Latest / Jota Jota Podcast / O que Ninguém te Conta sobre SUCESSO, DINHEIRO e PERFORMANCE (ALEX ATALA) | JOTA JOTA PODCAST #277
Transcript
- 0:00Conforme o lugar que você tiver no mundo, dentro de uma estrada
- 0:03do molho de tomate, é aceitável pelo de rato.
- 0:09Meu convidado de hoje é um dos chefes mais premiados do mundo e
- 0:13colocou o Brasil no mapa da gastronomia mundial.
- 0:16Ele foi eleito uma das 100 pessoas mais influentes do mundo
- 0:19pela revista times e é o fundador do dom.
- 0:22Restaurante com 2 estrelas Michelin e quarto melhor
- 0:25restaurante do mundo. E é com muito prazer que hoje eu
- 0:29recebo no JJ podcast Alex atala pra você, qual é o principal
- 0:35atributo que construiu a tua carreira?
- 0:37Então, hoje em dia a gente tem um chefes mais cheios de chefes
- 0:40do que cheios de cozinha. Sou um cara com 58 anos.
- 0:44Falo, caraca, dá pra errar com 60?
- 0:48Dinheiro não é Felicidade, sucesso não é ter dinheiro.
- 0:53Como que essa Formiga é feita? Ela é frita.
- 0:56Ela é um pedaço de abacaxi cru com uma Formiga assim.
- 1:00Nossa, meu, deu até fome, não deu não, ô Malu, dá um dá um
- 1:05palmito aí feito na fogueira com uma pitada de saúva.
- 1:09Nós somos de uma geração que convidar para comer no nosso
- 1:13restaurante era oferecer suborno, era antiético.
- 1:16Fazer isso a diferença do cara bom e do cara ruim é que só o
- 1:19cara bom superou as coisas ruins.
- 1:25O gente, esse JJ podcast é patrocinado por uma empresa que
- 1:29eu adoro, de 3 empresários que eu gosto muito deles, que é a
- 1:32The Best açaí. A The Best t açaí é a maior
- 1:36franquia de açaí do Brasil. Os caras têm mais de 1000 lojas
- 1:40de açaí e não param de crescer. O açaí é delicioso, tá do ponto
- 1:45de vista do produto. Vocês vão adorar.
- 1:47Tem essa aí que eu descobri agora que eles mandaram para
- 1:49mim, que é como se fosse assim, um chupe chupe de açaí não suja
- 1:51a mão, é fácil, é rápido, criançada toma, é gostoso, tem
- 1:54açaí que não tem açúcar, tem açaí que tem um sabor
- 1:57diferenciado, é demais e a gente sempre toma.
- 2:01Eu tomo açaí quase que todos os dias aqui na j, além deles terem
- 2:05um modelo de negócio que é incrível para você, que traz
- 2:08retorno do investimento em alguns meses.
- 2:10Que traz uma belíssima margem num negócio, num mercado que não
- 2:14para de crescer no Brasil e no mundo.
- 2:16O Brasil é uma das maiores potências de açaí no mundo e
- 2:22também uma das maiores potências de franquia.
- 2:24Então, se você quiser ser um franqueado da The Best açaí, que
- 2:28é patrocinadora aqui do JJ podcast, quer conhecer mais essa
- 2:31proposta? Quer empreender uma marca que
- 2:34não para de crescer? É a primeira marca do Brasil.
- 2:36Eu adoro andar com empresas que são as primeiras no que fazem.
- 2:39Aqui tem um QR Code e tem um link para você conhecer.
- 2:42Clica aqui. Fala que veio do JJ podcast e
- 2:45conheça porque isso vai ser incrível.
- 2:47Se você estiver numa fase de empreender com franquia e eu
- 2:50recomendo, beleza, agora a gente vai para o JJ podcast.
- 2:53Eu? Queria começar dando testemunho
- 2:58aqui. OPA, lógico.
- 3:01Eu pedi para estar. Aqui hoje também, então.
- 3:05Ninguém IA falar o Alex. Não sei, viu?
- 3:07Eu? Eu fui.
- 3:09Eu fui oferecido de plantão aqui.
- 3:10Né? Eu te perguntei lá em Paris o
- 3:12Alex, pô, você vai muito em podcast?
- 3:14Eu queria fazer assim AO convite, assim, Alex, vamos
- 3:17gravar um podcast, né? Ah, tá lá, vamos gravar um
- 3:19podcast aí. Eu fui todo com um jeitinho
- 3:20assim, você vai em podcast e tal, porque você fala, Ah, João,
- 3:23é, às vezes não vou não sei o que, cara.
- 3:25Você sabe, deixa eu te falar, não é nada contra ninguém.
- 3:27Joel. O que?
- 3:28O que eu acho hoje a internet um terreno.
- 3:30É cheio de zona cinzas? É num podcast, normalmente você
- 3:35se expõe por 2 horas. São conversas longas e que não
- 3:41tem media training que possa te salvar de um corte indesejado
- 3:46num colocado de uma forma diferente.
- 3:50Então, eu realmente sou muito recente, AAA podcast de modo
- 3:53geral, assim, eu não vou é. E tem gente que eu gosto de
- 3:56podcast. Podcast que eu escuto é, eu não
- 3:58vejo é que me pede para ir e eu dou aquela não falo, pô, vamos
- 4:03no futuro, vamos num outro momento.
- 4:05E eu não vou mesmo assim, não, não é verdade, mas.
- 4:08Obrigado por ter vindo. Eu queria estar aqui, então,
- 4:11pedir mesmo. Obrigado pelo teu.
- 4:13Tempo, imagina, imagina? Atala pô, bom, você é uma
- 4:17referência no que você faz, é reconhecido internacionalmente.
- 4:21Você tem títulos. Resultado é reconhecimento,
- 4:28experiência. Marco você tem, é.
- 4:35Amor, você tem determinação e dedicação.
- 4:40Você tem todos esses atributos, mas na que eu estou dizendo?
- 4:46Mas para você, qual é o principal atributo que construiu
- 4:50a tua carreira? Sabe o que eu não queria?
- 4:53Eu sempre fui muito seguro, desde a largada do zero ou
- 4:57assim, não queria eu nunca. Eu nunca.
- 4:59Eu vou falar para você assim, eu nunca trabalhei para virar o
- 5:01cara que eu virei. Não quer dizer que toda chance
- 5:05que eu tive é na garrela, com 100% de garra, ok?
- 5:10E eu tinha muita. Tenho muito claro coisas que eu
- 5:12não quero pra mim, coisas que eu não faço e não farei e que não
- 5:16são negociáveis e pago o preço por isso, certo?
- 5:19Não é falar assim, Ah, é legal, se assim não é, é muito mais
- 5:22difícil. É muito mais fácil jogar pra
- 5:25todo mundo, jogar pra galera e mas não sou eu, esse cara.
- 5:31Desde o começo, ó a tal. Eu sou, eu acho que eu não posso
- 5:38falar assim. Eu fui o primeiro, mas eu com
- 5:40certeza fui um dos primeiros. Mas eu ainda acho que eu fui o
- 5:43primeiro chefe completamente O Fora do padrão, chefe cheio de
- 5:48tatuagem, que trabalha de tênis, que não tem uma na cozinha.
- 5:52A gente fala uma postura bockusiana, porque tinha 11.
- 5:54Tem uma historicamente, o bockus, que é um cara que tem um
- 5:58significado, uma relevância tremenda pra figura, pra
- 6:01valorização do profissional de cozinha.
- 6:03E um bokuz 11, discípulo do powbukuz, trabalhava de sapatos,
- 6:07calças pretas, barbas, sempre bem feita.
- 6:10Existe 11 postura em colocar e eu desmontei esse modelo, né?
- 6:17Então, se eu não fui o primeiro, eu fui, sem dúvida, um dos
- 6:20primeiros chefes do mundo a ganhar, a virar referência.
- 6:24É completamente fora dessa estrutura.
- 6:28E eu volto falar, se eu sabia o que eu não queria, eu não queria
- 6:30ser. Mais um buqueziano na vida eu eu
- 6:33sabia que eu tinha uma diferença e fui viver essa diferença.
- 6:36Certo? Para as pessoas que não sabem o
- 6:40que que classifica um chefe de cozinha, qual que é a escola,
- 6:43qual que é a formação, quais são as premissas?
- 6:45O que que ele tem que dominar, o que que tem naquele que as
- 6:50pessoas não não vê? Sabe naquilo que as pessoas não
- 6:52enxergam? Aquilo que é construído no
- 6:53bastidor. Eu vou brincar que eu vou falar
- 6:56aqui, hoje em dia a gente tem um.
- 6:59Chefes mais cheios de chefes do que cheios de cozinha, não é?
- 7:03É porque que eu eu faço essa brincadeira pelo seguinte, não
- 7:07importa é se você é um advogado, se você é um médico, é se você é
- 7:12um jornalista, é um médico. Antes de virar doutor,
- 7:17professor, ele vai fazer OAA sua residência e depois, galgando a
- 7:25sua profissão, um jornalista vai começar um foca.
- 7:29Como foca e ele vai virar repórter.
- 7:31O editor eu fui crescendo, um advogado vai virar bacharel.
- 7:37E assim, qualquer momento da vida desses caras não pode.
- 7:42Se ele é um foca ou se ele é um editor, um professor, doutor, ou
- 7:46ele é médico, ou ele é advogado, ou ele é jornalista.
- 7:52Eu sou cozinheiro. A minha profissão é de
- 7:55cozinheiro. Chefe é quando você é líder de
- 7:58uma equipe e líder de uma equipe.
- 8:00Tem responsabilidades, sejam responsabilidades criativas,
- 8:04sejam responsabilidades executivas, de manutenção de
- 8:09cozinha, de escala, de folga, de funcionários, de compras, de
- 8:12custos. Então chefe é só o líder de uma
- 8:16equipe? É se como líder da equipe, ele
- 8:21representa e recebe um pouco mais de luz.
- 8:25Mas. Houve uma distorção, talvez
- 8:29quase que vamos lá que positivo. Ou pelo menos eu fui beneficiado
- 8:33de alguma forma. Onde o cozinheiro passa a ganhar
- 8:35status de chefe e ganha um brilho de talvez um verniz de
- 8:38celebridade. É, é.
- 8:41Tem, tem esse sentimento? Agora tem?
- 8:43Lógico que tem, tem. Seria bobagem falar que eu
- 8:45também não sou um bom produto. Eu estaria me desvalorizando,
- 8:48não é? Eu não falo 5 idiomas, eu não
- 8:51faço um Monte de coisa que eu faço para ser só cozinheiro.
- 8:54Sim, que eu ansiei por coisas melhores.
- 8:57Mas volto a falar, eu não fui cavar essa oportunidade, cada
- 9:01oportunidade que eu tinha grudar nela.
- 9:04EEEE botar o meu melhor nela, assim, botar o 100%.
- 9:08Então tá, então entendi, o chefe é porque ele lidera, tem funções
- 9:14executivas? Eu acho que a gente vive um
- 9:15momento de transformação, de de tudo, não só da cozinha, do ato
- 9:19de comer, mas de comunicar. João, vamos lembrar o seguinte,
- 9:23que nós somos de uma geração que convidar um jornalista pra pra
- 9:28PIN comer no nosso restaurante era oferecer suborno.
- 9:31Era antiético fazer isso. E um jornalista deveria ter.
- 9:35Deveria ter um repertório. Sim.
- 9:38Pra poder julgar. Hoje nós estamos na época de
- 9:41internet. Esses modelos foram desmontados
- 9:44e eu não estou falando que para melhor o papel.
- 9:46Eles fato foram desmontados. Chefes tinham segredos.
- 9:52Por que que eu tinha segredo? Porque a exclusividade garantia
- 9:57a minha vida mais longa e mais interesse do público.
- 10:00A partir das mídias sociais muda.
- 10:04A gente deixa de ter segredo, a gente publica, mas gente vê, mas
- 10:07gente vem. O chefe passa por um
- 10:11ressignificação de entendimento, não só de profissão, mas de
- 10:17figura pública. É, nós não somos.
- 10:20Eu não sou uma geração que foi preparada para escrever, para
- 10:23falar, para apresentar, para não foi esse treinamento a gente
- 10:28receber. Então a gente passa por um
- 10:30empirismo, passa por um momento hoje de saber quem é você na
- 10:35filha do pão. Muito bom, hoje nos teus
- 10:43Business, de tudo que você faz, qual é?
- 10:49Atividade. Que mais você dá atenção assim,
- 10:54ó, a minha pergunta é uma pergunta de atividade chave, né?
- 10:57Você faz algumas atividades, pô, a gente estava lá em Paris.
- 11:00Você você é embaixador de uma marca de carro.
- 11:02Você é uma marca. É, você é embaixador de 5
- 11:05marcas? Você é embaixador de 5 marcas?
- 11:075 marcas, hoje Três Corações, BTGBIDBID, denza, azul e
- 11:13Mastercard. Então tá.
- 11:15Então você a marca publicitária, que tem ativos comerciais,
- 11:19ativos de mídia, então banco, um carro, um café.
- 11:23Um cartão de crédito, um cartão de crédito, uma companhia aérea.
- 11:26E uma companhia aérea legal. Isso é uma coisa.
- 11:28Aí você tem os restaurantes, os restaurantes, quantos são?
- 11:312 dom. E dá o visito.
- 11:33Dom e dá o visito. Exato, aí eu tenho a pressa de
- 11:36eventos. Não sabia?
- 11:38Você tem uma empresa de eventos? Então assim, eu tenho uma série
- 11:42de atividades, eu tenho um bracinho numa parte imobiliária,
- 11:46eu tenho um Monte de coisinhas. É, elas são coisinhas.
- 11:51Não importa o quanto elas me dão de dinheiro, certo?
- 11:55Elas são acessórios da minha vida.
- 11:57Certo. O meu compromisso é com os meus
- 11:59restaurantes. É isso aí, a minha OA, minha.
- 12:03O meu foco é isso. Se eu perder o foco do
- 12:06restaurante, eu acho que a parte imobiliária, ser embaixador de
- 12:09marcas relevantes. Cisvai eu só posso.
- 12:15Existe uma diferença entre talvez eu vou me arriscar num
- 12:19terreno que eu conheço muito mal, que é autoridade.
- 12:21Embaixador ou influenciador? É fato.
- 12:26Eu tenho autoridade na minha profissão.
- 12:29Eu tenho autoridade, é influenciador.
- 12:33Eu não me vejo e por isso vou em poucos podcasts.
- 12:36Por isso não uso as minhas redes sociais.
- 12:38Mas porque não, não, não é não é meu natural.
- 12:41Eu não sou aquele cara que pega meu celular com essa facilidade
- 12:44que você faz galera, né? Eu acho incrível, mas não sei
- 12:46fazer, sim, eu estou bem com isso.
- 12:50Por outro lado, a autoridade versus as escolhas de caminho
- 12:55que faz me levam a poder ser embaixador de um de marcas de
- 12:59alta credibilidade. Você está lá, eu estou dentro do
- 13:05do da Mastercard como old Legends.
- 13:07Né? 11 lenda do mundo, junto com Seu
- 13:08Jorge, é incrível isso, é incrível, tá do lado do do do
- 13:13fora que o Negão é gente boa pra cacete, né?
