Latest / Café com Dungeon / Mistério, Cthulhu Praiano e Malditas Cores #0052
Transcript
- 0:02Um Cthulhu praiano no Rio de Janeiro dos anos oitenta.
- 0:07Eu vi o pessoal combinando esse jogo lá no grupo do Perdidos no
- 0:11Play. O Márcio Moreira e o Ramon
- 0:14combinando, pô, como é que vai ser esse jogo e tal?
- 0:16E aí eles começaram a falar sobre ele e na mesma hora eu
- 0:20falei, nossa, eu preciso muito jogar isso aqui.
- 0:23Era uma stream, era um jogo para ser jogado no YouTube, na
- 0:25Twitch, né? Bom, para quem não sabe, eu
- 0:28comecei a produzir conteúdo com o Diogo Nogueira num
- 0:31blog.experiência, mas o primeiro canal de YouTube que eu fiz
- 0:34parte, que eu trabalhei alguma coisa, foi o Perdidos no Play.
- 0:38Eu conheço a competência dessa galera, eles entregam streams
- 0:41incríveis e eu pensei logo de cara que ia ser demais
- 0:46participar disso, por três motivos.
- 0:49O primeiro deles era revisitar as minhas raízes no Rio de
- 0:54Janeiro e as minhas memórias afetivas a partir dessas
- 0:58referências que eles trouxeram. Rio de Janeiro dos anos oitenta,
- 1:02né, aquele rebote dos anos setenta, eu era criança ainda
- 1:05nessa época, vivia a minha adolescência nos anos noventa
- 1:08meio dark ali, anos dois mil, né, em Rio de Janeiro mais dark,
- 1:12mas os anos oitenta eram mais ensolarados, sei lá, tinha...
- 1:16Talvez seja uma idealização minha, certamente é, mas o Rio
- 1:21de Janeiro dos anos oitenta me parecia mais leve do que esse
- 1:26Rio de Janeiro dos anos noventa que eu vivi.
- 1:28E sempre olhei para ele com carinho ali na minha infância.
- 1:32E ele trazia também a rebordosa dos anos setenta ali, que foi
- 1:36uma era de ouro cultural no Rio de Janeiro.
- 1:38Eu ainda estava muito próximo. Era gostoso.
- 1:43Mas fora isso, o Márcio Moreira trouxe uma referência muito
- 1:46interessante também, que foi o Vale o Escrito, que é esse
- 1:51documentário sobre o jogo do bicho no Rio de Janeiro e que
- 1:57passa por essa época também. E aí eu lembro das notícias, dos
- 2:00nomes dos bicheiros, suas áreas de influência, que inclusive ali
- 2:05perto da minha casa tinha um ponto de jogo do bicho e...
- 2:08Bom, eu sei de quem era o ponto, né?
- 2:10Todo mundo sabia de quem era o ponto.
- 2:12Aquele cara que chegava de moto ali, todo playboyzão, era o
- 2:15dono. E era legal ver esse tipo de
- 2:18coisa se sintonizando com Cthulhu, né?
- 2:21Que é um jogo de mistério clássico de RPG que todo mundo
- 2:24gosta. Então eu queria revisitar essas
- 2:27raízes aí sobre esse prisma do Cthulhu, né?
- 2:30De mistério. Eu queria também ver o olhar...
- 2:34do Márcio Moreira sobre Cthulhu. Esse era o segundo motivo de eu
- 2:38querer entrar nessa aventura. O Márcio Moreira é daqueles
- 2:41caras que tem sempre um olhar peculiar sobre as coisas.
- 2:45É sempre legal ouvir a opinião dele, porque certamente será uma
- 2:48opinião diferente do que você espera ouvir das outras pessoas.
- 2:52E eu estava curioso de ver como ele sintetizaria o mistério de
- 2:56Lovecrafts, Dentro desse tipo de jogo...
- 3:01Dentro desse jogo... Com as referências que ele
- 3:03estava trazendo... E principalmente porque eu nunca
- 3:05vi o Márcio mestrar... Cthulhu...
- 3:08E fiquei muito curioso... Eu achava que ia dar realmente
- 3:10samba como deu... E o terceiro motivo...
- 3:14Para eu participar dessa stream...
- 3:16Que eu me motivei... Foi de entrar em contato com um
- 3:19mestre que... Em stream...
- 3:22Entrega de forma fantástica... Uma estética...
- 3:27O Márcio constrói muito bem uma estética junto com os jogadores.
- 3:30Ele consegue imprimir isso muito bem na cabeça das pessoas e
- 3:34parece que todo mundo fica muito na mesma página em relação à
- 3:38estética que aquele jogo vai entregar na stream.
- 3:42Isso é incrível. Ele traz sempre um mistério ali
- 3:45que te instiga e te agride ao mesmo tempo.
- 3:48Ele te envolve e faz você participar criativamente daquilo
- 3:51de fato. Ele dirige muito bem
- 3:53criativamente, né? Então, sempre participar de uma
- 3:57mesa com o Márcio é ficar pensando, cara, como ele
- 3:59prepara? Como ele está preparando isso
- 4:01aqui? Como é que ele conduz isso?
- 4:05O que ele pensa a respeito dessa campanha, dos momentos do jogo?
- 4:09Como é que ele organiza isso? É sempre bom você entrar em
- 4:13contato com um mestre que você admira e que já me trouxe tantas
- 4:16lições. Não sei se você conhece o
- 4:19trabalho do Márcio, mas se não conhece, vale a pena conhecer.
- 4:21Tem o Dias de Silêncio e Trevas, que ele foi mestre de Mago
- 4:24Ascensão numa campanha lá no Pedidos no Play, que eu fiz
- 4:28parte, na primeira stream que eu fiz parte.
- 4:30Depois de Numenera, na verdade, Numenera foi a primeira.
- 4:34Mas depois teve essa aí do Dias de Silêncio e Trevas, em que eu
- 4:37fui o Mago Hermético Cole Campbell. que até hoje é
- 4:41lembrado com carinho aí pela galera, né, e a stream se tornou
- 4:44um cult, né, nessa época de streams, antes das mega streams
- 4:49aí, tipo Cellbit, essas coisas, você tinha essa stream do
- 4:53Perdido no Play aí que virou um cult, né, muita gente curte ela,
- 4:56eu sou reconhecido até hoje em evento, o pessoal vem falar
- 4:59comigo, pô, o Kool Campbell, não sei o que, até me chama de Kool
- 5:02Campbell, E é muito legal ver que se tornou um cult essa
- 5:06campanha, que é incrível, recomendo.
- 5:08Também tem a campanha A Ruptura, uma aventura que o Márcio
- 5:12Moreira fez de Tales from the Loop.
- 5:15Dessa eu não participei, mas vi também e achei um produtão.
- 5:18Achei uma stream incrível com várias sacadas do mestre Márcio
- 5:23Moreira em relação a essa coisa de construção estética e
- 5:27condução do mistério. Também, obviamente, o próprio
- 5:31Malditas Cores, que para mim é um novo clássico.
- 5:34Achei incrível, bem confusa, difícil às vezes de entender
- 5:39exatamente o que está acontecendo.
- 5:41Uma situação estanque, às vezes você chegar e falar, cara, vou
- 5:45agir, não sei o que está acontecendo, mas vou fazer
- 5:47alguma coisa a respeito. Isso leva a um barata voa
- 5:50completo e acho que é isso. É um outro jeito de encarar
- 5:55mistério daqueles que nem sempre a gente resolve.
- 5:59Eu acho que foi mais ou menos isso que rolou no Malditas
- 6:02Coisas e que vale a pena olhar também.
- 6:04Então vou deixar o link dessas três campanhas para você
- 6:06conhecer melhor o Márcio Moreira, caso você não conheça.
- 6:09Mas eu conheci bem o Márcio Moreira, conheço bem ele, adoro
- 6:13trocar ideia com ele porque são sempre conversas cheias de
- 6:16insights. E eu vou deixar com vocês aqui
- 6:19uma citação do meu livro, O Caminho do Mestre Cafeinado, em
- 6:22que eu cito o Márcio Moreira em uma das dicas, que é a
- 6:26seguinte... Caso o resultado dos dados não
- 6:30deva ser imediatamente conhecido pelos jogadores, retarde a
- 6:34rolagem em vez de escondê-la. Que seja feita em aberto quando
- 6:39for gerar efeitos visíveis por transparência.
- 6:43Márcio Moreira fez exatamente isso na campanha de Mago do
- 6:46Perdidos no Play. Os jogadores só rolaram os dados
- 6:49para descobrir pistas na cena do crime no dia seguinte, quando os
- 6:54personagens viram as notícias da TV.
- 6:57Aí sim rolaram os dados que ditariam o teor da reportagem.
- 7:02Isso foi muito legal. Em vez de jogar ali naquele
- 7:05momento em que a gente estava escondendo as pistas, Ele rolou
- 7:09depois, quando a reportagem ia dizer quais pistas foram
- 7:13encontradas. Isso explodiu minha cabeça e eu
- 7:16pude entender melhor algumas técnicas, algumas boas práticas
- 7:19que eu considero para todos os jogos hoje em dia, pelo menos os
- 7:22que jogam dados dessa forma. Eu convido você a conhecer o
- 7:26trabalho desse cara, não somente indo nas streams e se permitindo
- 7:31entrar em contato com esses belos truques que ele consegue
- 7:35imprimir durante o jogo, mas também no papo de hoje, que eu
- 7:39tenho certeza que vai trazer vários insights para você
- 7:42também. Então, vamos embora.
- 7:46Grande Mestre Baldo e meu amigo Baldo do Café com Danjo, o maior
- 7:51e melhor podcast de RPG brasileiro.
- 7:59Bom dia, amigos do Café com Dungeon!
- 8:01Estamos aqui para mais um episódio do seu podcast matinal
- 8:03favorito, trazendo sempre muito RPG.
- 8:06Meu nome é Rafael Balbi e nessa manhã eu tô bebendo um delicioso
- 8:09café aqui com uma cor muito linda.
- 8:13Acho que eu não consigo dizer que cor é essa.
- 8:16E, hum... Tá meio estranho no fundo.
- 8:21Bom, eu acho que eu vou parar de arriscar nesses cafés
- 8:23misteriosos e vou para o certo, que é o Ovelha Negra Café, que é
- 8:27sempre delicioso. A procedência você sabe, são
- 8:30pequenos produtores, é uma cadeia racional de produção.
- 8:34E, cara, não tem impurezas industriais, não tem nada.
- 8:38Se você não curte esses rolês caóticos da indústria, vai lá
- 8:43para o Ovelha Negra Cafés e você pode ainda comprar um café
- 8:48especial desse com abatimento. usando o cupom CCD lá em
- 8:52ovelhanegracafes.com. E se você quiser ainda um
- 8:57desconto melhor, você pode utilizar o nosso cupom, os
- 9:01nossos cupons progressivos para assinante, mas aí você tem que
- 9:03se tornar um assinante do Café com Dungeon lá no apoia.se barra
- 9:08Café com Dungeon. E aí, além de você conseguir
- 9:11cupons ainda melhores para o Ovelha Negra, você consegue
- 9:15também cupons dos nossos parceiros, Participa de sorteios
- 9:20de outros parceiros também, do próprio Velha Negra, que a gente
- 9:22distribui quase dois quilos de café por mês.
- 9:26Mas recebe também conteúdo extra e participa de um grupo muito
- 9:29legal de Telegram que debate RPG com profundidade.
- 9:32Então cola aí no nosso apoia.se, apoia.se barra café com dungeon
- 9:37e torne-se um assinante. Queria agradecer ao RPG Dojo,
- 9:40que tá financiando esses episódios que têm saído às
- 9:44terças, né? E que vão continuar saindo agora
- 9:47durante esses três meses, pelo menos.
- 9:49Então, agradecer a parceria aí com o RPG Dojo.
- 9:52Valeu, Cobb. Valeu, Nina.
- 9:53Valeu a galera toda aí que tá no Dojo, né?
- 9:57Dando esse incentivo aí pro café, pra comunidade, pra gente
- 10:00trazer mais conteúdo. Então eu queria lembrar todo
- 10:04mundo de que, cara, se você quer um lugar que te acolhe, que
- 10:08compre a tua briga ali para treinar RPG, para praticar,
- 10:13pegar algumas práticas isoladas e entender melhor, fazer uma
- 10:18prática comunitária mesmo, bem um dojo, um lugar onde a gente
- 10:22aprende em conjunto, cara, vale muito a pena considerar entrar
- 10:26no dojo. O tema, o ciclo... que o dojo
- 10:29está trabalhando atualmente é o de mistério, mistérios
- 10:33mestráveis, a galera entendendo como botar a mesa de mistério
- 10:38dos mais diferentes tipos, tem muitas influências ali, eu levo
- 10:41bastante do oil fantasy para lá, mas tem pessoas de outras
- 10:45vertentes do RPG que curtem e estão lá participando, Então,
- 10:50bom, tem um material aberto, que você consegue no WhatsApp aberto
- 10:55do Dojo, mas tem também parte de membros, que aí é mais profundo,
- 10:59a galera faz outros eventos especiais ali pra galera que é
- 11:04membro do Dojo. Então, considere se tornar
- 11:08membro também do RPG Dojo, beleza?
- 11:11Lembrando que eu tô lá também, trocando ideia de RPG, trocando
- 11:13ideia de oil fantasy, trocando ideia de tudo, né?
- 11:16E participando de algumas práticas também.
- 11:19Então é isso. Valeu aí, galera, do RPG do Ju.
- 11:22Beleza? Vamos pro episódio, mas antes
- 11:25pra enquete, né? Lembrando que o episódio
- 11:29anterior foi sobre o BLORB Principles, que são princípios
- 11:34de uso de preparação no seu jogo.
- 11:37Eu perguntei se a galera gostou do BLORB e ficou bem dividido,
- 11:40mas teve um número expressivo de pessoas que disseram que não
- 11:43gostaram. E quem não gostou, eu acho que
- 11:51está com o Marcos Siqueira, que comentou o seguinte, tem pontos
- 11:54a se aproveitar, mas a ideia de ter tudo sob controle parece bem
- 11:58surreal. No caso, é porque o Blorb
- 12:00defende que prep deve ser seguida à risca, prep é
- 12:04documentação, é compromisso, toda prep.
- 12:08Então isso cria aí uma coisa que eu concordo com o Marcos, que é
- 12:12bem surreal, né? O Rony Stécio comentou que ele
- 12:15está gostando de acompanhar as diversas filosofias
- 12:17anti-ilusionismo apresentadas ao longo desses últimos programas.
- 12:21Talvez o Blob tenha sido um princípio que ele seguiu
- 12:23inconscientemente por muito tempo, mas sem todo esse
- 12:26controle que a autora sugere. Hoje em dia, ele já consegue
- 12:29entender que a prep básica somada à lei da mesa é muito
- 12:32mais divertido, justo e menos pesado para o mestre.
- 12:36O Theodoro Siqueira comentou que ele se sentiu mais conectado com
- 12:40esse material do Blorb do que com os outros que eu trouxe e
- 12:45que tem essa pegada mais afastada do papel tradicional do
- 12:48mestre. Muito bom, aprendeu muito ali,
- 12:51como ele sempre aprende, mas aqui no Blorb ele aprendeu e
- 12:55concordou. Teodoro, eu sei que eu tô indo
- 12:59muito contra uma tradição muito forte do RPG, né?
- 13:02Que é esse folclórico mestre demiurgo que tem um mundo às
- 13:07suas mãos que é pré-existente ao jogo e que é imutável, né?
- 13:13De que é estanque sólido pra ser apresentado como palco pros
- 13:18jogadores jogarem, mas eu tô desconstruindo bastante essa
- 13:23ideia, né? E acredito que o que eu estou
- 13:26trazendo em relação à lei da mesa é um fenômeno que eu acho
- 13:30que acontece nesses jogos tradicionais inteiros.
- 13:33Então, acho que é questão da gente olhar para a realidade dos
- 13:37fatos para entender que esse papel do mestre realmente é só
- 13:40um folclore mesmo. Na prática, a gente entende que
- 13:44não é bem assim. Mas, cara, acho natural que
- 13:49tenha resistência a concordar com isso e fico feliz que traga
- 13:52aprendizados para você. O Rafael Bacelar falou que ele
- 13:56segue muito o Blob, mesmo que mais aberto a improvisos e
- 13:59compartilhar narrativa. O Blob é uma proposta bem
- 14:02interessante, traz uma dinâmica massa para a mesa das escolhas
- 14:05dos jogadores ter impacto em um jogo com um desafio que o DM vai
- 14:10se comprometer a não alterar propositalmente, para o bem ou
- 14:13para o mal dos personagens dos jogadores.
- 14:16Mesmo que seja por sorte, os jogadores podem arriscar a
- 14:19pessoa no cara a cara ou o gatilho da armadilha.
- 14:22E o DM não vai mudar arbitrariamente, seja porque
- 14:25acha mais divertido ou um desafio melhor.
- 14:28O Rafael está insistindo aqui com umas coisas que eu acho que
- 14:31precisava ouvir novamente nos episódios anteriores.
- 14:35Meu caro, a gente não está falando em mudar
- 14:38arbitrariamente. como um gatilho de armadilha, nem quem é o
- 14:43assassino do mistério, nem nada assim.
