Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #322 Interferência - O Homem mais Feio do Mundo, de José Medina
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- 0:00Essas raras você tem sintonia com raiva?
- 0:07Achados do espaço. Primeiro sábado do mês é dia de
- 0:11interferência no você. É curioso e estamos recebendo
- 0:15aqui hoje. Professor Marcelo abud grande
- 0:18elenco vinheta para o professor Marcelo abud.
- 0:22Agora no você é curioso interferência?
- 0:29Bom dia, professor Marcelo abud, bom dia bom.
- 0:31Dia bom dia a todos. Bom dia ao grande elenco hoje
- 0:34aqui presente é e ao ouvinte, né?
- 0:38Que está aí esperando ansiosamente para saber quem é o
- 0:41homem mais feio do mundo. Vamos revelar daqui a pouco.
- 0:43Então, vamos lá, vamos contar essa história, pode começar.
- 0:50O nome de José Medina é muito conhecido entre aqueles que
- 0:53estudam ou acompanham a história do cinema.
- 0:57Ele é pioneiro da sétima arte em São Paulo, ainda na era do filme
- 1:00mudo. Cerca de 90 anos depois, o curta
- 1:04metragem exemplo regenerador e o longa fragmentos da vida são
- 1:08exibidos em importantes mostras. Nos anos 1940, medida alcança
- 1:12destaque também no rádio meio em que atua por 18 anos.
- 1:16Entre outras funções, exércia as de roteirista e diretor de rádio
- 1:21teatro. Na Bandeirantes, escreve cerca
- 1:24de 800 textos. Segundo o depoimento do próprio
- 1:29artista ao pesquisador Flávio Porto, em 31/08/77, José Medina
- 1:38é responsável por revelar nomes como j Silvestre, que teria sido
- 1:43reprovado em um teste, mas ganha oportunidade para atuar como
- 1:46rádio ator nas produções da mais popular emissora Paulista.
- 1:55Curiosidades Bandeirantes foi uma das sessões de teatro
- 1:58comandadas por Medina. Assim como toda a sua obra,
- 2:02neste programa ele também tinha a preocupação de educar e de
- 2:06deixar uma mensagem aos ouvintes.
- 2:08É o que acontece nesta radiofonização que acompanhamos
- 2:12agora ao vivo, com o elenco do você é curioso, em que José
- 2:17Medina aborda, com ironia um tema muito recorrente nos dias
- 2:21de hoje, o bullying fique agora no Curiosidades Bandeirantes,
- 2:26com a sátira radiofônica intitulada o homem mais feio do
- 2:31mundo. Para reconstituição de hoje nós
- 2:35temos, não é? Vamos apresentar o elenco
- 2:37primeiro. É, estão aqui os colaboradores
- 2:40Ward Marques, bom dia, Ward. Bom dia, bom dia a todos, bom
- 2:43dia pessoal de casa, bom dia EE. E Sérgio Miranda, que faz a
- 2:46melhor voz de português do rádio brasileiro.
- 2:49OPA, bom dia a todos. Bom dia a todos.
- 2:51Bom dia bom. Dia e temos também uma visita
- 2:54ilustre aqui, a Vera da Cunha pasqualin, bisneta de José
- 2:59Medina, que já participou de um dos nossos interferências.
- 3:02Bom dia, Vera. Bom dia.
- 3:04Marcelo, bom dia, você que selecionou o roteiro de hoje, né
- 3:07Vera? Foi, foi.
- 3:08E você que escolheu os personagens também, quem IA
- 3:11fazer o quê? Não, isso eu deixei a cargo do
- 3:13nosso professor Marcelo abud. É a cara estava olhando o
- 3:17roteiro e o homem mais feio do mundo caiu comigo, o Marcelo
- 3:20abud. É a gente por Oo rádio hoje ele,
- 3:25ele procura naturalidade, então a gente vai sempre por
- 3:28aproximação. Bom, então vamos para o último
- 3:31interferência, né? De todos.
- 3:35Vamos lá, tá bom, tá bom, tá bom.
