Latest / Na Mesa com Well / Ravenhill: O Recém-Nascido no Altar ou a Morte
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- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o well, o lugar para quem busca
- 0:03profundidade e historicidade de forma acessível na correria do
- 0:08dia a dia. E este é o nosso novo dossiê da
- 0:10série legado de unção, Leonard Raven Hill, o profeta do secreto
- 0:15e do Avivamento, sabe? Imaginem só entregar um bebê
- 0:18recém nascido com tipo 2 horas de vida direto pro campo de
- 0:21Batalha espiritual. Sem nenhum plano b, né?
- 0:25Exato. Sem aquela nossa ideia Moderna
- 0:27de AI, vamos deixar a criança crescer para ela escolher o
- 0:30próprio caminho? Nada disso.
- 0:32Uma mãe que ainda está exausta do trabalho de parto, imponha as
- 0:35mãos sobre a criança ali mesmo e faz a seguinte oração.
- 0:39Senhor, faça deste menino um pregador ou não o deixe viver.
- 0:43Nossa é o tipo de radicalidade que choca completamente a nossa
- 0:47sensibilidade de hoje em. Dia choca muito.
- 0:49E é exatamente por isso que a gente precisa muito entender o
- 0:52contexto que gera, sabe esse nível de oração?
- 0:55E é exatamente para lá que a gente vai neste nosso doci de
- 0:59hoje. A nossa missão aqui é investigar
- 1:01as raízes, aquele solo inicial mesmo que forjou essa
- 1:04mentalidade tão implacável. A gente vai desembarcar lá no
- 1:09ano de 1907 na cidade de leads, na Inglaterra, e olha, o nosso
- 1:13foco aqui vai ser estritamente o período formativo do Leonard
- 1:17graven Hill no Reino Unido, tá? Isso a base de tudo.
- 1:22É, a gente quer entender a herança da família, aquela
- 1:25conversão dramática do pai dele e os eventos da Juventude que,
- 1:29por mais mundanos que pareçam, moldaram o caráter desse homem
- 1:32que se tornaria uma das vozes mais contundentes sobre
- 1:35santidade. Com certeza.
- 1:37Mas assim, para que quem nos ouve tire o máximo de proveito
- 1:40desse mergulho nas Fontes, a gente precisa definir alguns
- 1:43parâmetros, não é? Como era a cabeça do pessoal
- 1:46daquela época? É fundamental, tem 3 pilares
- 1:49conceituais assim, bem centrais. Que vão guiar essa nossa análise
- 1:53de hoje? O primeiro deles é o que a gente
- 1:57chama de herança Metodista primitiva.
- 2:00Certo, e o que seria isso na prática?
- 2:02Então não estamos falando de uma denominação religiosa engessada
- 2:06ou burocrática, sabe? É uma busca intransigente, mas
- 2:10muito prática pela santidade. Tipo um estilo de vida mesmo?
- 2:14Exato, é um fervor devocional que simplesmente rejeita
- 2:18qualquer mornidão. É uma fé que consome a pessoa
- 2:21por inteiro. Uau e o segundo Pilar?
- 2:24O segundo é o clima de santidade doméstica, porque para essa
- 2:28família, a comunhão com Deus passava muito longe de ser só
- 2:32aquele evento de domingo de manhã.
- 2:34Não era só ir para o culto e voltar para casa.
- 2:36De jeito nenhum. Era o eixo central de
- 2:39sobrevivência moral deles, ali no meio de uma realidade
- 2:42operária que era esmagadora. Sobrevivência moral, gostei
- 2:46desse termo. É e o terceiro Pilar que a gente
- 2:48vai ver se desdobrar num jeito incrível na Juventude dele, é a
- 2:52soberania na escassez. Ah, esse conceito, eu acho
- 2:55fascinante, é aquela premissa de que a mão de Deus não atua só
- 3:00abrindo o Mar Vermelho, fazendo Milagres pirotécnicos, mas
- 3:03atuando naqueles pequenos nãos que a gente toma no dia a dia.
- 3:07Certo. É exatamente isso, é Deus usando
- 3:10a frustração, a falta de recurso ou até uma porta fechada ali na
- 3:14esquina para proteger um propósito muito maior.