- 13:15A gente é fã dele, é é incrível, tá do lado do Jorge, é o Jorge
- 13:19não é só um músico assim, ele é um ator de cinema, ele é um, ele
- 13:23é um pensador, ele é um ativista.
- 13:25Você vai olhando essas coisas, você fala, caraca, a banda toca
- 13:29diferente e eu não sei como ela toca, mas eu vou me ajustar sim
- 13:32AA essa música. Mas Oo restaurante?
- 13:37É o teu, é o teu core. Eu vivo para isso, é onde eu
- 13:40menos ganho dinheiro, tá? É, é.
- 13:43Eu falo isso muito com as pessoas, as pessoas não
- 13:45acreditam e não me faz mal nenhum, nem não ganhar dinheiro
- 13:51com restaurante, não ganhar. Quantas pessoas imaginam o que
- 13:53eu ganho? Essa é uma outra história, né?
- 13:55As pessoas falam assim, Ah, não ganha dinheiro, pô, parece que
- 13:58eu pagando dívida não, não tenho vocação pra madreterias de
- 14:03calcutá, mas eu não confundo a minha vida e o meu negócio.
- 14:07Como a dos meus clientes, os vinhos que eles tomam talvez não
- 14:11sejam os vinhos que eu tomo na minha casa.
- 14:13Ou se quando eu tomo vinho, é o padrão de vida deles, não é o
- 14:18meu padrão de vida e não me faz mal nenhum.
- 14:21Eu não quero viver uma vida aqui.
- 14:23Eu não quero externar uma Riqueza que eu não tenho.
- 14:26E muitas vezes as pessoas tomam a minha vida pela medida das
- 14:29pessoas que eu convivo e não tem como.
- 14:34Não, 99% das vezes eu estou nessas nesses lugares, sim,
- 14:38trabalhando e não vivendo como uma vida que não é a minha
- 14:46realidade, que não é a minha verdade, que não é da onde eu
- 14:48vim e não é onde, talvez, não sei, não sei nem se é aonde eu
- 14:51quero ir. E você?
- 14:52Está ótimo com isso, bem tranquilo, está em casa.
- 14:57Ótimo. Maturidade, tranquilidade.
- 15:02Vou vou arriscar uma coisa pra você falar assim, eu já fui
- 15:05muito mais pobre e muito mais feliz e eu não sou um cara
- 15:08triste hoje, sou um cara feliz e realizado.
- 15:11Mas existe uma Inocência de um garoto cozinheiro.
- 15:16Quebrou tudo, quebrou tudo, quer dizer, rompeu com todos os
- 15:20States, mas e conseguiu ser de um de um país onde gastronomia
- 15:25não era, não era orgulho nem tema e virar.
- 15:31Pop no mundo chegar, né? Tá lá entre as 100 pessoas mais
- 15:36relevantes do mundo em 2013. Eu acho que foi pela revista
- 15:39time encontrar aquelas figuras lá e ali.
- 15:44Ali existiam muito menos dinheiro, uma Inocência e uma
- 15:48Felicidade de realização, que é outra coisa assim, dinheiro não
- 15:57é Felicidade, sucesso não é ter dinheiro.
- 16:01A gente tem que entender isso muito e olhar para trás e poder
- 16:04falar, eu vivi isso. É uma levanta com Ninja.
- 16:09Muito bom, você convive com pessoas.
- 16:13Vou vou usar os termos corretos. Você vive com pessoas que são
- 16:17relevantes no que elas fazem, que são biconcedidas, no que
- 16:19elas fazem, que elas reconhecem. Você te manda mensagem, liga
- 16:21para você, vai no teu restaurante, te convida pra pra
- 16:27você. Estar na casa delas.
- 16:30Eu mesmo te convidei agora pra gente fazer um negócio junto com
- 16:33a turma que a gente tem, que a gente está junto lá num grupo,
- 16:35tá onde? Isso não faz diferença.
- 16:39Ou seja, não importa se é rico, pobre, não importa se é
- 16:44experiente ou não experiente, não importa se tem dinheiro, não
- 16:47tem dinheiro no teu trabalho, onde isso não faz diferença.
- 16:52Você fala assim, cara, eu vou, eu, eu consigo, vou.
- 16:55Vou te responder isso de 2 maneiras assim.
- 16:59Uma coisa, quando a pessoa é meu cliente e ele entrou pela porta
- 17:02do restaurante, tá ok? Eu não vou cobrar mais do
- 17:05milionário porque ele é milionário.
- 17:08Eu não vou cobrar menos do endividado ou do coitadinho.
- 17:12Existe uma porta que é comercial, quem passou por
- 17:15aquela porta? E é eu não espero mais dele do
- 17:22que ele feliz. No final da refeição,
- 17:25remunerando uma equipe que se entregou. 100% aquele momento.
- 17:31Outra coisa é quando você convive com pessoas.
- 17:34E aí você tem pessoas que realmente te inspiram e que te
- 17:37fazem pensar no seu dia de amanhã.
- 17:43Essas pessoas que te inspiram, algumas têm grandes posses,
- 17:49outras não necessariamente, mas elas são efetivamente muito bem
- 17:54sucedidas. Então, uns dias atrás é eu.
- 18:00Eu tenho admiração tremenda pelo pelo Emicida.
- 18:04E às vezes eu olho e falo assim, cara, um cara de 58 anos,
- 18:09completamente fora dessa bolha, pode ter tanta admiração por um
- 18:13garoto com uma história tão diferente.
- 18:16Mas vivo essas dualidades mais uma vez, em paz.
- 18:19Estou em casa. Pô, ele me manda uma mensagem no
- 18:22Instagram ou me dá um? Eu peguei uma.
- 18:24Falei, pô, tá fazendo o quê, pô? Eu falei, quer vim jantar aqui
- 18:27comigo? Ele falou, quero, cara.
- 18:31E é, é, é. Que legal.
- 18:36Tem um cara que nem ele na sua frente e a maneira com que ele
- 18:42reflete do cotidiano da vida dele é a relação dele com.
- 18:48É os amigos, com os irmãos, com a mãe, é, e a gente trocando
- 18:54isso em casa. Caraca, é outra, é, é, tem outro
- 18:59valor, né? Sei.
- 19:01E no show do Emicida e ele rir pra você e brincar com você ou
- 19:04ele tocar na minha galinhada, é esse é o Emicida.
- 19:08Ali você desmontou tudo, você está com o Leandro.
- 19:10Exato. E o Leandro é o Leandro.
- 19:12É um cara com uma potência incrível, cara.
- 19:14Então, assim, tem coisas que que a vida me trouxe.
- 19:17Que são muito especiais? São muito, muito especiais.
- 19:19Eu usei o exemplo do Leandro, mas posso nominar outras 300
- 19:24histórias dessas é na minha vida.
- 19:27Vão de pessoas que eu admirava como figura, crescem como homem.
- 19:35Sim, né? Eu acho que esse, esse, esse,
- 19:38esse, esse pra mim é o. E o teu trabalho, né?
- 19:42O fato de você cozinhar o. O pretexto da cozinha tá fazendo
- 19:46o que? Quer almoçar comigo, o que quer
- 19:48ficar? Comigo eu vou fazer um pratinho.
- 19:50Esse pretexto é maravilhoso, né? Revela muita coisa.
- 19:53É um instrumento de sedução, de que você usa esse que você pode
- 19:57usar. É, eu não sou muito usador disso
- 20:00não, mas eu, se preciso for. Se me se me inspira, se eu tenho
- 20:05um aprendizado, eu, eu, eu quero.
- 20:07Eu tenho essas felizes coincidências, né?
- 20:10Que é essa coisa da vida aqui. Te encontrei, eu nunca imaginei
- 20:13que eu viria aqui, né? É, começamos com essa, essa
- 20:16conversa, falou assim, eu vou, vou a poucos podcasts, fui
- 20:19viajar, comecei a falei, pô, o cara é bacana mesmo, não falei
- 20:22nada, eu nem sei se você se lembra, uma vez eu encontrei, Oo
- 20:25Flávio Augusto me chamou, vai conversar, AI nós encontramos 2
- 20:28meses, eu falei, pô, esse cara deve ser bacana, e aí voltei,
- 20:31lembro de você me falar assim, pô, você vai em podcast?
- 20:33Ela deu, deu uma amarrada na cara, eu falei, não, não, não
- 20:36vou muito pouco. Que legal, né?
- 20:39Aí passou, um dia eu falei, quer saber?
- 20:40Eu vou ligar para ele e vou me oferecer.
- 20:41É, é muito legal, é outra história.
- 20:43E é tipo assim, não tem o menor problema, não tenho, não tenho o
- 20:46menor problema de chegar publicamente e falar assim, pô,
- 20:48o do Jota, eu pedi para ir, Ah, se saiu uma merda.
- 20:51Problema mesmo foi a minha escolha.
- 20:55Cara, é muito bom, ô, conta da galinhada.
- 20:57Minha assim, mas conta conta o todo.
- 21:01Quanto que tem ao redor desse negócio?
- 21:03Quanto o movimento conta? O contexto, o que que acontece?
- 21:07Eu vou fazer uma história longa, curtinha, tá?
- 21:09Galinhada, é um evento que eu faço é que começou de uma forma
- 21:13singela. É sábados à noite cozinhando
- 21:16para o meu time. É quando Giovani, meu braço
- 21:20direito, há 28 anos trabalhando junto, começou a fazer alguns
- 21:24pratinhos. Ele fez um dia uma galinhada e
- 21:27virou notícia. Entre as equipes com os anos,
- 21:30essa galinhada virou é um fato entre amigos de restaurante.
- 21:34Então, o pessoal do Fasano vinha, terminava o sábado à
- 21:36noite, vinha todo mundo comendo o dom e tinha aquela aura de
- 21:40amigos, um Mini evento 11, confraria de amigos, mas sempre
- 21:46muito com bebida, com música, com diversão.
- 21:50Era um momento de distensão das equipes.
- 21:52Entregamos a semana e vamos, vamos nos divertir.
- 21:56Isso foi crescendo, virou um tamanho que eu levei para dentro
- 21:59de dalvi dito dentro do dalvi dito durante 4 anos, 5 anos é a
- 22:03galinhada. Foi um evento brutal.
- 22:06Figuras grandes da música brasileira é tocavam na, na, na,
- 22:11na galinhada, nesse ambiente descontraído e gringos que
- 22:16vinham tocar no Brasil, é. Agarrados, no final da noite,
- 22:21tinha uma garrafa de cachaça rolando no chão e era era muito
- 22:25divertida a galinhada com os anos, a galinhada, eu parei de
- 22:29fazer todo final de semana, faço 12 galinhadas por ano, sempre
- 22:34muito divertidas. A coisa que menos importa é a
- 22:38receita da galinhada. A galinhada tem uma história
- 22:40muito bonita, ela. Vem do final do Carnaval e a
- 22:44Quaresma, onde antigamente não se bebia álcool e não se comia
- 22:48carne. Na Sexta-feira Santa, que é o
- 22:50último dia da Quaresma, depois da meia-noite, junta amigos,
- 22:55bebe, rouba um frango e faz uma galinhada.
- 22:58Essa, essa, então assim ele É Ela é.
- 23:01Apesar de efetivamente existir uma receita, existe uma
- 23:05celebração. E a celebração vou levando cada
- 23:07vez para um lugar. Agora na Copa do Mundo, estamos
- 23:11estamos trabalhando para fazer uma em Nova Iorque.
- 23:13EEE. Acho que vai ser uma boa
- 23:15galinhada. Agora você faz no Brasil?
- 23:18Faço uma por ano. Esse ano já foi.
- 23:21Não, esse ano eu não fiz ainda. Talvez eu faça de Nova Iorque,
- 23:23não sei se se. Ah, então de desse ano vai ser
- 23:26em Nova Iorque, tá? Não pode ser que pode ser que
- 23:28ela não aconteça em Nova Iorque, acabe virando para cá.
- 23:30A gente tentou exatamente nessa semana.
- 23:32É do da, da, da, da, da galinhada.
- 23:34É. Nós estamos num momento, é do
- 23:37mundo. Diferente com guerras.
- 23:39Com é, nós estamos operando custos muito altos, não só por
- 23:44conta da nossa moeda, mas é a demanda sobre espaços.
- 23:49Em em Nova Iorque, explodiu, é. O sonho é fazer essa galinhada
- 23:54no dia 12 de junho, em em em new Jersey, não, desculpa, No No
- 24:01Brooklyn é no dia 11, começa a copa.
- 24:06No México, dia 12, eu faço galinhada, dia 13 é o primeiro
- 24:09jogo do Brasil in new Jersey. Então tá tudo montado pra
- 24:16acontecer isso. Mas a gente hoje tá com essas,
- 24:19com essas inseguranças, com esses medos e vamos levar.
- 24:24Vai sair uma galinhada? É provavelmente no dia 12, em
- 24:28Nova Iorque. Existe uma vontade grande de
- 24:33votar ela para o Brasil, assim é hoje, neste momento eu não gosto
- 24:38de fazer sem meus amigos e tem uma turma que faz parte da
- 24:41galinhada e pelo menos 2 pessoas revelaram uma certa insegurança
- 24:45da gente fazer 111 deles. Eu vou falar um milagre, eu não
- 24:48vou falar, o seu Antônio falou, porra, Alex, nós vamos fazer um
- 24:50em Nova Iorque com o Irã e com Israel jogando a copa, você tem
- 24:54certeza disso mesmo? Então assim, olha que você
- 24:57escuta um cara que você admira aqui, você olha.
- 25:00E te olha e fala desse jeito? Tem que pensar, né?
- 25:02Tem que pensar, tem que pensar, tem que tem que medir.
- 25:05Então a gente mas estamos. Vamos viver assim?
- 25:07A gente não, não toma, não toma decisão no canal da emoção.
- 25:10Boa, muito bom. Atala teve alguma coisa que você
- 25:15mudou de ideia no último ano, alguma coisa que você tinha como
- 25:18certa e você hoje você repensa? E você você fala, putz.
- 25:23Se a vida se a vida fosse estática, ela era muito sem
- 25:26graça. Você tem a capacidade de de de
- 25:28se adaptar. É, é uma grande virtude olhar
- 25:31para trás e falar em ri é louvável.
- 25:34É. Então assim, se tivesse, eu sei
- 25:37que a seca por ordem cronológica ou por ordem alfabética.
- 25:41É a minha listinha. A lista é grande.
- 25:45Mas pega uma assim que tá mais óbvia para você.
- 25:51Eu vou te não sei se eu vou conseguir falar de uma só.
- 25:54A primeira que eu vou falar é idade, né?
- 25:58O que que é ficar velho? O que que é?
- 26:01É. Sou um cara com 58 anos, né?
- 26:06Faço tudo, luto Jiu Jitsu, pego onda, faço, ainda tenho uma vida
- 26:11atlética que eu acho que pra minha idade eu faço direitinho,
- 26:18é. O meu pai com 60 não tinha desse
- 26:23jeito e não faz tanto tempo. Meu pai tem tem 90 há 30 anos
- 26:26atrás, um cara de 60, não tinha performance que tem hoje, na
- 26:30verdade um cara de 60. Então o mundo mudou.
