- 23:39emergência. E na emergência de sentidos que
- 23:42a gente dá. O fundamento do jogo... tá
- 23:47dentro da sua sintaxe, né? E aí, voltando pra Mimesis e pra
- 23:52Diegesis, a gente começa a derivar um pouquinho, né?
- 23:56O fundamento do jogo na Mimesis, ele tá na verossimilhança, ele
- 24:00tá no sentimento de real, no sentimento do real, né?
- 24:05Nesse ponto, por mais que a gente possa associar,
- 24:07idealmente, a mimesis a emular alguma coisa, porque se a gente
- 24:12está querendo construir o sentimento do real, a gente, em
- 24:15teoria, vai tentar buscar fazer com que as coisas funcionem de
- 24:19uma forma realista o tempo todo, me parece que, ao mesmo tempo, é
- 24:22muito complicado a gente associar os jogos, nesse ponto
- 24:27aqui de RPG, a emulação, porque me parece impossível a gente
- 24:31reproduzir todas as engrenagens da vida real no jogo.
- 24:34É impossível. A gente precisa representar.
- 24:38Então me parece que Mimesis e Diegesis, nesse ponto, ela foge
- 24:42a própria emulação. A gente vai trabalhar Mimesis e
- 24:45Diegesis, assim como o Aristóteles trabalhou, em cima
- 24:48da arte. A arte já é representação.
- 24:51Então, nesse ponto, tanto Mimesis quanto Diagesis tem a
- 24:55ver com o espaço simulado. Isso me leva a crer que enquanto
- 25:00no Diagesis o sentido que a gente encontra na obra ou no...
- 25:07no material que a gente está construindo ali, é um sentido
- 25:10diegético, ou seja, da narrativa, tipo da narrativa,
- 25:13construído com todos os seus elementos de protagonismo,
- 25:15antagonismo e tudo mais, dentro da mimesis, o que a gente tem
- 25:18ali como fundamento é a verossimilhança e isso é que é o
- 25:22sentido que a gente constrói ali.
- 25:25Mas é o sentido primeiro da coisa, a gente vai buscar a
- 25:28verossimilhança ali dentro da própria mídia, porque é isso que
- 25:31é o jogar, jogar RPG... é construir essa verossimilhança,
- 25:36seja através da representação do seu personagem, seja pela
- 25:39construção desse mundo que a gente vai jogar, dessa ficção.
- 25:44E nesse ponto a gente vai colocando as coisas em jogo
- 25:48dentro do RPG, seja a gente colocando em jogo esse mundo
- 25:54mimético ou essa diegesis. E isso vai botando certos
- 25:59compromissos em jogo. Quando num jogo diegético você
- 26:02está visando contar uma história, quando você começa a
- 26:06colocar as coisas em perspectiva, porque o sistema te
- 26:09leva a isso como fiasco, por exemplo, a partir do momento que
- 26:12você construiu aquela perspectiva, por exemplo, você
- 26:15fala para o outro jogador vamos resolver essa cena e aquele
- 26:18jogador passa a dizer o desfecho daquela cena, essa perspectiva
- 26:23dos fatos está cozinhada no jogo, ela virou repertório
- 26:26posto. Isso virou compromisso, isso
- 26:30compromissa todas as pessoas envolvidas naquilo.
- 26:35Enquanto num jogo de natureza mimética, o que a gente está
- 26:39trazendo para a simulação não é justamente essa perspectiva dos
- 26:44fatos criando uma narrativa. Mas sim, no caso aqui, o que eu
- 26:48enxergo é que a gente está buscando superar um desafio.
- 26:52A gente está tentando superar alguns conflitos daquela
- 26:56realidade, daquele mundo que a gente vai experienciando, que a
- 27:00gente vai entendendo como real. E o que gera compromisso são
- 27:04justamente os fatos que a gente vai percebendo, a realidade que
- 27:07a gente vai observando. Quando a gente chega em
- 27:10Biergarten e sai pelo portão da frasqueta, a gente olha os ermos
- 27:15e eu vou descrever que há uma planície com um leve declive
- 27:18para frente. Essa planície passa a ser
- 27:21repertório comum do jogo para todos os participantes da
- 27:24próxima vez com o grupo. que seja o mesmo ou outro diferente,
- 27:27passar por ali, ele vai ter que se deparar justamente com esse
- 27:32cenário à frente. Ainda que possa ser descrito de
- 27:35outras formas, aquilo passa a ser o repertório de jogo, passa
- 27:40a ser a matéria lúdica, o compromisso.
- 27:44E aí tem uma coisa importante da gente trazer aqui em relação a
- 27:48essa emergência, é que nessa emergência, como eu falei, é
- 27:53onde está o ouro do jogo. Ele não está em outras partes,
- 27:57na minha concepção, no meu barato.
- 27:59Eu estou falando aqui, eu, palbe, o que eu enxergo de legal
- 28:03no jogo é essa emergência e eu entendo que essa emergência é
- 28:08tão clara em seu valor dentro do jogo que é justamente essa
- 28:12emergência que gera compromisso. dentro do jogo.