- 3:38Isso vai te custar caro. Vamos lá então, Ricardo, vamos
- 3:40começar com a reconstituição do homem e tem que fazer alguma voz
- 3:44diferente assim. Aí eu deixo o professor Valdir
- 3:48na direção aqui para. Pode ser a sua mesmo?
- 3:52Ah, muito obrigado. Então vamos lá, vamos começar o
- 3:55homem mais feio do mundo. Pouca gente é capaz de imaginar
- 4:03a tragédia íntima que se desenrola no íntimo de um homem
- 4:07cuja feiura se patenteia sarcasticamente cada vez que se
- 4:11coloca à frente de um espelho. Não se trata apenas de não ser
- 4:15bonito nem simpático. Trata se positivamente de uma
- 4:19criatura. Hum.
- 4:21Feia em todo o sentido da expressão, Anacleto Paranhos é o
- 4:26homem cuja feiura ultrapassa tudo o quanto se possa imaginar.
- 4:30Ele é tão feio que ninguém pode deixar de fazer uma piada
- 4:33irônica a seu respeito cada vez que o encara.
- 4:36Mas vamos conhecê lo mais de perto enquanto se encontra em
- 4:39companhia de um amigo sentado à mesa de uma confeitaria.
- 4:48Eu acho que é isso. Não desanime, sim, meu amigo.
- 4:53Você compreende? Eu sou um ser humano como como
- 4:55outro qualquer. E por isso que eu fico revoltado
- 4:58quando me lembro que a natureza foi tão ingrata comigo.
- 5:02Olha, era preferível que eu tivesse nascido morto.
- 5:05Todo mundo olha para mim um sarcasmo.
- 5:08Impressão sua, rapaz? Então você quer a maior
- 5:11calamidade para um homem como eu?
- 5:13Jovem cheio de vida do que não tem nem você quer o direito de
- 5:17encarar uma criatura do sexo oposto.
- 5:20É que ainda não apareceu na sua vida.
- 5:22A mulher quer gostar de tu. OPA.
- 5:26Gostar de mim basta de ironias, meu amigo, basta de ironias.
- 5:30Eu admito que para que uma mulher chegue amar um homem, não
- 5:34seja necessário possuir um físico de Apolo.
- 5:36Mas daí imaginar que uma mulher possa gostar de mim vai uma
- 5:40distância muito grande. Pois eu.
- 5:42Insisto em afirmar que antes chegará o dia que você será
- 5:46amado e até adorado. Não, não.
- 5:50Depois de tudo que eu tenho visto e sentido, desapareceram
- 5:54por completo as minhas ilusões a esse respeito.
- 6:00Espera um pouco, né, Cléber? Não, não, não.
- 6:03Olhe agora. Há mais de 10 minutos que uma
- 6:07senhora que está sentada à sua direita te olha.
- 6:11Consistência? Mas você não vê logo o que o que
- 6:17deve estar está chamando atenção é a minha feiur horrível.
- 6:22Mas eu tenho a impressão que ela está te observando com um certo
- 6:26interesse. Qual aquela ali de de blusa
- 6:32vermelha? E aquele Chapeuzinho verde?
- 6:38Já não é a primeira vez que aquela criatura fica bobada.
- 6:41Olhar para mim todo sábado é assim.
- 6:44E eu, que já tenho muita experiência da vida, trato
- 6:47sempre de fugir à sua curiosidade.
- 6:51Mas você lhe foge, ó pá. Mas por quê?
- 6:55Porque ela, com como tantas outras, ficam à espera de uma
- 6:58oportunidade para dar expansão aos seus instintos perversos,
- 7:03divertindo se à custa da minha desgraça.
- 7:07Como assim? Pois é, essas criaturas pobres
- 7:10de espírito, quando lhes dá na Telha, chegam se perto de mim e
- 7:14para fazer graça com o resto do elenco, dizem, será que esse
- 7:19camarada escapou de algum museu? É por isso que vou tratar de me
- 7:23escapulir. Antes que aquela mulher me venha
- 7:25com alguma piadinha irônica, não, não, não, eu vou indo, vou
- 7:30indo, tchau. E assim, para escapar a curiosa
- 7:39contemplação daquela mulher misteriosa, o infeliz Anacleto
- 7:43levantou se e saiu apressadamente para a rua, mas
- 7:46quando dobrou a primeira esquina, notou que aquela mulher
- 7:50o seguia. Anacleto quase não queria
- 7:53acreditar o que estava havendo e para melhor se convencer,
- 7:57começou a dar voltas pelas ruas mais absurdas.