- 26:34Isso vai te trazer de um lado um aspirar um sonho mais longo, mas
- 26:42hoje fazer um projeto. Eu sou capaz de fazer um projeto
- 26:44hoje para 30 anos, vendo meu pai como ele está hoje, com 90, ele
- 26:48está bem. É 90, não é um garoto, mas tá
- 26:54bem. Isso quer dizer que vou estar no
- 26:56mínimo igual a ele. Tenho coragem de fazer um
- 26:58projeto para tentar sem também tenho que olhar, fala.
- 27:04Caraca, dá pra errar com 60? Com 40 você tem.
- 27:10Você é muito mais destemido do que com 60.
- 27:15É muito, muito 40 não tinha medo.
- 27:19Um 40, fala, pô, se eu quebrasse e se eu falei, tá tudo bem, eu
- 27:22levanto de novo, dá tempo, com 60 você vai olhar e falar, pô,
- 27:26será que eu tenho gás pra mais uma vez virar a mesa?
- 27:29É com mesmo, com essa segurança de que eu vou aos 90 a ser mesmo
- 27:33com a coragem. Um dia a vida você fica mais
- 27:36reflexivo e a idade vai te trazer outros contornos.
- 27:40É olhar pra trás da sua vida, é e.
- 27:48Contar riquezas ou experiências positivas não é ruim.
- 27:54A diferença do cara bom e do cara ruim é que só o cara bom
- 27:58superou as coisas ruins. As coisas ruins vem pra todo
- 28:00mundo. Essa é boa, todo mundo tem seu
- 28:03perrengue e a gente não tem vacina contra ele.
- 28:07Então essa essa força é essa, esse drive a gente tem que ter.
- 28:14Coisa ruim, coisa boa, o homem. Que é bom, superou as coisas
- 28:19ruins. Só o cara bom superou as coisas.
- 28:22Ruins, só o cara bom. É o ruim.
- 28:23Ficou lá no ruim, ele a vida travou.
- 28:26Ele lá puxou, ó ele não. Ele não se desprendeu daquilo,
- 28:30né? Não superou, não virou, não, não
- 28:32venceu. Qual que é a tua escola, tua
- 28:35escola gastronômica? Qual que é a origem dela?
- 28:40Vamos, vamos lá. Isso de uma família muito
- 28:42simples. É de um avô que me que eu tinha
- 28:45uma ligação muito forte. Era 111 homem grande, europeu,
- 28:50né? Militar é Pescador, Caçador
- 28:56todo, né? E eu tive uma ligação com esse
- 28:58cara muito, muito forte. Por outro lado, um cara
- 29:00completamente terno, amigo. E cozinheiro gostava de
- 29:06cozinhar. O que na minha, dentro da minha
- 29:08família, dentro da do, do, do, do do lugar que eu que eu vim
- 29:11cozinhar, não era coisa de homem.
- 29:14Então meu avô foi o primeiro cara que desmonta essa esse
- 29:18modelo. Pai do teu.
- 29:21Pai da minha mãe, pai da tua mãe, pai da minha mãe.
- 29:23O pai do meu pai eu não conheci. É?
- 29:28Então teve, teve. Essa é a primeira coisa.
- 29:32Meu avô morre. Eu.
- 29:35Viro do punk rock alternativos. Vou pra Europa me negando a ser
- 29:43me negando é não me reconhecendo brasileiro, não me dando valor
- 29:46como brasileiro. Eu queria ser igual os caras que
- 29:49eu via nas revistas, que eram brancos, magrelos, tatuados, de
- 29:53cabelo espetado. Eu falei, cara, eu quero citar
- 29:55ele, eu quero ser DE eu sou assim, só me entregaram no lugar
- 29:58errado. Eu nasci em São Bernardo, eu
- 30:00cresci em São Bernardo, eu era o único ruivo da escola.
- 30:05Existia eu, eu, eu. Eu cresci numa coisa de
- 30:09qualidade, de ser o diferente da turma.
- 30:11Vou até a Europa, chego lá, me enlouqueço, enlouqueço.
- 30:14Eu nunca tinha imaginado que uma padaria que só podia vender pão,
- 30:20isto é, Europa, né? Aqui a gente padaria numa loja
- 30:25de conveniência e já era na nossa infância.
- 30:29Enlouqueci quis viver aquilo. Queria ver música, queria
- 30:33participar de shows, queria. Fui movido por esses, por esse
- 30:36sonho. E eu tinha 2 que enfrentar 2
- 30:39coisas, a primeira a ganhar grana e para ganhar grana eu fui
- 30:42pintar a parede, fui trabalhar em obra e o segundo era ter um
- 30:47visto não ser mais um Imigrante legal naquele cenário.
- 30:54Para tirar um visto, eu precisava, eu podia fazer uma
- 30:56escola profissionalizante. E aí eu descobri que você podia
- 31:00fazer escola de cozinha, porque tinha um dos caras que
- 31:02trabalhavam comigo que fazia escola de cozinha.
- 31:05Falei, caraca, eu gosto desse negócio, vou fazer escola de
- 31:08cozinha. E por ser um pouquinho mais
- 31:10velho do que a garotada que fazia, eu já tinha tinha alguma
- 31:13desenvoltura por conta do meu avô.
- 31:14Eu consegui me dar bem. E aí tive as primeiras ofertas
- 31:19de trabalho. A hora que eu comecei a ganhar
- 31:21dinheiro cozinhando, cozinhando, muito mais legal que pintar a
- 31:24parede. Falei, pô, vou nessa daqui,
- 31:26velho, fui nessa. E fui trabalhar em alguns
- 31:29lugares. Um desses lugares é, já era um
- 31:32restaurante no gastronômico, é, os produtos de estação eram
- 31:38muito relevantes. Então assim comprava, se é é
- 31:41verduras frescas, é no verão de um cara, no inverno, no
- 31:45primavera de outra e na época das trufas e dos cogumelos.
- 31:49E eu comecei a entender o quanto essa relação do cozinheiro com o
- 31:53pequeno produtor ou com com a sua rede de fornecedor, ela é.
- 31:58É uma rede de interdependência e que ela respeita a sazonalidade.
- 32:05Coisas que eu muito parecidas com o que eu tinha Aparecido com
- 32:07meu avô. E aí eu fui mergulhando cada vez
- 32:10mais na cozinha e fui internando que a cozinha podia botar
- 32:13diferentes facetas da minha, da da minha personalidade em
- 32:17Harmonia. O garoto contestador OA atitude
- 32:22do punk rock a classe é. Do inglês que gostava de caçar.
- 32:30É diferentes. Diferentes facetas entravam em
- 32:35comunhão de uma forma elegante e deliciosa.
- 32:39E aí eu tive que me readaptar, tive que me reeducar, porque a
- 32:43cozinha eu era do punk rock. Eu era maluca, não tinha
- 32:47horário, eu não tinha. E fui parar no mundo que é
- 32:50super, era super militarizado. E aí eu descubro uma outra
- 32:54coisa, que é quanto me organizar, me ajudava, deixava
- 32:57minha vida mais fácil, como a organização me dava
- 33:02Independência. É tudo isso.
- 33:08Com os anos vai virando uma identidade.
- 33:11Eu volto para o Brasil, super brasileiro, vou moro na França,
- 33:14moro na Bélgica, na França, na Itália.
- 33:16Quanto tempo 6 anos é no total 5 anos e quase 6 anos é.
- 33:22Caso com uma brasileira que italiana, ela fica grávida.
- 33:27Voltamos para o Brasil para ter nosso primeiro filho.
- 33:30É e eu volto para o Brasil escutando e sai punk.
- 33:35Voltei escutando Gil e Caetano. Uma ressignificação de cultura
- 33:40passa por mim. É.
- 33:42Mas ali você já era cozinheiro? Já era cozinheiro todo o tempo,
- 33:45foi cozinheiro todo o tempo cozinheiro.
- 33:47Encaixou, não foi? É, atirei no que vi, acertei no
- 33:50que não vi e joguei no seguro, né?
- 33:52Nunca mais arrisquei outro tiro, tá?
- 33:54É, volto pro Brasil super brasileiro, mas se a gente tá
- 33:59falando de 1000, 9949394, onde a cozinha brasileira não, ainda
- 34:05não era cintilante o que a gente tinha no cozinhas.
- 34:08É italianas e francesas nessa cena de fine Dining, né?
- 34:11Você queria impressionar alguém? Você levava ela num restaurante
- 34:14francês ou num restaurante italiano e vinha com uma bagagem
- 34:17muito boa. Eu sabia fazer o que poucas
- 34:20pessoas sabiam fazer naquele momento, sem, na grande maioria,
- 34:23franceses e italianos. Então resolvi começar a fazer
- 34:28comida, trabalhar, trabalhar em restaurantes e fui conhecendo o
- 34:32trabalho de franceses e de alguns chefes italianos que
- 34:35faziam comida. Francesa, basicamente francesa,
- 34:39com ingredientes brasileiros. E aquilo foi começando a me dar
- 34:43mais coragem, mais poder, porque eles sabiam muito de cozinha,
- 34:49mas quem sabia de Brasil era quem tinha aqui dentro.
- 34:52O Brasil fui eu. Tenho uma história engraçada, eu
- 34:56como sempre gosto de contar. O Jacquin um dia olhou para mim,
- 34:59é Jacquin, tem 11 humor ácido, tem uma sagacidade, uma
- 35:03velocidade. Ele, a gente não morava, nem eu
- 35:06nem ele. Estávamos longe de ser chefes, é
- 35:09reconhecidos. Ele olhou para mim e falou, até
- 35:12lá vai fazer comida brasileira. Você nunca vai fazer comida
- 35:14francesa tão bem que nem eu, e não o que me pareceu quase que
- 35:18uma arrogância, uma uma desvalorização ou uma
- 35:24diminuição. Me deu uma vitamina para uma
- 35:28coisa para ela. Por que que eu não faço comida
- 35:29francesa que nem ele? Uma receita francesa você fazia?
- 35:33Agora, um jantar a las franceses.
- 35:35Não, não tenho dúvida nenhuma que o jacão é capaz de fazer uma
- 35:38feijoada ou uma galinhada. A receita?
- 35:41Montar uma galinhada que nem a monta.
- 35:43Ele não vai fazer nunca na vida. Quem entende, quem tem esse
- 35:48humor, quem tem essa história, somos nós, brasileiros.
- 35:51É. E aí eu fui acreditando nessa
- 35:54cozinha de. Base europeia com ingredientes
- 35:58brasileiros. E fui cada vez mais atrevido.
- 36:01E este meu atrevimento também era reconhecido não só pelo
- 36:04público, mas pela mídia e, principalmente por uma mídia
- 36:07Internacional, por uma série de motivos.
- 36:10É jornalistas do outro, do do, do, do velho mundo ou das vinham
- 36:16para o Brasil e queriam comer a comida daquele cara que era
- 36:19diferente. E aí?
- 36:22Aí foi quase que um goleiro sem gol, né?
- 36:24Um gol sem goleiro. Desculpa, é?
- 36:26Foi uma corrida pra pra pra uma Escalada incrível.
- 36:30Que mais legal do que ter feito é saber que ela deixou abriu
- 36:33portas hoje é, eu fiz 1111 coisa para o Netflix há anos atrás, 11
- 36:42episódio que eu falo que assim meu grande sonho 8 anos atrás
- 36:45era que as pessoas que a cozinha brasileira era um sonho viável.
- 36:51E hoje, 8 anos depois, eu não preciso falar, está aí.
- 36:56Hoje a gente tem 2 restaurantes 3 estrelas Michelin em São
- 37:00Paulo. É hoje a gente eu vejo garotos
- 37:02que vem estagiar comigo com o mesmo interesse na cozinha
- 37:06tradicional brasileira do que na cozinha tradicional francesa,
- 37:10italiana. É muito, é eu.
- 37:12E aí aí eu falo assim, eu vivi isso.
- 37:16E aí aí é. Influenciou?
- 37:20Eu acho que eu fiz parte, foi uma, foi uma engrenagem desse,
- 37:23desse motor aí. E vivi, vivi, é o mais legal.
- 37:28Você fala assim, pô, eu tava no jogo do contra o Brasil, foi
- 37:32campeão do mundo. No meu jogo, na minha estava,
- 37:38sabe, cara? Estava lá a gastronomia
- 37:41brasileira no mundo todo, a gente sabe que Estrela Michelin
- 37:47é um prêmio. É um prêmio, é um
- 37:49reconhecimento. É um reconhecimento.
- 37:51Mas a gente não sabe no detalhe a maior parte das pessoas.
- 37:54Nem eu sei tudo que eu falar daqui para frente é um guess, é
- 37:58mesmo, é um achismo, sim, vou te dar um, vou dar um exemplo bom,
- 38:01vamos lá, eu sou o primeiro cara que da América Latina que ganhou
- 38:052 estrelas Michelin há 11 anos atrás.
- 38:08Antes disso, não existia guia Michelin no Brasil, tá?
- 38:10Já existia Centenário, existia na Europa, existia nos Estados
- 38:13Unidos, mas nas Américas, na América Latina, desculpa
- 38:16falando, não tinha ninguém. Aí o guia Michelin desembarca em
- 38:21São Paulo e Rio de Janeiro. Presta atenção, São Paulo e Rio
- 38:24de Janeiro não é nas no estado, é na cidade.
- 38:28Então, a primeira coisa que eu tenho para falar, as pessoas
- 38:30falam assim, Ah, mas o guia michelana, de repente o cara tá
- 38:34em São Bernardo do Campo, o cara tá em Petrópolis, ele não, ele
- 38:36não será visitado pelo guia Michelin.
- 38:39É uma política deles, é um acordo deles com as prefeituras
- 38:42e muita gente é penalizada por por isso.
- 38:44Sim, se o Michelin cobrisse outro.
- 38:47Esse Brasil na sua totalidade, com certeza teríamos mais
- 38:51restaurantes e chefes melhores, melhores colocados dentro dessa
- 38:55realidade. São Paulo, Rio de Janeiro, fui o
- 38:57primeiro e tem mantenho essas estrelas há há há 11 anos.
- 39:01É você fala, Alex, quer terceira Extrema, lógico, lógico, sim,
- 39:07tenho esse sonho. Pô, fez mal você não ganhar?
- 39:12Não, não, você queria aqui. É incrível.
- 39:16Eu queria estar do lado do do do Ivan, Luis Felipe, e ser junto
- 39:19com eles as os. Os primeiros brasileiros a
- 39:22ganhar, os primeiros americanos a ganhar.
- 39:27Perdi talvez um momento histórico.
- 39:28Perdi. Acabou a possibilidade de ser 3
- 39:31estrelas. Então, como ela existia há 11
- 39:35anos atrás, como ela existe hoje, ela existirá por muitos
- 39:38anos e eu vou perseguir esse sonho e é incrível.
- 39:43Com uma coisa que eu vou te falar assim, me considero um
- 39:46cara muito realizado e a jornada é mais legal que o destino.
- 39:54O que eu falei para você pouco tempo atrás?
- 39:56Do garoto que quebrou tudo e que ali existia uma Felicidade
- 40:00genuína desapegada de qualquer outro valor que só de caraca,
- 40:05eu, eu, eu quero continuar tendo sonhos, eu quero continuar,
- 40:08então. O dia que escreve Michelin ela
- 40:12vai ser chegar, ela vai ser muito celebrada, mas eu não
- 40:14quero esquecer do desejo e quero manter.
- 40:17AAAA flama essa, essa vontade acesa e viva, forte, potente.
- 40:25É, é por ano, é por. Ano, todo ano.
