Latest / E se...? / E se não fôssemos livres?
Transcript
- Pedro Figueiredo: Olá, bem-vindo aqui a mais episódio do Podcast E se...? Meu nome é Pedro Figueiredo. Obrigado a quem continua a acompanhar este podcast, quem vai dando o seu feedback e fazendo as suas partilhas. Não me canso de repetir que o conceito que está por trás deste podcast mistura dois pilares, são a filosofia e a saúde, exatamente para, de alguma forma, o podcast poder trazer à reflexão determinados temas que tem impacto na qualidade da nossa vida. E para hoje o tema é liberdade. De alguma forma ele já foi abordado há vários episódios atrás, com a questão também do livre-arbítrio, mas hoje para falar realmente ⁓ bocadinho mais sobre esta palavra, porque ela tem muito peso na nossa... na nossa sociedade, naquilo que a maioria de certeza que... deseja sentir no seu dia a dia. É uma palavra recorrentemente usada para expressar direitos que todos nós, supostamente, teremos na nossa vida. E, portanto, como é ⁓ conceito realmente complexo, denso, diria que nem sei quantos episódios seriam precisos para ficarmos com a noção de que refletimos... de forma completa, se é isso é possível, sobre esta palavra, mas porque ela tem peso. Vamos ver, primeira abordagem, o que é que isto dá, o que é que esta reflexão dá. Na verdade, mais uma vez, isto vai acabar por sair aqui ⁓ bocadinho ⁓ modo de aquilo que vai surgindo no meu cérebro ⁓ termos de questões, ⁓ termos de tentar apresentar, se calhar, outra perspetiva. Porque a verdade é esta. Conforme as ideias que nós temos, os conceitos que nós temos para nós, como o que é, o que não é e por aí fora, esses conceitos têm muito peso naquilo que depois é a nossa perspectiva sobre a vida. E isso tem impacto na interpretação que nós fazemos dos vários acontecimentos que presenciamos, seja diretamente, seja através da televisão. que lemos no jornal, o que seja. Portanto, tudo aquilo que é a nossa base, das nossas ideias, dos nossos conceitos e pensamentos, vão condicionar a maneira como eu depois vou interpretar aquilo que eu vejo, aquilo que eu ouço, aquilo que está a acontecer à minha volta. E essa interpretação dessa mesma, vamos lhe chamar, realidade, ou na verdade nós vamos construindo a nossa realidade com base nessa interpretação, depois tem implicações. ⁓ termos emocionais, termos da qualidade da nossa vida, do nosso bem-estar, da nossa saúde. Por isso, se de vez ⁓ quando andamos a tentar melhorar a qualidade da nossa saúde através da alteração de determinados comportamentos, claramente é muito mais rápido e muito mais impactante alterar a saúde através de, talvez, da alteração... dos conceitos que nós temos como base. Porque se de repente eu penso ⁓ algo de uma maneira e depois, por algum motivo, começo a pensar diferente sobre isso, tudo o que vem a seguir, que tem exatamente esse tópico, conceito como base, vai ser alterado automaticamente, sem esforço até. Por isso, porque condiciona, Porque a nossa definição de determinada coisa, neste caso liberdade, condiciona a nossa perspetiva, vamos pensar ou repensar nesse conceito. Porque pode ser que podermos expandir esse conceito, podermos alterar por completo esse conceito que nós tínhamos. Podemos simplesmente ter mais consciência à volta desse conceito e isso permitir, depois então, como consequência... comportamentos diferentes, ações diferentes, tomadas de decisão diferente e resultados diferentes. Então, se eu pensasse para mim, Pedro, o que é é liberdade? Eu pensaria logo que isto, não gostando, como já disse várias vezes, de dividir isto, mas isto teria o impacto não só na liberdade no meu pensamento, no eu decidir e poder fazer aquilo que eu quero, mas depois também há alguma liberdade física para poder fazer exatamente isso que eu decido. Mas estamos quase sempre que se ouve esta palavra liberdade, nós estamos aqui nesta... à volta desta ideia de que