Latest / Ultravioleta Podcast / Ep.4 - O primeiro grito do ativismo LGBT na web, em Portugal
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- 0:05Ultravioleta o teu podcast, além do visível.
- 0:11Ora, sejam muito bem vindos a mais um episódio do
- 0:13ultravioleta, desta feita com um amigo e uma pessoa histórica,
- 0:17digamos assim, do movimento LGBT, do ativismo, vamos chamar
- 0:22lhe assim, do norte, mais concretamente do Porto, o seu
- 0:26nome, João Paulo. João Paulo, bem-vindo.
- 0:29Antes de mais. Obrigado, bom dia.
- 0:31E muito obrigado pelo convite por aceitares esta estares aqui
- 0:34neste neste podcast a falar nos +1 + 1 bocadinho meia hora que
- 0:39tu achas sempre que é pouco, não é?
- 0:42Eu acho que é pouco, eu adoro falar, é só por isso.
- 0:45E eu adoro falar com pessoas que adoram falar, é sempre muito
- 0:47bom. Ó João Paulo, vamos focar o
- 0:51nosso, a nossa conversa neste episódio, no ativismo, mas no
- 0:55ativismo na evolução, talvez na evolução do ativismo.
- 0:58Portanto, o que foi lá atrás, face àquilo que que é hoje, as
- 1:02mudanças que necessariamente tiveram que acontecer, porque a
- 1:05própria sociedade também foi, foi mudando por vários fatores.
- 1:09Mas aquilo que me recordo se me permites uma nota mais pessoal
- 1:13aqui. Que havia uma pessoa chamada
- 1:16João Paulo no Porto, que era muito ativa nestes nestes meios
- 1:21e isto isto há muitos anos, e que a certa altura abre um site,
- 1:28ou pelo menos era responsável por escrever uns artigos, muito
- 1:32artigos, notícias muito interessantes num site chamado
- 1:35Portugal gay. E que também durante muito tempo
- 1:38foi Oo. Eu não vou dizer a única porque
- 1:41não quero cometer aqui injustiça, seja, pelo menos para
- 1:43mim era a única e a mais respeitável vai lá fonte de
- 1:47informação quando eu queria procurar qualquer coisa
- 1:50relacionado com este mundo LGBT1 vez mais muito obrigado por
- 1:54estares aqui e vamos começar por aí.
- 1:56Se calhar, o que é que te levou antes de mais AAA dar a cara
- 2:00EEEEA seres ativista e depois a abrires a lançares esse site.
- 2:06Chamado Portugal gay.pt o. K, então antes de mais obrigado
- 2:10eu por ter por teres lembrado de mim eSIM Oo site surge não tanto
- 2:17OA responsabilidade não é totalmente minha, é mais até do
- 2:20marido, por uma razão muito simples.
- 2:23Ou seja, nós conhecemo nos em vimos pela primeira vez no dia
- 2:278/12/1995 e começámos AAA ter contacto físico e entre várias
- 2:34coisas. A partir de 9/12/1995.
- 2:39Interessante como tu tens essas Datas muito presentes, não é?
- 2:41Tenho e olha que eu sou péssimo com Datas, mas lembro me como se
- 2:45fosse hoje. E quando começo a falar, parece
- 2:46que estou a voar para os para os locais.
- 2:48Acho que foi, se não foi o euromilhões foi algo muito
- 2:52próximo disso que me saiu maravilhoso.
- 2:54Dito isto, quando nós começamos a conhecermos, eu e o marido, o
- 3:00marido, eu falei da minha experiência enquanto pessoa
- 3:03LGBT. E ele falou da experiência dele.
- 3:06Isto porque eu sempre gostei muito de conhecer histórias e já
- 3:09vos estava a conhecer alguém, nem sabia se seria para namorar,
- 3:13se seria para casar, se seria só a aventura de uma noite, de uma
- 3:17semana, não importa. Mas como gosto de conhecer
- 3:20pessoas, começamos a perguntar um ao outro, e como é que, como
- 3:22é que tu te sentes? Como é que tu fazes?
- 3:24Estamos a falar de de uma altura em que não é que fosse proibido,
- 3:29mas era complicado ser se LGBTQA mais.
- 3:33Era era complicado a nível profissional, era complicado a
- 3:36nível familiar, como ainda é. Se calhar quer num lado, quer no
- 3:39outro, se calhar menos, mas ainda é EE.
- 3:42Obviamente que eu queria saber como é que foi a vida dele,
- 3:44porque ele vinha de um estado social diferente do meu.
- 3:47E essa coisa da classe para mim sempre esteve muito presente,
- 3:50não de uma forma política já lá chegámos.
- 3:53Mas eu sabia que havia pessoas que viviam muito melhor do que
- 3:56eu e outras que viviam menos bem, havia pessoas que tinham
- 4:00muito boa formação, que era o caso dele, e outras que não
- 4:02tinham formação nenhuma, que era o meu caso EE, obviamente.
- 4:05Formação por formação, tu queres?
- 4:07Dizer. Informação OKOK.
- 4:10E fomos perguntando um ao outro, então, como é que é?
- 4:12Como é que foi chegar aqui? Como é que essas coisas não é?