- 40:28E premier, o que eu não sei. Eu realmente não sei.
- 40:30Premier, o que é um prato? É um restaurante.
- 40:32É OOO guia Michelin, faz. Ele tem categorias, então vai
- 40:37falar Bibi gourman bom e barato. Né?
- 40:39Ele é. Então assim, quem é?
- 40:41É uma indicação. Aí você tem os indicados,
- 40:44restaurantes que são bons e que eles reconhecem como bons.
- 40:47Uma Estrela Michelin dentro dos dos parâmetros Michelin.
- 40:51Se você está passando por ali, vale a pena parar 2 estrelas
- 40:56Michelin. Se você está passando por ali,
- 40:57tem que parar. Tem que parar 3.
- 40:59Estrelas Michelin, vale a pena fazer uma viagem para aquele
- 41:02destino? Por que que eles montam mais ou
- 41:05menos essa 123 estrelas passando?
- 41:08É, tem que parar ou pode parar ou vale AO destino, porque eles
- 41:13eram uma empresa de eles são uma empresa de pneu há 100 anos
- 41:17atrás, esse esse guia nasceu para vender pneus e fazer as
- 41:21pessoas viajarem. Era era ele, era um serviço de
- 41:24viagem? Sim, é com um intuito comercial.
- 41:27Lógico, passam se 100 anos, o que eles avaliam é a qualidade
- 41:32de comida EE serviço. O que diferencia uma Estrela 2
- 41:37estrelas? 3 estrelas?
- 41:39Eu não sei. Se eu soubesse eu teria 3
- 41:41estrelas. Eu me sinto muito confortável em
- 41:42poder falar isso. Eu realmente não sei e ninguém
- 41:45vai me interpretar porque eu já tenho 3 estrelas no Brasil.
- 41:47Às vezes acho que tem restaurantes de que tem uma
- 41:50Estrela que mereceriam efetivamente mais, mas esses
- 41:55quesitos são são subjetivos, a gente não sabe.
- 41:59É, existe um grupo de chefes no WhatsApp pra falar, olha aqui,
- 42:04os os caras do Michelin estão aí, eles veem, eu soube check a
- 42:08tal nome, tem uma possibilidade, então nem olha e eu não desfaço
- 42:14deles. Só que eles são jovens e querem
- 42:17ter essa busca pela Estrela. Eu não vou olhar, eu vou olhar
- 42:19assim, se o dia que meu restaurante for 3 estrelas, é
- 42:22porque eu vou ter certeza que eu cheguei na excelência e todo
- 42:26mundo recebeu o mesmo tratamento.
- 42:30Eu falo que assim, antes de eu ser exigente com os outros, eu
- 42:33tenho que ser exigente comigo mesmo antes.
- 42:35É lógico. E aí é como se fosse 11 juiz que
- 42:40não avisa quando que vai comer no seu restaurante, vai lá e
- 42:43come. E não se apresenta.
- 42:45É como é igual do filme Ratatouille.
- 42:46É pior? É.
- 42:49Pior porque é menos caricato. Cada vez mais.
- 42:52Senta. Senta, você não tem um padrão de
- 42:55consumo, não tem um perfil de consumo.
- 42:57Então, assim, no ratatou é sempre, o cara está sozinho, não
- 43:00é verdade? Ah, no cara, no ratatou, ele
- 43:02joga um garfo no chão para saber se o garçom, essas coisas já
- 43:07saíram da televisão, elas já não vão mais estar presentes.
- 43:10Então você. Ah, ele está?
- 43:12Exatamente. E é para a gente, é, é.
- 43:18É um tiro no escuro. A gente não sabe quem vem, se é
- 43:21estrangeiro, se é brasileiro, por língua que ele fala, se é
- 43:24uma ou 2 pessoas, ou podem ser mais.
- 43:25Se numa mesa grande pode ter um cara, você vai no almoço, você
- 43:29vai no jantar e eu de verdade, não procuro.
- 43:33As 2 que as 2 que você ganhou foram.
- 43:36Eu tenho, mantenho e aquilo fala assim.
- 43:38Não foi assim, né? Você estava trabalhando, a
- 43:40pessoa apareceu lá, você não ficou sabendo e de repente você
- 43:42recebeu. Sim, sim.
- 43:45Eu todo e. Mas a gente tem medo todo ano,
- 43:47todo ano a gente tem uma história assim, tem medo de
- 43:49perder, porque perder a Estrela e me chamar se eles podem?
- 43:52Ir lá e tirar. Sim, sim, você pode ter uma
- 43:57Estrela hoje e não ter mais amanhã.
- 43:59Ou você pode ter 2 e virar uma só sim, você convive com esse,
- 44:03com essa pressãozinha extra ainda.
- 44:05Ah, eu. Não sabia?
- 44:06Né? Todo ano, todo ano, se você não
- 44:08você reconquista as estrelas que você tem o banha a mais.
- 44:12Ou até? Ganhe dinheiro ou tá lá?
- 44:16Vou te falar, essa é uma pergunta de milhões, é numa
- 44:22conta reta, não. O custo de você manter um
- 44:25restaurante é, ele não fica mais rentável, é porque você ganhou
- 44:31mais responsabilidade, mais responsabilidade é igual mais
- 44:34custo, né? Sim.
- 44:37Então, historicamente não são um restaurante super.
- 44:41Rentáveis. Os restaurantes gastronômicos.
- 44:43Quer dizer que vão mal? Volto a falar, mas não são
- 44:46restaurantes, não são negócios. É a economia.
- 44:50Diz que ela favorece muito mais. Não.
- 44:52Eu digo, o dinheiro da Estrela, a Estrela me chama de paga.
- 44:55Não, não. Então vamos lá seguir uma
- 44:59Estrela. Aí o cara não avisa, legal, você
- 45:02tem um título? Esse título, poxa, é um é um
- 45:05baita de um chamariz que de um reconhecimento, você pode perder
- 45:09esse título. Tem que se cadastrar.
- 45:12Não, eles é tudo, eles fazem. Dá na Telha.
- 45:16Dá na Telha eles. Eles que eles vão fazer muitas
- 45:20visitas por São Paulo, pelas cidades que eles fazem as
- 45:24inspeções. E é na Tailândia, tem uma mulher
- 45:29que é que é comida de rua E ganham.
- 45:31Você lembra? Chama Bangkok, tem uma mulher
- 45:36que é. É mesmo?
- 45:38Comida de rua? Tem tem algumas coisas aí que
- 45:42não que não é é. Agora volto te falar, a priori,
- 45:49o as estrelas, quanto mais mais reconhecimento, mais ônus pra
- 45:54sua operação. Por outro lado, se você tinha
- 45:57uma operação vazia, que já era deficitária por falta de número
- 46:02de clientes, talvez você, com as estrelas começa, comece a sonhar
- 46:05com a viabilidade econômica daquele negócio.
- 46:10Dá para afirmar que um restaurante que tem Estrela
- 46:16Michelin, ele consegue, ele consegue vender mais?
- 46:22É uma. É uma correlação direta.
- 46:23Eu acho que quando você chega com 2 e 3 estrelas, sim, uma
- 46:27Estrela ainda já te coloca muito bem, mas não dá para falar se
- 46:30você vai vender mais. Mas já com 2 estrelas e 3
- 46:33estrelas, sim. Por exemplo, alala as minha
- 46:34esposa que você conheceu ela? Ama cozinha, ama, ama, é hobby,
- 46:40quer fazer curso e assim por diante.
- 46:42Ela, nas viagens, ela fica ligada nisso, sabe?
- 46:46E aí vira e mexe ela, pô, vamos ali, que é aquele restaurante
- 46:49ali tem uma Estrela Michelin, ela leva muito, eu não percebo
- 46:54porque quem escolhe ela, né? Mas quando ela fala que tem
- 46:58Estrela Michelin, Ah, o legal, é como se fosse uma medalha
- 47:02olímpica assim, né? Uma medalha olímpica, um cara
- 47:05medalho. O cara medalhou e aí falou, pô,
- 47:08legal é. O cara já é medalhista ali, pô,
- 47:11bacana. Qual é o teu prato estourado no
- 47:14mundo? E por quê?
- 47:16Eu faço umas perguntas. Minhas.
- 47:19Para entender o fator viral. Da coisa tá?
- 47:23Vamos lá, vamos lá. Fator viral eu acho que é
- 47:24importante. O prato viral que eu tenho é um
- 47:28pedaço de abacaxi cru, com uma Formiga em cima.
- 47:30Muito bom. Cara, é assim, eu não cozinhei.
- 47:34Essa é a primeira coisa que eu falo.
- 47:35É verdade, está os 2 estão Cruz e eu simplesmente coloco um em
- 47:38cima do outro e dou pra você como é?
- 47:40Mas como que isso pode ser uma coisa?
- 47:41Que então tem a história do AA? Formiga de abacaxi com uma
- 47:47Formiga. Em cima, uma Formiga saúf em
- 47:50cima. E essa Formiga tem naturalmente
- 47:52gosto de Capim Santo, mas naturalmente de deixar hálito de
- 47:56Capim Santo como 11 bala de meta aham.
- 47:59Você que a pessoa tá comendo, você sente aquele cheiro é a
- 48:02mesma, é a mesma. Eu aprendi com os indígenas, com
- 48:06a dona brazi 111, indígena Abaré, lá de são São Gabriel das
- 48:10cachoeiras. Aprendi a usar com ela, comecei
- 48:13a usar em restaurante. E isso foi viral.
- 48:17Porque é que ele foi viral? Um jornalista francês que
- 48:22escreveu, uma coisa que eu gostei muito é, já existia no
- 48:26mundo pessoas que comiam inseto. O México sempre comeu, a China
- 48:30sempre, comeu, a Tailândia sempre, mas não existia numa
- 48:33cena de restaurantes gastronômicos, e ele faz essa
- 48:38comparação de você pegar uma Formiga e colocar num cenário
- 48:43gastronômico. Como dar uma nova cor a um
- 48:45pintor? Porque era 11 leque de
- 48:48ingredientes que não a gente não acessava.
- 48:50Era uma paleta de cor que não tava presente no nosso.
- 48:56Não, não está disponível para todos nós.
- 48:57E a partir do momento que eu coloco, a que eu coloco a
- 49:00Formiga, chefe do Japão, chefe da Dinamarca, chefes do mundo
- 49:04inteiro começam chefes, grandes chefes, grandes referências,
- 49:08começam a usar insetos nas suas comidas.
- 49:11Tem um lado sustentabilidade sim, né?
- 49:15A proteína mais barata e mais amiga do meio ambiente
- 49:18efetivamente é a do inseto, porque isso não é dado meu, esse
- 49:22é da FAO, tá? Aí você fala assim, então vamos
- 49:27comer com todo mundo, vamos em restaurante fazer degustação de
- 49:30um, certo? Não, não, não vamos confundir a
- 49:35fome com o mundo e uma proteína barata de qualidade com fine
- 49:40Dining, assim como caviar, não dá para matar a fome do mundo.
- 49:44Formiga não veio para agora. Ela, Ela Foi um ponto de virada.
- 49:48Ela é efetivamente 11. Inovação, não uma novidade.
- 49:53É isso, é inovação. Isso aí você tá como que é tudo
- 50:02cruzando? Como que essa Formiga é feita,
- 50:05por exemplo, é, ela é frita, ela é.
- 50:10Ela é crua, ela. É uma Formiga morta.
- 50:14Ela, então vamos lá. Ela é viva.
- 50:16Vamos lá, então vamos, vamos. Vamos começar a falar assim.
- 50:20Algumas etnias indígenas comem insetos na grande maioria.
- 50:25Nas dietas dos nossos povos originários AAA, os insetos
- 50:30estão como fonte de proteína. Na Na ausência de uma proteína,
- 50:34de outra proteína ou no momento de fome, ele come.
- 50:38Aquela proteína é essa Formiga salva.
- 50:43Para uma determinada região, que é OA cabeça do cachorro alto rio
- 50:46Negro, 2 ou 3 etnias, tem ela não como fonte de proteína, mas
- 50:51sim como tempero. Tempero é.
- 50:56É alguma coisa que você coloca e traz sabor.
- 50:58A massa, essa, essa, essa forminha tem gosto de Capim
- 51:01Santo, então você come ela com peixe.
- 51:03Parece que você tá comendo peixe com Capim Santo.
- 51:06Então ela não é. Ela não tem só a função de levar
- 51:08proteína, de ser 1111. Ela não tem só a atividade
- 51:12nutricional, ela tem sim, a gastronômica, mesmo que seja
- 51:15para uma comunidade, é indígena. Os indígenas comem e pegam ela,
- 51:21então eles vão lá e colhem. Elas como é que ele colhe ela?
- 51:24Ele vai no Formigueiro e fica dá uma bagunçada No No.
- 51:28Esquenta. Não mexe um pouquinho, não mexe
- 51:31na novas coisas, vai enfiando o palitinho, elas mordem os
- 51:34palitinhos. Ele vai na água, joga.
- 51:36Quando ela cai na água, ela entra num estado de dormência.
- 51:39É uma defesa do animal. Tá ela.
- 51:42Dá uma desmaiadinha assim. Fins de morta, tá?
- 51:44Se eu tirar ela da água e deixar ela ali, ela sai andando e vai
- 51:46embora, tá? Os índios então pegam ela, levam
- 51:50e comem ela daquele jeito. Tá, tira da água e come.
- 51:55Tira da água e come, vai, vai usando desse jeito EEEE, ele não
- 52:00acumula, ele todo dia tem. Ele não mata mais peixe do que
- 52:04ele vai comer, ele não mata mais, forminha que ele vai
- 52:05comer, ele pega o que ele precisa para aquele dia.
- 52:10Mas eu queria trazer, então eu comecei pedir para que eles Ah,
- 52:14quando botassem na água e ela entrassem nessa dormência, eles
- 52:17colocassem então um Freezer e mandassem para mim.
- 52:20Mas eu tenho que ser responsável.
- 52:23Manda ele fazer uma pesquisinha pra falar assim, Formiga faz
- 52:26mal, ela pode carregar uma doença.
- 52:28O que que é isso aqui? Pode ser preso por causa disso
- 52:30aqui. E aí eu fui entender que não
- 52:32tinha grande problema, mas sim que tem um risco de carregar o,
- 52:36por exemplo, protozoários, e que ela precisava ser esterilizada e
- 52:41eu posso cozinhar ela e talvez esterilizada, talvez não seja
- 52:44seguro, mas que se eu fizesse um nitrogênio líquido.
- 52:48Eu IA fazer um flash shows, IA fazer um descongelamento muito
- 52:51rápido, que nenhuma bactéria IA viver.
- 52:54IA suportar aquilo Oo protozoário, principalmente
- 52:58protozoário, e que aquilo podia me dar a segurança alimentar, já
- 53:01que não existe regulamentação, certo?
- 53:04Pode ser que amanhã me multem porque eu estou usando uma
- 53:07proteína de origem animal que não está regulamentada, mas o
- 53:10fato é que ela não está regulamentada e eu tomo os
- 53:14cuidados para que não fazer mal. Eu estou levando uma coisa que
- 53:16não tem histórico. Pra mesa não tenho.
- 53:19É? Eu tenho.
- 53:20Eu, eu tenho que ter alguma responsabilidade.
- 53:22Então se amanhã regulamentarem e falarem o Alex não pode usar
- 53:24mais Formiga, não usarem mais instantaneamente.
