Latest / MADTalks | A Partir Pedra / MADTalks #03 | O futuro da Maçonaria: entrar é apenas o princípio
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- 0:12SPEAKER_02: maçonaria tem dificuldade em atrair novos membros?
- 0:15SPEAKER_02: Ou a verdadeira dificuldade está em dar motivos aos que entram para permanecerem?
- 0:21SPEAKER_01: Essa é, francamente, a conversa mais difícil de ter neste momento.
- 0:24SPEAKER_02: Sem dúvida.
- 0:25SPEAKER_01: Porque obriga a olhar para dentro e admitir que...
- 0:29SPEAKER_01: Se calhar a porta de saída está mais oleada do que a porta de entrada.
- 0:33SPEAKER_02: Pois é.
- 0:34SPEAKER_02: E é com essa provocação que damos as boas-vindas à 3ª edição das MAD Talks,
- 0:38SPEAKER_02: o formato áudio do blog A Partir Pedra.
- 0:41SPEAKER_02: Para quem não está familiarizado,
- 0:43SPEAKER_02: este é o espaço de reflexão da respeitável loja Mestre Afonso Domingues, número 5.
- 0:48SPEAKER_02: E a nossa missão hoje é fazer uma análise aprofundada a estas dinâmicas que afetam,
- 0:52SPEAKER_02: no fundo, o presente e o futuro da vida em loja.
- 0:54SPEAKER_02: E vamos usar como fio condutor dois artigos que são absolutamente fascinantes.
- 0:59SPEAKER_02: Muito bons, sim.
- 1:00SPEAKER_02: O primeiro chama-se A Conversa Que Ninguém Quer Ter.
- 1:03SPEAKER_02: E foi escrito pelo DG a 7 de agosto de 2026.
- 1:06SPEAKER_02: E o segundo,
- 1:08SPEAKER_02: que lhe responde ali de forma muito direta, intitula-se Entrar é apenas o princípio.
- 1:13SPEAKER_02: E foi assinado pelo João B. a 5 de setembro de 2026.
- 1:17SPEAKER_01: São dois textos que se complementam muito bem.
- 1:19SPEAKER_02: Completamente.
- 1:20SPEAKER_02: E antes de começarmos a desembrulhar tudo isto, deixo só aqui uma nota rápida e obrigatória.
- 1:25SPEAKER_02: Este episódio foi produzido com recurso à inteligência artificial,
- 1:28SPEAKER_02: a partir de fontes documentais.
- 1:30SPEAKER_02: Isso foi publicado depois de escutado e revisto por obreiros
- 1:33SPEAKER_02: da respeitável loja Mestre Afonso Domingues, número 5.
- 1:36SPEAKER_02: E pronto, despachado este ponto, vamos ao que interessa.
- 1:39SPEAKER_01: Eu penso que é importante estabelecer logo desde já que o DG e o João B não estão
- 1:44SPEAKER_01: em barricadas opostas.
- 1:45SPEAKER_02: Claro que não.
- 1:46SPEAKER_01: O nosso objetivo aqui não é criar um debate artificial entre eles,
- 1:50SPEAKER_01: porque eles concordam no diagnóstico essencial.
- 1:53SPEAKER_01: O que nós vamos fazer é pegar naquelas propostas muito práticas que eles apresentam
- 1:57SPEAKER_01: e confrontá-las com dados sociológicos,
- 2:00SPEAKER_01: com as estatísticas demográficas e com aquela que é a realidade crua
- 2:04SPEAKER_01: de estar sentado num templo.
- 2:06SPEAKER_02: Mas repara, a inquietação inicial do DG não surge do vazio.
- 2:10SPEAKER_02: Ele cita logo a abrir um artigo muito falado do Financial Times.
- 2:14SPEAKER_01: Sim, o tal artigo sobre a crise.
- 2:16SPEAKER_02: Exato,
- 2:16SPEAKER_02: que alertava para o envelhecimento e para aquelas quebras dramáticas no recrutamento
- 2:21SPEAKER_02: da maçonaria regular inglesa, a UGLI.
- 2:24SPEAKER_02: E nós sabemos bem como esta narrativa é super tentadora, não é?
- 2:27SPEAKER_02: A ideia de que as lojas são apenas grupos de homens envelhecidos,
- 2:31SPEAKER_02: que caminham lentamente para a extinção porque,
- 2:34SPEAKER_02: lá está, o mundo moderno os ultrapassou.
- 2:36SPEAKER_01: Pois, só que os números contam outra história.
- 2:38SPEAKER_02: Como assim?
- 2:39SPEAKER_01: É que quando vamos escavar os relatórios da própria Google,
- 2:42SPEAKER_01: os dados são completamente contraintuitivos.
- 2:45SPEAKER_01: Essa narrativa do envelhecimento inevitável desmorona-se quando percebes que cerca
- 2:49SPEAKER_01: de 47% dos novos iniciados lá em Inglaterra têm menos de 40 anos.
- 2:55SPEAKER_02: 47%?
