Latest / Na Mesa com Well / Ravenhill: A Espinha Quebrada e o Altar da Dor
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- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o el o lugar para quem busca
- 0:03profundidade e historicidade de forma acessível na correria do
- 0:07dia a dia. E este é o nosso novo episódio
- 0:10do dossiê da série legado de unção Leonard real, o profeta do
- 0:16secreto e do Avivamento uhum. Sabe?
- 0:19Hum, pense no líder mais influente, ativo e incansável
- 0:24que você conhece. Tá, pensei.
- 0:26Aquele cara que parece estar em todos os lugares ao mesmo tempo?
- 0:30Movendo multidões, sabe? Construindo um legado ali com as
- 0:33próprias mãos. Sim, aquele perfil bem bem
- 0:37realizador, né? Exato, agora imagina que pra
- 0:40essa pessoa atingir o seu potencial espiritual máximo, EE
- 0:43tipo compreender a verdadeira essência da sua vocação, Deus
- 0:47precisou permitir que a espinha desse líder fosse quebrada em 3
- 0:50lugares. Nossa.
- 0:52Literalmente, então hoje nós vamos explorar o que eu gosto de
- 0:55chamar de teologia do cadinho. É um termo forte.
- 1:00É a compreensão bem desconfortável, para falar a
- 1:02verdade, de que as revelações mais profundas não nascem nos
- 1:06palcos iluminados do sucesso ou ou no ativismo desenfreado, mas
- 1:11sim nos leitos escuros de sofrimento, sabe?
- 1:14No isolamento total e na impotência física absoluta.
- 1:17Então, ok, vamos desempacotar isso.
- 1:19Vamos. Porque a gente tem uma
- 1:21inclinação muito natural, que é quase um vício moderno.
- 1:24De focar só nas vitórias. Com certeza.
- 1:27Nas grandes marchas, na voz trovejante ecoando no microfone.
- 1:32Mas nessa nossa imersão de hoje, a gente vai isolar um único
- 1:36momento, um evento divisor de águas que foi assim quase fatal,
- 1:41que quebrou o nosso biografado ao meio e dividiu a história
- 1:44dele entre a vida de um pregador frenético.
- 1:47E a alma de um adorador totalmente silencioso.
- 1:49O que é fascinante aqui é que nós tendemos a consumir
- 1:53biografias históricas com é, é um certo filtro de conveniência,
- 1:57sabe? Sim, a gente pula a parte ruim.
- 1:59Exatamente, nós adoramos os capítulos sobre os grandes
- 2:03discursos, as multidões. Mas a gente passa superrápido
- 2:06pelas páginas onde esses homens e mulheres estão absolutamente
- 2:10dilacerados, porque a fragilidade humana,
- 2:13especialmente aquela dor prolongada que que parece não
- 2:17ter sentido imediato, isso nos aterroriza.
- 2:20Dá muito medo, né? A gente não quer olhar pra isso.
- 2:22Ninguém quer, mas a verdade é que nenhuma unção autêntica,
- 2:26nenhuma profundidade de espírito que resiste ao teste do tempo
- 2:30consegue contornar a fornalha da aflição.
- 2:33E nesse cenário que vamos analisar?
- 2:35O fogo da aprovação não é não é só uma metáfora bonita pra se
- 2:38pregar num domingo de manhã, sabe?
- 2:40É na poesia. Não é um incêndio literal que
- 2:44consome tijolos e derrete metal. Então, ao focarmos na tragédia
- 2:48que se desdobrou em Chicago, ali no ano de 1951, não estamos
- 2:50apenas dissecando o acidente de percurso, tipo uma infelicidade
- 2:53do destino. Tá, nós estamos olhando para
- 2:57exata engenharia divina que força uma atividade que era
- 3:01frenética e incessante, a. Parar bruscamente.
- 3:05Entendi é uma interrupção. É a interrupção violenta do
- 3:08corpo, para que uma contemplação infinitamente mais profunda e
- 3:12que a saúde plena dele, meio que mascarava, pudesse finalmente
- 3:16nascer no espírito. Cara, pra gente entender o peso
- 3:19dessa interrupção, a gente precisa é visualizar o cenário
- 3:24com todos os contrastes possíveis.
- 3:26Uhum, o contraste é chocante. Vamos lá.
- 3:29É novembro de 1951. O lugar é Chicago.
- 3:34E olha, quem conhece o meio Oeste americano sabe que o
- 3:36inverno lá não é só frio, não é um frio que parece ter dente,
- 3:40sabe? É brutal, congela ossos.
- 3:43Congela, estamos falando de cerca de 15° negativos, aquele
- 3:47vento cortante que tira a umidade do ar e te deixa sem
- 3:50respirar. Nossa e o nosso cenário é o
- 3:52hotel norwood. É uma estrutura velha de tijolos
- 3:56que em poucas horas vai se tornar uma armadilha mortal.
