Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / AS ARMAS DA PERSUASÃO #VIII - O SEGREDO É O COMPROMISSO (CLUBE DO LIVRO)
Transcript
- 0:05Senhoras e senhores, vamos continuar aqui compreendendo o
- 0:09princípio persuasivo da consistência.
- 0:12Estamos dentro do capítulo número três, começando pelo
- 0:16tópico O Segredo é o Compromisso, com Bruno, comigo,
- 0:19Bruno Maia Soares. Brunão, dá um salve aí pra
- 0:21turma. Salve, salve, vamos pra mais um.
- 0:23O segredo é o compromisso. Vamos direto ao ponto aqui, né?
- 0:26Saber o que é que isso quer dizer.
- 0:27Então vamos lá. Assim que percebemos...
- 0:30Só um comentário aqui, né? Eu postei agora...
- 0:33Estamos gravando esse episódio no dia que ele vai ao ar.
- 0:36Normalmente a gente grava antes. Então teve ali recesso do novo,
- 0:39a gente criou um pequeno estoque.
- 0:41Estamos refazendo o estoque. E eu acabei de postar no meu
- 0:44Instagram que estou absolutamente apaixonado pelo
- 0:47livro A Revolta de Atlas. E que este livro é um livro
- 0:54grande. É...
- 0:57Mas ele foi adicionado à nossa biblioteca do Kindle.
- 1:02Então, para você que está em busca de uma outra leitura, fica
- 1:07super recomendação aqui. Lá no Instagram eu expliquei um
- 1:09pouco melhor. Então, se der tempo, dá uma
- 1:10olhada lá. Mas assim, se você ler a
- 1:14contracapa do livro... você vai saber se ele é pra você ou não
- 1:18então você pode clicar, vou pedir pra colocar o link na
- 1:20nossa loja aqui, clica lá Revolta de Atlas e olha lá a
- 1:25contracapa talvez seja uma ótima leitura aí dependendo do seu
- 1:29ritmo, ela vai tomar um ano inteiro pra ler, então eu
- 1:31conversei com algumas pessoas que demoraram um ano pra ler
- 1:35vários meses pra ler eu acho que eu vou acabar lendo aí em dois
- 1:39ou três meses tô caminhando pra metade mas muito bom, muito bom
- 1:45Beleza, feita essa recomendação, vamos lá.
- 1:48Voltando agora ao armas da persuasão.
- 1:51Assim que percebemos o incrível poder da coerência e direcionar
- 1:55a ação humana, uma importante pergunta prática nos vem à
- 1:57mente. Como essa força é mobilizada?
- 1:59O que produz o clique que ativa o zoom da poderosa fita de
- 2:03coerência? Os psicólogos sociais acham que
- 2:05sabem a resposta, o compromisso. Mesmo inclinações preliminares
- 2:30que ocorrem antes que uma decisão final precise ser
- 2:34tomada, podem nos predispor a escolhas coerentes posteriores.
- 2:37Ele menciona aqui algumas pesquisas que validam isso.
- 2:40Como já vimos, os psicólogos sociais não são os únicos a
- 2:43entender a ligação entre compromisso e coerência.
- 2:46As estratégias de compromisso são usadas contra nós por todo
- 2:49tipo de profissional de persuasão.
- 2:51Cada uma delas pretende nos convencer a praticar determinada
- 2:55ação ou fazer alguma declaração que nos induzirá ao
- 3:00consentimento posterior por meio das pressões por coerência.
- 3:04Ele fala de, isso é uma associação que eu fiz,
- 3:06profissionais da persuasão e tem uma conexão meio óbvia aqui com,
- 3:10porra, esse é o profissional de vendas.
- 3:12Sendo que aí volta para aquela ideia mais abrangente que no
- 3:15final do dia todos nós vendemos alguma coisa, seja uma ideia,
- 3:18seja um produto ou um serviço. seja uma tese, enfim.
- 3:23Eu acho que o empreendedor é um grande profissional de persuasão
- 3:27também, porque você está vendendo a sua ideia, vendendo o
- 3:31sonho o tempo inteiro. E um profissional de persuasão
- 3:36é, antes de mais nada, um estrategista.
- 3:38Então, só fazendo essa associação, quando eu estou
- 3:40lendo esse livro e ele fala profissional de persuasão, caso
- 3:44você não se veja como uma pessoa de vendas, mas você se considera
- 3:47um empreendedor, se você é um empresário, entenda que ele está
- 3:50falando para você, pelo menos na minha ótica.
- 3:53Seguindo aqui, os procedimentos que visam a criação de
- 3:56compromissos assumem diversas formas.
- 3:58Alguns são bem diretos, outros... estão entre as táticas
- 4:02de persuasão mais sutis que encontraremos.