- 28:15Não é o meta-jogo que gera esse compromisso.
- 28:18O que eu estou querendo dizer aqui com meta-jogo?
- 28:20Muita gente não entende muito bem o que é meta-jogo.
- 28:23Meta-jogo é o jogo além, é o que está além do jogo, por assim
- 28:28dizer. É você trazer para o jogo coisas
- 28:31que estão para fora dele. Muita gente encara isso como uma
- 28:35contaminação, mas eu encaro como um fato do jogo.
- 28:38É impossível a gente jogar sem esse aspecto do jogo.
- 28:40Mas é legal a gente entender o que está fora do jogo, o que
- 28:43está além do jogo e o que é do jogo.
- 28:46Então quando a gente tem na mesa os jogadores debatendo o que
- 28:48eles vão fazer, quais são as suas ações ali, de forma geral,
- 28:54a gente diz que essa conversa entre os jogadores é meta-jogo.
- 28:57Tem gente que pira com isso, tem mestre que não deixa.
- 28:59Eles falam, não, vocês estão numa dungeon, vocês estão
- 29:02fazendo silêncio, logo vocês jogadores, por mais que seus
- 29:05personagens não sejam vocês, vocês jogadores vão ter que
- 29:08fazer silêncio também. Eu não vou permitir que vocês
- 29:10troquem ideia. Eu vou perguntar o que vocês vão
- 29:13fazer e cada um vai declarar a sua ação.
- 29:15Tem mestre que pira com isso, tem grupo que não gosta disso.
- 29:19Mas eu acho que isso é, enfim, isso é metajogo?
- 29:22É, você está falando sobre o jogo, falando sobre as decisões,
- 29:25eventualmente isso não é jogo. Isso pode ser jogo.
- 29:29Quando o mestre fala, peraí, chega de conversa, o que você
- 29:32vai fazer? E o jogador declara, aí sim,
- 29:36aquilo passa a ser jogo. Se o jogador declarou que vai
- 29:39jogar uma bola de fogo numa sala e chamuscar tudo que tem dentro,
- 29:42aquilo passa a ser um fato do jogo.
- 29:47E agora é pra desligar essa meta aí, meu.
- 29:50E agora desliga! Então, essa conversa entre os
- 29:56jogadores é meta-jogo. Da mesma forma, a preparação do
- 30:00mestre é meta-jogo também. Ela tá ali informando o jogo de
- 30:05alguma forma. Claro, assim como essa conversa
- 30:07entre os jogadores, de certa forma, informa o jogo.
- 30:10Mas não é o jogar, né? A prep do mestre é o mestre
- 30:13pensando no que ele vai fazer. Ele se preparando pra trazer...
- 30:18essa ficção pro jogo da forma que ele acha que deve ou alguns
- 30:23dados da realidade que vão levar ele a se organizar de certa
- 30:26forma, mas isso é meta isso tá no meta, numa camada que não faz
- 30:30parte do jogo em si O pensamento do mestre não precisa nem estar
- 30:35na preparação, o mero pensamento do mestre, até dos jogadores,
- 30:38gera expectativa de ficção. E aqui eu estou falando até dos
- 30:42jogos de natureza mimética, não somente dos jogos de natureza
- 30:46diegética em que os jogadores estão discutindo o que fica
- 30:48melhor para a história. Existem também jogadores
- 30:51discutindo o que fica melhor para o jogo, seja numa
- 30:54performance ali, eles querem vencer um monstro, querem
- 30:57derrotar um monstro, ou seja, da forma que eles estão combinando
- 31:00de engajar com uma dungeon. Isso tudo é expectativa a
- 31:05respeito da ficção ou da narrativa, dependendo do jogo.
- 31:09Isso tudo a gente pode dizer que do mesmo jeito que No RPG de
- 31:14contar história, mais focado em contar história, a gente vai ter
- 31:17uma narrativa embutida quando a gente chega em jogo.
- 31:20A gente, de certa forma, tem uma expectativa de narrativa e a
- 31:23gente tem que compor as nossas expectativas numa narrativa
- 31:27única. Nos jogos mais voltados ali, se
- 31:30a gente limpar a narratologia dessa ideia, nos jogos... de
- 31:35natureza mais mimética, a gente entende que a gente também tem
- 31:39um sentido embutido ali, que é esse sentido que a gente dá para
- 31:42a ficção. E, de certa forma, isso é da
- 31:45natureza da simulação. A simulação é dotada de sentido,
- 31:50para além do próprio simular. Para além da própria
- 31:53verossimilhança, para além da própria mídia, é um sentido que
- 31:56a gente vai dar para esse jogar. E o que é esse sentido que a
- 32:02gente dá? No caso do D&D é a superação do
- 32:05desafio, do desafio que a gente está colocando à frente, pelo
- 32:08menos as ferramentas que ele traz são para isso. então se a
- 32:11gente limpar a narratologia disso a gente entende que o
- 32:16pensamento do mestre quando ele está seja preparando o jogo ou o
- 32:20pensamento do jogador também trazem expectativas em relação a
- 32:23essa ficção que seja no sentido de superar um desafio não
- 32:26necessariamente somente como enxerga a narratologia por conta
- 32:32de uma narrativa expectativa, uma narrativa embutida a gente
- 32:36pode dizer que há um sentido embutido nas vontades dos
- 32:40jogadores quando eles abordam esse espaço simulado.
