Latest / Na Mesa com Well / Até o Fim: O Martírio dos 21 Cristãos Coptas
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- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o Wells, o lugar para quem busca
- 0:03profundidade e historicidade de forma acessível na correria do
- 0:07dia a dia. E este é o nosso novo dossiê da
- 0:10série até o fim, mártires e testemunhas que permaneceram.
- 0:14Quando seguir Cristo custou tudo, apresentamos fé
- 0:19inabalável, o martírio dos 21 cristãos coptas.
- 0:22É, e para que a nossa audiência tenha tipo, uma ideia real.
- 0:27Da ironia histórica absoluta que a gente vai analisar hoje, o
- 0:31estado Islâmico gastou milhares de dólares naquela produção.
- 0:35Nossa, muito dinheiro, né? Sim.
- 0:37Eles usaram múltiplas câmeras de alta definição, tiveram meses de
- 0:41planejamento para criar uma propaganda de terror perfeita.
- 0:44Objetivo era paralisar o mundo com medo, basicamente.
- 0:47Exatamente. Mas, por um erro de cálculo
- 0:50monumental, eles acabaram gravando e distribuindo o
- 0:53documento mais poderoso de resistência psicológica e
- 0:56espiritual do século 21. E é exatamente por esse ângulo
- 1:00que a gente vai conduzir essa nossa investigação de hoje, né?
- 1:04A gente não está aqui para ler manchete antiga.
- 1:07Nem para criar heróis de cinema, certo?
- 1:10É, sim, roteiros romantizados. O objetivo desse dossiê é
- 1:14entender a mecânica da coisa toda.
- 1:16E para isso nós cruzamos uma Montanha de Fontes.
- 1:19Desde a análise técnica do vídeo original até os registros
- 1:23históricos da Líbia. Isso passando também pelas
- 1:26fotografias documentais do Roger anis sobre as famílias e
- 1:30chegando até as análises do Martin mozbak.
- 1:32Sim, o mozbak viajou até o Egito para entender quem eram esses
- 1:36homens de verdade. E para a gente entender a
- 1:39magnitude disso tudo, a gente precisa sim descer a realidade
- 1:43crua daquele cenário. É o ano 2015.
- 1:46Isso. A Líbia estava em colapso total.
- 1:49Se a gente voltar um pouquinho pra primavera árabe de 2011, a
- 1:52queda do Kadafi. O país não fez uma transição
- 1:55pela democracia, ele simplesmente mergulhou na
- 1:58anarquia. Milícia se disputando o
- 2:00controle, rua por rua. Exato.
- 2:03E nesse vácuo de poder absoluto, tipo sem leis e com Fronteiras
- 2:08abertas, o estado Islâmico achou o terreno perfeito no norte da
- 2:12África. E aí que entram as vítimas da
- 2:14nossa história. Porque eles não eram soldados,
- 2:17não eram políticos nem diplomatas.
- 2:19Né, longe disso. O estado Islâmico começou a
- 2:21mirar no ELO mais fraco da cadeia geopolítica que são os
- 2:25trabalhadores imigrantes eram egípcios cruzando a Fronteira.
- 2:29Movidos pela pura necessidade de sobrevivência econômica, o
- 2:33litoral líbio ali virou um matadouro pra quem só queria
- 2:37trabalhar. Caramba, é brutal pensar nisso.
- 2:39E foi dessa mesma Costa banhada pelo Mediterrâneo, na cidade de
- 2:43sirt. Que o mundo tomou aquele choque
- 2:46de realidade em 15/02/2015. Foi quando o braço midiático
- 2:50deles lançou aquele vídeo, uma mensagem assinada com sangue
- 2:54para a nação da Cruz. A produtora alhaiate media
- 2:58center, o título já revelava a ambição deles.
- 3:02Eu vi as inscrições detalhadas desse material nas nossas Fontes
- 3:05e olha, o contraste visual é perturbador.
- 3:08É muito chocante, né? Sim, demais.
- 3:12De um lado, a natureza, a Areia clara da praia de sirt, o som
- 3:15super sereno das ondas. E do outro, 21 homens
- 3:19ajoelhados, todos com macacões laranjas idênticos.