- 3:59Uma fornalha, não. Literalmente o.
- 4:01O Leonardo, ele está hospedado lá no terceiro andar, com o
- 4:04parceiro de Ministério e oração dele, um senhor chamado Thomas
- 4:07hair. E o Thomas?
- 4:08A gente precisa fazer um parêntese para ele.
- 4:10Ah, sim, o Thomas é uma figura incrível.
- 4:13Muito. Ele é um encanador irlandês de
- 4:1674 anos. 74. É um homem de mãos super
- 4:20calejadas pelo trabalho braçal, mas que tinha tipo uma
- 4:22disciplina impressionante e. De passar horas a fio de
- 4:26joelhos. Isso que eu acho incrível, um
- 4:28homem já idoso, encanador, com uma vida de oração absurda.
- 4:32Absurda e eles estão lá, descansando no quarto, no meio
- 4:35de mais uma daquelas turnês incansáveis de pregação, aí por
- 4:39volta das 3 da manhã, que é aquele horário em que o sono é
- 4:42mais pesado, né? Ninguém está alerta às 3 da
- 4:44manhã, ninguém. Um incêndio devastador e rompe
- 4:47no hotel e cara se espalha muito rápido quando eles finalmente
- 4:51acordam e percebem o que está acontecendo.
- 4:53A. As chamas já tomaram conta de
- 4:55todos os corredores. Já não dava mais para sair pela
- 4:58porta. Não dava.
- 4:59A fumaça preta já está inundando o quarto, bloqueando
- 5:02completamente qualquer chance de alcançar as escadas ou, sei lá,
- 5:05saídas de emergência. Em questão de minutos.
- 5:08O terceiro andar inteiro vira um forno sem rota de.
- 5:10Fuga e aí a coisa fica bem louca, porque em momentos de
- 5:14pânico absoluto, sabe? De asfixia iminente, o córtex
- 5:17pré frontal do cérebro humano. Costuma ceder lugar a um
- 5:22instinto límbico mais primitivo que a gente tem?
- 5:24Que é um instinto de autopreservação, né?
- 5:26Exato, autopreservação o famoso salve se quem puder não é só um
- 5:31ditado popular, é biologia pura. É o cérebro grita para você
- 5:35fugir. Grita.
- 5:37No entanto, o que se desenrola naquele quarto esfumaçado é uma
- 5:41subversão completa desse instinto de sobrevivência.
- 5:46Diante da morte iminente, a reação dele não é tipo correr
- 5:50desesperado pra janela e pular primeiro pra garantir a própria
- 5:53vida. Que seria o esperado de qualquer
- 5:55pessoa ali. Sim, seria o normal, mas a
- 5:57reação dele é de uma abnegação que Eu Acredito que só pode ser
- 6:00fruto de uma vida inteira de condicionamento espiritual
- 6:04voltado para o outro, sabe? Ele toma a frente da situação de
- 6:08uma maneira que é quase irracional para a nossa lógica
- 6:11de hoje. Porque o Thomas, pela idade de
- 6:1374 anos e por já ter inalado muita fumaça, ele já está ali,
- 6:18desorientado, quase inconsciente, na cama.
- 6:20Ele não IA conseguir sair sozinho de jeito nenhum de.
- 6:22Jeito nenhum. Então o Leonard acorda, o cara
- 6:24levanta ele e, tipo, arrasta o Thomas em direção à única saída
- 6:28possível que sobrou. Que é a janela do terceiro
- 6:30andar. Janela só que o calor do
- 6:33incêndio já está irradiando muito forte pelas paredes e para
- 6:37conseguir dar apoio para o amigo, sabe para posicionar ele
- 6:40lá no parapeito da janela. E ajudar ele a pular.
- 6:43O Leonardo precisa segurar firmemente nos tijolos da
- 6:46fachada do prédio. Que já deviam estar como brasas.
- 6:50Exatamente, esses tijolos estão tão super aquecidos pelo fogo de
- 6:53dentro do prédio que a pele das mãos dele é severamente queimada
- 6:58enquanto ele segura Thomas. Nossa.
- 7:00Ele literalmente é, é suporta a carne da mão queimando para
- 7:04conseguir ajudar o encanador irlandes a pular pra fora
- 7:07escapar, né? De morrer asfixiado ou
- 7:09incinerado ali. Ele abriu mão das mãos pra
- 7:11salvar o amigo. É muito forte.
- 7:14E depois que o Thomas caia, as chamas já estão lambendo as
- 7:16costas do Leonardo. Não tem mais tempo pra nada.
- 7:19Acabou o tempo? Acabou sem nenhuma outra opção
- 7:23de pijamas, no meio da madrugada fria, ele também se atira
- 7:27daquela altura. Mergulhando direto naquela
- 7:30escuridão congelada do beco lá embaixo.