- 32:44E aí nesse ponto, a gente pode entender que o metajogo, ele não
- 32:49gera compromisso em jogo até que ele entre em jogo, ele é mera
- 32:53expectativa. Assim como a gente pode dizer
- 32:55com tranquilidade que o que os jogadores estão debatendo, o
- 32:59mestre não pode usar em jogo, em teoria, é metajogo.
- 33:03Assim como a preparação do mestre também, ela precisa
- 33:07entrar em jogo, mas se tem na preparação não necessariamente é
- 33:10verdade dentro do jogo, ele é verdade em meta-jogo talvez,
- 33:14porque existe anotado no caderninho, mas não existe no
- 33:17jogo, ele não é elemento do jogo, ele não é bagagem
- 33:21ficcional, ele não está disponível ainda a jogo.
- 33:25Então, a gente pode dizer que essa expectativa de sentido que
- 33:30a gente tem, a expectativa seja ao superar um desafio, seja
- 33:34contar uma história, essas expectativas, é bom que a gente
- 33:38entenda que elas são expectativas.
- 33:41O mesmo a gente pode dizer em algum nível sobre as mecânicas
- 33:44dos jogos no RPG. A mecânica, ela funciona muito
- 33:48como representação também. Quando a gente fala que o D&D
- 33:54tem muitas mecânicas, muitas ferramentas de construção de
- 33:57desafio, é porque esse é o sentido que esse sistema de jogo
- 34:00traz. inclusive combate, mas também não só ele, além de
- 34:06combate ele traz muita coisa também, principalmente XP por
- 34:08ouro, a centralidade do jogo no D&D, por mais que muita gente
- 34:13perceba somente a partir das edições modernas, mas se você
- 34:16pegar o histórico do D&D, o principal sentido que ele começa
- 34:19a dar no jogo quando ele nasce é justamente na recuperação de
- 34:23tesouros, XP por ouro, E o combate sendo difícil.
- 34:26Então esse é o sentido que a mecânica traz pro jogo.
- 34:29Inclusive a gente pode dizer que é uma narrativa embutida no D&D
- 34:32aí, que é o Zero to Hero, né? Essas coisas se misturam, a
- 34:35gente sabe que as agendas se misturam.
- 34:37Mas é muito claro que as ferramentas do D&D, elas trazem
- 34:40um sentido mecânico ali, né? E de ferramental pra construção
- 34:46de desafios. Então a mecânica de jogo é uma
- 34:49representação importante da simulação que a gente está
- 34:52jogando. Assim como os jogos de contar
- 34:54história, eles trazem a representação do sentido que
- 34:58eles vêm para o jogo para a mecânica também.
- 34:59Como eu falei aqui no episódio anterior, se você pegar o Pasión
- 35:03de las Pasiones, você vai ver que as mecânicas têm uma
- 35:07narrativa, uma expectativa narrativa embutida e elas
- 35:10impulsionam somente... a ficção que encontra essa narrativa,
- 35:15esse sentido que o jogo quer dar.
- 35:16Então o jogo anda, de fato, quando os jogadores representam
- 35:20os seus personagens de uma novela mexicana.
- 35:23Aí o jogo impulsiona. Se você, por outro lado, está
- 35:26jogando com um pai de família e resolve... que você quer viver
- 35:31um caso dele que é a chefe de polícia e você quer representar
- 35:36aquilo, o sistema não te traz muita coisa pra resolver isso
- 35:38não e aí de fato a mecânica não tá representando isso você vai
- 35:43ter que trabalhar isso com uma representação livre, com uma
- 35:46representação freestyle, o fato é que a mecânica ela age como
- 35:50representação dentro da ficção também e muitas vezes a gente
- 35:54vai ver que a mecânica também gera dissonâncias com a própria
- 35:57ficção Como eu já dei alguns exemplos aqui, mas muitas vezes
- 36:01a gente olha e fala assim, pô, mas a mecânica tá dizendo que eu
- 36:03posso fazer isso. E aí o grupo fala, pô, mas não
- 36:05tem o mínimo sentido que isso aconteça.
- 36:07Pô, mas eu tô dizendo aqui que eu consigo escalar essa parede.
- 36:10Peraí, mas não faz sentido que você consiga escalar essa parede
- 36:12de gelo, né? Sendo que você é o avatar do
- 36:16calor. Sei lá, tô dando um exemplo
- 36:18esdrúxulo. Mas certamente você jogando RPG
- 36:21já se deparou com algum momento em que a mecânica dizia que você
- 36:24podia fazer alguma coisa e que faria sentido você não poder
- 36:27fazer, ou vice-versa, que a mecânica diz que você não pode
- 36:30fazer alguma coisa, mas que seria plenamente possível fazer,
- 36:32como por exemplo, um mago pegar uma espada No D&D clássico...