- 3:22E de pé atrás de cada um deles, um terrorista vestido
- 3:26inteiramente de preto segurando uma faca tática.
- 3:28É. E esse contraste não foi um
- 3:31acidente de percurso, tá? Foi um design de produção.
- 3:34A máquina de propaganda do isis era muito sofisticada.
- 3:38Não era um vídeo tremido de celular, então?
- 3:40De jeito nenhum. Tinha diretor de fotografia lá
- 3:43eles usaram trilhos de câmera, gruas, drones, microfones de
- 3:48lapela. Nossa, trataram como um set de
- 3:51filmagem mesmo. Sim, e ainda adicionaram uma
- 3:53música à Capela sombria. Na edição, o líder falava um
- 3:57inglês fluente apontando para o mar, ameaçando chegar ao sul de
- 4:01Roma. E a justificativa deles era uma
- 4:03loucura, né? Uma justificativa oficial super
- 4:06distorcida de vingar mulheres muçulmanas que supostamente
- 4:11teriam se convertido e sido presas pela igreja no Egito
- 4:14chegaram a citar uma mulher chamada camélia cherrata.
- 4:17Certo, vamos desempacotar isso, porque aqui a gente tem um ponto
- 4:22de inflexão na história Moderna do terrorismo.
- 4:24Com certeza, a. Intenção do estado Islâmico era
- 4:28transformar o medo. Em uma arma de destruição em
- 4:31massa através das telas, eles ensaiaram essas execuções dias a
- 4:36fio. Ensaiaram muito.
- 4:38Mas eu olho para os fatos e não consigo deixar de pensar.
- 4:40O tiro saiu completamente pela culatra.
- 4:43Totalmente. O que é fascinante aqui é a
- 4:46anatomia desse tiro pela culatra.
- 4:48Sabe porque a intenção primária do terrorismo é desumanizar a
- 4:53vítima e dominar a psique de quem está assistindo.
- 4:56Dominar a mente pelo terror. Exato, mas o que as câmeras de
- 5:01alta definição capturaram foram rostos incrivelmente serenos,
- 5:06homens que sabiam que iam morrer, mas se recusaram a
- 5:09implorar. Eles não choraram,
- 5:11histericamente, nem demonstraram aquele pavor que o roteiro
- 5:14exigia. Nem um pouco o pânico que o isis
- 5:17esperava deu lugar a um sentimento global de reverência
- 5:21por aquelas vítimas. A arma midiática deles falhou na
- 5:24essência, né? Porque a mensagem que ficou não
- 5:26foi a da faca. Mas a da resiliência?
- 5:29Exatamente a prova visual de uma coragem sobre humana.
- 5:34Isso joga a gente direto pra pergunta central dessa nossa
- 5:37análise, tipo, quem eram as pessoas dentro daqueles macacões
- 5:41laranjas? Essa é a parte mais importante.
- 5:44Porque quando a gente ouve a palavra mártir, a mente já
- 5:48projeta heróis mitológicos, não é monges intocáveis.
- 5:52Mas a desmistificação que as Fontes fazem é belíssima.
- 5:56É, a imensa maioria vinha de um único lugar.
- 6:00Sim, 13 deles vinham de um vilarejo paupérrimo chamado al,
- 6:05na província de minia, no sul do Egito.
- 6:07Era um operário simples, pedreiros, encanadores,
- 6:09pintores. Homens com as mãos grossas, de
- 6:12calo. A viagem deles para a Líbia não
- 6:14foi uma cruzada, foi para garantir o pão da família.
- 6:18Pois é, e aí a sobrevivência econômica.
- 6:21Se encontra com uma sobrevivência identitária de
- 6:25milênios, porque 20 deles eram cristãos coptas.
- 6:28E para quem nos acompanha e não está totalmente por dentro,
- 6:32explica um pouco que é ser copta.
- 6:34Claro, o termo refere se à igreja copta ortodoxa do Egito,
- 6:38uma das igrejas mais antigas do mundo com raízes no século
- 6:42primeiro. Super antiga, caramba.