- 14:45O que eu estou defendendo aqui é que não tem como mudar se ele
- 14:49nunca existiu. Se o assassino e o gatilho
- 14:51precisam aparecer na ficção para valer dentro do jogo, ele vai
- 14:56ter que ser construído da mesma forma.
- 14:57Enquanto isso não for construído, aí não é questão de
- 15:00mudar, você tem várias opções para imprimir.
- 15:03O que eu estou dizendo é que você justamente não precisa
- 15:05seguir a risca que o Blob traz. Você mais uma vez compara aqui,
- 15:11faz uma citação à Lei da Mesa e à Oil Fantasy, contrastando,
- 15:15contrastando não, botando o mesmo balaio à regra do legal e
- 15:19à Lei da Mesa, Mas eu já falei pra você isso, cara.
- 15:24No episódio anterior eu comentei um comentário seu.
- 15:29A explicação é muito simples, a diferença entre os dois.
- 15:32Justamente por entender que não há como o jogador ter o
- 15:36compromisso do mestre aferido na preparação.
- 15:40Porque preparação não é documento e a gente sabe que
- 15:43documenta mal. se você tentar. E a gente sabe também que não
- 15:47tem como ler o que está na mente do mestre.
- 15:49Então, o único jeito que o jogador tem de aferir alguma
- 15:54coisa, de ter alguma garantia em mesa a respeito do que está
- 15:58rolando no jogo, é através do que entrou na ficção.
- 16:01Então, se você concorda com isso, e acredito que concorde, a
- 16:07gente tem uma decorrência muito clara, que é a seguinte, não
- 16:10adianta o jogador se fiar numa preparação que seja o
- 16:15compromisso do mestre não mudar a preparação dele ou a sua
- 16:20ideia, não importa muito nesse caso, porque o jogador não pode
- 16:24se fiar nisso, então não importa.
- 16:27No fim das contas, o que importa é o que vai aparecer na ficção e
- 16:30com isso a gente consegue o compromisso.
- 16:32Por isso que o Oil Fantasy, quando fala do melhor desafio,
- 16:36Ele diz que você pode buscar o melhor desafio dentro da
- 16:40verossimilhança, ou seja, dentro do que já foi construído, dentro
- 16:43dessa realidade fictícia. Dentro disso, nunca além disso,
- 16:49nunca para fora disso, nunca dentro do que não foi
- 16:52reivindicado. O compromisso é com o que foi
- 16:55reivindicado, que é onde é possível ter compromisso do
- 16:57mestre com os jogadores. É diferente da regra do legal.
- 17:02A regra do legal, como é uma coisa que, sei lá, pelo menos eu
- 17:07nunca vi ninguém abordar com profundidade, ter uma proposta
- 17:10sólida a respeito como é a ofendeza sobre o desafio.
- 17:14A regra do legal você pode mudar como quiser, não é um
- 17:16compromisso com a realidade que apareceu em jogo ali na ficção.
- 17:20Você pode simplesmente abrir mão desses indícios, você pode abrir
- 17:24mão dessas coisas que foram construídas ali para explodir a
- 17:26mente dos jogadores ou qualquer coisa.
- 17:29O seu problema me parece ser com a arbitrariedade.
- 17:31E eu te digo o seguinte, cara, essa arbitrariedade do mestre é
- 17:36natural. Seja que o mestre decida usar um
- 17:39oráculo, seja que o mestre decida de acordo com o que é
- 17:43mais divertido, seja que o mestre decida de acordo com o
- 17:46que ele acha que é o melhor desafio.
- 17:48Sempre você vai exercer sua arbitrariedade e você pode até
- 17:51dizer que está sempre exercendo de acordo com o que ele acha
- 17:53mais legal dentro da proposta, mas o mais importante é ter uma
- 17:57proposta efetivamente. Se você tem uma proposta, tem um
- 18:00registro de ação para o mestre, isso está resolvido.
- 18:04E, no caso, a gente constrói dentro do GeoFantasy essa
- 18:07proposta de trabalhar com o melhor desafio justamente para
- 18:11informar essa arbitrariedade para o mestre poder exercê-la
- 18:14com tranquilidade. Quando a gente fala de desenhar
- 18:17o papel do mestre, é sobre isso que a gente está falando.
- 18:19Então, eu entendo a sua insistência, porque é difícil a
- 18:22gente abrir mão de certos paradigmas Mas é importante
- 18:26notar que o paradigma com que você está trabalhando é bem
- 18:30real. Ele não funciona no fundo dessa
- 18:32forma. Porque não adianta o mestre ter
- 18:35compromisso com a própria prep. Esse compromisso é dele com ele
- 18:38mesmo. No final das contas, a única
- 18:39coisa que tem garantia para o jogador dentro do jogo é o que é
- 18:42estabelecido na ficção. Um abraço!
- 18:46Vamos para o episódio? Ih, Juvenal, e essa cabeça de
- 18:58elfo petrificada aí, hein? Que beleza.
- 19:02Pô, parece aí um negócio realista mesmo.
- 19:04Quem esculpiu isso aí mandou muito bem, né?
- 19:07Meu Deus do céu. Dá pra ver agonia nos olhos do
- 19:10elfo. É, rapaz.
- 19:13Não sei não, hein? Acho que isso não foi esculpido,
- 19:16não. Sabe quem trouxe?
- 19:18Quem trouxe pra cá, pra taverna, essa cabeça?
- 19:22Foi aquele maluco lá, o doutor Panarevi.
- 19:25Aquele cara que saía pros ermos pra incursionar e nunca voltava
- 19:30com os companheiros, mas voltava sempre com o tesouro.
- 19:33Sabe aquele papo? Então, esse cara voltou à ativa,
- 19:36só que dessa vez ele foi e voltou com os amigos.
- 19:40Doideira, né? E voltou com essa cabeça aí.
- 19:42Ele foi atrás de um tal de lagarto basáltico, pelo que eu
- 19:46fiquei sabendo. Eu acho que não é uma escultura,
- 19:48não. Acho que isso aí é um elfo
- 19:51petrificado, a cabeça de um elfo petrificado, né?
- 19:54Parece que só restou a cabeça mesmo.
- 19:56Mas enfim, ele falou que eles bordearam ali o Monte Kibbe.
- 20:01entraram na floresta, na encosta do Monte Kibbe mesmo, na parte
- 20:06dos fundos ali da montanha, e ali ele falou que eles viram
- 20:11umas luzes misteriosas, matraqueantes ali, e que eram
- 20:16características mágicas daquela região ali, que talvez isso
- 20:20indique a presença de elfos. elfos selvagens ali, alguma
- 20:24coisa assim, uma região meio onírica.
- 20:27Não é elfo comum desses que você vê por aqui, não.
- 20:30É uma espécie diferente de elfo. Eles também encontraram a
- 20:35caverna com umas estátuas. Parece que é lá que mora o tal
- 20:38do lagarto basáltico. A luz que reflete na poça que
- 20:43tem na frente da caverna parece refletir nessas estátuas e dá a
- 20:48impressão que elas estão se movendo.
- 20:51Para chegar lá, eles marcaram, desse pedaço aí da caverna, eles
- 20:56marcaram tanto na rocha quanto na vegetação, com barbantes o
- 21:02caminho, para facilitar para quem chega lá.
- 21:04E parece que as cores dos barbantes são bem coloridas,
- 21:07assim, para poder atrair a atenção dos olhos.
- 21:09E eles fizeram umas setas também.
- 21:13E o caminho parece que é esse aí, pegando ali a encosta do
- 21:17Kibe, de repente mergulhando na mata e subindo em algumas
- 21:20agulhas que tem ali mais para frente.
- 21:24Parece que chega nessa região e vai contornando até encontrar um
- 21:28rio. Quando chega nesse rio, ele
- 21:30empossa ali nessa cachoeira. Foi ali que eles acharam a
- 21:34cabeça petrificada do elfo. Dá para ver até os poros, né
- 21:38cara? Doideira.
- 21:40Outra coisa que eles disseram que é para tomar cuidado ali,
- 21:43porque parece que na porção mais para cá do Monte Kibbe, onde tem
- 21:47um desabamento de pedra ali, sei lá, um escoamento de pedra ali,
- 21:52parece que tem umas estacas fincadas mostrando um caminho.
- 21:56Parece que de noite eles viram o pessoal fazendo uma movimentação
- 21:59ali, deve ser na vale, então é bom ficar de olho.
- 22:05Esse e tantos outros são rumores vindos do jogo, do mundo aberto
- 22:10de Biergarten. Se você quiser explorar
- 22:13aventuras como essa, pode entrar inteiramente de graça no nosso
- 22:17grupo. Siga o link lá no descritivo do
- 22:20episódio e jogue Biergarten com a gente.
- 22:26Vamos explorar Biergarten! Então vamos pro episódio.
- 22:47Agora recebendo aqui o meu grande camarada, grande...
- 22:52Pô, a gente troca muita ideia, não só de RPG, mas da vida.
- 22:56Então posso dizer um grande amigo aí, um grande amigo não só
- 22:59do RPG, mas da vida também. E ex-parceiro de canal, né?
- 23:05E também uma inspiração, né? Como não, várias coisas que eu
- 23:09penso sobre RPG eu pude observar ali no Marcinho aplicando.
- 23:13Então bem-vindo, Márcio Moreira. Pô, que honra, cara.
- 23:16Primeiro honra ser teu amigo. Essa é a maior alegria, é uma
- 23:19satisfação que eu tenho. Depois eu posso ficar falando
- 23:21ligabando que eu já fui citado em um livro, cara.
- 23:27É verdade. O México é feinado, cara.
- 23:29Pô, muita satisfação mesmo. E, cara, é somente uma garrafa
- 23:33que volta, porque você pode ter até se inspirado em algumas
- 23:40coisas que eu fiz, mas contigo eu aprendo muito.
- 23:43Acho que mais do que um pouco... Acho que a garrafa que volta e
- 23:46cresce... A sementinha que estava
- 23:48dentro... Acho que multiplica muito mais
- 23:50do que... Enfim...
- 23:52Aprendo muito mais com você do que você comigo...
- 23:56Que viagem... Cara...
- 24:00Primeira coisa que eu acho que a gente estabelecer...
- 24:02Para a galera aqui... Algumas coisas sobre...
- 24:06O Márcio Moreiro como mestre... Em stream e fora de stream...
- 24:10Totalmente diferente... É, pra galera poder entender um
- 24:15pouco essa minha visão, né, sobre a tua atuação, essas
- 24:17coisas que eu admiro aí na tua mestragem.
- 24:20Primeiro, o mestre Márcio Moreiro das streams, que a gente
- 24:24vai ver no Perdidos no Play. Das streams!
- 24:27é desistir gente viu ali no no no jogo do Mago né uma água
- 24:33ascensão né no depois ali eu sou de loop né e depois na campanha
- 24:39agora de cutulo que assim para mim é muito claro né que você
- 24:43tem ali um Você trabalha muito bem mistério, né, eu acho que a
- 24:47gente trabalhou três aventuras de mistério, que a gente vê
- 24:51alguma coisa acontecendo, a gente de forma geral começa no
- 24:54calor ali, né, da coisa toda, de algum mistério que tá se, tipo,
- 24:59a gente não sabe o que tá acontecendo, mas essa coisa tá
- 25:02afetando a gente já de cara, então já puxa a gente pro jogo.
- 25:06E mete a gente numa coisa ultra imersiva a partir de então, né?
- 25:10Como é que você trabalha sendo esse mestre de stream, cara?
- 25:16Cara, então, contrário do que muita gente pensa, eu na stream
- 25:22eu sou muito manietado, assim, me sinto muito, primeiro,
- 25:25nervoso. E eu fico tenso porque eu gosto
- 25:29de trabalhar as coisas com calma. faço as coisas meio que
- 25:32sem a pressão do... Ah, a sessão precisa ter três
- 25:36horas, a campanha precisa ter oito episódios, onze.
- 25:41Vi de mago, né? Mago foi minha primeira campanha
- 25:43no PNP, então meio que eu fui com esse mindset e acabei que
- 25:47relaxei, né? O negócio foi rolando, rolando,
- 25:51e lá pro meio da primeira temporada eu fui entendendo que
- 25:53precisava dar um tempo e fechei em temporada.
- 25:55E aí minha solução foi inventar temporadas, como se fosse série.
- 25:58E aí entra no que a gente tava conversando antes, que é a
- 26:01questão da estética. Eu sou muito preocupado com a
- 26:04estética das coisas, de tudo que eu faço.
- 26:06A gente tava conversando um monte aqui antes de gravar,
- 26:09falando de design, falando de arquitetura, falando de um monte
- 26:13de coisa, e pra mim... você passa a estética, é uma coisa
- 26:17muito importante. Então, sim, eu sou um cara muito
- 26:20diferente do streaming do que eu jogo, geralmente, Just for Fun.
- 26:28Mas, quando eu vou trabalhar com mistério, e tem outra campanha
- 26:33também no canal, você não falou, que ela ficou incompleta, que
- 26:36foi de vampiro. Também é uma campanha muito
- 26:38envolta mistérios também. E aí, eu gosto muito de pensar
- 26:44na estética, Eu gosto de pensar assim, cara, esse mistério, ele
- 26:52não pode ser só quem matou o ciclão, ou quem tá por trás de
- 26:56tal coisa. Precisa ter uma certa dinâmica.
- 27:00Vamos lá, como assim? Em Mago, o que veio na minha
- 27:04cabeça foi, e se eu for fazer um Mago, uma campanha de Mago, que
- 27:10seja um grande se beber não case?
- 27:15né, as pessoas acordam e na verdade o mistério tá em
- 27:17descobrir o que eles mesmos fizeram numa lacuna de duas
- 27:22semanas eram duas ou uma, não me lembro duas semanas que
- 27:26aconteceu naquelas duas semanas e aí foram quatro anos de
- 27:29campanha no canal no Perdidos no Play eles tendo que desvendar o
- 27:34que rolou nessas duas semanas e esse tendo que desvendar a gente
- 27:37também pode discutir porque não teve tanto tendo que desvendar,
- 27:41né, simplesmente foi indo no começo sim, depois foi se
- 27:45envolvendo com o próprio busca pela verdade foi se envolvendo
- 27:49com outros problemas e aí se outros problemas foram esticando
- 27:52a campanha e mais pro final retomou-se a atenção pro
- 27:58mistério e aí, enfim e Spoiler de Mago na verdade tinha uma
- 28:06segunda camada de mistério que na verdade era tudo uma grande
- 28:10analogia ao Mágico de Oz Porque eles estavam dentro de uma bolha
- 28:14de um desaurido. Existe esse ser dentro do Lorde
- 28:18Mago, que é o mago que faz a magia.
- 28:20Extremamente poderosa, só que sem querer.
- 28:22Porque é a loucura que o tem, e não ele tem a loucura.
- 28:26É mais ou menos isso. E cara, comparando… Essa ideia,
- 28:31né? Você tinha uma ideia de mistério
- 28:35no início do jogo e essa ideia, ela se manteve até o fim, nesses
- 28:40quatro anos? Ou foi uma coisa que de alguma
- 28:42forma evoluiu e teve algumas tintas diferentes?
- 28:45Como é que foi esse processo? É, eu sou um ouvinte assíduo do
- 28:48café, né? Então eu já ouvi, já discuti
- 28:50várias vezes com o rádio do meu carro, caramba, Bob, mas isso,
- 28:53isso, aquilo, outro, e não tinha respostas por motivos óbvios,
- 28:56né? Eu indo pro trabalho, ouvindo no
- 28:58Bluetooth vocês conversando. E eu não costumo fazer o
- 29:06mistério quântico, né? Que você colocou nos episódios
- 29:09mais recentes. Eu não costumo fazer na
- 29:12resolução, na resposta do mistério.
- 29:15Mas eu costumo fazer nas pistas. Então...
- 29:20Vamos supor, no Malditas Cores, eu defini desde o princípio quem
- 29:24iria matar. Desde o princípio não, eu vou
- 29:26falar um pouco do processo. Mas desde a primeira sessão eu
- 29:30sabia quem matou, quem estava atrás dos assassinatos.
- 29:35Mas o modo como essas resoluções foram sendo feitas, eu fui sendo
- 29:42mais flexível. Uhum.
- 29:45Então assim, as pistas, né? Como se chegar às pistas, eu fui
- 29:49sendo mais flexível. Geralmente eu faço assim, né?
- 29:53Eu penso na estética. Então, Mago foi daquele jeito.
- 29:56Tales from the Loop. O que eu pensei em Tales from
- 29:59the Loop? Pô, eu quero fazer uma aventura
- 30:01que seja um looping. Eu vou brincar com o nome do
- 30:03loop, o próprio nome deu uma inspiração.
- 30:04Vou fazer um dia da marmota. O mistério vai ser esse.
- 30:08Por que eles estão presos no dia da marmota?
- 30:12É, o Vampiro lá do Clube Stray, que foi uma campanha completa.
- 30:15Uma campanha, na verdade, foi uma réplica de uma campanha que
- 30:17eu fiz em casa. De maneira mais soltinha.
- 30:20Eu pensei assim, cara, o Lorde Vampiro no momento, na quinta
- 30:24edição, é dos vampiros meio soltos.