- 3:17Incrível porque se a gente não entender esses 3 pontos, a gente
- 3:22corre um risco enorme de olhar para a história do riven Hill e
- 3:25ver só um rigor religioso Exagerado.
- 3:27Com certeza IA aparecer só um moralismo vazio.
- 3:30Né, quando, na verdade, tinha ali uma estratégia de
- 3:33sobrevivência espiritual super profunda.
- 3:36E falando em sobrevivência, a gente precisa pintar o cenário
- 3:38da rua Beverly, número 53. Ah, sim, a cidade de leads, no
- 3:42começo do século 20. Exatamente.
- 3:45Era o motor incansável da revolução industrial britânica.
- 3:49A gente costuma ter aquela imagem bem superficial de filme,
- 3:53sabe? Céu cinzento, fuligem, chaminé.
- 3:57Mas a coisa era muito, mas muito pior.
- 4:00É a industrialização, ali moía a dignidade humana.
- 4:04Moía demais. A gente está falando de jornadas
- 4:07de trabalho desumanas, salários de miséria absoluta, um ambiente
- 4:12em que a pessoa era, literalmente, uma engrenagem
- 4:14descartável. Aí eu te pergunto, quando a
- 4:17fábrica suga toda a tua energia, o que que sobra pra alma no fim
- 4:21do dia? Sobrava, basicamente, o
- 4:23escapismo, o alcoolismo. Lá era endêmico, um problema de
- 4:26saúde pública severo. Todo mundo IA pra Taverna, é a.
- 4:30Brutalidade daquele trabalho nas fábricas de aço nas tecelagens.
- 4:34Empurrava os operários direto para o bar.
- 4:37E é bem aí que aquela herança Metodista primitiva que a gente
- 4:40citou entra em cena. Como um escudo, né?
- 4:43Mentira exato. Era na santidade que aquelas
- 4:47pessoas defendiam a própria sanidade mental e a humanidade
- 4:50delas. E é dentro dessa trincheira que
- 4:53a gente encontra as 2 grandes arquitetas do caráter do pequeno
- 4:56Leonard, a avó dele, a Anne, e a mãe dele, a Lucy.
- 5:01Mulheres fortíssimas. Demais.
- 5:04O clima ali dentro da casa dos Raven Hill era um contraste
- 5:07absurdo com o caos de leads. A vó n, por exemplo, tem uma
- 5:12história que ilustra perfeitamente essa resistência
- 5:14que você falou. A história do avental, né?
- 5:17Essa mesma numa casa de operários que era minúscula,
- 5:21cheia de gente correndo pra lá e pra cá.
- 5:23Ela não tinha o luxo de Ah, vou pro meu quarto silencioso orar.
- 5:27Não existia esse espaço. Não tinha, então ela criava o
- 5:31próprio refúgio. Ela pegava avental comprido e
- 5:34colorido que usava e quando precisava orar, ela simplesmente
- 5:38jogava a saia desse avental por cima da própria cabeça.
- 5:41Gente, é uma genialidade visual tão simples e tão profunda.
- 5:45Sim, ela ficava horas ali se balançando na cadeira,
- 5:49totalmente isolada debaixo daquele tecido, cantando hinos
- 5:52antigos. O que ela estava construindo ali
- 5:55era literalmente um tabernáculo. Portátil tabernáculo portátil
- 5:59definiu perfeitamente. E ela ensinava com isso de um
- 6:02jeito. Totalmente prático que o
- 6:04encontro consagrado não precisa de uma catedral chique ou de
- 6:08silêncio absoluto. Depende só da intenção do
- 6:10coração. É de uma intenção inegociável.
- 6:14Imagina o impacto disso pra uma criança crescendo na sala?
- 6:18O mundo pode estar caindo, a sirene da fábrica apitando, mas
- 6:21o acesso a Deus é imediato. É só fechar os olhos pra fora.
- 6:25E a mãe dele, a Lucy, seguia na mesma voltagem.
- 6:29Os relatos mostram que ela cantava hinos sem parar enquanto
- 6:34o Leonard ainda estava no ventre.
- 6:35E aí a gente chega naquele momento do nascimento.