- 6:44Sim, e a questão fundamental para entender a mente desses
- 6:48operários? É que pra um copta a perseguição
- 6:51não é evento raro, é a base da história deles.
- 6:54Como assim? O próprio calendário da igreja
- 6:57copta não começa no nascimento de Cristo, ele começa no ano
- 7:01284, na chamada era dos. Mártires isso.
- 7:08Mesmo então, ser copta no interior do Egito é nascer
- 7:12sabendo que a sua fé é historicamente um alvo.
- 7:15Pensando nessa vida de pedreiros deles na Líbia?
- 7:18Me vem à mente uma analogia muito forte, pode falar?
- 7:21Eles passavam 1214 horas assentando tijolo erguendo
- 7:25estruturas físicas, mas a grande engenharia acontecia à noite.
- 7:29Nos alojamentos super lotados, isso?
- 7:32Eles não iam para o bar beber, eles sentavam juntos e recitavam
- 7:35a liturgia, cantavam hinos antigos.
- 7:38Essa repetição diária era como o vergalhão de aço dentro de um
- 7:42Pilar de concreto. Nossa excelente analogia
- 7:45estrutural. Ninguém vê o aço quando o prédio
- 7:47está pronto, né? Mas é ele que impede a estrutura
- 7:49de desmoronar no terremoto. Exatamente, o vergalhão
- 7:52litúrgico foi o que impediu que eles quebrassem quando o
- 7:56terremoto do estado Islâmico os atingiu.
- 7:59Porque o martírio deles não durou só os 5 minutos do vídeo.
- 8:01Não mesmo, essa é a grande ilusão.
- 8:04As evidências de interrogatórios posteriores mostram que eles
- 8:07foram sequestrados em levas lá entre dezembro de 2014 e janeiro
- 8:12de 2015. Eles passaram mais de 40 dias em
- 8:15cativeiro, né? SIM, 1 laboratório de terror
- 8:18psicológico. A intenção era quebrar as mentes
- 8:21deles antes de quebrar os corpos.
- 8:23A tortura foi sistemática. As Fontes relatam privação
- 8:26severa de sono. E no inverno rígido do deserto,
- 8:29eles levavam jatos de água congelante de madrugada, eram
- 8:33obrigados a carregar sacos pesados de Areia até exaustão.
- 8:37Mas o ápice mesmo eram as simulações de execução,
- 8:41simulacros de decapitação. Isso o objetivo disso é induzir
- 8:45o que a psicologia chama de desamparo aprendido.
- 8:49O cérebro colapsa com o pânico de morrer repetidas vezes.
- 8:53Eles levavam os caras para o deserto, botavam as facas e
- 8:57recuavam no último segundo. E após cada sessão, o isis
- 9:01oferecia saída, bastava renunciar a Cristo se converter
- 9:06ao islã. Eles estariam livres para voltar
- 9:08para as esposas e filhos no. Egito, homens que viajaram por
- 9:12falta de dinheiro recusaram o suborno, recusaram a Liberdade.
- 9:17Para manter intacto o tal vergalhão espiritual.
- 9:20Todos eles recusaram. E aqui é onde a coisa fica
- 9:23realmente interessante, porque no meio desse grupo de egípcios
- 9:27irredutíveis temos o 21º homem exato, um trabalhador negro de
- 9:34Gana. As Fontes dizem que ele nem era
- 9:36copta inicialmente e, confesso, isso me gerou uma dúvida
- 9:40sincera, qual, se ele não falava árabe egípcio?
- 9:43Como é que essa comunicação funcionou no cativeiro?
- 9:46Como ele se conectou a ponto de morrer por eles?
- 9:50É uma objeção perfeitamente válida, mas a resposta está na
- 9:54dinâmica do trauma extremo no cativeiro, as Barreiras
- 9:58linguísticas desmoronam. Ele não precisava de tradutor
- 10:01pra ver o que estava acontecendo.