eu sou livre para escolher. Eu sou livre para decidir se quero o A ou quero o B. Eu sou livre para decidir que... que agora apetece-me não fazer nada? Só que este conceito de que eu sou livre para tomar determinadas decisões e que isso deveria ser ⁓ direito, nós deveríamos ser livres, tem muitas consequências. Tem consequências a nível individual, tem consequências a nível de grupo, de comunidade, de sociedade, porque na verdade é fácil também imaginar o que seria se nós realmente, cada ⁓ de nós fosse livre. ⁓ Primeiro, que provavelmente cada ⁓ teria a sua ideia, e tem a sua ideia diferente, do que é que é realmente liberdade. Depois, porque mesmo que todos pensassem da mesma forma sobre o que é que é liberdade e que liberdade é cada ⁓ poder decidir entre A ou B aquilo que quer, isto seria provavelmente insustentável, porque estaríamos só a lidar com o lado, vamos dizer assim, mais fisiológico, mais egoísta... todos nós e isso, como é óbvio, poderia pôr ⁓ causa então a subsistência, a sobrevivência, inclusive a individual, porque nós não conseguiríamos provavelmente funcionar sequer ⁓ grupo e isso, tornaria tudo mais difícil. Portanto, claramente que logo aqui à partida percebe-se que o conceito, a ideia de liberdade como algo, eu sou livre para decidir muito bem aquilo que eu quero. Não é bem assim. Não é bem assim, tem logo a partir dessa consequência, se nós agíssemos totalmente livres. Não seria assim. Depois, porque a certa altura nós temos também os nossos condicionamentos mentais, como eu acabei de dizer, tudo aquilo ⁓ que eu acredito, aquilo que eu acho, aquilo que eu penso, já é de alguma forma, como também já vimos ⁓ episódios anteriores, uma espécie de... de baliza, está aqui a balizar-nos quais são as hipóteses que existem para nós. Porque se eu acho que eu devo ser uma pessoa assim ou assado, quer dizer que eu não acho que devo ser cozido ou grelhado. Então eu já estou a eliminar algumas hipóteses, portanto a liberdade já não é total, já está só dentro disto que eu considero possível, viável, que faz sentido. Então já estamos de ⁓ conceito que começa, calhar, por ser muito abrangente para, ok, não dá para ser totalmente livre porque isto seria insustentável. Morreríamos todos, se calhar. Depois a seguir, o que é que acontece? Eu ainda tenho os meus pensamentos, o meu cérebro a condicionar aquilo que eu considero que sim ou que não. E dentro do sim, já são menos hipóteses. E depois nós vamos tendo cada vez mais coisinhas que vão afunilando isto que nós consideramos liberdade. ⁓ regras da sociedade, ⁓ opiniões dos outros e por aí fora. Portanto, quando eu começo a achar que sou livre, se calhar eu neste momento considero que sou livre, porque posso escolher entre A e B, mas o C, o D, o E, o F, todas essas outras opções nem sequer se colocam. Portanto... Há muita liberdade que não existe. Portanto, começamos a perceber que a liberdade é realmente mínima, vamos dizer assim, para não dizer quase inexistente. Mas, há aqui outro lado sobre este conceito da liberdade que não é só o que ela é. É também o que é ela provoca. Porque vamos ver isto de uma forma, diria, pragmática, até porque eu, na minha pesquisa, no meu estudo, no dia a dia, estudando sobre ou lendo sobre várias áreas, eu vejo conceitos como liberdade de tempo, liberdade profissional, liberdade financeira. E nós, na verdade, se calhar vamos aperceber-nos de que tudo aquilo que nós vamos fazendo no dia a dia é para das duas uma ao sentir uma espécie ou ⁓ bocadinho de liberdade momentânea agora posso ir por ali ou posso ir por aqui... vá, vou por aqui... vá, experenciei ⁓ bocadinho de liberdade agora vou fazer aquilo que me apetece e experenciei ⁓ bocadinho de liberdade mas... Ao mesmo tempo, também andamos a fazer, eu diria até a maior parte do nosso tempo, coisas para vir a alcançar uma determinada liberdade. liberdades que acabei de dizer, a