Latest / Elas na Escrita / #42 Mulheres que se autorizam na escrita
Transcript
- 0:00É, olá gente, sejam bem vindos a mais um episódio delas na
- 0:03escrita. Hoje estou OK com 2 autoras e
- 0:06jornalistas maravilhosas aqui na minha frente.
- 0:08Estou até um pouco constrangida, vou fingir costume aqui, gente,
- 0:11é sempre ó, finge aqui que eu não estou nem aí, porque eu
- 0:13estou aqui na minha frente com a dania reis e a Tatiana
- 0:16Vasconcelos. Gente, sejam muito bem vindas e
- 0:18muito obrigada por toparem participar delas na escrita.
- 0:20Fiquei muito feliz de conseguir reunir vocês 2 hoje.
- 0:23Eu adorei esse convite, porque é a primeira vez que a gente vai
- 0:25falar juntas, né? Sim.
- 0:26Inclusive falava pra Isa que eu e a Dani a gente se conhece
- 0:30antes dos nossos livros, né? Antes da gente.
- 0:32Acho que se reconhecer como escritora.
- 0:34Eu tô contente também. Obrigada pelo convite.
- 0:36AI, que legal. É aí que a conversa rende bem.
- 0:38Então quando sem querer eu reúno umas amigas aqui e pra quem não
- 0:41conhece as 2, mas espero que vocês conheçam gente, eu vou dar
- 0:45aquela Mini bio básica que a gente tá aqui no início do
- 0:47episódio, então eu vou apresentar um pouquinho pra
- 0:48vocês. A Dani, ela é mãe do uma das
- 0:52mães do Martin e trabalha com inteligência criativa e escrita,
- 0:55fazendo da palavra o ponto de partida para transformações em
- 0:58diferentes escalas. Ela é uma das criadoras da
- 1:01contente, um veículo de sensibilização da sociedade que
- 1:04atinge milhões de pessoas a cada mês.
- 1:06É escritora. O seu livro de estreia, para
- 1:08todas as mulheres que não tem coragem, foi lançada em outubro
- 1:11de 2024 pelo selo best seller da editora Record.
- 1:15Ela é também jornalista, com longas passagens pela folha de
- 1:18São Paulo, é professora de escrita e fundou, em 2021,
- 1:20coletivo dupla maternidade, que reúne mais de 1500 pessoas de
- 1:23todo o Brasil em espaços de acolhimento e
- 1:25representatividade. Em 2020, Ela Foi uma das 30
- 1:28vozes que lutaram para mudar a indústria da comunicação,
- 1:29segundo papel e caneta pernambucana.
- 1:30Ela vive em São Paulo desde 2006. bem-vinda, Dani.
- 1:34Obrigada, atuando aí em várias frentes, né?
- 1:35A gente vê quem é da escrita, é sempre desse jeito.
- 1:42É desse jeito, né? Eu acho que a gente já entende
- 1:44de cara. Eu vou ter que fazer muita
- 1:46coisa, então eu sou feliz com esse caminho.
- 1:48Por muito tempo eu me angustiava pensar, Ah, eu?
- 1:51Então eu não sou só jornalista, não sou só escritora.
- 1:54E depois de um tempo eu entendi, que bom que não.
- 1:56Muitas mulheres passaram aqui, tem essa, esse mesmo conflito.
- 2:00Eu estou aqui também com a Tatiana Vasconcelos, que ela é
- 2:03jornalista e atua em rádio há 25 anos.
- 2:06A 9, ela é apresentadora. A 9.
- 2:09Ela é apresentadora do programa Studio CBN.
- 2:11Olha aí eu falei que eu IA ficar nervosa, que eu tava aqui
- 2:12apresentando a jornalista. Até tive que recomeçar na frase.
- 2:15Eu IA falar que assim tá difícil, porque você tá
- 2:17praticamente no rádio e tô com outra aqui, complicou pro meu
- 2:21lado? Então, a 9.
- 2:22Ela é apresentadora do programa Studio CBN nas tardes da Rádio
- 2:25CBN, depois de uma passagem de 11 anos pelos microfones da
- 2:28rádio BandNews FM. Ela é autora de nem toda mulher,
- 2:31lançada em 2025 pela editora Telha, é colunista do portal
- 2:35mina bem-estar e foi colunista da universa, do UOL.
- 2:38Problematiza o mundo e de vaga periodicamente na newsletter
- 2:42Tatiana que mantém no substaque. Seja bem-vinda, Tati.
- 2:45Obrigada, Isa. Estou contente.
- 2:47Engraçado ouvir outra pessoa falando sobre você, né?
- 2:50Eu acho que a angústia que a Dani teve é a angústia que eu
- 2:54vivo. Hoje eu me reconheço muito mais
- 2:56como jornalista do que como escritora escrita.
- 3:00É e a autoria é um caminho relativamente novo para alguém
- 3:04que tem 25 anos de rádio. É só não.
- 3:06Isso é algo que acontece muito aqui.
- 3:08Como a gente tem recebido mulheres que escrevem,
- 3:10geralmente são diversas frentes, já passaram por aqui, é autoras
- 3:13que tem esse lado da autoria na escrita, da literatura, mas são
- 3:16também jornalistas redatoras e roteiristas, atrizes.
- 3:20Então vai tudo se misturando, se conectando ali.
- 3:22E acho que isso conversa bastante com como eu gosto de
- 3:25iniciar o podcast para gente conhecer um pouquinho mais da
- 3:28trajetória de vocês e contando um pouquinho para.
- 3:30Quem tá ouvindo? A gente?
- 3:31Vocês sabem que a gente sempre conversa em duplas e eu tento
- 3:34então reunir duplas ali que de alguma forma se conectam,
- 3:37combinam. Então eu penso um pouco do livro
- 3:39de vocês, da escrita de vocês, então acho que vocês combinam
- 3:42muito nesse tema. Vocês 2 foram para livros de não
- 3:45ficção, além de serem jornalistas.
- 3:47Então entrando ali dentro da escrita, nesse, nesse espaço do
- 3:50livro publicado e falando de mulheres, falando de mulheres no
- 3:53mundo contemporâneo, pensando esse lugar da mulher, pensando
- 3:56nessas experiências das mulheres de diferentes formas, e acho
- 3:59legal que o título de vocês. É dialoga e se tenciona de
- 4:02alguma forma que vem para todas as mulheres e nem todas as
- 4:05mulheres. Então achei isso muito legal
- 4:06para a gente poder debater e pensando um pouquinho nessa
- 4:09trajetória tão diversa de vocês, que a gente tava começando a
- 4:12conversar. Eu sempre começo o episódio
- 4:14perguntando como vocês chegaram na escrita?
- 4:16Se vocês puderem me contar um pouquinho dessa trajetória, eu
- 4:18sei que tem muito do jornalismo EE me contar.
- 4:21Então, como vocês começaram a se descobrir escritoras, tanto no
- 4:24jornalismo, que pode ser importante para vocês, quanto em
- 4:26outros espaços, até chegar no livro também?
- 4:29Como foi esse caminho percorrido?
- 4:31Vai, Dani. Eu IA falar pra você começar?
- 4:36É. Eu escrevo desde sempre, eu
- 4:39escrevo desde criança. Eu fui para o jornalismo meio
- 4:42que assim, Ah, ela é boa em redação, vai lá fazer
- 4:44jornalismo. E no jornalismo eu sabia que eu
- 4:47queria fazer impresso, né? Não, não queria fazer rádio, não
- 4:50queria fazer TV. Hoje em dia, se fosse entrar na
- 4:53faculdade agora, eu teria experimentado muito mais, porque
- 4:55eu já fui muito assim, Ah, eu quero escrever, quero escrever.
- 4:58E por muito tempo eu me escondi atrás dessa escrita jornalística
- 5:02porque eu entrevistava outras pessoas, eu lia livros de outras
- 5:05pessoas e falava com elas, entrevistava elas, e eu ficava
- 5:09com esse lugar do texto autoral, meio escanteado.
- 5:12Ao mesmo tempo, eu sempre gostei muito de usar internet, então eu
- 5:16tive blog, né? Na época que ter blog era algo
- 5:19que as pessoas tinham blog e elas eram blogueiras realmente,
- 5:22sabe? Então, assim, eu experimentei.
- 5:25Vou me colocar um pouco ali, mas ainda assim eu também virava um
- 5:29pouco jornalista. Eu o que me fez desabrochar mais
- 5:34pra essa escrita autoral. E é engraçado que a gente falou
- 5:36da pandemia aqui nos bastidores, né?
- 5:38Na pandemia eu percebi muito de cara que aquilo IA durar muito
- 5:43tempo. E a certa altura eu tomei uma
- 5:46decisão que era todos os dias eu vou me arrumar para trabalhar,
- 5:49não vou ficar jogada no sofá, porque assim isso pode acabar
- 5:51com a minha saúde mental. Foi aí que eu comecei a passar
- 5:53delineador azul e nunca mais parei.
- 5:55É. E ali também, eu acho que eu
- 5:58liguei uma chavinha do tipo. Tá todo mundo numa situação
- 6:01horrorosa, a gente tá num lugar de vulnerabilidade, de no escuro
- 6:06mesmo, a gente não sabe o que vai acontecer.
- 6:08Então, todo julgamento que eu sempre tive muito forte em
- 6:11relação a mim mesma, que eu falava assim, nossa, mas pra que
- 6:14você vai escrever algo que é o que você tá pensando?
- 6:16O que você tá sentindo? Você é jornalista, você tá nesse
- 6:19lugar. Assim que você vai reportar,
- 6:22você não vai trazer sua opinião, sua subjetividade.
- 6:25Naquele momento eu olhei e falei assim.
- 6:28Nada mais importa. Deixa eu escrever.
- 6:31E aí eu lembro claramente de um texto que eu escrevi que chamava
- 6:33saudade das pernas. Um amigo meu virou para mim um
- 6:36dia e falou assim, eu estou com saudade das pernas de vocês,
- 6:38porque a gente só se vê agora na telinha.
- 6:41E aquilo me tocou de uma forma tão profunda que eu escrevi um
- 6:44texto, saudade das pernas, falando sobre o impacto da
- 6:47pandemia. Foi muito no começo.
- 6:49Acho que foi em abril de 2020, assim, um mês de pandemia.
- 6:52E de como já tinha mudado tudo, como a gente tava tentando ainda
- 6:55emular uma convivência, como a gente tava tentando manter uma
- 6:57normalidade enquanto o mundo tava de cabeça pra baixo.
- 7:01Era bem naquela época das pessoas falando não, porque o
- 7:03novo normal agora e eu assim, gente, parem as máquinas, não
- 7:06tem nada, a gente tá lascado e a gente não sabe o que vai
- 7:09acontecer. Então Bora ficar com essa
- 7:11angústia. Bora dividir essa angústia,
- 7:13porque enquanto a gente achar que o mundo tá funcionando, a
- 7:16gente não consegue. Viver a dureza do que a gente tá
- 7:20vivendo. E aí eu escrevi esse texto e eu
- 7:22lembro que eu ilustrei de uma forma assim, bem bem caricata,
- 7:26porque, tipo, eu fui no play do prédio e tirei uma foto meio das
- 7:29pernas, sabe? Postei assim e aquilo reverberou
- 7:33muito nas pessoas, que eu acho que era o que elas estavam
- 7:37sentindo também e não tinham conseguido nomear ainda.