- 2:55SPEAKER_01: Quase metade.
- 2:57SPEAKER_01: Há um influxo jovem muito, mas mesmo muito pujante.
- 3:00SPEAKER_02: Certo.
- 3:01SPEAKER_01: Claro que isto é em parte alavancado por programas hiperspecíficos
- 3:04SPEAKER_01: de ligação às universidades britânicas,
- 3:07SPEAKER_01: mas prova que os jovens estão de facto a bater à porta.
- 3:10SPEAKER_02: Pois, mas vamos lá descodificar isto com cuidado,
- 3:13SPEAKER_02: porque não podemos cair naquela esparrela perigosa de ler um relatório em inglês
- 3:16SPEAKER_02: e achar que a realidade em Portugal é um decalque direto, não é?
- 3:19SPEAKER_01: Ah não, de todo.
- 3:20SPEAKER_01: São universos diferentes.
- 3:22SPEAKER_02: Pois.
- 3:23SPEAKER_02: A dimensão,
- 3:24SPEAKER_02: a tradição universitária de lá,
- 3:26SPEAKER_02: a própria relação da monarquia com a maçonaria inglesa,
- 3:28SPEAKER_02: tudo isso cria ali um peso cultural que não temos cá.
- 3:30SPEAKER_01: Sem dúvida.
- 3:32SPEAKER_02: Portanto, a questão central talvez não seja apenas se os jovens querem entrar.
- 3:36SPEAKER_02: A verdadeira provocação é,
- 3:38SPEAKER_02: se continuam a entrar jovens, estaremos sequer perante uma crise de recrutamento?
- 3:42SPEAKER_02: Ou o que temos verdadeiramente em mãos é uma gigantesca crise de participação a longo prazo?
- 3:48SPEAKER_01: O calcanhar daqueles não está naqueles homens que hesitam em enviar um e-mail ou
- 3:52SPEAKER_01: em procurar um padrinho.
- 3:53SPEAKER_01: O problema estrutural acontece quando a pesada porta do templo se fecha por dentro.
- 3:57SPEAKER_02: É aí que o choque acontece.
- 3:59SPEAKER_01: Exatamente.
- 3:59SPEAKER_01: É aí que ocorre esse choque de expectativas geracionais.
- 4:03SPEAKER_01: Os homens entram com uma sede imensa de algo profundo e dão de caras com
- 4:08SPEAKER_01: uma máquina administrativa.
- 4:10SPEAKER_02: E é aí que as propostas do DG entram um bocado
- 4:13SPEAKER_02: a pé juntos nessa tradição burocrática das lojas.
- 4:16SPEAKER_02: E com razão.
- 4:17SPEAKER_02: O que ele sugere é mesmo um corte radical com a perda de tempo.
- 4:20SPEAKER_02: Ele diz que os trabalhos e as pranchas deviam ser partilhados dois a três dias antes.
- 4:24SPEAKER_01: Para leitura prévia, sim.
- 4:25SPEAKER_02: Exato, para leitura prévia.
- 4:26SPEAKER_02: Reduzir as exposições orais a uns meros cinco minutos e usar
- 4:30SPEAKER_02: a tecnologia apenas lá nos bastidores para tratar datas e votações
- 4:35SPEAKER_02: e essas burocracias.
- 4:36SPEAKER_01: Para limpar a agenda, basicamente.
- 4:37SPEAKER_02: Isso.
- 4:39SPEAKER_02: O objetivo dele é limpar a sessão para libertar espaço para o que interessa,
- 4:42SPEAKER_02: que é a discussão filosófica.
- 4:44SPEAKER_02: E, para não desvirtuar, eu vou mesmo ler as palavras literais do DG aqui.
- 4:49SPEAKER_02: Ele diz, e cito,
- 4:50SPEAKER_02: as novas gerações não querem perder tempo a corrigir presencialmente uma ata,
- 4:54SPEAKER_02: mas provavelmente gostam de uma boa discussão filosófica,
- 4:57SPEAKER_02: longe dos telemóveis e dos influencers.
- 4:59SPEAKER_01: E ele tem toda a razão nesse diagnóstico prático.
- 5:01SPEAKER_01: Quer dizer,
- 5:02SPEAKER_01: imaginam que há saíres de um dia completamente esgotante de reuniões no Zoom,
- 5:07SPEAKER_02: Sim, apanhar trânsito, vestir o fato.
- 5:08SPEAKER_01: Vestir o fato escuro, exato.
- 5:10SPEAKER_01: E depois passares os primeiros 40 minutos de uma sessão presencial a debater-se
- 5:14SPEAKER_01: na ata do mês passado.
- 5:15SPEAKER_01: Falta uma vírgula.
- 5:16SPEAKER_02: Ou se a redação do parágrafo 3 está bem, é a morte.
- 5:19SPEAKER_01: É a morte da vontade.
- 5:21SPEAKER_01: A geração atual sofre de uma autêntica epidemia de fadiga de ecrãs e
- 5:26SPEAKER_01: de microgestão corporativa.