- 8:00Fez e desfez por várias vezes o mesmo trajeto.
- 8:03Parou por como acaso, em frente a alguma vitrine com o rabo dos
- 8:07olhos, observou que a tal mulher não deixava de segui lo.
- 8:12Depois disso, não tenho mais dúvida, ela queria qualquer
- 8:15coisa com ele. Porém, como Anacleto vice
- 8:19naquela perseguição, alguma brincadeira de mau gosto tratou
- 8:22de correr para a pensão onde estava hospedado, tendo cuidado
- 8:25ao entrar e fechar a porta atrás de si.
- 8:29Pouco depois, alguém tocou a campainha.
- 8:34O que deseja? Desejava falar com o Cavalheiro
- 8:37que acaba de entrar, por favor. Ah, é com o seu Anacleto que a
- 8:41senhora quer falar? Deve ser ele mesmo.
- 8:43Mas espera um pouco. Eu prefiro não lhe falar agora.
- 8:47Se a senhora fosse tão gentil que me desse o nome dele por
- 8:49inteiro, eu lhe ficaria muito agradecida.
- 8:51Ele chama se Anacleto Paranhos é nosso pensionista.
- 8:55Ah, muito obrigada, passe bem. Quando Anacleto soube disso,
- 8:59ficou furioso. O procedimento daquela mulher
- 9:02era o cúmulo. Na manhã seguinte, quando
- 9:05Anacleto se preparava para sair, a criada da pensão lhe entregou
- 9:09uma carta. Pode entrar?
- 9:15Uma carta acaba de chegar para o.
- 9:16Senhor senhor Anacleto, Ah, de quem será essa carta?
- 9:27Vejamos, meu caro senhor Anacleto, se não lhe for
- 9:34incômodo, peço lhe AI que letra ruim encarecidamente que vá
- 9:39amanhã ao meio-dia em ponto. Encontrasse comigo na mesma
- 9:44confeitaria em que tive aventura de conhecê lo o senhor é o
- 9:49retrato. Que retrato vivo de alguém que
- 9:51muito amei e que agora jaz na frieza de um túmulo.
- 9:56Não lhe deve, portanto, causar surpresa o interesse que tenho
- 10:00tomado por sua pessoa, na certeza de ser atendida, a que
- 10:05deixo antecipados os meus fervorosos agradecimentos.
- 10:10Será possível? Qual?
- 10:13Nem mesmo em Milagres eu posso acreditar.
- 10:18No dia seguinte, a hora marcada, Anacleto acorde ao encontro que
- 10:22lhe havia sido marcado. Quando entra na confeitaria, a
- 10:26mulherzinha do chapéu verde que já estava a sua espera, levanta,
- 10:30se emocionada, e ó. Não imagina quanto lhe agradeço
- 10:35por ter atendido meu convite, quero assentar se senhor
- 10:38Anacleto. Ah, extraordinário de perfil, o
- 10:41senhor se parece ainda mais com o meu querido Gustavo.
- 10:44Minha senhora creia que eu lamento profundamente.
- 10:48Ah, o senhor não pode fazer ideia ao vê?
- 10:51Lo tenho impressão exata de estar vendo o meu pobre Gustavo,
- 10:54a mesma expressão, os mesmos Jesus, mas me diga uma coisa.
- 10:59Não lhe parece mais acertado que saiamos desta confeitaria?
- 11:03Como queira? Então vamos, porque parece que
- 11:05estamos chamando a atenção de toda essa gente.
- 11:08É sim, mas para onde iremos? Ao dia está tão lindo.
- 11:11Podíamos ir a algum parque ou algum Jardim onde pudéssemos
- 11:15conversar sem testemunhas? Estou ao seu inteiro dispor.
- 11:19Então iremos ao parque das camélias.
- 11:21Era lá que eu IA todas as manhãs com meu pobre Gustavo, antes que
- 11:25a morte o arrebatasse para sempre.