- 6:38Que eu falei? Na introdução, a parteira faz o
- 6:41parto em casa, dá banho no bebê, veste e sai do quarto,
- 6:45imediatamente a Lucy, ainda na cama, e imponha as mãos sobre
- 6:49ele. E decreta aquela frase
- 6:51fortíssima. Faça deste menino um pregador ou
- 6:55não o deixe viver. E o mais chocante é, o que vem
- 6:58logo depois disso? A reunião de interseção.
- 7:01Sim, com apenas 2 horas de vida fora do útero enrolado nos
- 7:06panos, a mãe pega o menino e leva pra primeira reunião de
- 7:10oração da igreja. Se a gente analisar isso pelas
- 7:12lentes da psicologia infantil, é um negócio monumental.
- 7:16Pensa na primeira experiência sensorial que um bebê tem do
- 7:19mundo externo? Normalmente é o berço, um
- 7:22quartinho silencioso. Isso.
- 7:24Mas a primeira experiência externa do rave in Rio foi uma
- 7:28sala lotada de pessoas chorando, clamando intercedendo de
- 7:32joelhos. A devoção foi o próprio ar que
- 7:35ele respirou desde um minuto, um na.
- 7:38Não foi um adereço ou uma roupinha de domingo, foi a base
- 7:43da vida. É anulação total de qualquer
- 7:45Fronteira entre o que é circular e o que é sagrado.
- 7:49Para ele, respirar oxigênio e orar eram coisas com a mesma
- 7:53urgência fisiológica. Perfeito.
- 7:55Só que e aqui a trama engrossa enquanto as mulheres da casa
- 8:00pavimentavam isso com o fervor ininterrupto.
- 8:04Tinha um ponto cego bem no meio da sala de estar, o pai do
- 8:08Leonard, o Walter. É a dinâmica.
- 8:10Ali não era esse bloco unânime de santidade o tempo todo.
- 8:14Longe disso. O Walter representava o
- 8:17contraste exato de tudo o que a mãe e a avó tentavam construir,
- 8:21pelo menos nos primeiros anos. Ele era o arquétipo daquele
- 8:25trabalhador inglês que a gente descreveu, o Walter começou a
- 8:28beber com 14 anos de idade. 14 anos.
- 8:31Sim, e tinha um histórico longo de perder empregos por causa da
- 8:34bebida. Inclusive, ele trabalhou para um
- 8:36duque local e perdeu a vaga. Ele vivia nas tavernas.
- 8:39Era fumante, pesado também, né? Muito o maior orgulho dele era
- 8:43uma coleção enorme de cachimbos artes.
- 8:45Nossa. Imagina a tensão debaixo daquele
- 8:48teto, na rua Beverly, de um lado, a avó orando coberta com
- 8:53avental, do outro, o pai entrando em casa com bafo de
- 8:57bebida e cheiro de tabaco. Choque de mundos e isso
- 9:00facilmente poderia ter gerado uma repulsa pela religião na
- 9:03cabeça do menino por causa dessa desarmonia.
- 9:05É o que a gente mais vê acontecer, né?
- 9:07Mas aí o roteiro muda de forma drástica no ano de 1912.
- 9:12Quando Leonard tinha uns 5 aninhos.
- 9:14A visita do pregador galês. Isso o David Matthews, um homem
- 9:19que foi forjado no grande Avivamento do país de Gales.
- 9:22Ele vai fazer umas reuniões em leads e por insistência da
- 9:25esposa, o Walter, decidir. E o que acontece nessa reunião
- 9:29não é só o cara concordando intelectualmente com uma ideia
- 9:32nova. É uma rutura total.
- 9:34Uma colisão frontal. Exatamente.
- 9:37O metodismo primitivo deles não lidava muito bem com essas
- 9:40transições meio mornas. O evangelho ali era impacto
- 9:44puro. E os registros mostram que o
- 9:46Valter voltou para casa naquela mesma noite, pegou toda aquela
- 9:49coleção intocável de cachimbos e.
- 9:52Cara atirou tudo na lareira. Queimou tudo.
- 9:54O álcool também foi cortado na mesma hora, de forma definitiva.
