Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 06 de novembro de 2024
Transcript
- 0:00A Universitária FM apresenta Rádio Livre Conversando nas
- 0:05Ondas do Rádio. Sete horas e vinte e nove
- 0:10minutos. A gente tá no ar pra se
- 0:23informar, saber o que é que há, pra se ajudar, a gente tá no ar
- 0:27pra se comunicar. A gente tá no ar pra se
- 0:30divertir, pra falar e ouvir, pra dançar e rir, pra ficar feliz,
- 0:33pra ser livre. Rádio Livre, Rádio Livre.
- 0:45E aà E aà E aà E aà Os destaques do Rádio Livre
- 1:12desta quarta-feira, seis de novembro de dois mil e vinte e
- 1:16quatro. O Banco Nacional de
- 1:20Desenvolvimento Econômico e Social lança um serviço que
- 1:23agiliza crédito a micro e pequenas empresas.
- 1:28Israel mata cinquenta e quatro pessoas em bombardeio a um
- 1:33hospital único em funcionamento no norte de Gaza.
- 1:39Qual a relação do tema da redação do Enem deste ano com a
- 1:45luta antirracista? Esse é o tema da nossa
- 1:48entrevista hoje com o sociólogo e radialista Pedro Vitor Mendes
- 1:52no Rádio Livre. Rádio Livre, apresentação Nonato
- 2:02Lima. Bom dia a você que nos acompanha
- 2:07ao vivo aqui na Universitária FM, cento e sete vÃrgula nove
- 2:10megahertz. Nossos cumprimentos também a
- 2:13você que nos acompanha no podcast Rádio Livre com Nonato
- 2:17Lima. Vamos à s notÃcias.
- 2:22A Associação Nacional dos Atingidos por Barragem e o
- 2:26Movimento dos Atingidos por Barragem entraram com uma
- 2:30petição no Núcleo de Solução Consensual de Conflitos do
- 2:35Supremo Tribunal Federal, apresentando crÃticas ao novo
- 2:39acordo de repactuação referente ao rompimento da barragem da San
- 2:44Marco Vale BHP em Mariana, Minas Gerais.
- 2:48A ação, essa ação deu entrada na última segunda-feira.
- 2:53Amanhã, não, foi nesta quinta-feira agora, que é
- 2:57amanhã, né? Amanhã é quinta?
- 2:59Exatamente. Pois é, nesta quinta-feira
- 3:01agora, quando se completam nove anos do crime de Mariana, O
- 3:11movimento de Atingidos por Barragem também promove uma
- 3:15jornada de lutas em Bento Rodrigues, um dos distritos mais
- 3:19atingidos pelo rompimento da barragem há nove anos, em dois
- 3:24mil e quinze. Com o lema Lutar e Organizar
- 3:27para os Direitos Conquistar, a mobilização relembra os danos
- 3:31causados pelo desastre crime que devastou a bacia do Rio Doce,
- 3:37atingindo mais de dois milhões e meio de pessoas, contaminando
- 3:42seiscentos e oitenta e quatro quilômetros do Rio Doce.
- 3:46A lama tóxica chegou até o litoral do EspÃrito Santo e da
- 3:54Bahia. O rompimento que aconteceu em
- 3:57dois mil e quinze é considerado o maior crime socioambiental da
- 4:02história do Brasil e a mobilização dos atingidos visa
- 4:06pressionar em relação a pontos considerados contraditórios no
- 4:11acordo de repactuação. O movimento de atingidos por
- 4:15barragens reafirma o compromisso de seguir pressionando para
- 4:19garantir justiça e reparação integral a todos os atingidos.
- 4:24Eu vi ontem uma notÃcia dizendo que as empresas envolvidas nesse
- 4:28acordo têm pressa em... não em fechar o acordo, começar logo a
- 4:33execução do acordo. Por que tem pressa?