- 4:05No primeiro caso, se enquadra a abordagem do Jack Stanko,
- 4:08gerente de vendas de carros usados de uma concessionária em
- 4:12Albuquerque, nos Estados Unidos. Ao dar uma palestra numa
- 4:15convenção da Associação Nacional de Concessionárias de Veículos
- 4:18em São Francisco, ele aconselhou o seguinte...
- 4:21Fez o seguinte aconselhamento a cem concessionárias ávidas por
- 4:24vendas. Faça com que se comprometam no
- 4:26papel. Garanta a assinatura do cliente.
- 4:29Cobre o dinheiro adiantado. Controle-os.
- 4:30Comande o negócio. Pergunte se comprariam o carro
- 4:33na hora se o preço estiver bom. Não deixe o cliente escapar.
- 4:37Obviamente, o senhor Stenco, um especialista nesses assuntos,
- 4:40acredita que o caminho para obter o consentimento do cliente
- 4:43é o seu compromisso. Práticas de compromisso bem mais
- 4:47sutis. Então, essa prática mais
- 4:48declarada é quando o corretor de imóveis está conversando contigo
- 4:51e está dizendo o seguinte, fora o preço, tem alguma outra
- 4:56variável que te impede de fechar esse negócio?
- 4:59Aí o cara diz, cara, não, adorei o apartamento e tal, aqui é
- 5:02realmente uma questão de investimento e tal.
- 5:04Se eu conseguir chegar neste valor... a gente fecha o
- 5:08negócio, então ele está querendo a verbalização do compromisso do
- 5:14cliente, nesse caso ainda do prospecto.
- 5:18Práticas de compromisso bem mais sutis, aqui que vai ficando mais
- 5:20interessante, podem ser igualmente eficazes.
- 5:23Vamos supor que você queira aumentar o número de pessoas em
- 5:25seu bairro que concordem em ir de porta em porta arrecadando
- 5:29doações para sua instituição de caridade favorita.
- 5:31Aquele exemplo bem americano que o brasileiro nunca faria isso,
- 5:35né? E não é porque não somos legais,
- 5:40é só uma questão cultural aqui. E talvez eu esteja enviesado
- 5:42pela minha disponibilidade, pela minha bolha.
- 5:44Talvez você seja essa pessoa que convida os demais a arrecadar
- 5:49doações para a sua instituição de caridade favorita.
- 5:52Mas bem, você faria bem em estudar a abordagem adotada pelo
- 5:55psicólogo social Stephen Sherman.
- 5:58Ele convenceu uma amostra de moradores de Bloomington, no
- 6:01estado de Indiana, nos Estados Unidos, com parte de uma
- 6:04pesquisa que vinha fazendo, solicitou que previssem o que
- 6:07diriam se alguém pedisse que passassem três horas coletando
- 6:09dinheiro para a Sociedade Americana de Câncer.
- 6:12Claro que, para não parecerem insensíveis diante dos
- 6:15pesquisadores ou de si mesmos, muitas dessas pessoas disseram
- 6:18que concordariam. A consequência daquele
- 6:21procedimento sutil de compromisso foi um aumento de
- 6:23setecentos por cento no número de adesões quando, alguns dias
- 6:27depois, um representante da própria sociedade de fato
- 6:30procurou voluntários na área. Usando a mesma estratégia, mas
- 6:35dessa vez pedindo aos cidadãos. que previssem se votariam no dia
- 6:44da eleição, outros pesquisadores conseguiram aumentar
- 6:47significativamente o comparecimento às urnas entre
- 6:49aqueles entrevistados. Uma técnica de compromisso
- 6:52ardilosa foi desenvolvida por solicitantes de contribuições
- 6:55para a caridade pelo telefone. Você já observou que muitos
- 6:58deles começam a conversa indagando sobre sua saúde ou
- 7:02sobre seu bem-estar? Alô, senhor fulano, eles dizem,
- 7:05tudo bem com o senhor? O intuito do solicitante com
- 7:08esse tipo de introdução não é apenas parecer simpático e
- 7:11atencioso, é fazer com que você responda com um comentário
- 7:13educado e superficial, tudo bem. Depois que declarou que está
- 7:17bem, fica mais fácil para o solicitante induzi-lo a ajudar
- 7:20aqueles que não estão tão bem assim.
- 7:22Graças a Deus, fico contente em ouvir isso porque estou ligando
- 7:25para perguntar se o senhor está disposto a fazer uma doação para
- 7:27ajudar as pobres vítimas de... A teoria por trás dessa tática,
- 7:33aí veja... Esse é um bom exemplo aqui, tá,
- 7:35Brunão? Que a pessoa vai dizer assim...
- 7:39Que bobagem perguntar se está tudo bem.
- 7:41Eu vou dizer que está tudo bem e isso vai impactar na minha
- 7:44decisão ou isso vai garantir... Não vai garantir, mas
- 7:46influência. Então, a ciência da influência.
