Latest / Elas na Escrita / #22 A nova crítica literária
Transcript
- 0:00Oi gente, é que é Isabela de Andrade, a gente está
- 0:02em mais um episódio do Elas na Escrita e hoje a
- 0:05gente vai falar um pouquinho de algo que eu
- 0:06gosto bastante, acho que mexe aí com os humoris que
- 0:09a gente vai falar de quem escreve a nova crítica
- 0:11literária. E a gente não costuma
- 0:13responder as perguntas, a gente estava conversando
- 0:15aqui que a gente corre ao redor delas, estou aqui com
- 0:17a... Tatiana Lazaroto, estou aqui
- 0:20acompanhando Elas na Escrita, nessa temporada,
- 0:24muito feliz de estar aqui com duas convidadas
- 0:26incríveis. E aí hoje então, junto a
- 0:28gente vai conversar com a Catarina Matavelli e a
- 0:30Carolina Ferreira. A gente vai tentar ver o que
- 0:33a gente conversa a partir desta questão, mas antes de
- 0:35a gente começar, eu queria pedir para vocês se
- 0:37apresentarem um pouquinho, a gente sempre pede para quem
- 0:40está ouvindo poder conhecer, quem são vocês? Então,
- 0:43um homenibio resumir aí da história. Bom,
- 0:46o que dá dizer que eu estou muito feliz de estar
- 0:48aqui com vocês hoje, eu sou Carolina Ferreira. É
- 0:52sempre muito difícil falar de si, se apresentar, mas
- 0:55eu tenho muito me colocado como pesquisadora, acho que
- 0:59antes de tudo. É uma crítica literária e
- 1:03curadora também. E recentemente tenho descoberto
- 1:07que sou uma pessoa que faz mediação de conversas
- 1:11também, isso tem, enfim, animado, acho que no tweet
- 1:14seria isso. Para mim também é o grande
- 1:18desafio. Gente, nem de microfone, eu só
- 1:20estou amada, então já faça desculpas. Mas
- 1:23é isso, Catarina Matavelli. Sou
- 1:25formada em psicologia, acabei não seguindo aí a
- 1:27formação da forma mais tradicional que a gente
- 1:30conhece. Por ter aí uma longa trajetória
- 1:36com os livros, seja em biblioteca, livraria que eu
- 1:39trabalhei, fui voltando a me aproximar para esse
- 1:42ambiente, então hoje eu trabalho com social media,
- 1:45atualmente para o Bookster. Também
- 1:50sou colagista, artista -colagista, ainda tentando me
- 1:53entender nesse termo, por não me considerar exatamente
- 1:55uma artista. E tenho também a produção de
- 1:58conteúdo aí, já há algum tempo, mais ou menos desde
- 2:022020 com a página Catarina Matavelli, que também surgiu
- 2:05a newsletter Un Canto Nosso e acho que é um pouco
- 2:08disso. Legal, eu tenho acompanhado o
- 2:10desafio do 30 dias de colagem. Ah,
- 2:13espero que você tenha gostado. Acabou,
- 2:16consegui fazer os 30 dias. Vai
- 2:17ter mais 30 dias? Vamos ver, vamos ver. Preciso
- 2:20fazer as outras 30 agora. A
- 2:22gente aí pensando, então vamos dar um start talvez
- 2:24a partir dessa pergunta. Quem
- 2:26escreve a nova crítica literária hoje? Acho
- 2:28que a gente pensou um pouco nisso nesse episódio,
- 2:30porque a gente já sabe, tem aquela conversa. Antes
- 2:32era um espaço muito ocupado por jornalistas, por
- 2:34pesquisadores, era um espaço mais acadêmico. E
- 2:37hoje em dia isso mudou um pouco, a gente ainda tem
- 2:39esses espaços mais tradicionais, mas a gente
- 2:42foi vendo uma profissão. A gente tem blogs, a gente
- 2:45tem redes sociais, a gente tem espaços em vídeos, a
- 2:48gente tem espaço em livraria, de mediação, o
- 2:50que você disse. Eu queria entender com vocês
- 2:52se você se enxerga nesse espaço de crítica literária
- 2:54hoje e como é para vocês ocupar isso? Como
- 2:57são esses diálogos? E a gente está falando de
- 2:59escreve a crítica, mas não só escreve, né? A
- 3:02gente tem muito conteúdo em vídeo também. Então
- 3:05ampliar essa produção para além da escrita e também,
- 3:09acho que isso, pensar no online, mas também no
- 3:13offline, que tem muita coisa acontecendo. E
- 3:16realmente é bem legal você falar disso, de não só
- 3:18escrita, para a gente não se reduzir a um espaço,
- 3:20justamente porque hoje a gente tem uma diversidade
- 3:22de espaço possível. Com certeza. Com
- 3:24certeza. E aí, queremos ouvi -las. Esse
- 3:27é um assunto que me interessa, porque eu acho
- 3:29que você comentou, né? Que quando a gente imaginava a
- 3:34figura de um crítico literário antes, era sempre
- 3:36essa ideia de um homem cis, branco, mais velho, de
- 3:39terno, que ia para uma redação, estava frequentando
- 3:42o espaço da academia, né? E
- 3:44esse espaço da academia que não era um espaço que
- 3:48conversava tanto com a sociedade, assim, né? E
- 3:51eu acho que continuar perpetuando essa imagem é
- 3:57um pouco de burrice, assim, sabe? Porque
- 4:01eu acho que a crítica precisa também ser uma
- 4:05ferramenta de fomento à leitura, de incentivo à
- 4:08leitura, né? Então existem muitas formas de
- 4:11fazer isso, né? Acho que para mim que tem esse
- 4:15lado acadêmico também, eu gosto muito de pesquisar.
- 4:19Eu tenho uma relação um tanto
- 4:21ambígua com o espaço da academia, mas eu realmente
- 4:23me encontrei muito. Só que para mim sempre pareceu
- 4:26muito impossível, assim, me fechar lá e não ter
- 4:31contato com público, com as pessoas. E
- 4:35entendi muito cedo que o espaço da internet para mim
- 4:38não era um espaço confortável, assim. Eu
- 4:40não me considero uma pessoa que produz conteúdo, por
- 4:43exemplo. Mas eu encontrei dentro das
- 4:48livrarias uma possibilidade de ser essa pessoa que
- 4:51comunica e instiga os leitores e as leitoras e
- 4:56consegue levar um pouco do conhecimento acadêmico para
- 4:59esses espaços comuns, assim. Porque
- 5:01também tem um movimento que a academia não produz um
- 5:05conhecimento ali dentro, como se fosse algo que
- 5:10está descolado do mundo, né? Eu
- 5:12acho que a gente bebe muito das discussões
- 5:16externas, das observações da sociedade e leva para a
- 5:21academia para conseguir sistematizar isso e
- 5:24articular, enfim, enquanto produção de conhecimento,
- 5:28né? E tenho gostado muito, assim,
- 5:31desse movimento nas livrarias, né? Desde
- 5:34abril eu tenho feito a curadoria do circuito da
- 5:38Gato sem Rabo, né? Que são esses encontros em que
- 5:41a gente consegue trazer não só os lançamentos, mas
- 5:45também dar uma ventilada nas prateleiras da livraria
- 5:50e trazer preciosidades, assim. E
- 5:52eu sempre me preocupo muito em escolher pessoas para os
- 5:55encontros que façam essa conexão entre o mundo e
- 6:00esse espaço da academia, que às vezes parece muito
- 6:02cisudo e distante, assim, né? Então,
- 6:05eu penso que a crítica ela precisa se abrir e se
- 6:11ampliar, porque, enfim, a gente tem muitas frentes
- 6:14para poder trocar socialmente, mas, ao mesmo
- 6:18tempo, também, eu consigo compreender que cada espaço
- 6:22tem a sua singularidade, sabe? Eu
- 6:23acho que na produção de conteúdo você tem uma
- 6:26determinada linguagem e você tem um público, uma forma
- 6:30de se comunicar. Hoje em dia a gente tem essas
- 6:32vertentes dos vídeos, assim, né? Então,
- 6:35pessoas que falam sobre livros no TikTok, que falam
- 6:37no YouTube, que estão ali no Twitter, né? Então,
- 6:42é... não sei se eu respondi à
- 6:43pergunta. Eu achei legal que a gente
- 6:45está com uma pessoa muito offline e uma muito do
- 6:48online, então, né? Que a gente consegue esse
- 6:50equilíbrio que hoje, então, é legal você trazer isso
- 6:52das livrarias, que é um espaço diferente do que a
- 6:55Catarina Oculpo, então, isso se complementa muito, né?
- 6:58Um vai equilibrando o outro. E
- 7:00acho interessante também de passar para a Catarina uma
- 7:03observação sobre essa importância da crítica como
- 7:05uma formação de um leitor, né? Quando
- 7:07a gente está, inclusive, a gente acabou de sair da
- 7:10Flip e a gente estava falando muito sobre isso,
- 7:11todo mundo está escrevendo. Quem
- 7:13está lendo, né? Quando a gente tem uma pesquisa
- 7:15que saiu recentemente, que o texto mais longo, lido
- 7:18por alunos brasileiros no ensino médio, não passava
- 7:21de dez páginas, quando no Chile essa média de 100
- 7:25páginas, né? Então, eu ando pensando muito
- 7:28também, né? Quem está lendo? Porque
- 7:29a gente se lê, né? Quer dizer, alguns não, mas... A
- 7:33gente procura, né? Lê como escritoras, né? Lê
- 7:37mulheres contemporâneas, lê contemporâneos também. Mas
- 7:41a gente fica pensando nessa... Como
- 7:43está essa formação, né? A gente está abrindo,
- 7:45ampliando esse acesso à escrita, graças a Deus. Mas
- 7:48a gente também precisa pensar numa formação de um
- 7:51público leitor e a crítica literária acaba fazendo
- 7:54muito isso, contribuindo muito fortemente para isso,
- 7:57né? A gente conversou muito disso
- 7:59da Flip, do gente não, pera aí, cada escritor
- 8:01então se compromete a levar pelo menos um leitor, né?
