Latest / Galinha Viajante - Videogames / Como Metal Gear Solid 2 Previu as Eleições de 2026?
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- 0:06SPEAKER_00: Essa semana o galinho vai pular em quatro dias e não em um só.
- 0:10SPEAKER_00: O episódio vai ser separado e entregue em pedaços pra vocês.
- 0:15SPEAKER_00: Parte 1 na terça-feira, a parte 2 na quarta-feira, parte 3 na quinta-feira, e a parte quatro na sexta-feira.
- 0:23SPEAKER_00: Cada dia falando aí de um videogame and the relation that a gente encontrou nesse videogame, da sua história, narrativa andas com as eleições que vem aí thisem.
- 0:35SPEAKER_00: Essa é a parte 2: Metal Gear Solid 2.
- 0:50SPEAKER_02: Vamos falar agora de Metal Gear Solid, especialmente o 2, que é o Sons of Liberty.
- 0:58SPEAKER_02: Pós-verdade, engenharia social, controle de informação para fabricar legitimidade.
- 1:05SPEAKER_02: Ou seja, trocando em miúdos aqui é realmente o lance de produzir factoides pra que isso tenha legitimidade por aí afora.
- 1:16SPEAKER_02: Algo que acontece de veras, Andy, em Metal Gear Solid 2, correto, senhor?
- 1:22SPEAKER_01: Olha, eu vou falar uma coisa pra você, viu?
- 1:26SPEAKER_01: O Metal Gear Solid 2, ele é de 2001, né?
- 1:30SPEAKER_01: E caramba, o tempo passa muito rápido, cara.
- 1:32SPEAKER_02: Muito.
- 1:33SPEAKER_01: É um pouco desesperador.
- 1:35SPEAKER_01: É um pouco desesperador às vezes.
- 1:37SPEAKER_01: Quando eu lembro da data e da época de alguns jogos aí, porque eu falo, não, não é possível.
- 1:43SPEAKER_01: Mas esse é um tema que ele traz elementos muito caros, né?
- 1:48SPEAKER_01: Como você disse, uma das questões centrais, até viralizou aí, né, uns anos, e de lá pra cá vem sendo bastante debatido, é a forma como esse jogo trabalha pós-verdade e como que a comunicação memética ela funciona.
- 2:08SPEAKER_01: E aí é muito interessante, porque esses dois conceitos estão intimamente relacionados com o uso que a gente faz da internet.
- 2:17SPEAKER_01: E aí a gente tem que fazer uma análise material pra entender que em 2001, esse jogo antecedeu as redes sociais, antecedeu a forma como a gente se comunica hoje em dia, e antecedeu conceitos que hoje são estudados pela ciência política e pela comunicação, e também pelas áreas que interseccionam dentro desses conceitos que a gente está falando.
- 2:44SPEAKER_01: Quando a gente fala, por exemplo, de pós-verdade, a gente está falando que não é que a verdade deixou de existir, mas é que a verificação dos fatos perde força como um critério de convencimento político, e a forma de você convencer é a forma de você criar uma realidade.
- 3:10SPEAKER_01: E aí aquilo que é concreto, aquilo que é factível, perde um pouco o sentido, porque os fatos objetivos têm menos influência na formação da opinião pública e o apelo à emoção, a crenças pessoais, a esses factoides, a uma discussão moral ali, aquilo vai ganhando um outro revestimento.
- 3:36SPEAKER_01: É um comportamento meio de seita, assim, se você parar pra pensar, porque existe o modus operandi que ele anda muito alinhado com a pós-verdade, que é o isolamento social das pessoas e a forma como as pessoas são seduzidas, são cooptadas por essa engenharia social.
- 3:56SPEAKER_01: E esse conceito que você trouxe de engenharia social é muito importante, porque qual é o lance?
- 4:01SPEAKER_01: Quando a gente observa, por exemplo, uma seita, a gente sabe que um dos principais elementos da seita é você isolar a pessoa da rede de apoio e de convívio social que ela tem.
- 4:12SPEAKER_01: E a partir do momento, você vai plantando ali os factoides, as teorias da conspiração, os elementos, os elementos constitutivos da seita.
- 4:23SPEAKER_01: E aí você vai moldando uma nova realidade que pra aquela pessoa passa a ser uma verdade.
