Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 10 de outubro de 2024
Transcript
- 0:00A Universitária FM apresenta Rádio Livre, conversando nas
- 0:05ondas do rádio. Sete horas e vinte e nove
- 0:10minutos. Música
- 0:22Rádio Livre Os destaques do Rádio Livre
- 1:13desta quinta-feira, dez de outubro de dois mil e vinte e
- 1:16quatro. Comissão da Câmara dos Deputados
- 1:20aprova projetos que tentam transformar o Congresso em
- 1:24tribunal. Depois de quatorze anos,
- 1:28finalmente é julgado e condenado um dos envolvidos no assassinato
- 1:33de Zé Maria do Tomé. Música Presidente Lula sanciona
- 1:39a lei que aumenta a pena mÃnima de prisão para crime de
- 1:43feminicÃdio para vinte anos. Música
- 1:59Agora são sete horas e trinta e um minutos.
- 2:02Bom dia a você que nos acompanha aqui diariamente nos cento e
- 2:06sete vÃrgula nove megahertz da Rádio Universitária FM.
- 2:10Bom dia, nossos cumprimentos também pra você que nos
- 2:12acompanha no podcast Rádio Livre com Nonato Lima.
- 2:16E hoje, dentre os milhares de ouvintes que estão com a gente
- 2:19todos os dias, eu queria... cumprimentar aqui, agradecer
- 2:21pela audiência ao Mário Mamed ex-deputado federal, médico
- 2:27sempre acompanhando foi por muito tempo um colaborador do
- 2:30nosso programa, está nos ouvindo aqui todo dia, e também a
- 2:34professora pesquisadora Sulamita Vieira, nossa colega aqui da
- 2:38Universidade Federal de Ceará, bom dia pra vocês e através de
- 2:40vocês eu cumprimento toda a audiência querida do programa
- 2:45Rádio Livre Rádio Livre, apresentação Nonato Lima.
- 3:02Eu vou começar hoje pelo fim. Bom dia para vocês.
- 3:07Olha, a Câmara dos Deputados está querendo se transformar num
- 3:10tribunal. E se deixar, vai acontecer.
- 3:15As consequências disso depois a gente vai ver, né?
- 3:21Pois bem, pois ontem a Comissão de Constituição e Justiça da
- 3:24Câmara dos Deputados aprovou duas propostas de emenda Ã
- 3:29Constituição. Ã, porque a Constituição hoje
- 3:31tem mais emenda do que soneto, né?
- 3:35Pois aprovou proposta de emenda à Constituição que limita os
- 3:40poderes do Supremo Tribunal Federal.
- 3:43Nós temos três poderes na República.
- 3:45Legislativo, Executivo e Judiciário.
- 3:51Ã certo que o Congresso faz as leis.
- 3:54Mas as leis devem ter como parâmetro a harmonia entre os
- 3:59três poderes e o respeito às atribuições.
- 4:03Quando um poder começa a abarcar o outro, alguma coisa está
- 4:06errada na democracia. Pois é o que a Câmara fez ontem.
- 4:10Foram aprovados pelos membros do colegiado, com maioria de votos,
- 4:15por já dizer os números, os textos, dois textos.
- 4:20Um, limita decisões monocráticas, que são aquelas
- 4:23decisões que um dos ministros do Supremo decide.
- 4:27São os ministros que chamam liminar qualquer coisa mais
- 4:33técnica, mas são decisões que têm urgência e que um ministro
- 4:38sozinho tem competência legal e constitucional, principalmente,
- 4:43citada do Supremo, para tomar a decisão sozinho, ainda que essa
- 4:47decisão seja depois submetida ao colegiado, ou à turma, que se
- 4:53divide em turmas, duas turmas no Supremo Tribunal Federal, ou ao
- 4:58colegiado, que aà são os onze ministros.
- 5:00Eu estou explicando esse funcionamento porque tem tanta
- 5:03ignorância polÃtica sobre o Supremo Tribunal Federal sendo
- 5:06dita nas redes sociais impunemente, que é preciso
- 5:08esclarecer. Muita gente acha que o Supremo é
- 5:12uma outra coisa. Então, esclarecendo a decisão
- 5:15monocrática, o ministro toma a decisão quando se trata de uma
- 5:19decisão de urgência dentro da legalidade.
- 5:23Não estou dizendo aqui que todas as decisões individuais estão
- 5:25corretÃssimas, não. Estou dizendo que o ministro tem
- 5:28como atribuição tomar a decisão em situação de urgência.
- 5:33E por que de urgência? Porque às vezes é um direito que
- 5:35se não for preservado naquele instante, no outro dia será
- 5:39tarde demais. Pronto, é isso.
- 5:42Agora, a outra decisão que a Câmara e o Senado, o Senado já
- 5:49deu também seu aval, A outra decisão, essa é mais contundente
- 5:55ainda, é para que o Congresso Nacional possa suspender
- 6:01decisões do Supremo Tribunal Federal.
- 6:03Ou seja, o Congresso Nacional vira um tribunal.
- 6:08Um tribunal esquisito, porque vai fazer a lei e ele mesmo vai
- 6:14fiscalizar o cumprimento das leis e vai julgar as decisões
- 6:18baseadas nessas leis. Ah, mas o Supremo vai decidir
- 6:22antes. Ã, vai, mas o Congresso vai
- 6:24decidir politicamente o que é ou não é conveniente, ou legal, ou
- 6:29constitucional, ou coisa parecida.
- 6:32Os textos foram aprovados na Comissão de Constituição e
- 6:35Justiça, na Câmara dos Deputados, que é presidida por
- 6:43uma deputada chamada Caroline Detone, do PL de Santa Catarina.
- 6:49O relator Felipe Barros, do PL do Paraná, lÃder da oposição.
- 6:56Ambos são aliados do ex-presidente que abandonou o
- 7:00cargo em dois mil e vinte e dois e foi para os Estados Unidos.
- 7:02Lembra dele, né? Pois foi ele.
- 7:04São aliados dele, que aliás agora é inelegÃvel, né?
- 7:09Pela própria biografia deles, conseguiu se tornar inelegÃvel.
- 7:13Por enquanto, né? Tem muita coisa pendente ainda
- 7:16para julgar. Pois bem, os parlamentares que
- 7:19votaram a favor das propostas de tornar o Congresso uma espécie
- 7:24de tribunal, limitando a atuação dos ministros do Supremo e
- 7:29julgando as decisões do Supremo, que é isso que eles estão
- 7:31aprovando, quem são eles? Eles são ligados ao grupo do
- 7:37ex-presidente, que eu falei há pouco, né?
