Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep 16 - A DISPUTA DE QUEM SOFRE MAIS. , Chá de coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00Sabe quando a vida tá batendo tão forte que, em vez de se
- 0:05apoiar, a gente começa a disputar quem tá sofrendo mais?
- 0:10Será que dá para sair desse ciclo assim?
- 0:13Puxar de coragem? Elisama te acompanho há algum
- 0:28tempo e adoro o seu trabalho. Queria seu chá de coragem pra
- 0:31situação que tem me afligido. Eu tenho 45 anos e sou mãe de 2
- 0:35crianças e um adolescente. Sou da geração sanduíche e
- 0:38preciso me dividir entre os cuidados com os meus filhos e
- 0:40minha mãe. Minha mãe sofreu um AVC e é
- 0:43completamente dependente dos seus, dos meus cuidados.
- 0:47Eu e minha irmã nos revezamos nos cuidados, mas a nossa
- 0:49relação tem sido melhorada por conta disso.
- 0:52Não temos como contratar cuidadores e apesar da minha
- 0:55irmã morar mais perto. Tudo vira uma grande competição
- 0:59de quem está se dedicando mais. Eu entendo que tá difícil para
- 1:02as 2 e eu tô sempre tentando ser corporativa, facilitando as
- 1:06coisas para ela. Porém, minha irmã não cede em
- 1:08nada, não facilita em nada para mim e sempre acha que está sendo
- 1:12injusto para ela. Mesmo quando eu tô cobrindo mais
- 1:15dias que ela, eu tô exausta, neglenciando vários aspectos da
- 1:20vida dos meus filhos e mesmo assim sempre ouço o que para mim
- 1:23é mais fácil do que eu posso fazer mais.
- 1:26Mesmo morando mais longe, me desdobrando com trabalho, filhos
- 1:30e minha mãe, eu tenho muita dificuldade de me posicionar e
- 1:34também não sei se adianta. Eu tô sem Esperança e sem
- 1:38forças. Me ajuda.
- 1:41O que cuidar do de um dos nossos pais, do índice responsável pelo
- 1:48cuidado de alguém é muito pesado.
- 1:52E aí a gente tem que fazer um Combinado aqui.
- 1:55Que eu acho que facilita um pouquinho a nossa vida.
- 1:58Quando a gente entra numa guerra para saber quem é o maior
- 2:01perdedor, ninguém é vencedor, porque o maior, O Vencedor é o
- 2:06maior perdedor. Então, entendeu?
- 2:09Quando a gente disputa o título de maior perdedor, ninguém sai
- 2:15vencendo na história. E talvez seja o primeiro passo
- 2:20para a gente sair desse fluxo. De uma relação em que eu não
- 2:24consigo mais conversar, eu não consigo resolver nada com a
- 2:27minha irmã. A gente não consegue trocar.
- 2:28Sobre os cuidados com a minha mãe.
- 2:31Seja o lugar de dá para ser muito ruim para nós 2.
- 2:38Dá uma merda para mim e para você e ser mais merda para você
- 2:43do que para mim. O mais merda para mim do que
- 2:45para você. Não vai mandar o fato de que
- 2:46está muito difícil para nós 2 se a gente parte do lugar de que,
- 2:51caramba, está muito difícil para nós 2.
- 2:54Talvez, quem sabe, a gente consiga conversar sobre formas
- 2:58de lidar com isso. Fácil não dá para ninguém.
- 3:03E se cada vez que uma fala, pô, tá muito difícil para mim, a
- 3:06outra tem que falar, Ah, tá difícil para você, garota, deixa
- 3:10eu te contar como é que tá para mim?
- 3:12A gente não consegue conversar, sabe?