- 4:32SPEAKER_01: É como uma teoria da conspiração, só que uma forma mais complexa de moldar isso, porque assim, quando a gente fala teoria da conspiração, a gente tá falando meio que às vezes num lance meio divertido, às vezes numa coisa meio que, tipo, você dá uma risada, você vê uma parada assim, depois, sei lá.
- 4:52SPEAKER_00: É, sim, ah, e Tebilu.
- 4:54SPEAKER_01: Exato, essa.
- 4:55SPEAKER_01: Tipo, chupacabra, essas doideiras aí.
- 4:58SPEAKER_01: Isso aí, teoria da conspiração, tem uma intersecção com cultura pop.
- 5:04SPEAKER_01: Pô, quem nunca teve um avô que viu um lobisomem na Bahia?
- 5:08SPEAKER_02: Nossa, exatamente.
- 5:10SPEAKER_01: Vários.
- 5:11SPEAKER_01: Isso aí é tipo, é lenda, popular, mistura essas coisas todas, assim, tem tudo isso.
- 5:17SPEAKER_01: Agora, pós-verdade, ela passa a preencher a concepção de mundo da pessoa, e a pessoa realmente acredita naquelas circunstâncias, naquelas coisas todas.
- 5:30SPEAKER_01: Tem uma galera que realmente acha que a gente tá numa iminência de uma dominação comunista.
- 5:36SPEAKER_01: Sim.
- 5:37SPEAKER_01: Tem a galera que acha isso.
- 5:38SPEAKER_01: Tem a galera que acha isso.
- 5:40SPEAKER_01: E de fato, às vezes você vai conversar com a pessoa, ela realmente acredita nisso.
- 5:47SPEAKER_01: Ela não consegue ter uma concepção de realidade que é diferente.
- 5:51SPEAKER_00: Então, eu tava vendo ontem mesmo um vídeo sobre um assunto que eu acho que tem a ver com isso, que era um cara explicando um pouquinho o que é o tal do realismo ingênuo.
- 5:58SPEAKER_00: E é um termo que é usado pra definir aquela tendência que a gente tem de pensar que pessoas que veem o mundo de um modo que é muito distante do modo que a gente vê o mundo, devem estar malucas enlouquecidas, que não entenderam a verdade, enfim.
- 6:15SPEAKER_00: E aí isso acontece nos dois lados do espectro, no caso aqui do nosso, né, ideológico, político, partidário, enfim.
- 6:23SPEAKER_00: E torna muito difícil uma conversa, muitas vezes.
- 6:26SPEAKER_00: E aí, como tu falou, tem gente que acha que a gente tá realmente, assim, no dia anterior à Revolução Comunista no Brasil.
- 6:33SPEAKER_00: Tem gente que pensa que amanhã, talvez, o Lula roube, sei lá, a tua casa e.
- 6:41SPEAKER_00: e isso se torne algo estatal, não sei, né?
- 6:44SPEAKER_00: Enquanto isso, a gente que é mais de esquerda, a gente também fala isso direto, né?
- 6:49SPEAKER_00: A gente pensa assim, pô, como é que a pessoa pode estar vendo o mundo como ele é hoje aqui, pode estar vendo, sabe, tipo, não só no Brasil, mas assim, ó, pô, sempre os Estados Unidos, a gente não me lê, e aqui daí mesmo, como tá sendo aí a campanha do Flávio, como é que a pessoa pode ver isso, não identificar isso como uma coisa absolutamente maluca e fora da casinha e negativa.
- 7:10SPEAKER_00: Mas é que no viés que aquela pessoa tem, pra ela aquilo é a verdade, aquilo é o real.
- 7:17SPEAKER_00: E aí é muito difícil essa conversa, porque ela parte desse princípio, de pensar que o outro é maluco, o outro pirou, o outro é louco, é.
- 7:28SPEAKER_00: Nossa, alienado, sei lá.
- 7:30SPEAKER_00: Só que não dá pra ser assim.
- 7:32SPEAKER_00: E aí vem a tal da pós-verdade aí, que é uma coisa construindo pouco a pouco essa imagem que a pessoa tem de mundo, e isso é muito difícil de destruir, muito difícil de reconstruir depois, muito difícil de modificar e torna esse papo, esse diálogo muito complicado.
- 7:51SPEAKER_00: Porque daí requer de ambos os lados uma certa humildade, vou dizer assim, de deixar um pouco de lado o que a pessoa de repente assimilou como verdade absoluta.