- 53:27Mas até lá ela não está regulamentada e eu vou usar e
- 53:30vou ser sempre muito claro, direto o que eu uso, porque eu
- 53:35uso quando eu uso. E a tua ideia de pegar um pedaço
- 53:39de abacaxi e colocar uma Formiga em cima e falar, tá, tá aqui o
- 53:42prato? Da onde que vem?
- 53:44Então? Vamos lá, é.
- 53:45Nós temos a história da tanajura, da içá sim, que é uma
- 53:49Formiga que dá aqui no vale do Paraíba da no Brasil em vários
- 53:52lugares do Brasil onde as crianças antes de uma chuva a
- 53:55Formiga sai voando é as novas rainhas saem voando eras Dubai
- 53:59bate dia dela grande por isso tanajura o nome tradicional
- 54:05indígena dela ou. Local é tanajura é, eles vão
- 54:11fritam a elas, né? Fazem ela e ela dá uma coisa
- 54:14meio pipoca, meio um sabor amendoado.
- 54:18Isso sempre existiu, é, faz parte da nossa, no estado de São
- 54:22Paulo. Acho que todo o vale do Paraíba
- 54:24a começar é, ou seja sim que nós comíamos é formigas e outros
- 54:31insetos. A gente só não sabia que a gente
- 54:35comia, é. E este é o ponto, não é tão novo
- 54:39assim. Esta crua, tem um outro sabor e
- 54:44tem umas coisas divertidas quando a gente fala de comer
- 54:46insetos. Se você entrar agora no seu
- 54:48Google e colocar é a presença de insetos na alimentação, você,
- 54:57clara, facilmente vai achar 2 informações.
- 55:00É 74 partes por milhão de insetos são aceitos.
- 55:06No chocolate é FG, né? 74 partes por milhão, 74 partes
- 55:13por milhão. PPPM, né?
- 55:14Parte por milhão é, é aceito no chocolate comercial, 86 partes
- 55:22por milhão no pirat bran, no, no, no, no é e conforme o lugar
- 55:28que você tiver no mundo dentro de uma estrada do do do molho de
- 55:32tomate é aceitável pelo de rato. Sim, a ele foi esterilizado.
- 55:39Ele passou por um processo, só que No No processo de
- 55:43transformação do alimento sim, que pode acontecer.
- 55:45Então, como você põe 74 por partes por milhão, 86 partes por
- 55:51milhão ou em x toneladas de de de molho de tomate, pode conter
- 55:57um pelo de rato. A gente come inseto.
- 56:03Eu dei uma aula muitos anos atrás na eu vou te falar uma
- 56:05coisa, comer. Inseto aí, pessoal?
- 56:07Vocês comem certo? Tá só pra vocês saberem.
- 56:10Vou falar de uma forma mais dura, mais dura.
- 56:13Comer inseto é nojento. Tão nojento quando você pega um
- 56:17iogurte industrial de morango e dá pro seu filho comer.
- 56:23Provavelmente Oo vermelho do iogurte de morango, como de
- 56:27vários outros alimentos, vem de um inseto que se chama
- 56:31colchonilha. Ixe.
- 56:35Dados internet, tá, tá. E pra quem quiser.
- 56:39Na hora de mas por? Por que que tem lá?
- 56:42Porque é na, é na no transporte ou é na?
- 56:45Vamos lá? Na fabricação.
- 56:47No caso dos vermelhos alimentares, você tem um inseto
- 56:51que gera um pigmento vermelho, que é a conchonilha, tá no
- 56:56processo de fabricação? De alguns de produção,
- 57:00fabricação ou ou de de manejo de alguns alimentos, sim, entram em
- 57:06inseto. É, é, é, é.
- 57:12É um ingrediente natural. Presta atenção, ele é um
- 57:18ingrediente natural. Ele faz parte da natureza.
- 57:23Muito bom, quebrando os tabus. Aí eu tava, eu tava lá.
- 57:27Na China com a Larissa em 2015, né?
- 57:30A gente foi pra China tal. A gente foi passar as férias,
- 57:36foi China. No Tailândia, acho que foi
- 57:37China. E aí a gente passou assim na
- 57:39feirinha e aí tinha aqueles espetinhos de.
- 57:42Escorpião. Barra.
- 57:46Cavalo-marinho. E aí a Larissa comeu, amor, vou
- 57:49comer, vou experimentar. Você quer?
- 57:51Não quero, não. Aí eu falei, é, comeu.
- 57:54Acho que ela comeu, não lembro. Grilo, provavelmente.
- 57:58E aí eu acho gostoso. Aí, gostoso.
- 58:00E até gosto de Mato. Então depende do do inseto que
- 58:04você provar. Vamos dizer que assim os no
- 58:06México, por exemplo, eles comem chapolines, que são os grilinhos
- 58:09pequenininhos, e eles têm um sabor próprio muito bom.
- 58:13É, mas aí como eles foram fritos, ele tem uma nota de
- 58:17fritura muito alta. Como as nossas tanajuras tem uma
- 58:20nota de fritura é muito alta. No México, eles têm o que eles
- 58:25chamam de caviar da Terra. Ou no espanhol, mexicano,
- 58:29escamoles ovas de Formiga, ovos de Formiga.
- 58:35OK, então você vai ter aí pelo mundo delícias que sim são vou
- 58:41falar de uma delícia. Antes de falar de uma coisa
- 58:43delícia, vamos falar de uma coisa nojenta, nós não, nós não
- 58:47comemos secreções, nós não comemos excrementos, nós não
- 58:50comemos vômito, né? Isso tudo isso é nojento, não é?
- 58:52O que que é leite, mel? Ele tinha uma secreção de uma
- 58:58fêmea, ela tava numa mifa. Mel é regogitado pela abelha.
- 59:04Ele não foi digerido, ele é pré digerido.
- 59:07Mas o fato é, então eu não posso falar que ele é um vômito, mas
- 59:09eu posso falar assim que ele é regogitado e a gente come como
- 59:13delícia. Nenhum ingrediente vai te
- 59:16parecer estranho se ele for introduzido na sua primeira
- 59:19infância. Então vou dar um exemplo para
- 59:23você. O mundo inteiro se assusta
- 59:25quando a gente conta, aqui no Brasil o abacate é doce porque
- 59:29acho que é, porque só no Brasil come abacate doce.
- 59:32No resto do mundo o abacate é Salgado.
- 59:35Fecha o olho e tenta lembrar um doce de abacate que não foi no
- 59:37fora do Brasil, pega, dá o Google na internet.
- 59:41Agora o mundo olha e fala para vocês, brasileiros são malucos
- 59:45de comer abacate com açúcar? Começa o nosso abacate, é um
- 59:49pouco diferente. Ele é mais aguado do que o
- 59:51avocato. Então ele é, sim, ele vai melhor
- 59:54com, mas isso culturalmente o mundo acha que a gente é maluco.
- 1:00:00Bota o quê? Salada, salada, No No, no
- 1:00:04clássico café da manhã, uma tostada de pão com abacate,
- 1:00:07ovos, o guacamole, você vai, você vai ver um outros usos, com
- 1:00:12camarão, com caranguejo. A sua função é experimentar.
- 1:00:17Melhor deixa eu melhorar a pergunta, quantos por cento do
- 1:00:20teu dia você experimenta novos ingredientes, novos novas novos
- 1:00:26alimentos? O Brasil, essa pergunta boa já,
- 1:00:28porque por um lado assim, eu acho que eu podia passar o dia
- 1:00:30provando e não IA conseguir provar tudo que nós temos.
- 1:00:32O Brasil é o dono da maior biodiversidade do mundo.
- 1:00:36A palavra biodiversidade falada não tem valor.
- 1:00:40A palavra biodiversidade provada pode sim ter um novo valor e
- 1:00:43significado. Vou dar um exemplo.
- 1:00:47Vinhos há 30 anos atrás chamávamos poucos vinhos de
- 1:00:51poucas regiões do mundo, de poucas uvas, dos mesmos métodos,
- 1:00:55e eles custavam mais caros. Hoje a gente toma vinhos do
- 1:00:58mundo inteiro mais barato e foram resgatados métodos,
- 1:01:02culturas, novas regiões, variedades.
- 1:01:07Este conjunto solo, clima, variedade, compõe em
- 1:01:14biodiversidade. Então, sim, que comer pode ser
- 1:01:19uma grande ferramentar. 20 anos atrás, o pirarucu estava em
- 1:01:22extinção. Hoje não está mais, graças a
- 1:01:26gastronomia brasileira, que começou a dar valor para esse
- 1:01:30bicho e preservou. Então, existe sim, a
- 1:01:33possibilidade de usar gastronomia como uma ferramenta
- 1:01:37positiva para a conservação das nossas riquezas naturais.
- 1:01:42Não falando que ela só é boa, ela também pode ter lá, mas sim,
- 1:01:45ela tem essa vertente AAA nossa biodiversidade, o nosso sócio
- 1:01:50biodiversidade é é o suficiente para mim perder a minha vida ou
- 1:01:59investir? Melhor falar da minha vida em
- 1:02:02busca de novos sabores. Eu não vou esgotar as
- 1:02:04possibilidades entre frutas, cogumelos, ervas.
- 1:02:08Peixes a gente tem um universo gigantesco e eu entendo que a
- 1:02:13minha vida, debruçado sobre a pesquisa, não será necessária.
- 1:02:16Nós precisamos não de um chefe brasileiro.
- 1:02:17Precisa de muitos chefes brasileiros, de muitos
- 1:02:19pesquisadores brasileiros, para começar a entender os
- 1:02:23potenciais, as potencialidades e as possibilidades do que é a
- 1:02:28cozinha brasileira e ingredientes brasileiros.
- 1:02:31Então, grande parte do teu trabalho é.
- 1:02:33É isso? É provar.
- 1:02:38Não é só provar, colocar na boca, é?
- 1:02:42Vou dar um exemplo, há um tempo atrás, tô no restaurante, chego
- 1:02:46um garoto porque é relativamente jovem e vem me oferecer ovos
- 1:02:51caipira, que ele resolveu fazer 11 e ovos de alta qualidade.
- 1:02:56Eu olhei os ovos e ele com produtor de ovos caipira, ele
- 1:02:58pegou aquele ovos que é mais claro, o ovo que é mais escuro,
- 1:03:01o ovo que é mais esverdiado é e trouxe o.
- 1:03:05Fiquei maravilhado com aquilo e ele falou, pô, posso mandar para
- 1:03:07sua casa uma vez por semana? Eu falei, pode, manda para mim.
- 1:03:11Eu sei como é o ovo do garoto. O ovo desse menino não é melhor
- 1:03:16que o de ninguém, mas ele é realmente bom.
- 1:03:19Lembro, tô fazendo um prato agora que leva Spirulina, não é,
- 1:03:23que é uma alga cultivada com alto valor super alimento.
- 1:03:29Aí eu lembro que durante 3 semanas na Inglaterra.
- 1:03:35Você pode ir no açougue e comprar ovo de gaivota.
- 1:03:38E eu, como sou curioso, uma das vezes que eu fui para Londres, é
- 1:03:40lógico que tinha que comer um ovo de gaivota.
- 1:03:43Fui lá e comer um ovo com gosto. Marinho é um ovo com gosto de
- 1:03:45alga. Ligo para esse garoto e estamos
- 1:03:49no processo de alimentar galinhas com esperulina e com
- 1:03:54algas para ver que bicho que dá a minha vida.
- 1:04:00Não é só provar. Também é pegar e olhar como o
- 1:04:04mundo faz. Espanha é tem uma tradição de
- 1:04:08comer uma carne que chama Rúbia galega, e desta caça Rúbia
- 1:04:11galega, que é tipo um aguil da Espanha.
- 1:04:15A tradição é de comer de vaca velha, mas você fala, porra,
- 1:04:18vaca velha. Na vida a gente aprendeu que no
- 1:04:21nosso rebanho, principalmente zebuíno, a gente quer um o vídeo
- 1:04:25precoce. Você fala, pô, vou lá comer,
- 1:04:27ver, como é que é. Você fala, pô, a carne é
- 1:04:29saborosa, a carne tem, parece aquele gosto que a gente comia
- 1:04:32na infância, mais animal, um sabor mais pronunciado.
- 1:04:36É só que a carne é mais dura. Então, pra não ficar tão dura,
- 1:04:41eles envelhecem. Um sistema é, eles curam aquela
- 1:04:44carne ou ou dry age aquela carne.
- 1:04:47E aí você vai entendendo o que você viveu quando mora garoto na
- 1:04:51Europa, que via o filé mignon, o contrafilé com o osso pendurado,
- 1:04:553 semanas. Na geladeira.
- 1:04:57Ele achava aquilo um absurdo, que o dono do restaurante era um
- 1:05:00filho da puta, porque ele tava comprando, servindo, carniveira
- 1:05:03e na verdade já existia uma sabedoria que eu fui aprendendo
- 1:05:06com uns anos. Aí aprendi isso lá na Europa.
- 1:05:12Aí eu volto, meu pai. Meu pai nasceu em Cuiabá, nasceu
- 1:05:17em casa, eles moram em Cuiabá e eu vivo andando no meio do Mato
- 1:05:21fazenda. Um dia eu tô falando com um com
- 1:05:23um peão de uma fazenda. E Ah, vão separar um boi pra
- 1:05:26comer, vão separar, Ah, o que que vai pegar?
- 1:05:28Pega uma vaca velha, caraca, por que que vocês comem?
- 1:05:30Falei assim, pô, é mais saboroso e o patrão não quer, o patrão
- 1:05:33não importa, não quer que venda, Oo novilho, a vaca velha é
- 1:05:37descarte, pega ela que ela é mais gostosa.
- 1:05:40Fui lá pro comer e falei, porra, como é que essa carne aqui é
- 1:05:42igual daquela lá? Vou tentar desenvolver vaca
- 1:05:45velha, é, começamos um projeto, mas o fato é que hoje tem vários
- 1:05:49lugares no Brasil que vendem vaca velha.
- 1:05:52Apoiados alguns nessa nessa pesquisa que a gente fez aqui,
- 1:05:55outros apoiados no saber e na tradição portuguesa espanhola, é
- 1:06:01você vai? O mesmo ingrediente pode trazer
- 1:06:04sabores. O mesmo ingrediente?
- 1:06:07Você é capaz de fechar o olho e lembrar de gosto de manteiga?
- 1:06:10Hum. Yes.
- 1:06:12Quantos gostos de manteiga você conhece?
- 1:06:13Se ela estiver gelada, ela tem um sabor em uma torrada.
- 1:06:16Se ela estiver derretida, ela tem outra.
- 1:06:18Se ela tiver pomada. E o pão tiver frio, ela vai ter
- 1:06:21outro sabor. Se eu queimar ela um pouquinho,
- 1:06:24ela vai ganhar o sabor. Se eu botar ela com o açúcar e
- 1:06:26fizer um toque, ela vai ganhar outro sabor, o mesmo
- 1:06:29ingrediente. Quantos sabores eu te dei em 1
- 1:06:31minuto? Sabores que estão aí dentro,
- 1:06:35sabores que você conhece. Cara é infinito.
- 1:06:38É infinito, é infinito. É muito.
- 1:06:39Então você fala assim, dá pra ficar pensando muito?
- 1:06:41É infinito? Aí é.