- 7:42E esse ex-presidente é ligado ao PL, Partido Liberal.
- 7:49Eles também são ligados ao Partido Novo, à União Brasil, ao
- 7:53PP e Republicanos. São esses os partidos que
- 7:56aprovaram essa decisão lá. Houve alguma divergência também
- 8:03em outros dois partidos? MDB e, se eu não estou enganado,
- 8:07PSD, mas foi uma divergência pequena.
- 8:12E quem votou contra? Quem votou contra foram os
- 8:17partidos dos trabalhadores, Partido Verde, Solidariedade e
- 8:22PSOL. Esses quatro partidos votaram
- 8:25contra essas propostas. A agenda de ataques ao Supremo
- 8:29Tribunal Federal, na Câmara, Deu essa avançada agora.
- 8:34Depois que o Senado também já tinha dado aval para esses
- 8:38projetos tramitarem. Foram trinta e nove votos a
- 8:42favor e dezoito contra. na Comissão de Constituição e
- 8:46Justiça. E essa medida impõe esses
- 8:50limites ao trabalho de ministro do Supremo e em situações que,
- 8:59na verdade, são previstas, como eu falei há pouco, na lei, na
- 9:02Constituição, etc. O texto teve um parecer
- 9:06favorável do deputado chamado Marcel Van Haten, do Partido
- 9:09Novo do Rio Grande do Sul. O projeto se chama PEC número
- 9:16oito de dois mil e vinte e um. Estava guardado lá e agora eles
- 9:19conseguiram avançar. Avançar no sentido mesmo de ir
- 9:23para cima, porque avanço tem outro significado.
- 9:26Na comissão de constituição e justiça, a matéria recebeu
- 9:30avaliação de admissibilidade jurÃdica.
- 9:34Aà depois vai ser apreciado no mérito. mas só em admitir que
- 9:41está juridicamente correto um projeto de emenda à constituição
- 9:44desse tipo já é uma manifestação polÃtica e jurÃdica preocupante
- 9:55aà depois talvez vá para uma comissão especial e dependendo
- 9:59dos humores pode ser aprovado rapidamente Então, não sei nem
- 10:06qual o número dessa emenda aÃ, se por acaso vier a acontecer.
- 10:10à evidente que não deveria. Ah, você é contra a reforma do
- 10:15judiciário? Claro que não, né?
- 10:16O judiciário é um poder como os outros dois.
- 10:20Pode passar por reformas, mudanças, aperfeiçoamento.
- 10:24Agora, o que está se propondo aà não é reforma do judiciário.
- 10:28Na verdade, é uma forma de algemar os ministros, né?
- 10:35evitar que eles tomem decisões monocráticas e em situações que,
- 10:39de fato, cabem urgência. Quando a decisão do ministro é
- 10:44inadequada, tem algum tipo de divergência em relação ao que
- 10:48deveria ser feito, aà tem as outras instâncias do Supremo.
- 10:53Tem os recursos, tem toda uma tramitação.
- 10:57Então, a decisão monocrática de um ministro não necessariamente
- 11:01vai se tornar a decisão definitiva.
- 11:06Por causa da questão da urgência, o ministro tem esse
- 11:09poder. Agora, submeter as decisões do
- 11:14Supremo Tribunal Federal ao Congresso Nacional, esse que
- 11:16está aà ou qualquer outro, é a redução da República a dois
- 11:21poderes. Na verdade, na verdade, na
- 11:24verdade, o que está acontecendo aqui é o seguinte.
- 11:27O Executivo já está engessado pelo Legislativo.
- 11:30Só falta o Judiciário. A verdade é essa.
- 11:35à só ver o poder que o Congresso hoje tem sobre o orçamento.
- 11:41Pode quase tudo. O Executivo não pode quase nada.
- 11:46Essa é a verdade. A distribuição de verbas,
- 11:51inclusive, um dos pontos que certamente pesa para as suas
- 11:57excelências e deputados e senadores, é que o Supremo
- 12:00Tribunal Federal tomou a decisão dizendo que Determinando que
- 12:05dinheiro público não pode ir para a bolsa de ninguém.
- 12:10Ao sair do cofre público para alguma obra, não pode ficar em
- 12:14segredo. Tem que dizer de onde veio o
- 12:18dinheiro, para onde foi, como foi aplicado e prestar contas.
- 12:23Só que suas excelências resolveram, um tempo desse,
- 12:26inventar o orçamento secreto. Já tinham inventado o orçamento
- 12:29impositivo, que é assim, o paÃs pode se ferrar, mas a emenda
- 12:34parlamentar tem que ser liberada.
- 12:36Certo? O SUS precisa da grana, não
- 12:39importa. O parlamentar tem prioridade
- 12:41sobre o SUS, Sistema Ãnico de Saúde.
- 12:46à isso, emenda impositiva é isso.
- 12:48Fizeram isso quando? Quando estavam preparando o
- 12:51golpe... contra a presidenta Dilma Rousseff.
- 12:56Então é um processo que vem lá, o golpe de XVI tem tudo a ver
- 12:59com isso, o processo, e é só se ampliando.
- 13:04O que os brasileiros vão fazer com isso?
- 13:07Não sei. Alguém arrisca um palpite?
- 13:12DifÃcil, principalmente depois que as urnas do primeiro turno
- 13:15foram fechadas. Depois que se viu os resultados
- 13:19do primeiro turno no paÃs... Aà você pergunta, afinal de
- 13:25contas, para onde está indo o Brasil?
- 13:30Sem maiores detalhes. Sete e quarenta e três.
- 13:41A Advocacia Geral da União informou que ajuizou cinco ações
- 13:45na Justiça para cobrar oitenta e nove milhões de pessoas fÃsicas
- 13:50e jurÃdicas acusadas de destruir vegetações nativas com queimadas
- 13:54na Amazônia. A atuação dos infratores
- 13:58ambientais foi investigada por fiscais do Instituto Brasileiro
- 14:02do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, o IBAMA,
- 14:06nos municÃpios de Boca do Acre, no Amazonas, Lábrea, também na
- 14:12Amazônia, Altamira, no Pará, São Félix do Xingu, no Pará, e cerca
- 14:17de cinco mil hectares foram desmatados criminosamente.
- 14:23Nas ações, a Advocacia da União pede o bloqueio dos bens dos
- 14:28acusados, a obrigação de reparar as áreas desmatadas e a
- 14:33proibição de explorar comercialmente a localidade,
- 14:36esses locais que eles tocaram fogo.