- 7:32E o impacto que vem depois disso, cara, não é amortecido
- 7:36por nada, não tem colchão de ar, não tem bombeiros ali ainda.
- 7:40Ele bate direto no concreto puro e sólido.
- 7:43E assim a física desse choque é é brutal.
- 7:47É, não tem como só avisar isso. A queda livre de um terceiro
- 7:50andar. Fratura a espinha dele em 3
- 7:52lugares diferentes. 3 lugares na coluna, meu Deus.
- 7:56A perna esquerda é esmagada e também quebra em 3 pontos.
- 8:00E não acaba aí. Os ossos dos 2 pés são
- 8:04completamente estilhaçados pela força da aterrissagem.
- 8:07Ele cai e simplesmente não consegue mais se mover. 1 mm.
- 8:12A mecânica desse trauma físico é estarrecedora, se a gente pensar
- 8:16bem. Você tem um corpo que acabou de
- 8:18sofrer queimaduras graves nas mãos e nas extremidades e agora
- 8:22tem toda a sua estrutura óssea de base tipo pés, pernas e
- 8:26coluna, transformada num num quebra cabeça todo desmontado,
- 8:30sabe? É o corpo dele, virou cacos.
- 8:32Virou e há um detalhe nessa cena do beco que eu acho que eleva a
- 8:36agonia a um patamar que a gente quase não consegue descrever.
- 8:40A ambulância não chega instantaneamente.
- 8:43Pois é, demora, né? Demora muito, ele fica ali
- 8:46deitado na neve de pijamas, experimentando um choque térmico
- 8:50violentíssimo de sair do meio de um incêndio para 15° negativos
- 8:55de repente. Imagina isso, você tá queimando
- 8:58e de repente tá congelando no concreto quebrado.
- 9:00Durante essa meia hora de espera, ali no chão, acontece
- 9:04algo terrível, um pedestre passa.
- 9:07Percebe a situação no beco escuro e com medo de que um
- 9:11caminhão ou algum carro pudesse passar por cima daquele corpo
- 9:14caído ali no escuro, esse homem decide agir.
- 9:18Nossa, essa parte é é de alipiar.
- 9:20Ele agarra o Lena pelos braços e pelas pernas e simplesmente
- 9:24levanta ele do chão para tirar ele do meio do caminho.
- 9:27É, tem uma crueldade muito poética nisso, né?
- 9:29Porque a intenção do cara era super sincero, ele queria
- 9:33ajudar. Mas ele acaba multiplicando a
- 9:36dor que é da vítima exponencialmente, porque é é
- 9:41cada movimento sem uma estabilização de maca num corpo
- 9:45totalmente fragmentado. É uma tortura inominável.
- 9:49Perfeitamente colocado no exato momento em que aquele estranho
- 9:52ergue ele do chão, sem nenhum conhecimento de primeiros
- 9:55socorros ou aquelas macas rígidas de resgate, a.
- 9:59Fraturada, e os pés que já estavam estilhaçados, perdem
- 10:02qualquer pouquinho de alinhamento que eles ainda
- 10:04pudessem ter os ossos. Saem do lugar, saem.
- 10:06Totalmente do lugar, o atrito dos ossos quebrados roçando
- 10:10diretamente uns nos outros, sabe esmagando feixes nervosos ali.
- 10:14Faz com que ele sinta uma dor que a própria mente dele mal
- 10:17consegue processar, sem desmaiar na hora.
- 10:19Caramba, mas sabe, se analisarmos esse quadro sob uma
- 10:22lente teológica mais ampla, o impacto contra o concreto do
- 10:25beco foi só a primeira colisão, a primeira.
- 10:28De muitas, né? O?
- 10:29Trauma físico foi agudo, mas a descida psicológica e espiritual
- 10:33que se iniciou ali e a ser muito mais longa e muito mais
- 10:36extenuante, aquele corpo imóvel na neve, marcava o fim
- 10:40definitivo de uma era na vida dele?
- 10:42Sim. Porque o impacto quebrou o
- 10:44corpo, mas eu diria que o verdadeiro trauma começou de
- 10:48verdade, quando adrenalina abaixou.
- 10:50Exatamente quando o? Resgate finalmente foi feito e,
- 10:54de repente, o silêncio do hospital Saint Bernard católica,
- 10:58tomou conta de tudo. E eu te pergunto, pensa.
- 11:08No. Contraste que esse cara viveu.
- 11:11Há poucas horas, pouquíssimas horas, ele era a força motriz do
- 11:15próprio Ministério, sabe? Ele viajava o tempo todo.
- 11:18Ele organizava grandes eventos. Ele gastava a voz pregando nas
- 11:22ruas. Ele sustentava o peso de dezenas
- 11:25de responsabilidades nas próprias costas.