- 3:15Se a gente entrar no na disputa do maior perdedor, ninguém vai
- 3:21vencer. Não sei se você assistiu um
- 3:23lugar chamado nothing Hill, eu, eu adoro esse filme, eu acho ele
- 3:26fofíssimo. E aí tem uma cena em que a Julia
- 3:29Roberts, ela vai para casa de uma das pessoas, do grupo de
- 3:33amigos, do do então namorado dela, né?
- 3:36Da pessoa que ela está se relacionando, além.
- 3:38E aí eles comem e sobram um pedaço de brownie e eles não tem
- 3:43brownie para todo mundo. Eles decidem que o brownie ele
- 3:47vai ser o prêmio de Consolação para o maior perdedor patético
- 3:51da mesa. Quem contar a pior história,
- 3:54mais digna de pena na mesa, merece por dó de todos nós, a
- 4:00fatia de brownie. Mas quando você está com a tua
- 4:03irmã, disputando quem está sofrendo mais no cuidado com a
- 4:06tua mãe, não temos uma fatia de brownie para ser um prêmio para
- 4:09ninguém. Não tem prêmio para ninguém.
- 4:13E aí vocês 2 não conseguem enxergar direito nem a dor uma
- 4:17da outra, nem se apoiar na dor da uma da outra?
- 4:21Porque estão disputando quem está sofrendo mais a tempestade.
- 4:25Ela não vai ficar mais fraca se cada uma remar para um lado.
- 4:29Eu vou contar para vocês que vocês são uma tempestade, uma
- 4:33tempestade muito difícil, uma tempestade muito pesada.
- 4:39Cada uma com a sua vida, cada uma com seus sonhos, cada uma
- 4:44com as suas mágoas, com a mãe, com a vida.
- 4:49Uma com a outra porque somos humanos e humanas e tendo que
- 4:55lidar com essa mãe e remando aí nesse darquinho.
- 5:00E vai ficar menos difícil, porque fácil não vai ficar.
- 5:04Não tem nenhuma solução que seja fácil e simples e que não doa no
- 5:08momento que vocês estão vivendo. Desculpa, não tenho como te
- 5:11dizer isso, mas vai ficar menos tenso se vocês se remarem cada
- 5:16uma por um lado e começarem a remarem rimar juntas.
- 5:20Para que lado que a gente vai remar agora?
- 5:23Como que a gente vai lidar com essa dificuldade, que é enorme e
- 5:27que está doendo muito? Para nós 2 não conversar
- 5:32normalmente não é a melhor opção.
- 5:34E eu sei que você está exausta. Eu sei que você está cansada
- 5:39para caramba, mas veja brigar com tua irmã cada vez que vocês
- 5:44precisam decidir quem vai cuidar da tua mãe, quem vai se
- 5:46responsabilizar por algo ali. Não vai tornar as coisas mais
- 5:50fácil. E quanto mais cansadas vocês
- 5:53estiverem, quanto mais frustradas vocês estiverem,
- 5:57quanto mais magoadas vocês estiverem uma com a outra, mais
- 6:01difícil vai ficar. A conversar sobre esses detalhes
- 6:06é fazendo 111 quase comparação. Não posso nem dizer que é uma
- 6:10comparação, porque são cuidados muito diferentes, né?
- 6:13Cuidar de uma mãe doente, diferente de cuidar de um bebê
- 6:15cabu chegar. Mas eu me lembro quando a minha
- 6:18segunda filha nasceu, Helena. E aí Helena e Miguel, eles têm
- 6:22uma diferença de 1 ano e 11 meses, e meu marido e eu
- 6:27começamos a brigar por qualquer coisa.
- 6:30E cara, quando ele passava mais de 2 minutos no banheiro, já
- 6:34tava na porta do banheiro gritando assim, você tá aí?
- 6:37Eu tô com 2 aqui do lado de fora.
- 6:38Então você saia do banheiro. E a gente começou a disputar
- 6:41quem tava bem cansado dos 2, quem é que dormia menos?