- 7:49Isso vai influenciar. E por mais cético que você seja,
- 7:53esses caras são os maníacos do mapeamento disso.
- 7:55E através de pesquisa científica eles conseguem validar que sim.
- 7:58Então, esse é o nível da sofisticação na persuasão que
- 8:02você... nem percebe que acontece.
- 8:08É aquela ideia da sutileza, né? Exato.
- 8:13A teoria por trás dessa tática é a seguinte.
- 8:15As pessoas que acabaram de afirmar que estão se sentindo
- 8:18bem, mesmo como parte rotineira de um diálogo amigável, irão
- 8:21achar constrangedor parecerem mesquinhas diante de suas
- 8:25próprias circunstâncias reconhecidamente privilegiadas.
- 8:28Se tudo isso soa um tanto exagerado, vejamos as
- 8:32descobertas do pesquisador de consumo Daniel Howard, que
- 8:35submeteu essa teoria a testes. Moradores de Dallas... uma outra
- 8:40sensação durante o Armas da Pessoazão é que daqui a pouco
- 8:42você fala assim eu já comprei a tese precisa ficar mas gera
- 8:48tanto ceticismo que eu me vejo aqui no lugar deles dizendo
- 8:53assim eu preciso ficar provando o tempo todo então vamos ver
- 8:58aqui o que o Daniel Howard aprontou moradores de Dallas no
- 9:02Texas foram abordados por telefone e indagados se
- 9:05concordariam em receber um presente do comitê Unger Ou
- 9:09hunger. Deve ser hunger, né?
- 9:11Que é de fome. Hunger relief.
- 9:15Que alivia a fome. Ele tentaria lhes vender
- 9:19biscoitos, cuja renda extra seria revertida em refeições
- 9:22para os necessitados. Quando tentado isoladamente,
- 9:25aquele pedido rotulado de abordagem de solicitação padrão
- 9:29produzia apenas dezoito por cento de concordância.
- 9:32Entretanto, se o solicitante perguntasse, cara, como você
- 9:34está se sentindo hoje? Esperasse por uma resposta antes
- 9:38de prosseguir com a abordagem padrão, vários fatos notáveis
- 9:41aconteciam. Primeiro dos cento e vinte
- 9:43indivíduos abordados, a maioria, cento e oito, deu a resposta
- 9:46favorável costumeira. Bem, estou muito bem, está tudo
- 9:48certo. Segundo, trinta e dois por cento
- 9:51das pessoas que ouviram a pergunta como você está se
- 9:53sentindo hoje concordaram em receber o vendedor de biscoitos
- 9:55em sua casa. Quase o dobro do índice de
- 9:57sucesso da abordagem de solicitação padrão.
- 10:00Terceiro, fiéis ao princípio da coerência, quase todos, oitenta
- 10:04e nove por cento, que concordaram com a visita de fato
- 10:06adquirindo biscoitos. Ou seja, eu aumento
- 10:09substancialmente a taxa de aceitação de um primeiro
- 10:14contato, eu aceito receber a visita.
- 10:16E uma vez que eu aceitei receber a visita, eu tenho uma pressão
- 10:21da coerência em função de uma postura tomada no passado que
- 10:26faz com que oitenta e nove por cento dessas pessoas acabem
- 10:29comprando o tal do biscoito. A gente faz a...
- 10:35Falo aqui agora para os consultores.
- 10:36Lá na Tech Finance a gente tem uma metodologia comercial e que
- 10:41ela é desafiada pela não cultura ao planejamento financeiro.
- 10:46Acreditando no impacto de ter um plano versus não ter um plano e
- 10:50sabendo que o brasileiro não tem a cultura de pagar por um plano,
- 10:55a gente se coloca nesse lugar de encontrar o ângulo para
- 10:57conseguir mostrar o valor da coisa.
- 10:59Porque na nossa percepção, enquanto planejadores, e
- 11:03obviamente acreditando o que a gente faz, quando as pessoas
- 11:06enxergam o valor, elas começam até a achar barato.
- 11:10E fica fácil achar barato, porque você tem tantas
- 11:12abordagens, tantos pontos de ajuste numa vida financeira
- 11:15qualquer, porque as nossas vidas financeiras são complexas, que
- 11:19tem payback no investimento de uma consultoria financeira.
- 11:22E uma coisa, eu não tenho a estatística disso aqui, mas o
- 11:26time de consultoria que acompanha isso muito bem, é que
- 11:29quando você faz uma reunião que você vê que o cliente tem perfil
- 11:32para aderir a um serviço de planejamento financeiro
- 11:34holístico e você faz o convite, obviamente, como qualquer
- 11:37convite, qualquer processo de venda, nem todo mundo compra.