- 5:27SPEAKER_02: Pois, mas espera lá,
- 5:30SPEAKER_02: eu vou ter de intervir aqui e fazer aponte para o artigo do João B,
- 5:33SPEAKER_02: porque eu sinto que estamos a pisar aqui uma linha muito eterna.
- 5:36SPEAKER_01: Dizes.
- 5:36SPEAKER_02: A que quando começamos a falar em otimizar as sessões,
- 5:39SPEAKER_02: em reuniões mais curtas,
- 5:40SPEAKER_02: em resumos de 5 minutos,
- 5:42SPEAKER_02: não estaremos a ceder um bocadinho demais à mentalidade empresarial?
- 5:46SPEAKER_01: Ah, estou a ver onde quer chegar.
- 5:47SPEAKER_02: Quer dizer, afinal de contas, uma loja não é uma startup.
- 5:50SPEAKER_02: A métrica de sucesso não pode ser a rapidez da reunião.
- 5:53SPEAKER_02: Aquela velha história de que mais rápido nem sempre significa melhor.
- 5:56SPEAKER_01: E essa tua objeção é perfeitamente válida.
- 5:59SPEAKER_01: E é precisamente por isso que a distinção que o João B faz
- 6:02SPEAKER_01: no segundo artigo nos salva desse extremismo, digamos, corporativo.
- 6:06SPEAKER_02: Ele separa as águas.
- 6:07SPEAKER_01: Completamente.
- 6:08SPEAKER_01: Ele distingue claramente a burocracia do ritual.
- 6:11SPEAKER_01: E eu vou mesmo citar o João B para cimentar isto.
- 6:14SPEAKER_01: Ele escreve assim.
- 6:15SPEAKER_01: Há coisas que não precisam de ser aceleradas e outras que talvez percam o sentido se o forem.
- 6:20SPEAKER_02: É uma frase muito forte.
- 6:21SPEAKER_01: Muito forte e com uma razão profunda.
- 6:23SPEAKER_01: Porque a burocracia, sim, deve ser triturada.
- 6:26SPEAKER_02: Resolvida nos bastidores, como dizia o outro.
- 6:27SPEAKER_01: Exato.
- 6:28SPEAKER_01: Mas o tempo que o ritual exige,
- 6:31SPEAKER_01: a solenidade pesada de uma passagem de grau,
- 6:35SPEAKER_01: aqueles silêncios prolongados, a repetição cadenciada, isso tem de ser protegido.
- 6:40SPEAKER_02: Porque uma pedra bruta não se pula com uma aplicação telemóvel para poupar tempo.
- 6:43SPEAKER_02: Nem mais.
- 6:44SPEAKER_02: E isso obriga-nos a perguntar outra coisa.
- 6:46SPEAKER_02: Se eles não querem a rapidez de uma app telemóvel,
- 6:49SPEAKER_02: o que é que procuram realmente os homens mais novos quando batem à porta
- 6:52SPEAKER_02: da maçonaria hoje?
- 6:53SPEAKER_01: Isso leva-nos à sociologia da coisa.
- 6:55SPEAKER_02: Exato, e nós fomos rever os dados demográficos recentes,
- 6:58SPEAKER_02: incluindo aquele estudo norte-americano,
- 7:00SPEAKER_02: o America's Demoralized Man, e o cenário é francamente assustador.
- 7:05SPEAKER_02: Quatro em cada dez rapazes reportam ter dois ou menos amigos próximos.
- 7:09SPEAKER_01: Dois amigos próximos.
- 7:11SPEAKER_01: É incrível.
- 7:13SPEAKER_02: E mais de metade sofre de solidão frequente.
- 7:15SPEAKER_02: Portanto, estamos a ver uma geração inteira que perdeu completamente o sentido de comunidade.
- 7:19SPEAKER_01: É uma fragmentação total, quer dizer, do nosso tecido social.
- 7:23SPEAKER_01: Antigamente havia a coletividade de bairro.
- 7:25SPEAKER_01: Sim, os clubes, as associações.
- 7:26SPEAKER_01: As associações desportivas, tudo.
- 7:28SPEAKER_01: Havia infraestruturas onde as pessoas se cruzavam organicamente.
- 7:31SPEAKER_01: Hoje isso desapareceu.
- 7:33SPEAKER_01: Foi quase tudo sugado para dentro das redes sociais.
- 7:35SPEAKER_02: Onde, aliás, a interação é baseada no conflito, não
- 7:37SPEAKER_02: Na performance constante para ter likes.
- 7:39SPEAKER_02: Exatamente.
- 7:40SPEAKER_02: Historicamente havia sempre aquele conceito do chamado terceiro espaço.
- 7:44SPEAKER_02: Aquele lugar neutro que não é a tua casa nem é o teu escritório.
- 7:47SPEAKER_01: Mas que hoje está altamente comercializado.