- 14:38A suspensão de benefÃcios fiscais também foi solicitada Ã
- 14:42Justiça. Esse é o pedido mais esquisito
- 14:47que tem, porque se precisa pedir à Justiça suspensão de vantagem
- 14:52tributária para criminoso, nossa democracia tem umas coisas aÃ
- 14:56que não estão muito bem ajustadas, né?
- 14:59Pois bem, a proposta das ações... coordenada pela
- 15:05Advocacia Geral da União, recupera as iniciativas nessa
- 15:13direção relacionadas com a adoção de medidas jurÃdicas para
- 15:18a proteção do meio ambiente e do patrimônio cultural do paÃs.
- 15:24Vamos ver agora quanto tempo uma ação dessa vai levar.
- 15:29E mais, se de fato vai acontecer...
- 15:32A condenação e o pagamento. Hoje está cheio de notÃcias
- 15:52ligadas à área jurÃdica. No entanto, muitas delas
- 15:58extremamente preocupantes. Essa daqui, por exemplo, que já
- 16:02foi noticiada há alguns dias, dois ou três dias, que é a
- 16:08extinção da pena dos setenta e quatro policiais militares
- 16:13condenados pelo massacre ao presÃdio do Carandiru. o
- 16:19Ministério Público de São Paulo recorreu da decisão do Tribunal
- 16:23de Justiça de São Paulo, que extinguiu a pena dos setenta e
- 16:28quatro policiais militares condenados pelo massacre no
- 16:32presÃdio do Carandiru, em mil novecentos e noventa e dois,
- 16:36onde cento e onze presos foram mortos por integrantes da PM
- 16:41durante uma rebelião. condenados a apenas entre quarenta e oito e
- 16:45seiscentos e vinte e quatro anos de prisão, os policiais tiveram
- 16:49as decisões extintas sob a argumentação de
- 16:53constitucionalidade do indulto concedido aos réus pelo
- 16:58ex-presidente, quem? Ele, em dois mil e vinte e dois,
- 17:05antes de ir embora, resolveu fazer essa gentileza com os
- 17:13policiais condenados em todas as instâncias pela chacina do
- 17:20Carandiru. Cento e onze presos foram
- 17:22assassinados. O Ministério Público alega que a
- 17:26decisão foi tomada sem que a promotoria tenha se manifestado.
- 17:31Então, nem mesmo o Ministério Público foi ouvido.
- 17:36O episódio que ficou conhecido como Massacre do Carandiru
- 17:39completou trinta e dois anos, em dois de outubro agora.
- 17:45Ao todo, setenta e quatro policiais militares foram
- 17:47denunciados e condenados em júri popular. pelos assassinatos dos
- 17:52detentos no pavilhão nove da Casa de Detenção de São Paulo,
- 17:57em mil novecentos e noventa e dois.
- 17:58A decisão de extinguir as penas foi tomada pelo órgão especial
- 18:04do Tribunal de Justiça de São Paulo, que tem vinte e cinco
- 18:07desembargadores. O argumento dos desembargadores
- 18:13do Estado de São Paulo foi de que, com o decreto presidencial
- 18:17de dois mil e vinte e dois, considerado válido, não seria
- 18:22possÃvel deixar de aplicar esse decreto.
- 18:26Dessa forma, todas as penas decretadas foram abolidas pelo
- 18:31Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
- 18:34Logo após o ex-presidente, agora inelegÃvel, ter concedido o
- 18:42indulto aos PMs de São Paulo, condenados pelo massacre do
- 18:47Carandiru, o Ministério Público entrou com uma representação na
- 18:51Procuradoria Geral da República, alegando inconstitucionalidade
- 18:56do decreto presidencial. Na época, o documento do
- 19:00Ministério Público apontou que a concessão do indulto não era
- 19:04compatÃvel com dispositivos da Convenção Americana sobre
- 19:08Direitos Humanos, promulgada pelo Decreto nº. nº. nº. nº. nº.
- 19:16Por isso, a promotoria pediu à Procuradoria Geral da República
- 19:22que tomasse providências urgentes.
- 19:26Mas cadê as providências? Vocês sabem como era na época,
- 19:29né? Não tinha providência, né?
- 19:31Nesses casos aqui, a providência urgente ficava para depois.
- 19:36Ficou para depois, né? Muito depois, tanto que a
- 19:41extinção da pena acabou vindo para os integrantes da ação que
- 19:46se chamou Massacre do Carandiru. Isso é muito ruim, né?
- 19:52Isso passa para a população uma ideia bem ruim. de crença nas
- 19:59leis, na justiça. Fica difÃcil ter esperança
- 20:07diante de situações como essa aÃ.
- 20:12Agora, vamos para outro julgamento aqui.
- 20:19Quatorze anos depois, um dos envolvidos no assassinato do Zé
- 20:23Maria do Tomé, ocorrido em dois mil e dez, foi a júri popular.
- 20:30Francisco Marcos Lima Barros, de quarenta e um anos, foi
- 20:34considerado culpado por envolvimento no assassinato do
- 20:38lÃder comunitário Zé Maria de Tomé.
- 20:40Ele foi assassinado em dois mil e dez com vinte e cinco tiros.
- 20:45O julgamento, que começou na quarta-feira, durou cerca de dez
- 20:50horas e terminou com a sentença penalizada.
- 20:52De dezesseis anos em regime fechado para o réu.
- 20:56O julgamento foi marcado por manifestações que pediam justiça
- 21:01para o caso do assassinato do lÃder comunitário Zé Maria Tomé.
- 21:06Ele foi assassinado um dia antes de uma reunião que ocorreria no
- 21:11Ministério Público do Ceará. onde ele, José Maria do Tomé,
- 21:15apresentaria as provas de crimes ambientais ocorridos com o uso
- 21:20de pulverização aérea de agrotóxicos na região de
- 21:24Limoelho do Norte. Então, na véspera, mataram
- 21:26exatamente o homem que ia dar o depoimento e levar provas do que
- 21:31ele estava denunciando. Ele e a população da região de
- 21:35Limoelho do Norte. Esse réu...
- 21:40Francisco Marcos Lima Barros, foi o único a ser julgado neste
- 21:44caso, catorze anos depois. Ele foi apontado como
- 21:48participante da logÃstica que facilitou o assassinato do Zé
- 21:53Maria do Tomé. Outros dois homens pronunciados
- 21:58pelo envolvimento no assassinato conseguiram ser retirados dos
- 22:02processos depois de uma decisão da justiça aceitar o argumento
- 22:07de que não havia provas suficientes contra eles.