- 36:37E enfiar na garganta... Sei lá...
- 36:39De um demônio que estava dormindo ali...
- 36:42Por que o mago não pode fazer isso?
- 36:43Ah, porque está escrito que o mago não pode usar a espada...
- 36:44Espera aí... Mas essa mecânica faz sentido na
- 36:47ficção? Muitas vezes...
- 36:49No RPG... Muitas vezes...
- 36:51A mecânica abstrata contrasta com a ficção concreta.
- 36:55E a gente sabe que isso é muito comum, mesmo nos melhores
- 36:58sistemas. A ficção do RPG é muito variada,
- 37:01é ilimitada e natural que isso ocorra.
- 37:04Por isso que tem essa tendência da gente admitir nos jogos as
- 37:09arbitragens, os rulings, o uso diferente, o uso... que deriva
- 37:13do uso prescrito no sistema, etc.
- 37:17A gente sabe que o bom RPG leva em conta, inclusive, esse espaço
- 37:22de curadoria da experiência na mesa, nas palavras do Gui
- 37:26Providello, que leva em conta a natureza artesanal do próprio
- 37:30RPG, que precisa comportar certas lacunas e aí nesse ponto
- 37:36a gente pode dizer que se a mecânica derrapa muito e a gente
- 37:41não pode contar com a mecânica porque eventualmente ela vai
- 37:43deixar a gente na mão ela não vai fazer sentido se
- 37:47eventualmente o metajogo também não faz parte do jogo e a gente
- 37:51também não pode contar com esse metajogo como elemento de jogo
- 37:54porque ele está além Média expectativa de ficção Ou algum
- 37:59fenômeno atrelado Alguma coisa fora do jogo Mas que dentro não
- 38:03dá pra contar O que a gente pode contar?
- 38:06O que gera compromisso de fato Pro jogador experienciar o jogo?
- 38:11É o jogo da ficção O mundo de jogo, eu falei, ele não existe.
- 38:16Eu fiz um episódio aqui no Café com o Danjo dizendo que o seu
- 38:18mundo de jogo não existe. Foi uma bravata também, mas
- 38:21obviamente o que eu estou querendo dizer com isso é que o
- 38:25mundo em si não existe. O que existe é um repertório
- 38:28comum e até bem fluido dos jogadores, conforme eles jogam,
- 38:33eles vão construindo essa ficção que é esse repertório comum. que
- 38:37não é exatamente um mundo, esse repertório comum tem um sentido
- 38:40interno que a gente encara como a verossimilhança.
- 38:44O repertório, esse repertório, ele é emergente dessa dialética
- 38:49entre os participantes, que seja um repertório narrativo ou mais
- 38:54voltado para o ficcional, um repertório diegético ou
- 38:56mimético, mas o fato é que ele emerge da dialética entre os
- 39:00participantes. E isso vai ganhando uma
- 39:03oficialidade dentro do jogo. Isso vai sendo o repertório
- 39:07comum que dá para jogar, que a gente consegue alcançar, que é
- 39:11palpável, que tem compromisso em volta.
- 39:15A única garantia de fato que a gente tem em jogo, então, é esse
- 39:20repertório da ficção, que vem respeitando, obviamente, algumas
- 39:24expectativas de ficção ou de narrativa que a gente tem em
- 39:27mente, mas que emerge e aí ele existe.
- 39:31Então, quando eu falo de única garantia, é porque por mais que
- 39:36tenha alguma coisa na sua preparação, você obviamente não
- 39:39vai pegar a sua preparação e mostrar pro jogador, ó, tá aqui,
- 39:41por isso que aconteceu assim. Ou você não vai pegar ali e
- 39:45falar, não, tava na minha cabeça.
- 39:47Dane-se, né? Eu sei que muitos mestres gostam
- 39:49de, depois da aventura, falar a respeito e dizer, não, eu tava
- 39:54pensando isso, tava pensando aquilo, tava na minha preparação
- 39:57isso, tava na minha preparação aquilo.
- 39:59Mas a gente sabe que nada disso, nem o nível meta-jogo, nem mesmo
- 40:04a mecânica, vai garantir essa experiência de jogo, por mais
- 40:07que sejam sólidas contribuições para garantir, sim.
- 40:12A gente sabe que não são elas que garantem.
- 40:13O que o jogador pode se fiar em jogo, nas suas tomadas de
- 40:19decisão, é a ficção do jogo. Então, eu trago aqui para você
- 40:26que não adianta você ter alguma coisa anotada na preparação sem
- 40:29você trazer para a mesa. O jogador não tem como acessar.
- 40:33Não adianta você ter alguma história pré-concebida na sua
- 40:39cabeça se os fatos dessa história não forem aparecendo em
- 40:43jogo. Não adianta.
- 40:46Aquela coletividade precisa experienciar isso.
- 40:49Então você pode ter aí definido que, de repente, na tua
- 40:55campanha, no seu mundo, vai ter um castelo e aquele castelo vai
- 41:00estar em chamas. Mas, de repente, a guerra foi
- 41:03agora. Aconteceu nesse momento.