- 7:49SPEAKER_02: Comercializado ao extremo,
- 7:51SPEAKER_02: se te sentares num café hoje,
- 7:53SPEAKER_02: num espaço de co-work, a expectativa é que tu gastes dinheiro.
- 7:56SPEAKER_02: Se não pedires um café a cada hora, estás a ocupar espaço e começam a olhar para ti de lado.
- 8:00SPEAKER_01: Pois é, és convidado a sair.
- 8:01SPEAKER_02: E é aqui que a maçonaria oferece algo contracorrente,
- 8:04SPEAKER_02: um espaço puramente focado no ser humano, não no consumidor.
- 8:08SPEAKER_01: E esse é de facto o mecanismo invisível que torna a loja tão atrativa para os mais novos.
- 8:12SPEAKER_01: O jovem que vive hoje colado ao TikTok procura a maçonaria,
- 8:16SPEAKER_01: não para encontrar lá mais ecrãs, ele procura um refúgio.
- 8:19SPEAKER_02: Ele quer o silêncio.
- 8:20SPEAKER_01: Quer o silêncio que o ritual impõe.
- 8:22SPEAKER_01: Ele procura a riqueza daquele convívio intergeracional.
- 8:25SPEAKER_02: É das poucas vezes que um rapaz de 20 anos fala de igual para igual com alguém de 60, né?
- 8:29SPEAKER_01: Sem dúvida.
- 8:30SPEAKER_01: Ter a oportunidade rara de debater a vida com alguém que tem o triplo da sua idade,
- 8:34SPEAKER_01: sem aquelas hierarquias corporativas pelo meio.
- 8:37SPEAKER_01: A maçonaria, ao manter-se tradicional, tornou-se profundamente contracultural hoje em dia.
- 8:43SPEAKER_01: É quase o antídoto à cultura do imediato.
- 8:45SPEAKER_02: Pois é, concordem absoluto.
- 8:47SPEAKER_02: No entanto,
- 8:47SPEAKER_02: e há sempre um mas nisto,
- 8:49SPEAKER_02: ter o antídoto não serve rigorosamente nada,
- 8:52SPEAKER_02: se as pessoas cuspirem o remédio logo a seguir.
- 8:55SPEAKER_01: E aí voltamos aos números.
- 8:56SPEAKER_02: Voltamos à advertência do João Bol, que é central nisto.
- 8:59SPEAKER_02: A cerimónia de iniciação,
- 9:00SPEAKER_02: por mais bela e transformadora que seja,
- 9:02SPEAKER_02: é inútil se a máquina falhar no dia seguinte.
- 9:05SPEAKER_02: E quando voltamos a olhar para as métricas da UGLI,
- 9:08SPEAKER_02: este dado, para mim, foi um valente balde de água fria.
- 9:12SPEAKER_01: Sim, os tais 17%.
- 9:13SPEAKER_02: 17%.
- 9:14SPEAKER_02: Há uma perda de 17% dos membros logo nos primeiros 3 anos.
- 9:18SPEAKER_02: Ou seja,
- 9:18SPEAKER_02: em 36 meses,
- 9:19SPEAKER_02: quase um quinto das pessoas que entraram com toda a vontade desiste,
- 9:23SPEAKER_02: desaparece ou demite-se.
- 9:24SPEAKER_01: É uma sangria brutal.
- 9:26SPEAKER_02: É demonstra claramente que o choque entre aquilo que o iniciado idealizou que
- 9:31SPEAKER_02: a loja seria e a realidade que encontrou no período inicial foi,
- 9:35SPEAKER_02: na verdade, desastroso.
- 9:36SPEAKER_01: E como é que será ver isso?
- 9:38SPEAKER_02: O GLE percebeu que precisava de mecanismos muito ativos e foi aí que desenvolveram
- 9:42SPEAKER_02: que eles chamam de Members Pathway,
- 9:44SPEAKER_02: focando imensa energia no mentoring, no acompanhamento.
- 9:47SPEAKER_01: Mas explica-lá isso um bocadinho melhor.
- 9:49SPEAKER_01: Como é que isso funciona na prática?
- 9:50SPEAKER_01: Porque, quer dizer,
- 9:51SPEAKER_01: falar de integração ou acompanhamento parece muito bonito, muito redondo no papel.
- 9:55SPEAKER_01: Claro.
- 9:56SPEAKER_01: Olha, o caso da província de Lincolnshire é talvez o melhor laboratório disto.
- 10:00SPEAKER_01: O que eles fizeram não foi apenas entregar um manual ao recém-iniciado e dizer,
- 10:05SPEAKER_01: pronto, boa sorte, lê isso e desenrasca-te.
- 10:07SPEAKER_02: Que eu costumo acontecer tantas vezes.
- 10:09SPEAKER_01: Exato.
- 10:09SPEAKER_01: O verdadeiro mentoring lá é ativo e intencional.
- 10:14SPEAKER_01: Dar contexto, não é?
- 10:14SPEAKER_01: Dar contexto.
- 10:28SPEAKER_01: Uau, isso é muito significativo.