- 22:11São eles, João Teixeira, filho, proprietário de uma empresa na
- 22:16região do Apodi, e José Aldair Gomes Costa, gerente da empresa.
- 22:24Ah, tem uma, parece que dois outros que estavam nesse
- 22:28processo faleceram ao longo desse perÃodo.
- 22:31Também quatorze anos, né? Quatorze anos de espera por um
- 22:36julgamento. De todos os acusados, suspeitos,
- 22:40investigados, um O crime denunciado por José Maria do
- 22:48Tomé era exatamente o de pulverização aérea na região.
- 22:55Aqui na Universidade Federal de Ceará tinha um grupo de pesquisa
- 22:58que investigava doenças lá na região do Limoeiro.
- 23:02Esse grupo foi bastante perseguido na época porque
- 23:07simplesmente constatou que o veneno estava matando a
- 23:11população na região. Ponto.
- 23:14Era isso. A denúncia era isso.
- 23:15O veneno estava matando a população da região.
- 23:19E era pulverização aérea. Depois, ao longo desse perÃodo,
- 23:24aà veio uma lei de autoria do deputado Renato Roseno, aqui do
- 23:29pessoal do Ceará. determinando que não poderia haver esse tipo
- 23:35de atuação, de envenenamento aéreo da população e outros
- 23:41critérios técnicos para evitar o envenenamento.
- 23:45Mas é uma luta difÃcil, bastante difÃcil.
- 23:48José Maria do Tomé perdeu a vida exatamente por uma luta em favor
- 23:53de todas as vidas, Rádio Livre Teve um candidato a prefeito de
- 24:16São Paulo, derrotado no primeiro turno.
- 24:21Vocês já sabem o nome. Ficou bastante famoso. por uma
- 24:27grande mentira que contou, chamado Pablo Marçal.
- 24:31Esse Pablo Marçal perdeu a eleição para a Prefeitura de São
- 24:34Paulo. Agora ele vai enfrentar,
- 24:37espera-se, inquéritos e processos judiciais que podem
- 24:44torná-lo inelegÃvel e impedir de concorrer a novas eleições.
- 24:51Essa medida, se ocorrer, vai ser resultado de processos jurÃdicos
- 24:56que estão tramitando. Entre os processos está um em
- 25:00que ele publica uma fraude, que ele mesmo chamava de laudo
- 25:04médico, mas era uma fraude, que ele mesmo usava o nome de um
- 25:09médico que já era falecido, que usava o nome de uma clÃnica,
- 25:14tudo para tentar voto para ir para o segundo turno na
- 25:18Prefeitura de São Paulo. Não era laudo, não tinha médico
- 25:22no laudo e a vÃtima do laudo, vamos chamar assim, chamada
- 25:26Guilherme Boulos, do PSOL de São Paulo, conseguiu há tempo ainda,
- 25:30antes das urnas darem mais votos para o mentiroso, conseguiu
- 25:36denunciar. A famÃlia do médico, que foi
- 25:40usado o nome dele, o médico já falecido.
- 25:43A famÃlia está também cobrando judicialmente e claro que no
- 25:50primeiro momento investigações policiais para simplesmente
- 25:56resolver isso à base da lei, da justiça, com amplo direito de
- 26:03defesa e tal, mas já tem perÃcia dizendo era tudo mentira.
- 26:09Crime, portanto. Não tem laudo, não teve laudo,
- 26:12teve mentira. A legislação brasileira
- 26:15determina que condenações por abuso de poder polÃtico ou
- 26:18econômico resultem em inelegibilidade que dura oito
- 26:23anos a partir do pleito em que ocorreram os crimes.
- 26:30Essa situação é diferente da que é vivida pelo atual
- 26:34ex-presidente inelegÃvel, que é aliado lá do candidato de São
- 26:39Paulo. E qual é a diferença?
- 26:42A data das eleições. Só isso, porque tem um prazo,
- 26:46né? O prazo corre direto.
- 26:52Em sua defesa, você sabe o que Pablo Marçal disse?
- 26:55Você sabe. Você já deve ter visto, ouvido,
- 26:58qualquer coisa assim. Ele disse, em defesa dele, que o
- 27:04que ocorreu, ele inventou um laudo, inventou um médico,
- 27:08inventou uma clÃnica, inventou um crime contra o adversário.
- 27:11Ele disse que era manifestação, livre manifestação do
- 27:15pensamento. Agora, Todas as pessoas
- 27:23minimamente esclarecidas, não precisa nem ser especialista em
- 27:26direito, sabem que isso não se sustenta.
- 27:31Não há liberdade constitucional para você cometer crime.
- 27:42A Constituição Federal não libera ninguém para cometer
- 27:46crime. Se esse aà tiver punição
- 27:50exemplar, conforme a Constituição e as leis, tudo
- 27:56bem. Agora, se não tiver, se não
- 28:01tiver a punição cabÃvel, depois de tudo tramitado, agora não dá
- 28:08para esperar dez anos pelo julgamento não, é preciso que
- 28:11tramite mesmo, de verdade. Quando a notÃcia sair...
- 28:16Corre em segredo de justiça... Ou corre na justiça...
- 28:18Não precisa correr não... Mas precisa tramitar dentro de
- 28:22prazos razoáveis... Não dá para esperar...
- 28:25Dois, três, quatro, cinco, seis anos...
- 28:28Com o criminoso impune... Circulando pelo paÃs...
- 28:34E aà esse caso de São Paulo... Serve para uma coisa...
- 28:38Esse tipo de gente... Está solta aà no paÃs inteiro...
- 28:41Se autodeclarando polÃticos... E querendo ocupar espaços de
- 28:46poder. Onde não tem segundo turno, está
- 28:51sem jeito. Onde tem segundo turno, os
- 28:54eleitores vão ter pelo menos duas candidaturas.
- 28:58Dois candidatos ou duas candidatas.
- 29:01Acho que são cinquenta e poucos municÃpios.
- 29:04Onde tem, o eleitor ainda vai poder avaliar melhor.
- 29:07E todo cuidado com... As mentiras, as fake news, as
- 29:14ações criminosas para ganhar voto, para enganar o eleitor e
- 29:18ganhar voto. Todo cuidado.
- 29:22Um dos cuidados é examine os candidatos, as suas histórias,
- 29:26seus comportamentos, seus pronunciamentos, suas ações na
- 29:33vida civil, na vida empresarial, na vida polÃtica.
