Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 8 - MATERNIDADE PERFEITA, EXISTE? Chá de coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00Bem, na minha vez de ser mãe, o checklist triplicou.
- 0:05É alimentação orgânica, é imitar brincadeira.
- 0:09É medo de não traumatizar. Socorro.
- 0:12Deus aceita o chá de coragem. Olá, eles, amo em equipe.
- 0:30Vim aqui contar meu drama, desabafar e pedir um conselho ou
- 0:34mais de um. Estou perdida nesse exato
- 0:37momento, logo após a Mini formatura do meu filho de 11
- 0:40anos, que está encerrando o quinto ano.
- 0:43Ele não queria que eu fosse e deixou isso bem claro, mas eu
- 0:47fui. Fui ver mais um ciclo se
- 0:49fechando na vida dele, uma Conquista que não foi fácil.
- 0:52Eu estou perdida porque no final eu queria parabenizar e poder
- 0:56dar um braço nele, mas ele me viu.
- 0:58Virou a cara e passou reto, praticamente fugindo da minha
- 1:02presença. Era pra eu estar ajudando na
- 1:05festa que IA ter logo após a cerimônia.
- 1:07Mas eu tô aqui chorando no carro perdida no dia de hoje.
- 1:12Será que eu volto pro meu trabalho?
- 1:14Mas com essa minha cara inchada não dá nem pra sair do carro e
- 1:18eu tô perdida nos dias a seguir. Eu tenho 4 filhos, mas é o
- 1:22segundo, esse meu filho que me pôs sempre a buscar algo além
- 1:26dos meus planos. Foi ele na minha, foi com ele na
- 1:28minha barriga que eu busquei o parto humanizado.
- 1:31Foi com ele nos seus terrível two three four e quase 5 anos
- 1:36que eu busquei conteúdos de criação com apego, disciplina
- 1:38positiva que cheguei nos seus conteúdos e no Thiago Queiroz.
- 1:42Foi com ele, foi com ele indo na escola, que tenham buscado ter
- 1:47mais, ter uma rotina mais leve e menos estressante.
- 1:50E agora? É com ele, nessa fase
- 1:52desafiadora da pré adolescência, que eu estou buscando terapia e
- 1:55novamente conteúdos que me ajudem a navegar com mais
- 1:58leveza. Eu tô perdida porque chegou num
- 2:01ponto em que ele não se odeia só não só odeia ir pra escola, mas
- 2:04tem sido bem agressivo comigo. Ele disse que me odeia e que não
- 2:08quer que eu participe de nada. Ele não, ele está indo muito mal
- 2:11na escola por não ter interesse nenhum, não tem entregar as
- 2:14tarefas e tem tido problema de comportamento.
- 2:18Eu fico pensando porque chegou nesse estado?
- 2:20O que será que eu fiz de errado? Eu tento entender qual o motivo
- 2:24de tamanha aversão e pelo que eu entendi, é o simples fato de ter
- 2:27regras, ter horário para cumprir, ter tarefas para
- 2:30entregar. Quando eu cogitei com ele, que
- 2:32talvez seria bom ir para uma psicóloga para, quem sabe,
- 2:34ajudar com esses temas difíceis, sentimentos, ele ficou super
- 2:38mega bravo. Minha pergunta é, como faz para
- 2:41ensinar que tem coisas na vida que não são tão gostosinhas de
- 2:45fazer, mas que precisamos fazer mesmo assim?
- 2:48E como faz para eu me reconectar com esse filho?
- 2:51Eu levo para fazer coisas que ele gosta.
- 2:53Eu tô tentando engolir as as palavras agressivas e responder
- 2:55com mais empatia e calma, mas sempre que consigo.
- 2:58Mas eu tô tentando, enfim, eu tô perdida mesmo que você não leia
- 3:03meu e-mail, pelo menos eu consegui por em palavras meu
- 3:06sentimento de hoje, então obrigada por esse canal elisama.
- 3:11Eu desejo muito sucesso para o seu trabalho e que sua luz
- 3:13continue brilhando na vida de muitos.
- 3:15Um beijo e um abraço grande. Eita, gente.
- 3:23Tanta coisa para falar desse e-mail que eu não sei nem como
- 3:28que eu vou organizar isso. Mas aí eu vou começar dizendo
- 3:32que a maternidade é muito difícil e que ela não é um
- 3:37caminho que a gente faz sozinha e que a gente não cria um filho
- 3:40sozinha. E cada vez que eu vejo uma mãe
- 3:43falando, mas onde é que eu errei?