- 11:40Mas quando você consegue marcar uma reunião de follow, que é o
- 11:46seguinte, então a gente tem essa variável aqui que você tem que
- 11:50refletir sobre isso, eu tenho que conversar com alguém para
- 11:52tomar uma decisão e tudo bem, eu respeito isso, então vamos fazer
- 11:54o seguinte. Porra, hoje é segunda-feira,
- 11:57vamos fazer uma reunião catch-up, um follow-up.
- 12:00Vamos fazer uma reunião na quinta, que dessa forma dá tempo
- 12:03de você refletir sobre esse tema ou conversar com alguém.
- 12:06E aí juntos a gente chega nessa conclusão se faz ou não sentido.
- 12:09Quando vai para essa segunda reunião, o índice de fechamento
- 12:13das pessoas que vão para a segunda reunião é muito alto.
- 12:16E tem influência justamente disso aqui.
- 12:21Voltando aqui... O que torna um compromisso
- 12:23eficaz? Uma variedade de fatores
- 12:25influencia o poder que um compromisso tem de condicionar
- 12:28nosso comportamento futuro. A seguir, veremos como um
- 12:30programa de grande escala visando produzir o consentimento
- 12:33ilustra o funcionamento desses fatores.
- 12:35O mais incrível é saber que esse programa estava empregando
- 12:40sistematicamente esses elementos décadas atrás, bem antes de
- 12:43serem indicados pelas pesquisas científicas.
- 12:46Durante a Guerra da Coreia, muitos soldados americanos
- 12:48capturados se viram em campos de prisioneiros de guerra
- 12:51comandados pelos comunistas chineses.
- 12:52Ficou claro no início do conflito que estes tratavam seus
- 12:56prisioneiros de modo diferente de seus aliados norte-coreanos,
- 13:00que preferiam punições duras para obter a cooperação.
- 13:04Evitando a aparência de brutalidade, os comunistas
- 13:07chineses praticavam o que denominavam de política
- 13:10clemente, que era na realidade um ataque psicológico coordenado
- 13:13e sofisticado aos seus cativos. Após a guerra, psicólogos
- 13:17americanos interrogaram intensivamente os prisioneiros
- 13:20que retornaram para descobrir o que aconteceu, em parte por
- 13:22conta do sucesso perturbador de alguns aspectos do programa
- 13:26chinês. Os chineses eram muito
- 13:28eficientes em fazer com que os americanos dessem informações
- 13:30uns sobre os outros, em contraste gritante com o
- 13:33comportamento dos prisioneiros de guerra americanos na Segunda
- 13:35Guerra Mundial. Esse foi um dos motivos porque
- 13:38os planos de fuga eram rapidamente descobertos e quase
- 13:40sempre frustrados. Quando uma fuga chegava a
- 13:43acontecer, escreveu o psicólogo Edgar Schein, que foi um
- 13:47importante investigador americano do programa de
- 13:49doutrinação chinês na Coreia, abre aspas, os chineses
- 13:53costumavam recuperar com facilidade o fugitivo oferecendo
- 13:56um saco de arroz a quem o entregasse.
- 13:58De fato, consta que quase todos os prisioneiros americanos nos
- 14:01campos chineses colaboraram com o inimigo de uma forma ou de
- 14:04outra. Seguindo aqui, um exame do
- 14:09sistema no campo de prisioneiros mostra que os chineses dependiam
- 14:11fortemente de pressões de compromisso e coerência para
- 14:14obter a cooperação dos cativos. Claro que o primeiro problema
- 14:18enfrentado por eles foi encontrar um meio de fazer os
- 14:20americanos colaborarem, pois aqueles prisioneiros haviam sido
- 14:23treinados para fornecer apenas o nome... a patente e o número
- 14:28identificador. Sem violência física, como é que
- 14:31os captores poderiam esperar que aqueles homens fornecessem
- 14:34informações militares, deletassem colegas ou
- 14:37censurassem publicamente seu país?
- 14:39A resposta dos chineses foi elementar.
- 14:42Comece com um pouco e depois aumente.
- 14:46Por exemplo, eles pediam com frequência que os prisioneiros
- 14:50fizessem declarações que eram tão moderadamente
- 14:53anti-americanas ou pró-comunistas que pareciam
- 14:55irrelevantes. Por exemplo, os Estados Unidos
- 14:57não são perfeitos. Num país comunista não há
- 15:00problema de desemprego. Uma vez que tivessem concordado
- 15:03com aqueles pedidos pequenos, os homens se veriam pressionados a
- 15:08ceder a solicitações semelhantes, porém mais
- 15:10substanciais. A um homem que acabara de
- 15:13concordar que os Estados Unidos não eram um país perfeito, o
- 15:16interrogador chinês pediria que desse alguns exemplos de
- 15:20imperfeições. Depois, ele seria estimulado a
- 15:23fazer uma lista daqueles problemas americanos e assinar
- 15:27seu nome. Mais tarde, poderiam solicitar
- 15:30que lesse sua lista num grupo de discussão com outros
- 15:32prisioneiros. Afinal, é no que você realmente
- 15:35acredita, não é? Mais adiante, seria motivado a
- 15:38escrever uma redação explicando a lista e analisando aqueles
- 15:40problemas em maiores detalhes. E assim por diante.