- 8:07SPEAKER_00: E aí, primeiro, ir atrás de números, e atrás de fatos, e atrás realmente de informações que sejam o mais limpas de viés possível.
- 8:18SPEAKER_00: E segundo, ter a vontade de conversar, de debater, de realmente botar suas ideias pra jogo ali, sabe?
- 8:26SPEAKER_00: De realmente comparar políticas públicas e comparar.
- 8:31SPEAKER_00: Enfim, né?
- 8:32SPEAKER_00: Conversar, não ficar preso só numa ideia única e pensar que todo o resto que existe é totalmente imbecil, as pessoas são burras e não sei o que lá.
- 8:44SPEAKER_00: E aí vem uma coisa que é muito interessante, porque não é à toa que essa extrema direita, que não é, na real na direita, né?
- 8:54SPEAKER_00: Como falou lá o próprio general, que a gente agora botou o áudio aí.
- 8:57SPEAKER_00: Esse pessoal se recusa muito a fazer um debate honesto.
- 9:02SPEAKER_00: Pra discutir propostas de fato, pra discutir realmente, sabe, ideias de governo, ideias de políticas públicas, enfim.
- 9:10SPEAKER_00: Rolou o oposto, rola uma tentativa de tornar ridículo a ideia de um debate.
- 9:15SPEAKER_00: E aí, com isso, o que acontece?
- 9:17SPEAKER_00: Tu só tem ali uma galera que fica presa numa câmera de eco porque não tem sequer a menor vontade e a menor exposição a um pensamento contrário.
- 9:30SPEAKER_01: E aí qual que é o lance?
- 9:31SPEAKER_01: No Metal Gear Solid tem esse diálogo que viralizou que fala disso, né?
- 9:38SPEAKER_01: São tantas as notícias acontecendo ao mesmo tempo que você escolhe uma notícia e aí você passa a acreditar no que você escolheu e nessa realidade que tá enviesada, e a partir do momento você não consegue distinguir mais o que é verdade e o que não é verdade.
- 9:59SPEAKER_01: Porque esse debate do que é verdade e do que não é verdade, ele não existe mais.
- 10:04SPEAKER_01: Porque ele só existe aquela concepção.
- 10:06SPEAKER_01: Então é muito louco o que o Metal Gear Solid 2 faz.
- 10:12SPEAKER_01: E a comunicação memética, que é uma outra coisa que aparece sempre no trabalho do Kojima, e especificamente nesse jogo, ela antecede um pouco as redes sociais, mas ela diz respeito a uma comunicação meio que cerebral celular, no sentido de que tudo acontece de forma repetitiva e fragmentada.
- 10:38SPEAKER_01: E o meme é isso, né?
- 10:40SPEAKER_01: Você repete e você fragmenta, você pulveriza, você capilariza o meme.
- 10:45SPEAKER_01: Então, a forma como a pós-verdade acontece hoje, pelos celulares, pelas redes sociais, enfim, ela é uma replicação desse conceito de comunicação memética.
- 10:59SPEAKER_01: Então, é loucura.
- 11:03SPEAKER_02: É bem maneiro, porque o Kojima é quase os Simpsons dos videogames, né, cara?
- 11:10SPEAKER_02: Porra, o cara prever tudo antes da hora.
- 11:12SPEAKER_02: É bizonho, mané.
- 11:13SPEAKER_02: É bizonho, cara.
- 11:14SPEAKER_02: Cara, acho que o grande ponto é esse mesmo, Andy.
- 11:17SPEAKER_02: É a forma como você consegue transformar essa comunicação, essa criação de coisas, né?
- 11:25SPEAKER_02: E essa dominação em cima da mídia.
- 11:26SPEAKER_02: Agora eu tô falando um pouquinho do.
- 11:28SPEAKER_02: Eu vou botar aqui mais uma vez o meu diploma pra jogo, gente.
- 11:30SPEAKER_02: Por favor.
- 11:32SPEAKER_02: Que é uma parada que.
- 11:34SPEAKER_02: Cara, o dia 1 da faculdade de jornalismo a gente aprende duas frases que a gente vai repetir ela pro resto da vida.
- 11:40SPEAKER_02: Primeiro, o quarto poder é comunicação.
- 11:43SPEAKER_02: E a segunda é que isenção não existe.
- 11:46SPEAKER_02: Ai, me dizienta.
- 11:47SPEAKER_02: Cara, não tem como ter midizenta, porque a mídia parte de um pressuposto político sempre.