- 41:05A guerra está acontecendo nesse momento no jogo e, cara, de
- 41:09repente a guerra... Já passou um tempão porque os
- 41:11jogadores foram para outro lado, vivenciaram outra aventura.
- 41:14Quando eles voltaram, não faz mais sentido o castelo estar em
- 41:17guerra, estar em chamas. E aí, o que você faz?
- 41:20Você mantém o castelo em chamas até agora, dois meses depois da
- 41:23guerra? Claro que não.
- 41:26Você vai falar das ruínas ali, etc.
- 41:28Quer dizer que esse castelo existia naquele ponto?
- 41:31Não, ele não existia. Inclusive, pode ser que os
- 41:32jogadores nem voltassem para aquele local para jamais ver
- 41:35novamente aquele castelo. Ele morreria.
- 41:38Ele não ficou existindo em buffer ali para sempre.
- 41:42Ele só passou a existir no repertório comum de todos que
- 41:44jogaram quando ele foi revisitado.
- 41:47E aí sim, você coloca em perspectiva as coisas e fala,
- 41:50bom, teve uma guerra, já passou dois meses, o que você tem é uma
- 41:53ruína. Mesma coisa pra contar história.
- 41:55Se você tem uma história embutida na sua cabeça, você
- 41:58pode dizer, cara, na minha cabeça eles iam salvar o rei.
- 42:02E aí de repente você se depara com jogadores que resolvem tomar
- 42:05o poder desse rei. E fazem isso muito bem.
- 42:09Poxa, essa história foi a história que o grupo chegou à
- 42:12conclusão que queria contar. Pode ser um jogo de contar
- 42:14história mesmo. E aí, cara, o que você faz?
- 42:17Pô, deixa de lado a sua expectativa de ficção nesse
- 42:20ponto. tá confluindo com todas as boas técnicas de preparação e
- 42:25de condução de jogo que a gente conhece.
- 42:27No fim das contas, não vale a pena você se apegar à sua
- 42:30preparação nem às ideias que você tem na sua cabeça, assim
- 42:32como é impossível a gente se apegar às mecânicas, às últimas
- 42:36consequências. No fim, eu quero dizer que eu
- 42:41adoro preparação, mas você pode queimar a sua preparação, por
- 42:45favor. Simbolizando aqui, você queimar
- 42:48as suas expectativas. Toda preparação é expectativa.
- 42:54E assim, se você queimar a sua preparação, você abraça melhor a
- 42:58narrativa emergente e o mundo emergente.
- 43:02Quanto menos prep, menos expectativa.
- 43:06Isso aqui não é um libelo anti-prep.
- 43:10Eu adoro preparação. Eu acho que preparação é a minha
- 43:13cachaça até hoje. Eu adoro fazer preparação.
- 43:15Eu adoro me informar com ela. Eu gosto também de comentar
- 43:20sobre minha preparação depois do jogo, como eu falei.
- 43:23Esse orgulho de demiurgo que tem tudo na sua preparação, nada lhe
- 43:28fugiu. Todo o sentido do jogo já estava
- 43:31posto ali. Vocês apenas andaram pelas vias
- 43:35do meu tortuoso labirinto. Quem não tem esse prazer?
- 43:41Mas eu vim aprendendo algumas lições ao longo do tempo,
- 43:44principalmente nas minhas experiências multimestre.
- 43:47Quando eu jogava Rule Cyclopedia...
- 43:48Eu já pude falar na primeira temporada do Café com
- 43:50Dungeons... Sobre essa experiência...
- 43:52A gente estava revezando mestres...
- 43:54Sessão a sessão... E era muito legal...
- 43:56Esse bate-bola... Inclusive em relação às nossas
- 43:59expectativas... Às vezes eu tinha preparado uma
- 44:01dungeon... Jurando que ela ia entrar em
- 44:03jogo nessa sessão... Em determinado espaço que os
- 44:06jogadores estavam E aí a sessão acaba e não entrou E aí entrava
- 44:10o mestre seguinte E ele continuava de onde a gente tinha
- 44:13parado E naquele local onde eu ia botar a dungeon Ele botou
- 44:15outra coisa completamente diferente Problema meu Eu posso
- 44:19até guardar essa dungeon Pra de repente usar, reciclar, botar em
- 44:22outro pedaço Mas o fato é que ela não entrou em jogo Isso
- 44:26inclusive reforça A natureza A natureza de não jogo Da
- 44:31preparação Ela é expectativa E trabalhar com isso foi muito bom
- 44:36pra mim. Eu podia ter até falado, cara,
- 44:38você quer usar essa dungeon? Mas ele não teria a mesma graça.
- 44:41Por quê? Porque, obviamente, eu saberia o
- 44:43que tem nessa dungeon, né? Se ele usasse a minha
- 44:45preparação. E eu queria ver uma dungeon
- 44:47nova, se é que entrasse. Na verdade, eu queria ver o que
- 44:50ele tinha à frente ali pra botar naquele jogo.
- 44:53Isso era muito excitante. Depois disso, eu tive uma
- 44:57experiência muito interessante com Arcaia e Birgota, em duas
- 45:00campanhas abertas com centenas de jogadores.