- 11:27Ele era o. Cara da ação, né?
- 11:29Um ativista nato, um. Trator e agora ele é um paciente
- 11:34totalmente engessado, amarrado numa maca, que cara não consegue
- 11:38sequer ir ao banheiro sozinho. Ele passou daquela Independência
- 11:41quase heroica, tipo de salvar um amigo do fogo para uma
- 11:44dependência tão profunda que chega a ser humilhante para ele.
- 11:47É uma. Transição muito violenta, muito.
- 11:51E o quadro clínico lá no hospital não dá trégua nenhuma,
- 11:53além das dores ósseas ininterruptas e lembrando que os
- 11:56analgésicos da época mal arranhavam uma dor desse nível,
- 11:59né? Ah.
- 12:00Sim, a medicina da dor era bem precária, bem precária.
- 12:03Além disso, ele sofre de lesões internas severas e por causa
- 12:06daquele frio extremo que ele passou no beco e da imobilidade
- 12:09forçada na cama, ele desenvolve uma pneumonia viral super
- 12:13agressiva. A febre dele bate os 40°.
- 12:16Ele tá tipo literalmente lutando pra puxar o ar e respirar meu.
- 12:20Deus e é. Exatamente nesse cenário de caos
- 12:23físico EE de vulnerabilidade Extrema.
- 12:28Que começam a acontecer aquelas dinâmicas clássicas de hospital.
- 12:32Sabe do que eu tô falando, né? As famosas visitas religiosas,
- 12:36sim. E eu te digo, poucas coisas
- 12:39podem ser tão desgastantes e pesadas pra um paciente em
- 12:42agonia do que a religiosidade bem intencionada, mas que é
- 12:46totalmente vazia de empatia. É quase paradoxal, né?
- 12:51A pessoa entra ali no quarto e traz um versículo que é
- 12:54teologicamente, perfeito, irretocável.
- 12:58Tipo, a pessoa chega e fala, romanos 8, 28, todas as coisas
- 13:02cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.
- 13:05É o. Grande clichê do consolo, né?
- 13:07E é uma verdade bíblica, profunda, sem dúvida, é a.
- 13:10Base é verdadeira, mas cara, quando ela edita por alguém que
- 13:14está ali 100% saudável. Que logozinho em seguida, vai
- 13:17sair daquele quarto de hospital, vai pegar o carro, vai tomar um
- 13:20café gostoso e seguir a rotina normal, enquanto.
- 13:23O paciente fica ali para trás, exato.
- 13:25Ele fica lá atrás, afogando na própria dor e incapacidade de
- 13:28mexer um dedo. E aí?
- 13:30Essa verdade dita assim, ela soa como uma agressão.
- 13:34Falta o peso da experiência em quem tá falando.
- 13:37Falta. Cicatriz em quem fala perfeito.
- 13:39A teologia recitada ali parecia só uma desculpa barata para para
- 13:43explicar rapidamente um mistério.
- 13:45Que a mente deles não conseguia resolver as palavras.
- 13:48Batiam no gesso dele, cara, e rolavam para o chão, sabe?
- 13:51Sem nenhum efeito anestésico para alma, ele estava cercado de
- 13:55pessoas super falantes, que não paravam de dar conselho, mas ele
- 13:59mesmo experimentava o mais absoluto, ensurdecedor e gelado
- 14:04silêncio de Deus. Parecia que a divindade que ele
- 14:06serviu de forma tão ativa lá nas ruas.
- 14:09Tinha simplesmente virado as costas quando ele mais precisou
- 14:12dá. Para imaginar o desespero
- 14:14psicológico disso e aqui? Que a coisa fica realmente
- 14:17interessante, porque até que o grande amigo dele, o doutor ei w
- 14:21tozer, ele percebe a superficialidade dessas visitas
- 14:25todas. E ele decide trazer ao hospital
- 14:27um visitante totalmente inusitado e a.
- 14:30Escolha do tozer é, não poderia ter sido mais cirúrgica e
- 14:34providencial para aquele momento.
- 14:36Ele não traz um outro teólogo brilhante, sabe?
- 14:40Com novas teorias complexas sobre o sofrimento humano.
- 14:43Ele traz um pequeno homem chinês.
- 14:46E pra gente compreender a magnitude do que acontece a
- 14:48seguir, a gente precisa muito mergulhar no contexto histórico
- 14:52desse visitante inusitado. Quem era?
- 14:54Esse cara, esse. Homem era um sobrevivente da
- 14:56rebelião dos boxers e pra quem não está familiarizado com a
- 15:00história, essa rebelião ocorreu na China, logo na virada para o
- 15:03século 20. E foi tipo um levante visceral
- 15:06impulsionado por sociedades secretas chinesas que odiavam
- 15:10profundamente o imperialismo estrangeiro e a expansão do
- 15:13cristianismo lá no país foi. Uma perseguição severa, né não?