- 11:53SPEAKER_02: Seja político-partidário, seja político financeiro, político econômico.
- 11:57SPEAKER_02: Ela vai partir de um ponto de vista de viés.
- 12:00SPEAKER_02: Não tem como ter mídia de jornalismo, né?
- 12:03SPEAKER_02: Enfim, notícias, radio news, desenviesado.
- 12:07SPEAKER_02: Mais ou menos, você pode imaginar como é que seria, mas ainda assim o fato de você escolher uma notícia em relação a outra já torna isso um ato político, portanto, enviesado, portanto, não é isento.
- 12:19SPEAKER_00: É, e assim, e tem, tipo, escala disso aí, porque tu pode botar o teu viés pra jogo escolhendo como ou o que falar, ou tu pode ser desonesto também.
- 12:30SPEAKER_00: Sim.
- 12:30SPEAKER_00: Existem as duas coisas.
- 12:32SPEAKER_00: E aí a gente tem hoje em dia um rolê que o Andy agora há pouco falou, né?
- 12:35SPEAKER_00: Que é tanta informação disponível hoje em dia na internet pra tu acessar.
- 12:40SPEAKER_00: Que é foda.
- 12:41SPEAKER_00: Imagina, pô, a pessoa nos anos 90.
- 12:43SPEAKER_00: Como é que ela se informava?
- 12:45SPEAKER_00: Pô, ela via telejornal na televisão.
- 12:47SPEAKER_00: Ela lia vez.
- 12:48SPEAKER_00: Ela tava lá uns dois por dia, ela lia, veja, lia o jornal impresso quando queria ler o jornal impresso.
- 12:54SPEAKER_00: Então era muito menos coisa pra tu se informar e era muito mais fácil de aquilo ser desmentido, de repente, de pessoal falar assim, ó, pô, tu viu no Jornal Nacional ontem aquilo lá que passou, aquilo lá é verdade?
- 13:07SPEAKER_00: Pô, não sei, vou pesquisar, pô, é mentira.
- 13:09SPEAKER_00: Era uma coisa que tinha mais peso, assim, porque mais gente tava vendo e era só aquilo que tinha pra assistir.
- 13:14SPEAKER_00: Não tinha como.
- 13:15SPEAKER_00: Hoje em dia, porra, tu.
- 13:17SPEAKER_00: Irmão, tudo que a gente vê na internet hoje tem viés político.
- 13:22SPEAKER_00: Sim.
- 13:22SPEAKER_00: Né?
- 13:22SPEAKER_00: Seco de eleição, então, isso vai numa potência absurda, né?
- 13:26SPEAKER_00: E qualquer, assim, ó, desde um site que tem um texto gigantesco, uma coluna de um jornal aí online, enfim, até um vídeo de TikTok de 5 segundos, saca?
- 13:37SPEAKER_00: E é tanta coisa que tem, tanta, tanta, tanta coisa que tem, tanta quantidade, que é isso, a gente tem que escolher o que pegar e assimilar, e nesse meio vai ter coisa que é verdade enviesada, que é normal, beleza, ou que é mentira de fato.
- 13:54SPEAKER_00: E aí essa mentira pode ser uma mentira que a pessoa errou, ou que a pessoa foi desonesta.
- 14:00SPEAKER_01: Sim.
- 14:01SPEAKER_00: E aí tem tanto modo de montar essa mensagem pra que isso fique mais digerível por quem recebe, e é isso que tá rolando muito hoje em dia.
- 14:13SPEAKER_00: Pô, esse meme do Flávio hipotético, que fica lá o pessoal, tipo, ah, o Flávio hipotético vai desligar o sol, vai privatizar a Lua, sei lá o quê.
- 14:23SPEAKER_00: Isso rolou, irmão, no horário eleitoral, político, na TV aberta do Flávio Bolsonaro.
- 14:30SPEAKER_00: Daí ele tá usando isso oficialmente, não é só de seguidores aí em TikTok, Instagram, sei lá.
- 14:37SPEAKER_00: Por quê?
- 14:37SPEAKER_00: Porque isso é um escudo que ele tá usando pra se proteger e pra se defender aí de acusações que são verdade.
- 14:44SPEAKER_00: Mas aí junta-se tudo que é verdade.
- 14:48SPEAKER_00: Com tudo que é mentira, num grande balaio, e parece que tudo junto é tão absurdo que fica esse papo de, ah, eu Flávio Hipotético, não sei o que lá.
