Latest / Ultravioleta Podcast / Ep.7 - As cores da noite
Transcript
- 0:06Ultravioleta o teu podcast além do visível, bem-vindo a mais um
- 0:11episódio do ultravioleta já. Agora aproveito para relembrar
- 0:15que para não perderes qualquer episódio, ativa o sininho das
- 0:18notificações, porque isso ajuda nos a crescer e segue nos
- 0:22também, seja nas plataformas em que nos ouves, seja também no
- 0:26Instagram. Já agora se fores classificar
- 0:29nos. Já sabes que a nota mínima é 5
- 0:31estrelas No No Instagram, segue nos em ultravioleta, ponto,
- 0:35pode? E aí podes enviar nos mensagens,
- 0:39interagir, connosco e também ir vendo antevisões dos episódios.
- 0:43A pessoa que trago para conversar connosco neste
- 0:46episódio é um senhor, um senhor com com s maiúsculo de seu nome,
- 0:51Mário Carvalho, e como dizia há pouco em off com ele.
- 0:57Tem um cognome que já ninguém lhe consegue tirar, que é o
- 1:00senhor da noite, ó Mário, muito obrigado por teres.
- 1:04Obrigado pelo convite, é um gosto de participar e de teres
- 1:07lembrado de mim muito. Obrigado.
- 1:09O gosto, o gosto, o gosto é é todo meu.
- 1:12Já agora, para os ouvintes, não há aqui qualquer Patrocínio.
- 1:15Atenção, ninguém paga nada a ninguém.
- 1:17Isto é tudo. É mesmo pelo prazer, pelo prazer
- 1:24da coisa. És um grande conhecedor da noite
- 1:30do Porto. Vá, vamo nos focar, vamo nos
- 1:31focar no Porto. Granjeou aquele gognome que eu
- 1:34há pouco disse, como o homem da noite tu começaste há uns anos,
- 1:38tu depois escreves também de uma forma muito boa, nas tuas redes
- 1:43sociais, nomeadamente no Facebook, onde eu também te sigo
- 1:46e também vais. Olha, vais para também o texto
- 1:49do teu pai, que também lhe escrevia.
- 1:51Fantasticamente EE há pouco tempo também partilhaste uns uns
- 1:56textos onde também se fazia 111 resenha, um pouco a tua, a tua
- 2:01vida, portanto tu começas, além de teres sido a gente do dos
- 2:04táxis e não foi do grupo. Sim, sim, sim, sim.
- 2:06Comecei a trabalhar até atendia 16 anos e comecei a trabalhar.
- 2:12AA carregar colunas não é a carregar colunas que nem era um
- 2:16táxi. Nessa altura não te chamavam
- 2:18táxi, mas chamavam se de pesquisa.
- 2:21E era mais uma uma banda toda de covers que tocavam.
- 2:25Eram mais do tipo, vários de finalistas de liceu, tipo as
- 2:29músicas dos Rolling Stones, o David Bowie, super Trump também
- 2:35era assim, uns covers. EE, portanto, só em 1980 é que
- 2:39eles gravam OOO. Primeiro disco com temas
- 2:42próprios. EE, depois eu comecei a
- 2:44trabalhar com ele, portanto, aos 16 anos.
- 2:51E comecei AA aprender a aprender EEE depois e acho que era o
- 2:55responsável pela parte do road manger.
- 2:59IA sempre à frente para para as montagens e para ver, para lidar
- 3:04com as organizações do vivemente.
- 3:07E era responsável pela pela parte do som também, da parte de
- 3:11iluminação, também de um espetáculo.
- 3:14Eles faziam. Aprendi um pouco de tudo e que
- 3:16me deu uma certa linhagem, porque depois também.
- 3:19Não era só os táxis. Eu trabalhei com com chutos e
- 3:22com o geneeiro várias vezes, muitas vezes os chutos e
- 3:26pontapés na primeira torneio deles, de Coimbra, para cima
- 3:31para até cá em cima norte, Era Eu que fazia a parte da média de
- 3:35desanização e eliminação do espetáculo.
- 3:37Isto também, 1900 e qualquer coisa, 8081, não sei muito bem.
- 3:45Pá e pronto. E foram 10 anos, mais ou menos
- 3:4710 anos mais ou menos que vivi um bocado, que quer dizer,
- 3:51estudava, estudava paralelamente, estudava, estive
- 3:56em arquitetura. Mas tem uma bagagem, realmente
- 3:59uma bagagem. Era aí que eu IA.
- 4:01Era aí que eu IA, porque depois tens esse com certeza, todo esse
- 4:04ambiente da noite, et cetera. E é aí que depois de tu recebes
- 4:07um convite. Para gerires, o mítico
- 4:09indústria. Indústria, exatamente.