- 4:36Porque faz nove anos que o desastre de crime aconteceu,
- 4:39porque elas resistiram enquanto puderam a qualquer forma de
- 4:42reparação mais adequada e porque tem um processo tramitando lá na
- 4:46Europa... que é em desvantagem em relação ao acordo que foi
- 4:51feito. à isso que já foi constatado, é
- 4:53por isso então que BHP e companhia estão preocupados em
- 4:58acelerar esse acordo, que agora os atingidos por barragem deixam
- 5:02bem claros. A luta não terminou, o acordo
- 5:05não contempla as coisas fundamentais dos atingidos por
- 5:12barragens. A ação aqui, a estimativa de
- 5:15quatrocentas, As quinhentas mil pessoas serão beneficiadas.
- 5:20A ação que tramita em Londres cita seiscentas mil pessoas.
- 5:25E o movimento de atingidos por barragens fala em dois milhões e
- 5:29meio de pessoas. Então, só por esses números dá
- 5:33pra perceber que há uma distância grande entre o acordo
- 5:38feito e o que precisa ser ainda contemplado.
- 5:42Sem contar com nove anos de espera.
- 5:46Nove. Nove anos.
- 5:49Os que foram mortos por esse crime ambiental, desastre,
- 5:54crime, crime, desastre, misture os nomes que quiser, mas que o
- 5:57crime aconteceu, aconteceu. Os que morreram, esses não têm
- 6:02outra expectativa. Mas as famÃlias, milhares de
- 6:08famÃlias, dois milhões e meio de pessoas estão na luta porque
- 6:14veem que o acordo ainda não contempla Minimamente.
- 6:19Claro que nunca vai se resolver o problema, né?
- 6:21Ontem eu vi um depoimento de uma liderança indÃgena dizendo que a
- 6:26água do Rio Doce continua barrenta, contaminada.
- 6:30Então não tem dinheiro que repare.
- 6:34Serão anos e anos e anos e anos para que o Rio volte a ser um
- 6:38Rio. Então, o acordo pode até acalmar
- 6:45os nervos das empresas que estão preocupadas com a ação que
- 6:49tramita em Londres, mas não resolve o problema das vÃtimas.
- 7:05Os privilégios tributários... dos quais se beneficiam
- 7:11produtores rurais que utilizam agrotóxicos, foram objeto de um
- 7:16debate em audiência pública no Supremo Tribunal Federal, na
- 7:19terça-feira. A sessão foi convocada pelo
- 7:22ministro Edson Fachin, que é o relator da ação direta de
- 7:25inconstitucionalidade de nºs. movida pelo Partido Socialismo e
- 7:32Liberdade, o PSOL, que questiona regras estabelecidas pelo
- 7:36convênio CEM barra mil novecentos e noventa e sete do
- 7:41Conselho Nacional de PolÃtica Fazendário, CONFAES, que
- 7:44reduziu, esse convênio reduziu, em sessenta por cento a base de
- 7:49cálculo do imposto sobre circulação de mercadorias e
- 7:53serviços dos agrotóxicos. A ação também discute aspectos
- 7:59da legislação tributária que estabelecem a alÃquota zero do
- 8:03imposto sobre produtos industrializados, o IPI, para
- 8:07alguns desses produtos considerados nocivos à saúde das
- 8:13pessoas e do meio ambiente. Agora, uma coisa que chamou a
- 8:17atenção nessa audiência pública foi a posição do Ministério da
- 8:21Agricultura. alinhado à defesa da Confederação Nacional da
- 8:26Agricultura, CNA, e contrário à oposição que é tida como
- 8:31majoritária dentro do governo. Agora, dificilmente o Ministério
- 8:37da Agricultura levaria uma posição, arriscaria uma posição,
- 8:42nesse momento aÃ, num tema tão sério, se não tivesse alguma
- 8:49sinalização polÃtica. de concordância do governo.
- 8:54Os defensivos, a posição, vou ler aqui o que disse o
- 8:58representante do Ministério da Agricultura no momento lá da
- 9:02audiência. Ele disse que os defensivos são
- 9:05fundamentais na produção tropical.