- 1:06:41Infinito. Pega isso aqui, mencionou isso
- 1:06:43aqui, né? É uma pitada daquele ali.
- 1:06:45E aí testa aí. Você pega um palmito se eu fizer
- 1:06:48ele cozido, se eu fizer assado, se eu fizer na fogueira, se eu
- 1:06:50fizer defumado, o mesmo ingrediente revela tantas
- 1:06:55possibilidades. Isso é apaixonante, isso é
- 1:06:57apaixonante, isso é apaixonante. E a grande história é que você
- 1:07:01conseguiu prever, né? Assim, pô, este peixe, se eu
- 1:07:04cozinhar, se eu fritasse, eu assasse.
- 1:07:06Se eu fizer na brasa. Se eu servir com vegetal, se eu
- 1:07:09servir com outra fruta, com verdura, com se eu acompanhar
- 1:07:14com o palafa, se eu arrumar com pão com você, vai criando uma
- 1:07:17história ali de interpretação, de possibilidades, que é a vida.
- 1:07:21Aí a vida é passar, é passar a vida provando, se aventurando
- 1:07:25com sabores. Nossa, meu Deus.
- 1:07:27Até fome. Não deu não, ô Malu.
- 1:07:30Dá um dá um palmito aí feito na fogueira com uma pitada de
- 1:07:34saúva. E uma raspinha de limão
- 1:07:38Siciliano junto com manteiga gelada.
- 1:07:41Não deu nada, deu uma. Coisa é meu trabalho desenvolver
- 1:07:47isso. As pessoas tem que comer só com
- 1:07:49Alegria. Eu acho um grande erro quando as
- 1:07:54pessoas vão a um restaurante e ficam fazendo julgamentos.
- 1:07:57Não, não, não, não julgamento. Tem que fazer quem, quem, quem
- 1:08:00tem que ser julgado por especialistas e gastar tempo com
- 1:08:04isso sou eu. Você tem que sentar na mesa pra
- 1:08:07ser feliz. E ser feliz?
- 1:08:09É a todos os seres vivos, João. Todos os seres vivos comem e se
- 1:08:13reproduzem. O homem transforma isso nos 2
- 1:08:16maiores prazeres da vida. É legal trepar olhando no
- 1:08:21espelho, o que que você vai comer?
- 1:08:25Julgando técnica? Esse é um problema meu.
- 1:08:30E você pode falar, tá bom, tá ruim e tá tudo bem, é isso?
- 1:08:33Mas tem gente que julga. Hoje em dia tem especialista de
- 1:08:36tudo, né? Eu quero ser feliz exatamente.
- 1:08:41Hoje em dia tem especialista de tudo.
- 1:08:43Então nenhum problema isso aí. Eu só acho que as pessoas
- 1:08:46deveriam sentar num restaurante e se entregarem mais a
- 1:08:49experiência de comer e menos e menos a técnica aos preceitos,
- 1:08:54aos. Aos refinamentos, aos
- 1:08:56julgamentos. Eu quero ser esse aí, eu quero.
- 1:08:59Comer. Eu quero comer e ser feliz, dar
- 1:09:02risada, gargalhada, levar os amigos.
- 1:09:05Compartir, né? Beleza?
- 1:09:06Só na mesma. É então o teu trabalho.
- 1:09:08É ficar aí também, testando, indo nos lugares, viajando.
- 1:09:13Qual foi o qual foi a pessoa? Olha isso aqui, essa quer ver se
- 1:09:17é boa? Qual foi a pessoa.
- 1:09:20Mais legal barra icônica que você serviu, que você serviu um
- 1:09:26prato Pra Ela? Fala de um cara que eu tive a
- 1:09:30sorte de fazer a última refeição dele.
- 1:09:33É de cara a última. É um cara que me influenciou
- 1:09:38demais, me fez olhar minha cozinha de uma forma muito
- 1:09:43única. É talvez um dos caras que
- 1:09:44primeiro mais me chacoalharam dentro da cozinha.
- 1:09:48Apesar de que a obra direta dele não tem tanto a ver com a minha,
- 1:09:51que foi o Ruy atak é o Ruy atak sempre foi.
- 1:09:55Eu não. Sei quem é, quem foi o.
- 1:09:56Ruy atak é um grande arquiteto brasileiro, o arquiteto japonês
- 1:09:59brasileiro, filho da Tomie atak, que é uma grande artista, é
- 1:10:03brasileiro, o instituto Tomie atak, e este cara tem um traço
- 1:10:07contemporâneo de Niemeyer, um cara com uma história muito,
- 1:10:10muito específica. E o japonês.
- 1:10:13Antes de mais nada, ele era japonês, se vestia como japonês,
- 1:10:16é, ele tinha uma maneira de se importar e um traço dentro da
- 1:10:20arquitetura muito único. É o Rui sempre foi um entusiasta
- 1:10:24japonês, vamos falar, mas sempre foi um entusiasta brasileiro.
- 1:10:27E eu cheguei em 90 e pouco. No Brasil é 9495, eu tava
- 1:10:32trabalhando numa Filomena que era da família Matarazzo,
- 1:10:35Suplicy é, e ele era um frequentador.
- 1:10:40E ele viu que eu fazia o que eu tinha essa vontade, esse
- 1:10:43atrevimento de fazer uma comida diferente.
- 1:10:45E aí ele me encorajou demais e me quase que me brifava, quase
- 1:10:53me brifava pra falar assim, olha, faça um prato de tal
- 1:10:57maneira, faça uma salada de tal maneira, use flores.
- 1:11:00E a gente foi, foi foi ganhando confiança.
- 1:11:03Eu acho que esse talvez tenha sido o cara e o final da vida
- 1:11:06dele, por conta de uma doença, ele foi.
- 1:11:09Ficando muito, não podia mais comer.
- 1:11:11Ele tinha dificuldade de de, de degustar, de mastigar.
- 1:11:17E o filho dele então me pediu para que eu fizesse um último
- 1:11:20jantar para ele. E foi na mesma semana que ele
- 1:11:23nos deixou. Então eu fiz um jantar muito de
- 1:11:27coisas que não precisavam ser mastigados, que podiam ser
- 1:11:30fruídas. Bebidas é sugadas.
- 1:11:33Mas muito colorida, muito com formatos incomuns, que eram com
- 1:11:37esses traços soltos, que eram 11, característica do Pol
- 1:11:39ataque. Caramba, até aí você chega.
- 1:11:45Você chega até nessa fase, até nesse momento da vida, né?
- 1:11:49Até nesse momento da vida hoje assim, ó, imagina, eu faço o
- 1:11:54seguinte, assim. Atala.
- 1:11:56Tô levando 50 pessoas no teu restaurante agora.
- 1:11:58O que que tu faria agora pra gente agora assim, ó da cabeça,
- 1:12:00boom. Tô levando os caras tudo do
- 1:12:02Relógio, aqueles 2 lá. Eu sempre vou falar o seguinte,
- 1:12:04é melhor prometer 7, entregar 7? Tenho que prometer 10 e entregar
- 1:12:07só 7. Aí entrega é a mesa.
- 1:12:10Ah, o que muda é a promessa. É boa, Hein?
- 1:12:12É então se você pegar e falar assim, tamanho de 50?
- 1:12:16Tão chegando aí eu vou falar assim, eu?
- 1:12:19Vou fazer uma coisa especial pra vocês.
- 1:12:23Eu não vou falar o quê? Não vou falar que não.
- 1:12:26Não vai falar o que? Não vou falar aqui não.
- 1:12:29Não, que não. Eu eu sei que você não vai
- 1:12:31falar. Você adora.
- 1:12:31Eu também não vou falar. Eu vou trazer essa
- 1:12:33responsabilidade pra mim. Falar assim, eu vou.
- 1:12:34Te surpreender. Confia.
- 1:12:36Vem, vem, vem, vem, vem. Vem, pô, essa porra.
- 1:12:46Cara, vem, Joel, vou, vem, só, vem, só vem, cara.
- 1:12:49Calma. O que que vai ter não, cara?
- 1:12:50Vem, vem, vem. Obviamente, com os anos de
- 1:12:55cozinha você vai ganhando skills.
- 1:12:57Eu sei quais são os processos mais longos, os processos mais
- 1:13:00demorados. Eu sei o que é mais palatável, o
- 1:13:02que que é menos palatável. 50 pessoas.
- 1:13:05Eu não vou colocar fígado de boi ou.
- 1:13:09Qual que era o nome daquilo que a gente comeu lá em Paris, que
- 1:13:12depois que você me explicou? Timo de vitela foi a Timo de
- 1:13:15vitela que nós tivemos. É uma coisa que é gordo.
- 1:13:19É ridevon. É isso mesmo, é um.
- 1:13:21Olha isso, olha isso. Comecei a comer dele.
- 1:13:24Você sabe o que você está comendo, João?
- 1:13:26Eu falei, não sei não. Aí depois que ele me explicou,
- 1:13:28eu falei, nossa. Bom, vamos lá.
- 1:13:32Timo é uma glândula, uma parte do coração que só existe é é uma
- 1:13:36glândula que com com bolsa, quando o boi vai se
- 1:13:39desenvolvendo e ficando a latrofia e quase que perde a sua
- 1:13:44função é o inglês. Eles chamam de sweet bred
- 1:13:50francês ridevo. É em português, espanhol e
- 1:13:53italiano. A gente usa a palavra Timo.
- 1:13:55Ela é uma gordura com uma textura com sabor lácteo muito
- 1:14:03único. É um sabor incomum dentro do do
- 1:14:06animal inteiro. O cordeiro tem outros animais?
- 1:14:09Tem, o Timo é. E nós fomos juntos lá em Paris e
- 1:14:13além é, é, é, é incrível. Tinha experimentado nada com
- 1:14:16aquele gosto. Nem com aquele gosto, nem com
- 1:14:18aquela textura e. Nem com aquela textura.
- 1:14:20EE é muito elegante, é muito. Muito.
- 1:14:22É muito elegante, é muito. Elegante.
- 1:14:23Os argentinos comem muito no churrasco.
- 1:14:26Os argentinos têm. Essa é uma outra história
- 1:14:29também, que dá para falar horas. Mas eles têm uma coisa que eles
- 1:14:32chamam de assuras. Asuras são as partes menores do
- 1:14:35boi. Então eles têm as morcilhas, os
- 1:14:38masgerras, os tintulines, os rinhones, que são o rim, o Timo
- 1:14:44é o tintulinha. Seria uma parte do intestino que
- 1:14:47eles fazem na grelha, que pra os brasileiros chegam e falam, Ah,
- 1:14:50eu nunca vou comer isso. Mas lá é uma tradição e eu
- 1:14:53preciso dizer que é deliciosa. Aprende muito com sobre
- 1:14:57churrasco e aprende muito com argentino.
- 1:14:59Não e não, não desmereço a escola brasileira, mas eu tenho
- 1:15:02que frequência que os argentinos são bastante.
- 1:15:05Começa que só pode ser chamado churrasco se for feito feito de
- 1:15:08lenha. Se não for feito de lenha, é.
- 1:15:12O que eles eles acham que a gente não faz um bom churrasco?
- 1:15:16Não é porque a gente não sabe fazer, porque a gente parte do
- 1:15:18carvão e não da lenha. E por que que eles partem da
- 1:15:21lenha? Porque ela tem maior capacidade
- 1:15:24de aromatização. Então, o sabor da lenha, do
- 1:15:27churrasco com lenha ele é mais claro do que o do o do carvão.
- 1:15:33E se for feito numa elétrico ou daquilo, não é churrasco para
- 1:15:38essa. Aquilo é grelhado, tem, tem.
- 1:15:43Tem valores que os agentes são bons.
- 1:15:45Só eu gosto da escola? Não, não recrimino, não, não,
- 1:15:49não falo que eles são uma verdade absoluta, nada disso,
- 1:15:52mas eu gosto da escola Argentina.
- 1:15:53E teu prato preferido, qual é? Arroz e feijão não tem, não tem.
- 1:15:56Segundo, não tem negócio. O que a gente pode negociar
- 1:16:01aqui? Essa é AO feijão preto ou o
- 1:16:03feijão marronzinho o feijão? E o feijão é por cima ou por
- 1:16:06baixo do arroz? Por cima, Ah.
- 1:16:08O pimenta não pimenta. Pimenta.
- 1:16:10Eu sou doente por pimenta. Eu amo tudo quanto é tipo de.
- 1:16:15Pimenta eu amo pimenta. Eu não gosto de pimentar muito
- 1:16:18forte. Essas pimentas muito Fortes.
- 1:16:20Elas não são agradáveis pra mim. É porque não dá pra perceber o
- 1:16:25gosto tanto assim, né, do, do, da, do mente?
- 1:16:27Vou, vou usar uma. Uma expressão plejor an Penn.
- 1:16:32Encontro equilibrado. É, tá bom, é isso.
- 1:16:35Desequilibrou. É só plejor só Penn, é.
- 1:16:40Eu amo. Pimenta, amo, amo, amo o nível.
- 1:16:43Rádio assim é. Eu gosto, gosto como é.
- 1:16:45Todo jeito que tem pimenta. Não, não temos que você ter todo
- 1:16:47dia, mas eu sou aquele cara que pega uma pimenta e morde.
- 1:16:50Ah, não, você é pimenteiro, você morde uma pimenta.
- 1:16:54Algumas, algumas sim. Algumas eu não ponho a mão.
- 1:16:56Essas muito forte, essas. Aonde não existe o prazer, sua
- 1:17:01dor. Eu não não como, mas sou eu
- 1:17:06tenho histórias engraçadas com eles.
- 1:17:08Onde pegar uma pimenta achando que é uma coisa e botar na boca
- 1:17:12e passar mal depois? Não tem cavaleiro que não caia
- 1:17:17do cavalo. O teu forte é carne, frutos do
- 1:17:20mar. Brasileiro, brasileiro, a minha,
- 1:17:23a minha única proposta, um único compromisso é entregar alguma
- 1:17:26coisa que você se sinta. No Brasil, isso não pode estar
- 1:17:30só dentro do prato, ele tem que estar no design do talher, ele
- 1:17:33tem que estar no design da Na Na louça, ele tem que estar Na Na
- 1:17:35cadeira que você está sentado, tem que estar na música que você
- 1:17:37está ouvindo, tem que estar na arte que você está vendo.
- 1:17:39OPA, comer não é uma experiência.
- 1:17:47Eu posso pegar um trabalho de um grande mestre das artes, é
- 1:17:54Picasso, um mirol, chama o que se quiser.
- 1:17:57A moldura vai colocar ele num outro lugar.
- 1:18:00As nas nas diferentes artes. Os seus suportes são tão
- 1:18:06importantes ou vão valorizar ainda mais o desejo?
- 1:18:11A expressão artística do autor é este autor aqui ele não quer só
- 1:18:19te dar mexer na sua boca, não quer mexer na sua memória.
- 1:18:23Eu quero bagunçar a tua vida. Boa.
- 1:18:26Eu não posso me resumir a fazer uma receita.
- 1:18:29Boa. Então assim, no dom, você vai
- 1:18:32entrar lá e vai ter assim as paredes tem um vão trazer um ou
- 1:18:39um indígena ou contemporâneo ou Ah, mas vai ter.
- 1:18:42Eu tenho um lustre baccará no meio do restaurante do desenhado
- 1:18:46pelo perdão, um baccará do Philip start.