liberdade financeira de, se calhar, ⁓ estar tranquilo, não me preocupar minimamente com isso, ok? ⁓ o suficiente para aquilo que eu preciso, para aquilo que eu quero, etc. Eu tenho liberdade de tempo porque o meu trabalho ou qualquer coisa que eu tenha me permite fazer com o tempo aquilo que eu quiser, praticamente, como é óbvio, tempo é limitado, vida também, mas dentro disso realmente é muito livre. Liberdade profissional porque como eu não imagino que não dependo do dinheiro, eu posso hoje, se quiser, a trabalhar... a barreir as ruas ou posso fazer outra coisa qualquer ou predispor-me a fazer outra coisa qualquer porque na verdade eu não dependo disso financeiramente. E andamos ⁓ bocadinho nesta procura incessante e desmedida por atingir aqui qualquer tipo de liberdade. E o que é que acontece com esta procura de que se fizermos X poderemos ter a liberdade, Y, é que a própria procura por essa liberdade, ou até vários tipos de liberdade, implica uma prisão. Implica menos liberdade. Porquê? Porque eu agora estou preso a uma ideia de que é suposto eu chegar a ⁓ determinado sítio que é considerado liberdade. Então eu começo a ficar preso a uma meta, ⁓ objetivo. E esse objetivo implica a prisão a fazer determinadas coisas. Que coisas? Coisas que eu li, que me disseram que se eu quero atingir liberdade financeira, devo começar por fazer isto e isto e pior, para-me com aquilo e dararã... E os passos são estes. ⁓ se quisés mais liberdade de tempo, então deverias fazer isto. Olha, toma lá aqui isto, vai facilitar imenso a tarefa, e vais ganhar mais tempo. E eu começo... a fazer aquilo que supostamente vai dar esse resultado, sem entender o seguinte, que eu começo a ficar preso ou dependente, e portanto menos livre, porque não só estou preso ao objetivo, ao resultado, e isso gera muitas emoções pelo caminho, muitas vezes não muito positivas, como eu começo também a depender e a ficar preso, exatamente a esses caminhos, a essas ações, a essas ferramentas que me disseram que poderia dar determinado resultado. Para isto ser bocadinho até mais perceptível na prática, vamos ver que hoje dia isto é o nosso modus vivendi. Então, imagine eu quero mais tempo para mim. O que é que eu faço? Vou cozinhar ou vou instalar uma aplicação me permite encomendar comida e eu até lá tenho mais tempo. Tenho mais tempo para trabalhar, calhar, tenho mais tempo para outra coisa qualquer. E eu instalo a aplicação. Depois eu instalo outra aplicação que me vai ajudar, quando eu ponho lá os dados disto e daquilo, a gerir com mais facilidade, sei lá, a minha saúde. Depois instalo uma aplicação que é muito mais fácil eu saber o caminho. para chegar até a algum lado ⁓ vez de, como antigamente, ou ter ⁓ mapa ou ter que basicamente perguntar a pessoas e estar mais atento até às placas que estão na estrada. Não, se eu tenho uma aplicação que me diz ⁓ caminho e até me diz qual é o caminho mais rápido, eu vou poupar tempo. Eu vou poupar tempo numa aplicação que se calhar eu tenho já tudo controlado para às x horas começar a cozinhar. Outra para fechar os estores uma para acender as luzes, uma para pôr música. E assim eu nem tenho que me deslocar para carregar no botão dos estores Não tenho que fazer quase nada porque isto já está tudo tão calibrado. E com isso que que eu acabo por sentir que pronto, como não tenho que fazer essas coisas, supostamente isso vai-me dar uma maior liberdade de tempo para fazer outras coisas que eu realmente quero. agora outra me está a surgir antes de avançar, é o carro. agora tenho uma aplicação para chamar carro. Eu provavelmente tenho uma aplicação já, ainda no outro dia estava numa fila e estava ouvindo duas outras pessoas a falar, que tem uma aplicação que depois começa logo a ligar o ar condicionado, que é para quando entra no carro, já está não sei o quê. Depois a seguir tem a aplicação, o carro, como é óbvio, já tem, alguns