- 29:39Examine, examine. Porque esse tipo de atitude, na
- 29:47verdade, são atentados contra a democracia.
- 29:51Quem inventa um crime, e tem muitos fazendo isso no paÃs
- 29:54afora, quem inventa um crime desse tipo, que o Pablo Marçal
- 29:59inventou em São Paulo, e quando se diz ele inventou, ele
- 30:05inventou mesmo, ele publicou, ele defende o que aconteceu,
- 30:08tudo. Quem inventa um crime desse,
- 30:11quando assume o poder, faz o quê?
- 30:13O que vocês imaginam que vai acontecer?
- 30:16Nós tivemos quatro anos com o Agora InelegÃvel.
- 30:19Lembram o que aconteceu? No auge da pandemia, as pessoas
- 30:24pediam ar para respirar. E o que ele dava?
- 30:30Uma piada. Uma humilhação.
- 30:34Uma omissão. E as pessoas morrendo.
- 30:40Sob a negligência do Poder Executivo Federal.
- 30:46E na hora da vacina? A vacina não chegou.
- 30:49Podia ter chegado antes? Podia.
- 30:51Todos sabem disso hoje. Houve uma CPI no Senado, uma CPI
- 30:57que demonstrou isso. Há pesquisas cientÃficas
- 31:00mostrando que boa parte das mortes que ocorreram no paÃs tem
- 31:06relação com a Covid? Claro que tem.
- 31:10Mas um percentual significativo tem a ver com o modo como o
- 31:15governo federal Agiu em relação à pandemia.
- 31:21Agiu ou se omitiu. Porque tanto cometeu crime na
- 31:27ação quanto na omissão. Vamos ao intervalo?
- 31:34Daqui a pouco a gente volta. Olha, às vezes quando há uma
- 31:52greve, uma luta de trabalhadores, as pessoas nem
- 31:56sempre têm acesso às informações suficientes para compreender a
- 32:00importância da melhoria salarial na vida da sociedade, dos
- 32:05trabalhadores especificamente que estão na luta, mas também do
- 32:08conjunto da sociedade. Essa questão já foi algumas
- 32:11vezes aqui esclarecida. pelo Fábio Sobral, ele mostrando que
- 32:16mais salário não é um benefÃcio exclusivamente para o
- 32:19trabalhador, embora também seja. à um benefÃcio que se expande
- 32:24para o conjunto da sociedade, de várias maneiras.
- 32:27Eu estou aqui com a informação que resulta da campanha nacional
- 32:31dos bancários, que é a campanha salarial que acabou de... de se
- 32:36concretizar com uma série de avanços.
- 32:39Pois bem, os dados levantados pelo Diese mostram que a
- 32:42categoria bancária vai levar, fazer circular na sociedade, Rm.
- 32:48Rm. Rm.
- 32:48Rm. Rm.
- 32:49Rm. Rm.
- 32:49Rm. Rm.
- 32:49Rm. Rm.
- 32:49Rm. obtidas em mesa de negociação,
- 33:05segundo os estudos feitos agora pelo Diese.
- 33:10Porque os bancários saem dessa campanha nacional mantendo
- 33:16direitos já conquistados e ampliando-se, em alguns
- 33:20aspectos, os direitos. Do total desse valor de Rp.
- 33:25Rp. Rp.
- 33:44também entra aà o Vale Refeição, Vale Alimentação, participação
- 33:49nos lucros e resultados, tudo isso como conquista da campanha
- 33:55salarial e do acordo coletivo assinado agora como resultado da
- 34:02campanha salarial. A presidenta da Confederação
- 34:04Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ramo
- 34:07Financeiro, Juvânia Moreira, ela disse que o importante também Ã
- 34:11ter saÃdo da campanha garantindo a manutenção da Convenção
- 34:14Coletiva de Trabalho para todos os bancários, além de preservar
- 34:18e ampliar direitos. Então, são conquistas dos
- 34:25trabalhadores do ramo financeiro, mas são conquistas
- 34:28que têm consequências sociais. Esse dinheiro que vai para os
- 34:32salários dos trabalhadores é dinheiro que não vai para
- 34:35especulação. Porque a gente já viu aqui, a
- 34:38gente trouxe números durante a campanha... nacional dos
- 34:41bancários, a gente trouxe números que mostravam como o
- 34:44patrimônio lÃquido dos bancos cresce rapidamente e como os
- 34:48salários têm dificuldade de avançar.
- 34:51E esse avanço do sistema financeiro não resulta
- 34:57necessariamente em benefÃcio social, resulta em benefÃcio
- 35:00para meia dúzia de pessoas e grupos que vivem, de um modo
- 35:06geral, da especulação financeira.
- 35:11Olha, considerando só os salários, só os salários, o
- 35:17reajuste, o acréscimo ao reajuste salarial ocorrido
- 35:28agora, porque teve ganho real, né?
- 35:30Porque ganho real é algo muito importante.
- 35:33Não foi só cobrir a inflação, mas ganho real, ganho acima
- 35:37do... do percentual inflacionário.
- 35:41Só nesse aspecto do reajuste, do acréscimo no reajuste salarial,
- 35:46foram quase Rp. Tudo isso vai, resulta em
- 35:55circulação de mais recursos na economia e em benefÃcio dos
- 35:59trabalhadores, mas também da sociedade.
- 36:03Esse esclarecimento é sempre importante para a gente
- 36:05compreender que a luta dos trabalhadores não é uma luta
- 36:09isolada. Ã luta de uma classe toda.
- 36:13E as consequências positivas, elas resultam também em
- 36:17benefÃcios para a sociedade. E há aspectos que precisam ser
- 36:20destacados também em relação à campanha nacional dos bancários,
- 36:24que é em relação à preservação. A preservação do emprego do
- 36:28bancário, que é uma das lutas, não é só a garantia do emprego,
- 36:32embora já seja muito importante, a garantia do emprego para o
- 36:35trabalhador. Mas é a garantia de que o
- 36:38bancário vai ter na agência, pessoal suficiente e qualificado
- 36:42para o atendimento. A qualidade do atendimento é
- 36:44muito importante. Isso não pode ser desconsiderado
- 36:48e é um dos aspectos, uma das preocupações e um dos ganhos que
- 36:52fazem parte dessa convenção coletiva.
- 36:56Oito e oito. O Tribunal Regional Eleitoral do
- 37:05Rio de Janeiro decidiu condenar o ex-prefeito do Rio, Marcelo
- 37:10Crivella, por abuso de poder econômico e polÃtico nas
- 37:13eleições de dois mil e vinte. Guarde essa data.