- 4:15E uma das coisas que ele partilhou comigo foi que toda a
- 4:17descoberta da sexualidade dele ou de de perceber quem é que ele
- 4:20era enquanto pessoa homossexual. Foi através da internet.
- 4:24Aliás, nós mal nos conhecíamos. Se não estou em erro, no mesmo
- 4:28ano, tornámo nos sócio da ilga Portugal, eu era o sócio número
- 4:3145. A ilga tinha nascido também em
- 4:3495. Se não estou em erro, eu era o
- 4:36sócio número 45, o Filipe era número 50.
- 4:40E depois nesta conversa de ele dizer que toda toda da
- 4:44descoberta, todo o entendimento à volta da homossexualidade, ele
- 4:47tinha encontrado ou em sites redigidos em inglês.
- 4:52Ou no que havia na altura, que era o mix Brasil a nível a nível
- 4:57português. Resultado, começámos a falar e,
- 5:02entretanto, ele foi para a tropa.
- 5:04Depois ele veio da tropa, continuámos sempre à volta.
- 5:07As nossas conversas deram muito à volta de que não havia nada em
- 5:11português. A net tinha chegado também nessa
- 5:13altura, chegou tudo nessa altura.
- 5:15Ou seja, quando eu saiu para Portugal, eu conheci o marido e
- 5:18a net chegou nessa altura. E a net, quando chegou nessa
- 5:21altura, era um bicho de 7 cabeças para para a maioria.
- 5:25Para a maioria da população, primeiro era vista com
- 5:28desconfiança. Depois, se calhar, um em cada
- 5:321000 teria um computador em casa.
- 5:35E se calhar desses, sei lá, um em cada 1000 teria também.
- 5:40Internet em casa? Acesso à internet, exatamente.
- 5:43Exatamente. Se nós nos lembrarmos, parece
- 5:45que estavam a fritar ovos ou lá o que é que era aquele barulho
- 5:47esquisito, os modem é exatamente.
- 5:53E ele, um Belo dia, acho que até foi de uma altura qualquer que
- 5:56estava de fim de semana na tropa.
- 5:57Ele disse, eu não se fizéssemos uma coisa em português de
- 6:01Portugal com a realidade portuguesa para o para os gays
- 6:05de Portugal, a senhora por acaso era giro, sei lá, e como é que
- 6:09se vai chamar isso? Que digo te eu era completamente
- 6:12nive. Eu ainda acreditava no pai Natal
- 6:16e já lá chegámos também. E então ele começámos ali a
- 6:22discutir e ele disse, olha, Portugal gay assim, bom, pôs o
- 6:25nome, Bora lá. E o que nós fizemos foi olhar
- 6:28para sites, se não tem erro do Reino Unido para o próprio site
- 6:32do mix Brasil. E havia qualquer coisa também já
- 6:35nos Estados Unidos, se não estou em erro, como é natural, não é?
- 6:39Sim, IA ver isso seguramente. E o que nós fizemos foi, aliás,
- 6:43o que ele fez. Basicamente o trabalho, o
- 6:45trabalho da da estrutura do site é que tudo dele, o que ele fez
- 6:48foi ler, traduzir e discutirmos os 2.
- 6:53Como é que seria melhor escrever isto, escrever aquilo, porque
- 6:56nós tínhamos numa secção que era a secção de apoio, como falar
- 7:00com os pais, com os amigos, coisas que, ou seja, o que era
- 7:05ser gay. Depois foi a altura de criarmos
- 7:08também a página de doenças sexualmente transmissíveis,
- 7:11porque, entretanto, chegámos aos anos aquela AAA explosão do do
- 7:17do VIHE, não sei quê. E tal sobre.
- 7:19OVIHE já agora porque se vamos falar DH, porque é que não
- 7:22falamos de todas as outras na alturas DSTS, hoje ISTS?
- 7:26Exatamente. E teve demos a ajuda de um de um
- 7:30infecciologista daqui do do hospital São João, foi assim.
- 7:35Ou coisa caída na sopa que nem nem nós muito bem percebemos
- 7:39como é que ele chegou a nós ou nós chegámos a ele já nem sei.
- 7:41EE sei que foi muito bom porque ele facilitou nos algumas fotos
- 7:47científicas de de como é que seria Oo vírus ou a enfeição ou
- 7:52lá como é que seria? Não é aquelas que eram possíveis
- 7:55de serem fotografados em microscópio, deu nos conteúdo
- 8:00foi, olha, foi, foi um grande apoio.
- 8:03E o nascimento de Portugal? Alguém foi assim, uma coisa
- 8:05assim, olha, pronto, está feito, que bom, não é só que tu não
- 8:10conheces o marido, mas o marido é um gajo obcecado, obcecado no
- 8:13sentido de saber se está a correr bem, se não está a correr
- 8:17bem. Quando tu lhe pedes uma coisa,
- 8:18não é para daqui a um bocado, ele já está sentado à procura.
- 8:22É, é muito isso, é muito. Isso eu confesso que eu que eu
- 8:24conheço mesmo superfissional superficialmente, por assim
- 8:28dizer, EEA, sempre de câmera fotográfica na mão.