- 7:40E eu sinto que esse texto me destravou para escrever o que se
- 7:44passava na minha cabeça, o que se passava no meu coração,
- 7:49tentando dar conta desse Turbilhão.
- 7:51Quer viver? Uma amiga minha, Clarice Freire,
- 7:54que até é, fez a orelha do livro e ela falava, você sempre foi
- 7:58uma cronista do cotidiano. Eu falei, como é bom ter amiga,
- 8:00né? Porque a amiga ela te levanta e
- 8:03ela te faz. Ela ela te enxerga de um jeito
- 8:06que às vezes você não se enxerga.
- 8:08Então, em retrospecto, eu vejo esse momento como um momento
- 8:11que. Eu comecei a sair de um armário
- 8:13da escrita. Sabe que eu falei, eu posso
- 8:15escrever, eu posso escrever, o mundo tá ao contrário.
- 8:19E o que eu posso fazer é me organizar internamente por meio
- 8:23da escrita e dividir isso com mais gente, porque aí eu deixo
- 8:26de me sentir tão sozinha, tão solitária.
- 8:28Então eu vejo esse ponto assim. Acho que esse é um sentimento
- 8:32bastante comum em jornalistas. Não importa o que eu penso, eu
- 8:37tô aqui para colocar para as pessoas que me ouvem, que me
- 8:40leem. O que as outras pessoas pensam?
- 8:4411 especialista, um político, um personagem, eu, eu estou aqui em
- 8:50função de uma informação, da da, da, de uma análise, de uma
- 8:55reflexão, mas que o que eu, o que eu penso não importa, é meio
- 8:59isso. O que eu penso não importa.
- 9:01Essa é um pouco. Acho que é uma formação do
- 9:03jornalista, né? Jornalista não é notícia e essas
- 9:07coisas todas, então. Eu me encontro muito assim no
- 9:10começo da Dani, inclusive no blog.
- 9:14Eu também escrevo desde criança, é diários jeitos de contar o que
- 9:20aconteceu no seu dia e tal. Eu sempre gostei dessa parte e
- 9:26no começo ali dos anos 2000, eu também fui uma blogueira.
- 9:29Eu também tinha um blog. E eu escrevia muito no blog,
- 9:33coisas que eu vivia na minha profissão.
- 9:35Eu já trabalhava em rádio, aliás, eu trabalhava na CBN no
- 9:38começo de 2000. Eu passei 6 anos lá, dos meus 22
- 9:42até os 28. Eu era repórter, então eu cobria
- 9:45muitos assuntos diferentes, ganhava, IA formando repertório,
- 9:50visão de mundo é EEE. Fui conhecendo as coisas e muito
- 9:55do que eu vivia na minha profissão eu escrevia no blog,
- 9:58mas também. Comecei a tatear um jeito meu de
- 10:03escrever, comecei a tatear um jeito de me colocar naquilo que
- 10:07eu tava sentindo é do que eu tava observando.
- 10:12Então acho que eu posso considerar que o meu início foi
- 10:16meio esse, assim, me experimentar no blog.
- 10:20Eu tracei a minha carreira toda, basicamente no rádio.
- 10:25Eu fiz uma outra coisa escrevendo, fiz crítica de livro
- 10:29quando eu era mais mais jovem e tal.
- 10:32Mas eu voltei e eu nunca parei de escrever, com mais ou menos
- 10:36frequência, com mais ou menos disciplina, regularidade e tal.
- 10:40Mas eu nunca parei de escrever. Escrevo as minhas coisinhas,
- 10:43deixo lá. E aí, em 2022, eu fui convidada
- 10:48para ser colunista de universa. E aí eu tinha que escrever um
- 10:52texto por semana, e aí eu quase morri.
- 10:57Quem me dera, né? Porque é é meio.
- 11:00Porque que ótimo. Você tem um espaço, uma coluna
- 11:03semanal num portal com aquele alcance daquele tamanho
- 11:07maravilhoso. E meu Deus, e agora?
- 11:10O que que eu vou escrever pra tanta gente ler é, e fui me
- 11:14encontrando ali também. Eu tinha 11 coisa, a Camila
- 11:17brandalise, que era minha, a minha editora.
- 11:20Eu, ela me sugeriu algum assunto ou eu propunha alguma coisa.
- 11:24Aí eu falava, putz, esse assunto é legal.
- 11:25Eu posso ouvir fulano, ciclano, beltrano.
- 11:28Ela falava, mas eu não quero saber o que essas pessoas pensam
- 11:31sobre esse assunto, eu quero saber o que você pensa sobre
- 11:34esse assunto. Então, muito estranho assim,
- 11:36muito estranho, apesar eu, eu sempre digo isso, acho super
- 11:39engraçado. Porque como jornalista, eu sou
- 11:43acusada, entre aspas, de ter muita opinião.
- 11:45E como escritora, eu sou apontada como quem tem pouca
- 11:48opinião e precisa se colocar um pouco mais nos textos.
- 11:52É. Então eu acho que eu até hoje é
- 11:56um exercício. Isso para mim.
- 11:57Amanhã mesmo sai uma coluna na mina com aspas de pessoas que eu
- 12:00fui ouvir, porque não me senti qualificada o suficiente para
- 12:05dar um veredito sobre um assunto que eu não Domino completamente.
- 12:09E bom, eu sou jornalista, então eu vou ouvir quem domina aquela
- 12:12aquele assunto e pode me ajudar a enriquecer.
- 12:15O que eu tô dizendo é, acho que esse exercício eu faço ainda
- 12:20hoje. Então eu eu ponho um pouco de
- 12:22mim. Mas eu também gosto muito de
- 12:26ouvir, quem sabe mais do que eu quando eu me meto AA escrever
- 12:30sobre um ou outro assunto. Mas isso é legal porque acho que
- 12:33isso dialoga com a trajetória de muitas escritoras, até de
- 12:36literatura. Quando a gente pensa em
- 12:37pesquisa, em ouvir, em sair a campo, e muitas delas são
- 12:41jornalistas também, acho que muita gente da escrita também
- 12:43acaba indo para o jornalismo nessa vontade de escrever.
- 12:45Eu lembro muito da a Dani falando que eu tive esse começo
- 12:48parecido ali. Eu sou jornalista também.
- 12:50Eu tive essa fase de Ah, ela é boa de redação.
- 12:52Ela gosta de escrever, então. Para não fazer jornalismo.
- 12:55E aí tem esse período onde você se vê escrevendo para o jornal e
- 12:58depois você tem que entender não, mas espera aí, onde entra a
- 13:00minha escrita também? Como que eu faço para
- 13:02equilibrar? Então acho que é 11 descoberta
- 13:04constante, mas legal que você continuou escrevendo, que você
- 13:07se reencontrou com isso no período recente e eu queria
- 13:09saber como vocês chegaram então nesses 2 livros, o para todas as
- 13:12mulheres que não tem coragem e o nem toda mulher, vocês
- 13:16escrevendo, estando no jornalismo e estando ali com os
- 13:19textos de vocês em casa, que a gente tem muito esse momento
- 13:21ainda de escrever para gente, de não contei para ninguém ainda.
- 13:24Eu estou ali comigo mesmo, na minha cabeça.
- 13:25Como essa temática começou a surgir para vocês, de escrever
- 13:28um livro? Não vou falar sobre mulheres.
- 13:30Essa é a perspectiva das mulheres aqui no contemporâneo,
- 13:33no mundo de hoje, cada um indo ali para o seu caminho, pegando
- 13:36isso de uma maneira. Mas como vocês chegaram nessa
- 13:38temática? Foi uma escolha ou foi meio
- 13:41natural de algo que vocês estavam construindo com vocês?
- 13:44Para mim foi uma mistura, porque eu já vinha escrevendo textos.
- 13:50O que a gente pode entender como crônicas sobre ser mulher e o
- 13:54que a gente como como a gente se coloca no mundo, como a gente
- 13:59deixa de se colocar? Porque o tempo inteiro parece
- 14:02que a gente precisa dar um passo além do que a gente já deu pra
- 14:05gente se autorizar a estar nos lugares.
- 14:08Então eu eu já sabia que eu escreveria um livro de não
- 14:12ficção. Eu já sabia que teria esse tom
- 14:14pessoal. E quando começou o processo?
- 14:18Veio a minha impostora dizendo assim, quem é você para escrever
- 14:22um? Livro.
- 14:23Quem é você para achar que contar histórias que são da sua
- 14:28vida vão interessar a alguém? Você não é uma celebridade, você
- 14:31não é uma pessoa com milhares de seguidores nas redes.
- 14:35Por quê? Para quê?
- 14:36Ao mesmo tempo, tinha muito forte dentro de mim que todas as
- 14:41vezes que eu escrevo. Eu crio uma ponte de conexão com
- 14:45as pessoas. É por isso que eu estou na
- 14:47internet. Estou falando internet mesmo ela
- 14:49sendo tóxica em tantos momentos. Mas assim, a internet mudou
- 14:52minha vida, mudou minha relação com o trabalho e não passou a
- 14:55semana que eu não tenho uma troca que seja muito profunda
- 14:58com alguém, porque a certa altura eu escrevi alguma coisa,
- 15:01então eu sabia que tinha uma força aí, mas o processo ele.
- 15:06Ele foi tão duro, né? Nesse questionamento do quem sou
- 15:09eu, quem sou eu? Porque e eu acho que isso é uma
- 15:11coisa que acontece com todas as mulheres que eu conheço.
- 15:13Acho que se tiver uma que não tem a síndrome da impostora, que
- 15:17hoje a gente chamado fenômeno da impostora, me apresente.
- 15:20Me conta que eu quero ser amiga, porque eu quero pegar dicas e eu
- 15:23quero pegar. É um dos temas que mais aparece
- 15:27aqui, inclusive esse momento do quando AI eu tive a coragem de
- 15:30publicar. Exato, então assim.
- 15:32A gente vê uma falta de representatividade, tem muito
- 15:35mais mulher escrevendo, mas aí quando tem um júri de um prêmio,
- 15:38são 5 homens decidindo qual é o romance do ano e parece que não
- 15:41tem mulheres e. Os candidatos são, em geral, não
- 15:43raramente escritos por homens. Exato.
- 15:45Então assim, a gente vive nesse mundo que não é desenhado para
- 15:49gente, por mais que a gente já tenha tido várias conquistas.
- 15:51Então, no meio do processo, enquanto eu ficava remoendo e
- 15:55ruminando na minha cabeça, porque para que, meu Deus, quem
- 15:58é você? Eu falei, Hum, tem um fio aqui.
- 16:01E o fio é exatamente essa impostora, porque não sou eu, eu
- 16:05não, eu não tinha nem coragem de falar que eu queria escrever um
- 16:07livro, era um desejo gigante, um sonho, e eu não falava, eu não
- 16:11falava, eu ficava quieta, entendeu?