- 45:03E nesse ponto também era multimestre, também é
- 45:06multimestre o Birgoten. De forma geral, a gente teve
- 45:10muitos mestres participando, ainda que atualmente só eu
- 45:13mestre, inclusive devo abrir vagas para mestres em Birgoten
- 45:17em breve. O fato é que a gente tem que
- 45:21compor diferentes ideias, diferentes... expectativas de
- 45:27ficção, de desafio e etc. dentro dessas campanhas.
- 45:32E se você prepara alguma coisa e você fica com a expectativa de
- 45:35que o mestre leve a cabo sua prep, isso é complicado.
- 45:39A prep pode ajudar e entender o que é uma boa prep para uma
- 45:44campanha como essa é uma coisa complicada.
- 45:46Às vezes é até melhor você ir sem nada do que você com uma
- 45:49prep truncada. E aí lembrando que a gente tem
- 45:53aí a ideia da Forge lá do Lampley Principal, de que isso é
- 45:58muito, eles falam muito atrelado à mecânica de jogo, porque no
- 46:01caso a mecânica de jogo é o que impulsiona a ficção e tal, o
- 46:04grupo combinar sobre as mecânicas, sobre o uso das
- 46:07mecânicas e sobre o que emerge disso, mas na Forge o Lampley
- 46:11Principal diz que o acordado entre os participantes desse
- 46:16mundo imaginário coletivo é o que vale, principalmente em
- 46:20termos mecânicos, me parece que é uma questão relativa a sistema
- 46:24de jogo. Mas aqui, trazendo pra realidade
- 46:27desses jogos que a gente joga em Birgotem, que a gente jogou em
- 46:31Arcaia, com os jogos old school, de forma geral, de natureza mais
- 46:34diegética, isso se aplica muito à ficção.
- 46:38O que vale da lei da mesa é o que vale ao que é jogado, ao que
- 46:41é construído como ficção ali. Ainda que na mecânica, nesse
- 46:44estilo de jogo que a gente propõe do Wild Fantasy, a
- 46:46mecânica vai variar De acordo com o que a ficção traz,
- 46:49inclusive, né? E o metajogo também, não dá pra
- 46:51se fiar nele. Então o que a gente faz é que a
- 46:53gente constrói um repertório lúdico comum que a gente pode se
- 46:57fiar, que o jogador pode garantir que isso aqui é real,
- 47:01isso aqui eu posso garantir, nisso aqui eu posso me fiar, eu
- 47:04não posso me fiar... No que eu entendi que o mestre
- 47:07estava fazendo como antecipação. Eu não posso me fiar no que eu
- 47:11estou achando que é a construção do desafio do mestre.
- 47:14Ou de que ele não vai fazer isso porque isso seria justo ou
- 47:16injusto. Não, você não pode se fiar em
- 47:18nada disso. Você não pode se fiar também na
- 47:20preparação do mestre. Por quê?
- 47:21A gente sabe que ela é impermanente, que ela nem
- 47:24permanência tem em momento algum.
- 47:26Ela existe fora, ela é metajogo. Não tem como você se garantir.
- 47:29Você como jogador, você vai buscar...
- 47:30A ficção e nela é que você se garante.
- 47:33E essa ficção passa por essa confirmação, por esse momento em
- 47:38que a gente chega lá e coloca todo mundo junto no mesmo
- 47:41espaço, com o mesmo repertório para jogar.
- 47:46E aí nesse ponto, muito mais importante do que esses milhões
- 47:49de cadernos com preparação, é o caderno em branco.
- 47:53Você se permitir explorar o jogo sem você construir um sentido
- 47:59prévio muito ditado já. Você deixar que esse sentido vá
- 48:04emergindo ali. Você coloca só uma diretriz, mas
- 48:07não a especificidade das coisas, o sentido dos fatos ficcionais
- 48:13por si só. Deixa só emergir de um sentido
- 48:16geral do jogo que todos combinam.
- 48:19Você pode experimentar jogar a sua simulação Sem ter prep.
- 48:25Quanto menos prep, menos expectativa.
- 48:28E é gostoso jogar sem tanta expectativa.
- 48:31Admitir novos sentidos em cima da hora, em cima da mesma base
- 48:34comum, é muito empolgante. A gente tem jogos aí que
- 48:39inclusive demonstram isso na prática, né?
- 48:42eles ludificam a preparação às vezes, ou às vezes chegam lá com
- 48:46zero prep mesmo. Ludificar a preparação no caso é
- 48:50quando você vai ver que os jogos que criam esse contexto inicial
- 48:54coletivamente, e por ser coletivo, trazendo aí o Lampley
- 48:57Principal ou a Lei da Mesa mesmo, eles já começam a
- 49:00construir o repertório comum. E aí você pode buscar aí, jogar
- 49:04Este Corpo Mortal, Apocalipse Road, Fiasco, Maze Rats, Beyond
- 49:09the Wall. São todos jogos, seja de
- 49:11natureza mais mimética, seja de natureza mais diegética, são
- 49:16todos jogos... Que possibilitam você...
