Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #301 80 anos de Chico Buarque: conheça Julinho de Adelaide
Transcript
- 0:07bem? Eu sou Marcelo Abude, seu
- 0:13podcaster radiofônico e estou de volta com nossas
- 0:17peças raras hoje para celebrar os 80 anos de
- 0:22Chico Buarque de Holanda. Em
- 0:252008, na primeira temporada do podcast Peças Raras, que
- 0:30foi criado em 2006, em homenagem ao aniversário de
- 0:34Chico Buarque, eu trouxe um episódio especial. Naquela
- 0:39ocasião eu dividi com você ou Vinte Internauta, um
- 0:43episódio em que Chico falava de uma de suas
- 0:46principais criações. Eu estou falando de Julinho de
- 0:51Adelaide, codinome criado pelo cantor e compositor
- 0:55para driblar a censura. Em setembro de 1974, o jornal
- 1:02Última Hora fez uma entrevista com ninguém menos
- 1:05que Julinho de Adelaide. No trecho que coloquei no ar
- 1:09em 2008, de maneira extremamente irônica, o
- 1:13suposto autor de grandes sucessos como Acorda Amor e
- 1:17Jorge Maravilha responde ao jornalista e escritor Mário
- 1:21Prata sobre o fato de estar possivelmente sendo
- 1:25usado por Chico Buarque. Nesta
- 1:28edição você vai ouvir novamente esse trecho da
- 1:31entrevista, mas antes tem outro momento delicioso que
- 1:36foi levado ao ar no incrível programa memória de
- 1:39Milton Pahrón pela Rádio Bandeirantes. Aliás,
- 1:43felizmente o memória está disponível em podcast também
- 1:48e se quiser você pode procurar pelos programas 51
- 1:52e 52 e vai encontrar um raio x completo do artista
- 1:57Chico Buarque de Holanda. Aqui
- 1:59eu destaco um pequeno trecho do memória com
- 2:02Milton Pahrón e em seguida o outro momento da
- 2:06entrevista que havia sido publicado anteriormente em
- 2:102008. Acompanhe e conheça mais dessa
- 2:14criação incrível do octagenário Chico Buarque, o
- 2:19Julinho de Adelaide. E é esta preciosidade que eu
- 2:23trago pra vocês um trecho agora. O
- 2:26momento em que os joelistas perguntam com a Junha da
- 2:29Adelaide o que ele achava da música feita no asfalto
- 2:32abordando a temática dos morros, das favelas. Se
- 2:36poderia ser considerado uma música autêntica ou não? Eu
- 2:39não quero me comprover, eu sei que aqui em São Paulo
- 2:43está incrível, estou fazendo um ensambiço aqui, eu não
- 2:45posso, de brasilismo não é boa a música aqui, se for
- 2:48a entrevista pode sair eu vou ficar muito mal com
- 2:50meus colegas daqui, que é pra mim não é de emprego,
- 2:53entende? Agora eu vou fazer isso porque
- 2:56eu prefiro a música autêntica, né? Prefiro
- 2:58a música autêntica. O que é a música? A
- 3:02música feita, teve a música da favela, feita na favela,
- 3:05a música da cidade, eu gosto muitos chavesmigos,
- 3:09entende? Mas qual era a sua chave de
- 3:11música da favela? Porque o chaveminho é americano,
- 3:15ele faz música americano, entende? Então
- 3:18eu sou um pouco, esse negócio de morar aqui e
- 3:21fazer música do outro lugar eu não gosto, entende?
- 3:23Agora eu gosto também, quer
- 3:24dizer, as vezes são boas, eu nunca ia não pintar
- 3:26desse aí. A São Paulo a segunda vez, a
- 3:29segunda vez. Eu me encontrei muito mudada,
- 3:32de 17, ou 18 para a parte, foi quando eu vim
- 3:37para o festival. Mas o festival foi interesse
- 3:40musical, ou você estava ali? Não,
- 3:43eu mandei, eu mandei, claro, aliás foi quando eu
- 3:48despertei para a música, mas antes de despertar eu
- 3:50fiz umas músicas, eu fazia já músicas, mas eu não
- 3:53tinha despertado para a música. Eu
- 3:55fazia quase que, quase que como se a minha mão
- 3:58fizesse eu não subesse dela, nem dão sucesso.