- 16:13Porque assim eu falo, meu lugar é outro.
- 16:15E era engraçado que às vezes eu fazia umas palestras, umas rodas
- 16:19com mulheres, e eu eu propunha um exercício de coragem e medo,
- 16:24e elas e elas respondiam coisas lindas, e eu escrevia no meu
- 16:28próprio. Eu quero fazer, eu quero
- 16:30publicar um livro, eu quero lançar um livro, quero escrever
- 16:33esse livro. E quando eu entendi que o fio
- 16:35condutor do fenômeno da impostora, ele permearia o
- 16:39livro, eu falei, é isso, eu não tô falando da minha infância.
- 16:42Eu tô falando do que é ser uma menina e ser atravessada por uma
- 16:46violência. Eu tô falando de como é ser uma
- 16:49mulher hoje e estar nessas redes sociais que o tempo inteiro nos
- 16:53vendem um lugar de insatisfação com a gente, porque você você
- 16:57não é magro o suficiente, você não tem a pele aí.
- 17:01Com glosso tudo não pode. Então assim, aí, nessa hora eu
- 17:04falei, beleza. É quase como se eu tivesse
- 17:07pegando a mão de várias mulheres, dizendo assim, esse
- 17:10livro parte de mim para encontrar você.
- 17:13Para dizer assim, nossas dores são muito parecidas, por mais
- 17:16que a gente viva histórias que a gente vê de lugares diferentes,
- 17:20que a gente tinha sotaques diferentes.
- 17:21Mas a experiência de ser mulher nessa vida contemporânea se
- 17:24encontra em muitos lugares. E um desses lugares.
- 17:28É esse que fala? Você não está pronta ainda.
- 17:31Quando você fizer mais ou após, aí você pode ousar.
- 17:34Quem sabe? Talvez escrever um conto.
- 17:38Quando é sempre um, quando é sempre esse auto aprimoramento
- 17:42constante que eu acho massa e sou fã, mas que nos trava.
- 17:46Eu conheço mulheres brilhantes que não se colocam no mundo do
- 17:50tamanho que elas têm. E aí isso não é uma questão de
- 17:53uma falta de confiança delas, de uma baixo autoestima?
- 17:55Isso é uma questão de um sistema inteiro que não nos quer
- 17:59ocupando esses lugares. Aí eu falei, pronto, tem um
- 18:01livro ótimo. É.
- 18:03Ótimo. É muito legal o jeito como você
- 18:05chega ao fio condutor. Ele estava ali já sempre.
- 18:07Não. E a Dani falou antes sobre
- 18:09capturar sensações coletivas, acho que é isso, né?
- 18:14É, eu escrevi um livro chamado nem toda mulher, mas toda mulher
- 18:19é, vai se identificar mesmo, porque é isso.
- 18:22Isso perpassa a nossa existência, né?
- 18:26Eu comecei a escrever em universa, fazia um texto por
- 18:29semana, aliás, um dos meus. Sei lá, no segundo mês, tive lá
- 18:33uma crise e falei, meu Deus, não tem um assunto.
- 18:36Fui bater na porta de quem? De Daniela para falar sobre a
- 18:40síndrome da impostura. Olha só, é, escrevi em universa
- 18:45em 22, o ano inteiro. E aí, no começo de 23, eu fui
- 18:49escrever no portal Minas bem-estar e estou lá desde
- 18:52então, escrevendo um texto por mês.
- 18:53Graças a Deus, respirou. E também escrevo, do meu ponto
- 18:59de vista do lugar onde eu existo, que é uma existência
- 19:03feminina, branca, classe média heterossexual, em tese é, mas
- 19:12que repercute, que reverbera em muitas mulheres como eu, e
- 19:17mulheres diferentes de mim também, porque a existência
- 19:20feminina tem 11 fio que nos conecta.
- 19:25Mas eu estou lá escrevendo um texto por mês.
- 19:28E um dia um amigo chamado Michel alcoforado me disse, por que
- 19:32você não faz um livro? Eu falei, acabei de começar uma
- 19:36pós graduação justamente, não me achava qualificado o suficiente.
- 19:39Fui estudar e tal. Não tenho a menor condição de
- 19:42escrever um livro, né? De ir com a pós, com um programa
- 19:46de 3 horas ao vivo, dando notícia e após um livro e tal.
- 19:52Aí ele falou, você não precisa escrever o livro, o livro está
- 19:54escrito já. Eu tenho a impressão de que as
- 19:57suas crônicas organizadas, elas captam a sensação, os
- 20:02pensamentos e o modo de existir de um tempo.
- 20:06Eu não tive desde nunca a menor pretensão de falar em nome de
- 20:11todas as mulheres ou de dizer que este livro captura a
- 20:16existência feminina contemporânea.
- 20:18Não é isso, porque mulher é muita gente, como eu já disse.
- 20:22Mas eu acho que ele tinha alguma razão No No conversar desses
- 20:26textos. eSIM, se eu estou aqui há 4 anos escrevendo sobre a
- 20:30existência feminina, sim, eles reunidos, eles vão fazer um
- 20:34Panorama de um tempo. E aí propus para Telha organizar
- 20:41esses textos, achar também 11 fio condutor que eu não sei
- 20:46explicar até hoje qual é desse livro.
- 20:48Nós fizemos o livro e eu, a gente lançou ele o ano passado,
- 20:51em julho, com uma reunião na Flip.
- 20:54É com uma reunião de é uma reunião das crônicas que eu já
- 20:57escrevi com um texto inédito que eu fiz para abrir o livro.
- 21:00Eu nem lembro qual foi a pergunta, mas foi assim que esse
- 21:04livro, que esse livro nasceu. Isso, mas era.
- 21:08Era isso, né? E eu eu gostei tanto dessa.
- 21:13Desse lance de colocar um livro no mundo, um negócio que você
- 21:17fez. Sabe a sua observação do mundo?
- 21:21Tem muitas aspas também, opiniões de muitas outras
- 21:23mulheres, sobretudo aqui, que eu fui ouvir, mas eu gostei muito
- 21:27assim, quero continuar. Vocês pretendem seguir?
- 21:31Então já tem outros livros. É chegando para vocês de alguma
- 21:35forma, outras ideias de escrita ou ainda não ideias?
- 21:37A gente sempre tem, né? A gente tem bastante, tem.
- 21:40Sim, eu acho que a. Concretude que um livro traz
- 21:45alarga a gente de alguma forma. Eu me sinto muito mais corajosa
- 21:51depois de ter escrito esse livro, porque eu precisei
- 21:53mergulhar nos meus medos, nas minhas inseguranças, porque
- 21:57acostumada também a ouvir o outro e acostumada com a
- 22:01internet, eu dei um jeito de conversar com as pessoas pelo
- 22:03livro. Ele é cheio de exercícios que eu
- 22:05proponho para que quem estiver lendo.
- 22:09Dê uma parada e mergulhe naquele tema e escreva sobre o que
- 22:13aquele tema desperta na pessoa. E aí quando eu fiz isso, eu
- 22:18falei, caramba, é muito. Essa troca que acontece depois é
- 22:22muito forte. E aí eu precisei ser muito
- 22:24corajosa para escrever o meu. E aí depois de vê lo pronto.
- 22:29Dá essa sensação, né? Você sabe, é a concretude.
- 22:33Tá aqui. E a minha parte trágica é que eu
- 22:36perdi meu irmão. É um pouco na pandemia, não pela
- 22:40pandemia, mas naquele momento, meu irmão, pessoa mais
- 22:43brilhante, inteligente, que devia ter deixado 20 livros
- 22:46escritos e não deu tempo. E aí me deu uma urgência que eu
- 22:51falei assim, eu preciso deixar alguma coisa aqui, porque.
- 22:56Se aconteceu alguma coisa comigo, pelo menos tinha um
- 22:58livrinho ali, entendeu? Olha o livrinho, olha esse
- 23:00livro, olha ela como ela pensava.
- 23:03Não me chama de livrinho, faça o favor.
- 23:04Obrigada, é verdade, estou falando de tudo.
- 23:09Me. Deu essa sensação de que eu
- 23:12precisava, eu precisava. E também pensei muito sobre esse
- 23:18livro. É um retrato.
- 23:20De um momento a gente, eu acho que o livro também traz essa
- 23:23pompa que parece que a gente tem que resolver uma vida inteira
- 23:26ali dentro. Gente, é só mais caraminhola na
- 23:29nossa cabeça pra quem lê e nada de quem lê pra fazer com que a
- 23:32gente adie isso. Nossa, exato, né?
- 23:34Então assim me deu essa urgência.
- 23:36Eu falei, eu preciso ter e também como você é gostoso
- 23:40demais, então assim, vamos já costurando os próximos.
- 23:43É, não você. É muito legal isso da
- 23:45concretude, porque muda alguma coisa, né?
- 23:47Você ter o livro em mãos, mas. O mais legal ainda é você trazer
- 23:50isso do que ele não precisa também estar sempre pronto ou
- 23:53retratar completamente quem você é ao longo da vida ou retratar
- 23:56todas as mulheres, porque a gente vai mudando ao longo da
- 23:58vida a forma que a gente pensa, a forma que a gente escreve, né?
- 24:01Às vezes tem tem coisas que a gente escreveu a anos atrás.
- 24:04A gente escreve muito, não sei. Vocês que você lê hoje em dia,
- 24:06fala AI, né, mas faz parte. De que a gente era só que.
- 24:10Você vai mudando isso, é muito legal saber que a gente tem essa
- 24:12possibilidade. E o único seu universal é o
- 24:15homem branco hétero do norte global.
- 24:17Ele. Quando escreve, não é sobre a
- 24:19experiência dele, é sobre a experiência de ser humano.
- 24:22Mas se a gente escreve, a gente, Ah, é uma mulher escrevendo, uma
- 24:26mulher escrevendo. Então assim, sempre vamos
- 24:28diminuir. Então a gente tem que escrever a
- 24:30partir das condições que a gente tem.
- 24:32De quem é a gente hoje? Porque daqui a 5 anos eu espero
- 24:35ter escrito outras coisas de uma outra versão minha, e que isso
- 24:40siga pelo resto da vida, sem essa pretensão de querer
- 24:44esgotar, porque. Não se esgota.
- 24:47São pontos de vista. Eu acho que toda a todo esse
- 24:50boom da literatura escrita por mulheres não é à toa.
- 24:53Tem um Monte de gente se identificando com as histórias.
- 24:55Tem gente se reconhecendo, dizendo assim, caramba, alguém
- 24:58falou? Algo que eu sinto.
- 25:00Então eu quero ler isso. Eu não quero ler a experiência,
- 25:02que é completamente distante da minha vida.
- 25:04E eu acho que isso tem a ver também com a quantidade de
- 25:06mulher que tem se permitido em escrever, né?
- 25:09Exato. E eu e Eu Acredito muito nesse
- 25:11movimento de mulher. Bom, as pesquisas estão aí
- 25:14mostrando que mulheres escrevem mais, leem mais, compram mais
- 25:17livros. Você lê outras mulheres.