- 4:12E com o que é que acontece? Isso acontece com uma coisa, uma
- 4:15casa curiosa, que foi que eu fui convidado para a inauguração da
- 4:18indústria propriamente. Não conhecia os donos, mas fui
- 4:22atei com as primeiras primeiras semanas.
- 4:27O primeiro mês foi lá 11 vez ou outra e de uma vez, e realmente
- 4:31aquilo, o som daquilo, o som era um bocado o que estava mau não
- 4:34era mau som da equipamentos do som.
- 4:38EE uma das vezes estava lá com o com o Rodrigo, que era o
- 4:40baterista de táxi, Oo proprietário, na altura que era
- 4:43o João Mário. Tinho estava a falar com o
- 4:45Rodrigo, encheu o Rodrigo e ficava muito nervoso porque ele
- 4:48estava uma porcaria, aquilo não estava a fazer nada, tudo bem e
- 4:50tal, não sei quê. E o Rodrigo disse, olha, olha
- 4:52aqui, o Mário é que percebes, então não é?
- 4:54EE, então ele podia me para ir lá dar um jeito, ele podia dar
- 4:57um jeito ali na altura ele disse, agora na noite, durante a
- 5:00noite vou tentar, mas quer dizer, não posso fazer Milagres.
- 5:03E então Deus melhorou me, mas não ficou grande coisa, disse a
- 5:07ele. Para isso tem que ver de dia
- 5:09aqui, de dia. E vejam então melhor como é que
- 5:11está ligado também nem sei como é, como é que está foi montado e
- 5:14pronto e realmente ainda percebemos depois, quando fui lá
- 5:16um dia à tarde, e aquilo estava tudo mal montado, os óculos
- 5:20estava fora de fase e portanto, direito, então ainda pronto,
- 5:27estive lá, depois aquilo, aquilo a funcionar, a funcionar.
- 5:31EE depois apareceu esse convite passado já não sei bem não.
- 5:36Primeiro para um projeto. Ele convidou me para um projeto
- 5:38no Algarve, que era uma coisa, uma tenda de circo, e então
- 5:42íamos fazer uma discoteca, uma tenda de circo, e então ele era
- 5:45responsável. Eu era a minha parte da se era a
- 5:48parte de entrar com a aparelhagem, são luzes, parte de
- 5:51cabine e de música. E depois havia mais 2 saltos.
- 5:55Fazia avisos, infraestruturas e o outro ele dizia, Oo, aluguer
- 5:58de equipamentos, o equipamento da parte de tendas e essas
- 6:01coisas todas. E aquilo deu uma grande bronca,
- 6:03porque isto foi em 1988, verão de 88.
- 6:10Dá uma grande bronca, porque o governo se o governador civil
- 6:13tinha também interesses no na noite do algarvia pura e
- 6:17simplesmente depois de reuniões escavelar não nos deixaram
- 6:20funcionar, não é? Tivemos que tentar legalizar
- 6:23aquilo e tivemos que vir. Viemos corridos do Algarve,
- 6:26estavam conseguindo fazer a nossa inauguração com 5000
- 6:29pessoas EEE vejo tudo borla tudo borla foi perceber mais um
- 6:33prejuízo e fomos escorraçados praticamente o Algarve, ou
- 6:37melhor, praticamente não. Eu tive um mandato de captura
- 6:40porque deveria ser qualificado. Porque?
- 6:43O que um dia perdia que havia sem manda em abrir, eu discutei.
- 6:46Então não é porque estava tudo montado e mandei abrir.
- 6:48Depois andou AGNRAGNR comigo e disse, olhe, o senhor tem toda a
- 6:54razão, mas o melhor é desaparecer do Algarve.
- 6:59País, não sei, vá, vá para a sua.
- 7:02Tem lá para Lisboa, para Lisboa, porque ainda por cima tinha lá.
- 7:07IA deixar de aparelhagens e não sei quê.
- 7:09E portanto, tipo, digamos que um tempo, 11, tempo, 2 semanas para
- 7:14Lisboa e bom ter. Ninguém me queria aprender.
- 7:16Era só para me assustar, não é? Mas pronto.
- 7:19Os nossos ouvintes já estão a ver que eu e o Mário, nós
- 7:22podemos fazer aqui uma quantidade de episódios, porque
- 7:25as histórias ou Mário, não faltam as histórias.
- 7:27Não faltam esta história era muito mais completa, mas.
- 7:32Não vou levar à exaustão esse esse filme que é o filme o filme
- 7:36do Algarve. Aliás, eu, eu ganhei uma aversão
- 7:38ao Algarve desde aí. Não é nem gosto muito de ir lá,
- 7:44nem gosto muito de ir lá. Mas deixa se deixas estas coisas
- 7:48aí fora. Claro que me deu.