- 6:45Quem é, quem estava mais estressado ou quem estava
- 6:47aguentando mais? Choro de criança, porque
- 6:49estávamos os 2 exaustos. E chegou o momento em que a
- 6:53gente precisou olhar EE, chorar junto e falar, caramba, u como
- 6:58esse negócio está difícil para gente, Hein?
- 7:01Porque aí no momento que a gente enxergou o quanto tava difícil e
- 7:05que a gente nomeou o quanto tava difícil e que sim, tava mais
- 7:08difícil para mim, porque obviamente a dos meus peito tava
- 7:10saindo, aquele Monte de leite Era Eu que não tava dormindo,
- 7:12Era Eu que tava com, né? Tinha acabado de parir.
- 7:14Mas é quando a gente conseguiu conversar sobre isso.
- 7:18A gente conseguiu pensar em saídas que respeitassem a minha
- 7:23dor e a dor que respeitassem as nossas dificuldades.
- 7:27Vocês vão precisar conversar. Talvez a conversa precisa de um
- 7:32intermediário. Talvez você precisa conversar
- 7:36com alguém antes de conversar com a tua irmã.
- 7:39Talvez você precise chorar nos braços de alguém bastante.
- 7:43Antes de chorar com a tua irmã, de ouvir a tua irmã, porque às
- 7:46vezes a tua irmã, ela pode estar mais perto da sua mãe, ela se
- 7:52sinta talvez mais responsável e ela não conseguiu te ouvir e
- 7:58alguém vai precisar ouvir alguém para começar essa conversa.
- 8:01E como você me enviou um e-mail? Eu desconfio que você tem a
- 8:06intenção de ouvir, que você tem a intenção a fundo de.
- 8:12De resolver essa situação de uma forma que seja um Amparo para
- 8:15vocês 2. Então eu vou nessa tua
- 8:18Esperança, vou me agarrar nessa tua Esperança aí e vou te dizer
- 8:21para você encontrar alguém para você conversar, para você
- 8:24desabafar, para você chorar. E vou te dizer que para ter essa
- 8:29conversa com a sua irmã, você vai precisar começar falando, eu
- 8:32sei que está difícil para você, irmã.
- 8:35Eu sei que está pesado para você.
- 8:39Eu desconfio que por você estar perto da minha mãe.
- 8:42Você fique mais angustiada com as coisas o tempo inteiro.
- 8:45Você fique angustiada pensando que você, que é você quem tem
- 8:48que estar alerta, porque se precisar, ela está mais você
- 8:50está mais perto. Eu imagino que não seja fácil
- 8:53para você, porque aí quando você começa reconhecendo para ela, eu
- 8:59estou vendo que é difícil para você.
- 9:01Ela não precisa provar para você que é difícil, entende?
- 9:04Ela já se sentindo vista por você.
- 9:06E aí, quem sabe vocês conseguem conversar sobre o problema que é
- 9:10o cuidado com essa mãe? Vocês consigam conversar sobre o
- 9:14que é o prático e não perder tanta energia, tanto tempo,
- 9:18tanta força, discutindo quem está mais cansada, discutindo
- 9:21quem se esforça mais? E se a gente for olhar nas
- 9:27situações, a gente está sempre brigando um pouquinho pela nossa
- 9:30identidade nas situações e pela a brina e Brown, ela fala que é
- 9:34a identidade indesejada. Eu muitas vezes quando eu estou
- 9:40brigando com alguém. Por algo eu tô brigando,
- 9:43querendo repelir uma identidade que eu não desejo em mim.
- 9:46Então, quando eu tô brigando com a minha irmã pra ver quem tá
- 9:49mais cansado, às vezes eu tô repelindo a identidade da filha
- 9:52que não cuida, da filha, que não se dedica da folgada daqui e não
- 9:59assume as próprias responsabilidades.
- 10:01Você não é essa pessoa, você não quer ser essa pessoa.