- 25:20Pelo menos a mim me dá muita vontade de descrever muita.
- 25:23Vontade completamente EE. Talvez, talvez não.
- 25:27Acredito que seja que que essa essa é uma engrenagem mesmo.
- 25:31Acho que quanto mais mulheres leem, mais mulheres se sentem
- 25:35autorizadas a escrever e a levar.
- 25:38Esse sonho, caso seja um sonho à frente, né?
- 25:40Exato, tanto que o próprio elas na escrita, ele surgiu
- 25:43exatamente daí, anos atrás, quando eu tava começando a
- 25:46escrever, pensando um pouquinho mais em literatura.
- 25:48Olhei para o mistante e falei, caramba, quanto o livro escrito
- 25:51por homem? E eu aqui querendo começar a
- 25:52escrever. Então eu comecei a buscar mais
- 25:54livros escritos por mulheres e aquilo foi me alimentando, foi
- 25:57me dando coragem, foi me dando vontade.
- 25:59Muito comum de mulheres, né? Eu mesma fiz isso.
- 26:03Eu passei anos sem ler homens. Porque eu passei a minha vida
- 26:06lendo homens e chamando aquilo de literatura.
- 26:10Sim, aquilo é literatura, mas não só aquilo é literatura, né?
- 26:15Exatamente. Eu me me impus ler só mulheres e
- 26:17passei. Acho que até hoje eu leio
- 26:20predominantemente mulheres, leio poucos homens.
- 26:23Mas para entender também quem são essas mulheres, de que jeito
- 26:26elas veem o mundo, quais são as histórias ficcionais que saem
- 26:29das cabeças delas. Sendo mulheres?
- 26:32É. Essas histórias são parecidas
- 26:34com as histórias que os homens contam.
- 26:36Ou tem um jeito assim ou assado? É.
- 26:39E eu não quero com isso, dizer que é um olhar feminino, porque
- 26:43isso não existe, mas é a partir de uma existência feminina.
- 26:47Isso sim, existe. É, eu tenho lido muito mais
- 26:50mulheres do que homem também. A gente enriquece justamente
- 26:52esses olhares, né? Quando se pensava que, Ah, tudo
- 26:54já foi escrito, então pra que escrever, pra que que eu vou
- 26:57escrever? E não, né?
- 26:58Muito longe. A gente tem uma Riqueza de
- 27:00olhares muito maior hoje por terem cada vez mais mulheres
- 27:02escrevendo. E os livros de vocês que tem
- 27:05essa, essa veia de dialogar tão próximo com outras mulheres, por
- 27:09abrir esses espaços, né, de diálogo com o contemporâneo.
- 27:12Como tem sido o retorno para vocês depois que vocês
- 27:14publicaram? Porque é muito legal quando o
- 27:16livro chega nos leitores, parece que ele até muda às vezes, né?
- 27:19Muita coisa a gente escreveu, a gente até redescobre, porque
- 27:22leitores trazem um olhar completamente diferente.
- 27:24O que que tem chegado para vocês assim, de mais que mais
- 27:27impactou, mais mexeu com vocês de alguma forma?
- 27:31Bom, pra mim, o que eu ouço muito é, eu sou capaz de ouvir a
- 27:33sua voz lendo o que você escreve.
- 27:36Porque minha minha biografia no livro tá faz tanto tempo que
- 27:40Tatiana Vasconcelos fala no rádio que você já deve ter
- 27:42ouvido a voz e a risada dela por aí, porque eu falo no rádio há
- 27:4525 anos. O prefácio do livro é da Liana
- 27:48Ferraz, que me recebe assim na literatura.
- 27:53E é quase uma carta de autorização dizendo que você
- 27:58escreve. Você escreve uma história por
- 28:01dia no rádio, né? Na sua cabeça, na maneira como
- 28:05você organiza as ideias e fala no microfone.
- 28:08Agora você está encontrando um outro jeito de escrever.
- 28:12Talvez outras ideias por um outro meio, que aí é a escrita
- 28:17mesmo, é claro, são linguagens diferentes, mas eu acho que eu
- 28:21aprendi a me apropriar dessa assinatura, que é a minha voz, e
- 28:27tentar colocar na maneira como eu escrevo.
- 28:31Eu acho que tem dado certo porque, como como eu disse, o
- 28:33que eu mais ouço é, nossa, eu sou capaz de te ouvir lendo. 11
- 28:37audiobook atenção a empresas IA ser, olha, eu compraria, né?
- 28:45Mas é, tem isso de ouvir bastante isso.
- 28:50E mesmo quem não está acostumado a me ouvir no rádio ou quem
- 28:54nunca leu o que eu escrevo, em que eu escrevo, em universo que
- 28:57eu escrevo na mina, é, acha? E aí eu gosto mais, porque eu
- 29:01fiz isso sem saber se IA dar certo.
- 29:04Que tem uma unidade na reunião das crônicas, porque às vezes eu
- 29:08escrevo sobre tantos assuntos diferentes que ficou um pouco
- 29:12difícil para mim costurar e organizar o livro a partir de um
- 29:15fio condutor. Qual é o fio condutor do livro?
- 29:18Não tem a existência feminina. E eu fui arrumando ali do jeito
- 29:22que eu combinava, que eu achava que combinava.
- 29:24Obviamente é com a ajuda da Maia e editora.
- 29:27E eu acho que deu certo, porque eu ouço isso também.
- 29:29Nossa, te ler todo mês é legal, mas ler tudo junto no livro dá
- 29:34uma outra percepção da coisa. Acho que o Michel tinha razão.
- 29:38Completamente lendo o livro e talvez encontra se esse fio
- 29:42condutor que você achava que não tinha e ele tá lá de alguma
- 29:45maneira? Exato.
- 29:50E para você, Dani, que tem chegado dos leitores assim?
- 29:53Olha uma frase que se repete, é? Parece que eu estou conversando
- 29:58com a minha melhor amiga, aquela que vai me acolher, mas que
- 30:02também vai me dar uns sacodes. Ou então eu quero ler aos
- 30:06poucos, porque está me fazendo acessar coisas que eu nem estava
- 30:09preparada, mas que está sendo muito bom.
- 30:12Várias pessoas falando assim. Eu tive mais coragem depois de
- 30:16ler e finalmente eu estou fazendo tal passo.
- 30:19Tem uma história muito legal que na Flip de 2024 eu estava lá e
- 30:24uma pessoa chegou para mim. E pedi autógrafo no livro.
- 30:28E aí no ano seguinte ela veio e falou assim, o meu sonho é
- 30:31escrever um livro, está aqui o meu.
- 30:32E aí eu queria te pedir um outro autógrafo.
- 30:35Agora nesse lugar. Eu falei, cara, é muito legal.
- 30:39Então assim, tem essa história de um de um despertar mesmo é de
- 30:46assim, o que é que na minha vida eu estou deixando de fazer?
- 30:49Porque eu estou me sabotando, deixando essa, essa impostura.
- 30:53Falar mais alto. E como é que eu atravesso isso?
- 30:56Porque eu gosto muito que o nome do livro é para todas as
- 30:59mulheres que não tem coragem e que aqui no projeto gráfico esse
- 31:04não tem outra cor. Então, às vezes as pessoas leem
- 31:07para todas as mulheres que tem coragem.
- 31:09E é uma brincadeira mesmo, porque, por mais que a gente
- 31:12tenha todas as nossas inseguranças, eu sou cercada de
- 31:16um Monte de mulher. Foda de um Monte de mulher
- 31:18corajosa que, apesar de todas as dificuldades, que apesar de
- 31:22todas, de de um de um mundo que tenta o tempo inteiro não sabe
- 31:27botar, vamos lá, vão lá e escrevem, se aventuram e ocupam
- 31:32lugares importantes. Então, acho que a gente vive
- 31:35essa dualidade do por trás dessa impostora tem uma mulher com
- 31:38muita coragem. E o que eu recebo de retorno é.
- 31:43E as pessoas dizem sim para fazer esse percurso, para se
- 31:45reconhecerem e para dizer assim, caramba, Bora lá.
- 31:48Não tem muito tempo para perder mais não.
- 31:50Bora, Bora fazer que tá que a gente tem que fazer, sabe?
- 31:53E sabe que a primeira vez que eu li a capa do seu livro eu li,
- 31:55assim, como se fosse um adendo para todas as mulheres, que tem
- 31:57coragem, não tem coragem. Olha aí eu.
- 32:00Pensei nessa dualidade já, porque para quem tá só escutando
- 32:03gente, o título é todo em preto. E tem um não, que é Rosinha e
- 32:07que ele combina com uma Estrela, né?
- 32:09Uma parte gráfica que tem ele do lado.
- 32:10Então dá para a gente ler, o tem e o não tem.
- 32:13Esse é muito. Legal também.
- 32:14Que eu acho que resume a gente, né?
- 32:16Porque a gente não vai mais. E eu acho que depois também de
- 32:19certa idade, você não vai mais deixar de fazer, você vai
- 32:21sofrer, você vai perder o sono, você vai ter que chamar todo
- 32:26toda sua rede ali pra dizer assim, me ajuda.
- 32:28Mas a gente vai fazer. Porque quando a gente se dá
- 32:30conta desses problemas da estrutura mesmo que do mundo que
- 32:33não nos quer, pode falar, Ah, não quer não, a gente vai.
- 32:37É isso, gente, o que vocês foram aprendendo sobre outras
- 32:40mulheres, sobre as mulheres que vocês convivem e sobre vocês
- 32:43mesmas, tanto nos textos desses livros, é como você já escrevi,
- 32:46era os textos da das das colunas há muitos anos, quanto Dani,
- 32:50nesse livro de agora e também no que escreve nas redes sociais,
- 32:52Na Na newsletter, o que que vocês aprendem olhando para
- 32:55essas mulheres sobre vocês mesmas?
- 32:57Vocês acham que vocês acabam mudando alguma chavinha, recebem
- 33:00algum? Já receberam algum comentário
- 33:02que talvez tivesse um pouco distante do que vocês pensaram
- 33:05na hora de escrever que falaram AI?
- 33:07Olha, chegaram algumas coisas que foram me pensando na minha
- 33:09dualidade. O que teve de aprendizado aí
- 33:11nesse processo de escrita? Não sei se teve.
- 33:14Sempre tem. No processo de escrita ou no
- 33:18geral? No geral, enquanto vocês
- 33:20escreviam esses textos, se vocês se colocaram para olhar um pouco
- 33:23mais para vocês mesmos e foram descobrindo outros lugares,
- 33:26sabe, nesse, nesse, nesse diálogo com com as mulheres que
- 33:29vocês escreviam? Eu nem sei se eu concordo mais
- 33:31com tudo que tá aqui. Tô brincando, tô brincando.
- 33:33Mas acho que faz a gente rever o que a gente fez, não?
- 33:36É, eu acho que tem 11 força muito grande da gente se
- 33:39reconhecer. Como se reconhecer a partir da
- 33:44força que a gente recebe de outras mulheres?