já têm aplicação, ou seja... para conduzirem sozinhos e gente nem tem que fazer nada. Quer dizer que ainda ganhei mais tempo enquanto estou ⁓ deslocação para fazer mais não sei o que. Mas vamos ver se todas estas comodidades de facilitismo para ganhar tempo, para ter mais dinheiro, qualquer coisa, se realmente nos estão a trazer mais liberdade, ou seja... Estamos realmente a sentir que temos mais tempo agora? Ou no final das contas, ou quando chega ao fim do dia, eu continuo a sentir que... Isto foi sempre a acelerar e não descansei e na verdade tive que ir mais horas a trabalhar, tive que ir mais tempo a chatear-me com isto ou com aquilo, que se calhar... isto de simplificar os processos porque agora eu já nem tenho que me deslocar para ali etc. Na verdade... isso não trouxe muito mais tempo e não trouxe muito mais liberdade financeira e liberdade física. E o que que está a gerar? Provavelmente uma maior dependência de todas essas ferramentas. Vamos pensar assim, se eu já não tenho que conduzir, se eu não tenho que abrir os vidros, porque posso dizer para o carro abrir os vidros ou ligar o ar condicionado, se eu não tenho que mexer o volante porque o carro mexe sozinho, eu não tenho que fazer força com as pernas... porque os pedais fazem o trabalho todos sozinhos, o carro faz o que tem que fazer, eu nem sequer tenho que pensar no caminho, porque o mapa diz qual é o caminho para o carro, eu não tenho que estar olhar para lá de nenhum, eu posso estar só a olhar para o telemóvel, ou outra coisa qualquer, portanto, eu não preciso me levantar, porque os estores já vão fechar a hora que é, não tenho que ir lá fazer, até portadas ou assim, é tudo muito simples, mas de repente, eu começo a ver, eu também não tenho que pensar. Como é que possível esquecer-me desta ferramenta da inteligência artificial, como chat GPT, ⁓ Claude outra coisa qualquer, que é que eu também já não tenho que pensar muito. Porque, na verdade, se eu estiver realmente com algum problema, ele diz-me como que eu resolvo. Se eu quiser saber qualquer coisa, para que ler ⁓ livro, para que ir pesquisar, demorar mais tempo, se eu me resume toda a bibliografia que existe sobre isto ou sobre aquilo. Por que é eu tenho que fazer uma conta se a calculadora diz qual é o resultado? Por que é eu tenho que escrever se aquilo me faz ⁓ texto? Por que é que eu tenho que fazer uma tese? Se aquilo me produz uma tese? Porquê? Então, eu, repente, eu fisicamente e intelectualmente, eu de facto ganhei aqui uma poupança de energia incrível, eu tenho todos os recursos, não vou dizer possíveis imaginários, que há imaginários e possíveis que nós ainda não temos acesso e há outros inimaginários que também ainda não temos acesso e que dia, se calhar, hão-de estar aí e nem pensámos nisso. Mas para dizer que para aquilo que já existe, já é possível entender a dependência de todas essas ferramentas. E por isso, isso é liberdade, voltando atrás, ou isso é uma prisão? Qual é o resultado desta liberdade? pensar menos. Aquilo que não se usa, perde-se. E o cérebro que não se usa, perde-se. Por isso eu posso estar a pôr ⁓ causa a minha qualidade de vida, vir a experienciar toda essa liberdade que eu ando à procura, porque não tenho ⁓ cérebro capaz de usufruir disso. Porque desenvolvo Alzheimer com mais rapidez, demência, outros problemas quaisqueres. Eu não mexo. Portanto, como é óbvio... e a comida ainda por cima chega rápido e chega na quantidade que eu quero e é tudo fácil. Normalmente eu tenho ⁓ potencial para desenvolver obesidade, doenças metabólicas, cardiovasculares, respiratórias, lesões mesmo físicas, perda de massa muscular e de funcionalidade e de massa óssea. Eu tenho todo o potencial para deixar de ser capaz de utilizar o meu corpo. para depois usufruir da liberdade que eu ando aqui à procura com todas estas aplicações, comodidades e com essa liberdade que me dizem que eu