- 10:03Você não admite que, porque você sabe que você é responsável,
- 10:07então não fala comigo como se eu também não tivesse fazendo a
- 10:10minha parte, entende? E aí você não está mais brigando
- 10:12com a tua irmã e você fica tentando repelir a imagem
- 10:17indesejada. Sabe a identidade indesejada, a
- 10:20identidade da folgada da filha que você não é?
- 10:23Você é uma boa filha. Caramba.
- 10:25E aí vocês ficam disputando quem não é a filha indesejada, a
- 10:30identidade indesejada, e vocês não conseguem se encontrar.
- 10:36E vocês só vão se encontrar se vocês conseguirem reconhecer.
- 10:41Que está difícil para as 2, que as 2 são responsáveis, que as 2
- 10:47estão fazendo o que podem, que nenhuma das 2 queria estar
- 10:51vivendo nesse momento que cuidar de uma mãe adoentada, caramba,
- 10:58demanda muito e isso não interessa se você tem 5 filhos
- 11:02ou se você não tem nenhum, sabe? É difícil ponto.
- 11:09E se a gente quiser botar essa escala de quando é mais difícil,
- 11:11para quem é mais difícil, a gente vai entrar em pontos
- 11:14subjetivos tão violentos com você e com outro, porque a gente
- 11:17vai precisar provar o nosso sofrimento, lembra.
- 11:21Não tem brownie sendo disputado nesse momento, não tem nenhum
- 11:24prêmio para ser a mais sofredora da história.
- 11:28Então o primeiro ponto é ver, é conquistar espaço interno para
- 11:33você ter essa conversa. Você não vai ter essa conversa
- 11:36no momento em que você está muito mal.
- 11:39Em que você está muito estressada, em que você está sem
- 11:43dormir, em que você está sem conseguir chorar.
- 11:47Você está cheio de lagrinha presa a respeito dessa situação.
- 11:50Você não vai conseguir ter espaço para sua irmã.
- 11:52Pensa que escutar é abrir espaço.
- 11:56Se você estiver com muito barulho interno, você não vai
- 11:59conseguir abrir espaço para dor dela.
- 12:02E aí vocês não vão se conectar. Como é que você abre espaço para
- 12:05essa dor? Encontrando um lugar para você
- 12:07falar da tua dor, encontra alguém que você ama muito, que
- 12:12pode te dar colo, que pode te ouvir e chora, gata, chora esse
- 12:19cansaço, chore essa dor, chore essa frustração, xinga os céus,
- 12:24bota para fora para você abrir um pouquinho de espaço para você
- 12:29chamar sua irmã e falar, caramba, tá enlouquecendo.
- 12:33Com me diz, me conta o quanto é enlouquecedor para você, porque
- 12:38aí se vocês passam por essa dor juntas e vocês conseguem
- 12:41sincronizar o Remo quando uma precisa remar mais que a outra,
- 12:46vai ser com união, sabe? Não vai ser uma disputa, não vai
- 12:51ser uma guerra, vai ser hoje eu preciso ser Remo um pouquinho
- 12:54mais, amanhã o Remo um pouquinho mais para você descansar seus
- 12:57braços. Talvez você não consiga chegar
- 13:01nesse lugar. Talvez a dor esteja tão grande
- 13:06entre vocês 2, que vocês não consigam acolher a dor uma da
- 13:09outra. Nem sempre a gente consegue.
- 13:13Às vezes a dor pede mesmo a conexão, às vezes a nossa dor.
- 13:18Ela está tomando tantos espaços que a gente não consegue
- 13:20enxergar que o outro existe e que o outro também pode sentir
- 13:24dor e que a dor do outro não diminui.
- 13:25A nossa não invalida a nossa, não ridiculariza a nossa.
- 13:29Mas eu sou uma pessoa esperançosa.
- 13:31Então eu tenho Esperança de que você consiga conversar com a tua
- 13:34irmã e aí você pode olhar na tua vida.
- 13:38É quais são os pratinhos que você pode delegar?