- 8:30Também. EE resultado, ele começou a
- 8:34vigiar o primeiro, o número de entradas e depois o número de
- 8:39visitas efetivas. Ou seja, uma só pessoa pode
- 8:42visitar o site várias vezes, claro, mas OIP vai ser o mesmo.
- 8:45Ou lá, como é que ele faz? Não sei quê?
- 8:46Exatamente. Resultado, começou a ver isso e
- 8:49disse, ele é pá. Hoje tivemos.
- 8:50Imagina sem visitas? Ah, olha, hoje tivemos não sei
- 8:54quando. E quando nós chegamos às 500 foi
- 8:56assim, uma coisa houve. Nós aqui em casa estávamos
- 9:00assim, ganhámos um presente e de qualquer que disse, Ah, amor,
- 9:02isto tu merece comemoração, vamos comer fora, nós temos que
- 9:06ir comer fora. E pobres como sempre fomos
- 9:09pobres, eu quero dizer, não gostamos de gastar dinheiro.
- 9:12De forma desmedida, fomos à à à à pizza de que havia ali no na
- 9:17praça de Lisboa, era o clérigo shopping fechado, não é?
- 9:21E fomos lá. EE aí aconteceu 11 das coisas
- 9:25que se calhar, me empurrou para o ativismo.
- 9:28Ou seja, tu tens um site, tu fazes notícias, tu fazes?
- 9:32Não sei quê, mas na verdade ninguém sabe quem tu és.
- 9:35EEEEO teu ativismo é ilimitado a uma quantidade de pessoas que
- 9:38conseguem aceder ao site. Resultado, nós estávamos pedimos
- 9:42o que? Queriamos já nem me lembro,
- 9:43lembro me que foi lasanha e depois pedimos para o fitoralas.
- 9:47E quando foi para pagar, pedimos a conta.
- 9:50EEE. Estávamos à espera de
- 9:52profiterol, acho eu, e demos as mãos em cima da mesa.
- 9:55Isto em 1900. E 9690.
- 9:58E 5 em 96, já 96. Sim, já 96 demos as mãos em cima
- 10:03da mesa EE. Em menos de 5 minutos, toda a
- 10:05gente passou pela nossa mesa. O empregado da sala onde
- 10:09estávamos, o empregado da sala aonde não estávamos mais, o
- 10:12cozinheiro mais o auxiliar. Toda a gente passou.
- 10:15Passou para ver. Porque era, era, então era.
- 10:17Tipo de mão dada? Exatamente, e não é de mão dada
- 10:21de uma coisa bruta, é uma da mão dada de um de um sinal de afeto,
- 10:24de carinho e não sei quantos. E eu disse, ih, vai dar burrada
- 10:29e pedimos a conta. Ninguém fechou a cara, ninguém,
- 10:32foi desagradável e quando olhamos para a conta faltava os
- 10:34pró fitrales. E eu chamei o funcionário e
- 10:37disse, ó jovem, desculpa, vocês esqueceram se de da sobremesa
- 10:40dizendo não, sobremesa é oferta nossa.
- 10:42Olha que giro. E eu disse, então porquê?
- 10:45Porque adorámos vocês terem dado as mãos?
- 10:47Foi muito bom, é a oferta nossa, tinha, OK, muito obrigado.
- 10:51Quando viemos para casa, viemos a pensar que isto não é um ato,
- 10:55ou seja, isto não é só um ato de gentileza, nós entendemos aquilo
- 11:01como um ato de como um grito de de desespero.
- 11:03Nós precisamos que alguém fale por nós.
- 11:06Eu não sei se alguém era GBT, não faço a mínima ideia.
- 11:09Mas eu senti que era preciso que alguém falasse, e aqui no Porto
- 11:12tu não tinhas ninguém na altura. Claro, exatamente.
- 11:15Na altura não havia ninguém, havia o António souzelo em em
- 11:18Lisboa, havia o Gonçalo Dinis na ilga Portugal, o António na Opus
- 11:23gay, então agora é Opus diversidades que.
- 11:27Já foram convidado aquilo do do deste podcast.
- 11:30Já soube, já soube e não havia mais ninguém.
- 11:33E eu era o gajo mais Naif que tu possas imaginar.
- 11:37EE acreditava que agora íamos todos, como dizem No No filme do
- 11:402012, que íamos todos usar as mãos e dizer como byá, Bora lá
- 11:44dançar do hula hula. Ou seja, eu acreditava que pelo
- 11:49simples facto de estarmos todos a remar num sentido que devíamos
- 11:52ser todos companheiros, amigos, Bora lá, cada um faz o seu
- 11:55maravilhoso e fiquei super desiludido, a ponto de eu não te
- 12:01sei dizer as Datas. Eu fazia parte da fundação da
- 12:04marcha do de Lisboa também eu, Portugal gay.
- 12:07Fazíamos parte da da da fundação, da marcha e num Belo
- 12:12dia em que estávamos a discutir à à à, ou seja, AAAA presença de
- 12:19pessoas na marcha. Não vou dizer nomes porque não
- 12:21interessa. Já foi, já passou alguém.