- 3:46Meu coração fica pequeninho. Porque eu penso, e é só uma mãe
- 3:52que educa um filho. Se for só a gente, a gente não
- 3:57pode errar. Mas terceiro mundo que não erra.
- 3:59Porque, veja, educar uma criança deveria ser uma atividade de
- 4:02muita gente. A gente deveria ter muitas
- 4:07camadas de cuidado, porque para quando uma falhar e a mãe e o
- 4:11pai fatalmente vão falhar, outras camadas consigam abraçar
- 4:15e sustentar a educação dessa criança.
- 4:18Para que essa falha ela não seja tão dura para criança e é
- 4:22importante entender que a gente vai falhar e que para criança é
- 4:26importante que a gente fale. É importante que ela aprenda com
- 4:30as nossas falhas, que ela nos veja falhando e veja como que a
- 4:33gente lida com as nossas falhas. A falha em si não é um problema.
- 4:36O winnicott falava muito sobre essa falha, que ela é
- 4:39previsível, sabe? A falha que é aquele grande
- 4:42problema é que ela falha, que é um choque absurdo.
- 4:46Que ela é algo que você nunca imaginaria.
- 4:48É algo que tira teu chão, é algo enlouquecedor.
- 4:52Essa falha que é uma surpresa, um AI, hã?
- 4:55Essa é uma falha que costuma ter um problema.
- 4:57As nossas falhas no dia a dia, elas não são essa marca tão
- 5:02profunda na educação dos nossos filhos.
- 5:05E aí eu vou entrar num vespeiro, porque assim.
- 5:10Se você me acompanha há muito tempo, provavelmente você viu
- 5:12que eu tenho falado cada vez menos de educação de filhos no
- 5:15meus, no meu perfil, nos meus conteúdos.
- 5:18Por vários motivos, tenho motivo de não ser mais o foco da minha
- 5:22vida. Quando eu comecei a trabalhar
- 5:23com internet, lá em 2015, onde tudo era Mato, eu tinha uma
- 5:31filha de menos de 1 ano e um filho de menos de 3 anos.
- 5:38Aquelas 2 criancinhas eram foco da minha vida.
- 5:41Eu tava começando a educar aqueles seres humanos e cada
- 5:45coisa que eu aprendia sobre eles, sobre mim, sobre
- 5:48maternidade, me fazia querer falar mais, sabe?
- 5:52Eu queria falar, olha, gente como a criança aprende, olha,
- 5:56olha que ela não tá fazendo isso para te provocar.
- 5:58Olha que interessante. Isso que eu conversei com os
- 6:00meus filhos, aquilo tinha 11, importância gigantesca para mim,
- 6:05e eu lia só sobre aquilo. Eu só falava sobre aquilo.
- 6:09À medida que os meus filhos foram crescendo, eu fui
- 6:12retomando os meus prazeres, eu fui retomando a minha vida e
- 6:17eles pararam de ser o centro dos meus prazeres, que por um tempo
- 6:20eles eram e faz parte, sabe? Faz parte do da relação com os
- 6:25filhos. Tem uma fase ali que o bebê, ele
- 6:27é tão bebê, que a criança é tão criança, que ela tá precisando
- 6:29muito de você e que a natureza é muito sabiamente, faz com que
- 6:34você queira, fica muito perto dela para você cuidar daquela
- 6:37criança. E aí você vai crescendo, as
- 6:40coisas vão crescendo e você vai lembrando, olha, é legal.
- 6:44E essa criança tem outros prazeres, e eu tenho outros
- 6:46prazeres. Essa criança vai conhecer outras
- 6:48pessoas e eu vou conhecer outras pessoas.
- 6:51E aí as relações, elas foram para o outro lugar para mim
- 6:56entender, as questões sociais foram para outro lugar para mim.
- 7:00Então esse é um dos principais motivos de eu parar de falar da
- 7:02educação. Eu, ela parou de ser meu foco na
- 7:05vida e aí parou de ser o foco no meu trabalho.
- 7:08Junto a isso, eu vi um crescimento muito grande das
- 7:13informações sobre educação nas redes sociais.
- 7:15E eu não acho que esse crescimento é ruim.
- 7:18Eu acho que é legal a gente ter informação.
