Latest / InovaTec Update / Cérebro de luz da África do Sul lê informações escondidas em feixes luminosos
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- InovaTec Update. Um pouco de amanhã no seu hoje. Informática. Cérebro de luz da África do Sul lê informações escondidas em feixes luminosos. Da redação do site Inovação Tecnológica, publicado em 15 de outubro de 2026. A luz é a coisa mais rápida que existe. Curiosamente, é essa rapidez que complica o uso da luz para levar mensagens. Não adianta escrever mensagens com luz se não for possível ler essas mensagens no mesmo ritmo. Uma equipe da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, decidiu enfrentar esse desafio. Os pesquisadores juntaram física e inteligência artificial para criar algo que eles mesmos apelidaram de cérebro de luz. Trata-se de um dispositivo que reconhece informações escondidas em padrões complexos de luz. O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications. Hoje, nas fibras ópticas, a informação viaja em pulsos de luz, que são lidos como zeros e uns. Mas o próprio feixe de luz também pode ganhar formatos específicos, e cada formato pode funcionar como uma letra. Com isso, dá para montar um alfabeto bem maior. Alguns desses formatos têm uma propriedade que os cientistas chamam de topologia. Pense numa fita torcida algumas vezes. Você pode dobrar e enrolar essa fita de vários jeitos, mas o número de torções continua o mesmo. A luz pode carregar características escondidas parecidas com essas torções. E elas podem guardar informação. O difícil é ler essas características depressa. Nas demonstrações anteriores de computação com luz, era preciso primeiro gerar uma imagem detalhada do feixe. Depois, um computador fazia um processamento pesado para interpretar essa imagem. A equipe sul-africana seguiu outro caminho. O sistema usa um segundo feixe de luz para reconhecer as características ocultas do feixe principal. As estruturas luminosas são criadas de acordo com os princípios das redes neurais, que são programas de inteligência artificial inspirados no cérebro. Assim, a própria luz faz o papel da inteligência artificial. Os autores chamam isso de inteligência óptica. O pesquisador Hadrian Bezuidenhout resume a ideia assim: não é preciso mapear cada dobra do tecido de luz para contar as torções. A rede separa só a informação que interessa. Depois de treinado com apenas quinze exemplos, o cérebro de luz reconheceu oitenta e uma estruturas luminosas diferentes. Entre elas, havia padrões que ele nunca tinha visto. O sistema também continuou funcionando quando os pesquisadores colocaram interferências no detector. Isso indica que a técnica pode lidar com as condições imperfeitas do mundo real. Para o professor Isaac Nape, a abordagem pode ajudar a transformar esses padrões incomuns de luz em meios práticos de transportar informação nas comunicações do futuro. Entre as aplicações possíveis estão redes de comunicação mais rápidas, processadores que trabalham com luz e os chamados computadores de luz. Segundo os pesquisadores, isso é só o começo. O próximo passo é investigar como a inteligência óptica pode ajudar nas tecnologias quânticas. Ali o desafio é ainda maior, porque a informação precisa ser extraída de partículas de luz isoladas, os fótons. Essa notícia foi publicada no site Inovação Tecnológica, um serviço jornalístico especializado em divulgação científica e tecnológica, o maior em língua portuguesa e no ar desde 1999. Você pode ler esse artigo e muitos outros acessando o link na descrição deste episódio. A narração do InovaTec Update usa voz sintética, gerada por inteligência artificial.