Latest / Decantando Ideias / Decantando Ideias #14: O ESG que respira
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- Olá, bem-vindos a mais um Decantando Ideias. Hoje vamos dar uma olhada numa reflexão do Alexandre de Sales. Ele tem essa metáfora ótima, que ideias, assim como um bom vinho, precisam de tempo para respirar, para amadurecer. E o tema de hoje é bem atual, ESG. No texto, o ESG que respira, Sales faz uma pergunta importante. Como é que a gente vai além dos slogans, sabe? E integra o ESG de um jeito genuíno nas empresas? ele já começa apontando uma coisa curiosa. O avanço do ISG é bom, claro, mas a velocidade com que tudo isso foi adotado levanta suspeitas. Ideias complexas, quando não são bem decantadas, acabam virando só fachada, né? Sem dúvida. Essa preocupação com a superficialidade é central no texto. Salles menciona, por exemplo, a criação apressada de comitês, sabe? Relatórios super bem produzidos, brilhantes, mas que às vezes parecem mais peças de marketing. E também a contratação de consultorias, que muitas vezes não conseguem realmente costurar o SG na estratégia do dia-a-dia, nas decisões importantes. Fica ali uma camada superficial. Um verlis, como você disse. Exato. É a analogia do vinho que ele usa. Pegar um vinho incrível e servir na hora, sem deixar respirar. O potencial se perde, fica áspero, fechado. Com o SG apressado, acontece algo parecido. O texto cita exemplos, projetos ambientais que esquecem o lado social, ou diversidade que fica só lá no RH, sem mexer nas estruturas de poder, ou uma governança que está no papel, mas não muda comportamentos reais. Entendi. Então, para contrapor essa abordagem mais, digamos, rasa, o Sales fala do ISD que interessa. O que seria esse ISD na visão dele? Bom, esse ISG que interessa é o que vai fundo, é o que mexe de verdade com o planejamento estratégico da empresa. É aquele ISG que impacta o orçamento, que faz a empresa repensar o próprio modelo de negócio, que muda os incentivos internos e até o jeito de medir o sucesso, sabe? Para ir além do lucro de curtíssimo prazo. E fica claro que não é um caminho fácil, né? Ele bate na tecla que exige decisões. Difíceis. que podem não ser populares na hora. Precisa ter um olhar de longo prazo e, talvez o principal, coragem para lidar com impactos que antes eram, bom, convenientemente ignorados. Não cabe numa planilha simples, né? Exatamente. E isso, olha só, desmonta aquele que Salles chama de falso dilema. Ter que escolher entre propósito e resultado financeiro. A visão que ele traz é que hoje, com crise climática, demandas sociais, todo mundo de olho, ignorar o ambiental, o social e a governança é, na verdade, uma burrice estratégica. Cuidar disso é inteligência, é resiliência para o negócio. Faz sentido. Pois é, ele até citou Paul Polman, ex-CEO da Unilever, para reforçar isso. A ideia de que as empresas que realmente servirem a todos os stakeholders, clientes, funcionários, comunidade, não só os acionistas, essas vão prosperar. As outras, focadas só no lucro imediato, podem ficar pelo caminho. Salles coloca isso quase como um diagnóstico do nosso tempo. O texto também alerta para a armadilha da conveniência. Que exemplos ele dá para ilustrar esse risco? Olha, ele aponta para situações que a gente vê por aí. Discursos lindos de sustentabilidade que desmoronam com o primeiro escândalo, seja ambiental, seja trabalhista. Empresas que perdem gente boa porque os funcionários percebem que o discurso não bate com a prática, sabe? Ou negócios que colecionam selos, certificados, mas perdem relevância porque o ISG não foi pensado de forma estratégica, ficou só cosmético. A conveniência pode até gerar aplauso rápido, mas não constrói legado. É, parece que no fim das contas o mercado, as pessoas estão começando a sacar a diferença entre o que é só para inglês ver e o que é compromisso de verdade, né? Perfeitamente. E por isso a solução que o Sales propõe é justamente deixar o ISG respirar. E o que significa isso na prática, segundo ele? Primeiro, integrar, não impor. O ISG tem que fazer parte da cultura, da estratégia, de forma natural, não como algo que vem de fora para cumprir tabela. Paciência. Muita paciência. Mudança cultural, que é o coração de um ESG autêntico, leva tempo. Não dá para apressar, né? Não dá. Assim como não se apressa um vinho. Precisa de cuidado, de entendimento e, acima de tudo, o texto frisa muito isso. Verdade. Bom, fica então a provocação final do Alexandre de Sales para a gente pensar. Você está realmente disposto a decantar o ISD da sua empresa? Ou vai continuar servindo o rótulo mais conveniente do momento? É um chamado para a gente refletir sempre, né? Não só sobre o que as empresas fazem sobre sustentabilidade, mas como fazem. Se é de forma autêntica, estratégica, se está mesmo na alma do negócio. A profundidade parece estar em deixar respirar.