- 12:23E eu disse, olha, estamos a desperdiçar uma fonte de de de
- 12:29informação, porque nós, Portugal, já tínhamos criado um
- 12:32outro, um outro portal chamado Portugal Pride.
- 12:37O portugalpraid.org que só era não era só era era.
- 12:41Era muito mais visitado precisamente na altura das
- 12:44festas, porque era esse o objetivo também era na no,
- 12:48naquele naqueles meses onde o praid é celebrado em vários
- 12:51sítios. Era quando nós tínhamos mais
- 12:53conteúdo naquela, porque era precisamente isso praid.org ou
- 12:57Portugal praiddesculpa.org. E quando eu disse que estávamos
- 13:01a desperdiçar, houve 2 pessoas. Desagradáveis que preferiram uma
- 13:08carrada de impropérios. Impropérios, no sentido de dizer
- 13:12que não estavam lá para discutir assuntos pessoais e Patati
- 13:15Patatá, EEO assunto pessoal que nós tínhamos naquela altura e
- 13:18isso marcou e especialmente o Filipe, nós fomos àquela.
- 13:22Reunião o teu esposo, portanto, exato, exato.
- 13:25Nós fomos àquela reunião e não fomos visitar a avó dele, que
- 13:29estava metros acima num hospital internada.
- 13:32E entrado naquele fim de semana para para o hospital EE, quando
- 13:36dizem assuntos pessoais, aquilo não é pessoal, que aquilo nós
- 13:38construímos para vocês, porem lá coisas agora querem usar, usem,
- 13:41não querem agora não digam que é pessoal porque não é nada de
- 13:43pessoal. Estamos aqui a discutir a falta
- 13:45de afluência das pessoas à marcha e obviamente o Philips
- 13:49saiu porta fora e eu porta fora, fui saindo também, disse qual
- 13:53eram os meus problemas pessoais, era o caso da minha avó, da avó
- 13:56de Philip, era o caso do meu cunhado que suspeitava ter um
- 13:59tumor. Estavam a acontecer várias
- 14:01coisas naquele momento. EE saímos porta fora e quando
- 14:04viemos para casa, para o Porto, porque já não fomos visitar a
- 14:07avó, que já não dava tempo para, quando deixamos de ser de sócios
- 14:10de euro a Portugal, adeus até amanhã.
- 14:12E a minha ingenuidade foi se eu de repente percebi que há no
- 14:16ativismo. Não estou a dizer que são todos,
- 14:20mas um bom número de pessoas é um.
- 14:23É um jogo de galos, é uma luta de egos, de quem vai à frente,
- 14:27quem fala mais, quem fala melhor, quem aparece mais.
- 14:31E eu não estou nem aí para isso, quero lá saber.
- 14:32Se me chamarem para falar, eu vou todo contente.
- 14:34Adoro falar, como já disse, mas se não me chamarem para falar,
- 14:37eu quero é que falem quem vai falar, que fale bem, que fale em
- 14:41nome de todos e não da sua bolha EE.
- 14:45Eu aprendi que o ativismo é é uma selva e resultados só até
- 14:51amanhã. Eu não quero fazer parte deste
- 14:52filme. É, infelizmente, isso acontece
- 14:54com com frequência, noutro tipo de de de associações ditas
- 14:58humanitárias também. Não, não é exclusivo do do do
- 15:03otimismo LGBT, mas isso era lá atrás, portanto, isso foi um
- 15:06episódio que aconteceu de lá para cá.
- 15:08Achas que houve alguma evolução ou as coisas continuam?
- 15:12Enfim, com com porque são seres humanos, não é?
- 15:15E, portanto, como tu dizes a questão dos egos, et cetera, é,
- 15:18é é natural, porque é natural do ser humano.
- 15:22Eu, eu, eu acho. Eu acho que a luta de egos, não,
- 15:25não, não. Acabou ela dependendo do de cada
- 15:27grupo, não é? Por exemplo, nós em 90, nós em
- 15:3290, nada nós em 2006, com assassinato da desberta, juntámo
- 15:38nos uns quantos 10 pessoas, mais ou menos, não sei o nome delas,
- 15:43todas do falecido Eduarda, a Paula Antunes, a Sofia, o Tiago
- 15:48Braga, o nosso queridíssimo falecido António.
- 15:52Está me a falhar aqui na Ana Afonso uns quantos não sei não,
- 15:57não, não quero estar a falhar o nome deles todos porque eu não
- 15:59não me lembro de tudo ao mesmo tempo juntámo nos já havia uma
- 16:03vontade prévia de fazer a marcha do Porto e juntámo nos
- 16:08precisamente na sede de almar com com tendo a lurozinhas como
- 16:11nossa anfitriã para criar a marcha EE é um EE nos primeiros
- 16:17anos, se há sabes. Sabes o que é recordar esses
- 16:21primeiros anos? Primeiros 45 anos da marcha do
- 16:24Porto e perceber que nunca naqueles anos eu me senti como é
- 16:31que eu vou dizer nunca. Nunca me senti estar a assistir
- 16:35a uma luta de galos, mas sim a um grupo de amigos que queriam
- 16:38que a coisa funcionasse e que realmente nós, nós trouxéssemos
- 16:42para a para a para a discussão e para a para AE, para o debate e
- 16:46para o que fosse e para a luta. O facto de terem assassinado um
- 16:50dos nossos houve, houve eu, eu lembro, me olha, eu vou dizer
- 16:54uma coisa que às eu normalmente quando falo da marcha, não gosto
- 16:58de o falar porque foi para mim foi marcante quando nós
- 17:03estávamos quase no dia, tipo o dia anterior ao que foi.