- 9:08Diz mais que o paÃs é eminentemente tropical, a
- 9:12agricultura é eminentemente tropical e são poucas as ofertas
- 9:16de produtos e muitos produtores e consumidores.
- 9:19Diz que qualquer alteração de custos na matéria-prima
- 9:23implicaria no repasse para os produtores.
- 9:27à o que disse o diretor do Departamento de Análise
- 9:32Econômica e de PolÃticas Públicas do Ministério da
- 9:35Agricultura. Silvio Farnese.
- 9:40A posição do Ministério foi seguida pelos representantes da
- 9:43Confederação Nacional da Agricultura Pecuária do Brasil e
- 9:47da Associação Brasileira dos Produtores de Soja.
- 9:50Nem precisou que eles falassem, eles já tinham lá a posição do
- 9:54próprio Ministério numa análise meramente econômica e
- 9:58economicista. Não se pode submeter à saúde das
- 10:01pessoas a condição puramente econômica.
- 10:04à mais barato, então bota veneno, facilita o veneno.
- 10:09à isso que significa. E não é essa a luta que as
- 10:12pessoas fazem de um modo geral no paÃs.
- 10:16Essa é uma posição bem clara, não só de uma parte do governo,
- 10:21mas sobretudo das pessoas, dos agricultores, dos trabalhadores,
- 10:24que é quem acaba morrendo envenenado, né?
- 10:26Que é quem é diretamente impactado.
- 10:29E depois, mais indiretamente, mas também impactados por isso,
- 10:35os próprios alimentos levam as doenças às pessoas.
- 10:38Isso já foi demonstrado, tem pesquisas e pesquisas mostrando
- 10:40isso aà pelo Brasil afora. Então essa decisão sobre
- 10:45impostos de agrotóxicos, de veneno, deveria também se
- 10:49submeter às questões de saúde pública, de saúde das pessoas,
- 10:55de qualidade dos alimentos, e não só limitar a análise de
- 10:59oferta de produtos ou de manutenção da produção.
- 11:06Afinal de contas, o governo não mexeu na tabela do imposto de
- 11:10renda porque acha que vai dar prejuÃzo para as contas dele.
- 11:14E a tabela do imposto de renda deveria ser atualizada ano a
- 11:17ano. Como tudo é atualizado, todos os
- 11:19preços são atualizados, só não a tabela do imposto de renda.
- 11:22AÃ quando chega na hora de cobrar, de quem deveria pagar
- 11:26impostos, vem uma conversa como essa, né?
- 11:29Facilita, até mantém, não é que facilita, mantém uma decisão
- 11:34anacrônica, antiga, prejudicial à saúde de mil novecentos e
- 11:38noventa e sete. O mundo já evoluiu bastante,
- 11:42pelo menos em alguns aspectos, e o Brasil vai continuar
- 11:46defendendo facilidade de acesso ao veneno.
- 11:51Isso vai ter impacto, o Ministério não falou, mas pode
- 11:55ter impacto na venda dos produtos nacionais para outros
- 12:00paÃses. Há paÃses que fiscalizam e não
- 12:03aceitam certos venenos nos produtos que compram.
- 12:09Aliás, parte desses venenos, que tem inclusive facilidade de
- 12:13acesso, porque o imposto é sessenta por cento menor, o ICMS
- 12:17e o IPI é zero, parte desses produtos não são utilizados, não
- 12:22são permitidos nos paÃses de origem.
- 12:25AÃ chega no Brasil, escancara-se, zero IPI, E zero,
- 12:33sessenta por cento de ICMS. Quanto à tabela do imposto de
- 12:37renda, passou de dois mÃnimos um real, você já começa a pagar e
- 12:41rapidinho chega a vinte e sete e meio por cento.