vou alcançar se fizer tudo isto. Estamos a vender uma série de número de possibilidades e de ferramentas e opções neste facilitismo para no final todos virmos a ser mais livres mas temos que pensar... que isto não é só ao curto prazo. E que mesmo a curto prazo já se vai entendendo também a frustração de quando não podemos ter acesso a determinadas coisas que estamos habituados a ter. Mas não seja porque de repente não há eletricidade e a maioria destas comodidades depende de ⁓ recurso energético. Portanto, estamos nós... realmente a caminhar para sermos cada vez mais livres, faz sentido sequer pensar nesse caminho, objetivo. Existe mesmo liberdade de liberdade. Existe, se calhar, ⁓ meio-termo. Já fiz aqui há uns episódios atrás, se calhar ⁓ título pouco interessante ou pouco... e ilucidativo daquilo que se trata que é a curva ⁓ U invertido, que diz exatamente que quase nada de algo não é muito positivo, mas demasiado de algo também deixa de ser e que há ⁓ equilíbrio. E há aqui ⁓ equilíbrio quando nós queremos, nos querem ser livres, como por exemplo, está-me aqui agora a ocorrer no cérebro esta ideia de que nós queremos liberdade, mas também queremos segurança. Nós temos alguma incerteza no sentido de podermos escolher, optar, diversidade, mas queremos controle, mas queremos segurança e vemos exatamente todas estas inovações, ou muitas inovações tecnológicas que vêm nos dar mais segurança, supostamente. Porquê? Porque se há mais câmeras por todo lado, se estamos ligados com os nossos dados biométricos aos telemóveis... a tudo o é possível. ⁓ dia será só com o dedo que eu consigo fazer basicamente quase tudo, ou com o cérebro, ou com os olhos, ou outra coisa qualquer. Portanto, todo este desenvolvimento tecnológico que nos permite saber com mais facilidade onde é que pessoa está, onde é que o filho está, por exemplo, se estamos bem, eu corro menos riscos de ser, sei lá, se calhar de ser agredido nas ruas. Se estiver a ser, se houver mais sistemas de video-vigilância, claro que sim. Se houver mais vigilância ⁓ termos financeiros, supostamente, é mais correto, digamos assim. Há mais igualdade, há menos risco de fraude, é o que dizem. Não sei que, se calhar, seja a mesma fraude por aqueles que controlam o sistema de video-vigilância. Mas para todos os outros, isto há aqui ⁓ ⁓ encontrar de uma estabilidade e de uma segurança que nós valorizamos isso. Porquê? Porque, fisiologicamente, é importantíssimo para a nossa gestão de energia, como já vimos ⁓ muitos episódios. Mas à custa de quê? Porque isto é sempre assim. Não há nada que não tenha aqui ⁓ reverso, ⁓ retorno. Eu tenho mais segurança, mas eu perco alguma liberdade. Sou muito livre, se calhar não tenho segurança nenhuma. Isto provavelmente, já sou eu a acreditar e a condicionar o que possa estar a pensar, que há aqui ⁓ equilíbrio que nós todos valorizamos, isto até está ⁓ bocado estudado, que é o ser humano realmente, tanto precisa de certeza como de incerteza. Porque se for só certeza, isto não tem piada nenhuma, nós não andamos aqui a fazer nada, não há nada para explorar, não há nada que tenha piada, não... É isto, vai ser sempre isto. E isto é assim, é fechadinho e toca de repetir. Se não for certeza, se for só incerteza, bom, isto é ⁓ pânico porque estou a gastar energia sempre, porque eu nem sei se posso andar livremente na rua, não sei se posso confiar neste, confiar naquele, etc. Portanto, há aqui este equilíbrio. E este equilíbrio deveria provavelmente servir para tudo. É isto que se calhar nós temos que olhar para todas estas ferramentas que nos vão dando liberdade e ir tendo a noção se... se eu estou livre dessas ferramentas e estou só realmente a aproveitar ⁓ bocadinho, mas percebo o outro lado, ok, eu não tenho que conduzir, mas vou treinar, vou mexer o corpo ou não vou conduzir e não vou fazer nada e vou ficar fisicamente... Agora sim, 100 % sedentário