- 7:20O grande problema é que essas informações elas estão chegando,
- 7:25muitas vezes desconectadas do ser humano, desconectadas da
- 7:31vida. Elas estão chegando, como se a
- 7:33teoria ela pudesse ser aplicada. Sem nenhum contexto, sabe?
- 7:39Gente, tirar o contexto da vida de uma pessoa é violento com
- 7:42essa pessoa. Se você desconsidera ao me falar
- 7:47algo, a minha história, as minhas possibilidades, você está
- 7:49me violentando. E nós muitas vezes estamos na
- 7:55tentativa de ajudar o outro, querendo colonizar esse outro,
- 7:59querendo falar para ele como que ele deve agir, como ele deve
- 8:01falar, como ele deve se fazer de acordo com as nossas
- 8:05possibilidades. Com a nossa história de vida,
- 8:08com as nossas perspectivas, e aí esse movimento tenho visto a
- 8:12crescer muito nas redes sociais, colocando a criança como o
- 8:15centro da vida por muito tempo. E a criança?
- 8:21Ela não existe sozinha numa família, tem um contexto.
- 8:25Eu não estou falando que a família não vai se adaptar a
- 8:27essa criança. O felesi tem um texto lindíssimo
- 8:30em que ele fala da adaptação da família do adulto à criança.
- 8:33O adulto precisa se adaptar à criança.
- 8:35Não é. Ele chegou depois a ele que se
- 8:36adapte, não. Nós vamos adaptar toda a família
- 8:41às necessidades. Desses chegaram também, mas eu
- 8:45sigo tendo necessidades, a mãe tendo necessidades, o pai tendo
- 8:50necessidades, a outra mãe, a família, ela é maior do que
- 8:53somente essa criança. eSIM, tem as decisões que seriam o melhor
- 8:58para essa criança e tem as decisões que seriam melhor para
- 9:00família. E nem sempre as coisas andarão
- 9:03juntas. Nem as decisões que são as
- 9:05melhores pra mim e que também nem sempre andaram juntas com o
- 9:07melhor pra minha família e o melhor pra minha, pra minha
- 9:09criança, entende? Eu vejo uma confusão muito
- 9:14grande nas perspectivas de como a gente deve educar, que tem
- 9:18feito com que os pais e as mães tenham medo de educar os filhos,
- 9:23de falar, não de ser gente. Medo de sentir raiva, medo de
- 9:29sentir mágoa, medo de falar filho, eu não vou conversar com
- 9:32você agora porque eu não tenho condição.
- 9:34Eu tô p. Da vida, a gente não vai falar
- 9:36agora. A gente tem medo, tem ficado com
- 9:39medo de ser humano com os nossos filhos, tem achado que a gente
- 9:43pode precisa engolir todas as dores e todos os nossos
- 9:48incômodos, porque senão vai traumatizar a criança.
- 9:51E aí a gente tem ensinado pouco para as crianças sobre os nossos
- 9:55limites, sobre os limites das relações.
- 9:59Veja, é é absolutamente natural que uma criança ela.
- 10:03Queira que o mundo gira em torno dela, ela aprende que o mundo
- 10:08ali É Ela quem constrói desde muito pequenininho, então assim,
- 10:13o seio da mãe, ela acha que ela materializou a mãe, a mãe
- 10:15chegou, olha, a mamãe chegou aqui, fui eu que na hora que
- 10:18pensei, a mamãe chegou. Isso não é proposital, mas é a
- 10:20construção, sabe? À medida que o tempo passa, ela
- 10:23vai ver que aquele seio, ele faz parte de uma mãe e essa mãe, ela
- 10:27é um ser inteiro e é um seio, é um seio que vai falar não.
- 10:31É você que vai errar e aí a criança vai aprendendo a fazer
- 10:34essa dança com a vida do pera aí, tem o limite dela, tem o meu
- 10:38e vou ficar chateada. Não vou ficar chateada, ela vai
- 10:40ficar chateada, a gente vai conversar.
- 10:43A relação saudável, meus amores, não é uma relação que não tem
- 10:47desentendimento e conflito, o conflito, ele faz parte de todas
- 10:52as relações. O conflito faz parte da sua
- 10:54relação, você com você mesma, com você mesma, se você subir
- 10:57uma Montanha, amor. Se isolar de tudo e de todos e
- 11:01falar, vou viver aqui, você vai arrumar um jeitinho, um jeitinho
- 11:04para ter conflito. Por quê?
- 11:06Porque nossa natureza é conflituosa.