- 1:18:48Quem que está o negro? Você vai lá.
- 1:18:51Você nem vai achar o Lu. Eu enchimo de flecha, de flor de
- 1:18:55coisas indígenas. O Brasil é pra mim.
- 1:19:00O Brasil é maior. Cara, que incrível, ó, que
- 1:19:05incrível, qual que é o teu sonho grande que você almeja ainda?
- 1:19:12Ah, eu vou. Eu vou há muitos anos atrás.
- 1:19:16Muitos, muitos anos atrás. Eu, eu.
- 1:19:19Mais de 20 anos atrás e tive uma conversa com um cara que um dos
- 1:19:23caras que eu admiro muito na vida, um deles é o Marcelo
- 1:19:25Serpa. Marcelo, para mim é um talvez a
- 1:19:28grande mente publicitária que o Brasil é, produziu, autêntico,
- 1:19:36de uma verdade, de uma sabedoria.
- 1:19:38E o Marcelo falou, o que que você quer?
- 1:19:39Eu olhei para o que você caiu. Eu olhei para o cara daí e
- 1:19:42falei, eu quero entrar para história.
- 1:19:44É, acho que já fiz. Fez muito?
- 1:19:50Então assim, tem essa parte não parou, não dá pra dá pra sentar
- 1:19:55nesse louro não. Agora, efetivamente, eu fiz um
- 1:19:58eu eu botei um tijolinho na história da cozinha brasileira.
- 1:20:01Tijolinho uma muralha você colocou?
- 1:20:05Mas eu queria contar pra história, tá?
- 1:20:06Tá aí a minha pedrinha. Eu coloquei nessa muralha.
- 1:20:09É a muralha. É a muralha.
- 1:20:10A gente não pode olhar, Jorge, tem que entender que comer é uma
- 1:20:14atividade vital. Eu nunca na vida vou poder
- 1:20:20falar. Eu fui o primeiro a fazer essa
- 1:20:21receita. Aliás, receitas não tem autoria
- 1:20:24exatamente por conta disso. Como é que você pode falar?
- 1:20:27Eu sonhei primeiro com isso na vida, se todo mundo sonha e
- 1:20:31sonhou a vida inteira? Ó.
- 1:20:36Então é é agora, efetivamente dentro dessa muralha que é a
- 1:20:39alimentação humana. E dentro dessa muralha,
- 1:20:41alimentação humana, um muro gigantesco que é a cozinha
- 1:20:45brasileira, cara, pra você fazer uma Mini contribuição.
- 1:20:49É muito cara, é. É muito, é muito, é muito, é
- 1:20:52muito. É muito eterno.
- 1:20:54É muito. E eu queria assim, eu lembro, eu
- 1:20:55lembro de um, tem caras que me inspiram muito, né?
- 1:20:57Um cara que eu sempre vou tratar com muito respeito é o Rogério
- 1:21:01Fasano. E o Rogério muitas vezes faz
- 1:21:03críticas, né? Ele tem uma forma de falar
- 1:21:05firme, às vezes ácida. E aí ele tava falando de
- 1:21:08cozinha, de autor, e ele falou uma coisa que falou assim, o
- 1:21:11desejo de um grande chefe não devia fazer um grande prato, é
- 1:21:15transformar uma receita dele em tradicional.
- 1:21:19Caio tem uma, tem uma, tem uma grande inteligência nisso,
- 1:21:23nossa, mas assim, oOoOO tradicional foi inovador em
- 1:21:27algum momento, um carpaccio já foi uma revolução, é um buffet,
- 1:21:31barulhão foi, teve o seu momento de ruptura.
- 1:21:37Então, assim, o grande sonho de um chefe criativo, sim, é que um
- 1:21:40dia a obra dele seja superada pela pelo novidadismo e via
- 1:21:44tradição. O prato mais famoso do Brasil,
- 1:21:47fora do Brasil, é a feijoada. Feijoada, churrasco, né?
- 1:21:52Acho que os mais, os mais, os mais.
- 1:21:56Tradicionalmente, quando a gente faz cozinha tradicional.
- 1:21:58Sam, é acho que sim. Agora, talvez o mais popular
- 1:22:02seja pão de queijo, né? Pão?
- 1:22:05De queijo? E é muito legal esse pão de
- 1:22:08queijo. Tem a coisa, o amido é tapioca,
- 1:22:11né? É, é, é polvilho.
- 1:22:12Eu tenho 11 brasilidade nessa receita que me fascina muito.
- 1:22:18Você tem quantos filhos? Tenho 3.
- 1:22:20Algum trabalho contigo? Nenhum.
- 1:22:23Nunca e nunca trabalhou. Graças a Deus não.
- 1:22:26Graças a Deus. É, eu acho.
- 1:22:28Acho que a vida que eu tive, a gente quer, a gente quer para os
- 1:22:30filhos, o melhor sempre. Então, a primeira coisa, eu vou
- 1:22:34em apoiar meus filhos incondicionalmente para qualquer
- 1:22:39coisa que eles queiram fazer. Encontrar meus filhos vão ter
- 1:22:42meu apoio para sempre, ainda que possa ser contra o meu, a minha
- 1:22:47vontade, o meu apoio, eles terão, certo?
- 1:22:51Eu posso não concordar, mas eu vou apoiar.
- 1:22:53É, eu tenho o Pedro, que é o filho do meu primeiro casamento,
- 1:22:56tem 32 anos, moro em San Diego, na Califórnia, e é tatuador, é
- 1:23:02ex skatista, competidor, foi atleta e.
- 1:23:07Acabou virando um mais artista. Ele sonha mesmo em o que ele
- 1:23:11vamos ver, brincar com ela. Ele ele quer ser quando ele
- 1:23:13queria ser grafiteiro. Ele gosta de grafite, ele gosta
- 1:23:16de arte urbana, é, mas não dá dinheiro, ele dá o contrário,
- 1:23:19ele tem que comprar tinta para pintar espaços públicos.
- 1:23:22E eu acho esse o grafite uma história incrível, porque ela é
- 1:23:26realmente arte para a população. Ela não está encerrada dentro da
- 1:23:31casa de uma pessoa, ela é pública e ela vai com o tempo.
- 1:23:37Não há museu para o grafite, né? Existe uma temporada para o
- 1:23:40grafite. Eu acho isso muito mágico.
- 1:23:42É. Muito bom temporada.
- 1:23:44EOE, ele precisava ganhar grana e ganhar grana.
- 1:23:46Ele começou a tatuar e por acaso eu já era cheio de tatuagem,
- 1:23:49então foi uma, foi uma Joana, minha filha, ela é das artes,
- 1:23:54ela é da literatura sobre tudo, o livro ela escreve muito bem,
- 1:23:57ela é bom pai sempre, acho que filho é o máximo.
- 1:24:00Mas ela trabalhou com uma grande autora brasileira, que é a
- 1:24:02Djamila Ribeiro, que eu tenho o máximo respeito, e a Djamila
- 1:24:05acho que foi muito generosa com a Joana EE plantou, acho que
- 1:24:10muitas sementes importantes da minha filha, então tenho o maior
- 1:24:13orgulho, porque ela é uma menina que tinha tudo para ser uma
- 1:24:16patricinha e hoje está aí com a sua jovialidade, conhecendo,
- 1:24:22criando uma consciência social, entendendo as diferenças.
- 1:24:25Então acho que tem 11 lado muito bonito, eu tenho o Thomas.
- 1:24:29É, você sabe que jaquera não dá morango, né?
- 1:24:32Jaquera da Jaque. Eu tenho um filho que gosta de
- 1:24:35punk rock que resolveu viver de forma alternativa, mas fora tudo
- 1:24:39isso, ele é um cara com uma habilidade pra língua ímpar.
- 1:24:43É, então ele tem um inglês invejável, invejável, e aí ele
- 1:24:50IA muito comigo pra Amazônia. Começou a viver com os índios
- 1:24:52caiapó e entendeu que o caiapó não tinha dificuldade de
- 1:24:56aprender inglês porque eles queriam ensinar.
- 1:25:00Inglês em português pra um cara que tava não tem tanto português
- 1:25:05assimilado. Ou seja, se é difícil pra gente
- 1:25:08falar caiapó, imagina se se a gente tivesse que aprender falar
- 1:25:11caiapó em inglês? E o Tomás então aprendeu a falar
- 1:25:15caiapó e começou. E o inglês ele veio.
- 1:25:18Falar. Caiapó uma das mais de 180
- 1:25:22línguas originárias brasileiras. Meu filho é fluente e é hoje
- 1:25:25ainda professor. Ele morou 2 anos.
- 1:25:28Com com em comunidade scaiapó, Rio iriri e Rio Xingu, naquela
- 1:25:33naquela região, é ainda hoje. Dá algumas aulas por via
- 1:25:40internet para as comunidades ribeirinhas lá, das comunidades
- 1:25:43caiapós não ribeirinhas, ele ainda dá, é, é fluente, mora
- 1:25:47aqui em São Paulo hoje, do jeito dele, mais alternativo e tá
- 1:25:52feliz. São 3 caras incríveis que
- 1:25:54independente de terem sucesso profissional, investem e sonham.
- 1:25:58Os seus sonhos assim querem realizar os sonhos e eu, como
- 1:26:01pai, acho que não podia ser melhor.
- 1:26:04Então você tem um que é tatuador?
- 1:26:06Uma que é da da. Literatura e da.
- 1:26:09Cultura um que é alternativo, professor, professor de língua.
- 1:26:16Pra índio caiapó é caiapó que fala?
- 1:26:18É caiapó caiapó, mas fala caiapó.
- 1:26:21E a professora? E você é casado?
- 1:26:22Eu sou casado com a Márcia há 26 anos.
- 1:26:25E a Márcia, tô sócia. Não, a massa é minha
- 1:26:27companheira, não, a gente é a massinha.
- 1:26:33Trabalha com com, trabalha com moda a venda inteira, trabalhou
- 1:26:39um pouquinho com arte contemporânea.
- 1:26:41É hoje ela tem ela. Ela e a Renata, né?
- 1:26:45São sócias, ela tem 11, trabalho de internet, de educação
- 1:26:52financeira. Para restaurantes, para o
- 1:26:56segmento de alimentos e bebidas, então para para específica para
- 1:27:03o segmento alimentos e bebidas. Alimentos e bebidas.
- 1:27:07Que legal. Tem uma.
- 1:27:10Eu tenho uma mentorada de Portugal.
- 1:27:12Vera, eu vou indicar o curso é curso?
- 1:27:15É um curso, é uma plataforma. Ela pode ser a plataforma, elas
- 1:27:19não fazem nem tanto, tanto curso.
- 1:27:22Seja mais próxima de uma consultoria do que exatamente
- 1:27:24de. Uma é a Vera.
- 1:27:25Porque é muito, é muito, é muito.
- 1:27:28Taylor made, né? Você tem que ajustar demais.
- 1:27:31Queria no dom, com alas. O dia que você.
- 1:27:34Quisesse quem queria não quer, né?
- 1:27:36Então eu tenho que falar que eu vou.
- 1:27:37Você me liga? Eu te ligo, né?
- 1:27:40Você tá lá quantas vezes semana. Eu tô direto se eu se eu estou
- 1:27:44no Brasil? Então assim, amanhã cedo eu pego
- 1:27:47um voo, vou pra Bahia, volto no domingo e nas quarta-feira vou
- 1:27:50pra nova, vou pra pra pros Estados Unidos, faço 3 dias,
- 1:27:53faço dias lá. Ó, imagina aqui.
- 1:27:55O pessoal do JJ podcast quer ir lá no dom 3 pratos.
- 1:28:01Só um, só um. Só tem um.
- 1:28:04Como é que isso? Menos degustação.
- 1:28:05Eu só faço menos degustação. Mas tu só faz degustação?
- 1:28:08Você pode escolher vegetariano? Eu não gosto de falar
- 1:28:10vegetariano, eu gosto de falar aqui.
- 1:28:11É do Reino vegetal. Porque os sabores, os melhores
- 1:28:14sabores da cozinha brasileira, sim.
- 1:28:16Vem do Reino vegetal, não vem do Reino animal.
- 1:28:19É ou o menu. Reino animal.
- 1:28:22Reino não natural, natural de toda tá incluída tudo.
- 1:28:26Tudo que é natural ali é e você vai me dizer, você vai dizer
- 1:28:31para mim ou para minha equipe o que você não come?
- 1:28:33Eu não gostaria de comer. Por exemplo, quando você jantou
- 1:28:36sushi ontem à noite, não quer comer peixe cru hoje, tá?
- 1:28:39Me parece normal, aham. Eu quero tudo, menos peixe cru.
- 1:28:43Eu tenho alergia, até o produto eu não posso ver, prefiro que
- 1:28:46não venha na minha mesa qualquer outro ingrediente banana.
- 1:28:52E nós vamos dentro do que nós temos na cozinha, desenhar um
- 1:28:55menu específico para você dentro das suas restrições, mas
- 1:28:59absolutamente fiel ao que a gente faz e acredita todo dia.
- 1:29:04Então você sentou lá, maluca aí, conheço, maluca, ó o Dino, que
- 1:29:09aí também la Gina, jantar, levar a noiva, ó, lá é, tá pensando
- 1:29:15aqui? E sentou lá.
- 1:29:17Menu degustação. Menu degustação você se entrega
- 1:29:20a uma experiência que a gente vai dirigir.
- 1:29:22Se você quiser, a gente pode escolher os vinhos pra isso
- 1:29:25sempre com esse compromisso de brasilidade.
- 1:29:27Então vão aparecer vinhos que são brasileiros, vão aparecer
- 1:29:30vinhos que são. Incomuns na sua frente de
- 1:29:34lugares ou de histórias com sabores incomuns, a pesquisa em
- 1:29:38cima dos vinhos é grande, diferente do alvo.
- 1:29:41Dito isso. Aí eu IA perguntar e no outro
- 1:29:45alvo dito? Dalva e dito Dalva da Estrela
- 1:29:48Dalva e dito de São Benedito. Dalva e dito Dalva e.
- 1:29:51Dito é, eu queria que fosse um restaurante de cozinha
- 1:29:54brasileira, eu queria que fosse um restaurante com traço
- 1:29:58familiar muito grande. Então, a primeira ideia foi
- 1:30:01botar o nome dos avós, só que eles não tem nomes brasileiros.
- 1:30:05E aí eu peguei 2 referências, uma referência feminina que é o
- 1:30:08planeta planeta Vênus e a primeira Estrela que nós vemos,
- 1:30:12que é a Estrela Dalva, que também da música.
- 1:30:18E ela tinha que ter o seu marido e padroeiro dos das artes
- 1:30:23culinárias é São Benedito, que o contrativo de Benedito é dito.
- 1:30:29Então é a é a dona Dalva e o seu?
- 1:30:31Dita quanto tempo pra criar esse nome?
- 1:30:34Uns 15? Minutos, não, eu queria, não dá,
- 1:30:43não. Dá pra botar Milad meu?
- 1:30:47Meu nome, meu primeiro. Meu nome é Milad Alexandre
- 1:30:51atala. Meu pai chama Milad atala, então
- 1:30:55assim eu não podia. De que origem que é o teu nome?
- 1:30:58É palestino? Palestina, Palestina.
- 1:31:01Melad, Alexandre marcatala. Quero contar uma história
- 1:31:04engraçada. É que eu IA pra escola, já era
- 1:31:08Branquinho, eu já era diferente, começava.