- 7:50Ah, foi aí, depois foi aí, depois deste projeto, foi
- 7:53falhado, não é falhado, que tive o convite então do João Mário,
- 7:58que era que era o da indústria, portanto, tinha uma indústria,
- 8:01tinha tinha um ano, não tinha mais.
- 8:04Eu entrei um ano e pouco depois convida me para ir gerir a
- 8:08indústria. E foi assim que eu entrei.
- 8:17Tinha, já havia. Eu já tinha uma larga
- 8:19experiência, não é? Tinha uma larga experiência de
- 8:21copo na mão. Eu tinha muita experiência pegar
- 8:24no copo. Mas é diferente, não é?
- 8:27É uma coisa estar de copo na mão de lado de cá.
- 8:29E outra coisa é estar com com responsabilidade de estado de
- 8:32lá. Não é trabalhar, trabalhar onde
- 8:34se divertem. É sempre muito ingrato, não é
- 8:36claro. É sempre.
- 8:37É um bocado o papel do do que me costumo dizer do lojista ou do
- 8:41ginecologista, não é? Que.
- 8:51É, olha, depois, depois a indústria cresce no Porto, vai
- 8:55se multiplicando. É um fenómeno mortal.
- 9:00Mas depois passas pelo plano BA Pérola negra também andaste, não
- 9:03foi? Fui.
- 9:04Eu pelas suas mãos, e eu e eu que.
- 9:07Eu transformei o Pérola negra numa ou melhor, que era uma casa
- 9:11séria, porque não havia séria, e não e não era duvidosa, porque
- 9:14não havia de não havida nenhuma do que era.
- 9:16Não é uma casa de menino, de menino ou de pronto de de
- 9:22alterne, não é alterne com striptease e ou melhores e shows
- 9:26pornográficos. Aliás, lembro me aos 18 anos, de
- 9:28ver no Pérola negra a primeira vez show por show de sexo ao
- 9:32vivo, não é? EEEE eu, quer dizer EE, eu fui
- 9:37eu que peguei que transformei, digamos, uma coisa duvidosa para
- 9:41uma coisa que quer dizer duvidosa ou não, ou não, ou
- 9:44séria e transformei em discoteca, não é?
- 9:48E eu, isto é, mas isto já foi em 2016, não é 2. 1000 sim, sim,
- 9:51bem mais, bem mais recente. Mais recente.
- 9:54E, entretanto, o projeto e era aquilo que eu queria chegar mais
- 9:59icónico, pelo menos para para para a comunidade LGBT.
- 10:02É naturalmente o café lusitano que fez agora, recentemente, 21
- 10:06anos, não é 21 anos, passa, passa num instante e portanto, é
- 10:11que se transforma numa numa referência nacional e
- 10:14Internacional, portanto, OOO lusitano.
- 10:16O café lusitano é uma coisa lindíssima, antes de mais para
- 10:19quem não conhece. E é 111 espaço.
- 10:23Uma vez mais, insisto, não há aqui qualquer Patrocínio.
- 10:26Mas é um espaço onde onde é sui generis.
- 10:29Não é porque porque tu tens arte ali, tens espetáculos magníficos
- 10:35do transformismo, por exemplo, mas também tens, tens, tens
- 10:38eventos culturais, tens lançamentos de livros.
- 10:41Tens declamação de poesia, portanto, é realmente uma coisa
- 10:45forte, séria. Tem uma variedade de sempre.
- 10:47Foi um bocado a preocupação das do do início.
- 10:50Foi um bocado exatamente ser aquilo, ser um bocadinho
- 10:52completo, digamos, em termos de culturais, ou seja, de de, desde
- 10:57logo do princípio, até por acaso, curioso.
- 11:00Depois, logo nos primeiros tempos do do lusitano,
- 11:04convidamos uma vez 111 apetitude uma apetitude da rua.
- 11:09Eu acho que pretensamente que bebia poesia, bebia poesia e
- 11:13previa aquilo que realmente soava, havia algumas coisas que
- 11:16se soavam possivelmente se calhar, atirava a dalida um
- 11:20bocado de 8. Lá, não sei, mas Era Ela.
- 11:23Ela fazia EEE, declamava e foi. Foi curioso, aliás, até foi aí,
- 11:28saiu No No jornal de notícias, até deram um grande destaque.
- 11:31Àquilo porque era 11, profissional do sexo, do de rua,
- 11:36casada, que o marido foi assistir, e é uma pessoa geral,
- 11:40não nova. Não é muito nova, mas, portanto,
- 11:4311 daquelas daquelas senhoras, uma senhora da, da, da, da, do
- 11:47profissional de sexo, a comissão da da sexo.
- 11:50Curioso, mas depois, claro, com poesia, depois não, de de gente,
- 11:54de gente, de bondes, anos, mas muito bons, desarros.
- 11:58E houve muitas vezes poesia, houve teatro, houve teatro.