- 12:44Então você paga vinte e sete e meio por cento de imposto de
- 12:46renda e depois indiretamente está facilitando a renúncia
- 12:53fiscal em relação ao veneno que vai para o alimento que depois
- 12:56você vai comprar também carregado de imposto. na feira,
- 13:01no supermercado, em algum lugar. Sete e quarenta e um.
- 13:14Uma pesquisa nacional de endividamento e inadimplência do
- 13:19consumidor, apurada mensalmente pela Confederação Nacional do
- 13:22Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC, mostrou que a
- 13:26taxa de juros elevada no paÃs está encarecendo as dÃvidas e
- 13:31segurando as famÃlias em inadimplência.
- 13:36O levantamento mostra que em outubro, vinte e nove vÃrgula
- 13:39três por cento dos consumidores estavam com dÃvidas em atraso de
- 13:43trinta dias ou mais. No mês anterior eram vinte e
- 13:47nove por cento, então aumentou zero vÃrgula zero três.
- 13:51Em setembro era assim. Outubro, em outubro, vinte e
- 13:56nove vÃrgula sete por cento dos consumidores estavam com dÃvidas
- 14:02em atraso. de mais de um mês. Já o percentual de famÃlias com
- 14:07dÃvidas em atraso por mais de noventa dias atingiu cinquenta
- 14:12vÃrgula quatro por cento do total de endividados deste ano,
- 14:16o maior desde fevereiro de dois mil e dezoito, mostrando que os
- 14:20atrasos estão permanecendo por mais tempo.
- 14:24Isso porque, segundo a CNC, Confederação Nacional do
- 14:27Comércio, o aumento das taxas de juros leva a um encarecimento
- 14:33das dÃvidas. Segundo o levantamento, a alta
- 14:36de juros está fazendo com que as famÃlias precisem de prazos mais
- 14:40longos para pagar as dÃvidas. à bom dizer também que o
- 14:44comércio e a indústria aumentam os preços.
- 14:48Não é só o juro alto. Aà o comércio e a indústria
- 14:52repassam O juro alto para os consumidores finais.
- 14:58Agora, seria o caso da CNC começar a negociar com
- 15:02banqueiros e especuladores. Por exemplo, para botar isso lá
- 15:06no boletim Focus, onde o mercado diz ao Banco Central o que fazer
- 15:13com a taxa de juros. Derrubar os juros, portanto.
- 15:17Isso aà é uma missão para a Confederação Nacional do
- 15:20Comércio e Turismo. Porque atualmente o presidente
- 15:25Lula tem sido praticamente voz isolada contra os juros altos.
- 15:31Voz isolada contra os juros altos.
- 15:33Dizendo exatamente o que essa pesquisa mostra.
- 15:36O que está faltando para o... Não é livre mercado, não é livre
- 15:39concorrência. Por que não sentam à mesa e
- 15:42negociam? Claro, porque isso é uma ficção,
- 15:44não é? Mas tem notÃcia boa aqui para...
- 15:51para pequenas e médias empresas, micro e pequenas empresas.
- 15:58O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e
- 16:00Social, BNDES, anunciou o lançamento de um serviço do
- 16:04BNDES chamado Crédito Digital. Pelo serviço, o micro e pequeno
- 16:10empresário pode ter acesso a crédito de instituições
- 16:13financeiras parceiras de forma ágil e fácil.
- 16:18Se crede BTG, já iniciaram a operacionalização dessa linha de
- 16:23crédito. E por que é rápido?
- 16:26à através de plataforma digital, né?
- 16:29à o que disse o BNDES. A solicitação do crédito poderá
- 16:32ser feita nos aplicativos. para os dispositivos móveis das
- 16:37instituições parceiras e também através de seus bancos na
- 16:40internet. O financiamento poderá ser
- 16:43obtido com uma taxa fixa a partir de um vÃrgula quarenta e
- 16:46nove por cento ao mês e prazos de até sessenta meses.