- 30:26Os antigões sumiram. Tá só os sangue fracos.
- 30:29O que eu vou fazer? Vai se passar em Barcelona,
- 30:32historicamente, uma... No lore antigo era cuidado pelo
- 30:37Sabá, só que no lore novo todo mundo sumiu, o próprio Sabá
- 30:40sumiu. Então por que não vampiros que
- 30:42estão numa cidade que não sabem quem é o príncipe?
- 30:44Eles estão numa cidade e não sabem quem é o príncipe da
- 30:46cidade. Mas aí eu sempre tento pensar
- 30:50numa quebra, né. Igual no Mago lá, eu pensei, ah,
- 30:53um grande CBP num caso, só que na verdade era Oz.
- 30:59No teu Shondeloop, ah, é um dia da marmota, só que na verdade...
- 31:02Então o vampiro pensa assim, beleza, mas só que na verdade
- 31:06tem espríncipe. Tem um principado sendo
- 31:10instaurado. Só que na verdade eram dois.
- 31:14Eles não sabiam qual era o verdadeiro, qual foi o
- 31:16verdadeiro principado legítimo que a camarila enviou pra aquele
- 31:20lugar, que a seita mandou pra aquele lugar.
- 31:22Então eles estavam sendo coaptados por dois ao mesmo
- 31:25tempo, só que eles tinham que manter segredo de um e de outro,
- 31:27porque eles tinham sido tratados como traidores.
- 31:29Então do nada, a ideia era eles passarem o tempo da campanha sem
- 31:32saber pra que príncipe eles estavam servindo, e do nada eles
- 31:36estão servindo a dois. Aí eu vou com essa ideia de
- 31:40estética na minha cabeça. Vou pra sessão zero.
- 31:44Aí na sessão zero eu monto o tabuleiro.
- 31:46Eu ouço os jogadores, eu vejo o personagem de cada um, eu vou
- 31:50vendo o que cada um tá criando. E ali eu crio os pivôs.
- 31:55Com Malditas Cores foi exatamente assim.
- 31:58A história do Malditas Cores foi a seguinte.
- 32:01Eu e o nosso querido amigo falecido, já tá nas estrelas,
- 32:07né. E o Uri jogava com a gente e
- 32:10tal, já jogou no canal. E o Uri jogou num dos spin-offs,
- 32:15vários spin-offs de Mago, ele jogou com um NPC queridíssimo.
- 32:19Teve um spin-off que eu fiz com apoiadores do canal jogando com
- 32:22os NPCs. E ele jogou com o Vandal.
- 32:25Você se lembra do Vandal? Nossa, eu lembro.
- 32:26Eu lembro muito do Vandal. Eu sou o mais carismático do
- 32:30Mago, pô. É...
- 32:31E aí... Vamos meter o pé na porta,
- 32:34porra. E aí o Yuri jogou com o Vandal.
- 32:38É, o Yuri, a gente falou assim, o Yuri, pô, tava querendo fazer
- 32:40um cenário de Cthulhu mais tropical, cara.
- 32:43Conversar, uma coisa meio, meio...
- 32:45Como é que é aquele filme? Midsommar?
- 32:48Como é que é? Não sei o que.
- 32:49Midsommar. Midsommar.
- 32:52Que é um terror feito de dia. Eu queria um Cthulhu colorido,
- 32:56cara. Queria criar um Cthulhu colorido
- 32:58e tal. Aí ele jogou uma mesa minha
- 33:00comissionada no Torre do Dragão. Com o Henrique lá, com a... com
- 33:06a esposa dele agora, não esqueci o nome, isso, com a Ju.
- 33:11E a ideia era fazer com que aquela sessão que eu fiz, aquela
- 33:16sessão fosse um prequel da que viria depois.
- 33:22A gente pensou Uma cidade do Rio, dei pra ele mais ou menos a
- 33:27pegada. Cara, tô pensando em fazer uma
- 33:29coisa meio Saramandai. Como sempre, minhas cidades
- 33:31fictícias, né. Belstone e tal.
- 33:33Queria fazer uma cidade fictícia ali, prensada entre alguns
- 33:36municípios do Rio de Janeiro. Uma coisa meio de ilha, bem
- 33:39solar. Aí a gente foi pensando, ele deu
- 33:41a ideia de Garatukaya. E eu falei, ó, vai precisar ter
- 33:47um… Vai precisar disso, isso. Eu dei pra ele alguns pontos.
- 33:51Que eu tava pensando, porque qual era a minha ideia?
- 33:53Eu queria fazer um cenário. E quando eu, pelo menos, penso
- 34:00em cenário, eu penso em lugares onde possibilidade de histórias
- 34:03acontecerem. Eu não crio a história.
- 34:06Eu nunca tinha feito isso antes. Aí fiquei meio perdido, a ideia
- 34:10foi meio que perdendo força. E o Wee partiu, foi pra Junto
- 34:14com o Papai do Céu. E aí...
- 34:17Eu pensei, cara, vou retomar essa ideia, vou fazer a
- 34:20campanha, só que vou fazer de um jeito mais, vai ser um oito
- 34:23episódios, não vai ser nada megalomaníaco, não vou fazer
- 34:25cenário, nada disso, mas vou tomar os pontos, mais ou menos.
- 34:30Preciso de um mistério. E aí o que eu pensei?
- 34:34Cara, eu tava muito na pilha, eu tava assistindo um documentário
- 34:36de jogo do bicho no Rio de Janeiro.
- 34:38Eu falei, cara... Quem não ficou empolgado de
- 34:40fazer uma mesinha de bicho vendo o vale que tá escrito?
- 34:46Cara, aquilo ali é uma história de máfia, né?
- 34:49Mas só que na hora que eu pensei, cara, isso é uma
- 34:51história de máfia... Na verdade, veio a série do Vale
- 34:56Escrito, eu retomei o projeto com o Yuri, quando tava na série
- 34:59do Vale Escrito, eu pensei, cara, isso é uma série de máfia.
- 35:01Na minha hora eu pensei, mas é uma máfia tropical.
- 35:05É uma máfia com assinatura, com DNA carioca, brasileiro.
- 35:08Muito, né? Aí eu lembrei do Cthulhu, que eu
- 35:10tinha falado, cara, Cthulhu com DNA brasileiro.
- 35:13Cara, por que não? Aí uma coisa nem com a outra.
- 35:18Falei, cara, o Cthulhu com DNA brasileiro, com crimes,
- 35:23mistérios, em um ambiente de máfia brasileira, que nada mais
- 35:26é do que essa coisa do jogo do bicho, tá aí, cara.
- 35:29E aí eu pensei justamente naquela época, comecei a estudar
- 35:32sobre a época e esbarrei com o verão na lata.
- 35:36Aí eu, cara, eu lembrava dessa história, mas era uma coisa que
- 35:40fica no inconsciente. Falei, cara, eu vi isso uma vez,
- 35:43quando eu era moleque, quando eu era... doideira e eu esqueci.
- 35:46E aí quando eu me deparei com a história, eu falei, cara, isso
- 35:49aconteceu, eu tava estudando nessa época, no colégio que eu
- 35:51tava, eu me lembro disso. Falei, cara, vai ser isso.
- 35:55Tem toda uma mitologia fantástica no Rio de Janeiro,
- 35:58quem é carioca sabe disso, vai ser isso, cara.
- 36:00E aí eu comecei a pensar, aí sim, isso aí foi a estética do
- 36:06cenário. Aí eu precisava da estética do
- 36:09mistério. E aí qual era a estética do
- 36:12mistério? Eu pensei, cara, carnaval.
- 36:17Eu vou ter que... O bicho tá muito ligado a
- 36:19carnaval e tal. E os bichos e coisa e tal.
- 36:24E aí eu pensei nessa coisa do Sam Henredo.
- 36:27O Sam Henredo com queijo. Geralmente o Sam Henredo fala
- 36:29muito de religião. E aí uma coisa foi ligando a
- 36:34outra. É assim que minha cabeça
- 36:35funciona. O Bob já tá acostumado.
- 36:37E aí eu falei, cara... Eu vou mexer com uma religião
- 36:41que pra mim não vai dar pior nenhum.
- 36:43Pra mim é o que eu tenho lugar de fala e que não vai dar pior
- 36:44com ninguém. Eu vou falar de cristianismo
- 36:46mesmo. E vou falar de...
- 36:48Aí criei esse samba-enredo do aramaico ao hebraico.
- 36:52As cores que criam a realidade. E aí eu pensei, cara...
- 36:58Assassino que vai retratar os carros alegóricos que nada mais
- 37:02são do que eventos bíblicos. Então vai começar lá com
- 37:05Adonheva, depois vai pra... Depois vai pra Canhabel...
- 37:10Depois vai pra Noé. E eu tinha pensado até depois de
- 37:14fazer o spin-off de escrever um livro de assassinato sobre isso
- 37:16e tal. E aí pensei em True Detective e
- 37:18falei, cara, é isso. O mote do jogo, da campanha é
- 37:21onde True Detective encontra vários pretos.
- 37:26Essa é a estética. Essa é a estética.
- 37:29E aí eu só tinha isso. Eu não tinha mais nada.
- 37:32Só tinha o desejo, só tinha a vontade, só tinha… o pôster,
- 37:37saca? Tanto que eu fiz uma arte e tal,
- 37:40publiquei a arte pra todo mundo e fomos pra sessão zero.
- 37:43Rapidinho, só fazer um parênteses aqui, só pra galera
- 37:45que entrou em contato aí com esses termos que você tá usando,
- 37:49né? Você falou de estética e você
- 37:51falou também de dinâmica. Só pra ficar mais claro, o
- 37:54Márcio aqui não tá usando a mesma acepção que a gente usou
- 37:57no episódio anterior, por exemplo, de estética dentro
- 38:01daquele modelo do MDA, de Game Design.
- 38:03Estética que é no sentido mais artístico mesmo, né?
- 38:06É, estética no sentido que a maioria das pessoas entendem.
- 38:10É, a mesma dinâmica também, só pra fazer a diferenciação de que
- 38:13a gente tá falando de estética num cunho mais artístico mesmo,
- 38:16na entrega do produto audiovisual, da aventura
- 38:18enquanto arte, né? Passa um pouco mais com isso.
- 38:21Isso, isso. Aí, nos processos de criação, a
- 38:25gente passa um pouco por essa coisa...
- 38:28Parece um desenho. Começa a rabiscar.
- 38:31Lembra muito quando eu fazia faculdade, né?
- 38:33Fazia aulas de composição, sou arquiteto de formação.
- 38:36E tu vai rabiscando. Joga fora, faz mais um rabisco,
- 38:39joga fora. Então, eu fui pra Sessão Zero
- 38:41apenas com fotos e nomes soltos, desconhecidos.
- 38:45Sem brincadeira, cara. Foi isso mesmo.
- 38:46Aquele monte de foto que vocês viram lá na Sessão Zero...
- 38:51Do Amadeu, foi tudo gerado em Iá, cara.
- 38:55Eu gerei em Iá, fui pedindo, fui colocando, essa aqui tá bom,
- 38:58essa aqui eu preciso de um chefe, eu preciso de um
- 39:00patriarca, vou ter um patriarca. Ah, esse cara vai ter uma
- 39:02esposa, vou ter uma lá. Aí fui colocando, fui colocando
- 39:06ali, fui jogando, fui pensando, fui jogando os borrões de tinta
- 39:08na tela. Fui botando, botei parte ali,
- 39:12uma família estruturadinha ali, mais ou menos.
- 39:15Não sei nada dessa família. Só joguei um nome ali.
- 39:21O nome tá me soando bem, é isso. Vou botar aqui um obrigado com o
- 39:25outro. Fui colocando umas tretinhas
- 39:26antes. E aí fomos pra sessão zero e
- 39:30pedi pra galera criar seus personagens, obviamente.
- 39:33Mas além de criar, criar os vínculos também. com esses
- 39:38personagens. E aí você teve algumas
- 39:41exigências, né? Você tinha um framework, você
- 39:43tinha um modelo ali. E eu acho que isso foi muito
- 39:46nevrálgico ali, muito importante pra estabelecer essa campanha,
- 39:50né? Conta pra gente ali o que tinha
- 39:53que ter, que você pediu pra gente traçar essas linhas, o que
- 39:57tinha que ter e como isso estruturou o teu jogo a partir
- 40:03de então. É, eu fui criando regras de
- 40:06composição. Falando de novo aqui de pintura,
- 40:08desenho. Fui criando regras de
- 40:09composição. Falei assim, olha, eu preciso
- 40:11que vocês tenham vínculos com essa família de forte, com essa
- 40:14família, vínculo forte. Essa é uma família de jogo do
- 40:17bicho. Uma preocupação que eu tinha
- 40:19também, que eu não podia botar nomes que fizessem alusão, por
- 40:21motivos de segurança até, a criminosos de verdade.
- 40:24Então, ó, vocês têm vínculos com essa família aqui.
- 40:29Eu quero que vocês criem esses vínculos.
- 40:31E esses vínculos, a gente vai trabalhar quatro deles aqui,
- 40:34mais ou menos, assim. Um deles, inclusive, eu
- 40:36improvisei na hora. Mas eu já sabia, mais ou menos,
- 40:38que a gente ia... Ó, precisa de um vínculo
- 40:40positivo, né? Alguém que você...
- 40:44Na verdade, alguém... Comecei por quem que você quer
- 40:48que morra. Acho que foi o primeiro pelo
- 40:50negativo. Acho que quem que você quer que
- 40:52morra. Ou então, quem que você não quer
- 40:54que morra. Um negócio assim.
- 40:56Quem que você quer proteger. Quem que já morreu.
- 40:58Não, quem que já morreu não. Quem que você quer que morra.
- 41:01Quem que você não quer que morra.
- 41:03De quem que você sabe um segredo.
- 41:07E também, quem sabe um segredo de você.
- 41:09Alguma coisa assim. Deve alguma coisa.
- 41:12E desses quatro vínculos... vai ter que ser com outro jogador,
- 41:18um personagem de outro jogador. Então vocês vão fazer qualquer
- 41:21um. Você pode querer que alguém
- 41:22morra, seja um dos personagens do jogador.
- 41:24Ninguém escolheu esse. Mas de segredo teve gente que
- 41:27escolheu, né? E assim foi.
- 41:29A gente criou um in-game dentro daquela sessão zero, como eu
- 41:32gosto de fazer com tudo com a sessão zero que eu faço, quem me
- 41:34conhece um pouquinho sabe que eu gosto de criar aleatoriamente
- 41:37elementos de jogo, de cenário. Eu invento esse negócio de pegar
- 41:42adjetivos no objeto e jogar esse adjetivo no personagem.
- 41:46Essa randomicidade eu curto na hora da sessão zero, porque isso
- 41:50me desafia depois. Depois que eu faço aquela sessão
- 41:53zero, caraca, agora eu vou voltar pra prancheta.
- 41:56Eu levei alguma coisa pra sessão zero, né?
- 41:59pré-seção zero, levei. E agora eu volto com mais
- 42:04material, coisas que os jogadores desenvolveram, porque
- 42:07isso é uma coisa que eu acredito muito, quando o jogador
- 42:09desenvolve, ele vai ter mais afinco, ele vai estar mais
- 42:12empolgado para jogar, porque foi ele que criou.
- 42:15Então ele vai criar um monte de coisa, e eu vou agora voltar
- 42:18para o Anchieta e vou trabalhar. Se eu mudar alguma coisa muito
- 42:21profunda, eu vou ter que entrar em contato com o jogador, porque
- 42:23eu não tenho esse direito. Ele criou aquilo.
- 42:25Mas eu fui na onça, eu fui na Dubai.
- 42:29Até esse momento, eu não sabia quem era o assassino, em série.
- 42:33Porque, na verdade, não era um jogo apenas… Todo mistério nas
- 42:37minhas campanhas é um pano de fundo.
- 42:47Então... Se puder, há mais de um, na
- 42:49verdade, né? Se puder, há mais de um.
- 42:51Porque pra mim o que importa é a jornada e como é que os
- 42:54jogadores vão lidar com esses mistérios e como é que os
- 42:56personagens deles vão acabar no final dessa jornada.
- 43:00E eu não curto muito, eu não concordo muito com essa coisa do
- 43:04mistério ser quântico, de você...
- 43:07Ah, eu defini o assassino e o assassino vai mudando...
- 43:10Porque da mesma forma como eu tenho que ter ética e
- 43:12honestidade na hora de definir, de não fazer o urso quântico, aí
- 43:15não tem jeito, cara. Você vai ter que partir do
- 43:18mestre. Eu não vou poder...
- 43:19Aí eu tenho que me defender. Principalmente porque você usou
- 43:24a palavra ética. Eu acho isso muito importante.
- 43:28Eu acredito que mesmo em qualquer campanha que você tenha
- 43:32anotado previamente esse tipo de coisa, o mistério sempre será
- 43:37quântico. Até que a sua ficção seja
- 43:41reivindicada em jogo e vire bagagem comum a todos os
- 43:44jogadores, senão não tem como você gerar um compromisso
- 43:47interno do jogo. Então, assim, eu respeito a
- 43:50visão de quem fala, eu faço um planejamento e sigo com ele até
- 43:54o fim, eu concordo que isso é uma boa prática para guiar.