- 12:01Sim, houve várias, muitas, várias vezes assim mesmo esteve
- 12:05a truques para fazer lá coisas. Eu próprio sei lá, um livro,
- 12:09atenção. O Rui Moreira, por acaso foi
- 12:16presidente da Câmara do Porto logo no primeiro ano?
- 12:19Eu acho que foi lá no primeiro ano.
- 12:21Apresentou também lá um livro que não nem tinha a ver.
- 12:23Tinha a ver quando ele era, quando ele era comentador de
- 12:26desporto na RTV. E teve a ver com com o que
- 12:30espera, tinha a ver com o futebol.
- 12:31Era um livro escrito também, ele e o jornalista também, mas ele
- 12:34teve essa, essa essa coisa de vou, vou apresentar o livro lá
- 12:39no teu espaço, que ele já tinha aquela carga de de um espaço
- 12:44gay, gay, da objetiva, daquelas coisas.
- 12:47Mas o livro Moreira fez Oo livro, disse não, eu quero fazer
- 12:51lá OA apresentação do livro, o lançamento do livro no lusitano.
- 12:57Pois havia realmente, quando abri, quando abri o lusitano,
- 13:01que partiu, que partiu do de um ex socio, que foi meu sócio.
- 13:05No início, partiu da ideia. Ele dizia que eu, que era tão
- 13:10era muito conhecido na noite e tal, mas que não teria coragem
- 13:13nunca de abrir um espaço para gays.
- 13:17E eu sempre disse coragem ou coisa que não me falta.
- 13:21A única coisa que eu achava é que queria, teria que arranjar
- 13:24um local. Que o dignificasse a classe não
- 13:28é, ou seja, com pior imagem. E que porque muitas vezes as
- 13:34casas, as casas que eram direcionadas para esse público,
- 13:37eram coisas mais pequenas, eram um bocadinho mais ander verão
- 13:40mais uma coisa mais fechada, mais.
- 13:42Escondida, exatamente. Eu achava que quer dizer que as
- 13:46pessoas não se precisavam de esconder, não é as suas opções.
- 13:52Sexualidades não são para esconder, portanto estão.
- 13:54Estão umas coisas natural e, portanto, eu eu abro um espaço,
- 13:57mas que tenha essa, que tenha glamour, que tenha realmente.
- 14:01Que essa dignidade como tu disseste?
- 14:03Essa dignidade? Claro que essas pessoas são umas
- 14:06pessoas super, super coloridas e que estão super animadas e têm e
- 14:10criativas. Não é muito criativas e,
- 14:12portanto, eu achava que tinha que ter um espaço condizente com
- 14:15com essa. Com, com, com, com este pronto.
- 14:19E achas e achas que o público gay é mais exigente do que o
- 14:22público hetero? Achas que há uma diferença entre
- 14:24entre os públicos, se é que podemos generalizar desta forma?
- 14:27Olha, eu, eu, eu acho que há de tudo, em todos os géneros, não
- 14:31é? Ou seja, há público, seja
- 14:34hetero, seja gay, homossexual, seja lésbico, seja seja o que
- 14:40for. Agora há muitas.
- 14:42Engraçado, eu acho que quando tudo há, de tudo há, de tudo do
- 14:46género de pessoas, não é, há, há, é mais exigente, é mais, às
- 14:51vezes é, pode ser mais crítico, mais crítico do aspeto, mais
- 14:56sagaz, mais sagaz e mais então pá.
- 15:00Sinceramente, eu lembrei me dos tempos da indústria, também
- 15:03tinha lá muitos críticos, não é? E também tinha, também também
- 15:05tinha uma parte pública, não é, mas tinha, ó pá, mas tinha de
- 15:09tudo, tinha, há pessoas. Tem de tudo para imbecis.
- 15:14Não é só para trazer os estereótipos percebes eu quero,
- 15:16quero confirmá Los ou desconfirmá Los aqui, por
- 15:20exemplo, outro estereótipo que geralmente se associa ao público
- 15:24gay é que não há confusão, isto é, nos espaços gay, geralmente
- 15:26não há pancadaria, nos espaços héteros há há mais pancadaria.
- 15:29Achas que é isso? Tu achas que é assim?
- 15:31Acho, acho, acho. E acho que sim.
- 15:34Eu vou. Eu vou assim, há 2 provavelmente
- 15:37realmente Oo público hetero. Tem 11 afirmação, um bocado mais
- 15:42de macho, não é aquela afirmação de macho, quero competir, quero
- 15:46ver, é mais, é mais violento, mais violento.