- 15:44Os chineses poderiam então usar nomes e redações de uma
- 15:46transmissão radiofônica anti-americana não só para o
- 15:49campo inteiro, mas para outros campos de prisioneiros de guerra
- 15:52na Coreia do Norte, bem como para forças americanas na Coreia
- 15:56do Sul. De repente, ele se veria como um
- 15:59colaborador, tendo ajudado e encorajado o inimigo.
- 16:02Percebendo que escrever a redação sem sofrer ameaças ou
- 16:05correções, muitas vezes um homem mudava sua auto-imagem para ser
- 16:08coerente com aquela ação e com seu novo rótulo de colaborador,
- 16:12o que muitas vezes resultava em atos de apoio ainda mais
- 16:15sistemáticos. Desse modo, enquanto apenas
- 16:18poucos homens conseguiriam evitar totalmente a colaboração,
- 16:21de acordo com o psicólogo Edgar Schein, Outros grupos de pessoas
- 16:25interessadas em persuadir também conhecem
- 16:48A utilidade e o poder dessa abordagem.
- 16:50Organizações de caridade, por exemplo, de novo, costumam usar
- 16:53compromissos progressivamente maiores para induzir os
- 16:55indivíduos a grandes atos de generosidade.
- 16:58Pesquisas mostraram que os compromissos iniciais triviais,
- 17:01como concordar em receber uma entrevista, podem começar uma
- 17:04onda de consentimento que induz comportamentos posteriores, como
- 17:09a concordância em doar órgãos ou médula.
- 17:13Medula, perdão. E aí tem a pesquisa que fala
- 17:16sobre isso. Inclusive, pode fazer o teste,
- 17:18né? Essas instituições de caridade
- 17:22maiores e consequentemente mais treinadas, se você faz uma
- 17:25doação, já contei algumas vezes comigo, você recebe um pedido
- 17:32maior num curto espaço de tempo, tá?
- 17:37Voltando à leitura, o comércio também emprega essa abordagem
- 17:39com regularidade. Para o vendedor, a estratégia é
- 17:41obter uma compra grande começando por uma pequena.
- 17:44Qualquer uma serve, porque o propósito daquela transação
- 17:49menor não é o lucro, mas sim o compromisso.
- 17:52Espera-se que compras futuras bem maiores resultem
- 17:54naturalmente dessa estratégia. Um artigo na revista
- 17:57especializada American Salesman sintetiza bem o processo.
- 18:01E aí ele traz aqui o trecho desse artigo que é o seguinte, a
- 18:04ideia geral é abrir caminho para a venda de todo tipo de
- 18:07produtos, começando por um pedido pequeno.
- 18:09Veja as coisas nestes termos. Quando uma pessoa encomenda sua
- 18:13mercadoria, ainda que o lucro seja tão pequeno que mal
- 18:16compense o tempo e esforço da ligação do vendedor, ela já não
- 18:19é um cliente potencial, ela é um cliente real.
- 18:23Que aí a turma do marketing usa a expressão first kiss, o
- 18:27primeiro beijo ali, você muda a relação com a pessoa.
- 18:30A tática de começar com um pedido pequeno para obter depois
- 18:32os pedidos semelhantes, porém maiores, tem um nome.
- 18:35Técnica do pé na porta. Os cientistas sociais tomaram
- 18:39conhecimento pela primeira vez de sua eficácia em mil
- 18:41novecentos e sessenta e seis, quando os psicólogos Jonathan
- 18:44Fredman e Scott Fraser publicaram um conjunto
- 18:47impressionante de dados. De dados.
- 18:53Eles relataram os resultados do experimento em que o
- 18:55pesquisador, fingindo-se de voluntário, foi de porta em
- 18:58porta numa área residencial da Califórnia fazendo um pedido
- 19:01absurdo aos moradores. A permissão para que um outdoor
- 19:03de serviço público fosse instalado no gramado de suas
- 19:06casas. Para terem uma ideia do aspecto
- 19:14do outdoor, o pesquisador mostrava a foto de uma casa
- 19:16atraente cuja fachada era tampada quase por completo por
- 19:20um enorme outdoor nada bonito com os dizeres dirija com
- 19:24segurança. Embora o pedido fosse
- 19:26normalmente recusado por grande parte dos moradores...