- 37:17A decisão que foi proferida na última terça-feira torna o
- 37:21polÃtico Marcelo Crivella inelegÃvel até dois mil e vinte
- 37:25e oito. Essa decisão ainda cabe recurso
- 37:29ao Tribunal Superior Eleitoral. Segundo o TRE, a decisão é
- 37:32referente ao processo em que Crivella foi acusado pelo
- 37:36Ministério Público de usar a máquina pública para realizar
- 37:40Caixa II para a campanha de reeleição.
- 37:44O caso ficou conhecido como QG da Propina, Quartel General da
- 37:49Propina, e teria movimentado Rm. O suposto esquema envolvia o
- 37:58aliciamento de empresários e fraudes em licitações, segundo a
- 38:03acusação. A defesa do ex-prefeito declarou
- 38:06que vai recorrer da decisão. E o bom é essa técnica
- 38:10jornalÃstica do suposto, né? O sujeito foi condenado, mas o
- 38:14crime continua suposto. AÃ, quando a gente diz aqui, se
- 38:20fosse preto e pobre, a matéria sai diferente.
- 38:24à danado para não ter o suposto. Não é?
- 38:28à danado para não ter o suposto. Quantas vezes o suposto entra
- 38:34nas matérias sobre o massacre de Israel contra os palestinos?
- 38:40Pega o noticiário geral aà dos grandes meios.
- 38:44Quantas vezes eles falam em suposto?
- 38:48Presta atenção. Mas eu falei, guarda essa data
- 38:52aÃ, dois mil e vinte. Quatro anos...
- 38:56Quatro anos para julgar o processo.
- 38:59Ainda cabe recurso. Ou seja, você pode até ainda ser
- 39:02eleito em algum momento aÃ. Eu falei antes das eleições, no
- 39:08primeiro turno, comentei aqui que alguns processos estavam
- 39:11sendo julgados. O prefeito perdeu o mandato em
- 39:15cima da hora da reeleição. à ruim, né?
- 39:22Não para o prefeito, né? Para o prefeito foi ótimo. ruim
- 39:26para a população. Porque se o sujeito cometeu o
- 39:29crime mesmo, se há prova, e se ele foi condenado a perder o
- 39:33mandato, mas depois de quatro anos ele vai devolver tudo que
- 39:36recebeu? Ele vai desfazer tudo que fez em
- 39:39benefÃcio próprio da famÃlia, dos amigos, etc., etc.?
- 39:43Não vai, né? Então é preciso estudar um
- 39:45jeito. Eu sei que é difÃcil, não é
- 39:49fácil. O Judiciário, o Ministério
- 39:52Público têm suas dificuldades. A legislação brasileira tem suas
- 39:57facilidades. A legislação brasileira é boa
- 40:01para certos comportamentos. Então a gente precisaria ter um
- 40:05aperfeiçoamento das leis e uma aceleração, no bom sentido, dos
- 40:11inquéritos e dos processos. Quando eu falo aceleração, não é
- 40:14julgar precipitadamente, não. à tramitar mesmo. investiga e
- 40:24oferece direito de defesa, consolida ali o processo e vai
- 40:29ao julgamento. Quando tarda, falha, né?
- 40:34Quando demora muito, o beneficiário é o criminoso.
- 40:39Ah, antes tarde do que nunca pode até ser, né?
- 40:42Mas neste caso aqui... A demora da decisão pode ser um
- 40:48fator que favoreça exatamente o criminoso.
- 40:53Quatro anos para julgar abuso de poder polÃtico e econômico.
- 40:57Ou aconteceu ou não aconteceu. Eu não imagino que foram quatro
- 41:02anos investigando, não. Não dá para imaginar isso.
- 41:07Podia ser mais... Um pouquinho mais sério ali não
- 41:10podia? Podia.
- 41:14Podia. E a gente compreende as
- 41:16dificuldades para que os processos andem mais rápido.
- 41:20Ãs vezes o acusado é mais pesado, né?
- 41:26O processo fica mais pregado na gaveta.
- 41:29Ãs vezes acontece isso, né? Então tem que despregar os
- 41:33processos. Fazer andar.
- 41:37Tudo dentro da lei, ninguém está falando nada aqui.
- 41:39Ninguém vai me encontrar um dia defendendo a ilegalidade.
- 41:44Pode até criticar a lei, aà tem que fazer uma lei melhor,
- 41:46aperfeiçoar, mas é a lei que existe, né?
- 41:48Não tem como inventar. A proposta não tem como
- 41:55inventar? Tem aqui uma informação
- 41:57importante sobre a lei do feminicÃdio, né?
- 42:01O presidente Lula sancionou ontem um projeto de lei que
- 42:05aumenta a pena para feminicÃdio e para crimes cometidos contra a
- 42:09mulher. A nova lei prevê que condenados
- 42:12por assassinato contra mulheres motivado por violência doméstica
- 42:17ou discriminação de gênero terá pena mÃnima de vinte anos e
- 42:21máxima de quarenta. Atualmente, a lei prevê que o
- 42:27feminicÃdio deve ser punido com prisão de doze a trinta anos.
- 42:31O projeto segue, segue não, já seguiu, já sancionou.
- 42:37As penas serão aumentadas em um terço, caso a vÃtima esteja
- 42:44grávida ou nos três primeiros meses após o parto. ou quando as
- 42:51vÃtimas forem menores de catorze anos ou maiores de sessenta.
- 42:55A pena também será aumentada em um terço, caso o crime tenha
- 43:00sido cometido na presença de filhos ou pais da vÃtima.
- 43:04No caso da progressão de pena para réu primário, também há
- 43:08mudanças. Em vez de cumprir cinquenta por
- 43:10cento da pena no regime fechado, para poder mudar para o
- 43:15semiaberto, agora será necessário cumprir cinquenta e
- 43:19cinco por cento da pena. mas o projeto impede que o autor do
- 43:23crime fique em liberdade condicional.
- 43:27Então são vinte anos a pena mÃnima, vamos supor que o
- 43:30sujeito pegue a pena mÃnima, ele vai cumprir mais de dez anos um
- 43:33pouco de regime fechado, né? Tudo que se fizer para ver se
- 43:41reduz, de preferência deveria eliminar, mas reduzir o
- 43:45feminicÃdio, tudo que se fizer, melhor, né?
- 43:50O melhor mesmo é não haver feminicÃdio.
- 43:53Mas autores de feminicÃdio precisam ser rigorosamente
- 43:59punidos. A sociedade precisa compreender.