- 43:58Mas eu discordo de que você consiga fazer isso de qualquer
- 44:02forma sem que haja uma reivindicação coerente disso.
- 44:06A reivindicação coerente, inclusive, é o centro dessa
- 44:08dinâmica de jogo, falando em termos de jogo mesmo.
- 44:11E aí, nesse ponto, o mistério sempre será quântico. até que
- 44:17aquilo seja reivindicado em jogo então não adianta você dizer ah,
- 44:20eu sei quem é o assassino se aquele assassino não foi
- 44:25descoberto ainda, se aquele assassino ainda tem muitas
- 44:27possibilidades dentro do jogo então você pode até ter um
- 44:30compromisso teu quanto a prep Sim.
- 44:33Mas isso aí não gera jogo, né? Isso não vem pro jogo até que
- 44:37você se comprometa na ficção com aquilo ali.
- 44:41Então acho que isso aí vale uma defesa.
- 44:44Eu concordo com a pontinha, com o início do fato de que você é
- 44:49coadjutor final do jogo. E a forma como vai desenrolar
- 44:52também. Mas a partir do momento que eu
- 44:55falei assim, ó, eu criei, eu não tenho ainda a primeira sessão, a
- 44:59primeira sessão ainda não rolou, mas eu vou fazer de uma forma,
- 45:02alguns relógios, eu vou deixar aqui alguma coisa engatilhada,
- 45:07pra que, ó, a primeira sessão, a primeira cena é minha.
- 45:12Primeira cena, não tem jeito. Eu vou descrever ali… De onde
- 45:15vai começar, até o início do jogo, não existe jogo nenhum.
- 45:21Só existe prep, aqueles que… Eu vivo pregando de que eu sou um
- 45:24cara low prep. Mas low prep no sentido de que
- 45:26eu não preparo muito pra que as coisas que eu preparei não se
- 45:31percam. Então eu preparo apenas aquilo
- 45:33que eu acho que vai aparecer. Então eu sempre me preocupo com
- 45:36a primeira cena, com a primeira sessão.
- 45:37Acabou a primeira sessão, vou ver o que vai ter pra segunda
- 45:39sessão. E aí se alinha com o que você
- 45:41falou. Mas, por exemplo, quando eu
- 45:44defino pra minha primeira sessão, ainda mais falando de
- 45:46stream, que vai ter um quadro pintado com sangue, como é que
- 45:50esse sangue vai ser... Como é que esse sangue vai
- 45:53ser... Como é que esse sangue foi
- 45:55adquirido pra poder fazer essa pintura?
- 45:57Cara, eu tinha uma justificativa dentro do fato do meu assassino
- 46:00ser um médico. Que não tava no primeiro,
- 46:03inclusive, no primeiro tabuleiro.
- 46:05Porque eu queria ir pra sessão zero só com aquelas fotos
- 46:07daqueles desconhecidos depois que eu visse as histórias de
- 46:10todo mundo criar em cima do que o jogador E eu chego, e você
- 46:18usou o termo razoável, como é que é?
- 46:21Razoabilidade... Investigação razoável, como é
- 46:27que é? Trazer uma razoabilidade para a
- 46:29investigação. Não, eu falo que você precisa
- 46:35reivindicar a ficção daquele mistério, a resposta daquele
- 46:40mistério tem que gerar um compromisso dentro de jogo.
- 46:44Esse compromisso você não consegue firmar. sozinho pela
- 46:48tua cabeça, porque a tua ideia não tem como entrar em jogo sem
- 46:52uma reivindicação. É a mesma coisa pra prep.
- 46:56Então aquilo que você entrar em jogo, eu acredito que o setup
- 46:58que você faz, por exemplo, que é maravilhoso, ele traz consigo
- 47:03muitas reivindicações que são essenciais pro jogo a partir
- 47:07dali. E muitas vezes, nesse setup...
- 47:11Você vai trazer muitos elementos que são compromissos que você
- 47:15assume com o público e com o jogo.
- 47:17Isso dá pra ver, se você viu no YouTube com esse olhar.
- 47:20Você vai ver que você gera muito compromisso ali nesse momento
- 47:24que você tá apresentando personagens.
- 47:26Você tá fazendo um desfile. Você mesmo falou isso, né?
- 47:29Um desfile de personagens ali pra gente olhar e a gente
- 47:33entender mais ou menos o desenho geral.
- 47:34Sim, o velório da primeira sessão eu coloquei nos
- 47:36suspeitos. É um desfile de suspeitos.
- 47:40Então nesse ponto você já está ali construindo o seu cara a
- 47:44cara, por assim dizer, usando a analogia do episódio anterior.
- 47:47Você já está construindo ali alguns compromissos seus com a
- 47:51ficção e meio que a gente já está entendendo qual é o rol de
- 47:56suspeitos, mais ou menos quem pode e quem não pode ser.
- 48:00E aí nesse caso ele é quântico. Ele é quântico, naquele ponto
- 48:05ali, ele é quântico. Não tem como você dizer que a
- 48:07gente, em jogo, se sabe. Não, você, mestre, fora do jogo,
- 48:11você pode ter uma convicção de que essa ficção vai emergir.
- 48:16Mas você ainda assim precisa chegar lá e construir isso em
- 48:19jogo, né? Então, por isso que eu acho que
- 48:21o teu setup, inclusive, é tão bom, sabe?
- 48:23Mas o que eu digo que talvez, não sei se eu que entendi errado
- 48:28por dizer que estou discordando de estar falando a mesma coisa,
- 48:30ou que talvez eu realmente esteja discordando, é o fato de
- 48:33que eu estava disposto a não mudar o assassino, o médico.
- 48:38E aí eu estava desafiando os jogadores ali com algumas pistas
- 48:43que eu estava jogando, e me desafiando a não cometer nenhum
- 48:48ato falho, a entregar essas pistas de uma maneira que não
- 48:51fosse tão escrachada, pelo menos não para uma primeira sessão.
- 48:57É, eu acho que isso é a melhor forma de mestrar um bom
- 49:00mistério. Por quê?
- 49:02Tipo, você começa a assumir ali uma coerência com o que você tá
- 49:06botando, né? É como você ter um guia do que
- 49:08colocar em jogo, né? Se você tá fazendo isso e você
- 49:11não tem a mínima ideia de nada a respeito do mistério, você tem
- 49:14ali mais dificuldade, na minha percepção, de reivindicar as
- 49:19coisas de forma consciente, coerente, dentro desse
- 49:22repertório que vai sendo criado. Agora, de qualquer forma, você
- 49:27precisa colocar esses elementos ali pra eles descobrirem, né?
- 49:30Tanto que tem aquela coisa do mind blow, aquela discussão em
- 49:32torno do mind blow, né? E você é um mestre que explode
- 49:35cabeças de um jeito muito legítimo, né?
- 49:38O Mind Blow legítimo dentro da mídia do RPG, na minha cabeça,
- 49:42que você explode mente, é quando o jogador olha pra trás e fala,
- 49:46porra, mas aquilo eu tinha como saber.
- 49:49Que você simplesmente chegar e falar, cara, eu apresentei
- 49:54suspeitos A, B e C, botei todas as provas relativas a suspeito
- 49:57A, B e C e no fim eu vim com um suspeito D que nem tinha entrado
- 50:01em jogo. Velho, tu não explodiu a mente
- 50:03de ninguém. Ou você trouxe um suspeito B que
- 50:06não tinha nenhum indício voltado pra ele.
- 50:08Mas você simplesmente resolveu que vai ser assim, né?
- 50:10Pela regra do legal, qualquer coisa assim.
- 50:12Então, pra muita gente, aconteceu isso nessa campanha.
- 50:17Eu não tô aqui pra falar só a vitória contra só a vitória,
- 50:20não. Conta a derrota também, pra
- 50:21muita gente. Teve gente que falou isso, que
- 50:22deu um feedback. É, que o médico, ninguém...
- 50:25Ah, cara, pra mim isso aí foi a gata Cristian.
- 50:28Isso aí foi um monte de pista e de repente...
- 50:32Mas aí a gente vai falar um pouquinho sobre isso daqui a
- 50:33pouco. Eu só queria fechar essa ideia
- 50:35da preparação, né? Eu gosto de fazer dessa forma
- 50:41porque se eu mudar no meio do caminho o suspeito, alguma coisa
- 50:46que seja mais central, eu vou estar descartando a
- 50:50possibilidade dos jogadores não concluírem, não descobrirem. faz
- 50:55parte da investigação, de um resultado de investigação de um
- 50:58jogo, não se descobria. De um filme, de uma série,
- 51:01talvez não. Mas eu me lembro do filme da
- 51:04série, do filme Zodíaco. E acho que é porque foi baseado
- 51:08em fatos reais que o filme terminou sem resolução.
- 51:11E aí, quando eu descobri que era mais em fatos reais, eu falei
- 51:13que faz sentido, que nem tudo dá pra dar.
- 51:16Agora, na ficção, quase todo filme e série tem que vir com a
- 51:20resposta. Mas por que você acha que essa
- 51:24ideia do mistério sequântico, ele traz em si a impossibilidade
- 51:30do fracasso? Porque ele é um desafio.
- 51:35Mas por que ele não pode fracassar no desafio?
- 51:37Se eu boto um puzzle numa sala... eu tenho que ter a
- 51:41possibilidade dos caras não resolverem o puzzle e não vão
- 51:44passar pela parede. Não, mas eu quero saber por que
- 51:46a coisa quântica, tipo assim, vamos dizer que você tem ali
- 51:50algumas opções, né? Por que você admitir que no
- 51:55jogo, enquanto aquilo não for construído em jogo, ele não tem
- 52:00resposta? Por que isso impede o fracasso?
- 52:07Porque é um fracasso no sentido de eu resolvi o mistério é tido
- 52:13como sucesso, eu não resolvi o mistério não é tido como
- 52:17sucesso. Vamos simplificar o exemplo e
- 52:20trazer para o urso quântico. Cara, não achar o urso também
- 52:24faz parte do jogo. Se eu fizer com que o urso
- 52:26esteja onde eu quero, eu tô tirando não só a agência dos
- 52:32jogadores, como também a aleatoriedade do próprio jogo,
- 52:34das coisas que podem acontecer, dos caminhos que podem me
- 52:37furcar. Se eu seguir ao pé da letra, eu
- 52:40me lembro que durante um bom tempo a gente discutia muito no
- 52:43meio da RPG essa coisa de, ah, o puzzle não é uma dungeon, só
- 52:46existe uma solução possível. Cara, a gente jogou há pouco
- 52:50tempo na casa do Volo. E teve uma solução lá de um
- 52:54problema de... Que a gente tinha um mago que
- 52:56ele buscava equilíbrio em tudo. E ele passou uma charada.
- 53:00O Volo passou uma charada, uma sequência de charadas pra se
- 53:03resolver. Quatro charadas.
- 53:05Quatro charadas, cinco, sei lá. E aí cada um tinha que resolver
- 53:07uma charada, um puzzle. No laboratório do mago lá.
- 53:12E aí... E esse mago era o mago
- 53:15acinzento, que tudo era o bem e o mal, tudo era equilíbrio.
- 53:18Dois de nós acertamos, dois de nós erramos.
- 53:22Eram cinco jogadores. Quando chegou na vez do Ramon, a
- 53:25gente já tava discutindo antes, meio que em meta, sobre essa
- 53:28coisa do equilíbrio, equilíbrio. Olha, o que vocês acham disso?
- 53:30Chegou na vez do Ramon e falou assim, olha só.
- 53:33Mago, existe um equilíbrio aqui. Dois de nós acertamos e dois de
- 53:37nós erramos. Existe equilíbrio maior do que
- 53:39este? Eu achei maravilhoso.
- 53:42Tanto que o Volo também achou maravilhoso e acatou.
- 53:45Depois ele falou pra gente no feedback, depois da sessão, que
- 53:47falou, cara, eu não tinha pensado nisso.
- 53:49Eu tinha preparado uma coisa só que vocês tinham que acertar
- 53:52mais do que errar os puzzles. Quando ficou dois a dois, chegou
- 53:55no Ramon, o Ramon se recusou a fazer o quinto puzzle porque já
- 53:57tinham chegado no equilíbrio, eu acatei.
- 54:01Nesse caso, porque eu não sou também tão ferro e fogo assim
- 54:04como parece que eu tô defendendo, nesse caso eu acho
- 54:08legítimo, porque foi um modo como...
- 54:12A pista foi trabalhada. Mas os mistérios meio que estão
- 54:17ali ainda. Os puzzles estão ali ainda.
- 54:19Foram trabalhados ainda. Tá entendendo?
- 54:22Não sei se eu tô... Então, eu entendo, cara.
- 54:25Mas eu acho que o que você não tá pescando é que, no fundo, a
- 54:28dinâmica de jogo é a mesma nisso aí.
- 54:30É a mesmíssima. O que acontece é que, no fundo,
- 54:34você precisa trazer aquela resposta... do mistério, você
- 54:39precisa construir ela na ficção. Ela precisa aparecer.
- 54:43Enquanto ela não aparece, não importa que você tenha na sua
- 54:46cabeça como mestre colocado determinada realidade.
- 54:50Aquela realidade você precisa traduzi-la no jogo.
- 54:54Então quando você traduz aquilo no jogo, você se compromete.
- 54:57O ogro quântico, o urso quântico, qualquer coisa
- 55:00quântica, Ele continua sendo quântico até que no jogo os
- 55:04jogadores consigam olhar e falar, bom, eu consigo ver
- 55:08indícios do urso para cá? Eu consigo ver pegadas do urso
- 55:13aqui? Consigo seguir essas pegadas
- 55:15para o outro caminho? Não tem?
- 55:16Não. Então eu vou seguir aqui.
- 55:18Você vai seguindo até que, de fato, os indícios todos, tudo o
- 55:22que acontece em relação a isso, leva você a descobrir o urso ali
- 55:26e você tem certeza que aquele urso existe.
- 55:32E nesse caso eu não digo nem que é foreshadowing exatamente,
- 55:34porque não é uma antecipação, são uns indícios mesmo.
- 55:37É o lastro mínimo de informação que o jogador tem que ter pra
- 55:41entrar em contato com aquela realidade.
- 55:43E se você tem na sua cabeça determinada realidade e você não
- 55:48tá colocando aquilo em jogo, ele não tem nem como saber.
- 55:51Então nesse ponto, em vez do jogador ficar... dependendo da
- 55:58preparação com que ele não tem como ter contato, ele não tem
- 56:01como ter acesso à tua preparação como documentação.
- 56:05E ele não tem como ter acesso à tua mente para ver o teu
- 56:09compromisso, para falar, esse mestre garante que isso aqui é a
- 56:14resposta da sua santa. Ele não tem como fazer isso.
- 56:16A única coisa que garante para ele que ele tem como acessar a
- 56:19verdade de onde está o urso, são os indícios do urso em jogo e a
- 56:26própria ficção do urso em jogo. Então, o lance de você mudar...
- 56:31Ah, mas você mudou em cima da hora o urso de caminho.
- 56:34Não, não mudei nada. É porque o urso nunca esteve em
- 56:37lugar algum. Ele precisou ser definido.
- 56:40Mas a partir do momento que eu começo a deixar que os jogadores
- 56:43perguntem e trago as respostas, ou eles mesmos começam a
- 56:47entender onde a ficção leva, há um compromisso lúdico de todos
- 56:52os envolvidos de que a gente está descobrindo, a gente está
- 56:55vendo o caminho desse urso ou outros caminhos possíveis para
- 56:58ele estar. E a gente vai trabalhar com
- 57:00essas possibilidades. Mas fora disso, a gente não tem
- 57:03como. E se eles não descobrirem?
- 57:06Não existe essa possibilidade? Existe.
- 57:09Por exemplo, aconteceu um negócio no jogo, vamos voltar
- 57:13para o Maldito das Cores. E muitas vezes é ligado a você.
- 57:16O próprio nome da campanha não foi deflagrado muitas vezes.
- 57:20Não foi fortalecida a marca. Porque existia uma coisa muito
- 57:26forte, principalmente com o negócio do Verão da Lata, E com
- 57:31algumas outras questões que eram muito ligadas até ao próprio
- 57:34Shangri-La, que era o teu personagem, né.
- 57:37E isso é uma coisa também que eu não recomendo a ninguém.
- 57:39Uma coisa que eu fiz e não curti ter feito.
- 57:42Caí no mesmo erro que eu sempre faço, que é ficar atrelando
- 57:44coisas a personagens. Mas em se tratando de streaming,
- 57:49eu perco a minha cartilha, cara. Eu cometo… Nossa, o negócio que
- 57:54eu faço depois que eu fico… Caraca, por que eu fiz isso?
- 57:56Porque eu fico realmente muito preocupado com o show.
- 57:59Mas essa coisa do Shangri-La, teve um momento que você se
- 58:03deparou com a praia… onírica lá, que você entrou no mundo onírico
- 58:07no Cthulhu existe um negócio de mundo onírico onde você pode
- 58:10aprender feitiços e magias e o tempo passa de maneira
- 58:14diferente, foi a tal porta que você abriu, a terceira porta da
- 58:17tua sala, do apartamento muito bom aquilo, por sinal é, e você
- 58:22entrou ali e o que tava preparado ali era que se você
- 58:26comesse aquela carne naquela hora, tu já teria um negócio já
- 58:29deflagrado, que foi deflagrado apenas no último episódio E aí
- 58:34você falou, cara, eu vou sair pra falar com o Lala.