- 33:46É, tem 11 lugar muito forte. Eu troquei muito durante a
- 33:50escrita desse livro com Clarice Freire, que é escritora, ela tem
- 33:53o romance chamado para não acabar tão cedo e a gente lançou
- 33:56na mesma época e eu ficava com as minhas inseguranças de um
- 34:00lado, ela com as inseguranças dela de outro.
- 34:02Aí a gente falava, nossa, então, ok, tá todo, tá?
- 34:06Na checagem aqui na anamnese, tá todo mundo doida igual, mas
- 34:10beleza. Aí ela me ela voltava para mim
- 34:14dizendo assim, caramba, você sabe o que você tá fazendo?
- 34:16E eu falava, Clarice, ela com os livros de poesia dela.
- 34:20Ela vendeu milhares de cópias. Ela fez o pó de lua, que ela Ela
- 34:25Foi uma das primeiras autoras a usar a internet.
- 34:28É que tem anos e anos. Best seller zasa.
- 34:32Eu falei pronto, não sei. A best seller zasa tá aqui com a
- 34:35mesma. Nós é que eu realmente temos
- 34:38esse problema de estrutura, mas o que eu acho que é muito
- 34:40impactante e isso tem a ver tanto com o processo quanto o
- 34:44pós, é o quanto a gente se ajuda, o quanto a gente torce, o
- 34:48quanto a gente se celebra. Eu até escrevi na contente
- 34:53recentemente 111 coluna falando que assim meio que abrir mão
- 34:59dessa ideia de que as mulheres querem.
- 35:02Se ver por baixo que tem uma mulher pronta para puxar teu
- 35:05tapete e porque assim não é o que eu experimento na minha
- 35:10vida, não é? Eu vejo assim, as mulheres se
- 35:12ajudando, dizendo assim, ó, vem aqui que eu te ajudo, você me
- 35:17ajuda. E aí tem grupo de tudo e a gente
- 35:20quer se levantar, se elevar. A gente quer dizer assim, se por
- 35:25muito tempo a gente não pode ocupar, agora a gente vai, a
- 35:27gente vai levar as pessoas juntas.
- 35:29Foi muito assim, foi muito curioso porque assim.
- 35:32Teve muito comentário de gente falando nada a ver, as pessoas
- 35:36puxam o tapete. Já tive histórias horrorosas,
- 35:38foi me me impactou mesmo, que foi 1 o volume muito grande de
- 35:42pessoas discordando, o que eu acho ótimo, porque gosto do
- 35:45debate. Mas na minha experiência, na
- 35:47experiência das mulheres que eu conheço, a gente, se a gente
- 35:50cresce, quando a gente se juntar, a gente está disposta
- 35:53disponível, tipo, Bora lá? Então, tanto no processo quanto
- 35:58no pós e. Dali para diante, eu me
- 36:04reconectei muito com a força que existe.
- 36:06A gente tá junto. E quando a gente pensa em gênero
- 36:09mesmo, né? Eu penso, tipo, os vários homens
- 36:12que eu conheço, eles não tem aquele grupo de ZAP das amigas.
- 36:16A gente tem geralmente 10, né? 1 e 1 é para uma coisa, um é
- 36:22para outra coisa e faz o grupo EE.
- 36:25Eu acho isso para além de ser um pouco anciogênico às vezes, mas
- 36:28acho que diz sobre a nossa disponibilidade de criar
- 36:32conexão. De trocar de.
- 36:33Trocar, de aprender, de de melhorar.
- 36:37E eu acho isso de uma Riqueza que assim, por mais que seja
- 36:40difícil demais ser mulher, em vários momentos eu falei, se der
- 36:44para vir várias vidas, eu quero ver mulher.
- 36:45Porque? O que a gente tem, o que a gente
- 36:48cria só porque a gente se reconhece de cara?
- 36:51EE porque a gente quer ver as outras crescendo, eu acho, das
- 36:55coisas mais lindas que tem. E eu acho que isso tem a ver,
- 36:57obviamente, com uma estrutura que não nos aceita, que sempre
- 37:01diz pra gente que o que a gente faz não é suficiente.
- 37:05Acho que a estrutura ajuda a gente também a se conectar.
- 37:09Eu é. Eu tive uma, não sei se uma
- 37:12surpresa, mas eu fiquei muito contente com a turma de
- 37:15mulheres. Que eu eu passei a frequentar
- 37:20depois desse livro, e mulheres, desse jeito mesmo, não, você vai
- 37:23fazer um lançamento, então a gente vai fazer assim, assim,
- 37:26assado, eu vou estar com você, a gente vai chamar não sei quem,
- 37:28não sei quem, não sei quem, e você vai ver, tá todo mundo uma
- 37:31ajudando a outra, entendeu? A Dani vai lançar o livro dela,
- 37:34então vai vamos oferecer tal coisa para ver se ela não quer,
- 37:38que vai mediar ou que vai falar no evento, nós, nós.
- 37:44É esse livro chama nem toda mulher também por uma vontade de
- 37:52legitimar um modo de vida que não é o normativo, ou pelo menos
- 37:57não totalmente. Eu sou uma mulher de 48 anos, eu
- 38:01sou solteira, eu não tive filhos, não pretendo ter.
- 38:05Eu em geral não uso Salto, eu tenho meu cabelo grisalho.
- 38:10Esses todos são assuntos que perpassam o livro como uma
- 38:15reivindicação de existência. Nem toda mulher precisa casar,
- 38:21nem toda mulher precisa ter filhos, nem toda mulher precisa
- 38:25pintar o cabelo, nem toda mulher precisa fazer procedimento, se
- 38:29quiser. Pode, obviamente, mas veja, nem
- 38:32toda mulher também existem. Essas e essas são contingente
- 38:37grande. Então, acho que uma das coisas
- 38:40que eu ouvi é, que bom que você falou sobre isso, mulheres que
- 38:43por algum motivo, como eu, se sentiram representadas no
- 38:46universo em que nos é cobrado e ensinado a vida inteira, que
- 38:51para ser uma mulher você precisa procurar um marido para ter
- 38:56valor, para ter valor. Tem um roteiro, né?
- 38:58O roteiro, assim, exatamente, esses são os os retornos.
- 39:03Aí acho que eu mais gosto, né? Porque você fala, bom.
- 39:06Alcancei uma mulher que talvez tivesse se sentindo, se sentindo
- 39:10inadequada e, ao lê, percebeu que, pô, não é só um outro jeito
- 39:14de existir no mundo, né? E eu acho.
- 39:16Que é uma das experiências mais legais da leitura, né?
- 39:18Quando o leitor da leitura se encontra, ele entende que ele
- 39:21não está sozinho, né? Que ele não está sozinho.
- 39:23Você se encontra ali naquele livro.
- 39:24Então, ó, foi pra todas as mulheres que tem, não tem
- 39:27coragem, entendendo que nem toda mulher.
- 39:28Eu quero esse merchan. Gente, e tenho uma curiosidade,
- 39:36vocês é escreveram 2 livros de não ficção e são jornalistas
- 39:39também. Vou fazer uma pergunta que é
- 39:41meio clichê, mas a gente ouve muito sobre processo criativo
- 39:44aqui, às vezes muito de escritoras que escrevem ficção,
- 39:47então que tem processos criativos muito diferentes, cada
- 39:50um tem uma trajetória muito diversa.
- 39:51Eu queria saber como é o de vocês escrevendo, seja todo dia,
- 39:55seja toda semana, seja todo mês. Como foi o processo de vocês
- 39:58para escrever esse livro? Vocês pensavam no ritmo, por
- 40:01exemplo, você falou que as pessoas leem, é ouvindo sua voz,
- 40:04você acha que pensa? No ritmo na hora de escrever ou
- 40:06você já tem esse ritmo da voz? Como é esse processo de vocês
- 40:09para sentar e escrever esses textos?
- 40:12O jornalismo me ensinou que se você tem um prazo, você vai
- 40:16fazer é. Verdade.
- 40:19Então o que eu acho muito bom, porque eu, eu, eu aperto bem
- 40:25minha editora. E eu falava, não, agora não,
- 40:26vamos adiar. Aí a certa altura ela falou,
- 40:28Dani, ou a gente faz agora ou então vai perder o time na, na,
- 40:31na. E foi muito bom para ter ter.
- 40:35Essa cartada de outra pessoa, porque eu estou acostumada há
- 40:38muito tempo a escrever e a publicar na internet, tipo, a
- 40:42partir do que eu quero, eu não tenho alguém me falando para
- 40:46fazer ou não. Mas exatamente também porque eu
- 40:50tenho um trabalho formal, tipo, eu tenho a contente, né?
- 40:54Junto com a Luiza, minha sócia é, e a ilana, que é nossa
- 40:58redatora, a gente faz 1 o volume gigante de coisas, então eu
- 41:02tenho meu trabalho, que ocupa. Boa parte do dia inteiro.
- 41:06Então eu escrevi muito nas brechas.
- 41:09Eu escrevi final de semana, eu fui 2 vezes no retiro da índigo,
- 41:14que é escritora, ela tem um lugar maravilhoso, é pertinho de
- 41:18São Paulo, e eu fui 2 vezes, sei lá, 2 dias cada vez.
- 41:22E isso foi muito bom para eu tentar me concentrar.
- 41:24A certa altura eu falava assim, não, eu vou escrever todo dia,
- 41:29todo dia eu vou ter que escrever uma página, independentemente se
- 41:31sair alguma coisa ou não. Então tinha dia que eu bombava,
- 41:34tinha dia que eu falava assim, o cardápio da semana pode ser tal,
- 41:38tal, mas eu fiquei fazendo tentando como uma musculatura.
- 41:40Eu falei, eu tenho que preencher essa página.
- 41:42E aí poderia preencher com o cardápio.
- 41:44O cardápio vem no dia, o processo criativo ele é, né?
- 41:47Mas eu falava, eu preciso e eu preciso ganhar fôlego e tudo
- 41:50mais. Mas eu fui muito articulando
- 41:53essas brechas que eu é o nome da minha newsletter, inclusive
- 41:57brecha, porque eu acho que ainda.
- 41:59A escrita autoral está muito nesse nesse lugar e o meu grande
- 42:03desafio é como torná la a parte maior do dia.
- 42:07Mas aí às vezes eu penso assim, nossa, mas eu estou escrevendo a
- 42:10conta? Estou escrevendo aí o meu traço
- 42:12tóxico é gostar de trabalhar no feriado, tipo, ontem, feriado, 3
- 42:18horas, eu escrevi tanto que eu falei, ufa, hoje eu chega.
- 42:21Eu estava numa paz. Eu nem senti ansiedade hoje,
- 42:24então o jornalismo me puxa para esse lado do.
- 42:28Volume com prazo, aí a vida atropela.
- 42:32Mas Eu Acredito muito que quanto mais a gente escreve, mais a
- 42:36gente escreve que a fuga para as Montanhas que eu sempre
- 42:40idealizei na minha cabeça, ela pode até acontecer.
