Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #246 Países ricos que mais poluem devem financiar os mais pobres?
Transcript
- 0:01Essas áreas. Olá, tudo bem?
- 0:04Eu sou o Marcelo abud, seu podcaster radiofônico.
- 0:08Estou aqui para um assunto urgente, porque nós vamos falar
- 0:12de emergências climáticas e sobre a cúpula para um novo
- 0:16pacto financeiro global, que tem reunido lideranças políticas e
- 0:21de organismos internacionais lá na França, a fim de repensar o
- 0:27sistema financeiro e de reduzir desigualdades.
- 0:31Quando o assunto são. As emergências climáticas a
- 0:35ideia é que a questão ambiental tenha uma maior justiça e que
- 0:40haja aplicação de fundos internacionais para que países
- 0:44mais ricos financiem programas de preservação ambiental dos que
- 0:48têm menos recursos. A cúpula para um novo pacto
- 0:52financeiro global foi organizada pelo presidente francês, o
- 0:56Emmanuel mácron, em um festival e também nos encontros em Paris.
- 1:01O presidente brasileiro, o Lula. Tem discursado para que os
- 1:06países que mais poluem, colaborem efetivamente com a
- 1:10preservação do meio ambiente, em prol do combate à emergência
- 1:14climática global. Sobre este tema, eu conversei há
- 1:18cerca de 1 mês com o professor do instituto oceanográfico da
- 1:23USP, o Alexander turra, e na entrevista que foi gravada para
- 1:27o podcast do instituto, claro, é eu tratei desse assunto com ele
- 1:32também. Na verdade, A Entrevista você
- 1:34pode conferir no instituto claro.
- 1:36Naquele episódio clássico de cidadania para você que não
- 1:39conhece, é só buscar no Spotify ou mesmo na busca do Google, né?
- 1:44Podcast, instituto claro cidadania e você vai encontrar A
- 1:48Entrevista com Alexander turra lá no instituto, claro.
- 1:51Ele fala especificamente sobre racismo oceânico.
- 1:55É e vai é se limitar, né? Na verdade, o nosso tema ali é
- 2:00em relação ao que está acontecendo no Brasil.
- 2:03É pegando como foco, por exemplo, o em fevereiro.
- 2:07O que houve? São Sebastião e as possíveis?
- 2:11Consequências que tem, por exemplo, uma enchente, quando
- 2:15atinge a uma população mais vulnerável, por isso o racismo
- 2:19oceânico. Você pode entender isso melhor
- 2:22lá no podcast do instituto, claro, o trecho que eu vou
- 2:25compartilhar aqui agora com você é inédito, explica.
- 2:30Por que países mais ricos são os que mais emitem gases do efeito
- 2:35estufa e, no entanto, os mais vulneráveis são os que mais
- 2:40pagam o preço por isso. Então você vai acompanhar o que
- 2:44é que acontece também é uma forma de racismo é ambiental,
- 2:49não é? E porque esses países mais ricos
- 2:52devem? Sim, é financiar com fundos
- 2:57questões ambientais em países como o Brasil, por exemplo, e
- 3:01outros, como na África, e assim por diante.
- 3:04Acompanhe a palavra do Alexander turra nesse trecho da entrevista
- 3:08inédito que eu compartilho agora com você.
- 3:11Mas são os países mais ricos que acabam tendo uma
- 3:14industrialização que polui mais, gera mais efeitos de.
- 3:18De gases e mais gases de efeito estufa, né?
- 3:22E na verdade é, isso acaba afetando, é populações mais
- 3:27vulneráveis em países que poluem menos, faz sentido isso.
- 3:31E também é uma forma de racismo oceânico ou ambiental?
- 3:37O problema das mudanças climáticas é global, né?
- 3:41A gente tem uma globalização desse problema de forma que a
- 3:46geração em excesso em determinados países acaba
- 3:49afetando o clima no mundo todo. E, nesse sentido a isso,
- 3:55enfatiza o exacerba o que a gente está chamando de racismo
- 3:59ambiental. Quando a gente compara o norte
- 4:01global, não é necessariamente o hemisfério norte, mas os países,
- 4:06né? Ao norte, eles tendem a ser mais
- 4:08desenvolvidos que os países ao sul, incluindo o hemisfério sul.