- 58:36Eu vou lá fora contar pra ele o que eu tô vendo.
- 58:42E não comeu. E aí eu não podia forçar a barra
- 58:45de você... Agora você volta, tá?
- 58:47Não, fechou. E o jogo continuou.
- 58:50Depois, num dado momento, isso já perto do final da campanha,
- 58:54você ganhou o poder, acho que você já tinha comido essa carne,
- 58:56essa carne crua, de escolher... Você poderia matar alguém.
- 59:01A gente tem um poder extremo de matar alguém.
- 59:05De você ir pra qualquer lugar, no tempo e espaço...
- 59:10E um outro de você sair da campanha e ser feliz.
- 59:13Simplesmente fazer um com a natureza.
- 59:17E aí, você escolheu pra qualquer lugar, no tempo e espaço.
- 59:19Eu falei, ok. Por quê?
- 59:21Dessas três escolhas, essa era a que eu via… Essa e a… As três
- 59:27eram, de certa forma, as problemáticas, mas não pro
- 59:29último episódio. Era um desfecho, vamos dizer
- 59:31assim, né. Qualquer uma das três...
- 59:36Se ele escolhe, por exemplo... Matar um NPC que ele tinha
- 59:39desavença... Que era o...
- 59:40Esqueci o nome dele lá... Dário...
- 59:41Sei lá... Você mataria...
- 59:44Acabou... Se você fosse fechar...
- 59:46Ah, quero fazer um com a natureza...
- 59:48Poderia ver também com o teu personagem...
- 59:50Se você escolhesse esse do tempo e do espaço...
- 59:52Você poderia, por exemplo, escolher...
- 59:54Ir para qualquer um dos dias dos assassinatos...
- 59:56E contemplar e ver... Como é que foi o assassinato...
- 59:58Como é que foram feitas essas mortes...
- 59:59Como é que o mistério se desenrolou...
- 1:00:02Você escolheu... Nadar... surfar com o teu ídolo.
- 1:00:06E tu foi, bro. Tu foi.
- 1:00:09E eu não iria chegar ali forçando, fazendo retcon,
- 1:00:13pegando você pela mão, forçando a bala.
- 1:00:15Você foi. E essas várias tomadas de
- 1:00:18decisão, não só suas, mas de todos os outros jogadores, foi
- 1:00:21se afastando cada vez mais do próprio mistério, vamos dizer
- 1:00:27assim. Porque eu coloquei na minha
- 1:00:29cabeça que a jornada, e isso o pessoal estava adorando, era a
- 1:00:32construção dos personagens, o modo como eles estavam lidando.
- 1:00:34O jogo se tornou um jogo de vingança, se tu puder pensar.
- 1:00:37O mistério também tinha um pano de fundo.
- 1:00:40Vocês estavam sendo cooptados por aquela coisa que estava
- 1:00:42acontecendo com aquela família. Vocês estavam um pouco se
- 1:00:45lixando num dado momento. Quem é que estava matando geral?
- 1:00:47Vocês queriam mesmo que todo mundo morresse.
- 1:00:49E aí os personagens foram se neglingolando.
- 1:00:51Um foi morrendo, outro se matou, outro fugiu.
- 1:00:54E a outra virou herdeira da família dos bandidos.
- 1:00:56O negócio foi virando outra coisa também dentro desse cabo
- 1:01:01de guerra em três pontas que eu falo, que eu gosto de falar.
- 1:01:05dessa coisa dos jogadores também quererem qual o fim que vai dar
- 1:01:08pros seus personagens, mediante o que cada um também tá fazendo
- 1:01:11e o que a aleatoriedade tá ditando.
- 1:01:13O personagem do Dudu morreu no puro acaso da rolagem que ele
- 1:01:20dá. Ele foi pro combate todo, ele
- 1:01:22tirou um sem, sem no Cthulhu é crítico total.
- 1:01:25E ele morreu dando dobrada pro Calduro.
- 1:01:28Então assim, As coisas foram... foram... então eu gosto dessa
- 1:01:32coisa de... também meio zodíaco, sabe?
- 1:01:36O mistério tá lá, a história acabou e é isso.
- 1:01:40E aí o pessoal fica frustrado, porque vai às vezes com a
- 1:01:43expectativa e streama isso que eu não...
- 1:01:45Às vezes é a benção, é a maldição.
- 1:01:48Cara, isso não é uma série. Isso não é um filme.
- 1:01:51O Jogador de Jogo serve pra lá. É, tem toda uma mídia específica
- 1:01:55do RPG que, por mais que você tente fazer um show próximo do
- 1:02:00que é uma série, é muito complicado.
- 1:02:02Tem uma frase que soa, eu gosto muito de falar, que é todo RPG,
- 1:02:06por essência, ele tem o direito, na última sessão, ser
- 1:02:09anticlimático. Se tem uma coisa que eu sei, é
- 1:02:25que subestimar o desconhecido pode ser fatal.
- 1:02:28A tempestade que viemos investigar no litoral de Santa
- 1:02:31Catarina não é nada do que eu imaginava.
- 1:02:33Naufragamos logo na primeira noite.
- 1:02:35Minha garganta queimava, o sal corroendo cada gota de ar que eu
- 1:02:39tentava respirar. Eu tragava uma dor cruel a cada
- 1:02:42afogamento. Um desespero esmagador.
- 1:02:45Eu quase apaguei, quase não saí dessa.
- 1:02:48Acordei na costa de um cemitério de naufrágios, debaixo de uma
- 1:02:51chuva torrencial, com a minha visão embaçada pela areia e pelo
- 1:02:55sol. O som do mar se misturando aos
- 1:02:57ecos e estralos dos destroços fantasmagóricos.
- 1:03:01Um aviso das profundezas que tentamos desafiar.
- 1:03:04Cada pedaço de fuselagem é uma história de desespero.
- 1:03:08Esse lugar, essa ilha perdida, guarda mistérios que podem ser
- 1:03:12mais sombrios que qualquer coisa que eu já enfrentei.
- 1:03:16Aqui é Laura Muniz de Moura, e esse é o relato do início da
- 1:03:18minha investigação dos mitos de Atlântida.
- 1:03:33E aí, sobrevivente, está preparado para o maior desafio
- 1:03:37de RPG que você já enfrentou na sua vida?
- 1:03:40Boas-vindas aí à temporada beta de Mitos de Atlântida, um jogo
- 1:03:45experimental de horror e sobrevivência em sessões
- 1:03:47episódicas, onde o foco aqui é o desafio e a imersão total.
- 1:03:52Você busca desafios intensos, né?
- 1:03:54Você acabou de encontrar o Everest do RPG.
- 1:03:58E a temporada beta chega com mudanças incríveis pra gente aí.
- 1:04:01Regras mais simples e ao mesmo tempo mais sofisticadas.
- 1:04:05A gente dá mais liberdade pra ficção sem se preocupar tanto
- 1:04:08com mecânica. Aplicação de arquétipos, né, que
- 1:04:11seriam as cartilhas de jogo aí, os playbooks.
- 1:04:13E a evolução dos personagens sem uso de nível de personagem.
- 1:04:17A gente tá fazendo evolução por fato ficcional.
- 1:04:20Pela primeira vez a gente vai ter Myths of Atlantis.
- 1:04:23A primeira campanha de Royal Fantasy inteiramente mestrada e
- 1:04:25jogada em inglês. Um marco aí pra expandir a nossa
- 1:04:28comunidade, a nossa forma de jogar.
- 1:04:31E pra quem não tem tempo pras sessões de voz, né, não se
- 1:04:33preocupa não, porque a gente tá implementando um sistema
- 1:04:35assíncrono de jogo aí, via Telegram, você pode investigar
- 1:04:39os mitos, a aventura tá sempre ao seu alcance.
- 1:04:42A temporada beta de Mitos de Atlântida já começou, e eu quero
- 1:04:45saber se você tá pronta, se você tá pronto pra enfrentar o
- 1:04:48desconhecido. Junte-se a nós aí, prove que
- 1:04:51você é capaz de sobreviver ao maior desafio Wild Fantasy de
- 1:04:54todos. Investiga os mitos, venha pra
- 1:04:57Mitos de Atlântida. Eu vejo uma coisa muito
- 1:05:33específica também, um ponto em comum que eu senti tanto no
- 1:05:36Malditas Cores quanto no Mago que a gente jogou, o Dias de
- 1:05:41Silêncio e Trevas, que é o seguinte, em determinado ponto,
- 1:05:46o mistério em si, eu já não estava mais ligando tanto para
- 1:05:50ele. A resposta em si, eu já não
- 1:05:52estava mais ligando. Por exemplo, no Malditas Cores,
- 1:05:55eu acho que passou muito por esse lado de vingança.
- 1:05:56Eu já tinha ali... um saco cheio com aquelas tramóis e com aquela
- 1:06:01coisa que era uma família que não era minha, e eu já tava, pô,
- 1:06:05minha conexão era mais um ganha-pão, tinha uma conexão
- 1:06:08emocional, mas, pô, eu tava cada vez mais distante, então eu
- 1:06:12falei, cara, vou resolver isso aqui, mesma coisa com o Cold
- 1:06:15Camp ou no Mago, Tinha essa coisa toda de ter uma invasão,
- 1:06:20uma dominação daquela cidade e eu falei, cara, o que eu vou
- 1:06:24fazer com esse problema? Foi uma coisa bem behaviorista,
- 1:06:28tipo comportamental. Cara, não importa o motivo, eu
- 1:06:32quero saber qual problema e eu vou tentar resolver esse
- 1:06:34problema. e aí eu fui lá e tentei resolver fazer um
- 1:06:37feitiço, inclusive usei tematicamente não lembro agora
- 1:06:40se foi uma grande coincidência ou não, mas botando justamente o
- 1:06:44Dark Side of the Moon pra fechar o Mágico de Oz né, então acho
- 1:06:50que as coisas elas tem essas confluências muito bonitas e
- 1:06:53possíveis somente por conta da particularidade do RPG como
- 1:06:56mídia e somente por conta do anticlimax no que a gente achava
- 1:07:00que ia ser o climax que ia ser um grande mistério que a gente
- 1:07:02ia falar ahá, entendi Eu acho que não, acho que muitas coisas
- 1:07:05eu não entendi. Beleza, no modo de outras coisas
- 1:07:09eu passei a entender melhor. Mas é aquela coisa do David
- 1:07:13Lynch, não importa muito entender o mistério, mas o viver
- 1:07:17o mistério, nesse ponto eu concordo muito.
- 1:07:19Eu gosto disso. Agora, sobre falhar, só pra
- 1:07:22terminar a coisa do falhar, né? O falhar, cara, essa questão de
- 1:07:28que as coisas são quânticas num mistério até que elas entrem em
- 1:07:32jogo efetivamente, a falha, ela tá ali dentro.
- 1:07:35A diferença entre você criar... Eu tô abordando aqui a dinâmica
- 1:07:39de jogo, especificamente ali pegando o modelo MDA o
- 1:07:43Mechanics, Dynamics, Aesthetics indo na dinâmica de jogo você
- 1:07:48tem momentos em que você vai criar que é quando, por exemplo,
- 1:07:50eu vou numa pista que nem eu nem você sabia que era possível mas
- 1:07:53que provavelmente estava lá e a gente continua o jogo com essa
- 1:07:56pista e a gente cria essa pista, e tem outros momentos em que a
- 1:08:01gente investiga, por exemplo, quando eu pego seis pistas que
- 1:08:05nós criamos durante o jogo, que reivindicamos durante o jogo E
- 1:08:09dentro dessas pistas eu passo a tentar pesquisar elos e conexões
- 1:08:14e coisas que levem a resolver o assassinato dentro do que a
- 1:08:18gente já tem. Aí é uma investigação.
- 1:08:20E dentro disso, há muito caminho para se perder.
- 1:08:23Eu posso simplesmente não chegar em conclusões.
- 1:08:27O mestre certamente vai estar botando outras pressões no jogo,
- 1:08:29porque o jogo não é unidimensional em relação ao
- 1:08:32mistério, normalmente tem coisas em volta, um bom mistério tem
- 1:08:35coisas em volta, então tem outras pressões e pode ser que
- 1:08:40se perca nesse momento. Quando a gente pensa numa coisa
- 1:08:43muito isolada, fica parecendo que a gente está num jogo
- 1:08:47unidimensional, mas não é o caso.
- 1:08:49Existem muitas coisas que levam você a se perder.
- 1:08:51Os jogadores podem descobrir pistas e não conectá-las.
- 1:08:54Os jogadores podem simplesmente ignorar que você trouxe uma
- 1:09:00pista. E dali pra frente, eles resolvem
- 1:09:04por um caminho, olham pra trás e aí você fala, cara, essa pista
- 1:09:08aqui ela já foi o mistério sendo concretizado na ficção aqui.
- 1:09:15E aí eles olham pra trás e a mente deles explode.
- 1:09:17Por quê? Porque aquilo foi construído,
- 1:09:19mas eles não perceberam. E aí a gente tem esse explodir
- 1:09:23de mente que eu vejo muito nas suas campanhas, que são
- 1:09:27emergentes, eles não são planejados necessariamente, as
- 1:09:30informações estão em jogo, aquela realidade está em jogo,
- 1:09:33os jogadores têm aquilo nas mãos, mas eles não conseguiram
- 1:09:36conectar, ou não conseguiram ligar a tempo, ou não
- 1:09:39conseguiram ligar de forma alguma, e quando eles percebem,
- 1:09:42eles olham para trás e falam, caralho, mas estava debaixo do
- 1:09:45meu nariz. Porque no RPG, não estar debaixo
- 1:09:49do nariz só funciona em jogo em que você tá de fato ali querendo
- 1:09:52construir uma narrativa específica, mas não num jogo de
- 1:09:55vivenciar o mistério, né? Não sei se você concorda com
- 1:09:58isso. Cara, eu concordo.
- 1:10:00Eu acho que tá tudo bem às vezes não conectar.
- 1:10:04Eu acho que às vezes tá tudo bem.
- 1:10:05É, total. Eu penso assim, eu gosto
- 1:10:09muito... Não sei se você já viu um
- 1:10:11podcast chamado Pequeno Manual do Jovem Fazendeiro.
- 1:10:15Sim, é muito bom. É muito bom.
- 1:10:17Você que me indicou, é, você que me indicou.
- 1:10:18É, já ouviu, né? E você vai ouvindo ele ali,
- 1:10:21parece um programa de rádio. E na primeira camada é uma
- 1:10:25narrativa de um programa de rádio.
- 1:10:27Só que foi escrito um roteiro pra alguma coisa de fundo que
- 1:10:31você não tem o plano todo desenhado.
- 1:10:35Aconteceu no fundo. Ele tá ali falando que um cara
- 1:10:38comprou a fazenda. Daqui a pouco você tá dizendo
- 1:10:41que o cara é da igreja. que esse cara comprou fazenda, comprou
- 1:10:45também escola. No outro episódio...
- 1:10:48Mas você não vai a fundo nisso. Mas está acontecendo alguma
- 1:10:51coisa na cidade. Mas você está vendo do ponto de
- 1:10:53vista do radialista, da pessoa comum, que não sabe o que está
- 1:10:56acontecendo. É uma história que está
- 1:10:58acontecendo por cima de uma outra história.
- 1:11:01Pra mim, um pano, uma malha de mistérios onde você linka uma
- 1:11:06seta com outra, um ponto com outro, é como se fosse o mapa lá
- 1:11:10do Biargot. Brother, você jogador, você vai
- 1:11:13pra onde você quiser. Qual incursão vocês vão fazer
- 1:11:16hoje? E pode acontecer de acabar a
- 1:11:19sessão e você não completou a sua incursão e vai ter que
- 1:11:21voltar. E vai ter que fazer alguma outra
- 1:11:24coisa, vai ter que retomar de algum outro ponto.
- 1:11:26E aí você vai dando a direção que você quer dar.
- 1:11:30Todas as vezes, Bob, que você disse que eu estourei alguma
- 1:11:32cabeça, foi algum momento em que eu resolvi revelar, simplesmente
- 1:11:35revelar. Porque sim, revelou se eu acho
- 1:11:39que agora é um momento bom, não é tão forçado, se eles
- 1:11:42tropeçarem na pista não vai parecer tão forçado que eles
- 1:11:44estão tropeçando. E revelei.
- 1:11:46Quando acontece de não só revelar, mas os jogadores também
- 1:11:49descobrem, aí caraca, o bicho pega muito.
- 1:11:54Um exemplo disso, um exemplo de que eu forcei a barra pra
- 1:11:57mostrar, foi quando eles entraram naquele colégio lá de
- 1:12:00lobisomens, e que o nome do colégio era Colégio Adventista
- 1:12:04Regular de Ensino da Natureza. É, Colégio Adventista Regular de
- 1:12:12Ensino da Natureza, é um negócio assim.
- 1:12:14É o Caerne, né? Caerne, Caerne.