- 15:17Foi um debate político, sabe? Foi um banho de sangue real.
- 15:22Milhares de cristãos chineses foram literalmente caçados.
- 15:26Eles foram torturados das formas mais cruéis que você pode
- 15:29imaginar. Decapitados, mortos em praça
- 15:32pública. Caramba.
- 15:33E quando dizemos que esse pequeno homem sobreviveu a tudo
- 15:36isso, significa que ele viu os próprios irmãos na fé, serem
- 15:39massacrados do lado dele. E ele próprio carregava no corpo
- 15:43e na mente as cicatrizes inegáveis dessa perseguição
- 15:46Extrema. Ele.
- 15:47Era um mártir vivo, basicamente. Exatamente, ele conhecia a dor
- 15:50de forma muito íntima. Ele conheceu que era o silêncio
- 15:53de Deus enquanto mal aparente triunfava nas ruas da China.
- 15:57Ou seja. Ele tinha a autoridade da
- 15:59cicatriz, ele. Entra no quarto do hospital e,
- 16:01cara, ele não traz nenhum panfleto de encorajamento.
- 16:05Ele não sorri de forma condescendente.
- 16:06Ele não cita nenhum clichie teológico?
- 16:08Não. Nada disso enard que, lembrando,
- 16:11ainda estava severamente queimada por causa do resgate lá
- 16:15no hotel norwood. Uhum, ele olha bem fundo nos
- 16:17olhos dele e pronuncia uma única frase, uma frase que é pesada
- 16:21como chumbo, mas que é precisa como um bisturi.
- 16:24Ele diz, o senhor santificou a Tito a maior aflição e só só.
- 16:30Isso nenhuma. Explicação adicional, nenhum
- 16:33discursinho do tipo fica tranquilo que você vai sair
- 16:35dessa logo, apenas essa afirmação brutal, porém divina.
- 16:39Nossa. E se nós isolarmos essa frase, o
- 16:42senhor santificou a Tito a maior aflição.
- 16:46A gente encontra nela a chave de ignição pra toda reestruturação
- 16:50psicológica e teológica da jornada dele a partir dele, mas.
- 16:53Por que essa frase em específico perfurou a armadura dele, sendo
- 16:58que as outras falharam? Então, primeiro, pela
- 17:00credibilidade de quem falou, né? O sofrimento sempre reconhece o
- 17:05sofrimento. O sobrevivente chinês validou a
- 17:08agonia dele. Em vez de tentar minimizar, ele
- 17:11reconheceu. Sim, isso que você está passando
- 17:13é terrível. É de fato a sua maior aflição.
- 17:16Nós não vamos fingir que é fácil.
- 17:18Ele não. Passou pano pra dor, não?
- 17:20Passou, mas a genialidade espiritual daquela visita está
- 17:23focada na palavra santificou que a ideia.
- 17:26De separar algo para um propósito, né?
- 17:28Exato. Separar na conceção bíblica
- 17:31profunda santificar não significa tornar uma coisa
- 17:35moralmente bonitinha ou fofinha. Significa separar exclusivamente
- 17:41para um uso sagrado. O homem chinês estava dizendo,
- 17:44na verdade, que aquele acidente bizarro não foi uma falha no
- 17:47radar Divino, não foi um. Acidente cósmico, não.
- 17:51A dor física Extrema, a perda da mobilidade, os ossos todos
- 17:55estilhaçados, tudo isso quando colocado nas mãos soberanas do
- 17:59olheiro. Deixou de ser um castigo
- 18:01arbitrário de Deus ou, sei lá, um capricho cego do acaso tornou
- 18:05se. O quê tornou se?
- 18:06Uma ferramenta de precisão. O sofrimento foi santificado
- 18:11separado para extirpar de uma vez por todas a autossuficiência
- 18:15que a saúde plena dele camuflava.
- 18:18Essa frase funcionou como um antídoto que impediu que o
- 18:21Leonard apodrecesse na amargura daquela cama.
- 18:24Ela deu um significado real pro absurdo.
- 18:26É como se, embora o corpo estivesse destruído.
- 18:29A aflição ganhou um propósito sagrado.
- 18:32O propósito sagrado de esculpir um homem que, no fim das contas,
- 18:36seria muito mais perigoso para as trevas, estando parado numa
- 18:39cama do que correndo de forma independente por 1000 estradas,
- 18:43cara. É fascinante pensar em como o
- 18:45cérebro dele deve ser agarrado a essa revelação ao longo dos
- 18:49meses intermináveis que vieram depois dessa visita, porque,
- 18:52veja bem, a alta do hospital não significou de jeito nenhum, o
- 18:56fim do processo. Ele amargou um período de
- 18:58invalidez absoluta na própria casa, que durou praticamente um
- 19:02ano inteiro, um ano? Na mesma posição, é um.