- 9:58E o mais incrível é que não descrevem ele depois como um
- 10:01homem amargurado, porque teve que largar os vícios, descreve.
- 10:04Uma transformação pacífica, gentil, mas absoluta.
- 10:08Ele é para as noites de vigília e saía de madrugada pelas ruas
- 10:12escuras de lides só para resgatar os bêbados caídos nas
- 10:15calçadas. Aqueles que eram os antigos
- 10:18companheiros dele de Taverna, né?
- 10:19Exato. E essa mudança repentina foi a
- 10:23maior aula de apologética que o Leonard poderia ter recebido na
- 10:27vida. Porque discurso a gente
- 10:28contesta, mas a prática. Um menino de 5 anos vendo o pai
- 10:32jogar o maior Tesouro dele no fogo por causa de uma convicção
- 10:36invisível. Isso é irrefutável.
- 10:39A conversão do Walter transformou aquela teoria que a
- 10:43mãe cantava em prática ali no tapete da sala.
- 10:45Verdade e essa coerência brutal do pai logo IA ser testada na
- 10:50prática. Um episódio que é super
- 10:52emblemático na infância do Leonard e que ensina muito sobre
- 10:56o que é integridade. O famoso incidente dos doces.
- 10:59E esse mesmo era a época de Natal.
- 11:02O jovem Leonard, ainda moleque, junta umas moedinhas e vai até a
- 11:06venda da esquina comprar uns doces.
- 11:08A dona da venda era a senhora norte, que era cega, né?
- 11:12Isso ela não enxergava direito. Aí, na hora de pesar as balas na
- 11:16balança, ela deixa cair um peso extra sem querer.
- 11:19O Leonard espertinho percebe a vantagem na hora, fica
- 11:23caladinho, pega o pacote mais pesado e volta para casa se
- 11:26sentindo o máximo. Uma Vitória de Natal.
- 11:29Pois é, mas quando ele chega em casa, o pai bate o olho e nota
- 11:33na hora aquela quantidade exagerada de doces.
- 11:36E aí o Leonard tenta mandar uma desculpa rápida.
- 11:40Ele fala, Ah, eu comprei lá na senhora norte e não no senhor
- 11:43iscardio. O scardio é um diácono da igreja
- 11:46que tinha fama de ser sutravarento.
- 11:48Ele tentou usar a fama do diácono para justificar a
- 11:51quantidade, né? Exato.
- 11:53Mas o Walter saca o que aconteceu no mesmo segundo, ele
- 11:56pega o menino pela mão, leva até a porta e manda ele voltar lá
- 12:00sozinho, devolver os doces a mais e pedir desculpas para a
- 12:03senhora cega. Foi um divisor de algo absoluto
- 12:06para ele entender o que era justiça.
- 12:09Mas assim, pausa aqui, eu preciso fazer o papel de
- 12:11Advogado do Diabo. Porque quem está ouvindo a gente
- 12:14com a mentalidade de hoje, com certeza vai questionar isso.
- 12:18Claro, parece exagero? É tipo, a gente tá falando de
- 12:21uma criança. Era Natal.
- 12:23A mulher derrubou umas gramas a mais de açúcar sem querer.
- 12:26Será que o Valter não errou a mão e foi punitivo demais?
- 12:30Isso não corria o risco de traumatizar o moleque criar uma
- 12:33neurose em vez de ensinar amor cristão?
- 12:35É uma provocação excelente, a pedagogia Moderna com certeza
- 12:40avaliaria sendo exatamente desse jeito.
- 12:42Mas a gente precisa olhar para arquitetura interna do Walter.
- 12:45Como assim? Imagina um homem que tinha
- 12:47acabado de ser resgatado do esgoto, do alcoolismo, das
- 12:51mentiras constantes, das tavernas?
- 12:53Para ele, o mal nunca começa grande, sabe?
- 12:56O mal começa na racionalização dessas pequenas coisas.
- 13:00Ah, entendi. O que perturbou Walter de
- 13:03verdade não foram as gramas de açúcar, mas a estrutura de
- 13:07pensamento que o Leonard usou para se justificar.
- 13:10Aquela desculpa de que o outro vendedor era avarento.
- 13:13Isso o menino criou um relativismo moral ali.