- 1:12:16Entendeu? E assim, eu disse isso, eu falei
- 1:12:20isso. Mas num dado momento, quando
- 1:12:24eles estavam se tocando de onde eles estavam, um dos NPCs foi lá
- 1:12:27e escreveu. E eu fui lá e escrevi no Rovinte
- 1:12:30também. Agora, aí eu botei na cara, eu
- 1:12:34acabei revelando. E aí acabou sendo meio que uma
- 1:12:36exposãozinha de cabeça. Mas ao mesmo tempo...
- 1:12:40Eu também sei fazer e eu também proponho que as pessoas façam
- 1:12:43aquela coisa que sempre esteve lá, como você disse.
- 1:12:47E que aí vai pintando, vai dando, vai dando de maneira
- 1:12:50homeopática. No caso do Mago, demorou
- 1:12:52bastante. E aí, num dado momento, o chat
- 1:12:54começa também a colaborar. No caso de streaming, isso
- 1:12:56acontece muito. E a galera começa...
- 1:12:59Peraí, como assim? Não, peraí.
- 1:13:01No texto do The Loop, eu também tive essa preocupação.
- 1:13:04Cara, eu não posso jogar na cara deles que o dia tá se repetindo.
- 1:13:07Vou gravar no rádio. Mas eu não posso gravar um
- 1:13:09programa de rádio somente no dia, na primeira vez que se
- 1:13:11repete. Eu vou fazer isso antes.
- 1:13:13No dia regular, no dia comum, já tem um programinha de rádio.
- 1:13:17No dia que eles acordam, eu não vou falar, o dia se repetiu.
- 1:13:21Não, vou tocar no programa de rádio de novo, e é o mesmo
- 1:13:23áudio. E aí começa a cara dos
- 1:13:26jogadores, porque a estética conduziu eles a terem o...
- 1:13:31Mas eu tô fazendo exatamente a mesma coisa, eu tô esfregando na
- 1:13:34cara deles. Só que em vez de simplesmente
- 1:13:36estar falando, olha... O dia tá se repetindo, eu
- 1:13:40escolhi um outro meio de contar isso.
- 1:13:43Não contei fazendo dessa forma. Então, eu acredito que se você
- 1:13:47pensa na estética do teu mistério, qual o tipo de
- 1:13:51mistério... Ah, no final das contas, eu
- 1:13:53quero que o assassino seja todos os passageiros do trem.
- 1:13:56É uma estética. Tu vai pra sessão zero, o
- 1:13:59pessoal vai discutir. Ah, é que por ali eu volto.
- 1:14:02Mantendo-se a estética, eu vou...
- 1:14:04E os assassinos, eu vou... Porque o modo por que de se
- 1:14:09assassinar, Eu pensei depois, a ideia de que talvez a personagem
- 1:14:18da Katia, a personagem da Tena, fosse filha do chefão lá do
- 1:14:26crime, era muito óbvio. Deixando lá que ela poderia ser
- 1:14:29o chefão de qualquer um daqueles safados amigos deles que
- 1:14:32estavam... Entendeu?
- 1:14:34Que aí depois eles foram descobrindo também.
- 1:14:36Sim. Saca?
- 1:14:37Então, aí o pessoal falou muito assim, ah, você escondeu muito,
- 1:14:41isso aí seria coisa pra uma campanha de três anos, dois
- 1:14:43anos, um ano. Cara, sinceramente, na metade da
- 1:14:47campanha eu tava tão feliz com os personagens que foram
- 1:14:49criados, que eu não tava mais preocupado se o mistério ia vir
- 1:14:55redondo, ia ser... Não, a galera tava se divertindo
- 1:14:58com o modo como o Rolandinho... Esculhambava com o Lala...
- 1:15:02E o Lala esculhambava com os NPCs...
- 1:15:04No modo como o Shangri-La tirava a onda dele...
- 1:15:06E pegava lá a lata de Nestor com a erva dentro...
- 1:15:10O jogo foi fluindo... E os jogadores foram dentro
- 1:15:13desse mapa de mistérios... Decidindo o que que iria
- 1:15:15fazer... E aí nesse grande brainstorm...
- 1:15:18Eu fui abrindo concessões... Os jogadores também...
- 1:15:20Fui fazendo um pouco disso que você fala...
- 1:15:22Mas não mudei o fato de que era o médico o tempo todo...
- 1:15:25Mas no final... O pessoal só esbarrou.
- 1:15:30Caraca, era isso? E aí, do mesmo modo que
- 1:15:32apareceu, saiu. Por exemplo, aquele cara lá, o
- 1:15:37Fausto, aquele homem negro lá que aparece na tela, aparece no
- 1:15:42hospital, em nenhum momento expliquei quem era ele.
- 1:15:45Mas eu tinha a explicação dele guardada, caso acontecesse de
- 1:15:48precisar e tal. Alguns mataram a charada, outros
- 1:15:51não mataram. Enfim, pega lá o livro de
- 1:15:54monstros do Cthulhu, você vai ver a descrição.
- 1:15:57Como é que esse ser se manifesta no mundo real.
- 1:16:00Uma das suas aparições no mundo real.
- 1:16:01Então assim, eu fui jogando. E aí a pintura no final...
- 1:16:06E é uma... E é uma...
- 1:16:09Uma história que fala sobre quadro, né?
- 1:16:11Sobre pintura. Engraçado isso.
- 1:16:12Assim como o Mago também falava de pintura.
- 1:16:15Falava também de história. De mágico de ódio.
- 1:16:19Eu gosto de trazer essas coisas visuais.
- 1:16:21Porque... Entendeu?
- 1:16:22Tá ali. No final, tá aqui a conclusão e
- 1:16:25tal. Acho que de todas essas
- 1:16:27campanhas que a gente lencou, acho que só Tales from the Loop
- 1:16:28que realmente fechou tudo. Assim, fechou tudo, tudo foi
- 1:16:31explicado. Tales from the Loop, tudo tá
- 1:16:33explicado. Mago teve um monte de ponta
- 1:16:36solta, mas eu tenho orgulho de dizer que não foi uma ponta
- 1:16:38solta tipo Lost, assim, Lost... Não, não.
- 1:16:42Pelo contrário, eu acho que é isso.
- 1:16:44A proposta estética das três aventuras que você mostrou
- 1:16:48online, pelo menos essas três aí que eu acompanhei, a proposta
- 1:16:53estética ficou perfeita. Ela se concluiu, ela serviu
- 1:16:58esteticamente como matéria. Agora, de fato, o mistério em
- 1:17:02si, você tem que entender, é isso, como produto de mistério,
- 1:17:07eu estou falando de produto audiovisual de mistério, o Tales
- 1:17:11from the Loop ficou mais no prumo mais Hollywood se fosse
- 1:17:15virar uma série poderia ser Y Litteris o que rolou exatamente,
- 1:17:22já o Mago quanto o outro, eles pediriam se você fosse
- 1:17:25transformar numa série num filme, precisaria de um trabalho
- 1:17:29autoral em cima daquilo, criar outras histórias e tal, outros
- 1:17:34personagens porque aquilo se bastou como um mistério de RPG o
- 1:17:40mistério de RPG e com as suas próprias particularidades
- 1:17:43explorando inclusive muito isso quem talvez fosse gostar disso
- 1:17:47no cinema ia ser o David Lynch que olha e fala, cara, você não
- 1:17:50precisa entender o mistério, não precisa entender tipo, para de
- 1:17:54tentar entender e só sente, vivencia a parada é, o David
- 1:17:58Lynch ele fica mas ele também foca muito no mistério também,
- 1:18:01quando diz não precisa entender no meu caso é não precisa
- 1:18:03entender porque não é sobre o mistério é sobre os personagens
- 1:18:08Tá rolando um mistério de fundo. Mas foca aqui na história desses
- 1:18:11personagens, entendeu? Cara, ninguém foi a fundo sobre
- 1:18:14o que é aquela família do Lala. Como é que o Lala abre mão dessa
- 1:18:17família? Como assim?
- 1:18:18Se ele escolhesse naquele momento de escolha dele a
- 1:18:21vingança ou esquecer tudo e voltar pra família.
- 1:18:24Como assim voltar pra família? O que aconteceu com a família
- 1:18:26dele? Como assim?
- 1:18:27Isso aí foi uma concessão também que foi uma coisa que você criou
- 1:18:30na sessão zero. Você tinha dito que o Lala tinha
- 1:18:32feito um ritual sinistro. Foi você que inventou isso.
- 1:18:35Lembra disso? Sim, sim.
- 1:18:36Foi você que tinha inventado essa parada.
- 1:18:38Então, o Ramon não podia reclamar se ele não se lembrava
- 1:18:42dessa parada, porque eu ali defini.
- 1:18:44Você definiu e eu, a partir do que você definiu, eu criei.
- 1:18:48E é claro, não, não concordo. Não concordo porque você
- 1:18:50esqueceu. O teu eu de hoje, o teu
- 1:18:52personagem do eu de hoje, não se lembra.
- 1:18:54Mas ele fez um ritual, sim. E apagou a memória da família
- 1:18:57dele. E aí, como é que foi isso?
- 1:18:59Não sei. Vocês queriam ir a fundo nisso?
- 1:19:02Não sei. Na história dele, tava lá.
- 1:19:04É recurso pros jogadores trazerem, né?
- 1:19:06Pros jogadores usarem. É, alguma coisa tá acontecendo.
- 1:19:09Parece que o mundo é mais vivo. Parece que tem mais coisa
- 1:19:11acontecendo. Não é só no primeiro plano que a
- 1:19:13gente tá vendo acontecer. Eu gosto muito disso quando eu
- 1:19:16vou fazer campanha. Não tá acontecendo só aqui.
- 1:19:18Não é só aqui que tá acontecendo.
- 1:19:20Entendeu? Quando aparece lá o cara dizendo
- 1:19:23que o mundo vai acabar, que o Rio de Janeiro, todo caioca que
- 1:19:25se preza já sonhou com uma onda gigante...
- 1:19:27Era uma outra coisa acontecendo maior e vocês também não sabiam.
- 1:19:31Cara, apareceu o verão na lata desse mundo.
- 1:19:33É diferente do verão na lata do mundo real.
- 1:19:36As latas tinham o símbolo da Delta Green.
- 1:19:37Eu não falei a palavra Delta Green, mas eu falei que tinha um
- 1:19:39triângulo na lata. Sim.
- 1:19:42Eu só joguei. Eu não me sentia obrigado em
- 1:19:46nenhum momento em querer explicar que ali tinha Delta
- 1:19:49Green. Aqueles investigadores que você
- 1:19:51matou, que na verdade em nenhum momento apareceu você matando,
- 1:19:55só sugestionou, eles estavam te levando em algemado.
- 1:19:58Aí você comeu a carne de maneira onírica.
- 1:20:01Você apaga e você acorda na tua casa com um gosto de carne na
- 1:20:05boca. Sabe se a carne é do onírico ou
- 1:20:08se você devorou os caras, se você só matou os caras, só fugiu
- 1:20:10dos caras? Aqueles caras, na minha... na
- 1:20:14minha prep, vamos colocar assim, eram agentes da Delta Green.
- 1:20:19Eram agentes federais que trabalhavam pra Delta Green aqui
- 1:20:22no Brasil. Contatos do Delta Green no
- 1:20:25Brasil, não era Delta Green, contatos do Delta Green no
- 1:20:27Brasil. E em nenhum momento eu expurei
- 1:20:29isso também. Então, são coisas que...
- 1:20:33Tá aqui, tá acontecendo. E eles vão, cada um com a sua
- 1:20:36agência. Cada um com as suas coisas,
- 1:20:38entendeu? Acontecendo.
- 1:20:41E eu gosto disso. Entendeu?
- 1:20:43Eu gosto dessa parada. E aí o jogador vai decidindo,
- 1:20:45que nem num mapa de hackscroll. Não, hoje eu quero explorar
- 1:20:49aqui. Quero investigar isso aqui.
- 1:20:51Eles me surpreenderam quando falaram assim, não, eu quero ir
- 1:20:55atrás do Dário. Caraca, o pessoal foi no boteco
- 1:21:00atrás do Dário. É, cara, é tipo isso, né?
- 1:21:04Tem uma questão interessante aí, que é justamente que a gente ali
- 1:21:07não tava... exatamente jogando um jogo que tem essa construção.
- 1:21:13Não, não tem essa construção de uma história de investigação
- 1:21:16como objetivo, no fundo. O fundo é vivenciar essa
- 1:21:21investigação, né? Então, tipo, a gente vivenciar
- 1:21:24essa investigação tem o ponto de se perder.
- 1:21:27Tem o ponto de falar, cara, eu não sei o que eu vou fazer
- 1:21:29exatamente agora, mas eu acho que essas pessoas aqui estão
- 1:21:31envolvidas, então eu vou apostar nesse caminho aqui.
- 1:21:35E você aposta naquele caminho. Escolher um canto estrutural.
- 1:21:38E aí tem aquilo ali, tipo, é uma coisa que, como a gente tá indo
- 1:21:41pela vivência, a gente vai e explora aquele caminho novo.
- 1:21:46A gente fala, ah, beleza, cara, é um personagem que de repente
- 1:21:49nem tá tão envolvido nesse caminho, mas ele tem ali suas
- 1:21:53particularidades, ele tem suas oportunidades, ele tem seus
- 1:21:57sentimentos, ele tem seus objetivos e a gente vai jogando
- 1:22:00em cima disso. Diferente de que se a gente olha
- 1:22:03e fala, cara, mas aí é foda que você tá fugindo do que seria ali
- 1:22:07uma história que a gente estaria contando, né?
- 1:22:09Tipo, sei lá, se a gente tá jogando...
- 1:22:11Eu dou esse exemplo direto, né? O Passion de las Passiones.
- 1:22:16E aí, de repente, eu sou o chefe da família, eu começo a mexer
- 1:22:22com os traficantes e com o cartel e com a máfia e começo a
- 1:22:26entrar. O jogo não me dá suporte para
- 1:22:28isso. O jogo me dá suporte, ele só
- 1:22:30impulsiona, o sistema só impulsiona o jogo no momento em
- 1:22:33que eu estou me relacionando com a família da novela mexicana
- 1:22:37ali. E isso é por quê?
- 1:22:40Porque ele entende que o complexo narrativo que vai sair
- 1:22:44daquele jogo, a narrativa final daquele jogo é uma narrativa
- 1:22:48típica de novela mexicana. Já num jogo de vivenciar essa
- 1:22:52parada, Obviamente que se meu personagem resolve se meter com
- 1:22:56a Mafia, esse jogo tem que acontecer.
- 1:22:59Esse personagem ter ido pro caminho da Mafia tá
- 1:23:03completamente dentro da experiência.
- 1:23:05Então a gente ter dado lá no Dario pra tentar arrebentar com
- 1:23:09o cara, faz completamente parte da experiência desse jogo, da
- 1:23:13gente estar imerso em um mistério, não tá conseguindo dar
- 1:23:16conta, e a gente, de uma forma muito humana, tenta olhar pra um
- 1:23:20canto e tentar... Não, deve ter alguma coisa a
- 1:23:22ver, esse cara tem culpa, sabe? Porra, afinal de contas, ele tá
- 1:23:25me fudendo a vida inteira aqui, sabe?
- 1:23:27Esse cara tem culpa, porra, eu vou atrás dele.
- 1:23:29Você mistura as coisas. Sim, e as cores, as cores não
- 1:23:34apareciam tanto assim, mas tinha também, eu poderia falar que as
- 1:23:37cores eram carnaval, as cores eram cenário do Rio, as cores
- 1:23:40aquilo, mas as cores também eram se você consumia lá a erva que
- 1:23:46tinha a cor que veio do espaço, na verdade era isso também, que
- 1:23:49eu no momento também falei isso na campanha, que aquela erva
- 1:23:52veio da terra onde caiu o meteoro do conto.
- 1:23:56Imaginei que tivesse alguma relação.
- 1:23:59Aquelas coisas tinham uma tabela.
- 1:24:02Quando eu perguntei pra você, Balbi, qual é o sentimento que
- 1:24:06você busca que driveia o teu personagem?
- 1:24:09Você falou liberdade? Eu fui nessa tabela, vi qual era
- 1:24:13o sentimento que mais se aproximava de liberdade e era o
- 1:24:15marrom. Então tudo a partir dali era
- 1:24:18marrom, a porta era marrom, madeira.
- 1:24:21Eu falei, falando de liberdade, o tempo todo liberdade e tal.
- 1:24:25O Igor tá de prova. O Igor foi meio que o segundo
- 1:24:27mestre dessa campanha. A gente foi batendo bola junto e
- 1:24:29criando algumas coisas juntas. Falava, Igor, tô pensando em
- 1:24:31fazer isso, o que você acha? Não, não faz isso que vai dar
- 1:24:34problema. Faz assim, assim, assado.
- 1:24:35A gente foi trocando ideia e ele sabe disso.
- 1:24:38Existia uma tabela de cores, tanto que um dos NPCs lá...
- 1:24:41estava com a íris rosa, era um outro sentimento, era uma outra
- 1:24:46cor, tudo ligado a ambições e maldições, e aí disparava magias
- 1:24:53do livro de magias do Cthulhu. Sabe o que acontece?