- 15:48O público gay e ele pelo menos AA experiência do lusitano, não
- 15:55é. Nunca houve lá uma cena ali
- 15:57assim, nada quer dizer nada que sequer comparável com situações
- 16:01que eu tive na indústria, não é nada, nada comparável, coisas
- 16:04completamente ligeiras, uma paga de ex namorado, uma coisa assim,
- 16:08uma. Coisas, coisas sanáveis muito
- 16:12rapidamente, não é? E a indústria tem situações
- 16:16bastante mais delicadas. EE principalmente, também há
- 16:18outras coisas que que também parecendo que não que as
- 16:21pessoas. Muitas vezes é assim.
- 16:23O álcool é o das drogas mais agressivas que há, da mais
- 16:26agressividade e normalmente os locais em que, em que realmente
- 16:34há o álcool predomina, com certeza, em todos os bares.
- 16:38Mas há outras drogas que as pessoas usam, não é não?
- 16:44Acho que achas que veem que as pessoas usam, que dão mais
- 16:47passividade? O álcool normalmente é um
- 16:51bocado, as pessoas pensam que são um bocado para heróis, super
- 16:55não é pronto. Mais disparates dão mais, dá
- 16:59mais insulto, dá mais propensão. É isso e geralmente.
- 17:03Há essa separação realmente do público hétero.
- 17:06É mais complicado aquele acaso só hétero.
- 17:08Normalmente estão um bocadinho mais agressivas e quando limita
- 17:11um bocado a questão do é o álcool e as outras drogas?
- 17:15É, o álcool realmente é uma, é uma droga bastante agressiva,
- 17:20claro, eu já com toda a gente é bom, copo e é homocopo, não é
- 17:23bom. Obviamente.
- 17:27E a noite, a noite, a noite. Quando tu começares a noite como
- 17:30um todo, quando tu começaste a trabalhar No No, na indústria.
- 17:33Achas que mudou para a para a noite de hoje?
- 17:36Achas que, por exemplo, fala assim nas drogas?
- 17:37Achas que há mais drogas hoje? Achas que que as pessoas hoje, a
- 17:42nível de consumo, de consumo, não de drogas, de consumo de
- 17:45álcool ou o que quer que seja, têm perfis diferentes?
- 17:48Dizem que o pessoal mais novo está a beber algo a cada vez
- 17:51menos álcool? Achas que há algumas diferenças?
- 17:54Há algumas diferenças, realmente.
- 17:57Assim No No outro dia Oo meu filho que de adolescente
- 18:02perguntava me exatamente ó pá, porque como é que tu consegues
- 18:05beber álcool? Vais se sobreviver?
- 18:07E realmente quando era, quando era da idade da idade dele ou ou
- 18:10os 16? Se calhar que eu comecei a beber
- 18:14e realmente bebia como comecei a fumar por por um gajo sentir
- 18:19homem não é antigamente um gajo pode ser adulto.
- 18:23A ser um adulto, não é aquela coisa, tinha que fumar e tinha
- 18:26que beber, não é? EE, hoje em dia esta geração, a
- 18:31chamada geração de z, não é que chamam a geração de z, realmente
- 18:35estão estão a beber menos. Porque os os números que os
- 18:39números dizem das próprias produtoras de bebidas, não é?
- 18:43Dizem que há 11. Ah, elas dizem que os números
- 18:46não enganam, não é? E há mais variedade agora.
- 18:50Só que hoje em dia há muito mais variedade também de drogas.
- 18:53Não é mais variedade, mais diversidade, há mais as
- 18:56químicas. As as drogas químicas são muito
- 18:59mais. Há muito mais variedade, não é?
- 19:03Antigamente, os anos 80, drogas, quer dizer, já havia o.
- 19:12As heroínas e aquilo não nos nos liceus, recebendo te recordas.
- 19:15E aquilo era o pessoal todo o pessoal todo, o pessoal todo.
- 19:17É um exagero, já era com muita frequência o pessoal se
- 19:20injetava. Há que dizer as coisas como.
- 19:23Não era o grande problema, era a heroína, era naquela altura, era
- 19:28a era essencialmente porque era 11 droga que exatamente dava uma
- 19:32dependência que que dá uma dependência muito rápida, não é?
- 19:36E era era mais, mas era uma droga mais.
- 19:39Não, não é, não era uma droga recreativa, não era.
- 19:42E agora hoje em dia, claro que há as drogas mais claro que
- 19:45temos como tínhamos já mais nos 90 que aparece mais.
- 19:50Oo surto da cocaína, não é? Aparece mais dessa moda classes
- 19:54também, sempre mais altas é que normalmente.
- 19:57Até tinham mais acesso porque tinham mais poder económico
- 20:00embora. Claro.
- 20:02E estou a falar em termos de de ambiente, de de contadores, de
- 20:06discoteca, não é? E depois, a partir daí dos anos
- 20:0890, começou a aparecer os as pastilhas não é?
- 20:11Os os exsters e os os é pá. E agora?