eu não faço nada. Portanto, estou a retirar todos os bocadinhos de movimento e de atividade física do meu dia, porque agora tenho aplicações e facilidade para tudo, não preciso mexer para nada, posso estar aqui só a produzir trabalho ou outra coisa qualquer. Tenho essa noção. E o que é que eu preciso fazer para compensar essa falta de movimento? ⁓ tenho a comida toda acessível, etc. Mas tenho a noção de que essa comida acessível, de onde é que ela vem, como é que ela vem... Estou a equilibrar, se calhar, com outro tipo de comida, com outro tipo de maneira de trazer a comida para mim. Então há o equilíbrio entre as ferramentas que nos permitem sentir mais livres ou trazer liberdade. E se calhar mesmo ponho aqui essa questão que é... Será que há alguma liberdade lá à frente que seja para ser alcançada? Ou será que a liberdade é só esta maior noção toda das coisas do que é liberdade, do reverso da medalha? da dualidade entre segurança ou certeza e incerteza, dos prós e contras das ferramentas que eu utilizo no meu dia a dia, do caminho que eu escolho e exatamente tendo maior noção, consciência, e agora diz tudo, eu posso dizer que nem ⁓ momentos de tomada de decisão, a minha decisão é realmente informada. É com a noção de que... Hum... Agora vou pôr o caminho no GPS. Porquê? Porque estou realmente com pouco tempo e preciso de garantir que chego lá a horas. Hoje não estou com pressa... ou vou por aqui, logo que se vê, ou vou pelo caminho que já conheço da minha infância, ou vou passar por outra estrada que não aquela, ou vou ver se consigo chegar lá utilizando apenas as placas e as pessoas com que eu me cruzo no caminho. Hoje, ⁓ vez de ter a aplicação para os stores fecharem ou outra coisa qualquer, não vou ser eu a ir lá e a fazer ⁓ bocadinho de movimento. E hoje estou mais cansado. Pronto, lá ponho a aplicação a correr. E vou gerindo assim ⁓ bocadinho físico, bocadinho mental. Uma vez vou à Inteligência Artificial, se calhar, ao chat GPT e diz-lhe... Ajuda-me! Não para me dares a resposta. Mas para me fazes pensar. Eu estou a pensar sobre isto, estou com esta inclinação, eu estou a pensar desta maneira. Desafia-me! a pensar de maneira diferente sobre isto. Faz-me questões. E provavelmente eu vou estar a utilizar a tal aplicação, mas não para o facilitismo apenas de não ter que fazer nada, mas simplesmente para eu começar a conseguir criar outras soluções, porque entretanto a inteligência artificial estimulou o meu cérebro, não fez o seu papel. não o substituiu. Portanto, isto tem sempre, como se costuma dizer, a ver com a maneira como utilizamos todas as ferramentas e as aplicações, mas eu acho que por trás de tudo isto está ⁓ conceito de facto de liberdade que é muito importante de ser repensado. Estamos mesmo, eu diria, numa altura ⁓ que, provavelmente, ⁓ muito pouco tempo, porque as coisas que nós achávamos que muduravam iam durar dez anos a mudar, de repente, moram só cinco. Agora achávamos que eram cinco anos para mudar, só são três. E tudo aquilo que estamos a achar que demora x tempo, demora sempre cada vez menos. Portanto, nós, pelo menos, estamos aqui muito perto de uma mudança maior, exatamente, no que tudo diz respeito a este pilar da liberdade. E que se não tivemos noção, se não repensarmos e não fizemos nós esse papel ativo... de procurar esses momentos de liberdade, eu decido usar o meu corpo, estimular o meu corpo, decido usar o meu cérebro e agora decido usar a aplicação, se não for assim, as aplicações vão ganhar e nós vamos perceber que a liberdade que andámos aqui a desejar, afinal, caminho tornou-se exatamente nessa própria dependência e prisão. Fica a sugestão para fazer uma reflexão, mais tempo, ou mais cuidado, analisar até tudo aquilo que utiliza no dia a dia, como recorremos a estes recursos, como recorremos a este recurso e, se calhar, repensar aqui no equilíbrio. ⁓ E até lá, cuide de si!