- 13:45Quais são os pratinhos que podem se espatifar no chão?
- 13:49Alguns podem, alguns podem cair no chão e não é a gente que vai
- 13:54limpar e a gente não precisa limpar.
- 13:55Então existe momentos que eu tenho que olhar aqui e falar, o
- 13:58que esse pratinho vai pro chão, esse pratinho nesse momento.
- 14:02Uau. Não vou me preocupar com esse
- 14:03pratinho nesse momento da vida. Eu não vou me preocupar com esse
- 14:07pratinho aqui. Existem outros pratinhos que
- 14:09eles não podem ir pro chão, mas que tem outras pessoas que podem
- 14:12cuidar. Então, talvez você não consiga
- 14:14delegar o cuidado com a tua mãe, mas você consiga delegar o
- 14:17cuidado com alguma outra coisa que você cuida.
- 14:20Talvez você consiga achar alguém que te dê suporte em algum outro
- 14:24lado, que a gente desafoga um pouquinho para você olhar para o
- 14:29lado da tua mãe. Você fala que vocês não tem
- 14:32condições de cuidar, de pagar cuidadores, né?
- 14:34Da rede de apoio paga, mas a gente pode acionar de vez em
- 14:38quando a rede de apoio não paga, uma irmã da tua mãe, uma amiga
- 14:44da tua mãe. Quem pode se aproximar é que às
- 14:47vezes a gente tá tão cansada e a gente olha aquele cuidado tanto
- 14:52como uma responsabilidade única e exclusiva nossa, que a gente
- 14:55não consegue cogitar as possibilidades, sabe?
- 14:58A gente não consegue perceber. Caramba.
- 15:00Tem essa possibilidade aqui, tem essa pessoa que eu posso contar,
- 15:04tem essa pessoa que eu posso mandar um pedido pra hoje ficar.
- 15:07Tem essa, esse respiro que eu posso ter aqui.
- 15:13A gente vive num momento social que se fala muito de propósito
- 15:18do que que você tá realizando. E gente, tem fase que o
- 15:24propósito é continuar vivo, tem fase que o propósito é.
- 15:29Dá conta da minha mãe que está noite, tem fase, que o propósito
- 15:33é manter meu bebê vivo, sabe? Tem fase que o propósito.
- 15:39Ele está tão aqui na sobrevivência, ele está aqui tão
- 15:43nesse momento que eu preciso passar.
- 15:46Cara, você está com uma mãe totalmente dependente de
- 15:51cuidados. Não dá para seguir a vida como
- 15:54se isso não tivesse acontecendo. Alguns ajustes precisarão ser
- 15:59feitos. Alguns cuidados precisarão ser
- 16:02feitos com você, com ela, com a tua família, com a tua irmã.
- 16:10Eu torço muito verdadeiramente que a relação de vocês consiga
- 16:16encontrar um lugar de união. Quando você fala nossa relação
- 16:23está se deteriorando, eu imagino que vocês não tenham uma relação
- 16:26que sempre foi deteriorada, que sempre foi difícil.
- 16:28É que vocês estão passando por um momento difícil, que deixa
- 16:33tudo mais difícil. E a gente pode passar por esse
- 16:37momento difícil, com mais uma dificuldade, que é a dificuldade
- 16:40da relação. Ou a gente pode passar por esse
- 16:43momento difícil tentando caminhar um pouquinho junta.
- 16:47E esse caminhar junta não quer dizer que a gente vai acolher,
- 16:49está sempre disposta. A gente, às vezes a gente só vai
- 16:52chorar junto, amigo, às vezes eu só vou ligar e falar, cara,
- 16:55posso ir na tua casa, estou precisando chorar sobre o que
- 16:58está acontecendo e eu acho que só você vai entender, porque só
- 17:01você está vivendo esse peso, como eu posso?