- 10:52SPEAKER_02: Deixa-me ser aqui um bocado contundente.
- 10:54SPEAKER_02: Eu vejo muito pessoal a analisar estes dados com expressões como taxa de retenção e churn.
- 11:00SPEAKER_01: Pois, lá vamos nós ao vocabulário empresarial.
- 11:03SPEAKER_02: E para quem nos ouve,
- 11:03SPEAKER_02: que talvez não esteja tão embranhado no jargão do marketing,
- 11:07SPEAKER_02: o termo churn é essencialmente aquela taxa de clientes que cancelam uma subscrição,
- 11:11SPEAKER_02: tipo na Netflix.
- 11:13SPEAKER_02: E aplicar isto à fraternidade, a mim, deixa-me bastante desconfortável.
- 11:17SPEAKER_01: Sim, percebo perfeitamente essa alergia.
- 11:19SPEAKER_02: Porque ao falarmos de programas formais de retenção...
- 11:22SPEAKER_02: Não corremos o risco de reduzir as dinâmicas de uma loja a uma folha de Excel?
- 11:26SPEAKER_02: Aqui a mim parece-me um bocado a lógica dos ginásios.
- 11:29SPEAKER_01: Como assim, a lógica dos ginásios?
- 11:31SPEAKER_01: Explica lá.
- 11:32SPEAKER_02: Pensa bem,
- 11:33SPEAKER_02: um ginásio moderno,
- 11:34SPEAKER_02: de uma grande cadeia,
- 11:35SPEAKER_02: só quer saber se o teu débito direto bate certo ao final de mês, não é?
- 11:38SPEAKER_01: Certo.
- 11:39SPEAKER_02: Na verdade,
- 11:39SPEAKER_02: se tu pagares a tua mensalidade e nunca lá fores treinar,
- 11:42SPEAKER_02: eles até agradecem intimamente.
- 11:44SPEAKER_02: Ficam com a receita,
- 11:45SPEAKER_02: não lhes gastas a passadeira,
- 11:46SPEAKER_02: não gastas água nos banhos, a gestão financeira está ótima.
- 11:50SPEAKER_02: Mas transpondo isto para a maçonaria,
- 11:53SPEAKER_02: se alguém não vai a uma sessão durante seis meses
- 11:55SPEAKER_02: e ninguém diz absolutamente nada...
- 11:57SPEAKER_01: Ah, estou a perceber a analogia, sim.
- 11:59SPEAKER_02: Só se lembram quando há cotas em atraso, não é?
- 12:01SPEAKER_00: E tens muita razão.
- 12:02SPEAKER_01: É que o desaparecimento silencioso numa loja não é de todo uma poupança de recursos
- 12:07SPEAKER_01: para a instituição, como num ginásio.
- 12:09SPEAKER_01: É prova de uma falha catastrófica no sistema fraternal.
- 12:12SPEAKER_01: Um ginásio vive desse indivíduo alienado, mas uma loja morre com ele.
- 12:16SPEAKER_02: Exato.
- 12:17SPEAKER_01: É por isso que o mentoring formal,
- 12:19SPEAKER_01: estes programas, não pretendem de forma alguma artificializar a amizade.
- 12:23SPEAKER_01: Ele funciona, repara, funciona quase como um andaime numa obra.
- 12:26SPEAKER_02: Um andaime?
- 12:27SPEAKER_01: Sim, num mundo perfeito,
- 12:29SPEAKER_01: quem entra criaria logo laços de alma com todos os membros na primeira semana.
- 12:34SPEAKER_02: Mas a realidade não é essa, pois não.
- 12:36SPEAKER_01: A realidade humana é que as relações demoram tempo.
- 12:38SPEAKER_01: O programa de mentoria é apenas aquele andaime de segurança que impede a pessoa
- 12:43SPEAKER_01: de cair no vazio,
- 12:44SPEAKER_01: enquanto a verdadeira amizade não é construída lá embaixo, pelas bases de pedra.
- 12:48SPEAKER_02: Olha, e isso liga de forma muito crua àquilo que é,
- 12:51SPEAKER_02: pelo menos para mim, o verdadeiro nó górdio de toda esta conversa.
- 12:55SPEAKER_02: Aquele fenómeno do chamado Quietly Drift Away,
- 12:58SPEAKER_02: daquele irmão que vai desaparecendo muito devagarinho.
- 13:01SPEAKER_02: Que é tão comum.
- 13:02SPEAKER_02: Muito comum.
- 13:03SPEAKER_02: Falta uma vez por motivos profissionais.
- 13:05SPEAKER_02: Ninguém diz nada.
- 13:06SPEAKER_02: Depois falta duas porque teve um jantar de família.
- 13:08SPEAKER_02: Depois deixa de responder lá no grupo do WhatsApp.
- 13:11SPEAKER_01: E de repente passaram meses.
- 13:12SPEAKER_02: Depois eram meses.