- 16:50De acordo com o BNDES, as empresas obtêm, assim,
- 16:54flexibilidade para aplicar os recursos na compra de insumos,
- 16:57no pagamento de folha de pessoal e em investimentos com total
- 17:01previsibilidade do valor das parcelas.
- 17:04O procedimento de contratação leva apenas alguns minutos e o
- 17:08dinheiro cai na conta no mesmo dia.
- 17:11A inovação é parte dos esforços voltados para a democratização
- 17:15do acesso ao crédito, informa o BNDES.
- 17:18O lançamento desse novo serviço envolveu um investimento inicial
- 17:22de um bilhão de reais. Grupo que reúne representantes
- 17:30de povos indÃgenas, povos originários de nove paÃses da
- 17:34Amazônia, O G-IX, criado durante a Conferência das Nações Unidas
- 17:40sobre Biodiversidade, a COP-XVI, pede que, no relatório final da
- 17:46XXIX Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças
- 17:51Climáticas, a COP-XXIX, seja reconhecida a demarcação de
- 17:56terras como medida de mitigação de mudanças climáticas.
- 18:00O evento será realizado entre onze e vinte e dois de novembro,
- 18:05no Azerbaijão. A priorização do objetivo, que
- 18:09inclui a titulação de terras indÃgenas, foi destacada pelo
- 18:14coordenador-geral da Coordenação das Organizações IndÃgenas da
- 18:18Amazônia Brasileira, Toya Manquineri.
- 18:23Ele citou ainda a necessidade de um programa transfronteiriço
- 18:27para lidar com a complexidade de regiões nos limites dos paÃses.
- 18:32Em reunião com parlamentares da Alemanha, Noruega e Dinamarca,
- 18:36os paÃses do G-IX abordaram a urgência de criação de um
- 18:40programa dirigido à fragilidade das fronteiras entre os paÃses.
- 18:45Diz o movimento, no caso do Vale do Javari, por exemplo, as
- 18:49pessoas cometem crimes do lado do Brasil e fogem facilmente
- 18:53para o outro lado, onde o Estado brasileiro não consegue avançar.
- 18:57à necessário que hajam programas, ou haja programas,
- 19:01mas também que os paÃses possam trabalhar de forma conjunta para
- 19:05coibir os crimes. à o que disse, essa observação
- 19:13dita pela liderança do grupo do G-IX, se refere a caça e a pesca
- 19:19ilegais, por exemplo, disputa por exploração de petróleo e
- 19:23tráfico internacional de drogas. E uma das razões para essa
- 19:29preocupação dos povos originários, está demonstrado
- 19:33já, é reconhecido cientificamente, que os povos
- 19:36originários têm dado, ao longo da história, uma contribuição
- 19:40fundamental para a preservação do planeta.
- 19:44Então eles precisam ser ouvidos. Não basta fazer conferências,
- 19:48relatórios e promessas. Eles precisam ser ouvidos.
- 19:57Ao menos cinquenta e quatro pessoas foram assassinadas por
- 20:01Israel A maioria na região norte de Gaza.
- 20:05Ã o segundo dia consecutivo em que Israel ataca um hospital, o
- 20:09último em funcionamento no norte de Gaza.
- 20:13No hospital, um dos diretores disse que os ataques de aviões e
- 20:17drones israelenses atingiram a ala infantil do local, ferindo a
- 20:23equipe hospitalar e os pacientes, incluindo
- 20:27recém-nascidos, que eu acho que Israel imagina que devem ser
- 20:30do... Do Hamas, né?
- 20:32Recém-nascidos do Hamas. Nesse momento o hospital está
- 20:35funcionando com apenas quatro médicos e trabalhadores de saúde
- 20:40ou voluntários. Muitos médicos, enfermeiras,
- 20:43técnicos foram assassinados. Foram os pacientes que também
- 20:47são mortos, né? Vão para o tratamento e Israel
- 20:50bombardeia. E mata.