- 1:31:11Número 1, Ana número 2 é Carlos, número 20 é Luana.
- 1:31:19Número 25, Mileide, meu nome escreve MILADMILAD é ninguém,
- 1:31:27fala Milad. As pessoas olhavam e falavam,
- 1:31:30Mileide, eu falava, não, professor.
- 1:31:31Milad. Aí todo mundo, Ah, Mileide, eu
- 1:31:38sofri demais com essa coisa. Quando tive que botar o nome do
- 1:31:42fazer o nome do restaurante, eu queria que tivesse essa coisa de
- 1:31:46Brasil. Eu queria que ele falasse desse
- 1:31:48Brasil patrimonial, mas eu queria que ele falasse de um
- 1:31:51Brasil contemporâneo. É, tem um arquiteto, é mexicano,
- 1:31:57que chama barragan. Que faz um interpreta as linhas
- 1:32:00mexicanas de uma maneira muito contemporânea.
- 1:32:03Esse cara me marcou demais quando eu conheci.
- 1:32:04O trabalho é do barragã, é, e obviamente Niemeyer tinha essa
- 1:32:11escola, talvez brutalista, né? Do concreto brasileiro é.
- 1:32:18Aí eu pedi para um amigo, o Marcelo Rosenbaum.
- 1:32:23Pra interpretar esse Brasil, essa e aí o Marcelo trouxe
- 1:32:27outras coisas, Athos bulcão. Até um Painel gigante do Athos
- 1:32:31bulcão, não, não dava dito. A gente foi construir esse
- 1:32:34restaurante em cima de referências de um Brasil
- 1:32:37colonial, sim, mas de um Brasil contemporâneo, mas de um Brasil
- 1:32:40moderno ao mesmo tempo. E tudo isso tinha que estar
- 1:32:43refletido no cardápio. Então eu tenho macarrão com
- 1:32:47feijão e linguiça. Que é quase uma marmita
- 1:32:51revisitada, né? Um macarrão com feijão é
- 1:32:55gostoso? É, é.
- 1:32:59Mas aí eu tenho, sei lá, um bife à milanesa com salada de batata
- 1:33:05que por mais brasileiro que as pessoas passam a achar, na
- 1:33:07verdade, aquilo é um prato clássico.
- 1:33:09Alemão é, tem o rúbacão, que é 11, versão de um Baião de 2.
- 1:33:17Então eu vou. Eu tenho pratos que são muito
- 1:33:19brasileiros, muito cotidianos, da cozinha do dia a dia.
- 1:33:22Um filé parmegiana, né? Que não é italiano, que não é
- 1:33:25ainda é paulistano. Brasileiro, né?
- 1:33:30Senhores, olha só, dom. E dá o visito, Hein?
- 1:33:33É pra ir lá e falar assim, eu vim do JJ podcast, eu vim, eu
- 1:33:37vim experimentar, eu vim curtir, eu vim passar uma.
- 1:33:41Um momento incrível com a família, com os amigos, com o
- 1:33:43parceiro, com a parceira, os sócios, com os clientes.
- 1:33:48Tanto no dom quanto no dalvi. Dito no dom é uma experiência,
- 1:33:52um prato só que vai é um. Menu de degustação.
- 1:33:55É um menu de degustação e no dalvi dito ele é uma, já tem, já
- 1:34:00tem os os pratos assim por diante.
- 1:34:02Você pensa em ter outro? Não, não tá bom, não.
- 1:34:07Eu tô construindo o hotel, né? A gente tá.
- 1:34:09Está. Construindo um hotel.
- 1:34:12Na verdade, antes da pandemia, eu estava construindo um hotel
- 1:34:14aqui em São Paulo. A pandemia chegou, o hotel pegou
- 1:34:19COVID, eu tive que me desfazer de um de um grande sonho da
- 1:34:23minha vida é, fiquei com esse sonho adormecido durante anos e
- 1:34:27achei que não IA levar mais a frente.
- 1:34:29Encontrei um time ou eles me encontraram.
- 1:34:33É em Búzios, no Rio de Janeiro, tem uma ilha que chama ilha
- 1:34:36arrasa. Que teve um.
- 1:34:38Existia um hotel nessa ilha que chamava nas rocas.
- 1:34:42Era um hotel que o monovox tinha 11 bangalô fixo.
- 1:34:47É Mick Jagger, Madonna, grandes figuras da da, da, da, por conta
- 1:34:51do Rock In Rio, frequentavam nas rocas a sociedade carioca
- 1:34:55frequentava é um nas rocas é o plano Collor foi feito nas
- 1:35:01rocas, ou seja, não tem só. Histórias tem, tem história.
- 1:35:05Vamos falar, depende do cebola, tem história.
- 1:35:08E a gente comprou nas rocas e nós estamos ali recuperando AA
- 1:35:13ilha, recuperando as ruínas, respeitando as leis ambientais.
- 1:35:17É tentando mostrar para as pessoas que hospitalidade não é
- 1:35:21só cuidar bem de quem vem, mas é também de quem nos recebe, no
- 1:35:24nosso caso, da nossa ilha lá. E a gente ainda vai fazer aí 40
- 1:35:28bangalôs, 10 casas, 3 restaurantes.
- 1:35:32E talvez isso. E a gente espera que seja um de
- 1:35:34muitos, porque a ideia do reside, que são pequenos hotéis,
- 1:35:38é fazer o reside de Búzios, que nós já temos.
- 1:35:41É, a gente já tem uma área em Noronha?
- 1:35:44É, eu tenho uma área na Amazônia, a gente negocia uma
- 1:35:48área, é no Pantanal e eu quero ainda comprar uma Estância
- 1:35:53gaúcha. Então eu quero que o mesmo caro,
- 1:35:57o Joel vá e vá viver a diferença do que é 1111, verão.
- 1:36:02Carioca, o que é uma ilha oceânica, Noronha, o que que é
- 1:36:06Amazônia, o que que é o Pantanal?
- 1:36:09E que depois ele vai comer no sul do Brasil e que tudo isso
- 1:36:13ele vai ver, visto indumentária, cores, sabores, é aromas.
- 1:36:18Você vai ver brasis completamente diferentes.
- 1:36:21Este é o sonho do reside hoje. Nós estamos no primeiro passo,
- 1:36:24ainda no, no, no, nas rocas, que é que é o hotel em Búzios, é.
- 1:36:31Essa é a próxima missão. Bela missão, Bela missão gostou
- 1:36:36do papo, meu irmão? Adorei.
- 1:36:38Eu também, cara, eu não sei. Se vocês gostaram, pra mim foi
- 1:36:41um passeio, porque eu estou falando, eu falo só o que eu,
- 1:36:43né? Meu, eu amei.
- 1:36:44Foi maravilhoso conhecer mais a tua história, porque a gente,
- 1:36:46pô, a gente conhece tua história.
- 1:36:48Eu particularmente conhecia de longe, né?
- 1:36:50É, e agora eu vou conhecer com a boca com.
- 1:36:55Os olhos com você? Posso te falar o seguinte, muita
- 1:37:00gente conhece meu trabalho pela boca, muita gente conhece meu
- 1:37:04trabalho pelas mídias. É, foi o que eu conheci.
- 1:37:10É pouca gente conhece o meu AA, minha oOoOO como estrutura.
- 1:37:20Tudo isso, né? Sim.
- 1:37:21Quem? Quando eu sou chefe, quando eu
- 1:37:23sou embaixador? Quando eu sou um gestor ou um
- 1:37:26empreendedor? É, é isso aí?
- 1:37:29Você tem livro? 4.
- 1:37:33Eu não vi nenhum, não. Não, não, não, não.
- 1:37:36Eu tenho livros de cozinha, ok? É na verdade do 4 barra 5 é, vou
- 1:37:42explicar, esse barra 5 eu tenho é livros.
- 1:37:46Eu tenho 44 livros de receitas, desculpa, 3 livros de receita é
- 1:37:52esses 3 livros de receitas são table books.
- 1:37:54E eu vou falar aqui para você que.
- 1:37:56Como a maioria ou 90%, como os estudos apontam, 90% dos table
- 1:38:01books é é, nunca ninguém leu, então ele é um acervo das suas
- 1:38:06receitas. Se alguém quiser fazer uma
- 1:38:07pesquisa, tá, tá lá. É 11 condição, mas a verdade é
- 1:38:12que a utilização de coffee table books, emprego no dia a dia da
- 1:38:19cozinha, eles são pequenos. Eu fiz um outro livro junto com
- 1:38:23o sociólogo, que chama. Oo livro chama unhas dentes de
- 1:38:27cuca? É, ele era parte de um dos
- 1:38:30livros do meu, do de um livro que eu pretendia fazer e acabou.
- 1:38:34É derivando para um livro independente, onde eu só falo de
- 1:38:39cozinha e não tem nenhuma receita.
- 1:38:41E é o livro que eu mesmo vendia na vida.
- 1:38:44É um livro de ler. Então ele não é um livro de de
- 1:38:47apelo que as pessoas vão comprar e colocar em cima de uma mesa.
- 1:38:50Ele se propõe a ser um livro de estudo, de conhecimento.
- 1:38:54Não acho uma missão que falhou, mas não é uma missão de sucesso
- 1:38:59como livro, é. E eu fiz um último livro.
- 1:39:02Esse foi o último livro que eu fiz.
- 1:39:04É onde eu falo só da mandioca, é, eu usei aqui Oo exemplo da da
- 1:39:13do polvilho e da tapioca é que o Brasil, muita gente do Brasil
- 1:39:16não sabe que é o mesmo, é o mesmo.
- 1:39:20Mandioca, PIN, aipim e macaxeira é o mesmo produto que vai
- 1:39:23ganhando nomenclaturas regionais.
- 1:39:27Polvilho e tapioca é o mesmo produto que vai ganhando nomes.
- 1:39:33Pois é, também gosto de falar o que é o seguinte, mandioca já
- 1:39:39estava no Brasil antes do Brasil chamar o Brasil.
- 1:39:42Uma das grandes orgulhos do México é o que eles chamam de
- 1:39:45cultura pré hispânica. Que acontecia no México e como
- 1:39:49era a cultura mexicana e dos povos originários antes da da
- 1:39:53Espanha chegar. Por isso chama pré hispânica, a
- 1:39:56nossa cultura pré Portugal. Ela Foi soterrada e nela um
- 1:40:01ingrediente incrível que é a mandioca é a mandioca.
- 1:40:07Ela seja talvez a espinha dorsal.
- 1:40:10Da cozinha brasileira, ela já estava no Brasil.
- 1:40:13Ela atravessa todos os períodos, colonização, modernização,
- 1:40:17industrialização. E está hoje o único ingrediente
- 1:40:20que está de norte a sul do Brasil.
- 1:40:23De norte a sul do Brasil, em todas as mesas é a farinha da
- 1:40:27mandioca ou a tapioca. Ela é efetivamente a maior
- 1:40:35construção. Dessa identidade Brasil,
- 1:40:37caramba. E aí eu peguei um livro e eu
- 1:40:40peguei, eu escrevi esse livro e aí achei que eu podia estar
- 1:40:45plagiando pessoas. Sim, eu aprendi quase tudo isso
- 1:40:48com outras pessoas. E eu achei que a partir do
- 1:40:51momento que eu botasse num livro aquilo e reivindicasse a
- 1:40:54autoria, eu estava plagiando pessoas.
- 1:40:58Eu estava cometendo um plágio. É a cópia, ela é uma ninguém
- 1:41:04copia o que acha ruim. E normalmente a gente conta de
- 1:41:07quem a gente copiou. Quando a gente não conta quem é
- 1:41:13o autor, aí ela é plágio, certo? Então eu fiz um livro que de
- 1:41:16mandioca, que eu não sou ator, eu sou 11.
- 1:41:19Coletor de informação, entre antropólogos, sociólogos,
- 1:41:23indígenistas, fotógrafos. É botânicos, pega uma turma.
- 1:41:30Que me ensinou muito e peço para cada um deles escrever um texto.
- 1:41:33Outros chefes cozinhas tradicionais, de receitas
- 1:41:37tradicionais brasileiras. De receitas autorais, né?
- 1:41:40De chefes. Convido todo mundo para fazer um
- 1:41:43pequeno livro sobre mandioca. Um livro sobre mandioca com
- 1:41:47cultura e com muita história. Tá com a foto, ó, aqui no
- 1:41:54finalzinho, a talla é o seguinte, eu tenho uma foto.
- 1:41:58Que foi retirada do nosso episódio.
- 1:42:00Não é aquele aí, ó? É aí eu vou te fazer uma
- 1:42:03pergunta, você escreve a resposta atrás dessa foto e a
- 1:42:08gente vai sortear essa foto para os ouvintes do JJ podcast.
- 1:42:12Vamos lá, que é a última pergunta do JJ podcast que eu
- 1:42:15faço pra todos os convidados. Se você pudesse dar uma mensagem
- 1:42:17pra 8 bilhões de pessoas, que mensagem seria essa?
- 1:42:27Eu já sei. Mensagem, estou tirando o
- 1:42:28formato dela aqui, vou mudar aqui.
- 1:42:57Comer, comer pode ser devorar comer, pode ser consumir, certo?
- 1:43:08Alimentar e nutrir boa. Você não alimenta só o corpo,
- 1:43:11você alimenta uma alma. Boa é.
- 1:43:14Você não alimenta uma alma com comida.
- 1:43:16Você alimenta uma alma com ações, com fé, com outras
- 1:43:20coisas. É, é as nossas, as nossas, as
- 1:43:24nossas. A nossa cultura talvez seja
- 1:43:26muito ligada ao acúmulo, quanto mais rico, quanto mais sábio,
- 1:43:32quanto mais viajado. Muitas culturas, entre elas
- 1:43:40algumas culturas tradicionais brasileiras.
- 1:43:42Os nossos povos originários, eles acreditam?
- 1:43:48Falei, aqui, o índio não pega 2 peixes, ele pega o peixe que ele
- 1:43:52precisa comer. Exato, eles se alimentam, ele
- 1:43:57respeita, ele OOOO maior ativo que ele tem não é a Posse, é O
- 1:44:03Presente. Então, a gente.
- 1:44:05Tem que se alimentar. Uau alimente se senhoras e
- 1:44:11senhores. E esse foi o JJ podcast com o
- 1:44:14meu amigo Alex atala. Olha a foto, olha aqui, se você
- 1:44:20gostou, deixa a gente saber, comenta.
- 1:44:22Compartilha tuas redes sociais Alex atala e é isso, a Alex
- 1:44:27atala encontra, segue o atala nas redes sociais, manda
- 1:44:30mensagem, compartilha, deixa ele saber, deixa ele sentir.
- 1:44:33O carinho desse episódio e você também, obrigado pelo seu tempo,
- 1:44:37obrigado pela sua audiência, nós estamos aí há tanto tempo
- 1:44:40colocando conteúdo para vocês, muito felizes.
- 1:44:42Obrigado por colocar aí o JJ podcast como primeiro podcast de
- 1:44:46negócio há 4 anos consecutivos. Gente, é muito orgulho, é um
- 1:44:49prazer tremendo de estar com todos vocês, tá bom?
- 1:44:51Um beijo forte e um grande abraço.
- 1:44:53A gente se vê no próximo JJ podcast, valeu, tchau.