- 1:24:56Eu não enganei ninguém quando eu disse que era True Detective.
- 1:24:58Quem assistiu a série, principalmente a primeira
- 1:25:00temporada, eles sugerem que é mito de Cthulhu.
- 1:25:07O que eu fico impressionado, assim, eu sempre gosto quando
- 1:25:09vou jogar qualquer jogo é tentar entender a proposta daquele
- 1:25:11jogo. E eu não sei se é a proposta do
- 1:25:15jogo ou se as pessoas que jogam o que não é a proposta do jogo.
- 1:25:19Mas eu acho que você não ser muito insignificante, para o
- 1:25:23linha relato até ficar aparecendo para você assim toda
- 1:25:26hora, cutula, aparecer assim toda hora.
- 1:25:29Eu acho que a sugestão, e isso tem muito a ver com o terror, a
- 1:25:32sugestão às vezes é uma coisa muito mais amedrontadora, muito
- 1:25:35mais aterrorizante do que a parada explícita.
- 1:25:38Eu acho que se fosse pulpe, beleza, mas eu acho que a
- 1:25:41sugestão é muito mais horror psicológico.
- 1:25:44Sabe? E assim como, acho que o título
- 1:25:47do Detective, Tupiniquim, tem essa coisa de que rolou muita
- 1:25:50coisa, muita treta. O que foi isso, cara?
- 1:25:53Quem se lembra da série? A Andorinha fez uma espiral no
- 1:25:55céu. É, fez uma espiral no céu.
- 1:25:56Quase que era isso. E aí, meu amigo?
- 1:25:59Fez uma espiral no céu. A voada de Andorinha fez uma
- 1:26:01espiral no céu. Tá tudo bem.
- 1:26:03Ah, isso aí é uma menção ao Rei de Amarelo.
- 1:26:06É, mas não apareceu o Rei de Amarelo nenhum.
- 1:26:08Só apareceu uma pira ali, um negócio rápido.
- 1:26:11E é essa. Desde o começo eu falei que a
- 1:26:12campanha ia ser isso. Desde o começo.
- 1:26:15No final o pessoal, pô, mas eu queria saber disso, aquilo
- 1:26:18outro, para lá e tal. Talvez seja porque o pessoal tá
- 1:26:20acostumado e tá tudo bem, então a gente não tem certo e errado.
- 1:26:24Mas a ter essa coisa de no Cthulhu tem que ter a resposta,
- 1:26:27tem que ter um grande mito, tem que ter a criatura sinistrona,
- 1:26:31tem que ter um olha o bicho vindo, moleque. humana, que
- 1:26:36tinha alguma coisa muito esquisita por trás, alguém
- 1:26:40usando de subterfúgios místicos, mas que não passava disso,
- 1:26:44entendeu? E tinha coisa grande, mas a
- 1:26:46coisa grande estava na terceira, quarta camada.
- 1:26:50E que não importa, uma coisa que eu acho também a respeito disso,
- 1:26:54é que muitas vezes a gente, quando está jogando um mistério,
- 1:26:58A gente liga muito pro... Ah, mas qual é a verdade por
- 1:27:02trás desse mistério? O que tem de fato por trás desse
- 1:27:05mistério? É aquilo.
- 1:27:07Velho... Eu vou começar a fazer isso,
- 1:27:10inclusive. Eu vou começar a não dividir o
- 1:27:14que eu tinha pensado. Nem o que eu tinha de prep.
- 1:27:16Vai ficar guardado comigo pro resto da vida.
- 1:27:19Os jogadores só vão ter acesso ao que de fato eles
- 1:27:22experimentarem em jogo. Nem depois, quando acabar a
- 1:27:24campanha, eu vou comentar. Vou guardar comigo.
- 1:27:26Olha, cara, que orgulho. Foda-se.
- 1:27:29Não vou nem comentar de nada porque, tipo...
- 1:27:32Porra, meu irmão. É, cara, uma coisa que eu vejo é
- 1:27:35o seguinte. A gente tem muito essa coisa
- 1:27:37de... Ah, mas...
- 1:27:39Poxa, é... Parece que a gente está entrando
- 1:27:42num mundo que já existe, sabe? Parece que a gente tem esse...
- 1:27:47Eu até citei também no episódio anterior, né?
- 1:27:48Essa anedota, essa... como é que é, esse folclore do mestre
- 1:27:56demiurgo que já tem um mundo pronto à sua frente, que nada
- 1:28:00escapa e tudo, sabe? E que mesmo que você não tenha
- 1:28:05toda essa simulação já construída, você constrói na
- 1:28:08hora como um deus botando um bonequinho ali no mundo, sabe?
- 1:28:12Não é exatamente assim que eu vejo que o RPG funciona. o RPG é
- 1:28:16muito mais emergente, ele vem desse acordo coletivo, e por
- 1:28:19mais que a gente tenha uma figura com poderes assimétricos
- 1:28:23em relação às outras, os participantes, ainda assim, um
- 1:28:26depende da vontade dos outros, um depende desse acordo tácito
- 1:28:31da mesa, de que as coisas precisam aparecer para os
- 1:28:34participantes para acontecer. Então se o jogo de mistério Ele
- 1:28:39foi inconclusivo? Ele não teve alguns pontos
- 1:28:43revelados? Ou se teve uma coisa que estava
- 1:28:45só numa curiosidade da minha anotação, mas nem entrou em
- 1:28:48jogo? É porque aquilo não foi
- 1:28:49importante. É que nem que você tem um NPC.
- 1:28:53Você tem um NPC no jogo e ele é o cara que está tirando o leite
- 1:28:56da vaca lá no background. Você só acertou para dar uma
- 1:29:01dimensão para as pessoas de que é uma...
- 1:29:03Uma cidadezinha de interior tranquila Não foi importante Ou
- 1:29:08não foi alcançado Porque se julgou não ser importante É,
- 1:29:13muito isso Ninguém foi lá dar importância pra ele Ninguém foi
- 1:29:15lá dar importância pra ele Importância pra ele Tipo, pô,
- 1:29:19vamos com a gente pra uma aventura E ele fala topo, ele
- 1:29:22passa a ser importante Passa a ganhar nome, passa a ganhar de
- 1:29:24repente até ficha Ó, vou dar um exemplo do...
- 1:29:28Vou dar um exemplo da cena que você citou no teu livro do
- 1:29:30Mestre Cafeinado, que eu me orgulho disso, vou ter que falar
- 1:29:32que eu fui citar no teu livro, que é aquele teste de percepção
- 1:29:36póstumo do mago, que o Bruno escondeu o corpo, e eu falei
- 1:29:43assim, olha, eu não vou rolar o teu teste para saber se você
- 1:29:45escondeu direito, Teste de furtividade, no caso.
- 1:29:49Pra você esconder direito. Porque se você falhar, você vai
- 1:29:50saber que você vai ficar incomodado, vai querer tentar de
- 1:29:53novo, não vai ficar satisfeito e coisa e tal.
- 1:29:55E se você acertar, você vai tranquilo pro teu destino,
- 1:29:58sabendo que você escondeu bem o corpo.
- 1:29:59Não, deixa aí. Eu não expliquei isso tudo.
- 1:30:02Eu só falei assim. Beleza, tu escondeu.
- 1:30:04Depois a gente testa pra ver se vai ser...
- 1:30:07Se vai ser encontrado. Passou-se três sessões.
- 1:30:10Na terceira sessão, vocês estavam numa briga de bar.
- 1:30:14Você lembra disso? De um pub.
- 1:30:15Antes da briga do pub, parece no jornal, eu fiz um handout.
- 1:30:19Eu botei... do Rolvinte, eu deixei bem claro que existia ali
- 1:30:26um prep que não haveria urso-coante, que não haveria
- 1:30:30choro-nivela, que qualquer que fosse ali o resultado daquele
- 1:30:33teste de furtividade dele, de três sessões atrás, iria alterar
- 1:30:37o resultado, o andamento da campanha.
- 1:30:41Iria mudar. Eu deixei bem claro isso ali.
- 1:30:44Olha, tá aqui. Ele vai fazer o teste e vamos
- 1:30:46ver o que vai acontecer. Na verdade, eu não tampei.
- 1:30:49Se acontecer, se tiver sucesso, seria isso.
- 1:30:52Se não fizesse, seria... Você negocia a rolagem ali com o
- 1:30:55grupo. Eu negociei de maneira
- 1:30:58retroativa. E aí passou.
- 1:31:00Eu não fiquei perdendo tempo, até porque eu não preparei,
- 1:31:03explicando depois para os outros o que iria acontecer se ele
- 1:31:06falhasse. Se falhasse, ia dar um ruim
- 1:31:10disso, até porque eu não preparei.
- 1:31:13Quer dar um problema disso, dar um problema nisso, aquilo outro.
- 1:31:15Não. Não, não foi.
- 1:31:19É, e é interessante, porque muita gente se cobra de ser esse
- 1:31:22mestre que fala, ah, mas e se acontecesse tal coisa?
- 1:31:25Você fala, ah, eu tinha notado que tal coisa, tal coisa, tal
- 1:31:29coisa aconteceria. E se por acaso, não sei o quê?
- 1:31:31Ah, aí seria na minha folha três aqui do meu caderninho, dizendo
- 1:31:36que tal, tal, tal. Cara... não tem essas respostas,
- 1:31:39por favor não tem essas respostas é tipo, dê espaço pra
- 1:31:44que elas emerjam, até porque é uma cobrança que não tem como
- 1:31:48você dar vazão, não tem como você construir tanta ficção
- 1:31:51previamente assim, não tem nem porquê você se comprometer tanto
- 1:31:55com uma ficção prévia nesse ponto, então acho que essa
- 1:31:58lacuna no mistério é muito importante conta aí pra gente,
- 1:32:01cara na tua construção de mistério, agora pode até de
- 1:32:04repente trazer um pouco mais o Márcio Moreira de casa O Márcio
- 1:32:07Moreira que mexe na campanha doméstica.
- 1:32:09O papel da lacuna para você? Já que não tem a pressão da
- 1:32:14mídia, não tem a pressão de ser um stream, você mexe com a
- 1:32:17lacuna de um jeito mais tranquilo.
- 1:32:19Como é que funciona isso? O que acontece?
- 1:32:23Nessa campanha de vampiro que eu não completei no canal, mas
- 1:32:25completei com os amigos em casa, aconteceu que os jogadores
- 1:32:30começaram a fazer jogo duo. não tem príncipe nenhum, eles
- 1:32:39receberam antes uma missão de um cara misterioso pra cumprir essa
- 1:32:43missão. Aí eles foram fazer a missão.
- 1:32:46Cumpriram a missão, que inclusive é a missão que tá lá
- 1:32:48no canal, que é roubar um violino, que depois descobre que
- 1:32:51aquele violino é uma pessoa que foi alterada com vicissitude.
- 1:32:54E... E aí...
- 1:32:58E aí eles vão roubar o violino e coisa e tal, e na verdade, aí
- 1:33:01eles marcam uma... Aí vem uma pessoa pra eles e
- 1:33:04fala assim, olha, vocês estão convidados pra conhecer o
- 1:33:06príncipe da cidade, tal, tal, tal.
- 1:33:08Aí eles vão conhecer o príncipe da cidade.
- 1:33:12Eles acham que é uma pessoa, e na verdade essa pessoa era só um
- 1:33:17lacaio, a filha dessa pessoa, que se passava por filha, que
- 1:33:21era a príncipe, era uma criança, uma ventruca.
- 1:33:23Beleza, achamos o príncipe da cidade.
- 1:33:26No dia seguinte, a pessoa que contratou eles para a missão
- 1:33:28fala assim, olha, o príncipe quer falar com vocês.
- 1:33:38Aí, o que acontece? Eu já tava preparado pro mole
- 1:33:42que eles poderiam dar de cara. Se eles falarem, ah, a gente já
- 1:33:47encontrou com o príncipe, poderia dar ruim.
- 1:33:52Só que eles não fizeram isso. Eles foram cautelosos.
- 1:33:56Eles jogaram assim, ah, é? A que horas vai ser essa
- 1:33:59reunião? Ah, vai ser em tal lugar.
- 1:34:02Em tal hora, em tal lugar, lá na igreja da Sagrada Família.
- 1:34:06Nos catapumas da igreja da Sagrada Família.
- 1:34:08Aí eles foram lá e descobriram que tinha uma outra pessoa
- 1:34:10dizendo que era o príncipe da cidade.
- 1:34:13E aí eles começaram a lidar com esse príncipe.
- 1:34:16Cara, eu não sabia se eles iriam contar a verdade pra esse
- 1:34:19príncipe. Que eles já estavam com outro
- 1:34:21príncipe, iriam fazer jogo duplo.
- 1:34:23Eu não sabia se eles iriam dar algo mole.
- 1:34:25Eu não sabia, eu não sabia. Conforme eles foram lidando com
- 1:34:31um e com o outro, começaram a fazer jogo duplo, por isso que o
- 1:34:34nome da campanha se chama Os Dois Tronos, Os Dois Coroas, um
- 1:34:37negócio assim. Conforme eles foram fazendo esse
- 1:34:40jogo duplo, eu fui criando situações e até mesmo NPCs que
- 1:34:47abrilhantavam. Por exemplo, tinha um NPC que
- 1:34:50ele estava na primeira reunião com o outro príncipe, com a
- 1:34:56princesinha da Ventrue, E eu botei que, eu não tinha pensado
- 1:35:00nisso, mas eu botei ele pra aparecer também na segunda
- 1:35:02reunião com o cara lá do La Sombra, que era um padre lá que
- 1:35:06morava nas catacumbas da Igreja Sagrada Família.
- 1:35:08Eu botei ele, ele também tava como um cara também fazendo jogo
- 1:35:12duplo. Mas aí eu vou botar esse
- 1:35:15elemento. Por que eu botei esse elemento?
- 1:35:17Porque na hora eu pensei assim, cara, qual vai ser?
- 1:35:20Aí foi um desafio, eu tava fazendo, como você diz, o meu
- 1:35:22pior desafio. Pra que o melhor dos jogadores
- 1:35:25aflorasse. Porque na hora que eu botar esse
- 1:35:27personagem, eles iam ter que pensar assim.
- 1:35:29Peraí, esse cara não é do nosso grupo.
- 1:35:32Mas tá na mesma situação que a gente.
- 1:35:35Até que página? Até a página dois?
- 1:35:37Será mesmo que ele tá? Será que ele vai caguetar pra
- 1:35:40princesa de lá? Ou ele é um cara infiltrado na
- 1:35:45Princesa de Lago, incomunado com esse cara.
- 1:35:47A gente abre o jogo com esse cara.
- 1:35:50Cara, eles começaram, tanto um quanto outro, a fingir que tava
- 1:35:54tudo bem. Esse NPC ia na reunião de um e
- 1:35:59de outro, junto com eles. E eles lidavam como se nada
- 1:36:02tivesse acontecendo. E aí eu comecei a pensar, cara,
- 1:36:06agora eu preciso tomar uma postura.
- 1:36:08Porque eles tomaram uma postura de não-ação. eu preciso tomar
- 1:36:11uma postura eu preciso agora na ficção eu criei esse NPC agora
- 1:36:16eu preciso na ficção entender cara, esse cara ele é o que?
- 1:36:22porque ele vai ter que agir, vai ter que ter uma agenda ele tá de
- 1:36:26rabo preso com quem? ou ele tá de gaiato igual o
- 1:36:28grupo que não sabia que eram dois e do nada descobriu que
- 1:36:31eram dois e caiu de paraquedas em dois lugares ao mesmo tempo
- 1:36:34Eu fiquei ali também desafiado. Falei, caraca, eu vou ter que
- 1:36:38trabalhar uma agenda aqui. E aí, conforme os jogadores
- 1:36:40começaram, num dado momento, parecia coincidência, quando eu
- 1:36:43comecei a me preocupar com o Bernardo, não é Bernardo o nome
- 1:36:46do personagem? Quando eu comecei a me preocupar
- 1:36:48com aquele NPC, qual era a postura que ele iria tomar, sem
- 1:36:52revelar nada pros jogadores, eles também começaram a se
- 1:36:54aproximar pra sondar qual era dele.
- 1:36:56E conforme eles sondavam qual era dele, ele também sondava
- 1:37:02eles. Inclusive eu criei um elemento
- 1:37:05pro personagem que ele era mudo. Ele falava em libras.
- 1:37:10No caso não era em libras, o jogo se passava na Espanha.
- 1:37:13Então isso também criava certas dificuldades, sempre criando uma
- 1:37:17camada em cima da outra. Porque tinha um lacaio que
- 1:37:20interpretava as paradas. Ele falava umas paradas pro
- 1:37:26Lacaio pra interpretar em libras pro cara, que eles não sabiam se
- 1:37:30o cara tava passando exatamente o que eles falavam pra ele.
- 1:37:34E eles também não sabiam se o que o cara tava falando, se
- 1:37:36aquele Lacaio era um narrador confiável, porque ele tava um
- 1:37:39teatro desconfiável, porque ele tava interpretando.
- 1:37:41Então eu fui improvisando problema em cima de problema.