- 17:06Eu lembro me de ter virado para os meus colegas assim, vou vos
- 17:08só pedir um favor, Nenhum de Nós vai pegar Na Na faixa da frente
- 17:13e eles ficaram a olhar para mim. Mas porquê então fomos nós que
- 17:16organizámos. Nós somos nós que organizamos
- 17:19porque nós temos o privilégio de ter coragem, energia, tempo,
- 17:23vontade, disponibilidade, o que seja.
- 17:26Há muitas pessoas que eu quero que lá estejam que não têm essa
- 17:30disponibilidade e essa coragem. Vamos usar Oo protagonismo a
- 17:33eles. E no primeiro, No No primeiro,
- 17:36segundo e terceiro ano isso aconteceu.
- 17:38Nenhum de Nós pegou na faixa da frente.
- 17:41Depois começou a haver um sentimento de é pá, eu também
- 17:44trabalhei para isto, pá, deixem me lá pegar na faixa da frente.
- 17:47Eu lembro me que a Paula Antunes chegou a ir e a Sofia também já
- 17:50chegou a ir, mas era um ou outro, não éramos nós, era um ou
- 17:54outro, porque realmente é, é, é. Eu gostava muito que as pessoas
- 17:59percebessem que quando estão a organizar qualquer coisa, quando
- 18:02fazem este tipo de ativismo, um ativismo que lhes pode correr
- 18:06muito mal no seu dia a dia, é um são, não deixam de ser pessoas
- 18:11privilegiadas. Há, há ali um há ali uma dose de
- 18:13privilégio que te permite fazer aquilo.
- 18:16Enquanto aos outros não. É curioso essa essa essa
- 18:19perspetiva, porque é que achas que essas pessoas são
- 18:22privilegiadas? Porque porque tem uma família
- 18:24que o suporta e não se importa que eles sejam otimistas.
- 18:28EE que dêem a cara por por. Isso uma luta.
- 18:32Não tem dinheiro, por exemplo? Não, não, não são economicamente
- 18:35dependentes de de determinado. Exato, se calhar tudo isso,
- 18:38porque têm possibilidades económicas, porque têm um
- 18:41emprego que que ninguém lhes vai tirar.
- 18:43Porque têm uma família de retaguarda, porque têm uma outra
- 18:46família, que foram eles que construíram.
- 18:47O que estou a falar de amigos e gente muito próxima que nunca os
- 18:51vai deixar na mão? Se calhar, se calhar isso eu eu
- 18:55sinto me um privilegiado, o facto de eu ter os meus pais ao
- 18:58meu lado, o facto de eu ter um marido que me apoia, o facto de
- 19:00tudo isso para mim é um privilégio EE, muita gente pode
- 19:04dizer AI, não fazem mais com a obrigação deles, aqui não há
- 19:06obrigação nenhuma. Claro, as.
- 19:08Pessoas não são obrigadas a aturarem isso, não são obrigado
- 19:10a aceitar. AAA vontade a vida, o as
- 19:17decisões do outro. Agora eu tenho esse privilégio,
- 19:20que é pessoas que que realmente estiveram ao meu lado,
- 19:22nomeadamente o maridão, que é sem eu sou.
- 19:24Eu sou ativista por causa dele, não sou ativista por causa de
- 19:26mais ninguém. São as âncoras, não é as âncoras
- 19:30de. Várias, exatamente.
- 19:30De vários sentidos, não. É o âncora, o Leme, como tu lhe
- 19:33queira chamar. Este navio não anda sem Leme.
- 19:37Mas são as eu quando digo âncoras, é, enfim, são são as
- 19:41fundações que que que que nos agarram e que que evitam, que
- 19:46nós sejamos levado pelas vagas. Não é pelo pela tempestade, por
- 19:49assim dizer. E achas que hoje em dia Oo as
- 19:54pessoas que participam nas marchas, et cetera?
- 19:56O ativismo, por exemplo, está diferente, ou seja, houve alguma
- 20:01evolução? As marchas são vistas de forma
- 20:05diferente, por exemplo. Eu recordo, me, eu recordo.
- 20:10Me, por exemplo, aqui, há uns anos comecei a ver Oo pessoal
- 20:12mais novo, a dizer alguns deles, naturalmente, não é.
- 20:15Não se pode generalizar. Mas a dizer que as marchas não
- 20:19são necessárias, porque o que é que lá vão os nós fazer dizer
- 20:22para toda a gente, eu sou gay, eu sou gay?
- 20:24EEE estou a citar aquilo que eu vi repetidamente eu sou gay, eu
- 20:29sou gay, eu sou muito bem, eu sou, eu sou, sou gay e sou, sou,
- 20:32estou muito bem com isso. Não preciso de andar em público
- 20:35a. Dizer isso é muito bonito, mas a
- 20:38isso. Mas para ele poder chegar a
- 20:40essa, ele e eles que me foram dizendo isso poderão chegar a
- 20:43essa situação. Se calhar, foram necessárias
- 20:44muitas marchas, não é? Não sei.