- 14:56SPEAKER_00: Esse meme, cara, foi assim, ó, é uma parada tão bem pensada e tão assustadora porque tá funcionando.
- 15:05SPEAKER_00: E é manipulador pra caralho, isso aí.
- 15:08SPEAKER_00: Porque, como a gente falou, discutir se é ou não é verdade não importa mais.
- 15:12SPEAKER_01: Não, não, porque até no próprio Metal Gear Solid 2, existe uma estrutura que intervém na seleção, ela retém e ela promove a circulação das informações.
- 15:26SPEAKER_01: E aí ela vai condicionando o que pode ser transmitido e, portanto, o que vai ser conhecido pelas pessoas, né?
- 15:34SPEAKER_01: E aí o que acontece?
- 15:36SPEAKER_01: Essa estrutura, que é uma inteligência artificial, olha só, hein?
- 15:40SPEAKER_01: Qualquer semelhança com a realidade aí.
- 15:42SPEAKER_01: Olha essa porra desse jogo.
- 15:45SPEAKER_01: Essa estrutura, que é a GW, ela funciona controlada pelos Patriots, que é uma organização ali que detém um poder político meio que nas sombras e tal.
- 15:59SPEAKER_00: O nome, né?
- 16:00SPEAKER_00: Patriota.
- 16:01SPEAKER_00: Olha o nome.
- 16:02SPEAKER_01: É meio Illuminati, meio.
- 16:05SPEAKER_01: Meio Kojimice, né?
- 16:06SPEAKER_01: Cojimice, sim.
- 16:07SPEAKER_01: E o que acontece?
- 16:08SPEAKER_01: Esse pessoal, os patriotas, eles têm essa inteligência artificial, ou seja, eles dominam, né?
- 16:15SPEAKER_01: Têm um domínio algorítmico muito parecido com o que a meta está fazendo aqui no Brasil nas eleições.
- 16:22SPEAKER_01: Inclusive, eles mesmos já disseram, né?
- 16:26SPEAKER_01: Então, não é uma teoria da conspiração, não é papo de maluco.
- 16:30SPEAKER_01: Eles já disseram que houve interferência na forma como as informações chegam nas pessoas.
- 16:36SPEAKER_01: Esse é um ponto.
- 16:37SPEAKER_00: Isso já vem desde o Brexit também, já vem.
- 16:40SPEAKER_00: É o Cambridge Analytica.
- 16:41SPEAKER_00: Fora do Brasil, isso rola há muito tempo, já também.
- 16:43SPEAKER_00: Já é isso, né?
- 16:44SPEAKER_01: E aí, qual é o lance, né?
- 16:47SPEAKER_01: Quando a gente observa, né, meio que pra fechar aqui a referência, eu tinha mencionado lá o lance da comunicação memética lá, que é uma coisa que tá relacionada com o gene egoísta, né?
- 16:57SPEAKER_01: A teoria lá do Richard Dawkins, essa ideia de evolução biológica, esse gene egoísta, é transformada pro viés comunicacional, né?
- 17:11SPEAKER_01: E aí, através de uma leitura e de uma compreensão de evolução cultural, os patriotas vão filtrando essas informações, elas vão determinando esses conteúdos da forma como eu tinha dito.
- 17:25SPEAKER_01: E aí o que acontece?
- 17:27SPEAKER_01: Essa replicação cultural, que ela seria orgânica se ela não estivesse sendo intermediada, ela passa a não fazer mais parte da natureza das pessoas.
- 17:38SPEAKER_01: E aí as pessoas estão sendo objetivamente uma ferramenta.
- 17:43SPEAKER_01: Sabe aquele lance, por exemplo, de que se você não está pagando por um produto, o produto é você, que a gente fala pra poder se referir a usuário de rede social?
- 17:52SPEAKER_01: É isso.
- 17:52SPEAKER_01: A gente virou meio que um ativo, uma ferramenta de propagação de um discurso, é como se a gente estivesse sendo, a todo instante, panfletário.
- 18:03SPEAKER_01: Mesmo sem a nossa anuência, ou mesmo quando a gente discorda de alguma coisa, porque engajar também é promover.
- 18:12SPEAKER_01: Na rede, na lógica da rede, engajar também é promover.
- 18:15SPEAKER_01: Então, até a forma como os conflitos são armados, ela tem um proveito funcional pra essas pessoas.