- 4:00Quando eu tomei aquela palcada na
- 4:03cara, eu rimo, eu fico me luta a boca, esse negócio
- 4:06novo. É o terrestral leitado. Então,
- 4:08como se eu voltasse com o Chico, com o Viní, com o
- 4:12Chico, com a gente que se pône, está divulgando, hoje
- 4:16não sobre uma reira. Isso é o seguinte, nós, eu,
- 4:22coisa de um ano atrás, eu estava trabalhando na
- 4:25fábrica, lá no Rio de Janeiro, na Boa Vista, na
- 4:30Fone da Udreta, na Fada, ele tem pressares de disco
- 4:34e tal, e lá, aquele time, que eu estava do jovem,
- 4:39contra compositores, com a Triturim, assim, e eu
- 4:43estava sempre nessa pelada, e aí que eu fui conhecendo
- 4:46esse pessoal, fui conhecendo o Silvio César, fui
- 4:52conhecendo o Maestro Alon Chávez, fui conhecendo Paulo
- 4:57Céreval, sou de artista, e o Chico Boa e o MPB4. Mas
- 5:02como é que você chegou pro Chico e mostrou a música,
- 5:06deu uma trifita, cantou a parede? Não,
- 5:09eu não falei direto com ele, eu falei antes com um
- 5:13dos integrantes do conjunto vocal MPB4, fui escondido,
- 5:19eu estava entrando na área, e aquele Marbachinho, Sabe
- 5:24Godinho, Chadorui, me deu uma porrada por trás, e os
- 5:29vídeos não deu pênus, na hora de eu estar caindo no
- 5:31chão, ele foi legado, eu disse, como é eu?
- 5:33Aproveitei que ele tinha como o Jacão
- 5:34ver, só comigo, e ele me marcou o seu compositor,
- 5:38ele não deu outra bola e tal, mas aí como eu tenho
- 5:42o contato, você estava feito, e quando eu estava
- 5:47ali na fábrica, e ali eu tinha pressado o disco, eu
- 5:49consegui pressar, eu consegui pressar um
- 5:52acertado, com um acertado, um camaradão, eu precii um
- 5:57acertado com duas músicas, justamente com Jorge
- 6:00Maravilha e o Chámo Ladrão, aí parece que eles gostaram
- 6:09e tal, e gostaram pro Chico e o Boaqueles
- 6:11dividiu, mas depois eu fiz o milagre, e o milagre eu
- 6:16achei que era melhor ainda, pra mim a música é mais
- 6:18forte, aí eu gravei de novo, um acertado, um
- 6:21milagre pra eles, e parece que a Nara Leão se tivesse
- 6:24o Chámo Ladrão gostou de cima, e aí houve um
- 6:26problema com a música. Agora
- 6:27é um problema com o Linho, sem querer dar ninguém, que
- 6:31o Chico tem que andar nessa música, e entender
- 6:33que a música é dele, ele fala de você não se fosse
- 6:38uma figura simitológica, mas no fundo parece que é
- 6:40dele, eu acho que ele tinha que tomar uma certa
- 6:43providência aí, porque nunca se sabe né? Olha
- 6:47eu não sei, eu... Esses pessoal que tem nome feito,
- 6:53entende? Pode fazer muita coisa, na dieta
- 6:56eu ficar aqui, que nem eu sabe por ficar reclamando
- 7:00esses pessoal, eu como eles frasei, eu sou dragmático,
- 7:03entende? Eu preciso ver ele, ele
- 7:05precisa ir, então eu não vou agora, na dieta você
- 7:08vê isso, parece que você tá querendo me colocar
- 7:10contra ele. Não, não vou dizer nada, talvez
- 7:12quando eu diga que eu for conhecido e famoso, talvez
- 7:16eu faça a mesma coisa, entende? Porque,
- 7:20não sei, as pessoas têm que te aproveitar do que
- 7:22me cai na mão, né? Foi o que o Leonardo me disse,
- 7:26foi o que eu disse, a expressão pra mim é que
- 7:29você tem que ter utilizado o tempo do ano, faça uma
- 7:33nervia, eu tava com você. Eu
- 7:35sei, pra dar a verdade, o Leonardo falou que eu sou
- 7:38pragmático, tá? Ele perguntasse alguma coisa,
- 7:41que eu achava disso aqui, eu ia dizer, coisa que
- 7:43mais complicarem, entende? O que você acha, entende? Eu
- 7:47sou pra engarra, da censura, do pragmático, ele
- 7:51falou, pra engarra é comênico também, né? Bom,
- 7:56quando eu tô... isso foi a proposta da pessoa
- 7:59no confio que me contou na nossa da China, isso foi
- 8:01ontem, antes saiu, entende? Eu
- 8:03contei da famosa, eu mudei a letra pra China, ele me
- 8:06contou esse negócio, aí, desculpa que não dá, se
- 8:09você gosta da China, ele falou assim, ele é de
- 8:11Cuba, se você fala em Ceuá, de Cuba, você fala
- 8:13que o pragmático é comênico, né? Poder
- 8:16se não se ele se mexe é um complicação, entende?