- 8:03Muito bom. É
- 8:06muito louco pensar em produção de conteúdo, porque
- 8:08eu acho que as coisas têm mudado cada vez mais e
- 8:11muito além da questão do formato, que cada vez mais
- 8:14a gente vê os vídeos tomando espaço justamente
- 8:17porque acho que é muito difícil as pessoas lerem
- 8:19hoje, principalmente em redes sociais, imediatismo,
- 8:22muitas informações, mas é muito interessante pensar
- 8:27quantos nichos existem dentro até assim, ainda
- 8:30quando a gente fala de literatura, né? Então
- 8:33tem pessoas que vão falar ali mais sobre clássicos,
- 8:35tem pessoas que vão falar sobre literatura
- 8:36contemporânea, tem gente que vai falar sobre Young Adult
- 8:38e é muito louco o TikTok, assim, o quanto que jovens
- 8:42leitores estão tomando espaço dessa crítica, assim,
- 8:46e alcançando muitas pessoas em forma de vídeo. E
- 8:49eu, uma pessoa tímida que não sou muito da fala,
- 8:52assim, eu tenho um pouco de dificuldade, eu sinto,
- 8:55na fala, eu gosto muito mais da escrita, que é uma
- 8:57coisa que eu falo que eu posso controlar o que o
- 8:59outro vai ler. Então sempre fico com muito
- 9:02receio na parte da fala porque eu não tenho como
- 9:04controlar, saiu já era, né? Ali
- 9:06na escrita eu posso apagar, voltar, reviso 15 vezes
- 9:09antes de soltar para quem ler a newsletter. Então
- 9:13é muito louco porque às vezes eu me sinto muito
- 9:14pressionada, assim, uma pessoa que está no online,
- 9:18produzindo conteúdo diariamente, produzia antes,
- 9:20eu produzo na verdade desde os 13 anos, eu tinha um
- 9:22blog e eu criei esse blog com o intuito de ganhar
- 9:26livros porque, enfim, sem recursos, minha avó falava,
- 9:30tá louca, te dá a livro, tem que comprar o respejão,
- 9:33né? Então fui começando ali desde
- 9:36cedo muito na escrita, eu acho que para as pessoas
- 9:38que estão ali desde sempre na escrita é muito difícil
- 9:42a gente se adaptar a essa forma de vídeo, né? Mas
- 9:46também é uma forma que a gente consegue alcançar mais
- 9:48pessoas que a gente consegue alcançar mais
- 9:50jovens, né? Mas ainda assim existem muitas
- 9:54questões dentro disso do quão essa crítica literária
- 9:59de hoje que talvez a gente se encaixa ainda com
- 10:01dificuldade, justamente por conta a gente é levada a
- 10:04sério também, né? Não sei, justamente por não
- 10:08estar dentro dessa academia, por não estar dentro de
- 10:10certos padrões que são esperados da gente e tudo
- 10:13mais. E as valorizações constantes
- 10:16também que a gente sabe, acho que todo mundo dentro
- 10:19do mercado historial que trabalha de alguma forma
- 10:21com o livro, a gente sabe das valorizações, como é
- 10:22difícil, sei lá, comeu a respejão do dia a dia e
- 10:25você ser remunerado com coisas além de livros. Fala
- 10:28aqui por muitos outros produtores de conteúdo, né?
- 10:31E eu acho que a gente também
- 10:32tá tocando num ponto que é, a gente tá falando de
- 10:35geração, não é? É uma questão geracional, a
- 10:37gente tá falando, óbvio, também, né, de questões de
- 10:40gênero, de raça, mas eu também fico pensando nessas
- 10:43questões de território, né? E
- 10:45vocês duas são de São Paulo? Sim.
- 10:47São Paulo e eu lembrei, eu acho que não vai ter
- 10:50problema exporíssimo, mas eu lembrei da Emmanuela
- 10:53Siqueira, que é minha amiga, bloco de notas
- 10:55aleatórias no Instagram, que a gente também vem da
- 10:58mesma região do país. Eu não tô barrista não, tá
- 11:00aqui no OQ. Eu falei de uma autora também
- 11:04do Achtit Santa Catarina e da Magre, mas a Manu, que
- 11:07é tradutora e é crítica literária, também, ela me
- 11:11contou que quando ela era criança lá, no Achtit Santa
- 11:13Catarina, ela falou pro professor que queria
- 11:16escrever crítica literária. E
- 11:18aí o professor falou assim, não, mas você não vai
- 11:20conseguir, assim, gente, não é querer acabar com seu
- 11:24sonho, mas é muito difícil, olha onde é que você tá,
- 11:28né? E aí ele falou, nossa, pra
- 11:30isso, assim, eu não consigo nem te dizer, mas você tem
- 11:32que ler muito, você tem que ir pra Curitiba, que
- 11:34ali era um lugar maior, mais próximo. E
- 11:38aí ela começou a falar assim que acho que isso
- 11:41despertou, né? Acho que ela pode falar muito
- 11:43melhor do que isso, mas eu acho que despertou essa
- 11:45vontade, ela começou a ler muito mais e ler críticas
- 11:47também, né? Ter acesso a essa, o que era
- 11:51traduzido ali. E ela falou, nossa, quando
- 11:53saiu a minha primeira crítica no suplemento
- 11:55Pernambuco, que hoje virou revista, né? Ela
- 11:57falou, eu tive vontade de mandar pra ele e dizer,
- 12:00olha aqui, né? A gente também tá falando, a
- 12:04gente fala muito, né? A gente tá gravando num
- 12:07estúdio aqui em São Paulo, graças a Bibliôn, e muito
- 12:10como entrevistadas que moram aqui ou que são daqui, mas
- 12:13a gente também tá falando de pessoas além, né, desse
- 12:16eixo que a gente vive e que às vezes também
- 12:19precisam ultrapassar, né? Essa
- 12:21questão territorial pra fazer uma crítica e ser
- 12:23ouvido, né? Como você falou, que a gente tá
- 12:26falando. E é louco que é exatamente
- 12:27um eixo e apenas um padrão. Então,
- 12:30na cabeça dessa pessoa que falou isso pra sua amiga,
- 12:32só existia uma possibilidade de ser crítico, né? Sei
- 12:35lá, morando em tal lugar, você sendo, sei lá, homem
- 12:38branco dentro de um terno. Então,
- 12:40é muito difícil no dia a dia a gente desmitificar
- 12:43isso e tentar conquistar assim, falar, eu posso
- 12:46estar nesse espaço e não só estar, mas também ser
- 12:49levada a sério, né? Falar, o que a Catarina tá
- 12:51falando, o que a Carol tá falando, o que os jovens
- 12:53do TikTok tá falando, precisa ser considerado e é
- 12:56importante e tudo mais, porque falar todo mundo vai
- 12:58falar, né? Mas o difícil é como a gente
- 13:01vai ser ouvido e levar da série considerado no dia a
- 13:04dia, né? Exatamente, isso do ser levado a sério
- 13:07vai muito pelo espaço que talvez mais pessoas ocupam
- 13:10hoje. A gente já tem esses espaços
- 13:11fixos de pensar que a crítica vai ocupar esse, o
- 13:14tal espaço e entender que o mundo correu. Não
- 13:18tem mais como ser aquele único homem de uma revista
- 13:21do jornal. E isso é legal, a gente ter
- 13:23esses novos espaços, novos possibilidades, até quando a
- 13:25gente pensa em ampliar leitores. É
- 13:27o que a gente tava falando, a crítica também
- 13:29como um espaço de mediação, né? Então
- 13:31um espaço possível de incentivar a leitura, de
- 13:33encontrar novos leitores, online, offline. Mediação
- 13:35é informação, né? Acho que a gente não pensa
- 13:38nessa crítica só em relação ao livro, mas como um
- 13:41espaço de expandir a literatura, né? O
- 13:43caminho desse livro. Eu acho que quem escreve não
- 13:45são mais as mesmas pessoas, quer dizer, as pessoas
- 13:47sempre escreveram, mas quem tem acesso a essas pessoas,
- 13:51né? Essas pessoas que ganham acesso
- 13:53na literatura não são mais as mesmas, ampliou -se, mas
- 13:56a crítica também precisa ser ampliada, né? Eu
- 13:58acho que... porque é um espaço de poder, né?
- 14:01Comptamente. Sim, mas eu acho que ainda
- 14:04não é, né? A gente tá falando, você já
- 14:06falou muito bem, né? Sobre essa questão de pensar essa
- 14:10produção que tá no eixo muito sudestino, assim. No
- 14:13mestrado eu tive uma experiência, por conta da
- 14:15pandemia, de fazer uma disciplina na Federal da
- 14:18Bahia, que eu sempre falo pra todo mundo, assim, que
- 14:22foi uma das disciplinas do mestrado que foram mais
- 14:25importantes pra mim, em que o plano de aula tava muito
- 14:30atualizado, né? Então, uma quantidade muito grande
- 14:34de autores negros sendo lidos, né? E
- 14:38nesse contato com a UFBA e com amigos de lá, é muito
- 14:43violento e muito curioso perceber como nós aqui de
- 14:48São Paulo e do Rio, né? Também
- 14:50a gente não acessa essa produção crítica, né? Então,
- 14:55são dois embatos diferentes, né? Eu
- 14:57acho que a gente tá falando aqui do embate
- 14:59nosso dentro de São Paulo, de ter o nosso trabalho
- 15:02reconhecido e dessa dificuldade de se colocar
- 15:05como uma pessoa crítica literária, assim, eu
- 15:07coloquei isso... Pode parecer uma coisa muito
- 15:10pequena, né? Mas eu tenho colocado isso na
- 15:11minha bio faz pouquíssimo tempo, assim, porque tá, eu
- 15:14sou crítica literária, mas eu nunca escrevi na folha.
- 15:17Nossa... Nunca saiu um texto meu no
- 15:19jornal tal, tipo, posso colocar que eu sou crítica?
- 15:23Então, tem essa insubordinação
- 15:24também da gente colocar os nomes que... Enfim,
- 15:29cabem ao nosso trabalho, mas não entrando nessa
- 15:32lógica de que você só é escritor, se você publica
- 15:34um livro, você só é crítico, se você tem uma
- 15:36coisa no jornal, tal. Mas tem essa questão ainda do
- 15:40território, que é muito forte, né? Quando
- 15:41a gente pensa nesses lugares do norte do
- 15:43Nordeste ou do extremo sul, assim, de como as críticas
- 15:48estão sendo feitas ali, né? Tem
- 15:50uma produção pulsante que não é acessada pela gente,
- 15:54né? E também o quanto isso limita
- 15:55a nossa própria possibilidade de construir
- 15:58um pensamento crítico, assim, né? Essa
- 16:01professora da disciplina da UF, que é a professora
- 16:03Florentina Silvi Souza, que foi uma das primeiras
- 16:06professoras negras da faculdade federal lá, ela
- 16:09tem um trabalho maravilhoso da década de 80, estudando
- 16:12os Cadernos Negros. E com o de amigos e colegas
- 16:14em São Paulo, estudando os Cadernos Negros, que não
- 16:18leem a professora Florentina, que é a gênese
- 16:21da crítica desse movimento, assim, né? Então,
- 16:25eu acho que a gente precisa, o tempo todo,
- 16:27estar muito atento, porque facilmente a gente pode
- 16:31cair nesse lugar, né? De excluir também outras
- 16:35possibilidades de crítica que estão fora do Seixo,
- 16:38do Sul -Sudeste, né? Gente, puxando em região, eu
- 16:41sempre falo do Centro -Est. Então,
- 16:42Centro -Est, tá vendo? Nem falei. Não,
- 16:45mas isso é tão... Eu até puxei, porque isso
- 16:47acontece muito. Geralmente a gente divide o país em
- 16:49dois lados. A gente fala Sui -Sudeste,
- 16:50Norte e Nordeste, eu fico em Oceano -Est. Cadê?