- 13:17Na hora, a lógica foi tipo, bom, já que o outro cara lá é sovina,
- 13:22eu tenho todo o direito de me aproveitar da cegueira dessa
- 13:25mulher aqui. Nossa, ele estava usando o
- 13:27pecado de uma terceira pessoa para legitimar a corrupção dele?
- 13:30Exatamente. A lição ali não era sobre
- 13:34comércio ou açúcar, era sobre como o coração humano é ardiloso
- 13:39nas sombras. Se o Valter fizesse vista
- 13:42grossa, usando a desculpa de que Ah, é Natal, é só uma criança,
- 13:46ele estaria endossando que a integridade tem zonas cinzentas.
- 13:49Eita, é verdade? Ele estaria ensinando que se
- 13:52ninguém está vendo ou se a vítima não percebeu, ser
- 13:56desonesto é aceitável. Faz todo o sentido agora.
- 14:00O Valter tinha jogado os próprios cachimbos no fogo, ele
- 14:03não IA tolerar pequeno roubo na vida do filho.
- 14:06E é essa correção cirúrgica que forja autoridade espiritual
- 14:10quando a gente vê o reven Rio adulto no futuro, pregando com
- 14:13aquela ousadia inabalável e confrontando a hipocrisia.
- 14:18A raiz dessa autoridade está naquela caminhada vergonhosa de
- 14:21um menino devolvendo doce para uma senhora cega.
- 14:24Ele aprendeu na dor da vergonha. Sim, aprendeu que quem negocia a
- 14:28retidão no escuro perde o direito de falar na luz.
- 14:31Não existe poder público sem pureza oculta.
- 14:34Impressionante como o rigor desse pai serviu de bigorna para
- 14:39moldar o caráter dele, mas a história mostra que, logo depois
- 14:43disso, a própria providência divina assumiu o papel de moldar
- 14:47a vida dele. Através de uma frustração bem
- 14:49maior. É aí que a gente entra no nosso
- 14:52terceiro conceito lá do início, a soberania na escassez.
- 14:56Exato, é o momento em que a porta não fecha por acaso, fecha
- 15:00por design Divino. Aquela situação das chuteiras?
- 15:04É, o cenário agora é adolescência.
- 15:06O Leonardo está com 14 anos, era um atleta nato.
- 15:09Os registros dizem que ele corria, que nem um coelho super
- 15:12veloz e. E como todo adolescente
- 15:15britânico, o sonho dele era jogar futebol.
- 15:17Natural, né? Só que ele precisava de Um Par
- 15:19de chuteiras de couro para poder jogar.
- 15:22Aí ele e o pai tirou uma tarde de sábado para resolver isso e
- 15:25vão nas sapatarias lá de leads. Vão na primeira, na segunda, na
- 15:29terceira, passam por umas 5 ou 6 lojas.
- 15:32E a ironia cósmica é que as prateleiras estavam cheias.
- 15:35Tinha chuteira de todo tipo. Dezenas de todas as marcas,
- 15:39todos os tamanhos menos do tamanho exato do pé do Leonardo.
- 15:43O que parece só um azar de gestão de estoque acaba virando
- 15:48um baita dilema teológico. Uma crise total.
- 15:51Ele volta para casa revoltado. E a raiva dele não era do
- 15:55gerente da loja. A raiva dele era de Deus.
- 15:58Porque ele tinha orado especificamente pedindo por
- 16:01aquelas chuteiras. É a clássica revolta juvenil de
- 16:05achar que o céu é um balcão de atendimento.
- 16:07Sim, é como o adolescente hoje que pede a chave do carro para
- 16:10os pais no final de semana e o pai entrega o cartão do vale
- 16:13transporte. Bem isso.
- 16:15Só que, na cabeça dele, o próprio criador do universo
- 16:19interveio no comércio local de yorkshire só para sabotar a
- 16:22carreira dele no esporte. E o mais maravilhoso dessa
- 16:25história é que o adolescente revoltado estava absolutamente.
- 16:28Certo, Deus estava de fato sabotando a carreira esportiva
- 16:32dele. É porque, anos depois, o próprio
- 16:34Raven Hill olhou pra trás e entendeu.