- 4:12Então, a gente está falando do Brasil da América Latina.
- 4:15Estamos falando da África. Estou falando da Ásia, né?
- 4:19E a gente tem esse. Nesses países, os efeitos dessas
- 4:23mudanças, sendo mais sentidos em função da vulnerabilidade
- 4:28social. Não é que a gente é.
- 4:33Dialogou aqui em relação ao racismo ambiental, mas também em
- 4:36função da sua menor capacidade de adaptação a essas mudanças.
- 4:41Né? Das medidas das obras, das ações
- 4:44que têm que ser feitas para que esses efeitos sejam minimizados.
- 4:48Então a gente tem quase que uma tempestade perfeita, que é
- 4:54desproporcionalmente mais intensa nesses países que
- 4:57acabam, não necessariamente é tendo agregação do valor que
- 5:03essa essa quantidade de emissões acaba gerando em termos de
- 5:07economia. Mas acaba sofrendo da
- 5:11democratização, não é? Se a gente pode colocar dessa
- 5:14forma dos prejuízos associados a essa lucratividade concentrada,
- 5:21né? Que fica concentrada em alguns
- 5:22locais. E seria na, na visão de sua e de
- 5:28quem acompanha essa situação. É uma forma de compensação?
- 5:32Ela acontece ou deveria acontecer para esses países é
- 5:37que acabam sofrendo mais com com essa, com esse racismo.
- 5:43Para a gente? Reverter essa situação pelo
- 5:47menos amenizar. A gente tem que ter um sistema
- 5:50colaborativo, Internacional, que atue amenizando esses efeitos
- 5:54desproporcionais nos países mais pobres ou nas camadas mais
- 5:58pobres da das. A população de cada país é esse
- 6:03sistema. Ele está em curso, ele existe,
- 6:05ele está está pautado por algo chamado crédito de carbono.
- 6:10Ou seja, um país que emite muito e não consegue compensar essas
- 6:13emissões, ele acaba comprando créditos de países que conseguem
- 6:18sequestrarei estocar esse carbono que está no te mos fera
- 6:21mais então, se você tem um país em que você tem plantio de
- 6:24vegetação na recuperação de florestas, você acaba
- 6:28conseguindo. Sequestraria, tirar essa e gás
- 6:30carbônico da atmosfera, né? Isso, tocar ele na biomassa, nas
- 6:34plantas, por exemplo, o Brasil é o país que tem o maior potencial
- 6:38de fazer isso no mundo, né? E a gente precisa, porque a
- 6:42gente tem muitas áreas degradadas.
- 6:44E que precisam ser recuperadas para a gente produzir água não é
- 6:47para a gente dar oportunidade para AO ciclo da água ser
- 6:51retomado e a gente voltar a ter água em rios, né?
- 6:54Voltar a ter nascentes, águas nos rios, né?
- 6:56Pra gente poder poder, inclusive usar essa água para agricultura,
- 7:00para consumo, para geração de energia.
- 7:02Então é fundamental, né? Essa é uma estratégia que o
- 7:05Brasil pode ter, é e ter esse subsídio desses países que
- 7:09acabam não conseguindo compensar essas emissões, mas isso é mais
- 7:12ou menos como enxugar gelo. O importante é que a gente tenha
- 7:15um sistema que, globalmente. É, mire na redução das emissões.
- 7:20É isso? É que o tratado de Paris buscou
- 7:23a pactuar a mas para isso a gente tem que cumprir e isso não
- 7:29está acontecendo. Por isso que é fundamental a
- 7:31gente reforçar o papel da sociedade de todos os, de todas
- 7:35as maneiras e por vários caminhos para a gente caminhar
- 7:39no sentido de uma economia baseada em pouco carbono, uma
- 7:43economia baseada em poucas demissões ou menos emissões do
- 7:48que a gente tem hoje. Acho que assim pra gente chegar
- 7:53perto do fim, né? O que que o tratado de Paris é
- 7:57fala e que a gente não tem feito.