- 16:53Parece um lugar fora do país, é sempre assim. E
- 16:56onde tá capital do país? O Olímpico do país, né? É,
- 16:59capital do país, talá -lo, de Brasília. Acho
- 17:01que isso queres. E ainda assim, quando eu me
- 17:03mudei pra São Paulo, eu vi muita essa diferença do
- 17:05acesso, né? Vindo de Brasília, que é uma
- 17:08capital, mas Estana e São Paulo, a gente vê o quanto
- 17:10a gente tem mais acesso. A pessoa, as alugares, a
- 17:13biblioteca, as livrarias, a eventos, a tudo. Então,
- 17:16isso muda também. Então, essa mediação é
- 17:19completamente diferente, né? Eu
- 17:20acho que... Eu acho que nomear a região é
- 17:22muito importante, mas também pensar que quando a gente
- 17:24fala em Sui -Sudeste, geralmente a gente tá
- 17:26falando de Rio, São Paulo, capital, Limina, Curitiba,
- 17:30talvez no Sul, ou Porto Alegre, São Paulo, Turina,
- 17:33Coitado, né? Foi com Deus. Até
- 17:36por esse momento que a gente tá vivendo também.
- 17:38Por isso que eu sempre reforço
- 17:39quando eu falo que eu sou de Santa Catrina, mas eu
- 17:40sou legal. Eu sou de Cereda. É
- 17:43importante fazer esse disclaimer, mas é o quanto
- 17:47isso é invisibilizado mesmo, né? E
- 17:49realmente, assim, a gente precisa nomear as regiões e
- 17:52olhar para esses outros lugares, para além das
- 17:54capitais, né? E para além das universidades,
- 17:57né? O que vem sendo feito. Oi,
- 18:00eu sou a Tatiana Leite, do Valeiro Miiro, e eu vim
- 18:02aqui falar um pouquinho o que eu penso, né? Minha
- 18:05opinião sobre crítica literária dá aos meus 10
- 18:08centavos a respeito disso, sobretudo numa era de
- 18:10internet. Bom, eu acho, primeiro de tudo,
- 18:14que eu acredito muito na definição do Antônio
- 18:17Cândido, né? Que um crítico literário é
- 18:19impossível uma crítica literária acontecer sem um
- 18:23contexto social, filosófico, político, e... Porque
- 18:29não pessoal também, né? De cada crítico. O
- 18:32crítico vai embasar aquelas suas definições e análises
- 18:36a partir de questões que também vão ser subjetivas,
- 18:40né? A minha análise crítica de
- 18:42algum texto, ela vai ser variável, ela vai ser
- 18:45diferente de a análise crítica de uma outra
- 18:48pessoa, que tenha uma vida diferente da minha, né? Ou
- 18:52que viva em um tempo diferente que o meu. E,
- 18:56então, por isso, a gente precisa levar em
- 18:58consideração também o veículo em que isso está
- 19:02saindo, justamente porque estamos em um período de
- 19:04internet com as informações ao alcance do clique, não
- 19:07informações... Não qualquer informação, né? Mas
- 19:09muita informação, muita coisa, muita análise, muita
- 19:13opinião, né? Então, acho que o ponto mais
- 19:16importante dessa análise é, primeiro, a gente entender
- 19:20que existem maus profissionais em diversos
- 19:24mercados, não só no mercado editorial, não só no
- 19:27mercado de comunicação, não só nos críticos literários,
- 19:31mas também a gente precisa entender que essa análise
- 19:35crítica ela vai ser sempre subjetiva, como já dizia o
- 19:39Antônio Cândido, só que essa análise crítica só vai
- 19:43se dar a partir do momento que o livro e a literatura
- 19:47foram analisadas a partir de critérios que sejam
- 19:50relevantes ali para tirarem conclusões a respeito, né?
- 19:53Então, análises da linguagem,
- 19:55análises do contexto histórico, análises políticas
- 19:59sociais, enfim, e de acordo também com qual é a
- 20:03circunstância para qual que é o objetivo daquela
- 20:06análise, né? É uma resenha de um jornal,
- 20:10é uma resenha de um blog, é uma resenha em vídeo, é
- 20:12uma resenha com uma função escolar, com uma função de
- 20:15concurso, com uma função de uma NEM, enfim, tem uma
- 20:19série de questões aí, né? É
- 20:21uma resenha para um autor, enfim, são vários lugares
- 20:26que vai se partir, mas o crítico literário ele pode
- 20:29ser assim, um booktuber, um booktalker, e também, claro,
- 20:33um jornalista, um professor, um sociólogo, um
- 20:35antropólogo, enfim, um biólogo até dependendo, sei
- 20:38lá, qualquer pressão. E como tem sido esse trabalho
- 20:44pegando um pouco no offline para você não livraria hoje
- 20:46em dia? A gente está falando da
- 20:47crítica, mas também mediação. Como
- 20:49tem sido o seu contato e o diálogo com os leitores?
- 20:52Já que a gente está pensando
- 20:52nessa expansão de leitores. Eu
- 20:55sinto que tem uma demanda das pessoas de estarem
- 21:00nesses espaços, seja para conhecer leituras novas,
- 21:05seja para ter esse diálogo sobre aquilo que você leu,
- 21:09porque a leitura é um pouco solitária, né? Você,
- 21:14ali, com as palavras que alguém escreveu, tal. E
- 21:16acho que a possibilidade de você estar com outras
- 21:19pessoas que têm o mesmo interesse, trocar é algo
- 21:23que eu tenho sentido, assim. É
- 21:27muito curioso ver pessoas que frequentam, alivraria
- 21:30com uma frequência, assim, que não vão apenas em um
- 21:33evento ou outro, mas tem uma coisa de acompanhar a
- 21:36agenda, de frequentar, tal. E
- 21:38a coisa mais legal que eu tenho ouvido é muito sobre
- 21:40esse contato com pessoas da academia, assim, né? Eu
- 21:43tenho um hábito de sempre que eu posso convidar
- 21:47pesquisadores e pesquisadoras, tendo, às
- 21:50vezes, um cuidado de convidar pessoas que não
- 21:53têm sido tão acessadas, assim, pensando em grandes
- 21:58mídias ou não produzem conteúdo e tal, e fazer
- 22:01essas pontes, sabe? Porque eu acho que o pensamento
- 22:06crítico, né? A crítica literária, pensando
- 22:08nesse formato mais acadêmico, ela não precisa
- 22:12mais ser algo hermético, inacessível, né? Você
- 22:16não precisa ler um texto e não compreender absolutamente
- 22:18nada, assim, né? E eu tenho sentido um pouco
- 22:21das minhas amizades do meu próprio processo no
- 22:24mestrado, que se tem uma liberdade para que a nossa
- 22:29pesquisa seja feita com menos distanciamento, assim,
- 22:31né? Eu até comentei com algumas
- 22:34pessoas próximas, assim, que o meu mestrado foi uma
- 22:36grande confusão. Tinha a hora que eu não sabia
- 22:38quem era Carolina Maria de Jesus e quem era Carolina
- 22:40Ferreira, assim, porque os nossos processos estavam
- 22:43muito entrelaçados, assim, era um pensar com, né? E
- 22:48aí é curioso ver como é para um leitor, entre
- 22:52muitas aspas comuns que estão fora do espaço da
- 22:54academia, ter acesso a esse conhecimento, assim, como
- 22:58isso desperta curiosidade, desperta, às vezes, até o
- 23:01interesse, assim, ah, nossa, tenho vontade de pesquisar,
- 23:05não achei que eu poderia fazer isso, assim, sabe? Eu
- 23:08acho que tem sido muito bom. E
- 23:10esse lugar da mediação para mim é um lugar que foi
- 23:14muito difícil no começo, porque eu não sou uma
- 23:16pessoa tímida, mas eu sou muito insegura, assim. E
- 23:20aí é isso, né? Você está ali, se expondo e
- 23:23falando coisas que pode não ser compreendida ou que de
- 23:28repente não tem o mesmo impacto que você imaginou e
- 23:32uma mediação... Pode chegar de outra forma, né?
- 23:34É, e uma mediação nunca tem
- 23:36uma preparação por completo, né? Você
- 23:38sempre cria ali um roteiro, mas tem uma coisa de um
- 23:41proviso que você precisa. Sabe
- 23:42que vai vir, né? É, e para mim o desafio mais
- 23:46legal é de me tornar uma acadêmica diferente, sabe?
- 23:52Eu acho que é uma coisa meio
- 23:54saída automático, assim, entender como eu consigo me
- 23:58comunicar e fazer as pessoas terem curiosidade e
- 24:00aproximá -las do pensamento crítico, mantendo a minha
- 24:06ética, mas ao mesmo tempo também fazendo com que seja
- 24:10acessível, assim, sabe? Eu acho que eu não tenho, por
- 24:14exemplo, interesse de, em algum momento da minha
- 24:16vida, virar uma pessoa acadêmica que não tenha
- 24:18esse contato externo, porque eu acho que esse diálogo é
- 24:22muito importante porque eu não quero me perder, né?
- 24:26Eu não quero, enfim, que
- 24:27aquilo que eu produza não seja acessado pelas pessoas
- 24:31que estão fora desse espaço, porque, em especial,
- 24:34a minha pesquisa, né? Eu estou muito voltada para a
- 24:38escrita de mulheres, mas em especial de mulheres negras,
- 24:40assim, eu acho que é um fluxo constante da vida
- 24:44para a academia, assim, né? Então,
- 24:48poder estar nas livrarias e fazer essas mediações é
- 24:52importante, porque, enfim, eu acho que tem essa coisa
- 24:55de me tornar menos acadêmica no jeito bom,
- 24:58assim, sabe? E eu acho, Carol, que você
- 25:01está falando de um desafio muito grande, que é para a
- 25:03gente, que é acadêmica, não é? Eu
- 25:04falo a gente, porque eu também... Eu
- 25:05e Carol defendemos o mestrado com menos de um
- 25:08mês de antecedência, né? Sim,
- 25:10está muito partinha. E ela me segurou na minha
- 25:12mão os dois dias antes que a gente se conheceu, se
- 25:14encontrou, falou, vai dar tudo certo e eu acho que
- 25:18é um desafio, né? Não tornar essa escrita um
- 25:22arquivo que vai ficar numa biblioteca presa para sempre
- 25:26e trazer isso, né? Para as pessoas e fazer esse
- 25:31conhecimento fluir, né? Na sociedade mesmo, de uma
- 25:33forma que ele seja absorvido, entendido,
- 25:36principalmente discutido, tensionado, né? Não
- 25:39é uma discussão fechada, mas sim, ela está aí,
- 25:42fluindo pelo mundo. E uma das formas até que
- 25:45muita gente faz isso é tentar levar isso para as
- 25:47redes sociais, né? Sim. Tentar tornar isso mais
- 25:49acessível. E eu fiquei pensando também
- 25:52que na pandemia, eu não tenho exatamente a
- 25:55estatística, mas acho que muita gente, por conta do
- 25:59isolamento social, quis ler mais e eu acho que
- 26:03procurou, né, perfis, né, como o da Catarina, para
- 26:07saber o que ler e ter uma leitura talvez mediada, né,
- 26:12com referências e tal. E aí eu queria entender como
- 26:14foi para você, Catarina, eu sei que você já fazia
- 26:16antes da pandemia, mas como foi esse processo da
- 26:19pandemia dentro do seu trabalho? Se
- 26:21teve isso, você está falando no Coisa Nada Vê?