- 10:03Claro que não. Ele via que eles, 20 operários,
- 10:06escolherem o espancamento. Em vez da negação todo Santo
- 10:10dia. A linguagem da resiliência é
- 10:12universal. A comunicação se deu pelo
- 10:15sacrifício mútuo, então, e quando chegou o momento final,
- 10:18os terroristas viram que ele não era do grupo E perguntaram sobre
- 10:22a fé dele. E ele não precisou de tratados
- 10:24teológicos, ele só disse para os terroristas, o Deus deles é o
- 10:29meu Deus. Caramba, o Deus deles é o meu
- 10:33Deus. Ele sabia que dizer isso era
- 10:35assinar a própria sentença de morte na praia.
- 10:37E ele assinou. O que leva a gente para o clímax
- 10:41do vídeo, quando as câmeras capturaram o último fôlego
- 10:45deles? A edição de som tentou isolar o
- 10:48áudio para ficar dramático e acidentalmente permitiu que o
- 10:52mundo inteiro ouvisse o que eles estavam murmurando.
- 10:55Uma oração anônima, eles sussurravam em árabe e ahab
- 10:59yasu. Ó meu senhor Jesus.
- 11:02O bispo católico copta amba antônios azis mina foi
- 11:06brilhante. Ele disse que isso não foi um
- 11:09pedido de Socorro. Desesperado, foi o selo de seu
- 11:12martírio. Eles estavam se entregando e a
- 11:16onda de choque dessa entrega atingiu direto aquelas casas
- 11:20humildes no vilarejo de al hour. Aí entramos na dimensão da dor.
- 11:24Imagina a magnitude disso pra família perder alguém no
- 11:28espetáculo global? E não tem nem o corpo pra ver
- 11:31lá. Pois é, os corpos foram jogados
- 11:33numa vala como uma anônima. Como a pessoa processa um luto
- 11:37sem a materialidade do fim, né a.
- 11:39Psicologia ensina que o rito funerário é essencial sem
- 11:43corpos, essas famílias inventaram uma nova forma de
- 11:46honrar a memória deles. Foi aí que o fotógrafo Roger
- 11:50anes documentou os pertences sem corpos, certo?
- 11:53Isso a série belongins without bodys.
- 11:57Ele fotografou como eles pegaram armários e criados mudos comuns
- 12:01e os transformaram em santuários Caseiros.
- 12:04Colocavam passaportes velhos, roupas, fotos com luzes e
- 12:08cruzes. O quarto do filho virou igreja.
- 12:11E os testemunhos dos pais exalam um poder absurdo.
- 12:15Sim, a mãe domina, por exemplo, a tradição lá dita que viúvas e
- 12:20mães de luto usem preto para o resto da vida.
- 12:23Mas ela vestiu o branco. Sim, porque antes do sequestro,
- 12:27o irmão do mina brincou que ela devia usar branco de festa
- 12:30quando eles voltassem vitoriosos e Pra Ela o filho venceu e.
- 12:34Tem o senhor nagate, pai do louca que andava de cabeça
- 12:38erguida pelas ruas de Terra. Dizia que o filho chamou por
- 12:42Jesus que ele não fugiu o. Pai do eçan também o badar dizia
- 12:46que o filho achava que morrer pelo senhor era uma bênção.
- 12:50Isso levanta uma questão importante, sabe qual a recusa
- 12:54do papel de vítima? O terrorismo exige que você
- 12:57chore. Histericamente, que implore por
- 13:00Piedade. Eles se rebelaram contra a
- 13:02intenção do isis então? Exato, eles ressignificaram o
- 13:06assassinato brutal em uma coroação de resiliência.
- 13:10A dor existia, mas tinha uma camada de dignidade que frustrou
- 13:14a narrativa do terror. E essa agonia durou mais de 3
- 13:17anos. Só no final de 2017 que acharam
- 13:20a vala comum através de um militante capturado.
- 13:23Com os macacões laranjas ainda nos ossos.
- 13:26Fizeram exames de DNA e, em maio de 2018, os caixões dos 20
- 13:31egípcios cruzaram o céu de volta.
- 13:33Sinos tocaram pelo país inteiro, mas faltava um corpo, né?
- 13:38O. Matt e waiariga.
- 13:39A Líbia não sabia o que fazer com os restos de um cidadão de
- 13:42Gana. Mas a igreja copta iniciou uma
- 13:44pressão diplomática forte. A posição deles foi inegociável,
- 13:48eles disseram. Ele confessou a mesma fé sobre a
- 13:52mesma faca. O lugar dele é com os irmãos e.