- 44:02Primeiro que não é para haver feminicÃdio.
- 44:04Mas, ocorrendo, é preciso que a punição seja rigorosa, exemplar.
- 44:10para ver se evita que novos casos ocorram.
- 44:14A impunidade nunca foi a melhor forma de enfrentar essas
- 44:18situações. E aqui no caso está ampliando a
- 44:21pena, a mÃnima de doze para vinte anos, e a máxima de trinta
- 44:27para quarenta anos para crimes de feminicÃdio.
- 44:38Olha, houve um despejo violento, feito pela polÃcia militar do
- 44:44estado de Pernambuco. E aà esse despejo foi contra um
- 44:49acampamento de trabalhadores rurais sem terra.
- 44:53E o MST publicou uma nota em que diz o seguinte, diz que o
- 44:57despejo violento ocorrido ontem no acampamento do movimento dos
- 45:01trabalhadores rurais sem terra em Santa Maria da Boa Vista, em
- 45:05Pernambuco, trouxe questões relacionadas à responsabilidade
- 45:10e à inoperância de diversas instituições.
- 45:14A nota do MST diz que, por exemplo, o Banco do Nordeste
- 45:18poderia ter contribuÃdo para evitar a ocorrência.
- 45:22E a nota prossegue. A posição da direção estadual do
- 45:26MST em Pernambuco, expressa pelo relato de Jaime Amorim, diz o
- 45:33seguinte, que o Banco do Nordeste poderia ter evitado
- 45:36essa situação de violência contra os trabalhadores e
- 45:39trabalhadoras que deveriam intervir e executar as dÃvidas
- 45:44dos proprietários da terra e repassar a indústria e as terras
- 45:49para fins de reforma agrária, mas, segundo a nota do MST, o
- 45:53banco optou pela omissão. onde os proprietários e a entidade
- 45:57jurÃdica são devedores do Fundo Constitucional de Financiamento
- 46:02do Nordeste, FNE, e Fundo de Investimentos do Nordeste,
- 46:06FINOR. Mas o banco não, segundo a nota
- 46:09do DMC, o banco não fez nada para que esses proprietários
- 46:14colocassem as terras à disposição para a reforma
- 46:16agrária, já que está previsto em lei, né?
- 46:20Segundo a nota do MST, as dÃvidas desses proprietários de
- 46:25terra superam o valor da terra e da indústria instalada, que está
- 46:29sucateada há mais de vinte anos sem uso produtivo.
- 46:37A nota do MST de Pernambuco repassa uma série de informações
- 46:44e cobra do Banco do Nordeste, do INCRA, e por vir de consequência
- 46:48do governo federal, uma atitude em relação a esses casos.
- 46:53Terra improdutiva nas mãos de gente que deve ao Estado
- 46:59brasileiro, que recebeu dinheiro do FINOR e do FNE, dois fundos
- 47:06constitucionais para o desenvolvimento do Nordeste,
- 47:09recebeu dinheiro, não pagou a dÃvida superior ao valor da
- 47:18própria terra, que poderia ser perfeitamente destinada Ã
- 47:21reforma agrária. E aà evitaria, quando a nota do
- 47:24MSC, é claramente isso, evitaria essa ação violenta de despejo.
- 47:31Se a terra é improdutiva, se a essa altura ela já deveria estar
- 47:39no processo de reforma agrária, o que fazer?
- 47:43à hora da atuação. De um lado, do Banco do
- 47:46Nordeste, diz o MST. E do outro, o INCRA.
- 47:51E, portanto, o governo federal. Quanto tempo ainda se vai
- 47:55esperar para a solução de determinados conflitos
- 48:00absolutamente desnecessários? Esse é um caso.
- 48:04Esse é um caso. Por que agir com tanta violência
- 48:08e rapidez contra trabalhadores sem terra quando não houve ação
- 48:14legal, juridicamente permitida, contra devedores da União, que
- 48:24sequer usam as terras e que tiveram acesso a crédito do
- 48:29Banco do Nordeste. Oito e dezenove.
- 48:45Os gastos de brasileiros com plataformas de aposta online,
- 48:49conhecidas como BATS, serão medidos, os gastos, pelo
- 48:54Instituto Brasileiro de Geografia EstatÃstica, IBGE, na
- 48:57pesquisa Orçamentos Familiares, de dois mil e vinte e quatro a
- 49:01dois mil e vinte e cinco. Essa pesquisa vai a campo a
- 49:05partir de cinco de novembro. O IBGE explica que os jogos de
- 49:08azar, como as loterias oficiais, já fazem parte da última edição
- 49:13dessa pesquisa. Pesquisa de Orçamento Familiar,
- 49:18que coletou dados entre dois mil e dezessete e dois mil e
- 49:20dezoito. Naquela época, as BEDs ainda não
- 49:24existiam no Brasil. Na verdade, as BEDs existiam.
- 49:30Foi no último, às dezessete, dezoito, porque a pesquisa é
- 49:34preparada antes. Mas foi no fim, no fim do
- 49:37governo de... do golpista Michel Temer, que as betas entraram no
- 49:42Brasil solenemente, livremente, para ganhar dinheiro.
- 49:47Sem regra. Simplesmente entraram.
- 49:50Porteiras abertas para ganhar dinheiro.
- 49:55Então, naquela época, de fato, não estavam ainda consolidadas
- 49:58as betas no paÃs. Agora, seis anos depois, elas
- 50:04estão aà como um grande problema, né?
- 50:08O fenômeno de impacto crescente na economia brasileira, que é o
- 50:12gasto com jogos, será medido pela primeira vez na pesquisa de
- 50:18orçamento familiar de dois mil e quatro e dois mil e vinte e
- 50:22cinco. Segundo o IBGE, esta edição da
- 50:24pesquisa também vai incluir um módulo que, de forma inédita,
- 50:29vai pesquisar o uso do tempo dos brasileiros.
- 50:33O que você faz com o seu tempo? O IBGE vai lhe perguntar.
- 50:37Então é uma inovação na pesquisa.
- 50:39Desde mil novecentos e setenta, a pesquisa de orçamento familiar
- 50:43desenha a cesta de compras do brasileiro e atualiza a lista de
- 50:48gêneros de consumo, que é referência para o cálculo do
- 50:51Ãndice oficial de inflação do paÃs, o Ãndice Nacional de
- 50:55Preços ao Consumido Amplo, IPCA. Através de questionários
- 50:59bastante detalhados, o IBGE consegue saber quanto do
- 51:04orçamento das famÃlias é destinado a cada tipo de gasto.