- 26:24Na verdade, eu voltei a fazer
- 26:26isso na pandemia, porque eu comecei a fazer ali com
- 26:28uns 13 anos, eu não escrevi a blog, Instagram
- 26:30nem existia. No vídeo eu devo parecer muito
- 26:33nova, mas eu tenho 26 anos. Não
- 26:35que não seja nova, mas as pessoas me dão um deus ou
- 26:3718, assim, sabe? Mas eu escrevi lá com os 13
- 26:41anos no blog e tal, adorava, me divertia, na
- 26:44biblioteca, pegava quatro livros e devorava. E
- 26:49aí veio o faculdade, veio ter que trabalhar, trabalhar
- 26:52e conciliar na faculdade e eu parei, fiquei no Iatos,
- 26:55sem ler nada. E foi na pandemia que eu
- 26:58voltei a ler, assim, que eu literalmente falei,
- 27:00nossa, agora eu não preciso pegar transporte, eu não
- 27:02preciso passar duas horas em pé para ir até o
- 27:04trabalho. A faculdade já estava bem
- 27:07saturada, assim, diferente da Carol, eu me identifico
- 27:11zero, com a ambiente acadêmica, sendo que via
- 27:13hora de acabar a faculdade, não queria nunca mais ver
- 27:15aquilo. Mas acho que foi uma
- 27:17experiência mais, enfim, com a instituição em si. E
- 27:20aí, eu voltei na pandemia. E
- 27:23é muito louco, porque eu também me vejo muito nesse
- 27:26lugar de insegurança que você trouxe, aliás, me
- 27:28identifiquei com muitas coisas na sua fala, mas na
- 27:32forma online, assim. Então eu comecei ali na pandemia
- 27:36e falei, vou só mostrar os livros e fazer um textinho,
- 27:38porque eu nem quero que as pessoas me vejam, assim,
- 27:40sabe? Então, insegura. E
- 27:42até que foi indo, indo, eu percebi que quanto mais eu
- 27:45mostrava da minha vida, mais eu mostrava da
- 27:47Catarina em si, mais as pessoas se interessavam e
- 27:50geravam essa identificação. Então
- 27:52foi muito aos poucos que eu fui começando a tornar
- 27:55a minha página, o que é hoje, tanto que tinha o
- 27:58nome, que era um canto todo meu. Ah,
- 28:01eu lembro. Até que eu falei, por que eu
- 28:03não posso misturar a questão da leitura, a
- 28:07cultura, que falo sobre cinema também, como em a
- 28:10vida em si, sabe? Tornar esse perfil pessoal. E
- 28:13com seu nome, né? Exato. Ou é profissional mesmo.
- 28:16Exatamente, porque eu penso, eu quero
- 28:17me colocar ali no mercado editorial como uma
- 28:20profissional, para além de produtora de conteúdo, que
- 28:22ainda tem os seus perrengues para ser
- 28:25considerado profissional também, né? Então
- 28:28foi aí que teve essa virada para o Catarina
- 28:30Matavelli, foi aí que chegou a News também, por
- 28:33conta dessa questão do algoritmo também, que é uma
- 28:36coisa muito, muito louca, o que a Carol falou, assim,
- 28:39que sempre passa pela minha cabeça, mas com quem que
- 28:41eu estou falando, afinal de conta, sabe? Que
- 28:43às vezes eu entro numa, numa neura aqui, comigo
- 28:45mesmo, eu falo, cara, será que eu estou falando para
- 28:47as mesmas pessoas? Tipo, quem está me lendo, sabe?
- 28:49Será que eu estou falando
- 28:50sozinha? É, será que eu estou falando
- 28:52sozinha? Será que eu estou alcançando
- 28:53pessoas que, de fato, precisam ouvir, ou ver os
- 28:57livros que eu tenho para indicar? As
- 28:59pessoas estão lendo as mesmas coisas, ouvindo as
- 29:00mesmas pessoas. E quem não lê está aqui
- 29:03também, sabe? Então essa é uma preocupação
- 29:06constante que eu tenho, ali. Porque
- 29:09os livros que eu trago, ali, no dia a dia, são
- 29:11livros que eu acredito. São livros que me formaram como
- 29:13pessoa para a gente falar sobre gênero, sobre raça,
- 29:16sobre classe, sobre trabalhadores, sobre
- 29:19política, direta ou indiretamente. E
- 29:22esse é o objetivo da página, assim. Eu
- 29:23comecei com esse objetivo, trazer literaturas fora do
- 29:27eixo, ali, que a gente está acostumada, coisitoras
- 29:30independentes. Legal. Então era muito difícil, no
- 29:34dia a dia, a gente ter essa afirmação de, ó, você
- 29:36está sem novida, está chegando nas pessoas que
- 29:38você quer que cheguem para além da sua bolha, né? Mas
- 29:41de vez em quando a gente se depara com muitos
- 29:42resultados legais, com feedbacks legais, com
- 29:44pessoas que falam, cara, eu comecei a ler por sua
- 29:47causa, assim, e eu li esse livro por sua indicação, eu
- 29:50nem gostava muito de ler. Eu
- 29:52gosto do seu, da sua produção. O
- 29:54Instagram, às vezes, se abota muita gente, mas tem
- 29:56muita coisa legal que já aconteceu, como, por
- 29:58exemplo, quando eu postei o livro da Tati, que é o
- 30:02Quando as árvores morrem, pelo amor de Deus, espero
- 30:04que todo mundo que o sessão de cash já tenha
- 30:06lido. Acho que sim. Não
- 30:07é possível. Também, nós veremos que sim. Por
- 30:09favor, quem não leu, por favor, leu, que eu amei,
- 30:12eu adorei, e aí, eu achei que ia ser só um post
- 30:14normal. Eu falei, vou lá postar mais
- 30:16forte, porque às vezes baixa aquela frustração,
- 30:17sabe? Eu falava, eu estou falando
- 30:18com quem, sabe? Aí postei e foi bizarro,
- 30:22assim, que teve um alcance de 30 mil, uma simples
- 30:25foto, e nunca tinha acontecido isso, assim. É
- 30:27muito dourado, porque é isso, a gente não sabe
- 30:28como o algoritmo funciona. Como
- 30:30vai receber, né? Exato. Eu agradeço essas pessoas,
- 30:32essas pessoas. Me honram. Exato.
- 30:36Então, eu acho que no dia a dia, são muitas questões
- 30:41que passam, assim, na cabeça de uma pessoa que
- 30:43quer produzir contudo, que quer chegar em mais
- 30:44pessoas, que quer tornar literatura acessível, e que
- 30:46quer também fazer com que os livros que a gente sabe
- 30:51que não cheguem tantas pessoas diferentes daqueles
- 30:53mais vendidos, diferentes daqueles que todo mundo
- 30:55conhece. Exato, sabe? Então,
- 30:58acho que no final das contas, esse é o meu
- 30:59objetivo. Eu encontro muitos desafios,
- 31:01não só do Instagram, mas comigo mesmo, a caminho em
- 31:03segurança, com aquela coisa de se adaptar aos formatos
- 31:08que estão cada vez mais imediatistas. E
- 31:11é importante, também, a gente mudar e se adaptar
- 31:14com o que as pessoas querem, mas também sem
- 31:15perder a nossa identidade. Eu
- 31:17acredito que eu estou nesse equilíbrio aí que eu estou
- 31:20um dia, talvez eu encontre, assim, sabe? Eu
- 31:23queria até ouvir de você, você tocou um ponto
- 31:24importante de vocês duas, é que você falou desses
- 31:27livros mais conhecidos, porque eu tenho visto essa
- 31:29crítica, esses passos que vocês ocupam online e
- 31:32offline como uma curadoria também. A
- 31:34gente pensar que, sei lá, mais de 100 livros são
- 31:36publicados todo dia, então, como esses livros vão
- 31:39chegar aos leitores? Eu mesmo, sou muito leitora e
- 31:41a gente acaba, às vezes, se levando por avó, e fica
- 31:43que talvez que... Tá no vai, sim. ...tava
- 31:44finalista de um prêmio, esse aqui que tá aparecendo
- 31:47toda hora, o editor tem um super marketing. Eu
- 31:50queria entender para vocês como é sair um pouco desse
- 31:53espaço desses livros que estão sendo sempre falados,
- 31:56porque a gente vê ali que às vezes tem uns que,
- 31:57pronto, eles aparecem em tudo, tudo, tudo. Todo
- 32:00lugar que a gente vai, seja na livraria, no
- 32:02prêmio, no blog, na resenha, na newsletter, são
- 32:05alguns mesmos livros. E o que tá por trás disso,
- 32:07né? É, que é fácil. As
- 32:08vezes é um investimento ali, às vezes a gente tá
- 32:11falando de quem fala e por quem fala, né? Por
- 32:14meio de qual editora fala também. E
- 32:15eu sei que, às vezes, enquanto o trabalho de
- 32:17vocês também faz parte de falar desses livros mais
- 32:19conhecidos, que chegam mais, que vão estar na editora
- 32:22maior. Eu queria entender como isso
- 32:23chega para vocês, como é esse equilíbrio entre, ok,
- 32:26tá ali falando desses livros que vão ser falados,
- 32:29mas tentar sair um pouco dessa... Dessa
- 32:31lógica, né? Dessa lógica, né? É
- 32:33bem desafiador, né? Eu acho muito bonito essa
- 32:35sua... sua escolha, né, de pensar
- 32:38editoras menores, porque a gente sabe que existe uma
- 32:43disputa mercado lógica. Em que se parte de um... de
- 32:48um... de um pressuposto de que falar
- 32:50de uma editora, por exemplo, como a Clara
- 32:52Boyack, pra mim não é uma editora pequena, mas a
- 32:54gente foi pensar no mercado, né? É
- 32:56muito menor. Você vai ter menos alcance ou
- 32:59isso vai te... é... gerar menos parcerias ou,
- 33:03enfim, publicidades do que se você falar de uma
- 33:05editora muito maior, assim. E
- 33:09também é um trabalho... imagino
- 33:12que pra você seja mais ou menos isso, é um trabalho
- 33:14meio que de formiguinha, né? Porque
- 33:16pra gente conseguir acessar esses livros tem que ser
- 33:20uma busca ativa e independente, ou você tem
- 33:23que ir numa livraria que tenha uma curadoria legal e
- 33:26meio que fuçar as coisas, né? Porque
- 33:29senão a gente acaba ficando muito enviesado a ler esses
- 33:33livros que são, enfim, os mais vendidos, das as
- 33:35editoras maiores, né? Os hypes do momento. É...