- 13:54Conseguiram. Em setembro de 2020, o corpo do
- 13:57Matthew chegou para ser sepultado na mesma igreja, a.
- 14:00Repercussão disso na teia do cristianismo foi astronômica, 7
- 14:04dias depois do vídeo, o papa copta já tinha canonizado todos
- 14:08eles. E quase uma década depois, em
- 14:10maio de 2023, o Papa Francisco incluiu eles no mar tirológico
- 14:15Romano católico. Eles cunharam o termo ecumenismo
- 14:18de sangue. É um conceito.
- 14:20Poderosíssimo estabelece que a faca do terrorista não pergunta
- 14:24a sua denominação. O sangue derramado unifica
- 14:27braços da igreja que estavam separados há milênios.
- 14:30Mas espera lá, olhando para o chão de fábrica da vida real no
- 14:34Egito, a análise do Martin mousbach mostra que a situação
- 14:38para os coptas ainda é de andar sobre ovos, não é?
- 14:41Totalmente é o paradoxo da proteção estatal.
- 14:45Após o massacre, o presidente Alcides agiu rápido, financiou
- 14:49uma igreja gigante na Vila dos mártires, contornando toda a
- 14:53burocracia. Que normalmente é brutal para os
- 14:55cristãos lá. Sim, mas na base da pirâmide,
- 14:58vizinhos de grupos extremistas locais viram isso com um
- 15:01privilégio indevido e atacaram casas.
- 15:05A proteção do governo acabou acendendo o ressentimento
- 15:07sectário. Então que tudo isso significa
- 15:10para nossa audiência, que está ouvindo agora a milhares de
- 15:12quilômetros de distância. Mosbach faz um diagnóstico no
- 15:16livro que soa quase como um soco no estômago.
- 15:18Se conectarmos isso ao cenário maior que ele desenha, a
- 15:22repressão violenta solidifica convicções, mas o que destrói a
- 15:26resiliência humana é a anestesia do conforto ininterrupto.
- 15:31Ele contrasta a fé provada no fogo com o desafio moderno de
- 15:34sobreviver à sociedade de consumo, né?
- 15:36Isso o shopping center, o smartphone, o cartão de crédito,
- 15:41eliminam o atrito da vida. Quando você tem tudo empacotado
- 15:45para o seu conforto, a musculatura da resiliência
- 15:48atrofia a. Apatia gerada pelo consumo
- 15:51enfraquece a alma mais do que o cativeiro.
- 15:54É impressionante pensar que o conforto anestesia o que a faca
- 15:57e a água congelante não conseguiram apagar.
- 16:00E já que falamos sobre apagar identidades, eu gostaria de
- 16:04encerrar trazendo um último pensamento que resume a ironia
- 16:07disso tudo. A questão dos uniformes.
- 16:09Os macacões laranjas. Isso o isis vestiu eles com
- 16:13macacões copiados de Guantánamo, como um processo de
- 16:17pasteurização humana. A lógica é desumanizar.
- 16:20Né? Exato.
- 16:22De 0 ao mundo. Eles não são indivíduos, não tem
- 16:25passado, não tem nome. São um lote anônimo pra uma vala
- 16:29comum. O laranja acordou apagamento
- 16:31nossa, mas fracassou de forma espetacular.
- 16:37A tentativa de apagamento virou o maior holofote imortal que
- 16:42eles poderiam ter criado. Verdade, a gente sabe que eram
- 16:4621 homens e sabemos o nome de cada um, do Milan de almagedi
- 16:51até o ganez Matthew aiyariga. Sabemos quem era o pai que
- 16:55caminhava de cabeça erguida e a mãe que vestiu o branco.
- 16:59A máquina de terror gravou os rostos deles para sempre.
- 17:03A tentativa de apagamento virou um holofote imortal.
- 17:07Que reflexão arrebatadora para fecharmos a nossa investigação.
- 17:11Se você curte nosso conteúdo, segue a gente e deixa uma
- 17:14avaliação aqui na plataforma em que você está ouvindo até mais.