- 17:06E aí ou quer vir para cá? Eu fiz aquele bolo que minha mãe
- 17:10fazia para gente, quer vir para cá conversar e falar sobre essa
- 17:14dor que você está sentindo? Não sei.
- 17:17Eu sei que tem gente que não tem uma relação assim com os irmãos,
- 17:20que isso parece até meio impossível.
- 17:24Mas se a gente não tentar, a gente não vai saber se é
- 17:28impossível mesmo ou se é só algo que a gente não começou a fazer,
- 17:32se é só algo que a gente não tentou fazer, se é só algo que a
- 17:35gente ainda não aprendeu a construir juntas.
- 17:41E aí eu quero te deixar uma pergunta que é, quem cuida de
- 17:45quem cuida, né? Quem está cuidando de vocês?
- 17:50Quem está apoiando vocês? Em que ombros vocês estão
- 17:55chorando? Você e ela?
- 17:59Quem ela tem conseguido conversar com quem ela tem
- 18:01conseguido chorar, com quem ela tem conseguido pedir apoio?
- 18:05Quem tem segurado a onda que está difícil para ela?
- 18:09Quem tem segurado a tua onda? Com quem você está conseguindo
- 18:12apoio? Enquanto os colos, você está
- 18:15chorando? Eu, eu tenho 11 certa irritação.
- 18:19Quando a gente está passando por uma situação difícil, alguém
- 18:21fala assim, AI, força como se força fosse um negócio que fosse
- 18:26brotar força em mim. Eu sempre desejo o colo falar
- 18:30aqui não te falo de colo. O que eu posso te desejar é que
- 18:34não te falo de colo porque com o colo, com Amparo, com um lugar
- 18:39para recarregar energia. Com um lugar para soltar um
- 18:42pouquinho o peso do nosso corpo e saber que alguém vai te
- 18:46amparar, a gente junta um pouco mais de energia para dar conta
- 18:51da vida. Eu torço que vocês consigam dar
- 18:55colo uma para outra e esse colo que vocês vão conseguir dar para
- 18:57uma para outra, já que ambas estão com muita dor.
- 19:00É um colo bem pouquinho, bem limitadinho.
- 19:04E que vocês consigam outros colos, outros colos que estejam
- 19:07mais revigorados. Que sejam mais potentes, que
- 19:11estejam mais frescos para emprestar vigor para vocês, para
- 19:17passarem por essa fase tão difícil.
- 19:22Assim como o começo da vida, cuidado com quem chega na vida
- 19:27deveria ser feito em comunidade. O cuidado com quem está partindo
- 19:32da vida também deveria ser feito em comunidade.
- 19:35É injusto que fique para novas pessoas, só para os filhos.
- 19:39Deveria ser algo para um grupo que é todo mundo que amou essa
- 19:42pessoa, que conviveu com essa pessoa, que riu com essa pessoa,
- 19:45que construiu uma vida com essa pessoa, pudesse cuidar dela
- 19:48também e se sentisse um pouquinho responsável por cuidar
- 19:52dela também. Então, eu torço que vocês
- 19:53consigam construir uma rede de apoio e de cuidado para ela e
- 20:00para vocês. E se você, meu amor, quer
- 20:04conversar sobre isso com alguém, talvez para amiga que mandou a
- 20:07cartinha. OE mail talvez era mandar para
- 20:10sua irmã esse episódio, falar, vamos conversar sobre isso aqui.
- 20:14Que que você acha que que você pensa sobre isso aqui?
- 20:18Quem sabe assim vocês começam a ter uma construção e para você
- 20:22que tá passando por algo semelhante, que talvez nem é a
- 20:25mãe que tá doente, mas é aquela dor que tá todo mundo vivendo e
- 20:28que a gente não tá conseguindo conversar sobre ela, manda essa
- 20:31conversa, vamos falar, vamos se apoiar, vamos passar por essa
- 20:36tempestade junto, tá bom? Um beijo até o próximo episódio.