- 18:26SPEAKER_01: E a gente tá sujeito a isso.
- 18:28SPEAKER_01: Nessa realidade, que é uma realidade tecnocrata, basicamente, a gente tá sujeito a isso, a essas circunstâncias.
- 18:35SPEAKER_02: Vamos trazer aqui dados mais uma vez, histórico dos dois governos, o governo Bolsonaro, dados do Repórteres Sem Fronteira, mostram que o Brasil caiu de centésimo quinto para centésimo no ranking de liberdade de imprensa.
- 18:53SPEAKER_02: Dados da FENAGE, que a Fundação Nacional de Jornalistas mostram uma queda total de credibilidade da mídia, além do número bastante expressivo de agressões ao jornalismo durante o governo Bolsonaro.
- 19:06SPEAKER_02: Além disso, o governo Bolsonaro foi marcado pela constante citação as fake news during a pandemia da Covid, principalmente with a difusion of cloroquina, vermectina e toda aquela confusão que nos custou muito, infelizmente.
- 19:26SPEAKER_02: E também um dos episódios mais bizarros, né?
- 19:30SPEAKER_02: Que foi o tráfico infantil de Marajós que a Damares, entre aspas, denunciou pro mundo, né?
- 19:39SPEAKER_02: Já o governo Lula ainda é um lugar sensível para jornalismo no governo Lula.
- 19:45SPEAKER_02: Mas durante o Lula 3, a posição do ranking de liberdade da imprensa melhorou muito.
- 19:50SPEAKER_02: Um salto de 58 posições, parando no 52o lugar.
- 19:56SPEAKER_02: Além disso, o governo Lula, em especial nos últimos três anos, deu ênfase à proteção geral de dados e regulação das big techs no Brasil através da Agência Nacional de Proteção de Dados.
- 20:09SPEAKER_02: E aí, discussão desse assunto para esta eleição.
- 20:12SPEAKER_02: Flávio Bolsonaro, o plano fala em dar um tesouraço na censura e, veja bem, garantindo a liberdade de expressão, mas ao mesmo tempo fala em revogar todos os atos que o atual governo produziu para silenciar seus críticos, para que a censura já praticada não deixe herança.
- 20:34SPEAKER_02: Lula diz que o plano de governo vai falar em regulamentações das mídias sociais, das redes como um todo, além de reforçar o aperto e o cesseramento às tentativas de minar a democracia através de big techs, coisas sociais e etc.
- 20:50SPEAKER_00: É isso, acho que, de novo, tá bem claro pelos números que o Lon falou aí, né?
- 20:55SPEAKER_00: O ranking de liberdade de imprensa é um negócio absurdo.
- 20:59SPEAKER_00: A gente vê que o ataque à imprensa é um passo muito claro dessa direita extrema do mundo inteiro atualmente.
- 21:07SPEAKER_00: É isso, né?
- 21:08SPEAKER_00: Tu cerceia a imprensa que quer entregar a informação verdadeira, enquanto tu ao mesmo tempo entrega a informação falsa como tu quiser.
- 21:17SPEAKER_00: Esse é o modus operandi.
- 21:18SPEAKER_00: Essa é a parada.
- 21:20SPEAKER_00: Então, pra isso que é importante tanto liberar a imprensa pra fazer o trabalho que ela tem que fazer.
- 21:25SPEAKER_00: E aí, de novo, como o Leon falou agora há pouco, imprensa é enviesada, show.
- 21:30SPEAKER_00: Mas aí existem veículos de esquerda, de direita, de centro, e todo esse espectro gigantesco aí que tem nessa régua.
- 21:38SPEAKER_00: E a pessoa pode pesquisar em cada um onde ela quiser, em vários lados, comparar informações, enfim.
- 21:43SPEAKER_00: Então isso é bem interessante, mas tentando ir pra veículos que sejam confiáveis, que vão dar informação verdadeira e que vão dar um dado que não vai ser mentiroso, manipulado de propósito, enfim.
- 21:58SPEAKER_00: Então isso é importante, ao mesmo tempo regulando mídia social, porque vamos lembrar aqui que a gente fala hoje que a eleição não é só TV, também é agora pelo Instagram, pelo TikTok, pelo Facebook, enfim.
- 22:12SPEAKER_00: E, brother, é bom falar aqui o óbvio, isso são empresas privadas.