- 19:05Ano trancado num leito, olhando para o teto todo dia, para
- 19:08alguém cujo metabolismo espiritual exigia viagens, sabe?
- 19:14Exigia aqueles cultos lotados, aquelas interseções de joelhos
- 19:18pelas madrugadas afora. Estar amarrado à própria cama
- 19:21era como sofrer de abstinência química.
- 19:24Ele sentia falta física daquilo. O corpo sentia falta da ação,
- 19:30ele não. Conseguia viajar para pregar.
- 19:32E, pior ainda, a dor física. Sabe aquelas pontadas na coluna
- 19:36e nos ossos que estavam se calcificando muito lentamente?
- 19:40Isso fragmentava tanto o raciocínio dele que ele não
- 19:43conseguia sequer manter a concentração.
- 19:46Para ler grandes volumes de texto ou até orar com aquela
- 19:49intensidade apaixonada que era grande marca registrada dele, a
- 19:53dor. Roubava o foco dele totalmente.
- 19:55Roubava. E foi bem aí, no epicentro dessa
- 19:57limitação mental e física, em uma daquelas incontáveis noites
- 20:02de insônia, mastigando a dor da espinha fraturada, que ele
- 20:05folheou ali o novo testamento até chegar no capítulo 7 do
- 20:09evangelho de Lucas que é. Um texto belíssimo que é a.
- 20:12Narrativa daquela mulher pecadora.
- 20:14Aquela que invade a casa do fariseu respeitado, né?
- 20:17Se joga aos pés de Jesus, chora incontrolavelmente sobre os pés
- 20:21dele, enxuga com os próprios cabelos, beija e derrama um
- 20:25perfume caríssimo. Ele e o.
- 20:26Detalhe que salta, ela não pede absolutamente nada, nada ela.
- 20:30Não diz uma única palavra, ela não faz nenhum grande discurso
- 20:34teológico para se justificar ela.
- 20:36Apenas é oferece uma pura EE totalmente silenciosa devoção.
- 20:42Toda a energia daquela cena flui na direção de Cristo, sabe?
- 20:46Sem qualquer expectativa de utilidade prática para ela ou
- 20:49transação comercial consagrado, ela não quer nada em troca, mas.
- 20:53EE, eu te pergunto isso porque a nossa teologia Moderna não é
- 20:57quase inteiramente construída em cima do ativismo prático?
- 21:01Totalmente a gente. Desde cedo na igreja, a gente
- 21:04aprende a medir a espiritualidade de alguém pelo
- 21:07quanto essa pessoa faz. Pelo quanto ela evangeliza na
- 21:10rua ou pelas horas ininterruptas que ela passa apresentando
- 21:14aquelas longas listas de pedidos em oração.
- 21:16O agir, né? A ação e o pedir.
- 21:19Eles são como que os motores gêmeos da nossa fé hoje em dia.
- 21:23Então eu pergunto, se você tira a capacidade dele de agir,
- 21:27porque o corpo simplesmente não obedece, e tira a capacidade de
- 21:31interceder porque a dor tira todo o foco da mente dele, o que
- 21:34que sobra? Não é como se Deus tivesse
- 21:36arrancando a própria identidade cristã dele por completo.
- 21:40Olha essa sua observação, ela toca exatamente na ferida aberta
- 21:45do cristianismo ocidental contemporâneo.
- 21:48É. Porque a gente não sabe ficar
- 21:50parado não. Sabe, nós desenvolvemos uma
- 21:52métrica de sucesso espiritual que é extremamente industrial.
- 21:57A gente avalia ministérios e vidas pelas entregas, pelos
- 22:01resultados numéricos. Então, quando esse homem é
- 22:04despojado à força da capacidade de produzir, de dar resultado,
- 22:09ele se depara com a crise fundamental, quem sou eu quando
- 22:12eu não sou mais útil pra Deus? É.
- 22:14Assustador é como? Tentar afinar um instrumento
- 22:16musical de cordas no meio de um, sei lá, um canteiro de obras de
- 22:20uma rodovia super movimentada. O músico pode até achar que o
- 22:24violão está afinado, porque ele toca ali, produz algum som, mas
- 22:28há tanto ruído externo da obra, trator, buzina, britadeira.
- 22:32Que é impossível ouvir de verdade a pureza das notas
- 22:35nossa. Ótima analogia, então.
- 22:38A quebra da espinha do Raven Rio em 3 lugares.
- 22:41Aquele incêndio pavoroso o ano inteiro preso na cama.
- 22:46Tudo isso foi a forma violenta e necessária que Deus os usou para
- 22:50trancar ali no estúdio com o isolamento acústico perfeito.