- 19:29Apenas dezessete por cento concordaram, e dezessete ainda é
- 19:32relevante, quase um quinto, sabendo que não tinha nenhuma
- 19:37remuneração por ter esse outdoor lá na sua casa, um grupo
- 19:40específico reagiu de maneira favorável.
- 19:42Naquele grupo, setenta e seis por cento das pessoas
- 19:45concordaram com a instalação do outdoor no gramado.
- 19:48Setenta e seis. O motivo principal do seu
- 19:51consentimento surpreendente está ligado a um fato ocorrido duas
- 19:55semanas antes. As pessoas daquele grupo haviam
- 19:59assumido um pequeno compromisso com a segurança ao volante.
- 20:02Um, entre aspas, voluntário, diferente, tinha visitado suas
- 20:06casas e pedido que aceitassem e exibissem um pequeno cartaz
- 20:12quadrado de oito centímetros que dizia, dirija com segurança.
- 20:17Foi um pedido tão trivial que quase todos concordaram, mas
- 20:20seus efeitos foram impressionantes.
- 20:25Por terem inocentemente dito sim a uma solicitação banal de
- 20:30segurança ao volante algumas semanas antes, aqueles moradores
- 20:34ficaram dispostos a concordar com outro pedido semelhante, mas
- 20:38muito maior. Fredman e Fraser não pararam por
- 20:42aí. Tentaram ainda um procedimento
- 20:44ligeiramente diferente com outra amostra de moradores.
- 20:48Primeiro, eles solicitaram que aderissem a um abaixo-assinado
- 20:50que defendia manter a Califórnia bonita.
- 20:53E aí, só fechando um exemplo anterior, esse salto de
- 20:57dezessete para setenta e seis por cento é assim.
- 20:59Duas semanas antes, eu assumi uma postura de apoiar o
- 21:04movimento Drive Safe. Dirija com segurança. e aí na
- 21:10hora que o cara vai pedir para colocar um outdoor no jardim da
- 21:14minha casa, como você apoia a campanha para dirigir com
- 21:21segurança, nós, e aí o cara faz o pedido, entendeu?
- 21:26E aí você tem a pressão do compromisso, porque é coerente
- 21:29continuar apoiando algo que você se posicionou a favor.
- 21:33Então esse aqui é o impacto, daí que vem o impacto.
- 21:37Seguindo a leitura, Fredman e Fraser não pararam por aí e
- 21:39tentaram ainda um procedimento ligeiramente diferente com uma
- 21:43outra amostra de moradores. Primeiro, eles solicitaram que
- 21:45aderissem a um abaixo-assinato que defendia manter a Califórnia
- 21:47bonita. Claro que quase todos assinaram,
- 21:50porque a beleza do Estado, como a eficiência no governo, ou
- 21:53cuidados pré-natais corretos é uma dessas coisas que ninguém se
- 21:56opõe. Após esperarem cerca de duas
- 21:58semanas... Os pesquisadores enviaram um
- 22:01novo voluntário, obviamente um pesquisador disfarçado, para
- 22:04visitar as mesmas casas e pedir aos moradores que permitissem
- 22:07que outdoors grandes, com os dizeres dirija com segurança,
- 22:11fossem instalados em seu gramado.
- 22:12Em alguns aspectos, a reação daqueles proprietários foi a
- 22:15mais espantosa de todo o estudo. Quase metade deles concordou,
- 22:18embora o pequeno compromisso assumido semanas antes não
- 22:22estivesse ligado à direção segura, mas a algo totalmente
- 22:25diferente, um embelezamento do Estado.
- 22:28De início, até o Fredman e o Fraser ficaram perplexos com
- 22:31suas constatações. Por que o pequeno ato de
- 22:33participar de um abaixo-assinado apoiando o embelezamento do
- 22:35Estado fez com que as pessoas ficassem dispostas a prestar um
- 22:39favor diferente e bem maior? Após examinarem e descartarem
- 22:44outras explicações, os dois psicólogos encontraram a solução
- 22:47no enigma. Assinar a petição pelo
- 22:49embelezamento mudou a visão que aquelas pessoas tinham de si
- 22:53mesmas. Elas passaram a se ver como
- 22:56cidadãos com espírito público que agiam com base em princípios
- 23:00cívicos. Quando duas semanas depois foi
- 23:02pedido que prestassem outro serviço público exibindo outdoor
- 23:05dirija com segurança, elas concordaram para serem coerentes
- 23:09com suas autoimagens recém-formadas.
- 23:11É... Um exemplo mais distante aqui,
- 23:41né? O que ele quer mostrar aqui é
- 23:43só... Tanto que isso é profundo, né?
- 23:46O quanto que... É...
- 23:48Daí que vem o noise lá do Daniel Kahneman, né?
- 23:51Que é um estágio depois da irracionalidade, né?