- 33:39É só fazer um parente ou às vezes também chega pelo
- 33:42próprio autor, né? Porque a gente tá fazendo um
- 33:44mundo que, por exemplo, eu trabalhei muito meu livro,
- 33:46trabalho ainda o meu livro e às vezes é... é...
- 33:55Eu não gosto muito de me aproximando do influenciador
- 33:58porque, ah, ele vai falar do meu livro. Cara,
- 34:00eu gosto de pessoas que... que
- 34:01eu gosto, que eu gosto do trabalho, né? Mas
- 34:04é legal, porque às vezes trabalhando, o influenciador
- 34:06te nota e fala, pera aí, deixa eu ver, né? Um
- 34:08trabalho dela e... é interessante isso, né? Esse
- 34:12caminho também. É, porque ainda tem hoje em
- 34:13dia, chega pra vocês, talvez, o da livraria, o
- 34:15da editora, o do marketing, o do autor. E
- 34:18do autor, né? Aí, é isso. Que
- 34:19tá trabalhando ali por conta da... Olá,
- 34:23eu sou a Tamey Ganan. E pra falar sobre crítica
- 34:26literária e internet, hoje eu gostaria de partir da
- 34:31minha própria experiência e trazer uma perspectiva,
- 34:35talvez um pouco otimista ou positiva acerca da relação
- 34:41entre essas duas coisas. Em 2015 eu estava no segundo
- 34:46ano da minha graduação em letras na USP e eu criei
- 34:51o Literatame, que é um canal em que eu falo sobre
- 34:54literatura, né? Um canal que tá presente em
- 34:57diferentes redes sociais, tem um site próprio também.
- 35:01E que hoje é o meu trabalho,
- 35:03mas que naquele momento não passava de um hobby, uma
- 35:07possibilidade de chegar a outras pessoas que também
- 35:11gostavam de literatura e de alguma forma poder espalhar
- 35:15por aí o meu encanto pelos livros. Conforme
- 35:18os anos foram passando e eu fui estudando e entrando
- 35:23em contato com a crítica literária convencional e
- 35:27acadêmica, eu passei a enxergar na internet um
- 35:31espaço onde era possível exercer a atividade da
- 35:36crítica literária, um espaço obviamente alternativo, mas
- 35:41que me possibilitava estar ali como crítica literária,
- 35:46coisa que dificilmente aconteceria em meios
- 35:48tradicionais como jornais, impressos, suplementos que
- 35:52são muito importantes, muito ricos, mas que funcionam
- 35:56dentro de uma cadeia da qual nem todos podem
- 35:59participar. E a internet, esses passam um
- 36:03pouco mais democrático nesse sentido. E
- 36:06hoje, depois desses de nove anos que eu comecei, eu
- 36:08tenho visto a internet muito mais ocupada.
- 36:13Primeiro, pelas próprias instituições
- 36:16da crítica literária convencional, tradicional,
- 36:20então a gente vê todos esses suplementos, esses
- 36:22jornais que eu comentei, com uma presença ativa nas
- 36:25redes sociais, então trazendo essa crítica
- 36:29literária formal para o espaço virtual e, por outro
- 36:33lado, também vejo na internet como um caminho
- 36:37para que todas as pessoas, quaisquer pessoas, possam
- 36:41falar sobre literatura. O que significa que nem todo
- 36:45conteúdo literário na internet é crítica
- 36:48literária, muito menos se classifica dessa forma. Pelo
- 36:52contrário, grande parte dos produtores e produtores de
- 36:55conteúdo que a gente vê no YouTube e no Instagram não
- 36:59tem essa pretensão. Mas ainda assim, esses perfis
- 37:04podem vir a ser pontes para que se chegue a
- 37:08crítica literária de fato. A
- 37:10crítica literária foi ganhando uma nova cara,
- 37:13porque há muita gente falando sobre livros e
- 37:17produzindo um trabalho realmente crítico acerca da
- 37:20literatura nos seus próprios espaços dentro da internet,
- 37:24isso pluraliza muito a nossa visão acerca da
- 37:28literatura. Ao mesmo tempo em que promove
- 37:31um acesso muito mais facilitado a esse pensar a
- 37:35literatura, a reflexão crítica acerca dos livros,
- 37:38e a própria leitura. Então, acho muito positiva essa
- 37:43proliferação de pessoas falando sobre literatura na
- 37:47internet e de novos críticos que encontram ali
- 37:51uma possibilidade de publicar os seus trabalhos,
- 37:55de exercitar esse pensamento crítico acerca do fazer
- 37:59literar e convidar outras pessoas que talvez de outra
- 38:02forma não chegassem a isso, a fazer o mesmo, a pensar
- 38:07literatura, a incluir a literatura no cotidiano.
- 38:11Então, eu realmente tenho uma
- 38:14visão, tanto talvez um pouco tópica da internet
- 38:20como uma aliada à literatura e ao pensar
- 38:24literatura, principalmente se a gente tem uma ideia de
- 38:29pensar literatura coletivamente, porque pela
- 38:33internet a gente consegue chegar aos outros e juntos
- 38:37construir alguma coisa. Acho que o literatã é uma
- 38:41grande prova disso. Então, eu sou uma defensora da
- 38:47que a gente ocupe todos os espaços possíveis com
- 38:50literatura, inclusive o espaço virtual e eu enxergo
- 38:55hoje a internet como uma parceira importante para
- 39:01essa difusão literária, que pode vir a ser um braço,
- 39:04que na verdade já é um braço forte aí, para o
- 39:07fortalecimento da crítica literária e da sua própria
- 39:11difusão no Brasil hoje. Então,
- 39:14como é até para vocês conseguirem fazer esse
- 39:17equilíbrio para não ficar tão reazado, para também
- 39:20ter essa coradoria que vai para o leitor? É,
- 39:22eu interrompia, Carol, pode continuar. Eu
- 39:25acho que até esqueci. Ah, não, lembrei. Eu
- 39:28só ia comentar que, por exemplo, no meu caso que
- 39:30tem essa escolha de ler mais autores negros, claro
- 39:35que a gente tem hoje um número maior de autores
- 39:38circulando por editoras maiores, mas tem esse lugar
- 39:43também para mim muito de uma coradoria que parte das
- 39:46minhas amizades, acho que dessa troca constante e de
- 39:52uma coisa meio, tipo, sentar no Google e meio
- 39:55que pesquisar. Instagram também é uma ferramenta
- 39:57muito boa para isso, né? E para mim, quando eu consigo
- 40:01fazer esses encontros, por exemplo, na livraria, com
- 40:05essas autorias, com essas editoras menores, eu sinto
- 40:09que é uma coisa que me deixa feliz, assim, porque
- 40:12tentar apresentar algo que está ali nas prateleiras
- 40:15das livrarias, mas que muitas vezes não é
- 40:18acessado, né? E acho que era, por enquanto
- 40:23era isso. E ser convidado por um
- 40:25evento, por uma coradoria, eu como escritor, assim, eu
- 40:28acho que é um baita reconhecimento, né? Sim.
- 40:32A leitura é um baita reconhecimento, a resenha é
- 40:34um baita reconhecimento, mas ser convidado por um evento
- 40:37é quase um selo, assim, né? Olha,
- 40:40vem aqui falar sobre o seu livro, é ultrapassar essa
- 40:43barreira da estante, ultrapassar a barreira do
- 40:45marketing digital e sim ser chamado para falar, para
- 40:49ter voz sobre o que você escreveu. Então
- 40:51é um trabalho que te deixa feliz, mas também deixa
- 40:54muita gente feliz, né? Que você convida, que você
- 40:57convoca e reúne. Parabéns. Parabéns, meus dois.
- 41:02Obrigada. Bom, no meu caso, tem a
- 41:05questão ali de quase uma disputa de tantos livros
- 41:08que chegam, né? Sim, eu imagino. Gente,
- 41:10é bizarro. É muita coisa. E
- 41:14para uma pessoa ansiosa ali, uma cria do
- 41:16capitalismo, que você fica, meu Deus, eu preciso ler
- 41:20tudo assim, que às vezes eu olho a minha estante e
- 41:22eu falo para o meu companheiro assim, eu falo,
- 41:24eu não vou conseguir, cara. Não
- 41:26vou conseguir ler tudo que eu quero ler e eu fico
- 41:29mal, assim, mal, mal, mal, triste, porque é tanta
- 41:32coisa que a gente quer conhecer e aí na hora da
- 41:34gente fazer a curadoria até falar, puta, mas o que que
- 41:35eu vou levar ali para as pessoas que estão me
- 41:38ouvindo? E eu sempre vou muito pelos
- 41:40temas, que é isso, assim, quanto eu falo que quanto
- 41:42mais triste, mais ferrado, mais, sei lá, protagonista
- 41:46mais louca for, mais eu gosto assim. Então
- 41:49eu sempre trago esse tipo de, esse tipo de, de livre
- 41:52que, e que eu acho que tem, que tem essa
- 41:55capacidade de despertar alguma coisinha assim nas
- 41:58pessoas e que as pessoas nem vão perceber, né? Um
- 42:01exemplo muito legal que eu gostei, que eu preciso
- 42:03inclusive fazer um conteúdo mais sobre, é um dos que
- 42:06estavam concorrendo de Jabuti, que é o Viápia do
- 42:09Giovanni Martins, que é, gente, sem... Não
- 42:13ia ainda, mas eu tô, muita gente já falou. Gente,
- 42:16é incrível, porque é muito louco que é um ótimo
- 42:19exemplo de uma pessoa que escreve absolutamente bem
- 42:23sem seguir um tradicional assim. E
- 42:27uma, e uma, e a construção dos diálogos que ele vai,
- 42:31que ele vai trazendo ali o, a ambientação, a gente
- 42:36se vê naquelas histórias ainda que a gente não, não
- 42:39conheça boa parte também dessas, dessas regiões que
- 42:42ele tá trazendo ali, mas você vê o Brasil ali, você
- 42:44vê, você se vê representado de uma forma ou de outra,
- 42:46porque é o seu Brasil e se você não se vê, você
- 42:48fala, como assim, eu não, eu não, eu não entendo
- 42:51essas gírias assim. Eu já vi muitas pessoas, ah,
- 42:53eu li o Viápia e eu não entendi as gírias e eu, eu
- 42:56falo bom. Acho que é uma boa forma de
- 42:58você começar assim, porque também faz parte do nosso
- 43:00idioma. Então, eu gosto muito de trazer
- 43:02esse tipo de livro assim, que as pessoas falam, é
- 43:05difícil, desconfortável, não sei se eu gostei e, e às
- 43:08vezes é muito bom a gente se questionar, por que que
- 43:09a gente não gostou? Sim, é onde ele, onde ele pega.