- 11:08Você vai entrar em conflito se você quer continuar lá ou se
- 11:10você quer encontrar seus amigos, se você quer morar lá ou se você
- 11:14quer ir morar numa grande cidade, se você quer tomar banho
- 11:17ou se você quer comer o pudim vai ter conflito, vai ter
- 11:21desentendimento de você com você mesmo.
- 11:24Imagine numa relação tão íntima como uma relação.
- 11:28Com o filho, com a filha, uma relação com o teu marido, com a
- 11:32tua namorada, com teu namorado. Gente, quanto mais íntima a
- 11:36relação, mais a gente vai precisar fazer ajuste, ter
- 11:39conflitos. E o problema não é o conflito.
- 11:43O problema é como nós lidamos com o conflito.
- 11:46A relação saudável é uma relação que abarca o conflito, é uma
- 11:51relação em que a gente se desentende, sim, é uma relação
- 11:54em que a gente se desencontra, mas tem.
- 11:57Nessa construção, uma convicção de que a gente se desencontra,
- 12:02mas a gente se encontra, que a gente tem uma força na nossa
- 12:06união, que ela dá conta desse baque aqui, dessa dúvida, a
- 12:11gente até tem um tem uma dúvida, será que vai dar conta dessa
- 12:13vez? E aí a relação vai aqui, tamo
- 12:16junto, a gente vai lidar a relação com a criança, não é uma
- 12:20relação que a criança tem, que tá feliz em entender tudo o
- 12:22tempo inteiro, sabe? Eu não preciso do selo.
- 12:26Melhor mãe do mundo dos meus filhos inúmeras vezes.
- 12:31Eu vou ser a interdição, eu vou ser o não, eu, você, a que vai
- 12:36falar, filho, não vai acontecer assim e ser essa adulta que é a
- 12:41interdição inúmeras vezes que é o não vai desagradar e aí vai
- 12:45ter momentos que eu vou ser chato sim, vai ter momentos que
- 12:49eu vou ser aqui, vai desagradar sim.
- 12:51E aí a grande diferença, minha gente, dessa relação saudável.
- 12:55Em que a gente demonstra os nossos limites pra relação que é
- 12:58violenta, pra relação que não respeita o outro.
- 13:03É que quando você se desagradar comigo eu vou abrir espaço pra
- 13:07gente conversar. Eu entendo que você é um ser
- 13:09humano complexo, que tem os seus quereres, que tem os seus
- 13:13desejos, que pode não gostar do meu não, eu não vou dizer não
- 13:16pro meu filho esperar que ele fale.
- 13:18AI muito obrigada mamãe que não bem dito.
- 13:23Nossa, mas vou ser uma fada sensata, tá?
- 13:25Muito obrigada por cuidar do meu futuro maravilhosa, claro que
- 13:29não, gente, ele vai se frustrar, um menino de 11 anos vai falar,
- 13:33você é chata, você não me entende, EOK, isso faz parte da
- 13:37construção e vai chegar dependendo da forma que ele vai
- 13:40falar, que eu vou dizer, epa, filho, tô vendo que você não tá
- 13:42feliz. Encontra uma outra forma de
- 13:44falar comigo nesse tom, não aceito e a gente vai aqui
- 13:47construindo os limites da nossa relação.
- 13:50Eu tenho visto um movimento nas redes sociais que tem borrado
- 13:56muito esse limite, sabe? Esse limite do do que eu posso
- 14:01dizer para o meu filho, do quanto eu posso ser humana com
- 14:03ele, com ela, do quanto eu posso falar, olha, não tenho isso para
- 14:06te ofertar, não tenho isso para te oferecer.
- 14:09Eu tenho uma história, eu sou um ser humano que está vivo e eu
- 14:12tenho muitas coisas para te ofertar, e essa eu não tenho.
- 14:15É a eu já falei aqui um outro episódio que ela ainda tem TPS,
- 14:19né, que transtorna o processamento sensorial.
- 14:20Então ela tem uma coisa muito grande com roupa e eu cresci, eu
- 14:25cresci usando roupa de doação em inúmeras vezes eu cresci usando
- 14:29roupa que a minha mãe usava, minha mãe costurava, eu não
- 14:32tinha escolha, eu nunca fui para uma loja, como ela vai escolher
- 14:37a roupa que eu IA comprar? Então quando ela começa a chorar
- 14:40pela roupa, gente mexe na minha história num lugar.