- 20:15Hoje em dia há mais uma data de variantes que é assim.
- 20:20Já ninguém sabe muito bem o que é que consome, não é?
- 20:23Ou quais os resultados de um adivinho ou adivinho.
- 20:28Agora, realmente eu acho que houve a grande mudança na noite.
- 20:34Teve a ver com a pandemia, porque eu acho que assim, os
- 20:39hábitos, eu até à pandemia à noite, as as discotecas, os
- 20:43bares funcionavam bem normalmente não houve grandes
- 20:47alterações ao longo do tempo, eram.
- 20:49Renovavam, digamos OA clientel, as gerações iam alterando,
- 20:54podendo, atualizando e depois agora uma pandemia e ensinou as
- 20:59pessoas a consumirem as coisas de em casa, os dos outros, a
- 21:03consumir a droga, os, o álcool, essas coisas todas EEEO que fez
- 21:10realmente quebrar a noite e o que está a acontecer é um
- 21:13fenómeno mundial pós pandemia que é.
- 21:15Realmente uma quebra muito grande de portanto, casas a
- 21:19fecharem, muitas casas a fecharem no mundo todo.
- 21:21No No ainda há pouco tempo li que a Inglaterra e a Irlanda
- 21:24fecharam os o pub que era o pub tradicional.
- 21:27O cafezinho quase tradicional não é de para eles era ir ao
- 21:32pub, 50% fecharam, não é pós pandemia 50% uma.
- 21:38Loucura, uma Inglaterra é? Uma loucura.
- 21:41Mas e como IA várias, muitas discotecas fecharam como um
- 21:44todo. Porque realmente o eu acho que
- 21:47foi aí que se alterou, que teve mais a ver com isso.
- 21:51Eu não sei se os jovens podem consumir menos álcool, mas se
- 21:54calhar, como sabem mais em casa, não sei, não sei se consomem, se
- 21:58menos as discotecas arranjaram e eles perderam, é um bocadinho, o
- 22:01certo, eu acho que também também.
- 22:04Depois a internet não é a chamada mais nova, consegue ir a
- 22:07todo o lado, consegue ir a todo o lado, não é?
- 22:09Eles conseguem ir às discotecas, nós, para conhecermos uma
- 22:13discoteca, nós temos que ir lá. É, temos que ir lá dentro e eles
- 22:17não. Eles vão lá dentro pelo pelo
- 22:19pequeno ecrã, não é? Eles conseguem ir, eles já
- 22:22viram, não tem nada que já vos surpreenda.
- 22:24Deus perdeu se um bocadinho essa coisa, essa, sei lá, essa
- 22:30atração pelo. Pela nessa frente, não é?
- 22:35Conseguem haver muito mais do muito mais do que o que
- 22:38acontece. Conseguidamente no na net não é
- 22:41no ecrã, no ecrã, mas é a ver tudo todos não é no que lhes
- 22:44deram, não é? Portanto, é, eu acho que a
- 22:47grande responsável da quebra tem a ver com isso, não é?
- 22:51Tem a ver com isso. E é um texto teu que tu
- 22:52escreveste precisamente Na Na pandemia estavas em pleno
- 22:57pandemia a escrever, a escrever um texto a dizer o que é que
- 23:00será, é onde tudo existem saudades do futuro, porque tu
- 23:03tinhas naquele momento uma grande incógnita acerca do que é
- 23:05que poderia vir a acontecer, precisamente ao lusitano.
- 23:10Não sabendo tudo se as coisas voltariam algum dia ao ao ao
- 23:13normal, lembro me perfeitamente desse desse texto e no momento
- 23:16em que em que eu escreveste. E entre as coisas mudaram,
- 23:20mudaram e eu mesmo esses meus receios de eu acho que e
- 23:24principalmente, repara as as casas todas estão com ainda com
- 23:27problemas porque ainda estamos a pagar.
- 23:29Ainda estamos a pagar os financiamentos do, do, do COVID,
- 23:34porque porque estão pagos, ninguém quer dizer, está tudo a
- 23:37pagar ainda. EEE repara já, já, já, já há
- 23:41quase 5 anos. EE, continuamos todos ainda
- 23:44pendurados porque Oo aquilo aquilo na altura foi foi
- 23:49empurrar o problema como IA para a frente, porque Oo estado ao ao
- 23:54emputado dinheiro não deu, não é?
- 23:57Deu, deu, deu alguma parte, mas foi muito pouca.
- 24:03Facilitar o crédito não empurrou o problema para a frente.
- 24:06Não é depois. Agora tem que ser do Paulo, não
- 24:08é? EE 1 e 1, uma atividade que teve
- 24:1120 meses já não é. É muito difícil, não é?
- 24:16Complicadíssimo. Não é.
- 24:18Quer dizer, e depois? E depois?