- 42:43Mas ela vai acontecer. Uma vez ou outra.
- 42:44Eu quero saber o que é que se eu faço todos os dias, o que eu
- 42:50mais quero fazer? Então eu parei de idealizar, Ah,
- 42:53não, porque quando eu tiver tempo, Ah não, porque quando o
- 42:55meu? Lado num casebre, no alto da
- 42:57Montanha. Escrever um romance não vai
- 42:59acontecer. Você vai escrever, vai ter o
- 43:03teto todo seu. Né?
- 43:05E eu sempre amei um teto todo seu.
- 43:07E eu cito no livro, inclusive. Mas aí depois eu conheci uma
- 43:11escritora chamada Gloria anda o zua, que tem um livro, um livro
- 43:16curtinho chamado uma avoba, é uma ferida aberta e outras
- 43:19outras histórias. E ela fala assim, nem toda
- 43:23mulher. Não sei se ela fala, nem toda
- 43:25mulher, mas ela fala nem toda mulher.
- 43:26Vai ter um teto todo seu. Provavelmente a gente não vai
- 43:28ter. A gente vai escrever em cima da
- 43:32mesa da cozinha, enquanto a gente prepara a comida pra
- 43:34criança. E.
- 43:36Aí a gente vai fazer isso, porque não fazer isso não é uma
- 43:40opção. Então a gente vai escrever como
- 43:42dá? A gente vai escrever nessa
- 43:43brecha. E aí eu falei, eu me
- 43:45identifiquei muito, porque por muito tempo eu esperei.
- 43:50O teto todo meu, a Montanha. E acho que isso tinha a ver
- 43:54também com essa impostora, porque isso é mais uma etapa.
- 43:58Então tem que ter as condições ideais para você escrever.
- 44:01Amor, você não vai, você não vai escrever, você só vai adiar para
- 44:04o futuro. E eu quero a minha escrita no
- 44:06presente, eu quero a minha escrita publicada, eu quero as.
- 44:09A minha escrita chegando na outra pessoa e a pessoa lendo,
- 44:12então vou ter que fazer quando dá.
- 44:14Nossa, mas eu me identifico muito com essa, essa fala, Dani,
- 44:16que eu já falei algumas vezes. Isso justamente sobre se
- 44:18escrever nas brechas que a gente lida com o trabalho.
- 44:20São, né, aí 8 horas pedindo trabalho e o deslocamento e o
- 44:23compromisso e o outro projeto. Então, se você não pegar as
- 44:25brechas não, não vai acontecer, né?
- 44:27A gente não vai ter esse espaço, que seria ótimo.
- 44:29A gente adoraria a casa na Montanha, mas é muito.
- 44:31Difícil eu, eu não tenho mais essa ilusão, é?
- 44:35Mentira, às vezes. Eu sonho no feriadinho uns.
- 44:37Dias, Ah, vou ter uns dias. Aí vou ficar aqui eu meus
- 44:41livros, minhas referências, minhas músicas, meu note, vou
- 44:44escrever um texto lindo, nunca aconteceu, nem deu teu dia e nem
- 44:48descrever quando tem o dia. Então, totalmente não.
- 44:53E assim, eu tenho. Eu tenho que admitir, eu tenho,
- 44:56eu tenho essa síndrome. Mas eu também olho para Kerry e
- 44:59falo, AI, que legal. Eu, com 20 e tantos anos,
- 45:03olhava, falava, Ah, eu acho que eu gostaria de viver essa vida.
- 45:05E hoje eu vivo essa vida. É é gostoso, é brechas.
- 45:11É o nome da newsletter da Dani e a minha última, o meu último
- 45:15texto na newsletter, No No tateando eu uso essa palavra.
- 45:20E eu uso essa palavra porque eu ouvi a Liana e a Jana viscardi
- 45:24aqui falando sobre isso no elas na.
- 45:26Escrita foi muito legal o. Episódio, a gente escreve nas
- 45:29brechas e é isso aí, é o que dá, é o que tem.
- 45:34Eu é como eu escrevo. Eu vou tendo ideias, vou
- 45:39anotando coisas. Tem uma página do meu Google
- 45:43coisas docs, que chama fluxo. Vai vindo, eu vou enfiando lá,
- 45:48entendeu? Aí às vezes eu tô sem ideia, eu
- 45:50revisito a página, falo, nossa, esse assunto era bom, como é que
- 45:53eu posso desenvolver isso? Putz, isso combina com tal coisa
- 45:56que eu li esses dias, ou tal coisa que eu ouvi, ou tal coisa
- 45:58que eu presenciei, ou lá, lá, lá, então eu vou, tem texto que
- 46:02sai a partir de uma depuração e de um tempo que eu acho que eu
- 46:08levo, acho que para condensar isso mesmo não é condensar o
- 46:14processo, é decantar, é o contrário.
- 46:17De juntar referências, de entender que aquilo dá, dá
- 46:20coisa, mas ainda não tem 1 hora, 60 e vai, sabe?
- 46:25É assim, às vezes, às vezes é. Eu tenho que entregar um texto
- 46:29na quarta-feira, depois do feriado, sobre um assunto que
- 46:32não é, que eu já falei muito. Eu vou ter que ler, eu vou ter
- 46:35que pesquisar, eu vou ter que ouvir coisa, apesar de já ter
- 46:38alguma visão sobre aquele assunto.
- 46:42Então você sempre faz e como uma trabalhadora da palavra, da
- 46:46comunicação, você sempre faz, vai pesquisar, vai ler, vai
- 46:49ouvir, escreve reescreve. Também passei um feriado inteiro
- 46:53lidando com texto, achando ruim, mexendo e chega 1 hora que você
- 46:59fala, não importa se você acha ruim, se você acha bom, tá na
- 47:02hora de entregar adeus, seja o que Deus quiser, vai, vai com
- 47:06medo mesmo, entrega, porque assim não é que vai ficar ruim.
- 47:11Eu sei que não vai ficar ruim, mas às vezes eu olho as coisas e
- 47:14eu falo puta. Eu queria ter tido mais tempo de
- 47:16trabalhar melhor esse texto, de ter escolhido outras palavras,
- 47:20de ter elaborado esse parágrafo, encadeado essa ideia de um outro
- 47:24jeito. Às vezes eu leio o que eu
- 47:26escrevi, eu tenho novas ideias. Eu falo, eu deveria ter escrito
- 47:29dessa maneira e não da maneira como eu escrevi, mas eu acho que
- 47:32isso não tem fim, não tem assim. A gente precisa se acostumar com
- 47:35isso e, sei lá, tentar fazer melhor no próximo e também o que
- 47:38que é melhor, né? Mas enfim, pra resumir, escrevo
- 47:41nas brechas, também nas brechas. E sabe uma coisa que eu tenho
- 47:45cada vez pensado mais e feito as pazes, que é muito legal?
- 47:52Ter um trabalho que paga as contas e não fazer a escrita ser
- 47:58o trabalho que paga as contas. Isso é um lugar de privilégio,
- 48:03mas também é um entendimento, porque.
- 48:07Eu fiquei lembrando esses dias que eu tava dando uma palestra.
- 48:10Eu resgatei um livro chamado a grande magia, da Elizabeth
- 48:13Gilbert, que é autora de comer rezaia maching é o filme com o
- 48:16Julia Roberts e esse livro, nesse livro, ela fala muito
- 48:19sobre o processo criativo e ela fala.
- 48:22Então sempre escrevi, de repente um sucesso que que vem depois
- 48:25daquilo, pode ser um sucesso ou pode ser um fracasso.
- 48:28E ela teve fracassos e sucessos, e ela falou uma coisa que me
- 48:31tocou muito, que é o seguinte, ela falou, o meu compromisso é
- 48:34com a escrita. Eu escrevo sempre o meu
- 48:38compromisso. Não é com o sucesso, não é com o
- 48:40dinheiro, não é com nada, ela falou, eu já tive épocas em que
- 48:44eu tinha que fazer trabalho x, que não tinha nada a ver com
- 48:48escrita para pagar minhas contas.
- 48:50E eu não queria que a escrita fosse atrelada ao meu bem viver.
- 48:56E aí aquilo fica um pouco na minha cabeça, sabe?
- 48:59Tipo, acho que a gente faz trabalhos muito legais e a gente
- 49:04escreve. É muito bom porque é.
- 49:08E talvez isso seja uma forma, porque a gente está vivendo num
- 49:12mundo de muitas crises, né? Ainda tem AIA para tirar o
- 49:16trabalho das pessoas que escrevem?
- 49:19É. E outros tantos.
- 49:21E às vezes, talvez a gente vá com uma sede para que o se
- 49:27tornar escritora. Venha com não só os livros
- 49:31publicados, como. Uma estabilidade financeira
- 49:35irananan que talvez a gente esteja depositando coisas demais
- 49:39em algo, eu? Com certeza.
- 49:41E talvez é isso. Assim, eu eu tenho feito as
- 49:43pazes com isso, ó, com esse escrever nas brechas eu falo,
- 49:46caramba, eu tenho um trabalho onde eu escrevo pra cacete e a
- 49:50minha escrita autoral vai nesse lugar.
- 49:52Mas assim eu estou escrevendo, eu estou vivendo o sonho, eu
- 49:56estou vivendo da escrita de diferentes formas, que é o que
- 50:00eu vejo também na nos nossas, nas nossas amigas.
- 50:04Tá todo mundo ali, tem o seu livro, mas tá dando aula no
- 50:08lugar, tá fazendo um encontro no outro, tá fazendo comunidade,
- 50:11porque é isso. Cada um vai ter que se puxar,
- 50:15porque a gente poderia ser um país de muito mais leitores.
- 50:19A gente perdeu leitores. Né?
- 50:21Tem tantas coisas para resolver que é isso assim diz idealizar,
- 50:26tem essa palavra desencastelar desse lugar que você vai dar
- 50:32tudo. Não, tu não quer escrever, tu
- 50:34vai escrever, tu quer publicar, tu vai publicar agora você
- 50:37esperar que resolva sua vida, talvez venha a frustração.
- 50:40Nossa, é novamente assinando embaixo em tudo, porque
- 50:42realmente tem tem esses 2 lados que que ficam muito numa
- 50:45balança, que tem um lado que a gente idealiza.
- 50:47Não sei se talvez todo mundo já passou por isso quando tá
- 50:49começando ali, escrever lá naquele.
- 50:51No início do Ah, eu gosto muito e você pensa, não, você é
- 50:53escritora e vai ser só isso. Eu vou viver da escrita.
- 50:56Então parece que aquilo vai resolver sua vida e você vai
- 50:58conseguir fazer só aquilo. Mas me lembro também de um outro
- 51:01lado, até puxando uma ponta, tinha um professor de teatro meu
- 51:04lá de Brasília. Eu faço teatro há muitos anos e
- 51:06ele fazia. Aliás, tem muito tempo que eu
- 51:08não faço e ele gostava de falar justamente para.