- 14:45Que eu tenho vontade de esganar, garota, e eu sou humana.
- 14:49Eu continuo com vontade de esganar quando começa essa briga
- 14:52AI só que eu assumo isso e assumo meu limite.
- 14:58E eu já sentei com ela para falar, filha, o lance da roupa
- 15:01de você escolher como você vai vestir, de você chorar com a
- 15:04roupa é algo que mexe na minha história de um jeito que eu não
- 15:07tenho essa paciência aqui de sentar com você, escolher a
- 15:11roupa sempre para te ofertar. A mamãe tem outras coisas, mas a
- 15:16roupa você vai precisar escolher, filha, eu estou aqui
- 15:18se você quiser chorar, você quiser o colo da roupa, a roupa
- 15:20que você não gostou, se quiser deitar no meu colo, eu estou
- 15:22aqui. Mas não me pede pra ficar
- 15:23sentada com você no guarda roupa, te vendo vestir um Monte
- 15:25de roupa, tirando, porque isso mexe comigo num lugar que eu
- 15:29não, não dou conta. E ela sabe que esse é um limite
- 15:32meu. E eu tenho tanto pra ofertar pra
- 15:34essa menina, gente, tanto de tantas outras formas que a nossa
- 15:40relação cabe. Esse limite, a nossa relação
- 15:43cabe um isso eu vou até aqui, filho, isso aqui eu não tenho
- 15:47para te ofertar. Então acho importante nessa
- 15:51história dessa mãe com 4 filhos de você pensar se tem limite seu
- 15:59nessa história, sabe? Não dá para o meu filho virar a
- 16:01cara para mim simplesmente aos 11 anos.
- 16:06EE, eu não pontual quanto isso dói.
- 16:11O quanto eu espero um comportamento diferente e ela
- 16:16fala que o menino não entrega a prova, que o menino não está
- 16:19entregando as atividades, ele está num num fase difícil e aí a
- 16:21gente vai para uma outra conversa, que agora é o
- 16:23comportamento da criança. Comportamento é comunicação.
- 16:27Tem algo que ele está comunicando com esse
- 16:29comportamento, tem algum sofrimento que nem sempre é
- 16:32sobre o que você fez de certo e errado.
- 16:35Às vezes é sobre essa criança e o mundo normalmente é, será que.
- 16:41Que ele está está sendo bem amparado na escola.
- 16:46Será que as amizades na escola não estão difíceis para ele?
- 16:50Ele não está conseguindo lidar e eu não estou aqui levantando
- 16:52possibilidades, que são coisas que você tem que intervir.
- 16:55À medida que os meus filhos estão crescendo.
- 16:58AI, gente, eu tenho percebido o quanto existem momentos que a
- 17:01única coisa que eu tenho para fazer é escutar, sabe?
- 17:05Eu queria resolver, eu queria ligar para mãe dos amigos.
- 17:07Eu queria ligar, eu queria falar, eu queria ter aquela
- 17:10atitude, mas eu sei que não é o meu papel.
- 17:12E aí eles me contam coisas difíceis de ouvir, do que eles
- 17:16viveram, que eu queria arrancar a dor com a mão assim, mas que
- 17:21eu sei que não é possível. E eu só falo, filhos, filho,
- 17:25filha, independente da dor que você vai passar, enquanto tiver
- 17:30assim for esse ar no pulmão da mamãe, eu estou com você.
- 17:34O que eu posso te garantir é que você não passa pela dor sozinha
- 17:37ou sozinha. Você passa pela dor acompanhada,
- 17:39acompanhada da mamãe. Então tem um lado aí de como que
- 17:43essa criança está vivendo, para além da sua relação, da relação
- 17:46com você, gente, a pré adolescência e adolescência ela
- 17:49é muito difícil, muita coisa muda, muitas angústias aparecem.
- 17:55É uma fase que a gente se pergunta quem a gente é, o que
- 17:57que a gente está fazendo no mundo?
- 18:00Se você não achar que é sobre você, o que que fica?
- 18:04O que que você descobre sobre essa criança e a vida dela e o
- 18:08mundo dela e as relações dela? O que que você descobre sobre as
- 18:12angústias dela? Porque a gente, o ser humano,
- 18:15uma criança, um adolescente, eles não são um futuro, não,
- 18:19eles são presente, eles não são um futuro sem presente.
- 18:23Eles existem hoje com toda complexidade.