- 13:13SPEAKER_02: E para quem nos ouve,
- 13:15SPEAKER_02: se estiver habituado a sentar-se numa sala associativa destas,
- 13:18SPEAKER_02: que pense nisto de forma muito honesta,
- 13:21SPEAKER_02: quando foi a última vez que se notou realmente que aquela pessoa
- 13:24SPEAKER_02: que costuma sentar-se na última fila não esteve presente?
- 13:27SPEAKER_01: É doloroso pensar nisso.
- 13:29SPEAKER_02: E o João B capta esta tragédia de uma forma que devia ser ensinada a todos os
- 13:33SPEAKER_02: que assumem cargos?
- 13:35SPEAKER_02: Ele escreve isto,
- 13:36SPEAKER_02: uma organização percebe que perdeu um membro quando olha para os seus números.
- 13:40SPEAKER_02: A maçonaria deveria perceber que está a perder um irmão antes de ele desaparecer deles.
- 13:44SPEAKER_01: É talvez a reflexão mais pesada dos dois artigos,
- 13:47SPEAKER_01: porque bate de frente com a consciência de quem lidera as oficinas.
- 13:51SPEAKER_01: Obriga-nos a perguntar o que é que motiva realmente o contacto
- 13:54SPEAKER_01: quando esse desaparecimento ocorre.
- 13:56SPEAKER_02: Pois, e aí vou ser um bocado a devagar do diabo contigo.
- 13:59SPEAKER_01: Força.
- 14:00SPEAKER_02: Acreditas mesmo?
- 14:01SPEAKER_02: Que na maioria dos casos,
- 14:03SPEAKER_02: quando os responsáveis da loja ligam a obreira ausente,
- 14:05SPEAKER_02: o fazem primeiramente por preocupação genuína com a vida dele,
- 14:10SPEAKER_02: ou fazem-no apenas para regularizar ali a folha de assiduidade e garantir
- 14:13SPEAKER_02: que não há cotas em atraso para pagar à grande loja.
- 14:16SPEAKER_01: Isso é colocar mesmo o dedo na ferida da gestão associativa.
- 14:20SPEAKER_02: Tinha de ser.
- 14:21SPEAKER_01: E a resposta na prática varia imenso de loja para loja, mas o princípio ético é claríssimo.
- 14:27SPEAKER_01: A cobrança de quotas e o controle
- 14:29SPEAKER_01: de assiduidade são necessidades administrativas óbvias,
- 14:33SPEAKER_01: mas nunca, em momento algum, podem preceder o cuidado humano.
- 14:36SPEAKER_01: Claro.
- 14:37SPEAKER_01: A maçonaria ensina,
- 14:38SPEAKER_01: desde o primeiro dia,
- 14:39SPEAKER_01: que as prioridades do homem são a sua família e o seu sustento profissional.
- 14:43SPEAKER_01: Ponto.
- 14:44SPEAKER_01: Se alguém desaparece porque o casamento está a ruir ou porque perdeu o emprego,
- 14:48SPEAKER_01: a última coisa que ele precisa na vida é de um cobrador de fraca.
- 14:51SPEAKER_02: Precisa de apoio de um irmão.
- 14:53SPEAKER_01: Exatamente.
- 14:54SPEAKER_01: O que precisa é de um irmão.
- 14:55SPEAKER_01: O equilíbrio entre respeitar o espaço e o silêncio que aquela pessoa pode estar
- 14:59SPEAKER_01: a precisar e,
- 15:00SPEAKER_01: por outro lado,
- 15:00SPEAKER_01: o dever de não o deixar sentir-se esquecido é essa a verdadeira arte de presidir a
- 15:05SPEAKER_01: um grupo destes.
- 15:06SPEAKER_02: É gerir pessoas, no fundo.
- 15:07SPEAKER_01: É gerir afetos e relações.
- 15:10SPEAKER_01: Medir o sucesso de uma oficina pelo número total que aparece lá na folha
- 15:13SPEAKER_01: de cálculo é um erro crasso.
- 15:15SPEAKER_01: Uma oficina pequena,
- 15:16SPEAKER_01: mas onde o cuidado recíproco é super profundo,
- 15:18SPEAKER_01: é infinitamente mais forte do que uma sala cheia de estranhos que,
- 15:22SPEAKER_01: pronto, pagam as cotas a tempo e horas, mas não sabem o nome uns dos outros.
- 15:25SPEAKER_02: E essa profundidade relacional leva-nos a um ponto que o DG aborda no seu texto e
- 15:31SPEAKER_02: que imagino que possa causar bastante comissão a algumas pessoas.
- 15:36SPEAKER_02: Ele discute as prioridades da loja e toca no tema da beneficência e da caridade.
- 15:40SPEAKER_01: Sim, um tema clássico.
- 15:42SPEAKER_02: O DG diz muito abertamente que instituições como o Lions Club ou
- 15:46SPEAKER_02: o Rotary Club são profissionais exímios na caridade.
- 15:49SPEAKER_02: Eles sabem organizar aquelas galas imensas,
- 15:53SPEAKER_02: gerem fundos filantrópicos massivos e têm um impacto comunitário muito visível
- 15:57SPEAKER_02: e louvável.