- 22:16SPEAKER_00: Empresas têm interesses financeiros.
- 22:18SPEAKER_00: Pronto.
- 22:19SPEAKER_02: Sim, pronto, exatamente.
- 22:21SPEAKER_00: Então, assim, ah não, mas a empresa X ali, tal rede social, ela é isenta, ela vai entregar.
- 22:29SPEAKER_00: Irmão, não vai.
- 22:30SPEAKER_00: A gente não tem nenhuma documentação pública de como funciona o algoritmo do Instagram, por exemplo.
- 22:36SPEAKER_00: A gente não tem.
- 22:37SPEAKER_00: Isso aí.
- 22:37SPEAKER_00: A gente tem a palavra da meta.
- 22:39SPEAKER_00: Enquanto instalar o Nicholas com mais entrega de conteúdo do que a Beyoncé.
- 22:44SPEAKER_00: Do que a Kim Kardashian.
- 22:46SPEAKER_00: Sabe?
- 22:47SPEAKER_00: E, cara, é óbvio que, de novo, a direita de verdade e a esquerda querem uma imprensa livre.
- 22:54SPEAKER_00: Sim.
- 22:54SPEAKER_00: Querem uma imprensa que faz seu trabalho.
- 22:56SPEAKER_01: Inclusive, porque historicamente a liberdade de imprensa nasceu na direita.
- 23:01SPEAKER_01: Nasceu com os liberais.
- 23:03SPEAKER_01: E um dos pontos principais que o Marx, olha só, o Karl Marx elogiou do liberalismo foi a liberdade de imprensa.
- 23:12SPEAKER_02: É a Pablo-Marcialização da política.
- 23:15SPEAKER_02: Sim.
- 23:16SPEAKER_02: É um negócio meio complicado, né?
- 23:19SPEAKER_02: E isso é muito condizente com o que a gente vive hoje, essa questão da pós-verdade, né?
- 23:24SPEAKER_02: Porque, cara, como o Andy disse, tem gente que acha que nós estamos vivendo sobre um regime ditatorial do STF, cara.
- 23:33SPEAKER_02: Tem pessoas que ativamente acreditam nisso.
- 23:36SPEAKER_02: E quando eu tô falando isso aqui, eu não tô falando só do doidinho de bairro, não, tipo Adrilis ou outras pessoas.
- 23:42SPEAKER_02: Eu tô falando de gente que você vai no mercado e o caixa tá pegando isso no WhatsApp dela lá depois.
- 23:49SPEAKER_00: Sacou?
- 23:49SPEAKER_00: É isso que é foda.
- 23:50SPEAKER_00: Essa pessoa não chegou a essa conclusão por si própria.
- 23:54SPEAKER_00: Uhum.
- 23:55SPEAKER_00: Essa pessoa recebeu essa conclusão de um grupo de WhatsApp ou de uma página de Facebook, de Instagram, sei lá, de modo tão repetido e tão na cabeça tantas vezes que ela assimilou aquilo, sabe?
- 24:08SPEAKER_00: E é foda, porque dá pra culpar essa pessoa?
- 24:13SPEAKER_00: Eu acho que não, é complicado.
- 24:15SPEAKER_01: É.
- 24:16SPEAKER_01: É assim, ó.
- 24:17SPEAKER_01: A gente não pode cair na armadilha de odiar o povo.
- 24:23SPEAKER_01: Esse, inclusive, esse, inclusive, é mais um dos inúmeros valores norteadores que o Marx trouxe em toda a formulação teórica dele.
- 24:35SPEAKER_01: A gente não pode cair na sedução, porque é sedutor.
- 24:39SPEAKER_01: Você procura uma resposta mais fácil, mais rápida, e a resposta mais rápida é o cara que votou.
- 24:46SPEAKER_01: Porque, no fim do dia, objetivamente o voto dele.
- 24:49SPEAKER_01: Por que ele votou?
- 24:50SPEAKER_01: Pô, por que não tem mais filosofia nas escolas?
- 24:54SPEAKER_01: Por que não tem mais sociologia nas escolas?
- 24:56SPEAKER_01: Por que será?
- 24:58SPEAKER_01: Entendeu?
- 24:59SPEAKER_01: É tudo isso.
- 25:00SPEAKER_01: Então a gente não pode cair nessa armadilha de odiar o povo, né?
- 25:06SPEAKER_01: E é isso que eu queria dizer.