- 20:52Nas últimas semanas, o exército israelense intensificou as
- 20:55ofensivas no norte de Gaza. Mais de cem mil pessoas, a
- 21:00maioria mulheres e crianças, estão cercadas na região, sem
- 21:04comida e sem medicamento. Na Cisjordânia, sete palestinos
- 21:09também foram assassinados. Vamos lembrar que a Cisjordânia
- 21:12não é administrada pelo Hamas. A Cisjordânia não declarou
- 21:16guerra. Mas Israel declarou guerra Ã
- 21:21Cisjordânia também. A Organização Mundial da Saúde
- 21:26indicou que planeja retirar de Gaza pelo menos cento e treze
- 21:31pessoas urgentemente para tratamento nos Emirados Ãrabes
- 21:36ou na Romênia, porque em Gaza não há a menor chance de
- 21:41sobrevivência dessas pessoas. Agora são sete e cinquenta.
- 22:31Rádio Livre Entrevista No ano em que o dia vinte de novembro se
- 22:38transformou em feriado nacional, dia nacional de zumbi dos
- 22:42palmares e da consciência negra, também o exame nacional do
- 22:46ensino médio, realizado agora em novembro, a primeira prova foi
- 22:51domingo passado, dia três de novembro, trouxe para a redação
- 22:56o seguinte tema, desafios para valorização da herança africana
- 23:01no Brasil. E este é o tema da nossa
- 23:03conversa agora com o sociólogo radialista da Rádio
- 23:07Universitária, Pedro Vitor Mendes.
- 23:10Bom dia, Pedro. Bom dia, professor Nonato.
- 23:12Bom dia a todos os ouvintes. Vamos conversar então sobre esse
- 23:15tema. Ã Pedro, esse tema agora na
- 23:18redação do Enem, com a repercussão que tem, foi
- 23:23surpresa ou era esperado de algum modo que em algum momento
- 23:29esse tema aparecesse assim, com tanta visibilidade?
- 23:34Eu acho que é esperado, uma vez que na prova do Enem, cada vez
- 23:39mais, você consegue perceber esse esforço das pessoas que
- 23:45estão montando a prova. à incluir os temas relacionados
- 23:52à história africana e história da diáspora, a história dos
- 23:56povos africanos pelo mundo dentro do conteúdo que é cobrado
- 24:01no Enem, que é um mecanismo muito importante para fazer com
- 24:04que todos, de fato, estudem a herança africana, não só no
- 24:10Brasil, mas no mundo. Agora, que herança é essa,
- 24:14Pedro? Professor, essa herança é
- 24:20gigante. Ela é uma herança que está até
- 24:24no nosso modo de conversar. Ela é uma herança que está
- 24:28presente nas invenções que até hoje temos, trabalhamos no nosso
- 24:34dia a dia. Conceitos como higiene,
- 24:38conceitos que os mouros levaram para a Europa, brindaram a
- 24:45Europa com coisas que hoje pensamos que vieram da Europa,
- 24:49que foram criadas na Europa, mas não foram.
- 24:51Então, essa herança chegou no Brasil por diversos caminhos.
- 24:56Disfarçada de herança europeia, muitas coisas que chegaram ao
- 25:00Brasil e que a gente pensa que foram criadas, inventadas,
- 25:06refinadas na Europa, na verdade, foram criadas no continente
- 25:12africano. E muitas outras chegaram
- 25:15diretamente através dos povos que vieram escravizados pelos
- 25:22europeus. Então, nós temos uma herança
- 25:25fortÃssima, um pensamento muito relacionado à comunidade, um
- 25:29pensamento muito relacionado ao todo.
- 25:32E uma visão de mundo que, se conseguimos, como a própria
- 25:39redação instiga a gente, se a gente conseguir perceber o que
- 25:43nos impede de ter mais contato com a nossa herança africana...