- 23:53Que assim... Na verdade...
- 23:56Os motivos mais profundos que te levam a um sim, eles sequer são
- 24:01passíveis de serem mapeados, dada a quantidade de coisas que
- 24:05podem impactar a tua percepção sobre um sim ou não. ou
- 24:11influenciar, esse sim ou esse não seguindo aqui a lição das
- 24:15descobertas de Fredman e Fraser, portanto é que devemos ter
- 24:17cuidado ao concordar com pedidos triviais, pois eles tem o poder
- 24:21de influenciar nossa autoimagem esse consentimento pode não só
- 24:25aumentar nossa suscetibilidade a pedidos semelhantes e maiores
- 24:29como também pode nos tornar mais propensos a prestar uma
- 24:31variedade de favores maiores, que estão apenas remotamente
- 24:35ligados ao pequeno favor anterior é este segundo tipo
- 24:39mais geral de influência, escondida dentro de pequenos
- 24:41compromissos, o que mais me assusta.
- 24:44E aí tem uma subseção aqui no capítulo que é assine na linha
- 24:48pontilhada. Você já se perguntou o que os
- 24:51grupos que lhe pedem para assinar suas petições fazem com
- 24:53todas as assinaturas obtidas? Com frequência não fazem nada
- 24:55com elas, já que o propósito principal da petição pode ser
- 24:58simplesmente comprometer os assinantes com a posição do
- 25:01grupo, tornando-os assim mais propensos a dar passos futuros
- 25:05que sejam coerentes com essas posições.
- 25:08Assusta-me, seguindo a leitura, Tanto que não me sinto mais
- 25:15disposto a assinar abaixo assinados, mesmo por uma posição
- 25:18que eu apoio. Uma ação como essa tem o
- 25:21potencial de influenciar de forma indesejada não apenas o
- 25:23meu comportamento futuro, mas também a minha autoimagem.
- 25:25Além disso, uma vez alterada a autoimagem de uma pessoa, ela se
- 25:29torna suscetível a qualquer um que pretenda tirar vantagem
- 25:32desse novo aspecto. Quem dentre os participantes do
- 25:35estudo do Fredman e Fraser imaginaria que o voluntário que
- 25:39pediu que assinassem uma petição pelo embelezamento do Estado
- 25:41estava realmente interessado em levá-los a exibir um outdoor de
- 25:44segurança de trânsito duas semanas depois?
- 25:46Quem poderia ter suspeitado que sua decisão de exibir o outdoor
- 25:50tivesse resultado em grande parte da assinatura daquele
- 25:54abaixo-assinado? Ninguém, imagino eu.
- 25:56Caso se arrependessem depois que o outdoor fosse instalado, só
- 25:59poderiam responsabilizar eles mesmos e seu espírito cívico
- 26:02excessivo. Provavelmente, nem se lembrariam
- 26:05do sujeito com abaixo-assinado para manter a Califórnia bonita
- 26:08e todo o seu conhecimento de jiu-jitsu social.
- 26:12Então, Bruno, acho que a gente fecha aqui esse capítulo.
- 26:15Acho que a gente vai precisar de mais um ou dois episódios para
- 26:18fechar. Mas porque isso aqui... para
- 26:23fins de reflexão, para quem realmente está interessado em
- 26:27colocar em prática os princípios e as técnicas aqui do livro, é
- 26:33um prato cheio. É um prato muito cheio.
- 26:38Comentários, frases do episódio. Muito bom, muito bom.
- 26:43Esse episódio, especificamente, ele trouxe aqui algumas
- 26:47historinhas para concordar com o que o Otto traz, que são bem
- 26:51legais porque a gente consegue perceber o tamanho da sutileza
- 26:55quando ele fala dessas técnicas, como elas são empregadas.
- 27:00Eu achei bem legal, eu acho que vale muito essa reflexão.
- 27:03Por exemplo, a diferença que faz quando instituições vão pedir
- 27:11contribuições por telefone, a diferença que faz é eles
- 27:15esperarem a pessoa responder se está tudo bem. então é de uma
- 27:21sutileza assim incrível a parte lá do outdoor também que duas
- 27:26semanas antes eles pediram pra colocar cartazes e isso fez
- 27:29também uma diferença gigante então são coisas que eu acho que
- 27:33cada um aí parando um pouquinho pra refletir pode pensar também
- 27:37como relacionar isso com o seu próprio trabalho com a sua
- 27:39própria realidade, seu dia a dia acho que é super válido e sobre
- 27:44frases assim do episódio eu destaquei um trechinho aqui só
- 27:47pra reforçar O que é essa ideia aqui desse princípio persuasivo,
- 27:53do compromisso e coerência? Que basicamente é, se você
- 27:58conseguir levar uma pessoa a assumir um compromisso você vai
- 28:04ter preparado o terreno para que a coerência automática
- 28:08empoderada daquela pessoa seja ativada com o compromisso
- 28:12anterior. Eu estou tentando adaptar aqui a
- 28:13frase para que fique mais fácil o entendimento.