- 1:37:44Eu fui fazendo exatamente isso. O mapa tá... o hexcrawl das
- 1:37:49intrigas e do mistério tá criado, aquele mapa desde a
- 1:37:52sessão zero evoluiu pro mapa geográfico mapa social, mapa
- 1:37:55tudo e agora os jogadores eles vão progredindo nesse terreno e
- 1:37:59eu vou fazendo o meu pior, pra que eles façam o melhor deles,
- 1:38:03então assim que eu vou fazendo, entendeu?
- 1:38:06mas só aqui em casa, como eu falei Você perguntou em casa, eu
- 1:38:09tenho mais tempo, menos pressão pra poder ir provocando,
- 1:38:14improvisando, entendeu? Usar um pouco baixo, né?
- 1:38:18É. Entendeu?
- 1:38:21É, isso é verdade. Eu sinto muito isso também,
- 1:38:23cara. Quando eu tô em stream, de forma
- 1:38:25geral, numa campanha de stream, né?
- 1:38:27As coisas acontecem a toque de caixa.
- 1:38:29Existe um ritmo a ser tocado, né?
- 1:38:30Você se sentia um pouco pressionado a apenas apresentar
- 1:38:34o lagarto de basalto? Na campanha que tivemos no Peixe
- 1:38:36no Pelo, na campanha na sessão que tivemos lá de gameplay.
- 1:38:39Assim, Bear Gotham tem uma coisa muito confortável pra stream que
- 1:38:42eu descobri, que é o timer, né? São três horas e acabou.
- 1:38:46Então, assim, pra mim foi só mais um dia de Bear Gotham.
- 1:38:50assim, eu respondi muito pouco chat eu não interagi muito
- 1:38:55fiquei muito focado no jogo e acho que assim eu já estou muito
- 1:38:59acostumado a mestrar bergotem, já são centenas de sessões então
- 1:39:03já estou bem acostumado com esse loop de bergotem que acontece
- 1:39:09dos jogadores se reunirem tomarem a cerveja, discutirem
- 1:39:13seu caminho sofrem com os efeitos da cerveja ali ou sofrem
- 1:39:17em bom sentido, né E se aventurarem com três horas pra
- 1:39:21voltar. Então, como isso já tá muito
- 1:39:23impresso no meu córtex, assim, sai na urina, sabe?
- 1:39:27Sai muito tranquilo. E aí, a sessão se transcorre em
- 1:39:30três horas e acabou. Ou eles voltam vivos, e aí a
- 1:39:34gente vê os rumores, etc. Ou eles morrem no timer.
- 1:39:37E eles estavam indo pra um… Se encaminhando pra uma morte de
- 1:39:41timer, né? Eles iam terminar ali… Tudo
- 1:39:44começou a dar errado no fim. É bem normal isso acontecer. a
- 1:39:50pressão começa a estralar, e aí o barco que eles estavam
- 1:39:54afundou, eles foram parar numa margem, já exaustos, aí teve a
- 1:39:58Nina, que é uma jogadora já experiente de bergotem, que já
- 1:40:01consegue navegar de coração ali, a Vila da Frasqueta, aquela
- 1:40:05região próxima, E ela falou, a gente vai pegar, vai virar ali
- 1:40:09no rio, quando encontrar o rio, vai subir contra o sentido do
- 1:40:12rio até encontrar a paliçada e tal.
- 1:40:14E ela se localizou muito bem nesse ponto.
- 1:40:16Foi tipo, teve uma presença de espírito que até...
- 1:40:19PVP. Hã?
- 1:40:19Isso é PVP, é. Foi PVP, é.
- 1:40:25É, não, foi PVE mesmo, tipo, ela simplesmente chegou e indicou o
- 1:40:29caminho no mundo que ia fazer pra tirar a galera ali daquele
- 1:40:33local a tempo. E aí o risco que ela assumiu foi
- 1:40:36de um controleatório, né, que tem que ter uma rolagem...
- 1:40:39Felipe, eu falei errado, eu tava querendo dizer que foi a
- 1:40:41personagem, foi a... Foi o player da sessão.
- 1:40:46MVP. Acho que teve muitos momentos
- 1:40:49importantes e legais da galera, mas esse momento dela foi muito
- 1:40:52marcante, porque foi uma solução de poucos segundos mesmo.
- 1:40:56O grupo estava no último minuto de jogo.
- 1:40:59Ela teve isso em poucos segundos, a gente rolou o
- 1:41:01encontro aleatório e como saiu que não teve encontro, beleza,
- 1:41:06conseguiram chegar. Porque se tivesse saído o
- 1:41:08encontro era vala, não ia ter tempo de transcorrer o encontro
- 1:41:11e ia ser vala. Então...
- 1:41:13E o que tivesse acontecido? E o que teria acontecido, Paulo,
- 1:41:17se eles tivessem... Se tiver sentido o encontro, né?
- 1:41:20Se eles tivessem encontrado. Aí que vem, né?
- 1:41:23Não encontrou, entendeu? Não teve, não teve.
- 1:41:27Acabou. E foi muito interessante.
- 1:41:30Ela transcorre ali. Agora, de fato, quando você tá
- 1:41:31numa mesa em casa, uma mesa que não tem stream, uma campanha,
- 1:41:36né? A campanha, você, cara, cozinha
- 1:41:38ela em fogo baixo, né? Você não precisa... entregar
- 1:41:42nada, né? Tipo, em termos de produto,
- 1:41:44audiovisual, nem nada. Então, você não tem muito menos
- 1:41:47pressão. Acho muito interessante.
- 1:41:49Agora, pra gente arrematar aqui, cara.
- 1:41:52Me parece que o tempo todo você fala muito desse setup, desse
- 1:41:56momento inicial, né? De você ter ali algumas camadas
- 1:42:01de jogo. A gente pode botar aqui, então,
- 1:42:03os elementos essenciais do setup de mistério que você costuma
- 1:42:07fazer. A gente tem os personagens, que
- 1:42:10é muito importante você construir em conjunto e
- 1:42:13relacionar esses personagens ali no primeiro momento.
- 1:42:17Você falou de um... Você citou ali um momento em que
- 1:42:22você bota requisitos para esses personagens, né?
- 1:42:27Por exemplo, você tem que... conhecer outro personagem,
- 1:42:31alguém aqui tem que ser policial, por exemplo, ou alguém
- 1:42:34tem que ser... Estruturando, né?
- 1:42:36Estruturando a estética, né? E em terceiro lugar, você fala
- 1:42:39que você pensa em camadas, né? São esses três requisitos que
- 1:42:42você coloca, assim, pra fazer um mistério?
- 1:42:44É como se eu estivesse fazendo uma sinopse, né?
- 1:42:48As camadas eu já tô partindo já pra estruturação do enredo, mas
- 1:42:51aí, de repente, não tem enredo. Se a gente fizer...
- 1:42:54Eu tô fazendo aqui uma comparação pobre com o sério,
- 1:42:56que a gente falou muito, né? Mas eu tava ali pensando na
- 1:43:02estética do mistério. Eu queria que o mistério fosse
- 1:43:04assim. Se tivesse esse clima, passasse
- 1:43:06essa ideia. Não tem essa coisa do game
- 1:43:08design. De, ah, o que o teu jogo quer
- 1:43:10passar? Você já me falou que todo mestre
- 1:43:13é um pouco game design também. Então assim, game design.
- 1:43:17Então assim, eu pensei, ah, essa estética.
- 1:43:21Tem essa experiência que eu quero passar.
- 1:43:23Eu falei que é um True Detective do peniquinho, de encontrar com
- 1:43:26vários escritos. Então eu preciso que pra esse
- 1:43:33jogo ande, eu preciso de elementos que já...
- 1:43:37Tu imagina se todo mundo ali fizesse, sei lá, todo mundo
- 1:43:43fosse gente de confiança da família, igual, todo mundo era
- 1:43:49de confiança, mas... Se não tivesse nenhum ponto de
- 1:43:52conflito. Então, eu acho que um mistério
- 1:43:54desse tipo que eu trabalhei, uma coisa que é muito importante é
- 1:43:58tu criar intriga. Então, eu acho que intrigando é
- 1:44:02de mãos dadas com o mistério. O que é intriga?
- 1:44:05É a rede. São as intenções ocultas e as
- 1:44:08intenções explícitas. As implícitas e explícitas.
- 1:44:12Então, eu tendo a noção de que esse cara tem essa noção
- 1:44:16explícita com isso. Por exemplo, uma coisa...
- 1:44:19Voltando para a analogia do Hexcrawl, do mapa do jogo, da
- 1:44:23intriga. Pouca gente foi lá ver o irmão
- 1:44:26do veiaco lá, o Túlio, o irmão do Amadeu.
- 1:44:30Ninguém foi lá ver qual era desse cara.
- 1:44:32Por que ninguém falava com esse velho?
- 1:44:33Porque esse velho era um dos caras lá, que estava naquele
- 1:44:38clima lá atrás, com a mãe da Kátia, da Doze.
- 1:44:43Então ele se revoltou contra o que foi feito. que culpou o
- 1:44:48irmão, então eles se brigaram desde então puxando esse fio
- 1:44:52você vai embora você puxa o fio por outro caminho você puxa a
- 1:44:55durex por outro caminho e aí vai puxando algumas vezes vocês não
- 1:45:01puxavam fio nenhum outras vezes vocês puxavam algum fio e
- 1:45:03paravam mas não foi um jogo de puxação de fio ninguém foi muito
- 1:45:08a fundo em puxando fio só no finalzinho que se puxa fio mas
- 1:45:12eu estava tudo bem com isso porque eu Vamos lá, é isso aí.
- 1:45:16Vamos andando. Então, a estrutura que eu
- 1:45:19geralmente faço é... É isso mesmo que você falou.
- 1:45:23Eu preparo a estética, levo os requisitos.
- 1:45:28Aí, aqueles requisitos, aquele wireframe, aquelas cavidades
- 1:45:30abertas, são preenchidas na seção zero.
- 1:45:33Eu volto e vou arrumar. Agora eu vou polir o que ficou
- 1:45:38encaixado, eu ajudo a entrar de vez no buraco e tal.
- 1:45:42Vou... devolvo pros jogadores ou antes da primeira sessão, quando
- 1:45:47é em casa, ou na própria primeira sessão, ou...
- 1:45:50Ó, que é uma coisa que eu achei, cara, que foi muito legal, foi a
- 1:45:55troca que eu tive com o Holandinho na primeira sessão.
- 1:45:58Você não participou. Que a gente tava no telefone, eu
- 1:46:02tava fazendo NPC, o Holandinho tava, pô, aquela festa lá, deu
- 1:46:05uma merda do cacete, coisa e tal.
- 1:46:06Eu inseri aquela festa depois. Verdade.
- 1:46:11Eu falei daquela festa. Mas tinha um jeito de se falar
- 1:46:14daquela festa. Poderia se falar daquela festa
- 1:46:18você voltando no tempo com o negócio do...
- 1:46:20Se transformando, né? O negócio da magia.
- 1:46:24Poderia se falar daquela festa investigando.
- 1:46:26Poderia se falar daquela festa em formas.
- 1:46:29Em formas. Então assim, tu vai comprando as
- 1:46:32ideias. RPG é um brainstorm.
- 1:46:34É todo mundo fazendo um brainstorm junto em forma de
- 1:46:36jogo. Um falou, outro foi, outro...
- 1:46:39Mas uma coisa eu não mudei, que era o relógio, a estrutura, os
- 1:46:44alarmes. Só pra acontecer isso, essa
- 1:46:46agenda desse NPC, agenda desse NPC, agenda desse NPC.
- 1:46:51Só que o modo, a gente vai investigando, a gente vai
- 1:46:54trabalhando, a gente vai amarrando.
- 1:46:58Uma vez que você tem essa estrutura, fica mais tranquilo
- 1:47:01você deixar rolar, né? É, tu deixa, porque já tá
- 1:47:04pronto. O resto é, o resto vai.
- 1:47:07Entendeu? Maneiro.
- 1:47:09Galera, eu recomendo demais vocês verem o material aí das
- 1:47:14streams do Perdidos no Play. Especialmente, eu acho essas
- 1:47:17três campanhas, pra mim, são realmente marcos, assim, da
- 1:47:21stream de RPG, pra mim, realmente é fora de série.
- 1:47:27Não é porque eu participei de duas delas, mas eu acho que
- 1:47:30realmente o Márcio consegue reunir muito bem e organizar
- 1:47:35muito bem esse material, essas aventuras de mistério.
- 1:47:39Então o primeiro é o de Mago, o Dia de Silêncio e Trevas, que
- 1:47:42demorou... quatro anos, né? Depois teve o Tales from the
- 1:47:49Loop, que eu não joguei, mas é muito boa também.
- 1:47:53É com esse loop, esse dia da marmota, e é feito de uma forma
- 1:47:57muito incrível, do jeito que mexe com a mídia do RPG e da
- 1:48:01stream. E, por último, o Malditas Cores,
- 1:48:05que eu acho que tem essa pegada lintiana e com esse sabor todo
- 1:48:09especial desse Rio de Janeiro cultúrico, que tem muito a
- 1:48:13marca... Eu acho que essa mesa tem muito
- 1:48:16a marca do grupo que se formou, né?
- 1:48:21o grupo ficou muito além a proposta é muito boa mas o grupo
- 1:48:25ainda foi além teve uma confluência muito interessante
- 1:48:29de personagens bem construídos, momentos interessantes então
- 1:48:33acho que cresceu muito com isso e recomendo demais eu queria
- 1:48:37saber de você, Márcio, conta aí o que você diz do Perdidos no
- 1:48:42Play pra galera algum recado do Perdidos no Play algum recado
- 1:48:45teu, conta pra galera aí Cara, a gente está com o Aventurando,
- 1:48:49que é o nosso podcast, o nosso mesa-cast, podcast chique, está
- 1:48:58com uma estrutura bacana. Quero convidar você, nós já
- 1:49:03falamos em assuntos relacionados a jogos analógicos, então a
- 1:49:08gente não vai tão a fundo. de um nicho específico que seria o
- 1:49:13Scud, fala de RPG de forma geral, também fala de board
- 1:49:16game, card game. A gente traz convidados, a
- 1:49:19maioria das vezes tem convidados, a gente troca essa
- 1:49:22ideia, tá no YouTube, mas também tem no Spotify, tem um monte de
- 1:49:25coisa. A gente tá preparando uma nova
- 1:49:28campanha pro ano que vem, no PSG Play, eu quero mestrar mais no
- 1:49:33PSG Play, então a gente tá preparando essa campanha.
- 1:49:36E é isso, cara, eu tô apontando das minhas aos pouquinhos, né,
- 1:49:40ilustração, design, a gente tá trocando uma ideia agora, antes
- 1:49:46de começar, o Bob é um cara que eu pego muito conselho de muita
- 1:49:50coisa, então é isso, a princípio é page de um play, fiquem
- 1:49:54ligados no page de um play, page de um play em todas as redes
- 1:49:57sociais, principalmente no YouTube.
- 1:49:59Maravilha, galera. Acompanhem esse cara.
- 1:50:01Ele realmente é brabo. Então, é isso.
- 1:50:04Vamos finalizando aqui com a leitura da enquete.
- 1:50:12Então é isso. A pergunta que eu deixo aqui pra
- 1:50:14vocês é a seguinte. Você assiste streams de RPG?
- 1:50:17Se você assiste, coloca sim. Se você não assiste, coloca não.
- 1:50:21E também eu quero saber qual o seu stream preferido.
- 1:50:23Comenta aí pra gente. No mais, queria agradecer vocês
- 1:50:27que ouviram a gente. Eu vou deixar os links citados
- 1:50:30aí no episódio, tanto nos anúncios do RPG Dojo, o Birgotem
- 1:50:34e o Mitos de Atlântida e deixar também links pro material
- 1:50:37citado. O playlist da aventura Cores
- 1:50:40Malditas no Perdidos no Play A playlist da aventura A Ruptura,
- 1:50:45também no Perdidos no Play. A playlist da campanha Dias de
- 1:50:49Silêncio e Trevas, também no Perdidos no Play.
- 1:50:51E o link para o documentário Vale o Escrito, na Globoplay.
- 1:50:55Beleza, pessoal? Então é isso aí.
- 1:50:57Lembrando aí da galera que torna possível essa aventura, os
- 1:51:00nossos assinantes. No nível incentivo, o Lúcio
- 1:51:03Pimentel, dentre eles. No nível Comunidade, dentre eles
- 1:51:08o Daniel Gata Morta, Dani Marques, o Murilo Dada.
- 1:51:12O pessoal do nível RPG Dojo, dentre eles o Léo Ferreira, o
- 1:51:16Pedro Erle, Rafael Garotti, Rudolf Helmut, Vitor Hugo
- 1:51:19Martins. O pessoal do nível Oil Fantasy,
- 1:51:22o Abílio Júnior, Cesar Machado, Daniel Aydar, Diego Sestito,
- 1:51:25Douglas Baiense, Léo Gasparotto. Matheus Piqueira, Rafael Bardal,
- 1:51:30João Burlamac, Gui Providello e o Marcos Gonçalves.
- 1:51:33E, por último, o nosso assinante nível café com balbe, o grande
- 1:51:40Tiago Augusto. Muito obrigado pelo teu apoio,
- 1:51:43cara. Valeu, pessoal.
- 1:51:45Um abraço e até a próxima.