- 7:59E o que mais é preciso fazer com urgência para diminuir os
- 8:03impactos dessas emergências climáticas desse racismo
- 8:07oceânico? A principal medida trazida pelo
- 8:11tratado de Paris pelo acordo de Paris é AO compromisso em
- 8:16diminuir as emissões a patamares que nós tínhamos décadas atrás.
- 8:21Não é? E com isso a gente evitar AO
- 8:26amplificação do efeito estufa, né?
- 8:29Que aquece o planeta, aquece o oceano e muda, né?
- 8:32O clima de uma forma intensa. Esse é o grande objetivo.
- 8:36EE é nisso que a gente tem que mirar ao mesmo tempo e essa é
- 8:40uma medida que nós chamamos de mitigação.
- 8:42Ao mesmo tempo, nós temos que mapear as nossas
- 8:46vulnerabilidades e atacar de forma séria, estruturada e
- 8:52estruturante. A as medidas de adaptação.
- 8:57Essa é uma política de estado, não é uma política de governo, é
- 9:03uma política que tem que começar e não vai acabar.
- 9:06E quanto antes a gente fizer e quanto melhor a gente fizer,
- 9:10menos vidas a gente vai perder. Menos propriedades a gente vai
- 9:14perder. Agora que você entendeu um
- 9:16motivo, né? O porquê que não dá para exigir
- 9:19dos países mais vulneráveis mais pobres um maior cuidado com o
- 9:24meio ambiente? Sem ajudá Los a financiar?
- 9:28Os mecanismos para essa adaptação não é para que a gente
- 9:32consiga realmente combater a emergência climática.
- 9:36Agora eu convido você para que vá ao episódio do instituto
- 9:41claro sobre racismo oceânico e lá você vai entender outros
- 9:46aspectos. Lá a gente fala mais do que está
- 9:49acontecendo neste momento no Brasil, né?
- 9:51A partir de alguns exemplos, como é o que aconteceu no
- 9:55litoral norte de São Paulo em fevereiro, é que.
- 9:59Que aconteceu uma tragédia, né? Com com mortes, dezenas de
- 10:02mortes, é em fevereiro. Então você vai entender o que é
- 10:06o racismo oceânico. Esse conceito trazido pelo
- 10:09professor do instituto oceanográfico da USP, o
- 10:13Alexander turra, acompanha um trechinho que eu separei aqui
- 10:17para você entender sobre o que vai encontrar por lá.
- 10:20Racismo oceânico é um tema muito importante que a gente tem usado
- 10:25e tem, né? É discutido porque ele revela.
- 10:30Para o efeito das crises ambientais sobre parcelas da
- 10:35população mais vulneráveis, que normalmente são as mais pobres e
- 10:38normalmente são compostas por pessoas pardas e pretas, né?
- 10:43E é por isso que a gente usa o termo racismo, né?
- 10:46Isso vem também da ideia de um racismo estruturado que cria
- 10:52esses bolsões de pobreza, né, de marginalização social.
- 10:57A historicamente ele é um fenômeno que.
- 11:01Só tende a se intensificar, né? E ele só vai diminuir, né?
- 11:06Ele só vai mudar a sua tendência quando a gente conseguir é
- 11:09efetivamente mitigar o problema das emissões de gases do efeito
- 11:14estufa, na medida em que a gente atenuar o efeito estufa e aí
- 11:18sim, né? A gente vai ter a diminuição da
- 11:20temperatura da atmosfera e aí sim, a diminuição da temperatura
- 11:24do oceano, ou seja, um processo que vai demorar muito tempo,
- 11:28diria décadas para acontecer. Se a gente parar agora, ou
- 11:32reduzir imensamente. As emissões de gases do efeito
- 11:36estufa esta edição especial urgente.
- 11:40Acaba aqui, mas eu espero você em outros episódios e também no
- 11:47podcast do instituto, claro, um abraço e até a próxima.
- 11:53Essas regras.