- 49:19Construir esse sentido comum... Em termos de uma base...
- 49:24Bem ampla... Para que você consiga construir
- 49:26a ficção... E a narrativa ali...
- 49:28De um jeito bem mais próximo do jogo...
- 49:30Do concreto... De uma forma muito mais
- 49:32emergente... E é gostoso fazer isso...
- 49:35Se não... Eu estimulo você que está
- 49:37ouvindo... A cocriar dentro... novos ares,
- 49:41dando o privilégio da emergência em experimentos como esse que eu
- 49:45falei de você pegar uma campanha de D&D clássico, por exemplo, e
- 49:49dividir a mestragem, cada sessão um mestre joga, sempre um depois
- 49:53do outro, aproveitando onde o outro deixou O que ajuda,
- 49:57inclusive, você pegar um caderninho branco e fazer com
- 50:00que o mestre da próxima anote a sessão atual.
- 50:03Isso já ajuda bastante. Por quê?
- 50:05Porque ele está familiarizado com o repertório que foi criado
- 50:08ali. Que é o repertório que vale.
- 50:10Mais importante você se familiarizar com esse repertório
- 50:13do que com as suas expectativas. E isso faz com que você jogue
- 50:17até de forma mais leve. admitindo mais cocriação,
- 50:21admitindo novos ares, dando privilégio para emergência, o
- 50:24que dentro do estilo Wild Fantasy, inclusive, é muito
- 50:26essencial. Por quê?
- 50:28Porque faz com que você abrace mais as reivindicações
- 50:31ficcionais dos jogadores, a despeito do que você tem na sua
- 50:34prep. A importância da preparação é
- 50:38inegável. Ela informa a simulação, assim
- 50:41como os jogos de contar história informam a emergência, de forma
- 50:46geral, pela mecânica. Então você ter uma preparação,
- 50:50você ter mecânicas, você ter espaços ali que constroem boas
- 50:53emergências é muito importante. Inclusive, há certas coisas que
- 50:58se você preparar, quer dizer que você teve mais tempo para
- 51:01construir algumas coisas, para pensar algumas coisas e botar em
- 51:06perspectiva as coisas. A gente sabe, botar em
- 51:08perspectiva as coisas previamente às vezes ajuda.
- 51:11Muitas vezes ajuda. Eu acredito que fazer uma
- 51:13dungeon... sem preparação nunca vai alcançar o nível de agudez
- 51:19de desafio que uma dungeon que você construa previamente vai
- 51:21alcançar mas não é impossível e muitas vezes você vai ter
- 51:26prazeres e vai descobrir coisas interessantíssimas mestrando uma
- 51:30dungeon sem preparação são espaços que a gente alcança
- 51:34diferentes espaços diferentes que não necessariamente são
- 51:38melhores uns que os outros são espaços diferentes então a
- 51:42importância da preparação é inegável Mas se você abrir mão
- 51:47dela, certamente você vai se ver num exercício muito interessante
- 51:50de abrir mão das suas expectativas.
- 51:53Combinar a sintaxe de jogo na base da mídia, ou seja, como a
- 51:58gente faz em Wild Fantasy, entendendo quando o mestre
- 52:00reivindica, quando o jogador reivindica a ficção, traz muita
- 52:04segurança, inclusive, para essa emergência.
- 52:06Então, nesse caso do Wild Fantasy, o estilo de jogo traz
- 52:08muita segurança para a gente jogar o jogo mesmo sem
- 52:11preparação. Pra viver uma dungeon, mesmo que
- 52:13a gente não tenha ela preparada. A gente consegue desfrutar o
- 52:17jogo sem preparação e vamos e venhamos.
- 52:20Grande parte do RPG, mesmo quando você tem preparação,
- 52:23ocorre sem essa prep. Encarar a preparação com outros
- 52:26olhos vai te ajudar a libertar o seu jogo do labirinto que você
- 52:30desenhava quando era criança. Mesmo que você aproveite o que
- 52:34desenhou ali na última folha do caderno.
- 52:37Porque no fim, o que importa é o jogo jogado.
- 52:46Um fanzine ou zine, para os mais íntimos, é um produto de uma
- 52:52única pessoa ou de um grupo muito pequeno relativo a um
- 52:56nicho cultural e são popularmente fotocopiadas em
- 53:00impressões físicas para circulação.
- 53:04Um fanzine ou zine é uma publicação não profissional de
- 53:08forma geral e não oficial, produzida por entusiastas de um
- 53:14gênero específico de literatura ou de música, ou, no caso, até
- 53:20de jogos de RPG. Inclusive, estou em mãos aqui
- 53:25com um zi feito por um cachorro carmelo.
- 53:29Pum, pum, pum, pum! É isso aí.
- 53:33Você ouviu falar aí do lançamento da Caramelo Jogos?
- 53:38A Caramelo Zine número um? Então, por menos de cinquenta
- 53:42reais você consegue aí o formato físico e o digital.
- 53:46O digital enviado até vinte e quatro horas por e-mail.
- 53:49E o físico, saindo aí na segunda quinzena de novembro.