- 43:12É, exato. E
- 43:13por que a gente não se incomoda com um livro
- 43:14traduzido, que é de uma cultura totalmente diferente
- 43:17da nossa europeia, colelizadora e a gente não,
- 43:20não fica incomodado de não conhecer os sermos, a gente
- 43:23não fica com um nada. Eu fiquei pensando nisso,
- 43:25porque eu tava falando, eu tava lendo, eu conversei
- 43:28com o meu companheiro, que eu fiz ele ler Giovanni
- 43:29Martins também, meu companheiro não era muito
- 43:30de, de ler, ele não era antes, mas depois que eu
- 43:33entrei na vida dele. Eu falo, ele, ele fica
- 43:35empolgar, eu falo, eu vou ler. E
- 43:36eu tava falando de Giovanni Martins, fui ver as
- 43:38desenhas, eu falei, cara, é muito engraçado, porque as
- 43:40pessoas elas com criticano, ai ele usa muita gíria, ai
- 43:43ele usa isso, não dá pra entender. Eu
- 43:45falo, nossa, é engraçado, porque quando vocês vão ler
- 43:47clássico, vocês não acham isso. Jústia
- 43:49de Alencar, todo mundo entende, já é. Cara,
- 43:52eu acho muito engraçado, isso não vem no encodo,
- 43:54quando vocês vão ler. É, é, uma página de descrição
- 43:57da asa da Grauna e a Cílida da Galvão. Quando
- 44:04a gente vai falar de Giovanni Martins, José
- 44:05Faleiro, vários escritores ali que estão vindo da
- 44:08periferia, por que que é tão incômodo, sabe? Sim,
- 44:12porque eu acho que é o lugar na estante, né?
- 44:14Exato. É colocado, quem coloca?
- 44:16Acho que é justamente o que a
- 44:17gente tá falando aqui. É muito engraçado. Porque
- 44:19é pensando muito nisso. A gente tá falando de um
- 44:21autor, porque cada agora, por uma editora grande, né?
- 44:24Exato. É um outro Giovanni Martins
- 44:27também, né? A gente falou no episódio
- 44:29anterior, muito dessa questão, a gente tava
- 44:31falando com poetas, e a gente falou muito dessa
- 44:33questão da... Que a mulher, ela não só
- 44:37precisa um dia dizer, eu sou poeta, eu sou
- 44:40escritora, mas se reafirmar, porque parece que é uma
- 44:43validação que é retirada. E eu sinto um pouco isso,
- 44:46né? Como a Carol trouxe, hoje eu
- 44:48vou entrar numa grande editora, mas mesmo numa
- 44:50grande editora, não basta, né? E
- 44:52a gente tá sempre questionando, e sendo
- 44:55questionado também, né? Como pessoas aí que estão
- 44:57escrevendo, que estão fazendo crítica sobre esse
- 45:00lugar, né? Então é como se nada fosse
- 45:01garantido, a gente sempre precisasse, né? A
- 45:04gente não como categorias universais, né? Porque
- 45:07somos múltiplos, mas é sempre essa questão. Eu
- 45:10achei muito curioso que a Catarina trouxe essa questão
- 45:13do isolamento, em que eu acho que a Carol até
- 45:15concordou de, ah, pra quem que eu tô falando e tal,
- 45:18né? Porque na minha cabeça,
- 45:20supostamente essa crítica de hoje, ela é muito, né,
- 45:24aberta... Lógico que não tô dizendo que não
- 45:26é aberta, mas assim, tem muito diálogo, tem muita
- 45:29troca, tem os comentários, tem muita ferramenta de
- 45:32interação. A gente não tá falando de um
- 45:34jornal em que o cara escrevia, quem respondia uma
- 45:38crítica literária, né? Hoje a gente tem, por exemplo,
- 45:41o Giovanni, já que a gente tá falando dele, se
- 45:44posicionando no Instagram dele sobre um prêmio
- 45:46literário, né? Então eu fiquei pensando nisso,
- 45:49assim, e ainda assim tem, né, quem tá fazendo
- 45:52crítica, ainda se pergunta pra quem que eu tô
- 45:54falando, ainda existe... Agora
- 45:56não é um isolamento pelo jornal, pelo espaço físico,
- 46:00mas um isolamento pelo algoritmo, né? Que
- 46:02também acaba, talvez, afastando um pouco alguns
- 46:05conteúdos, né? Enfim, uma reflexão pra gente
- 46:10pensar... Principalmente os temas que ele traz ali,
- 46:12né? Que a gente tá falando de
- 46:13guerras drogas e tudo mais. Então
- 46:15acho que tudo é bem... É um buraco que a gente
- 46:18entra de pensar o porquê que não ganha o prêmio,
- 46:21porquê que não chega em tal pessoas que não é
- 46:22acessado e simplesmente porque não é pra ser, né?
- 46:27É bem... É
- 46:28bem positivo pra mídia, pra, sei lá, pro mundo que
- 46:33o Giovanni não seja lido, né? Então,
- 46:37sei lá, o quanto que a mídia e outras pessoas
- 46:39corroboram pra isso, né? Eu acredito que às vezes a
- 46:42gente também se colocar no espaço de não precisar
- 46:44tanto da validação dos prêmios. Assim...
- 46:46Se a gente pensa na quantidade de livros, a
- 46:48gente tá falando da quantidade de livros que
- 46:50vai ser, talvez, até lido ou publicado, vai ter uma
- 46:53crítica, uma resenha, vai tá no blog, agora imagina
- 46:56ainda a quantidade de autores que vão ser
- 46:57finalizados. Sim, na lista. Fina,
- 46:58prêmio, ainda ganham prêmios. E
- 47:01não só muito, muito pequena, aí. E
- 47:03não, a gente se pega muito nessa validação do tá, não
- 47:05ganhou, então, ai, não é válido, tinha que ser aqui.
- 47:08Gente, não. E
- 47:09não só prêmios, mas espaço na imprensa, né? Isso
- 47:13a gente falou no primeiro episódio dessa temporada,
- 47:15que as escritoras independentes vivem sob uma
- 47:17égida do... Tem que. Ah,
- 47:21tem que sair na... Tem que ser lida por clube de
- 47:23leite, tudo tem que estar em evento, tem que estar
- 47:24em livraria, tem que estar, tem que estar, tem que
- 47:25estar. Isso eu tô falando depois, né?
- 47:27O anse tem que escrever e
- 47:29publicar, né? Publicar, publicar, publicar para uma
- 47:32editora grande, chegar e tal. E
- 47:35eu acho que é isso, assim, que a gente tá falando
- 47:36agora também, né? Não se prender a isso, porque
- 47:38quem chega até a imprensa, uma grande imprensa, quem
- 47:41chega até um premio literário, né? Acho
- 47:43que esses espaços, às vezes, da nova crítica,
- 47:46eles são muito mais acessíveis e tá rolando
- 47:48coisas muito mais interessantes. E
- 47:49chega até e mais pessoas a depender, né, de quem fala,
- 47:52assim. Isso que é legal. Mas
- 47:54essa questão que a gente tá falando aqui tem se
- 47:56repetido, né? Seja no lugar de uma produção
- 48:00de conteúdo, de uma crítica, seja em um lugar
- 48:02de escritora, né? Quais são os nossos validadores,
- 48:06né? Sim. E isso é muito perigoso,
- 48:09né? Porque eu acho que tira também um
- 48:12pouco do prazer do fazer, né? Nossa,
- 48:14com certeza. Porque pra mim, por exemplo, a
- 48:16produção de conteúdo na internet, ela... Não
- 48:20é algo que eu consigo fazer de forma
- 48:23sistematizada, porque me gera muita angústia. Não,
- 48:27você tá certíssima. Não recomendo. Mas
- 48:30ao mesmo tempo também, num espaço a filar e na
- 48:33livraria, também me gera angústia. Porque
- 48:35é você, às vezes, ver, por exemplo, um encontro que
- 48:38você pensou muito. Ontem aconteceu um encontro
- 48:41desses, assim, a gente recebeu a Calila das
- 48:44Mercesas e a Lube Prates, né? E
- 48:46aí era o encontro que eu desejava muito tempo e que
- 48:50foi muito celebrada na internet. E
- 48:54aí, presencialmente, talvez não era a quantidade de
- 48:57pessoas que eu idealizava. Mas
- 48:59aí tem esse lugar de não validar o sucesso do
- 49:02encontro pelo número de pessoas. Mas
- 49:05como é difícil a gente fazer isso, né? Essa
- 49:07caramba você me traduziu. E é muito louco pensar que
- 49:10pra você também existe essa... Exatamente
- 49:11na fila de um online. E, tipo, sendo muito sincera,
- 49:15assim, me abrindo, eu sou uma pessoa que eu preciso
- 49:17da validação alheia, assim, de uma forma, que sendo de
- 49:21validação alheia, é uma bosta. O
- 49:23que eu estou fazendo não é necessário, ninguém me ouve,
- 49:26eu realmente sou uma pessoa ruim do que eu faço. E
- 49:28é muito perigoso, é exatamente o que a Carol
- 49:31falou, assim. É uma armadilha, né? Muito,
- 49:33uma armadilha terrível, porque a gente se coloca...
- 49:35Já entrei em uns buracos,
- 49:37assim, que eu falei, cara, eu vou desativar isso aqui.
- 49:39Porque, sabe, será que eu sou tão
- 49:41boa, assim? É uma angústia que pega dos
- 49:43dois lados, né? É, tá, fica ali, vem, tá, com
- 49:46vocês, e tá com a gente também, enquanto autora, que
- 49:48você publica, ah, mas o livro não aconteceu, como
- 49:50você falou, não foi tanta gente quanto eu idealizei,
- 49:53não chegou no espaço que eu pensei. São
- 49:54de vários lados que vem essa cobrança, né? Produtor
- 49:57de conteúdo puto, e tal, as pessoas foram chamadas
- 49:59pra você ver, e eu não fui. Por
- 50:00que que eu não fui? Ah, e eu como autora, tal, o
- 50:05autor que começou ao mesmo tempo que eu, o mesmo
- 50:06tempo foi indicado pro prêmio, por que que eu não
- 50:08fui? A gente meio que precisa
- 50:10dessas validações, ao mesmo tempo que a gente sabe que
- 50:12essas validações elas não são, elas não significam
- 50:15tanta coisa, mas a gente também precisa, né? Sim.