- 18:25Então tem tanta coisa aí que pode ser.
- 18:30Eu só posso dizer que ele tá pedindo conexão.
- 18:33No jeito meu torto, no jeito equivocado e que você vai
- 18:36precisar demonstrar limite e falar, olha, não admito que você
- 18:39fale assim comigo, não admito que você aja assim, mas é
- 18:44conexão. E aí vai a última parte da nossa
- 18:48conversa. O que tem sido dessa relação?
- 18:52Para além dos momentos difíceis, quanto você tem conseguido
- 18:56conversar? Não é fazer o que essa criança
- 18:59quer ou não quer, mas o quanto você tem conseguido falar com
- 19:02ela. O quanto vocês tem conseguido
- 19:04ter conseguido? Ouvi la, o quanto você tem
- 19:06aproveitado os momentos com essa criança, o quanto você tem feito
- 19:10coisas juntos, o quanto vocês tem conversado, sabe, assim, a
- 19:14gente fala muito, com adolescente, querendo um
- 19:17relatório, e aí como foi o dia? E aí, como foi a escola?
- 19:20E aí, sabe, você quer que ele te conte como foi o dia dele?
- 19:24E você fala muito pouco do seu dia, o quanto você tem dividido
- 19:28a tua vida com ele, o quanto você tem pedido a opinião dele.
- 19:33Sim, eu peço muito a opinião dos meus filhos, filho, o que você
- 19:36acha disso aqui? Você acha que eu faço assim,
- 19:37você acha? E não é só eu, obviamente não
- 19:41peço opinião numa coisa que eles não podem dar, né, gente?
- 19:43Vai algo ali para idade, mas é para mostrar, olha, a tua
- 19:46opinião importa para mim o que você pensa importa para mim, eu
- 19:50confio em você, eu confio nos seus desejos, eu confio nas suas
- 19:55ideias, então a gente se desencontra, mas a gente se
- 19:58encontra, sabe? Essa relação que tem sim, as
- 20:01dores, mas tem o reatar, tem o reparar, tem o cuidar.
- 20:05Como está a conexão para além dos momentos difíceis?
- 20:10Como você tem aproveitado a conexão para os momentos para
- 20:13além dos momentos difíceis? São 4 filhos, gata, 4.
- 20:18Tem tanta dificuldade aí por você dar conta, sabe?
- 20:23E aí o da conta, a gente precisa ampliar o da conta para.
- 20:28Não dar conta é eu não ter um apoio suficiente.
- 20:31Quanto de apoio você tem tido para você conseguir lidar com os
- 20:35teus filhos, para você conseguir ouvir cada filho?
- 20:40E aí, uma última dica sobre conexão com a adolescente,
- 20:44aproveita o timing, tá? A adolescente tem o tempo dele
- 20:48para conversar e a gente quer que seja o nosso tempo.
- 20:53Quando a criança é pequena, você aprende todas as músicas, dá,
- 20:56sei lá, Galinha Pintadinha, a Palavra Cantada, dá todos os
- 20:59desenhos, dá bandinha que você gosta da criança, você aprende
- 21:02tudo. A medida que ele cresce, você
- 21:05começa a falar isso que você está ouvindo.
- 21:06É muito estranho. Deixa eu te mostrar o que é
- 21:08música de verdade e você está vestindo que coisa horrível,
- 21:10deixa eu te mostrar o que é isso de verdade.
- 21:13A gente para de caminhar ao encontro do adolescente, do
- 21:17adolescente, que é que eles venham até nós e isso não vai
- 21:20acontecer. Então, aproveita para tentar se
- 21:24interessar pelo universo desse adolescente sem dar lição de
- 21:26moral necessariamente. E aproveita o momento que ele
- 21:32quer conversar com você. É como se o adolescente vivesse
- 21:35num carro com os vidros suspensos.
- 21:37Ah, de mel. Sem falar isso com os vidros
- 21:39suspensos. E aí, de vez em quando, ele
- 21:41baixa o vidro e falou, mãe, mãe, vai quando ele baixa o vidro,
- 21:47amor? Aproveita.
- 21:50E vai lá, vai ouvir, vai ouvir sem criticar, vai ouvir sem vai
- 21:54ouvir com interesse. Sabe quem é essa pessoa, quem
- 21:58que ele quer da vida, que que ele achou dessa situação que ele
- 22:01está me contando? Porque se você falar, Ah, agora
- 22:05eu estou ocupado, agora não dá. Agora é a hora de dormir, não é
- 22:07hora de conversar não. O vidro vai subir de novo e
- 22:11quando o vidro sobe, muitas vezes você quer falar e o vidro
- 22:14está alto, e o que você fala não chega.