- 15:58SPEAKER_01: Sim, têm uma máquina montada para isso.
- 16:00SPEAKER_02: Em comparação,
- 16:01SPEAKER_02: ele sente que a maçonaria opera quase de forma amadora nesse campo e sugere que
- 16:05SPEAKER_02: a força diferenciadora da maçonaria deveria ser,
- 16:07SPEAKER_02: acima de tudo, a tal ritualística filosófica.
- 16:11SPEAKER_02: Aliás, ele defende isto com base na sobrevivência histórica da ordem.
- 16:14SPEAKER_02: E cito o DG de novo.
- 16:16SPEAKER_02: A maçonaria só sobreviveu porque teve capacidade de adaptação.
- 16:21SPEAKER_01: O que é um argumento muito provocador.
- 16:23SPEAKER_01: Que levanta logo a questão sobre se a nossa adaptação aos tempos modernos significa,
- 16:27SPEAKER_01: sei lá,
- 16:27SPEAKER_01: delegar a ajuda social nos especialistas e fecharmos as lojas em redor apenas
- 16:32SPEAKER_01: de debates filosóficos internos.
- 16:34SPEAKER_02: Mas espera, eu aí não concordo nada com essa ticotomia, sinceramente.
- 16:37SPEAKER_01: Às vezes que não.
- 16:38SPEAKER_02: Questiono mesmo o mecanismo por trás disso, porque,
- 16:40SPEAKER_02: quer dizer,
- 16:41SPEAKER_02: abandonar a solidariedade e focar-me-nos apenas na filosofia não seria quebrar
- 16:44SPEAKER_02: um pilar essencial que é reconhecido por qualquer grande loja?
- 16:48SPEAKER_01: Sim, a beneficência é estrutural.
- 16:50SPEAKER_02: Eu olho para isto de uma perspectiva um bocadinho diferente.
- 16:53SPEAKER_02: Vamos pensar numa loja não como o motor direto da caridade, mas como o carregador de baterias.
- 16:59SPEAKER_01: O carregador de baterias.
- 17:00SPEAKER_02: Repara, tu não deves ir à loja necessariamente para montar pacotes de arroz
- 17:03SPEAKER_02: e distribuir sopa ali à porta.
- 17:05SPEAKER_02: Tu vais à loja,
- 17:06SPEAKER_02: através do ritual,
- 17:07SPEAKER_02: através daquele silêncio e da filosofia,
- 17:09SPEAKER_02: para recarregar a tua bateria moral e ética.
- 17:12SPEAKER_01: Percebo perfeitamente.
- 17:13SPEAKER_02: E é com essa bateria totalmente carregada que tu sentes aquela urgência interior
- 17:16SPEAKER_02: de sair dali, ir lá para fora e aí sim distribuir a sopa.
- 17:20SPEAKER_02: Seja de forma perfeitamente anónima ou até juntando-te ao Lions Club e trabalhando com eles.
- 17:25SPEAKER_01: Eu adoro essa analogia do carregador de baterias.
- 17:27SPEAKER_01: Porque resolve na perfeição aquele falso conflito que muitas vezes surge.
- 17:31SPEAKER_01: A filosofia e a caridade não competem num jogo de soma zero.
- 17:34SPEAKER_02: Não podem competir.
- 17:35SPEAKER_01: O aperfeiçoamento pessoal e a solidariedade são parte da mesma respiração.
- 17:39SPEAKER_01: O DG tem toda a razão quando diz que não devemos transformar o templo num escritório
- 17:43SPEAKER_01: de uma ONG.
- 17:44SPEAKER_02: Claro.
- 17:44SPEAKER_01: Porque numa ONG, a ação beneficente é o objetivo final.
- 17:47SPEAKER_01: O processo acaba quando entregas a ajuda.
- 17:49SPEAKER_01: Mas na maçonaria, a ajuda social não é o objetivo final, é a consequência orgânica.
- 17:54SPEAKER_01: A ritualística serve para desbastar os defeitos, certo?
- 17:57SPEAKER_02: Certo.
- 17:57SPEAKER_01: E um homem que se tornou eticamente melhor,
- 17:59SPEAKER_01: inevitavelmente vai agir de forma solidária perante a sua comunidade.
- 18:02SPEAKER_01: Portanto, o foco na melhoria interna não exclui a ajuda ao próximo.
- 18:06SPEAKER_01: Pelo contrário,
- 18:06SPEAKER_01: garante que essa ajuda é feita pelo motivo certo e não apenas por aplauso social ou
- 18:11SPEAKER_01: para pôr no currículo.
- 18:12SPEAKER_02: Exato.
- 18:13SPEAKER_02: O que nos encaminha aqui perfeitamente para juntar as peças todas deste puzzle.
- 18:17SPEAKER_02: Quando olhamos de facto para a totalidade destes dois textos,
- 18:20SPEAKER_02: percebemos que o DG e o João B deixam-nos um mapa de navegação muito claro.