- 51:11Outras carreiras ele falava, não, não fique depositando tudo
- 51:14aqui no teatro, porque se você tiver seu trabalho e vier aqui
- 51:17para o teatro, depois aqui no teatro, a gente vai fazer o que
- 51:19a gente quiser. A gente não vai ganhar dinheiro
- 51:22aqui, a gente não vai precisar entregar alguma coisa para
- 51:24ganhar dinheiro. Então tem esse contraponto
- 51:26também, que eu lembro muito desse professor do teatro, não
- 51:29vai ganhar seu dinheiro com o trabalho lá, seja o que for.
- 51:31E aqui no teatro, ó, a gente faz o que der na nossa Telha, fala.
- 51:35Dani, só uma coisinha, você falando de teatro, eu lembrei do
- 51:38Gregório Duvivier. Com o céu da língua, né, que pra
- 51:41quem? Reda, a palavra é uma pessoa
- 51:43obrigatória, assim é uma coisa sensacional.
- 51:46Aí ele faz a peça, ele tá rodando o Brasil e o mundo, aí
- 51:50eu já vi que ele vai lançar o livro agora, eu acho que é a
- 51:53partir da peça. Aí ele tem um podcast, calma, um
- 51:55jeito que eu amo que é de notícia, e aí ele tem outro de
- 51:58relacionamento e tem porta dos fundos, cara, eu vejo ele ali
- 52:02num lugar de ele tá experimentando em diferentes
- 52:04suportes, formatos, possibilidades.
- 52:07E assim ele poderia ter se contentado com o sucesso de
- 52:11porta dos fundos e sei lá, mas o cara tá fazendo 1000.
- 52:14Coisas, mas assim é eu, eu estou, eu estou acompanhando e
- 52:19estou concordando, tá? Newsletter tá me servindo pra
- 52:21isso também, pra encontrar o que que eu quero fazer com aquilo,
- 52:25porque entrei numa Mini crise que é bom, tá bom, eu, eu, eu
- 52:29tenho uma carreira consolidada, eu sou reconhecida pelo que eu
- 52:32faço. É no jornalismo, no hard news,
- 52:35na CBN, diariamente, é, eu publiquei um livro, sou
- 52:39reconhecida como uma autora. O que que eu vou fazer nessa
- 52:42newsletter? O que que eu quero entregar
- 52:45nessa newsletter? Será que eu preciso seguir uma
- 52:50maldita fórmula para aumentar a comunidade para depois começar a
- 52:54cobrar a assinatura para mercantilizar isso aqui?
- 52:59Eu quero isso. Eu vou ter que escrever com uma
- 53:01regularidade que vai me obrigar a lançar mão de coisas que
- 53:04talvez eu não queira, para manter essa regularidade e
- 53:08continuar dentro daquele modelinho algorítmico que a
- 53:10gente conhece e que eu detesto, particularmente para poder
- 53:16ganhar algum dinheiro. Eu disse, eu não vou, eu não
- 53:20quero. Eu quero que isso pareça mais
- 53:22com o que eu fazia no meu blog, porque você vai ter Liberdade
- 53:25para escrever. É, eu não tenho um jeito de
- 53:29escrever, não tenho modelo a minha newsletter tem dia que eu
- 53:31quero escrever uma crônica, eu escrevo uma crônica, tem dia que
- 53:34eu não tenho assunto, eu problematizo a falta de assunto.
- 53:39Tem dia que eu vou falar da ártemis e as questões todas que
- 53:46passaram na minha cabeça. Viajante, a hora que eu olhava
- 53:48aquele Monte de imagem maravilhosa da nasa, sei lá.
- 53:54Tem música no espaço. Se eu for morar na lua é que
- 53:58influência vão ter os astros sobre Capricórnio, coisas assim,
- 54:03sabe? Sei lá, é então, mas só porque
- 54:09eu tenho uma carreira bem sucedida e um trabalho que me
- 54:12paga para que eu leve a minha vida?
- 54:16Eu posso fazer isso e acho que isso a gente tem que dizer, né?
- 54:20O Gregório deve estar ganhando dinheiro com isso tudo que ele
- 54:22faz, apesar de, obviamente, concordo, está se experimentando
- 54:26em vários lugares. Sorte a nossa que pode é
- 54:29acompanhar tudo isso, porque ele é bom demais.
- 54:32Mas só tendo uma âncora para você poder experimentar EEE,
- 54:37poder se livrar desse modelo algoritmo que, sei lá, você vai
- 54:40me dar dinheiro um dia, entendeu?
- 54:41Não é isso que eu tô querendo, pelo menos por enquanto.
- 54:43Não total e é isso assim, mas eu acho que mais do que o
- 54:47experimentar é assim. Talvez tirar a escrita desse
- 54:50pedestal de que ela vai resolver a sua vida, que você vai, porque
- 54:55eu, eu tenho achado difícil mesmo.
- 54:56E eu vejo pelas nossas amigas, tipo, todo mundo está fazendo
- 55:00algo além do livro. É, eu também acho que eu não
- 55:02conheço nenhuma nesses anos aqui.
- 55:06Carro. A madeira, autora que mais vende
- 55:09livro no Brasil, que ultrapassou 1000000 de cópias.
- 55:11Ela é dona de uma agência de publicidade em Belo Horizonte.
- 55:14Não sei se ela atua ainda ou não, mas assim.
- 55:16Mariana Carrara, que publica às vezes 11.
- 55:19Um livro por ano quase tem um baita ritmo, é servidor pública.
- 55:22Exato. E aí eu acho que olhar com esse
- 55:24dado de realidade é interessante porque talvez a gente venha com
- 55:27a idealização nossa, então eu vou viver de literatura ou você
- 55:32é a próxima Carla madeira? A próxima Carla madeira talvez
- 55:34esteja dando expediente também total.
- 55:37E isso, e isso é um isso é um sinônimo 11 indício de das
- 55:42crises que a gente vive, né? Dessa falta de um colchão de
- 55:46segurança. Né?
- 55:47Eu queria que a gente vivesse num num outro mundo em que a
- 55:51gente não precisasse trabalhar tanto para pagar as nossas
- 55:54contas. Então, assim, aí a gente pode
- 55:56entrar num numa conversa sobre como o capitalismo massacra a
- 56:01gente e como as big techs é o. Problema das nossas vidas é o
- 56:04capitalismo. Eles ainda acrescentam, essa
- 56:08Corrida Maluca que é. Não basta só você querer
- 56:11publicar na sua newsletter ou no Instagram, você tem que.
- 56:14Poupar a corrida, que é uma corrida enlouquecedora, o
- 56:17Instagram lançou ontem eu vi que estava disponível para mim.
- 56:19É umas métricas dentro do próprio post.
- 56:23Aí tem assim tempo de visualização média, 3 segundos
- 56:26no vídeo. Cara, em 3 segundos você falou
- 56:29bom dia, a gente está deteriorando nosso cérebro numa
- 56:33Corrida Maluca, então assim, isso é é, pode ser um coloca.
- 56:39Dentro dessa corrida aí? Tudo que puder fazer para
- 56:44combater essa lógica, tenho feito.
- 56:46Inclusive, é. Estou numa briga.
- 56:48Não sei como é a relação de vocês com tela.
- 56:50Eu ando com uma dificuldade imensa de tirar a cara da tela,
- 56:54ando com uma dificuldade imensa de me concentrar para ler.
- 56:57É tudo que eu puder fazer contra essa lógica, inclusive de trazer
- 57:02as pessoas mais para perto, presencialmente.
- 57:05Eu tenho feito porque é aqui que tá a vida, gente.
- 57:08Não é nessa, nessa, nessa lógica doida que inventaram pra gente,
- 57:12não. E eu?
- 57:12Converso muito isso lá em casa, o quanto realmente isso
- 57:14influenciou nos nossos hábitos de leitura.
- 57:16Leio muito, desde novinha e tudo, e quando eu era mais nova
- 57:19eu tinha muito mais concentração pra pegar o livro desse tamanho
- 57:21e ler, ele lê e ficava ali o dia inteiro viajando no livro.
- 57:24Hoje em dia às vezes você tá lendo AI mas espera aí, será que
- 57:26não sei o que, não sei o que aí você lembra AI mas espera aí,
- 57:28será que não sei o que? Então a gente tem que exatamente
- 57:31quais é um, se o policiais se combater de estar dentro desse
- 57:34desse lugar e de estar. Às vezes, com a escrita, dentro
- 57:36dessa Corrida Maluca, acho que Dani deve é diariamente deve
- 57:40pensar nisso, né? Tendo uns projetos digitais,
- 57:42porque a gente fica numa corrida mesmo e é muito cruel com a
- 57:44gente. Por isso que eu fico sempre
- 57:47emocionada quando eu penso que alguém escolheu ler.
- 57:53Já é muita coisa, porque é difícil.
- 57:55Ligou o livro? Abriu e alguém escolheu ler o
- 57:58meu livro. Aí alguém escolheu fazer os
- 58:01exercícios que eu proponho. Aí alguém escolheu me mandar uma
- 58:03mensagem ou me chamar para um podcast ou me chamar para
- 58:06participar de um clube do livro, do meu livro.
- 58:08Eu não naturalizo. Eu nunca vou ser blasé.
- 58:11E eu acho assim, eu acho muito. Eu não, eu não me preparei para
- 58:17a parte boa. Eu sofri tanto para escrever que
- 58:19eu ficava AI, AI que tudo que vem de boa eu falo assim, cara,
- 58:22é muito mágico. O que é isso?
- 58:24A gente tem uma Batalha gigante diante da nossa atenção.
- 58:28A nossa atenção está sendo corroída por esse sistema
- 58:32inteiro, que e é muito difícil e é importante a gente ter essa
- 58:36essa prática. Individual, mas a mudança tinha
- 58:40que ser estrutural e coletiva, porque não vai adiantar só a
- 58:43gente fazer. Eu também faço tipo, eu deixo
- 58:45meu celular no outro cômodo às 9:30 da noite, é, fico livre.
- 58:49Às vezes eu estou com cérebro. Assim é o cérebro com as abinhas
- 58:51abertas. Não consigo me concentrar, mas
- 58:52eu fico tentando. E aí você já entra na outra
- 58:55Seara, né? Tipo, eu tenho um filho, é, e
- 58:58ele me vê lendo e eu leio para ele, a gente tenta ler todas as
- 59:02noites, então assim tem que fazer, porque daqui a pouco vai
- 59:04querer Oo videogame. O jogo é, é um mundo inteiro de
- 59:08ilustrações querendo tirar a gente disso aqui.
- 59:11E aí quando eu, eu, eu fico pensando, a gente é resistência
- 59:15da atenção e quem lê sabe que tem um, se nutre de um.
- 59:20De outros mundos de uma forma muito poderosa.
- 59:22Então a gente não pode abrir mão disso em prol de uma distração
- 59:25que só faz a gente se comparar, já que não é o suficiente.
- 59:29Mais, mais, mais de tudo, né? Nossa, você falou de clube do
- 59:32livro. É o espaço mais fiquei incrível
- 59:34para isso mesmo. Você vê aquelas pessoas, né?
- 59:36Escolheram o livro, escolheram se reunir, parar e dialogar.