- 20:47Aí voltamos a outro lugar de privilégio.
- 20:49Há pessoas que nunca, em momento algum se sentiram ostracizadas,
- 20:55julgadas, apontadas por serem quem são.
- 20:58Muitas vezes, quando isso acontece, estamos a falar de
- 21:01pessoas, de um de um determinado poder, económico.
- 21:03Não, não estamos a falar do senhor que vive ali no bairro da
- 21:06esquina EEE. Eu percebo, eu percebo, sem
- 21:10querer aceitar esse tipo de postura.
- 21:15Porque eu percebo que essa existe e percebo porque nós não
- 21:20fomos educados a pensar no bem comum.
- 21:23Se eu estou bem, porque é que eu vou agora fazer o espalhafado
- 21:26todo e isto tens o põe de lá das marchas do orgulho e podemos
- 21:32falar da marcha do 25 de abril. É as coisa mais importante na
- 21:37tua vida, seja de quem for, onde quer que seja, em qualquer
- 21:40situação do planeta, do que ser livre.
- 21:45Então porque é que a marcha do 25 de abril não tem as artérias
- 21:48completamente entupidas? Porque é que as pessoas não vêm
- 21:51celebrar de forma vigorosa, intensa, celebrar o 25 de abril?
- 21:58Há quem diga que é por se ter normalizado, porque estou aqui a
- 22:02fazer o papel de. Advogado.
- 22:04Do diabo, não é? Ó, ó Miguel, é porque as pessoas
- 22:07acreditam que que está feito. Exato.
- 22:12Está feito, eu já sou livre. OK, tu és livre.
- 22:15Oo havia 11 memorial que fizemos ao António que dizia eu não
- 22:20serei livre enquanto alguém viver amarrado, mesmo que as
- 22:22suas amarras não sejam iguais às minhas.
- 22:24EE, isto é exatamente isso, eu não eu, eu sou livre, sou claro
- 22:28que eu sou livre, digo o quer que me apetece.
- 22:30Obviamente que agora é muito perigoso porque tudo é razão
- 22:33para para um processo e mais um, mas a verdade é que eu sei que
- 22:38há pessoas que não são livres, nós temos aqui no nosso país.
- 22:42Pessoas que por condições financeiras, por condições de
- 22:44status social, por condições, esteja lá do que for, não são
- 22:48livres, não podem dizer que são LGBT, não podem dizer uma
- 22:51carrada de coisas. Há pessoas que escondem doenças
- 22:54porque têm medo de ser estatizadas, por serem
- 22:58portadores de 1/01/1. Qualquer tipo de doença de que
- 23:02não é visível, que não é notória, é assim dizer, não,
- 23:06não, eu não. Eu sou livre sem ser livre.
- 23:10Eu digo a toda a gente que eu posso falhar a 20 marchas do
- 23:13orgulho, mas não vou falhar a uma do 25 de abril, nem pensar,
- 23:16mesmo sabendo que quando o 25 de abril surgiu, alguém disse que
- 23:20não era para mim. Exatamente.
- 23:22Mas sim, mas sim, é para mim, é para mim, é para todos.
- 23:27Foi para todos, exatamente. EEEA mim, faz me confusão esse
- 23:31tipo de de, de de reação de Ah, para que é que eu vou ali fazer?
- 23:34Ninguém precisa de ir fazer espetáculo.
- 23:36Eu sou um exemplo de quem não faz o espetáculo.
- 23:39Eu digo a toda a gente, eu vou à marcha.
- 23:40Nunca gritei numa marcha, nunca disse uma palavra de ordem.
- 23:43É, pode parecer um bocado estranho, mas é verdade.
- 23:46Nunca disse uma palavra de ordem em marcha nenhuma, nem sequer na
- 23:49do 25 de abril. Mas estou lá porque aquilo que
- 23:52eu acho que acontece é que há sempre poder político a vigiar
- 23:57todo este tipo de manifestações sociais.
- 23:59E eles medem o poder dessa manifestação pelo número de
- 24:03pessoas, não pelo pelo pulmão de cada uma.
- 24:06Nós podíamos fazer uma marcha, que eu já sugeri uma vez por
- 24:09brincadeira, fazermos uma marcha no do, do, do orgulho, vestidos
- 24:13de negro, como se fosse o compasso.
- 24:16Calados ninguém fala, mas invadimos a rua E todos de negro
- 24:20e tínhamos razões para estar todos de negro.
- 24:23As pessoas esquecem se que houve gente que passou muito mal em
- 24:262020, porque eram trabalhadores independentes, porque eram
- 24:30pessoas que viviam longe das famílias, porque alguns tiveram
- 24:33que regressar para a família, para o para o lugar.
- 24:36Onde deram astracizadas e violentadas e isto foi muito
- 24:40mau. Nós temos razões para estar de
- 24:41luta a dar com pau apenas eu acho é que temos uma sociedade
- 24:45LGBTQA mais que desde sempre se chama gay, porque gay quer
- 24:49dizer, a Felicidade, Alegria, bem-estar não é não, não tem
- 24:53nada a ver com com não estar a estourar e estar aqui.