- 53:52É a zinha de Halloween da Caromelo Jogos.
- 53:55Então vem com três aventuras e um sistema minimalista.
- 53:58É o From the Mud, do Felipe Silva, do Melodia Perdida.
- 54:02Inclusive, da Comunidade do Café.
- 54:04E é um sistema minimalista souls-like, né?
- 54:06Pra você jogar jogos tipo souls. E ele é um hack de cair.
- 54:11Então, cara, material de primeira.
- 54:13Fora isso, tem três aventuras aí.
- 54:15Uma do Damasceno, com aqueles mapas maravilhosos lá, que é
- 54:18inspirada no Ravenloft, que é o castelo de Copenhalla.
- 54:23Tem também o Cemitério Maldito, do Aquiles Fraga, que é uma
- 54:26aventura para Maus Ritter num cemitério amaldiçoado.
- 54:29E também o Último Refúgio, do Lucas Rolim, grande Lucas Rolim,
- 54:33do Templo das Dunas do Tempo. E é uma aventura pra entudioide,
- 54:38com os mortos estão chegando. E é uma aventura de apocalipse
- 54:43zumbi. Por incrível que pareça, esse
- 54:45zine foi editado por um cachorro caramelo.
- 54:50Garanta logo seu, antes que acabe.
- 54:52Por interesse RPGístico ou zoológico.
- 54:55E agora é pra desligar essa merda aí, meu.
- 55:06E agora desliga! Bom, eu vou deixar aí uma
- 55:11pergunta pra você na enquete e a pergunta é, você tá preparado
- 55:14pra queimar sua preparação e experimentar novos ares?
- 55:18Manda aí pra gente sim ou não. E também deixa o seu comentário,
- 55:21deixa o seu recado aí pra gente, beleza?
- 55:23Vou deixar os links citados no episódio aí, o Maldição Troiana,
- 55:26Esse Corpo Mortal, Apocalypse World, Fiasco, Maze Rats, Beyond
- 55:30the Wall e os episódios do Café com Dungeon que eu citei.
- 55:33No mais... se você quer que o Café com Dungeon volte a ter
- 55:37cinco episódios semanais, considere apoiar o projeto e sua
- 55:39expansão no nosso apoia.se apoia.se barra Café com Dungeon
- 55:43se você gostou especialmente do Café com Dungeon de hoje, deixa
- 55:46pra gente uma gorjeta manda o seu pix com qualquer valor pra
- 55:49cafécomdungeon.com agradeço demais e conto com o teu apoio,
- 55:54se você tem uma empresa ou marca e quer ter um dia da semana do
- 55:56Café com Dungeon financia um episódio semanal do podcast e
- 56:00faça a alegria da massa RPGista Consulta a gente lá no
- 56:03cafécomdungeon.com que a gente tem uma proposta especial para
- 56:07você. Também pode consultar a gente aí
- 56:09sobre parcerias e anúncios da sua marca, seja de RPG ou de
- 56:13café, jogos, tecnologia, mídia e outros ramos.
- 56:17Se você quer colaborar com a gente, manda um e-mail aí,
- 56:20cafécomdungeon.com. Não manda pelo Instagram não, ou
- 56:24pelo, sei lá, por outros meios, porque se perde muito fácil.
- 56:28No mais, queria agradecer a galera que torna possível essa
- 56:30aventura, os nossos assinantes. Então, valeu aí os assinantes do
- 56:34nível Incentivo, incluindo o Lúcio Pimentel.
- 56:37Valeu demais ao pessoal do nível de Apoio e Comunidade, incluindo
- 56:40o Edu Halak, o Caio Palma Fernandes e o Evaldo Pontual.
- 56:44Um salve especial para os assinantes do nível RPG do Jô,
- 56:47dentre eles o Pedro Obliziner, o Pedro Borges, o Vinícius Caldas,
- 56:50o Luiz Guilherme Dias de Souza e o Marco Vinícius Ornelas.
- 56:55Um abraço aos membros do treinamento Oil Fantasy.
- 56:57Então, Abílio Júnior, César Machado, Dedan Waidar, Diego
- 56:59Sestito, Douglas Baiense, Léo Gasparuto, Matheus Pequeira,
- 57:02Rafael Bardal, Bruno Cobb, João Burlamaque, Gui Providello.
- 57:06E um imenso agradecimento ao nosso membro Café com Balbi, o
- 57:10Thiago Augusto. Valeuzaço, cara.
- 57:12Um abraço e até a próxima. Churrasqueira controle remoto.
- 57:34Você liga pelo controle remoto, quer dizer, você tá na piscina.
- 57:37Então, vamos ligar. Como é que é?
- 57:38Aperta o número um e liga. Puta vida!
- 57:40Puta vida! E agora pra desligar essa merda,
- 57:50hein, meu? E agora, desliga!
- 57:53Tá pegando fogo, bicho! Aperta essa merda, hein, que tá
- 57:59pegando fogo, pô! Chama o vovê lá!
- 58:03Para pagar, você chama o corpo de bombeiros.
- 58:04Mas...