- 59:39O. Livro da sua cabeça?
- 59:41Exato. É muito legal e que encontrou
- 59:43reverberação em outras pessoas. É o máximo?
- 59:46É o máximo. Não é o máximo EE, aí também é
- 59:50traz. A Terra, o número no número, que
- 59:53é o seguinte, se você tiver assim 30 pessoas no Alive.
- 59:59É. Aí só vieram 30 pessoas.
- 1:00:01No Alive, eu acho muita gente, porque eu penso que é gente.
- 1:00:05Eu não penso que é robô. Aí se você fez um clube do
- 1:00:08livro, tem 30 pessoas. Você acha, Mara?
- 1:00:10É assim? Paulistanizei, viu?
- 1:00:14Alô, nordestinos. Eu estou aqui há 20 anos em São
- 1:00:17Paulo, então perdoe, mas o Mano eu uso é 30 pessoas, é muita
- 1:00:22gente. Eu sempre faço o cálculo.
- 1:00:23Cabe na minha casa, sabe? Tipo 30 pessoas lendo o livro,
- 1:00:26discutindo, dando tempo, dando atenção.
- 1:00:29Para aquilo. Eu falei disso esses dias lá em
- 1:00:31casa. Eu juro para você, porque eu
- 1:00:32participei de um clube do livro recentemente em Brasília, e é
- 1:00:35uma é de uma colega minha que fundou o jornalista.
- 1:00:37E ela fez um clube do livro enorme.
- 1:00:38Lá que vai 100, 200 pessoas e foram umas 150 mulheres.
- 1:00:41No auditório estava assim. E aí eu voltei para casa,
- 1:00:44maravilhada, chocada e tudo. E a gente conversando, a gente
- 1:00:47falou exatamente sobre isso em casa e, nossa, imagina se a
- 1:00:50gente posta uma coisa ou coloca um vídeo, faço alguma coisa, dá
- 1:00:53100 pessoas, ele e eu falar, né, que dá nada.
- 1:00:56Isso aí aí você esquece quanto é 100, 150 pessoas.
- 1:01:00É um auditório lotado, gente. Eu tive que reconfigurar isso.
- 1:01:04Eu falo no rádio, né? O rádio é um meio de comunicação
- 1:01:07de mãos, umas 45000 por minuto por aí.
- 1:01:13É um estágio você lembrar quantas pessoas você acha que eu
- 1:01:15penso nisso a hora que eu estou no microfone, sem ninguém na
- 1:01:17minha frente com a produtor e o operador, não, não me lembro,
- 1:01:21mas às vezes os ouvintes me lembram, é muita gente, muita
- 1:01:24gente, é, são outros números de pessoas que me leem.
- 1:01:28Então no começo eu falei, mas só isso, gente, como assim?
- 1:01:32Não, calma, se acalma, é, eu tenho uma carreira consolidada
- 1:01:36no rádio, é uma coisa, estou lançando um livro e.
- 1:01:40Inaugurando um novo não vou chamar de ofício, porque não é
- 1:01:46um ofício, uma nova skin, uma nova skin.
- 1:01:51Calma, querida, chega pisando devagar.
- 1:01:53Você tá achando o quê? Não é todo mundo que te ouve que
- 1:01:56vai te ler, não é todo mundo que te lê que eventualmente te ouve.
- 1:01:59São coisas diferentes. Isso me fez é reconfigurar tudo
- 1:02:03mesmo, recalcular rota e entender nossa.
- 1:02:06Estou entrando num lugar diferente, num lugar novo, num
- 1:02:10lugar onde nunca estive, num lugar em que não tenho público.
- 1:02:14Preciso conquistá lo. Então, para mim, 30 pessoas eu
- 1:02:18acho foda. Eu não, eu não.
- 1:02:23Eu sempre fico assim. Eu sempre fui surpresa.
- 1:02:25Eu sempre gosto tudo. Ô, Dani, você acredita?
- 1:02:2825 anos depois, no rádio, eu ainda fico.
- 1:02:31Quando alguém eventualmente me diz, AI eu te ouço, AI, você
- 1:02:34jura que legal porque você não vê, né?
- 1:02:37As pessoas é outra relação. Nossa, que bom.
- 1:02:39AI te ouço desde que. AI gente, olha.
- 1:02:43E você saber que você chega nas pessoas, a partir de quem você?
- 1:02:47É muito. E lembrar desses números que a
- 1:02:49internet acaba fazendo. A gente esqueceu achando que é
- 1:02:51pouca gente. Eu?
- 1:02:52Adorei considerar, né? Porque virou tanto, qualquer
- 1:02:54coisa precisa ser. Na casa do milhar, que você
- 1:02:59acaba desconsiderando o que não é isso e o que não é isso é
- 1:03:03valoroso demais. 50 pessoas é muita gente, é muita gente, é
- 1:03:07isso. Eu adorei que a gente chegou
- 1:03:09nesse tema para ir finalizando, porque acreditem se quiser, já
- 1:03:11passou 1 hora, passa muito rápido, gente, eu gostei muito
- 1:03:14de conversar com vocês, de verdade, faria mais 2, 3 horas
- 1:03:17aqui. Muito bom ouvir vocês 2 e antes
- 1:03:20da gente finalizar, queria pedir para vocês deixarem dicas de
- 1:03:22leituras. A gente sempre deixa alguma dica
- 1:03:24de livro, alguma autor. O autor que vocês leram
- 1:03:27recentemente, quiseram deixar aí de dica para gente, ou
- 1:03:30recentemente ou que são livros da vida, o que vem na cabeça de
- 1:03:32vocês agora? Bom, calma aí que eu preciso é
- 1:03:36fazer uma cola aqui. É, não eu.
- 1:03:38Eu brinco que quando a gente pergunta assim, de repente a
- 1:03:40gente tem que começar a avisar, porque eu mesma se eu sou
- 1:03:42perguntado dessas coisas, de repente parece que eu nunca nem
- 1:03:44li o livro na minha vida. Eu tenho os meus.
- 1:03:48Os meus mais mais a louca da casa de rosa Monteiro eu acho
- 1:03:51que pra quem escreve é um deleite, eu gosto, eu adoro a
- 1:03:54grande magia da Elizabeth Gilbert por muito tempo eu tive
- 1:03:56preconceito, Ah, é autoajuda, aí depois eu superei que eu falo,
- 1:03:59se tá, se me nutre de alguma forma, se me dá um insight, tá
- 1:04:03valendo, eu gosto, adoro ele, é, e aí podemos entrar na Ceará?
- 1:04:10Eu vou contar 2 que eu li recentemente.
- 1:04:13Vou contar 3 que eu li recentemente pensando, mulheres,
- 1:04:16ilhas suspensas da Fabiane, sex é o ano do cometa da Maria
- 1:04:21brance e vida doçura da anatércia ponte eu li esses.
- 1:04:25Últimos. Agora é tudo lançamento e eu
- 1:04:31adorei. Adorei.
- 1:04:32São histórias muito diferentes, mas é isso, lendo mulheres de
- 1:04:35diferentes lugares e. Enaltecendo essa literatura
- 1:04:40contemporânea, eu? Estou precisando ler mais
- 1:04:42ficção, viu? Dani, você acabou de me lembrar.
- 1:04:44Eu acabei de ler garota, sobre garota, da Sophie Gilbert.
- 1:04:47Ah, estou. Louca para ler?
- 1:04:48O subtítulo é como a cultura pop colocou uma geração de mulheres
- 1:04:52contra si mesma. Dá muita raiva ler esse livro,
- 1:04:55porque eu acho que bastante do que a gente disse aqui está
- 1:04:59nesse livro, mas obviamente de um jeito muito mais esmiuçado.
- 1:05:05É complexo e amplo. Como a cultura pop de uma
- 1:05:10maneira geral, e ela vai passando, ela passa pela moda,
- 1:05:12ela fala da música, ela fala da literatura, quais são as
- 1:05:16dinâmicas e de que jeito? A indústria é encadeada de modo
- 1:05:21a fazer parecer que a gente tem poder, mas no fim das contas, a
- 1:05:26gente tá enriquecendo sempre os mesmos bolsos.
- 1:05:29E não são bolsos femininos, como sabemos.
- 1:05:32Então dá muita raiva. Eu tenho lido muito, muita não
- 1:05:35ficção. E Dani também me fez lembrar do
- 1:05:39caderno proibido de Alba de cespides, já que a gente tava
- 1:05:42falando sobre escrever nas brechas.
- 1:05:44É, é um livro sobre escrever nas brechas, sobre quais são os
- 1:05:48tempos que 11 dona de casa que não se autoriza a escrever,
- 1:05:53encontra para finalmente começar a fazer isso.
- 1:05:57Maravilha, são os 2 que vem a minha cabeça agora.
- 1:05:59Foram ótimas dicas de leitura. AI meu Deus, olha aí.
- 1:06:04Olha a apresentadora sendo pega de surpresa só pra.
- 1:06:07Saber que você leu recentemente que te marcou?
- 1:06:09Eu estou lendo agora. O que você está enfrentando?
- 1:06:12Estou gostando bastante. É da como é que AI gente, deixa
- 1:06:15você estar falando dela segredindo no início.
- 1:06:17Eu acho que é isso doida para ali também o da da Fabi que você
- 1:06:21falou. O da o da segridi é OOO, livro
- 1:06:25em que o Almodóvar se baseou para fazer o filme da tioda com
- 1:06:28a Julian Moore. Isso, isso eu estou.
- 1:06:29Lendo o nome, obviamente a perminopausa levou, não é mesmo,
- 1:06:32eu? Estou lendo esse agora de
- 1:06:33recente. Eu gostei muito de análise.
- 1:06:36Eu li a análise da velha, quando é lindo, um não ficção e de
- 1:06:38ficção que eu recebi recentemente.
- 1:06:40Eu gostei muito do ressustar mamutes, da Silvana cavana.
- 1:06:42Ela passou por aqui, foi um dos. Das melhores leituras para mim,
- 1:06:45assim que eu tive é dos últimos meses.
- 1:06:47Então vou ler esses 3 aí. Olha aí, ó, saímos com quase me
- 1:06:51pegou de surpresa, não consegui lembrar.
- 1:06:55Engraçado, gente, mas obrigada, viu?
- 1:06:57Pela presença. Eu gostei muito de conversar com
- 1:06:59vocês, foi uma delícia de conversa.
- 1:07:01E voltem sempre. Eu amei.
- 1:07:03Obrigada por essa costura, por nos colocar juntas para falar
- 1:07:07dos nossos livros. Tem tudo a ver.
- 1:07:09Obrigada, tem tudo a ver proporcionar essa conversa.
- 1:07:11Estou muito contente, gostei também.
- 1:07:13De me ouvir falar como autora, de ouvir a Dani, de entender
- 1:07:18exatamente onde a gente conversa aqui com as nossas obras.
- 1:07:21Adorei isso. Obrigada.
- 1:07:22E obrigada a gente que ouviu a gente até aqui até o próximo
- 1:07:25episódio, tchau, tchau.