- 51:08como alimentos, roupas, medicamentos, passagens de
- 51:12ônibus, por exemplo. Com essa pesquisa, o IBGE avalia
- 51:18as estruturas de consumo, de gastos, de rendimentos e parte
- 51:22da variação patrimonial das famÃlias.
- 51:25E oferece, depois de tudo apurado, um perfil das condições
- 51:29de vida da população a partir da análise dos orçamentos
- 51:33domésticos. Além das informações diretamente
- 51:36associadas à estrutura orçamentária, várias
- 51:38caracterÃsticas dos domicÃlios e das famÃlias são também
- 51:43investigadas, incluindo a autoavaliação subjetiva da
- 51:48qualidade de vida, aquilo que as pessoas acham da vida, né?
- 51:51Vai estar tudo lá na pesquisa a ser realizada pelo IBGE.
- 51:57Agora, o curioso é que há uma discussão em torno das Betes,
- 52:02uma discussão meio torta. Porque a primeira questão é que
- 52:06as Betes não poderiam ter entrado no Brasil do jeito que
- 52:08entraram. Elas entraram livremente no
- 52:13final do governo de Temer. O governo seguinte deveria ter
- 52:17regulamentado Passaram-se quatro anos sem nenhum esforço para
- 52:22isso. E o governo atual, ano passado,
- 52:26partiu para discutir a regulamentação, talvez ainda de
- 52:30forma limitada, mas começou a discussão.
- 52:35E aÃ, conhecendo o Congresso que a gente conhece, claro que a
- 52:38regulamentação não sairia... vendo algumas questões.
- 52:43E agora, por que a discussão todinha?
- 52:46A discussão todinha, tem gente que acha, ah, mas é porque o
- 52:48pessoal do Bolsa FamÃlia está gastando com bete, não sei mais
- 52:51o quê. Olha, a televisão, a cada
- 52:53intervalo, na verdade, você não tem intervalo.
- 52:57Você tem as betes, aà no intervalo sai novela, no
- 52:59intervalo sai jornal. Você tem bete o tempo todo ali,
- 53:03querendo seu dinheiro. Então o processo é um abuso da
- 53:08publicidade e da propaganda que leva as pessoas a isso também.
- 53:14Não estou querendo isentar as decisões pessoais, mas você
- 53:19passa ali vinte e quatro horas, a bete colada no seu bolso,
- 53:26Muita gente cai. Até porque muitas pessoas veem
- 53:30nas bets e nas loterias o sonho inalcançável de ficar rico,
- 53:36milionário. Porque loteria, assim, um ganha,
- 53:40milhões não ganham nada, só pagam.
- 53:42Então, quando é que vai chegar a sua vez?
- 53:45Quantos milênios vão se passar para chegar a sua vez de ficar
- 53:50rica. Então, é uma ilusão vendida,
- 53:54cara, que estraga o bolso das pessoas.
- 53:56Mas a discussão não veio por causa...
- 53:58Ah, mas tem a questão do adoecimento das pessoas, do
- 54:03empobrecimento, das dÃvidas, das pessoas entrando no desespero
- 54:08mesmo por causa do gasto com betas e loterias e tal.
- 54:12Tudo isso é válido, é importante a preocupação, o próprio governo
- 54:15está preocupado com isso, mas a discussão veio porque o comércio
- 54:19descobriu que estava perdendo Rp.
- 54:23XXI bilhões para as Betis. A discussão começou aÃ.
- 54:28Não veio a discussão mais ao interesse social, não.
- 54:32Claro que o interesse social, espero que seja incluÃdo aÃ, e
- 54:36que o que o governo está dizendo sobre o interesse social, que
- 54:38seja... que seja, de fato, uma preocupação central.
- 54:43Mas o ponto mesmo fundamental, a discussão mesmo que tem sido
- 54:47feita aà pela mÃdia comercial, é que é um dinheiro que podia ir
- 54:53para o comércio, para a indústria, não sei para onde.
- 54:56Eles calcularam, estão mortos de preocupação, porque estão
- 55:00perdendo para as Betis. E para onde é que o dinheiro das
- 55:02Betis vai? Essa é uma pergunta para ser
- 55:06respondida. Inclusive a polÃcia e a justiça
- 55:09que certamente vão dizer alguma coisa daqui a um tempo.
- 55:12Porque já tem aà denúncias, processos, inquéritos,
- 55:15investigando, lavagem de dinheiro e outras tramóias e
- 55:20outras roubalheiras relacionadas com Betis.
- 55:24E o consumidor, o cidadão comum, esse é que é o prejudicado
- 55:27mesmo. Chega um negócio desse... para
- 55:31levar o dinheiro, o pouco dinheiro que ele ganha.
- 55:34O negócio é tão bom para as Betis que eles primeiro
- 55:37antecipam alguma coisa para você.
- 55:39Você entra lá e recebe aqui de bônus R&D R.
- 55:42Você vai se ferrar mesmo? Você recebe R&D R e gasta R&D R.
- 55:47Daà a pouco você gasta o que tem.
- 55:52Então não se trata de regulamentar Betis por causa do
- 55:55Bolsa FamÃlia. Não é nada disso não.
- 55:57Claro que se lamenta que alguém do Bolsa FamÃlia acabe também
- 56:00perdendo dinheiro com as Betis, mas não é esse o ponto.
- 56:04A questão é mais ampla. Esse negócio de Betis tem que
- 56:07ter um controle rÃgido, social, uma contribuição significativa
- 56:15também e formas de proteger as pessoas, né?
- 56:23da ganância da beta aliada beta aliada, beta exada sei lá desse
- 56:31negócio aÃ, eu não apostei nisso nunca apostei, não vou apostar e
- 56:36aposto que essa discussão precisa, assim eu aposto essa
- 56:40discussão precisa de fato avançar para isso para o
- 56:43interesse público, não é porque o comércio está reclamando a
- 56:47federação não sei de quem está reclamando não é porque o
- 56:49cidadão comum está tendo um problema sério que é perder a
- 56:55sua renda para um negócio que nem resolve o problema do
- 57:00cidadão que joga e nem contribui adequadamente para a economia do
- 57:05paÃs. Chegamos ao final do Rádio
- 57:08Livre. Bom dia, um abraço.
- 57:09Obrigado pela companhia. Até amanhã às sete e meia com
- 57:12mais um Rádio Livre aqui no Aniversário FM, cento e sete
- 57:15vÃrgula nove megahertz. A Universitária FM apresentou
- 57:23Rádio Livre.