- 50:17Então, a gente entra num... A
- 50:19gente busca, acho que essas validações, esses selinhos
- 50:22que eu falo, até pra você, ah, talvez com esse selinho
- 50:25eu consiga mais... Mudar de fase, né? Mudar
- 50:28de fase, já, é, exatamente. Fica
- 50:30um pouco assim, bate, de não, não vou me importar,
- 50:32mas, poxa, ao mesmo tempo aquele selinho seria legal,
- 50:35né? Mas não dá pra ficar, refende
- 50:37isso, né? Porque senão, é isso, cair na
- 50:40padilha, e é isso, estamos quatro angustiadas aqui,
- 50:43falando sem saber o que fazer. Todo
- 50:45mundo tem isso. Muitas perguntas, poucas respostas,
- 50:48né? E a gente tá falando bastante
- 50:49nesse episódio, se essa é atropelando um pouco, acho
- 50:51que é um mistério maior, todo mundo com muitas
- 50:53questões. Se as abafar, trazer aqui, é
- 50:55o final do ano, né? Que tá todo um já. Vem,
- 50:58vem, vem. Mas eu acho que não ser
- 51:00definida por número, seja em presença de público,
- 51:03seja em alcance de vícios, seja em número de livros
- 51:07vendidos, porque na parte da escritura também, acho
- 51:10que comentei isso no primeiro episódio das
- 51:12temporadas, que, ah, você tem que vender muito, mas
- 51:15também não muito, porque senão você cai no verano
- 51:18comercial. Ai, não dá pra... E
- 51:19dá pra ver isso, né? Aí, cara, ainda tem isso. Aí,
- 51:22ainda tem isso, até quando vende muito não, não. Calma
- 51:25aí, porque aí você tá pop demais. Aí,
- 51:26tá pop demais. Você tá muito pop. Isso
- 51:28pode acontecer até dentro das editorias, né? As
- 51:30editoras considerarem aquele livro comercial e por isso,
- 51:34ah, não tá nesse espaço da crítica, não tá nesse
- 51:36espaço da intelectualidade. Então,
- 51:38são muitas armadilhas, né? Não
- 51:39tem pra onde correr. Não tem pra onde correr. Vamos
- 51:41fazer outra coisa. Eu acho que... E
- 51:44a gente continua isso que é a pior, né? A
- 51:46gente tá aqui tomando e falando... Fazendo
- 51:48a gente... Eu não abro mão disso. Fazendo
- 51:50a roda girar. Mas eu acho que a gente tem
- 51:51pra onde correr, que é exatamente um centro, que
- 51:54eu já falei também algumas vezes, que é tentar se
- 51:57perguntar por que a gente faz isso, né? Parece
- 52:00uma pergunta muito abstrata, subjetiva, mas é, e precisa
- 52:04ser repetida muitas vezes, né? Ser
- 52:07falado, né? Por que que você escreve? Sim.
- 52:09Por que que você faz o seu trabalho? Eu
- 52:12garanto que a primeira resposta nunca vai se ar,
- 52:14porque eu quero que muita gente veja... A
- 52:19resposta não vai tá ligada aos números. A
- 52:21resposta tem a ver com o centro, que é só seu, que
- 52:23pode ter a ver com a sua, sei lá, com a sua
- 52:25caralhuzinha criança, catarininha, tatianinha,
- 52:30isabelinha, mas é essa resposta que tem a ver com
- 52:33também os nossos desejos mais, né? Íntimos.
- 52:37Ela acaba te sustentando quando essas armadilhas
- 52:39chegam, né? E eu acho que é muito
- 52:42interessante pra mim ver que isso também tá no
- 52:44lugar das críticas literárias, né? Porque
- 52:48pra mim era muito um lugar, né? Nesse
- 52:50mesmamento que a gente tem, eu olhar sempre isso no
- 52:54lugar das escritoras, parece que é um privilégio, né?
- 52:59Entre aspas das mulheres, né? As
- 53:01mulheres inseguras, chadas, frustradas, né? E
- 53:06por mais que pareça que a gente não responde, uma
- 53:08coisa que a gente tem conversado muito é que
- 53:09ainda que a gente não chegue na resposta, a gente
- 53:11lança a pergunta e não consegue responder, é muito
- 53:13importante a gente conversar, porque a gente
- 53:15tem visto muito nesses espaços quantas mulheres
- 53:17estão com essas mesmas angústias e não falam.
- 53:20Muitos tempos a gente não falava.
- 53:22Acaba como algo velado, do não,
- 53:23tá tudo perfeito. Eu fico aqui com o livro, tô
- 53:25aqui com o canal, tô com tal coisa. Tá
- 53:27lindo. Então, acho que quanto mais a
- 53:28gente debate também, a gente vai pensando em
- 53:30soluções pra esses caminhos, né? Tal,
- 53:32o que a gente vai fazer a partir daqui? Porque
- 53:34às vezes não chega também, mas a pergunta é o que
- 53:36move, né? Falando aqui, usando um pouquinho
- 53:38da minha formação. De psicóloga, a gente precisa,
- 53:42enquanto a gente tá buscando ali o sentido, é
- 53:44o que movimenta, é o que te leva pra ação. Quando
- 53:46você já não tiver mais o motivo, ou quando você
- 53:49tiver a resposta completa, você fala, ah, agora, né?
- 53:53Tá bom. Próximo,
- 53:54né? E eu fico pensando muito que,
- 53:56por mais que a gente fale muito de angústias
- 53:58individuais, de processos que em algum momento são
- 54:02solitários, a gente tá ao tempo todo falando sobre o
- 54:05encontro, né? Sobre o coletivo, né? O
- 54:07encontro do livro pronto com os leitores, seja do
- 54:12que a gente faz enquanto pessoas que estão
- 54:14movimentando a crítica, entrando em contato com
- 54:17outras pessoas que vão ali acessar um conhecimento e
- 54:20conseguir ler o livro que elas estão escrevendo de
- 54:22uma outra forma, né? Eu acho que no fim das
- 54:24contas, essa coletividade é muito importante, assim,
- 54:27cada vez menos eu me vejo trabalhando sozinho, assim.
- 54:31Que legal. Eu
- 54:32acho que não faz sentido, né? Porque
- 54:34a gente amplia possibilidades, a gente
- 54:37amplia repertório, mas também tem esse lugar de
- 54:40afeto, né? Nossa, assim. Esses
- 54:42questionamentos, eles estão um tempo todo, né? E
- 54:45como você falou algumas vezes, né? Sobre
- 54:48essa coisa do imediatismo, né? Que
- 54:51é uma coisa que me pega muito, né? Trabalhar
- 54:54com produção de conteúdo, trabalhar dentro de uma
- 54:57livraria e você vê a quantidade de livros que
- 55:00são impreços por mês, às vezes eu falo assim, gente,
- 55:03parem as máquinas. Nossa, assim. Parem
- 55:06as máquinas, não dá. Sim. E como lidar com essa
- 55:09angústia e com essa falta, né? Saber
- 55:11que a gente não vai dar conta de ler tudo, falar
- 55:14de tudo. E aí, pra mim, foi muito bom
- 55:17isso, assim. Tanto que eu tenho conseguido, de
- 55:19um jeito, talvez um pouco contraditório, voltar a
- 55:22postar sobre livros no meu Instagram. Ai,
- 55:24que bom. Mas assim, sei lá, li um livro
- 55:28há três meses atrás e, de repente, um dia acordei.
- 55:31Ah, vou falar desse livro aqui.
- 55:33E é muito louco, porque às
- 55:34vezes a gente, primeiro sobre essa questão do
- 55:36afeto, eu nunca imaginei que ao criar essa página
- 55:39eu conheceria pessoas e teria afeto, assim, Tati,
- 55:42que a gente acabou se conhecendo a Gato sem Rabo,
- 55:44tem vários amigos que surgiram daí, a gente se
- 55:46encontra frequentemente, Latina Leitura, Tati Leite,
- 55:51Bárbara, então são pessoas que ali, literalmente, se
- 55:54tornaram parte da minha vida pessoal, de tanto em
- 55:57Nagato sem Rabo, também conheci várias pessoas ali,
- 55:59gente, eu nunca imaginava. E
- 56:01que no final também se tornou uma gasolina pra eu
- 56:04continuar. E também pensando nessa
- 56:06questão da produção, por mais que a gente se
- 56:10coloque nesse lugar de ai, com quem eu estou falando,
- 56:12será que meu trabalho vale tanto assim? Eu
- 56:13acho que a gente tem muita mania de, é isso, de
- 56:17literalmente se colocar pra baixo e não valorizar o
- 56:21poder que a gente tem. Porque
- 56:22quando eu posto um story, ou quando eu posto um, um,
- 56:25um feed, algum livro, não tem nada que mensure o
- 56:28quanto daquela pessoa comprou. E
- 56:31a gente não faz ideia, eu falo muito dos meus amigos,
- 56:33a gente não faz ideia, eu, Carol, Carol Noff Line, eu
- 56:37não online, espero que cada vez você mais online. O
- 56:40quanto que a gente faz as pessoas comprarem os livros
- 56:42assim. E aí por a gente não ver
- 56:45esse resultado, a gente fala, ah não, ninguém tá
- 56:47ouvindo o que eu tô falando. Sendo
- 56:49que já teve, vez de eu abrir uma caixão, a gente
- 56:50pergunta, fala um livro que você leu por indicação
- 56:52minha, números assim, e que aí eu vi o primeiro
- 56:55companheiro, mais uma vez eu falo, cara, se, sei lá,
- 56:58mil e quinta pessoas realizaram esse story.
- 57:01Quantas pessoas será que compraram,
- 57:02ou se esse post chegou aí vinte mil pessoas, quantas
- 57:05pessoas será que compraram? E
- 57:06por a gente não ter aquele número ali, a gente não
- 57:09tem ideia do quanto a gente movimenta o mercado
- 57:11historial, né? Com certeza, assim, eu queria
- 57:14fazer uma pergunta mais prática, a gente tava, a
- 57:17gente falou, foi bastante, agora eu queria fazer uma
- 57:18mais prática, a gente pensando então nesse mar de
- 57:20livros que chega pra vocês, tinham muitos livros de
- 57:23todos os lados, o que que chama mais atenção? O
- 57:25que que vocês acham que levam vocês a falar, poxa,
- 57:28tô aqui com uma pilha de cem livros, acho que eu
- 57:30vou ler esse aqui, hein? Na
- 57:32visão de vocês, né? Pra vocês, exatamente, não é
- 57:34algo generalizado, mas o que que pesca vocês assim?