- 24:56AI meu Deus, coitadinho de mim e é isso que nos vale, é é a
- 25:01Alegria de resistir, mas as pessoas esquecem se disso.
- 25:05Aquela cena deliciosa que tu com que tu começaste este este
- 25:08episódio da da mão dada No No restaurante passou muito
- 25:14naturalmente pela visibilidade. E eu acho que há um paralelismo
- 25:17com isso que estás a dizer agora, que é precisamente a
- 25:20visibilidade. Portanto, tu, no fundo, o que
- 25:22estás a dizer é que as marchas são necessárias por uma questão
- 25:25de visibilidade que leva depois à normalização de tudo, não é?
- 25:29Claro, claro, mas tal como o 25 de abril, mas tal como o 25 de
- 25:34abril. Elas têm que ser celebradas,
- 25:37sim, e podem ser festejadas. Não vejo porque não, mas devem
- 25:40ser cada vez mais preenchidas. As pessoas, as pessoas acham
- 25:46esse comentário que tu tinhas dito AI, eu estou bem, não
- 25:49preciso, estás bem. Quando hoje nós temos uma
- 25:54ascensão gravíssima de, de, de de um discurso que é ditatorial,
- 25:59que é que é conservador, que é castrador, que é violento.
- 26:04E tudo o que nós conquistámos até agora pode acabar amanhã.
- 26:07Eu, eu, por por exemplo, digo sempre às pessoas, vejam os
- 26:11primeiros 5 episódios do one made e vocês vão perceber o que
- 26:16é estar bem feliz, ter uma Harmonia, beber café, estar com
- 26:21tranquilamente com a namorada, com a namorada, seja com quem
- 26:24for. E de repente tens uma carrada de
- 26:26camiões a dizer, acabou a tua festa.
- 26:28Mulheres para um lado, de homens para o outro.
- 26:30Isto pode acontecer daqui a um bocadinho.
- 26:32Exatamente, exatamente. E as?
- 26:33Pessoas não têm a mínima consciência disso.
- 26:35Ah, é um filme? Não, não é, não, não é.
- 26:38Se nós olharmos para a sétima arte, nós temos Montes de
- 26:41mensagens. Na sétima arte.
- 26:43Começa logo os livros. E nos livros também.
- 26:45Começa logo pela questão da evolução tecnológica.
- 26:49Nós no outro dia estávamos aqui a rever um filme, qualquer
- 26:51assunto estou a errar aos espaços de 1999 EE reparámos Na
- 26:53Na maneira como eles comunicavam e na altura que nós vimos isso
- 26:56em 99. Não é.
- 27:00Ou lá o que é que era, não? Nós víamos antes, nós víamos
- 27:02isso nos anos 70, porque 1999 era muito lá à frente.
- 27:05Sim, exato, exato. O espaço passou em 70, mas era
- 27:09referente a 99, que era a coisa, meu Deus do céu, millenni não
- 27:12sei quantos e nós a ver aquilo, começámos a pensar.
- 27:16Olha, quando vimos o filme a primeira vez, a Malta disse
- 27:19assim, UI, isto nunca vai acontecer.
- 27:20Isto é uma idiotice, mas é giro e não sei quê não.
- 27:23Tu poderes ver a cara das pessoas num telemóvel.
- 27:26Sim, sim. Tu hoje andas com o telemóvel
- 27:28tens um computador na mão dentro do bolso para o que tu quiseres.
- 27:31Tu vais a caminho da estação e já compraste o teu bilhete.
- 27:35E o teu bilhete nem sequer é de papel.
- 27:36Está no telemóvel e mostras EEE. Se a sétima arte te mostrou o
- 27:42quanto a tecnologia pode evoluir, ou vai evoluir ou
- 27:45evoluiu, então prestem atenção a todo o resto dos recados que
- 27:49eles estão lá. Há muito recado na sétima arte e
- 27:53nos livros como tu disseste também.
- 27:55Como nós aproximamo nos muito rapidamente do, do, do, do
- 28:00limite temporal. Enfim, mais ou menos.
- 28:02Isso é com mais coisa, menos coisa do nosso, do nosso
- 28:04episódio. E eu gostava de de de terminar a
- 28:07nossa conversa tentando saber ou tentando perceber como te
- 28:11sentiste depois de todos estes anos.
- 28:15Ao receber aquela aquela já sabes onde é que eu vou?
- 28:21Não é aquela distinção que já nos vai explicar qual foi do ex
- 28:26presidente da Câmara municipal do Porto do.
- 28:28Rodrigo Moreira é assim, eu não quero ser, não quero ser
- 28:32ingrato, mas eu dei lhe 11 Oo valor QB mas.
- 28:38Não achas que foi o reconhecimento?
- 28:39Não achas que foi uma vez mais? As pessoas que passaram por ti
- 28:42no restaurante, a olhar para para ti e para o teu namorado,
- 28:45na altura com os dadas. Não achas que é o
- 28:47reconhecimento? Não achas que foram para o
- 28:49fitrose oferecedor? Gostei.