- 25:47Nós vamos ter mais ciência e, obviamente, isso também afeta a
- 25:53própria visão racista das pessoas, porque o racismo também
- 25:56é fruto da ignorância que nós temos sobre a nossa
- 26:00ancestralidade africana. E, nossa, eu digo todos os
- 26:05brasileiros, porque negros e brancos, nós somos descendentes
- 26:10também do povo africano. Agora, os estudantes.
- 26:15Eu vou fazer uma pergunta difÃcil que a gente com certeza
- 26:18não deve ter uma resposta. Mas vale a pena pensar.
- 26:21Os estudantes, de um modo geral, eles já teriam ido para essa
- 26:26prova com conhecimento razoável desse tema?
- 26:29Ou esse tema também pode ter surpreendido os estudantes e até
- 26:35representado também um desafio para eles?
- 26:39Antes de mais nada, professor, acho que é importante falar que
- 26:43a própria demanda desse tema em uma prova nacional já é em si um
- 26:48processo de reparação histórica. Porque quando você pauta isso,
- 26:53quando isso faz parte do processo, do crivo de entrada
- 26:57para o ensino superior público, como é usado em sua maior parte
- 27:03o Enem, você demanda que as pessoas reflitam sobre isso.
- 27:09Infelizmente, imagino que muitos estudantes pararam para pensar
- 27:14sobre isso pela primeira vez. Infelizmente.
- 27:19Mas eu entendo que a aplicação do ensino de história africana e
- 27:29da diáspora nas escolas é uma lei que ainda está longe de
- 27:35atingir o seu objetivo. total mas já tem conseguido acumular
- 27:44algumas vitórias popularizar elementos da história africana e
- 27:50elementos da diáspora e conhecimento sobre religiões
- 27:54africanas sobre a arte africana etc que antes não fazia parte do
- 27:58repertório das pessoas de maneira nenhuma Eu acredito que
- 28:03uma boa parte dos estudantes, não só pela escola, mas também
- 28:08por outros processos educativos, que hoje a gente pode perceber
- 28:13na mÃdia, se em determinado momento a Ãfrica passava apenas
- 28:23por um estereótipo, por exemplo, pelos filmes, hoje você já
- 28:27encontra filmes que Até mesmo na Netflix também, há filmes que
- 28:32são veiculados nas salas de cinema. sobre história africana.
- 28:39E não é aquela história apenas que traz os momentos mais
- 28:43tristes que o povo africano enfrentou, mas momentos de
- 28:46glória, momentos de luta, assim como outros povos vivenciaram, o
- 28:50povo africano também. Teve grandes impérios, grandes
- 28:53gênios, grandes inventores, grandes invenções, grandes
- 28:56civilizações. Então isso tem ficado cada vez
- 29:00mais... Esse processo educativo, que não
- 29:03deve vir só da escola, tem ficado cada vez mais forte, eu
- 29:06acredito. Pedro Vitor Mendes, esse tema
- 29:09trazido para a redação do Enem, os desafios para a valorização
- 29:15da herança africana brasileira, diante de um continente de
- 29:19cinquenta e quatro paÃses, não é isso?
- 29:21Mais ou menos. Um dos pontos, além desses que
- 29:25você já citou, não seria o acesso ao conhecimento sobre
- 29:30esse continente, por exemplo, para professores e para as
- 29:33pessoas em geral, vendo o processo educacional mais amplo,
- 29:38não só na escola, mas pensando assim sobre a lei de dez mil
- 29:41seiscentos e trinta e nove, que é de dois mil e três, né?
- 29:44Sim. Sim, certamente.
- 29:47Uma... Uma... forma de poder discutir
- 29:55essa falta de valorização da cultura africana no Brasil,
- 29:59acredito que seja, de fato, disseminando O conhecimento que
- 30:03já temos acumulado sobre os processos históricos africanos e
- 30:08sobre as grandes invenções e grandes personalidades que estão
- 30:20na história da Ãfrica. Quando pegamos toda a
- 30:25historiografia sobre o continente africano,
- 30:26encontramos... que absurdamente foram apagadas.