- 57:37A Carol já adiantou algumas
- 57:38coisas, seja no livro, seja no autor, seja de onde vem
- 57:42a região, mas enfim, no tema, o que que pesca
- 57:44vocês nessas leituras? Eu sou uma leitora muito ácido
- 57:49de poesia, então poesia me chama muita atenção e
- 57:54especial de mulheres, e aí se a gente for entrar num
- 57:59recorte maior, né? Enfim, muito mais de mulheres
- 58:03negras, e eu sempre brincava com um amigo, que
- 58:07é da Baixada Fluminense, que eu não era uma leitora
- 58:10de prosa, assim, né? E tem mudado bastante de uns
- 58:15tempos pra cá, e eu tenho descoberto que eu gosto
- 58:18muito de narrativas que brincam com a temporalidade,
- 58:23assim, sabe? Que tem uma sobreposição de
- 58:25tempo, e gosto muito, você falou de livros tristes,
- 58:30né? Eu gosto muito de livros que
- 58:33tenham esses relatos que falam sobre guerra, sobre
- 58:38conflitos, as pessoas que sobrevivem esses relatos, em
- 58:42especial livro de autorias africanas, assim, que a
- 58:48gente lê sangra depois da vontade de nunca mais ver
- 58:51nada, assim. É, então... Mas,
- 58:56enfim, eu acho que eu sou uma pessoa ainda mais da
- 58:58poesia e do ensaio, assim, eu também gosto muito dessa
- 59:02escrita ensaística, porque é uma escrita que me faz dar
- 59:06vontade de descrever, assim, sabe? É
- 59:08uma leitura que me dá vontade de descrever, isso
- 59:10é o vertio acadêmico também, muitas vezes, né?
- 59:13Fica nesse limiar entre o
- 59:14acadêmico e o escritário, né? Gosto
- 59:16de ensaio, isso, também. Eu sou uma pessoa da prosa,
- 59:19literalmente o contrário, eu falei pouquíssima poesia, o
- 59:22que eu lhe poesia esse ano foi Amor mais que Maiusco,
- 59:24que são as cartas, na verdade, da Cristina Seldar,
- 59:27né? E me apaixonei, falei, quem
- 59:28sabe é uma caminhada para a poesia. Sim.
- 59:31Mas eu sou uma pessoa muito do romance, no
- 59:34sentido literatura do romance, mas principalmente
- 59:38acho sobre cotidianos. Tem dois autores inclusive que
- 59:42estavam na Flipe, que é o autor de saia da frente do
- 59:45meu sol e o que é meu. Eu
- 59:47acho muito interessante que eles trazem, eles meio que
- 59:49fazem uma biografia de pessoas que não ganhariam
- 59:53uma biografia. Então são pessoas que passam
- 59:56despercebidas pela gente, assim, que a gente pensa,
- 59:59é só mais uma. Então eu gosto muito de autores
- 1:00:03e autoras, de livros que trazem essa capacidade de
- 1:00:07narrar uma vida que na nossa, no nosso imaginário
- 1:00:13de, ah, e vamos fazer uma biografia e pesquisar mais
- 1:00:15sobre o presidente e tal, mas quem está pesquisando
- 1:00:17sobre, sei lá, o... Pessoas comuns. Pessoas
- 1:00:20comuns. Então eu gosto muito de história
- 1:00:21de pessoas comuns, também narrativas de mulheres
- 1:00:23lucas. E principalmente esses temas
- 1:00:28muito voltadas à questão proletário, mulheres negras,
- 1:00:33homens negros. E tudo que, acho que de uma
- 1:00:37certa forma, a gente não é uma companhia do Brasil,
- 1:00:39mesmo que seja de outro país, se relaciona muito
- 1:00:43com o nosso cotidiano, com o nosso social. Então
- 1:00:45é isso, cotidiano e sociedade, pra mim tem que
- 1:00:49ter, assim, nas leituras que eu faço, sempre,
- 1:00:50sempre. E de uma forma relacionada
- 1:00:52com a psicologia também, porque a formação está aqui
- 1:00:54aí. Isso me lembra a Ana Lis, no
- 1:00:57nosso primeiro episódio dessa temporada, que ela
- 1:00:59falou que era uma escritora que gostava de olhar na
- 1:01:01janela. Nossa, que aí, olhando na janela,
- 1:01:03ela via essas pessoas como... Exatamente.
- 1:01:06É exatamente esses, assim, que me pegam muito, assim,
- 1:01:09gosto muito. Essa é uma observação do
- 1:01:10cotidiano. Exato. Achei muito lindo que a
- 1:01:13Carol trouxe, vocês estão trazendo, mas a Carol falou
- 1:01:16especificamente sobre o afeto como uma via, pra
- 1:01:19gente não cair nas nossas armadilhas e do coletivo. E
- 1:01:22fiquei pensando, enquanto a gente ia conversando, que
- 1:01:24eu conheci vocês três em espaços de afeto e também
- 1:01:29em coletivos e movimentados por mulheres. Nossa,
- 1:01:32sim. A Carol é uma escrita no
- 1:01:32Clube da Escrita, que é fundada pela Jari de
- 1:01:36Arrais. A Catarina, a gente se
- 1:01:38conheceu na Gato sem Rabo, num evento que era um dos
- 1:01:41mulheres escritoras, numa livraria só de autoras
- 1:01:44mulheres. A Carol, a gente se conheceu
- 1:01:46numa imersão da minha editora, da editora Clara
- 1:01:48Boia, promovida pela minha editora. Então,
- 1:01:52acho muito legal a gente pensar, acho muito bonito
- 1:01:56quando vejo na flip a rodinha dos influenciadores
- 1:01:59literários e falei, cara, é isso. Eu
- 1:02:02acho que se encontrar com os seus é uma forma de
- 1:02:05resistir, não só essas pressões. De
- 1:02:07se reafirmar. De se reafirmar. E
- 1:02:10de se apoiar e de se afogar. E
- 1:02:12de se afogar e de se afogar, e de se afogar e
- 1:02:13de uma coisa que seria óbvia, que é a competição,
- 1:02:15né? Ajuda elas somando. Na
- 1:02:17verdade, você vai ajudando, indicando, outro puxando,
- 1:02:21assim, pelo menos das pessoas ali que fui
- 1:02:23conhecendo. Eu falo que hoje eu só, sei
- 1:02:25lá, trabalho, por exemplo, pra Pedro, para o Pedro,
- 1:02:29porque eu conheci a Tati que me indicou para o
- 1:02:31Pedro. Aí eu tive outras oportunidades
- 1:02:33de tanto em eventos da Gato Sem Rábio, sei lá,
- 1:02:35Happy Hours de editoras, que foi muito isso. Assim,
- 1:02:39no final, apesar de ter o crescimento ali nas redes,
- 1:02:42o crescimento foi muito no offline de você conhecer
- 1:02:44essas pessoas e elas te trazerem para perto ter
- 1:02:46esse afeto desse coletivo. Temos!
- 1:02:50Temos! Quando a gente tem um episódio a
- 1:02:52gente fala, temos! Passou uma hora já, acredita?
- 1:02:54Nossa! Nem parece. É
- 1:02:56engraçado, realmente. Teve um momento em que a gente
- 1:02:58estava... Nossa! Ai, que legal, né? Que
- 1:03:02movimento isso. Que legal. Seja
- 1:03:04um assunto que nos atravessa, de alguma forma.
- 1:03:09Ah, eu queria agradecer a
- 1:03:11vocês. Obrigada, eu queria. Eu
- 1:03:13queria agradecer. Eu queria a Hórias ouvindo
- 1:03:15mesmo vocês. Eu achei muito interessante. Eu
- 1:03:17fiquei muito feliz com o convite, mesmo, mesmo,
- 1:03:19mesmo. Foi ótimo mesmo. Foi
- 1:03:21um papo muito legal que achei que vocês trouxeram
- 1:03:23lá, dos visões muito diferentes. E
- 1:03:25que se unem de alguma certa forma. Exato.
- 1:03:28Descomplementam. E legal. Assim
- 1:03:30para aberto. Por favor, chamem mais. Você
- 1:03:32falou alguma coisa, Carol? Não,
- 1:03:34não. Tava só contemplando. A
- 1:03:36gente encerrar, a gente conta para a gente onde a
- 1:03:38gente acha vocês. O Arrobo, o site, o canal, o
- 1:03:41que vocês preferem deixar? Gente,
- 1:03:43o meu nome é muito difícil. Porque
- 1:03:45a Catarina com C, T, H mata velho com 2 T's e 2
- 1:03:48L's. Você é cheio de dubbos. Pois
- 1:03:50é. Entendo. Minha mãe, né? E
- 1:03:53aí, a gente... Eu estou lá na rouba Catarina
- 1:03:55mata velho e estou também na newsletter, um canto
- 1:03:58nosso. Acho que esses são os principais
- 1:04:02aí, onde vocês podem me achar. Que
- 1:04:03é lindo, eu recordo muito. Obrigada.
- 1:04:07Bom, eu tenho começado, né? A
- 1:04:10movimentar um pouco o Instagram, que é o
- 1:04:12Anderlinecarolina .ferreira. E também estou na gato sem
- 1:04:16rabas, que, enfim, esse ano a gente tem o último
- 1:04:19encontro agora, na sábado, né? E
- 1:04:21depois umas férias e tal. Mas
- 1:04:24aí no Instagram eu sempre tenho tentado postar um
- 1:04:27pouco dos eventos, as coisas que eu faço, né? Eu
- 1:04:30também faço parte de um grupo de pesquisa na Puq,
- 1:04:33que é onde eu fiz o mestrado, né? Que
- 1:04:34é o grupo GPlan, que é grupo de pesquisa de
- 1:04:38literaturas negras. E aí por lá eu tenho um
- 1:04:41ciclo de lives intitulado os Curecimentos Literários
- 1:04:43também, que é um canal legal, em que a gente
- 1:04:45convida pesquisadores, autores, né? Então
- 1:04:48são os três lugares em que atualmente eu me encontro,
- 1:04:52assim. E a sua dissertação já está
- 1:04:53disponível? Está disponível e estou criando
- 1:04:57coragem para voltar para o texto e tentar publicar. É
- 1:05:00que dá o medo, né? De olhar e falar, nossa, que
- 1:05:04ruim. Ah, mas eu acho que a gente
- 1:05:06tem que situar também a produção acadêmica num
- 1:05:08tempo, né? O tempo que a gente concluiu
- 1:05:12aqui. Hoje já seria outro trabalho,
- 1:05:14né? Tenho certeza que ficou incrível
- 1:05:16já. Já vou colocar na minha lista
- 1:05:17de leitura. Sim, está disponível já. E
- 1:05:20aí tudo dá certo no que vem. Vamos
- 1:05:22tentar publicar como livro. Porque
- 1:05:24aí também é isso, né? Essa aí da prateleira da
- 1:05:26academia e... Ocupar outros espaços. Sim,
- 1:05:29sim. E movimentar outras discussões.
- 1:05:32Obrigada, gente. Um
- 1:05:34prazer. Obrigada que eu vi até aqui. Tchau,
- 1:05:36tchau.