- 11:27Mas é espero que não lhe esteja causando algum aborrecimento ou
- 11:32algum transtorno nos seus afazeres.
- 11:34Absolutamente nada. Tenho hoje o dia todo livre.
- 11:37Ah, muito obrigada. Não sabe o quanto me faz feliz,
- 11:40vendo e contemplando. Tenho a ilusão de que ele não
- 11:43morreu, que ainda vive para me deleitar com sua presença.
- 11:46Podemos ir quando quiser, minha senhora.
- 11:48Então vamos, é a Felicidade que volta, é a Felicidade que volta.
- 11:55E lá se foram os 2 para o parque das camélias.
- 11:58Quando lá chegaram, ela fez questão de sentar.
- 12:01Se no mesmo banco em que outrora passaram horas de Felicidade com
- 12:05aquele que havia desaparecido do número dos vivos.
- 12:09Anacleto não fez nenhuma oposição.
- 12:11Ele admirava a fidelidade daquela mulher ao evocar a
- 12:15lembrança do outro, embora intimamente Anacleto visse
- 12:19naquela lembrança. Um certo desprezo a sua pessoa.
- 12:24Alice foi a primeira a quebrar o silêncio e com os olhos rasos de
- 12:27lágrimas. Ah, era aqui.
- 12:30Nesse mesmo lugar vimos todas as manhãs, mas ele pouco parava.
- 12:35Gostava de correr atrás das borboletas, de esconder se pelas
- 12:39tripadeiras, de correr, correr, até ficar cansado.
- 12:43Depois sentava se ao meu lado para que eu me sentisse feliz.
- 12:47É realmente muito. Doloroso é na véspera dele ter
- 12:50sido atropelado por um automóvel.
- 12:53Então, ele foi atropelado por um automóvel.
- 12:55Sim, eu ainda estremeço quando recordo aquela horrível
- 12:58tragédia. Foi na hora em que saímos juntos
- 13:01aqui do parque. Ele IA pela minha mão, quando de
- 13:04repente, largou me e saiu correndo.
- 13:06Como, aliás era seu costume, saiu correndo para a avenida
- 13:09quando, inesperadamente, pobre Gustavo, fui eu a culpada da sua
- 13:15morte. Se eu tivesse segurado ao meu
- 13:17lado e não tivesse deixado solto?
- 13:20Mas como é permita me uma pergunta, é, Gustavo era seu
- 13:24esposo? Ah, não?
- 13:25Senhor é seu noivo? Não tão pouco.
- 13:28É seu filho, alguém da sua família?
- 13:32Não, nada disso. Mas então o senhor ainda não
- 13:35compreendeu? Não?
- 13:37Gustavo era meu cachorro, meu lindo buldogue.
- 13:43E foi assim que terminou aquela história humorística mais real e
- 13:47dolorosa. Muito bem, Marcela buldogue.
- 13:53Que é isso? Buldogue é bonito, o homem mais
- 13:56feio do mundo. É bonito ser feio, né?
- 13:59Ah, gostei da minha. Letra horrorosa, né?
- 14:02Ter estava no? Roteiro todo sábado você não
- 14:04assim, tudo bem, deixa, vai. Metrô, ô.
- 14:08Agora favor na próxima. Lance, você me põe de galã,
- 14:12porque esse negócio de homem mais feio eu não fui muito bem.
- 14:16Mas aí ele quis descontar em mim.
- 14:17Eu acho que foi o melhor interferência que nós já
- 14:20fizemos, Hein? Eu não discordo, mas.
- 14:23Eu acho que o real, né? Você foi um péssimo escalador de
- 14:26de elenco. Oh, desculpa, tentarei fazer
- 14:30melhor da próxima vez. Não vai ter próxima vez, eu te
- 14:33avisei. Muito obrigado.
- 14:36Então a Vera, o Sérgio, o vardi? Daqui a pouco o Sérgio entra
- 14:39aqui. Não vai me agradecer?
- 14:40Não, você não. Ô fazer o plantão nerd.
- 14:45Aí tem história. Vamos para um intervalo e
- 14:48voltamos já com o Transilvânia. Essas raras você tem sintonia
- 14:55com rádio?