- 22:18E a comunicação fica muito ruim, sabe?
- 22:21Então presta atenção no tempo. No momento, eu tenho percebido
- 22:27na minha experiência aqui que eles querem conversar.
- 22:31Quando eu já estou destruída, cansada, querendo dormir, eu não
- 22:35tenho mais energia para nada. É um momento que encosta de
- 22:38falar, mãe, fala AI, não, agora não, eu queria dormir e você tem
- 22:43que ter muita. Muita vontade de conexão para
- 22:48você não falar, Ah, não é hora não, meu filho vai dormir amanhã
- 22:50a gente conversa porque eu percebo que eles acordam pelo
- 22:53menos o meu filho com humor tão construzinho, tão bonitinho, um
- 22:58raiozinho de sol de manhã e a gente não consegue conversar
- 23:01direito de manhã. O tempo dele é outro, não é o
- 23:03meu tempo, sabe? E somos 2 nessa relação e eu vou
- 23:09aprendendo a aproveitar o tempo dele de conversa.
- 23:12Você me perguntou, como é que você se reconecta com teu filho?
- 23:15Você não se reconecta com teu filho, se apagando nessa
- 23:18relação. Você se reconecta com teu filho,
- 23:21existindo nessa relação, demonstrando teus limites e
- 23:24lembrando que ele também existe e que tem algo aí que não está
- 23:30sendo comunicado, ou que está sendo comunicado, ou que não é
- 23:33com palavras e que não é sobre você necessariamente, é sobre
- 23:38ele, o mundo sobre a terapia. Ele pode não gostar da ideia,
- 23:43tá? Nem tudo que se vai propor para
- 23:45um filho vai ser recebido com eba, sobretudo na adolescência.
- 23:52Muitas das nossas ideias vão ser recebida com Ah, o olhinho
- 23:56virado e a gente banca acolher. É diferente de atender.
- 24:02A gente pode acolher o desagrado sem atender o desejo, entendeu?
- 24:06Você pode acolher o desejo e falar, entendo que você quer
- 24:09isso e ainda assim você aborda seu limite.
- 24:14Se alguém querer, tem monstro, ó filho, eu sei que você quer
- 24:18muito isso aqui e você ainda não tá pronto para isso aqui.
- 24:21A gente ainda tem o caminho para trilhar junto, que é uma dança,
- 24:25que é esse equilíbrio dinâmico, que é esse negócio que a gente
- 24:28vai descobrindo todo dia um pouquinho e que a gente vai
- 24:31precisar encarar com muita disposição, tá?
- 24:37Cuida dessa relação e cuida de você.
- 24:41E para encerrar, porque se for esse tema que eu acho que eu
- 24:43falo 3 horas para encerrar, o que é que você tem feito para
- 24:49você e por você? Porque eu percebo que quando a
- 24:55relação com os meus filhos está tomando tudo, é porque tem pouco
- 25:01de mim nas outras, nos outros âmbitos da minha vida, sabe?
- 25:04Quando eu estou fortalecendo, nas minhas amizades, quando eu
- 25:07estou com outros prazeres. A relação com os meus filhos
- 25:10está difícil e as outras relações, elas conseguem me dar
- 25:1311 pouquinho de ar para lidar com meu filho.
- 25:16Então preste atenção, como é que está a tua vida para além da
- 25:19maternidade? Que prazer você tem tido?
- 25:23Que sonhos você tem tido? O que é que tem sido a tua
- 25:30existência para além desses filhos?
- 25:33Porque se não? A gente se afoga e às vezes dá
- 25:37até pro fim uma conta que nem é ele que tem que pagar, tá bom, é
- 25:42isso, meus amores. E se você quer o meu pitaco na
- 25:45tua história, manda um e-mail, vou colocar aí na descrição do
- 25:50vídeo e encaminha esse episódio para aquela pessoa, aquela eu
- 25:58tenho certeza que ela já apareceu na sua cabeça.
- 25:59Tenho certeza que já lembro da última conversa que você teve
- 26:01com ela e pensou, nossa, então é para ela que você vai mandar
- 26:05agora? Está bom, vejo e até o próximo
- 26:08episódio.