- 24:20Há aí esta quebra realmente da fluência, não é?
- 24:23Há então no Porto, quer dizer, há uma coisa que não.
- 24:27E que foi completamente de descuidade que foi AA vigilância
- 24:30em termos de de da baixa do ambiente noturno.
- 24:33Não é simplesmente engordarou durante a polícia, a Câmara, sei
- 24:37lá quem se pode responsabilizar. Eu acho que responsabilizar as 2
- 24:41são as autoridades máximas. Não é tanto a Câmara como como a
- 24:45polícia. A polícia também referência.
- 24:49Nunca era grandes problemas, não é?
- 24:50Portanto, eles cuidaram completamente daquele ambiente
- 24:53de tudo abaixo. Não é como ali uma perceção a
- 24:56tal perceção de insegurança que a que A direita faz muitas
- 24:59bandeiras não é disso, ajudou a que as pessoas realmente
- 25:02começaram se a intimidar de sair e dizerem assim, eu estou mais
- 25:06mal, ficar em casa, beber um copo, não é, não vou para, eu
- 25:08não vou para sair e ainda vou ter algum problema, então vamos
- 25:11fazer como na pandemia, vamos nos amigos, comemos em casa,
- 25:14ficamos em casa e portanto, é tudo mais seguro, não é?
- 25:17Portanto, não ajudou nada depois de uma de uma grande da pandemia
- 25:22logo a seguir a ver este, o Sara, digamos, apareceu esta
- 25:27bastante juros de aumentar e portanto, as que ficaram sem
- 25:30dinheiro para para poder consumir.
- 25:33Quer dizer consumir, gastar em em coisas que são de certo modo,
- 25:37não é isso não é. Eu não vou dizer supérfluas
- 25:40porque há não é spérfula há a melhor diversão, não é spérfula
- 25:43as pessoas me fizeram a diversão.
- 25:45Não, não é supérfluo, não é. Acho que é uma coisa essencial.
- 25:48Mas deixaram de quase ter dinheiro para pagar canções da
- 25:51casa mensal, mensalidade e, portanto, tiveram que apertar o
- 25:55cinto. Portanto, isso mais AA questão
- 25:58da da da deteção, da insegurança.
- 26:00Acho que sei que de Lisboa, que realmente há há crise não só no
- 26:04Porto, porque é Lisboa que eu sei que não é de Lisboa também.
- 26:06Sim, sim, sim. Não é, está se a sentir disso.
- 26:10Olha, ó Mário, já falamos aqui de várias mudanças, falamos da
- 26:12mudança noite. Mudanças das drogas
- 26:15inclusivamente, o que mudou muito também foi o Porto.
- 26:17Quer dizer, o Porto nos anos 80 era uma coisa, o Porto
- 26:21atualmente é outra. E o Porto, quando tu resolveste
- 26:25abrir, voltando àquela questão da localização do lusitano,
- 26:28quando tu resolveste abrir a casa onde resolveste abrir, eu
- 26:32julgo que uma vez em conversa contigo, tu tu contaste uma
- 26:37história engraçadíssima, que era quando falaste com alguém,
- 26:40disseste que era ali que querias abrir a casa.
- 26:44Eram quase que que eras maluco e era uma zona, não?
- 26:51Não, não é. É esta realidade.
- 26:53É quando quando é assim a escolha da a escolha da baixa
- 26:58não foi tão inocente que me possa parecer.
- 27:00Não é não foi uma coisa esse gajo deu lhe na cabeça, não.
- 27:04A primeira repara uma coisa havia.
- 27:05A baixa realmente era despovoada a partir das 7 da noite.
- 27:10Completamente, não tinha nada, não fechava os cafés que há de
- 27:13expoar ou as únicas coisas que realmente existiam.
- 27:17Há um pequeno circuito gay, um pequeno circuito gay que era o
- 27:21café na praça, o voiserazz, o em de Bento, portanto era isto,
- 27:26penso que era aí havia o IM na rua, depois foi sindicato ou
- 27:31sindicato e IM já não me lembro, não me recordo muito bem,
- 27:33portanto, o raio gay andavam por ali, não é por ali.
- 27:38Era menos, era muito, mas andava por ali.
- 27:41Sim, sim, não. Houve, não houve muita inocente
- 27:43e depois não houve. Outro pensamento foi o seguinte,
- 27:45a maior parte do mundo, o centro histórico, a parte histórica,
- 27:50tem animação noturna, não é? E o Porto não tinha nada, era
- 27:53ali, tinha, era um marasmo, não é um departamento vertificado.
- 27:57Eu sempre achei que aquilo tinha que quer dizer, não pensei que
- 28:01IA explodir tão rápido também assim.
- 28:02De repente, nós abrimos desde a primeira hora que tivemos logo
- 28:07muita gente. Muita gente, sim.