- 28:16Mas basicamente é isso, a gente tentar fazer o outro, no caso da
- 28:20gente querer ativar esse tipo de persuasão, fazer o outro
- 28:25concordar com alguma coisa que tenha coerência com aquilo que a
- 28:28gente vai tentar vender no final, enfim, tentar convencer
- 28:32no final. Eu vou fechar esse episódio aqui
- 28:34com um depoimento de um leitor, que é muito elogiado pelo
- 28:37Cialdini. Então não sei se tem esse
- 28:39depoimento de leitor na tua versão aí que você que está
- 28:41acompanhando com o livro, mas era de um instrutor de vendas.
- 28:46E o leitor disse o seguinte. A lição mais poderosa que já
- 28:49aprendi com o seu livro foi sobre compromisso.
- 28:51Anos atrás, treinei pessoas no centro de telemarketing para
- 28:54venderem seguros. A turma de seguro de vida aí.
- 28:57Não só seguro de vida, mas vamos lá.
- 28:58Nossa dificuldade principal era não poder fechar o negócio pelo
- 29:01telefone. Podíamos apenas passar um
- 29:03orçamento e depois encaminhar o comprador ao escritório da
- 29:06empresa mais perto da sua casa. O problema era que os
- 29:09compradores marcavam a hora e não apareciam.
- 29:13Peguei um grupo recém saído do treinamento e modifiquei sua
- 29:15abordagem de vendas, tornando-a diferente daquela dos demais
- 29:17vendedores. Eles usaram a mesma apresentação
- 29:20enlatada dos outros, mas incluíram uma pergunta ao final
- 29:23da ligação. Em vez de simplesmente
- 29:24desligarem quando o cliente confirmava a hora em que
- 29:26apareceria, ele instruiu os vendedores a dizer o seguinte.
- 29:32Será que você poderia me dizer exatamente por que optou por
- 29:35comprar o seguro de nossa empresa?
- 29:38De início, eu estava apenas tentando coletar informações
- 29:40sobre o serviço ao cliente, mas constatei que aqueles vendedores
- 29:43novos geraram cerca de dezenove por cento mais vendas do que os
- 29:47outros. Quando integramos essa pergunta
- 29:51às aprestações de todos eles, mesmo os profissionais veteranos
- 29:55geraram mais de dez por cento de negócios adicionais.
- 29:59E a nota do Cialdini sobre isso é que, embora tenha sido
- 30:02empregada por acaso, porque o objetivo inicial era mais o
- 30:06mapeamento do serviço ao cliente, a tática do leitor foi
- 30:11magistral porque não se limitou a... a comprometer os clientes
- 30:15com suas escolhas, comprometer-os também com as
- 30:17razões de suas escolhas. Então, uma vez que, de novo, é a
- 30:23evidência ela faz com que eu tenha assumido a postura.
- 30:31Então, ali eu trouxe a evidência verbal de que eu vou comprar o
- 30:35seguro com vocês e não só isso. Por que eu vou?
- 30:38E aí, depois, não comparecer a reunião na hora marcada e,
- 30:41consequentemente, não fechar o negócio, vai de encontro a esta
- 30:45postura, ou seja, um ato incoerente.
- 30:49Então, eu trouxe aqui, Bruno, porque vai ajudando aí, cada um
- 30:53trabalha aqui que está nos ouvindo, Com negócios em
- 30:57segmentos diferentes... E você certamente tem como
- 31:00utilizar isso... No seu dia a dia...
- 31:02Sendo que aí esse é o trabalho que você tem que fazer...
- 31:05Por conta... Então fica o convite para
- 31:07reflexão... E obviamente obrigado pelo seu
- 31:09tempo... E o convite para que você siga
- 31:11conosco... Nos próximos episódios...
- 31:13Esse princípio persuasivo... Ele é menos óbvio...
- 31:17Mas você tem o meu compromisso... que eu vou
- 31:21traduzir isso à medida que a gente for avançando aqui, tem
- 31:24mais dois ou três episódios falando só desse princípio
- 31:25persuasivo e trazendo mais exemplos de como é que isso é
- 31:29aplicado na prática, beleza? Compartilha pra quem pode curtir
- 31:35esse conteúdo, né? Então, pô, esse é um conteúdo
- 31:38muito amplo, tenho até dificuldade de imaginar quem é
- 31:40que não pode, né? Mas compartilha, assim você
- 31:42fortalece o nosso trabalho e espero encontrar com você no
- 31:44próximo episódio aqui do Clube do Livro, no ED Podcast.
- 31:47Tamo junto!