- 16:36Ele decodificou aquela tarde frustrante, usando exatamente
- 16:40soberania na escassez. Aquilo não foi um dia de azar.
- 16:43Foi uma operação de resgate. Mas, assim, por que o futebol
- 16:46precisaria de um resgate? É só um esporte, não é pecado.
- 16:50O problema nunca foi a bola, o problema era a distração de uma
- 16:54vocação que precisava ser exclusiva.
- 16:57Ele tinha muita energia, agilidade, saúde.
- 17:00Se ele encontrasse aquelas chuteiras, ele IA canalizar todo
- 17:04o vigor da Juventude correndo atrás de uma bola nos Campos da
- 17:07Inglaterra. IA deixar o chamado principal de
- 17:10lado? IA ser pecado?
- 17:12Não, mas IA ser o fim daquele propósito extraordinário pelo
- 17:16qual a mãe consagrou a vida dele lá nas primeiras 2 horas de
- 17:19vida. Nossa, o não das sapatarias era
- 17:22Deus guardando os pés dele. Exatamente a escassez daquele
- 17:25número específico de sapato foi muro.
- 17:27Muro de contenção de Deus o senhor bloqueou o acesso ao
- 17:30campo de futebol para garantir que aqueles pés iam ser usados
- 17:33exclusivamente para caminhar pelas ruas pregando o evangelho,
- 17:37o que a mente imatura achou que era uma oração não respondida.
- 17:42O tempo mostrou que era o nível máximo de proteção divina.
- 17:46Ele teve o desejo negado para que o destino de profeta fosse
- 17:50cumprido. Olha, isso muda toda a
- 17:52engrenagem de como a gente processa as frustrações da vida,
- 17:55sabia? Se a gente conectar os pontos, a
- 17:58oração da mãe exausta, a avó criando o altar embaixo do
- 18:02avental, o pai queimando os cachimbos, a devolução das balas
- 18:06e a falta da chuteira, a gente vê uma tapeçaria perfeita sendo
- 18:10tecida. Perfeita.
- 18:12O que tudo isso ensina, de forma ampla, sobre como Deus forja os?
- 18:16Seus instrumentos. Quando a gente pensa em
- 18:26Avivamento ou nessas figuras que sacodem gerações, a gente sempre
- 18:30quer procurar a origem disso. Em palcos enormes, eventos
- 18:33lotados, música alta. Sempre achei que começa nos
- 18:37holofotes, né? Mas a formação dele prova
- 18:39totalmente o contrário. A verdadeira autoridade nasce na
- 18:44bigorna do que é ordinário. É na fidelidade oculta.
- 18:48Começa com a mulher operária, que não precisa de silêncio, só
- 18:52de um pano no rosto para ser Santa.
- 18:54Nasce do ex alcoólatra, que mede a integridade nas gramas de
- 18:59açúcar que o filho devolve. Incrível.
- 19:02E nasce de se submeter a essa providência que fecha as portas
- 19:06dos nossos sonhos juvenis. O recado para quem nos ouve é
- 19:10não desprezar os dias de pequenos começos e de aparente
- 19:14frustração. É nessa Terra árida, de
- 19:17obediência silenciosa, que a raiz vai mais fundo.
- 19:20É uma fundação de Pedra feita para aguentar o peso absurdo do
- 19:24que vinha pela frente na vida dele.
- 19:26E olha, para você que está acompanhando a gente, eu vou
- 19:28deixar uma provocação final para você matutar durante essa semana
- 19:31boa se as ferramentas mais poderosas de Deus são forjadas
- 19:35exatamente nos pequenos nãos que a gente toma ou nas frustrações
- 19:40aparentemente mundanas de uma tarde de sábado procurando um
- 19:43sapato? Quais serão as grandes
- 19:46preparações divinas que hoje a gente está confundindo só com 1
- 19:50dia de azar ou num aborrecimento da rotina?
- 19:53Fica reflexão. É vale muito a pena pensar
- 19:55nisso. Se você curte nosso conteúdo,
- 19:58segue a gente e deixa uma avaliação aqui na plataforma em
- 20:01que você está ouvindo e fala, o que te marcou nesse episódio até
- 20:04mais?