- 22:54O silêncio forçado daquela cama permitiu que ele ouvisse que a
- 22:59afinação espiritual dele até aquele exato momento.
- 23:02Estava demasiadamente baseada na própria voz dele, na própria
- 23:06força e no barulho da utilidade que ele tinha, e não na
- 23:10contemplação passiva da beleza de Deus.
- 23:13Caramba, então me diz nesse estúdio, a prova de som que era
- 23:18camo de dor crônica. O que que ele consegue escutar?
- 23:21Que que mudou tudo na teologia dele?
- 23:24Ele. Consegue formular a maior e mais
- 23:27cirúrgica distinção de toda sua trajetória intelectual e
- 23:30teológica. Ali, imobilizado na cama, ele
- 23:34percebeu que havia passado a vida inteira embaralhando
- 23:37conceitos bem diferentes dentro do mesmo pacote religioso.
- 23:42E aí ele estabeleceu a Fronteira definitiva, a linha que divide 3
- 23:47ações, oração, louvor e adoração.
- 23:51O que? Sejamos sinceros para 99% das
- 23:53pessoas que estão nos ouvindo agora.
- 23:55Parecem sinônimos perfeitos na prática diária da igreja, não é?
- 23:58Parecem a mesma coisa a gente. Canta a gente?
- 24:01Ora, a gente adora. É tudo uma mesma sequência
- 24:04mecânica no culto. E é.
- 24:05Exatamente contra essa mecanicidade que ele se levanta
- 24:08depois daquele ano. Ele destilou o conceito de uma
- 24:11forma brutal e Cristalina. E preste atenção nisso.
- 24:15Ele disse, a oração é a preocupação com as nossas
- 24:19necessidades. O louvor é a preocupação com as
- 24:23nossas bençãos. Mas a adoração, a adoração é a
- 24:28preocupação puramente com Deus. Uau repete essa divisão.
- 24:33Oração é preocupação com nossas necessidades.
- 24:37Louvor é preocupação com nossas bençãos, adoração é a
- 24:42preocupação com Deus. Se você observar a escala disso.
- 24:47Na oração, o nosso foco ainda somos nós mesmos, sabe?
- 24:51Nossas faltas, nossos medos, o boleto que vai vencer, as curas
- 24:55que precisamos hoje, ainda é. Sobre mim, sobre.
- 24:57Você no louvor. O foco ainda esbarra na gente.
- 25:01Nós agradecemos intensamente pelo que ele nos deu, pelo
- 25:05escape daquela semana, pelo Livramento que recebemos.
- 25:08Mas a adoração? A adoração desfaz o ego
- 25:11completamente. Ela não exige locomoção.
- 25:14Ela não exige que você tenha uma eloquência maravilhosa, não
- 25:17exige um púlpito iluminado, não exige nem.
- 25:20Que as costas não estejam quebradas?
- 25:22Exato. Adoração é a alma se
- 25:25deslumbrando com a majestade e a natureza de Deus,
- 25:29independentemente do que ele faça por você ou do que ele
- 25:33deixa de fazer. Foi o que aquela mulher, lá no
- 25:35evangelho de Lucas, fez aos pés de Jesus.
- 25:38Ela não estava ali para pedir bençãos, ela estava ali
- 25:41puramente por ele. Nossa.
- 25:43Se a gente observar AA mecânica espiritual disso, cara, é
- 25:48assustadoramente profundo. Porque no leito de dor ali em
- 25:51Chicago, o ego daquele grande pregador que cruzava mares e
- 25:56enchia auditórios o tempo todo, ele foi sufocado.
- 25:59Ele teve que morrer. E nas cinzas desse ativismo
- 26:03todo, o que nasceu não foi um cara frustrado porque não podia
- 26:06andar. Mas nasceu um adorador
- 26:08contemplativo. Ele olhou para a própria
- 26:10limitação na cama e concluiu que, embora ele estivesse
- 26:13proibido de pregar para os homens as portas dos céus para
- 26:16adoração, elas nunca dependeram das pernas dele ou da coluna
- 26:19vertebral dele. Tá intacta.
- 26:21Eu fico pensando que é como se o trabalho na vida de muitos de
- 26:23nós líderes, sabe, se tornasse secretamente um ídolo com.
- 26:27Certeza se torna. A gente fica tão ocupado fazendo
- 26:30coisas para Deus, organizando, pregando.
- 26:33E gastando tanta energia pedindo força a ele lá na oração para
- 26:37continuarmos fazendo essas mesmas coisas que nós
- 26:41simplesmente perdemos completamente aquela arte
- 26:43esquecida de de simplesmente sentar em silêncio e estar com
- 26:48ele, você. Resumiu a tragédia Moderna
- 26:51perfeitamente, nós substituímos a intimidade pelo expediente de
- 26:55trabalho. Pesado isso, mas é.