- 28:52Agora, fora o fitrole, é isso que eu estou a dizer.
- 28:56Eu tenho um sentimento repartido, que é de por um lado,
- 29:00sim, por um lado, obviamente que sentia um enorme orgulho de ter
- 29:04sido indicado para receber a para receber a medalha de mérito
- 29:07e honra, grau ouro, aquela coisa toda e não sei quê.
- 29:11Obviamente que me senti muito honrado, que me senti super
- 29:14vaidoso. Não vou mentir aquilo.
- 29:17Uau, eu recebi uma medalha da cidade.
- 29:19Uau, que bom. É sinal que fiz alguma coisa bem
- 29:22feita. É verdade que senti isso, mas ao
- 29:26mesmo tempo eu sei que aquilo é. As medalhas da cidade são um
- 29:32jogo de bastidores políticos em que cada grupo partidário que
- 29:36existe na Câmara. Nomeia um determinado número de
- 29:38pessoas e vem em assembleia e vão ser aprovadas ou não.
- 29:41E quando tu queres nomear, e tendo em conta que fui nomeado
- 29:44pelo bloco de esquerda, eu não estava à espera de outra coisa,
- 29:47o bloco de esquerda nomeou me a mim, como nomeou, por exemplo,
- 29:49cais, como nomeou aquele tipo de associação e de trabalho que é
- 29:54feito muito mais pé no chão, enquanto outras entidades
- 29:57distinguiram o doutor não sei das quantas das ciências, ou o
- 30:01médico não sei quantos da da percebes por isso, por um lado.
- 30:06É pá. Que bom, há um partido político,
- 30:09é o bloco de esquerda. Azar podia ser outro qualquer,
- 30:11mas foi aprovado tudo por unanimidade.
- 30:13As pessoas aceitaram a proposta do bloco e é isso que vou dizer.
- 30:16E o presidente da Câmara não era propriamente de esquerda, não é?
- 30:20Não de todo, aliás, OOO Rui Moreira.
- 30:23Eu tinha começado com com o, com o anto, com o anterior, com o
- 30:27Rui Rio. E quer Rui Rio, quer o Rui
- 30:30Moreira. Vetaram sempre as minhas
- 30:32propostas de fazer coisas que depois aconteceram na Câmara.
- 30:35Mas isso daria outro programa? Que falaremos dele, com certeza,
- 30:40mesmo antes antes de terminarmos um desafio que eu lanço sempre
- 30:46que não me darias a este episódio.
- 30:53De repente, lembrei me do bebé e Born do Brasil.
- 30:59Eu IA dizer o reborn, mas não é reborn, que não havia nada.
- 31:03O reborn do ativismo no porco AI não.
- 31:07Como é que eu chamaria? É pá.
- 31:08Não sei assim, de repente. Vou lá batizar esta coisa.
- 31:13Como é que eu chamaria? Se calhar fundava a coisa No No,
- 31:18No No Portugal gay, porque foi realmente acho.
- 31:22Eu espero eu que as pessoas assim o sintam.
- 31:26Foi um Marco No No ativismo, porque.
- 31:28Durante muito tempo foi o único site que havia e se calhar,
- 31:32dizia lhe mesmo isso, Oo parto do Portugal gay ou o nascimento
- 31:35do Portugal gay ou o nascimento do do do ativismo na web, uma
- 31:40coisa assim, desse género não sei, mas tu é quem o vais
- 31:43batizar não sou eu. Não, isto.
- 31:45Isto agora está a ser gravado. Então vamos pôr o parto do
- 31:49Portugal gay. O parto é um bocadinho violento,
- 31:52não é? Achas.
- 31:53Não sei, diz me tudo. Se calhar, o primeiro.
- 31:58Génese queres uma coisa assim, mais mais iludida a génese?
- 32:02Também não. Eu gosto muito dos pés no chão,
- 32:04gosto. De pés no chão por isso.
- 32:06Eu, eu, eu diria então, OOO, primeiro grito do ativismo na
- 32:10web. Muito bem, tenho que ir lá.
- 32:13Então, o primeiro grito do ativismo na web.
- 32:15Espero que caiba na capa. Tendo em conta que estamos a
- 32:18falar de Portugal, não. É e.
- 32:20Nós não fomos o primeiro grito o.
- 32:22K então, o primeiro grito na web em Portugal.
- 32:26Logo, logo será cozinhado. Isso algo assim quando a criança
- 32:30nasceu, levou uma palmada e gritou, sou bicha, mulher, estou
- 32:34aqui. Muito obrigado uma vez.
- 32:39Mais. Obrigado, prazer.
- 32:41E é sempre maravilhoso falar contigo.
- 32:43E há sempre histórias fantásticas que vamos olha que
- 32:45vamos conhecendo por muito que nós nos conhecemos.
- 32:48Há sempre coisas. Novas há sempre coisas.
- 32:50Novas para falar não é muito obrigado também a quem nos ouviu
- 32:53uma vez mais? E até à próxima, até ao próximo
- 32:56episódio. Um beijinho, grande abraço,
- 32:58fiquem bem. Tchau, tchau.