- 28:10Sim, tínhamos. Tínhamos mais gente do que se
- 28:12calhar. Temos agora, porque o espaço
- 28:14ainda era mais pequeno. Mas aquilo veio uma foi um,
- 28:17realmente uma de repente 11 fenómeno.
- 28:20Não é porque aquilo provimentou muita gente, mas quando antes de
- 28:24abrir, chamei vários fornecedores, não é?
- 28:27Eles diziam que eu, ó senhor Mário, não está a ver muito bem,
- 28:33vai se meter em problemas. Olha que isto não vai dar nada e
- 28:36tal. Aquela coisa, claro, passado 2
- 28:38meses de outras, que tinha reais atrás de mim, ou podemos
- 28:41negociar e tal, porque foi uma foi um não errada.
- 28:46Tivemos uma visão errada, uma perspetiva errada, nome.
- 28:51Não. E há e há um e há uma história.
- 28:53E é uma história que. E que tu estás para que era?
- 28:57E já diziam, mas olha aqui a rua toda vazia, ao que tu
- 28:59respondeste perfeito. Tem o estacionamento para os
- 29:02clientes. E agora, hoje em dia uma pessoa
- 29:09não consegue limpar o carro e não.
- 29:10É de manhã? Exatamente, olha.
- 29:13E olha e olha que o curioso é que nos primeiros.
- 29:16Tempos. A rua ficava cheia de carros,
- 29:19depois iam realmente para o lusitano.
- 29:20Não é porque era aquilo que estava aberto e iam para lá e
- 29:23enchia a rua. E a polícia dava se ao trabalho
- 29:27de ir multar um dos lados da rua E multava os carros todos que
- 29:31tinha um risco amarelo proibido estacionar a ninguém, se
- 29:36quiserem os gajos vinham o gajo da da esquadra.
- 29:38O comissário IA para lá multar, multar os carros todos.
- 29:45Não é isto? Eles só só complicam.
- 29:52Como viste isto meio agora passa, passa realmente muito
- 29:55rápido, eu, eu, eu acabo sempre por eles todos, assim dizer aos
- 29:58meus convidados é pá, isto passa sempre passa sempre num num
- 30:01instante, eu. Tenho que ver esta a ver nesta.
- 30:06A ver aqui. Tenho que te agradecer uma vez
- 30:08mais a tua, a tua disponibilidade para falarmos
- 30:10aqui um bocadito nossos ouvintes naturalmente agradecer também
- 30:13estarmos a seguir mais este episódio, ouvir mais este
- 30:16episódio. Mostrar também que é possível
- 30:18trazer pessoas heteros para falar de coisas gays, que é uma.
- 30:23Eu também posso. Posso só dizer uma coisa, eu
- 30:26acho. A minha opinião sobre a questão
- 30:28das sexualidades é que é assim. Eu acho que nós todos nascemos,
- 30:31de certo modo, bissexuais, não é.
- 30:33Depois, a nossa educação, a carga religiosa e não sei o que
- 30:38é que vos dão algumas orientações, não é?
- 30:41Mas eu acho que por isso é que tem uma abertura muito grande em
- 30:45termos de, de, de, de, das pessoas, das opções das pessoas
- 30:48e das das multades, ou seja, o que for das atrações, tudo, tudo
- 30:53é inviável. Acho que tudo é possível, não é?
- 30:55Portanto, não. Acho que era isso que eu também
- 30:58queria deixar me bem frisado, não é?
- 31:00Eu não sei. Eu costumo brincar quando me
- 31:02perguntam, mas às vezes há pessoas que perguntam clientes e
- 31:05não sei quê. Mas é é hetero, homossexual.
- 31:09E eu costumo brincar e digo lhe dizer, sou lésbico, sou lésbico,
- 31:12não é? É porque acho a necessidade das
- 31:16pessoas de pôr os rótulos. Pois nós não há necessidade.
- 31:23Vamos lá. Olha, muito obrigado, muito
- 31:25obrigado, muito mais uma vez, mais obrigado pela casa que tens
- 31:28aberto e que nos tens proporcionado momentos
- 31:31maravilhosos. Quanto mais não seja haver
- 31:34espetáculos, também eles muito bonitos.
- 31:35E vou te só pedir aqui um último desafio, que é que me digas?
- 31:39Que título é que este episódio deveria ter?
- 31:49Ou acordo à noite. Ou as cores da noite, as cores
- 31:51da noite. Não sei assim, uma coisa, as
- 31:53cores. As cores da noite.
- 31:54Olha as cores da noite, é engraçado.
- 31:57Fica assim, as cores da noite. Mário, uma vez mais, muito
- 32:01obrigado. Um abraço de tarde, obrigada.
- 32:05Eu também por ti, obrigada. Eu também fico a aguardar que
- 32:08apareças.