- 8:18Então eu digo, agora não posso
- 8:20definir da famosa, só pra engarra. Eu
- 8:23acho que se for nessa definição, pragmática, você
- 8:25responde, né, porra? Eu tô me dando um quadro de
- 8:29saber, tio, eu achei realmente, tem uma produção
- 8:32muito boa, hoje você é pra utilizão do Lossi, do NTV4,
- 8:39Kim Maia, todos os deprôs que você já mandou música
- 8:42pra se projetar, porque eu não sei se os cantores,
- 8:45desculpa, mas eu já comei de ciência, eu não sou o
- 8:48cantor, eu preciso dos cantores pra lançar meu
- 8:51nome, entende? Então eu acho que o arco, eu
- 8:53acho que direito tá tipo um leonado aí, tá meio
- 8:55não, por exemplo, tá faturando em cima do meu
- 8:58nome, e eu tô faturando em cima dele, eu acho que
- 9:01isso é normal, não acho que seja a época da minha
- 9:06parte, entende? Eu tô pragmático. Jolinha,
- 9:10aqui em São Paulo, o pouco que se sabe do Lossi são
- 9:14histórias maravilantes, histórias de pessoal
- 9:18comenta, inclusive eu chego aqui, falando, não sei se
- 9:24é só, de no show dele, que Jolinha é uma figura
- 9:28das clonhas das policiais, que passou pra as clonhas
- 9:31sociais e tal. Falado ao autor desse último
- 9:36samba, cujo nome é o Jorge Maravilha, o autor é
- 9:43Julinho Dalelade, Rossinha, na favela da
- 9:56Rossinha, e que vivia mais nas páginas policiais, dos
- 10:01jornais, do que em outras, e de repente passou para
- 10:04as páginas de crônica musical. Repentidamente,
- 10:08por causa do sucesso que corrido em boca em boca
- 10:10das suas últimas composições, principalmente
- 10:12aquela que falava de um fato corriqueiro aliás da
- 10:17vida dele, se chamava Chamoladrão, um dia que ele
- 10:21tava dormindo, passou com um banheira de jurema e
- 10:25ouvi um barulho estranho em casa ali no portão, portão
- 10:30não, na porta do barracão, o nosso suspeito mesmo
- 10:33olhou assim, que era o que era a polícia, aí ele
- 10:37acordou de presta mulher para o Jurema, chamo
- 10:39ladrão, chamo ladrão, desse samba o Julinho voltou das
- 10:48páginas de crônica musical para as páginas policiais.
- 10:53Você tem realmente um passado
- 10:56que eu denigra, não, então tem que ser o seguinte, eu
- 11:00vou dizer meu irmão, meu irmão, meu irmão Leonel, eu
- 11:06sou muito tímido, eu sou um pabecemento do time,
- 11:08Leonel, com essa história dele, seria procurador, eu
- 11:12vou dizer para vocês, meu irmão é um assunto muito
- 11:13descontraído, ele faz muitas coisas, as vezes a gente
- 11:20não tem o tempo de procurar o vinho, então é
- 11:25justo que pague as coisas boas e tem algumas coisas
- 11:28que ele faz, entendeu? A gente ele faz coisas boas,
- 11:31e depois que eu falo dezenta coisas com ele, por
- 11:33que aconteceu? Ele tem relação muito boa e
- 11:34muito bonito, mas é coisa boa que eu não tenho. O
- 11:37que ele faz, como por exemplo? Ah,
- 11:40ele faz um pouco de bagulho, você entendeu? Ou
- 11:42seja, ele não tem o tamanho para o rote para o
- 11:45rote, viu? Você já é algum jeito, porque
- 11:48eu coloquei isso inclusive no samba, chalo lagão.
- 11:56Gostou? No episódio 52 do podcast
- 11:59Memória com Milton Pahron, você ouve detalhes dos
- 12:03bastidores dessa entrevista. Mario
- 12:06Prata revela como tudo aconteceu, qual era a
- 12:09expectativa e como foi a repercussão dessa conversa
- 12:14histórica. Por hoje é isso, se você
- 12:16chegou até aqui, que tal aproveitar e avaliar nosso
- 12:20podcast? No Spotify você pode dar cinco
- 12:23estrelas e seguir para receber notificações de
- 12:27novos episódios. No YouTube ou YouTube Music, é
- 12:31sempre importante contar com sua curtida e inscrição.
- 12:36Até a próxima! Quando
- 12:38eu volto com mais peças raras para você.