- 26:57Verdade, o ativismo, quando está sem a contemplação, ele é apenas
- 27:01uma filantropia religiosa com com suor espiritual.
- 27:05Então, a santificação da aflição de lenor não significa que Deus
- 27:09encontra sabe, um prazer sádico em quebrar a espinha de um cervo
- 27:12no meio da noite. Longe disso, significa que, na
- 27:16economia de Deus, a utilidade real de um homem depende da
- 27:20destruição absoluta da sua autossuficiência.
- 27:23O cinzel de Deus é doloroso, ele é.
- 27:26É arranca pedaços da nossa carne, do nosso orgulho, mas é a
- 27:30única ferramenta que é capaz de esculpir a imagem de Cristo
- 27:33naquela Pedra dura da nossa Independência.
- 27:35O homem que finalmente se levantou daquela cama de
- 27:38invalidez um ano depois não era de forma alguma, o mesmo homem
- 27:42de pijamas que pulou pela janela do hotel northwood morreu.
- 27:45E nasceu de novo ali. Nasceu outro.
- 27:47O ímpeto frenético dele deu lugar a um peso de eternidade
- 27:52que ele não tinha. Ele aprendeu a adorar não pela
- 27:56energia que estava sobrando nele, mas pela completa e total
- 28:01falência dos recursos dele. E essa autoridade que foi
- 28:05forjada ali na imobilidade da maca é algo que, sinceramente,
- 28:11nenhuma universidade teológica no mundo poderia conferir a ele.
- 28:15É um Panorama totalmente arrebatadora da vida dele,
- 28:18aquele beco congelado a 15 negativos, a calçada dura onde
- 28:22ele quebrou a espinha e os pés. E aquele quarto impessoal do
- 28:25hospital sem Bernard? Nada disso.
- 28:27Foram cenários de uma tragédia aleatória, mas sim os altares
- 28:31mais sagrados de toda a jornada dele aqui na Terra.
- 28:34Foi ali que a máquina do Ministério teve que parar pro
- 28:37homem finalmente poder ouvir. Deus de fato puxou o freio de
- 28:41emergência de uma forma Extrema e quebrou o vaso pra ensinar
- 28:44aquela argila a reconhecer O Mestre não só como empregador
- 28:48que distribui tarefas do dia a dia, mas como o próprio fim.
- 28:52EE propósito absoluto da existência, sabe?
- 28:55E chegando ao fim da nossa exploração, isso me deixa com um
- 28:58pensamento bem perturbador, que é uma inversão completa de tudo
- 29:03que nós fomos condicionados a buscar nos cultos.
- 29:06Hum, conta porque nós sempre oramos super fervorosamente por
- 29:10proteção, né? Por Livramento imediato, para
- 29:13que as nossas dores passem muito rápido.
- 29:15E para que o nosso sucesso ou a nossa saúde não sofra ou
- 29:19interrupções a. Gente foge da dor a?
- 29:22Gente foge do fogo e da queda com todas as nossas forças.
- 29:26Mas a pergunta é, e se a tragédia ou contratempo severo
- 29:31de que você que tá nos ouvindo tá fugindo tão desesperadamente
- 29:35hoje for exatamente o visitante chinês que Deus tá enviando para
- 29:38o seu quarto, é? Um soco no estômago essa
- 29:41pergunta, e se a. Cura rápida.
- 29:43Ou a solução imediata que você tanto exige em lágrimas nas suas
- 29:47orações, só na verdade aquilo que tá atrasando o
- 29:49desenvolvimento do seu verdadeiro propósito de
- 29:52contemplação. Então eu deixo isso pra você,
- 29:54pensar hoje, o que aconteceria se você não apenas suportasse a
- 29:58sua aflição atual, ranjando os dentes, mas se você de fato
- 30:02pedisse que ela fosse santificada por ele?
- 30:05Que todos nós possamos ter essa coragem rara, sabe, de não
- 30:07desperdiçar as nossas dores diárias.
- 30:10Que a gente saiba abraçar os desertos.
- 30:12Esses freios de emergência que a vida nos dá e as pausas
- 30:15forçadas, compreendendo que nas mãos de um oleiro que é sábio o
- 30:19fogo, ele nunca É o Fim em si mesmo.
- 30:22Ele é simplesmente o ateliê onde o nosso ego é totalmente
- 30:25derretido para que a adoração pura finalmente comece.
- 30:30Bom. Se você curte o nosso conteúdo e
- 30:33essa nossa análise profunda bateu no seu coração, segue a
- 30:36gente. Deixa uma avaliação com umas
- 30:38estrelinhas aí na plataforma de áudio que você está usando.
- 30:41E falou que mais te marcou? Nessa nossa imersão de hoje, a
- 30:44gente se vê até mais.