- 30:32Mas há uma intenção por trás disso.
- 30:34Quando você não sabe sobre o seu passado, sobre uma parte do seu
- 30:39passado, você imediatamente fortalece a parte que é dita.
- 30:45Você acha que tudo foi inventado na Europa, você acha que tudo de
- 30:48bom que temos hoje é fruto da civilização europeia e passa a
- 30:54ter até vergonha da sua ancestralidade negra.
- 30:57E isso, obviamente, é fruto da ignorância, porque nós não
- 31:02tivemos acesso a todo esse conhecimento.
- 31:07Acredito que alguns fatores que impedem, professor, que esse
- 31:14conhecimento seja mais disseminado, um deles é o
- 31:16racismo. O racismo e seus desdobramentos,
- 31:20como por exemplo o racismo religioso, Por que se fala de
- 31:24racismo religioso e não necessariamente intolerância
- 31:27religiosa? Porque as pessoas, vemos uma
- 31:32reação muito forte contra elementos da cultura africana,
- 31:37os colocando como representações do demônio, representações do
- 31:42puro mal. E quando você vê, por exemplo,
- 31:46essas mesmas pessoas que fazem isso com as religiões de origem
- 31:49africana, não se incomodam de levar o seu filho para ver o
- 31:53filme do Thor, que é um deus pagão, que diferente, por
- 31:58exemplo, dos orixás, o Thor exigia, ao momento que era
- 32:03cultuado, sacrifÃcios humanos. Hoje você tem um filme em
- 32:07homenagem ao deus pagão Thor e ninguém se incomoda com isso.
- 32:12Isso é um reflexo do racismo religioso, porque o Thor não é
- 32:15um deus africano. Talvez, se ele fosse um deus
- 32:19africano, as pessoas se incomodariam com o filme
- 32:22enaltecendo uma religião pagã. mas como ele é um deus loiro, um
- 32:29deus branco, ninguém se incomoda com isso.
- 32:32Não há nenhum tipo de incômodo. Isso é um reflexo do racismo, em
- 32:37sua manifestação de racismo religioso.
- 32:41E o racismo também passa por outros, e se revela em outros
- 32:46momentos da vida social, quando você despreza qualquer coisa,
- 32:50qualquer notÃcia relacionada ao racismo, Ao continente africano,
- 32:53quando você não se importa em conhecer a realidade
- 32:57sociopolÃtica, quando você pensa que todos os paÃses são iguais,
- 33:00vivem a mesma realidade sociopolÃtica, e isso é uma
- 33:03grande mentira. Você tem realidades muito
- 33:07dispares, muito diferentes em todo o continente africano.
- 33:11Você tem climas extremamente diferentes, você pode fazer
- 33:14esqui no continente africano se quiser, você pode ir a desertos,
- 33:18você pode ir a savanas, você pode ir a florestas tropicais,
- 33:23você pode ir a lindas praias, você pode ir a vários lugares,
- 33:26assim como você vai encontrar essa diversidade na Europa e
- 33:29essa diversidade também na América do Sul, nos Estados
- 33:31Unidos. Ã importante que saibamos cada
- 33:36vez mais sobre o continente africano e sobre o povo africano
- 33:40e afrodescendente também. Ok, sociólogo, radialista,
- 33:45companheiro Pedro Vitor Mendes, muito obrigado pela sua
- 33:47participação. Eu que agradeço, professor, eu
- 33:50que agradeço a todos os ouvintes.
- 33:52Até nosso próximo encontro, então.
- 33:53Quarta-feira que vem estaremos aqui, né?
- 33:55Com certeza. Um abraço, obrigado.
- 34:03Chegamos ao final do Rádio Livre.
- 34:04Obrigado, bom dia, um abraço, até amanhã às sete e meia, ao
- 34:07vivo aqui e no podcast Rádio Livre com Nonato Lima.
- 34:15A Universitária FM apresentou Rádio Livre.