- 18:24SPEAKER_01: Muito pragmático até.
- 18:26SPEAKER_02: Sim.
- 18:26SPEAKER_02: Para qualquer loja, incluindo para o futuro da própria Mestre Afonso Domingues.
- 18:30SPEAKER_02: O DG lembra-nos que as pessoas precisam de ter motivos práticos
- 18:33SPEAKER_02: para querer estar presentes na sala.
- 18:35SPEAKER_02: Precisam de sessões com substância,
- 18:37SPEAKER_02: que sejam livres de apesos burocráticos fúteis,
- 18:40SPEAKER_02: focadas em conhecimento e sobretudo adaptadas à paciência de uma geração
- 18:44SPEAKER_02: que já anda esgotada.
- 18:45SPEAKER_01: Esgotadíssima.
- 18:46SPEAKER_02: Mas logo a seguir vem o João B e completa a fórmula.
- 18:49SPEAKER_02: E avisa-nos que todo esse pragmatismo do DG é completamente estéreo se não houver
- 18:53SPEAKER_02: um tecido humano a ampará-lo.
- 18:55SPEAKER_02: Não podes simplesmente fazer uma iniciação fantástica e assumir que
- 18:57SPEAKER_02: o trabalho está feito, não é?
- 18:58SPEAKER_01: É apenas o primeiro dia de uma longa jornada.
- 19:01SPEAKER_02: Exatamente.
- 19:01SPEAKER_02: A integração é um processo de anos que exige aquela vigilância constante,
- 19:06SPEAKER_02: aquele carinho genuíno pelas tais dores silenciosas de quem
- 19:10SPEAKER_02: a dada altura simplesmente deixa de aparecer.
- 19:12SPEAKER_01: E não há receitas milagrosas para isso, não é?
- 19:14SPEAKER_01: Não há aplicações digitais nem inteligência artificial que resolvam o fator humano.
- 19:19SPEAKER_01: O que fica claro para nós é que atrair novos membros com vídeos super bem produzidos
- 19:24SPEAKER_01: ou com promessas de elevação moral fantásticas simplesmente não chega.
- 19:29SPEAKER_01: Uma organização secular sobrevive pela qualidade das suas relações de base,
- 19:33SPEAKER_01: pelo trabalho permanente de construção de confiança.
- 19:36SPEAKER_02: É um trabalho diário.
- 19:38SPEAKER_01: Entrar é de facto apenas dar o primeiro passo numa estrada que não pode
- 19:42SPEAKER_01: de todo ser percorrida de forma solitária.
- 19:45SPEAKER_02: E assim,
- 19:45SPEAKER_02: queremos deixar para a reflexão final de quem nos ouviu hoje a grande pergunta
- 19:49SPEAKER_02: que emerge de todas estas páginas.
- 19:51SPEAKER_02: Estaremos tão empenhados em receber novos irmãos como em cuidar daqueles que já
- 19:55SPEAKER_02: se sentam ao nosso lado?
- 19:57SPEAKER_01: Fica o desafio.
- 19:58SPEAKER_02: Queremos agradecer a vossa escuta atenta e,
- 20:01SPEAKER_02: naturalmente,
- 20:01SPEAKER_02: convidar vivamente à leitura integral dos dois artigos
- 20:04SPEAKER_02: que alimentaram esta nossa análise,
- 20:06SPEAKER_02: bem como de outros textos fundamentais,
- 20:08SPEAKER_02: que estão todos disponíveis no blog A Partir Pedra.
- 20:11SPEAKER_02: Procurem pelas assinaturas do DG e do João B e acompanhem o trabalho
- 20:15SPEAKER_02: de reflexão contínua da respeitável loja Mestre Affonso Domingues.
- 20:19SPEAKER_01: E para terminar, da minha parte, gostava de deixar apenas uma imagem para vos acompanhar.
- 20:25SPEAKER_01: Num mundo que corra um ritmo absolutamente furioso para digitalizar,
- 20:29SPEAKER_01: otimizar e microgerir cada segundo da nossa existência humana,
- 20:34SPEAKER_01: talvez o ato mais revolucionário,
- 20:36SPEAKER_01: radical e profundamente atrativo
- 20:38SPEAKER_01: que possamos oferecer hoje seja incrivelmente simples.
- 20:42SPEAKER_01: O silêncio.
- 20:44SPEAKER_01: Talvez a verdadeira revolução seja a coragem de nos sentarmos numa sala,
- 20:48SPEAKER_01: no mais pesado dos silêncios,
- 20:50SPEAKER_01: longe de qualquer ecrã,
- 20:52SPEAKER_01: dedicando tempo generoso a debater a complexidade da condição humana com um amigo
- 20:57SPEAKER_01: que pode ter o dobro ou metade da nossa idade.
- 20:59SPEAKER_00: A Partir Pedra.
- 21:02SPEAKER_00: Isto são as MedTalks.
- 21:04[music]